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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O PROFETA

 

O Chairman e o CEO da geringonça reuniram algures na província a fim de tomar medidas adequadas à tragédia dos fogos. Muito bem!

Não se sabe ao certo o que terão resolvido no seu tête-a-tête. O chairman veio à praça dizer umas coisas a partir de já conhecidas cassetes. O CEO, mais eficaz, contemplou o povo com algumas interessantes declarações, das quais é justo destacar a previsão de inúmeras desgraças durante o fim de semana que se aproxima. Como é natural, o nosso alto dirigente identificou as causas da sua previsão. São elas: o vento, as altas temperaturas e a falta de humidade na atmosfera. Ter-se-á esquecido do aquecimento global, do CO2 e de outros desmandos da humanidade. É de pensar que, tratando-se de um ateu, não se referiu ao São Pedro.

Dois meses depois de incessantes desgraças, novas e maiores catástrofes virão cá passar uns dias. Um fim de semana trágico, sabe-se lá com que consequêcias. Preparem-se, foi caridoso e sensato conselho do CEO. O povo agradece.

Mais importante nas palavras do ilustre político foi o anúncio da sua preclara decisão: declarar o estado de calamidade, com as suas consequências na limitação de direitos das pessoas e no alargamento dos das “autoridades”. Compreende-se que se declare tal estado depois de acontecer alguma catástrofe. Declará-lo antes da catástrofe é mais uma originalidade da criatura. Por outras palavras: o país arde há dois meses, e não houve calamidade nenhuma. Mas quando o fulano resolve anunciar um infernal fim de semana, então sim, determinou o estado de calamidade a priori. Há azar porque ele anunciou que vai haver azar, não porque tenha havido.

Outra reflexão nos deixa um pouco atónitos. É que, conclui-se das iluminadas palavras de sua alteza republicana, há fogos por culpa de tudo, menos de quem os ateia. Causas naturais, por certo. O mato, farto da canícula, resolve suicidar-se, e é o que se vê. Também poderá haver alguma negligência, mas a verdadeira causa é a fúria da Natureza. Genial.

Os números dos incendiários detidos oscilam entre os 74 e os 93, segundo os humores dos jornalistas ou as “informações” das autoridades. Mas tal gente, tais suspeitos, tais criminosos, não fazem parte das preocupações da geringonça. Isto, enquanto por aí já se fala em cartéis de incendiários, se prova reacendimentos absurdos, “naturalmente” impossíveis, perímetros de fogo estudados e executados... Nada disto existe, no parecer de quem diz que governa.

Em conclusão, sigam o conselho do profeta Costa. Preparem-se! E, sobretudo, não contem com ele para vos acudir.

 

18.8.17          

DO DESLEIXO

 

Ele há coisas do arco da velha. Antigamente, contra o parecer de inúmeros especialistas, a CML costumava podar as árvores da cidade, coisa aliás comum em inúmeras capitais europeias. Parece que, ou por influência dos tais especialistas ou, o que é mais provável, por mero deixa-andar camarário, há décadas que tal prática foi abandonada.

O resultado vê-se por toda a parte. A Avenida da Liberdade é hoje um túnel de frondosos plátanos, talvez bonito, mas perigoso. O mesmo se passa no Campo Pequeno e em inúmeras outras zonas da cidade. Não é preciso ser “especialista” para saber que há espécies cuja poda é fundamental para manter a sua vitalidade, e que a ausência de tais cuidados redunda no seu progressivo enfraquecimento, por muito ilusoriamente frondosas que se apresentem. De vez em quando, cai uma pernada. Se cai, é porque devia ter sido podada a tempo e horas. São inúmeros esses casos. Ao longo dos anos, as fraquezas das pernadas entram no tronco principal, e a vida da árvore é encurtada.

Ninguém dá por isso, porque o tempo das árvores não tem a ver com o das pessoas. Mas, se se der uma volta por locais como os que cito acima, e se olhar com olhos de ver, facilmente se encontra exemplos claros de situações perigosas. Não é preciso ser botânico, silvicultor ou jardineiro. Basta olhar.

A tragédia da Madeira é um violentíssimo sinal da situação. Começou a caça às bruxas. Mas, mais uma vez, ninguém será responsável, a não ser que se culpe gerações de abandono e desleixo.

Ao menos que tal tragédia sirva para despertar consciências, na Madeira como em Lisboa e no resto do país. Servirá? Não acredito.

 

16.8.17   

FANFARRONADAS

 

Anafado, Capoulas veio lamentar-se publicamente da ignorância a que foi votada a sua reforma florestal, a melhor, a maior, a mais importante reforma desde os saudosos tempos de Sua Mercê o Senhor Dom Dinis, Rei de Portugal e do Algarve. Só ele, Capoulas, conseguiu igualar, quem sabe se ultrapassar, essa gigantesca figura da nossa História.

Coitado, confessa, ninguém deu por nada, os comentadores, os técnicos, os filósofos, os historiadores, os políticos, o povo, ninguém se debruçou sobre tal e tão portentoso feito nem lhe deu o merecido a apoio ou o elogiou! Injustiça! E, acrescento eu o que Capoulas omitiu, a coisa foi de tal ordem que nem a geringonça tomou conhecimento ou publicitou a inigualável obra. De tal forma que, por causa do Pedrógão, se apressou a legislar outra vez, passando-lhe por cima, desta feita sob a alta inspiração da dona Catarina (sabe-se lá se nova Santa Isabel, Senhora de Dom Dinis), reformando a floresta segundo os princípios do socialismo revolucionário, e até com a chancela do senhor de Belém.

Passando em revista a obra do genial Rei (mal sabia ele que, oito séculos depois, o Capoulas o ia igualar), vejamos as bases do capoular orgulho, ou a ausência delas.

Não consta que Capoulas tenha, como o Senhor Dom Dinis:

- Feito poesia ou obra de alta cultura, a dasafiar o seu tempo;

- Criado as fronteiras do país, o Estado-Nação ou a consciência nacional;

- Instituído o Potuguês como língua oficial;

- Criado uma universidade;

- Centralizado o poder;

- Mandado explorar minas;

- Feito acordos comerciais com o estrangeiro;

- Fundado a marinha portuguesa;

- Criado a Ordem de Cristo e libertado a de Santiago do domínio castelhano;

- Feito ordenações várias;

- Criado e conservado o pinhal de Leiria;

- Tido filhos de oito mulheres.

 

Como nada disto fez Capoulas, porque é que se compara a Dom Dinis? Mistério.

Procurando levantar o véu de tal mistério, o IRRITADO atribui a comparação à ignorância, à pesporrência, à imodéstia saloia e convencida, à inferioridade cultural ou à idiotia do nosso chamado ministro da agricultura.

Parece que a própria geringonça deu mais pela fanfarronada que pela obra, o que é de uma assinalável originalidade.

 

14.8.17

CENTENO, O PRESIDENCIÁVEL

 

Reza quem faz contas que o nosso inacreditável homem tido por ministro das finanças já se ofereceu pelo menos cinco vezes para o cargo de presidente do eurogrupo. O facto tem a grande vantagem de, perante tão grande e tão absurda ambição, poder vir a levantar resistências entre aqueles que virão a decidir e que, pelo menos em princípio, não estarão para aturar galarós. É que, apesar de tudo o que se sabe e não sabe, ainda há, entre os governos do euro, quem tenha algum juízo.

Mas o homem não se cala. A cada esquina, a cada propósito ou despropósito, vai dizendo que quer o lugarzinho. O chamado primeiro ministro embarca a cada oportunidade, sem dar pelo ridículo em que nos mete.

Entretanto, cá na santa terrinha, continua a trafulhice habitual. Depois das contas duvidosas do défice, do aumento da dívida para números nunca vistos (250.000.000.000 de euros – dois dígitos mais dez zeros à direita!), do crédito às empresas a minguar (o mais baixo desde que há números – há 14 anos) e a disparar para as compras de andares e correlativos, numa relação de assustadora, a anunciar mais bolha, mais imparidades, etc., vem o Tribunal de Contas denunciar a imaginativa contabilidade pública do fulano – três entidades debaixo do tapete, mais quinze que nem contas apresentam! Não se conhece o montante destas sujeiras, mas, a avaliar pelos hábitos tradicionais do PS, é legítimo pensar que será pelo menos astronómico.

E é o artista responsável por tudo isto e muito mais (se é que há, na geringonça, alguém responsável seja pelo que for) quem quer ser presidente do eurogrupo!

Valha-nos santa Pafúncia!

 

12.8.17

TRABALHAR FAZ CALOS

 

Houve esperança nas almas quando o anterior bastonário dos médicos foi substituído. Veio um novo, com bom aspecto, e julgou-se que muito iria mudar. Baldada expectativa.

O novo homem continua a confundir a Ordem com um sindicato, a apoiar greves e outros atentados à saúde pública, em vez de, na sua posição e no uso das suas competências institucionais, procurar prestigiar a classe e promover a qualidade dos serviços que presta.

A última descoberta do dito senhor é a da ingente necessidade de legislar para que a profissão seja considerada “de desgaste rápido”. Não é. Ou é-o tanto como outra qualquer. Não faltam médicos que, passada a idade da reforma, querem continuar a honrar a profissão. Pelo menos estes não se consideram “desgastados”. Há um médico que tem, desde há muitos anos honrado a minha família e eu próprio com o seu saber. Tem 82 anos, razão única para já ter sido corrido de vários hospitais. Mas não se considera desgastado. O Dr. Gentil Martins (cito o nome porque é público) continua a ser quem sempre tem sido – se o BE estivesse sozinho no governo, Gentil Martins estaria preso ou deportado no Burkina Fasso. Se se cumprisse a vontade do bastonário, estaria em casa, porque estava “desgastado”.

O bastonário acha os colegas mal pagos. Talvez seja verdade. Mas não é o que acontece com a esmagadora maioria dos portugueses? A medicina é uma profissão nobre, ou que deveria sê-lo. E já tem privilégios, como o de se tornar inamovível funcionário público desde o dia da licenciatura. Não chega? Talvez.

Diz-se que trabalhar faz calos. É verdade. Por isso, os médicos deviam ter as mesmas condições de reforma que os demais, que também têm calos. Depois, se quisessem ir para casa, que fossem. Se não quisessem, que continuassem até poder. Mas não deviam ser considerados “desgastados” por decreto.

E deviam ter direito a um bastonário que não se ocupasse a apoiar greves, antes velasse pela competência e humanidade dos serviços que os seus pares “vendem” à comunidade.

 

11.8.17

É ASSIM

 

A chamada ministro da administração interna,na sua brilhante conferência de imprensa, respondendo a perguntas, disse umas trinta vezes “é assim”, naturalmente inculcando o vício do erro e da mentira a quem achar que “não é assim”.

Seria engraçado, se o que disse não fosse grave. O que disse ela: que o governo abriu guerra contra o SIRESP. Esqueceu pelo menos, dois factos, a) que o governo é maioritário na parceria da coisa e b) que compete ao governo fiscalizá-la.

Nesta ordem de ideias, pareceria honesto que o governo, maxime ela e o chamado primeiro-ministro, assumisse as falhas que diz que detectou tarde e más horas. Pareceria honesto que a criatura assumisse a responsabilidade de jamais ter fiscalizado a coisa, em vez de disso acusar o ajudante de um director ou secretário geral qualquer.

Há outro bode, também devidamente identificado pela mesma senhora: a protecção civil. Pareceria honesto que, estando tal organização sob a sua dependência, e tendo as suas chefias, por iniciativa dela, sido substituídas por adeptos da geringonça dois meses antes da época dos incêndios, batesse com a mão no peito e pedisse desculpa das sua geringonciais decisões.

Mas o que parece honesto para a generalidade das pessoas, não tem nada a ver com o chamado governo. É outra coisa. Honesto, para Costa e adjacentes, é não assumir qualquer sombra de responsabilidade, aguentar-se, assobiar para o ar, dançar a conga, e andar aos beijinhos atrás do senhor de Belém. É assim.

 

11.8.17    

DA BURRICE IDEOLÓGICA

Por iniciativa do BE, deu-se aquilo a que se pode chamar a irreversibilidade da propriedade municipal da Carris. Segundo a lei aprovada pela malta apoiante da geringonça, a reversão da eventual privatização da concessão é coisa a continuar per omnia secula seculorum.

O senhor de Belém que, juridicamente, não é parvo, vetou a coisa com luvas de renda, isto é, argumentou com a leveza e o respeitinho que lhe merece a referida malta.

Há manifestações deste tipo (“irreversibilidades”) na Constituição que temos, algumas delas já ultrapassadas em revisões da dita. Mas, para acabar com outras disposições da mesma laia, será preciso estar em período de revisão constitucional e reunir para o efeito dois terços dos votos.

Não é o caso do caso da lei da Carris. Se ela passar, bastará a qualquer novo arranjo parlamentar revogá-la por maioria simples. Donde, a nova lei é pior que parva. Quer ser para sempre (um inultrapassável vício da esquerda, dona da “razão” e do “futuro”), e não pode. E, pelo menos neste sentido, é estúpida como os combóios. Desta feita a ideologia totalitária que a inspira auto-denuncia-se enquanto tal. Com o apoio deste PS, de quem tudo se pode esperar.

Engraçado é verificar que o Medina também é contra a lei, não por falta de fé esquerdoide, mas por medo de de perder uma fatiazinha de poder. É que, diz ele, a CML fica impedida de gerir o buraco como entender. Como já percebeu que, sozinho, não vai lá, quer deixar em aberto a possibilidade de recorrer a alguma esmola. Resta saber se haverá por aí algum benemérito.

 

10.8.17

A INVASÃO

 

Havia um ilha, ali para os lados do Pinhal Novo, antiga floresta de pinheiros e hoje lugar da maior exportadora do país. Uma ilha de trabalho, dignidade, bem estar e paz social, num arquipélago que estiola sob o domínio dos nossos maduros, servos da Intersindical, soldados da guerra contra a democracia, a economia e a paz, dirigidos por um vanguardista, arauto do comunismo nacionalista, apropriadamente aparentado com o fascismo radical.

Os tipos das outras ilhas, sob  chefia do nacional Lenine, Arménio de seu nome, foram, aos poucos, abordando  esta, até que deram a volta aos ilhéus. Fartos de um sistema privilegiado em relação ao arquipélago, ao ser-lhes propostos novos privilégios a troco de umas horitas de trabalho, resolveram dizer que não, não precisavam de mais uns euros por mês, nem de mais um dia de férias, nem de nada que se parecesse. Trabalhar mais umas horas, não! Que diabo, somos trabalhadores, não cidadãos conscientes - era o que faltava, não contem connosco para brincadeiras.

O carrito vai atrasar-se em relação aos compromissos da firma? Que temos nós com isso? Nada. O problema é deles, dos patrões, das multinacionais, do capitalismo, do neoliberalismo, do Passos Coelho. Não é nosso. Para prová-lo, vamos mas é fazer umas greves, que  é o que recomenda o camarada Arménio com o apoio do comité central.

Uma alegria, rapazes, uma alegria. Se demos, com tanto sucesso, cabo da CUF e de outras organizações esclavagistas, por que carga de água não havemos de dar cabo da Auto Europa? O camarada Pedro Nuno Santos não dizia que havíamos de pôr os alemães de joelhos?

Resta saber o que farão os tais patrões. Se a mostarda lhes chegar ao nariz, são capazes de ir estabelecer-se, total ou parcialmente, noutras ilhas, que as há para aí com fartura, sem Arménios nem comités.

 

8.8.17

PONTOS NOS IS

 

Leio no jornal que o governo espanhol quer que a UE endureça as suas posições em relação à ditadura protocomunista da Venezuela.

Há um abismo, que já há semanas se nota, entre a atitude da geringonça e a do governo espanhol. Titubeante, palavroso e “diplomático”, o assim chamado ministros dos negócios estrangeiros vai dando uma no cravo outra na ferradura. Parece estar à espera de melhores dias para aliviar as hesitações. Ao contrário do colega castelhano, limita-se a pendurar-se na “Europa”, evitando quanto pode dizer coisas que possam ferir  sensibilidade do tirano Maduro, versão camionista de Chávez, ou do neobolchevista Boaventura, produto ou produtor da filosofia dos “cientistas sociais” da Universidade de Coimbra.

Não cola a desculpa peregrina da presença de muitos portugueses na Venezuela. Como não colaria se à geringonça ocorresse lembrar-se das empresas portuguesas que lá foram levadas pela mão do PS (com a serôdia colaboração do Portas) e que jamais verão de volta os créditos que por lá deixaram: essas não contam, certamente porque à geringonça não cabe defender empresários, eventualmente neoliberais.

Vejam lá se os espanhóis usam, para se pôr nas encolhas, o ainda maior número de cidadãos que lá têm, ou das empresas espanholas encravadas na sangrenta  pacotilha do “bolivarianismo”.

Talvez seja por terem no sítio coisas que por cá escasseiam. E porque são um bocadinho mais espertos que os da geringonça. É que, quem pensar um pouco, pode pôr esta questão: o que convém mais aos portugeses, ser mansinho para o Maduro ou fazer-lhe frente? Parece que os espanhóis são capazes de ver mais longe que o Largo do Rilvas.

Maduro cairá, a não ser que tenha meios para levar por diante a clássica revolução  comunista, com o seu cortejo de cadáveres e de esfomeados. Como não tem tais meios, cairá a médio prazo.

Não seria mau, para os portugueses e para a Venezuela, que desde já, Portugal pusesse os pontos nos is.

 

7.8.17

UM URINOL DE BORLA

 

O camarada Fernandes sim, o da CML, como é sabido, causou à dita, de sociedade com o PS, prejuízos de dezenas de milhões com a suas estúpidas arrancadas contra o túnel do Marquês.

Não contente, aliviou e vai continuar a aliviar a cidade de centenas e centenas de milhões por mor da sua estúpida, odiosa e pidesca campanha do Parque Mayer/Entrecampos. Com o apoio do PS, como é de salientar.

Além disso, fez uma entente com o ilustre conselheiro de Estado e actual porta-voz de Belém, um tal Marques Mendes, para destronar um homem sério e bom Presidente, Carmona Rodrigues, mais uma vez com argumentos estúpidos e aldrabões, como veio a ser provado à saciedade. Com base nesta honestíssima inicitiva, deu - neste caso deram - a câmara ao PS.  

 

Mas, corações ao alto! O homem regenera-se. É que, segundo declarou, “Todas as entradas de Lisboa têm uma árvore plantada por mim e pela minha filha. Não digo é onde elas estão”.

Uma ternura.

É pena que não diga onde estão as tais árvores, se é que existem. Seriam bons locais para os alfacinhas irem pôr os cães a mijar.

 

6.8.17

ASAE, OU QUÊ?

 

Segundo me é dado pensar, ASAE quer dizer autoridade para a segurança alimentar e económica.

É nessa nobre e higiénico-policial missão que a dita organização manda fechar as tendas dos ciganos, fecha restaurantes e bares onde caça baratas e toma drásticas medidas contra antros onde há quem seja autorizado a cometer o gravíssimo crime de fumar um cigarrito. Muito bem!


Vem nos jornais que um conhecido carteirista, após ter feito fortuna a aliviar turistas dos seus tostões na carreira 28, abriu um restaurante, actividade legítima e presenteada pelo Estado, mercê de mui elogiada iniciativa da esquerda e do CDS, com IVA a 13%.

Tudo óptimo. É um alegria ver um trabalhador abandonar a economia paralela e entrar, todo lavadinho, nos negócios legais. Um espécie  filho pródigo que regressa a casa cheio de boas intenções. Louve-se, admire-se, aplauda-se.

Ora o estabelecimento do referido camarada usa uma lista sem preços e cobra 150 euros por um bife com batatas e 250 por uma “mariscada” “à la manière”.

E é aqui que a ASAE não entra, e com razão. Os preços não estão tabelados, se a tasca está limpinha, nada a dizer ou a fazer. É de pensar que  ASAE acha que, a haver intervenção, tal competirá à AC, autoridade da concorrência. Mas como? O filho pródigo não faz concorrência a ninguém, neste aspecto até é um benemérito!

E como ainda não há autoridade para o preço dos bifes e dos camarões, que há-de o Estado democrático fazer?

Recomenda-se vivamente a solução: o BE que faça um projecto de lei, com agendamento potestativo, destinado proibir estas arrancadas capitalistas, especulativas e neoliberais, não se esquecendo de, no respectivo preâmbulo, apontar o dedo aos verdadeiros culpados destas situações: o governo anterior e o Dr. Passos Coelho.

 

6.8.17

MADURICES

 

Nos idos de 74, o generalato português reuniu com o chefe do governo da ditadura para lhe manifestar o seu incondicional apoio, em brilhante cerimónia que ficou conhecida como da brigada do reumático.

Alguns dos participantes, semanas depois deste solene compromisso de honra, estavam por dentro, por trás ou ao lado do golpe que destronou o  senhor que tão vigorosamente tinham apoiado.

Ontem, as forças armadas da Venezuela declararam o seu apoio ao tirano local, camarada Maduro, homem que, em sábias palavras, declarou que “ama a Deus e que Deus o ama”. O caso, se pensarmos no que se passou por cá, pode trazer alguma esperança. Se a brigada de lá for como a de cá, a ditadura tem os dias contados.

É claro que há outra solução: aquela que o próprio Maduro (antigo camionista gay) e o professor Boaventura, burro local, preconizam: a invasão americana. Tal coisa nem pela cabeça tonta do Trump passa, mas é óptima para manter os adeptos contentes, prenhes de patriotismo e justo ódio.

 

Já agora, outro nacional paralelismo com a saga venezuelana. Quando a malta começou a perceber que a revolução dos cravos estava a ser tomada de assalto pelos soviéticos do PC e pelos ignorantes do MFA, um amigo meu, autodidata e boa pessoa, olhava o mar salgado e, avistada uma lancha da marinha ou equivalente, dizia: aí estão eles (os russos), que vêm invadir o país! Tempos depois, eram os do PC/MFA que espalhavam a notícia de que Kissinger, ajudado pelo Carlucci e pelo Mário Soares, se preparava para ordenar uma intervenção.

O inimigo externo sempre serviu para alimentar ditadores e maluquinhos de vária ordem. Pode ser que isso sirva de inspiração à brigada do reumático de Caracas.

 

2.8.17      

PODERES

 

Segundo Marcelo, “Cabe ao Presidente interpretar o que é ser comandente supremo das Forças Armadas”.

Não cabe. Tal coisa está regulada, desde 1982, na chamada “Constitução da República”. Em pormenor q.b., sem lugar a dúvidas. É estranho que um sexagenário, professor de direito, na política desde há eras, não saiba onde ir buscar fontes de interpretação, ou onde está a primeira delas, a que o legislador constitucional quis que fosse. Muita coisa há, na Constituição, que causa as maiores dúvidas, suscita polémicas, é confusa e atrabiliária. Não no que se refere aos poderes do Comandante supremo. Estes estão descritos, e limitados, sem lugar a dúvidas. São funções, não poderes, e são as que lá estão, mais nada.

Já Sampaio se tinha permitido extrapolar executivamente os poderes de comando que não tinha.

Temos nova anunciada “interpretação”. Esperemos que, desta vez, não dê em droga.

 

31.7.17     

A CULPA

 

Num dos seus artigos domingueiros, o pensador Vicente Jorge Silva titula: “A culpa irá continuar a morrer solteira?”. O artigo tem reduzido interesse, limitando-se o autor a repetir o que por aí já se disse mil vezes, com as habituais diatribes contra a “politização” “despudorada” e outras repetições da cartilha em vigor.

Generosamente, o IRRITADO vem satisfazer a curiosidade do homem, respondendo à sua pergunta: a culpa já morreu, tão solteira como nasceu. Morreu, no dia em que foi aceite a continuidade da ministra e as suas infindáveis trapalhices. Morreu, no dia em que o da defesa se declaoru responsável e, logo a seguir, se desresponsbilizou. Morreu, no bailarico diário do chamado primeiro-ministro, morreu de férias nas Baleares, morreu em todas as instâncias ditas responsáveis, morreu no passa culpas permanente de todos os dependentes do governo. Morreu, na vitória dos eucaliptofóbicos, dos generais geringonços, na continuidade da inocência dos mais altos culpados.

Resta saber se haverá por aí algum bode expiatório, profissionalmente eleito pelos técnicos. Lá por cima, a culpa continuará irremediavelmente defunta, a boiar no mar dos casos encerrados.

 

31.7.17

ESCOLAS

 

Em tempos que já lá vão, passei cinco anos no Liceu Passos Manuel. Morava nos confins de Benfica, no extremo mais extremo da cidade. Saía de casa pelas 7.15, ia a pé os 900 metros que me separavam do terminal do eléctrico, viajava até à Alexandre Heculano, aí apanhava a carreira de São Bento, descia em andamento em frente da Assembleia Nacional, subia a correr as escadinhas da Arrochela, mais uns 500 metros a subir e a descer e, às 8 e 30 em ponto, estava na aula. 6 dias por semana.

No Passos havia de tudo. Fidalgos, meninos ricos, remediados e pobres. Havia quem viesse de Almada, do Barreiro e mais não sei donde, filhos de doutores, de guardas fiscais, de operários, de meretrizes, tipos do Cais do Sodré, tipos da Lapa. Era o que se podia chamar, em termos de hoje, um liceu inter-classista.

Depois, andei no Camões, com grande desgosto meu pela mudança, mas a minha alínea não era ensinada no Passos. Nada mau, menos longe de casa e mais “bem frequentado”.

Quer isto dizer que o critério de admissão, se o havia, era o das vagas. Os pais procuravam o mais perto mas, se não houvesse vaga, ia-se para onde a houvesse.

Os tempos mudaram, e mudaram para muito melhor. Toda a gente tem secundário – com outro nome qualquer – o número de alunos e de escolas aumentou e, com elas, subiu brutalmente a frequência e a oferta.

Entretanto, inventou-se duas coisas, uma a que se poderá chamar o critério da proximidade, outra chamada liberdade de escolha. A primeira dá prioridade na inscrição aos tipos do bairro, a segunda não se aplica porque contradiz a primeira. Os pais, que querem o que acham melhor para os filhos, se não moram no bairro da escola escolhida inventam uma morada pirata e resolvem o problema. O critério da proximidade é mandado às urtigas, isto é, não é tão importante como julgavam os intelectuais da educação. A alegada melhor qualidade do ensino prepondera nas escolhas, independentemente da proximidade.

Quando os dois critérios levam ao mesmo resultado, tudo bem. O pior, ou o melhor, é que a liberdade de escolha segue os seus humaníssimos caminhos.

Parece que, agora, vão perseguir as moradas pirata. Ou seja, volta-se à proximidade, dá-se cabo das fugas para a liberdade de escolha.

Donde, a única conclusão possível é a de que é aconselhável voltar ao antigamente: as escolas têm xis vagas, quem se inscrever primeiro, entra. Quem chegar atrasado, vai tratar da vidinha para outro lado. Trará inconvenientes e chatices a muito boa gente, o que não é dramático e faz parte da vida de cada um. Por outro lado, alargar-se-á o tal interclassismo, tão do agrado de tanta gente, e que nunca fez mal a ninguém.

 

30.7.17

RESPEITAI A VELHICE!

 

Segundo reza a propaganda do Medina, os velhotes que não morrerem até ao fim de 2018 terão à disposição, em 2019, um call center em regime de dedicação exclusiva, gentilmente posto à sua disposição  pela CML, obviamente mediante o pagamento de uma taxinha.

O IRRITADO,  na sua qualidade de velhote (“idoso”, no linguarejar oficial), desde já apresenta os seus sinceros agradecimentos à generosíssima edilidade, bem como elogia a prontidão do futuro serviço, isto é, a rapidez (ano e meio) com que a CML porá a funcionar uma coisa tão original e tecnologicamente inovadora e complicada como um call center.

Diga-se, com redobrada gratidão, que a nova “infraestrutura comunicacional” não terá funções concretas, isto é, foi anunciado que servirá para reencaminhar os utentes para as agências dedicadas, segundo a natureza dos pedidos ou problemas dos idosos.

Assim, de forma prospectiva, com o aval do INE, da Universidade de Fornos de Algodres e da Comissão de Protecção de Dados, pode ser elaborada a chamada-tipo que virá a ser efectuada por um idoso a braços com a impossibilidade de se entender com o micro-ondas.

- Divisão camarária da assistência a idosos, boa noite.

- Boa noite, minha senhora...

- Se deseja ser atendido em português prima 1, se deseja ser atendido em inglês prima 2.

O idoso põe os óculos, procura no telemóvel a forma de ir buscar o teclado dos números e carrega no 1.

- Se o seu problema é de natureza assistencial prima um, se precisa de atendimeno psicológico, prima 2, se quer apresentar uma queixa prima 3, se é questão de saúde prima 4, se quer falar com um assistente prima 5.

Como o idoso não percebeu nada, prime 5, já que o que queria era falar com alguém. Ao fundo, ouve-se uma canção romântica do Quim Barreiros. O idoso espera, põe o som mais alto e fica a ouvir.

- De momento, os nossos atendedores estão ocupados.

Volta o Quim Barreiros.

- Ainda não foi possível atender a sua chamada, Se quiser que nós lhe liguemos, queira indicar o seu número. Caso contrário, informamos que o tempo de espera é de, aproximadamente, sete minutos.

Entra o Salvador Sobral. O idoso fica mais contente. Passam 9 minutos e quarenta e cinco segundos. Minuete de Boquerini. Até que:

- O meu nome Tânia Vanessa Natacha da Conceição. Queira indicar o número do contribuinte.

O idoso poisa o telefone e vai à mesa de cabeceira buscar o número.

-  999 457 123.

- Morada?

- Rua da Geringonça, 69, quarto esquerdo.

- Código Postal?

- 394700235

- Negativo. Isso não é código postal.

- Tem razão, é o número de telefone da minha cunhada.

- Código postal?

- Um momento, minha senhora... é o 2390-432.

- Idade?

- 83.

- Cartão do cidadão?

- 9786543

- Muito bem. Em que posso ser útil?

- É que, minha senhora, estou cheio de fome e não consigo pôr o micro-ondas a funcionar.

- Pois, mas essa funcionalidade não consta das pretensões elegíveis.

- Ah!

- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?

- Não, minha senhora... olhe, se vir o Medina, mande-o abaixo de Braga.

- Resta-me avisar que esta chamada, dado o tempo gasto, será taxada em 2,35 euros.

Clic.

 

Prestado tão relevante serviço, dona Tânia Vanessa candidata-se a um prémio de eficiência e assiduidade.

 

30.7.17

UM DIA EM GRANDE

 

Ontem, assistimos a um autêntico festival da geringonça. No seguimento das declarações “parvas” do chamado primeiro-ministro e da sua papagueadora Mendes (a que o IRRITADO já prestou as devidas honras), os reaccionários da geringonça tiveram por conta os noticiários e os opinantes de serviço.

O careca factotum das esquerdoidas na primeira página mais três do Público e em mais uma do DN; aquele tipo que dizia que se estava nas tintas para o défice e a dívida e que havia de pôr o Schäuble de joelhos convidado para grande entrevista na balsemónica TV, condenatório e ordinário inquisidor...

Tudo repetido à saciedade de meia em meia hora a hora em todos os canais...

E isto para falar só dos “órgãos de informação” que folheei ou vi.

A culminar o ramalhete “informativo”, a oposição à oposição teve por conta o triângulo da quadratura, onde, a somar às habituais diatribes do Pacheco e do Coelho, tivemos a colaboração prestimosa do Xavier, com certeza ansioso por criar “pontes” para o outro lado, excedendo-se em ditirâmbicas baboseiras sobre o “estado” do PSD, dando umas dentadinhas ao CDS, e safando o Expresso (a SIC deve pagar bem...) da culpa de todas as confusões e o Costa de ter andado um mês a brincar às escondidas com os cadáveres. Falta citar, entre outros, a desgraçadinha da ministra e a série de inanidades que proferiu, bem demonstrativas de que já aprendeu umas coisas no que se refere a fazer oposição à oposição em vez de informar. Mais um “acontecimento” a rechear os noticiários de matrerial geringonçico.

Sejamos justos: as mesmas televisões, dando largas à sua “independência” e ao seu “pluralismo”, contemplaram a oposição com dois ou três segundos aqui e ali.

*

Entretanto, dando largas à operacionalidade do governo e das suas agências, ficámos a saber mais uma importante novidade: as instâncias que tratam da nossa “segurança” souberam do roubo das armas pelos jornais. Não me parece que a culpa, desta vez, fosse do SIRESP, uma vez que, segundo consta, os tipos do SIRP, do SIS, da protecção civil, do exército e de outras lojecas, têm um telemóvel e até, imagine-se, dispõem de internet e outras modernices. Mais uma demonstração evidente da forma competente, atempada e eficaz como estas matérias são tratadas sob a égide do governo do PS, comunas e esquerdoidas.

Mas isto, que seria matéria para correr com uma data de gente em qualquer país bem governado, ou só governado, não fez mossa em parte nenhuma.

Porreiro pá.

 

28.7.17

BATER NO FUNDO

 

“Este não é o tempo de semear a dúvida e a desconfiança”... “é tempo de deixar trabalhar”, são frases marcantes das diatribes do PS pronunciadas pela sua primitiva e/ou primária encarregada de ignaras bocas da oposição à oposição, conhecida sob o nome de governo. De fora desta crítica fica quem lançou, irresposável ou propositadamente, as dúvidas – o jornal dos recados, conhecido por “Expresso”.

“Deixem-nos trabalhar”, dizia Cavaco quando era legítimo primeiro-ministro. Parabéns à criatura por ter copiado. Nalguma coisa tem razão, reconheça-se: não é tempo de semear a dúvida e a desconfiança. É verdade. Mas quem é que semeia a dúvida e a desconfiança, senão a organização a que a fulana pertence, essa desgraça nacional conhecida por PS e sustendada pelos rebuçados (leia-se, as desculpas) dos comunistas? Quem não faz outra coisa senão meter os pés pelas mãos, dizer uma coisa de manhã outra à tarde, uma hoje outra amanhã? Quem é que tem “uma atitude de grande indignidade e irresponsabilidade” senão o chamado primeiro-ministro, os chamados ministros, as “entidades competentes”, os militares de serviço à geringonça, tudo o que mexe, tudo o que está à sob alçada dos tipos do poder que a horrível mulher representa? Sim, ela tem razão, mas de pernas para o ar.

Denuncia o “ultimato” do PSD. Pois, talvez tenha sido uma espécie de ultimato. Pelo menos teve o efeito pretendido, e ainda bem. Se não fosse o ultimato ainda hoje estaríamos mergulhados na pantomima do “segredo de justiça”. Se não fosse o pânico da geringonça de se ver metida num debate parlamentar pelo menos inconveniente, já teria sido publicada a lista, a tal que, nas palavras mentirosas do chamado primeiro-ministro “não compete ao governo publicar”? O tal chamado ultimato funcionou: o cagaço levou a melhor.

O chefe do PS arranjou maneira de meter a PGR ao barulho, coisa lamentável e, essa sim, “indigna e irresponsável”. Não compete ao governo publicar? Então de quem dependem TODAS as entidades a quem competia fazer as contas? A verdade é que estavam feitas há semanas, mas, sabe-se lá porquê a não ser por causa da lei da rolha, eram mantidas em segredo, não de justiça mas de falta de respeito pelos mortos e pelos vivos.

A oposição à oposição funciona. Mal, mas funciona. A culpa á da “direita”, não do Expresso. Só falta dizer que foi o PSD que deitou fogo às matas. Já não era a primeira vez – lembram-se dos incêndios de Sintra, nos velhos tempos do jornal “A Luta”, coisa de plumitivos oficiosos do PS?

Em matéria de seriedade, direi que ainda não batemos no fundo porque o PS ainda existe e, na matéria, para o PS não há fundo.

 

27.7.17

OS MAIORES

 

A história do segredo de justiça em que estaria o número oficial de vítimas mortais do incêndio de Pedrógão não cabe na cabeça de ninguém. Não acredito que a PGR, de reconhecida competência, tivesse determinado tão gritantemente absurda coisa. Nem acredito que o governo, se tivesse um mínimo de respeito pelo cidadão, não pudesse divulgar tal número. E ainda acredito menos que o Expresso tivesse lançado a campanha dos números falsos sem alguma intenção escondida, ou sem prestar um serviço sabe-se lá a quem e porquê.

Nada disto é tão espantoso como se possa imaginar, dado o panorama “informativo” a que o governo nos sujeita e a habitual “competência” da chamada comunicação social.

O país, a somar aos incêndios, à monumental trapalhice em que foi submergido, às “bocas” contraditórias, umas em cima das outras, com que as várias instâncias oficias baralham as pessoas na ânsia de sacudir o fogo do capote, foi entretido com a mirífica história do segredo de justiça. Para disfarçar o quê? Para esconder o quê? O que se sabe, e talvez seja verdade, é que o chamado primeiro-ministro, apertado, telefonou à PGR, e que esta senhora o ajudou a secar as penas por ter andado a contar uma história sem pés nem cabeça.

Em matéria de verdades alternativas, estamos à la page. Somos os maiores, como diria o senhor de Belém.

 

26.7.17

GERINGONCIAL LÓGICA

 

Por muito que já se tenha dito sobre a história das sanções à Venezula de Maduro, não será demais dizer umas coisas.

A União Europeia discute o assunto, não sendo de duvidar que haverá um sim redondo a tal medida. Mas não tão redondo como isso. É que, cá no Ocidente europeu, há um governo que anda aos pinotes a disfarçar a miufa que tem da coisa. Porquê? Segundo o chamado ministro dos estrangeiros, primeiro, não é oportuno, segundo, há lá umas centenas de milhar de portugueses e/ou descendentes.

Uma atitude cobarde, pouco esperta e hipócrita.

Cobarde porque o homem não quer ofender o PC, parceiro de eleição do Maduro e da geringonça; também não quererá cair em menos simpatia, por razões parecidas, nos caveaux do BE, mais bailarino que o PC mas pau para a mesma obra.

Pouco esperta porque, perante o clamor universal que condena o tirano e dada a luta dos venezuelanos, mais cedo do que tarde a criatura cairá; inteligente seria jogar num futuro mais que certo.

Hipócrita, porque utiliza as pessoas (os portugueses) como escudo de protecção do regime bandido em vigor; proteger as pessoas seria apressar a queda da ditadura. Elas agradeceriam.

Pior ainda é o medo que o governo da geringonça tem de ver uma vaga de retornados parecida com a da descolonização exemplar de que ainda há quem se gabe. Tão prontos e generosos que somos a receber levantinos e africanos estrangeiros, e tão oficialmente borrados estamos hoje com a hipótese de vir a receber portugueses.

É a lógica da geringonça.

 

25.7.17

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