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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

BOTAS E PERDIGOTAS

 

Em mais uma manifestação de amor à comunidade, a organização comercial conhecida por DECO vem alertar os portugueses para os malefícios da alimentação a que se habituaram. Do que foi dado a conhecer há algumas conclusões interessantes. Por exemplo:

- Os portugueses, “por razões económicas”, comem mais doces e chocolates que frutas e legumes. Lógico, se pensarmos que os doces e chocolates são mais caros que a fruta. Não é?

- Mais de 77% dos portugueses não têm hábitos saudáveis na sua alimentação. Mas também "não têm qualquer doença com ela relacionada". Em que ficamos?

- Parafraseando o inacreditável Centeno, uma doutora especializada da DECO diz que há “diferenças de percepção” na informação disponível, sobretudo na internet. Donde se conclui que os portugueses, ao contrário da doutora, não percebem nada do que lêem.

Porreiro pá.

 

25.7.17

FORÇA CAMARADAS!

 

Vem hoje no jornal que o festival da Eurovisão, em 2018, vai ser em Lisboa. A tal respeito, o IRRITADO não tem opinião. É-lhe indiferente, já que não faz tenções de perder um segundo que seja com tal treta.

Mas há escândalos no meio disto tudo. Lisboa? Então, e o Porto? Estará o respectivo chefe distraído, ou ficou satisfeito com candidatura à agência das drogas? É tão escandalosa a escolha de Lisboa como escandaloso é o silêncio portista. Perda de qualidades? Deficiência bairrista? Distracção? Algo de estranho se passa, ainda mais em período de autárquicas.

O IRRITADO espera não ter razão. Parece que o anúncio oficial da coisa ainda não foi feito. Estão o senhor Moreira e o outro (o do PS) muito a tempo. Aqui vai um conselho de amigo: não se distraiam, não deixem passar a oportunidade, mesmo que não ganhem esta, haverá sempre uma compensação qualquer, a utilizar na campanha. Força, camaradas!

 

25.7.17

À ESPERA DO SÃO NUNCA

Passadas umas três semanas da desgraça de Pedrógão, ainda ninguém sabe quantos morreram nem quem eram ao certo. O “Expresso” fez parangonas sobre o assunto, mas a montanha pariu um rato (salvo seja!): só descobriu mais um cadáver. Hoje, porém, andam por aí multiplicadores vários. Já há quem fale em mais de cem!

A miséria governamental conhecida por geringonça continua a funcionar comme il faut, incompetente, hermética e caladinha como convém. Não é de estranhar, já que a comprovada norma é a de deixar passar o tempo, a ver se a coisa esquece. O “caso encerrado” está à espreita.

As seguradoras seguem a sua estratégia habitual: pagar, se não houver outro remédio e quanto mais tarde melhor. Dizem, quem sabe se com razão, que não pagam nada porque o governo não lhes fornece dados para tal.

As “informações” oficiais estão “centralizadas” e, por ordem do governo, só são públicas depois de devidamente filtradas por quem de direito(!). As “autoridades” devem estar à espera do relatório dos filtros. Os filtros, se calhar, estão no Algarve ou em Maiorca.

O omnipresente chairman da geringonça já não é tão omnipresente, quer dizer, está calado como um rato, que isto faz mais calos que os afectos.

Os responsáveis políticos (já não se sabe quem nem quantos) passaram à categoria de irresponsáveis e continuam calmamante nos respectivos poleiros, como é justo e salutar.

O chamado primeiro-ministro mostra os dentes por aí, fiel à sua habitual postura “positiva”.

E assim vai a coisa.

 

24.7.17

NOVOS TIRANOS

 

Tive ontem a desgraça de ouvir e ver um prosélito do politicamente correcto ou, mais que isso, um Torquemada dos nossos dias, a perorar sobre aquilo a que poderíamos chamar “da natureza dos alarves”. Quem viu e ouviu o que eu vi e ouvi já deve ter percebido de quem falo. Para os outros, aqui vai o nome do objecto: Daniel Oliveira, transfuga do BE, residente na SIC e no Expresso.

Para um esclarecimento rápido de quem me leia, resumo numa frase a tese da criatura: a humanidade divide-se em duas classes, uma, que ele representa, outra, a dos alarves. À classe dele compete, entre outros mimosas missões, a de fazer censura “social”, ou seja, à falta de censura propriamente dita – coisa a que o tempo e o lugar (ainda) não são propícios – presentear os alarves, não com críticas ou com contra-argumentos, mas com o mais vigoroso desprezo. Isto ao ponto de encaminhar o sermão para a defesa do não valer a pena dar aos alarves qualquer espécie de conversa. Ele, arcebispo da “modernidade” e dos novos costumes, não  dará. Na estratoesférica altura do seu púlpito, lado a lado com a dona Moreira e outros sacerdotes da razão, longe da miserável plebe dos alarves (representada para o efeito pelo Doutor Gentil Martins e pelo tipo do PSD de Loures) não há lugar para diálogo, tolerância ou discussão: são meros párias, os alarves.

Nem Gandis nem Mandelas: condenção sem recurso! Só faltou a mais lógica das declarações: que saudades da PIDE!

Uma chatice, isto de os tempos serem o que são: no mundo ideal do Oliveira, os alarves, uma vez por ele e seus fiéis classificados como tal, estariam todos no Tarrafal. Livrava-se assim  sociedade de todo e qualquer contestatário que pusesse em causa as verdades “científicas” e “sociais” de que ele é privilegiado arauto. Pôr em causa o catecismo da esquerda é que não. A lata dos alarves tem que sr combatida pela “censura social”, quer dizer, pela ocupação de todos os meios e fora pelos detentores e prosélitos da verdadeira correcção.

Uma conclusão do IRRITADO: o Oliveira provou à saciedade o que é um alarve a sério, e um alarve perigoso: ele mesmo.

 

23.7.17   

TALVEZ, UM DIA...

 

Tenho achado muito estranho o facto, relatado e não desmentido, de haver funcionários da PT/MEO/Altice que estão sem funções, ou seja, não têm nada que fazer. Manda a mais elementar das lógicas pensar que tais pessoas não são precisas e que constituem um encargo inútil para a empresa onde trabalham. Se fossem americanas, iriam, com uma indemnização no bolso, procurar emprego. Mas isto por aqui não é a democracia americana, é a portuguesa.

A tal PT/MEO/Altice propõe-lhes uma solução, isto é, arranja-lhes outro emprego, sem prejuízo, como é lógico, de propor uma rescisão amigável. Tenho lido que a MEO, por exemplo, tem três vezes mais funcionários que as concorrentes prestadoras dos mesmos serviços. Pode ser exagero, mas tem muito de verdade. Nestas circunstâncias, mandaria a lógica e a sustentabilidade empresarial que se encontrasse uma solução. Parece que é o que a organização anda a fazer, no sentido de pôr as coisas no são da forma menos dolorosa possível.

Não está em causa desconsiderar os inconvenientes, nalguns casos dramáticos, para os atingidos pela reorganização da empresa. O que está em causa é saber se se caminha para outro elefante branco, destinado, mais cedo ou mais tarde, ao estouro, ou se se precisa de uma empresa sustentável e prestadora de serviços em boas condições. Evidente se torna que quem pagará os excessos de pessoal será o consumidor final dos produtos. E o consumidor final somos todos nós.

A situação não é fácil. Daí que a extrena esquerda tenha desatado aos gritos, desta vez com a preciosa ajuda de um primeiro ministro bronco, demagogo e desbocado. Daí a greve.

Interessante, esta greve. A empresa garante que nenhum serviço ao consumidor foi afectado por ela, o que, a ser verdade, aponta para ridículos efeitos da iniciativa, parecendo, numa perspectiva ultra-crítica, que, afinal, os grevistas pouca falta faziam. A empresa diz que a adesão à greve foi de 17% dos funcionários. O Arménio garante que foram 75% ou coisa que o valha. Ambos mentem? É provável. Uma, porque contabiliza os serviços prejudicados (17%), outro porque mente por formação, ideologia e vício (75%).

Espera-se que, mais cedo que tarde, as coisas vão ao sítio.

Talvez, um dia, o país venha a ter sindicatos decentes, à procura de soluções viáveis, não de guerras obsoletas. Sonhar é fácil.    

 

22.7.17

GALAMBOSTÉRIO

 

Deve-se o título deste post não a qualquer bosta relacionada com o tenebroso Galamba (há outro no PS, menos tenebroso), mas com um mistério que vem incomodando a apurada sensibilidade do IRRITADO: o mistério do chumbo provocado pelo Galamba tenebroso e por mais um camarada, ou acólito.

Os dois, cientificamente ou não, faltaram à votação de uma série de conclusões do inquérito aos malefícios da CGD, só comparáveis aos do BES, mas públicos. O inquérito não passou. Galamba+1 só se dignaram apresentar-se ao serviço quando já não havia nada a fazer. Aí, correctos e disciplinados, votaram o que faltava, mas sem resultado prático.

Porquê? Misteriosa questão, com misteriosa resposta.

Será que, coitadinhos, assoberbados de trabalho, os dois deputados não chegaram a tempo? Ou que, em atitude pensada, trataram de dar cabo do inquérito? Neste caso, porquê? A resposta a esta pergunta põe a funcionar as mais profundas dúvidas. Como é sabido, na CGD, sacrossanticamente pública como manda a cartilha, houve pontapés na gramática de todos os tamanhos e feitios, sendo que é voz corrente que os mais evidentemente graves foram chutados por biqueiras de altas figuras do socialismo nacional, podendo até, calcule-se, vir tocar a fímbria das vestes do chefe.

Viu-se, desde a sua mais remota origem, que a existência da comissão de inquérito não era do agrado da agremiação do Largo do Rato. Mas a coisa foi por diante, sendo de supor que o resultado não seria brilhante para a organização. Assim, mais vale cortar o mal pela raiz. Chumba-se, e acabou-se. Foi o que fizeram Galamba+1. Caso encerrado, como tantos outros.

De barato, dou que será justo que me acusem de teórico da conspiração. Mas, apesar de poder ser violentamente atacado como todos os que não se conformem com a cartilha em vigor, prefiro manter a liberdade de, nos termos acima, conspirar.

 

20.7.17

UM PÁRIA

 

Algumas perguntas:

- Será que, em geral, os ciganos de Loures vivem à pala do Estado?

- Será que, em geral, os ciganos de Loures casam as meninas fora da lei?

- Será que, em geral, os ciganos de Loures limitam ilegalmente as opções das mulheres?

- Será que, em geral, os ciganos de Loures não pagam a renda da casa às autoridades?

- Será que, em geral, os ciganos de Loures usam os transportes públicos sem pagar?

- Será que, em geral, os ciganos de Loures não acatam leis que a todos obrigam?

 

Estas e outras perguntas parece que deveriam merecer resposta. O candidato do PSD à respectiva câmara respondeu sim a todas elas, com base, ao que disse, em dados e observações. Ninguém infirmou tais dados e observações, o que deveria levar a crer que não são infundadas. Ninguém indagou sobre a razão ou sem razão das opiniões do candidato.

No entanto, um coro universal se levantou, feito de insultos, queixas-crime, gritos da mais “genuína indignação”.

É assim o politicamente correcto, da direita à esquerda. É proibido ter opiniões, mesmo que fundadas, sobre o que o politicamente correcto estabeleceu.

Certas minorias têm, por definição, direito a não acatar as normas que as maiorias aceitam e a civilização em que vivem impõe. São mais que os outros. O que obriga os outros não os obriga a eles.

Ai de quem, como este candidato, pense diferente, com razão ou sem ela.

Quem não é politicamente correcto é um pária da “democracia”.

 

19.7.17

LIBERDADE DE PENSAMENTO E DE EXPRESSÃO

 

O fim de semana foi formidável para esclarecimento do conceito em vigor da liberdade de pensamento e de expressão.

Um dos mais destacados e prestigiados médicos do país, cidadão exemplar a quem a sociedade deve os mais relevantes serviços, teve o topete de dizer que isso de homossexualidade e adjacências é “uma anomalia”. Respeitável opinião, vinda de quem vem, como o seria se viesse de outrem. Não! Para a filosofia triunfante, dizer tal coisa é como negar o holocausto, é proibido, é um atentado, não sei a quê mas um atentado merecedor da mais profunda condenação. Não, não é o que estão a pensar, os críticos não vêm  exprimir a opinião contrária, mas negar o direito do senhor de dizer o que pensa. Isto de liberdade de opinião tem os limites que o politicamente correcto impõe.

Dona Isabel Moreira, personalidade que me absterei de adjectivar por razões higiénicas, veio pôr os pontos nos is: o homem não tem o direito de pensar o que pensa e de dizer o que diz. Deve ser exemplarmente punido. Um parzinho de médicas faz queixa à respectiva Ordem: o homem tem que ser castigado, por crime de opinião. A respectiva Ordem, outrora dominada pelo sindicalista Silva mascarado de bastonário, está na mesma: vai debruçar-se sobre o assunto e tomar as medidas necessárias.

A polícia dos costumes está de volta. Aiatolas não faltam.

 

17.7.17

COMPADRES

 

Há dias, um destacado esquerdóide, André Freire salvo erro, publicou um longo escrito intitulado “Porque não votar Medina”. O título, vindo de quem vem, era excitante. O homem tece inúmeras razões que justificam que não se vote no homem, um “eleitoralista” sem “transparência”, a fazer obras caríssimas sem sentido, etc. Lendo bem a coisa, o indígena fica sem perceber lá muito bem o que é que ele critica: é contra as ciclovias mas a favor das ciclovias, é contra as obras do eixo central mas a favor das obras do eixo central...

Adiante. Lendo mais um bocadinho, fica claro que ele quer que o Medina ganhe as eleições – o que considera garantido –, mas sem maioria absoluta. Como? Votando nos comunistas do PC e do BE, isto é, fazendo da CML uma agência da geringonça.

Resolvido o mistério que o título do artigo sugeria, vamos um bocadinho mais adiante. Ontem, no DN, o melífluo Medina declara que não se vai “bater por uma maioria absoluta”. Por outras palavras, está combinado com o tal Freire. É de estalo.

Já tínhamos assistido, por exemplo, ao namoro do Costa com a Catarina no debate dito do estado da Nação. Tinham, evidentemente, combinado umas perguntinhas que dessem ao homem oportunidade para anunciar coisas que, de outra forma, não viriam a propósito. Uma forma de desviar as atenções do debate de fundo, que era arrasador para ele.

Estão todos combinados. Para intoxicação dos incautos, em termos de segurar o poder seja lá como for, a geringonça funciona.

 

17.7.17      

ESTÁ TUDO RESOLVIDO

O jagodes que anda para aí armado em primeiro-ministro já resolveu o assunto dos incêndios, dos mortos, das casas destruídas, das fábricas, das matas, etc.. Tendo começado por desvalorizar a coisa (um incêndio em 176, o que é isso?), descobriu agora o verdadeiro culpado.

Um génio, este burgesso. Não precisou de comissões técnicas independentes, nem de inquéritos, nem de coisa nenhuma que pudesse perturbar o seu brilhante juízo. Foi a PT/MEO e acabou-se. Sim, o homem sabe da poda, sabe que foram as comunicações por conta daquela empresa as culpadas! O resto é conversa. De tal maneira que até vai mudar de fornecedor. Bem feita,bem feita, bem feita! Vai ser um prejuízo dos diabos.

Com solenidade parlamentar, a criatura declarou, urbi et orbe, que está tudo solucionado. As comunicações falharam, a culpa não foi do SIRESP – a menina dos seus olhos – nem de mais ninguém, muito menos da ministra da descoordenação, e ainda menos dele, que estava de férias. Foi da PT/MEO. Caso encerrado, como de costume. E disse mais: que a culpa, em última análise é do governo legítimo, que negociou mal a coisa. Pois, meus amigos, se ainda não sabiam, na opinião gritada pelo indivíduo, à PT/MEO junta-se Passos Coelho, o mau da fita por definição.

Parece que os donos da empresa se propõem pôr alguma ordem naquilo. É natural. Não os conheço de parte nenhuma, não sei se são bons se são maus, capazes ou incapazes. Mas sei no que a empresa deu por obra e graça, provadas e indesmentíveis, do governo PS do camarada Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, e dos seus amigos, correlegionários e apoiantes, o senhor Costa incluído a alto nível.

Num aperto, há que encontrar bodes expiatórios. Algo me diz que o artista não vai ficar por aqui. Juntará outros bodes aos ora descobertos. Quando vierem (se e quando vierem) os relatórios técnicos independentes, já o assunto estará resolvido e devidamente encerrado.    

Vivemos neste charco de falta de vergonha.

 

14.7.17

ESPINHA, PARA QUE TE QUERO?

 

Dando largas ao brilhantismo da sua personalidade, um tal Brilhante, pesporrente e professoral, entrou para o chamado governo. Dados os sacrifícios que quem se interessa pela política tem feito para arranjar paciência para ouvir a criatura na TV, torna-se claro que o homem merece.

Foi um indefectível defensor do governo do Pinto de Sousa, foi um indefectível defensor do Seguro contra o Costa, foi um indefectível crítico da geringonça. Muito bem. A geringonça, espertalhona, meteu-o a deputado. Pouco tempo depois, ei-lo de novo na TV, a tecer loas à dita, ao chamado primeiro-ministro e à coligação com os comunistas.

Reconhecendo-lhe o equilibrismo e a maleabilidade, o geringoncial chefe resolveu premiar o ilustre aparatchique. Muito bem, é com coerência e boa espinha que se defende o socialismo.

 

14.7.17

QUEM NÃO CHORA...

 

Acho muito bem que o Porto tenha sucesso na sua candidatura, acho muito bem que a tal agência dos remédios venha para o Porto, acho muito bem que venham novecentos funcionários da UE viver no Porto e gastar dinheiro no Porto, acho muito bem que tudo corra pelo melhor ao Porto e no Porto. Nada a criticar. Antecipo os meus parabéns ao Porto ainda que, como é evidente, reserve o meu prognóstico.

O que, no meio desta história, tem uma triste graça, é a coerência da classe política. Costumo criticar a parte dela que mais crítica merece. Desta vez, levam as partes todas a mesma règuada.

Pois não é que, por unanimidade, a distinta Assembleia da República, decidiu que Lisboa é que era bom, que o chamado primeiro-ministro declarou solenemente que a única cidade portuguesa com condições favoráveis para a coisa era Lisboa e que, tendo as forças vivas portuenses desatado a agitar as águas, ai credo!, vamos reconsiderar. Reconsideraram. Passadas umas semanas, o dito governo passou a achar que o Porto é a melhor escolha e que a única candidatura portuguesa seria a do Porto. Com a mesma jactância alarve com que tinha sido declarado o contrário, agora é o conselho dos chamados ministros que, por unanimidade, se desdiz, sem dar satisfações, antes se revendo gloriosamente no flicflac. E, por unânime omissão, a Assembleia desdiz-se.

É-me totalmente indiferente que a cidade candidata seja uma ou outra, como podia ser Faro, a Covilhã ou Alfândega da Fé. O que não é indiferente é que o Parlamento, o dito primeiro-ministro, o governo em peso digam num dia, sem qualquer justificação, o contrário do que juravam há um mês. Dá uma imagem um tanto estranha da classe política.

Por outro lado, e aí tiro o chapéu, verdade é que qualquer ataque de ciumeira dos nossos amigos do Porto causa um abalo dos diabos a esta gente. Há que reconhecer que a tática funcionou com a candidatura à tal Agência, exactamente como costuma funcionar para tudo e mais alguma coisa. Não gosto do sistema, mas reconheço-lhe a eficácia.

 

14.7.17

CANTANDO E RINDO

Afinal, anda o IRRITADO a tecer tristes considerações sobre o “estado da Nação”, e está tudo bem, tudo na linha, o governo e o Estado nas alturas, não há problema nenhum.

As armas roubadas eram sucata, diz um general mais ou menos apalhaçado, o incêndio foi só mais um em 156 diz, orgulhoso, um tipo conhecido por primeiro ministro, o Presidente janta em Belém com uns generais, espécie de recriação da célebre brigada do reumático, ninguém tem culpa, nem responsabilidade, nem nada que se pareça, os culpados vão ser encontrados mais abaixo, talvez uns cabos da tropa, uns ajudantes de bombeiro, uns operadores de telecomunicações, sim, meus amigos, alguém há-de pagar, desde que se não trate da malta cá de cima. Aí temos o intolerável Costa, muito culto, a parafrasear Humberto Delgado, mas de pernas para o ar por causa das coisas: “obviamente não demito ninguém”, nem o antigo serventuário de Sócrates nas manobras da comunicação social, hoje dito ministro da defesa, nem a obscura funcionária e bailarina emocional hoje dita ministra da polícia e arredores, nada, ninguém, basta correr com os tipos que foram a Paris à pala da Galp para mostrar que mando, que moralizo, que sou o maior, tudo fica sanado, isso de incêndios e de assaltos a paióis é coisa de somenos, o governo está firme, altivo, cheio de feitos, dedica-se, como é lógico, a fazer oposição à oposição, tudo em nome da estabilidade, acha óptimo que os ministros mintam descaradamente no Parlamento, acha uma maravilha que a educação se afunde nas teorias do bigodes e do seu factotum barbaças, sabe que isso da bagunça na saúde é muito salutar, os incêndios são um fait divers no meio de tantos outros, os ladrões de armas prestaram um serviço à Nação e à tropa livrando ambos de chatices com armas obsoletas, o governo é óptimo como o Presidente tem repetidamente afirmado, quem é que está para aí insatisfeito?

E assim vamos, cantando e rindo.

 

13.7.17

GATOS ESCONDIDOS

Em tempos que já lá vão, tive alguma experiência em jornais. Não havia computadores, nem internet, nem email, nem paginação automática, nem nada das modernices que, hoje, tornam tudo mais rápido. Diz-me a tal experiência que, naquelas condições, um jornal chegava às bancas umas seis horas após sua entrega, em mão, à tipografia. Agora, é de presumir que será muito mais rápido. Mas fiquemos pelas tais seis horas.

Nesta ordem de ideias, um matutino, para ser vendido, digamos, a partir das seis da manhã, sairá das redacções por volta da meia noite.

Ontem, o pontifex da tropa e o chamado primeiro-ministro fizeram uns discursos ao povo mais ou menos à hora do jantar, discursos a que já tive ocasião de me referir. Palvreado sem vergonha, do mais infeliz e primário que se possa imaginar.

Hoje, procurei nas manchetes visíveis na tabacaria e, mais em pormenor,  nos jornais que comprei. Nada. Nem manchetes, nem comentários, nem referência alguma que se visse. O que quer isto dizer? Que não tiveram tempo nem espaço reservado? Mentira. Que tiveram vergonha de se referir a tão vergonhosas intervenções políticas? Ou que, pudicamente, acharam a coisa de tal maneira escandalosa que acharam que uma simples referência poderia prejudicar a geringonça?

Deixo ao leitor a tarefa de ajuizar das razões que terão assistido à escondidela.

 

12.7.17

O DISCURSO DO PODER

Foi com tristeza, mas sem surpreza, que o IRRITADO ouviu e viu, ontem, o discurso do poder. Saídos das catacumbas da II República, um general e um dito primeiro-ministro vieram descansar o povo ignorante e manso.

Não, portugueses, – disse o general - não vos inquieteis, as forças armadas estão alerta, a segurança da Nação está garantida. É certo houve subtracção de umas granadas, mas era material para abate, não serviam para nada nem fazem falta nenhuma. Os vossos chefes militares estão todos de acordo, tanto entre eles como com o senhor primeiro-ministro. Não há problema nenhum.

Com ar imperial e sério, o tal primeiro-ministro assistiu à treta. Depois, chegou-se ao microfone e disse de sua justiça. É pena que a maioria dos portugueses não se lembrem das notáveis intervenções públicas do célebre almirante Américo Tomás, sempre tonificadas por um paternal non-sense, sempre redondas, sempre abalhelhadas. Se se lembrassem veriam onde o orador de ontem foi aprender a arte do discurso, a forma de dizer coisas sem dizer nada, o requinte de esconder, rodear, parvoar.

Para quê citá-lo? Ao primeiro abanão, o discurso costista enche-se do mais primitivo vazio.

Ficámos descansados, não ficámos? O poder está em boas mãos.

 

12.7.17

SAFA!

NB. Isto é teoria da conspiração, ou nem por isso.

*

- Ando à rasca com isto, pá.

- E eu? Deixaste-me sozinho. Andei para aí aos bordos que nem uma barata tonta, e tu a banhos...

- Não leves a mal, pá. No fundo, dei-te protagonismo!

- Pois, ‘tá bem... e agora?

- Tenho andado a pensar no assunto. Acho que precisamos de um decoy.

- De um quê?

- Um chamariz, pá, o teu inglês anda por baixo.

- Olha quem fala! Um chamariz para quê?

- Gaita, pá, parece que estás diminuído. Para desviar as atenções, para que é que havia de ser? Se não arrajarmos uma para os tipos se calarem com os mortos e as granadas...

- Pois, estou a ver a ideia. Tem que ser uma coisa de arromba, daquelas ocupam tudo, as notícias, os comentadores, uma coisa que tire espaço às chatices... tens alguma sugestão?

- Ando cá a pensar. Pensa tu também, e logo à tarde falamos.

...

- Então, pá, tens alguma ideia?

- Não. Se, por exemplo, morresse o Ronaldo, teríamos tudo do avesso. Mas...

- Parece que ou és parvo, ou estás a contar com o ovo no cu da galinha?

- Pois, tens razão, não sei o que diga nem faça.

- Pois eu cá ando a pensar numa grande malha, uma coisa que, parecendo má para nós, por um lado nos prestigie em matéria de honra e de correcção e, por outro, ocupe as atenções da malta.

- O quê, por exemplo?

- Parece que os tipos da procuradoria andam a mexer naquela história do Euro, das viagens da Galp.

- Quê? O que tem isso a ver com as chatices?

- Muito. É uma chatice que chateia pouco e desvia as atenções. Olha, arranjávamos uns gajos cá da malta, dos que foram à borla a Paris, uns tipos fixes, que se sacrificassem. Sem medo, porque depois compensávamo-los de qualquer maneira. Os gajos pediam a demissão, diziam que queriam ser ouvidos, arguidos, etc., na evidente certeza de que, no fim, não teriam problema nenhum. A coisa dava brado, ocupava páginas e páginas, os moralistas entravam em acção, os politólogos não se calavam, os telejornais ficavam cheiinhos. Nós dávamos uma de homens de alta responsabilidade e, mais importante ainda, tratando-se de pecadilhos que toda a gente perdoa, não perdemos prestígio, antes ganhamos, 'tás perceber?

- Genial, pá. Fantástico. Já falaste com os gajos?

- Não. Vou tratar disso agora.

Horas depois:

- Hihi, ‘tás a ver? Já não se fala noutra coisa. Os rapazes sacrificaram-se, são uns heróis. A coisa retumbou, passou para o primeiro plano, as hostes vão passar os próximos dias entretidas com aquilo. E eu vou dar um baile do caraças na quarta-feira. Vais ver.

- És um génio, António!

- Olaré, Augusto, vais ver, já ganhámos mais esta.

 

11.7.17   

OU HÁ MORALIDADE...

 

Três incondicionais do Costa cairam da tripeça. Outros vão pelo mesmo caminho. Não, não foi por causa do Pedrógão nem de Tancos. Foi por causa da boleia da Galp para o euro.

Qualquer coisa está errada. Passamos a vida a ver o chamado primeiro ministro, ministros e seus apaniguados, repimpados nas tribunas dos estádios a ver jogos de futebol, aos quais, é de ver, foram conduzidos em carros do Estado, à custa do mesmo. Para os quais foram convidados, não pagaram os bilhetes que a malta paga.

Os clubes são livres de convidar quem quiserem. Os convidados são livres de aceitar os convites. Os clubes são sociedades comerciais, ou detidos por sociedades comerciais. As sociedades comerciais têm os seus interesses.

Ora, segundo a filosofia em vigor, terríveis e tenebrosas suspeitas de tráfico de influências e outros malefícios recaem sobre políticos que tenham contactos “sociais” com empresas. Como as pescadas, antes de o ser já o eram, ou seja, antes de traficar já são culpados de criar as condições que a tal filosofia considera caminho andado para o crime. Tudo isto é, digamos, pouco consentâneo com a Constituição e com a lei. Mas existe, como na história do lobo e do cordeiro.

Adiante. O que me traz é a diferença entre uns e outros. Então, o chamado primeiro-ministro pode, impunemente, repoltrear-se ao lado do Vieira, do Pinto da Costa ou do outro nas tribunas dos estádios, pode comer uma tapas e beber uns púcaros lá no bar dos VIP’s sem que ninguém lhes toque, e uns tipos mais de baixo não podem ir, a convite da Galp, à final do europeu, coisa nacional e não clubística? Será por causa do bilhete de avião, do bilhete para o jogo, do “transfer” de e para o aeroporto? Então o Presidente da República e o chamado primeiro-ministro não foram lá também, e esses à custa do Estado?

Como disse acima, há aqui qualquer coisa que não está certa. Porque, das duas uma, ou há alguns favores ilegítimos prestados à Galp pelos viajantes, e aí poder-se-á desconfiar que o foram para pagar o convite e investigar a tramóia, ou não há nada disso e, então, são tão “culpados” como o PR, o PM e respectivas comitivas, com a agravante, para estes, de se ter pendurado no Estado.

Por conseguinte, ou há mais alguma coisa que leva à actual perseguição desta rapaziada, ou não se percebe como, um ano depois dos factos, há uma “investigação”. Investigação de quê? Os factos (viagem, bilhetes, etc.) estão provados e confessados, mas as responsabilidades só acontecem depois de digeridas pela “justiça”?

Cheira a esturro, a aldrabice, a incompetência ou a mera falta de juízo.

 

10.7.17

É TARDE

 

Se, com a honestidade que lhes devia ser exigida, o fulano da defesa e a rapariga da polícia se tivessem demitido no exacto momento em que se deu a derrocada dos serviços que tutelam, mereceriam alguma consideração. Pelo contrário, o primeiro, após tergiversações várias, acabou por declarar que, afinal, não era responsável por coisíssima nenhuma. A segunda, lacrimejante, resolveu classificar uma demissão como uma espécie de traição à Pátria, não um como acto final de responsabilidade assumida.

Agora, que se espera o regresso de férias do chefe desta gente (dizem que já voltou, mas ninguém deu por isso), há que lhe dizer: tarde piaste, já não vale a pena demitires seja quem for, os dois sacrificaram a sua dignidade pessoal ao lugarzinho, estão devidamente classificados, o teu empurrão cheiraria a mofo.

Posto isto, e mesmo na diária presença do bombeiro Silva, encarregado do rescaldo com a bênção dos jornalistas de serviço, já não há quem não veja muito mais: um ministro das finanças que montou a mais opaca das operações cosméticas para disfarçar o défice e que prejudicou de forma violenta o chamado estado social, um ministro da saúde que já não sabe para onde se virar no meio do caos onde se meteu ou o meteram, um ministro da educação empenhado em fazer o que o Mário Nogueira exigir ou alvitrar, uma ministra da justiça que não consegue pôr na ordem uns profissionais esquecidos da dignidade da posição social e política que ocupam, um ministro do ambiente que farronca aleivosias contra os espanhóis e acaba por comer Almaraz com batatas...

É preciso mais? Não é. Porque o mal está por cima destes pobres chamados ministros. O mal chama-se Costa. Este é que, se alma tivesse, se devia demitir.

Talvez a excelência de Belém comece a perceber a com que gente tem andado ao colo...

Infundada esperança, Doutor Sousa. É tarde.

 

9.7.17

VALORES REPUBLICANOS

 

Há enormes diferenças de importância entre a teoria - sem prática - dos tabefes e os incêndios com 64 mortos na ficha.

Explico: os tabefes, mesmo que só timidamente anunciados na net, chegam para cortar a cabeça a um ministro da geringonça; os 64 mortos na estrada da incompetência do Estado e seus agentes, não fazem cair ninguém.

Donde se conclui que, entre os tabefes e os mortos, sobreleva a importância dos primeiros.

Há mais: a diferença de importância entre um sensato aviso aos pais dos meninos eventualmente candidatos a homossexuais, a fim de evitar que possam ser incomodados no desenvolvimento harmonioso das suas tendências, e um vitorioso assalto ao armamento do EP (Exército Português). No primeiro caso, o alegado dislate de um distante subordinado faz cair o respectivo Chefe do Estado Maior; no segundo, ninguém cai, nem o chefe dos militares responsáveis, nem o ministro - mesmo que, em alarde de franqueza, se declare politicamente responsável.

Convenhamos que estes factos são marcantes dos valores republicanos da geringonça: num caso, o politicamente incorrecto dos tabefes e a justeza das consequências que provocam. Noutro, o politicamente correcto da propaganda gay e a sua vital importância, pelo menos se comparado com umas meras dezenas de defuntos.

Talvez convenha, por uma questão de justiça, dizer que o chamado primeiro ministro tem estado de folga, a banhos. É evidente que, como foi oficialmente declarado, o dito estava “em permanente contacto”. Além disso, como foi também oficialmente garantido, voltaria “se houvesse algum caso grave”.

Ora, como nada de grave aconteceu - nem houve tabefes nem os gays foram incomodados - por que carga de água havia o homem de sair da banhoca?

 

7.7.17

ESTUPIDEZ OU PARANOIA?

 

Dando largas aos seus habituais “remédios”, o BE resolveu que a solução para o SIRESP é a nacionalização. Outra coisa não seria de esperar, já que, para o dito e para o PC, a nacionalização é a mezinha universal para os problemas da humanidade em geral e para os nossos em particular. Por vontade desta gente nacionalizava-se as batatas fritas, os gelados olá e as cuecas de renda. Tipo banha da cobra, as nacionalizações resolvem tudo e mais alguma coisa.

No caso do SIRESP, talvez não seja mau lembrar que, na respectiva PPP, o Estado é maioritário, o quer dizer que, se a coisa não funcionou, o Estado é tão ou mais culpado que os seus parceiros privados, por muito ordinários que sejam. O chamado “conselho do SIRESP” que, por compromisso contratual, já devia ter reunido umas trinta vezes, reuniu quatro, supõe-se que para beber umas bicas e ganhar uma senhas de presença. Uma pergunta inocente: de quem era a responsabilidade de reunir tal conselho? Do Estado, como é evidente. O Estado contratou mal a tal PPP? De quem é a culpa? A PPP não funciona, ou funciona mal? De quem é a culpa? O Estado não fiscaliza a execução dos contratos que assina? De quem é a culpa? A PPP distribuiu dividendos a mais aos accionistas, Estado incluído? De quem é a culpa?

Num caso de evidente falhanço do Estado, a solução para o mal é entregar a solução do problema ao seu causador número um. Será só estupidez? Ou paranoia ideológica?

É sabido que a esmagadora maioria das empresas do Estado estão falidas e vivem à custa dos impostos. Quem as fiscaliza? O Estado. Por obra e graça do socialismo, o Estado fiscaliza-se a si próprio, o que é o oposto de todas as fiscalizações dignas desse nome.

Por cá, para os sócios da geringonça, há outros motivos, de que já o La Fontaine falava. Há um culpado, não por culpa propriamente dita, mas por definição. No caso do SIRESP, o culpado é Santana Lopes e, se não foi ele, foi Passos Coelho, mesmo que a versão actual da coisa tenha sido concebida pelo Costa numa extraordinária negociação, para poupar dinheiro ao Estado cortando nas valias do SIRESP. Assim, até o Zé Maria Pincel “poupava” dinheiro.

Mas a culpa é dos outros, nunca da geringonça.

Estupidez ou paranoia? As duas coisas, sem dúvida. Juntem-lhes uma dose bem condimentada de desonestidade, e aí têm a salvação da Pátria.

 

6.7.17

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