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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DESCANSAI, Ó GENTES

 

Nos já recuados tempos da II República, conheci um alto funcionário público que, quando alguém lhe pedia um favor, respondia: “fique descansado...”. Quando o outro virava costas, o nosso homem continuava “...que eu também fico”.

Mutatis mutandis, é mais ou menos o que se vai passando na III República, ainda que corrigido, aumentado e desgraçado. O ministro Costa, há para aí dez anos, fundou a “protecção civil”. Disse-nos que ficássemos descansados. Ficou descansado. O mesmo indivíduo, com a desculpa da “poupança”, tirou meios ao SIRESP. Ficou descansado. Este ano, veio a tragédia de Pedrógão. A criatura disse que era uma chatice, mas que ia fazer mundos e fundos. Ficou descansado, e não fez nada. Responsabilidades, zero. Ficou descansado. De tal maneira que informou as hostes de que estava à espera de um relatório. À espera, ficou descansado. A sua amiga Constança recebeu mais uns relatórios. Ficou descansadíssima, ao ponto de desactivar aviões, bombeiros e vigilantes, decretando, com o apoio do chefe, o fim da fase “Charly”. O chefe descansou com ela. Veio nova tragédia. Costa disse umas coisas com a alta frieza do poder, e até pediu que não o fizessem rir. Ficou descansado. Veio o senhor de Belém, e deu-lhe uma memorável descasca. O homem anunciou um conselho de ministros para tratar do assunto. Ficou descansado. Amanhã, no conselho de ministros, tomará sonoras medidas, a concretizar sine die, e ficará descansado outra vez. Se a oposição discordar de alguma vírgula, mandará passear a oposição e dirá que é tudo chicana, partidarite e manobras dilatórias. Se houver azar, a culpa será da oposição. Voltará ao descanso. Daqui a um ano haverá menos incêndios porque já há menos para arder. Dirá que foi obra sua. E ficará descansado. Daqui a dois anos – o tempo suficiente para ficar descansado, espera-se que definitivamente – estará tudo mais ou menos na mesma.

Um descanso.

 

20.10.17

DESCULPAS DA MAU PAGADOR

 

Bem pode o BE ter ataques de histerismo contra os eucaliptos. Bem pode o storyteller Tavares perorar “cientificamente” sobre os mesmos. Bem pode o chamado governo tergiversar sobre o assunto. Bem pode opinião pública estar injectada com este achado de um bode expiatório para os incêndios.

Não é por isso que os eucaliptos deixam de ser parte não neglicenciável da sustentação e da sobrevivência de um ror de proprietários florestais pobres. Não é por isso que os eucaliptos deixam de ser a matéria prima nacional para um dos mais importantes sectores exportadores do país com valor acrescentado próprio. Não é por isso que os eucaliptos deixam de proporcionar milhares de postos de trabalho, milhões de receitas para o Estado, prosperidade para muitos municípios.

Parece pois que há que proteger a floresta de eucaliptos, os mais dos quais ocupam zonas onde explorações de outra natureza não são viáveis ou rentáveis. A propaganda anti-eucaliptos é fruto, ou da ignorância activa sobre o assunto, ou da “religião” ideológica contra tudo o que renda dinheiro a sério, estilo luta de classes a conduzir à miséria, à desertificação e ao marasmo.

O problema é como protegê-los, orientá-los, regulá-los. Ou seja, o problema é uma questão de Estado. Não é, ao contrário do que se diz por aí, um produto da “ganância” dos industriais, porque os industriais tratam melhor as suas florestas que o Estado trata as suas ou vigia as de terceiros. Não é uma questão derivada de provocarem incêndios, mas outra, a de gestão pública do território. Sabe-se que muitos incêndios são alimentados pelo mato, coisa que, em eucaliptais, não tem o peso que outras espécies provocam. Há falta de limpeza, de gestão, de conhecimento técnico. Com certeza. Abandono, com certeza. Porquê? Neglicência ou, na maioria dos casos, falta de rendimento que financie o tratamento de explorações demasiado pequenas. Então, é função do Estado enfrentar o problema do emparcelamento e do apoio à gestão.

Está mais que provado que o Estado, sobretudo o Estado geringoncial, não mexe uma palha nas florestas que dele dependem – olhem o pinhal de Leiria! Está mais que provado que as estradas não têm limpeza das bermas, que não respeitam os limites do coberto vegetal, que não há vigilância da sua manutenção. Tudo escopo do Estado, não dos eucaliptos ou dos seus proprietários. Está mais que provado que as construções, ou as povoações cercadas de floresta não têm áreas de protecção. Tudo competência do Estado central ou do Estado/autarquias. Está mais que provado que as polícias investigam pouco e que a Justiça trata os incendiários com desvelado carinho. Tudo problema do Estado.

Então, meus senhores, tratem do que há a tratar em vez de de andar a entreter a malta com parangonas idiotas sobre eucaliptos!

 

19.10.17

UM MUNDO DE RESPONSABILIDADES

 

O monumental cagaço que o chairman da geringonça pregou ao Costa e à sua gente veio pôr em causa o esquema em vigor.

Por um lado, o senhor de Belém chicoteou a organização. Por outro, o cheque (não mate!) virou-se contra o próprio, isto é, infirmou a estratégia que o fazia andar com a geringonça ao colo. Acordou tarde, mas com força e raiva perante a traição dos seus protegidos. Vamos ver o que se segue, isto é, se, partida  a loiça, ela volta a ser colada, ou se Sua Excelência deixou de vez de confiar em tal gente. Crises de confiança são, às vezes, fatais em organizações deste tipo. Não será o caso. Se me é dado prognosticar, acho que a loiça vai ser rapidamente restaurada, colada e pintada, pelo menos até que sobrevenha outra bronca qualquer.

*

Tem uma sinistra piada a história da demissão da dona Constança, ora promovida a professora pelo CEO da geringonça. Depois de quatro meses a dizer-se indispensável, que nem sequer foi de férias, que o povo é que tem que ser “resiliente” e “pró-activo”, que não é tempo de demissão mas de acção (o rol de parvoíces é tão vasto que é melhor ficar por aqui), resolve comunicar às gentes que só tinha ficado no lugar por imposição do chamado primeiro-ministro. Não bate certo, mas pode ser que tenha o seu toque de verdade.

É possível que o fulano tenha, nesmo antes de Pedrógão, percebido que a rapariga não servia. Mas guardou-a de reserva. Se houvesse azar, podia ser útil. E foi, como os factos provam. Durante quatro meses, a ministra continuou, por acção e omissão, a fazer as suas asneiras, sempre com o apoio activo do chefe, que ficava na sombra. Não previram, nem um nem outro, que as coisas dessem para o torto como deram. Ele, muito ocupado a evitar que a geringonça gripasse, tinha na criatura o respaldo necessário em caso de azar. O problema era dela, não dele.

Mas sobreveio o pior. Ainda por cima o chairman resolveu resingar, a dona Constança foi à vida e o verdadeiro responsável por tudo ficou à vista. Uma chatice.

A carta que a senhora escreveu ao Costa e comunicou ao povo é uma espécie de vingança. Ao dizer que só ficou no poleiro este tempo todo por imposição do chefe (o que não deve ser verdade porque ela não queria ir-se embora, como afirmou vezes sem conta) está a dizer que o verdadeiro responsável é ele. Sendo certo que o indivíduo jamais se considerará responsável seja do que for (ele só é “responsável” por coisas boas com que pouco ou nada têm a ver), a verdade é que foi rasteirado pela Constança.

Gente fina.   

 

19.10.17

“ANÁLISE”

 

Vale a pena, antes de a Moção de Censura ser chumbada, fazer uma apreciação política dos tipos que se dizem legítimos para mandar nisto.

A saber:

- António Costa – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), indivíduo que não olha a meios para chegar ao poder, especialista em propaganda, totalmente incompetente a não ser em parlapaté, indivíduo alheio a qualquer sentido de responsabilidade ou culpa, passada ou presente, isento de sentimentos...

- Santos Silva – sobrevivente do socratismo, conhecido como trauliteiro mor do PS, a man for all seasons, destituído de qualquer responsabilidade em relação ao passado, tempo em que nunca viu nada, nem desconfiou de nada, medroso em política externa, palavroso de alto coturno...

- Centeno – obscuro funcionário do Banco de Portugal, homem que cavalga a onda europeia e os dinheiros do turismo e os usa a crédito da propaganda, homem cujas prescrições deram o resultado contrário ao que afirmou que dariam, responsável por orçamentos tendentes a destruir a economia e a dar de comer à clientela, criatura que tem aplicado de pernas para o ar as suas próprias teorias, ridículo pretendente a substituir o Jeroen...

- Azeredo Lopes – abaixo de palhaço, um ignorante chapado, que já era ridículo nos “reguladores” que não regulam, ainda mais ridículo cada vez que abre a boca, ignorado serventuário do Moreira do Porto convertido ao PS costista, uma vergonha nacional se houvesse disso...

- Cabrita – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), um “adiantado” ao estilo do BE, adepto de tudo o que for “fracturante”, desbocado, convencido e antipático...

- Tiago Rodrigues – homem que respira bolchevismo e que, em menos de dois anos, já conseguiu os piores resultados educativos da III República, já acabou com a avaliação dos professores e agora diz que “precisam de formação", uma desgraça nacional, fiel servidor dos sindicatos comunistas...

- Vieira da Silva – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), fez uma “reforma da Segurança Social” que meteu na gaveta por inexequível e bronca e vai vivendo à custa das circunstâncias favoráveis sem mexer uma palha que não seja substituir este mundo e o outro por boys a soldo...

- Adalberto Fernandes – não sei de onde vem, mas sei que há mais de vinte mil cirurgias com anos de atraso (dez por cento dos expectantes já morreram), que tem o Tribunal de Contas à perna, que tem feito tudo o que pode para arruinar o SNS, que já tem mais dívidas ao mercado do que aquelas que poderá pagar, uma obra de destruição nunca vista...

- Pedro Marques – Sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada) muito conhecido, ao tempo, por estar sempre a espreitar, na televisão atrás do Lino o de outro qualquer, cujas dívidas amontoadas são de muitos milhares de milhões...

- Caldeira Cabral - Antigo propagandista do socratismo na TV (nunca deu por nada), há dois anos no poleiro sem ter feito nada que se veja...

- Capoulas – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), tem-se na conta de um Dom Dinis do século XXI, aprovou uma “reforma da floresta” há um ano mas esqueceu-se dela logo a seguir e ficará para sempre célebre pela “gestão” das florestas do Estado, tais os pinhais de Leiria...

- Pedro Nuno Santos – sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), homem que prometeu pôr a Merkel e o Schäubel de joelhos, que disse que “cagava” na dívida, hoje campeão da geringonça, afinador de cedências ao BE e ao PC, uma figura sinistra...

- Perestrelo (com dois èles) – Sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), continua, feliz quão ignorado, a fazer carreira na defesa ao fiel serviço das palhaçadas do Azeredo Lopes...

- Mourinho Félix – não sei quem é nem de onde vem, mas sei da imensa vergonha do seu diálogo com o Jeroen, com serviço televisivo às ordens, dos seus passes de alrabófona dança no caso Domingues/CGD, etc....

- Eurico Dias – Sobrevivente do socratismo (nunca deu por nada), andou a fazer flores contra a fundação da geringonça, mas é hoje um dos seus mais felizes e fidelíssimos apoiantes...

 

Há mais. Fico por aqui. Não falo da dona Constança nem de um tal Gomes, cuja geringoncial história toda a gente desgraçadamente conhece. São cadáveres adiados por quatro meses mas hoje já em fase de arrefecimento...  

 

18.10.17

COSTA, O INOCENTE MOR

 

Costa devia estar com sono quando disse, às duas da manhã de ontem, o chorrilho de asneiras a que já nos referimos. Já bem dormido, porém, por volta das oito da noite, solenemente, com cenário montado na residência oficial, excedeu-se: bem acordado é ainda pior que com sono.

Diz o fulano que a “reforma florestal” foi aprovada em Junho de 2016. Qual reforma? Ninguém deu por nada porque nada foi feito, a não ser um turista político que se diz ministro ter declarado que o Dom Dinis não lhe chega aos calcanhares. Costa não sabe disso. O sistema da “protecção civil” foi concebido e montado por Costa. Costa não se lembra. Os respectivos dirigentes foram, nas vésperas dos incêndios, postos na rua e substituídos por boys. Costa não estava cá. O sistema SIRESP, na sua forma actual, foi obra do Costa, obtida à pala de cortes na despesa. Costa ignora. Pedrógão foi há quatro meses. Daí para cá, o que aconteceu? Aconteceu que governo de Costa decidiu administrativamente que a saison dos incêndios estava encerrada, retirou meios do terreno e encerrou torres de vigilância. Costa estava distraído. Os tipos da meteorologia anunciaram nova onda de calor. Costa, nesse dia, tinha a televisão avariada, ou equivalente. Conclusão, Costa, na sua angelical inocência, não passa de uma vítima de hordas de inimigos que se acastelam por aí.

É por estas e outras que Costa se apresenta, importante e poderoso, à Nação. E justifica-se: esteve quatro meses à espera do relatório da comissão de sábios. Antes disso, que havia ele de fazer? Demitir a ministra? Coisa ”infantil”, nem pensar. A ministra é o seu escudo de protecção, isto é, enquanto a malta andar distraída com ela, ele fica de fora. O relatório da tal comissão, esse, mais do que um escudo, funciona como muralha. O governo estava à espera dele, boa razão para não fazer nada. Na sua miserável arenga, Costa falou da muralha umas cinquenta vezes, iludiu questões incómodas, repetiu à exaustão e a despropósito a mesma cassete, bailou, deu a volta pelo lado.

Não pediu desculpa, nem aos vivos nem aos mortos, não aceitou responsabilidades, não admitiu falhanços governamentais: os falhanços são todos de outrem que não ele. Bailou num mar de inanidades, de fantasias, de palermices repetidas ad nauseam.

Há quem ande a chatear o Costa com este fait divers dos incêndios, e logo no momento em que ele estava, com os colegas e camaradas da geringonça, a tratar da clientela, a segurar as sondagens com uns tostões. Que injustiça!

Sem sombra de ironia, quem devia ser demitido era o governo em peso, porque o povo sofre na carne a incompetência e a desonestidade do primeiro ministro, do seu partido, dos seus apoiantes parlamentares, do infame esquema que Costa montou. Mas, sendo de esquerda, não é “demitível”. A moral republicana funciona.

 

17.10.17  

OS IRRESPONSÁVEIS

 

Fiquei embasbacado, revoltado, impressionado, furioso.

Primeiro, com mais trinta e tal mortos (número provisório) em incêndios, coisa nunca vista.

Depois, com os galegos a dizer que as coisas por cá não funcionam (até os galegos já perceberam!) e que é por isso que os fogos chegaram à Galiza vindos do Sul, já com meia dúzia de cadáveres contabilizados.

O embasbacanço e o resto atingiram, porém, os píncaros, com a intervenção do chamado primeiro ministro às duas da manhã de ontem.

Vindo, é de pensar, do Toys R us, disse que não tinha “solução mágica para o problema” e que, por isso, podemos estar descansados porque nos próximos anos “há mais”. Não ficou por aqui com a brincadeira, já que acha que demitir a ministra seria “infantil”, ou seja, brincadeira sim, mas só para púberes, o que é o caso da senhora e dele mesmo, que não são “infantis”. A ministra, aliás, na expressa opinião do indivíduo, não tem nada a ver com responsabilidades, muito menos políticas: fica implícito que ele também não, já que as responsabilidades não devem fazer parte da “palavra honrada”. Outra grande descoberta do senhor Costa foi a de que afinal o SIRESP não falhou. grande no vidade, a contrariar a habitual versão oficaial dos bodes expiatórios.

Enfim, depois de declarações destas, tudo é possível. Daí que o ilustre senhor sido ajudado por um secretário de estado não sei de quê veio dizer que as pessoas “não podem ficar à espera dos bombeiros”, “têm que ser as pessoas a combater os fogos”, “temos que nos auto-proteger”.

Sobre a origem dos incêndios, nem uma palavra. O mundo inteiro já percebeu que há marosca, isto é, que há crime, e crime organizado a mandar muito mais que o governo, que não tem nada para dizer: nem reforço das investigações, se é que as há, nem operações policiais ou militares para procurar os culpados. Zero. Nada de caça às bruxas.

Nos próximos anos há mais. Habituem-se e auto-protejam-se. O governo tratará do assunto em dez anos. Esta do governo a dez anos, é a maior de todas as ameaças. Que o homem é aldrabão toda a gente sabia. Mas que se queira aguentar mais dez anos, t’arrenego!   

 

16.10.17

NÃO HOUVE NADA!

 

A distinta comissão parlamentar de inquérito ao caso Domingues chegou à conclusão que não houve qualquer acordo quanto ao estatuto da administração da CGD.

E eu, que julgava ter visto e ouvido o chamado primeiro-ministro declarar que os administradores nomeados teriam o mesmo estatuto dos gestores privados. E eu, que julgava ter assistido ao ministro das chamadas finanças a meter os pés pelas mãos, sem nunca ter a coragem de assumir os compromissos que tinha assumido nem de fazer o contrário, acabando  pelo célebre “erro de percepção”,  coisa que, evidentemente, não pode deixar de ser interpretada como confissão de tais compromissos. E eu, que julgava que a dança dos emails era, evidentemente, uma maneira desonesta de esconder a verdade.

Devo ter sonhado. Após tempos infindáveis de doutas discussões na tal comissão, com o assunto já passado à história, o relator, um obscuro deputado do PS, concluiu que era tudo mentira. E o "relatório" foi aprovado!

Há quem diga que o Trump é que é especialista em “pós-verdades”. Talvez. Deve ter tirado uma pós-graduação no Largo do Rato.

 

16.10.17

DA CRISE DO REGIME

 

Praticamente unânime é a opinião dos intelectuais/opinadores/”cientistas” políticos e produtores de bocas que peroram e escrevem acerca de uma crise do regime, de que será testemunho o facto de a gigantesca trafulhice que nos pôs de boca aberta estar agora a contas com a Justiça.

Pelo contrário, o regime dá sinais de vitalidade.

Passo a explicar. O regime - a democracia liberal - tem o Estado de Direito como um dos seus esteios. Depois de anos e anos em que a Justiça andou de mãos atadas às ordens do PS e dos amigos e admiradores do senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, eis que, com Passos Coelho, reganhou independência e agiu em conformidade. Com Passos Coelho acabaram os conluios com o chamado poder económico (veja-se o caso BES), a comunicação social não mais foi sujeita a pressões e a manobras para o domínio do seu capital e dos seus profissionais, o governo deixou de se meter em negócios escuros de terceiros, a banca deixou de ser instrumento de inconfessáveis políticas, a Justiça reganhou algum direito ao respeito dos cidadãos. Portanto, a acusação da operação Marquês é um sinal, não de uma crise do regime, mas do seu funcionamento.

Sinais de crise do regime tem havido muitos. O golpe de Estado de Sampaio torceu a lógica do regime. A ascensão ao poder de António Costa acabou com quarenta anos de respeito pelos resultados eleitorais. Nesses casos, meros exemplos, o regime foi posto em causa. Não o foi pela actual acusação.

Como muitas outras, esta é crise do PS, ou provocada pelo PS. O que está em causa é a governação do PS, a forma de o PS se “safar” de todas, ao ponto de legislar ad hominem para punir juízes inconvenientes, de se conluiar com actos de banditismo e com interesses suspeitos. Ao longo de muitos anos, o PS tem comandado e provocado crises umas em cima das outras, sempre “sem culpa”. Os companheiros da bancarrota, adeptos ferozes do chefe da trafulhice, levaram anos a aplaudi-lo e a segui-lo, e voltaram ao governo como anjos injustiçados e perseguidos. Não viram, não ouviram, nada disseram. Pelo contrário, aplaudiram, apoiaram, chamaram nomes a terceiros, aos que queriam pôr as coisas no são.

Crise de regime, sim, mas não pelas razões invocadas pelo exército dos intelectuais/comentadores/”cientistas” políticos e produtores de bocas.  Crise é o poder político que temos. Crise é, por definição, o PS e os seus parceiros.

 

14.10.17

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

 

Passando os olhos pela memória, lembro que pelo menos uma boa meia dúzia de socialistas, hoje no governo, foram membros dos governos do seu bem-amado Pinto de Sousa, dito Sócrates.

A começar pelo chamado primeiro ministro Costa, temos Santos Silva, Cabrita, Vieira da Silva, Pedro Marques, Ana Vitorino, Perestrelo..., um poderoso escol. De assinalar também que Costa era número dois do líder Sócrates, Santos Silva o politicão de serviço permanente à defesa do dito, e por aí fora.

Repescados do socratismo, desempenham hoje com altiva eficácia as funções que lhes foram confiadas por escolha do PM e investidura pelo senhor de Belém.

Compaginando estes factos com a acusação ontem publicitada sobre a rede de trafulhices daquele tempo, ocorre-me perguntar se estes senhores nunca perceberam nada do que se estava a passar debaixo do seu nobre nariz, se andavam a dormir na forma ou se, coitadinhos, foram apanhados de surpresa.

Faz lembrar a história dos três macacos, o que não via, o que não ouvia, o que não falava. Os nossos actuais governantes fazem o pleno dos três macacos: cegos, surdos e mudos.

Por isso, sejamos justos: estes senhores nunca deram por nada, nem ao tempo, nem agora. Razão porque nunca pediram desculpa do que ajudaram a fazer (a banca rota), ainda menos, por desconhecimento, da monumental tramoia em que estavam metidos – coitadinhos, sem saber de nada. Há quem como disto?

Há é quem diga que é tudo falta de vergonha, ausência total de responsabilidade e de honorabilidade. Há quem diga que, se tivessem disso, jamais teriam o topete de voltar à tona da política.

Como é óbvio, quem tal diz é malévolo, intriguista e caluniador. Razão pela qual o IRRITADO, como é claríssimo, não entra em tal coro.

 

13.10.17

PRECATEM-SE

 

Foi há trinta anos que a história começou. Descido de beirãs terras, um badameco local, ignorado técnico camarário, especializado em assinar projectos de terceiros e obscuro sócio do PS local, chegava ao Parlamento. Segundo a informação disponível era um tipo dado a ecologias, razão pela qual criaria e chefiaria a até então inexistente ala a tal dedicada nas hostes maçónicas, jacobinas, social-democratas e proto-marxistas da organização.

Como tantos outros (Vara e Lima, por exemplo), deslumbrou-se com Lisboa e com o mar de oportunidades em que a grande cidade era pródiga. Na giga-joga partidária, uma certa palheta e a desenvoltura atrevida dos ignorantes foram determinantes para uma ascensão a que, pouco tempo depois, Guterres foi sensível, nomeando-o secretário do ambiente. Aí, os horizontes dos negócios e do poder, não os da política propriamente dita, abriram-se-lhe de par em par, atraindo-o para voos mais altos e mais valiosos que as manobrinhas camarárias das berças. O “ambiente” transformara-se no negócio milionário que continua a ser, da limpeza de supermercados às “energias renováveis”. O homem convenceu-se de que era gente. Gente que, no triste panorama do partido, facilmente ganhou direito de cidade. Estava lançada uma carreira de sucesso.

A inteligentsia do partido percebeu que tinha à disposição um palavroso fala-barato, o ideal para a ala mais numerosa e mais ignorante do eleitorado. De ministro a líder, de líder a primeiro-ministro, foi uma viagem sem escolhos, uma avenida pavimentada pelo golpe de Sampaio que destruiu “ex-catedra” a maioria parlamentar existente para a substituir pelos seus.

Depois, foi o tresloucado caminho que se conhece, em que a “verdadeira” política falava de cifrões e se ia disfarçando com algumas modernices. Entretanto, as broncas eram às catadupas. Mas, alicerçado nos que hoje estão de novo no poder e em certas amizades institucionais, o nosso homem ia evitando a chuva que molhava terceiros.

Saídos os amigos do galarim da Justiça, arruinado o país, vindo um novo poder menos permeável a negociatas e arranjinhos, as coisas mudaram radicalmente. As estrelas que iluminavam o badameco apagaram-se. Ainda que os companheiros do sucesso tenham voltado à tona, fizeram-no rodeados de cuidados e com a água bem sacudida do capote.

O pobre “engenheiro” anda a contas com a Justiça. Seja o que for que esta decida, a careca está à vista de toda a gente.

Mas já não seria a primeira vez que um tipo destes regressava em glória. Adeptos não lhe faltam, alguns bem poderosos.

Precatem-se.

 

12.10.17  

DOS CRIMES DA GERINGONÇA

 

Já aqui fiz eco das notícias da nova lei das malucas do BE, gentilmente apoiadas pelo PS e pelo PC, sobre o “acolhimento” de estrangeiros. É bom lembrar que Passos Coelho foi acusado de xenófobo e racista por se ter oposto a tal trampa.

Estava o IRRITADO longe de imaginar até que ponto seriam rápidas as consequências da loucura esquerdista em que vegetamos. A própria imprensa, habitualmente palco de geringoncial servilismo, dá conta da situação.

“Estado já legaliza cadastrados por razões humanitárias”. E não são uns cadastrados quaisquer: são assassinos e outros condenados por crimes violentos, traficantes de droga, etc., os quais, desde a entrada em vigor das novas normas já vão em cerca de duas dúzias. Por razões “humanitárias”: para eles, claro, não para os portugueses. Não sei o que chamar a isto, por falta de adjectivos que reflitam com propriedade o monstro legislativo parido pela ideologia triunfante.

Entretanto, as “cartas de intenção” estão aproduzir os seus efeitos. Desde a entrada em vigor da celerada lei (há um mês) já são mais de 12.000 os pedidos de visto com base na intenção (manifestada por quem, como, com que credibilidade?) de, eventualmente, lhes vir a arranjar emprego. Uma súbita fartura de cartas de intenção de “generosas”, aldrabonas ou aldrabadas criatutas. Falsificações ao pontapé. Só numa semana (11 a 18 de Setembro) foram 4.000!

Em todos os palcos à disposição (incêndios, Tancos, etc.) vem a geringonça tomando conta da destruição da nossa segurança e, no caso, da da Europa.

Se houvesse justiça, ou segurança, ou Estado democrático, os criminosos estrangeiros seriam expulsos. Com eles bem se podia expulsar a geringonça. Menos criminosa não é: se aqueles foram violentos contra outros indivíduos, as vítimas da geringonça somos todos nós.  

 

11.10.17

QUANDO SE VÃO EMBORA?

 

Segundo o chefe dos bombeiros, a população e os autarcas, não houve, nos recentes incêndios, pessoal que chegasse. Tinha sido desmobilizado, uma vez que, oficialmente, já não havia mais incêndios. As torres de vigia das matas foram também fechadas, o pessoal foi para casa em boa ordem.

Assim, segundo o chamado governo, os incêndios dos últimos dias não cumprem o superiormente estabelecido são ilegais, uma chatice, uma vez que não se conformam com os ditames de dona Constança e do seu número dois.

É claro que este senhor já veio à televisão declarar de sua justiça que o tipo dos bombeiros e os outros são uma cambada de aldrabões, uma vez que as providências, para a época, estão todas em vigor.

Só que a época trocou as voltas à burocracia, e foi o que se tem visto.

A pergunta que o indígena tem o direito de fazer é o título deste poste. O que será preciso para que a tal Constança e o seu adjunto vão constanciar para casa? Que haja um terramnoto, um tsunami, um ataque terrorista ou outra desgraça qualquer que, mais uma vez, demonstre o que está demonstrado perante toda a gente? Ou será preciso que caia o governo em bloco (wishfull thinking) para que este parzinho de incompetentes, de passa-culpas, de ignorantes, de donos de lata estanhada, se vá embora?

 

10.10.17

PARVOÍCE

 

Ontem, a distinta RTP1 brindou-nos com um esquema informático destinado a dar ao indígena a oportunidade de expressar “democraticamente” a sua opinião sobre o ingente problema de dar ou não dar aos meninos/as de dezasseis anos o direito potestaivo de mudar de “identidade de género” quando muito bem lhes apetecer, sendo os respectivos pais alvo de perseguição pelo Estado caso se oponham à decisão da criança.

O tal sistema corporizava-se num “site” chamado Paxvoice. Não consegui ler outra coisa que não fosse parvoíce, palavra bem mais adequada às questões em discussão. No entanto, os resultados da votação (não votei) foram esclarecedores: 82% contra, 18% a favor. Partindo do princípio que a “comunidade” GLBTMGAPXI+54 votou em massa a favor, ficamos com a noção da importância do problema para a sociedade em geral, isto é, concluímos que a esmagadora maioria das pessoas é contra e que as propostas de leis do do BE e do PS não passam de um disparate que nada tem a ver com a sociedade, antes são uma espécie de iniciativa guevarista para a mudar à força.

Peroravam, de um lado, duas senhoras, uma mais moderada, deputada do BE, a defender a cartilha do pensamento abaixo da cintura, outra, secretária de estado da geringonça, bem mais radical, à beira da histeria, a meter num chinelo a primeira, assim esclarecendo as pessoas sobre o estado do Estado, ou seja, do PS.

Do outro lado, um especialista em matéria de GLBTMGAPXI+54, munido de longa experiência no tratamento das respectivas disfunções, tentava pôr as coisas no são, sendo sistemáticamente interrompido pela locutora de serviço e provocando uma gritaria dos diabos da parte da chamada “governante”, que cruzava e descruzava a triste perna, numa espécie de delirium tremens. Havia também, do lado do juizo, uma ilustre jurista cuja preocupação maior era o facto de os projectos de lei em causa se limitarem aos géneros masculino e feminino, deixando de fora as outras letras. Eu, que até gosto dela, não percebi a intenção, mas enfim.

Há uma forma de tratar malformações, congénitas ou adquiridas, perturbações da personalidade, traumas psicológicos ou psiquiátricos, inadequações ao que é comum. São questões a ser tratadas com atenção pelo SNS. Compreendo o sofrimento de muita gente atingida, mas não é o mesmo que se passa com quem está doente, nasceu coxo ou ficou sem uma perna num acidente? Todos sofrem, todos têm o direiro a ser tratados, mas nenhum tem o direito de se auto-privilegiar, muito menos contra a sociedade que lhes oferece tratamento e apoio sanitário. O que passa disto é política no mais rasca e ordinário dos sentidos.

Quando se chega ao ponto de pôr meninos/as a decidir se hão-de implantar pilinhas ou abrir fendas sem opinião e ordem médica, psicológica e psiquiátrica, só porque lhes apetece, e se põe o Estado a perseguir criminalmente os pais que se opõem, entramos num mundo que nada tem a ver com o mundo do direito e da razão, submetido que fica à ditadura de pacotilhas radicais, de Catarinas e outras esquerdoidas, como a espernéfica secretária de Estado.

E ainda há quem diga que, na sua versão XXI, não há fascismo em Portugal.

 

10.10.17    

O PSD E O FUTURO

 

Os proto-candidatos à presidência do PSD deram à sola. Por razões “pessoais”, dizem. Não acredito.

Compreendo o Montenegro, mas acho que devia ser mais sincero: teria dificuldade em renovar o partido por tão, e tão lealmente, ter servido Passos Coelho. Ou negava o “pai”, o que seria muito feio, ou deixaria tudo na mesma, o que, por injusto que se ache, não é o que se pretende.

O Rangel é mais difícil de perceber. As “razões pessoais” são indiscutíveis por natureza, mas, politicamente... O homem tem ganho prestígio ao longo dos anos, custa a crer que deite fora o capital que tem vindo a acumular.

Uma explicação que anda por aí é a de que o sucessor de Passos Coelho será um líder de transição, isto é, destina-se a durar pouco e a perder as legislativas de 2019, se lá chegar. Duas ideias discutíveis. A serem verdade, não abonam nem a favor do Montenegro nem do Rangel. Sê-lo-ão?

É fatal a manutenção de geringonça até 2019? Não é, por muito que Belém o deseje. É fatal que o PS ganhe as eleições, com geringonça ou sem ela? Não é, que as consequências dos “êxitos” da geringonça acabarão por se mostrar, com a crueza da verdade.

Ficamos com a candidatura de Rio e, desejavelmente, com a de Santana Lopes.

Rio, é sabido, será um prestimoso auxiliar de Costa, para além de porta voz de uma das maiores desgraças a que o país pode ser submetido: a regionalização, com a multiplicação da classe política, o país a retalho, a autonomia autárquica no caixote do lixo. Rio pode ter uma ou outra ideia digna de apreço mas, no fundamental, é nacional e partidariamente indesejável.

Resta Santana Lopes, homem com obra feita nos palcos a que subiu (enquanto PM não teve tempo para tal, dado o vergonhoso golpe de Sampaio), odiado por socialistas e quejandos que o julgavam preso aos varais da Santa Casa, com uma gravitas adquirida e um sentido político e de Estado inegáveis, conquistados numa longa carreira, feita de coerência desde a primeira hora. Como reagirá a máquina do PSD é coisa que ninguém sabe, embora se saiba que há por lá muitos gatos ansiosos por se arranhar.

As “directas” são uma lotaria vergonhosa. Entraram nos costumes políticos com desculpas “democráticas”, mas são o contrário do que dizem ser: um mar de caciques e de intoleráveis manobras.

Tudo é possível: desde a queda no inferno regional à afirmação de um Estado mais justo e de uma sociedade mais livre, menos enfeudada, mais virada para os cidadãos - cada cidadão como ser responsável, com direitos e obrigações.

A ver vamos.

 

9.10.17

SENSIBILIDADE SOCIAL

 

O tenebroso Mendes, no mar encapelado das suas frustrações pessoais e do seu ódio marcelista ao PSD, veio reclamar contra a “falta de sensibilidade social” dos tempos da coligação.

Poupar os menos “ricos” a qualquer aumento de impostos é falta de “sensibilidade social”? Ou será falta de “sensibilidade social” lançar impostos para todos? Defender o SNS com unhas e dentes apesar dos apertos financeiros é falta de “sensibilidade social”? Ou sê-lo-á levar o SNS às tábuas, ao estado de coma, ao amontoar descontrolado das dívidas? Será falta de “sensibilidade social” reformar o ensino e obter bos resultados pelo país fora? Ou sê-lo-á levar o ensino aos vergonhosos resultados há dias conhecidos? Será falta de sensibilidade social instituir a avaliação dos professores? Ou sê-lo-á acabar com ela, para depois vir dizer que os professores são os culpados e precisam de “formação”? Será falta de “sensibilidade social” não ceder sistematicamente a interesses duvidosos (olhem o BES)? Ou sê-lo-á o contrário (olhem o NB)?

Os exemplos são mais que muitos, mas o ódio do Mendes, avô da geringonça, ultrapassa tudo.

 

9.10.17   

 

NB. O erro de Passos Coelho foi favorecer social-democracia a mais e política liberal a menos.

ELA AÍ ESTÁ!

Desde a mais tenra idade da III República, sempre houve, no CDS, aquilo a que poderemos chamar “tentação socialista”, ou, por palavras mais claras, a postura de “pau para toda a obra”. A primeira coligação de governo foi PS/CDS, lembram-se? Os mais altos dirigentes históricos do CDS (Freitas/Basílio…) são hoje destacados militantes do PS, ministros, presidentes de câmara, etc..

Para quem tenha dúvidas a tal respeito, eis que a dona Cristas veio desfazê-las, sem que haja lugar a dúvidas. Nas comemorações da “retumbante” vitória (3,..% dos votos expressos), a primeira atitude de “política geral” da senhora foi a de colocar o partido à disposição do Costa: se se zangar com a esquerda, cá estamos à disposição, não tenha medo, conte connosco.

Não me surpreende, é uma espécie de evolução na continuidade, um regresso à pureza da democracia cristã, versão Largo do Caldas. Para os geringonços, trata-se de uma posição patriótica com a virtualidade de poder garantir, haja o que houver, a conservação do poder por mais anos do que contavam.

O IRRITADO agradece o esclarecimento e a clareza ideológica de tão ilustre senhora.

 

8.10.17

A CAMINHO DE CACILHAS

 

Dona Inês é filha de um senhor de nome Vitorino de Almeida e de uma senhora Ferreira Esteves. No entanto, por artes que escaparão aos genealogistas, chama-se Medeiros. De Medeiros. Não se sabe se renegou os pais, se optou por apelido mais “nobre”, se foi uma questão de marketing, se outra coisa qualquer. Facto é que tem uma mana especialista em cenas ousadas que também é “de Medeiros”, o que leva a crer numa doce e fraterna opção das duas, já que há uma terceira que não entrou na jogada e se chama, com toda a propriedade, Vitorino de Almeida.

Enfim, diz-se que, em matéria de nomes, não deve haver mexericos nem críticas. O que acima vai não é nem mexerico nem crítica, só curiosidade.

A celebridade de dona Inês ficou a dever-se a uma história picaresca. A senhora, deputada socialista,foi, durante meses, passar os fins de semana a Paris por conta da Assembleia da República. Houve uns invejosos que denunciaram o esquema, e dona Inês viu-se coagida a comprar bilhetes de avião com os seus dinheiros. Uma injustiça, como é evidente. Em contrapartida, a coisa deu-lhe celebridade. Quem sabia quem era tal cidadã antes das viagens a Paris?

De tal maneira ficou célebre que o PS a candidatou à Câmara de Almada, evidentemente para perder. Mas ganhou. Parece que os almadenses estavam maioritariamente fartos do PC, o que é natural.

Meia aparvalhada com a vitória, resolveu a senhora dar uma de popularucha declarando que vai passar a ir para o trabalho de cacilheiro, eventualmente a fim de fazer esquecer as passeatas até Paris. Muito bem, até porque, é de ver, o Mercedes da Câmara a esperará em Cacilhas.

Mas… há sempre um mas, não é? A declaração de dona Inês acaba assim: “se me deixarem”, o que aponta para a hipótese de, por iniciativa de terceiros mal intencionados, o Mercedes a vir buscar a Lisboa.

Boa boleia.

 

8.10.17

5 DE OUTUBRO

 

Debaixo de um toldo, que o Sol está forte, a nata do regime (obrigação sem devoção, só miufa) juntou-se na Praça do Município. Houve cavalos e bandas, trombetas e trombones, bandeiras e discursos. O tenebroso Medina fez exigências, mais “competências”, mais dinheiro. O senhor de Belém deu as costumeiras dicas, consensos e outras patrióticas balelas, copiosamente comentadas por quem vive de comentar.

Malta, zero. Uns turistas a passar, meia dúzia de mirones, foi o resto, a mostrar a consideração das pessoas pelo 5 de Outubro e pelas nossas três brilhantes repúblicas: 16 anos de balbúrdia, perseguições e bombas, 40 de polícia política, censura e estagnação, outros 40 com três resgates socialistas, a culminar na geringonça.

Comemorar o quê?

 

6.10.17

BATER RECORDES

 

Várias marcas nacionais têm sido batidas nos últimos dias.

1.Devidamente abafada pelos serventuários dos media, chegou a notícia da dívida do Estado: os 250.000.000.000 foram, finalmente, ultrapassados. Um feito notável, que muito deve orgulhar os adeptos.

2. Entretanto, a Comissão Europeia anunciou que o Estado geringonço é um dos mais notáveis caloteiros da praça continental. Assim: os prazos para os pagamentos do Estado, segundo as normas, devem fazer-se a 30 dias, ou até 60 em casos excepcionais. Acontece que o Estado geringonço paga, em média, a 300 dias, quando paga. Os tipos de Bruxelas não gostam, e ameaçam com os tribunais. A tão elogiada economia sofre, as empresas não recebem a tempo, são involuntários financiadores do chamado governo, mas não se fala nisso, impera o medo ou a subserviência. Nesta matéria, também batemos recordes. Que orgulho, meus senhores, que orgulho.

3. Outra importante notícia foi a da monumental derrocada do ensino básico. Os meninos chegam ao oitavo ano sem saber ler nem escrever, ou sem perceber o que lêem. Não sabem fazer contas, nem que a Terra anda à volta do Sol. Dois anos de geringonça, com o rapazola barbaças a mandar na coisa: eis os resultados. Segundo o chamado governo, a culpa é dos professores, coitados, que precisam de “formação”. Nada a ver com o “virar de página” do poder de esquerda, como é evidente. Resumindo, mais uma marca batida.

Gaudeamus.

 

6.10.17

QUEM SE METE COM A CONSTANÇA...

 

Há um ano, nos dourados salões do poder, na augusta presença do chamado primeiro ministro e perante luzida multidão de áulicos, chefes de coisas várias, gente importantíssima,  deu a intragável Constança posse a uma senhora que, segundo os discursos, era a mais competente, a mais adequada, o máximo para chefiar o SEF. Houve abraços e beijos, elogios à fartazana, promessas e compromissos, palmas a rodos, só faltou a GNR a cavalo, com tímbales e charamelas.

A tão elogiada senhora foi anteontem posta na rua, sem mais nem menos, pela intragável rapariga. Razão da discórdia, a aplicação da lei celerada da geringonça sobre o asilo a estrangeiros, albergando-os desde que providos de uma carta de intenção. As máfias do comércio de carne humana, as redes terroristas e outras nobres instituições escrevem uma cartinha a dizer que o Abdula é um gajo porreiro e que, se aparecer por cá, será possível arranjar-lhe um tachinho qualquer. Perante tão transparente e humanitária intenção, o SEF passa a ser obrigado, sem mais aquelas, a receber o Abdula de braços abertos. Mais uma inteligentíssima iniciativa do BE, entusiasticamente votada pela geringonços e afectuosamente promulgada pelo senhor de Belém, contra o bom senso e as normas europeias aplicáveis. Mais razões: as bocas da Constança eram todas falsas: nem mais agentes, nem mais meios, nem nada que se parecesse. O SEF, como é público e notório, anda sem eira nem beira. Nestas circunstâncias, em vez de se cortar a cabeça à Contança (o que desde há muito se justificava), cortou-se a cabeça à outra.

É assim a geringonça, especilista em passa culpas, mestre na arte de  sacudir a água do capote, rápida em acusar terceiros dos males que causa.

Dona Constança é, afinal, uma boa aluna do Costa, da Catarina e do Jerónimo, está ao nível deles, por baixo que seja. Em vez de se demitir, demite terceiros. Vergonha, dignidade, responsabilidade, são defeitos que não tem.

 

6.10.17

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