Sábado, 28 de Janeiro de 2012
COISA FEIA

 

O centenário do 5 de Outubro, como é sabido, foi de extrema utilidade cultural e política, já que, pelos interstícios das laudatórias comemorações passaram muitas verdades, verdades que proporcionaram a muita gente a percepção do monumental “barrete” que tal e tão infausto acontecimento foi, a todos os títulos. Em larga medida foi desmistificada e desmitificada a I República e vieram ao de cima cruas e duras verdades, que até o salazarismo tinha mantido a bom recato, para não envergonhar muita gente de quem dependia ou que ia tolerando.

O tiro saiu pela culatra aos agentes de tais caríssimas comemorações. Ainda bem.

 

O corte do feriado do 5 de Outubro veio pôr tal gente em alvoroço, proporcionando-lhe a repetição de inúmeros equívocos e aldrabices e dando-lhes direito de cidade nos jornais num momento em que as pessoas sérias, estudiosas e respeitadoras da História já não andam a pensar em tal matéria.

À cabeça do coro, o inevitável Manuel Alegre (Alegre da mãe, porque o pai, que não era Alegre, não rimava pela cartilha) desdobra-se em inflamadas paspalhices e chega ao ponto de comparar o 5 de Outubro com o 1º de Dezembro, dando às duas datas similar dignidade. O ilustre escrevinhador, demagogo e socialista, tem o topete de pôr lado a lado a restauração da independência e o caminho aberto para a sua quase perda e para a sua ruína, metido este, no plano interno, em clara perda de direitos de cidadania, em refregas partidárias, em resolução de conflitos à bomba, em assassinatos políticos, numa atmosfera de repressão que faria inveja à PIDE e, no plano externo, numa guerra com a qual pouco ou nada tinha a ver. Por outro lado, esta gente, tão pronta a condenar o “colonialismo” português, não é capaz de reconhecer que a república do 5 de Outubro foi o mais colonialista de todos os regimes portugueses, de Afonso Henriques a Oliveira Salazar.

É essa enorme porcaria que esta gente insiste em comemorar com um feriado, dando-lhe a mesma dignidade que ao 1º de Dezembro. É a cultura republicana, a moral republicana, o respeito republicano pela história e pelo país.

 

Coisa feia de ouvir e ver.

    

28.1.12

 

António Borges de Carvalho



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À ATENÇÃO DO MINISTRO RELVAS

 

Com ar indignado, a representante do CDS na SIC Notícias criticava o João Jardim com entusiástico acerbo. Ele tem um jornal, paga um jornal com o dinheiro do povo, coisa que nenhum governo faz em países civilizados!, dizia a senhora com o ar mais indignado desta vida.

O IRRITADO concorda. O João Jardim não devia ter um jornal, não devia pagar um jornal.

O problema é que a senhora não devia ter ficado por aqui. Se o governo, qualquer governo, não deve ter jornais nem pagar jornais, por que carga de água não defende o CDS o fim da televisão e da rádio do Estado, mantidas pelo governo, pagas pelo governo, triunfantes, cheias do nosso dinheiro, milhões e mais milhões extorquidos ao povo?*

Fica a pergunta. O ódio do CDS ao PSD em geral e ao PSD ilhéu em particular não devia perturbar tanto as loiras meninges da sua simpática representante televisiva.

 

28.1.12

 

António Borges de Carvalho

 

* Ó Relvas, porque não acabas com a coisa?

 



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FIDELIDADE AO BOLOR

 

A lusa gente anda mergulhada num mar de loas a essa grande figura da Nação que dá pelo nome de Silva, não Cavaco, nem Cavaca, mas Carvalho da. Não há jornal, TV ou rádio que não se desdobre em elogios. Até o espertalhão Soares teve a amabilidade de, em sonora comunicação ao povo, vir reconstruir as suas pontes para o PC, pontes que atravessa ou dinamita quando lhe convém e acha útil. Desta vez, a fé anti “neoliberal” que o anima – leia-se, o ódio a tudo o que não é do partido, irmão ou primo - levou-o a enaltecer as indesmentíveis qualidades do senhor Silva e a desejar-lhe um grande futuro.

Costuma dizer-se que elogiar os mortos faz parte da delicadeza de sentimentos, tanto das massas como das elites. A grande figura do Silva vai-se embora da central sindical comunista. Talvez por isso, faz jus a loas de defunto. O problema, nosso, não dele, é que vai continuar a mexer. Como andou, tipo Pinto de Sousa em Paris, a tirar um curso, vai dedicar-se à “vida universitária”. Já anda por ai a novidade: vai ser “catedrático”(!), e ensinar matérias “sociais”. Depois de ter mantido os sindicatos na idade da pedra marxista-leninista, vai meter umas ideias trogloditas nas cabecinhas virgens da juventude. Não morreu, mudou de ofício, não de objectivos.

A seguir ao Cunhal, não há outro igual. Menos sinistro, menos ave de rapina, menos inteligente, este Silva conseguiu, durante mais de vinte anos, conservar bem vivo o pensamento do seu antecessor. Linguagem diversa, mais “humanidade”, a mesma fé na propaganda do socialismo real, nos amanhãs que cantam, na luta de classes e em tantos outros slogans da cartilha, já não mascarados de “amplas liberdades”, mas metidos em metáforas “democráticas”.

O resultado está à vista. As massas que o PC domina através da malfazeja organização continuam a pensar que é a “luta”, no conceito de há cem anos, o que lhes melhorará a vida. Por outras palavras, o sindicalismo mais retrógrado da Europa continua a achar que os seus interesses são os que Lenine gritava, não os que o poderiam ligar à realidade, que é muito mais rica e enriquecedora que a insistência em patacoadas ideológicas, mesmo que vertidas em disfarces de pacotilha.

É esta a obra do Silva.

“A luta continua”, ululava ontem a populaça da Intersindical, na ignorância atávica que o Silva, puro agente político, se tem encarregado de manter viva e actuante.

 

Outra figura, ainda mais sinistra, se alcandora no horizonte do futuro da ignorância das massas. Um tal Carlos.

Membro destacado do comité central bolchevista, o Carlos vai conduzir a Intersindical a uma ortodoxia mais clara, tão clara que até os comunistas do BE têm medo dela, como já vieram dizer.

Lá no comité, o Silva há muito andava a ser criticado pelas suas metáforas. O comité central mais retrógrado do universo nem metáforas percebe.

Segundo consta, o Carlos tem mais fidelidade ao bolor.

 

28.1.12

 

António Borges de Carvalho



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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
GANCHOS E CENSURAS



Anda para aí uma polémica dos diabos com a história de um jornalista que, chegado ao fim de um contrato, se irritou porque não lho renovaram.
A situação do homem é muito interessante. Sendo funcionário da Lusa, empresa do Estado, e tendo com ela um contrato de exclusivo, trabalhava também para a rádio do Estado, mas sem receber da dita. Vistas as coisas um pouco mais a fundo, o trabalho do rapaz era pago pela rádio do Estado à Lusa (do Estado), a qual pagava ao rapaz o que fazia fora dela sem que o rapaz ganhasse da rádio do Estado, só da patroa “exclusiva”.
A coisa não tem importância nenhuma. É um esquema imaginativo, como haverá milhões por esse país fora. E a quem interessa que o rapaz (ilustríssimo profissional, segundo escreve quem sabe) ganhe a dois ou três ou quatro carrinhos, desde que trabalhe bem? Há só um pequeno detalhe a estragar o ramalhete: o facto de tudo se passar na esfera do Estado. Uma empresa do Estado aldraba os contratos do Estado para pagar a quem quer e ficar tudo nos conformes. Que importância tem? Nenhuma. Entre nós, o Estado não é como uma empresa qualquer, só que pior que as outras? O comunismo e o socialismo não fizeram a III República nascer torta? Portugal não faz o prodígio de ter o pior do socialismo e o pior do capitalismo, o pior do parlamentarismo e o pior do presidencialismo?
Tudo normal, previsível. O caso do insigne profissional não é senão um grãozinho de pó no meio da poeirada.

Outra história, dentro da mesma história, é a da “censura”.
O rapaz, que considerava adquirido que lhe iam renovar o contratinho, acha que não o fizeram porque ele andava a dizer mal do Santos, o tipo de Angola que tem uma filha “empresária”. E quer apanhar o governo nestas curvas. Censura! Regresso ao fascismo! Malandros! Canalhas! Chamem o Louça! Façam inquéritos parlamentares! Venha a PIDE, perdão, a ERC(?), escândalo, tocaram a fímbria das vestes de um sacrossanto e intocável jornalista!

Nunca se saberá se o contrato acabou por causa do Santos - nosso pobre parceiro comercial e financeiro – ou por ter chegado ao fim.

Mas há umas diferenças que é interessante sublinhar.
Por exemplo, o jornal privado chamado Público correu com umas pessoas e meteu outras, na área do comentário político. Safou-se o Pulido Valente, sabe-se lá até quando. Parabéns. Faz-se propaganda a quatro respeitáveis cidadãos, três igualmente palavrosos, de alta valia intelectual e igualmente chatos. E correu-se com a melhor articulista que lá havia, dona Helena Matos. O mindinho cá está, a dizer-me que a senhora levou com os pés por não ter nada de socialista, o que não acontece com os outros, velhos ou recém convidados. Intrigas do IRRITADO, como é de ver.
A diferença a sublinhar é que dona Helena, embora com pena de perder a sua tribuna, não acusou de ninguém de censura, nem de fascismo, nem pôs as culpas para o governo, nem foi pedir batatinhas ao Louça, nem anda a fazer política à custa da coisa.     

Afinal, nem todos são fruto da mesma árvore.

25.1.12

António Borges de Carvalho



publicado por irritado às 17:13
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
AREIA NOS OLHOS

 

Há coisas que fazem uma confusão dos diabos.

 

A presunção da inocência é princípio constitucional em qualquer país civilizado. Quer isto dizer a) que a condenação em tribunal é o único critério definitivo para aferir da culpabilidade dos cidadãos e b) que a presunção da culpa não existe em direito, o que existe é a suspeita que pode levar à investigação.

Também é princípio da mesma natureza que quem for tido como tendo cometido um crime deve ser julgado e condenado ou não, segundo a lei penal.

 

O que se passa entre nós contraria cada vez mais estes princípios.

Por um lado, há um vasto número de cidadãos tolhidos na sua liberdade e privacidade pela simples razão de, alegadamente, estar em posição de cometer ilícitos criminais ou por ser suposto, seja por quem for, como tendo-os cometido ou podendo vir a cometê-los.

Por outro, não poucos indivíduos há, que sendo justamente investigados e acusados, acabam, mercê de manobras legais de diversa ordem, por sair incólumes das alhadas em que se metem e por andar por aí no melhor dos mundos, mesmo que seja evidente e até tenha sido provada a sua culpa.

As coisas, como o IRRITADO várias vezes tem dito, estão de pernas para o ar. Condena-se sem julgar e julga-se sem condenar.

Mau é parecer. Fazer, nem tanto.

 

Em imparável arrancada legislativa, carregada de suposta moral, vão os nossos deputados, por previsível unanimidade, aprovar a criminalização do chamado “enriquecimento ilícito”.

Mais uma asneira, mais uma trapalhada que acabará por dar enorme descanso a inúmeros criminosos. Porquê? Porque se não respeita o principal.

Ilícito não é o enriquecimento, mas podem sê-lo os actos que a ele levaram. Estes estão incluídos, tipificados e serão punidos segundo a lei penal.

Arranjar mais leis para sobrepor às existentes, como é gritantemente o caso, só aumenta a confusão e as complicações jurídicas e jurisdicionais. A complicação e a confusão, quase sempre, funcionam a favor de quem tem alguma coisa a esconder.

Está aí, à vista de todos. O que são os casos de Isaltino Morais, Dias Loureiro, Rendeiro, Oliveira e Costa, Pinto de Sousa, e tantos, tantos outros, conhecidos e desconhecidos, que por aí andam sem que, para além do que as pessoas lêem ou leram nos jornais, ninguém saiba se são culpados ou inocentes? Uns, os que são culpados, provavelmente acabarão por se safar. Os que estiverem inocentes, da fama não se livrarão.

Tudo de pernas para o ar.

 

A partir da entrada em vigor da manifestação de inteligência legislativa que a tão desejada lei representa, as coisas vão ser mais ou menos como segue. Você aparece lá na rua com um carrão. O vizinho do 2º direito faz queixa, anónima, pois claro, que é o que está a dar: enriquecimento ilícito!

Havendo, em Portugal, uns milhões de vizinhos do 2º direito, haverá uns milhões de investigações totalmente inúteis.

Entretanto, os grandes passarões continuarão no maior dos à-vontades. Como a maioria deles já era rica, se aparecerem com o carrão, é normal. Sabem porquê? Porque não enriqueceram! O crime teria sido enriquecer! Ninguém fará queixa, toda a gente achará normal. Ilícito é você comprar o carro. Não é ter roubado para o comprar. Mesmo sem ter roubado nada a ninguém, você vai ser investigado, incomodado, chateado. Ninguém o manda ter vícios automobilísticos, não é?

Tudo de pernas ao ar.

 

Sem qualquer esperança, o IRRITADO espera que algo inesperado veja a projectar algum juízo na cabecinha pensadora dos deputados. Algo que os leve a não embarcar em mais esta manifestação de falsa moralidade e de demagogia, nesta pazada de areia nos olhos de cada um.

 

23.1.12

 

António Borges de Carvalho



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Sábado, 21 de Janeiro de 2012
EST MODUS IN REBUS

 

 

Como é sabido, o IRRITADO não é apreciador de presidentes da República em geral nem do doutor Cavaco Silva em particular.

O que não o impede de respeitar o cargo e de achar que ele deve ser exercido em condições da maior dignidade, seja quem for o seu titular.

Posto isto, há que dizer que, como em inúmeras outras ocasiões, o doutor Cavaco, quando veio para o meio da rua “explicar” as remunerações que aufere, perdeu uma magnífica ocasião de ficar calado.

Parece que não tem a noção da “altura” da sua posição nem sente a obrigação de a despir da sua circunstância pessoal. Fá-lo, aliás, todos os dias, quando usa o facebook para comunicar com a Nação. É que, se é lógico que, institucionalmente, a Presidência deva ter um sítio na internet, a agenda, as promulgações, etc., já não tem lógica nenhuma nem tem a ver com a dignidade do cargo que o Presidente se dedique a mandar bocas políticas em instrumentos populares.

Outra questão é a de saber se é algum escândalo o que o Presidente ganha.

Dizem as bocas correntes que o homem terá 10.000 euros brutos do BdP. Mais 1.300, líquidos, diz ele, da CGA. Mais 800 brutos, diz ele, da dona Maria. Como Presidente ganha zero. Feitas umas contas rápidas, concluir-se-á que o insigne casal leva para casa, por mês, limpos, menos de 8.000 euros. Que raio, onde está o escândalo?

O doutor Cavaco Silva é um septuagenário com vasto trabalho académico e alta carreira política, goste-se ou não (é o caso do IRRITADO) da personalidade. Tem boas condições de vida, mas não usa a borla do palácio, criadas, cozinheiros e toda a série de facilidades a que tem direito. Vive no seu modesto apartamento e paga as despesas do cidadão comum, acrescidas das que o cargo lhe impõe.

É evidente que o que o casal leva para casa é coisa invejável para a esmagadora maioria das pessoas. Mas as pessoas, todas menos ele, não são presidentes da República.

É evidente que o homem cometeu uma asneira monumental ao dizer o que disse, sem que ninguém lho tivesse perguntado. Mas também o é que a orquestra de “indignados” não tem sombra de razão, a não ser que a inveja e os baixos instintos dêem razão seja a quem for.

Uma nota final. Porque será que nenhum dos antigos presidentes viu esmiuçada na praça pública a sua vida e a sua economia pessoal? Quem sabe quais foram ou são os rendimentos dos drs. Soares e Sampaio? Quem sabe o que ganham? Quem foi ver quanto nos custaram e quanto ainda nos custam? Quem foi às finanças à procura do IRS destes senhores? A resposta é: ninguém.

Porquê? Arrisquemos um guess: porque Cavaco é o único presidente da III República que não sendo, pessoalmente, de direita, nunca foi eleito pela esquerda. Ora a esquerda, seja ela maçónica, jacobina, marxista, folclórica, acrescida dos medrosos e dos envergonhados, integra a generalidade dos jornalistas, dos fazedores de opinião, dos “indignados”, e dos que entendem a cidadania como uma hipótese de sacar aos outros o que os outros, legitimamente, têm, toda a esquerda protege os seus.

 

Haja quem diga a verdade. O doutor Cavaco, com o seu facebook, com as suas bocas idiotas, não honra o cargo para que foi eleito. Mas não é um escroque, não ganha nada de escandaloso, não vive a cavalo na sociedade.

 

O seu a seu dono.

Est modus in rebus.          

 

21.1.12

 

António Borges de Carvalho



publicado por irritado às 23:24
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
OU POBRE CONTINUIDADE OU PERIGOSA MUDANÇA

 

Não haverá quem não tenha visto, nas nossas cidades, uns meninos de camisa branca, tipo “correcto”, gravatinha lisa, nó pequenino, de mariconera a tiracolo, calça escura bem vincada, cabelinho curto, brilhantina, barba feita e arzinho palermoide.

O IRRITADO nunca foi abordado por tal gente, se calhar pelo ar de desprezo com que os fitava. Pouca malta, afinal, poderiam abordar, já que falavam um “amaricano” de fugir.

Eram uma espécie de missionários da seita dos mórmones. Vinham espalhar a “nova” inventada por um tarado qualquer que descobriu a “verdade” – e uma maneira de ganhar dinheiro - encerrada num caixote algures nos EUA, coisa em que jamais alguém pôs a vista, mas que é dita ao alcance de uma espécie de anjos que jamais fosse quem fosse conheceu. É verdade, sem aspas, que a coisa proliferou e até se tornou, ao que consta, maioritária numa pequena zona do seu país de origem. Uma espécie de IURD à americana, uma forma de dominar as pessoas, como a cientologia, uma coisa universalmente reconhecida como fraude baseada na exploração de medos histéricos, na ameaça e na lavagem ao cérebro.

Não consta que os meninos das gravatinhas tenham angariado adeptos entre nós. Por um lado, porque não era difícil perceber que os meninos eram parvos. Por outro, porque os meninos andavam mais a cumprir horário que a debitar prosélitas e atraentes arengas

 

Porquê esta viagem ao mundo idiota dos mórmones? Porque, imagine-se, nos arriscamos a ter um deles como Presidente dos EUA. Neste mundo confuso e periclitante, uma ameaça destas é verdadeiramente aterrorizadora.

Para quem pensasse que as eleições americanas podiam abrir caminho a uma era menos monetarista, menos “obamista” – se é que há obamismo para além da mera propaganda – menos anti-europeia, vê-se na tristíssima situação de achar que a emenda se arrisca a ser pior que o soneto. A demagogia que levou Obama ao poder nada trouxe de bom ao mundo. Já não há, julgo, quem não tenha pena da queda de McCain, consumido que foi por uma tarada que teve a desgraça de escolher para o seu ticket, mas que era um homem consistente, sabedor e prestigiado.

 

Parece, meus amigos, que, por este andar, nos arriscamos a que o mundo se torne cada vez mais um lugar indesejável.

Ou surge um candidato republicano com credibilidade e pés para andar, ou nos veremos outra vez nos braços de Obama, sendo a alternativa sermos as vítimas inocentes das taralhoquices de um mórmon!

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho



publicado por irritado às 23:59
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BARRIGADAS

 

Magna pessegada, ontem, no parlamento. Discussão sobre as barrigas de aluguer e suas implicações sócio-culturais.

Vistas as coisas, o IRRITADO ficou sem perceber quase nada. É muita areia para a sua pobre camioneta, como diria o amigo banana.

 

A nova gerência do “Público” – o Belmiro deve andar a dormir na forma! – embandeirou em arco com as teses dos camaradas do BE, que terão “esmagado” as massas do bloco central mediante alta argumentação jurídico-sexual.

 

A coisa resulta mais ou menos como segue:

Vossa Excelência, minha senhora, quer ter filhos mas não lhe apetece essa chatice de andar nove meses agarrada à pança e, ainda por cima, ver-se obrigada, como qualquer estúpida, a parir como as cadelas? Vá ter com o BE. O BE tem um banco de barrigas à sua espera.

É “casada” com outra senhora? Não hesite. Discuta o assunto com ela, compre uns cc de esperma ao Jójó, e, tubo de ensaio na malinha, vá ter com o BE. O BE arranjará maneira de resolver o seu problema.

É solteira, não tem companheiro nem companheira, nem marido nem marida? Não se preocupe. Vá ter com a Ana Drago ou com o Fazenda. Eles explicam tudo, tratam das coisinhas. Não tarda nada está grávida, ou outra qualquer por si, o que, do ponto de vista dos “direitos humanos”, é a mesmíssima coisa.

Caso se tenha consorciado à antiga, isto é, com um homem, na Conservatória ou até na Igreja, o BE garante a sua liberdade, quer dizer, se o seu marido for uma besta reaccionária e a quiser obrigar a parir, trata-lhe do divórcio gratuitamente e arranja uma desgraçada qualquer para parir por si o filho de um sueco, um indiano, um chinês, um preto, segundo as suas preferências cromáticas.

Em qualquer caso, o BE proporciona o único parto verdadeiramente sem dor do mercado. Tudo de borla, que o BE não quer que as outras gajas, muito inferiores a si, recebam um tostão pelo trabalhinho ou se interessem pelo bebé que pariram e ao qual, evidentemente, não têm qualquer direito. São como as torradeiras, que torram o pão mas não o comem! Qualquer semelhança entre tais gajas e a espécie humana é pura coincidência, garante o BE.

Na sua política super/ultra/hiper liberal nestas matérias, o BE só falha num aspecto. Deixa de fora os homens. Sim, meus amigos: e nós? Então se um homem quiser um filho, mas não quiser chatices com mulheres, não pode comprar uns ovos, galá-los e pô-los no choco? E se você for lilas, não pode arranjar uma criancinha para você e o seu barbudo mais-que-tudo se entreterem lá em casa? Que raio, o BE deve ter-se esquecido de si e dos seus diáfanos coleguinhas! Descriminação! E os “direitos humanos”? Se eu fosse a si fazia queixa à ILGA, ou lá o que é, e convocava uma manifestação de protesto à porta do Castelo Branco e da velhota, imagens vivas do progresso que anima as almas bloquistas.

 

O IRRITADO, como acima se demonstra, não é hiper/super/ultra liberal. O Bloco é que sim, ao contrário do que por aí se diz.

Mas não deixa de dar aqui os seus conselhos, cheios de ternura e de ânsia de bem-fazer.

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho



publicado por irritado às 18:00
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RABULICES

 

Sob a batuta de uma rapariga tatuada, tão desinteressante como perigosa, muito conhecida pelas liberalidades homossexuais em que é especialista e alegada técnica em constitucionalidades ideológicas, um grupo de socialistas, serventuários do BE e inimigos do (in)Seguro, resolveu processar o orçamento no Tribunal Constitucional.

O establishment do PS ficou totalmente abananado. O Borrinho ainda tem alguma argumentação teórica, aliás séria: o orçamento deve ser objecto de apreciação política, não jurisdicional. Muito bem. Mas mais não faz porque, como o chefe, tem medo.

A rapariga e seus sequazes não desarmam, não desistem. O ódio ao Seguro é mais forte que qualquer lógica ou qualquer réstia de honestidade.

Outro socialista, principiante mas esquerdóide e maximalista, um tal Basílio, é cientificamente convidado para a Quadratura do Círculo. No meio dos disparates intelectuais do Pacheco - um tipo que deve achar que a vida, coisa que desconhece, se pode julgar a partir lá de casa - o Basílio ribomba que o grupelho da rapariga tem todo o direito a fazer a sua farsa persecutória, e finge ignorar as consequências que, seja qual for o resultado da manobra, a coisa não deixará de ter, dentro e fora do PS. Fidelidade ao Pinto de Sousa? O meu mindinho acha que sim. Como o grupelho, Basílio é fiel a quem lhe fabricou os tachos.

A ver vamos o que dá a rábula.

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho



publicado por irritado às 12:26
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A FANTOCHADA

 

O inigualável fantoche do PC, encarregado da agitação sindical, acusou os seus parceiros da Concertação de querer voltar à Idade Média.

Será que esgotou a habitual bateria de vitupérios estalinistas com que costuma brindar estas coisas? Teve que recorrer “argumentos” históricos para se desculpar por ter, cobardemente, dado à sola antes que tivesse que ceder algum pedregulho da estúpida muralha, não medieval mas igualmente bolorenta, construída pelos seus camaradas há mais de trinta anos?

A metáfora fica melhor ao fantoche que aos que critica. Medieval, no sentido de passadista, ultra-conservador, inútil, assenta como uma luva em gente que não percebe que o tempo não é seu, e que o que era seu deu mau resultado, atrasou por dentro todos e cada um de nós.

A II República erigiu o Estado como nosso “pai”. Remeteu-nos à dependência mental, e vital, de um Estado todo-poderoso. A III República, arrastada pelo PC e seus fantoches, agravou os defeitos da segunda, com argumentos opostos mas de resultados afins.

No momento em que, pela primeira vez em décadas, se tenta dar alguns - pequenos mas firmes - passos para a libertação e a responsabilização de cada um por si próprio, o fantoche estrebucha como aqueles vampiros dos filmes que temem desfazer-se em pó se o bem ganhar a guerra. E foge. Prefere continuar a sua obra, insistir na parlapatice da negação da realidade e da vida, guardar o seu poder de destruição, a receita infernal para esse cozinhado diabólico que consiste em iludir uns para os usar contra os demais.

Nunca o fantoche assinou fosse que acordo fosse. Mas mantinha a ficção da discussão dos assuntos. Desta vez, cobardia das cobardias, percebeu que as suas parlapatices não iam ser ouvidas nem temidas, que havia coragem para o enfrentar, a ele, o grande Carvalho da Silva, mestre de cerimónias de barulheira e técnico da conscrição das massas, ilusor mor da república, general da tropa fandanga dos cartazes e dos slogans. Ele! Não! Ele já não discute, só agita, é a sua profissão, a sua fé na destruição do que existe e na construção, sobre as suas ruínas fumegantes, do maravilhoso mundo do Partido e dos Gulagues.

Na senda do fantoche que parte, outro títere, outro bonifrate, outro bufão se agiganta, à espera do poder: um tal Arménio, dito ainda mais estalinista que o fantoche.

Cuidado!         

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho



publicado por irritado às 11:49
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