Domingo, 22 de Novembro de 2009
ANTÓNIO FIGUEIREDO

 

António Figueiredo morreu. Soldado do império, admirador da inteligência, empresário de génio, lutador pela liberdade posta em causa pelos inimigos, dela e dele, António Figueiredo enfrentou os tempos novos empenhando-se em que fossem tempos de sucesso, o sucesso que o socialismo de esquerda impedia, sem sequer saber herdar o que, de reserva de progresso, apesar de tudo lhe tinha sido deixado pelo socialismo de direita.
António Figueiredo viveu como um príncipe e trabalhou como um mouro. Seguiu sempre em frente, deu cem vezes “a volta por cima”, foi amigo de quem com amizade o tratou e votou à ignorância os que, com maldade ou sem ela, se lhe atravessaram no caminho. Não era de vinganças, seguia em frente.
Sendo velho, morreu no auge da juventude, vítima do mar que sempre amou, como tinha amado os céus na sua carreira de “pilotaço”.
 
Permita-se-me uma palavra sobre dias a que os comentadores e os panegiristas póstumos se não referiram. Li várias referências à sua passagem pela comunicação social como accionista do “Semanário” e ao empenho que teve em tornar o jornal uma arma liberal e livre, coisa que, em Portugal, trinta e tal anos depois de instaurada a liberdade de imprensa, ainda não houve. Saiu quando viu que tal não era possível - coisas que não contarei.
Depois, tornou-se líder incontestado do grupo que adquiriu o “Século” e o antigo “Jornal Novo”, ao tempo chamado “A Tarde”.
“A Tarde” nunca foi o que se chama um sucesso editorial. Mas, com o apoio desinteressado de António Figueiredo, foi importantíssima “arma” na luta contra o Bloco Central e na criação de condições para o que havia de vir a ser o período “cavaquista”. “A Tarde” foi sempre um jornal com cara, a cara da libertação da sociedade civil contra os desmandos morais e políticos do socialismo. Cara que, nem como máscara, há jornais que ostentem.
Até ao fim, António Figueiredo sempre se orgulhou de ter apoiado “A Tarde” e quem fazia “A Tarde”, sem jamais se ter intrometido no que cada um escrevia, embora não se abstivesse de criticar aquilo de que não gostava sem jamais perseguir quem insistia em defender o que tinha criticado.
“A Tarde”, como empresa, terá sido o maior flop da sua carreira. Um flop de que se orgulhou até morrer.
 
Como vejo este passo da sua vida esquecido nos doutos comentários dos Marcelos Rebelo de Sousa, dos Pedros da Anunciação e de quejandos, aqui fica a recordação de um tempo em que, apesar de tudo, muito valia a pena, e de um homem que se batia pelo que valia a pena.
 
21-11-09     
 
António Borges de Carvalho


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PRIVACIDADE E PUBLICIDADE

 

Dona Cância, aproveitando a abertura de que dispõe no DN (órgão oficioso do PS que usa da mais radical imoralidade jornalística quando se trata de ajudar o chefe), veio a lume com uma artigalhada – o dobro do espaço habitual, que já é demais – revoltar-se, coitadinha, contra o facto de as autoridades encarregadas da moral (republicana) dos profissionais da coisa não terem dado o devido provimento aos seus protestos contra o surgimento, na imprensa,de gente que a “acusa” de ser “namorada do primeiro-ministro”.
Trata-se, na opinião da ilustre plumitiva, de uma invasão da sua vida privada, um pecado sem nome. Há até, protesta com justa indignação, fotógrafos, a que chama paparazzi (quem é a senhora para se achar com direito a ser paparazzizada?), que a apanham, em locais públicos, na doce companhia do senhor Pinto de Sousa.
 
Brada aos céus, não é?
 
Não é, não senhor. Dona Cância é uma das mais ferozes defensoras da “liberdade contratual” entre homens e mulheres, mulheres e homens, homens e homens, mulheres e mulheres, e do mais que não me dou ao trabalho de imaginar. É uma acérrima prosélita das uniões de facto, dos namoros de alcova, de tudo o que, para ela, significa direito e respeito civil por tal direito.
 
Dona Cância deveria tentar perceber que o senhor Pinto de Sousa, namorado ou não, é primeiro-ministro do saco de desgraçados em que transformou o país. E que, em todo o mundo civilizado, as pessoas têm o direito, esse sim, um verdadeiro direito, de saber do estatuto civil dos seus dirigentes. Ora se as uniões de facto, as ligações de alcova, os namoros de toda a espécie, são, na opinião da dona Cância, iguais ao estatuto civil de “casado”, tais ligações, no caso dos políticos, tendo igual dignidade entre si, devem ser, como é óbvio, do domínio público. Se o Presidente da República é casado, dúvida não resta que as pessoas têm o direito a saber que assim é, quer dizer, o facto de o Presidente da República ser casado ultrapassa largamente o limiar da sua respeitável privacidade. Toda a gente tem direito a conhecer da sua situação civil, o que não significa que tenha o direito a saber o que se passa em casa do senhor. Se a dona Cância, como os seus escritos postulam, acha que a sua ligação com o primeiro-ministro tem a mesma dignidade que o casamento do Presidente da República, com que direito protesta contra o facto de haver quem o diga e escreva?
Terá, sem dúvida, tal direito, se o que dizem não for verdade. Mas se o é, não se trata de “vida privada”, não tem nada a ver com as festas que o Presidente da República faz, ou não faz aos netinhos lá em casa! Bem pelo contrário, é coisa tão pública como os projectos que o senhor Pinto de Sousa assinava lá nas berças.
 
O que a dona Cância devia fazer era informar as pessoas sobre a situação “marital” do primeiro-ministro. São amantes, ou não? Aqui está uma questão de inegável interesse público e pouco de interesse privado.
 
21.11.09
 
António Borges de Carvalho


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NOBLESSE OBLIGE

 

O inenerrável Pinto da Costa veio a terreiro dizer que pensa de que o campo do Oliveirense não é digno de ser pisado pelos delicados pezinhos dos seus atletas. O feroz Jesualdo apoia incondicionalmente esta nobre atitude do caudilho. O FêCêPê, institucionalmente, coloca na net os protestos da mais elevada indignação por ver a sua requintadíssima gente na contingência de se ver obrigada a jogar à bola em tão inaceitáveis condições.
 
Na cabeça das elites do FêCêPê, as autoridades da bola deviam ter estes casos em atenção e transferir o jogo do campo do Oliveirense para o Santiago Barnabéu, ou melhor, para o Old Trafford ou o Maracanã. Acho muito bem. É uma violência, uma indecência, realizar um jogo em condições tão miseravelmente precárias para a nobreza, a delicadeza, o nível, a cultura, a categoria social, global, universal, cósmica, do FêCÊPê.
 
Das profundezas da sua plebeia e triste condição, o IRRITADO atreve-se a dar a tão insignes rebentos da Pátria um humilde conselho: se não querem sujeitar-se a tão terríveis ofensas, os FÊCÊPÊs deveriam retirar-se dignamente de uma competição em que entram adversários que, manifestamente, não são dignos de receber tão altas criaturas.
 
Em alternativa, metam a viola no saco. Vão protestar para o caraças. 
 
21.11.09
 
António Borges de Carvalho
 
E.T. E não é que sua excelência o árbitro cancelou o jogo, alegando que estava a chover muito? Ora vêm como elas mordem? Como diria o propagandista Santos Silva, quem se mete com o Pinto da Costa lixa-se. Tudo se passa, como é evidente com a aristocracia de pernas para o ar, isto é, com a aristocracia socialista.


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RATINGS E RANKINGS

 

Em Portugal, a palavra classificação caiu em desuso. Não se é classificado, entra-se, umas vezes no ranking, outras no rating. A palavra ranking já não é só inglesa: segundo o dicionário deste computador, por exemplo, é portuguesa(!).
Modernices.
 
Vem isto a propósito, calculem, do excelentíssimo ministro das Finanças que temos. O IRRITADO assinala, com o mais genuíno júbilo, que este insigne governante subiu no ranking dos ministros seus colegas europeus, publicado pelo “Financial Times”.
Pois é. Corações mão alto! Há dois anos, o senhor Santos era o pior de todos. Agora é 15º entre 19! Subiu na tabela classificativa.
Injusto seria se o IRRITADO, que não se esqueceu de sublinhar o caso quando o homem era o lanterna vermelha, não o fizesse agora.
A continuar na sua vertiginosa subida, se a criatura se aguentar no poder mais uns sete anos, passa para o meio da classificação.
E nós para a sopa do Sidónio.  
 
21.11.09
 
António Borges de Carvalho


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SOBRE O ALEGADO FIM DO BOLCHEVISMO

 

A fim de podermos avaliar do estado de avanço intelectual em que se encontra o PC, a seguir repito a transcrição da opinião do “Avante” publicada no “Expresso” sobre o fim do bolchevismo e a queda do muro de Berlim.
 
Diz um tal Casanova (nada a ver com o autêntico) no extraordinário jornal:
Se há um balanço negativo do socialismo construído na União Soviética é o da derrota sofrida: a derrota é que foi negativa.
Diz um certo Fonseca:
O derrube do muro de Berlim não foi a vitória da liberdade, como agora se apregoou, mas sim a vitória da avidez consumista.
Dizia eu que as tão inteligentes palavras do Casanova e do Fonseca eram motivadas pelo fim do bolchevismo. Falava, como é evidente, do resto da Europa, uma vez que por cá ele continua de boa saúde, já que temos nada menos que dois partidos comunistas com quase 20% dos votos.
Somem a isto os 40% de votos do PS e pensem porque é que ainda há quem se interrogue sobre as causas profundas - e superficiais - da nossa pobreza…
 
21.11.09
 
António Borges de Carvalho


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PORCARIAS MENTAIS DE UMA CRIATURA ODIOSA

 

A castelhana que terá casado com o Saramago e se prepara para receber, bem adubada com as isenções fiscais de Lanzarote, a choruda herança do velhote (rima e é verdade), insiste em ordinarices e pontapés na gramática.
Na revista do jornal privado chamado “Público” da semana passada, entre outros mimos, disse:
Estes colunistas de merda, tão jovens, submissos, obsoletos, têm uns óculos que lhes deve dar para verem o tamanho do seu pénis… pequenino.
Vejam, deliciem-se com este verdadeiro primor de sentimentos, admirem a delicadeza, a feminilidade, a altura moral, a categoria intelectual da senhora! Notem a inteligência do critério com que utiliza as palavras “merda” e “pénis”, aprendam a pôr formas verbais no singular quando o sujeito está no plural, aprendam a pôr infinitos impessoais no plural… ah!, vejam quanto têm para aprender com esta preciosa aquisição da nossa cultura, nada menos a senhora presidenta* de uma fundação à qual o presidento* da Câmara de Lisboa, pelos vistos um criminoso à solta, deu a nossa Casa dos Bicos.
Vejam como ela sabe, de um saber de experiência feito, com certeza, de ciência certa, pois então, as dimensões dos órgãos dos nossos jovens colunistas… Comovam-se com a preocupação da senhora com a miopia e a má qualidade dos óculos de tais jovens, que nem para ver o pénis servem…
Bem merecemos mulheres como esta, bem educadas, com um pensamento cristalino, uma decência moral acima de qualquer crítica, amigas do Costa, presidentas*
 
*Em “pilarês” (de Pilar e de pila).  
 
21.11.09
 
António Borges de Carvalho


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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
QUAL É O PROBLEMA?

 

Afinal, qual é o problema?
 
Na cabeça das pessoas, o problema é haver um primeiro-ministro que, provadamente:
- assinou projectos inacreditáveis, os quais, se eram de sua autoria, são uma vergonha, se não eram são outra;
- tirou um curso à la manière;
- adjudicou um concurso, hoje em julgamento nos tribunais criminais, ao fulano que lhe tinha “propiciado” tal curso;
- comprou um andar por um preço estranhíssimo;
- autorizou, após reunião com os promotores, um investimento em que as suspeitas são mais que muitas, quer o envolvam quer não;
- manteve conversas telefónicas com um suspeito de crime de corrupção, e que tais conversas, para os investigadores, oficialmente, contêm sinais de crime de atentado contra o Estado de Direito;
- … chega. Há mais, mas já chega.
 
É assim que as pessoas, adeptas ou não do primeiro-ministro ou do seu partido, põem a questão. Questão que não é a de saber se o primeiro-ministro cometeu algum crime ou não cometeu crime nenhum, mas sim a de saber se um cidadão com a colossal “agenda” de rabos de rabos de palha e de esqueletos no armário, pode, num país civilizado, num Estado de Direito, numa democracia liberal, no Ocidente europeu, ser primeiro-ministro.
As pessoas sabem que não pode, não deve, que tem que se ir embora, que já devia há anos, há anos devia ter dado outro rumo à sua vidinha.
As pessoas sabem que o primeiro-ministro não tem, minimamente, o perfil (chamemos-lhe assim) para ocupar o cargo que ocupa, sem grave ofensa à dignidade dos cidadãos e do país.
As pessoas percebem que não há “campanhas negras”, mas processos administrativos e judiciais.
As pessoas percebem que não há “forças ocultas”, mas pecados e pecadilhos que nunca foram desmentidos, uns, ou julgados, todos.     
As pessoas percebem que não há “espionagem política” mas legítimos inquéritos judiciais.
As pessoas vêm que não há “assassinatos de carácter”, e sabem que, em questões de carácter, é o próprio primeiro-ministro que a si mesmo prejudica, e não terceiros.
As pessoas sabem que a imprensa é o que é, às vezes muito má, mas que as notícias são notícias e que a esmagadora maioria das notícias que têm aparecido e que afectam o primeiro-ministro são verdadeiras.
 
Todas as pessoas? Não! Qual serôdio Abraracourcix, Mário Soares não está com elas. Não pensa como elas. Os romanos são doidos!
 
Escreve o senhor que o problema é, quase em exclusivo, o de haver uns canalhas que não respeitam o sacrossanto “segredo de justiça”, isto é, se nada saltasse nada cá para fora não havia problema nenhum.
Os delatores, os que passam informações, os jornalistas que as publicam, tudo não passa de um bando apostado em “julgar as pessoas na praça pública”, assim criando um problema que, sem informação, não existia. Bandidos!
A polícia Judiciária e o Ministério Público, cheios de curioso espírito inventivo, investigam coisas que, sem excepção, ficam em águas de bacalhau. Face oculta parece ser… a da Justiça. Destes departamentos da Justiça vêm as “fugas” do tal segredo organizadas estrategicamente, em momentos específicos (quem o ler há-de pensar que a “Face oculta” foi lançada antes das eleições…), para desprestigiar a Justiça (e as pessoas a julgar que o que desprestigia a Justiça são as tricas entre o PGR e o PSTJ!), e certos políticos, para enfraquecer e desacreditar o sistema democrático, em que alguns outros políticos inconscientemente se intrometem, com fins imediatistas e oportunistas, tentando visar os seus adversários de momento.
Quer dizer, no douto parecer do Dr. Mário Soares, o que desprestigia o sistema democrático e seus agentes não são os esqueletos do armário do senhor primeiro-ministro, são os comentadores, são vozes escolhidas a dedo, são os tipos das “fugas” e os adversários políticos.
E as pessoas a pensar que os adversários políticos do primeiro-ministro têm tido posições escandalosamente soft em relação às asneiras do primeiro-ministro! Burras!
O Dr. Soares acha que não devia haver segredo de justiça. Mas revolta-se contra o que se sabe do segredo que há, isto é, da forma muito corrente de denegrir a honra de figuras públicas, que ainda por cima não têm como se defender! Vá-se lá perceber a lógica de pensamento do senhor.
O Dr. Soares acha que os julgamentos na praça pública constituem verdadeiros assassínios morais e políticos de homens públicos sem provas nem julgamentos. Esquece que os julgamentos políticos não têm a ver com provas nem com julgamentos judiciais. Têm a ver com o merecimento político de cada um. Não há, como dizem para aí os socialistas, julgamentos de carácter (morais e políticos, na expressão do Dr. Soares). Quando muito, no caso vertente, haverá um suicídio de carácter, se é que o primeiro-ministro tem carácter para “suicidar”. 
 
Facto é que, se o primeiro-ministro, se tivesse a certeza de não ter, nos telefonemas escutados, dito nada que lhe pudesse ser assacado, pediria ao PGR que os tornasse públicos, não que lhos facultasse só a ele. Não é?
 
O Dr, Soares não quer perceber, por inultrapassável handicap partidário, que é muito mais importante para as pessoas e para o país saber que primeiro-ministro têm, do que ver na choça o sucateiro e os seus “sócios”. Isto sim, é um caso para a Justiça. Aquilo, é um caso meramente político, sobre o qual os cidadãos têm o sagrado direito de ser informados, para que possam tomar as atitudes políticas que muito bem entendam.
 
19.11.09
 
António Borges de Carvalho     


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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
DA CORRECÇÃO DO BLOQUISMO

 

O extraordinário filósofo e historiador, deputado europeu eleito pelo BE, um dos mais indefectíveis compagnons de route do camarada Louça, confessou aos jornais que, em Bruxelas, anda de bicicleta, coisa compreensível e politicamente muito correcta.
Até aqui, tudo bem. Só que o distinto comuno-socialisto-bloquista diz que o faz porque… “Bruxelas é uma cidade plana”.
O IRRITADO jura que adorava ver o rapaz a pedalar pelas planícies do Boulevard Botanique, ir de bicicleta da Rue Neuve à Place Louise, da Gare du Midi ao Parlamento, da ópera ao Petit Sablon. Teria pernas para tanto?
Tem desculpa. Antigamente também se julgava que a terra era plana.
*
Entretanto, o camarada Portas Miguel, possuído do mesmo prosélito fervor, e de furor progressista, declarou que a diferença entre a esquerda e a direita é que esta usa gravata e aquela não.
Veja-se a profundidade do pensamento deste homem. Atente-se no brilho da mente deste comunista fino, que terá feito a sua opção de classe no meio da maior angústia existencial! De tal maneira que até já deixou de saber que a gravata se usa consoante as ocasiões e não depende do esquerdismo nem do direitismo de cada um.
O IRRITADO recomenda ao senhor Presidente da República que não deixe esta gente entrar no palácio sem gravata, já que o Dr. Gama parece já ter perdido o respeito pelo Parlamento.
 
17.11.09
 
António Borges de Carvalho    


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MISTÉRIOS, NOMENCLATURA E GENELOGIA

 

Andam para aí tantos mistérios que o IRRITADO se sente no direito de colaborar no desvendar de um que traz muita gente inquieta.
Tem a ver com o primeiro-ministro, mas nada, garanto, com as suspeitas de que é alvo por parte das forças ocultas que, através de espionagem política, insistem em campanhas negras. Nada disso, que o IRRITADO não participa em tais campanhas. São coisas de magistrados e de polícias, destinadas a mostrar serviço e a excitar a opinião pública.
Trata-se de saber porque é que o nosso primeiro-ministro tem como nome de guerra do grande e homónimo pensador da Grécia antiga.
Os pais do nosso homem tiveram o mau gosto de lhe pôr tal nome próprio a seguir a José, quem sabe se para lhe excitar o bestunto e lhe animar o QI. O resultado não foi brilhante. Terá o homem julgado que, usando tal nome, se tornaria melhor?
O IRRITADO pensou no assunto e acha que não. A “Sócrates” seguem-se nomes normalíssimos: Carvalho, da mãe, Pinto de Sousa, do pai. Aqui, o mistério adensa-se. Porquê deitar fora a família?
O IRRITADO já tinha ficado estarrecido quando o senhor Pinto de Sousa tomou posse pela primeira vez. É que, feita pelo próprio a lista dos convidados para o dourado e Real salão, o Arquitecto Pinto de Sousa não fazia parte de tal lista e até teve, compreensivelmente, um televisivo desabafo de tristeza. Porquê, interrogaram-se as massas, sideradas: o homem não só não usa o nome do pai, como o deixa à porta na tomada de posse!
Há poucos dias levantou-se, perante os olhos do IRRITADO, uma ponta do véu que cobre a misterioso facto. Calcule-se que o Arquitecto Pinto de Sousa foi número dois de uma lista do PSD na Covilhã, lista que concorreu contra o PS e ganhou! Assim se ofende um filho. Suprema ofensa! Daí, Pinto de Sousa nunca mais.
Restava esclarecer porque é que o fulano, não gostando, com carradas de razão, do nome do pai, não passou a usar o da mãe (Carvalho), como há quem faça. O Doutor Pulido Valente, por exemplo, é Correia Guedes do pai e usa o apelido da mãe. Lá terá as suas razões. O senhor Lelo - leviano, presunçoso, vaidoso, maluco, segundo o dicionário - também não usa o nome do pai, Ribeiro de Almeida. Neste caso compreende-se.
Mas o nosso José, nem Pinto de Sousa nem Carvalho. Sócrates! Se o ridículo matasse, onde estaria o nosso bom primeiro-ministro! Mas ele aguenta tudo. O nome da mãe é que também não.
Vista a árvore genealógica do homem, a coisa esclarece-se. Do lado da mãe, é tudo pessoal que nada tem de socialista. Bem pelo contrário, é gente que se conhece (e celebriza!) pelas suas actividades capitalistas.
Tudo claro. Não havia escolha possível. Entre um ramo que é do PPD e outro que, pelo menos, é industrioso, que fazer?
Só José era pouco. Vai, então de arranjar Sócrates como nome de família, que deve ser o que lá fora, com inevitável sorriso, se pensa.
E, no entanto, como diria Galileu, continua a ser o senhor Pinto de Sousa.     
 
17.11.09
 
IRRITADO


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Domingo, 15 de Novembro de 2009
NOTAS DOMINGUEIRAS

 

Da vox populi: o camarada Vara, segundo foi oficialmente comunicado, foi para casa, mas o ordenadinho, ou ordenadão, vai continuar a ser pago a tempo e horas. Consta que o camarada Vara já fez as necessárias reservas para uma estadia em Cortina d’Ampezzo, outra nas Bermudas, uns quinze dias no Pierre, em Nova Iorque, uma semana em cruzeiro pela Antártida, cabine presidencial, e que planeia com todo o pormenor, sobrando-lhe imensa massa, mais um ou dois anos de merecidas férias.
*
A dona Cância protestou oficialmente contra os infames que, na imprensa, a tratam por “namorada de Sócrates”. Não se sabe se o veemente protesto da distinta criatura se deve a desejar que ninguém saiba da sua relação de alcova com o primeiro-ministro, se se trata de desmentir, indignada, tal e tão indignificante epíteto.
*
Aqui há tempo, a gentalha do PS, a começar pelo ministro da defesa que temos a vergonha de ter, insurgiu-se contra o facto de Joaquim Ferreira do Amaral ser presidente da Lusoponte, tendo sido, dez anos antes, o ministro que lhe deu as concessões. Agora, exactamente a mesma gente, acha óptimo que Jorge Coelho seja presidente da Mota-Engil, ele que deixou de ser ministro das obras públicas uns três anos antes de para lá se promover. Uns artistas, os tipos do PS.
*
O Santos Silva, que anda por aí a dizer, e com razão, que é ministro da defesa, desdobra-se em declarações que têm a virtude, até agora, de não querer dizer absolutamente nada. Minto, o senhor ministro contribuiu, pelo menos uma vez, para o enriquecimento do nosso léxico. Dizia ele, há dois ou três dias, que é preciso “interseccionar” não sei o quê. Ninguém ficou a perceber se se tratava de “seccionar” ou de “intersectar”. Mas não faz mal. Por um lado, tanto faz, o que ele disse não interessa seja a quem for. Por outro até é de agradecer este contribruto do distinto universitário para o progresso da língua.
*
Já repararam que andamos em maré de destruição de coisas que só interessam aos tarados, os espiões políticos, aos tipos das forças ocultas, aos prosélitos das campanhas negras? Ele foi o incêndio que consumiu, em terras de Sua Majestade, a contabilidade da Freeport. Ele foi o incêndio que destruiu a papelada do tipo das sucatas. Ele vai ser, agora, a discussão sobre se as cassetes da “face oculta” devem ser destruídas pelo fogo, com ácido sulfúrico ou de outra forma qualquer, desde que sejam mesmo destruídas. Sugere-se o auto de fé, para que, como na Idade Média, o povo fique a saber o destino que o poder dá àquilo que não se conforma com a moral em vigor. Desta feita, a moral republicana.  
*
O camarada Pinto de Sousa foi pedir ao camarada Chávez, seu amigo do peito e irmão em ideais, que se portasse bem naquela inútil pessegada da cimeira ibero-americana que andam parta aí a organizar. O comportamento do carrasco da liberdade na Venezuela será, assim, a medida da influência do senhor Pinto de Sousa na América do Sul. Na do Norte ninguém sabe quem o tipo é.
* 

 

Os diversos espectáculos que têm sido oferecidos ao povo pelo chefe do executivo, pelo chefe dos magistrados judiciais, pelo chefe dos magistrados do ministério público, pelo chefe dos deputados e pelo poder de uma forma geral, SEPIIIRPPDAACS* incluído, levam-me a pensar se viverei num país ou no palco de alguma ópera bufa.
*Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva.
IRRITADO, 15.11.09


publicado por irritado às 17:08
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