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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

Negócios

O governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) vendeu a Penitenciária! Mas, atenção, meus senhores, não a vendeu a algum criminoso privado, entenda-se criminoso por não ser público, vendeu-a, sim, à Parpública, uma coisa nebulosa que detem participações do Estado, tão pública como indica o nome.
São uns artistas, estes rapazes. Eles vendem, mas, para que não se fale em receitas extraordinárias, nem em horríveis, corruptas e condenáveis “privatizações”, mascaram a venda metendo-se a si próprios no meio. Genial.
 
Imagine-se o que seria o coro das nobres gentes se uma coisa destas tivesse acontecido antes do consulado socraticoide. O governo disfarçava o défice com mais uma manobra contabilística, fazia negócios consigo próprio para disfarçar mais uma cedência ao lóbi do betão, o qual, obviamente, estava por trás da geringonça, ávido de lucros, garras de fora, à espera de mais esta dádiva do tenebroso capitalismo. A coisa seria apodada de “trapalhada”, de desvario de uma direita fascizante, de mais um criminoso golpe contra o Estado e o Povo. Pedir-se-ia a queda imediata do governo, pôr-se-ia a coisa em tribunal, haveria dezassete providências cautelares a entrar nos Tribunais. A imprensa tonitruaria aleivosias. O senhor Lima, no Expresso, compararia Santana Lopes a Pinochet. O senhor Fernandes, na Câmara e na RTP, ribombaria acusações de corrupção e compadrio. O senhor Telles diria que se estava a pôr em risco uma jóia inigulável do nosso património construído. O PS descobriria uma zona húmida no alto de Campolide. O PC faria queixa ao Tribunal Europeu. A dona Ana Gomes fundaria uma comissão de inquérito. O dr. Sampaio chamaria o dr. Rebelo de Sousa a Belém.
 
E, no entanto, nada aconteceu. O senhor Pinto de Sousa (Sócrates) fez exactamente, rigorosamente, o que qualificaria de hediondo crime se fosse feito pelo deu antecessor.
 
Tavez seja cedo, mas facto é que, até agora, nem um comentário, nem uma palavra se ouviu a este respeito. Pode ser que me engane, mas tenho a impressão que a coisa é capaz de passar à margem de críticas.
 
O Irritado seguirá o assunto com a devida atenção.
 
António Borges de Carvalho
 

O Crime do Rivoli

O dr. Rui Rio resolveu contratar, após concurso público, a exploração do Teatro Rivoli (v. post de 20.10.06) com o senhor Filipe la Féria.
Magno crime! Unanimemente, as forças de esquerda, indignadas, protestam. Que o concurso não sei quê, que o serviço público blá blá, que os interesses escondidos pó pó. A argumentação expendida pelas distintas personalidades de serviço vai da escapatória burocrática ao dislate ideológico, tudo inspirado nos dogmas da excelência de tudo o que é público e da criminalidade inerente ao que privado for.
A plêiade de esquerdoides heróis defende essa maravilha do socialismo que se expressa em salas vazias a assistir a masturbações intelectuais de esquerdoides artistas. Não interessa que o senhor la Féria venha de há anos demonstrando à saciedade que é possível atrair as pessoas para espectáculos que, sendo discutíveis, estão longe de ser estúpidos. Não interessa que a exploração do Rivoli passe a ter pés para andar. Não interessa que os portuenses se divirtam. Não interessa que a Câmara passe a poupar, ou a ganhar, com a coisa. Não. Três preocupações a assaltam: a) que a hordas de inúteis “criadores” – seus putativos eleitores - que se comprazem em chatear os espectadores continuem a chatear à vontade; b) que a vida do governo da CMP se torne o mais difícil e complicada possível; c) que os contribuintes paguem a boa vidinha dos chatos.
Não é esta a filosofia da esquerda em geral e do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) em particular? O que está em vigor não é exactamente isso de pôr o que é privado – as pessoas - a pagar com língua de palmo os desmandos financeiros, as asneiras e a ineficácia do que é público – o Estado?
 
Àqueles que ainda têm alguma esperança nesta gente recomenda-se que abram os olhos. O exemplo do Rivoli não será muito importante, mas, na sua simplicidade, é fácil de perceber.
 
António Borges de Carvalho

Analfabrutos!

Ontem, por mero acaso, entrou-me em casa um programa da RTP destinado ensinar português às pessoas. Nobre tarefa.
Vi uns minutos daquilo. Fiquei com uma fúria de tal ordem, que foi preciso a família agarrar-me para evitar que atirasse o aparelho pela janela fora.
Então não é que um fulano, ao que me disseram um actor em tempos nas bocas do mundo por razões eventualmente mesquinhas, vem dizer às pessoas que o plural de Pai Natal é pais natais? E esta, hem?
Acrescentou o referido intelectual de esquerda que assim era porque, sendo Pai um substantivo e Natal um adjectivo, e tendo o adjectivo que concordar com o substantivo que qualifica, se um está no plural, ao outro tem que suceder o mesmo.
Admito que o actor não seja mais que isso, isto é, que esteja ali para debitar um texto qualquer que lhe puzeram à frente. O que não posso admitir é que os gramáticos ao serviço da RTP não saibam, nem que natal é um substantivo, nem o que é um substantivo composto, nem que os substantivos compostos não acabaram quando aboliram os tracinhos.
Não vale a pena entrar em considerações que o caso não merece. Compreende-se, mesmo não gostando, que a Língua se vá transformando por influências diversas, às vezes catastróficas, e que, na rua, nos jornais, nas televisões, se ouçam e leiam as mais desvairadas novidades e asneiras.
Mas que a asneira e a ignorância sejam proclamadas, em “serviço” público, como a máxima das correcções, meus amigos, nem à porrada!
 
António Borges de Carvalho

Cinco Sacos

Debate alfacinha (Prós e Contras – RTP1):
 
O Carrilho – Um saco de vento
            Coitado! Se eu fosse capaz de ter pena do homem, estava tristíssimo. Ainda não
            conseguiu perceber, nem onde está, nem o que anda para ali a fazer.
 
O Carvalho – Um saco de ignorância
            Tonitruante estalinista, fica bem ao lado do Carrilho. Diz umas patacoadas
            demagógicas sobre o orçamento, mostrando à saciedade que não sabe
            ler números.
 
O Fernandes – Um saco de trampa.
            Moralista de serviço, de inspiração louçónico-ribeirotelista. Com as palermices
            sobre o túnel, causou à cidade muitos milhões de prejuízo.
            Pagar? Que ideia! A moral dele só se aplica a terceiros.
 
A Dona Maria José – Um saco de importância.
            Única espertalhona do naipe. Arranjou a bandeira da reabilitação da Baixa,
            encheu-se de vapor, e trata da vidinha. A cidade é o menos, preciso é arranjar
            um bom lugar na bicha do CDS.
 
O Carmona – Um saco de sorte.
            À boleia dos nabos, safou-se. Quando já ninguém dava um chavo por ele, lá foi,
            de mansinho, esperneando. O pior é que a malta continua a torcer os pés nos
            buracos dos passeios e já não acredita em nada.
 
Pobre Lisboa!
 
António Borges de Carvalho

Originalidades

Para além dos descobrimentos, o sistema político das autarquias é o mais original contributo dos portugueses para a civilização ocidental. As nossas Câmaras devem ser as únicas instituições do mundo em que, após eleições, a oposição fica… no poder!!!
Bem podem os senhores vereadores da oposição vociferar que não têm ordenado. Pois é, mas, sentados no governo, ganham senhas de presença para votar… contra o governo!
Só em Portugal! Minto. No Líbano, o Ezebolá também quer estar no poder. Eleições? O que é isso?
 
António Borges de Carvalho

As consequências da Carolina

Já muito se disse e escreveu, muito se dirá e escreverá, sobre as “memórias” da Excelentíssima Senhora Dona Carolina Salgado. Pela minha parte, já pus o fedorento assunto no caixote do lixo, sem ofensa para o dito caixote, nem para o restante lixo.
Uma nota, porém, e bem inquietante, merece o que veio a lume sobre a reacção de Sua Excelência o Procurador Geral da República. Recém empossado, o senhor parece não ter aprendido nada com os problemas do seu ilustre antecessor, coitado, que metia os pés pelas mãos cada vez que vinha a público, armado em político.
Excitadíssimo com o livro da alternadora, o PGR tratou de pôr as suas tropas em campo, o que se podia compreender, se ao caso fosse dada a dimensão que merece, ou reconhecida a natureza que tem. Mas não. Sua Excelência tratou de publicitar, urbi et orbe, as suas decisões, bem como as movimentações das tropas no terreno. Ou seja, ao contrário da contenção e da discrição que deveria caracterizar o seu trabalho, o PGR vem para os jornais fazer a sua publicidadezinha.
Mau começo, Senhor Procurador. Não tarda está na fossa, como o outro.  
António Borges de Carvalho

Obrigado, Doutora Maria!

O meu coração rejubila de justa alegria. Maravilha das maravilhas, a Doutora Maria é de centro-esquerda! Oh! As almas portuguesas, há tantos anos nas trevas da ignorância, são, finalmente, objecto da luz intensa que se desprende das palavras esclarecidas e esclarecedoras de tão ilustre personalidade.
Nós, pobres de nós, que nunca tínhamos ouvido a verdade, que jamais tínhamos tido a dita de ouvir uma palavra sobre os profundos pensamentos de tão insigne mente, que vivíamos como que obliterados de uma parte do verdadeiro conhecimento, do que ilumina, do que distingue, do que enobrece, que não sabíamos o que se passava no mais profundo âmago da resplendente alma, tivemos a dita de sobre nós recaír, como divina unção, enfim liberta de peias, a palavra ilustre da ilustre cidadã.
Obrigado! Mil vezes obrigado!
Andou a Grei, anos e anos, a estribar-se em enganadores factos e acontecimentos e, a partir deles, a fazer injustos juízos, ilegítimas suposições, enganadoras inferências.
Sim, ó cidadãos do meu país, vós que heis visto o esposo da Doutora Maria ser ministro do primeiro Governo que combateu e derrotou a esquerda depois da Revolução dos Cravos, que o heis observado a odiar a política, pasto de esquerdismos, e a não se candidatar ao Parlamento, assim desafiando o seu já defunto chefe, que assistísteis ao seu percurso de oposição ao socialismo e o heis feito triunfar sobre a esquerda e chegar a Primeiro Ministro, vós que testemunhásteis a sua derrota perante o candidato da esquerda e o vísteis, dez anos depois, retirar justa desforra sobre, não um, mas três candidatos da mesma igualha, como pudésteis imaginar que ele não fosse de esquerda? Mais. Como pudésteis conceber que a sepulcral quão silenciosa pudicícia da sua fiel esposa quisesse dizer que não era de esquerda?
Estais agora, assim o espero, devidamente esclarecidos. Numa atitude de respeito pelos cidadãos, respeito que, por ser burros, nem sequer merecem, a Doutora Maria veio pôr os pontos nos is. Ao ponto de sugerir, coitada, que teve alguns incómodos políticos durante a segunda República. Que generosidade a sua! E que estremosa companhia faz ao seu ilustre esposo, na diária labuta em prol do Governo de esquerda, governo que lhe cumpre, não observar, mas apoiar, por pensamentos, palavras e obras!
O exemplo do doutor Freitas do Amaral, bíblica inspiração, floriu, frutificou, multiplicou-se, como vedes.
É desta massa que se fazem os grandes portugueses.
Ah! Como os admiro!
 
António Borges de Carvalho

Ontem e hoje

Uma senhora, rapariga nova, com ar de executiva, toda ela pràfrentex, camisa e blazer à homem (ficava-lhe bem, diga-se sem favor), toda desembaraçada, ao que julgo secretária de estado, apareceu em frente do Crespo da SIC Notícias, a dizer umas coisas sobre a história dos deficientes, velhinhos e quejandos, a quem o socraticóide governo se prepara para presentear com uns cortezitos no rendimento, seja por via fiscal, seja por malandrices várias em sede de segurança social.
Coisa de somenos, defendia a rapariga. E lá foi espraiando os argumentos que quis, que o Crespo, honra lhe seja, é um entrevistador com pés e cabeça, não uma burra pretenciosa como as suas colegas de serviço aqui e ali, que passam a vida a interromper as pessoas com perguntas estúpidas e não deixam ninguém dizer de sua justiça até ao fim.
A senhora foi falando, falando. O Crespo, de vez em quando, dava-lhe um apertãozinho. A senhora ia ficando cada vez mais atrapalhada, até que… meu Deus, até o Crespo ficou gago, banzo, quadrupetizado: a senhora declarou, nem mais nem menos, que 20% (vinte por cento) dos velhotes cá do sítio têm pensões de mais de 10.000,00 (dez mil euros- dois mil contos) por mês, e por isso não merecem outra coisa senão ser penalizados!
O Crespo ainda tentou que a rapariga esclarecesse melhor esta matéria, mas tinha ficado tão estúpido – coitado, como eu o compreendo – que nem coragem teve para levar a coisa até onde devia.
Imagine-se a tempestade político-mediática que um acontecimento destes teria causado nos bons tempos de Santana Lopes: haveria 14 primeiras páginas a acusar o governo de ser doido e aldrabão, o Marcelo passaria cinco sessões, pelo menos, a invectivar o Primeiro Ministro, o dr. Sampaio chamaria a Belém sete ministros, três líderes partidários, dois generais, o Carvalho da Silva e o outro da UGT, no Rossio montava-se uma banca para recolher assinaturas de cidadãos indignados, a drª Maria José publicava uma diatribe na Nova Gente e o dr. Machete pedia o reforço do presidencialismo, já!
Nos desgraçados tempos em que hoje vivemos, a senhora, toda fataça, pode dizer o que muito bem lhe vier à cabeça. A esquerda, a direita, a “informação”, o Primeiro Ministro, a oposição, o Bernardino, o Marcelo, o sindicato dos juízes, os passeantes da tropa, tudo minha gente, se baba de ternura perante estas coisas.
Os velhinhos, os doentes, os deficientes, esses, porque são velhinhos, doentes e deficientes, não podem fazer manifestações. Que se tramem, que nem no caixote do lixo dos Marcelos têm lugar.
 
António Borges de Carvalho

Fora o Pereira, pimba, pum!

Um dia, estava eu em São Tomé, cidade capital, apareceu por lá o Primeiro Ministro, doutor Cavaco Silva. Na comitiva, levava um histrião, de nome Pereira, que viria a ser a estrela de um espectáculo que a comitiva portuguesa oferecia ao povo local.
Não conhecia o tal Pereira, nem nunca lhe tinha posto a vista em cima.
Por dever de ofício, lá fui ver o espectáculo. O Pereira, em vez de se limitar a debitar umas cantigas, coisa para que era pago, resolveu, extra-programa, botar discurso. Frente às autoridades locais e à comitiva do nosso Primeiro Ministro, desatou numa arenga tão paternalisticamente paternalista quão estupidamente estúpida. Disse tudo o que se não devia dizer numa ocasião daquelas. Poderia pensar-se que o tipo tinha alguma intenção política subjacente ao que dizia. Mas não, o fulano era tão bronco que achava que estava a dizer coisas certíssimas, que mui bem recebidas seriam. Houve um sururu na assistência, há quem diga que o PM pediu desculpa ao Presidente local, e as coisas ficaram por ali.
Nunca esquecerei a vergonha que senti.
 
Quando Santana Lopes resolveu meter o Pereira no Parlamento, achei que se tratava de um erro imperdoável. Mas, enfim, podia ser que o fulano, passado um bom par de anos, tivesse feito algum upgrading ao QI ou, com a idade, tivesse ganho algum bom senso, ou ainda que alguém lhe tivesse dado umas lições de boas maneiras, coisa para a aprendizagem da qual se não exige uma inteligência por aí além.
Baldada esperança.
 
Sua Alteza Real o Duque de Bragança, Senhor Dom Duarte, por ocasião do 1º de Dezembro, deu uma entrevista a um jornal. Disse coisas com que concordo a cem por cento, outras não tanto, como é natural. Mas foi, para todos os portugueses, uma aparição pública de altíssima dignidade.
Para todos, menos para o Pereira. O Pereira veio à liça, ao que diz em representação do PPM (pobre PPM!),  dizer cobras e lagartos do “sr. Duarte”. A besta dá-se ao luxo de pôr em dúvida a legitimidade de Sua Alteza. Dá-se ao luxo de votar contra a representatividade histórica da Família Real. E, como girândola que muito o honra, diz que, na Assembleia, se farta de trabalhar a tratar da lei do caravanismo. Afinal, sempre há quem o meta onde merece. Só é pena que não o metam numa caravana e não o mandem pentear macacos para o raio que o parta.
 
António Borges de Carvalho
 

Marcadamente de ESQUERDA

Há um senhor, baixote, de barbicha mefistofélica, que se dedica à nobre actividade de cortar nas pensões do povo, de pôr os velhinhos, deficientes e doentes terminais a pão e laranjas, e de coarctar a liberdade dos jóvens de prover ao seu futuro como entenderem. O homem aparece quase diariamente na televisão, a anunciar as suas generosas medidas sociais. É uma aparição terrível, que faz tremer as pessoas. Ao vê-lo, quem não pensa: é desta? É hoje que o gajo me vai sacar mais algum?
Chama-se Vieira da Silva e é ministro não sei de quê.
A seu lado no ècran, ou melhor, um pouco atrás e um pouco à esquerda, ou à direita, está sempre, a espreitar para a câmara, uma espécie de fantasma, um indivíduo sem boca, de olhar mortiço, cuja função (julgava eu), é exactamente essa: compôr as aparições do chefe, enquadrar a imagem, dar à coisa um ar mais temível, como que de uma espécie de antecâmara de missa de corpo presente ou de cena do purgatório em versão socraticóide. Com a presença do fulano, os anúncios do outro ficam mais realistas, tomam um ar de maldição inelutável, infundem nas almas o terror e o tremor necessários à aceitação sem resistência das bordoadas da barbicha.
O "Sol" veio, porém, iluminar o meu conhecimento da verdadeira natureza deste espreitador inveterado de lares com televisão. O homem é secretário de estado do barbichóide ministério.
Estou-lhe grato. É que, na entrevista que deu ao "Sol", veio dar preciosos esclarecimentos. Afinal, ao contrário do que há quem diga, este governo é, nas palavras sabedoras e esclarecidas do fantasma, "marcadamente de esquerda". Eu, que sempre pensei assim, que nunca tive, a este respeito, qualquer sombra de dúvida, não posso deixar de agradecer. Ainda bem que o ilustre senhor o vem dizer, do alto das altas responsbilidades que lhe estão cometidas.
O governo Pinto de Sousa (Sócrates) vai zurzindo as pessoas com nefastos cortes, mentiras desavergonhadas e projectos malucos. É acusado, pelos partidos comunistas, de "fazer política de direita". Sem um protesto, a direita, com a inteligência que, desgraçadamente, a caracteriza, deixa passar. O senhor Pinto de Sousa (Sócrates), espertalhão, deixa passar. Mais tarde, poderá pôr as culpas dos seus desmandos para a direita: foi tal a situação em que me deixaram, que não tive outro remédio senão meter o socialismo na gaveta. Estão a ver? Um fartote: o que correr bem, venha a meu crédito e ao do socialismo; o que correr mal, a culpa é da direita. Genial!
Por isso que seja de agradecer ao espreitador de ècrans o ter vindo, finalmente, pôr as coisas no sítio. O governo é marcadamente de esquerda, as medidas que vai tomando, ou ditatoriais ou megalómanas, são marcadamente de esquerda, a floresta de enganos em que mergulhou o país é marcadamente de esquerda, o abismo a que está a conduzir-nos é marcadamente de esquerda.
Bem hajas, ó fantasma dos ècrans! No meio de tanta mentira, tiveste a coragem de dizer a verdade.
 
António Borges de Carvalho

Uniões de facto

Há coisas que ultrapassam o entendimento do cidadão comum. Se não, vejamos:
O Provedor de Justiça veio reclamar sobre as pensões de sobrevivência dos cidadãos que viviam em união de facto com os de cujus. É que, diz o senhor, leva um ror de tempo até que os tribunais reconheçam a pretérita existência de tal união, a fim de que a mesma possa produzir efeitos.
Muito bem. Eu aceito, e compreendo, que o facto de duas pessoas viveram em comum produza efeitos jurídicos, designadamente em matéria de segurança social. O problema não é esse. Problema é saber porque há-de a sociedade ser responsável por tais efeitos se os interessados só os reivindicam a seu favor, e quando lhe dá na realíssima gana?
Passo a explicar. A meu ver, é indiferente à sociedade que as pessoas vivam juntas ou deixem de viver. Façam lá o que lhes apetecer, juntem os trapinhos, zanguem-se, amem-se, vivam a vida como tiverem por bem. A questão é a de saber até que ponto é que tal união é oponível a terceiros, isto é, se os cidadãos que não querem que a sua união seja "oficial", mais que não fosse através de mero registo anulável a qualquer momento, têm legitimidade para exigir da sociedade, ou esta tem legitimidade para lhes conferir reconhecimento e consequências jurídicas? Se eu fizer um negócio jurídio com uma das partes (um arrendamento, uma compra...), que se declara solteira, ou viúva, ou divorciada, como pode essa pessoa alegar, em caso de dúvida ou de conflito, a prevalência de uma situação que me era desconhecida? O que se passa em relação a mim, passa-se em relação à sociedade. No caso vertente, e enquanto lhes convinha, a união dos unidos não tinha existência civil. Mas quando tal pode reverter numa pensão, então o caso muda de figura: alto, que vivíamos em união de facto!
Isto levanta um problema jurídico interessante. Se, como eu digo, os unidos de facto fossem obrigados, para que pudessem gozar dos direitos respectivos, a registar a sua união, tendo que aceitar as correspondentes obrigações..., então as uniões passavam a ser de direito, ou seja, deixava de haver uniões de facto, o que muito penalizaria certos defensores de certos "direitos humanos".
Deixo a pergunta: como pode a sociedade ser responsável, quando se trata de pagar, por situações civis que os interessados só exibem nesses casos, ocultando-as nos restantes?
Ao cuidado dos filósofos do direito, dos civilistas e do Provedor de Justiça.
 
António Borges de Carvalho

Louçã e o colonialismo

É verdadeiramente notável a forma inquisitorial como o senhor Louçã defende que Portugal deveria cortar relações com Angola e com outros países reconhecidamente corruptos, governados por nomenclaturas sem escrúpulos nem respeito por qualquer sombra de princípios democráticos. Notável, e comovente.
O senhor Louçã era o lider de uma coisa que se reclamava, e reclama, do "socialismo revolucionário". É o chefe de uma coligação, de nome Bloco de Esquerda, negociada entre essa coisa e mais duas organizações: uma, a UDP, adepta do extinto comunismo do senhor Enver Hoxa, outra, a Política XXI, prócere de um comunismo quiçá mais aggiornato.
Como é que um indivíduo desta natureza, por mais que fale com um jeito arquiepiscopal, pode exigir do Estado que prejudique os seus interesses por mor de considreações e exigências democráticas que o próprio comprovadamente sempre abominou?
O raciocínio do senhor atinge os píncaros do dislate quando declara que, em relação aos PALOPs, Portugal tem uma política “neocolonialista”.
Pessoalmente, tenho as maiores dúvidas quanto a tal política. Nisso, estou com o senhor Louçã. Só que, ao contrário daquilo a que os louçãs deste mundo chamam, ou chamavam, colonialismo, dominação, exploração, e outros simpáticos substantivos, a política portuguesa em África é de rebaixismo, cheia de complexos de culpa completamente idiotas e, se é de exploração, é-o dos nossos recursos e não dos dos beneficiários de tal política. Olhem Cabora Bassa! Milhares de milhões deitados ao mar, em nome de quê? Do neocolonialismo?
O senhor Louçã, além de mentiroso e mal intencionado, às vezes parace que é burro.
 
 António Borges de Carvalho

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