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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

COISAS MUITO SÉRIAS

Algo de muito sério se passa em Portugal. A legitimidade, que ninguém negará assistir ao senhor Pinto de Sousa (Sócrates) e à maioria socialista, está a ter utilização perversa e de uma forma que já não é disfarçável ou atribuível a meros acidentes de percurso ou a erros não intencionais.
Começámos com a concentração de poderes policiais no primeiro-ministro, coisa aterradora e obviamente tendente a ser utilizada de forma menos consentânea com o que, legitimamente, se pode considerar como princípios do regime.
Por todos os lados se encontramm sinais de uma floresta de cruzamentos de dados pessoais, coisa que, de forma paulatina, quase invisível se olharmos casos isolados, se vai aproximando mais de um sistema tipo Big Brother do que daquilo que se julgaria conformar-se com o respeito da individualidade, da privacidade e da chamada “protecção de dados pessoais”.
O “processo Charrua”, a princípio julgado como mero aflorar de tendências pidescas por parte de uma obscura funcionária, transformou-se num monstro em cuja formação colaboram, por expressa omissão, o primeiro-ministro, o governo, a maioria parlamentar e o presidente da República. A progenitora do monstro é reconduzida com todas as honras no seu posto policial, sem que voz autorizada alguma toque no assunto.
Uma lei celerada que põe em causa a liberdade de informação é aprovada pelo Parlamento, isto é, pelo PS, sem que um só dos seus deputados se tenha erguido contra ela.
O primeiro-ministro torna público ter processado criminalmente um professor que, de há muito, na internet, vinha denunciando, aliás com farta fundamentação, os contornos duvidosos da sua vida académica e das suas declarações a tal respeito.
 
Algo está errado em Portugal. Algo de muito grave se está construindo, para nosso mal, sem que, institucional e politicamente, se vejam reacções ou resistências dignas desse nome.
 
O primeiro-ministro tem agora novo fôlego, propiciado por uma espécie de benefício da dúvida, ou de renovado período de graça, que lhe é fornecido pela desgraça de termos pela frente a presidência da UE. Durante seis meses, nada nem ninguém, a bem de uma estabilidade que pode ser boa para a UE, mas que é má para nós, o porá em causa.
Pelo que se tem visto, a inexorável marcha para o controlo das pessoas, para a institucionalização do medo, da denúncia, da delação e de outra práticas de que nos julgaríamos livres, continuará sem que seja quem for ponha em causa tal continuidade.
 
Do seu pequeno cantinho, o Irritado lança este alerta, sem saber bem o que pode fazer, ou o que pode pedir que se faça, para que se torne possível sair deste inferno.
 
António Borges de Carvalho

GUERRAS DOS BASTIDORES DO BOLCHEVISMO

O ex(?)bolchevista Lino vai apresentar um livro de um seu ilustre camarada. Ao que parece, a obra vem pôr a nu certas guerrilhas internas do PC, dissidências, desacordos teóricos, teses contraditórias, processos de intenção, vigilâncias revolucionárias, controleirocracia, faltas de coerência marxista-leninista, enfim, as habituais zangas escondidas daquela gente, coisas do agrado da nacional bisbilhotice, pelo menos da que se interessa por intrigas e mistérios tipo Dan Brown ou Rodrigues dos Santos. Não se trata de dar explicações pessoais sobre guerras conhecidas do grande público. Trata-se de levantar uma ponta do véu que cobre os obscuros bastidores do bolchevismo, habitualmente bem escondidas nos pesados meandros do centralismo “democrático”.
 
Coisas de gente que se rege por cartilhas que não são as das pessoas normais, coisas de outro mundo, de uma galáxia onde a dimensão é outra que não a dessa humanidade comezinha e velha, perdida na floresta do capitalismo e da democracia liberal. Coisas de quem não gosta do homem como ele é e aposta em “criar”, qual novo Deus, um novo animal, mentecapto e obediente, que contempla as vanguardas e amocha ao sistema.
 
O “socialismo”, apesar de ter tido poder, todo o poder, sobre centenas de milhões de infelizes, é dito, pelos seus próceres e revisores, como nunca tendo existido. Isto é, como a aplicação do socialismo nunca se fez a não ser à custa da Liberdade e das liberdades, nunca teve poder que não fosse à custa de sangue e de tirania, aquela gente acha que “ainda não se realizou”. Pois não. O Homem continua a ser o que é, vai mudando porque é livre, nunca por ser escravo.
 
Os Linos e companhia, tão ou mais perigosos que os ortodoxos, vão insistindo na circunstancialidade dos “erros”, com o objectivo de continuar a disfarçar a substancialidade do monstro.
 
António Borges de Carvalho

UMA JÓIA DE VEREADORA

Há para aí meia dúzia de anos, cheio de ilusões – a velhice não me tira a estúpida capacidade de me iludir – dei comigo investido no alto cargo de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa.
As ditas ilusões, bem como as minhas convicções democráticas, levavam-me a pensar que, a partir dali, me seria possível fazer alguma coisa pela minha cidade. Vi-me metido num saco de gatos, numa coisa ineficaz, idiota, primitiva, movida pelos mais baixos sentimentos, de confrontação, de mesquinhas mal-querenças, de partidarite aguda.
 
Ao ver a cara de uma senhora, de seu nome Ana Sara Brito, nos cartazes em que o Costa apresenta a plêiade de luminárias que quer levar para a Câmara, lembrei-me de dois episódios que talvez possam levar um sorriso à boca dos tristes leitores do Irritado.
 
Aí vão eles:
A minha primeira iniciativa como deputado (independente, nas listas do PSD) foi pôr em letra de forma a minha fúria contra o horroroso marsápio que mija sobre a cidade no alto do Parque Eduardo VII. A título de “recomendação” – figura regimental à disposição dos deputados, resolvi pedir à Câmara que “removesse e levasse a vazadouro o falo lítico urinante…” em questão. Tendo-me aconselhado com um colega – hoje grande perorante em diversos fora – acabei por retirar a proposta de remoção a vazadouro, que, na opinião do meu amigo, constituiria uma inútil provocação. Ficou só a remoção, sem menção do desejado destino.
Chegada a altura própria, subi ao pódio e fiz a minha oração, pleiteando a favor da dignidade da cidade, da fealdade do coiso, da nobreza do local por ele desfeado, da desproporção dos pedregulhos em relação ao espaço, e propondo uma espécie de concurso de ideias para saber o que lá se havia de pôr, problema que nem no tempo do chamado fascismo houve quem tivesse coragem para resolver.
Foi uma bronca dos diabos. A esquerda em peso ergueu-se contra mim. Que o que eu queria era acabar com o 25 de Abril, que o autor do mamarracho era um tipo indiscutível, um luminar das nossas artes, e pá-tá-ti e pá-tá-tá.
Fiquei banzo. Como é que se argumenta contra uma coisa destas? Nunca me tinha passado pela cabeça que um piço de ciclópicas dimensões a urinar de baixo para cima, cercado de informes calhaus, tivesse alguma coisa a ver com o dito 25. Quando chegou a vez da dona Ana Sara Brito, a coisa atingiu as raias da loucura. Que um símbolo fálico é um sinal de liberdade, que o fascismo se oporia àquilo e que, por isso, era uma coisa daquelas que devia figurar como indelével testemunho da libertação dos povos… e por aí fora.
Depois da intervenção da senhora, caí na asneira de dizer que a segunda metade do século vinte tinha assistido à libertação e dignificação da mulher, e que dificilmente compreendia que um falo pudesse ser sinal disso, antes pelo contrário. A senhora perorou contra a bestialidade da minha posição, a esquerda aplaudiu-a freneticamente, e a minha humilde proposta foi liminarmente chumbada pela maioria de esquerda à época existente*.
Fiquei, pois, a conhecer a dona Ana Sara Brito e a sua admiração pelas virtualidades libertadoras dos símblos fálicos. Tal convicção, porém, viria a ser contrariada pelos acontecimentos. Um belo dia, levantou-se na Assembleia uma questão importantíssima. Tratava-se de uma anafada cidadã que se queixava da Câmara por esta lhe ter recusado uma casinha nova para viver. Ao princípio, não percebi bem do que se tratava. Veio dona Ana Sara Brito, empolgada por justa indignação, esclarecer as massas sobre o assunto. Assim: os pais da anafada criatura foram contemplados com uma casa da Câmara, em substituição do pardieiro onde, julgo, viveriam. A filha, como é normal, iria viver com os pais. Mas, ó desgraça, a rapariga era lésbica e queria levar com ela a namorada. Os pais puzeram os pés à parede. Reaccionários, declararam que não queriam porcarias lá em casa e recusaram abrigo ao casalinho. A fulana, com o apoio da dona Ana Sara Brito, resolveu reclamar da Câmara uma casinha nova para ela e para a esposa, já que era despejada de onde vivia e não tinha onde ir morar, dada a jurássica posição dos papás. Dona Ana Sara Brito não só fez um discurso inflamadíssimo defendendo o “direito inalienável” à habitação que assistia à anafada, e a estritíssima obrigação da Câmara de lho garantir sem cuidar do inaceitável dictat do papá e da mamã.
Dias depois, dona Ana Sara Brito encabeçava uma manifestação à porta da Assembleia, com cartazes alusivos aos direitos das lésbicas em geral e da anafada em particular.
 
Num conjunto mais ou menos anodino de ilustres desconhecidos, Costa apresenta, à sua esquerda, dona Ana Sara Brito. A senhora, que deve caminhar freneticamente para os setenta (sim, não se trata de nenhuma miúda), vai ser eleita vereadora em Lisboa.
Aqui têm os meus leitores mais uma boa razão para votar no Costa.
 
António Borges de Carvalho
 
 
* Hoje a maioria é de direita, mas não sei se, sob a direcção da dona Paula da Cruz, não aconteceria o mesmo à minha proposta. Tenho até legítimas dúvidas de que pudesse ser admitida pela mesa.

PROTEGENDO A JARARACA

O insigne Deputado Martins, altíssimo representante da maioria no poder, declarou que o processo movido pela jararaca do Ministério da Educação ao autor de umas bocas sobre Sua Excelência deve ser levado até ao fim, só depois o PS se pronunciando sobre tão comezinha questão, se achar que se deve pronunciar.
 
Tudo o que havia a dizer a este respeito já foi dito. Das obscuras profundezas do Irritado às luminosas alturas do nacional constitucionalismo, não houve quem se não pronunciasse.
Só nas excelsas paragens socialistas se está à espera do resultado da pidesca iniciativa. Só nas excelsas paragens socialistas as coisas não são claras enquanto não houver um veredicto da policiesca comissão de inquérito, devidamente nomeada pela acusadora e, como tal, de uma imparcialidade a toda a prova.
Só nas excelsas paragens socialistas é mais importante proteger os apaniguados do que respeitar princípios elementares, que isto de princípios está fora de moda, e os aparatchiks estão, enquanto tal, bem acima de quaisquer princípios.
O Irritado pergunta a si próprio como é que este Martins pode ser o que é. Mas fica a falar sozinho, já que os tipos são todos iguais, estão a coçar-se no poder e bem se coçam nele.
 
António Borges de Carvalho
 

SENTIDO DA DIGNIDADE E DO RIDÍCULO

 
 
Calcule-se que os meritíssimos juízes da 4ª Vara do tribunal da Boa Hora encontraram “um rato em estado de decomposição num gabinete”. O referido cadáver estava escondido dentro de um cachecol “que se encontrava dobrado numa prateleira da mesa de um computador”.
Mais. Os mesmos meritíssimos juízes acham que, para além de haver ratos nas instalações, os autoclismos do Tribunal quase não funcionam, estando as instalações sanitárias, a partir das 14 horas (note-se a precisão da coisa), de tal maneira cheias de caca e de xixi que se tornam “praticamente inutilizáveis”.
 
O primeiro problema que esta extraordinária notícia põe é o de saber se o rato entrou no cachecol pelo seu pé, ou foi nele colocado por algum díscolo apostado pregar uma susto a algum incauto funcionário, algum meritíssimo juiz ou, simplesmente, ao dono do cachecol.
Na primeira hipótese, e uma vez que, nesta época do ano, não se usam cachecóis, haverá que pôr, muito seriamente, a questão de saber se o computador junto ao qual o rato foi expirar já não era utilizado desde o Inverno, ou se é de norma os funcionários utilizarem as secretárias para depósito de abafos, uma vez que a agonia do mamífero se processou sem que ninguém mexesse, durante longo tempo, no cachecol, o que implica graves problemas disciplinares (ausência injustificada do serviço, abandono de funções, etc.).
No caso de o rato lá ter sido posto por mão humana, o caso não é para menos. Gravíssimas suspeitas se levantam. Ou não há segurança no Tribunal e algum fundamentalista da anarquia penetrou nas instalações com a tenebrosa intenção de pôr ratos defuntos nos cachecóis que repousam dignamente sobre as secretárias, ou alguém, funcionário ou juiz, o fez, no propósito, ou de pôr em causa os sentimentos higiénicos dos seus pares, ou de chamar a atenção para os cachecóis esquecidos em cima das secretárias, ou ainda, o que é mais grave, de pôr a nu a ausência injustificada e prolongada do respectivo utilizador.
 
Matérias que, como é evidente, deviam ser objecto de imediata investigação e procedimento judicial.
 
O problema das retretes também não pode ser minimizado.
Numa primeira abordagem, é-se levado a pensar que os funcionários e juízes cagam demais, o que deve ser objecto de cuidados acrescidos no que respeita à sua alimentação. Uma vez que o problema se agudiza a partir das 14 horas, seria, por exemplo, de proibir os funcionários e magistrados de comer feijoada ao almoço.
Convenhamos que poderá haver outras causas para justificar a infeliz circunstância. Talvez se pudesse recorrer ao Instituto Nacional de Estatística. Esta instituição pública deve poder fornecer à 4ª Vara os dados necessários à resolução do problema: número de cus por cagadeira, ratios de produção de caca por cabeça, velocidade de propagação de eflúvios merdais, e outros elementos a usar na determinação do número e da qualidade de latrinas necessárias à 4ª Vara. Além disso, dados como os referentes à mão de obra especializada necessária à limpeza das ditas, à quantidade de piaçabas, etc., seriam utilíssimos para o encontro de uma solução condigna.
 
Enfim, aqui ficam algumas humildes sugestões do Irritado, destinadas a fornecer pistas para a resolução do ingente problema dos ratos mortos e do fedor da 4ª Vara.
 
***
 
O Irritado não inventou esta história. Ela vem nos jornais. Os meritíssimos juízes da 4ª Vara queixaram-se do rato morto e do cheiro da caca à Direcção Geral de Saúde e ao Inspector Geral do Trabalho.
Não contentes com isso, chamaram os tipos da Lusa para lhes dar conta do feito. Os tipos da Lusa, como é sua função, espetaram com a coisa nos jornais.
 
Ou seja, os meritíssimos juízes não perderam só a noção do ridículo, perderam também a noção da sua dignidade de magistrados. E da nossa. É que devíamos ter o direito a poder acreditar que na dignidade deles.
 
António Borges de Carvalho

NOTAS DE TERÇA-FEIRA

 
Uma Delícia
 
Anuncia quem sabe que dona Maria José irá votar no candidato Costa, sim, no do partido socialista, pois, esse, o da Ota, o que diz que quer que o governo tome conta de Lisboa, sim, pois, esse mesmo. Em abono da verdade, refira-se que a distinta senhora esclarece que, para já, “poderia”, “mas, neste momento, não posso dizer que vou votar em António Costa”. Quem quiser decifrar que decifre.
Faz-me lembrar um padre lá das beiras que, há uns vinte e tal anos, me dizia mais ou menos assim: Eu sou padre, não tenho política na igreja. Mas cá fora, sou um cidadão. Ainda no domingo, na homilia, o afirmei bem claro aos meus fiéis, dizendo-lhes: meus irmãos, eu aqui não digo a ninguém para votar na AD, mas lá fora digo, ai digo digo!
 
Verdade é que les bons esprits se recontrent.
 
A nobre senhora, distinto membro da bancada do doutor Oliveira Salazar, vencedora do concurso “O Maior Português”, vota no candidato socialista.
Segundo os formadores de opinião, esta preclara atitude permitirá ao senhor Costa “caçar alguns votos aos seus concorrentes da direita e também a alguns simpatizantes da ex-militante do CDS/PP”.
Mais um favor que os lisboetas ficam a dever a tão ilustre quão ambiciosa (diz-se) personalidade. Não lhe chegou ter dado cabo da coligação, ter posto o seu partido na rua, tudo, diziam os mal intencionados, para dar oportunidades ao PS. Vem agora dar uma ajudinha mais concreta, mais directa, mais comprometida.
Santa inteligência!
O Irritado, que insiste em achar que o doutor Oliveira Salazar era socialista, fica deliciado com a genial atitude da dona Maria José.
 
 
Um Exame à Altura dos Objectivos do Governo
 
Pela primeira vez na história, um exame de português foi considerado facílimo pela esmagadora maioria dos alunos. Pela primeira vez na história, houve um exame de português que não tinha perguntas de… gramática.
 
Assim se vê o desvelo com que o governo trata da “qualificação” dos portugueses. A coisa toca as raias da genialidade. Pois se era uma vergonha a malta chumbar, o remédio é tornar a coisa de tal maneira fácil que tudo passa minha gente.
As estatísticas agradecem.
 
 
Transparência mas Pouco
 
Não há quem não ande para aí preocupadíssimo em saber quem pagou o estudo do engenheiro Vanzeler.
E os outros? Quem pagou e quanto? Foi o Camões? Porque é que ninguém pergunta tal coisa?
Isto de ninguém se preocupar em saber quanto custaram os inúmeros estudos que foram, tudo indica, pagos pelos nossos tristes bolsos, e andar tudo histérico a indagar quem usou meios próprios (quer dizer, não de terceiros) para pagar o do engenheiro Vanzeler, é coisa que põe o Irritado fora de si.
 
 
Separados de Facto
 
A dona Ségolène deu com os pés ao senhor Hollande. Uns dizem que foi por querer ser ela a chefe, no lugar dele. Outros que ele andava metido com uma secretária, ou coisa que o valha. Razões de peso, uma e outra.
Politicamente, parece que a dona Ségolène quer virar à direita e que o senhor Hollande à esquerda. Razão pela qual o “matrimónio” não podia funcionar. Se ela dormia do lado direito e ele do esquerdo, ficavam sempre de costas…
 
 
Chapeau
 
O Irritado não é, nem nunca foi, admirador do ex-edil João Soares. Mas tira-lhe o chapéu. O homem tem a coragem de defender a manutenção da Portela e de condenar a Ota. Pode ser que tudo não passe de uma jogada. Mas, para já, chapeau.
 
 
Novas Contratações
 
Em plena saison, e com a pompa informativa que a coisa merece, o dr. Mendes anunciou a remodelação da sua equipa para a próxima época.
Como é sabido, pelo menos dois avançados abandonaram a equipa, um por inconfessas razões (L. Paes Antunes), outra para se dedicar a tempo inteiro a fazer a vida negra à cidade de Lisboa (P. Teixeira da Cruz).
O dr. Mendes vai nomear, para posições de destaque na frente e nos flancos, personalidades da craveira de um Bernardino Vasconcelos, de um Amaral Lopes (sabem quem são?) e, ó maravilha, de um… Macário Correia! Uma plêiade de verdadeiros craques.
Ao que consta, e para espanto do Irritado, o Prof. Calvão da Silva presta-se a fazer parte disto. Vá-se lá saber porquê.
 
 
Independentes e Descomprometidos
 
Um grupo de cidadãos “não afectos a nenhuma das 12 candidaturas à Câmara de Lisboa” resolveu organizar-se para discutir o que “fazer absolutamente” e o que “não fazer absolutamente” cá no burgo.
Para se avaliar da “independência” e do não comprometimento dos promotores da iniciativa, veja-se aquilo a que chamam “pessoas tão variadas como”: Vicente Jorge Silva, Augusto Mateus, Gonçalo Ribeiro Telles, Manuel Graça Dias, António Barreto, Manuel Vilaverde Cabral…
Ou seja, pessoas tão variadas… que são todas de esquerda, com especial incidência em amigos do “Zé”, não do Zé propriamente dito mas do Fernandes.
 
Ah! Grandes cidadãos! Isto é que é independência! Desinteresse político! Honestidade! Procura do bem público!
Parabéns! Que pena tem o Irritado por não poder estar presente e gozar da luz e da pluralidade do pensamento de tão insigne gente!
 
E.T. Hoje, informa a imprensa que, na sessão promovida pelos impolutos cidadãos acima referidos, o genial Ribeiro Telles se aplicou a fundo a defender as hortas em Lisboa. Caso o seu protegido Fernandes ganhasse as eleições, lá teríamos que ir comprar uns sachos e cultivar rabanetes nas avenidas novas. O grande educador dos arquitectos que dá pelo nome Teotónio Pereira, esse, acha que, se houvesse uma autoridade metropolitana de transportes (uma ideia do dr. Santana Lopes)… não haveria túnel do Marquês (uma ideia do dr. Santana Lopes)… Fenomenal! O mesmo senhor não se fica, porém, por aqui. Na sua douta opinião, duplicar os impostos aos proprietários de fogos devolutos é coisa “demasiado branda” para punir a sua criminosa atitude. Deviam ser muito mais penalizados. Nunca ninguém ouviu o grande educador protestar contra as muitas centenas de triliões de contos que o estado roubou aos tais proprietários por causa da história das rendas. Nem jamais alguém o ouviu protestar contra a monumental pessegada do NRAU. Quando se trata, porém, de malhar em quem investiu em habitação para ser enganado pelo estado, lá está ele, como um lobo, a arranjar bodes espiatórios… E mais. Para o ilustríssimo intelectual, hotéis no Terreiro do Paço, que horror, nem pensar.
Pobre Lisboa, minha querida terrinha!
 
 
António Borges de Carvalho

À ATENÇÃO DE DONA JUDITE

Calcule-se que a BBC pediu desculpa a um político porque uma entrevistadora não deixou o entrevistado dizer o que tinha a dizer, antes passou o tempo a interrompê-lo, a atrapalhá-lo, a dar-lhe cabo do juízo.
 
À atenção da RTP e da dona Judite de Sousa.
 
António Borges de Carvalho

SUGESTÃO MONUMENTAL

 
A Exmª directora de uma coisa qualquer lá do Norte obteve, finalmente, a notoriedade que, com certeza, há muito ambicionava. O Diário de Notícias encarregou-se da a pôr na primeira página, com manchete e fotografia, dando-lhe, outrossim, largo espaço nas interiores. A nobre senhora, rezam as crónicas, milita há largos anos no PS, onde até parece que é membro de uma comissão qualquer. No entanto, coitada, para além da notoriedade caseira, não passava de obscura burocrata, com o labéu, propalado por invejosos, más-línguas e machistas, de ter chegado ao cargo actual mais por uma questão de jobs for the girls do que por ser… educadora de infância.
A distinta funcionária deixa-nos, preto no branco, alguns tesourinhos deprimentes, como se diz agora. Coitada, é perseguida por ser mulher, ela, que só moveu setecentos e tal processos disciplinares, ela, coitada, que tem um esquema montado para que os queixinhas lá do sítio delatem sobre os desmandos dos seus horrorosos funcionários, ela que é odiada pelos PSD’s e pelo padre não-sei-quantos lá do Minho. Pobre senhora!
Ela não mandou o padre para a sacristia, ele é que é um aldrabão. Ela, que esteve reunida com o homem, não sabe o que lhe disse. Sabe que não disse o que o homem diz que disse. E sabe o que o Charrua disse, porque lho disseram por SMS, e acredita no SMS e não no Charrua.
Ou seja, uns dizem que é branco, outros que é preto. Só que uns têm poder sobre os outros e, como é habitual na nossa terra, ter poder é meio caminho andado para ter razão. É o que se passa com os polícias. A nossa palavra, perante a dos polícias, habitualmente não vale um caracol, não é?
Como o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) está numa de comandar todos os polícias, é de esperar que a senhora, numa próxima oportunidade, seja promovida - por mérito próprio, como é óbvio - a directora do SIS, ou coisa que o valha.
 
Uma sugestão aos que mandam:
No fim do Campo Grande, no sítio onde estava a estátua do Carmona, talvez se pudesse erguer um obelisco simbólico destinado a perpetuar a nobreza de carácter dos bufos, dos delatores e dos queixinhas, novos heróis da democracia socialista. Num painel de mármore branco, a letras douradas, dar-se-ia conta dos processos levantados à canalha e das suas consequências. A concelhia de Lisboa do PS ficaria encarregada da actualização permanente da coisa. Para a oração de sapiência na cerimónia de inauguração, convidava-se o Zé e, para abrilhantar, requerer-se-ia a augusta presença da senhora directora e, é claro, do seu chefe.
 
António Borges de Carvalho

GRANDE CHÁVEZ!

O Irritado é de uma ingenuidade inacreditável. Então não é que julgava que, amigo do Hugo Chávez era só aquele minorca secretário de estado que foi a Caracas e veio de lá apaixonado pelo homem, tão apaixonado que até o convidou a visitar o rectângulo?
Afinal, o amigo Chávez tem por cá mais adeptos, e dos bons. O dr. Mário Soares veio ao “Expresso” expressar a sua admiração pelo grande democrata e homem de Estado que manda na Venezuela. Sim, meus amigos, para o nosso mui ilustre ex-presidente, o facto de o fulano fechar umas televisões, mandar prender uns jornalistas incómodos, nacionalizar a torto e a direito, é coisa que tem a ver com naturais diferenças quanto à forma como se encaram certos valores. Sim, senhores, porque os nossos valores não se aplicam assim, sem mais nem menos, em toda a parte. Há diferenças. Importante é reconhecer que o Chávez é um patriota, um homem que quer unir a América do Sul contra os gringos, um bolivarista (até ofereceu ao dr. Soares uma espada igualzinha à do Simão, vejam lá), “um homem de convicções”.
Os valores do dr. Soares são óptimos para criticar os eventuais malefícios do senhor Bush, mas não se aplicam quando se trata de um tipo de esquerda. Porque, para o dr. Soares, como para as anãs gomes e companhia, se um esquerdista persegue uns chatos porque têm opiniões diferentes, enfim, é coisa de somenos e não desmerece do patriotismo e das belas intenções do fulano. Mas, se se tratar de um tipo à direita que trata com mão de ferro uns putativos assassinos em massa, isso (a mão de ferro, não os assassínios), meus caros, é um crime contra a humanidade!
Afinal, o minorca secretário de estado é um herói.
 
António Borges de Carvalho
 

AQUI HÁ GATO

 
A semana tem sido marcada pelo chamado “Estudo da CIP”.
O senhor Vanzeler foi a Belém, a São Bento, à RTP e à SIC no mesmo dia, dizendo que tal estudo “já há muito estava a ser feito”, que não diz quem o pagou, que se abre aos olhos do povo uma solução alternativa à da Ota, etc.
A tropa, que sempre se tinha oposto à solução Alcochete, surge a dizer que sim senhor, que se quiserem Alcochete, muito bem, a tropa não se opõe, a tropa encontrará “soluções alternativas” para os seus tirinhos, num alarde de nunca vista “cooperação institucional”.
O povo fica muito satisfeito. O povo nunca entendeu a brutal asneira da Ota e, parvo como de costume, acha que se acendeu uma luz no tenebroso túnel onde regouga o inenarrável Lino.
O ex-engenheiro manda dizer que dá mais seis meses ao povo para discutir o assunto.
 
Há aqui vários gatos.
Quem encomendou o estudo?
Quem o pagou?
Porque aparece o estudo agora, e não quando ficou pronto?
Quem promoveu a coisa?
Porque é que aparece o senhor Vanzeler a promover a coisa, sem sequer a ter feito passar pelas instâncias normais da CIP?
Porque é que o ex-engenheiro, de repente, deixou de ser teimoso?
Com que intenção, ou intenções, a coisa aconteceu?
Anda alguém a enganar a malta?
 
Ora bem. Rezam as crónicas da rua que o estudo foi encomendado pela Associação de Turismo de Lisboa, e pago por ela, pela Câmara Municipal e por mais alguém que a rua ainda não descobriu quem fosse.
Não conviria, diz a rua, que o estudo surgisse patrocinado por quem o pagou, porque poderia parecer que alguém estava a querer julgar em causa própria, como sucede com a plêiade de cretinos do Oeste que andam para aí a enganar o povo dizendo que a Ota é que é bom para o país.
Era, pois, preciso que surgisse uma terceira entidade, mais ou menos independente, a revelar a coisa. A CIP pareceu óptima a quem está por trás disto. Haveria que montar uma operação “credível”.
E assim se fez. O senhor Vanzeler prestou-se à coisa, a mando, diz a rua, ou do ex-engenheiro, ou de SEPIIIRPPDAACS, ou dos dois. Várias reuniões, diz a rua, tiveram lugar. Em São Bento, o senhor Vanzeler ficou uma boa meia hora a falar com o ex-engenheiro, depois de uma reunião formal com mais gente. Também consta que teve conversações prévias em Belém, ou com Belém, o que é verosímil dadas as boas relações institucionais, pessoais e matrimoniais que o senhor Vanzeler tem na Praça do Império.
Teremos, assim, uma conjugação de vontades.
SEPIIIRPPDAACS, é sabido, gosta tanto da Ota como o povo. É natural que tivesse dado, e muito bem, um empurrãozinho ao senhor Vanzeler.
Já no que diz respeito ao ex-engenheiro, a coisa fiará mais fino. É preciso pensar um bocadinho para perceber onde o homem quer chegar. Especulemos. Qual foi o efeito imediato do estudo? A quem convém a suspensão da decisão por seis meses? Quem é o principal beneficiário de tal suspensão? A resposta é fácil: quem lucra com a coisa é o senhor Costa e o PS. O senhor Costa não podia podia continuar a apresentar-se às pessoas como “amigo” de Lisboa e, ao mesmo tempo, a andar para aí a defender a Ota. Estando a coisa suspensa por seis meses, o senhor Costa passa a responder que a questão não se põe, que é uma decisão a ser estudada e que, a seu tempo, terá ocasião para defender os interesses da cidade. Nem sequer precisa de aldrabar mais as pessoas com jardins na Portela e coisas do género.
Aqui temos uma jogada de mestre. O homem, afinal, merece ser engenheiro, dada a forma com “engenheira” a opinião pública.
 
Para manter o “Oeste” nos varais, o Lino dos desertos reune com a trupe dos presidentes de câmara. Garante-lhes que a Ota é que é bom. Os fulanos saem do Terreiro do Paço a cantar vitória, satisfeitíssimos. Está tudo na mesma, afirma, triunfante o porta-voz da trupe. Isto quer dizer o que quer dizer: o Lino dos desertos garantiu-lhes que, sendo especialista em camelos, não cede um milímetro aos animais. Tudo confirma, para quem quiser perceber, a jogada do ex-engenheiro.
 
Costa exulta. Não vai precisar de descalçar a bota da Ota. Rima, e é verdade. Alguém lha descalçou.
 
SEPIIIRPPDAACS deve andar às voltas, nos dourados corredores do palácio, a estudar o passo seguinte. E se os tipos, seis meses passados, com a Quercus a arreganhar o dente, os empreiteiros a lobiar como doidos, o PS a fervilhar pelas ruas, chegam à conclusão, ou voltam à conclusão, de que a Ota tem que ser? SEPIIIRPPDAACS coça o queixo, a pensar na próxima jogada.
 
O Irritado, humildemente, deseja as maiores felicidades ao pobre senhor. Ou ele nos safa desta, ou não sei como nos havemos de safar.
 
António Borges de Carvalho

A NOVA CULTURA

 
A obra do ex-engenheiro tem facetas várias e às vezes inesperadas. Se é verdade que nem todas as desgraças se lhe podem, directamente, atribuir, não menos verdade é que ele criou e incentiva o ambiente geral em que vivemos, com alardes de teimosia gratuita, de instintos persecutórios, de estupidez diplomática e de petulante e saloio autoritarismo.  
 
Concentração dos poderes policiais numa única entidade (o PM, pois então!), asneiras diplomáticas de um alarve qualquer que é secretário de estado e admirador do camarada Chávez, burrices do PM a dar guita aos desmandos do senhor Putin, tresloucadas declarações dos ministros das obras públicas e da economia logo seguidas de pressuroso apoio por parte do das finanças, actuações pidescas de uma tonta qualquer lá do Norte – educadora de infância alcandorada a posições cimeiras da administração pública por ser do PS – e agora premiadas pela ministra da educação e “ignoradas pelo primeiro ministro, tudo isto e muito mais contribui para que vivamos num pestilento lodaçal, onde bóiam a mentalidade policiesca, a irresponsabilidade, a incompetência, o abuso de autoridade, a bufaria, o elogio da delação, o apelo ao anonimato, em que o lobo parece ter, em definitivo, ganho a guerra contra o cordeiro, e em que a nação democrática se assemelha a alguém que perdeu por completo a mais elementar noção de dignidade e de respeito por princípios e valores que se julgaria ser-lhe próprios.
 
A juntar-se a esta porcaria toda, a Justiça parece apostada em descredibilizar-se cada vez mais, julgando que é a tomar o freio nos dentes que cumpre a sua missão. Um procurador processa uns polícias. Os polícias processam o procurador. Um comentador que é de opinião de que há procuradores que não são lá grande espingarda é processado pelos procuradores, em causa própria. Os sargentos processam os oficiais. Os juízes mandam na disciplina militar. Um indiscutível criminoso é libertado por razões processuais a que os responsáveis não quiseram sobrepor os factos. Quem não está contente com decisões políticas é apoiado pelos juízes com providências cautelares e embargos, como se de actos administrativos se tratasse. Os eleitos vencidos por votos em órgãos colectivos apresentam queixa e têm justiça a seus pés, para o que muito bem entenderem. Quem conta anedotas é despedido. Os delatores são apoiados e incentivados. As multas pagam comissões aos autuantes. Os Fernandes deste mundo, à vara larga, lançam armadilhas, causam prejuízos de milhões, e são incensados na praça pública como se de heróis se tratasse. O PS prepara-se para fazer passar uma lei pornográfica, em que, de uma penada, pisa os mais elementares princípios democráticos e constitucionais e põe a decisão política em baias justicialistas, tudo com o nobre objectivo de pôr a ordem jurídica ao serviço dos seus mais mesquinhos interesses partidários.
 
É esta a “nova cultura” que o socialismo socrélfio conseguiu instilar, e instalar. Uma cultura marcadamente de esquerda, por muito que o dr. Mendes diga o contrário.
Das brumas de Belém, SEPIIIRPPDRAACS, que percebe muito bem o que se está a passar, vai dando uns toques, sem aleijar muito. Acrescenta que a culpa é “de todos nós”.
Minha não é.
Se o PM fosse o saudoso dr. Santana Lopes, onde é que o governo já tinha ido parar? Pensem nisto.
 
António Borges de Carvalho

MAIS UNS TOSTÕES

 
Anunciam os jornais que o governo se prepara para “restringir as despesas de saúde no IRS já no orçamento de 2008”, o que “pode significar um aumento da carga fiscal”.
A perseguição continua. Ainda há quem ainda tem dúvidas sobre o conceito de equilíbrio das contas públicas praticado pelo socialismo no poder?
O socialismo não diminui as despesas, aumenta as receitas. Para o socialismo, por muito que o dr. Marques Mendes diga o contrário, o Estado é sagrado. Os cidadãos, sobretudo os mais fracos, têm que o pagar, com a saúde, com o rendimento, na gasolina, no pão, nos medicamentos, nas reformas.
O socialismo promete a redução do número de funcionários. Para parvalhão ver, cria um quadro de excedentários. Passados dois anos, tem 153 funcionários nesse quadro. Isto é, atirou poeira para os olhos do cidadão, e continuou a reforçar a presença do Estado – o seu peso – e a causticar os cidadãos – os parvalhões – com impostos, uns simplesmente aumentados, outros “actualizados”.
O Estado é gordo, mas não gasta as gorduras para tapar os buracos que abriu. Vai buscar as de terceiros para colmatar as perdas próprias e financiar os vícios que o guterrismo criou e de que o socrapirosismo vive.
É prático, é barato, dá milhões.
Quem sabe, sabe.
 
António Borges de Carvalho
 

A RECONDUÇÃO

 
A renomeação, pela Exmª ministra da educação, da pidesca directora não sei de quê lá do Norte - a tal que não tolera piadas acerca do ex-engenheiro - é mais grave que os actos inquisitoriais da fulana. Muito mais grave.
O ex-engenheiro ignorou olimpicamente o assunto, a ministra da educação promoveu a criatura, SEPIIIRPDAACS assobia para o ar. Isto é muito mais grave que o paranóico acto da tarada pidocrática lá do Norte.
O doutor Oliveira Salazar, chefe máximo e inspirador da PIDE, nunca se preocupou com anedotas. Há, até, quem diga que lhes achava graça. A PIDE actuava em conformidade, isto é, com base em andotas, não actuava.
A tal directora, a ministra, o ex-engenheiro, ultrapassam o doutor Oliveira Salazar e a PIDE. Impunemente. Nem SEPIIIRPDAACS reage, sinistramente se associando aos socratopéssimos desmandos do poder.
 
António Borges de Carvalho

INICIATIVAS PUTÍFIAS

 
O amigo russo do nosso ex-engenheiro não perdeu nem um segundo para agradecer a abertura manifestada quanto aos seus desmandos e abusos. Ainda a pista do aeroporto de Moscovo não tinha arrefecido depois da descolagem do avião do rapaz, e já o camarada Putine dava mostras de inigualável gratidão. Reuniu uns jornalistas ocidentais, a quem comunicou que se ia empenhar numa nova corrida ao armamento, já que havia membros da UE dispostos a aceitar a instalação de mísseis anti-míssil, americanos, nos respectivos territórios.
O homem desembestou por completo. Vai armar-se, disse, de forma defensiva e ofensiva. Não, não é o que se possa pensar. A distinta excelência não vai instalar, também, mísseis anti-míssil. Vai escolher, disse, novos alvos na Europa e armar-se em conformidade. A coisa até lhe sai mais barata, uma vez que os putativos novos alvos, agora, estão bem mais perto do que os do tempo da guerra fria.
Dir-se-ia que, a uma instalação defensiva, outra lhe corresponderia. Quem poderia criticar? Mas a lógica é outra. Já que os EUA se preparam para montar defesas anti-míssil na Europa, para defender a Europa, a lógica de Putine é dar-lhes a devida utilidade, arranjando mais armas para a atacar. Para que serviriam tais defesas, se não houvesse ameaça? Crie-se a ameaça, em homenagem a Aristóteles.
 
Aqui temos, claro como água, o primeiro resultado diplomático da visita do ex-engenheiro a Moscovo. Baixou-se, mostrou o rabinho. O outro não hesitou. Estás à defesa? Ai é? Então, toma!
 
Esta coisa de presidência rotativa da UE tem que se lhe diga. Percebe-se o afã de tanta gente em acabar com ela. É que, com o actual sistema, a União corre o risco se ver presidida por ignorantes e irresponsáveis.
 
António Borges de Carvalho

AI, FREITAS, FREITAS...

O fabuloso professor Freitas, julgo que de propósito, não pára de nos surpreender. Deve achar que, com umas provocações de vez em quando, consegue o digno objectivo de continuar na ribalta. E é capaz de ter razão.
 
Desta vez, achou que faltava “cumprir” a Constituição, porque a regionalização ainda não está feita.
Pois não.
Houve dúvidas quanto à coisa. Fez-se um referendo. A ideia foi chumbada. Anos depois de os constituintes a terem constituído, os eleitores deram cabo dela.
Lembrar-se-á o ilustre académico deste simples facto, ou estará em fase de perda de memória?
A Constituição não está cumprida, e muito bem, porque o soberano decidiu não a cumprir. Este um defeito, ou uma vantagem, dos referendos: saber da vontade do soberano. Sendo assim, o que está na Constituição é ilegítimo, porque a Constituição, ou é emanação da vontade do soberano, ou é ilegítima. Os professores Freitas e quejandos, se são tão ferozmente adeptos da Constituição e da soberania popular, já deviam ter pleiteado a favor de que se tirasse dela essa coisa da regionalização. Não é?
Não. Não é. Para o professor Freitas e quejandos, o que lhes interesse é que é legítimo. Se a regionalização não agrada à maioria, que se lixe a maioria.
 
Já agora, porque é que o professor Freitas não se lembra de dizer que não está cumprido o objectivo constitucional de “abrir caminho para um sociedade socialista”?
Eu explico.
É que ainda não chegou o momento. O professor Freitas, se Deus lhe der saúde e sorte – não há quem lho não deseje – ainda há-de ir parar ao Bloco de Esquerda, ou, já agora, ao PC. Nessa altura vê-lo-emos, pletórico de académica autoridade, a defender mais aquele nobre objectivo constitucional.
 
António Borges de Carvalho
 

MISSIVA GOVERNAMENTAL

Carta de Sua Excelência o Secretário de Estado das Comunidades, Engenheiro António Braga, a que o Irritado não teve acesso, mas imagina, enquanto imaginar lhe for dado.
 
 
Meu querido Hugo
 
Espero que tenhas gostado da minha visita. Já comuniquei ao meu Primeiro Ministro e aos jornais do meu país as minhas impressões sobre a Venezuela, feliz rincão que, sob a tua firme direcção, se encaminha a passos largos para gozar as maravilhas do socialismo. Foi-me grato verificar, in loco, como tens sabido introduzir na vida pública do teu país os valores com que, tanto o teu governo como o meu, vêm, contra ventos e marés, iluminando as vidas dos nossos povos.
 
Reconheço, com admiração e humildade, que estás muito à nossa frente. Dizem-me que já meteste os juízes no saco, que já controlas os generais, que já puzeste os políticos no seu lugar, coisas que, por cá, talvez por influência dessa odiosa organização que dá pelo nome de União Europeia, ainda estamos longe de conseguir. Mas lá chegaremos. Pelo menos, já demos alguns passos nessa direcção.
Calaste a televisão que era contra a luz deslumbrante do socialismo. Lá chegaremos. Nacionalizaste uma data de coisas, e até tens feito as devidas provocações a esse fascistóide do Lula, que anda a aldrabar o povo do país nosso irmão. Indemenizaste os canalhas, é certo, ficando, nesta matéria, a larga distância do grande Gonçalves, mas deste-nos um exemplo quase tão precioso como o dele.
A verdade é que, embora não te cheguemos aos calcanhares, vimos dando uns exemplos claros das nossas intenções. Ainda há dias, um díscolo qualquer atreveu-se a uns dichotes sobre o nosso bem-amado Primeiro Ministro. Foi imediatamente corrido e, com mais um empurrãozinho, acaba no desemprego. Por outro lado, como sabes, já conseguimos convencer os órgãos chamados judiciais a trabalhar com base em denúncias anónimas, o que nos pode vir a pemitir, no médio prazo, pôr definitivamente cobro a inúmeras arrancadas anti-socialistas dos que estão apostados em travar o nosso caminho. Estamos em fase de recuperação dos bufos e delatores que tiverem a dignidade de ser a nosso favor, com a ajuda, diga-se em abono da verdade, de um tal Fernandes, que tem feito imenso jeito. 
Seguindo o teu luminoso exemplo, estamos colocando as secretas, as polícias e outras instituições de natureza análoga sob o comando único de Sua Excelência, a fim de evitar desvios e iniciativas anti-patrióticas. Até já mandámos para as eleições autárquicas o ministro que, nesta matéria, podia vir a fazer sombra a Sua Excelência. E arranjámos outro, com menos competências, ansioso por nos servir. Magnífica jogada, não achas?
 
Já anunciei as intenções do meu governo de aprofundar a nossa colaboração com o teu, ciente que estou de que o teu exemplo, a tua liderança intelectual e a tua coragem serão esteio da nossa obra.
Ainda não começámos a dar cabo dos capitalistas – a maior parte deles, em política, não vê um palmo à frente do nariz e faz-nos imenso jeito – mas já começámos, como sabes, a espremer a classe média por via fiscal (aumentámos mais impostos do que quaisquer outros na Europa), para que, a breve prazo, não reste a essa gente margem de manobra para se opor ao futuro que vimos construindo. Estamos a criminalizar uma série de atitudes menos socializantes. Já demos, definitivamente, cabo dessa arma da reacção que é o sigilo bancário. E, ó maravilha!, quem por nós for acusado terá que demonstrar que não temos razão, o que, como deves calcular, será virtualmente impossível.
Para demonstrar, e reforçar, a nossa autoridade, estamos a impôr a construção de um aeroporto que ficará para a história como a imagem viva da nossa força e da nossa determinação. Já nem nos preocupamos em defender a coisa. Quando nos fazem perguntas a tal respeito, mandamos um louco furioso e um chéché responder, isto para que percebam que, ou é como nós queremos ou não é de maneira nenhuma.  E, se insistem, mandamos o ministro das finanças, que é pau para toda a obra, responder-lhes em conformidade.
O socialismo tem que se afirmar sem rodeios nem meias tintas, mesmo que, para inglês (leia-se UE) ver, mantenhamos um discurso algo contido.
 
Uma coisa há, devo confessar, que nos tem ajudado. É a forma, absolutamente estúpida, como os principais opositores à direita têm reagido ao nosso ímpeto socialista. Calcula, meu caro Hugo, que dizem que nós fazemos coisas que eles também fariam! Que estamos a fazer política de direita! Isto é galinha da perna, do melhor, porque cala a reacção, porque convence as massas ignaras de que estamos a reformar o Estado e de outras patacoadas que usamos para lhes atirar areia para os olhos. De direita, a nossa política! Ah, ah! Os tipos, e ainda bem, são burros como as casas! Idiotas úteis!
 
Bem podes imaginar com que alegria anunciei aos jornais que estamos a preparar a tua visita a Portugal. Não será para amanhã, como deves calcular. Mas não terás que esperar muito. Com a desculpa de que estamos a proteger os nossos emigrantes no teu país, havemos de te trazer cá, e receber-te como recebemos a Isabel Segunda no tempo do fascismo, brigantim real e tudo! Vais ver.
 
Mais ou menos na mesma altura em que me desloquei a Caracas, Sua Excelência foi a Moscovo. Ficou alojada no Kremlin, e mandou fechar a Praça Vermelha para fazer jogging! Foi lindo, ver as perninhas meio canejas de Sua Excelência a percorrer, garbosas, o histórico lagedo!
E, para nosso gáudio, Sua Excelência foi clara: o nosso amigo Putin, na douta opinião de Sua Excelência, pode, e deve, continuar a meter os chatos e os opositores na ordem como muito bem lhe apetecer. Não temos nada com isso. Pois não é o que tu fazes, meu caro Hugo, e o que nós também vamos fazendo, na modesta medida das nossas oportunidades?
 
Meu caro Hugo, anseio pelo dia em que, lado a lado com Sua Excelência, te receberei no cais das colunas, reconstruído para ti pelo camarada Costa.
 
Até breve, ó intensa luz das Américas!
Sempre teu, que é como Sua Excelência diz aos reitores
 
António
 

ANEDOTA

Talvez antecipando a abertura do ex-engenheiro à Rússia, o grande educador dos lisboetas João Soares deu emprego a seis tradutores de russo–seis.
Agora que, antecipando uma presidência da EU cheia de surpresas, o ex-engenheiro considera que Putin tem o direito de fazer tudo o que lhe vier à cabecinha sem que ninguém lhe “queira dar lições”(sic), os tradutores, devidamente reciclados durante o consulado soarista, vão ter, finalmente, ocasião para mostrar o que valem, colaborando activamente no a(pro)fundamento das relações entre o senhor Putin e a EU, sob a batuta mágica do ex-engenheiro.
Ai, se o Gordon Brown fosse na treta, que grande triunfo diplomático para o rectângulo!|
ABC

EPISÓDIOS DA NOVELA DA TRETA

Este Post andou para aí uns quinze dias perdido no computador. Já requentado, aí vai, com as desculpas do Irritado.
 
Toda a gente percebeu que uma senhora de nome Rocha, obscura militante socialista, tinha sentido na carne o pânico do partido com a eventual candidatura de dona Helena, e tinha tratado de a evitar pelos meios ao seu alcance. Para quem não sabe de quem se trata - o que deve passar-se com 99,99% dos lisboetas - a senhora em causa é a governadora civil do distrito, a seu tempo e a seu jeito nomeada pelo candidato Costa.
A coisa era grave. Dona Helena é mais um Manuel Alegre para o PS, uma fulana cheia de visão de futuro, visão que a levou a desfiliar-se do PS assim que lhe cheirou que ia haver eleições em Lisboa e que não seria a escolhida do chefe. A senhora Rocha tratou de arranjar uma data que puzesse de fora a dona Helena.
Mas o tiro saíu pela culatra. Veio o Tribunal Constitucional adiar a coisa por mais quinze dias, e aí temos a dona Helena com o caminho aberto para se apresentar a roer as canelas do Costa. Uma chatice.
 
Muito justamente, vieram alguns pedir a cabeça da senhora Rocha. Pois se se pôs de joelhos perante os interesses do candidato Costa, o que está ela a fazer no Governo Civil? Que confiança dá aos cidadão no acto eleitoral? É Governadora Civil de Lisboa, ou governadora eleitoral do PS?
Baldada diligência. A senhora fica, de pedra e cal, e dá sinais evidentes de vir a beneficiar, no que ao seu alcance estiver, o candidato que, “como cidadã”, faz questão de, publicamente, apoiar. É a desfaçatez, melhor dizendo, a absoluta falta de vergonha socialista no seu melhor. 
 
Diga-se em abono da verdade que quem pediu a cabeça da senhora foi o CDS-PP. O PSD/Mendes ficou caladinho. Mergulhado na mais extraordinária crise de masoquismo de que há memória num partido político, para o PSD/Mendes, demissões, só as dos seus. Para o PSD/Mendes, o primeiro ministro não tem carácter, mas deve continuar primeiro ministro. Se a senhora governadora favorece um candidato contra outros, porque não há-de continuar no poleiro? Coerência, meus senhores, coerência!
Parece que, para o dr. Mendes, o fundamental é correr com o PSD de todas as instâncias do poder, e garantir que o PS não tenha problemas em ficar com o poder todo, todinho, coisa tão do agrado do largo do Rato.
 
Os camaradas do BE revoltam-se contra a nova data. Dizem que a malta vai estar em férias em 15 de Julho. Pois é. E em 1 de Julho, não vai? Será um raciocínio trotskista/Louçã? Ou leninista/Portas? Ou enverhoxista/Fazenda? Sabe-se que a lógica desta gente não é a mesma das pessoas normais, mas, que diabo, esta é de cabo de esquadra!
 
Das profundezas do Tribunal Constitucional, extraíu o chefe o seu novo Ministro da Administração Interna. Não lhe dá tudo, é certo, só as competências que não saca para si próprio.
Chateado por não ter sido eleito vice-presidente do tribunal, o dr. Pereira, célebre nos jornais por advogar a governamentalização da Justiça, bate com a porta e viaja para o Terreiro do Paço. De certa forma é uma coisa boa, já que fica o TC livre de um fulano que, como é evidente e os factos demonstram, não oferecia nenhuma espécie de garantias de isenção. Adorava saber se não foi dele um dos votos contra a decisão sobre a data das eleições, se é que à altura ainda andava armado em juíz.
 
No meio da pessegada, houve quem argumentasse que SEPIIIRPPDAACS devia ter impedido a nomeação do dr. Pereira, sob pena de cohonestar a monumental ofensa às Instituições que a sua saída do TC consubstancia. Cais quê! SEPIIIRPPDAACS preza, acima de tudo, a cooperação estratégica com o ex-engenheiro. Abrir fendas nesta altura? A dois dias da presidência da UE? Estão a brincar, ou quê? Nem pensar. Para SEPIIIRPPDAACS o caso não passa de um fait divers como outro qualquer. O primado do executivo no seu melhor.
 
O arquitecto paisagista Telles é um dos mais destacados apoiantes do caloteiro Fernandes. Mais um emérito viajante. Foi do PPM, foi da AD, foi do PS (independente!), foi do MPT, foi do PS/PC, agora está no BE, isto se não me esqueço de nenhum apeadeito da sua pluralística viagem. Com um jeitinho, se o Paulo Portas o descobre, ainda acaba no PP. Se o Fernandes ganhasse as eleições teríamos hortas sociais no meio dos quateirões (já viram os executivoas das avenidas novas a regar cebolas?), teríamos o célebre caminho pedonal do parque Eduardo VII para a Serafina (era só preciso calcorrear o vale da Alcântara todinho, para baixo e para cima, coisa óptima para dar cabo do canastro ao mais pintado), seria a coroa de glória de uma vida inteira a atrazar o mundo.
 
Enfim, a pessegada continua. Há mais capítulos, mas ficam para outros posts.
 
António Borges de Carvalho

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