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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A VOAR...NO CHÃO

Não sei se se recordam que, há coisa de um ano, entre loas e foguetório, o governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) anunciou a compra, à Rússia, de vários e magníficos aviões para combate aos incêndios. Grande governo, não é?
Dos tais aviões nunca mais se ouviu falar.
Agora, é anunciado que também foram adquiridos helicópteros. Formidável. Mas os helicópteros, por rebuscadas razões, não podem voar. Os pilotos não sabem guiar aquelas porcarias, ou as porcarias não estão autorizadas a voar na UE, ou coisa que o valha.
Não se sabe quanto já gastámos, nem quanto vamos continuar a gastar nestas maluquices. Aviões que nunca foram vistos, helicópteros que não voam. Grande governo, não é?
 
Os elementos têm favorecido a coisa. O arrefecimento global poupou-nos a calores e vendavais. Quase não houve incêndios na chachada deste Verão. Sorte para o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) e para o irmão Pereira. Com mais umas ajudinhas do senhor Mendes, isto está para durar.
Nunca mais saímos do chão.
 
E.T. Hoje, noticiam os jornais que o irmão Pereira foi ao Parlamento falar sobre a questão dos meios aéreos.
Surpreendentemente, o notável cavalheiro declarou que a falta dos helicópteros e dos aviões… não faz falta nenhuma ao combate aos incêndios.
Então, pergunta o Irritado (que é, evidentemente, parvo) por que carga de água é que os compraram?
Acrescenta o preclaro cidadão que o aluguer de outros meios aéreos até tinha resultado em altas poupanças par o erário público.
Então, pergunta o parvo do Irritado, se é mais barato alugar do que comprar, por alma de quem é que os compraram?
Tresanda a comissões, insinuaria um mal intencionado. Longe do Irritado tal e tão injusto pensamento.
 
António Borges de Carvalho

TUDO BOA GENTE

 
Na douta opinião dos serviços secretos (SIS):
a) Os piolhosos que destruíram uma plantação no Algarve são uns tipos inofensivos;
b) O organização eufémia não existe;
c) Alguns dos piolhosos estão referenciados como pobres anarquistas, incapazes de fazer mal seja a quem for.
 
Segundo a polícia:
d) O líder do inexistente movimento não é líder de coisa nenhuma;
e) O reconhecimento da existência de um porta voz não implica a existência daquilo de que ele se diz porta voz.
 
Segundo o porta voz da inexistente eufémia:
f) Há uma organização, de seu nome GAIA (será do Menezes?);
g) Essa organização não tem nada a ver com o vandalismo.
 
Segundo os jornais:
h) A GAIA é paga pelos contribuintes (até têm instalações de borla) através de uma universidade qualquer;
i) Entre os nobres objectivos desta organização encontram-se o de fazer casas de adobe e o de cagar ao ar livre.
 
Como se vê, nada que o SIS, ou as polícias, possam considerar de relevo.
 
Segundo o Conselho Editorial do Irritado, o relatório final sobre os acontecimentos do Algarve, a apresentar pelo irmão Pereira, poderá vir a rezar:
j) Que ninguém é culpado;
l) Que as organizações apontadas como responsáveis, ou nunca existiram, ou são impolutas agremiações de boas vontades, merecedoras do apoio moral e financeiro do Estado;
m) Que os vândalos jamais existiram;
n) Que o dono da propriedade destruída é um canalha que inventou a coisa para se tornar notado e receber umas massas da UE;.
o) Que o grupo que destruiu umas miseráveis maçarocas de milho, eventualmente para matar a fome, era constituído por alguns paranóicos fugidos de um manicómio de Tegucigalpa, o qual foi repatriado por forças especiais das Honduras;
p) Que não há que investigar, nem acusar, muito menos condenar seja quem for;
q) Que ninguém será referenciado, sequer a benefício de inventário;
r) Que há fundamentadas dúvidas sobre se alguma vez algum milho foi destruído.
 
Tudo boa gente.
 
António Borges de Carvalho

COM ÓDIOS E MENTIRAS

 
O storyteller Tavares tem algumas saídas interessantes, reconheça-se. Mas também tem ódios de estimação. Calcule-se a monumental aldrabice que é pôr os louros do Túnel do Marquês na cabeça do bufo, tirando-os da de Santana Lopes. É preciso ter uma mente totalmente retorcida para se chegar a este cúmulo.
Sá Fernandes, diz o homem, cumpriu o seu dever como vereador pondo um processo contra a Câmara, processo que, em boa hora, fez parar as obras, para bem de todos nós. Deve-se-lhe, pois, a obra (o túnel!!!) que o storyteller não consegue deixar de admirar. Ao bufo, não a Santana Lopes.
É difícil comer disto. É difícil conseguir conceber que um homem, ao que dizem inteligente, seja capaz de levar tão longe um ódio tão mesquinho e ordinário.
 
Antes de mais, Tavares mente. Mente descarada e propositadamente. O Fernandes não era vereador quando pôs o dito processo. Tinha, na assembleia municipal, representação do seu partido. Mas preferiu, com evidente intuito político, promover, não uma moção em sede própria, não um processo comum, mas uma acção popular. A fim de, como é óbvio, colher dela benefícios políticos, pondo-se cobardemente a salvo de prováveis indemnizações aos lesados pela sua malquerença, ou seja, à Câmara, ou seja, a todos nós.
O storyteller Tavares diz que os que condenam a cobarde atitude fazem uma nunca vista campanha de “desinformação e manipulação”.
Se dizer verdades que não agradam ao Tavares é desinformação e manipulação, então o Irritado é, orgulhosa e honradamente, um desinformador e um manipulador.
 
O homem atinge os píncaros da loucura e do fanatismo quando afirma que quem parou as obras do túnel não foi o Fernandes, coitadinho, não senhor, foi o Tribunal! O Tribunal é o culpado dos aborrecimentos causados e dos dinheiros deitados à rua. Mais. Diz que as alterações ao projecto foram determinadas pelo Tribunal. Aqui, os louros já não vão para o Tribunal, vão para o Fernandes. A cegueira provoca dislates e mentirolas desta ordem. O tribunal, diz o Tavares, mandou rever o projecto. Ora, nem os tribunais têm competência técnica para impor alterações, nem as alterações operadas em certos detalhes do projecto inicial (há algum projecto que não sofra alterações durante a sua execução?) tiveram outra origem que não a da vontade de Santana Lopes.
 
O Fernandes, esse, jamais pagará o que nos deve, jamais compensará os comerciantes, os residentes, os automobilistas, os lisboetas, pelos prejuízos que a todos causou. Que ele próprio venha dizer coisas e loisas em sua defesa, pode compreender-se. Mas que haja fulanos que, como o Tavares, mais de dois anos depois de as suas campanhas terem dado os almejados resultados (a destruição de um governo e de uma maioria parlamentar e a posterior defenestração da CML) ainda andem preocupados em roubar a Santana Lopes os louros que, a cem por cento, lhe pertencem, é coisa só possível na desgraçada piolheira em que vivemos.
 
António Borges de Carvalho

ELITES MENDISTAS

 
O Irritado, ao contrário do que há por aí quem diga, é um ingénuo. Parecendo bem informado, às vezes dá consigo a nadar na ignorância de coisas relevantíssimas.
 
Este fim de semana, deu com duas informações espantosas.
Então não é que o Exmº director da campanha do senhor Mendes é o Coelho, aquele carequinha que só ao fim de trinta anos de vida política ganhou notoriedade, e pelos piores motivos?
Então não é que o Exmº porta-voz da campanha do senhor Mendes é um tal Macário Correia, campeão do ridículo, da inanidade, ignorância e do provincianismo?
Então onde estão as elites de que falava a dona Paula? Onde estão as elites que abandonariam o PSD se Menezes, o plagiador, ganhasse as eleições? Referir-se-ia a nobre senhora aos Coelhos e aos Macários?
 
No PSD já não há elites, nem com Mendes nem com Menezes. O senhor Mendes com a sua política de destruição do poder do partido (Santana Lopes/Carmona Rodrigues) e do partido tout court, conseguiu chegar à inacreditável situação em que vai vegetando e em que as “elites” que o apoiam tem como cabeças de cartaz os Coelhos e os Macários.
 
O PSD, enquanto grande partido nacional, de pleno direito membro fundador e esteio do arco democrático, tende a acabar.
Julga-se que as elites do PSD, se é que delas algo resta, deviam começar a pensar em dar aos eleitores do PSD alguma coisa em que votar. Porque é capaz de já não ser possível parar a destruição que o camartelo mendista provoca.
 
António Borges de Carvalho

LOUÇÃ, O GRANDE

A coisa deve andar brava lá para os lados do bando de esquerda. O camarada Louçã (Partido Socialista Revolucionário, da 4ª Internacional) deve ter puxado as orelhas ao camarada Portas (Politika XXI, da 2ª -?- Internacional) e aos camaradas da União Democrática Popular (Albaneses enverhoxistas) por causa dos desmandos dos piolhosos no Algarve.
Vai daí, o Portas vem com um comunicado, altamente intelectual, dizer que estava mal informado, que não queria dizer exactamente o que disse, e que, afinal, a rapaziada que goza do seu indefectível apoio na qualidade de bando de piolhosos, não goza assim tanto da mesma quando descarrega o violento mau humor sobre as culturas das pessoas decentes.
Talvez o Portas tenha lido o Irritado (imodesta presunção) e tenha percebido que estava a entrar numa zona perigosa, isto é, que o seu apoio ao vandalismo podia ter consequências… penais. Aí, meus amigos, a coisa começou a ficar feia. O Louça chateado por o ver a levantar o rabinho do selim sem autorização; os comunas albaneses chateados por ele os ter, apressadamente, ultrapassado; o Procurador, quem sabe, a acusá-lo de crime… Xiça!, pensou o rapaz, se quero chegar a ministro tenho que me safar desta enquanto é tempo!
E lá vem a judiciosíssima, intelectualíssima e retorcidíssima “justificação”.
Era de esperar que, a bem de todos nós, que a guerra não ficasse por aqui.
 
E não ficou!
Ontem à noite, o Louçã vem à SIC partir a loiça. Modestamente, declara que qualquer acto público que não conte com a sua augusta presença não é um acto do BE! Sim, meus senhores, ou há Louça ou não há BE! Se esse Portas meteu a pata na poça, o problema é dele! Sem Louça não há bloco, e acabou-se. É por isso que, na extraordinária opinião do grande educador das massas de esquerda caviar, se o Portas apoiou o vandalismo, isso nada tem a ver com o BE. O BE é ele, Louçã, e mais ninguém. Pela mesma razão, o espantoso comuna declara que, com o bloco, ou seja, com ele, só o primeiro ministro está autorizado a falar. O ministro da agricultura não tem estatuto para se dirigir a Sua Excelência ou à sua organização. E se o tal ministro, ao ver as declarações do Portas, achou que tais declarações representavam a organização, enganou-se. A organização é ele, Louça, não o Portas, só ele, o grande, o magnífico, o único, pelos vistos, com direito a ter opinião, como compete a todos os grandes dirigentes “democráticos”, a começar no Chávez e a acabar no Kim Jong Il. Não é?
Mas o homem está ali (na SIC) para falar de coisas sérias, não para responder às perguntas idiotas do Crespo. Coisas sérias são as super-pragas, a contaminação agrícola, os perigos para a saúde e até, imagine-se, a decisão da senhora Merkel (uma tipa “de direita”) de proibir uma determinada estirpe de transgénicos. Uma.
Esquece-se o maravilhoso cidadão de referir quantas super-pragas já surgiram, , quantas contaminações já houve, quantas doenças há com origem nos transgénicos, décadas passadas do início da sua utilização. O Crespo, diga-se, não tem expediente para lhe pôr este tipo de questões. E o homem perora livremente, arquiepiscopalmente, sobre as “multinacionais”, sobre a fome no terceiro mundo, culpa das ditas e das patentes dos transgénicos, sem explicar ao povo como é que produtos agrícolas mais baratos e mais produtivos podem ser fonte de fome seja onde for.
Enfim, o homem espraia o seu repenicado ódio à civilização, em nome – o que é natural – do socialismo.
Esclarecedor.
Resta saber como vai o Portas (o comuna, não o outro) reagir à violentíssima desautorização de que foi objecto. Ou parte a loiça ao Louça, ou a fome de ser ministro é mais forte que ele.
A ver vamos.
 
António Borges de Carvalho

UM PAÍS DO CARAÇAS

O Portas (o comunista, não o outro) veio, como é do conhecimento público, defender, em termos encomiásticos, a acção dos piolhosos no Algarve.
Para o distinto intelectual da esquerda caviar, destruir uma cultura legal e séria é procedimento de louvar e exemplo a seguir. Coisa que goza do apoio e do elogio do tratante.
A isto chama-se, em termos penais, “apologia pública de crime”. É punível com prisão, nos termos da Lei.
Não se sabe o que o procurador Pinto Monteiro fará a este respeito, de tão ocupado que anda a investigar denúncias anónimas, não provadas e reveladoras de intromissão em matérias que são segredo de justiça. Talvez fosse de lembrar ao senhor em causa, já que parece andar esquecido, que o incitamento e o elogio do crime é crime também, e crime público, que lhe compete perseguir e acusar. Ainda por cima, sendo a prova do crime pública e notória.
É também público e notório o desinteresse do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) pelo que se passou no Algarve. Nada que o excitasse ou levasse a qualquer declaração pública, de mera indignação que fosse. Para o primeiro Ministro é mais importante um monitor que se entrega a uma escola que uma seara destruída por vândalos piolhosos. Mais. O primeiro ministro está-se nas tintas para o facto de terem aparecido dois guardas republicanos no local do crime, os quais agiram “proporcionadamente”, isto é, deixaram em liberdade criminosos apanhadas em flagrante delito, o que é, em si, ilegal e perigoso.
 
E é assim que vivemos. O Portas (o comunista, não o outro) incita ao crime. O chefe dos procuradores, em vez de o processar por pública e notória ofensa à lei penal,  marimba no assunto. O corpo policial encarregado de prevenir o crime não só não actua em conformidade como ainda vem declarar que fez o que devia. O primeiro ministro borrifa. O ministro da pasta, conhecido trânsfuga do Tribunal Constitucional, não só borrifa como elogia a prestação da Guarda Republicana.
 
Estamos ou não num país do caraças?  
 
António Borges de Carvalho

DESVENTURAS DA BOLA

 
Quem não é técnico da bola
 
(vem à lembrança aquele inacreditável senhor que aparece na televisão cheio de inacreditáveis caracóis, de inacreditáveis gravatas, de inacreditáveis fatinhos e lencinhos, unha polida, camisinha mafiosa, que nos brinda com verdadeiras lições de bola, espécie de catedrático da coisa em alardes de científica retórica, com power point e tudo, lápis, pen drive, garatujos e frases, e sinto-me um pigmeu futebolístico sem sombra de sabedoria ou autoridade na matéria)
 
não devia meter-se em tal e tão metafísico assunto.
 
Helas, o vício da irritação é maior que a modéstia a que a ignorância devia obrigar. O Irritado é benfiquista e anda com a alma retorcida.
Olha para os últimos quinze anos do Benfica. Era presidente um tal Damásio quando o Benfica ganhou o penúltimo campeonato. Logo a seguir, zás!, despediu o treinador. Quando, 12 anos depois, voltou a ganhar, zás!, despediu o treinador.
Este ano, o Benfica começou a sua “preparação” para a nova época desfazendo-se do que havia de melhor na equipa (não digo plantel porque é uma palavra irritantíssima). Coisas que têm a ver com dinheiro, diz-se.
Vai daí, como é natural, viu-se à nora com o Copenhaga. Uma miséria. Mas tinha ganho ao Sporting, e o mesmo num torneio, já não sei onde. No Sábado, porém, empatou com um minhocas qualquer.
A actual direcção, mais expedita que as anteriores, despede o treinador por causa de um empate. Compreende-se. Se seguisse a tradição e o Benfica ganhasse o campeonato, teria que o despedir no fim da época. Assim, adiantou serviço.
E mais. Foi buscar um fulano, espanhol ainda por cima, que já andou pelo Benfica, não tendo deixado nada que se visse para acrescentar ás glórias.
Dizem os filósofos que não se deve voltar onde se foi feliz. Acrescenta a sabedoria popular que, onde se não foi, ainda menos. O que não augura ao espanhol futuro de maior.
 
Se é verdade que o autor destas linhas confessa sofrer da mais profunda iliteracia em matéria de bola, não menos verdade é que é legítimo temer que os dirigentes do seu clube tenham o mesmo problema. A diferença é que o Irritado não é ninguém no Benfica. Eles, sim. E é pena.  
 
António Borges de Carvalho

AZEITONAS E PIOLHOSOS

 
Acabo de comer uma azeitona de Elvas. Magnífica. Verdinha. Carnuda. Mmm… Fecho os olhos para melhor sentir os derradeiros eflúvios do belo fruto. Quantos cruzamentos, quantas enxertias, quantas manipulações terá sido preciso, ao longo dos séculos, para obter uma carnugem destas. Mmm…
Cruzamentos, enxertias, manipulações. É isso! Manipulações genéticas! Sem elas, esta azeitona mais não seria que um raquítico e incomestível produto de um zambujeiro qualquer, simpática árvore com que a natureza nos brindou, boa para sombra, para evitar a erosão dos solos, para lenha, e mais nada.
Há muitos milhares de anos, o homem aprendeu a modificar a natureza, o que foi, e é, a base, a fonte, a causa e a razão de todo o progresso e de toda a civilização.
Não há um só produto natural que nos chegue à mesa sem ser manipulado. Sem manipulações não havia vinho, nem fruta, nem pão. Talvez umas amoras… e pouco mais. Os porcos, se existissem, teriam menos carne, as vacas dariam menos leite, e assim por diante.
 
Nos fins do século XX, uma nova ciência, a biotecnologia, inventou novos processos de manipulação, sobretudo com o objectivo de tornar certas espécies imunes a pragas, tornando assim desnecessário o uso de pesticidas e outros produtos perigosos.
Um país, os Estados Unidos da América, de há longos anos no topo da Civilização e da Ciência, introduziu na agricultura os novos processos, tendo com isso multiplicado a produtividade dos campos, melhorado o conteúdo alimentar dos produtos, diminuído drasticamente o consumo de químicos, aumentado a oferta e baixando o preço dos produtos ao consumidor.
Algumas legítimas dúvidas se colocaram sobre a qualidade higiénica das novas produções. Os laboratórios estudaram e re-estudaram o assunto, tendo concluído pela sua inocuidade. Passadas umas décadas, diz a experiência mais que os estudos: nada, mas nada, rigorosamente nada de grave se passou com origem nos produtos ditos transgénicos.
 
Negando a ciência e a evidência, os europeus continuaram a duvidar, com a França a capitanear a “resistência”. Sem mexer uma palha (um agricultor francês trabalha em média 27 dias por ano...), bem sentada em cima da Política Agrícola Comum (de cujos astronómicos fundos “mama” mais de metade), a França tinha que resistir. Por outro lado, grupos de demagogos, soi disant ecologistas, desataram a berrar como loucos contra os transgénicos, arma de dominação americana, ruína do terceiro mundo, atentado à saúde pública (!???), e por aí fora. Um tal Bové, campeão da “justiça” popular e da desordem, à frente de mesnadas de tontos e de vândalos, atacou agricultores, destruiu culturas, causou prejuízos de milhões. Foi preso, é certo, mas continua líder da sua canalha, candidata-se calmamente à presidência da república, numa palavra, continua a exercer sem escolhos a sua influência e a sua violência. Talvez porque, no fundo, a sua existência convenha ao status quo da política agrícola francesa.
 
É claro que, sendo os transgénicos mais baratos, os Estados Unidos da América passaram a estar em condições concorrenciais privilegiadas. E como a Europa, com a França à frente, tem medo da concorrência americana, em vez de entender que tem que produzir mais a custos menores, continua a subsidiar a situação, repoltreando-se na PAC, à custa de quem paga impostos e em nome sabe Deus de quê.
 
Estas coisas, como todas as outras, levam algum tempo a chegar a Portugal. Um grupo de piolhosos (sim, piolhosos, como a TV bem mostrou a quem quis ver) resolveu destruir uma belíssima cultura de milho transgénico, inda por cima devidamente autorizada por quem de direito.
Trata-se de fulanos que dizem salvar a humanidade vindo de Barcelona de bicicleta, que querem que as casas voltem a ser feitas de terra, que acham que cagar no campo é mais saudável que na sanita e, com certeza, que não lavam os dentes porque os dentífricos são um produto industrial. Tais fulanos, agrupados em associações que, desde o consulado do milionário Pimenta, são subsidiadas, apoiadas e propagandeadas pelo Estado (isto é, pelo nosso dinheiro), constituem-se em “contra-poder” – vivendo à custa do poder – e atribuem-se direitos que aos demais não assistem, designadamente o de destruir bens de terceiros.
 
Haverá sempre gente que, do galarim, vem defender estas atitudes. É o caso do Portas – o comunista, não o outro. Les bons ésprits se rencontrent.
O problema não é esse. O problema é que os moderados, os incautos, os que lêem os jornais, mais os que fazem os jornais, os tipos do politicamente correcto, esses, por ignorância ou oportunismo, vão fazendo vista grossa ou até dando algum benefício da dúvida aos piolhosos e quejandos.  
 
Por mim, sempre que como uma azeitona de Elvas, vou pensando que é bom ter esperança na Humanidade, por muito que haja quem a queira reduzir à piolheira.
 
António Borges de Carvalho

BOTAS E TARAS

 
Em mais uma extraordinária manifestação de inteligência, o senhor Mendes foi jantar ao Algarve com uns tipos arregimentados pelo senhor Bota, indefectível apoiante do seu adversário Menezes. O resultado foi o que se viu. Em vez de uma comemoração do aniversário do PSD, assistiu-se a uma sessão de propaganda do senhor Menezes, como tal propagandeada por toda a imprensa.
 
O senhor Bota é um indivíduo chocantemente primitivo, manifestamente saloio, especialista em ranchos folclóricos, quadras de pé quebrado e versos de sanita. Há anos, tão ilustre personalidade publicou (edição de autor, ou do partido, já não sei) um opúsculo intitulado “No Décimo Aniversário de Doze Anos de Poder Local”. Título que, por si, diz tudo sobre o fulano.
É evidente que um tipo destes tem que apoiar o senhor Menezes, tem que ser adepto da regionalização e tem que tratar de lixar o senhor Mendes nas suas “comemorações”.
 
O país está cheio de botas destes, é facto. Têm os mesmos direitos que os demais. Ainda bem. O que não quer dizer que sejam escolhidos por um chefe partidário para dar cabo de si próprio.
Que o senhor Mendes é perito em dar cabo do partido, já toda a gente sabe. Questão de sadismo. Agora, porém, o homem ultrapassa-se. Já não se trata de sadismo, mas de puro masoquismo. Será tarado?
 
António Borges de Carvalho
 

ALDRABUÇO MAS ESPERTALHUÇO

 
Dizem que o senhor Louçã é professor numa faculdade qualquer, de economia, ou de finanças, ou coisa que o valha.
Aqui há dias, declarava o douto docente a um jornal que “não há animal mais predador das bolsas que o capitalismo”. Não se sabe bem o que entende a criatura por capitalismo, na acepção da frase. Como nunca houve, nem haverá, bolsas (propriamente ditas) socialistas, deve entender-se que o capitalismo é predador de si próprio? Ou o que o fulano quer dizer é que os capitalistas depredam as bolsas? Ou que é mau que as bolsas subam, porque vão aumentar os valores que os capitalistas detêm?  
Talvez seja esta última a interpretação correcta. É que, a seguir, o tipo diz que “Joe Berardo ganha numa manhã muitos milhões de euros sobre os quais não se pagam* impostos”. A criatura odeia o senhor Berardo e quejandos, e quer espalhar esse ódio seja lá como for. A criatura sabe que os milhões que se ganha através das valorizações bolsistas são valores putativos que só se materializam quando vendidos, sendo, neste caso, as mais valias obtidas objecto de “tratamento” fiscal. Quando são muitas as acções em causa, se vendidas, desvalorizam-se. Portanto, quando o tal Louçã diz que o enriquecimento bolsista não paga impostos, ou é um ignorante crasso, ou está a aldrabar o povo.
Se é facto que o o raio do demagogo é professor de finanças ou equivalente, então não há dúvida de que está a aldrabar o povo. Para qualquer comuna que se preza, fomentar o ódio e a inveja é nobre missão. Parabéns.
 
Noutra declaração, o senhor Louçã informa que “não serei ministro num governo Sócrates” (Pinto de Sousa).
Notável.
O que é que isto quer dizer?
Antes de mais, que o homem quer ser ministro. Claro como a água. Que fique assente.
Depois, que quer ser ele a escolher o chefe, não o contrário. Ou não. Não, meus senhores, não. O que isto quer dizer é o senhor Louçã está a dar ao senhor Pinto de Sousa (Sócrates) uma oportunidade. Quando chegar a altura própria, o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) tomará umas atitudes indiscutivelmente “de esquerda” (toma muitas, só que disfarçadas de direita), o que permitirá ao senhor Louçã dizer que se “alteraram as circunstâncias” e que, “nesse caso”, já pode ser ministro.
Bem visto, não é?
 
Aldrabuço mas espertalhuço.
 
António Borges de Carvalho
 
* Sujeito indeterminado, terceira pessoa do singular. Não é “pagam”, é paga. Estes universitários…

MON AMI CHÁVEZ

 
Em mais uma arrancada altamente socialista, o Presidente(ex) Soares veio brindar o povo com a sua doutrina.
Entre os mimos produzidos, dois há que merecem especial referência.
 
Na opinião de Soares, o ilustre Presidente Putin é um tipo formnidável, que mais não faz senão re-erguer uma Rússia que foi injustamente humilhada após o colapso do comunismo. Compreenda-se o Putin. Só não se compreende é como um defensor dos “direitos humanos” e de outras bandeiras afins, é capaz de ignorar as actividades policiais do homem.
 
O fantástico Chávez continua a fazer as delícias do seu camarada Soares. Ele é uma espécie de luz que vem iluminar a América do Sul e o mundo. Fecha uma estação de televisão que lhe não é afecta? E faz muitíssimo bem! Primeiro, porque não se tratou de um encerramento, mas sim de uma não renovação da concessão. Segundo, porque tal estação, na medida em que era contra o governo, “incitava à violência”. Lapidar! Para defender o socialismo, na mente privilegiada do senhor Soares, vale tudo.
Haverá quem diga que o homem está gágá. Nada mais falso. O homem está mais que lúcido. Não deixou de ser socialista, e o socialismo, diz-lhe a experiência, só vinga em ditadura. Por isso, vá de louvar os ditadores.
Nem de propósito, no dia seguinte à publicação da sua arrancada doutrinária, o amigo Chávez vem propôr, por via constitucional, o prolongamento sine die do seu poder. Aguardo com justificada expectativa a reacção de Soares a mais esta magnífica iniciativa do seu amigo.
O secretário Braga, outro feroz adepto de Chávez (até o convidou para vir a Portugal, lembram-se?), deve estar felicíssimo. Pinto de Sousa (Sócrates) agradece, penhorado, este tipo de iniciativas.
 
Tudo fica no melhor dos mundos. O senhor Soares continuará a ser uma “referência” da República. O secretário Braga continuará a dizer as maiores alarvidades, seja sobre o encerramento dos consulados, seja sobre a excelência do ditador venezuelano. O senhor Pinto de Sousa continuará a admirar o camarada Soares e a pagar o ordenado ao camarada Braga. Querem melhor?
 
António Borges de Carvalho

O HOMEM REVELA-SE

Hoje, 12 de Agosto de 2007, o rei dos bufos dá uma entrevista ao Diário de Notícias. Analisemos.
O homem diz que, “no fundo”, já está “a trabalhar”. À superfície, não se sabe.
Ele, que apregoava aos quatro ventos os seus profundos conhecimentos acerca da CML, diz que “tem que começar por conhecer os serviços”. Quer dizer, afinal não sabia nada, era só bocas. Andou por lá uns anos, com uma corte de onze assessores, e não conhece “os serviços”. Nem os “dossiers”. Pois é. Andou por lá na bufaria: catorze processos contra a Câmara, todos, ou quase, já devidamente chumbados por quem de direito. Como havia o pobresinho de conhecer os dossiers, os serviços, ou fosse o que fosse? Estava lá para espiar, denunciar, delatar, processar, acusar, empatar, impedir. Como havia ele de perceber alguma coisa do que se passava? Sejamos justos, que diabo!
Ele, que, sem pelouro, tinha os tais onze assessores, diz agora que “era uma necessidade urgente” “fixar” (em três), com pelouro ou sem ele, e  “de uma vez por todas o número de assessores”. Diz, aliás, que está muito contente com a coisa. Em matéria de coerência, estamos conversados.
O homem garante que “a situação financeira da CML é muito má”, mas que, para “termos boas ideias” sobre o assunto, há que ter “conhecimento dos dossiers”. Quer dizer, o homem não faz ideia nenhuma de qual é a situação porque, nas suas próprias palavras, não conhece os dossiers. No entanto, e apesar de não conhecer os dossiers, “já conhecia bem a situação”. Quem quiser comer disto, que coma. Bom proveito.
O homem diz que vai tratar dos jardins. Óptimo! Depois, diz, vai fazer “um plano” (onde é que eu já ouvi disto?) “para todos os espaços verdes”, designadamente o “corredor do Monsanto”, “a revitalização do Parque de Monsanto” e as “vias para bicicletas”. E acrescenta que é preciso “arranjar uma solução” para “o Campo de Tiro de Monsanto” e “a Feira Popular”.
Nesta matéria, é sabido que quem não sabe o que há-de fazer, faz planos. Convenhamos que o homem é sincero. Esperemos que, enquanto planeia, vá servindo para jardineiro.
E lá vem o inevitável “corredor de Monsanto”, coisa que o arquitecto paisagista Ribeiro Teles já tem desenhada “há vinte ou trinta anos”. Boa! Sabem do que se trata? Eu sei. Trata-se de ir, a pé, do Parque Eduardo VII ao alto do Monsanto. Já viram que delícia? À la patte, meus meninos, subir ao alto de Campolide, descer até à Av. Gulbenkian, depois por ali abaixo até à estação, seguindo-se a doce encosta da Serafina, sempre a subir, que só faz bem à saúde. É com maluquices destas que o homem nos quer entreter o bestunto.
E lá vêm as “vias para bicicletas”. Acho muito bem, mas temo que o homem nos queira pôr a ir de bicicleta até à Penha de França, à cadeia do Monsanto (pelo “corredor”, se calhar), ou equivalente. Será que o homem já foi observar o espantoso êxito da via para bicicletas da radial de Benfica? Se não foi, que vá, para perceber o que é que as pessoas ligam a certas vias para bicicletas numa cidade como Lisboa.
E lá vem “a revitalização do Parque de Monsanto”. Sobre a extrordinária obra que Santana Lopes lá realizou, nem uma palavra. Se o que ele quer é pôr os lisboetas, com as criancinhas às costas, a subir e a descer as encostas ao Domingo, os ditos encarregar-se-ão de mandar a sua obra àquela parte.
E lá vem o “campo de tiro” de Monsanto, coisa em que, aliás, a câmara anterior não se portou nada bem. O “campo de tiro” provoca uma raivinha invejosa a muita gente, há muitos anos. A esquerda caviar que o homem representa é, por definição, invejosíssima. Por isso, o homem tem que a satisfazer. Nada melhor que re-inventar o “problema ecológico” dos tiros (nunca incomodaram fosse quem fosse) que uns inofensivos maníacos gostam de dar por ali, tratando o local, diga-se, comme il faut.
E lá vem a Feira Popular, quer dizer, o terreno onde foi a Feira Popular. Um ódio de estimação do homem. Ele integra a coisa no problema dos jardins. Compreende-se. Como o sítio fica longíssimo de qualquer zona verde – o Campo Grande, jardim de reduzidas dimensões, fica a uns cósmicos trezentos metros – haverá que impedir o pessoal de ir morar para ali. Só maravilhas, as ideias do homem, como se vê.
Quando perguntam ao homem se o seu antecessor fez alguma coisa bem feita, o homem responde que “há trabalho feito pelos serviços da Câmara que pode ser aproveitado” e que “é evidente que há coisas que foram feitas e bem feitas”. Pelos “serviços”, que o vereador anterior nem sequer lá estava. É de desejar que, no futuro, se o homem fizer alguma coisa de jeito, lhe paguem na mesma moeda. Merece-o.
 
Esta já vai longa, como se dizia antigamente. Vamos, então, parar. Mas, ó tentação!, só mais dois bitatezinhos:
O primeiro é sobre o túnel. O homem já não tem coragem para dizer que o túnel não presta, como faz a dona Helena. Mas reafirma que, se não fosse ele, não prestava mesmo. O homem, modestamente, considera-se um salvador. Continua caloteiro. Os milhões que fez deitar para o cano não são para pagar. Mas isso não lhe interessa. Ele, santo milagreiro, transforma a trampa que arranjou em benesse para o povo. Obrigado!
O segundo é sobre o “futuro”. O homem garante, à fé de quem é, que jamais o acordo com o Costa servirá para outra coisa senão para a CML. É um acordo sui generis, em que o Costa se obriga a seguir as ideias do homem, mas o homem não se obriga a coisíssima nenhuma. Aqui reside a esperança dos portugueses: que, mais cedo ou mais tarde, o homem comece a votar ao contrário, ou desate a bufar, e que coisa acabe por rebentar. Dizem que o Louçã e o Portas (putativos futuros ministros) estão em pânico com esta ideia. O que é óptimo e só nos dá esperança e boa disposição.
 
António Borges de Carvalho
 
 
 

DA ESCASSEZ DAS ELITES

A dona Paula Teixeira da Costa, ou Pinto, ou Cruz, ou lá o que é, veio, solenemente, declarar que a eleição do senhor Meneses faria com que as elites se afastassem do PSD. Não se sabe ao certo o que dona Paula entende por elites. A si própria, com certeza, como tal se acha. Ela, a personificação elitogénica por excelência, demonstrou à saciedade, enquanto presidente da assembleia municipal de Lisboa, o que entende por comportamento elítico(?): pôr as suas opiniões acima de todas as outras, dar cabo dos seus por pesporrência intelectualóide e abuso de poder. Para além dela, a que elites se referiria? Às que rodeiam o senhor Mendes? Ao simpático quão opinioso cacilheiro? Ao senhor Macedo, tão nice quanto isento de interesse? A quem? Quais elites?
 
As últimas figuras do PSD, ou próximas, que se podem considerar de elite, colaboraram com Santana Lopes (Álvaro Barreto, António Monteiro, António Mexia, Bagão Félix…), e foram consumidas, vilipendiadas, esmagadas, postas de lado, queimadas nas fogueiras que essoutras “elites” de cariz mendista atearam, a começar no próprio Mendes e a acabar na dona Paula.
Com que é que dona Paula acha que o senhor Menezes vai acabar? Que elites, meus senhores? Que resta das elites do PSD?
 
É evidente que o senhor Meneses não trará, ou traria, consigo coisa alguma a que se pudesse chamar elite. Até aqui estou de acordo com a nobre senhora. Mas também não viria afastar do PSD elites de espécie nenhuma, uma vez que não há disso no PSD do senhor Mendes, nem se imagina que possa vir a haver, ao perto ou ao longe.
 
O que se passa no PSD (a alternativa Mendes/Meneses) é um drama de consequências colossais para o Partido, mas também para o país. Para todos nós. Até para os adversários políticos do PSD, assistir a este combate de pigmeus é uma inenarrável tristeza. Sem o PSD, o sistema fica coxo, ou entregue aos demagogos de esquerda que nos (des)governam e que verão o seu mandato mexicanizar-se mesmo que o não queiram.
 
O Irritado teme que as suas profecias estejam certas. Com que gosto daria o dito por não dito!
Verdade, porém, é que sinal algum lhe é dado ver que lhe permita pensar que está errado.
 
António Borges de Carvalho

GRANDE FUTURO

Alguns “pitonisos” dedicam-se à nobre tarefa de augurar um futuro cheio de potencialidades à coligação PS/BE na CML.
A coisa, na opinião dos rapazes, é o caldo de cultura de mais largos voos, ou seja, é o noivado do PS e do BE, destinado a um governamental casamento em 2009.
 
No seio do BE, as coisas mexem no mesmo sentido. Enquanto o senhor Louçã e o senhor Portas, putativos pretendentes a ministros do reino de Pinto de Sousa (Sócrates), se vêm já, de gravata, a levar o comunismo caviar aos salões do paço, as mesnadas mais ortodoxas reclamam que alguém está a trair a ditadura do proletariado e a evitar que a burguesia se veja abatida em fuzilamentos e gulagues.
De uma forma ou de outra, todos os membros do bando acreditam que a porta do poder se abriu, e com ela a felicidade ou a ruína, consoante o pensamento de cada facção.
 
Primeira verificação: o bando, que mais não é que um saco de gatos, iluminados pela luz de um lugarzinho em São Bento, começa a romper pelas costuras. Uma boa notícia para os portugueses em geral, e para o senhor Jerónimo em particular.
 
Segunda verificação: os tipos do bando, como os pitonisos, acreditam que a coligação do Costa com o Fernandes vai funcionar e dar frutos.
E vai. Antes de mais para o senhor Teles. Como nos áureos tempos do senhor Soares, voltará a vender uns projectinhos à CML. Não é demais recordar que o senhor Teles meteu na gaveta as suas convicções, ou calou-se, o que é a mesma coisa, nos casos do Corte Inglês e dos barracões que comeram larga percentagem do verde do Parque Eduardo VII, isto a troco do inacreditável projecto do impossível jardim Amália Rodrigues. Agora, é mais que certo, recuperará o gabinete camarário e dará largas à sua “ligação entre o Parque e a Serafina”, coisa que jamais funcionará mas que faz as delícias do seu autor e do bufo que o re-promove.
 
Dando esta circunstância de barato (umas asneiras a mais não fazem mal a ninguém), veja-se o que diz a propaganda (que o Fernandes tem o pelouro dos jardins) e o que é a verdade (o Fernandes tem o pelouro do ambiente).
O pelouro do ambiente é o que se quiser fazer dele, isto é, sendo transversal, pode ter “jurisdição” sobre praticamente todas as decisões da Câmara. Daí que o Fernandes seja o mais poderoso de todos os vereadores. O Costa deu-lhe tudo o que se pode dar, talvez sem perceber com quem estava a lidar.
 
No futuro próximo há um só cenário: o Fernandes vai começar a chatear o Costa. A partir daqui, os cenários começam a diversificar-se. Os BE’s pretendentes a ministro ficam à rasca e vão tentar deter o Fernandes, a fim de não pôr em causa o seu (deles) brilhante futuro. Os ortodoxos vão explorar à saciedade as tropelias do Fernandes, tentando fazer abortar o acordo que levaria os outros, e não os próprios, ao galarim. O assunto ficará, por isso, às ordens do Fernandes: será ele a decidir se se zanga, ou não, com o Costa.
Por outras palavras, o futuro do bando está nas mãos do Fernandes. Se o Costa prometer ao Fernandes um lugarzito tipo ministro de estado em 2009, a coligação tem futuro. Se não, lá se vai o noivado. O Fernandes voltará às denúncias, aos processos, aos métodos pidocráticos, enfim, ao exercício das suas habituais especialidades.
 
É lindo ver o bando a esfrangalhar-se. Talvez seja esta, afinal, a mais nobre missão do fulano. Há males que vêm por bem.
 
Só é pena que o senhor Mendes ande a navegar em águas tão turvas que nem vê o que se passa.
 
 
António Borges de Carvalho

AGUENTEM-SE, OU DA GENIALIDADE DO SENHOR PINTO DE SOUSA

Visitei, em Cascais, uma propriedade magnífica, uma coisa de sonho. Embora esteja à venda, não a comprei. Sabem porquê? Pela mais comezinha das razões. Não tenho dinheiro, nem hipótese de o arranjar em tamanha quantidade. Uma chatice.
No entanto, uma esperança acabou por me ser dada. Trata-se dos meus tetranetos. E se forem eles a pagar?
A solução dos problemas, às vezes, está debaixo do nosso nariz. Não a vemos, ou por incompetência ou por estupidez.
Ao contrário do Irritado, porém, o senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates) é competente e inteligente. De borla, calcule-se, veio pôr a solução em frente dos meus olhos.
Se eu quiser a tal propriedade mais não tenho que fazer que comprá-la a noventa anos, exactamente como o senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates) vai fazer com estradas, pontes e coisas do género. Não é genial?
Expuz o assunto à família. Vozes houve que se opuseram. Que não era justo sobrecarregar os vindouros com responsabilidades tão pesadas. Que as pobres criancinhas – os meus bisnetos, trinetos e tetranetos - iam abrir os olhos ao mundo já crivadas de dívidas. E etc., blá blá blá.
Fiquei hesitante. Mas, mais uma vez, ó felicidade!, o senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates) veio em meu auxílio. Trata-se, explicou-me, do princípio do utilizador/pagador. As estradas e as pontes, disse-me com doçura, virão a ser utilizadas pelas gerações vindouras. Porque havemos de as pagar só nós? Justiça é que as paguem também.
Aplicada a coisa à propriedade de Cascais, uma luz cintilante - a luz da inteligência do senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates) – caíu sobre mim. Que bom!, exclamei. Tudo ficou claro na minha pobre mente. Eu compro a propriedade. Os meus bisnetos, trinetos e tetranetos, que nem sei quem são nem me são nada, pagam a coisa. Gozam-se dela, e acabarão, justamente, por agradecer ao bisavô, trisavô e tetravô a benesse que lhes deixou, sem sequer os conhecer. É genial, ou não?
 
Sem pretender, longe disso, ter a ilusão de que participo numa fímbria que seja da inteligência do senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates), atrevo-me a deixar uma humilde sugestão: porque não os pentanetos? Ou os hexanetos? Ou assim por diante? Afinal, a vida continua, as gentes continuarão a usar a proriedade de Cascais como continuarão a usar as estradas do senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates), não é verdade? Os meus sucessores, na propriedade de Cascais, agradecer-me-ão e louvar-me-ão pelas gerações fora. Os portugueses, pelos séculos dos séculos, olharão com admiração, carinho e louvor, a estátua do senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates) que perpetuará, gigantesca e altaneira, na colina do castelo de São Jorge (demolido para o efeito pelo senhor Costa), a admirável obra de tão ilustre Português.
 
Se quiserem melhor, têm que esperar por eleições.   
Para já, aguentem-se
 
António Borges de Carvalho
NB. Para os menos avisados, ou mais conhecedores, esclarece-se que a ideia socrélfia não tem nada a ver, como há quem diga, com as figuras do leasing britânico.

DO QUE ESTÁ, OU AÍ VIRÁ

Uma Senhora de idade provecta, em tempos eleitora do PS, dizia-me aqui há dias mais ou menos isto:
- Você não acha que, se não fosse a União Europeia, com esta gente que nos governa já tínhamos a PIDE de volta?
Respondi-lhe com o que me ia na alma:
- Não sei se seria a PIDE, algum Big Brother, ou outra coisa qualquer, mas que teríamos alguma coisa no género, acho que a ninguém restarão dúvidas.
Para tal, penso agora, nem devia ter sido preciso esperar pelo advento do senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates) e da sua mentalidade persecutória. Se não fosse a UE, quantas golpadas já teria havido ao longo dos últimos vinte anos, quantos pronunciamentos, quantas prisões, confusões,  conspirações? Quantos salvadores, quantos generais, quantos condotieris?
Como estamos na UE, a coisa tem sido mais meiga. Só agora estamos perante a ressurreição do pidismo. Não, não digam que o Prof. Cavaco já dava sinais preocupantes nesta matéria. Sem ser propriamente um admirador do seu estilo, acho que, ao contrário de Pinto de Sousa, não abusava da autoridade, exercia-a. Mal ou bem, consoante as ocasiões, e as opiniões.
Agora, é diferente. Não há dia em que se não saiba uma nova. Os que fazem alguma coisa são corridos, os que dizem o que pensam são demitidos. Quem se atrever a reclamar das decisões das finanças verá abolidos direitos elementares. Os jornalistas tendem a passar a bufos por imperativo legal. As perseguições movidas por zelosos funcionários a inocentes terceiros são consideradas, oficialmente, como legítimas. Uma ministra completamente esgrouviada saneia os mais competentes. Continua ministra. Uma secretária de estado qualquer afirma que só é permitido dizer mal do governo lá em casa e nas esquinas. Continua secretária de Estado. O presidente da CML coliga-se com a bufaria. Continua, não só presidente, como uma das mais altas figuras di poder socréfio.
A lista nunca mais acaba. Sabem porquê? Porque os saneadores, os que dizem horrores, os denunciantes, os bufantes, só saneiam, só dizem, só bufam, só actuam, porque, com isso, interpretam a mentalidade inserida na vida política e social portuguesa pelo senhor Pinto de Sousa (auto-dito Sócrates). São a voz do mestre. São os olhos e os ouvidos do imperador. São os executores da sua vontade.
Se assim não fosse, seriam demitidos, desmentidos, desautorizados. E Não são.
 
A origem do mal está à vista de toda a gente. Não vê quem ver não quiser.
 
Será que o senhor Mendes vê alguma coisa?
 
António Borges de Carvalho

O SACO DE GATOS EM ACÇÃO

 
Costa, passadas umas semanitas desde as eleições, conseguiu o extraordinário feito de subscrever um contrato com o pidesco “Zé”, contrato em que este toma uma fatia do poder sem dar nada em troca, como já teve ocasião de, nas barbas do Costa, afirmar.
Dona Helena deu com os pés ao eleito. Continua a dizer que nada consentirá seja feito sem dizer a toda a gente, que a nada é fiel a não ser a si própria e às suas manias, e que vai estar à coca das malfeitorias do Costa.
O camarada Carvalho, conforme prometido, marimbou no Costa.
O Negrão acusa o Costa, com carradas de razão, de ser eleito com votos democráticos e de ir partilhar o poder com quem odeia a democracia.
O Carmona, esse, deve estar à espera dos resultados da bagunça, com a qual não deixará de gozar como um louco.
 
Para além de dar aos comunistas do bloco o pódio do ambiente – que pode ser tudo o que os tipos quiserem uma vez que pouco há que não tenha a ver com o ambiente – o Costa anuncia, como sua primeira grande medida, uma medida… do BE! E logo uma das boas: alugueres de casas a “custos controlados” – sovietismo primário pela porta do cavalo…
Em vez de reconhecer o que toda a gente já viu – a inenerrável estupidez do desgraçado  NRAU inventado pelos burocratas do PS – Costa avança como um formidável pontapé no que poderia restar do mercado de arrendamento em Lisboa.
Uma senhora do “Público” escreve hoje que o aluguer da casita para onde foi morar há vinte anos, e que consumia 70% do seu ordenado, custa hoje 2% do mesmo ordenado, devidamente actualizado. Havendo, consta, 390.000 senhoras e senhores nas mesmas circunstâncias em Lisboa, ocorre perguntar se um regime (o NRAU) que, ao fim de um ano em vigor, já conseguiu começar, timidamente, a actualizar 70 rendas (!!!) serve para alguma coisa, e se não seria por aqui que o Costa devia começar a pensar no assunto. Seria de perguntar como quer o Costa fazer “reabilitação urbana” nestas condições. Seria de perguntar se as soluções para o problema não seriam exactamente o contrário do que o BE propõe e o Costa adopta.
 
Da casca ideológica do Costa o que pode sair é mais poder burocrático e menos vida para as pessoas e para a cidade. Um Estado que, há quase cem anos, rouba descaradamente os seus cidadãos, criando os monumentais problemas de que Lisboa sofre, inventa, alegando que os quer resolver, maneiras proto-soviéticas de continuar a depredar o património construído e a destruir os argumentos que poderiam atrair pessoas à cidade. Tudo a bem da idedologia do Bloco e das taradeiras do “Zé”.
 
Toda a gente percebeu que o saco de gatos não vai funcionar. Pior, que o saco de gatos, quando funcionar, o fará contra os lisboetas, como já está, com toda a evidência, a acontecer.
 
Fica o povo de Lisboa a dever esta espantosa situação ao senhor Mendes e aos seus apaniguados, a começar pela dona Paula, a qual que se prepara, como já teve ocasião de afirmar, para, na Assembleia Municipal, fazer com a coligação dos gatos aquilo que não fez com o seu próprio partido: facilitar-lhe a vida.
 
António Borges de Carvalho

TROPELIAS DO BANDO

Em plena Avenida da República, um cartaz de duvidoso gosto gráfico apresenta o Presidente da República Cavaco Silva, o Presidente da Comissão Europeia Barroso e o Primeiro Ministro Pinto de Sousa (Sócrates) em pose sorridente, com o indicador a exigir silêncio ao povo.
Trata-se de mais uma iniciativa do BE, destinada a informar os portugueses do ódio que a organização nutre pela Democracia, isto é, pelas instituições representativas. Procura o bando convencer as pessoas de que, se não houver um referendo, o novo tratado europeu, seja ele qual for, será ratificado nas costas do povo, isto é, no Parlamento.
O povo será remetido ao “silêncio”, na douta opinião dos dirigentes do bando.
É fácil de identificar a mentalidade que está por detrás deste tipo de iniciativas: a mesma que gerou os fascismos e aparentados, a mesma que deu direito de cidade ao comunismo e quejandos, e que tem como característica fundamental o horror à democracia liberal e às suas instituições.
A existência de tal cartaz seria uma coisa boa se a generalidade dos portugueses tivesse alguma noção do que é a Democracia. Serviria para desmascarar os seus autores. Como, porém, a começar pelo senhor Mendes e a acabar nas criancinhas dos “castings” do primeiro Ministro e nas velhinhas de Freamunde do Costa, tal generalidade jamais foi educada sobre o assunto, o cartaz pode ter efeitos devastadores. O que, evidentemente, não deixa de estar no espírito dos senhores do bando. É preciso desacreditar o Parlamento, pôr em causa a sua legitimidade, a fim de, a seu tempo, se vir a tornar lógico aceitar qualquer forma de “democracia” orgânica, piramidal, centralista ou, simplesmente, “participativa”, como soe dizer-se, para disfarçar.
As “vanguardas”, os “fascios”, as “uniões nacionais”, os revolucionarismos das mais diversas origens, tem o fundamento comum da recusa da representatividade e do louvor da legitimidade das “massas”, dos “chefes”, da “rua”, do “colectivo”, da “nação” ou do que se queira chamar à recusa cobarde da Democracia inorgânica.
O bando, com a exigência do referendo, quer matar dois coelhos de uma cajadada: pôr em causa o que nos resta de parlamentarismo e ter tempo de antena para a sua propaganda anti-europeia e soi disant social.
 
O senhor Mendes, esse, não se sabe o que pretende. Nem valerá a pena tentar sabê-lo. Ainda não se meteu em cartazes, mas um dedinho que adivinha dirá que… a ver vamos.
 
António Borges de Carvalho

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