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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

QUATRO ANEDOTAS

1 - Um “responsável” qualquer perorou na televisão sobre o “nascimento de menores”.
 
2 - A dona Judite, por seu lado, referiu-se doutamente aos trabalhadores com “incapacidade para trabalharem”.
 
3 - À semelhança de Maniche, Makukula e Fábio Coentrão, o Procurador Geral da  República não sabe, “pensa que”.
 Vá lá vá lá, pensa que, não pensa de que.
 
4 - O General Eanes vai ser padrinho de casamento do Pinto da Costa. Hi, hi.
IRRITADO

FLEXIGURANÇA

 
A luta continua. As mesnadas do senhor (Doutor!!!) Carvalho da Silva, acompanhadas de ilustríssimas personalidades da nossa praça, continuam a vir para a rua, para os jornais e para as televisões, com comentadores de serviço e políticos à la carte, manifestar a sua indignação sobre a “flexigurança”, obstruso palavrão que na Dinamarca quer dizer uma coisa, por cá a coisa contrária e, noutras paragens, o que se quiser.
 
Facto é que, na Dinamarca, onde o palavrão parece ter origem e onde não há salário mínimo, nem indemnizações por despedimento, nem nenhuma dessas tralhas que, em nome do “estado social”, arruinam as economias e desincentivam a produtividade, a flexigurança é um conceito que procura dar mais protecção ao emprego, sem prejuízo de o dito ser considerado como um passo, não como uma situação adquirida e inultrapassável.
 
Por cá, a coisa quer dizer exactamente o contrário, isto é, como o emprego é considerado um direito que a todos assiste, não uma obrigação em relação à sociedade, flexigurança significa, ou pode vir a significar, que cada um tenha que passar a encarar o trabalho e o emprego como um degrau de uma carreira, não como um patamar onde se assapa para o resto da vida.
 
Ao aplicar-se a duas sociedades que estão a cósmica distância uma da outra, uma em que a qualidade do trabalho é paga, outra em que se paga um conceito abstracto, uma em que a economia é florescente (et pour cause…), outra que vegeta tristemente à luz de “direitos sociais” que não tem meios para pagar, a flexigurança acaba por querer dizer coisa nenhuma e por constituir, num lado, um certo avanço na segurança e, noutro, um recuo no que se julgava ser o sétimo céu: ter trabalho e ganhar dinheiro pela simples razão de ter nascido.
 
Entretanto, o senhor (Doutor, caraças!!!) Carvalho da Silva vai tendo motes para arregimentar as “massas”. O seu objectivo não é, nunca foi, melhorar a vida das pessoas, mas contestar a democracia “burguesa” até a conseguir destruir, que é o que manda o PC.
 
A malta vai assistindo, a economia encolhendo, a pobreza avançando, e o senhor Pinto de Sousa (Sócrates) anunciando ao orbe as maravilhas da flexigurança.
 
Não é no Reino da Dinamarca que algo está podre. Shakespeare enganou-se.
 
António Borges de Carvalho

A REPÚBLICA DAS BANANAS

 
Não sei se vale a pena dizer alguma coisa sobre a já célebre entrevista que Sua Excelência o Procurador Geral da República deu a um jornal. Já se disse tudo, ou quase. Mas não ficaria bem ao Irritado se não se irritasse com a coisa.
 
Os cidadãos de um país (ou uma república, como agrada a certos ignaros que se diga) onde tão alta instância judicial diz que acha que tem o telefone sob escuta porque ouve uns barulhinhos, têm o direito de perguntar:
- Afinal, quem governa?
- Se as escutas são feitas por polícias e os polícias respondem perante o Primeiro-Ministro, então quem é que manda fazer as escutas?
- Se os fulanos que são pagos para nos “dar” justiça estão à mercê dos polícias do Primeiro-Ministro, então que justiça nos podem dar?
- Se já se chegou à kafkiana situação de os mais altos magistrados se andarem a escutar uns aos outros, de quem é a culpa?
- Se o Primeiro-Ministro, bem como o da Justiça, o da polícia, o Presidente da República, os juízes, ninguém tem nada a ver com isso, quem governa?
- Será a maçonaria? Qual delas?
- Se Sua Excelência o Procurador geral da República lança atoardas, porque não é, imediatamente, mandado para casa?
- E se tem razão? Pode mandar bocas assim, sem mais nem menos, sem investigar, sem apontar os culpados?
 
Enfim, estamos, por obra e graça da política socrélfia, metidos numa república das bananas qualquer, onde quem manda perdeu por completo a noção do que é a dignidade do estado, o que quer dizer a dignidade de todos nós.
 
António Borges de Carvalho
 

A SANTA ALIANÇA

 
A estúpida polémica acerca do referendo sobre o Tratado – alterado, simplificado, espremido, na mesma, ou lá o que é – teve o condão de irmanar, em doce comunhão de objectivos, o comunista Portas (Miguel) e o super-direitista Monteiro.
Les bons esprits se rencontrent…
Num frente a frente qualquer, os dois ilustres políticos expenderam as suas brilhantes teses sobre o que estava em causa. Nada menos que a “democracia”. Ou se “pergunta ao povo” se quer ou não quer o tratado, ou a democracia acabou!
Em tempos, a Constituição (não de Portugal, mas da República) sabiamente referia que os tratados internacionais não podiam ser referendados. Percebia-se porquê. Nada mais contraditório com o conceito de referendo que um tratado. Onde está, num caso destes, a pergunta simples, concreta, de sim ou não? Quem pode votar sim ou não a tudo o que um tratado diz?
Os que querem o referendo estão nos antípodas dos que, com alguma lógica, defendem a democracia. Democracia é representação. A democracia directa é mais do agrado dos ditadores que dos democratas. Toda a gente sabe isto. Os que querem o referendo são a imagem do populismo na sua pior expressão, procuram oportunidades de galarim para, com raciocínios primários, apelar ao primarismo dos eleitores e ganhar tempo de antena. O resto é conversa.
Ter-se-ia podido admitir um referendo antes de “entrarmos” para a Europa: quer que Portugal faça parte de CEE, sim ou não? Ter-se-ia podido admitir um referendo antes da entrada para o Euro: quer que Portugal passe a ter outra moeda, sim ou não?
 
Perguntar às pessoas se querem ou não querem aquela complicadíssima coisa que se quer chamar Tratado de Lisboa é, objectivamente, trair as pessoas em vez de as esclarecer. Trair a Democracia, trair, em busca de púlpitos de demagogia, o interesse dos cidadãos.
 
Bem pode a Santa Aliança - contra natura ou nem por isso - do senhor Portas (Miguel) com o senhor Monteiro andar para aí aos berros. Bem pode o camarada Jerónimo, todo contente, berrar também. O referendo, numa matéria como esta, não passa de um miserável embuste e de um puro instrumento de propaganda.
 
António Borges de Carvalho

DA OBLITERAÇÃO DA INTELIGÊNCIA

 
Há pessoas estúpidas, rezam os manuais.
Outras há, que não o sendo, têm crises.
Outras ainda (caso menos comum) deixam-se levar por sentimentos menos nobres, de tal forma que até parecem estúpidas.
 
Vem isto a propósito do semanário que dá pelo nome de “Sol”, o qual, algumas vezes, o Irritado tem apodado de “Sólcrates”.
No Sábado, o “Sol” levou ao paroxismo o ódio rebuscado que nutre por Santana Lopes, calcando a inteligência e o distanciamento que qualquer análise minimamente isenta imporia. Tanto o ilustre arquitecto seu director como o seu vice Lima se dedicam a dizer cobras e lagartos do senhor, estendendo-se a sanha persecutória a um desconhecido de nome Ramires, que tem no “Sólcrates” trono permanente por razões que a razão certamete desconhecerá.
Ele é o artigo de fundo, rancorosa diatribe. Santana Lopes, “macaco de rabo pelado”, que Menezes “teve que engolir” e que “vai trabalhar para si próprio”, terá que ser “vigiado” pelo líder. E, como “engoliu” Santana Lopes, alijou os bons e rodeou-se de “gente de meia idade” (da idade do Saraiva). Como não conseguiu convencer a dona Manuela, perdeu o apoio de Cavaco. Dona Manuela não será de “meia idade”? Meter gente de meia idade, para o ilustre plumitivo, é uma desgraça, a não ser que a meia idade seja daqueles de quem acha que se deve gostar.
Ele é o “Sol e Sombra”, do senhor Lima, em que Santana aparece ao sol pelos piores motivos, ficando Menezes na sombra por causa de Santana, e Sócrates ao sol deslumbrante da glória.
Ele é o tal Ramires que, não fazendo a coisa por menos, perora sobre o “veneno” da “serpente”, cheia de “muitos pecados” (Santana), que Menezes “aconchega ao peito”.
 
Nas entrelinhas, e não só, o elogio aos “notáveis” que, olimpicamente, se quedaram longe do congresso, à espera de melhores dias.
 
Saraiva e Lima, quando eram empregados do “Expresso”, dedicaram-se a demolir Santana Lopes, semanalmente, sistematicamente, metodicamente, ferozmente. Com a ajuda de Marcelo, Cavaco e tantos outros “notáveis”, conseguiram os seus fins. Já Santana Lopes estava longe do poder, e ainda, um e outro, se dedicavam, sempre que podiam, a propósito ou a despropósito, à sua nobre missão. Era preciso mantê-lo morto e enterrado. Vá lá saber-se porquê.
 
O que os distintos opinadores, com a inteligência obliterada pelo ódio, não conseguem perceber, é que o PSD, nas horas mais importantes, nunca ligou muito a “notáveis”. Preferiu (quase) sempre os que lhe falavam à alma, ao instinto e, no fundo, à inteligência, uma inteligência que não terá muito a ver com a dos notáveis, mas que nasce de coisas simples, certas, e sérias. O PSD tratou como tratou as “elites” que se revoltaram contra Sá Carneiro, os “notáveis “ que preferiam Salgueiro a Cavaco, os “esclarecidos” que achavam que Santana Lopes não devia ser Primeiro-Ministro. Mandou-os às urtigas.
 
É verdade que, ajudados por saraivas, limas, marcelos, cavacos e quejandos, os “notáveis”, os “barões”, as “elites”, conseguiram demolir Santana Lopes.
Se os “sólcrates” da nossa praça não fossem informados por sentimentos que me absterei de adjectivar, e se recorressem à inteligência de que, lá no fundo, são dotados, talvez percebessem o que as pessoas pensam e desejam, em vez de as querer empurrar para os braços da “classe” a que pertencem, ou a que gostariam de pertencer.
 
O sono da razão engendra monstros. Não é?
 
António Borges de Carvalho

JOÃO CAMOSSA

 
O João foi um dos homens mais inteligentes que conheci. Dos mais cultos. Dos mais sábios.
Não tinha, nem pela humanidade nem por si próprio, uma consideração por aí além. Abominava o doutor Oliveira Salazar e o socialismo, achava que as pessoas se deviam agrupar em pequenos núcleos, já que, nos grandes, o diálogo era impossível. A si próprio atribuía, como ideologia, o “anarco-comunalismo”, coisa mirífica onde as pessoas se deviam dar bem porque se ignorariam quanto pudessem, e onde o Estado se tornaria (quase) desnecessário. Talvez por isso era monárquico, concebida a monarquia como um sistema em que o chefe era próximo porque longínquo, doce, estimado, não estava sujeito às dicussões dos fabricantes delas e só aparecia quando era indispensável, na certeza de que o ideal era que não precisasse de aparecer.
O João leu coisas que ninguém mais leu, sabia coisas que a mais ninguém era dado saber, pensava coisas que ninguém mais pensava.
Por baixo das anedotas que a seu respeito se contavam, talvez por ele incentivadas, escondia-se um ser pensante, quase genial, que raciocinava a galope e chegava a conclusãos que causavam estranheza, inveja, até repulsa à chã farronca do comum dos mortais.
Fizeram troça dele, abandonaram-no – em boa verdade não sei se foi ele quem abandonou os demais – riram-se dele na rua, das suas barbas grisalhas, dos seus dentes estragados, da sua roupa ridícula. Pior, muitos dos que lhe eram próximos recusaram-lhe a admiração e o respeito que lhe eram devidos. Não, ele não se importava, estava acima disso tudo.
Um dia em que passou de advogado a réu num tribunal plenário do salazarismo, apresentou-se de toga no respectivo banco. O juiz insistiu em que a tirasse. Ele acabou por obedecer. Tirou a toga. Estava nu lá por baixo. Vestiu a toga outra vez, por ordem do juiz. Foi preso, mas não por isso.
Várias foram as mulheres que por ele se apaixonaram. Nunca quis nenhuma lá em casa. Só a cadela o recebia, sempre alegre e reconhecida, quando, altas horas, ele metia a chave à porta. E se fosse uma mulher? - justificava-se, com uma graça sempre inteligente, mesmo que informada por uma misantropia visceral.
Os seus escritos, que transportava em bolsos imensos, quase a arrastar pelo chão, a contestação de Bernstein e Marx, as críticas ao senhor Soares (Mário), como ele lhe chamava, as suas teses sobre a nacionalidade, os descobrimentos, o miguelismo, sei lá, tudo deve estar perdido. Deve-lhe ter caído dos tais bolsos, já rotos, vítimas da usura e do desleixo.
Há Homens que muito poderiam ter dado, ou deixado, ao seu semelhante. Assim não aconteceu com João Carlos Camossa de Saldanha, não porque não tivesse produzido, e muito, mas porque nunca teve intenção de fazer disso honra.
Acabou os seus dias abandonado por si próprio e por quase todos os que muito lhe deviam, mas “achado” por um Amigo, daqueles que se pensa que já não há. Dos poucos que nunca fizeram troça dele, nem acharam que a sua “originalidade” era um defeito, nem se penduraram na sua argúcia em benefício próprio.
Adeus, João, obrigado pelo que me ensinaste, obrigado por nunca me teres traído, obrigado pelo desprezo a que votaste tanto oportunismo e tanta porcaria que andou à tua volta. Aprendi muito contigo, sabes? Se calhar nunca to disse. Paciência, olha, não sei se valeria a pena, não sei se há muito que valha a pena, para além de poder olhar para o espelho e não sentir vergonha.
 
António Borges de Carvalho

RODRIGUICES

Lembro-me bem das reportagens sobre a guerra na Sérvia, feitas ou relatadas pelo senhor Rodrigues dos Santos na RTP.
Conheço uma boa dúzia de sérvios, de várias tendências políticas. Posso assegurar que, nem o mais crítico de tal guerra, tem, contra a NATO ou contra os EUA, a mesma odienta sanha demonstrada, à altura,  por aquele senhor.
Lembro-me, como se fosse hoje, da entrevista que fez a um enviado da RTP ao teatro de operações. O homem estava algures nos campos, visivelmente aterrorizado. Ao longe, ouvia-se uns rebentamentos. Ao fundo da imagem, via-se um túnel. A certa altura, uns aviões sobrevoaram o local e desataram largar bombas. O terror do homem, aliás justificado, era imenso. Emocionante reportagem! O senhor Rodrigues dos Santos faz então, ao seu colega, esta pergunta: “achas que os aviões estão a bombardear o túnel, ou que querem aniquilar os profissionais da RTP?”
Imagine-se a cena: algures, quem sabe se em Bruxelas, ou em Washington, um general recebe a informação da presença da RTP no campo de batalha. O chefe da esquadrilha é imediatamente instruído para deixar de se preocupar com túneis, pontes, estradas, ou seja o que for. O mais importante, no terreno, era a reportagem da RTP!
 
Depois dos emocionantes dias de tal guerra, e de tal reportagem, nunca mais fui à bola com o senhor Rodrigues dos Santos. Quando o fulano pisca o olho aos espectadores, fico histérico. Quando ele diz, de dedo espetado “especialmente para si” tenho vontade de o trucidar.
Não sei o que o tipo andou a aprender na BBC, mas tenho a certeza de que não foi a fazer noticiários generalistas de uma hora, nem a pôr, em prime time, as doutas declarações da cunhada da vizinha do primo por afinidade do tipo que deu duas facadas à sogra. Nem foi na BBC, com certeza, que aprendeu a descrever por palavras suas as declarações das pessoas para, depois, pôr as tais pessoas a dizer o que ele já tinha dito.
 
Há, porém, uma coisa que me leva a tirar o chapéu ao senhor Rodrigues dos Santos. Zangado com a soberana decisão da administração de, contra a sua preclara opinião, mandar para Madrid uma senhora que lhe não agradava, o homem demitiu-se! Nobre atitude! Mas não se foi embora, isto é, recusou-se a desempenhar o cargo que lhe tinham dado, mas continuou, calmamente, a ser empregado da casa. Agora que o verniz estalou e que o senhor Rodrigues dos Santos resolveu fazer terríveis acusações, ficou a saber-se que, não só se demitiu sem se demitir, como que continua a receber um ordenadinho de 3.000 contitos por mês, coitadinho, e ainda conserva a devida margem para arranjar uma catraca que lhe vai render bom dinheiro se a RTP se quiser ver livre dele. Genial!!!
Também não foi na BBC que aprendeu estas coisas. É que, nos países civilizados, quando um tipo se recusa ao trabalho que lhe é legitimamente destinado, a solução é ir para a rua. É horrível, a “precaridade”, não é?
 
O governo PSD/CDS, pela primeira vez desde a criação da RTP, libertou a estação de grilhetas e influências governamentais. Para certa gente, foi um mau passo.
Nos tempos que correm, ainda não se sabe quem está feito com quem, mas sabe-se para quê. Os intérpretes da independência reconhecida pelo senhor Morais Sarmento têm os dias contados. Ou muito me engano ou vamos voltar a ter uma RPT atenta, veneradora e obrigada. E a pagá-la com língua de palmo.
 
António Borges de Carvalho
 
 

NOTAS DE FIM DE SEMANA

 
CARTA ABERTA AO SENHOR GRANADEIRO
 
Exmº Senhor Granadeiro
 
A propósito da aliança da PT com a Telefónica na Vivo declarou Vossa Excelência, em genial arrancada:
 
      “É mais fácil comer um pudim a meias do que um fardo de palha sozinho”
 
Notável demonstração de sabedoria!
O Irritado permite-se sugerir a Vossa Excelência, maravilha fatal dos nossos tempos, indiscutível caudilho comunicacional, a utilização de outras máximas de grande qualidade intelectual, tais como:
 
Mais vale ser rico e ter saúde do que ser pobre e doente
 
ou
 
Chuva em Novembro, Natal em Dezembro
 
ou ainda
 
A cavalo dente não se olha o dado
 
havendo algumas mais, do mesmo sábio conteúdo, que a propor se não atreve, dado o respeito mental e empresarial de que Vossa Excelência é justo credor.
 
Desconhecendo o sabor dos fardos de palha, o Irritado não se pronuncia sobre este aspecto dos hábitos gastronómicos de Vossa Excelência, mas deseja-lhe, do fundo do coração, as melhores digestões.
 
Saudações telefónicas
 

 
RESCISÕES
 
Em magnífica demonstração de patriotismo e de fair play, a prestimosa instituição que dá pelo petit nom de CGD resolveu rescindir o contrato de publicidade que tinha com o senhor Scolari, fundamentando-se no irreflectido acto praticado pelo dito senhor em resposta à agressão de um balcânico díscolo.
 
Seria óptimo que os desgraçados que recebem o ordenadinho adiantado por obra e graça da CGD lhe fizessem o mesmo, com fundamento na agressão que a brutalidade dos juros que pagam pela benesse sem dúvida representa.


 
EMPRESAS À PORTUGUESA
 
Com todo o respeito pelos simpáticos fabricantes de tintas da nóvel e conceituada empresa que dá pelo nome de “Euronavy”, o Irritado interroga-se sobre os dados estatísticos por ela comunicados ao respeitável público.
 
Vejamos:
O patrão é engenheiro químico, com pós-graduação em gestão.
Muito bem.
A empresa tem 34 colaboradores.
Muito bem.
Gasta 7% não se sabe de quê em I&D.
Óptimo.
33% dos quadros têm formação superior.
Aqui é que bate o ponto. Admitindo que um quadro enquadra 11 ou 12 trabalhadores (o que é pouco), teremos 3 quadros na empresa. Se 33% dos tais quadros têm “formação superior” e se o patrão (o mais alto quadro) é engenheiro, teremos que os 33% são integrados por ele. Assim, ou não há vivalma na empresa com formação superior – o que é o contrário do que a informação pretende inculcar nas nossas pobres mentes - ou teremos os doutores e os engenheiros a misturar tintas ou a lavar o chão - o que também não deve ser o que a publicidade pretende comunicar.
Não é?
 
Nada move o Irritado contra a “Euronavy”, antes pelo contrário. Mas é de temer pelas contas que apresenta, não é verdade?
 
 
INSPECÇÕES
 
Há 152 novos empregos no Ministério da Educação. Trata-se dos “inspectores”, subida espécie biológica que tem a função, como o nome indica, de “inspeccionar”. Inspeccionar o quê? Os professores. Você é bom, você não presta, você é lindo, você é uma besta.
Até aqui, tudo bem. Esgadanhem-se lá uns aos outros à vontade.
 
Mas, meus amigos, estamos em Portugal! Ainda antes de dar início à sua nobre actividade, já os ilustres inspectores, através do sindicato, andam aos gritos. Que é muito trabalho, que não aguentam, que se cansam, que, enquanto não forem admitidos mais polícias, perdão, inspectores, não farão nada, que a profissão tem que ser suspensa até novas admissões, que já estão cansados antes de começar, que trabalhar faz calos (as duas últimas são minhas), etc.
 
Ponhamos as coisas em pratos limpos. Havendo 152 inspectores para inspeccionar e 8.000 professores a ser inspeccionados, a coisa dá 52,63 professores por cada inspector. Havendo 235 dias de trabalho, se um inspector inspeccionar 3 professores por dia, haverá, num ano, 107.160 inspecções, o que dá mais de treze inspecções/ano por professor.
 
Se 3 inspecções por dia é demais para os inspectores, vou ali e já venho.
Se 13 inspecções/ano por professor não chegam, ali vou e já venho.
 
Isto de trabalhar, em Portugal, como é um direito, não obriga ninguém.
 
António Borges de Carvalho

JUSTA INDIGNAÇÃO

 
 
Acho muito bem que os polícias estejam chateados por lhes andarem a cortar as regalias sociais. Quem não estaria?
O problema é que são “agentes da autoridade”, isto é, representam o Estado. Ora, se representam o Estado e o Estado precisa de dinheiro, mais não têm que se submeter disciplinadamente e que, gostosa e solidariamente, contribuir para o chamado “bem comum”. Ou não?
Por que carga de água anda a malta toda a pagar e os polícias hão-de ficar de fora? Ainda não perceberam que vivemos num país socialista, que temos um governo socialista, e que, para o socialismo, os interesses do Estado sobrelevam aos dos cidadãos, isto é, se o Estado (confunda-se ele com a República ou com a Nação, a gosto) está à rasca, os cidadãos (mormente os polícias) têm que pagar? Ainda não perceberam que, para o socialismo, de esquerda ou de direita, se o Estado tem falta de massa, não lhe compete diminuir as despesas mas tão só aumentar as receitas, começando, ou devendo começar, como é lógico, por sacar aos seus próprios agentes? Que diabo, é assim tão difícil de perceber?
Se os senhores polícias não querem submeter-se aos ditames do socialismo, porque é que escolheram a profissão? Se fazem parte da máquina, por que raio hei-de ser eu, e não eles, a lubrificá-la?
 
Considerações idiotas, dirá a mentalidade vigente e o politicamente correcto. E com toda a razão.
 
Dê-se, no entanto, direito de expressão à erradíssima opinião dos que se irritam, e deixe-se que tal gente opine, pelo menos enquanto o socialismo for democrático, como há quem ache.
Os senhores guardas deviam começar por perceber que se tivessem, de entre a população, quem os defendesse ou, por outras palavras, quem deles gostasse, as coisas talvez se passassem de outra maneira.
Ora, meus amigos, quem gosta de polícias?
Os meliantes e quejandos, por definição, odeiam-nos.
E as pessoas de bem? Que razões têm para gostar dos polícias? Gostam, como é normal, de quem as ajuda, não de quem as persegue. Gostariam de conhecer o senhor Silva, polícia de giro, ocupado a proteger os miúdos e as velhinhas, a dizer à Câmara onde estão os buracos onde as pessoas torcem os pés, a ajudar as criancinhas que se perdem dos papás. Gostariam de polícias se eles fossem simpáticos, se a sua existência fosse motivo de bem-estar e de segurança para cada um dos que contribuem para lhes pagar o ordenado. As pessoas de bem gostariam de os ver na rua, a moderar o estacionamento, a impedir despejos e outras selvajarias, a multar quem merece com critérios claros de justiça e equidade.
O que vêm, porém, as pessoas de bem? Polícias na rua, só de pópó, passeando sem cinto de segurança, com um ar imponente, pombalino, a dar, de quando em vez um berro ameaçador a este e àquele, ou a proteger os protegidos de quem lhes paga avenças contra os demais, ou a aplicar uns bloqueadores e fazer uns reboques em sítios onde aparecem quando o rei faz anos, em vez de os vigiar com regularidade e bom senso.
 
É verdade que a nova geração de agentes tem alguma educação. Alguns até sabem mais inglês que o primeiro-ministro. Também é verdade que ganham mal. Mas não é o que acontece a toda a gente? E onde estão? Na esquadra, que tem ar condicionado, ou a passear de automóvel, que é estofadinho. A rua, onde são precisos, é fria e chuvosa no Inverno e faz suar no Verão. Não é?
 
As consequências da filosofia do serviço policial são evidentes e inevitáveis. Ninguém dá um chavo por eles, façam as greves que fizerem, tenham as razões que tiverem.
Talvez, se mudassem de filosofia, a malta os compreendesse e ajudasse. Assim, vão chatear o Camões!
 
António Borges de Carvalho

DEMAGOGIA E PEDAGOGIA

O senhor Vitorino, pessoa respeitável e respeitada, jurista de qualidade, não tem, como é evidente, grandes qualidades de comunicador. O critério que justifica o seu espectáculo semanal na RTP tem a ver com razões de equilíbrio político que se podem compreender. De um lado o senhor Sousa (sousista tido por PSD), do outro o senhor Vitorino (PS propriamente dito).
O interesse da coisa perde-se na arenga monocórdica e professoral, o que faz com que aqueles que ainda não estão dispostos a adormecer prefiram zapar para paragens mais interessantes.
 
O habitual bom senso do soporífero senhor foi ontem perturbado pela eleição do senhor Menezes. Nervoso com uma eventual retoma da oposição, o homem perdeu a cabeça. Assustado com o “populismo”, ultrapassou o senhor Sousa e bateu o record dos comentários ao dizer que vem aí a “demagogia”, à qual o Governo do senhor Pinto de Sousa (Sócrates) terá que opor a “pedagogia”.
Numa manobra de antecipação, qual vidente esclarecido, o senhor Vitorino classifica desde já como demagogia que o PSD vier a fazer, faça o que fizer. E como pedagogia a infrene, desbragada e irresponsável propaganda socrífia.
Lapidar.
 
Na mesma noite, um canal qualquer mostrou o senhor Correia, guru do senhor Menezes, a definir populismo. Mais ou menos assim: o populismo acontece quando um líder utiliza o seu carisma e a sua capacidade de comunicação para fazer promessas que sabe não poder cumprir, ou tecer considerações que o público gosta de ouvir sem curar de as fazer corresponder à verdade.
Se o senhor Vitorino tivesse ouvido o senhor Correia, talvez não tivesse dito o que disse. É que a definição do senhor Correia assenta como uma luva no senhor Pinto de Sousa (Sócrates) e na sua propagandística “pedagogia”.
 
Pobres de nós, a quem não resta senão a esperança de que o senhor Menezes não mergulhe no populismo e na demagogia, já que esperança alguma resta de, a curto prazo,  deixar de viver mergulhados na “pedagogia” do senhor Pinto de Sousa (Sócrates).
 
António Borges de Carvalho

DOS ESTRAMBÓLICOS EFEITOS DO MARXISMO

 
O DN publica hoje uma esclarecedora entrevista como novo director do Museu das Janelas Verdes. Duas páginas. Oito colunas. Título imponente: “O Museu de Arte Antiga não tinha plano de exposições para 2008”. O que, nas palavras do novo director, “é sintomático” da ausência de investigação. Nefando crime.
Trocada a coisa por miúdos, não é bem assim. Estava planeada uma exposição de um escultor. Mas, como era de arte contemporânea (que não é “prioritária”) e chamava público ao museu, como temos “que nos concentrar nas colecções”, haveria, ou haverá, que fazê-la depender “do quadro financeiro”. Quer dizer, jamais terá lugar.
Agora, o que é preciso é “contratar gente” que proponha projectos de relacionados com as colecções”. Ou seja, venham os boys, que os que cá estão (“uma excelente equipa”) não dão as devidas garantias.
 
E a demitida dona Dalila? Nas palavras “da senhora Ministra” apostava “na comunicação”. Leia-se, falava demais. É claro que a senhora “fez um bom trabalho de comunicação e convocação de públicos”. Mas… “temos que ter conteúdos para comunicar”. Isto é, a dona Dalila comunicava inanidades porque não tinha nada para comunicar. Dizia coisas que, embora convocassem público, não tinham “conteúdo”. Leia-se, não tinham o conteúdo que a senhora Ministra queria que tivessem.
 
Depois, o senhor director diz que já descobriu que há “boas teses” “que se debruçam sobre peças da colecção” e que “permitem fazer boas exposições”. Vá-se lá entender. Afinal, mesmo sem contratar nenhum boy, há investigação. Tão boa que até dá para fazer exposições. Em que ficamos? Há investigação ou não há investigação?
Quanto às ditas exposições, “é prematuro” falar nisso. Com certeza. É que ainda faltam dois anos e tal para chegar o ano que vem. Não é?
 
Perguntado porque é que declarou, na sua posse, que o Museu “perdeu” o seu “papel de referência”, o senhor entra em considerações históricas, eventualmente judiciosas, mas não explica porque perdeu o museu tal papel, se é que perdeu mesmo ou que alguma vez o teve.
 
O senhor não faz a mais leve sombra de ideia do dinheiro que vai ter para contratar pessoal, fazer três exposições, lançar internacionalmente o Museu, fazer investigação, etc. blá blá blá. Mas está certo de “a senhora ministra tem consciência desta questão”. Além disso, vai recorrer à “sociedade civil”. Acho muito bem, mas dá ideia que foi no tempo dela (da dona Dalila) que a coisa começou. Foi mesmo, diz o senhor, mas, uma vez que foi tudo “negociado pela tutela”, mérito algum lhe caberá. Não é?
 
E a colecção Rau? Não foi no ano passado? Foi, confessa o senhor. Mas “foi um fenómeno excepcional”. Está bom de ver. Se foi excepcional, qual é o mérito da dona Dalila? E o “tapete oriental”? Isso deve-se ao antecessor da antecessora do senhor.
E pronto. Mesmo o que a dona Dalila terá feito, e que merece elogios, merece-os com vários “mas”.
 
Dona Dalila, concluirá quem ler, andou para ali a ganhar o ordenado ao Estado... e népias. Foi muito bem posta na rua.
 
Ou então, noutra leitura, reconhecer-se-á que o senhor director – qualquer coisa me diz que o homem é socialista ou pior - foi nomeado em nome de projecto nenhum, de orçamento nenhum, de ideia nenhuma. Foi lá posto porque a senhora ministra não ia à bola com a dona Dalila, e pronto. Foi muito bem nomeado.
 
De realçar é o critério, a inteligência, a pró-actividade (como se diz agora, sem se saber lá muito bem o que quer dizer), a preocupação com a cultura, ou seja, a estrambólica política da ministra do governo marxista, ou da ministra marxista do governo.
 
António Borges de Carvalho

UMA NOITE NO CIRCO

O Irritado não é apreciador de artes circenses. Razão pela qual não tem por hábito assistir às semanais saltimbanquices oratórias do mui ilustre professor doutor Marcelo R. de Sousa.
Ontem, porém, não resistiu.
O espectáculo prometia. Como é que a ínclita inteligência descalçaria a bota das previsões malucas que tinha feito nos jornais? Como é que justificaria que os erros fatais, na sua opinião cometidos pelo Menezes, afinal não eram erros? Como é que o habilidoso jongleur apanharia as bolas que, todas, se lhe escapavam das mãos, pondo em risco a universal fama que tanto o nobilita na pátria arena?
 
O espectáculo não desiludiu as expectativas do Irritado. Houve de tudo. A privilegiada mente brindou-nos com voos no trapézio, chicotadas nas feras, dialécticas de palhaço rico/palhaço pobre, girândolas de prestidigitador, acrobacias várias.
 
De substancial, e interessante, ficou a confissão de que, afinal, as massas pêpêdistas/ pêessedistas estavam longe de admirar a forma cirúrgico-cavaquista como o senhor Mendes deu cabo do partido, apoiou o golpe de estado constitucional do dr. Sampaio, atirou para o lixo a Câmara de Lisboa, apoiou a negregada reforma penal do senhor Pinto de Sousa (Sócrates), se baixou reptilmente às parlamentares arrancadas socialistas, distinguiu “arguidos bons” de “arguidos maus”, considerou que uma Câmara minoritária (8/9), sendo do PSD, é ingovernável, e que a mesma Câmara, também minoritária (7/10), sendo do PS, é governabilíssima, ignorou, como se de outrem se tratasse, os governos do seu partido, aldrabou sobre resultados eleitorais, etc. etc. etc.
As massas pêpêdistas/ pêessedistas afinal não são estúpidas. E, embora a solução que lhes era proposta não fosse grande espingarda, consideraram que a continuidade do Mendes seria uma indignidade sem nome. Parabéns. Preferiram a dignidade.
É claro que, para as altíssimas alturas da dourada cúpula do circo onde voa o douto lente, os ganhadores (nos quais, por evidente maldade, insiste em incluir Santana Lopes, miseravelmente injustiçado pelo mendo-cavaquismo) não passam de um bando de populistas, uma gente que se arrasta em infernos pântanos, a cósmica distância do sublime intelecto dos que, de há longo tempo, vêm aplicando o seu saber  na destruição do PSD.
 
Lembro-me de um deputado do CDS, da linha moreirista, o qual, quando eu lhe dizia que, pelo caminho que levavam, se veriam reduzidos a quase nada, me respondia: antes nós, e poucos, do que eles, e muitos. Viu-se o resultado.
Mutatis mutandis, a filosofia é a mesma. Vale (ou valia) tudo, para que “eles” não ganhassem. Mas ganharam.
 
E agora, ó académicos, ó ideólogos, ó donos do saber e da verdade? Ides usar os vossos impagáveis talentos para ajudar o partido, ou ides continuar a pôr a vossa inveja e a vossa malquerença ao serviço do senhor Pinto de Sousa (Sócrates)?
 
António Borges de Carvalho

SENHORES HÁ POUCOS

Há dias, Santana Lopes deu com os pés à morenaça da SIC Notícias. A fulana interrompeu uma entrevista para intercalar um directo com… a chegada do senhor Mourinho a Lisboa! Como se se tratasse de um tsunami em Cascais, do assassinato do Papa ou da morte súbita do Presidente da República.
Santana Lopes mandou a víbora às urtigas e retirou-se de cena.
Haja alguém, neste desgraçado país, que ainda conserve a dignidade suficiente para se opor aos critérios da canalha das televisões.
Para além de Santana Lopes, Senhores há poucos. Deve ser esse o nosso principal problema.
 
A propósito, perante os desmandos dos desgraçados que querem ser chefes do PSD, não falta quem amargamente se arrependa de ter ido na conversa dos barões (Mendes, Machete, Veiga, Cavaco e tantos outros) que levou à queda de Santana Lopes.
Má moeda, senhor professor Cavaco, é aquela que V.Exª ajudou a pôr no governo. Má moeda, senhor professor Cavaco, é aquela que se esgadanha no seu partido, que ficou órfão de chefe e de dignidade.
António Borges de Carvalho

BENESSES

Será verdade que a TMN oferece aos professores, por benesse do governo, computadores a 800 euros, e que os mesmíssimos computadores estão à venda por 499 euros na FNAC, ainda por cima com facilidades de pagamento, coisa que o governo não dá?
Se quiser verificar mais esta magnífica realização do socialismo, vá a
 
http://www.fnac.pt/pt/Catalog/Detail.aspx?cIndex=5&catalog=hardware&categoryN=Hardware&category=computadoresPortateis&scategory=computadoresPortateis&product=4333643071974&minIndex=1&pageSize=8&orderBy=cy_list_price&root=1&products=&template=Template%20Portatil&comp=1
 
e depois faça o seu juízo.
 
Sem mais comentários
 
Irritado

TRAVAR PARA PENSAR

Via email, recebeu o Irritado o texto abaixo. O texto não vinha assinado, e pedia reencaminhamento. O Irritado, por princípio, não considera, não propaga, não reencaminha textos não assinados. Considera até que o anonimato´é um dos cancros sociais que a Internet ajuda a agravar. No entanto, como, substancialmente, está de acordo com o escrito, aqui o cita como se de seu se tratasse.
Aí vai:
TRAVAR PARA PENSAR
Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
 
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais,
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso que. para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, existe TGV França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encomntramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar vinte ou trinta minutos ao Lisboa-Porto à custa de um inventimento de 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do país.
Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).
Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.
Autor desconhecido, publicado sob responsabilidade do Irritado.
António Borges de Carvalho

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