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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

PALERMICES LINGUISTICO-POLÍTICAS

Acreditar que a língua portuguesa tem um grande futuro é coisa que não faz parte das convicções do Irritado. Com a parvoíce do acordo ortográfico ainda menos.
O segredo da expansão da língua inglesa é contrário do “nosso” acordo. Cada um, quer dizer, cada comunidade, fala e escreve inglês como lhe apraz, dentro e fora do Reino Unido. A “mãe pátria” conserva um núcleo fortíssimo de académicos e de universidades que podem servir, e servem, de orientação quanto a uma versão “pura” da língua. Assim, para quem quiser, há sempre uma referência, um recurso. A língua inglesa, por outro lado, é uma língua com poucas regras, uma língua que se aprende de memória, não, como, maxime, o alemão, ou francês e o português, por recurso à gramática. Breve, a língua inglesa é defendida pela liberdade, enquanto a portuguesa “precisa”, no parecer de alguns bem sucedidos políticos e académicos, de um espartilho universal que a “unifique”. A asneira é livre, mesmo ao nível destes altos cérebros.
É evidente que, com acordo ou sem ele, a língua portuguesa viverá e evoluirá de formas diversas nos diversos teatros onde actua. Daí não vem mal, nem ao mundo, nem aos países que falam português, nem a Portugal, nem à língua. A língua que os académicos querem impor nada tem a ver com a defesa do português, por isso o seu futuro será tanto mais sombrio quanto mais o quiserem determinar. Não seria uma póstuma honra para todos nós se, daqui a uns séculos, se pudesse falar de línguas lusas como hoje se fala de línguas latinas? Porque será que os mesmos que tanto se afadigaram em dar independência política aos falantes da sua língua, se histerizam desta forma à procura de um qualquer “colonialismo” linguístico? Porque será que Portugal continua a viver o sonho de um império que deitou pela borda fora, em vez de perceber que o fim do império foi a oportunidade de uma nova universalização, em termos diversos dos do Infante, mas com ambição paralela, como se atreveram a preconizar tantos dos seus proscritos intelectuais? Porque será que Portugal, em vez de alargar horizontes, tende a fechar-se nos estultos limites de uma comunidade linguística que existe quer se queira quer não, para tal não sendo determinantes acordos ortográficos ou loas políticas? Porque será que Portugal insiste na sua própria decadência, que começou com Dom João III, quando deixámos de perceber que o mundo andava para a frente e que nós, se perdêramos a liderança do movimento, podíamos, ao menos, acompanhá-lo?
 
Perguntas que ficam, para reflexão dos leitores do Irritado.
 
António Borges de Carvalho
 

AL(ar)VICES

A propósito desta história da língua, vem à colação uma coisa que ouvi ontem da boca da intelectualíssima e correctíssima senhora dona Clara Ferreira Alves. “Moçambique está completamente colonizado pela África do Sul”, disse a senhora do alto da sua colossal sapiência.
É evidente que, agora como no passado, Moçambique não pode deixar de ter, como principal parceiro e mais óbvia influência, a República Sul Africana. Mete-se pelos olhos dentro. Mas é preciso não ter a mais remota noção do que se passa em Moçambique para não saber que a influência portuguesa já não é influência. É, sim, um dos vectores culturais próprios daquele país, de “expressão moçambicana”, como disse um ministro qualquer lá do sítio. Ou seja, a “portugalidade” deixou de ser uma imposição ultramarina para se transformar numa característica intrínseca dos costumes e da individualidade locais, como, para nós, é a “latinidade”. Falar português é, para os moçambicanos, um precioso factor de unidade nacional e de personalidade social própria. Não é preciso ir ao ponto de  verificar com “orgulho” o gosto deles pelo bacalhau com batatas ou o seu desprezo pelo râguebi e amor ao futebol, a sua no Benfica ou a sua predilecção (os que podem) pela RTP Internacional. Tudo isso faz parte das idiossincrasias locais, não os costumes e cânones culturais sul-africanos, ou as imposições de tratados ou acordos. É assim porque é assim.
Não é sensato incensar a nossa “influência” como se de um novo império se tratasse. Mas também não se pode ignorar a simples verificação dos factos, como, ignorantemente, o faz a poderosa intelectual.
 
António Borges de Carvalho
 

AI O GELO!

Miguel Portas, grande intelectual comunista de origem latifundiária, está aflito com os malandros dos canadianos porque, diz ele, se preparam para vir a tomar conta do novo continente que o aquecimento global (se houver) porá, no Ártico, à disposição da humanidade. Muito bem. O homem vê as expedições canadianas como um acto bélico, uma vez que integram soldados, por acaso os mais preparados do mundo para lidar com aqueles climas, em paz e na guerra. O homem insurge-se contra eventuais alegações em favor de “direitos de extracção” de petróleo, um crime de que os canadianos são, evidentemente, culpados, porque organizaram a tal expedição.
Esquece-se, et pour cause, que os Russos andam há dezenas de anos a fazer o mesmo, que os dinamarqueses querem alargar os seus direitos a partir da Groenlândia, que não falta quem, há anos e anos, ande a tentar abrir o “canal” do Mar do Norte através do gelo, que não há companhia de navegação que não sonhe com ir da América do Norte à Ásia pela rota polar e vice-versa.
Que interessa isso ao grande intelectual? Que interessa que haja países quem vêm como seus os territórios árticos incluídos nas suas duzentas milhas, que haja quem se proponha explorar as eventuais novas potencialidades do planeta de que a humanidade tanto precisa? Nada. Para o grande inteletual, importante é pôr em causa um país ocidental, súbdito, ainda por cima, de Sua Majestade Britânica, acusando-o de belicismo e ganância. Tudo o que sirva para pôr em causa a civilização capitalista é bom, ou seja, acha o homem, pode favorecer o socialismo. Idiota!  
 
António Borges de Carvalho
 
PS. Já agora, que a língua portuguesa está na moda pelas piores razões, valerá a pena dizer ao ilustre comunista que não se diz, nem devia escrever, “fez os canadianos entrarem em polvorosa”, mas sim “fez os canadianos entrar em polvorosa”, que não se diz, nem devia escrever, “seis navios que se propõem aproveitar… para o explorarem… para construirem…” , mas sim “para o explorar” e “para construir”.
Intelectuais e língua portuguesa são coisas que, manifestamente, não jogam uma com a outra.
Nem as bordoadas na língua que o “SOL”crates dá servem de desculpa.
ABC

DO DESVANECIMENTO POLÍTICO

O fantástico socialista (ex-fascista, ex-PPD, ex-ex) J.M. Júdice, conhecido advogado/hoteleiro da nossa praça, está “desvanecido” (sumido, apagado, desbotado, desmaiado, dissipado, ufano, vaidoso, presunçoso) com a amorosa atitude do senhor Pinto de Sousa, que consistiu em re-re-convidá-lo para vir a ser o dono e senhor da zona ribeirinha da cidade de Lisboa. O homem, generosamente, tinha achado que era importante ir almoçar com o senhor Pinto de Sousa, afim de lhe dar parte da modesta intenção de pôr à disposição de Sua Excelência o lugar que ainda não tinha mas era suposto vir a ter.
Entre duas garfadas de filet mignon e dois goles de Chateau Neuf du Pape, antes dos crêpes suzette, o senhor Pinto de Sousa, possuído de profunda generosidade e acendrado amor à cidade e ao seu nóvel camarada, reiterou o convite, disse que tudo estava bem, que até 15 de Abril se constituiria a sociedade de que o hoteleiro ex-fascista seria o impoluto chefe, que mundos de maravilha se esperam de sua futura acção e que, chefiada por ele, pelo Costa e pelo Fernandes, Lisboa, a curto prazo, virá a estar aos pés do senhor, prenhe de gratidão pela sua obra e pelo socialismo.
 
A ver vamos o que esta pessegada da zona ribeirinha vai dar. Para já, o que se passa é o que segue: a Administração do Porto de Lisboa estava, de há anos a esta parte, a realizar nela uma obra notabilíssima. Tal obra causou a inveja do Costa, do Fernandes, da maralha da CML e, como é óbvio, do senhor Pinto da Sousa. Era preciso acabar com ela, buscar os louros onde eles estavam, tomar as rédeas da coisa. Vai ser bonito!
 
António Borges de Carvalho

OS DONOS DA MORAL

Esta história do holandês que fez um filme anti-islâmico faz-me uma confusão do escapeta.
É evidente que o tal filme não contribui para amansar as feras que por aí andam. Até aí toda a gente está de acordo. É evidente que o homem perdeu uma bela ocasião para estar calado, quer tenha razão quer não tenha.
Quando uns tipos fizeram umas caricaturas do Maomé com uma bomba no turbante, levantou-se, no Ocidente, um coro generalizado de repúdio contra as reacções à coisa por parte do fundamentalismo islâmico: estava em causa a liberdade de expressão e a civilização. A turba-multa que, nas ruas de Beirute, de Ramala e mais não sei de onde, queimava as bandeiras dos faróis da Liberdade e dos direitos humanos, mais não era que a barbárie a opor-se à razão. Acho muito bem.
E agora? Agora, o mesmo coro de justamente indignados, indigna-se outra vez. Só que ao contrário. O tal holandês passa a ser o mau da fita, e os fundamentalistas islâmicos os melhores do mundo, com direito ao mais justo repúdio dos insultos do canalha.
Em que ficamos? O tipo do filme é um bandido, os das caricaturas uns heróis? Porquê? É capaz de fazer sentido pensar um bocadinho no assunto, a fim de tentar descobrir quem são, e porquê, os donos da moral.
 
António Borges de Carvalho

O PS TRATA DISSO

O facto de o casamento civil ser um contrato anda para aí nas bocas do mundo. Os comunistas do BE, intelectualmente capitaneados por aquele rapaz, sobrinho do Dias Rosas, que usa o cabelinho à menina de Odivelas, perora que um contrato só é válido se as partes estiverem de acordo. Pois é. Quando as pessoas fazem um contrato de casamento estão de acordo. Até aqui tudo bem.
O problema é que não há contratos que as partes possam rescindir como quiserem nem quando quiserem. A não ser, ou nas condições que o próprio contrato estabelece, ou por ausência de objecto, ou noutros casos que a lei prevê. Não se pode virar costas à outra parte só porque não nos apetece continuar, ou por alegação de que “se alteraram substancialmente as condições que informaram a vontatde das partes” (das duas).
Olhem se os comunistas do BE aplicassem o princípio às leis do trabalho? Talvez não fosse mau. Os patrões, quando lhes apetecesse, poriam na rua os trabalhadores que lhes não agradassem. Os trabalhadores mudariam para a concorrência, vendendo-lhe à vontade o know how do ex-patrão. E por aí fora. Um bom desafio para o BE, não é?
As “questões fracturantes”, como próprio nome indica, servem para “fracturar” a sociedade, ou seja, servem para impedir a sua natural evolução, a paz do devir social e o progresso. A peregrina ideia do BE, logo seguida pela demagogia “social” do PS, não se destina, como as estatíscas comprovam à saciedade, a colmatar qualquer omissão legislativa, isto é, a ir ao encontro de alguma evolução dos costumes. Destinam-se a conquistar tempo de antena e espaço nos jornais. E, se derem ao BE a oportunidade de criar mais problemas do que os que já existem, terá sido atingido, em pleno, o objectivo. Estejam descansados que o PS trata disso.
 
António Borges de Carvalho

FADISTICES


A dona Ana Moura, muito conhecida lá em casa, deu um concerto algures nos EUA, fazendo-se acompanhar, honra das honras, pelo saxofonista do Mike Jeagger, ou coisa do género. Até aqui, muito bem. O saxofone tem boa voz para o fado, como o Rão Kiao há muitos anos demonstrou. Só que… os outros acompanhantes tocavam viola. De guitarra portuguesa, nem sombra. A televisão do Estado considerou a história digna de cinco ou seis telejornais seguidos, na 1 e na 2.
Registe-se.

António Borges de Carvalho

ANALFABRUTISMO

O notável jornal “SOL”crates insurge-se contra o primitivismo analfabruto do senhor Mendes Bota. Até aqui, tudo bem.
O problema é que a folheca, ou quem se insurge, é tão analfabruta como o Bota. Diz o insigne jornalista que “o ridículo é… de difícil plagiamento". Ora toma! Neologismos deste calibre, nem o Bota!
 
António Borges de Carvalho

ENDOIDECERAM!

 
É sabido que o governo do senhor Pinto de Sousa tem transformado a Liberdade numa coisa duvidosa. Um ou outro intelectual digno desse nome, como António Barreto, já o denuncia abertamente, ciente de que, por este andar, não faltará quem comece a pensar que isso de Liberdade pouco quer dizer se nos cercearem as liberdades. Daí a preferir uma ditadura que, excluindo a política das nossas vidas, nos desregulamente o dia-a-dia, vai um pequeno passo.
 
A história das novas normas acerca dos casamentos demonstra que a autoritarite aguda do governo chegou aos píncaros da insanidade mental. Já não se trata de cobrar impostos, mas de entrar na mais horrível das paranóias fiscais. Os tipos ENDOIDECERAM!
Não, não é ridículo, como se diz para aí. É muito pior que isso. É demencial.
 
Quem viu, ontem, armado em secretário de Estado, um rapazola careca, com um fatinho cinzento com bandas de fraque, camisinha branca, e uma inacreditável gravata de cetim verde – impõe-se imitar o chefe, pois – a dizer parvoíces sobre o assunto, ficou com uma ideia clara de que o governo, em bloco, a começar pelo careca e a acabar no senhor Pinto de Sousa, melhor estaria no Júlio de Matos que por aí, à solta, a esmagar as pessoas com a sua abominável paranóia.
 
O pior, meus amigos, é que o nosso nobre povo, que é capaz de sair à rua, aos muitos milhares, para protestar contra coisas basicamente justas, mesmo que canhestras, como a avaliação dos professores, não mexe uma palha para pedir aos tribunais uma junta médica que mande o governo para a reforma, não por desgoverno do país, não por nos estar a arruinar, não por ser autoritário, pesporrente, desagradável, narigudo, prepotente, mas, simplesmente, por não estar no uso de um mínimo de faculdades mentais.
 
Aqui fica a sugestão para um abaixo-assinado a pedir que os internem.
 
ABC

QUEM PENSA NÃO CASA

 
E se a prima da amiga do cunhado do noivo lhe der um penico de esmalte para fazer xixi na noite de núpcias?
E se o homem da mercearia lhe der uma garrafa de espumante?
E se a futura sogra der à noiva um colar de conchinhas?
E se o noivo der uma gorjeta ao motorista do carro que o levar ao copo de água?
 
A perguntas como estas, responderá o governo:
 
a) Deve exigir à prima da amiga do cunhado que meta no embrulho a factura do penico, em três vias, original e duas cópias devidamente autenticadas pelo notário, ;
b) É obrigado a exigir ao homem da mercearia, acompanhada da respectiva guia de transporte em cinco exemplares carimbados, a factura do fornecedor de espumantes e derivados;
c) Tem o “dever de cooperação” de exigir à sogra a entrega da factura do colar, passada pela vendedora de conchinhas da Ericeira;
d) Compulsivamente, tem de guardar um recibo verde, com IVA, passado pelo motorista, pelo valor da gorjeta entregue.
 
E mais impõe a maioria socialista. Terão os noivos de:
 
c) Fazer uma relação nominal e exaustiva dos convidados, especificando as respectivas idades, o número exacto de funcionários públicos e privados, de trabalhadores por conta própria, de desempregados, da orientação sexual de cada um (neste caso para efeitos estatísticos, a entregar à Juventude Socialista e ao Dr. Louça), tudo acompanhado por um gráfico das idades e dos sexos;
d) Especificar os presentes que cada convidado deu, fazendo acompanhar cada um da identificação completa do ofertante, da respectiva factura, da guia de remessa e da guia de transporte, dos justificativos a atestar onde foi o dito buscar o dinheiro para a compra e da conta bancária de cada um, a fim de, praticando assim do “dever de colaboração” com as autoridades e facilitando a estas a investigação de tais contas, a fim de evitar que o casamento seja pretexto para lavagem de dinheiro;
e) Declarar por sua honra quantos croquetes comeu cada convidado – para facilitar esta parte, pode indicar-se apenas a média estatística, em vez da obrigatória lista nominal, isto mediante requerimento a dirigir a Sua Excelência o Ministro das Finanças. O mesmo em relação aos pastéis de bacalhau e aos rissóis, acompanhado dos seguintes dados:
- se os croquetes forem de carne com origem na UE, deve fazer acompanhar o dossier de uma declaração, passada pela direcção geral da veterinária, atestando a origem de tal carne e a sua compatibilidade sanitária, bem como a prova do pagamento do respectivo IVA:
- se for carne de fora da UE, deverá apresentar prova do pagamento dos direitos aduaneiros;
- deve proceder de igual forma em relação aos demais componentes da festividade prandial ou jantarística;
f) Fazer a relação, em detalhe, do vestuário usado pela noiva, tanto na cerimónia como na “saída” e na noite de núpcias, respectivos preços, facturas e origem de cada peça, com identificação completa de cada ofertante, no caso de terem sido objecto de oferta;
g) Convidar para o casamento pelo menos dois fiscais das finanças, devidamente identificados, e fornecer a cada um, gratuitamente, dois croquetes, um pastel de bacalhau, uma tapa e um copo de sumo de tomate;
h) Facilitar, no cumprimento do “dever de cooperação”, as actividades dos fiscais, os quais deverão dançar com a noiva para poder testar a qualidade do respectivo sutian e demais pertences, com o fim de verificar se os mesmos se atêm aos padrões de qualidade e preço declarados nas facturas
 
Opinião
Se, após tomar conhecimento das suas obrigações fiscais, insistir em casar, não há dúvida: é parvo. Em todo o caso, se for mesmo parvo, tome nota do que segue.
 
Nota
As obrigações acima descritas não são exaustivas, não representam na sua íntegra a correcta interpretação das nobres intenções do governo em relação ao seu casamento. Pretendem tão só, dar-lhe uma pálida imagem do carácter verdadeiramente patriótico que o seu casamento pode ter.
 
Sugestões
Se o seu casamento for modesto, faça uma provisão de caixa de 100 a 200 euros.
Se for remediado, aprovisione 250 a 1000.
Se for de estadão, acautele uns 2.500.
Quando os tipos das finanças o vierem chatear, mande-os à merda. Utilize a provisão para pagar a multa, se tiver por bem. Queixe-se, depois, ao Tribunal Europeu dos direitos do homem – abuso de autoridade, inversão do ónus da prova e invasão da privacidade. Em alternativa, poderá queixar-se à secção de psiquiatria da Ordem dos Médicos, pedindo que uma junta especializada examine todos os membros do governo. Poderá também dirigir-se à Direcção Geral de Saúde solicitando mande internar os doidos varridos que para aí andam a dizer que governam, com o argumento de que são um perigo eminente, e evidente, para a saúde pública e para a segurança das pessoas.
Se não fizer queixa a ninguém ficará, pelo menos, com a consciência tranquila. Pagou o que o Estado lhe disse que devia, e não sujeitou a sua dignidade pessoal a ser espezinhada pela corja.
 
Conselho
Pense duas vezes. Não será melhor, se se quiser mesmo casar, dar uma festa de arromba no dia 1, e casar-se sem festa nenhuma, nem vestidos, nem fatinhos, nem prendas, nem padrinhos, no dia 30? Com muitas fotografias. Só os noivos e os pais, o padre ou conservador, para provar às finanças que não houve festa. Também pode trocar os dias. Tanto faz. Desde que não faça festa no dia do casamento nem convide bufos ou tipos do governo.
 
ABC

DOS CRIMES DO SOCIALISMO

Há treze anos, o governo socialista do senhor Guterres mandou parar as obras da barragem de Foz-Côa, onde o Estado (todos nós) já tinha enterrado, ou escavado, uns bons milhões de contos.
À altura, entusiasmado com a descoberta de uns bonecos pré-históricos e empurrado por uma chusma de “arqueólogos” a quem cheirava a tacho, o socialismo achou politicamente correcto esbanjar o nosso dinheirinho em favor da alegada idade dos mamarrachos.
A partir daí, criaram-se não se sabe quantos lugares de directores, subdirectores, técnicos de primeira, de segunda, de terceira, administrativos, motoristas, etc., compraram-se instalações, móveis, viaturas, secretárias, maquinaria diversa, botas e luvas, equipamento científico, hardware e software, e por aí fora. Legislou-se a criação de um “parque arqueológico”, ou coisa que o valha, mais de um museu, e mais, e mais, e mais. Grandes intelectuais foram promovidos, elogiados, agraciados.
Não se sabe quantos milhões haverá a somar aos que foram para o cano com a barragem.
O que se sabe é que ninguém põe os pés na coisa. O pessoal está-se nas tintas para os alegados bonecos dos trogloditas de antanho, e ainda mais para os dos nossos dias. Pois é. Ninguém está para andar aos baldões pelas pedregosas arribas para ver uns bonecos, arriscado a partir uma perna. Só os radicais, e esses não rendem um chavo.
O pessoal da região, privado do trabalho que a barragem lhe dava e viria a dar, foi endrominado com promessas de grande progresso regional. Tudo mentira. Agora, as câmaras protestam porque o governo – mais uma vez socialista – arranjou uma tramóia tal com as contas que estão em risco uns milhões de que estavam à espera, vindos de Bruxelas.
Tudo isto leva à simples conclusão de que quem tinha razão eram os que se propunham cortar umas fatias às pedras e fazer um museu com elas. Hoje, haveria a barragem a produzir electricidade e a dar emprego, mais o tal museu, coisa cómoda e esclarecedora, em vez das picadas alcandoradas pelas ravinas que abertas foram para construir a barragem, à custa dos milhões do povo.
Poder-se-ia pensar que alguma iluminação divina cairia sobre o nobre intelecto do senhor Pinto de Sousa, e que se voltaria atrás, acabando de construir a barragem e fazendo o museu. Cais quê! Nem pensar! Iluminação é coisa que não entra no cérebro do homem. A chulice continuará, a malta pagará, e o crime ficará por expiar. Bonito!
 
António Borges de Carvalho

APONTAMENTO

O dr. Jorge Sampaio declarou não ter saudades da política activa.
Compreenda-se. Docemente reclinado nas facilities da Senhora Dona Amélia - devida e requintadamente restauradas à sua medida - cercado pelo pipilar das avezitas e pelo murmúrio das frondosas árvores da Tapada, o senhor contempla o buliçoso Tejo em suave e delicada meditação. Crime seria perturbá-lo. O que muito nos deve alegrar a todos. Deixe-se estar sossegadinho, dr. Sampaio. A malta agradece.
 
Se vier uma chamada das Nações Unidas, então sim. Ele pôr-se-á, de alma e coração, ao serviço da humanidade. Pode ser que lhe tenha dado algum, quiçá bem pago, impulso de bem-fazer. Mal, já fez que bastasse..
 
ABC

CONTAS PRESIDENCIAIS E CONTAS REAIS

Um dado precioso, para reflexão de V. Exas.:
 
A Presidência da República (orçamento de 2008) custa a módica quantia de
 
16.000.650 Euros
 
Outro dado:
 
A Casa Real espanhola custa ao Estado
 
9.050.000 Euros
 
Ou seja, per capita, os portugueses pagam, pela chefia do Estado
 
sete vezes mais que os espanhóis
 
Aos custos da Presidência, acrescentem V. Exas. agora os das campanhas eleitorais (uns milhõezitos), que se gastam todos os cinco anos, mais o que custam os antigos Presidentes (gabinete, comunicações, economato, automóvel, secretária, motorista, contínuo…), multipliquem por 3 Presidentes vivos, e considerem que, em Espanha, estes custos não existem.
 
Se nos reportarmos aos últimos 30 anos, teremos, grosso modo, que os portugueses gastaram com a Presidência da República mais de
 
Quinhentos milhões de euros
 
No mesmo período, os espanhóis terâo gasto, com a Casa Real
 
Duzentos e setenta e um milhões de euros
 
O afastamento entre as duas somas crescerá brutalmente, como é óbvio, à medida que formos elegendo presidentes e que formos passando os anteriores à reforma.
 
Some-se a estes números a resposta a estas perguntas:
 
- Quem é mais bem representado, interna e externamente: os
   espanhóis ou os portugueses?
- Quem ama o seu Chefe de Estado: os portugueses ou os espanhóis?
- Quantos governos houve nos últimos 30 anos em Portugal?
- Quantos houve em Espanha?
- Quem tem tido mais estabilidade política: Portugal ou Espanha?
- Quem está melhor na vida: os portugueses ou os espanhóis?
- Quem tem problemas orçamentais?
 
… e mais uma interminável série de questões a que, por certo, V. Exas. não deixarão de saber responder.
Se tiverem os neurónios a funcionar a contento, tirem as devidas conclusões.
 
António Borges de Carvalho

NICOLAU TINHA UMA FLAUTA

 
Depois do advento do senhor Pinto de Sousa foi-se gerando no espírito de cada um a sensação, ou a certeza, de que poucas notícias podem já causar espanto. Todos os dias, os jornais se fazem eco das coisas mais inacreditáveis. O que é verdade hoje é mentira amanhã, o que se julgaria impossível, afinal acontece.
 
Apesar disso,  continua a haver coisas que nos põem de boca aberta.
O suplemento de economia do “Expresso”, magistralmente dirigido pelo inacreditável senhor Nicolau Santos, apresentou ontem, como manchete, os milhões que os portugueses enviam para paraísos fiscais. Até aqui, tudo bem. Os paraísos fiscais existem, goste-se ou não são legais, a liberdade de circulação de capitais, felizmente, também o é.
 
Sensacional, no entanto, é o facto, a acreditar no “Expresso”, de o governo do senhor Pinto de Sousa também andar a pôr uns trocos nos paraísos fiscais. Gente que passa a vida a criticar os “criminosos fiscais” que põem o deles a salvo, acaba por ser apanhada com a boca na botija. Interrogada sobre o assunto, segundo o “Expresso”, tal gente diz coisa nenhuma, o que, como é óbvio, confirma a notícia.
 
A coisa encerra outros motivos de preocupação, desta vez não por causa do caroço “fugitivo”, mas pela forma como a é apresentada.
Vejamos.
Rezam as manchetes que “mais de um terço” dos alegados 23,7 mil milhões de dólares em fuga foi “investido por particulares” portugueses. O jornal põe a negro particulares, evidentemente por considerar que, se fosse por entidades públicas, bancos ou quejandos, não teria importância nenhuma. Um favorzinho subliminar ao senhor Pinto de Sousa.
Depois, o suplemento afirma que a verba investida é dez vezes superior à que era em 1997. Não se sabe por que carga de água o distinto jornal foi buscar o ano de 1997 para encontrar um termo de comparação. Mais uma vez, um favorzinho encapotado. É que a escolha de tal ano só pode servir para disfarçar que o exponencial aumento de exportações se deu durante o consulado do senhor Pinto de Sousa, e é uma evidente e directa consequência da política socialista que arruína o país.
A notícia tem outros contornos altamente suspeitos. O “Expresso” faz a conversão dos vinte e três mil e setecento milhões de dólares para euros, e chega à brilhante conclusão de que tal soma equivale a 14 mil milhões, ou seja, põe o euro a valer 1,7 dólares, a “câmbios actuais”. Não se sabe se se trata, realmente, de câmbios actuais, ou se  quem lhe deu tal taxa de câmbio foi alguma bruxa que o senhor Nicolau Santos consultou sobre o futuro do dólar .
A coisa prossegue. Para o senhor Nicolau Santos, os 6,3 mil milhões de euros que os “particulares” puseram off shore equivalem a 10 mil milhões de dólares, o que faz o câmbio descer, de um parágrafo para outro, de 1,7 para 1,58 dólares por euro, ou seja, numa coluna de jornal, o dólar valoriza-se 7,59 por cento!
Demos de barato o facto de o senhor Nicolau Santos achar que 6,3 é “mais de um terço”, quando é quase metade de 14, uma vez que qualquer máquina de calcular, ao dividir 14 por 6,3, encontra 2,33…
Continuando a esta pequena análise, tropeçamos outra vez em favores. Diz o “Expresso” que o caroço em causa seria “praticamente suficiente para pagar o projecto de alta velocidade”. O que serve para enviar aos portugueses a mensagem de que, se o senhor Pinto de Sousa está à rasca para financiar o projecto, a culpa é dos “particulares” que puseram o taco nas ilhas… Notável, não é?
Mas a notícia vai muito mais longe. O senhor Nicolau Santos informa o povo que o FMI diz que há, nas ilhas Caimão - “destino preferido dos portugueses” - 16,4 mil milhões de dólares depositados, ou seja, segundo o senhor Nicolau Santos, 10 mil milhões de euros. Como por encanto, o câmbio passa para 1,64 dólares por euro. Por outro lado, esta informação do FMI equivale a dizer, se a compararmos com os números do “Expresso”, que só os portugueses têm mais dinheiro off shore que a totalidade dos depósitos existentes nas ilhas Caimão!!! Grandes portugueses! Nobre povo!
Somados os diversos investimentos que o “Expresso” diz que os portugueses têm nos paraísos fiscais listados (9, dos 80 existentes), encontramos a verba de 24.035 milhões de dólares, o que pode ser, em euros, o que o senhor Nicolau Santos quiser, uma vez que os câmbios que utiliza são “flutuantes”. Não se compreende, porém, é como é que a soma dos investimentos, feita pelo “Expresso”, dá, com apurada precisão, 23.700 milhões. Uma irrisória diferença de 335 milhões de dólares… E ainda: se os 23,7 mil milhões se referem a 9 paraísos fiscais, dará o “Expresso” de barato os outros 71?
Para chegar aos tais 23,7 mil milhões (que deveriam ser 24.035, segundo a máquina de calcular…) serve-se o “Expresso” das contas nas seguintes off shores: Caimão (16.000 milhões), Jersey (5.100 milhões), Ilhas Virgens Britânicas (1.356 milhões), Antilhas Holandesas (540 milhões), Guernsey (287 milhões), (Gibraltar 290 milhões), Bahamas (210 milhões), Bermudas (162 milhões), e Chipre (90 milhões). Exclui, como já disse, as outras. Mas, ó maravilha, não conta o “Expresso” com a zona franca da Madeira, “através da qual saem 27% das aplicações da banca no exterior” (?).
Os números do “Expresso” fazem inveja à taxa de insucesso escolar em matemática. Melhor dizendo, em mera aritmética.
 
Não vale a pena prosseguir. A não ser para tentar tirar conclusões políticas desta inenarrável pessegada. Para o Irritado, tudo isto não passa de (mais) um “recado”, coisa em que o “Expresso” em geral e o senhor Nicolau Santos em particular são peritos. Assim: as finanças devem estar a preparar-se para uma investida em força sobre os dinheiros em off shores. Daí que seja preciso incutir na opinião pública um ódio visceral, profundo, à coisa. Nem que para isso seja preciso ocupar primeiras páginas, repetir manchetes, manipular números e informações, atirar inexactidões à cara das pessoas, como se isto tudo não passasse de um bando de idiotas. Se calhar, não passa mesmo.
 
António Borges de Carvalho

DA ROUBALHEIRA INSTITUCIONALIZADA

Como se fosse uma grande novidade, um fulano da CGTP divulgou umas contas que demonstram que os portugueses pagam, per capita, mais 53,31 euros por ano de electricidade que os seus “compatriotas” europeus.
O ilustre economista esqueceu-se de referir que as nossas magníficas autoridades continuam a dizer que facturam menos 320 milhões do que deviam, ou seja, que aos tais 51,31 euros deviam, se houvesse “justiça”, ser acrescidos 32. Esquece-se, também, de dizer que, de uma forma ou de outra, acabamos, ou acabaremos, por pagar esses 32 milhões a mais, uma vez que a sacrossanta EDP não pode, como é óbvio, ficar prejudicada no meio disto tudo. Esqueceu-se de mais uma série de pormenores, mas demos isso de barato.
Aliás, não é preciso fazer contas, basta ler as facturas e compará-las com as de França e de outros países “caros”, ou com as da Grécia e de outros países “baratos”, para concluir pela absurda e tirânica exorbitância dos preços da nossa electricidade.
Reconhece o brilhante economista que uma das razões para a carestia é a ausência do nuclear, a mais barata, a mais segura das formas de produzir energia, e uma das menos poluentes, se não a menos poluente delas todas (as chamadas energias alternativas – solar e eólica - se não poluem com CO2, poluem, e não pouco, a paisagem, poluem pela ocupação de áreas absurdas, poluem os bolsos dos cidadãos e produzem pouco, o que é uma “incontornável” forma de poluição económica).
 
Diante deste admirável quadro, o que faz o governo? O que faz a EDP?
Para o governo, o nuclear está fora da agenda, por isso nem se discute. A EDP gaba-se de enxamear o país com florestas de moinhos de vento e de querer ocupar milhares de hectares com painéis solares. Nesta matéria, dizem, somos os maiores. Como sempre.
É o fado: miseráveis, mas os maiores. Já o doutor Oliveira Salazar dizia o mesmo.
 
António Borges de Carvalho


E.T.

                            Uma notinha sobre os combustíveis

- Em 2000, um barril de petróleo custava 63USD, ou seja, 70.00€ (1.00Eur=0.90USD).
- Em 2008, um barril de petróleo custa 100USD, ou seja,
66.6€(1.00Eur=1.520USD).

Dados de 03.03.2008.

         Pergunta estúpida: então porque é que aumentam os combustíveis?

 

PEQUENINOS E ESTUPIDINHOS

Muita gente vai a Bilbau ver o museu que ali foi construído com desenho de Franck Ghery, estrutura que se transformou em indiscutível ex-libris da cidade, e que representa, para ela e para a região uma monumental fonte de receita, directa e indirecta.
Lá está, bem patente, ou “transparente”, como se diz em politicamentecorrectês, quem financiou o projecto, quem pagou a obra, quem a gere, os seus resultados, etc.
Assinale-se antes de mais que a magnífica construção se fica a dever a um extraordinário fenómeno de coesão regional, comum em países de tradição anglo-saxónica mas não tanto na “latinolândia”. Os grupos económicos, os munícipes, as associações, os intelectuais, os mecenas aliaram-se às autoridades e conseguiram financiar uma infra-estrutura cultural e turística que atrai milhões de visitantes e de euros.
Foi preciso visão, arrojo, capacidade de realização. Mas os resultados estão à vista. Quem se lembrava de ir a Bilbau antes de o museu estar a funcionar? Só em negócios ou de passagem se conhecia a cidade, abafada por outras bem mais interessantes.
 
E por cá? Por cá houve um homem que teve uma ideia da mesma grandeza para Lisboa. Esse homem foi Santana Lopes. O local escolhido foi o Parque Mayer. Arquitecto, o mesmo de Bilbau. O financiamento, esse, era mais simples. Chegaria um casino (como os números já provaram) para prover à realização do sonho.
O que aconteceu? Antes de mais, o Presidente da República, dr. Jorge Sampaio, não deixou passar o decreto. Não por se opor a um casino em Lisboa, como se veio a provar, mas porque não queria “aquele” casino, não gostava “daquele” presidente da câmara, não queria “aquela” solução. Ou seja, uma birra. Ou (mais) um favor com que Sampaio nos brindou a todos. Depois, nacional intelectualidade foi pelo mesmo caminho, como era de esperar. O provincianismo bacoco costuma ganhar todas as batalhas. Apesar disso, Santana Lopes perseverou. Longe da pequenez sampaísta e da arrogância intelectualóide, tratou de arranjar uma solução que mantivesse o rasgo, a ambição, a visão de futuro, o respeito pelo futuro da cidade, a sustentabilidade do projecto.
 
São conhecidas as vicissitudes políticas que se seguiram. Não vale a pena rememorá-las. O que vale a pena é notar como o socialismo camarário veio a pôr o arquitecto na rua e a pedir uns projectinhos a uns gabinetes que para aí vegetam. Os resultados já começam a estar à vista. Não se trata de dotar a cidade de uma infra-estrutura que possa ser “atirada à cara” do mundo, como aconteceu em Bilbau. Trata-se, simplesmente, de proteger um mamarracho do modernismo salazarista (o Capitólio), de fazer mais uns apartamentinhos e uns escritóriozinhos, uns “equipamentos culturais”, e de “ligar” o Jardim Botânico à avenida da Liberdade. É evidente que a coisa vai primar pela inviabilidade, pela insustentabilidade, pela degradação. Isto se a chegarem a fazer.
 
A pequenez mental triunfou mais uma vez. Não haverá remédio?
 
António Borges de Carvalho

CHEGA-TE A ELES, OU DOS NOVOS SOCIALISTAS

 
Há já muitos anos, apareceu em cena um ilustríssimo causídico, de seu nome Daniel Proença de Carvalho. Situando-se numa direita politicamente liberal, o homem foi director do Jornal Novo, grande folha de luta contra o totalitarismo do PC e o seguidismo do PS, Presidente da RTP com a AD, talvez ministro (já não me lembro), e muitas outras coisas que não saberei elencar, sempre ligado ao centro ou ao centro direita, ou à “ala liberal” da III República, ou ao que lhe queiram chamar.
Nos últimos tempos, porém, foi tal a atracção que o poder exerceu sobre o douto democrata, ou foi tal o peso da idade, o inevitável colesterol, a chatice da arteriosclerose, ou ainda, na pior das hipóteses, alguma “hipótese” que não me atreverei a formular, que resolveu, primeiro, apoiar o costo-fernandismo lisboeta, depois o regime socretino, o qual, segundo apregoou, é a única alternativa em presença, ou seja, é a desejável alternativa a si próprio.
 
Há mais ou menos os mesmos anos, um jovem jurista, de seu nome José Miguel Júdice, militava com fervor em áreas nacionalistas. Depois, democratizou-se. Apareceu no PSD, onde fez parte de várias alternativas tidas por de direita, colaborou no lançamento do “Semanário”, e em muitas outras coisas ligadas à direita do centro. Prosperou como advogado, armou-se em empresário, fez uma espécie de pousada em Coimbra – que não recomendo a ninguém – meteu-se na indústria dos comes e bebes e, segundo se diz para aí, até comprou um hotel no Porto.
Tal como o colega Daniel, o José, nos últimos tempos, teve um ataque de situacionismo. Primeiro, lá vai ele apoiar o emergente costo-fernandismo. Depois –honni soît qui mal y pense – aceitou uma prebenda  de vastas consequências, ou seja, foi automaticamente convidado pelo senhor Pinto de Sousa para presidir à “zona ribeirinha”, ideia que parece ter ficado pelo caminho por intervenção de SEPIIIRPPDAACS. Mas o convite continua de pé.
 
Não se percebe bem a estrutura mental, ou ideológica desta gente. A estrutura óssea, essa, deve estar com uma tal carga de osteoporose que as espinhas dos senhores perderam a força e se deixaram possuir por uma variedade terrível da doença, a socialistose aguda, que provoca deformação colunar grave, ainda que reversível. A melhor solução para este tipo de doença é, ou seria, uma boa viragem nas caldeirinhas do poder. Este tipo de colunas vertebrais reage muito bem a esta terapêutica, segundo um estudo da universidade de Cacilhas.
 
O Irritado deseja as melhoras aos dois ilustres cavalheiros.
 
António Borges de Carvalho

RECOMENDAÇÃO

Querem um bom livro? Vão a www.independent.org, e comprem “The Che Guevara Myth and the Future of Liberty”, de Álvaro Vargas Llosa.
Mostra à saciedade que as ideias do Guevara se resumem à defesa do poder centralizado – a maior fonte de sofrimento e de miséria para os pobres. Llosa põe os pontos nos is sobre o legado assassino do Che, fundado na subserviência da Lei aos mais poderosos, no esmagamento brutal da dissidência e na concentração do poder nas mãos de uma elite.
É radical e chic andar de Tshirt com a cara do canalha aos gritos contra a pena capital, sem considerar que o homem foi um carrasco ao serviço de Fidel Castro, como o próprio admite no seu diário. O seu interminável rol de assassinatos atinge o clímax no abate de cerca de 400 prisioneiros políticos (há quem diga que foram "só" 200...), quando foi nomeado por Fidel para dirigir a cadeia de San Carlos de La Cabana, após a queda do regime corrupto de Fulgêncio Baptista.
Llosa analisa também os atentados contra a Liberdade perpetrados pela esquerda e pela direita, apontando, fundamentadamente, para a verdadeira revolução que pode favorecer os pobres – a libertação do indivíduo dos constrangimentos do poder estatal em todas as esferas.
 
A não perder.
 
António Borges de Carvalho

PRÓS E PRÓS

 
Mais um brilhante exemplo da “isenção” que o governo do senhor Pinto de Sousa soube introduzir no “serviço” público de televisão.
O último “Prós e Contras” parecia um programa inventado pelo doutor Oliveira Salazar. Uma panóplia de ilustres senhores foi reunida para dar da Nação uma imagem de progresso, de estabilidade económica, de segurança financeira, de riqueza a rodos.
Um ministro do governo, um banqueiro adepto das soluções socialistas para a banca privada, três ilustres manda-chuvas empresariais cheios de caroço, compunham a bancada dos VIP’s. A assistência afinava pelo mesmo diapasão. Chefes de “multinacionais” lusitanas, dos chapéus texanos(!) aos barracões de lata, tudo era festa. Um desgraçado de um rapazola quis, a certa altura, dizer que não era bem assim. Dona Fátima, prontamente, pô-lo na prateleira. Querias, filho, dizer mal do governo? Não querias mais nada? Ele há cada um!
 
Uma vez, um ministro mais ou menos piadético disse que Portugal era um oásis. Durante anos andou a levar pancadaria e a ser ridicularizado por causa disso pela “comunicação social” e pela nacional bem-pensância. E, no entanto, nesse tempo o desemprego era um dos mais baixos da Europa, o crescimento era o dobro do de hoje, as contas do Estado não andavam mal… Chamar-lhe oásis era um exagero, com certeza. Mas tinha alguma razão de ser.
 
Hoje, que estamos no estado em que estamos, o desemprego nos píncaros, centenas de milhar de portugueses a emigrar outra vez, um défice inventado a ser falsamente reduzido, um crescimento ridículo, uma desbragada tirania fiscal, uma segurança quase inexistente, uma justiça em cacos, um ensino aos tombos, há um monte de craques que passa três horas na televisão do Estado a dizer que vivemos no melhor dos mundos, que isso do desemprego é sinal de progresso, que tanto faz crescer um por cento como três, e mais o que lhes veio à cabeça para convencer as pessoas da excelência do senhor Pinto de Sousa e dos seus sequazes.
E não há uma voz, um jornalista, um comentador, que se erga contra a governamentalização da RTP (e, já agora, da SIC, que vai pelo mesmo caminho), contra o optimismo aldrabófono de elites endinheiradas ansiosas por agradar ao governo, contra a manipulação descarada da realidade que pesa sobre todos nós.
 
Quem disse que havia em Portugal massa crítica, líderes de opinião, informação propriamente dita, isenção, uso criterioso do que resta da Liberdade?
 
António Borges de Carvalho

IRRITAÇÕES DOMINGUEIRAS

CAMBADA DE INCOMPETENTES
“Os professores são os bodes expiatórios da incompetência do governo”, disse um tipo qualquer, desses das manifestações. A contrária bem podia ser usada pelo senhor Pinto de Sousa: “ O governo é o bode expiatório da incompetência dos professores”.
E eu, que não sou nem governo nem professor diria: “somos todos vítimas da incompetência do governo e da incompetência dos professores”.
 
 
BIG BROTHER PARLAMENTAR
É evidente que não é bonito que os parlamentares percam o seu tempo a ver pornografia nos computadores que a sociedade põe, generosamente, à sua disposição. A não ser que seja (fosse) para fazer algum estudo sobre tal comércio e a sua influência na saúde mental e sexual da Nação.
Deve ser por isso que uma ignota funcionária, ao que parece poderosíssima (deve ser do PS) resolveu bloquear os ciber sítios onde se publicam as porcarias que os deputados vêm. O que levanta várias questões, qualquer delas muito mais grave que o facto de os senhores deputados terem entretenhas menos “ortodoxas”. Primeiro, para que a tal moralizante criatura saiba o que os deputados vêm, é preciso que tenha acesso ao que eles vêm, isto é, que seja utilizadora de um sistema informático que lhe permite saber para onde liga quem. Segundo, para que a dita funcionária bloqueie seja o que for, é preciso que para tal tenha poder. Quem lho deu? Com que legitimidade? Por alma de quem?
É evidente que quem pode fazer tal coisa, pode entrar no correio de cada um – o que é proibido pela Constituição – e saber dos segredos de cada um, pessoais ou políticos. Sem mandato judicial, sem que ninguém seja suspeito seja de que malfeitoria for.
Se, para os deputados, está em acção esta bigbrotherzinha do parlamento, imaginem o que o senhor Pinto de Sousa e o senhor Gama (inacreditável!) andam a fazer às nossas mensagens, aos nossos amigos, às nossas mulheres…
A fulana deveria, se houvesse lei e ordem, e Democracia, em vez de prepotência e pidismo e autoritarismo, ir parar à cadeia, para já em prisão preventiva e, mais tarde, ao degredo, quiçá na Bielo-Rússia, em Cuba ou similares sítios onde as suas práticas são perfeitamente aceites e louvadas.
Será que Portugal, por este andar, se está a tornar “similar”? A resposta é sim.
 
 
GRANDE CAVACO
 
Andaram para aí os costas, as rosetas, os fernandes e quejandos a gritar que a zona ribeirinha devia ficar sob a alçada da Câmara Municipal de Lisboa. Isto, apesar do evidente e profícuo trabalho que respectiva autoridade legítima tem vindo a fazer ao longo dos anos para pôr os alfacinhas a gozar as maravilhas do Tejo.
Aquela gente quer poder. O que já tem, e que transforma a câmara num burocraticíssimo inimigo público, não lhes chega.
Não, meus amigos, não se trata de fazer com que uma parte substancial dos proventos da APL sejam afectados a fins de qualificação das áreas não afectas ao serviço portuário propriamente dito, de acordo com planos para os quais a Câmara fosse consultada. Trata-se de poder. O poder de transferir para uma entidade arruinada as prerrogativas de poder que estão nas mãos de outra que, excepcionalmente neste pobre país, dispõe de meios financeiros, de tecnologia e de know how para fazer alguma coisa de jeito.
Imagine-se o que seria a zona ribeirinha de Lisboa a ser discutida pelo saco de gatos da CML, com o Fernandes a dar ordens ao Costa, com a Roseta a “consultar o povo”, com a Sociedade Recreativa do Pontapé no Cu a ter o direito de gritar e esbracejar sobre o assunto…
 
Bem fez SEPIIIRPPDAACS em mandar o decreto de volta. Espera-se que as manobras costo-socrafífias não lhe dêem a volta.
 
 
ORTOGRAFIAS
 
Aqui, no dicionário do meu computador, se escrever em inglês, é-me dado escolher entre o inglês do Reino Unido, o inglês da África do Sul, da Austrália, do Belize, do Canadá, das Caraíbas, dos EUA, das Filipinas, da Índia, da Indonésia, da Irlanda, da Jamaica, da Malásia, da Nova Zelândia, de Hong-Kong, de Singapura, de Trinidad e Tobago e do Zimbabué.
Os ingleses não estão nada preocupados com as variantes da sua língua praticados por esta enorme série de países, ainda que com variantes próprias da sua circunstância, das suas raízes históricas e da sua livre e própria evolução. Daí mal não vem, antes pelo contrário, para os ingleses ou para os outros.
Por cá, é ao contrário. Ou por saudade imperial, ou por inultrapassável estupidez, os nossos políticos e os nossos intelectuais têm a estulta pretensão de uniformizar a língua em vez de deixar que ela se enriqueça com os contributos de terceiros a nós ligados por razões históricas e linguísticas. Que mal haveria para esta chafarica se, nos dicionários informáticos, aparecesse português de Portugal, de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Moçambique, de São Tomé, de Timor, ou até de Goa e de Macau? Que mal haveria em dar, electronicamente, ao mundo, a ideia, tão mal espalhada, de que o português é falado em todos os continentes?
 
Lá ratificaram o acordo ortográfico. Contra os mais evidentes interesses da Nação, a bem da afirmação da nossa pequenez, em vez de da nossa grandeza, ou do que dela resta.
A coisa nada me afectará. Jamais utilizarei a “nova língua”. Escreverei como me ensinaram, ficarei fiel à lógica intrínseca que há na minha maneira de escrever a minha língua. Morrerei, certamente, antes que o flagelo do acordo ortográfico tenha produzido o seu monstro. Mas os meus netos, esses, herdarão do senhor Pinto de Sousa e de SEPIIIRPPDAACS uma confusão trafulha que inquinará a sua língua para todo o sempre se algum bom senso não vier a prevalecer daqui até à entrada em vigor da porcaria.
 
António Borges de Carvalho
 

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