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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ENCRAVINHADOS

 

 
O senhor engenheiro João Cravinho, criação intelectual do Secretariado Técnico da Presidência do Conselho (do Professor Marcelo Caetano) - berço de inúmeros cérebros -  e membro ilustre do PS, anda numa fona por causa da sua cruzada contra a corrupção.
Tinha o homem congeminado um sistema qualquer para afrontar a coisa. Resultado, deram-lhe um pontapé pela escada acima e obrigaram-no a aceitar um lugar no BERD, em Londres, onde se encontra, coitado, às voltas com a melhor maneira de gerir o ordenadinho a que as suas investidas o condenaram.
 
O PS tratou-lhe as propostas, ou seja, adoçou-as, deitou o resto para o lixo, e criou mais uma “autoridade”, ou coisa que o valha, ideia de triste memória e comprovada ineficácia. Não é coisa que cause espanto seja a quem for com um mínimo de conhecimento do que é o PS e de como funciona.
Mas o engenheiro resolveu não se calar. Desatou aos tiros aos seus camaradas, dizendo coisas que fazem pensar que eles estão feitos com a corrupção. O camarada Martins respondeu, indignadíssimo, invectivando as invectivas do camarada Cravinho. Também não é coisa que espante.
 
O que espanta é que, tendo denunciado aos quatro ventos que o país vive mergulhado na mais horrível corrupção, o engenheiro, agora, se dê ao luxo de não dizer a que título, onde, quando, como e com quem é que tal e tão indesejável fenómeno se produziu ou produz. Pelo contrário, afirma que jamais fez “acusações genéricas”. Então, se não fez acusações genéricas, se a sindicância que orgulhosamente diz ter ordenado à JAE não deu nada, pelo menos que se saiba, acabamos por, ou não perceber a que corrupção se refere o notável engenheiro, ou por concluir que não há corrupção nenhuma, que foi tudo fogo de vista e quem tem razão é o camarada Martins e o seu pelotão.
 
Uma vez instado a concretizar as suas acusações, o mínimo que o engenheiro podia fazer, sem perder credibilidade, era dizer que tinha apresentado os casos de que suspeita ao Procurador da República. Não o fazendo, objectivamente, pode concluir-se que andou a disparar para o ar com o implícito fim de se tornar incómodo e de ser exportado para Londres, onde o aguardava um dourado fim de carreira.
 
E o resto é conversa.
 
António Borges de Carvalho

SOARES TOTALITÁRIO?

 

A “democracia social”, ou participativa, ou lá o que é, ganhou em Portugal mais um propagandista de peso.
Preocupado com a “modernidade”, o Presidente Soares faz o panegírico da nova filosofia, sem peias, sem rebuço, sem escrúpulo, ao mesmo tempo que condena “o mercado”, o “capitalismo” e as ténues e super controladas alterações, alegadamente de cariz “liberal”, em que a Europa e o mundo têm sido férteis.
 
Ocorre lembrar ao notável político, por exemplo, a “democracia cristã” do CADC, a “democracia social” do fascismo italiano, o socialismo de Hitler, a “democracia” popular da China, o centralismo “democrático” da URSS, o “estado social” da nossa II República.
Todos apostaram na luta sem tréguas contra o liberalismo, o individualismo, o capitalismo.
Todos sobrepuseram o Estado aos cidadãos, em nome do interesse da nação, da classe, da raça, das massas, ou do que muito bem entenderam, desde que em causa ficasse a primazia do homem, a sua liberdade, para além da viabilidade económica das sociedades que se viram objecto, pela esquerda ou pela direita, de tal supremacia.
Todos construíram o seu poder com a desculpa do povo, de cujas necessidades e anseios se tornaram os únicos intérpretes e encarregados, à custa de polícias políticas, censura, assassinatos, genocídios, prisões, torturas.
Ocorre lembrar ao (ex?) grande democrata que não há “democracias”, como as que vem defender, chamem-lhes populares, orgânicas, piramidais, sociais, ou o que se quiser, que não tenham redundado em ditadura.
 
Ocorre lembrar ao insigne cidadão que jamais, à face da Terra, houve, em sentido moderno, liberdade sem capitalismo liberal (capitalismo com primado do Direito).
 
Sabe-se que, em Portugal, a “democracia” participativa, tão defendida por jerónimos, louças, rosetas, alegres, “ecologistas” e quejandos, se salda, para já, na paralisação das decisões, no atraso crónico, na desautorização do Estado Democrático – olhem os professores, olhem os camionistas… Na morte, a prazo, da Liberdade.
As liberdades, essas, levam porrada todos os dias. Um detalhe importante, mas só um detalhe. O essencial virá depois, a reboque de ONG’s, movimentos “cívicos” e coisas do género.
 
É uma pena que o Presidente Soares, na ganância surda de se tornar notado, perca por completo a noção dos valores que, julgar-se-ia, lhe cabe defender.
 
António Borges de Carvalho

AMADINEJÁ, JÁ! KIM IL SUNG LOGO A SEGUIR, OUTROS NA BICHA…

 

A nova política externa de Portugal, baseada nas doutas considerações do grande ministro da economia que temos e do ilustre propagandista externo da Nação (novel converso socialista), é corporizada ao mais alto nível por sua excelência o primeiro-ministro. Abre ao mundo – a um certo mundo – a área de actuação e interesses deste pobre jardim.
Em resultado da filosofia do neo-socialismo, com enorme gáudio do camarada Jerónimo, Portugal dedica as suas atenções, a troco de putativos cobres e de extremosa solidariedade ideológica, a novos amigos e parceiros.
 
Gloriosamente, a Pátria abre as suas portas ao Chávez – é vê-lo, punho ao alto, nas ruas de Lisboa, devidamente aplaudido por um pelotão de Pêcês mobilizado para o efeito -, ao notável bandido da Guiné Equatorial que, igualmente, se passeia na capital, ao inefável Cadafi, que acampa em São Julião da Barra, qual Saladino de pacotilha, para, aí, receber a humilde vassalagem do senhor Pinto de Sousa, ao inigualável Mugabe, personna non grata em toda a civilização que é recebido em Lisboa com todas as honras, para já não falar do Senhor Santos, milionário ditador angolano, que é objecto dos mais espantosos elogios por parte do senhor Pinto de Sousa.
 
O Irritado saúda efusivamente este novo caminho da nossa política externa, não enquanto realpolitik à portuguesa, como se diz por aí, mas como inspirada inflexão neo-socialista em matéria de negócios estrangeiros.
 
Se nos é permitida uma sugestão, propomos o alargamento do mundialismo socretino em que a Nação não pode deixar de, gostosamente, se rever, de forma a abranger  personagens tão notáveis como o inefável senhor Amadinejá e como o benemérito Kim Sung Il. Isto, é claro, sem deixar de fora, para uma desejável segunda fase, outros artistas da mesma igualha, criteriosamente seleccionados.
 
Uma prevenção: há que não incluir Cuba neste bouquet. É que, dizem, por lá, o socialismo já não é o que era…
 
António Borges de Carvalho
 

CARIDADE SOCIALISTA

 

Ao mesmo tempo que se desdobra em contratos com socialistas que outro crédito não merecem senão sê-lo (o que, para o Irritado, é um descrédito), o governo do senhor Pinto de Sousa trata de espalhar a caridadezinha da ordem por outros parceiros, devidamente seleccionados.
Sua excelência o ministro das finanças, numa visita de 24 horas a São Tomé e Príncipe, perdoa-lhe 22 milhões de euros de dívida e declara que vai abrir uma linha de crédito de 50 milhões. Ou seja, num dia, o ministro das finanças gasta nada menos de 72 milhões de euros (20 que nunca receberia mais 50 que jamais receberá), milhões que foi, ou vai, buscar aos nossos bolsos.
Para Angola, a coisa é mais choruda, como se compreende. 500 milhões, ou coisa do género.
Dando muito de barato, somemos a isto o monumental buraco de Cabora Bassa, que nos foi vendido como grande triunfo, e ficaremos com uma noção aproximada do carinho com que o governo trata o nosso dinheiro.
 
António Borges de Carvalho

A SENHORA "PRESIDENTA"

 

 
Contentíssima com a propriedade da Casa dos Bicos que lhe foi concedida pelo senhor Costa, a amantíssima esposa do senhor Saramago vem para os jornais tentar abichar umas obras de “restauro” (e eu que julgava que a Casa dos Bicos tinha sido restaurada aquando da Expo 98!), e mais não sei que artefactos ou “adaptações” que o município, ou o Estado, à nossa custa, não deixarão de lhe proporcionar.
Aproveita a distinta cidadã andaluza para dar uma de feminista: exige que a tratem por senhora “presidenta” (da “fundação” do marido, claro), e não por senhora presidente, palavrão machista e inaceitável.
Não sei se a senhora, por ser estrangeira, tem alguma desculpa para a prosapial patacoada. Sendo, eventualmente, competente para traduzir as obras do José, é certo que desconhece as regras da nossa língua.
 
Mas como, nas cabecitas bem-pensantes, estas coisas fazem o seu caminho (quem sabe se a dona Edite e outras senhoras como as que fazem as edições ne varietur do Lobo Antunes não vão adoptar a “presidenta”?), o Irritado propõe que, desde já, os autarcas passem a “autarcos” e os monarcas a “monarcos”. Para haver moralidade é preciso que comam todos.
 
António Borges de Carvalho

VERGONHA!

 

Não faço a menor ideia sobre se a menina Maddie foi propositadamente assassinada pelos pais, se foi vítima de violência doméstica sem intenção de matar, se morreu acidentalmente, se foi raptada e está viva, se foi raptada e está morta, se quê.
O que sei, toda a gente sabe, é público e notório e foi devida e repetidamente confessado, é que os papás deixaram as criancinhas abandonadas em casa para ir para os copos com os amigos – jantar, dizem eles. E que também que, expressamente, recusaram deixar os miúdos à guarda de uma babysitter.
 
O abandono de menores, em Portugal, é crime, e crime público.
 
Não é extraordinário, nem raro, que uma investigação deste tipo se fique sem chegar a conclusões sobre o principal crime dela objecto. Não nos envergonha nem deixa de envergonhar que a PJ tenha “falhado”. Coisas destas, há-as por toda a parte. E não é escândalo nenhum que os papás, a certa altura da investigação, tenham sido declarados suspeitos, e arguidos.
 
O que é inaceitável, escandaloso, miserável e repugnante é que o Ministério Público não os tenha acusado de abandono de menores.
A partir deste momento, passa a haver “jurisprudência” em Portugal a este respeito. Quem quiser abandonar criancinhas que o faça. Mesmo que elas morram, sejam raptadas, ou que lhes aconteça uma desgraça qualquer que não teria lugar se estivessem acompanhadas, não interessa. São uns heróis. E, se conseguirem, como os papás da inglesinha, arranjar uns milhões à pala do sucedido, pagar um staff, uns directores de imagem, umas secretárias, uns adjuntos, serão, não só heróis como celebridades mundiais. E terão um negocio para se entreter e entreter a malta à custa do acontecido.
 
O senhor PGR, sempre tão pronto a mandar bocas, bem podia ter respeitado a lei, em vez de dobrar a espinha perante a força das relações públicas do casal.
 
Vergonha para todos nós não é a falta de conclusões da investigação, é a forma como o senhor PGR “arrumou” o assunto.
 
António Borges de Carvalho

CONCEITOS

 

Andam para aí os políticos bem-pensantes a defender com unhas e dentes o chamado bio-diesel. Em que consiste esta nova maravilha? Numa alternativa ao petróleo. Toda a gente sabe que a coisa vai ser uma desgraça universal, uma inesgotável fonte de fome e de miséria para o terceiro mundo e de insuperáveis problemas para os outros dois. Mas não interessa. Está na moda e pronto.
A propaganda sobre os meios para evitar o consumo de petróleo é violenta, diária e aterrorizante. Ele é a “mudança de paradigma”, segundo a qual o preço pornográfico da gasolina é um bem uma vez que vai obrigar as pessoas a não andar de automóvel (!), ele é a energia eólica, com custos brutais e indigente produção, ele é o hídrico – e muito bem, se se passasse a dar prioridade aos interesses das pessoas e se aproveitasse os milhões que estão enterrados em Foz-Côa – ele é a mirífica energia das ondas do mar, etc. Tudo, tudo menos o nuclear, que o governo, em mais uma demonstração de inenarrável estupidez, continua a pôr de lado.
 
Vem isto a propósito, calculem, do ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos). Como o nome indica, este imposto incide sobre derivados do petróleo. Eis que, porém, apareceram uns fulanos a meter óleo fula nos depósitos. Parece que a coisa funciona. O fisco ficou aterrorizado. Então há uns malandros, uns seres anti-sociais, que se atrevem a pôr os carros a andar com produtos não petrolíferos? Então há quem se atreva a andar de cu tremido sem pagar impostos?
E tudo se inverte. A política da bem-pensância governamental é deitada para o lixo. Quais alternativas ao petróleo, cais quê? Quem se atreve a encontrar alternativas tem que ser penalizado. Não queriam mais nada? Não vêem que isto das energias alternativas é óptimo para a propaganda do governo mas não serve para resolver problemas às pessoas? E vai de multar os desgraçados que tiveram o topete de se desenrascar.
 
Durante uns tempos, andaram os cobradores de impostos, quer dizer o governo, meio atrapalhados com a coisa. Agora, porém, na lógica infernal da inteligência socretina (que já tinha descoberto como se reduzem impostos que não existem, a fim de os vir a lançar para os reduzir a seguir), descobriu-se um novo conceito de produto petrolífero, onde se integra o óleo fula, e aplica-se-lhe impostos como tal. Não é lindo?
Para efeitos fiscais, parece que tudo o que fizer mover veículos é produto petrolífero.
 
Um aviso: se V. Exª tiver um barco a remos, não tarda que, por cada remada, tenha que pagar imposto… ISP, param ser mais claro. Os seus bracinhos, segundo a filosofia socrélfia, passam a produto petrolífero.
Não, não é brincadeira, lá chegaremos.
 
António Borges de Carvalho
 

DESGRAÇAS

 

 
Um tipo partiu um vidro lá de casa, abriu a janela, entrou e roubou-me o portátil.
Gaita!
A GNR, como é de timbre, foi ao local do crime em grande estilo. Uma tarde perdida, uns papéis, uns escrevinhadores, uns investigadores, uns técnicos da polícia “científica”, etc. Muito obrigado. Provavelmente, se ainda for vivo daqui a dez anos, receberei uma simpática cartinha a dizer que o assunto foi arquivado.
 
Por mor destas infelizes circunstâncias, tive que esperar quase uma semana para, de volta a Lisboa, me encontrar outra vez com o Irritado. E houve tanta coisa a passar-se e a merecer irritações!
Os ciganos e os pretos desataram à porrada, porque a sociedade – nós, os culpados - os fez vizinhos.
A Casa dos Bicos foi entregue, com a pompa da ordem, ao camarada Saramago, sem dúvida merecedor do usufruto desta jóia arquitectónica que a História e o Império nos deixaram e que, dentro em pouco, terá as paredes cobertas de retratos a cores do Che, do Cunhal e de outros democratas da mais fina cepa. Para além do camarada Saramago, o propriamente dito, outro que tal.
Os garotos do PS opinam que o maior problema da Nação é o “casamento” dos pederastas e associados, sem que às rascas cabecitas ocorra nenhum outro assunto que mereça perdas de tempo. O Sapateiro mandou, lá das castelas, um paneleiro (rima e é verdade!), de seu nome Zarolho ou coisa parecida, para, nobremente, teorizar sobre as suas experiência a tardoz e, assim, apoiar mais esta causa do socialismo larilo-juvenil. O senhor Pinto de Sousa achou e acha tudo muito bem.
O Benfica, o Sporting e o Fê Cê Pê empataram com vários mijarucos.
 
Uma injustiça sem nome, isto de o Irritado, perante tão importantes acontecimentos, ter sido privado de meios de comunicação. Assim que sair outra vez de Lisboa, voltará a calar-se. É que isto de comprar um portátil novo não é coisa simples nem barata.
Fui à FNAC. Após meia hora a olhar que nem boi para palácio para as máquinas em exposição, incapaz de decidir, pedi a um senhor que me ajudasse.
- Vá ali para o meu balcão e espere!
Obediente, lá fui. Passado um quarto de hora, desisti da espera e agarrei um tipo de bigode por um braço.
- Ajude-me, por favor…
Caridosamente, o bigodes ajudou-me. Dez minutos depois, tinha tomado uma decisão! Esperei mais um quarto de hora, enquanto o meu ajudante fazia vários telefonemas e preenchia com afã uns formulários. Depois, a mando do tipo, dirigi-me dignamente a um novo balcão. Orgulhoso, levava na mão, qual Camões de manuscrito em punho, um papelucho e uma caixa de plástico com o Windows Vista. A senhora do novo balcão olhou para mim, para o papel, para a caixa, e disse:
- O meu colega que trata disso já vem.
E ali fiquei à espera do colega que trata disso já vem.
Mas não veio. Dez minutos passados a adrenalina começou a apoquentar-me a alma. Vinha em ondas, primeiro de impaciência, depois de fúria. Com um esforço supremo, dirigi-me a um gordo que arrumava gadgets numas prateleiras. Também não era ele quem tratava do assunto.
Cioso da minha integridade física, bem como da do gordo, encostei-me ao balcão e, com muito carinho, depositei nele o papel e a caixa.
Então, sempre a olhar para trás a ver se não vinha ninguém no meu encalço, saí pela porta fora. Vão àquela parte!
 
Moral da história, continuo sem computador, lá, onde o Irritado costuma estar no Verão.
Paciência.
 
António Borges de Carvalho

CASAS PARA O POVO!

 

 
Um esquerdófilo, cujas abomináveis prosas soem, à segunda-feira, dar cabo da última página do jornal privado chamado “Público”, dedica os seus profundos pensamentos de hoje à imperiosa necessidade de disseminar as classes sociais e as minorias étnicas pela cidade, certamente com o nobre intuito de evitar a formação de guetos (pela positiva) ou de obviar à formação de “comunidades” rácicas ou sociais (pela negativa).
 
Tudo bem. Não vou contra. Vivi uns anos em Paris, num bairro fino – o 16eme– e verifiquei a existência desse tipo de “mistura”. No último andar do meu prédio moravam os respectivos proprietários, um casal de emigrantes portugueses, ele padeiro ela mulher-a-dias. Não tinham acesso, nem à entrada principal nem ao elevador. No rés-do-chão havia uma chusma de indianos, ou paquistaneses, ou bangladeshianos, não sei, aos quais o arrendamento não dava, também, direito aos acessos dos condóminos. Ao meu lado, dispondo de dois pisos, morava uma viúva rica, madame de qualquer coisa, que se deslocava de Mercedes com motorista de boné – coisa rara – e se gabava do palacete e d barco que tinha no midi, para além da maison de campgne, em Deauville. A porteira era do Gerês, chamva-se Maria das Dores e era conhecida por Dolores. Tinha sido criada do Giscard d’Estaing, e já tinha comprado, com o marido, o Chico, que tratava do jardim – já lá vai, coitado –, uma chambre e un petit salon, com casa de banho e cuisine américaine. Casinha garantida para a reforma, no mesmo complexo onde há décadas era porteira.
Isto era comum. Ou seja, as chamadas classes menos favorecidas têm, em Paris, duas opções em aberto: viver numa chambre ou num studio no centro da cidade, ou deslocar-se para um pavillon, ou um apartement, na banlieu. Opções que são pagas, como é natural, segundo as posses e as escolhas de cada um.
 
Vejamos agora como é que o esquerdófilo resolve o problema. Propõe um sistema parecido com o parisiense. Muito bem. Só que as casas ou os apartamentos não são determinados pelas posses de cada um, mas é o seu preço o que depende disso. O senhor diz-nos que são as rendas ou as prestações, não o construído ou o local, o que tem que se adaptar aos rendimentos. “Os custos serão” alterados “conforme os rendimentos” dos habitantes.
 
Aqui temos como a utopia mais desbragada e quase demencial pode arrumar à cabeça a solução de qualquer problema. O “direito à habitação” exclusivamente concebido como forma de obrigar a sociedade a prover a tudo e mais alguma coisa, redunda na inviabilidade de qualquer política de habitação. É, no seu melhor, a filosofia socialista, de esquerda e de direita, a mesma que, desde a I República, vem pondo meia sociedade a pagar para a outra meia, através de sucessivas entorses ao mercado de arrendamento.
Todas as obrigações para uns, todos os “direitos” para outros.
O socialismo jamais resolveu fosse que problema fosse.
Os socialistas que, como o Presidente Lula, percebem, minimamente, como funcionam as sociedades, acabam sempre por o meter na gaveta.
É pouco. Da gaveta, pode sempre tirar-se o que lá se pôs. Talvez a pia dos dejectos fosse mais apropriada para guardar essa…
 
António Borges de Carvalho

PINTO DE SOUSA VAI, FINALMENTE, RESOLVER O PROBLEM DA QUADRATURA DO CÍRCULO?

 

Interrogado sobre a momentosa questão da redução dos impostos sobre os carros eléctricos (sobre os quais não há impostos), o gabinete do senhor Pinto de Sousa informou o respeitável público que o imposto, sim senhor, não existe, mas que, mesmo assim, sua excelência se compromete a reduzi-lo.
Perante o aparente absurdo desta informação, pensou o Irritado em rever a sua posição sobre a matéria. O senhor Pinto de Sousa, com certeza, não irá reduzir, como afirmou, o imposto, uma vez que, ao contrário do que disse no parlamento, tal imposto, de facto, não existe.
 
Sempre coerente, porém, o senhor Pinto de Sousa resolveu insistir. Consta que, como ao contrário do que disse no Parlamento, não se pode reduzir, em percentagem, a partir de zero, uma vez que o resultado, como é de estimar, será igual a zero, o senhor Pinto de Sousa chamou a São Bento o seu professor de matemática da universidade independente, a fim de resolver a intricada questão.
O catedrático em causa explicou, tim-tim por tim-tim, que de zero não se pode tirar seja o que for.
 
Mesmo assim, o gabinete de sua excelência insistiu na informação: os carros eléctricos vão, sim senhor, beneficiar de redução do inexistente imposto.
Esta preciosa informação, segundo as agências, será presente ao Congresso Mundial dos Matemáticos, a realizar no MIT de 19 a 23 de Outubro. Nesta reunião, o senhor Vitalino,o senhor Vital e o senhor Silva apresentarão irrefutáveis teses sobre a matéria.
 
Aguardamos serenamente o resultado de mais este contributo do senhor Pinto de Sousa para o saber universal.
 
António Borges de Carvalho

MARAVILHAS SOCRETINAS

 

Em mais uma notável actuação, o senhor Pinto de Sousa prometeu:
 
a)      Presentear com altos benefícios fiscais os carros eléctricos que, a partir de 2011, cruzarão as nossas estradas à estonteante velocidade máxima de 130 Km/hora. Esqueceu-se de que os carros eléctricos estão isentos de impostos. Pelo que, salvo melhor opinião, o governo vai lançar um violento novo imposto sobre os carros eléctricos, para, a seguir, generosíssimamente, fazer um desconto.
 
b)   oFerecer aos estudantes, dos 4 aos 15 anos, um passe social, por metade do preço do actual. Esta medida, para além de profundo interesse social, tem a virtualidade, segundo a douta opinião do primeiro-ministro, de incentivar o uso de transportes públicos. Por conseguinte, os estudantes, entre os 4 e os 15 anos, que, até ao novo passe, iam para a escola de Ferrari (os ricos), de Renault (os remediados) e de Panda (os mais pobres), serão levados a deixar as suas máquinas em casa e a passar a andar de metro, ou de bus, ou de eléctrico.
 
c)      Mexer nas taxas do IMI, de forma a não “castigar” as pessoas com a actual brutalidade. Ao mesmo tempo, anunciou que, assim, o IMI, em vez de aumentar 150 milhões de euros em 2009, vai subir apenas uns modestos 50…
 
d)      Dar aos contribuintes que protestam a extraordinária benesse de poder desfrutar de uma comissão de conciliação, cujas decisões, se forem acatadas e se o contribuinte desistir da reclamação, levarão ao perdão de juros e coimas. O resultado vai ser, ao contrário do que diz a imprensa “económica”, que muitos dos reclamantes, ainda que cheios de razão, vão acabar por pagar o que não devem, só para se ver livres de chatices. Genial!
 
e)      Taxar em 25% os lucros das petrolíferas. Com este golpe de esclarecida inteligência, o Senhor Pinto de Sousa, além de fazer uma vontadinha aos primos comunistas, mata uma série de coelhos sem mexer nos impostos sobre os combustíveis. As petrolíferas são incentivadas a aumentar os preços, como é evidente. Os impostos continuarão a subir sem subir, isto é, se o Estado, com a gasolina a 1 euro, recebia 60 cêntimos por litro e, a 1,5, passou a receber 90 cêntimos, nada melhor para o orçamento que dar às companhias os devidos incentivos…
 
E ainda há quem fale em neo-liberalismo, seja lá isso o que for. Liberalismo é coisa que Portugal nem sonha o que seja. Neo-socialismo, ou socialismo tout court, isso, conhecemos de sobra. Só não se percebe porque não corremos com ele. Se calhar é por não haver, no mercado político, oferta que se veja. Anda tudo no “social”. Inviável, ruinoso, mas “social”.
 
António Borges de Carvalho

SOCIALISMO MUNICIPAL

 

O ilustre arquitecto, amigo de Lisboa e vereador socialista Manuel Salgado confessou aos jornais que é verdade o que o Irritado disse sobre os 2.300 processos de reconstrução de edifícios devolutos que estão a aboborar nos municipais meandros. Confessou que centenas dos edifícios abandonados são propriedade da Câmara.
Para umas coisas, está à espera do PDM. Quem julgava que havia PDM em Lisboa é parvo. Para outras, falta um decreto qualquer. Quem julgava que tinha sido publicada uma lei a este respeito por este governo, é estúpido. Para as obras da Câmara, como é sabido, não há dinheiro. Bem prega frei Tomás…
 
Não se percebe por que raio de carga de água não se sabe o que se pode fazer em zonas mais que estabilizadas, que é onde estão os tais edifícios. Não se percebe como é que se empata (ao quadrado!) os promotores que tiveram a desgraça de comprar os imóveis aos senhorios arruinados pelo socialismo. Não se percebe como é que a Câmara, não tendo dinheiro para recuperar os seus próprios bens, se permite fazer exigências a terceiros.
 
O que se percebe, e que o ilustre vereador defende com unhas e dentes, é que a Câmara quer duplicar o IMI sobre os prédios degradados. Quais prédios degradados? Os que esperam oito e dez anos pela autorização da distinta autarquia para ser reconstruídos? Os que, arruinado o senhorio pelo Estado durante quase um século, ainda não foram adquiridos por algum otário para lhos comprar? Os que, tendo sido vendidos, foram abandonados pelos otários, que se retiraram para os respectivos países, na estulta espera que isto mude?
A pancada virá, meus amigos. A ideia do aumento do IMI vai fazendo caminho na imprensa, repetida à exaustão, como as mentiras do Lenine, até ao dia em que passe a ser decreto. O senhor Costa esfrega as mãos de contente com esta justa perspectiva. Entretanto, a cidade continuará a cair, a arder por obra e graça dos marginais instalados nos prédios, com a Judiciária à procura das culpas dos especuladores, a Câmara à espera de decretos e planos, a burocracia a gozar com o povo, os inquilinos antigos a viver de borla, os inquilinos novos a pagar rendas infernais e os demais a tirar da boca dos filhos para dar à banca, vítimas da política social-financeira que os levou a enterrar-se antes da morte para pagar o apartamento.
 
António Borges de Carvalho

RADARES

 

Dizem os jornais que, desde a implantação dos radares, e apesar de, pelo menos cinco deles, já estarem avariados, foram passadas quinhentas mil multas, sessenta e sete mil das quais no Túnel do Marquês.
 
Duas perguntas mais ou menos estúpidas, a que o politicamente correcto responderá que o Irritado é um troglodita:
 
- Se foram passadas tantas multas, não será que os limites legais são exagerados?
- Como é possível, a horas sossegadas, andar a cinquenta à hora no Túnel do Marquês ou na Avenida do aeroporto?
 
ABC

PROPAGANDISTAS

 

Do leque de propagandistas (pessoas que dizem maravilhas em todas as ocasiões, mentindo ou ocultando a verdade conforme convém) do senhor Pinto de Sousa, destacam-se, a grande distância dos demais:
 
- Os senhores S. Pereira e S. Silva no governo;
- O senhor Vitalino, no Parlamento;
- O senhor Vital, na imprensa.
 
O quadrilátero, como é sua profissional função, desdobra-se, a propósito ou a despropósito, segundo as conveniências do momento, em declarações laudatórias para o chefe e demolidoras para os demais.
 
Não contente com a profusão de recriminações de que a dona Manuela foi vítima no SOLcrates em especial e noutros veículos em particular, o insigne professor Vital publica, no jornal privado chamado “Público”, uma vigorosa diatribe, cujo principal objectivo é demonstrar que, ao contrário do que diz a senhora (“não há dinheiro para nada”), há dinheiro para tudo.
Quem ler com atenção o douto artigo fica com a impressão, ou com a certeza, de que se poderia construir em Portugal o Empire State Building para albergar a ASAE, uma linha de comboio rápido entre a Porcalhota e Jerez de la Frontera, para posterior ligação a Minsk, mais uns quarenta e sete estádios de cento e vinte mil lugares para os campeonatos escolares de berlinde, uma ponte entre Coimbra e Ponta Delgada, isto para citar empreendimentos relativamente modestos, como será, certamente opinião do ilustre académico.
 
O raciocínio é brilhante. Talvez seja, até, um "raciociônio".
 
(lembro-me de, nos idos de oitenta, ouvir o professor, à altura bolchevista, invectivar um deputado do governo com as doutas palavras: “Vossa Excelência não raciociona! Vossa Excelência não raciociona!”)
 
O raciociônio em apreço consiste em dizer que tudo é possível, que há dinheiro para tudo, e que só por “mistificação” e “demagogia irresponsável” se pode afirmar que não o há.
Porquê? Porque, meus senhores, o dinheiro vem de privados, e será pago pelos utentes das obras de propaganda do governo. Ou seja, não sendo dinheiro do orçamento, as contas continuarão equilibradas e não há problema nenhum. A gloriosa panaceia das PPP (parcerias público-privadas) a tudo proverá sem ser preciso aumentar o défice.
Não será preciso ir procurar ao famoso caso das SCUT’s para perceber a aldrabice que isto envolve. Os privados fazem as estradas, o estado – nós – paga a factura e os colossais juros respectivos. Ou então, os privados fazem as auto-estradas tendo presente um determinado cálculo de tráfego, da responsabilidade do Estado. Os utentes pagam as portagens. Se forem poucos, o Estado – nós - paga o resto.
 
Não se lembra o magno propagandista que, mesmo para projectos eventualmente rentáveis, os tais privados se vão financiar, e, não, como é evidente, gastar do seu bolso. Ora, como não há, nos bancos portugueses, dinheiro que chegue, o financiamento tem que vir de fora. A dívida externa, que já é maior que o PIB, aumentará brutalmente, e sem cobertura possível. Quem pagará? Voltaremos a ficar nas mãos do FMI, como nos gloriosos tempos do Bloco Central? Ou, como bom país do terceiro mundo, pediremos de joelhos, primeiro o reescalonamento, depois o perdão da dívida?
 
É evidente que haverá investimentos e investimentos. Por exemplo, quando um investidor se propõe construir uma central nuclear sem despesas para o Estado, trata-se de um investimento que “não está na agenda”. Mas, se proposta vier de algum protegido do senhor Pinto de Sousa, a coisa fiará mais fino. É o que se passa com o desvario eólico, a tenebrosa loucura do bio-combustível, etc.
Não se contesta que as hídricas sejam necessárias. Mas será necessário continuar a deitar para o lixo os milhões enterrados pelo PS em Foz-Coa, e ir gastar outro tanto no Sabor?
O propagandista, a este respeito, nada diz. O que lhe interessa não é incutir alguma lógica, ou mera racionalidade, na escolha e nos limites do investimento a que chama público, mas diz que é privado(!).
Interessa-lhe tão só incensar o senhor Pinto de Sousa e lançar o seu anátema sobre a dona Manuela, nem que seja através de “raciociônios”.
A “raciocionalidade” é que está a dar!
 
António Borges de Carvalho

CALADINHOS!

 

Há umas semanas, foram os militares a ser calados. Se quiserem falar de política, falem lá em casa. Mesmo que estejam na reserva ou na reforma.
 
Agora, são os diplomatas. Nem uma palavra! Podem estar de licença sem vencimento, podem estar reformados, o que quiserem. O que não podem, em circunstância alguma, é falar de política externa em público.
 
Assim se vê a força do PC. Perdão, do PS. São diferentes, mas têm o mesmo pai.
 
A lei da rolha, até se aplicar a todos, vai entrando em casa dos militares e dos diplomatas.
Quem, melhor que os militares, pode falar de defesa?
Quem, melhor que os diplomatas, pode falar de política externa?
Compreende-se que, em exercício de funções, lhes seja exigida discrição, contenção e obediência. Mas, reformados? Reservistas? Valha-nos São Pancrácio!
 
Ao mesmo tempo que desqualifica os homens de amanhã através de exames “à la manière”, o estado socretino deita para o lixo o contributo intelectual que os de ontem podiam dar ao nosso futuro. Depois, venham-nos falar de “qualificação” dos portugueses, do primado do saber, do rigor, da competência e da experiência como esteios desse futuro.
 
Vão aldrabar o caraças! O que eles querem é ver-nos caladinhos e submissos, disciplinados e aduladores, que isto do poder é coisa para respeitar e não bufar!
 
Viva o socialismo!
 
António Borges de Carvalho

JUSTIÇA SOCIALISTA

 

O chamado NRAU – Novo Regime do Arrendamento Urbano – é, talvez, a lei mais estúpida jamais produzida em quase novecentos anos de história de Portugal.
Propositada e socilalisticamente concebida para favorecer o Estado através do aumento do IMI, não favoreceu o Estado, neste aspecto, porque poucos ou nenhuns proprietários meteram a cabeça no cepo para aumentar as rendas às pinguinhas, em dez anos, pagar o IMI aumentado desde já, e fazer obras antes de mais nada, endividando-se para que terceiros vivam melhor. Isto sem contar com as quebras de cobrança de IRS e IRC, que teriam lugar caso houvesse actualizações dignas desse nome.
Não favoreceu os senhorios por que não conduziu, antes pelo contrário, a qualquer actualização de rendas que as pusesse, razoavelmente, em termos de mercado.
Não favoreceu os inquilinos antigos, porque continuam a parasitar e a queixar-se de que vivem mal.
Não favoreceu os inquilinos novos porque, garrotando o alargamento da oferta, fez subir os novos arrendamentos.
Não favoreceu as cidades, porque, não havendo dinheiro, não há recuperações de imóveis.
O resto é conversa socialista, arrogância e iliteracia aritmética.
 
Os montantes que, à luz de políticas “sociais”, o socialismo estatista roubou às pessoas desde o dealbar da I República, davam, não para reconstruir os prédios degradados, mas, pelo menos, para reabilitar Lisboa inteira e construir o aeroporto e o TGV.
 
Há anos, quando o Eng.º (IST!) Viana Baptista alterou uns milhares de rendas, foi estabelecido um fundo de compensação para os inquilinos mais pobres. Esse fundo não chegou aos 5% de utilização, o que nos dá uma pálida imagem da dimensão do “problema”. Hoje, a mera actualização das rendas para valores próximos dos de mercado permitiria que, a partir do IRS cobrado, se constituísse outro fundo com o mesmo destino.
Mas, quando se trata de socialismo, a estupidez é mais forte que a razão.
 
Ontem, uma reportagem referia que há 4.600 edifícios em Lisboa a precisar de recuperação. 400 são da Câmara de Lisboa! 2.300 têm processos de reconstrução à espera de decisão camarária! Os outros 1.900 devem ser de proprietários de tal maneira roubados e de tal maneira tesos, que nem sonham meter-se em trabalhos.
À estupidez do socialismo junta-se a mais desbragada burocracia e a mais despudorada incompetência. Pior ainda, junta-se a prepotência e a ameaça. Ameaça de “posse administrativa”, de “obras compulsivas”, de impostos a dobrar, etc. Há até quem fale em expropriações sem indemnização.
 
Luz ao fundo deste túnel, é coisa que não há.
Uma parte da sociedade, tida por “rica” (e que fosse!), é compulsivamente obrigada a sustentar outra parte, tida por “pobre” (e que fosse!).
Os jovens vão viver para os dormitórios dos subúrbios, encravados até ao pescoço e até ao fim da vida em dívidas monumentais.
A mobilidade das pessoas é cerceada com consequências dramáticas no emprego e na produtividade.
As cidades desertificam-se e esboroam-se sem solução à vista.
O mercado não existe.
O Estado está de rastos mas deita fora eventuais receitas justas, ao mesmo tempo que brutaliza as pessoas com impostos, impostos sobre impostos (em termos de IRS, por exemplo, o IMI só vale 75% do que se pagou), taxas, penhoras, violências sem nome.
 
Mas a República é “social”, ou seja, espalha a miséria, a disfuncionalidade e a injustiça em doses cavalares.
 
António Borges de Carvalho

SEGREDO DE JUSTIÇA

 

O jornal SOLcrates noticia, em manchete de primeira página, que o camarada Jorge Coelho, por causa de um processo qualquer, esteve para ser objecto de uma busca, mas que, por causa de um “acontecimento social”(?), tal busca foi adiada (!).
 
Uma notícia destas parece ser feita para diminuir o camarada Coelho, incluindo a sua ilustre pessoa em investigações criminais.
 
O Irritado, porém, como tem alma retorcida, língua viperina e alguma experiência de jornais, adianta outra explicação: o estranho lead não passa de um recado ao visado, para que se ponha a pau. Como quem diz: olha que eles estão a preparar-se para vasculhar os teus papéis, trata de pôr a salvo o que for preciso!
Assim, o SOLcrates tem manchete para vender e dá ao camarada o recadinho que lhe foi passado por alguém ligado ao processo.
 
A técnica do recado é, desde há muitos anos, prática corrente em certos jornais. Muitas vezes, para bom entendedor, há “notícias” que querem dizer o contrário do que dizem, ou que mais não servem que para levantar lebres em meio aquático. É assim, e acabou-se.
 
Aposto que, desta vez, ninguém vai andar atrás do delator, nem ninguém se importará como mais este atropelo ao sacrossanto “segredo de justiça”.
 
António Borges de Carvalho

DIÁLOGO NO ÂMAGO DO PODER

 

Trrriiim-trrriiim…
- Está…
- É do Gabinete do Senhor Director?
- Faz favor de dizer…
- Daqui Jiripipiango da Costa, assessor de Sua Excelência…
- Como está, Senhor Doutor? Vou passar imediatamente ao senhor Director!
- Obrigado, minha senhora.
 
- Olá! Tá bom?
- Bem obrigado, Senhor Doutor. Em que posso ser útil?
- Meu caro, útil é você todos os dias…
- Mmm… muito obrigado, Senhor Doutor.
- Ora bem, temos aqui um problema. Disseram-nos que a tipa vai à concorrência…
- Sim, sim, é verdade!
- Ora bem. Temos que lhe pagar na mesma moeda.
- Perfeitamente. Claro, é justo… se Sua Excelência quiser… amanhã… altera-se a programação e…
- Tá doido? Qual amanhã, qual carapuça! Depois da entrevista dela! Temos que preparar a coisa para a arrasar, tá a perceber?
- Com certeza, senhor Doutor, tem toda a razão, é evidente! Às suas ordens, Senhor Doutor!
- Bom, antes de mais há que anunciar a coisa desde já, a fim de não parecer que houve encomenda.
- Com certeza, Senhor Doutor, é já hoje! Aliás, não é encomenda nenhuma, já estávamos a pensar nisso… é de toda a justiça, não é? Enfim, o princípio do contraditório…
- Pois, pois. Bom, tratemos agora do guião.
- Do guião?
- Claro, homem, do guião! Acha que Sua Excelência se sujeita a ser entrevistado sem um guião? Ai ai! Olhe o seu lugarzinho! Se corremos com a administração não foi para ter uns tipos a tergiversar sobre coisas sérias!
- Com certeza, Senhor Doutor, tem toda a razão! As minhas desculpas.
- Ora bem. Se puserem lá aquela doida que tem a mania de interromper as pessoas com perguntas estúpidas, apertem com ela. Sua Excelência não tolera impertinências.
- E com toda a razão, Senhor Doutor. Já agora, se me dá licença, pomos lá mais um, para a calar se for preciso…
- Está bem. Boa ideia. Agora, quanto às perguntas.
- Podemos tratar disso, se o Senhor Doutor achar bem.
- Você parece mas é que tem alguma deficiência mental. As perguntas vão daqui, em mão, pelo contínuo. Andamos nós a tratar de introduzir algum respeito na informação pública, e você a querer fazer perguntas à balda! Era o que faltava!
- Desculpe, Senhor Doutor! Juro-lhe que não tinha intenção… enfim… não é…
- Pois, pois. Então estamos combinados.
- Com certeza, Senhor Doutor, cá esperaremos Sua Excelência.
- Bom, se tudo correr bem… pensaremos em si na altura dos prémios de produtividade.
- Muito obrigado, Senhor Doutor.
- De nada. Continuaremos a trabalhar em conjunto a favor da independência da informação pública.
- Com certeza, Senhor Doutor.
- Passe bem.
- Os meus cumpr…
 
Clic.
 
 ABC
 

INDEPENDÊNCIA JORNALÍSTICA

 

 
O SOLcrates de Sábado é uma delícia.
Em três diferentes artigos, o director, o director adjunto e o sub-director zurzem a Dona Manuela como uns leões, e loam a magnífica prestação do senhor Pinto de Sousa.
Melhor demonstração de orientação política do periódico não se pode arranjar. Dona Manuela foi o tema. Não de um editorial, mas de três, ou equivalente. Um autêntico concerto. Sócrates em lá maior, Manuela em si bemol. Maior subserviência ao poder, nem no “Portugal Socialista”.
Dirão os meus críticos que o SOLcrates, para compensar, dá uma página ao Dr. Santana Lopes. Pois dá. Ao fim de uma data de anos a demolir o Senhor, a pisar desapiedadamente os escombros do Senhor, dão-lhe uma página. Sabem porquê? É fácil. Como o Dr. Santana Lopes não ficou contente com a eleição da Dona Manuela, é possível que venha a usar a sua página para a criticar.
Talvez se lixem. O senhor é um Senhor. 
Sim, meus amigos, a luta do SOLcrates não é contra um nem contra o outro. É contra o PSD. Ou seja, é a favor do senhor Pinto de Sousa. Ou seja, do poder.
 
Isenção à portuguesa.
 
António Borges de Carvalho

JUSTIÇA À LA CARTE?

 

 

 
Dizem os jornais de hoje que uma tipa que deixou o filho sozinho em casa foi presa por abandono de criança, o que é um crime público.
 
A ver vamos o que faz a Justiça aos suspeitíssimos senhores MCann. Consta que vai ser tudo arquivadinho. Se assim for, ficaremos a saber que a diferença, no que ao abandono de crianças (pelo menos) diz respeito, está em ser mãe portuguesa pobre ou ser casal inglês cheio de dinheiro, de assessores, de propaganda…
 
António Borges de Carvalho
 
PS. Já agora, uma palavrinha sobre o coro de críticas à Judite que por aí vai, com o pretexto de se não ter encontrado solução para o caso Maddie.
No Reino Unido, mais de metade dos crimes deste tipo ficam sem solução. Mas nunca ninguém se lembrou, por cá, de dizer mal da Scotland Yard.
Uma questão de fadismo?

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