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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CONFISSÕES OLISSIPONENSES

 

Ontem, a dona Clara Ferreira Alves, grande parceira televisiva do Dr. Mário Soares, com quem se passeia pelo orbe à procura de importantíssimas memórias político-turísticas, fez esta extraordinária confissão sobre as benesses que o Costa tem lançado sobre Lisboa:
 
“Trata-se de uma grande obra, só que... não é visível”.
 
Pois é. Como dizia José Marinho, “o visível do invisível é o que aparece”. No caso vertente, como com toda a razão refere a ilustre intelectual, nada aparece. Isto é, se não há visível, é porque também não há invisível.
Por outras palavras, tirando o apoio à Liscont e ao Coelho, o Costa, nem com a ajuda dos seus amigos Fernandes e Roseta, fez fosse o que fosse pela cidade.
 
Sobre os assuntos olissiponenses, outra magnífica confissão foi produzida, desta vez por escrito.
O arquitecto Saraiva, grande inquisidor e militante anti Santana Lopes, em notável acto de honestidade política, reconhece que, no caso do Parque Mayer, foi “uma asneira não aproveitar o trabalho feito por Frank Gehry e não deixar que lá se instalasse o casino”, isto “em nome de um puritanismo bacoco”.
E mais. O grande arquitecto,que passou anos de vida a demoli-lo, confessa que “é preciso dizer que Santana Lopes foi o único presidente até hoje a colocar o problema da habitação no primeiro plano das preocupações do município”.
 
Esquece-se, com política correcção, que a culpa de uma coisa é do PS, do PC e do BE e que, da outra, é do Dr. Sampaio, o pior presidente que Lisboa já teve. Possuído de “puritanismo bacoco” (leia-se, de ódio a Santana Lopes e de invejoso proselitismo), Sampaio vetou o casino no Parque Mayer.
 
Em jeito de conclusão, pense-se no que seria hoje o Parque Mayer, se os milhões do casino por lá andassem a pagar o projecto Gehry.
 
Já agora, em termos eleitorais, o Irritado convida os olissiponenses a tirar daqui as devidas consequências.
 
30.11.08
 
António Borges de Carvalho

PROPOSTA AO SENHOR PINTO DE SOUSA

 

 
 
Aquele senhor que foi ministro das finanças do senhor Pinto de Sousa e que levou com os patins por dizer que ia aumentar os impostos, coisa que o senhor Pinto de Sousa ia fazer mas que, no seu ódio à verdade, não queria que fosse dita, opina que o orçamento de 2009 apresentado pelo governo e aprovado pelo PS, apesar de aumentar os impostos (e a despesa pública...) redundará num défice de 2,4%. Isto se a crise se não agravar...
 
É altura de de propor que o senhor Pinto de Sousa, se quiser ser honesto e coerente, encomende ao Dr. Constâncio um orçamento putativo, como fez há três anos.
E daí, talvez não valha a pena. Ou me engano muito ou o Dr. Constâncio fá-lo-ia outra vez à la manière.
 
30.11.08
 
António Borges de Carvalho

CITAÇÃO

 

 
 
Com a devida vénia:
 
Desde Salazar que nenhum primeiro-ministro havia acumulado, formal ou informalmente, tanto poder como José Sócrates, e provavelmente desde Afonso Costa que nenhum tinha uma noção tão instrumental do uso e abuso do poder.
É, pois, assim que estamos. Não por causa de um “menino de ouro”, mas porque somos pequenos, pobres, acomodados, avessos ao risco e à frontalidade, no fundo, iliberais. O que temos é o que merecemos.
 
José Manuel Fernandes, “Público”, 29.11.08

O INIMIGO

 
 

 
Mal ficaria ao Irritado se não tecesse algumas considerações sobre o artigo desta semana do nosso impagável ex-Presidente Soares.
Desta vez, ao contrário do que é costume, não entrarei em diatribes contra o senhor. É que, feito o diagnóstico da incontinência ideológica que o anima, uma só conclusão é possível: há desafortunados aos quais a idade não perdoa. Poderá ser essa a causa dos dislates soarinos e, nesse caso, o senhor tem desculpa e merece compreensão. Acontece o mesmo a qualquer um.
 
Ontem, afirmava o senhor que, com Obama, os EUA voltam a ser “a terra onde tudo pode voltar a acontecer”, sendo de presumir que tudo de bom. Ou seja, que o senhor Obama, garantidamente, vai resolver os problemas que por aí andam.
Em contraponto com estes maravilhosos acontecimentos futuros, o Presidente Soares vê a Europa “paralisada”, “sem rumo à vista” à beira da “degenaração” e “numa situação perigosíssima”. Parece que voltámos ao tempo do senhor Chamberlain, com o socialista Adolfo à espreita.
As ideias do senhor Brown, por seu lado, não passam de patacoadas de um tipo da “terceira via” que se deixou “colonizar pelo neo-liberalismo que soprava da Administração Bush”.
O plano do senhor Barroso não existe, nem vai ser discutido em Dezembro, nem interessa ao senhor Soares, para bem ou para mal.
A presidência Sarkozy, não passa de “muita parra e pouca uva”.
O, Tratado de Lisboa, agora que a Irlanda se prepara para correr em seu auxílio, vítima que se começou a sentir das suas próprias asneiras, não tem, para Soares, probabilidades de aprovação, “como se previa há meses”.
 
Soares sabe que vêm aí “novos caminhos”, sem saber ao certo quais.
Certo certo, para ele, é que o establishment não poderá “manter-se” e que não se pode conceder que “os velhos rostos cúmplices de Bush” possam subsistir sem mácula, nem “que os responsáveis pela crise possam ficar impunes”.
Daí o seu apelo às esquerdas (excluindo a “terceira via”, claro), “a socialista, a social-democrata, a trabalhista, a verde e mesmo a extrema-esquerda”, para que criem “um novo dinamismo”.
 
Já viram esta mistela de esquerdas a motivar algum dinamismo?
 
O que parece evidente nestes raciocínios do senhor, é que ele terá perdido a noção da realidade e do bom senso e se guiará por meros quão pouco racionais desejos ideológicos. O senhor quer que os anti-liberais de esquerda (também os há à direita, e não são poucos) voltem ao poder pela Europa fora.
No fundo, se calhar, trata-se de catalizar uma profunda frustração ideológica. Coisa que, historicamente, sempre levou a à criação do inimigo, externo ou interno (os judeus, os liberais, a direita, a “terceira via”), a lançar anátemas sobre “os culpados”, a desejar o poder pelo poder e a coisas muito piores, que terei pudor de contar seja a quem for.
 
Que São Pancrácio ajude o Dr. Soares a recuperar alguma serenidade democrática.
 
27.11.08
 
António Borges de Carvalho
 

QUE MAÇADA!

 

 
 
É com o mais profundo pesar que o Irritado observa o estado a que chegaram as relações entre o Louça e o Fernandes.
Tão amigos que eles eram!
Quanta esperança se esvai ao ver a incompreensão e o desentendimento apoderar-se de tão profícua sociedade!
 
O Fernandes,
 
impoluta figura de caloteiro, homem de princípios, corredor de fundo que prejudica mas não paga, ignorante que, a coberto das fantasiosas teorias do inacreditável Ribeiro Telles, se propõe “gerir” o vale de Alcântara mediante o seu entupimento definitivo por um túnel, genial descobridor das espantosas cheias que, a cada passo, se verificam no tal vale sem que ninguém dê por isso, herói que, patrioticamente, em Alcântara, se põe ao serviço do camarada Coelho e, na Praça do Município, do camarada Costa, esquerdista que se repoltreia, brilhante e denodado, nas cadeiras do poder autárquico e que se prepara para a aliança eleitoral com o PS a fim de resguardar o tacho,
 
foi infiel ao mestre Louça,
 
espécie de arcebispo trotskista, de fala mansa e explicada, verrinoso inquisidor, inimigo fatal da liberdade económica - e não só -, que assim se viu encornado - passe a vernácula expressão -, viu postas de lado as suas propostas, viu em causa a vassalagem a que tem inegável direito e metido no cesto dos papéis o genial programa que concebera para Lisboa.
 
Que azar, que tristeza!
 
Estão bem um para o outro. É o que vale.
 
27.11.08
 
António Borges de Carvalho

BOAS NOTÍCIAS

 

Boas novas nos chegam do parlamento. Ou do governo do senhor Pinto de Sousa, via PS. Como queiram.
 
Como os casados se queixavam de pagar mais impostos que os divorciados, os divorciados vão pagar mais impostos. Os casados, para não se armarem em parvos, ficam na mesma.
Os tipos que compram carros em segunda mão no estrangeiro vão pagar mais impostos. Isso da Europa e da liberdade do comércio é uma treta, os oportunistas lixam-se.
Os carros a diesel vão pagar mais impostos. A malandragem que andava a poupar no combustível vai pagar a malandrice.
Os coleccionadores de carros antigos vão pagar mais impostos. Ricaços! Canalhas! Então achavam que estavam a aumentar o património nacional com antiguidades? Toma!
As pensões de alimentos, a 80%, passam a ser taxadas no IRS. Os bandidos e as bandidas que andavam a sustentar duas famílias em vez de uma, passam a sustentar também o Estado! Quem os manda divorciar-se? Infiéis! Os aiatolas é que sabem!
O imposto sobre os carros novos a gasóleo desce 250 euros. Calma, não se excitem! De tal maneira as contas são feitas que esses gasoleosos de má morte passam a pagar mais 750 euros! É que, explica o PS, as receitas diminuíram, porque o pessoal compra menos carros. Por isso, quem compra tem que pagar a diferença. Lógico, pelo menos em cabeças socialistas. É uma forma inteligente de relançar as trocas económicas.
Por fim, em mais uma demonstração da mais formidável inteligência e do grande sentido de justiça que anima as hostes, o PS isenta de IVA os bens destinados a ser exportados, depois de transformados. Isto é, vejam bem, o Estado deixa de cobrar aquilo que, via exportação, era obrigado a devolver! Poupa-se na papelada e não se perde um chavo!
 
No more comments.
 
27.11.08
 
António Borges de Carvalho

VEJA AS DIFERENÇAS

 
 

O senhor Obama está, com os seus áulicos, a tratar de estabelecer um programa com o objectivo de tornar possível a criação de 2.500.000 empregos durante o seu mandato. Muito bem.
 
Agora, veja as diferenças:
 
- O senhor Obama não fez nenhuma promessa eleitoral a este respeito;
- O senhor Pinto de Sousa prometeu 150.000 empregos em campanha eleitoral;
 
- O senhor Obama, depois de eleito, pretende “criar condições” para que um por cento da população encontre novo emprego;
- O senhor Pinto de Sousa, antes de eleito, prometeu ‘criar’ postos de trabalho para um e meio por cento da população, ou seja, mais cinquenta por cento que o senhor Obama;
 
- O senhor Obama, mesmo não acreditando muito nas suas tão apregoadas qualidades, a este respeito foi sério durante e depois da campanha eleitoral;
- O senhor Pinto de Sousa não foi sério, nem durante nem depois da campanha eleitoral;
 
- O senhor Obama veio do Illinois, ou do Haiti, ou da Indonésia, ou lá de onde veio;
- O senhor Pinto de Sousa veio da Beiraialta.
 
Esta última diferença não tem a ver com o assunto, mas não deixa, por isso, de ser verdade.
 
25.11.08
 
António Borges de Carvalho

FANATISMO

O fanático esquerdista Rui Tavares vem - com vasta cópia de referências, da SEDES a Paulo Tunhas (um “filósofo”), de Herman José a Vasco Pulido Valente, do Gato Fedorento a Manuela Ferreira Leite (paralelismos dum raio), de João Pereira Coutinho (um “bobo da corte”) a Rui Ramos – fazer entroncar a “bronca” criada em volta das ironias de dona Manuela num alegado horror dos portugueses à democracia.

No último século, diz ele, “tivemos mais ‘suspensão’ da democracia do que democracia”. Tem razão. Esquece-se de um pormenor importante: quem fabricou tal ‘suspensão’ foi a esquerda republicana do 5 de Outubro, primeiro fazendo confundir democracia com bagunça, terrorismo, prisões arbitrárias, assassínios, etc., depois, por essa via, levando o povo a aceitar, durante muitos anos, uma nova ‘suspensão’, dita de direita mas socialista como a dos seus pares na Alemanha e na Itália. Esquece que, quando se abriu de novo a porta à democracia, foi a esquerda anti democrática, durante quase um ano acompanhada de perto pelo socialismo “democrático”, quem ia dando cabo dela outra vez. Esquece que a História prova à saciedade que não há democracia sem capitalismo liberal, ou seja, sem capitalismo sob o primado do direito. Esquece que jamais existiu essa coisa ilógica que é a compatibilização da democracia com o socialismo. Esquece que as ditaduras do tal “século” da ‘suspensão’ foram, sem excepção, socialistas, à esquerda e à direita, e ferozmente anti capitalistas.
Não são os portugueses que são democépticos, muito menos a dona Manuela. É o socialismo, o tipo de (maus) “sentimentos” políticos que anima os ruis tavares da nossa praça o que acaba por dar cabo, por acção ou omissão, das democracias propriamente ditas.
Nunca terá ocorrido ao Tavares que as amizades cultivadas pelo seu emulado Pinto de Sousa – v.g. Chávez – outra coisa não são senão admiração ideológica mascarada de realpolitik, coisa que, aliás, nos vai custar caríssimo?
 
In short, os tavares da nossa praça esquecem o que lhes convém, fabricam e re-fabricam a História como lhes dá jeito, querem convencer as pessoas que a vida (o capitalismo liberal), não é vida, a não ser que se submeta aos seus desgraçados princípios ideológicos.
 
25.11.08
 
António Borges de Carvalho
 

PATA NA POÇA

 

SEPIIIRPPDAACS*, ao tornar pública a sua indignação por, alegadamente, haver quem o queira meter no caso BPN, perdeu uma bela ocasião para estar calado.
Toda a gente sabe que há vários tipos do PSD metidos naquilo, e que, alguns, se “fizeram” nos tempos de glória do Primeiro-Ministro Cavaco Silva. Mas também está no baralho o grande “gestor” Coelho, que é do PS. A avaliar pelo tremor que atravessa as hostes socialistas, não deve ser o único.
Toda a gente sabe que SEPIIIRPPDAACS não é “homem de negócios”. Jamais seja quem for pensou que o senhor pudesse estar envolvido em trafulhices.
A partir do comunicado da Presidência, esta convicção fica abalada.
 
É o velho caso da mulher de César: não basta ser séria, há que parecê-lo.
 
SEPIIIRPPDAACS é sério, e parece-o. Não precisa de dizer nada. Quando se sente na necessidade de dizer que o é, está, implicitamente, a confessar que não o parece.
Na “alma” de cada um, cria-se esta terrível inquietação: se não parece…
 
24.11.08
 
António Borges de Carvalho
 
*Sua Excelência o Presidente da III República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva.
 
 

SEXOMANIA

 

Assisti ontem ao que, sem sombra de dúvida, foi o mais repugnante programa de televisão da história.
 
Uma “estreia” no “serviço” público de televisão. A nossas expensas, fornecido pela RTP2.
 
Um sexagenária oxigenada e esgrouviada entrevistava três meninas e três meninos, qual delas mais a feia, qual deles o mais bronco. Uma das pequenas usava umas botas de plástico branco, com saltos de meio metro, que fariam a inveja do guarda-roupa de qualquer pornógrafo.
Todos os entrevistados davam claros sinais de iliteracia. A sexagenária, por seu lado, requebrava-se em gestos, muito fina, as mãozinhas a ondular, com o ar de quem está a falar das coisas mais sérias deste mundo, da forma mais séria deste mundo.
Qual era o tema? Sexo! Mas não era um sexo qualquer. Instados repetidamente pela sexagenária, os meninos e as meninas foram unânimes: a juventude deve começar no truca-truca o mais cedo possível, e de forma “democrática”, isto é, as meninas truca-trucam com quem quiserem, quando quiserem. Os meninos também. Ter amigas ou amigos para o efeito, todos ao mesmo tempo, é uma maravilha. Tanto faz que os amigos das meninas sejam meninas como meninos. Tanto faz que os amigos dos meninos sejam meninas como meninos. Os desejos são para satisfazer, desde que haja parceiro. Se não houver, não faz mal. A masturbação resolve o problema. Até há quem a prefira. A pornografia, considerada pelo mais moderado dos meninos (um esteta!), como coisa em que se deve apreciar sobretudo “a arte”, é óptima para quem precise, ou prefira, masturbar-se. Casamentos de homossexuais, como é evidente, também fizeram a unanimidade dos meninos e das meninas.
Nada de contraditório, que nisto de rebaldaria não há quem seja contra.
 
A sexagenária rebolava-se no “écran”, com indisfarçável gozo. Gozo “intelectual”, como é de ver.
 
Há questões que podem ser sérias e interessantes, se tratadas com alguma “altura”.
Mas o primitivismo, a ignorância, a ausência de dignidade, a total falta seja de que parâmetros for, a negação do contraditório, não devia poder ocupar tempo de antena, muito menos em “serviço” público. Enfim, uma demonstração da mais miserável miséria intelectual. O canal da Play Boy, ao pé daquilo, parece a Academia das Ciências.  
 
Ou me engano muito, ou não há “autoridade” que se ocupe destas matérias, nem “provedor do telespectador” que se pronuncie.
 
24.11.08
 
 António Borges de Carvalho

ENGENHARIAS CAMARÁRIAS

 

 Há quatro dias, a CML precisava de cinco milhões de euros/ano para o genial projecto das bicicletas. O PSD chumbou a coisa por se tratar de um balúrdio absolutamente injustificável.
Ontem, a CML fez saber que vai pôr as bicicletas na mesma à disposição do povo. Só que, com certeza por pia intercessão de São Pancrácio Malacueco, desta vez é de borla, ou seja “sem encargos para a autarquia”!
Admitindo, como hipótese de trabalho, que não foi milagre de São Pancrácio, hemos de convir que a engenharia financeira da câmara costo-fernando-rosética é de tal maneira genial que converte cinco milhões em zero de um dia para outro!
Dizem eles que são os anunciantes,mais quem ganhar o concurso(?), quem vai pagar a despeza.
Qualquer coisa me faz desconfiar que alguém tem que pagar ao concorrente vitorioso, o qual, em princípio, não é parvo. Quem? A malta, os munícipes, nós, o povo, directamnte ao parceiro comercial da CML, ou à CML, através de impostos, se o concessionário tiver problemas. Se as contas do Costa estavamcertas, são uns cinco milhões oque vamos pagar. Se não estavam certas, o Costa preparava-se para nos sacar mais cinco milhões, sendo a culpa das bicicletas.
 
Além detudo o mais, a rapaziada deve ser obrigada, mesmo pagando o aluguer do velocípede, a transportar publicidade à ZON, ao Viagra e às telenovelas da TVI.
Noutro sinal de genialiade, CML descobriu que Barcelona, orograficamente falando, é igualzinha a Lisboa. Notável.
 
O Irritado candidata-se, desde já, a ir de bicicleta do Saldanha ao Rossio. Para cima, o Costa que dê às pernas.
 
23.11.08
 
António Borges de Carvalho

APONTAMENTOS DOMINGUEIROS

 

 
Grande notícia! O PC está a perder militantes! Nos últimos três anos foram uns 30% embora.
De tal forma que, para encher a sala do congresso, aqui há tempos foi preciso passar de um delegado por cada cem sócios para um por cada setenta e cinco, e agora para um por cada cinquenta.
Quando chegarmos ao um por um, tipo assembleia geral, então talvez isto passe a ser um país civilizado.
 
*
 
Uma ilustre jornalista (julgo que da SIC) declarou ontem que, segundo um alto especialista na matéria, em 1755 o terramoto destruiu o Cais das Colunas. Esqueceu-se de um pequeno detalhe: em 1755 não havia Cais das Colunas.
Assim se informa o povo.
 
*
 
Uma doutora, com ares de catedrática, narizinho arrebitado, pose de lider de massas, declarou que, em inquérito realizado por especialistas, se chegou à conclusão que os jóvens “desaprovam” a violência entre namorados. Não, não foi lapso, a senhora, por várias vezes ao longo da sua alta prelecção, sublinhou tal “desaprovação”.
O Irritado permite-se, humildemente, lembrar à senhora a existência do verbo reprovar.
 
*
 
O jornal Solcrates declara que o petroleiro que os piratas somalis roubaram está “atracado ao largo” de uma cidade qualquer do golfo de Aden.
Seria de perguntar como é que se atraca ao largo.
 
*
 
O camarada Louça, em vibrante discurso, informou a Nação que o senhor Dias Loureiro mentiu e que o senhor Marta disse a verdade. Deve ter sido a polícia política do BE a fazer tal descoberta. Parabéns.
 
*
 
Pergunta a ignorância do Irritado porque é que os mamarrachos da Torralta em Tróia eram feios, desenquadrados, ecologicamente condenáveis e mereciam demolição, e os mamarrachos da Sonae são coisa de “interesse nacional”.
 
*
 
Dona Manuela,bem como a generalidade dos que “sabem”, declarou que as reformas não se podem fazer “contra” as “classes profissionais”.
A verdade é que, como a experiência demonstra, as reformas se fazem contra as classes profissionais, ou apesar das classes profissionais.
Venha o mais pintado demonstrar o contrário.
 
23.11.08
 
António Borges de Carvalho

... AO INFERNO VAI PARAR?

 

Lê-se no “Expresso” que o senhor Pinto de Sousa distribui computadores às criancinhas das escolas para mostrar na televisão, mas que, depois de retirados os jornalistas, pega nos computadores outra vez e leva-os consigo, para fazer a mesma rábula noutra escola qualquer.
 
Se isto fosse verdade, e se vivêssemos num país civilizado, o senhor Pinto de Sousa já tinha sido liminarmente posto na rua, pelo parlamento ou pelo Presidente da República.
 
Vivemos numa república em que um Presidente põe na rua um governo porque não gosta da cara do Primeiro-Ministro. Isto, com o apoio de quem viria a suceder-lhe.
Quem lhe sucedeu, porém, deve achar muito bem que o primeiro-ministro engane as pessoas em geral e as criancinhas em particular, todos os dias, lhes tire o que disse que estava a dar, desinforme e tenha a vilania de, há quatro anos, insistir nestes métodos sem que nada lhe aconteça.
 
Será que o Presidente Cavaco, na senda do seu ilustre antecessor, correrá com o senhor Pinto de Sousa quando deixar de gostar da cara dele?
 
22.11.08
 
António Borges de Carvalho

DESGRAVATAL PROGRESSISMO

 

Uma distinta plêiade de cavalheiros, na presença do Presidente da República, do primeiro ministro e do Presidente da Comissão Europeia, reuniu na Penha Longa para tratar do ingente problema da globalização. Ninguém saberá o que discutiram, o que decidiram, se é que decidiram alguma coisa, nem se algum efeito prático ou teórico produzirá tal e tão nobre reunião.
 
O que ficou à vista, para além de umas declarações anodinas do Dr.Barroso, foi a vestimenta dos craques.
Alguém deve ter tido a brilhante ideia de dar ordens para que o trajo fosse informal. Daí, as importantes personalidades apresentaram-se de fato escuro, como se fossem jantar a Belém, mas... sem gravata. Todos camisa formal, nada de desportivismos, com o colarinho aberto, tipo compadre alentejano. O resultado prático desta cedência ao Louça, ao BE e ao PC, foi uma inesquecível imagem de um grupo de pirosos mal vestidos. Uma vergonha.
Sem prejuízo de fazer alguma injustiça, os únicos que trajavam com alguma decência eram Philipe de Botton e Ricardo Salgado. Casaquinhos desportivos, a dizer com ausência do pescoçal ornamento, camisas apropriadas.
A reunião, como era de esperar, além de inconclusiva, foi uma demonstração do saloiismo visceral da nossa classe dirigente. Uma tentativa idiota de “dar uma de” progressista, se é que a ausência de gravata tem alguma coisa a ver com progresso.
 
22.11.08
 
António Borges de Carvalho
 
PS. Viram a mesa onde decorreu a brilhante reunião? Nem na sociedade recreativa de Fortes Macucos, a tasca local apresentaria uma coisa tão miserável.

RICOS TESOS

 

Anda por aí toda a gente escandalizadíssima com o pedido, pelo BPP, de um aval do Estado.
Acredito que o tal BPP possa não ter direito à coisa. Ou preenche as normas que regulam tal concessão, ou não preenche. É tão simples quanto isto, ainda que, dado ser o Banco de Portugal a determinar o que vai suceder, a confusão ser de tal ordem que tudo se possa esperar.
 
Fantástica é a razão número um apontada pelos comentadores, do inacreditável Rosas – aquele do cabelinho à menina de Odivelas – ao senhor Relvas, guru de vários Pêessedês.
Dizem eles que, como o BPP é um banco de “ricos”, não tem direito a protecção, porque o dinheiro dos ricos não é coisa que se proteja.
 
Viu-se o que se passou em resultado do PREC: nunca mais, em Portugal, houve dinheiro que se visse. Os ricos deixaram de ser ricos em Portugal e passaram a sê-lo lá fora, mandando para cá uns trocos de vez em quando. Agora, se se seguir os conselhos dos Rosas, Relvas e quejandos, a sangria do PREC terá continuidade. Até os trocos se vão embora.
 
O dinheiro é de quem dele é legítimo dono. Uma coisa é esperar-se, até exigir-se, que tal dinheiro tenha efeitos multiplicativos na economia e no bem-estar da sociedade em geral, outra é lançar sobre ele os anátemas dos partidos comunistas em geral e dos estúpidos em particular.
 
Se o BPP preencher as condições legais para o aval do Estado, pois que, com total objectividade, o aval lhe seja concedido. Se não preencher, que não seja concedido.
Que vá à falência, se disso for o caso. As falências são um dos mais eficazes reguladores do sistema. Se as pessoas “entesarem” por ter investido mal, que entesem. Se for por ser ricas, não.
 
Já agora, a título de apontamento, diga-se que os ferozes inimigos do BPP dizem que, para alé de “injusto”, o aval seria ilegal porque o banco em causa tem “uma quota de mercado ridícula”. O que só prova que, ou não há ricos em Portugal, ou que os ricos afinal não são tão ricos como a inveja do Rosas desejaria.
 
22.11.08
 
António Borges de Carvalho

UMA LIVRARIA A MENOS

 

Por falar em falências, há uma que me entristece, e muito:a da Livraria Byblos. Tratava-se de uma iniciativa meritória e culturalmente importante. Representava aquilo a que o governo costuma chamar “iniciativa de ponta”, ou PIN.
Só que há iniciativas de ponta e iniciativas de ponta. PIN’s e PIN’s. Ninguém viu o ministro da cultura comentar o assunto, muito menos dizer que o Estado ia pôr a mão por baixo da Byblos, a fim de evitar a falência. Por mim, acho bem, ainda que estranhe os critérios governamentais.
 
Um pequeno acrescento. A Byblos, fazendo alarde da disponibilidade de inúmeras tecnologias de ponta, nunca teve um sítio na Net a funcionar a contento. Nunca teve um serviço decente de procura de livros que não fossem de fácil achadura. Nunca acompanhou os clientes nas suas procuras, se tais procuras dessem muito trabalho. Foi por isso que faliu? Não sei. O que sei foi que não deu seguimento a promessas que encheram de esperança uma data de gente.
 
22.11.08
 
António Borges de Carvalho

A LUTA CONTINUA

 

Como era de prever, os recuos da ministra a propósito da monumental pessegada da “avaliação”, não surtiram qualquer sombra de efeito na distinta classe dos “professores”. O olho de xarroco dos bigodes, encarregado do assunto pelo PC, já veio mandar a senhora às urtigas.
 
Calcule-se que ela tinha desistido de “definir metas” e até tinha dispensado os “professores de definir estratégias”. Queira isto dizer o que queira, facto é que “o critério dos resultados escolares e das taxas de abandono, tal como recomendado pelo Conselho Científico(?!) da Avaliação”, ficou sem efeito.
Mas a mesnada do xarroco não está pelos ajustes. Nem pensar. Acaba a avaliação, e acabou-se. Ou então, a luta continua.
 
A senhora prometeu reduzir as aulas observadas de três para duas, só se realizando a terceira se o professor a avaliar assim o entender. A canalha, via xarroco, já respondeu: nem pensar, a luta continua.
 
Numa de simploplex, a ministra resolveu propor a diminuição da papelada, acabar com a “definição dos objectivos individuais”, com a “aplicação das fichas de auto-avaliação(!?)”, e não sei com quê mais. O xarroco disse que não a tudo. A luta continua.
 
É evidente que, quando se abdica da avaliação dos professores pelos resultados obtidos, avaliação feita por terceiros em exames (sem exames não há avaliação de espécie nenhuma), acaba-se com qualquer avaliação digna desse nome.
O governo, via “autoridades” “científicas” e idiotas políticos tipo Silva Pereira, fabricou uma inacreditável pastelada, uma recreação para burocratas e inúteis. No outro extremo, o xarroco, o PC, o BE e o Alegre, cientes da grande oportunidade que é dada à rua pela brutal incompetência do governo, aproveitam para pôr em causa todo e qualquer princípio de autoridade, próprio da Democracia.
 
Se não são iguais são parecidos. Uns, fabricam as “razões” dos outros. Os outros, ao serviço dos que espreitam oportunidades para pôr em causa muito mais que aquilo que as “razões” lhes oferecem, embandeiram em arco, e vai disto.
 
A direita, vítima da sua tradicional estupidez, não se põe de fora.
 
A luta (contra todos nós) continua. Incompetência e revolução de braço dado.
 
21.11.08
 
António Borges de Carvalho

SANTA INTELIGÊNCIA!

 

Ontem, a propósito da dona Manuela, o Irritado referiu-se à crise de neurónios que o CDS atravessa. A crise de neurónios continua. Merece até que nos deixemos de eufemismos: trata-se de pura estupidez.
Desta vez, o CDS vem insurgir-se contra o facto de as notas e o abandono dos alunos ser um dos critérios da avaliação dos professores.
Assinale-se a colaboração do CDS, seja com o governo – para quem tal critério é coisa de segunda – seja com os sindicatos e quejandos – que simplesmente não o querem.
 
Parece que há uma conspiração nacional contra a educação, ou a instrução, como se dizia antigamente. A finalidade única da monumental estrutura do ministério da educação, a formação e instrução dos alunos, nada tem a ver com os seus resultados.
 
Excluindo estes, o que fica?
Fica a pessegada do costume. Os alunos que não sabem nada, são vítimas inocentes de uma sociedade individualista, consumista, em crise de valores. Os professores que não ensinam coisa nenhuma são o bombo da festa da mesma sociedade, do “centralismo”, do “neo-liberalismo”, etc. Só falta dizer que a culpa da ignorância e do insucesso é do George W. Bush.
 
Ninguém tem a responsabilidade, nem a culpa, seja do que for. Por isso, os resultados do ensino não contam para outra coisa que não seja para as estatísticas. Estas, devidamente manipuladas, servem a toda a gente.
Já se sabe que é esta a atitude do governo e dos chamados professores que, gostosamente instrumentalizados pelos condotieri do costume, se dedicam a ser contra tudo o que mexer com a doce paralisia em que gostosamente vivem.
Já se sabe que o governo, que pariu um “sistema de avaliação” que é das mais rebuscadas parvoíces de que há memória, não passa da outra face da mesma moeda.
Já se sabe que os partidos comunistas assistem, felicíssimos, à porcaria que por aí vai.
 
O que não se sabia, nem se podia imaginar, era que o CDS a afinasse por diapasão semelhante. Brada aos céus.
 
Que Santa Engrácia os ajude!
 
20.11.08
 
António Borges de Carvalho

O CRIME DO PADRE BASTOS

 

A começar pelo senhor Pinto de Sousa, passando pelo presidente Sampaio, e com milhares de aficionados, multiplicam-se as manifestações desportivas “de massas”, corridas, corridinhas, corridetas, a pé, de bicicleta, seja lá como for, que a “saúde” é que é bom e, dizem, depende de tais actividades.
Nada contra. Quem corre por gosto não cansa.
O pior é que manda o politicamente correcto que sejam postas à disposição dos tais aficionados instalações de utilidade pública, como estradas, ruas, pontes, etc. Aos aficionados não chegam os estádios, as matas, os descampados. Só correm no asfalto, que é mais cómodo.
A polícia, que, nos dias normais terá por missão regular a fluidez do tráfego nessas infra-estruturas, transforma-se em perseguidora de quem as quer utilizar, e em protectora dos corridistas. Os outros que se lixem. Que esperem. Que cheguem atrasados onde quer que vão. Nesses dias, tudo se inverte. Com enorme entusiasmo, refulgentes de alegria, os corridistas dão cabo da vida ao cidadão comum e são capazes de achar que, como o seu “saudável” exemplo, estão a prestar um serviço à comunidade.
 
Vem isto a propósito de um padre, de seu nome João Bastos, com oitenta e um anos de idade que, instado pela GNR a parar para que os corridistas pudessem divertir-se, não quis parar, nem parou, porque tinha os fiéis à espera dele para a missa.
O velhote meteu-se pela estrada, devagarinho, para não perturbar as correntes e ululantes massas. A GNR catrafilou-o. Anda cá malandro! A coisa acabou no tribunal, o velhote foi condenado a pagar 360 euros de multa, porque tinha perturbado os corridistas.
 
Nestes dias de privilégio corridista, está tudo de pernas para o ar: quem quer usar as infra-estruturas para o fim para que foram criadas, lixa-se. Quem as utiliza para se divertir à custa de quem delas precisa é um herói, merecedor dos maiores encómios e da devida protecção das autoridades.
Dir-se-á que se passa disto um pouco por todo o mundo. O que, para o Irritado, quer dizer que, em todo o mundo, a porcaria é a mesma.
 
20.11.08
 
António Borges de Carvalho

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