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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

AÍ ESTÃO ELES!

 

1.   ESCLARECIMENTO
Aqui há dias, o camarada Tavares, novel deputado europeu do BE, ficou ofendidíssimo numa sessão qualquer quando alguém disse que a organização a que pertence é comunista. O homem esperneou que nem uma pescada no anzol, que não senhor, que o Bloco era socialista cds (como deve ser), jamais comunista, coisa de que, sem razão, o querem acusar.
Para esclarecimento de quem já não se lembra, o Bloco é formado por três organizações: a Política XXI, do senhor Portas (Miguel), fulano que, por várias vezes li e ouvi dizer que é marxista e comunista convicto; o Partido Socialista Revolucionário, do senhor Louça, que é público e notório ser um partido marxista na versão trotzquista (IV Internacional), caracterizada por achar que o senhor Estaline não era suficientemente comunista; e a União Democrática Popular, única organização comunista que apoiava a versão marxista-estalinista-leninista em vigor, aqui há anos, no mais miserável (et pour cause…) país da Europa, a Albânia do senhor Hoxa.
Como é que, com estes três ovos se faz uma omeleta democrática, é coisa que o senhor Tavares não foi capaz de explicar, pela mesma razão que não se consegue explicar a quadratura do círculo.
2.   IMPLORAÇÃO
No seguimento da sua esclarecida posição política, veio o senhor Tavares fazer, no jornal privado chamado “Público”, um dramático apelo aos economistas dignos desse nome, ou seja, aos que não fazem parte nem apoiam os 28 canalhas, todos da direita reaccionária, 28 bestas que nunca fizeram nada de jeito e que cometem o nefando crime de opinar que o seguimento da política de galácticas obras públicas seguida pelo senhor Pinto de Sousa deve ser criteriosamente escrutinada, obra a obra. Implorava o deputado europeu a todos os economistas que não querem que os confundam com tal gente, que fizessem um contra papel, dizendo o contrário.
3.   ACÇÃO!
Teve o nosso homem um êxito quase total. Uns cinquenta tipos, a maioria dos quais muito conhecidos lá em casa, chefiados pela douta batuta do camarada Louça, lá vieram a lume com um arrazoado anti-28. Notável. Só que, para conseguir pôr o saco de gatos de acordo, redigiram um papelucho que, bem lido, diz que “nim”, ou que “sião”, a tudo e mais alguma coisa, no fundo a sangrar-se em saúde pela peregrina tese de dar tudo a todos, num futuro mirífico, sem nada produzir no curto ou no médio prazo, isto é, produzindo ovos galados, que não servem para fazer omeletas. Por isso, comecei por dizer que o homem teve um êxito “quase” total, isto é, conseguiu que parissem um papel que, bem trabalhado, até à dona Manuela é capaz de fazer jeito.        
 
CONCLUSÃO
O BE está a lançar escadinhas ao PS. Afinal, se o PS ganhar, é capaz de, finalmente, ir buscar a rapaziada do BE para uns ministérios e uns conselhos de administração, talvez o do TGV ou o de alguma ponte rodo-ferroviária para Ponta Delgada. Aí é que o taco vai estar, gaita! O discurso oficial manter-se-á o mesmo: o BE é independente, jamais estará com o PS porque o PS não é suficientemente à esquerda. Mas, se for preciso, se a Pátria assim o exigir, o Tavares, o Louça e quejandos, coitados, ver-se-ão obrigados a sacrificar-se e a brindar a Pátria com os seus luminosos pensamentos, princípios e empregos.
28.6.09
António Borges de Carvalho

Ó BAVA, GRAMEI À BRAVA!

 

Com o rigor que os interesses do patrão impõem, a RTP chamou de urgência o senhor Bava (raio de nome), a fim de que a população ficasse esclarecida acerca da compra de 30% da TVI pela PT. A coisa foi apresentada à Nação como se tivesse sido o senhor Bava a pedir para lá ir. No entanto, quem o viu e ouviu, ou é estúpido ou percebeu que o homem estava lá pelos cabelos, apostado em virar o disco e tocar o mesmo, durasse aquilo o tempo que durasse.
O mais engraçado é que a rapariga tinha, com certeza, ordens expressas para sacar do homem a “verdade” de que o governo estava à espera. Nem pensar! A loira perguntou-lhe dezenas de vezes se a PT tinha, ou não, falado com o governo, e se o governo tinha aprovado a operação. O homem, dezenas de vezes, despejou a cassette, que a PT está carente de “conteúdos”, que compete à comissão executiva dar alegrias aos accionistas, que o conselho da(sic) administração é que manda, que vai haver montes de canais para o povo, montes de produtos para vender aos 250 milhões de falantes da língua-mãe, etc. Quanto a conversas com o governo, “nim”. O homem, coitado, ou não percebeu a pergunta, ou não sabe o que é o governo, ou “os gajos que se desenrasquem, não me chateiem com as borradas que fazem”.
E assim foi. Queriam que ele dissesse que o senhor Pinto de Sousa não sabia de nada? Vão-se lixar! Queriam que dissesse que o que o senhor Pinto de Sousa diz é verdade? Não queriam mais nada? Nem que tenha que passar a noite aqui a responder a alhos com bugalhos, ninguém ouvirá nada da minha boca!
Qualquer coisa me sussurra que, se o senhor Pinto de Sousa não for rapidamente posto na rua, o senhor Bava tem os dias contados.
Só mais uma pequena nota sobre esta comédia. O actor principal, que, com inteira razão, se acha o centro e a origem de tudo, já veio, espertíssimo, sangrar-se em saúde. Como? Declarando o seu entusiástico apoio à compra pela PT, a fim, ou de se afirmar de pedra e cal na TVI, ou de se tornar mais caro quando o quiserem pôr na rua. Bem visto. Uns maravedis para o Moniz!
26.6.09

António Borges de Carvalho

INFORMAÇÃO À MODA DO PS

 

Hoje, era para aí meio-dia, abri o browser. Sapo – Portugal on line, jornal electrónico. As últimas da véspera e da noite. Curiosamente, segundo a primeira página desta influente publicação, a Drª Manuela Ferreira Leite não tinha dado à SIC a entrevista que todos nós julgávamos ter visto. À tarde, insisti. A entrevista da senhora continuava a não constar. Quem paciência tiver, compare com as edições do mesmo jornal quando o senhor Pinto de Sousa deu uma entrevista ao mesmo canal, à mesma hora e à mesma jornalista. Assim verão o que é a informação nas mãos do PS.
A coisa pareceu-me estranha, de tão inopinada e absurda. Depois, pensei um bocadinho. Ora o “Sapo”, cujas qualidades O Irritado não usa pôr em causa, é pertença da PT. Estão a ver? A senhora, com carradas de razão, tinha acusado a PT de estar a prestar um serviço ao senhor Pinto de Sousa, na medida em que, propondo-se comprar a TVI aos castelhanos da Prisa, outra coisa não estava a fazer senão arranjar uma catraca para aceder ao poder na estação e correr com o senhor Moniz e a sua excelentíssima esposa do poleiro onde estão. Não será, por isso, arriscar muito, se dissermos que a PT recebeu as devidas ordens da golden share para fazer sobre o assunto o silêncio possível.
Quando a TVI era o púlpito máximo da Nação para abater o governo PSD/CDS, toda a malta do PS, e quejandos, achava muito bem. Quando alguém desse governo murmurou, pedindo “o contraditório”, foi uma tempestade, uma revolta “justa” e “ofendida” das massas  contra esta “ingerência” na “liberdade” de informação. Até o Presidente da República chamou aos salões o mais virulento inimigo do PSD, o senhor Sousa, para se “solidarizar” com ele e com o coro dos indignados. O homem, com o evidente apoio de Sua Excelência, demitiu-se estrondosamente, orgulhoso do seu inalienável direito de dizer o que muito bem lhe apetecesse sem que a ninguém fosse dado fazer-lhe frente ou contradizê-lo, mesmo que “em diferido”.
Por outro lado, o tal Presidente da República abriu o glorioso caminho que a PT agora quer trilhar para ajudar o senhor Pinto de Sousa. Que fez ele? Como odiava o Primeiro-Ministro da altura mas não o podia demitir, esperou que o PS e o PC se reorganizassem e, logo que os achou estabilizados, deu a volta a volta ao texto. Borrifou no espírito da Constituição e dissolveu o Parlamento para se livrar do Primeiro-Ministro e, à boa maneira do pior do constitucionalismo monárquico e do melhor da I República, fabricar um governo que lhe agradasse.
O primeiro-ministro que temos, ciente que os seus camaradas castelhanos, apesar de camaradas, estão à rasca de massa e não vão, assim, sem mais nem ontem, despedir um casalinho que lhes dá imenso dinheiro a ganhar, imaginou uma solução para dar a volta à coisa, seguindo, com notável fidelidade, o exemplo dessoutra desgraça que aconteceu à Pátria e que se chama Jorge Sampaio. Não podemos correr com essa gente? Temos que poder!
Daí:
- Ó Bava, compra essa merda, de tal forma que, assim que te sentares no Conselho de Administração, corras com os Monizes sem apelo. OK?
- V. Exª manda.
Por outras palavras, foi o que disse a dona Manuela sem grandes pormenores e o que o Sapo calou. Mas o governo vai mais longe. Declara, e redeclara, que não tem nada a ver com o assunto, que a tal golden share não vale um caracol, que a PT é uma empresa privada sobre a qual o governo, ou o Estado, não têm qualquer poder, ou não exercem o poder que têm.
O que se pode concluir é que, ou o governo é completamente incompetente (o que é verdade), de nada servindo, nas suas mãos, o poder que tem para evitar que a PT se meta num negócio ruinoso, ou exactamente o contrário, isto é, usa o poder que tem para, através do tal negócio ruinoso, se ver livre de vozes incómodas e meter nos “varais” do socialismo “democrático” umas vozinhas que lhe não agradam.
Ainda que a segunda hipótese seja, evidentemente, a que tem pés para andar, entre as duas, venha o diabo e escolha.
Razão tem a dona Manuela quando diz que as legislativas são fundamentais. Para além das mudanças de políticas que são imperiosas se não quisermos morrer de fome, tais eleições têm como suprema utilidade a de poder servir para pôr na rua, desta vez não de forma socialista, mas por meios legítimos, o senhor Pinto de Sousa e a associação de malfeitores políticos e de incompetentes em que ele transformou o pouco que de bom podia restar do Partido Socialista.
25.6.09
António Borges de Carvalho

O RONALDO ESTÁ BARATO

Já viram que saiu mais barato ao Real Madrid contratar o Ronaldo do que vai custar aos portugueses “descontratar” o Moniz?

Somos os maiores ou não somos os maiores?
25.6.09
ABC

A CAMINHO DOS AMANHÃS QUE CANTAM

 

A obra do Partido Comunista prossegue a senda da ruína nacional gloriosamente começada no 11 de Março, a fim de, sobre as cinzas do que poderíamos ter sido, se vir a construir a cruenta ditadura que o camarada Jerónimo e seus sequazes acham salvífica e paradisíaca.
Desta vez foram os camaradas da CGTP quem alcançou uma estrondosa vitória, criando as condições ideais para que a VW dê à sola, farta de aturar este país de tarados e invejosos. A culpa, no linguarejar dos partidos comunistas, dos manuéis alegres e dos ruis tavares da nossa praça, será do imperialismo e do capitalismo financeiro internacional, apostados em sugar o sangue dos trabalhadores portugueses que, coitados, tendo um bom emprego e notáveis regalias, não se querem ver privados, em meia dúzia de sábados por ano, do salário a dobrar .
A esta tristíssima circunstância outra se junta, talvez ainda mais miserável. É que, dizem, não foram só os lacaios do Jerónimo e do Silva quem fez as letais exigências. Foram também aqueles que, não correndo o risco de ser despedidos, pelo menos a curto prazo, borrifaram nos interesses dos que, mais que certo, vão parar à rua sem apelo nem agravo, e já.
É desta massa, deste tipo de nobres sentimentos, que se fazem as massas que os jerónimos, os louças e os silvas tanto gostam.
 
25.6.09

António Borges de Carvalho

UM DIA COMO OS OUTROS

 

No segundo dia de Verão, vejam o que se disse e fez:
1.   A receita do Estado baixou 21%, a despesa subiu 4%;
2.   O ministro das finanças explicou a quebra de receita com a diminuição de 1% da taxa do IVA;
3.   A fragata Corte Real, gloriosamente, apanhou um bando de piratas, os quais foram, docemente, enviados para casa;
4.   O ministro do ambiente declarou que os portugueses iriam recomeçar a caça à baleia, a fim de… preservar a espécie;
5.   Pescadores espanhóis atiraram uns tipos do Green Peace pela borda fora;
6.   O Irritado rejubilou com o nº 5. Quanto ao resto… de vergonha, no comments.
 23.6.09
António Borges de Carvalho

MONS PARTURIENS

 

Anda para aí muita gente entusiasmadíssima com os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao BPN. As tiradas do Mèlinho, bem arrancadas de um inesgotável acervo de informação, as perguntas de um tipo do BE que alimenta o mal querer comunista com inteligência e conhecimento de causa, as posições do PSD, que não se alimentam de partidarite nem de nepotismo, o estrebuchar do PS na estulta pretensão de usar a comissão para safar o camarada Constâncio, a direcção dos trabalhos, feita, diz-se, com inesperada isenção, por aquela senhora pequenina, de vozinha irritante, que acabou de sair do cabeleireiro, tudo parece indicar que a tão louvada comissão vai “parir” um relatório cheio de substância.
No entanto, o Irritado arrisca o prognóstico contrário: a coisa vai acabar em nada. A montanha vai parir um rato.
É que, vejam, o relatório vai ser redigido por uma advogada oxigenada, que ninguém sabe quem é, apesar de ser vice-presidente do grupo de atarantados chefiados pelo senhor Martins. Sónia Sanfona de seu nome, a ilustre mulher declarou que, estando cheia de vontade de mostrar serviço, não tem dúvidas que “nunca escreverá qualquer linha embaraçosa para as posições do PS”. Segundo o chefe da dita na comissão de inquérito, “ela não é um Ventura Leite”. Esclareça-se que o tal Ventura Leite é um deputado do PS que tem por hábito não se calar e que jamais voltará a São Bento, que o chefe não aprecia o estilo.
Assim, a Sanfona será a sanfona do PS, doa a quem doer. Quem está em grande é o Constâncio do cabelo pintado, a quem a Sanfona sanfonará merecidas loas. That’s it.
23.6.09

António Borges de Carvalho

O IMPÉRIO CONTRA ATACA

 

Vejam estes mimos:

 

José Sócrates não está morto e enterrado. Desenganem-se aqueles que já o começam a ver pelas costas.
A esquerda moderna não morreu no primeiro acidente.
Sócrates está num período de distensão semelhante aos atletas de alta competição após uma prova.
O PS caiu às mãos da crise económica. Não foi derrotado, nem por erros governamentais, nem por méritos da oposição. Foi uma derrota injusta.
(Sócrates) fica melhor com o (fato) de lobo. O fato de cordeiro não lhe assenta.
Estas belas frases foram escritas num só dia. Foram seleccionadas pelo jornal privado chamado “Público” como as mais importantes de 6ª feira passada.
Da selecção de hoje, com as frases de ontem, vejam:
A discussão sobre o TGV é saloia e oportunista. Quem anda pelo mundo não tem dúvidas de que esta obra tem que se fazer.
A partir de agora, votar Sócrates é votar TGV.
É muito fácil, como se vê, ser oposição em Portugal.
Isto quer dizer que os comentadores “independentes”, como o senhor António José Teixeira, propagandista, umas vezes subliminar outras não, do PS, como o senhor Carlos Marques de Almeida (quem será?), como o senhor Bruno Proença, de serviço no “Diário Económico”, como o senhor João Tocha, do jornal ultra socialista “Diário de Notícias”, como senhor Marcelino, ultra socialista director do mesmo jornal, como, quem diria, o senhor Pereira Coutinho, do “Correio da Manhã” e o senhor Madrinha do “Expresso", tudo minha gente está na luta a favor do Império.
Trata-se só de uma pequena amostra, que o Irritado não lê todos os jornais, nem os tipos do “Público” citam todo o “plantel” da propaganda.
Ontem à noite, no programa “Eixo do Mal”, coisa que às vezes até tem alguma piada, a dona Alves perorava contra a campanha negra que se move por aí contra o senhor Pinto de Sousa, personalidade que, no dizer desta indefectível soarista, está acima de qualquer suspeita. Nenhum dos intervenientes (todos inimigos figadais da dona Manuela, até o que se diz PSD, liberal, etc.) se lembrou de chamar a atenção da dona Alves para os factos indesmentíveis relacionados com o curso do homem, com o apartamento do homem, com a história da Cova da Beira, com a propaganda da Adidas, com o défice aldrabado, com o “relatório da OCDE”, com as suspeitas do Freeport, com as palhaçadas parlamentares, com as diárias aldrabices, etc. etc. etc., nada disto chegando para qualificar o “carácter”, a “lisura”, a “idoneidade” do homem para ser primeiro ministro de um país civilizado ou que tal se quer julgar.
Em defesa do Império, saem à liça os sátrapas, os sibaritas, os muchachos do homem, velhos e novos. Para esta malta, quem não for incondicionalmente a favor do TGV et alia, é uma besta quadrada, um desgraçado que nunca passou de Alguidares de Baixo, que não “ anda pelo mundo”. Para outro qualquer, quem não embarca na coisa, de caras, sem hesitações, sem medo, sem dúvidas, não passa de um “saloio” e de um “oportunista”. Quem acha que o TGV até pode ser interessante, tem que votar no Pinto de Sousa, para não se arriscar a que lhe chamem palhaço, e com toda a razão.
A estratégia está montada. Pinto de Sousa não morreu, antes pelo contrário, aí está, cheio de força e de razão. Pinto de Sousa é um desportista de alta competição, que está a descansar dos jogos europeus para aparecer em forma na próxima prova. A “esquerda moderna” (que raio será isso?) está viva e de boa saúde, atrás do seu grande líder e educador Pinto de Sousa. O PS, coitadinho, perdeu as eleições por causa da crise internacional. Uma injustiça. Tudo o que fez estava certo. Coitadinho.
Numa coisa não consegue a malta da propaganda pôr-se de acordo: quando se trata de determinar exactamente que tipo de animal é o homem. Há uma quase unanimidade em recusar a ideia do cordeiro cuja pele o homem tirou da cartola. Eles querem um animal forte, um animal que meta medo. Um leão? Um tigre? Não sabem, coitados. Cordeiro é que não. Pelo menos, diria o Irritado, podiam optar por um lince da Malcata, daqueles que o Sapateiro manda de Castela, um bicho que não se sabe bem se é um gato ou um chacal. Uma coisa intermédia. O irritado optaria pela hiena, bicho que, sem nojos de nenhuma espécie, poderá alimentar-se dos nossos restos mortais. Por si, no entanto, o Irritado, que não percebe nada de zoologia e, por definição, não tem razão, também não consegue ter uma opinião definitiva. Gostaria de o ver transformado em orangotango e fechado, para o resto da vida, numa jaula do jardim jaleco. Solução que, do ponto de vista logístico, se afigura difícil. Não é, ó gente?
Esclareça-se, em abono da verdade, que o Irritado não é, radicalmente, contra o TGV ou contra as obras públicas em geral. Acha é que, por um lado, quem não tem dinheiro não tem vícios e, por outro, que não é com exclusiva base em obras públicas que se sai do buraco, antes pelo contrário. Pelo menos para não dar razão ao senhor Coutinho, o qual, com indisfarçada alegria no prognóstico, diz que votar TGV é votar Sócrates.
Não se iludam os Coutinhos. Mesmo os que gostariam de ir em duas horas e meia a Madrid, podem ter a certeza que, com o Pinto de Sousa, nunca irão a parte nenhuma.
Espera-se, com ansiedade, que a dona Manuela nos dê, em concreto e caso a caso, conta das suas ideias a este respeito. Antes que a malta da propaganda comece a fazer ainda mais barulho.
21.06.09
António Borges de Carvalho  

NOTÍCIAS DO SOCIALISMO

 

O
 notável ministro das finanças que temos, declarou que, afinal, o taco entrado nos cofres do BPN (banco nacionalizado) “não custou um cêntimo aos contribuintes”. Porquê? Porque foi dado, não pelas finanças, mas pela CGD. O mesmo senhor, declarou que, mesmo para a CGD, não há problema nenhum, porque “o BCE vai repor a massa toda”.
Continuamos a ser tratados como parvos. Se calhar, somos parvos mesmo. Sendo o Estado o único proprietário da CGD, como é que o Estado não gasta um tostão com o assunto? Se o BCE entrega o taco de volta, coisa de que qualquer pretendente a parvo duvidará, em que condições o fará? A fundo perdido? A título de esmola aos pobres? Vai mandar a factura à Comissão Europeia? Aos outros 26 governos da União? Quê?
Sabia-se que o governo tem vindo a entregar à CGD várias centenas de milhões de euros para investimento “privado”, cá e no estrangeiro. Assim nasceu, por exemplo, um hospital “privado”, ali para os lados do Estádio do Benfica. Assim foi comprada a falida Sumolis. Assim outros investimentos foram feitos, ninguém saberá bem quais ou com que resultados. O governo nacionaliza, manda comprar, faz investimentos "privados" malucos, depois diz que não tem nada com isso. Foi a CGD. O governo, coitado, parece um accionista que a CGD engana. O ministro vai metendo o dedo pelos nossos olhos dentro, depois entretém-se a retorcê-lo nas meninges do povo. Certamente por partir do princípio que, sendo parvo, o povo não tem meninges.
O notável ministro informou ainda a Nação que há um bando de canalhas que se diverte e perseguir os caracolinhos pintados de preto do ilustre governador do BdP, em vez de ir para a rua, de algemas em punho, aprisionar os malandrins que tantos problemas têm causado. O governador, por seu lado, insiste na afirmação de que não é polícia, por isso não lhe compete investigar as malfeitorias dos banqueiros. Entretanto, o mesmo senhor do cabelinho pintado de preto diz ao pagode que o governo meteu no BPN 2,5 mil milhões de euros, mas que não tem problema nenhum, uma vez que tal quantia, afinal, vai ser de meros mil milhões.
O ministro disse que era 1,8 mil milhões e que o BCE pagava tudo. Em que ficamos? São 2,5 mil milhões, 1,8 mil milhões ou mil milhões? Quem paga? São os raciocínios do cérebro pintado de preto, ou é o BCE, ou o ministro, ou nenhum deles? Ou nós.
Se esta gente tivesse desculpa, diria que estávamos a lidar com doidos varridos. Mas, como nem têm desculpa nem são doidos varridos, doidos varridos devemos ser nós. Por isso, nós é que não temos desculpa.   
 
F
oi com grande emoção que o país assistiu à queda do camarada Vitalino. O grande educador do PS, senhor Pinto de Sousa, privou-nos da alta testa do Vitalino, da boquinha porcina do Vitalino, das aldrabices do Vitalino. Perdido este cómico, a Nação vai ficar ainda mais sorumbática.  
 
D
eve isto ser um ataque à vitalidade do próprio PS, uma vez que o camarada Vital parece ter sido também remetido ao silêncio e mandado meditar no Choupal.
O camarada Vitalino, espera-se, vai substituído por um outro camarada, já conhecido, aliás, pelos seus habituais dislates e pelo chorrilho de asneiras de que é co-responsável na justiça.
 
Q
uem sabe se o Vital não acaba substituído pela camarada Gomes - a tal que foi eleita euro deputada mas anda a pensar ir parar a Sintra - ou por outro cómico qualquer, desde que a sua capacidade para a asneira esteja rigorosamente provada, como é o caso deste novo artista?
 
P
or falar na camarada Gomes ocorre-me a indignação hoje expressa pela dona Elisa. Segundo ela, esta malandragem que está escandalizada por ela ser deputada europeia eleita e candidata à Câmara do Porto ao mesmo tempo não tem razão de espécie nenhuma: se ela for eleita presidente no Porto, garante, virá para o Porto. Notável. A senhora já percebeu que jamais será eleita presidente. Mas como será, de certeza, eleita vereadora, desde já se sangra em saúde: vereadora, jamais. Não é para o seu alto estatuto. Além disso, é um lugar mal pago, e dá muito mais trabalho que o Parlamento Europeu.
19.06.09

António Borges de Carvalho

POBRES DE NÓS

 

Ontem, o habitual “Prós e Contras” brindou-nos com uma sessão sobre a “reabilitação” dos “centros históricos” e do “património construído”, o “relançamento do aluguer de habitações” e outras nobres e santas causas.
Em representação do governo que temos estava um senhor secretário de estado, de seu nome Ferrão, bem como um rapaz de pastinha parta a testa, com um nome de reminiscência gaulesa.
Estes fulanos foram postos, por várias gentes, diante do problema de o património não ser do Estado mas de quem dele é dono, e de ser o Estado quem tem dado cabo do património alheio através do mais estúpido regime de arrendamento de que há memória. Foram postos, por várias gentes, diante do problema de o novo NRAU ser o mais estúpido de todos os regimes jamais imaginados pela humanidade.
Que responderam a isto? Com a mais rebuscada complicação burocrática de que há memória. Diplomas e diplomas, licenciamentos estranhos, o Estado a “gerir” o património dos outros, medidas fiscais punitivas, regimes de excepção, etc. etc.
Parecia que estávamos perante gente completamente maluca. Mas não. Estávamos só diante de socialistas, isto é, de gente que se compraz em complicar o que é simples, em tolher o exercício da cidadania com trafulhices legislativas destinadas a engordar o poder do Estado e a diminuir o espaço de liberdade das pessoas, gente que se diverte a não reconhecer nem a raiz nem a natureza dos problemas, gente que goza, via inacreditáveis exercícios “intelectuais”, com a criação de mais um emaranhado daquela burocracite aguda que lhes resguarda os inúteis empregos e lhes alarga o poder.
Pobre património. Pobres de nós.
16.6.09
António Borges de Carvalho  
NB. A coisa foi de tal ordem que desliguei o aparelho antes do meio do programa, a fim de que me não desse para o atirar pela janela fora.

PARTES AO LÉU

 

Alegrem-se as almas socialistas, ecológicas e arejadas. Há quem pense nelas e lhes prepare um futuro melhor! Senão, vejamos:
O PEV (Partido Ecologista Os Verdes) acaba de tornar pública uma nova e inteligentíssima iniciativa legislativa na qual se propõe que passe a haver mais que uma praia de nudistas em cada concelho e que as ditas sejam colocadas mais próximo dos povoados.
Seja-me permitido, antes de mais, dizer umas verdades que, sendo do amigo banana, não são menos verdade por causa disso. a) o PEV não existe, nem nunca existiu, b) aqui há anos, o PC mandou 5.000 tipos assinar um papel para a criação da coisa, c) o que permitiu ao PC passar a aparecer em “coligação”, adoptar a cor azul e auto-denominar-se CDU, como os alemães da direita honesta. A partir desta aldrabice, apareceram uns comunas na AR, nos concelhos, nas freguesias, sob a doce capa da “ecologia”, coisa que o PC não faz a menor ideia o que seja.
Note-se que, em matéria de fraude burocrática, estes artistas só são ultrapassados pelo BE. Este consegue, via papeladas várias, multiplicar por cinco o número dos seus deputados sem que ninguém proteste nem ninguém denuncie a monumental desonestidade.
Nos tempos que correm, o inexistente PEV decidiu então proporcionar aos nudistas mais “liberdade”, mais “contacto com a natureza”, mais “sanidade ambiental”, etc., coisas que são exponencialmente melhoradas quando as pessoas andam em pelota. Calculem, meus amigos, o que seria uma tal Apolónia, ao que parece autora do notável projecto de lei, toda nua em Carcavelos. Horribile visu! Imaginem o que seria aquele PEV do rabo-de-cavalo, cheio de seborreia, todo nu no Tamariz. Um nojo.    
E mais. Segundo esta malta, seguindo a política de esquerda no que se refere ao nudismo, passará a haver um número ilimitado de coisas do estilo em todos os concelhos, e quanto mais perto do povoado melhor. Nas praias douradas de Macedo de Cavaleiros como nas rochosas costas de Portalegre. Toda a gente será contemplada. A cinquenta metros do Rossio lá do sítio. Qualidade de vida!
O Irritado tem razões de princípio contra o nudismo. Não, não se trata de moralismo serôdio. Trata-se de questões estéticas e de dignidade, coisas que à malta dos partidos comunistas nada dizem. Há nus lindos e dignos, reconheço e gosto. Só que nada têm a ver com a Apolónia ou com o gajo do rabo-de-cavalo.
16.6.09
António Borges de Carvalho
 

ARITMÉTICAS DE PÉ TORCIDO E AMBIENTE DE PÉ DESCALÇO

 

Ora vejam isto:
O “Expresso” publica, com chamada de primeira página, uma coisa que toda a gente já sabia: que os exames da 4ª classe do antigamente eram muito mais exigentes que as “provas de aferição” (???!!!) dos nossos dias.
Para ilustrar esta extraordinária novidade, os matemáticos do “Expresso” publicam o seguinte problema, ao que dizem de 1959:
O Carlos tinha 24$00, mas gastou 0,25 daquela quantia na compra de um livro. Que importância lhe sobejou?
R: 23$75
Custa a crer que, em 1959, os problemas de aritmética fossem redigidos em tão mau português.
Mas demos isso de barato.
Inacreditável é mesmo a resposta que o “Expresso” dá à questão. Então não querem lá ver que tirando um quarto a 24 o resultado é 23,75!
Os matemáticos do “Expresso” não sabem que $25 e 0,25 são coisas diferentes?
Ca ganda inducação!
 
E isto:
 
O “Expresso” e a EDP lançam uma campanha dedicada ao “mês do ambiente”. Por todo o jornal há uns anúncios cujo pano de fundo é umas pegadas verdes, com certeza a inculcar no espírito do cidadão que o futuro é verde mas... descalço. Será?
 
Bom, não interessa. Vejamos alguns dos escritos:
 
Reduzir em 1 grau a temperatura do ar condicionado em casa representa 10% de poupança energética.
 
Ora bem. Antes de mais, é de supor que o que os tipos querem dizer é aumentar, não reduzir. Porque, se eu baixo a temperatura do ar condicionado, parece evidente que gasto mais energia e não menos. Os tipos o que não sabem é exprimir-se em português. Mas, com boa vontade, o pessoal percebe o que querem dizer.    
E a poupança? É 10% da factura da EDP, ou 10% do consumo do aparelho? Não se diz. Também não se diz a que tipo de casa, de aparelho, ou seja do que for se refere a coisa. Pelo que os tais 10% podem querer dizer o que se quiser, ou nada. Publicidade enganosa.
Se não fosse enganosa, o que se poderia pensar de uma empresa que recomenda aos clientes que… não consumam os seus produtos? Um dedo que adivinha diz-me que a EDP o que quer é que a malta compre aparelhos de ar condicionado. Mais enganoso não há.
 
Prefira os produtos não empacotados. Cerca de2/3 dos resíduos urbanos da União Europeia são embalagens.
 
Segundo os conselhos do “Expresso” e da EDP, vou voltar à infância, aos doces tempos em que o leiteiro ia lá a casa todas as manhãs, ajoujado ao peso de bilhas e medidas, para vender uns decilitros de leite, vou revisitar os saudosos dias em que o merceeiro rapava de uma espátula de pau e arrimava numa folha de papel 250 de manteiga que tirava de uma barrica, vou rever a simpática carvoaria, negra de azeviche, onde um galego sebentão servia malgas de tinto com uma medida que era lavada todos os anos bissextos. E assim por diante.
Que dirão disto as centenas de milhar de portugueses que trabalham nas indústrias de embalagens?
Notem que o “Expresso” e a EDP não falam de reciclagem nem de poupança, antes, em substância, defendem a ausência de higiene, de controlo sanitário e de outras coisas que se julgava adquiridas pela civilização.
 
 
43% das espécies de peixes, 32% das aves, 24% dos mamíferos e 24% dos répteis correm o risco de desaparecer em Portugal.
 
Quem disse? Quais os estudos? Porquê 43% e não 44, ou 29? Porquê 32% e 24%, e não 84, ou 5, ou 47? Ninguém sabe. Segundo a brilhante campanha, vamos ter que deixar de comer peixe. Já demos cabo das pescas, agora nem o peixito grelhado dos marroquinos! E carne de porco? Nem pensar! O Maomé é que sabia. Ele, o “Expresso” e a EDP.
 
Assim vai a “informação”, a parvoíce e, seguindo o exemplo do governo, os dedos dos tipos, como diz o Povo, a meter-se pelos nossos olhos dentro.
 
13.06.09
 
António Borges de Carvalho 

VOTAR NO FUTURO

 

Um curioso jornal, chamado i (!), que se auto propagandeia na televisão mediante a apresentação de duas fufas em notável trabalho de french kiss, publicou um interessante artigo, ou estudo, sobre as causas da derrota do senhor Pinto de Sousa e da sua gente nas eleições europeias.
Diz o tal estudo que o PS, ou a coisa em que o senhor Pinto de Sousa e os seus próximos transformaram o PS, perdeu as eleições devido ao aumento do desemprego. Todas e quaisquer outras razões são, no parecer do científico articulista, de somenos importância.
A acreditar nesta tese (quem sou eu para duvidar?), teremos que aceitar que outras razões para não gostar, nem do homem nem da coisa, não são tidas pelos portugueses como importantes para motivar a tareia eleitoral que deliciou a Nação.
Por outras palavras, os portugueses dão pouca importância à “personalidade” do primeiro-ministro e às suas pessoalíssimas malfeitorias. Não ligam ao avanço do socialismo estatal e praeter policial, à destruição do sistema educativo, à megalomania propagandística, ao colapso da justiça, ao total desnorte governamental em (quase) todos os níveis e sectores, à arrogância, ao desprezo pelos cidadãos. Nada disto os move. O que, desgraçadamente, quer dizer que, para além dos problemas próprios, do próprio umbigo e dos seus medos pessoais e imediatos, os portugueses são politicamente ignorantes.
A generalidade dos eleitores europeus percebeu que a verdadeira origem dos males da Europa e do mundo não é o “neo-liberalismo”, nem da “direita”, mas uma mundialização que era propagandeada pelos arautos da “liberdade” socialista como sendo “contra os pobres” e que, afinal, acabou por funcionar sobretudo contra os “ricos”.
Só os portugueses, “iluminados” pelas brilhantes mentes dos Soares, Tavares, Louças, Alegres, Jerónimos e quejandos, não perceberam. E, se quiseram castigar o senhor Pinto de Sousa e sua gente e dar um sinal de desejo de mudança, fizeram-no reforçando os votos nos partidos comunistas e dando ao PS, apesar de tudo, vinte e tal por cento dos votos, o que perfaz cerca de cinquenta e sete por cento de votos à esquerda.
Que quer isto dizer?
Ao contrário dos europeus, que há décadas deixaram de votar comunista e que, desta vez, deram uma lição ao socialismo dito democrático, os portugueses continuam agarrados aos estereótipos do PREC, a viver na estulta ilusão de que é possível distribuir o que não se produz, que o dinheiro dos ricos, devidamente extorquido, resolveria todos os problemas, e que a vida é um lauto repasto de direitos com um raminho de salsa de obrigações.
O atraso cultural, social, moral e político que a persistência da ilusão de esquerda em Portugal representa, é o nosso verdadeiro drama existencial, uma espécie de estigma para o qual o salazarismo, que já lá vai há 35 anos, já não serve de desculpa.
Não sei se a Europa se “safará” desta. Apanhada por terceiros em matéria de avanço científico, tecnológico e produtivo, a Europa dificilmente poderá, num mundo de comércio livre, subsistir como continente de bem-estar, riqueza, “direitos sociais” e paz. Portugal, nem pensar. Não se safa. A não ser que os portugueses percebam (a tempo?) que as receitas socialistas, democráticas ou não, jamais melhoraram a vida fosse a quem fosse, pelo menos de forma estável e livre.
Os partidos não socialistas, eles próprios, também ainda não se curaram, em definitivo, da furunculose do PREC. Terão que se “refundar” e fazer com que os portugueses percebem a imperiosa necessidade de se libertar do espartilho socialista.
13.08.09
António Borges de Carvalho

PS. Andam para aí muitas vozes cheias de inquietação com a subida eleitoral da extrema-direita nalguns países da União. Estou de acordo. A diferença entre mim e essas vozes, é que eu também estou inquieto com a subida da extrema-esquerda, sobretudo no meu país. Inquieto e envergonhado. Extrema-direita e extrema-esquerda não são, afinal, duas expressões paralelas dos mesmos sentimentos, das mesmas ilusões, da mesma tendência para a ditadura e para a escravidão?

SARAMAGALHADAS

 

Coisa. Coisa perigosamente parecida com um ser humano. Coisa que organiza orgias. Doença. Vírus. Vómito profundo. Veneno. Pata viscosa que espezinha as normas básicas da convivência humana.
Habilidade funambulesca. Perversor. Assaltante do poder. Delinquente. A mais completa abjecção.
 
Eis alguns dos mimos com que o senhor Saramago brinda o senhor Berlusconi.
Ponto de vista educação, estamos conversados.
O senhor Saramago usava classificar de forma parecida, ainda que com diferente terminologia (lacaios do patronato, fascistas, servos do imperialismo, sabotadores económicos…), os trabalhadores do “Diário de Notícias”, quando mandava neles e os queria atirar para o desemprego, ou seja - na linguagem da época – “sanear”.
 
A razão próxima da saramagalhesca catilinária contra o cavaliere está, segundo o jornal socialista “El País”, seguido de perto pelo jornal socialista “Diário de Notícias”, nas recentes fotografias da intimidade do Primeiro-Ministro italiano publicadas e republicadas pelos jornais socialistas, e obtidas, com evidente ilegitimidade, por um fotógrafo qualquer.
 
Não me compete defender o senhor Berlusconi, apesar de o homem ter ganho três eleições gerais democráticas, e não “assaltado o poder”, como diz o Saramago.
Também não o atacarei por ter lá em casa uns convidados que mostram o rabo ou as maminhas.
Das “orgias”, infelizmente, não há imagens.
 
Limitar-me-ei a chamar a atenção dos leitores do Irritado para duas ou três verdades incontroversas.
Se o senhor Berlusconi se confessasse pederasta, a fotografia do tipo de rabo à mostra seria referida pela imprensa socialista como cena de ternura de um apaixonado a mostrar os seus encantos ao seu amor. O senhor Berlusconi seria apresentado ao público, pelos saramagos, como corajoso defensor dos “direitos humanos”, consubstanciados na fotografia que alguém, por inqualificável abuso, teria tirado à sacrossanta intimidade do senhor, quando havia quem desse largas à sua mais que legítima e moralíssima larilice.     
Quanto às meninas de maminhas de fora, coisa que, do Algarve ao Minho, é coisa que não falta nas nossas praias, se, em vez de apresentadas como instrumentos de deboche heterossexual, o fossem como lésbicas assumidas que passavam, calma e pacificamente, o fim de semana em casa de um amigo, dedicando o tempo às suas mais que legítimas tendências, a mesma imprensa socialista e o senhor Saramago incensá-las-iam e ao hospedeiro pela coragem indómita de mostrar ao mundo, orgulhosamente, a sua opção sexual.
Ainda que, como é óbvio, o fotógrafo da coisa fosse universalmente condenado pela sua abusiva intervenção na intimidade dos senhores e das pequenas, os quais tinham todo o direito a divertir-se e a amar-se na mais intocável intimidade.
O senhor Saramago abster-se-ia de considerações e de adjectivos. Limitar-se-ia, porventura, a acusar o senhor Berlusconi de um crime bem mais grave que convidar gente para fins-de-semana “desinibidos”: ser de direita.
 
No caso vertente, porém, para um social-fascista (terna expressão do MRPP) como o senhor Saramago, essa gente, sendo de direita, ainda por cima heterossexual, deve ser classificada como coisa, vírus, vómito, etc., e ser simplesmente abolida, como acontecia aos jornalistas, empregados e contínuos do “Diário de Notícias” quando o senhor Saramago era subdirector daquele pasquim do PC.
 
O senhor Saramago revolta-se contra o facto de a coisa ser Primeiro-Ministro da Pátria de Verdi. Por mim, acho que a Pátria de Verdi tem um sentido de humor e um savoir vivre que nada tem a ver com as sociedades trafulhas, concentracionárias e inumanas de que os saramagos deste mundo são fiéis adeptos.
 
É claro que seria aconselhável que o senhor Berlusconi fosse mais discreto e mais sensato. Mas isso é outra história.
 
9.6.09
 
António Borges de Carvalho

A DERROTA DOS PORCOS

 

Na passada quarta-feira, ao abrir a Internet, dou com a manchete do jornal electrónico do Sapo: “Sondagem da Marktest dá vitória ao PSD com 32,9%, ficando o PS pelos 28%”.
A coisa já virou, pensei. No entanto, esta sondagem rapidamente desapareceu do Sapo e não a vi em mais nenhum órgão de “informação”. Bem pelo contrário, avançaram, pressurosas, a Universidade Católica e a Eurosondagem, a propagandear o contrário: o PS tinha descolado do PSD e a sua vitória já estava fora de qualquer margem de erro.
Nas televisões, nos jornais, nas estações de rádio, a Católica e a Eurosondagem tinham as únicas sondagens existentes e credíveis. Os comentadores “independentes” desdobravam-se em doutas considerações. O primeiro-ministro tinha entrado na campanha e, com a sua verve e o seu empenho, virara completamente todas as veleidades de mudança. Tinha suprido a ineficácia do seu primitivo, saloio e petulante candidato.
 A sondagem da Marktest nunca tinha existido. Nem sei se a tal Marktest alguma vez existiu ou se fez alguma sondagem. O PS tinha a vitória na mão, o CDS, na melhor das hipóteses, chegaria aos 4%. Era, garantidamente, uma esmagadora vitória do PS e dos seus primos do PC e do BE.
Pois.
Lidas as coisas de outra forma, teremos que os últimos dias da campanha foram dominados pela central de informação do PS, à qual, servilmente, badalhocamente, suinamente, tanto os meios do governo como os privados se submeteram. A generalidade dos comentadores, à esquerda e à direita, sabe-se lá se na esperança de alguma nomeação, adoptaram a mesma postura.
Vivemos atolados na mais repugnante pocilga informativa.
Estes porcos (das sondagem à la carte e da chamada “informação”) foram derrotados.
Mas há mais porcos, que também foram derrotados. Desde a segunda volta das presidenciais de 86 que não assistíamos a tanta trampa como aquela com que o PS e o seu porquíssimo candidato encharcaram a Nação.
Desta vez, a malta não comeu a porcaria que lhe foi impingida. A malta reagiu.
Para que venha a haver alguma réstia de luz ao fundo dos vários túneis em que nos meteram, falta explicar claramente às pessoas o que o BE e o PC, não sendo porcos, têm para lhes oferecer: uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma. Se tal explicação for séria e competente, então, daqui a uns meses, poderemos deixar de ter vergonha de ser governados como se pertencêssemos à récua.  
8.6.09
António Borges de Carvalho

FINALMENTE, UMA VERDADE

 

Esse saloio que o senhor Pinto de Sousa foi buscar a Coimbra, um tal Vital, tem demonstrado a mais virulenta ordinarice, jamais falou da Europa, não aflora qualquer juízo em relação àquilo a que se candidata, e dedica-se, por conta do chefe, a dizer, acompanhado pela mesnada das anas gomes e demais primários, as mais desbocadas alarvidades.
No entanto, o seu a seu dono: o homem disse uma verdade, a qual, apesar de ordinária como é de timbre, é verdadeira: recusa debates com Rangel, porque “não lhe faz esse frete”.
Mais que uma verdade, uma confissão: o fulano tem consciência que levaria uma tunda das antigas; tem medo, borra-se todo com a simples ideia de se confrontar em público com o seu principal adversário. E confessa-o. Confessa que, para além de todos os seus conhecidos defeitos e handicaps, também é cobarde.
 
Ao votar, pensem nisto.
Pensem, acima de tudo, que, mesmo step by step, o mais importante é acabar com o socialismo.
 
 
4.6.09
 
António Borges de Carvalho

A MORTE DO “CENTRÃO”

 

O chamado “centrão” foi, durante décadas, uma realidade positiva do nosso sistema político.
Não se chamaria “centrão” por estar ao centro, uma vez que a distorção à esquerda era por demais evidente. Um partido socialista recém-saído do marxismo, um partido social-democrata, plural, é certo, mas em que as alas mais à direita, salvo efémeros afloramentos, jamais tiveram direito de cidade.
Exceptuadas certas questões verdadeiramente fracturantes – nesse tempo eram questões sérias – como, por exemplo, os limites materiais de revisão constitucional cuja reforma o PS protelou por sete anos, de 82 a 89 (sete anos!), os dois grandes partidos entenderam-se, em nome do regime, em muitas matérias: defesa, negócios estrangeiros, justiça, Europa…  Na política africana, não se deu, infelizmente, uma abordagem unívoca e descomprometida. Estranhamente, foi o PS quem, neste particular, se revelou mais “à direita”…
Mas havia, tácito ou expresso, um pacto de regime, do qual o CDS, muitas vezes, participava. Excluía-se dele, por motivos óbvios, o PC. O BE ou não existia, ou não tinha a ver com o assunto, como também é óbvio
Havia, pelo menos, um certo “cavalheirismo”, com efeito algo positivos no nosso viver “habitual”. E havia cavalheiros. Para só falar nos casos mais recentes, vimos o Dr. Jorge Coelho (sou insuspeito de qualquer admiração política em relação ao senhor) ir-se embora porque caiu uma ponte – coisa que só politicamente lhe podia ser atribuída. Vimos o Dr. Vitorino demitir-se porque foi posta em causa, aliás sem razão, a sua lhaneza fiscal.
Dois exemplos de uma postura completamente abandonada.
 
O PS dos nossos dias é uma estrutura de domínio quase totalitário da coisa pública e da sociedade civil. Com a maior das desonestidades, mentiu em campanha e no governo, fugiu e foge a todas as responsabilidades políticas. Ainda hoje ouvimos um ministro dizer, ou repetir, que a responsabilidade da permanência do senhor Mota na Europa é da responsabilidade do PGR, quando não há quem não saiba que tal responsabilidade é exclusivamente do governo. O PS dos nossos dias é o construtor de um Estado omnipresente, na informação que influencia, manipula e condena, na burocracia que aumenta em vez de diminuir, no estender da malha “tecnológica” para controlo da cidadania, nos anúncios de novas coisas que nunca vêm a luz ou são evidentes insucessos, na estatização, cada vez mais centralizada, da educação, no aumento imparável da despesa pública, no apadrinhamento de boys e mais boys, por todo o lado, na criação de entidades, autoridades e outras estruturas para encaixar a rapaziada e “fiscalizar” a sociedade, etc.
O PS, propagandeando uma imagem “moderada” transformou-se no mais estatocrático de todos os governos constitucionais da III República e de todos os partidos congéneres na Europa. Por outras palvras, no mais socialista.
 
Pior do que isto, o PS transformou-se no partido onde nada tem consequências políticas. O primeiro-ministro tira um curso que faz inveja às passagens administrativas do PREC e do MFA, assina projectos inacreditáveis (sabe-se lá da autoria de quem), compra um andar por preço de favor (a escritura desapareceu!), está envolvido num processo de corrupção, com culpa ou sem ela, está envolvido (como testemunha!) noutro processo ainda mais nebuloso a correr nos tribunais, e continua a falar de “campanhas negras” em vez de fazer o que devia, e já devia ter feito há muitos meses: demitir-se. Vemos o PS segurar com unhas e dentes o governador do Banco de Portugal, provado que está, à saciedade, que o homem não se portou como devia, vemos o PS agarrado ao Lopes da Mota apesar de toda agente saber o que se passa com o homem e de o caso ser uma vergonha para o Estado e para a Nação.
 
Vemos o governo do PS, cúmulo do socialismo, ainda por cima do socialismo idiota, nacionalizar um banco falido em vez de o deixar cair e de garantir os dinheiros de quem a eles tem, por lei, direito. Em vez de deixar prosseguir o que é investigação criminal e deixar morrer o que está morto, não, o Estado “enfia” 2,5 mil milhões dos nossos euros numa estrutura falida, ultrapassado largamente o que diz ter dado em apoios sociais e comprometendo os seus próprios projectos megalómanos. Em nome de quê? De nada que não seja o socialismo puro e duro.
 
Assim, o PS distanciou-se cosmicamente do PSD. Enquanto este tem uma postura digníssima em todos os casos que têm envolvido directamente o primeiro-ministro e tantos dos seus camaradas, o PS, obviamente com ordens de São Bento, entra na campanha eleitoral mais suja de que há memória na III República. É ver a matilha a rosnar o que o chefe não rosna, mas encomenda.
Olhem essa tonta que se chama Ana Gomes! Olhem esse crápula, subproduto do marxismo-leninismo, que se chama Vital! Olhem esse anão mental que se chama Lacão! Olhem esse primaríssimo aparatchik que se chama Santos Silva! Olhem o rosnar, o ladrar, o morder desta gente a torto e a direito! Olhem o que, miseravelmente, tudo indica que via Grande Oriente Lusitano, estão a querer fazer ao Presidente Cavaco Silva! Olhem o homúnculo da defesa a proibir que as Forças Armadas homenageiem um Chefe de Estado Democrático, um grande homem de ciência, um grande diplomata, um grande artista, um grande patriota, só porque não era da Carbonária, antes foi assassinado por ela! Olhem o PS a pôr-se do lado dos assassinos em vez de do das vítimas!  
Olhem o dictat no que respeita ao Provedor de Justiça!
 
Olhem o velho  PS civilizado, o PS do “centrão”, o PS verdadeiramente europeu, o PS onde, apesar de tudo, havia ainda alguma réstia de escrúpulo, alguma sombra de ideia de honra, algum pedacito de moral, algum sentido dos interesses do país, e comparem-no com o que ele é hoje. Digam-me então se ainda há algum “centrão”. Não há. Nada resta que possa unir a ele, ou colaborar com ele, seja quem for que se respeite a si próprio,
 
Não havendo o tal “centrão”, ou o “arco democrático do regime”, ou o que lhe queiram chamar, é preciso, pelo menos, acabar com esta gente. Quanto mais depressa melhor. Votem, sim, mas votem bem.
 
Votem bem. Votem contra esta gente e, já agora, contra todos os socialismos.
 
3.6.09
 
António Borges de Carvalho

DONA ILDA COLUMBINA?

 

Assinada por Dom Clóris, Dona Nise, Dom Fuas, Dom Tibúrcio, Dom Lanzerote, Dom Gilvaz, Sevandilha e Semicúpio, recebeu o Irritado a seguinte missiva:
 
 
Excelentíssimo Senhor Irritado
 
Em nosso nome e no do nosso distinto autor António José da Silva, protestamos veementemente contra as aleivosias da dona Ilda, a qual, dando largas ao seu profundo analfabetismo, declarou que, nas recentes lides eleitorais, os partidos andam em “guerras de Arlequim e manjerona”.
É de uma baixeza sem nome, confundir o nosso célebre colega Arlequim com o nosso bem estimado e pátrio alecrim
Coisa que revela instintos condenáveis, designadamente um desejo espúrio de se confundir, ela, obsoleta fêmea, com a bela e graciosa Columbina.
Entre nós, senhor Irritado, até o Semicúpio, menos dado a sensibilidades de sarjeta (as palavras são dele), se revoltou como um estulto, tendo o nosso Sevandilha tido que o acalmar, antes que fosse, de adaga em punho, em demanda da ignorante abusadora.
Compreendemos que a História, para a Ilda, tenha começado em 1917 com a gloriosa revolução soviética. Outro remédio não temos senão aceitar que nem a Poesia Provençal, nem os Cancioneiros, nem Gil Vicente, nem as glórias do Renascimento, nem as Luzes, nada tenha penetrado a mente obtusa e bárbara de tão hediondo ser.
Mas temos o direito de protestar. A Inquisição matou o nosso autor. Mas, três séculos depois, que a dona Ilda lhe não cuspa na memória, não o mate outra vez.
 
Pedimos a Vossa Mercê, ilustre Irritado, que lance às musas e às gentes este nosso apelo de indignação e horror.
 
De Vossa Mercê, etc.
 
Assinado por todos.
 
 
Aqui fica o afiltivo apelo.
 
2.6.09
 
Irritado
 
 

 

 

 

CARTA ABERTA A HENRIQUE MONTEIRO

 

 
Exmº. Senhor Director do Expresso
 
Mui dignamente, revolta-se Vossa Excelência contra a forma de fazer jornalismo da dona Moura Guedes. Até certo ponto, Vossa Excelência terá razão.
Só é pena que o coro de protestos em que Vossa Excelência se integra se tenha erguido quando a senhora começou a dar dentadas nas pernas do socialismo. Ninguém, Vossa Excelência incluído, se tinha lembrado da senhora quando ela se atirava às canelas do PSD.
Será isto um simples pormenor. Mas aqui fica, em abono da memória e para se ajuizar da isenção dos fabricantes de opinião.
 
A última edição do jornal que Vossa Excelência superiormente dirige dedica-se ao Presidente da República de uma forma que faria inveja aos momentos mais excitantes da carreira da dona Moura Guedes. Isto porque, enquanto a dona Moura Guedes é directa, frontal e um bocado bruta, o jornal de Vossa Excelência é mais bruto que ela sem ser directo nem frontal.
Não sei a que desígnios, por certo superiores, obedece o vergonhoso conjunto de peças “jornalísticas” que Vossa Excelência dedica ao senhor Presidente da República, a começar na manchete e a acabar nas fotos, em dégradé, que ocupam duas páginas da edição, a inculcar o “declínio” da honra e da probidade do dito Senhor.
Espremida a prolixa e palíndroma escrevinhação dos “jornalistas” do “Expresso” encarregados do ataque, nada há que possa indicar a mais leve sombra de malfeitoria praticada pelo vosso alvo.
O que não os impede de insinuar a cada passo alguma ilegitimidade, oportunismo, associação menos respeitável, ao ponto de se sugerir ao espírito dos leitores a ideia de engano, mentira e desonestidade.
 
Se compararmos a atitude do “Expresso” às da dona Moura Guedes, o que pode dizer-se é que a senhor é uma santa e uma grande jornalista.
 
Suponho que as entidades que lhe terão encomendado esta miserável cena (o PS? O senhor Pinto de Sousa? O Grande Oriente Lusitano?) lhe estarão gratas e saberão, na altura própria, manifestar tal gratidão. Bom proveito seja a Vossa Excelência.
 
Devo acrescentar que não sou “cavaquista” nem tenho procuração para defender o PR. Dados os recentes afloramentos da moral republicana, como é o caso do “Expresso” de Sábado passado, cada vez sou mais monárquico.
 
Com os melhores cumprimentos
 
António Borges de Carvalho

PIADÉTICOS E ORDINÁRIOS

 

Conheci o camarada Lello há para aí uns vinte anos. Era um rapazola simpático, farta cabeleira negra, provinciano q.b., deslumbrado com Lisboa e com a Europa.
Pouco ou nada tinha dentro da cabeça. Mas dizia umas graças e tornava-se querido por isso. Não chateava e, por vezes, conseguia fazer rir.
Perdi-o de vista, mas segui-lhe a carreira pelos jornais. O camarada Lello depressa se transformou num aparatchik de primeira, com lugar cativo nas listas do PS. Continuou a dizer graças e a ter presença nos jornais por causa delas. Chegou a ministro, ou secretário de estado, já não sei, no tempo do guterrismo. Como tal nada disse com graça, ninguém deu pela sua presença ou pela sua “obra” no governo. Nem ninguém mais se lembrou dele.
Mas ele lá estava, sempre sempre com o poder, ou seja, com quem estivesse na mó de cima do socialismo nacional.
Chegou, imagine-se, a presidente da Assembleia Parlamentar da OTAN! Já se sabia que a OTAN anda um bocado por baixo, mas tanto, não.
O mandato acabou-se, e aí está ele, sempre na brecha, sempre com o chefe, sempre com quem está por cima.
 
O problema é que parece ter perdido a arte da graçola, dedicando-se à vulgaridade e à ordinarice que, se calhar, são o que lhe vai na alma. Elogia as cavalidades do Vital, os insultos do Vital, as escarretas do Vital e do Portas Miguel. Tanto, que até critica a camarada Maria de Belém, que teve o imperdoável deslize (imperdoável para o carroceirismo lelo-vitalista) de elogiar o comportamento liso e sério do PSD no que respeita ao caso BPN. Facto este que contrasta brutalmente com o miserável manobrismo do PS no que aos casos BdP, Eurojust, Freeport, UNI, CMCovilhã, Heron, etc. diz respeito.
 
Espera-se que o eleitorado saiba fazer este tipo de distinções.
 
1.6.09  
 
António Borges de Carvalho

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  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D