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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

COMEMORAR A REPÚBLICA, OU DA HISTÓRIA DE PANTANAS

 

 

Aqui há dias ouvi o Dr. Mário Soares afirmar que o regime em que vivemos é o da segunda república, não da terceira. Perguntado sobre a razão de tal e tão estranha afirmação, o ilustre senhor referiu que o Estado Novo, enquanto ditadura, não tinha sido uma república.

Este tipo de “pensamento” é conhecido e reconhecido em várias cabeças, com os rapazes do Grande Oriente à frente.
Se eu fosse o entrevistador do Dr. Mário Soares perguntar-lhe-ia se achava que o General Craveiro Lopes era filho do Marechal Carmona e se o Almirante Tomás tinha sido gerado no ventre da dona Berta Craveiro Lopes. Isto, para ajudar o lustre cidadão a demonstrar que o Estado Novo foi uma monarquia.
Estas ideias mais ou menos tontas partem do princípio que uma república é democrática por definição. O que contraria frontalmente a verdade, uma vez que deixam de o ser uma enorme quantidade de repúblicas por esse mundo fora, que de democráticas nem o nome.
Mais interessante seria perguntar ao ilustre político como é que os seus adeptos se preparam para comemorar os cem anos da república, ao mesmo tempo que dizem que os quarenta anos do Estado Novo não foram vividos sob uma república.
E também gostaria que o grande laico, republicano e socialista nos esclarecesse se acha de um regime que se chamava república portuguesa, que hasteava a bandeira da república - não a da Nação - que utilizava o hino da república como emblema do Estado, que tinha um presidente da república, não era uma república. Então o que era?
 
A posição desta gente a este respeito é uma desonestidade intelectual como outra qualquer, com a agravante de ser ensinada nas escolas.
Vivemos, é evidente, na treceira república, não na segunda, que acabou há 35 anos.
Como é que, “pensando” como esta gente, é possível comemorar os cem anos de uma coisa que se diz ter sessenta! Venha o mais pintado, e explique.
 
Já agora, sendo absolutamente inequívoco que a primeira república foi uma monumental vergonha cuja consequência natural foi a segunda, a que o Dr. Soares não aceita como tal, e que a terceira… a ver vamos, seria de perguntar ao grande socialista o que é que, afinal, ele e os seus amigos têm para comemorar?
Como é que ele e os seus amigos se preparam para gastar milhões e milhões a festejar os 100 anos de uma coisa que começou por ser uma vergonha (16 anos), que deu em ditadura (40 anos) e que, com alguma, pouca, qualidade, existe apenas há 35?
 
Faz-me lembrar, ao quadrado, o grande dirigente algarvio, senhor Bota, que, aqui há uns anos, publicou um opúsculo que se chamava “No Décimo Aniversário de Doze Anos de Poder Local”…      
 
29.12.09
 
António Borges de Carvalho   

BIRRAS E ALDRABICES

 

As recorrentes birras da clique “governante”, seja contra a oposição seja contra o Presidente da República, evidentemente instigadas e elogiados os seus actores pelo primeiro-ministro, pedem uma pequena reflexão sobre a leitura que deve, ou devia ter sido feita dos resultados eleitorais.

 
Pela primeira vez na III República, um primeiro-ministro no poder perde a maioria absoluta de que dispunha.
Desta realidade, o primeiro-ministro e o seu partido extraem duas leituras opostas:    
Na primeira, o primeiro-ministro e o PS trataram de comunicar à Pátria a estrondosa vitória eleitoral que tiveram, e a sua intacta legitimidade para governar;
Na segunda, o líder do PS, generosamente, informou que ia “consultar” os partidos parlamentares, a fim de saber das possibilidades de cooperação que teria com cada um deles.
 
Por um lado, a afirmação da “totalidade” do poder e da legitimidade. Por outro, o aparente reconhecimento de que as coisas tinham mudado.
É evidente que a segunda leitura, como está provado, não passou de teatro, em que o primeiro-ministro usou os partidos como marionetas, na exclusiva intenção de vir a assacar-lhes a culpa de não haver, da parte deles, qualquer “abertura”.
O primeiro-ministro que, acima e para além de tudo, é um primitivo sedento de poder, julgou que os partidos e o eleitorado iriam “compreender” a sua “recta” intenção. Desde a primeira hora, há cinco infelizes anos, que este homem parece achar que os demais são parvos, tratando-os como tal.
 
Leiamos nós, sinteticamente, os resultados das legislativas:
 
- Todos os partidos cresceram, à excepção do PS, que encolheu;
- Dos partidos da oposição, dois há que fariam maioria absoluta com o PS - o PPD/PSD e o CDS-PP.
 
Isto quer dizer, em termos de democracia representativa:
- Que os eleitores estavam fartos de ver o PS a governar sozinho
- Que os eleitores apontavam, claramente, os partidos com quem o PS devia negociar uma solução de governo.
 
Isto é tão evidente que não pode ser objecto de discussão. Se o PS quisesse encontrar uma solução estável ou, pelo menos, que garantisse a tão proclamada “governabilidade”*, o que tinha que fazer era ler o que nas urnas foi escrito.
Mas não o quis fazer. Com a óbvia, estulta, estúpida e pouco democrática intenção de guardar o poder só para si, fabricou a comédia das “audições” aos demais, como se não soubesse que o acordo com uns seria impeditivo do acordo com outros.
Conseguiu o seu estúpido objectivo: governa sozinho. Na claríssima intenção de vir a vitimizar-se se as coisas lhe não correrem de feição. Pondo as culpas, como faz imparavelmente desde o primeiro dia, seja aos demais, seja, qual cereja em cima do bolo dos coitadinhos, ao Presidente da República.
 
O problema é que as aldrabices, manipulações e acusações do primeiro-ministro e dos demagogos de serviço não são problema deles, que não têm consciência democrática, nem sentido de Estado, nem respeito pelos outros. É de todos nós, mergulhados que estamos, como nunca, no plano inclinado da miséria, da insolvência, da ausência de liberdade. E sem saber como se sai disto. Só sabemos que, com esta gente, não saímos.
 
29.12.09
 
António Borges de Carvalho  
  
* Neologismo inventado pelo PS.

VIAGEM A UM MUNDO ROTO

      

 
Olhem para isto:
 
Veremos se o Presidente se atreve a vetar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, inscrito no programa do governo eleito. Não é uma questão menor. Trata-se de saber se estamos numa democracia parlamentar europeia ou na Venezuela.
 
Esta bela frase, de um homosexualismo fundamentalista é produto das intelectualíssimas meninges de uma senhora que, não tendo nada de estúpida, tem muita esquerdofrenia metida nos neurónios. As suas prosas habituais são disso claro sinal. Trata-se de dona Inês Pedrosa, nascida em Coimbra em 1962. Consta que publicou várias obras, obras que o IRRITADOteve o cuidado de não ler.
 
A acima transcrita frase merece algumas considerações, a fim de que se possa avaliar das repenicadas farfalhices do cérebro da ilustre senhora.
 
Primeiro: se o “casamento” em causa estava no programa do partido que resolveu formar um governo minoritário contra a evidente vontade dos eleitores, o seu contrário estava, indisfarçável e indisfarçado, na personalidade do Presidente da República, que foi eleito com muito mais votos que o tal partido. A qual deles recorrer, quando se põe uma dúvida quanto à legitimidade da iniciativa? Dir-se-á que se trata de um problema constitucional. A absurda enormidade do nosso semi-presidencialismo leva, como é evidente, a este tipo de situações.
 
Segundo: a senhora, por propositada ignorância e por demagogia engagée, resolve escrever que, se o “casamento” for aprovado, somos uma democracia parlamentar europeia, se não o for somos discípulos do camarada Chávez.
 
Esclareçamos:
a)    Em Portugal, país europeu, não há uma democracia parlamentar. O regime é semi-presidencialista. O parlamento e o Presidente têm a mesmíssima origem eleitoral;
b)    O único regime semi-presidencialista da Europa é, com certas diferenças em relação ao nosso, o francês. Em França não há casamento de Chiquinhos com Zézinhos, nem de Tânias com Vanessas. Há outra coisa, de diferente natureza, que se chama PAC, e que é muito bem vista pela esquerda local;
c)    Nos restantes regimes parlamentares europeus, o que se verifica é que, nuns, há o tal “casamento”, noutros não. Nuns há coisas do género do PAC francês, noutros não;
d)    Os regimes parlamentares europeus onde não há tal “casamento” são largamente maioritários.
 
Não consta que qualquer dos regimes referidos em d) tenha alguma coisa a ver como o esquerdista Chávez, da Venezuela.
Por conseguinte, se o nosso Presidente der à esquerdófilo-demagógica iniciativa o destino que a dona Inês prevê, ou seja, “se atreva”(!!!) a vetá-lo, estará no seu direito e representará cabalmente pelo menos a maioria que o elegeu, não a minoria que o governo representa.      
A atitude da dona Inês, essa sim, representa bem uma mentalidade venezuélica, ou chavista, quando tem o topete de vituperar o Presidente no caso de ele se “atrever”(!!!) a não concordar com ela. Como é evidente, a postura da dona Inês é a mesma do primeiro-ministro que temos e que a senhora defende. É também a postura normal do seu (dele) íntimo amigo e detentor de padrão ideológico, o cassanho Hugo Chávez.
 
Se a dona Inês fizesse parte do escol de ignorantes e demagogos que o senhor Pinto de Sousa tanto admira, como o Ricardo e o Sérgio, para só citar dois, compreender-se-ia os seus dislates. Mas tratando-se de figura notória da nossa inteligentsia, não se pode compreender nem aceitar tanta aldrabice, tanto disparate, tanto desplante, nem tanta desonestidade.
 
27.12.09
 
António Borges de Carvalho

DESPACHO SECRETO

 

Julgava o IRRITADO que um despacho, como uma sentença, como uma escritura, eram documentos públicos.
Pelos vistos, julgava mal.
O senhor procurador-geral da República é de opinião diversa. Os seus despachos, quando convém, são secretos. Mesmo quando se trata de pôr à disposição dos cidadãos os argumentos ou acontecimentos que levaram órgãos legítimos do poder judicial a achar que o primeiro-ministro cometeu crimes. Os portugueses têm o DIREITO de conhecer o que levou uns magistrados a tal conclusão e outros à conclusão contrária. Admita-se que os segundos têm razão. Admita-se que o primeiro-ministro é o cidadão impoluto que proclama ser. Então, com que direito se esconde tais “provadas” qualidades?
Não se trata de saber se o primeiro-ministro cometeu ou não cometeu crimes. Trata-se de reconhecer aos cidadãos o direito, que têm ou deviam ter se vivêssemos num estado de direito, de conhecer as razões da Justiça, que são públicas por natureza uma vez tomadas.
O senhor procurador-geral da República envolveu-se nas mais ridículas e contraditórias declarações, chegando ao ponto de dizer que, respeitando os cidadãos, tornaria públicos os factos que levaram à actuação da Justiça. Porque não o fez? Mesmo que não publicitasse a matéria de facto (as escutas) não seria (não é?) obrigado a dar à estampa o seu despacho? O despacho não é publicado em nenhum órgão oficial? Como é que um despacho que dá por “transitado” um assunto não é público?
Perguntas talvez estúpidas, ou próprias da ignorância do IRRITADO.
Talvez. Mas, de certeza, motivadas por atitudes que revelam o mais radical desrespeito pela dignidade dos cidadãos e a mais inacreditável subserviência do poder judicial ao poder político.   
 
27.12.09
 
António Borges de Carvalho
 
NB. A este respeito, leia-se o artigo ontem publicado no DN pelo Prof. Paulo Pinto de Albuquerque, sob a epígrafe “Mistério insustentável”.

ESCANDALEIRA

 
 

 
Os “capitais estrangeiros” que, dada a “confiança internacional” que o Portugal socretino merece (no esclarecido dizer do ministro das comunicações), vão ser investidos na ZON pela dona Isabel dos Santos, “empresária” angolana, vão ser financiados pela Caixa Geral dos Depósitos, banco ao serviço do dito Portugal.
Nem investimento estrangeiro, nem confiança, nem nada. É tudo mentira. E, como é conhecida a prontidão como os angolanos costumam pagar o que devem, nem sequer se pode alegar que se trata de um negócio da CGD como outro qualquer.
Se a CGD emprestasse os 164 milhões ao IRRITADO, ou a outro tipo qualquer? Não seria mais seguro? Os dividendos da ZON não dariam para pagar o empréstimo, mais os juros? As acções da ZON não dariam para garantir o capital? Afinal, que confiança é essa? Que capitais estrangeiros são esses? Nem uma coisa nem outra. Estupidez, subserviência e aldrabice, é o que é.
Uma escandaleira que só em Portugal não faz cair o governo.
 
27.12.09
 
António Borges de Carvalho

OFENSAS

 

O mais inacreditável de todos os jornalistas ao serviço do PS, um tal Marcelino, serventuário do “amigo Oliveira” e director do órgão de protecção do senhor Pinto de Sousa, além arauto de correspondência particular de colegas seus com o fim de dar as eleições a ganhar ao amigo do patrão, veio a lume expondo a sua verdadeira natureza e a de quem nele manda.
Com base num relatório da Marktest, firma famosa pelas suas esclarecidas sondagens, revolta-se, indignado (admita-se que com eventual razão) contra os que acusaram o seu chefe político de ter desviado publicidade de uns jornais para outros. Revolta-se, igualmente, contra notícias -  palavra que põe entre aspas - publicadas sobre a situação financeira do grupo que serve, o do “amigo Oliveira”. Para, afinal, chegar à conclusão, devidamente embrulhada, que tal situação é o que as notícias rezavam!
Tudo isto, enfim, faz parte da fidelidade aos amos, o político, que lhe paga indirectamente com elogios rasgados, e o empresarial, que lhe paga directamente, em dinheiro. Compreenda-se.
 
De notar são os primores de linguagem de que se serve para adjectivar os seus “inimigos”. Estes, segundo ele, escrevem com “absoluta falsidade”, “desonestidade intelectual”, ignorância, “critérios”… de “pobre e medíocre rosário”, “terrorismo”, “manipulação”, “infâmia”, “intriga”, “falsidade” outra vez, “infâmia” outra vez, “terrorismo empresarial”, “oportunismo político”, “campanha vil”.
 
O IRRITADO, que tem muitas vezes dificuldades em encontrar palavras que definam o governo do senhor Pinto de Sousa, agradece as sugestões deste magnífico pintodesousista/oliveirista, as quais, em caso de necessidade, podem vir a suprir emergentes hesitações literárias.
 
De notar ainda como este ilustre representante do poder socrélfio, se revolta por não ter sido objecto dos mais vivos e humildes pedidos de desculpa por parte daqueles que tiveram a ousadia de dizer coisas menos agradáveis ou verdadeiras acerca das nobres causas que serve. Ele, coitadinho, que é universal objecto do nojo e do escárnio dos jornalistas e jornais deste país pela forma indecente como contribuiu, via imperdoável crime, sem pudor nem respeito pelos princípios básicos da sua própria profissão, para, ilegitimamente, influenciar a favor do PS o voto de muitos milhares de portugueses.
 
Não há maior ofendido que aquele que ofendeu.
 
Last but not least, o homem considera-se uma celebridade “mundial”, por ter sido objecto de um processo em que lhe “são exigidos cerca de 5 milhões de euros”, isto por se julgar “um trabalhador livre” quando mudou de patrão. É evidente que o ilustre senhor não adianta nem quem o processou, nem as razões que este alegou para o fazer.
Mais uma prova da altura moral e do pudor profissional deste grande líder de opinião, bem ao nível do seu chefe político em matéria de linguagem, bem ao nível do seu chefe político em matéria de argumentação. Nem se esqueceu, sabe-se lá porquê, de arranjar uma “campanha vil”. Não “negra”, mas “vil”. O artigo que publicou chama-se, significativamente, “Denúncia de Uma Campanha”!
 
Tal mestre, tal aluno.  
 
27.12.09
 
António Borges de Carvalho

IGNORÂNCIA, ESTUPIDEZ, OU SÓ DESONESTIDADE?

 

O primeiro-ministro brindou o Parlamento e a Nação com mais um desfiar de provocações, acusações, alarvidades, faltas de educação e de respeito, ameaças veladas ou não, tudo destinado a desestabilizar o funcionamento da III República e, simultaneamente, a afirmar o “seu” poder, em cacos por inanição, bem como total incompetência e estupidez crassa e saloia.
 
Um pequeno exemplo disto tudo:
Afirmou o senhor Pinto de Sousa que a abolição do PEC “tira”, pelas contas do governo, cerca de 800 milhões de euros de receitas de impostos. Mais adiante, em “resposta” ao PP, disse que a mesma abolição “é uma irresponsabilidade” porque se tratava de um imposto que representava 400 milhões de euros”.
800 milhões? 400 milhões? Imposto?
 
IGNORÂNCIA: o fulano não sabe que o PEC não é (não era) um imposto, mas sim um adiantamento sobre um imposto - o IRC - passível de confirmação ou devolução no futuro. Por isso, o PEC jamais teve influência na receita, só na tesouraria.
ESTUPIDEZ: para as meninges do fulano 800 milhões e 400 milhões são uma e a mesma coisa.
DESONESTIDADE: é a alternativa. Se calhar, o fulano não é tão estúpido nem tão ignorante como parece, é só desonesto. O que, aliás, já se sabia.
 
Desonestidade que o faz achar muito bem que se venda a ZON à dona Isabel e muito mal que se venda a CIMPOR aos brasileiros.
Desonestidade que o faz mandar desferir, e desferir ele mesmo, ataques idiotas contra o PR, só porque este se “atreve” a não incluir, nas suas prioridades como Chefe de Estado, o “casamento” de manuéis com joões e de fernandas com amélias. Quando se é visceralmente desonesto, vale tudo.
DESONESTIDADE, ou ESTUPIDEZ, mas sempre abuso de confiança, que o faz dizer, e aos seus sequazes, que o “povo” “sufragou” tal “casamento” quando lhe deu 30% dos votos, e não sufragou o contrário ao dar mais de 50% ao Presidente.
ESTUPIDEZ que o faz não perceber que é capaz de se lixar (praza a Deus!) com estes chorrilhos de barbaridades.
 
Como o IRRITADO já opinou, ou o PS tem o bom senso de se livrar desta abominável criatura e do bando dos seus mais próximos, ou estamos metidos numa camisa de onze varas.
 
24.11.09
 
António Borges de Carvalho

DIZ-ME COM QUEM ANDAS

 

Com fanfarra e charamelas, o governo, através da imprensa e do novel ministro das comunicações, anunciou mais um grande triunfo: a venda de 10% da ZON a uma senhora de nome Isabel dos Santos, pela módica quantia de 160 milhões de euros, com um goodwill de nada menos de 31 milhões. É obra!
O IRRITADO, que é nabo e ingénuo, foi-se ao Forbes à procura da dona Isabel. Que diabo, uma senhora que faz uma comprita de 160 milhões tem que vir na lista!
Mas não vem.
 
Segundo as informações disponíveis, Dona Isabel, atenção!, não surgiu do nada para comprar 10% da ZON: é proprietária de cem por cento de uma empresa com sede em Malta (em matéria de IRC estamos conversados), a qual, que se saiba:
- detém uma posição relevante (quanto?) na GALP;
- tem investimentos na exploração/produção energética em Angola;
- é accionista de referência nos bancos angolanos BIC e BFA, e nos portugueses BPI e BIC;
- controla a maior cimenteira de Angola;
- detém posições na Unitel e na TV paga de Angola.
 
Como é que uma senhora tão jovem chegou a tais píncaros de poder financeiro?
Deve ter pelo menos cinco MBA’s, oito cursos de gestão e nove de economia e direito. Ou então, quem sabe?, é uma self made lady que começou com um cabeleireiro no Roque Santeiro, abriu uma filial na Mutamba e uma mercearia na Restinga, donde passou a um supermercado no Cuíto, e assim por diante. Em alternativa, poderá ter casado com um multimilionário indonésio que fez o favor de morrer passados três meses.
Usando um pouco de imaginação, e dada a ausência de dados sobre a carreira da senhora, é legítimo pôr estas hipóteses.  
 
O mistério, no entanto, depressa se desfez.
Dona Isabel, empresária!, é filhinha do Presidente Eduardo dos Santos, ex-bolchevista convertido ao mais ginasticado capitalismo. E esta?
O papá ainda é vivo, portanto a dona Isabel ainda não herdou. No fundo, deve representar o papá. E onde é que o papá foi buscar o dinheirinho? Bom, a verdade é que não consta que o senhor alguma vez tivesse sido empresário, ou financeiro, ou banqueiro, ou seja o que for que, dentro dos limites da legitimidade, crie riqueza.
Então?
 
Então, deixo aos povos, português e angolano, a tarefa de imaginar onde foi a ilustre família presidencial buscar os vastos meios de que dispõe. Por mim, não imagino nada mais, dado, passe o vernáculo, a ter um certo amor ao coiro.
No que me interessa, fica a enorme e indisfarçada alegria do governo português e o brilhosinho nos olhos do ministro das comunicações pelo magnífico negócio realizado. Chega.
 
Les bons esprits se rencontrent.
 
A moral republicana tem as suas exigências, sobretudo quando se trata de luta contra a corrupção.
 
22.12.09
 
António  Borges de Carvalho

DA MAFIA POLÍTICA

 

O Dr. Sampaio, do assento etéreo onde subiu, contemplou a plebe e declarou:
 
Tivemos eleições há três meses e ninguém no seu bom juízo pensa que vamos ter outras, como é óbvio.
 
Aqui temos o que é o verdadeiro lançamento da campanha anti Presidente da República ora em curso por obra do partido socialista.
O Dr. Sampaio, que já se esqueceu do golpe de estado que perpetrou, sem vergonha nem rebuço, quando quis correr com um governo maioritário que não lhe agradava, opina que o seu sucessor está maluco, se dissolver um parlamento em que um governo minoritário esbraceja, impotente, no miserável pântano em que, por obra do próprio, o país soçobra.
Vindo ainda relativamente longe o período em que o Presidente terá poder de dissolução, o espantoso e completamente desavergonhado senhor vem, desde já, prevenir a Pátria que, se o actual Presidente fizer o mesmo que ele fez - mas com muito mais razões - é porque perdeu o juízo. Mais uma demonstração da “isenção”, da “independência”, da “atitude construtiva” que sempre foi timbre do Dr. Sampaio.
O IRRITADO não sabe se o Presidente deve dissolver o Parlamento ou deixar o governo cair de podre.
Mas sabe que atitudes como esta do Dr. Sampaio configuram aquilo a que se pode chamar uma postura politicamente mafiosa: ou fazes o que eu quero ou perdeste o juízo.
 
Na “implementação” (como soe, infelizmente, dizer-se) da campanha aberta pelo socialista Sampaio, avança o socialista Pinto de Sousa com evidente manifestação da sua profunda natureza carroceira.
Andando pelo país a badalar propaganda, atrasa-se e manda dizer ao Presidente que prefere andar na propaganda a respeitar o compromisso assumido para uma reunião em Belém. Para dar mais cor à coisa, diga-se que essa audiência, por bondade do Presidente, tinha sido agendada para momento que mais convinha ao carroceiro.
Noutra monumental falta de educação, integrando mais uma acção da campanha socialista contra o Presidente e manifestando a radical ausência de sentido de Estado que anima o carroceiro, o mesmo tinha faltado à posse os conselheiros de Estado, órgão consultivo do Presidente.
É evidente que o Presidente não gostou, nem podia gostar, destas monstruosas afrontas. Não é preciso ser jornalista, nem ser de intrigas, para perceber isto. Mas, quando os jornais o disseram, salta a maralha da campanha da máfia socialista, aos gritos que o Presidente é que é o mau da fita. O senhor Pinto de Sousa, emérito aldrabão como é público e notório, assume angelical postura. Pudera, se os peões de brega tinham recebido ordens para atacar e já o andavam a fazer, não precisava de se preocupar mais com o assunto.
 
Destaque-se a performance de dois dos referidos peões:
 
Um deles, que dá pelo nome de Lelo embora se chame Ribeiro de Almeida, em mais uma demonstração do alto valor intelectual que o caracteriza, disse:
O Presidente, nas coisas em que intervém, tem uma postura interventiva.
Veja-se a inteligência, a lógica, a clarividência desta afirmação. Na opinião deste piadético, grande dirigente das massas socialistas, o Presidente deveria intervir de forma não interventiva, isto é, sem intervir. Se intervém intervindo, então está tudo estragado!
Um mafioso, tão parvo e tão primitivo, que, se calhar, só devia intervir na campanha de forma não interventiva, ou seja, sem intervir. À atenção do senhor Pinto de Sousa.
 
Passarão mais qualificado é um tal Sousa Pinto (será primo do Pinto de Sousa, mas invertido?), rapazola com ar de sacristão, estrénuo defensor do mariquismo militante, distribuidor incansável de preservativos na universidade e na Caparica, ex-presidente da impagável juventude socialista - coisa abominável cujo pensamento político, historicamente, se reduz a questões provenientes de desvios sexuais - resolveu ofender-se porque o Presidente declarou que as prioridades do país não incluem o “casamento” de larilas com larilas nem de fufas com fufas.
Quem ouvisse o Presidente com ouvidos de ouvir, acharia isto uma verdade nua e crua, uma evidência tão evidente, passe o pleonasmo, que até o amigo banana era capaz de a dizer.
Mas o Sousa Pinto não acha. Para ele o tal “casamento” está à frente de tudo. Que interessa a crise ou o desemprego comparados com a rabichagem? Nada.
Muita falta nos faz, neste momento histórico, a sagacidade libertária da Natália Correia!
O rapaz acusa o Presidente de se estar a “intrometer” na agenda política do PS, pondo “em causa a oportunidade do diploma (do “casamento”) e as prioridades do governo e do PS, que constam no programa eleitoral que foi sufragado pelos portugueses”.
Lapidar! Que melhor confissão do que são as verdadeiras prioridades do PS! Que melhor demonstração das mais fundas preocupações de tal gente!
No paleio do badameco, o Presidente está a “contribuir para a dramatização da vida política nacional”. O representante de uma organização que anda há mais de um mês a não fazer outra coisa senão dramatização, vitimização, desculpabilização, etc., vem virar o bico ao prego acusando terceiros dos seus próprios pecados.
 
Mais bandalheira, mais mafiosismo, não sei se será possível.
 
O IRRITADO não é, nem de longe, o que se chama um admirador fiel do Presidente da República. Mas, tratando-se de pessoa que deixa os socialistas a cósmica distância moral, sente-se na obrigação de lhe não negar a razão e o direito de dizer o que disse, bem como de se ofender com as carroceiradas desta gente.
 
22.12.09
 
António Borges de Carvalho        

DOS NOBRES FEITOS DO “ZÉ”

 

Rezam as crónicas que o Costa anda para aí a espernear por causa de um tribunal arbitral que sentenciou a CML a pagar aos empreiteiros do túnel do Marquês a módica quantia de 23 milhões de euros. Negociações, reclamações, lamentações, discussões, enfim, parece que a coisa talvez se possa resolver com uns 18 milhõezecos. Esta irrisória verba tem duas origens: os trabalhos a mais e… os prejuízos causados por um tal Fernandes, auto-proclamado “Zé”, antigo pendura do Louça e actual sócio do Costa, fulano que nem estofo tem para trabalhar no lixo, quanto mais para vereador.
Computados os prejuízos que o “Zé” nos causou, entre paralisação da obra e danos causados a terceiros, somos capazes de ultrapassar os dez milhões.
 
Se eu requerer uma providência cautelar, se o juiz a decretar e se se vier a provar que eu não tinha razão, ninguém porá em dúvida que eu devo à outra parte, por danos e prejuízos de toda a ordem, a importância dos mesmos acrescida das devidas indemnizações.
 
Então, e o “Zé”? O “Zé” não só não paga nada como anda para aí a gabar-se do que fez. E ninguém lhe vai à mão! Nem o Costa, que poderia e deveria ter alguma dose decência no corpo acaba com a sociedade, nem os cidadãos, que tantas vezes se movimentam por dá cá aquela palha, fazem nada, nem há para aí nenhum procurador de Justiça que lhe caia em cima.
Nada.
Ninguém.
 
As alminhas comovidas, do Presidente da República ao Pinto de Sousa, passando pela generalidade da classe política – até o Preto anda na festa – tudo minha gente anda empenhadíssimo no nobre combate à corrupção. Um molho de leis vai ser produzido, sendo de garantir que cada uma será pior e mais inútil que a anterior. No fim, a classe política em geral ajeitará as melenas ao espelho, encantada consigo própria pelo seu triunfante combate legislativo.
Entretanto, a dona corrupção, patroa da maison close de tantos e tão gostosos pecadilhos e de não menos lucrativos pecadelhos, ficará exactamente na mesma, feliz e contente. Mais uma vez, os proclamados combatentes da moralidade pública (republicana!) foram complicar a forma em vez de tratar do conteúdo, isto é, das causas da corrupção.
 
No meio desta borrada, os mais corruptos de todos, à frente dos quais o “Zé”, sujeito e predicado da pior de todas as corrupções que é a corrupção moral e a fuga em frente perante os estragos causados, andam para aí, caloteiros e pidescos, a pavonear-se nos salões do poder. 
 
20.12.09
 
António Borges de Carvalho

INGOVERNABILIDADE

 

 
 
Desde que Pinto de Sousa tomou posse pela primeira vez, o país deixou de ser governado.
Os resultados estão à vista. E ainda estamos muito longe do pior.
 
O governo passou a ser uma máquina de propaganda do partido socialista, a administração pública transformou-se numa fábrica de mentiras usada pelo governo em cerimónias (quantas vezes várias para a mesma coisa) de apresentação disto e daquilo, quer houvesse ou não a intenção ou a possibilidade de fazer o que se anunciava. As finanças públicas passaram a ser alimentadas por impostos acrescidos e excessivos, as receitas usadas em reformas xoxas, em pagamentos a novas “entidades”, “autoridades”, “fundações”, numa loucura de disfarces para o aumento do número de  funcionários ao serviço do governo e do partido. As despesas mais violentas (olhem as estradas!) foram desorçamentadas para libertar as contas públicas de alcavalas e arranjar mais dinheiro para a propaganda. O famoso equilíbrio orçamental, baseado na mais hedionda falsidade, foi um fogacho que muito custou a muita gente, não ao governo. Os funcionários que usaram a liberdade que pensavam ter para criticar o governo foram castigados. Os empresários desalinhados sofreram as consequências da sua independência política. As empresas mais ou menos públicas passaram a servir o governo em vez dos interesses dos accionistas. A informação demasiado incómoda foi calada.
 
Por estas razões e muitas mais, quando hoje se fala de “ingovernabilidade” está a falar-se de uma espécie de continuidade socialista.
Só que, até às últimas eleições, o país não era governado porque o governo, sem desculpa, não governava. Agora, segundo diz o poder, não será governado porque o PS é bom e os outros são maus para ele, coitadinho.
 
Quando o ministro das finanças, que tinha proclamado que o código contributivo não aumentava os impostos, veio dizer que, sem código contributivo, o estado ia perder uma data de milhões, declarou com todas as letras que o governo continua tão aldrabão como sempre foi. De onde vinham os milhões que o estado perdeu quando o código foi chumbado? Da árvore das patacas? Ou dos bolsos de cada um? Se não provinha de impostos, donde vinha?
Mas o ministro das finanças disse mais. Que “assim não pode ser”, coisa que não pode ser interpretada de outra maneira senão como o abrir de uma porta para, ou o governo ou o ministro, se ir embora. Sendo a culpa, é evidente, de terceiros.
 
Depois, foi o que se viu. Na senda das “intrigas”, das “fugas de informação”, das “cabalas”, das “perseguições”, das ”forças ocultas”, das “campanhas negras”, o governo encontra na sua própria vitimização a razão de ser de todos os males deste mundo. Se há ingovernabilidade, a culpa é da oposição. O governo, santa alma, está “aberto a negociar" com todos.
 
Esta mentirosíssima vontade de abertura começou com a célebre ronda de audiências que o senhor Pinto de Sousa “concedeu” aos partidos políticos logo a seguir às eleições. Quando o senhor Pinto de Sousa se “oferece” para governar com o PC ou com o CDS, com o BE ou com o PSD, com a direita ou com a esquerda, ou com uma omeleta de direita com queijo de esquerda, ou vice versa, tanto faz, o que está o governo a dizer?
Que, ou só tem trampa dentro da cabeça, ou está a gozar com o pagode ou - será o caso - a preparar desculpas de mau pagador para o que der e vier, coisa em que é conceituado especialista.
O que jamais se poderá dizer com verdade é que o senhor Pinto de Sousa, ao fazer as tais reuniões, tinha qualquer objectivo de “governabilidade”. Aliás, ao mesmo tempo que as fazia, cá por fora a alcateia gritava que o governo tinha que governar com o programa do partido, não com os das oposições.
Ou seja Pinto de Sousa e o PS nunca quiseram aliados, propunham-se contratar criados, subordinados, factota, que os ajudassem a cumprir o programa deles.
Mais uma vez, o senhor Pinto de Sousa não se abriu a acordo nenhum, nunca o quis, o que fez foi chantagem com os outros, na esperança de, lançado o medo de uma crise política que ninguém quererá, continuar a (des)governar como até aqui.
 
Os governos de coligação são o pão-nosso de cada dia na maioria dos estados da chamada Europa. Os noruegueses, os holandeses, os belgas, por exemplo, nem se lembram de algum governo de maioria absoluta de um só partido, ou nem sabem o que isso é. E, nos países citados como noutros, nem sequer há essa coisa extraordinária que é o semi-presidencialismo à portuguesa. São, felizmente para eles, Monarquias Constitucionais. Não têm um Messias em Belém para servir de bode expiatório em caso de necessidade. Os partidos sabem que virão a governar em coligação quer queiram quer não. Sabem que os seus programas serão condicionados pelos daqueles com que se coligam para governar. Sabem que não pode ser de outra maneira.
 
Mas o senhor Pinto de Sousa não sabe nada que não seja ver-se ao espelho e achar-se uma tara. Não passa, no fim de contas, de um Quasimodo mental, um primitivo que nunca leu um livro nem fala francês. Só “inglês técnico”, e mal.
 
Ser-lhe-ia fácil, facílimo, fazer duas ou três coligações com partidos com ideias e projectos democráticos: PS/CDS, PS/PSD, PS/PSD/CDS. Pelo menos com o CDS, que não tem, ou ainda não tem, pretensões de alternativa, bastava acertar algumas regras programáticas, cedendo, é certo em várias matérias. Mas o que é uma coligação senão isso mesmo?
 
O senhor Pinto de Sousa não quer nada disso. Quer o poder todo. Todo. Como sabe que, assim, não vai lá, tratará de provocar eleições antecipadas enquanto o PSD não se reorganiza ou não ganha juízo, a fim de, em nome da governabilidade, ir buscar uma mão-cheia de votos à esquerda e outra ao PSD.
Em alternativa, é evidente que o senhor Pinto de Sousa está à espera que o Presidente da República se meta ao barulho, ou seja, meta a pata na poça de tal maneira que desapareça, do mar da nossa vida política, o último escolho em que, frouxa e duvidosamente, ainda pode haver algum resquício de salvação para os náufragos que continuam a não querer pertencer à medonha família do socialismo.
 
O resto é conversa.
 
16.12.09
 
António Borges de Carvalho
 
 
 

EMBUSTE

 

O storyteller Tavares insurge-se, e com toda a razão, contra os diálogos surgidos na net e anunciados como transcrição das escutas das conversas particulares entre os senhores Pinto de Sousa e Vara. Na opinião do dito storyteller, trata-se de manobra de algum “chico-esperto” que, sob a capa do anonimato e dando largas às suas frustrações por não poder caluniar os senhores publicamente, prenhe de ódio contra as personalidades envolvidas fornece à opinião pública coisas falsas, para a confundir e para caluniar os rapazes. Daí a vigorosa reacção do storyteller. Pletórico de indignação, vitupera os anónimos autores da falsificação.
 
O homem, diz-se e eu acredito, é um tipo inteligente. Tem a quem sair. É pena que, quando a cegueira política é muita ou muito bem provocada, as pessoas metam a inteligência na gaveta. Será o caso?
 
Então não é que o conhecido opinioso acha que a falsificação se deve a inimigos dos amigos Pinto de Sousa e Vara?
Então não é que acha que as bocas surgidas na net se destinam a confirmar as suspeitas da população?
Então não vê que os diálogos foram fabricados com o intuito exactamente oposto?
Então não vê que, para além de algum vernáculo destinado a excitar as massas, tudo aquilo não passa de uma lavagem das suspeitas?
Que diabo! O leitor desprevenido não vai achar que, com uns palavrõezitos à mistura, a conversa fabricada diz precisamente o contrário do que anda por aí? Nem amigo Oliveira, nem influência de espécie nenhuma na história da Moura Guedes – tudo fabricação do Cebrian, que é uma besta e anda às turras com o Sapateiro – nem mentiras ao parlamento no caso PT, nem nada?
Então não vê que, se as escutas fossem daquele teor, jamais juiz algum suspeitaria fosse do que fosse?
  
Valha-nos Santa Quitéria! Será admissível que o “Expresso” dê honras de página impar inteira, naturalmente bem paga, a tamanho embuste, muito pior e muito mais grave do que as bojardas dos anónimos na net?
Será possível acreditar que o storyteller tenha mesmo metido a inteligência na gaveta? Não será legítimo pensar que o fulano está mas é a satisfazer uma encomenda do senhor Pinto de Sousa ou do senhor Vara?
Fica ao critério de quem me ler.
 
13.13.09
 
António Borges de Carvalho
 
 
PS. Exmº Senhor Tavares
      A propósito da sua diatribe docontra os bandidos que, a coberto do anonimato, se servem da net para fins impróprios, sou a informar que o IRRITADO está irritado mas não é nem jamais foi anónimo. Sempre assinou o que escreve. Na net como noutros suportes, “Expresso” incluído.
 
ABC

NOSTRADAMUS DO SÉCULO XXI OU DA RESSURREIÇÃO DO BANDARRA

 

Como toda a gente sabe, o senhor Al Gore, profeta da nova religião, decretou que a humanidade está, por culpa própria, a caminho de uma hecatombe universal. O concerto das Nações resolveu pagar a uns tipos para confirmar as profecias gorianas. Aterrorizando as massas com uma versão “científica” do apocalipse, vai-se pondo em marcha uma operação de financiamento de inúmeras actividades tendentes a aplacar a fúria do cosmos contra as malfeitorias humanas.
Bem à maneira de Sodoma e Gomorra, na senda do dilúvio universal, mas sem valor simbólico, a religião goriana prevê para breve o cataclismo final. Isto, se os seus mandamentos não forem respeitados, quer dizer, não forem pagas pelas massas as massas que a nova “igreja” exige.
 
Como toda a gente devia saber, por culpa dos equilíbrios e desequilíbrios cósmicos, a Terra vai acabar como tudo o mais: um dia deixará de existir, ou de existir como tal. Amanhã ou daqui a três mil pentaliões de anos-luz. Tanto faz. A humanidade é incompetente para prever tal fim, muito mais para o provocar, adiar ou aproximar. Mas o gorianismo, sedento de poder e de dinheiro, não tem a ver com isto. É um assunto de fé. Não confessado como tal, mas de fé na mesma. Não se discute.
  
O nosso ilustre governo, como tantos outros apanhados nas malhas do novo pan-terrorismo místico-científico inspirado pelo senhor Gore - novo Nostradamus, genial Bandarra, emérito profeta - está preocupadíssimo com o assunto. Tratando-se de um país riquíssimo como o nosso, o governo prepara-se para dar à propaganda do senhor Gore a dízima que lhe é devida: trinta e seis milhões de euros, fora o que pingar em quotas de CO2.
 
Não se sabe quanto tempo vai durar o gorianismo. Mas sabe-se que uns milhares de “fiéis” vão ficar ricos com a coisa. O senhor Gore, por seu lado, já está riquíssimo, mas ainda quer mais.
 
As multidões, essas, são o que sempre foram. Sedentas de “causas” que as mobilizem, arranjaram a teima da “solidariedade com os pobres” para desculpar a crença nas crendices que lhes impingem. É evidente que os pobres só terão a perder com a pessegada das “culpas” de terceiros.
Tratando-se de fé, que importam as evidências?
 
13.12.09
 
António Borges de Carvalho

NOTAS DE DOMINGO À TARDE

 

BEM TRANSACCIONÁVEL
 
Seguindo apelos do Presidente da República e de várias forças vivas da Nação, o governo prepara-se para exportar o Dr. Victor Constâncio, ao que parece, bem transaccionável* de alta valia. O ministro das finanças, feitas as contas aos milhões que o homem vai ganhar na estranja, aplicou-lhes um coeficiente de poupança realista e chegou à conclusão que, num mandato de três anos, a ilustre personalidade deverá repatriar pelo menos 84.722.897 euros. Mesmo descontando a isenção fiscal do BMW745I importado no fim do mandato, verifica-se que o Dr. Victor Constâncio continua a ser uma mais-valia para a nossa situação financeira, como já tinha sido na genial produção do orçamento putativo ao qual o senhor Pinto de Sousa deve cinco anos de poder, bem como na forma diligente e responsável como supervisionou a actividade bancária
 
É de homens desta craveira que Portugal precisa.  
 
*Neologismo recentemente inventado para exprimir o que gostaríamos de ter por cá.
 
 
MEIAS VERDADES
 
Na minha qualidade de crítico da senhora dona Maria José Nogueira Pinto, sinto-me autorizado a apresentar ao povo o meu veemente protesto contra a forma indecente como os media pegaram no caso do palhaço.
É que não há português que não saiba que a senhora chamou palhaço a um tipo qualquer, deputado socialista. Mas a ninguém foi dado ser informado sobre o que o tal tipo disse que provocou a fúria da senhora.
Conhecendo como conhecemos o estilo do senhor Pinto de Sousa, do senhor Santos Silva e de quejandos, pode legitimamente imaginar-se o estilo do seu apaniguado parlamentar. Assim, o mais provável é que a senhora, ao chamar palhaço à criatura, tenha pecado por defeito.  
Assim não vale. Ou publicavam tudo ou não publicavam nada.
 
 
 
LIMIANO ILHÉU
 
Aí está. À semelhança do engº Guterres, o senhor Pinto de Sousa encontrou o seu queijo limiano para fazer passar o orçamento.
A diferença é que o tipo do queijo não ganhou nada com a jogada e o Dr. Alberto João vai forrar 79 milhões.
Tem a sua graça, não tem?
 
 
DE NOVO, O GOULAG
 
Depois do ilustre ex(?) comunista Vital Moreira ter avançado a tese do “negacionismo” para quem não acredita nas verdades “científicas” do aquecimento global e da sua origem humana, depois do deputado do partido comunista chamado BE Rui Tavares ter decretado que “não é lícito” ter opinião diferente da politicamente correcta, vem o senhor Daniel Oliveira, do mesmo partido, retomar a tese do criminoso “negacionismo” e lançar o anátema sobre os descrentes.
Por outro lado, a dona Inês Pedrosa legisla no sentido de que as pessoas que não são a favor do “casamento” dos homossexuais deviam ser internadas num asilo psiquiátrico.
Vêm o que está a acontecer?
Se você duvidar do politicamente correcto veiculado por esta gente, pratica um acto “ilegítimo”. Se você “negar” a existência das verdades em que esta gente acredita, é um criminoso. Se você acha que isso de homens com homens e mulheres com mulheres não é casamento, esta gente manda-o o resto da vida para um hospital psiquiátrico, como nos doces tempos do camarada Estaline.  
Vêm o que se passa?  
 
ENERGIAS RENOVÁVEIS
 
Parece que o admirável ímpeto do governo em matéria de aproveitamentos hidroeléctricos vai ser refreado pelo margaritifera margaritifera.
Tal como o aquecimento global, a eventual extinção do margaritifera margaritifera ficará a dever-se à péssima qualidade moral do ser humano, apostado em dar cabo de preciosidades tais que o margaritifera margaritifera, desta vez mediante a construção de barragens, a extracção de inertes, a poluição e outras acções igualmente criminosas e ilegítimas.
Assim, uma vez cientificamente determinado que o margaritifera margaritifera está presente no rio Beça, haverá que parar imediatamente a construção de uma barragem prevista para a zona. É preciso não esquecer que tal zona pertence, por direito próprio, ao margaritifera margaritifera.
Ao que parece, surgiram por aí uns miseráveis a dizer que haveria que capturar o margaritifera margaritifera e recriar o seu habitat noutros locais, a fim de reproduzir a espécie e de poder proceder ao repovoamento do margaritifera margaritifera nos locais adequados para o margaritifera margaritifera.
Nem pensar! - já disseram as autoridades aquáticas - esses gajos são os mesmos que queriam fazer um museu com os bonecos de Foz-Côa e continuar com a sua criminosa barragem, só por causa de umas dúzias de milhões de contos que já lá estavam gastos. Fascistas! O margaritifera margaritifera vencerá!
Consta que o Green Peace vai mandar um vaso de guerra para o Rio Beça, a fim de evitar qualquer veleidade dos empreiteiros, conhecidos canalhas a soldo do imperialismo. Pode porém o Green Peace estar descansado e poupar os seus queridos milhões. Não vale a pena preocupar-se. O governo Pinto de Sousa, como o governo Guterres, são especialistas em deitar milhões ao lixo.
Margaritifera margaritifera há só um, o do Beça e mais nenhum!
 
 
13.12.09
 
António Borges de Carvalho

DA DITADURA GLOBAL

 

Vivemos os dias mais histéricos da moderna história da humanidade. Passados que são uns vinte anos de terror ecológico, a coisa estoira na Dinamarca, num fogo de artifício de ameaças e de pavor.
 
A histeria politicamente correcta faz girar milhares de desgraçados e de vândalos que repescam, ignorantes e revoltados, as velhas teorias para-religiosas do fim do mundo, agora com pretextos “científicos”. Giram as boas almas, correctíssimas, que, mamando nos universais orçamentos, viajam, comem e bebem pelo mundo fora com a admirável desculpa de estar “a salvar a terra”. Giram “cientistas” pagos pela loucura universal da ONU para chegar a determinadas conclusões, mesmo que para isso tenham que manipular os próprios dados que inventaram. Giram governos à procura de mais impostos, que cobrarão para autorizar emissões de CO2. Giram “empresários” e “financeiros” a fazer contas às massas que vão encaixar nas compras e vendas dos direitos de emitir. Giram papalvos aos milhões, convencidos pela propaganda universal da universal catástrofe.
Gira tudo minha gente.
A Terra, essa, continua a girar, indiferente às aldrabices da humanidade.
   
Como é possível?
Como é possível que as rectas intenções de tanta gente que, a partir de meados do século XX, começou a preocupar-se com o ambiente, tenham dado nisto? Como é que inquietações tão genuínas como as que se levantaram sobre a preservação da diversidade genética, a conservação das espécies, a qualidade dos agentes ambientais - ar, água, solo, subsolo - tenham dado nisto? Como é que as multidões de oportunistas, de falsos ou bem pagos cientistas, de divulgadores de desgraças, de agentes económicos, de escritores e jornalistas, de políticos, de professores, de revoltados, de analfabetos, de díscolos, se uniram para aterrorizar a humanidade inteira, ainda por cima com o chantagista e falsíssimo argumento da “solidariedade” com os mais fracos arvorada em “objectivo global”.
 
Quem ainda se preocupa com a vida dos ursos polares sabe que a espécie está cheia de saúde, que o derreter dos gelos lhe facilita a alimentação e que por isso… cada vez há mais ursos!
Mas a onda correcta apregoa que não. O derreter dos gelos vai matá-los a todos!
 
Quem ainda tem alguma noção do que pode ocasionar a liquefacção das calotas polares, sabe que ela nada ou quase nada tem a ver com a subida da temperatura do ar, mas com alterações das correntes marítimas, eventualmente devidas à conhecida mudança do ângulo do eixo da terra.
Cais quê! É o CO2, é a humanidade que, formada por autênticos assassinos, enche a atmosfera de um produto que a faz aquecer!
 
Quem leu meia dúzia de artigos decentes sabe que, na Terra, a temperatura já subiu e já desceu vezes sem conta, e em altas proporções, sem que emissões humanas de CO2, ou indústria, ou até humanidade.
Nem pensar! É a humanidade, o capitalismo, o desenvolvimento, a criação de riqueza o que “destrói” o planeta!
 
Quem se debruçou sobre os gráficos existentes (desde há bem pouco tempo…) das temperaturas do globo sabe que ninguém pode afirmar com rigor que a Terra está a aquecer, muito menos que está a aquecer de maneira catastrófica.
Idiotas. O politicamente correcto manda acreditar que a Terra aquece, e de tal maneira que, daqui a um século ou coisa que o valha, a humanidade terá desaparecido!
 
Quem, com honestidade, vê que, apesar dos gelos derretidos, o nível dos mares não subiu, acha que as preocupações da humanidade a este respeito são fruto de modelos matemáticos onde cada um introduz as premissas que entende e os factores de risco que inventa, e não de qualquer experiência concreta.
Gente estúpida, que não interioriza os dados “irrefutáveis” do painel de cientistas da ONU!
 
Quem, de sangue frio, vê na diminuição dos gelos polares a abertura de canais de navegação, a criação de novas oportunidades de progresso, de energia e de sustentabilidade, pensa que a humanidade, se algo perder com isso, muito mais ganhará.
Trapalhões! Então não vêm que a evolução do planeta só trará catástrofes e que a culpa é da humanidade, uma vez que, se não fosse a humanidade, o planeta ficava como está per omnia secula seculorum?
 
Quem acredita que a evolução do planeta se deve a razões cósmicas contra ou a favor das quais o homem nada pode fazer, acha que proteger os nossos bens naturais, muito bem, conservar a diversidade ainda melhor, limpar a atmosfera das nossas cidades, óptimo, encontrar novas formas de agricultura, mais produtivas e mais baratas, sensacional, encontrar e explorar novas formas de energia, de acordo…
Que ideia! O que essa gente quer é atirar areia para os olhos dos demais, distraí-los da hecatombe universal que aí vem, dar cabo da agricultura através dos transgénicos, ignorar que, ou entramos na onda do “domínio” das alterações climáticas e da histeria global, ou estamos condenados à fome à extinção.
 
O problema da histeria do “aquecimento” global e das alterações climáticas tem a ver com a extinção, sim, da humanidade, mas através da extinção da Liberdade humana. Dois exemplos cá do sítio:
- O ilustre deputado europeu do PS, o (ex?) comunista Vital Moreira ameaça as massas dizendo claramente que não é lícito alimentar dúvidas sobre a gravidade do aquecimento climático, nem sobre a sua origem humana. E mais diz que há uma corrente negacionista, felizmente, para ele, minoritária;
- O não tão ilustre deputado europeu comunista do BE, um tal Tavares, por seu lado, declara que quem for minimamente sério acredita na catástrofe, o que quer dizer que quem não acredita na coisa é, pelo menos, desonesto.
   
Aqui temos o verdadeiro espírito do politicamente correcto. Não é lícito pensar de outra forma, quem o fizer é negacionista, leia-se criminoso, que é o que a palavra quer dizer. Além disso, não é sério, nem honesto, o melhor é pô-lo na prisão.
 
Vêm o espírito da coisa? Se o Vital e o Tavares mandassem - quem diz que não virão a mandar? - passávamos a só poder ter pensamentos “lícitos”, sendo lícito o que eles acham que é lícito, a não poder ser “negacionistas”, sendo negacionista quem como eles não pensar, e a não ser sérios, porque os critérios de seriedade são os deles.
 
A não ser que esta onda, como a do “buraco do ozono” (por causa dos frigoríficos e das lacas para o cabelo…), venha a desfazer-se na areia, e o mundo a ganhar algum juízo. Será possível?
 
9.12.09
 
António Borges de Carvalho

OBRAS SOCIAIS DA ESQUERDA

 

Aqui há tempos, a rapaziada social comunista que, pelo menos em matéria de costumes, segue fielmente os ensinamentos do arcebispo Louça, embandeirou em arco com a magnífica ideia de “facilitar o divórcio”. No parecer da distinta cáfila, bastava o Adilson Nelsone declarar que já não queria mais a Tânia Vanessa, ou a Tânia Vanessa oficializar a feliz circunstância de já não poder mais com o Adilson Nelsone, para, pimba!, o divórcio ficar consumado sem mais formalidades. Ninguém pode ser obrigado a viver com quem chateia, e ponto final.
Genial.
 
À altura, uns bandos de reaccionários que ainda não foram eliminados pelo devir histórico desataram a protestar, que ia ser uma bagunça, que ia dar mau resultado, que ia haver um exponencial aumento da conflitualidade, que se estava a esquecer os problemas dos filhos e as questões patrimoniais, e por aí fora, num nunca acabar de incompreensão pelas “novas realidades sociais”, pelo “novo conceito de família"(!?), pela “natureza do amor”(!?) e pelos “avanços civilizacionais” de que o Bloco de esquerda é privilegiado arauto e os demais membros da tribo coerentes compagnons de route.
 
Passado um ano e picos, aí está o resultado da genialidade da esquerda. Os tribunais estão a abarrotar de processos motivados por divórcios, ninguém se entende, os litígios são mais, mais frequentes e mais graves, etc.. Em resumo, tudo ao contrário do que diziam as “luzes”.
A atrasada sociedade em que vivemos marimbou na “nova moral”, certamente republicana, e continuou, apesar de divorciada, a preocupar-se com os filhos e com o carcanhol.
Ou seja, não soube agradecer o que a esquerda tinha feito por ela. Que gente!
 
6.12.09
 
António Borges de Carvalho

FIM AOS PANOS QUENTES!

 

Andam as hostes indignadas com o comportamento do Pinto de Sousa e da dona Manuela no Parlamento. Dizem que assim não vamos lá. Que é preciso “estabilidade”, que os problemas que o país enfrenta são de tal ordem que é necessário abater bandeiras e dar à Nação a paz política indispensável para se sair da tremenda pessegada em que fomos metidos.
Por estas ordens de razão, as almas não percebem nem aceitam que a dona Manuela e o Pinto de Sousa percam tempo a insultar-se.
 
Postas as coisas nestes termos, as almas teriam toda a razão se estivéssemos numa situação normal, num país normal. Mas estamos em Portugal.
O primeiro-ministro é incapaz de responder seja a que pergunta for da chefe da oposição, isto é, responder responde, mas alhos contra bugalhos, insultos, provocações e ordinarices. O primeiro-ministro não tem um mínimo de condições pessoais para o ser, não tem, nem merece, um mínimo de credibilidade, bem pelo contrário. Por outro lado, foi sob a sua batuta que a desgraça foi criada. Nada, absolutamente nada, indica que tenha ou possa vir a ter talento para inverter as tendências actuais.
Por tudo isto, muito bem faz a dona Manuela quando o põe perante as suas malfeitorias, pessoais e políticas, as suas mentiras, as suas manifestações de desprezo pelos demais. Muito mal faz a dona Manuela em não ter começado há muito mais tempo a descobrir-lhe a careca, não ter, há muito tempo começado a exigir o resto da cabeça, todos os dias e cada dia com mais força.
 
O Partido Socialista, o Presidente da República, os órgãos de informação, se querem prestar algum serviço ao país, têm que perceber que, com este primeiro-ministro não há solução para nada. O fulano, como homem, não presta, só nos desonra e envergonha. Como político, é um demagogo, um vendedor de banha da cobra, um ignorante e um provinciano dos maus.
Tudo, a seu respeito, está politicamente provado: ineficácia, incapacidade para estimular a economia ou para libertar a sociedade das garras do Estado, total falhanço na redução da despesa pública, ausência absoluta de credibilidade pessoal, envolvimento contumaz nas mais variadas “histórias”, parlapatice infrene, desrespeito por tudo e por todos.
Não interessa se cometeu crimes ou não cometeu crimes. Não é disso que se trata, não judicializemos a política. O caso Pinto de Sousa é um caso de brutal e indiscutível falhanço político, de brutal e indiscutível falta de merecimento pessoal para o cargo, tudo à vista de todos, tudo, aliás, provado em eleições.
 
Não é a todos que cabe tirar disto as indispensáveis consequências políticas. Há órgãos para isso.
Antes de mais, se ao partido socialista ainda restar alguma dignidade, deve ser ele próprio a pedir a demissão de Pinto de Sousa e a nomear um substituto que possa provocar a tal estabilidade e a tal governabilidade que todos parecem querer.
Depois, cabe ao Presidente da República tomar as atitudes que, apesar de tudo, o seu cargo admite, sem para tal necessitar de recorrer ao golpe de estada, como, sem sombra de razão mas com o seu estúpido apoio, fez o seu antecessor.  
Cabe à “informação” dizer a verdade aos portugueses.
E cabe à oposição, saneada que seja a chefia do governo, abater bandeiras e tratar de nos salvar.
 
Mais panos quentes é que não.
 
6.12.09
 
António Borges de Carvalho

UMA ALEGRIA

 

Em mais uma manifestação de indiscutível sagacidade política, uma manada de tristes apoiantes do senhor Alegre, jeitoso poeta, organizaram uma jantarada para promover nova candidatura do prendado rapaz à Presidência da República.
O Alegre fez-se caro, como compete. Que anda a pensar, a considerar, a consultar a sua consciência. Por outro lado, aproveitou para mandar “um telegrama” ao camarada Pinto de Sousa, informando-o que se está nas tintas, como da outra vez, para o apoio do PS. Pinto de Sousa, que anda para aí a espernear a ver se se safa de mais uma, não se mostrou interessado em responder ao telegrama. Mandou o absurdo Pereira dizer que era cedo.
 
Enfim, pode ser que se embrulhem outra vez. O que, para o futuro da Pátria, se é que a Pátria tem futuro, não é mau de todo. Sobretudo se o Gama e o Cavaco deixarem de meter o pé na argola com tanta frequência.
 
6.12.09  
 
António Borges de Carvalho

O PROBLEMA

 

O articulista Pedro Lomba, que o IRRITADO muito aprecia, vem a lume com uma proposta séria, mas inútil.
Refere o dito que, perante as mentiras do primeiro-ministro acerca do negócio PT/TVI, bem como com o que foi revelado e não desmentido do que disse nas escutas a Armando Vara, a única solução capaz de vir a satisfazer a legítima necessidade de esclarecimento público é uma comissão parlamentar de inquérito que esmiúce o que foi, efectivamente, dito pelo PM, e qual a real importância das suas já provadas mentiras ao Parlamento e à Nação. Na opinião de Pedro Lomba, uma comissão parlamentar pode obter, compulsivamente, a documentação que tem vindo a ser negada ao público, isto é, o teor do despacho que iliba o PM da presunção de crime, ou crimes, feita pelos juízes de Aveiro, bem como as partes das escutas que motivaram tal presunção. Argumenta o articulista, com carradas de razão, que, afastada que está a hipótese criminal, fica a questão política, e que esta não pode deixar de ser publicamente dirimida.
 
Se vivêssemos num país normal, seria este o caminho. Mas não vivemos. Estamos em Portugal, infeliz terrinha onde o primeiro-ministro tem o dom de passar entre os pingos de chuva sem se molhar, e mesmo o de ficar seco debaixo de uma cascata. Está provado à saciedade que o primeiro-ministro mente com contumácia, e que está, de uma forma ou outra, envolvido em inúmeras trapalhadas que a Justiça diz investigar e que os tribunais dizem julgar. De tudo se tem esquivado, resumindo-se a sua “defesa” à invenção de “campanhas negras”, de “poderes ocultos” que o perseguem, coitadinho. Nada de substancial que o safasse foi dito à Nação pelo PM. Nada. Os seus sequazes desdobram as campanhas negras em “espionagem política”, ou tentam virar o bico ao prego e atirar poeira para os olhos de cada um assacando culpas - de quê? - à oposição.
A verdade é que o PM tem vindo a triunfar sucessivamente, sem que a tal oposição exija, como devia, a sua demissão e regresso aos queridos projectinhos lá das Beiras.
Por outro lado, também é insofismávelmente verdadeiro que, se o PM não disse aquilo que os juízes de Aveiro dizem que disse, então seria do seu mais evidente interesse que as suas afirmações ao telefone fossem do conhecimento público. Quem não deve não teme. O simples facto de o PM se opor com unhas e dentes a que tais coisas venham a lume quer, evidentemente, dizer que, a tal respeito, tem telhados de vidro. O povo tem direito a ser governado por quem não tenha telhados de vidro, muito menos a colossal quantidade de tais telhados exibida desde sempre pelo PM.
Por isso, não há que indagar mais. Se o PM não quer que as suas conversas sobre a TVI, sobre o “amigo Oliveira” e sobre mais não sei quê, sejam conhecidas, isso equivale à “validação política” das escutas. Só lhe resta uma solução politicamente aceitável: ir-se embora.
 
Uma comissão parlamentar de inquérito será uma maneira de andar mais uns largos tempos a encanar a perna à rã e de continuar a paz podre em que vivemos, com gravíssimas consequências para o nosso futuro. Não há “estabilidade”, nem “governabilidade”, muito menos “transparência”, quando o primeiro-ministro anda a esconder à Nação o que a Nação tem o sagrado direito de saber.
Por tudo isto, a proposta de Pedro Lomba, por séria que seja, não serve para nada. O que poderia servir para alguma coisa seria que a oposição se unisse para correr com o homem usando os meios constitucionais à sua disposição, já que, neste momento, parece que o Presidente nada pode fazer. Não é preciso ir para eleições. O PS, para nossa desgraça, é certo, mas uma desgraça mais digna, pode nomear outro primeiro-ministro. Até pode ser que tenha nas suas hostes alguém com menos rabos de palha, menos telhados de vidro e menos esqueletos no armário. Alguém que possa ser parte da solução e não parte e fonte do problema. Mais propriamente, o PP é  o problema. Se o problema não se resolver, nada se resolverá.
 
Num momento em que o próprio FMI vem, em socorro dos portugueses, sugerir que com este PM não vamos a parte nenhuma, o que tolhe as oposições? De que estão à espera?
 
2.12.09
 
António Borges de Carvalho

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