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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

PASSAR O PASSOS

 

O que move Passos Coelho? Não sei ao certo.
Conheci-o bem jovem, um tipo simpático e cortês, com alguma ânsia de aprender o que eram ideias e como movimentar-se no espaço político. Depois, durante muitos anos, perdi-o de vista.
 
Quando, surpreendentemente, pelo menos para mim, apareceu a querer ser líder do PSD, pus-me à escuta.
As suas primitivas declarações fizeram-me pensar num rapaz com alguma coisa válida dentro da cabeça, com alguma recta intenção, com algum valor pessoal. Não estaria em condições de chefiar o partido mas, pensei eu, pode ser que se faça um homem.
E fez-se. Só que da pior maneira.
Perdidas as eleições internas, dir-se-ia que uniria fileiras com os seus e que esperaria por nova oportunidade. Era o que se imporia a uma cabeça minimamente democrática e com alguma qualidade humana. Cruel engano. Ainda as urnas do PSD estavam “quentes” e já o rapaz entrava em campanha eleitoral para dali a uns anos. Potenciado pela errónea recusa de Dona Manuela de lhe dar uma cadeirinha em São Bento, nunca mais parou. Pelo contrário, reforçou a sua campanha, intrigando pelo país fora contra o seu próprio partido.
Caiu-me mal esta postura. Fui acompanhando a coisa com crescente desilusão e pena. O homem que, pela sua idade, descomprometimento com “alas” e “facções”, pela novidade de uma ou outra ideia, podia significar uma viragem positiva na política portuguesa, coisa de que precisamos como de pão para a boca, era, afinal, um intriguista igual a tantos outros, com a agravante de ter um pequeno exército de influentes “bases” pelo país fora, o que o torna mais perigoso que desejável. As tais ideias novas que se podia intuir das suas primeiras intervenções, esfumaram-se em intriguinhas, “bocas” e manobras de bastidor.
Depois, começou a dar “abébias” ao PS. Eximir-me-ei de as enumerar. A última é de cabo de esquadra. Coelho veio, impante, declarar que se estava nas tintas para todo e qualquer compromisso assumido com o PS pela direcção do seu partido. Nada melhor para o senhor Pinto de Sousa. Nada melhor para descredibilizar o PSD. O rapaz, em vez de guardar as suas arrancadas para quando e tivesse legitimidade para tal, faz o contrário. Será que, além de pouco fiável, também é estúpido? Ou terá maus sentimentos? Ou maus conselheiros? Ou, simplesmente, não presta?
 
28.2.10  
 
António Borges de Carvalho

MALEFÍCIOS CAMARÁRIOS

 

A tristemente famosa Câmara Municipal de Lisboa é, segundo parece confessar, proprietária de nada menos que 145 prédios em risco de derrocada. A isto devem somar-se mais umas centenas deles que, não estando ainda a cair, para lá caminham.
Ou seja, quando a Câmara entra no rol dos senhorios, é exactamente igual aos demais. Igual? Não. Pior.
Anda a pregar moral, a querer multiplicar os impostos dos senhorios que têm prédios em mau estado, a anunciar apropriações administrativas (entenda-se espoliações e esbulhos), “vendas obrigatórias” e outros pontapés na verdade e no Direito. Tudo “medidas de reabilitação” que quer aplicar aos outros, enquanto ela continua a deixar cair o que tem.
Acerca da lei do arrendamento, talvez própria de Cuba ou do Zimbabué, a CML diz nada. O que a CML faz é cair em cima de terceiros, tão vítimas quanto ela da estupidez legislativa elevada ao cubo pelo PS, desta feita pisando ainda mais a verdade e o Direito.
 
Todas as autarquias têm o seu quê de inimigo público. A de Lisboa abusa. Pouco ou nada mais é do que isso.
 
28.2.10
 
António Borges de Carvalho

RESERVAS ECOBRONCAS

 

A propósito do cataclismo da Madeira ergueu-se um clamor de solidariedade que atravessou o “país, do Minho a Timor”, como se dizia no ominoso antigamente.
Não houve boa alma que se não manifestasse. Do Presidente ao senhor Pinto de Sousa, ou seja, do mais alto ao mais baixo, um coro das mais variegadas vozes se ergueu, clamando por auxílio de toda a ordem.
Ainda bem.
O pior é que, à mistura com estas manifestações, apareceram, sem respeito pelo drama das pessoas e da ilha, as habituais canoras gentes que, em vez de falar em auxílio, desataram a defender e atacar as capelinhas com um afã, uma ausência de sentimentos e uma virulência próprias dos mais baixos sentimentos de indiferença ou de auto-elogio.
Enquanto uns disseram que era preciso meter as divergências na gaveta e tratar do que há a tratar, que não é pouco, outros há que por aí espraiam as retorcidas meninges na busca das habituais “razões” para o que aconteceu, razões que ora servem para atacar o senhor Jardim, ora são utilizadas para defender os projectos de certos planeadores que há muito andam a fazer pregações pelo rectângulo e cuja obra, nele, está à vista de todos, com vergonhosos resultados.
De repente, se as casinhas se despenharam pelas vertentes, se a enxurrada trouxe com ela cadáveres e automóveis, se veio gente aos trambolhões pela serra abaixo, tudo, mas tudo, se deve aos erros de planeamento do senhor Jardim. A natureza, coitada, mais não fez que ter um mais que legítimo estremeção. Esquecem-se os lobos que as Ribeiras começam lá em cima, onde é reserva natural, e que, cá por baixo, onde há planeamento, mau ou bom, as consequências, apesar da destruição ocorrida, não ceifaram vidas nem demoliram casas. Isto é, onde a água e a lama tinham maior caudal, as consequências humanas e materiais foram comparativamente mais leves. Esquecem-se que os negregados túneis do Jardim não entupiram, que as malditas estradas do Jardim se aguentaram, que o criminoso betão do Jardim resistiu aceitavelmente. Onde a natureza estava menos tocada, onde, desde sempre, as pessoas construíram de forma mais ou menos clandestina, onde havia “protecções ambientais” que limitam, via reserva natural, as intervenções do betão, foi exactamente aí que as pessoas mais sofreram.
Dois terços do território da ilha são reserva natural. Dois terços são politicamente intocáveis. Ai de quem se atreva a “betonizar” ou encanar, ou gerir as linhas de água! Ai de quem se atreva a desviar o seu curso para proteger as habitações! O conceito de reserva não é, entre os bem-pensantes da Nação, o de um território a gerir de forma a conservar as espécies controlando a sua evolução, a tornar segura, ainda que limitada, a presença humana, a proteger a paisagem sem a idolatrar. O conceito dos bem-pensantes é o de deixar estar tudo como está, de caminho condenando a presença humana. Para esta gente, se há desastres é porque o homem se foi meter onde não era chamado!
 
O paroxismo da petulância maledicente e desumana atinge-se quando os bem-pensantes “concluem” que, se houve desastre, é porque, na Madeira, não se aplica a milagrosa reserva ecológica que tem minado as decisões continentais em matéria de urbanismo.
Há uns vinte e tal anos, houve uns senhores que, fechados nos seus gabinetes e ateliers, se dedicaram a fazer uns bonecos no mapa do país, declarando a seguir que os seus traços definiam uma “reserva ecológica” intocável e transformando a coisa em decreto. Passou-se da definição de áreas protegidas por razões concretas, científicas e excepcionais, para a consagração de colossais limitações inventadas na avenida da liberdade e aplicáveis ao país inteiro.
Os resultados são conhecidos. A reserva ecológica serve para limitar uns e proteger outros, para ser furada onde os interesses locais o justificam e para ser absolutamente incompreendida pelas pessoas, por absurda e abusiva.
Mas, no parecer dos desenhadores que a conceberam, se tivesse sido aplicada na Madeira, os aluviões não fariam mal a ninguém!
 
A desgraça da Madeira serviu, pela positiva, para despertar sentimentos de solidariedade e de unidade nacional. Serviu, pela positiva, para abater certas bandeiras, cuja importância, em face do acontecido, era descartável. Pela negativa, serviu para despertar alcateias esfaimadas, ou cheias de ódio a Jardim e ao seu sucesso, ou propagandistas das teorias com que vêm, de há décadas, amarrando o país ao cais do seu poderoso ego.     
 
28.2.10
 
António Borges de Carvalho
 

CADA VEZ PIOR

 

Breaking news!
 
Uma de importância reduzida:
 
A Taguspark pagou a viagem ao Figo, no dia em que veio “tomar o pequeno-almoço” com o senhor Pinto de Sousa.
 
Uma importantíssima:
 
Logo que souberam que estavam a ser escutados, os boys mudaram de discurso ao telefone: desataram a dizer que o chefe não sabia de nada (caso PT/TVI) e que quem sabia era a dona Manuela!
O PGR, achando que, como por encanto, afinal o senhor Pinto de Sousa era um anjinho que estava a ser prejudicado pela incompetência dos boys, tratou de arquivar a coisa.
 
O Rui Pedro, no seu afã socretino, disse, em 25 de Junho ao Penedos (Paulo), que tinha falado com o senhor Pinto de Sousa, e que este estava furioso por não saber de nada.
Portanto:
a)    Confirma-se a tramóia e/ou;
b)    O senhor Pinto de Sousa, mais uma vez, mentiu, quando disse ao Tavares que nunca tinha falado sobre o assunto fosse com quem fosse.
 
De que está o PS à espera para se livrar desde troca-tintas?
 
25.2.10
 
António Borges de Carvalho

COMBINAÇÕES

 

O léxico do primeiro-ministro tem conhecido uma notável evolução. Longe vão as “campanhas negras” e os “interesses obscuros”. Estamos na fase das “ignomínias” e das “infâmias”. Registe-se a exdruxulização dos argumentos.
 
O senhor Pinto de Sousa continua a achar-se a mais honesta das criaturas. É o que o espelho mágico lá de casa lhe deve dizer. Acredito, sobretudo tendo em atenção a carreira do senhor.
 
Registe-se também a única novidade de peso na tão celebrada entrevista ao Tavares: o senhor Pinto de Sousa passou a achar que alguns dos seus colaboradores, directos ou indirectos, próximos ou afastados, íntimos ou não íntimos, invocaram o seu santo nome em vão.
Tratar-se-á, ao contrário do que reza o evangélico mandamento, de um pecadilho sem importância de maior. Tanto que continua amicíssimo deles e a dever-lhes a mais alta consideração. Tanto que continuam todos no poleiro, à excepção dos adúlteros que encornaram o camarada Granadeiro.
 
Como se pode facilmente perceber, não há nada para perceber. Está tudo na mesma. Estamos mergulhados na mais inacreditável confusão, teoricamente capaz de dar cabo de qualquer governo num país civilizado.
Os senhores magistrados continuam a procurar, com alta competência, tornar as coisas ainda mais confusas. Veja-se as declarações dessa grande luminar da Justiça e da asneira que é a Dr.ª Cândida Almeida.
Com mais uns tempos desta pastelada, será inevitável que se chegue à conclusão que tudo não passou de um ataque de flatulência que deu às instituições e que, como os males dos tropas, inchou desinchou e passou.
 
Uma coisinha, para acabar estas singelas palavras. O cronista Tavares foi incensado pelos comentadores pela forma “inteligente” e “profissional” como conduziu a entrevista ao senhor Pinto de Sousa, no programa que, com descarado plágio, gloriosamente intitulou “Sinais de Fogo”.
O IRRITADO ficou com a sensação, - ó infamante ignomínia! - que aquilo estava tudo combinado.
 
24.2.10
 
António Borges de Carvalho
 
 
PS. Citação:
       Mesmo que víssemos claramente o primeiro-ministro a afogar-se num poço de mentiras, dir-se-ia que deixámos de pensar e de olhar à nossa volta.
João Lopes, crítico.

O ARREPENDIDO

 

O Dr. Nobre que, segundo as más-línguas, fez ao Dr. Soares o favor de se candidatar às presidenciais para tramar o Alegre, anda aflito a declarar-se totalmente independente, além de genuíno representante das ânsias populares que não encontram eco nos partidos políticos.

Se apoiou Durão Barroso, se apoiou o PS, se apoiou o BE, isso são coisas do passado que só abonam a favor da profunda coerência política do senhor. Um verdadeiro pluralista. Pena que, por não se poder mexer no passado, já não vá a tempo de apoiar também o PC e o CDS.
Como o apoio a Durão Barroso poderia manchar tanta coerência, tratou de saltar para os jornais a ribombar o seu arrependimento. Mea culpa, mea culpa, mea culpa. Que horror! Eu, que já tenho o Alegre à perna a “querer lançar a confusão” sobre a minha candidatura, ainda era capaz de vir a perder votos na bem amada esquerda por ter tido essa vergonhosa atitude de apoiar o Barroso! T’arrenego!
O Dr. Nobre, se tivesse pensado duas vezes, era capaz de não ter declarado tal arrependimento. Não se lembra do caso FP25, em que os arrependidos foram parar ao chilindró enquanto os outros eram magnanimamente amnistiados?
 
Talvez, para a esquerda, seja mais grave ter apoiado o Barroso que ter assassinado quase vinte pessoas. Mas, ó Dr. Nobre, há muito voto à direita que á capaz de se comover com os feitos da AMI! O melhor talvez seja não se arrepender tanto.
 
24.2.10   
 
António Borges de Carvalho
 
PS. Hoje, dizem os jornais que o Dr. Nobre foi à Madeira levar um cheque de 50.000 euros. Malta fina, malta rica! Acho muito bem. Também gostava de saber se quem foi à Madeira foi o chefe da AMI ou o futuro candidato à presidência. Há generosidades que cheiram a oportunismo que tresandam.

QUINTO MUNDO

Há uns vinte e cinco anos fui pela primeira vez a São Tomé. Havia cartazes a dizer “Liberalismo Nunca!”, “Capitalismo Jamais”, “MLSTP, Partido Único da Revolução Socialista” e coisas do mesmo jaez.

Havia a Rua Ex-Adriano Moreira, a rua Ex-Silva Cunha e uma série de outras coisas chocantes, ou ridículas, patéticas e extraordinárias.
O programa do secundário, ao que julgo elaborado pelos cubanos, rezava que a História era formada por uma idade negra que se estendia desde épocas imemoriais,  até que, via gloriosa revolução de Outubro, em 1917, a humanidade tinha entrado na idade da luz.
 
Acham horrível, não é?
Pois então comprem o “Público” de hoje. Embrulhado nele vem um pasquim publicitário que é suposto arranjar-nos forma de entrar em contacto com as autarquias locais, mas não põe: nomes, moradas, endereços electrónicos, os senhores presidentes a cores, as distintas vereações, etc.
Tudo bem.
A coisa abre, solenemente, com uma mensagem de Sua Excelência o Presidente da República.
A seguir, em sorridentes policromias, os senhores ministros do PS. Como se tivessem, directa e principalmente, seja o que for a ver com as autarquias ou as eleições autárquicas.
Depois, única maneira de dar realce ao PS, vêm os resultados por distrito. Como se houvesse eleições por distrito. Como se o PS tivesse ganho mas eleições autárquicas.
 
Maravilha das maravilhas, somos então contemplados com uma “Breve História das Autarquias”, bem à maneira da "cultura" socialista. Segundo o brilhante texto, a história das autarquias começa em 1976. Nada de forais, nada de municípios, tudo coisas por certo obscuras e medievais, se é que existiram.
A coisa começou em 1976, e pronto.
Se é triste que os santomenses, envenenados pelo socialismo, na sua inocência infantil achassem que a História propriamente dita era a da revolução bolchevista (não achavam, garanto, mas os que mandavam queriam que achassem), é pelo menos revoltante que, em 2010, se afirme em Portugal que as autarquias começaram e existir em 1976.
 
Já nem no terceiro mundo vivemos. Talvez no quarto, ou no quinto.
 
22.2.10
 
António Borges de Carvalho

EU NÃO DIZIA?

 

 O ilustre director geral do ambiente das Nações Unidas, um holandês, demitiu-se do seu cargo, aflito com as histórias malucas do IPCC (International Panel on Climate Change).
Entretanto, tantas são as broncas de tal organização, que o seu chefe directo, um indiano de nome esquisito, engenheiro de caminhos-de-ferro(!), anda a ser pressionado para ir à vida atrás do pobre holandês.
“Erros sem fim à vista no painel da ONU” titula o “Expresso”. E destaca: “Falhas no IPCC estão a revelar-se em cascata e já há quem proponha a criação de um novo organismo”.
 
O que esta pessegada quer dizer é que já só os “religiosos” e os parvos acreditam no aquecimento global. A extrema-esquerda também acredita, mas entre aspas, isto é, não acredita mas convém-lhe dizer que acredita, para “movimentar as massas”.
 
Entretanto, enganada com protocolos de Quioto e outras patacoadas do estilo, a humanidade inteira presta-se a gastar somas colossais (só o Reino Unido calcula vir a gastar 368 mil milhões de libras!), à custa de atrasos no desenvolvimento da economia e no progresso dos povos.
 
Mais grave é que aqueles que já perceberam o que se passa, em vez de mandar o IPCC vender chuchas, propõem “um novo organismo”. Mais uma chusma de oportunistas, armados em cientistas, a fabricar modelos matemáticos onde metem dados viciados e contraditórios, a fim de promover o negócio do CO2 e outras maquiavélicas invenções.
Se o “novo organismo” pudesse ser sério, talvez acabasse de vez com a mentira do aquecimento global. Ora isto não convém a quem manda nem a quem ganha dinheiro com o negócio. Pelo que o “novo organismo” jamais poderá ser sério. Um organismo científico encarregado de “provar” uma verdade pré-estabelecida não é, não pode ser, nem sério nem científico.
      
22.2.10
 
António Borges de Carvalho
 
 
PS. Sabiam que o pobre urso polar que aparece, coitadinho, na fotografia espalhada pelo mundo pelo senhor Al Gore, a “morrer de desespero e de fome” em cima de um bloco de gelo, foi fotografado por uma menina muito simpática que observou as manobras do bicho a saltar ou nadar de bloco em bloco, feliz da vida, à pesca?
Sabiam que, afinal, os glaciares dos Himalaias não correm perigo? Mesmo os tipos do IPCC, que juraram a pés juntos que os Himalaias, em 2035, seriam uma espécie de estepe - passe o exagero - já vieram dizer que não era 2035, mas 2350, coisa que ninguém poderá contestar, não é?
Parece que os Himalaias, como a Terra, se estão nas tintas para o IPCC.  

UMA BOA NOTÍCIA

 

Como toda a gente sabe, o nosso orgulho pátrio tem andado muito por baixo, .
Eis senão quando, porém, do coração da Europa chega a boa nova: o inacreditável Victor Constâncio foi constanciar para o Banco Central Europeu! Dizem as más-línguas que foi escolhido para abrir lugar a um alemão que quer ser presidente em 2011. Ainda não percebi porque será a escolha do nosso rapaz precisa para eleger um alemão daqui a um ano, mas dou de barato tal história.
Facto é que os jornais & Cª desataram a embandeirar em arco. Um comentador chega ao ponto de dizer que o novo tacho do rapaz é “uma bofetada de luva branca” naqueles malandros que andam há que eras a dizer cobras e lagartos do celebrado economista socialista. Coitado do Portas (Paulo), do Mèlinho e de outros mais.
A Pátria está orgulhosa deste seu filho, mais um que vai dar cartas nas altas esferas deste mundo hostil!
Os críticos desapareceram como por encanto. É só elogios, é só alisar as penas para que as almas não fiquem mais pequenas. Passe a paráfrase.
 
A economia e as finanças da Europa, essas, só têm a lucrar. Quando for preciso um orçamento à maneira, verdade ou mentira, já têm a quem recorrer.
Mais. Sabiamente, a UE escolheu para o pelouro da supervisão dos processos financeiros e bancários do seu espaço um homem com provas sobejamente dadas no seu país, através da mão de ferro, da previsão dos problemas, do criterioso acompanhamento da gestão de que deu tão altas provas, por exemplo nos casos BPN e BPP.
 
Calem-se os que estão felizes por ver o homem ir-se embora, os que dizem que a sua ascensão é uma notícia formidável, os que estão pletóricos de alegria por Portugal se ter visto livre deste guarda-livros! Calem-se!
Olhem que o homem só toma posse em Junho e que, até lá, ainda é capaz de fazer das suas. Bastará que assim convenha ao senhor Pinto de Sousa.
 
21.2.10
 
António Borges de Carvalho

INÊS DE MEDEIROS

 

Excelentíssima Senhora Deputada Dona Inês de Medeiros
 
 
Tenho observado a forma, recheada de aristocrática nonchallence, com que Vossa Excelência se dirige aos seus pares.
Tenho visto seu sorriso blasé e um pouco trocista, modo de estar por certo obtido em íntimo contacto com a sociedade bêcêbêgê (bon chic bon genre, para o portuga ignaro) da cidade capital da snobeira e da antipatia, excelsas qualidades que a Vossa Excelência por certo não faltam.
Tenho visto a estrutura do seu superior discurso, e o conteúdo, inútil mas afirmativo, das perguntas que Vossa Excelência, dos cumes da sua gaulesa superioridade, dirige aos ignorantes da oposição, em manifestação clara da sua indesmentível fidelidade ao chefe, faça o chefe o que fizer.
 
Madame De Mêdêirross
 
Mau grado as minhas declarações supra, venho por esta forma manifestar a Vossa Excelência a minha solidariedade em relação ao problema que, publicamente, a vem afligindo, bem como a altas figuras do Estado, v.g. Sua Excelência o deputado Lelo, Presidente do Conselho de administração da Assembleia Nacional, perdão, da república, por obra do amor do chefe à promoção de idiotas chapados.
Exige Vossa Excelência, com carradas de razão, que lhe sejam pagas pelo povo português viagens semanais à cidade da luz, luz que, sem a presença de Vossa Excelência, poderá, que horror, perder intensidade.
Acho muito bem. Pois se os tipos de Bragança têm viagens semanais à parvónia pagas pelo povo, injusto seria que Vossa Excelência impedida ficasse de iluminar as almas da pátria de Victor Hugo e de Voltaire, mãe das repúblicas modernas, farol de cultura e de bom gosto.
Acho muito bem. Tem Vossa Excelência, além disso, toda a razão em achar que lhe devem ser atribuídos pelo povo português bilhetes semanais Lisboa/Paris/Lisboa, de primeira classe, no valor de 1.200 euros cada.
Debate-se Vossa Excelência, bem como o poderoso Lelo, com entraves burocráticos. Diz a burocracia que, se foi eleita por Lisboa, se declarou residir na Freguesia de Santa Isabel, não tem direito a mais que um bilhete de autocarro para ir do Rato à Assembleia e da Assembleia ao Rato. Une abominable connerie! Além disso, o que são uns míseros cinco mil euros por mês comparados com a honra de desfrutar da ilustre presença de Vossa Excelência entre nós, nos dias úteis que seja?
 
Permita-me Vossa Excelência que lhe dê uma dica destinada a resolver o seu problema. É este o objecto da presente.
Sabe, eu vou a Paris umas duas ou três vezes por ano. Não me passa pela cabeça pagar mais de 160 euros por cada viagem, isto sem precisar, sequer, de recorrer às companhias low cost.
Eu sei, eu sei que tudo o que seja menos que classe executiva é pouco para a altíssima dignidade da insigne figura que Vossa Excelência é. Mas permito-me sugerir, arriscando ofender Vossa Excelência, que talvez fosse de aceitar umas reservitas nas low cost, pela internet, facílimas de obter a prazo, e baratíssimas, uma vez que V.Exª sabe quando vai viajar. Talvez isto pudesse contribuir para resolver o seu problema bem como o do seu camarada Lelo, cujas meninges devem ter altas dificuldades para discernir uma solução.
Olhe que saía mais barato que as viagens dos tipos de Bragança!
Além disso, há por aí uns fulanos – da oposição, é claro – que dizem ser de uma estupidez sem nome gastar uma fortuna para uma viagem de duas horas, a troco de um assento menos incómodo.
Eu sei que o socialismo tem por norma tratar principescamente os seus apaniguados. Mas se Vossa Excelência tivesse uma atitude democrática e, excepcionalmente, se deixasse viajar com a plebe, que diabo, até lhe ficava bem, era popularucho, e dava votos. Diga isto ao Lelo, que é doido por votos.
 
Peço as mais humildes desculpas pelo atrevimento que,  ao tocar, minimamente que seja, na fímbria dos privilégios de Vossa Excelência, esta carta representa.
 
Com os desejos de boas viagens, subscreve-se o
 
IRRITADO
 
21.2.10
 
António Borges de Carvalho

AJUDINHAS

 

O senhor Pinto de Sousa contratou a consultora Kreab Gavim Anderson (KGA), especialista em “comunicação financeira” e Public Affairs, para melhorar a imagem económica de Portugal junto dos investidores estrangeiros, acalmar os media internacionais e intervir junto dos analistas financeiros.
Como é que se soube disto?
Assim: a coisa veio publicada na revista Briefing. Por cá ninguém comunicou nada a ninguém. Se calhar era segredo de justiça. Ainda menos se sabe do concurso internacional que precedeu o contrato ou das consultas feitas pelo governo a tal respeito, ou se não houve nem concurso nem consultas, só preferências ou amizades ou interesses ou tudo ao mesmo tempo.
Se os mercados descrêem de Portugal é porque descrêem de um ministro das finanças que diz uma coisa hoje outra amanhã, que se enganou nos números não sei quantas vezes, que aumenta a despesa em vez de a diminuir, que diz que faz mas não faz, que mente sempre que precisa, que esconde o que devia mostrar.
Se os mercados não acreditam em Portugal é porque Portugal tem um primeiro-ministro para quem já não chega um armário para esconder os esqueletos, nem um palheiro para os rabos-de-palha. Um primeiro-ministro que toda a gente sabe que é – que sempre foi - um aldrabão e um pantomineiro.
Se os mercados não acreditam no país é porque Portugal está governado por um partido que se transformou num ninho de manigâncias, de trafulhices e de mentiras, uma máquina destinada a defender o indefensável e a privilegiar a circunstância em desfavor da substância, a forma em prejuízo do conteúdo.
Se os mercados descrêem de Portugal é porque observam o poder político em vigor e, evidentemente, não têm nem podem ter por ele qualquer sombra de respeito.
 
Diz-se por aí que Portugal sempre pagou as suas dívidas. Talvez seja verdade. O mal não está no país, está na camarilha socialista, na Constituição socialista, no Estado socialista.
Enquanto a III República se não livrar do pecado original que lhe corta as pernas, o socialismo, e não apear os que o representam, não haverá “agências de imagem” que nos valham, mesmo que pagas a peso de ouro, como deve ser o caso.
 
Cuidado, que é segredo!
 
20.2.10
 
António Borges de Carvalho

DÍVIDAS BOAS E DÍVIDAS MÁS

 

Não sei se se lembram do estardalhaço feito pelo Costa antes e depois das autárquicas, acerca das dívidas da Câmara de Lisboa.
A tomada de posse deu lugar a um folhetim judicial e bancário motivado, como é evidente, dizia a propaganda, pelos colossais buracos deixados pela gestão Santana Lopes. O Tribunal de Contas não queria, o Costa esperneava, os bancos hesitavam, uma desgraça. Até que… já não sei como, o homem lá conseguiu um empréstimo ou outro. Ele, imagine-se, que tinha sido o autor das limitações ao endividamento das autarquias. Que pena!
 
No entanto, pensavam as boas almas, a CML ia entrar em indispensáveis equilíbrios financeiros.
Baldada esperança.
Só em 2009, as dívidas da Câmara aumentaram 72 milhões de euros, para 484,6 milhões, isto sem contar com as dívidas de curto prazo, que não são do conhecimento do respeitável público.
O Dr. Santana Lopes é capaz de ter aumentado as dívidas, ainda que a esmagadora maioria delas viesse de trás (Santana Lopes, ao contrário do Costa, nunca criticou o seu antecessor por causa disso) não lhe podendo, honestamente, ser assacadas. Mas a obra do Dr. Santana Lopes está aí, à vista de quem a quiser ver.
O Costa conseguiu, só num ano, fazer a dívida de médio e longo prazo subir 14,54%. Isto sem que fizesse fosse que obra fosse que se visse, o que também pode (não) ser visto por quem quiser (não) ver.
Assim se distinguem os homens, ficando ao julgamento de cada um a sua apreciação, bem como as consequências a tirar no futuro, se ainda voltar a haver eleições.
 
19.2.10
 
António Borges de Carvalho

SERÁ VERDADE?

 

Os meus olhos não querem acreditar no que vêm!
O boy Rui Pedro Soares, emérito aparatchik do PS e membro da mais íntima entourage do senhor Pinto de Sousa, ao ser destacado para a PT e ali encarregado de destacados serviços, viu-se contemplado, coitadinho, com um ordenadinho anual de 2,5 milhões de euros (500 mil contos). Quem o diz, sem comentar, é o insuspeito “Diário de Notícias”, pasquim oficioso do governo e serventuário do “amigo Oliveira”.
 
Ora o rapaz foi obrigado a demitir-se do seu lugarzinho. Trata-se, como é evidente, de uma flagrante injustiça, que muito me chocou. Se a PT é uma empresa de telefones, como pode um administrador da mesma ser corrido por falar ao telefone? Francamente!
Acho que o Dr. Mário Soares devia fazer um artigo sobre mais este miserável atropelo aos direitos do pobre boy e de todos nós, vítimas indefesas de abomináveis manobras com origem em odiosos cabalistas, urdiduristas, conspiradores e outros repelentes e ominosos seres que actuam a coberto das trevas e que de humanos pouco têm, para além de ser todos do PSD.
 
No entanto, agora, a minha indignação está mitigada.
A injustiça não é tão grande como eu imaginava.
 
Pus-me a fazer contas, e eis o que surdiu:
 
·        O rapaz esteve ao serviço durante 4 anos;
·        4 anos equivalem a 10 milhões de euros;
·        Se o rapaz declarou os rendimentos, o Teixeira sacou-lhe uns 35%;
·        O pobrezito ficou só com 6,5 milhões de euros;
·        Admitindo que, com uma gestão pessoal muito poupada, o rapaz gastasse uns miseráveis 10 mil euros por mês, teremos 120 mil euros por ano e 480 mil euros em 4 anos;
·        O que implica que, passados 4 anos de intenso trabalho, o indigente boy poupou apenas 6 milhões e 20 mil euros (1.206.901.640 escudos), ou seja, quase 1 milhão e duzentos mil contos, mais trocos;
·        Como os tempos estão maus, digamos que, investido com modéstia e pouco risco, este pequeno pecúlio poderá render uns 3% ao ano, 180.600 euros;
·        Dividida por doze meses, verifica-se que a tal modesta gestão garantirá ao rapaz uma renda vitalícia de uns meros 15.050 euros por mês;
·        Sendo certo, uma vez que se trata de um cidadão impoluto, bem à imagem do seu chefe máximo senhor Pinto de Sousa, vai declarar os rendimentos e o Teixeira vai cai-lhe em cima;
·        Nesta horrível perspectiva, o nosso homem, que flagrante injustiça!, ver-se-á reduzido a uns míseros 9.782,50 euros por mês (não chega a 2.000 continhos!), a não ser que, via sábia gestão, consiga aumentar o seu modesto pecúlio.
 
O rapaz, além disso, acabou por ficar na PT, com o insignificante cargo de director ninguém sabe de quê. Pelo que, valha-nos isso, poderá juntar um ordenado aos parcos rendimentos de que disporá.
Que alívio!
 
19.2.10
 
António Borges de Carvalho

INJUSTIÇA!

 

O Dr. Paulo Rangel, na mesma onda do cronista e storyteller Tavares, anda para aí a pedir a demissão dos boys do senhor Pinto de Sousa na PT.
Coitados dos rapazes! Eles, que foram ali metidos para, a troco de módicas prebendas e modestos privilégios, desempenhar a missão de que o chefe os incumbiu – a de colocar baias às actividades maledicentes dos díscolos que pululam na chamada comunicação social – são agora, sem mais nem menos, objecto da fúria duns idiotas que não têm mais nada que fazer que pedir a sua cabeça. Pela simples razão de ter sido fiéis ao chefe? É demais!
 
Então, e o chefe?
O chefe não vai à vida? Não querem a cabecinha do chefe?
 
Coitados dos rapazes, transformados em bodes expiatórios, eles que estavam a cumprir com todo o zelo o que lhes era pedido e que só por malevolências e politiquices foram denunciados, eles que mais não fizeram que ter conversas privadas ao telefone, a mando do chefe!
 
Então, e o chefe?
Porque é que os tipos não pedem a cabeça do chefe? Que justiça é esta? Então quem se lixa é o mexilhão? Partida de Carnaval, ou quê?
 
O Dr. Paulo Rangel começa mal, o cronista e storyteller Tavares continua péssimo.
 
15.2.10
 
António Borges de Carvalho

VIVA O REGICÍDIO!

 

Com a maior das indignações, um tipo chamado Luís Vaz, ao que dizem “historiador”, chefe de uma coisa que se pomposamente chama Associação de Promoção do Livre Pensamento, vem, de forma acerba, criticar os ilustres promotores das comemorações da desgraça que caiu em cima de nós em 5 de Outubro de 1910 por não ter incluído o regicídio em tais comemorações.
Acha ele que o assassínio do Rei foi um acto fundador da República e vai organizar uma romaria às campas do Buíça e do Costa, autores materiais de tão nobre gesto.
Tirando a história da romaria, o IRRITADO acha muito bem. É que, para que se conheça bem a “nobreza” dos sentimentos e da ideologia que levaram à implantação da República, é indispensável atender a esse inesquecível facto.
Acrescente-se que, através da corajosa atitude do tal Vaz e da sua associação, pelos vistos hodiernos representantes dos ideais do 5 de Outubro, atitude que contrasta com o escamotear do crime pelas instâncias oficiais, se pode aquilatar da qualidade do que, à nossa custa, se comemora este ano.
Pelos vistos, a III República, pelo menos em certos aspectos, é tão rasca como a primeira.
Pelos vistos, o “livre pensamento” do Vaz ainda é mais rasca que a III República.
 
15.2.10
 
António Borges de Carvalho

NUESTRO AMIGO AO ATAQUE

 

Na sua nobre cruzada bolivariana, ou bolchevista, o camarada Chávez anda agora, diligentemente, a expropriar supermercados. Na douta opinião do canalha, tais comércios praticam “preços especulativos”.
Uma vez mudada, desta civilizadíssima forma, a propriedade dos estabelecimentos, o camarada do senhor Pinto de Sousa desloca-se às lojas a fim de as “inaugurar”, perante o aplauso dos seus sequazes e o assustado espanto do povo.
A coisa já vai em duas cadeias de supermercados, abrangendo perto de uma centena de lojas. Já faltou mais para chegar às mercearias, aos lugares de fruta e aos engraxadores.
Sabem porquê? Segundo a esclarecida opinião do fulano, trata-se de oferecer ao povo os mesmos produtos “a preços justos e sem mais-valias”.
Lida a coisa de outra forma, trata-se de arruinar o comércio e, com ele, o Estado. Se o nuestro amigo se aguentar no poder mais um ano ou dois, acontecerá como em todos os países em que esta bela receita foi aplicada, a Rússia, os países do pacto de Varsóvia, Cuba, Angola, Moçambique, São Tomé, Guiné-Bissau, Zimbabué, Albânia e outros mais. As prateleiras vão ficar vazias, a corrupção vai tornar-se avassaladora, o povo vai deixar de ter comida, os estrangeiros e os capangas do regime passarão a abastecer-se em lojas especiais onde se aceitarão, em exclusivo, dólares e euros e, talvez, como em Cuba, o povo possa vir a ser, daqui a quarenta nãos, autorizado a comprar um micro-ondas.
  
*
O camarada já nacionalizou as petrolíferas, já arranjou maneira de ter de cortar a água e a luz ao povo, já pediu ao dito que deixe de tomar banho, já tratou de dominar todas as instituições públicas – a Assembleia Nacional, o Supremo Tribunal de “Justiça”, o Banco Central – e boa parte das privadas, compra armas a rodos, está feito com a Rússia, com o Irão e com tudo o que é Estado bandido por esse mundo fora.
*
E é este o “parceiro estratégico” eleito por Portugal!
Quando chegar à altura de pagar o que deve, o que a médio prazo se tornará incompatível com a “revolução bolivariana”, é que se vai ver a excelência das opções do senhor Pinto de Sousa.
Há quem lhes chame real politik. O IRRITADO chama-lhes estupidez e traição.
 
15.2.10
 
António Borges de Carvalho

DEFENDENDO O SENHOR PINTO DE SOUSA

 

O senhor Pinto de Sousa encontrou um inesperado defensor. Trata-se do comentarista e  storytteller Tavares. Sempre impante da mais petulante originalidade e prenhe de “altura moral”, o homem a quem o “Expresso” entrega, e paga, uma página inteira todas as semanas vem dizer-nos:
 
a)   Que a liberdade de expressão existe, pujantemente, em Portugal.
Pois existe. É por isso que querem dar cabo dela. Se não existisse não era preciso tanta guerra.
 
b)   Que o Dr. Rangel fez muito mal em levar o assunto das escutas ao parlamento europeu, ainda que se tenha redimido com um bom discurso de candidatura.
Conceda-se.
 
c)   Que está cheio de “nojo”, coitado, por causa das “verdades” (aspas dele) que têm vindo nos jornais e dos “atropelos sem vergonha do segredo de justiça”, que põem a nu coisas deveriam ser secretas, uma vez que, se não serviram para a justiça também não deviam ser servidas ao respeitável público.
Pois é, o interesse público não interessa, o que interessa é a “privacidade” de uns senhores que estão a ser criminalmente investigados e que conspiram na sombra para obter, via dinheiros públicos (e que fossem privados!) mudanças na orientação da informação.
 
d)   Que os sindicatos judiciais não têm competência para se pronunciar sobre estas matérias.
Aqui, tem o homem razão.
 
e)  Que acha muito bem que o director do JN tenha censurado o artigo do Crespo.
Pois é. É o mesmo que o director do “Expresso” devia fazer aos artigos do Tavares quando se espraiam em alarvidades e em acusações sem fundamento “legítimo”.
 
f)    Que tem asco ao director do Sol e às suas diligências para salvar o jornal, sobretudo porque acusa “aos quatro ventos” as pressões governamentais a que diz, sem que seja quem for desminta, ter sido sujeito.
Claro como a água mineral. Os directores dos jornais devem adorar ser pressionados se as pressões vierem do sacrossanto governo. Devem agradecê-las e, em princípio, agir em conformidade. Se não agem em conformidade, devem agradecer que os banqueiros do governo os estrangulem financeiramente, em vez de ir à procura de investidores.   
 
Posto isto, o nosso cronista cai em si. Lá que há fumo, há. Onde estará o fogo? E continua:
 
g)   “Ultrapassado o asco e o nojo… fica o conteúdo e, esse, é inquietante”. “As escutas reveladas pelo “Sol” confirmam várias coisas”: a promiscuidade pública/privada, o papel das empresas públicas, etc., tudo aproveitado pelos boys para os mais terríveis malefícios. Coitado do primeiro-ministro. Os seus “amigos e protegidos” são “tão pouco recomendáveis como ele”.
O raciocínio é simples: os aparachiks de serviço são, acima de tudo, culpados de incompetência. Se fizessem as coisas como deve ser não eram apanhados com a boca na botija. O primeiro-ministro, por seu lado, ainda que não seja um tipo “recomendável”, foi, coitadinho, apanhado nas malhas que a incompetência dos áulicos teceu.
 
h)   Depois, chega o cronista ao cerne da questão. Assim: “não tenho dúvida de que Sócrates engendrou, consentiu ou sabia… que a PT queria comprar a TVI… parece que pelas piores razões”.
Então, se é tudo uma vergonha, a violação do segredo de justiça, a publicação das escutas, o artigo do Crespo, etc., porque raio de carga de água se permite o Tavares fazer tais acusações ao primeiro-ministro? Era tudo verdade? Se era tudo verdade, manda o interesse público que viesse a público!
 
i)     E lá vem a solução. Como o problema o é da incompetência dos boys, “aqueles meninos que Sócrates andou a colocar nas suas golden shares ou nas suas golden opportunities, têm que ser varridos imediatamente, sem apelo nem agravo”, já que “congeminam para o ‘chefe’ serviços que envolvem o compromisso de centenas de milhões de euros dos contribuintes”.
Corridos os boys, fica o problema resolvido. Impoluto e firme, o primeiro-ministro tem todas as condições para o cargo! Tem alguma culpa que os boys andem a congeminar para ele?
 
j)     Finalmente, o nosso storyteller entra no coro dos que pedem a demissão do PGR.
De acordo.
Não se percebe, depois de tanto arrazoado, por alma de quem é pedida a cabeça do Dr. Pinto Monteiro. Se o seu “crime” foi o de proteger o primeiro-ministro… tão criminoso é ele como o Tavares.
   
Enfim, uma sibilina defesa do senhor Pinto de Sousa. Já não é a primeira vez mas, desta, o exagero cínico do Tavares sobe a grande altura.
 
14.2.10
 
António Borges de Carvalho

MISSIVAS

 

De um amigo socialista e pedreiro livre, recebeu o IRRITADO a seguinte mensagem:
 
Caro António
 
Tenho lido com algum desgosto o teu encarniçamento anti Socrático.
Espero que a leitura desta entrevista no jornal "I" de Sábado possa contribuir para te elucidar melhor sobre estas matérias, visto que o entrevistado (Proença de Carvalho) é reputadamente insuspeito.
 
Subscreve-se este socialista, que com todos os seus defeitos , dele,  acha que o Pinto de Sousa fez mais pelo país que o PPD todo junto.
 
Um triplo Abraço Fraterno:.
 
xxxxxxx
 
Post scriptum: Se escrevesse  PS pensarias logo outra coisa....
Quero ver se inseres a entrevista no teu blog.
 
 *
 
Foi a seguinte a resposta do IRRITADO:
 
Caro xxxxx
 
Francamente!
Julgava que, apesar de socialista, tinhas alguma independência intelectual.
A entrevista (esqueceste-te de a anexar, mas não faz mal, já a conheço) é o que é, um advogado a defender quem lhe paga.
 
Insuspeito, o Proença? Valha-me Santo Esculápio! Um gajo que foi da direita, que apoiou o Costa, que apoiou o Pinto de Sousa, que apoiará quem lhe convier, insuspeito? Não podia ser mais suspeito.
Se aceitou patrocinar o canalha, tem que o defender, o que não é difícil. Basta pegar nos argumentos da trupe e envolvê-los num paleio jurídico mais ou menos tonitruante. Aliás, para falar em juristas, há para aí uma floresta deles e cada um diz a sua coisa.
Ainda não perceberam que as pessoas se estão nas tintas para saber se há crime ou não?
O que as pessoas sabem é que têm um primeiro-ministro que é um canalha, e têm vergonha de ter um primeiro-ministro que é um canalha. Estou a falar de POLÍTICA, não de catracas judiciais.
 
Não haverá, no PS, gente que o Pinto de Sousa não tenha agarrada aos tentáculos?
Não haverá, no PS, gente que mantenha algum sentido de honra, alguma vergonha na cara?
Não haverá, no PS, gente que perceba que tem a obrigação política, moral e patriótica de mandar o aldrabão para casa e arranjar quem o substitua?
Não haverá, no PS, alguém que perceba o substancial e deixe da andar agarrado à forma?
Nem tu? Que fidelidades são estas, que interesses são estes, que patriotismo é este?
 
Diz-se por aí que a primeira pessoa a defender que o PS devia arranjar alguém para substituir a criatura foi o Capucho. Mentira, o IRRITADO anda a dizê-lo há meses. Não se trata de tirar o PS do poder (disso é especialista o Sampaio) mas de recuperar a dignidade do PS.
 
Tudo isto é uma tristeza, xxxxx. Uma tristeza ver afundar-se o regime que a nossa geração fundou na lama bolsada por um demagogo ignorante e palavroso, trauliteiro e ultramontano.
 
É pena, xxxxx. 
Bom, de qualquer maneira a vida continua enquanto formos acordando vivos. Envergonhados mas vivos. Pouco mais nos resta.
 
A seguir, para dar alguma alegria a esta manhã de sombras e ameaças, uma coisita que acabo de receber.
 
Abraço
 
António
 
 
 
 
Sōkrátēs buscava o Conhecimento. O seu método para alcançá-lo era  o diálogo e a humildade de formular todas as perguntas. Sócrates prefere o Desconhecimento. O seu método para alcançá-lo é o monólogo e a arrogância de calar  todas as perguntas.
 
Um pensamento de Sōkrátēs - Quatro características deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.
Um pensamento de Sócrates - Quatro características deve ter um juiz: não ouvir escutas, responder obedientemente, ponderar nos riscos que corre e decidir se quer continuar a ter emprego.
 
Sōkrátēsprovocou uma ruptura sem precedentes na Filosofia grega.
Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na Auto-Estima portuguesa.
 
Sōkrátēs tinha um lema: Só sei que nada sei. Sócrates tem um lema: Eu é que sei.
 
Sōkrátēs auto-intitulava-se "um homem pacífico".
Sócrates auto-intitula-se "um animal feroz".
 
Sōkrátēs foi condenado à cicuta. Sócrates foi condenado pelas escutas.
 
Sōkrátēs deixou-nos incontáveis dádivas. 
Sócrates deixa-nos incontáveis dívidas.
 
(autor desconhecido)
 
 
  

14.2.10

 

António Borges de Carvalho 

 

 

 

OS NOVOS FASCISTAS

 

Como os seus leitores habituais bem sabem, o IRRITADO é “céptico” no que diz respeito ao chamado “aquecimento global”, ora credor da eufemística designação de “alterações climáticas”.
Ao longo destas crónicas, tem o IRRITADO adiantado alguns argumentos que lhe parecem lógicos, isto para não se ficar pelo frio de rachar em que está metido, pela ausência, há uns três anos, de verões dignos desse nome e por tantas outras verificações empíricas que contrariam o politicamente correcto e estão à vista de toda a gente.
Desta vez, porém, vale a pena fazer algumas considerações de ordem “religiosa”, ou ideológica, se quiserem.
Num artigo de jornal, um senhor José Vítor Malheiros vem descobrir a própria careca e a dos “crentes”.
Antes de mais, queixa-se de que anda a ser vítima de umas “barragens de mails”, espalhados por infiéis que contestam as três verdades que, para os “crentes” são indiscutíveis e insusceptíveis de ser postas em causa, a saber: “a) o planeta está a aquecer, b) o aquecimento do planeta pode provocar uma catástrofe climática, c) o aquecimento do planeta é em grande medida de origem humana”.
Escusado será repetir que o IRRITADO acha que todas estas verdades são mentiras, já tendo vertido nestas páginas, umas quantas provas de que tem razão, das centenas, ou milhares delas que estão à disposição de quem se interessar pela coisa.
O homem queixa-se amargamente de haver gente que não acredita na “verdade” e que chega ao ponto, imagine-se a heresia, de “fornecer às pessoas links para sites que contestam o aquecimento global. Como quer arranjar uma explicação para a coisa, vai buscar a velha tese de que se trata de uma conspiração urdida e financiada pelo grande capital, a fim de poder continuar a vender petróleo e a produzir o tenebroso CO2, o tal que “aquece” o planeta. O grande capital pretende “apagar da mente dos cidadãos de todo o mundo o conhecimento que têm do aquecimento global”. E continua: “ O objectivo é apresentar o ponto de vista dos chamados ‘cépticos’ como sendo tão válido como o ponto de vista consensual na comunidade científica, defendido pelo IPCC, e forçar os media a tratar ambas as perspectivas de uma forma ‘equilibrada’, de forma a lançar a dúvida entre os cidadãos e a reduzir o apoio político ao combate ao efeito de estufa”.  
O coronel Xis, do "exame prévio" não se expressaria com mais propriedade. Não só não é legítimo não estar de acordo com a filosofia oficial, como pô-la em dúvida significa estar a influenciar as pessoas para a desconfiança. Exemplar!
Os media, na ausência de “jornalistas especializados”, “são cada vez mais pressionados a produzir prosa a metro e onde a competência” cede perante a confusão com o balanced reporting. Assim, os media resumem o seu papel a citar os dois lados da discussão, estando tal discussão “viciada por interesses escondidos”. E esta, hem? 
Tudo isto por acção do “lóbi da contra-informação”. Nem mais!
Estes pedaços de prosa têm que se lhes diga.
Para a ideologia dos Malheiros deste mundo, tal como para o Benito Mussolini e para o Mamud Amadinejá, as suas verdades são as verdades, e não há volta a dar-lhe. Os que não acreditam nelas não têm, sequer, direito de cidade na imprensa. O balanced reporting não se aplica, já que o “consenso da comunidade científica” não pode ser tratado em pé de igualdade com os milhares de cientistas, de academias, de universidades, de estudiosos, de simples cidadãos que, por esse mundo fora, têm o desplante de se confessar contra os malheiros.
Quem for contra os malheiros é servo do capital, das petrolíferas, do lóbi da “contra-informação”, dos “interesses escondidos”, é um produtor de “cacofonia”, um ser miserável e repugnante que nem sequer devia ter direito a dizer o que pensa. Muito menos terá a imprensa o direito de tratar da mesma forma os que dizem a “verdade” e os “outros”.
Se o profeta Al Gore, mestre da “informação correcta”, ganha centenas de milhões com a sua propaganda, isso nada tem a ver com dinheiro. Se os luminares do IPCC, que até já foram apanhados em monumentais trafulhices, arranjaram, à nossa custa, magníficos tachos, dirigidos não à investigação científica mas à “prova”, à tort ou à raison, de uma “verdade” pré-estabelecida, isso não, tem nada a ver com interesses. Os macacões que negoceiam em títulos de carbono, coitados, nada têm a ver com o capital. Não. É tudo uma espécie de congregação monástica vocacionada para o esclarecimento e a salvação da humanidade.
 
Já lá vai o tempo das cimeiras do ambiente (Ramsar, Nairobi…), que se preocupavam com a natureza, a vida selvagem, as zonas húmidas, a diversidade genética, a poluição industrial, substituídas que foram pela barulheira histérica da matulagem do Rio ou de Copenhaga. Tais fenómenos de massas também nada têm a ver com dinheiro…
 
A nova religião, a dos Malheiros, é totalitária por excelência e definição.
Não admira que haja quem diga, com cordilheiras de razão, que o problema não é o do aquecimento global, é o da defesa da Liberdade contra os novos fascistas.    
 
A Terra, essa, continuará a girar, a aquecer, a arrefecer ou nem uma coisa nem outra, sempre que lhe dê na real gana.
Coitada da Terra, não tem culpa que haja malheiros e algores a ganhar a vida e a sentir-se uns semi-deuses à custa do que dizem dela.
 
12.2.10
 
António Borges de Carvalho

MAIS UMA

Esta coisa dos impostos especiais sobre os bónus dos gestores tem pouco que se lhe diga.

Para os crentes, trata-se de uma medida de “justiça fiscal”, um pontapé em privilégios, um sinal de moderação de costumes, uma medida exemplar para um país que está à beira da miséria.
Os não crentes dirão que, se o patrão paga mais é porque o empregado merece, que ninguém tem nada com isso, que, como o povo em geral os tais gestores já pagam um balúrdio e que não está certo ir-lhes ao bolso, assim, sem mais nem menos.
Os agnósticos perguntarão com que direito se vai o Estado sacar mais impostos aos gestores, se os seus mais altos dirigentes vivem numa floresta de privilégios, benesses e BMW's.
 
O IRRITADO fica fora desta polémica.
É que não vale a pena. É tudo mentira. Os jornais já demonstraram à saciedade que nada, ou quase nada vai ser cobrado. O senhor Pinto de Sousa resolveu atirar mais um fogacho para “tuga” ver. Depois, tratou de mandar envolver a coisa em panos quentes, para não chatear os seus alvos. Ainda pode vir a precisar deles, não é?
Já que está à beira do abismo… há que preparar o futuro, não é?
 
10.2.10
 
António Borges de Carvalho

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