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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DAS RAZÕES DOS INVEJOSOS

 

O IRRITADO acha que o pior defeito dos portugueses é a inveja. Porque se gaba de não ser invejoso, não tem por hábito alinhar no coro de protestos que andam por aí sobre os ordenados destes, os privilégios daqueles ou os fringe benefits daqueloutros. Costuma achar que a inveja é má conselheira e que os protestos e indignações de muita gente não passa disso mesmo: inveja.

 

Como para tudo, porém, há limites. Pondo de parte a inveja e olhando à volta, há coisas de pôr os cabelos em pé.

 

 

É verdade, por exemplo, que o Governador do Banco de Portugal ganha mais que o seu congénere americano e que os seus colegas andam lá perto. Se o princípio aplicado fosse o da proporcionalidade, então o Governador do Banco de Portugal ganharia o salário mínimo e estava com muita sorte. O princípio da proporcionalidade não se aplica assim, sem mais nem menos, entre Portugal e os EUA. Mas há uma outra proporcionalidade, que é a do país em que vivemos, aliada a essoutra, que é a da concorrência.

É evidente que os altos cargos das empresas do Estado, ou onde o Estado tem uma palavra a dizer, devem ser bem pagos, muito bem pagos, tendo em conta dois factores: a sua relação com os salários e com o poder financeiro do país e o cuidado que sejam suficientemente atraentes para não se dar uma sangria de quadros para outros mercados.

Usando estes simples critérios, não está certo, é escandaloso e imoral que, em Portugal, se pague a certos quadros da esfera empresarial do Estado de uma forma totalmente desajustada em relação ao trabalho que fazem e à concorrência que têm. Haveria que acrescentar os cargos provenientes da influência política ou dos amigos de cada um que estão no poder, não da sua demonstrada competência ou currículo. Mas isso é outra história, ou uma história complementar.

A partir de uma lista de felizes contemplados que anda por aí na net, sem que ninguém a desminta, pode dizer-se que haverá, pelo menos, umas cem pessoas a auferir, em média, um salário anual de cerca de 3,5 milhões de euros, ou seja 700.000 contos, uns 50.000 por mês vezes catorze meses. 350 milhões de euros só para pagar a esta rapaziada. Se cada um, em média, fizer retornar ao Estado 30%, ainda ficará com 490.000 contos, ou seja 35.000 contos limpos por mês, fora as normais alcavalas – carros, telefones, representação, cartão de crédito, se calhar stock options, etc., etc.

Como as respectivas empresas pagam 23,75% à Segurança Social, a despesa sobe para uns 450 milhões de euros. Recuperados os 30% de IRS, lá voltaremos, grosso modo, aos 350 milhões.

 

Descontados os fulanos de nomeação puramente política, admitamos que as pessoas são competentes no que fazem. Mesmo assim, é difícil pensar, ou admitir, que o trabalho de cada uma destas sumidades valha o que custa. Ainda menos que tenha alguma coisa a ver com o país em que vivemos.

Dir-se-á que, por preço semelhante, alguns poderiam arranjar trabalho nas empresas privadas ou no estrangeiro. Quantos? Um? Dois? Três é capaz de ser demais. As empresas privadas não são parvas, os estrangeiros ainda menos.

 

Parece que, quando tanto se fala na indispensável “contenção salarial” e na “luta contra a corrupção”, quando tanto se esgrime com a “ética”, sobretudo a “ética republicana”, seja isso o que for, quando o Estado se prepara para esmagar a classe média (média alta, média média e média baixa), talvez não fosse dispiciendo olhar para este tipo de situações com olhos mais inteligentes.

Pelo menos para que não se continuasse a dar razão aos invejosos de todas as “religiões” e aos tipos dos partidos comunistas, que continuam a achar, com a maior das latas, que acabando com os ricos se enriquece os pobres.   

   

Aqui fica, à atenção de quem de direito, na certeza que quem de direito jamais ligará bóia às preocupações do IRRITADO, nem será capaz de um mínimo de bom senso.

 

31.3.10

 

António Borges de Carvalho

GRANDE BICADA

 

Respondendo aos críticos da concessão da Casa dos Bicos, devidamente recuperada para se tornar digna das iniciativas da excelsa personalidade de Sua Excelência o Senhor Saramago, objecto de um prémio Nobel por razões que a razão desconhece, bem como dos histerismos da sua amantíssima esposa, um tal Sucena – nome que cheira a estalinismo que tresanda – veio à estampa protestar indignado contra a malandragem que se entretém a chatear o Costa por malbaratar o património nacional e os dinheiros dos munícipes com iniciativas de tal jaez.  

 

O homem queixa-se de que a Casa dos Bicos estava em mau estado. É legítimo concluir que não estava em condições para receber as nobres personalidades a quem fora entregue. Note-se, antes de mais, que, conforme informação camarária, as obras se destinam a recuperar (muito bem) o edifício, adaptando-o (muito mal) aos desejos da castelhana esposa do fugitivo fiscal Saramago e ilustre “presidenta” da fundação do mesmo nome.

Segundo o tal Sucena, a Câmara, mui justamente, alocou para as obras uns míseros 960 mil euros no orçamento de 2008. As obras começaram em 2009. Preservado o telhado e dada ao edifício a segurança necessária a travar a sua degradação, chegou-se à conclusão que era indispensável, para fazer a sua “adaptação”, mais um milhãozinho.

Justifica o Sucena esta prebenda com o este extraordinário argumento: “nunca dês uma camisola rota a um pobre: passaja-a antes com lã da mesma cor e o melhor que souberes”.

Coitado do Saramago! Admite-se que se dê uma camisola rota ao pobrezito, cheio de frio? Que humilhante ideia! E se a lã da mesma cor custa 2 milhões, que mal vem daí ao mundo?

 

As economias do senhor Saramago, é certo que aumentadas pelo regime fiscal das Canárias – o off shore da Madeira é péssimo e imoral, o regime das Canárias é óptimo e justíssimo – ficariam afectadas se se gastasse uns tostões na Casa dos Bicos. Sendo os lisboetas a pagar, a coisa torna-se mais conveniente, mais justa. A camisola é dada em boas condições, sendo indiferente o preço da lã.

 

Os críticos, esses, não passam de gente para quem “o fascismo é o seu tempo favorito”, diz o Sucena.

Veja-se a isenção, a claridade, a dignidade, a sabedoria deste pensamento, junte-se ao da camisola, e aí temos a receita da sopa que o poder nos serve e uma imagem vibrante de quem nos anda a cozinhar o futuro: os sucenas, os saramagos, os costas  Cª.

Tudo à nossa custa.

 

Mais umas informações que o Sucena nos presta, para nosso descanso:

O Saramago, fundador da Fundação Saramago, entrou para ela com a colossal quantia de 300.000 euros, quase 7 vezes menos do que vão custar as obras para que se possa, dignamente, instalar na Casa dois Bicos. E quanto vale a Casa dos Bicos? Não interessa. O que interessa é que a tal fundação, segundo o Sucena, já tem sede. Para que precisa de outra?, perguntar-se-á. A resposta deve ser simples: a actual é paga, a Casa dos Bicos é de borla.

 

A fundação até já apresentou contas. Que coisa extraordinária! Devia estar dispensada dessas chatices. Ainda segundo o Sucena, começou por apresentá-las ao fisco, coisa que já não faz, uma vez que foi declarada de “utilidade pública”. Galinha da perna.

 

Já me esquecia, que injustiça!, de referir que a fundação vai ser objecto de reforços anuais correspondentes a um terço dos direitos de autor recebidos pelo Saramago nas Canárias.

Quer dizer: dois terços dos tais direitos são objecto do regime fiscal especial das Canárias, a uma distância cósmica dos 40% que os “ricos” pagam em Portugal, e ainda mais cósmica dos 45% que os mesmos “ricos” vão passar a pagar por obra do socialismo; o outro terço fica isento, por entrar numa fundação de “utilidade pública”. Utilidade que, faça o que faz ou o que se propõe fazer, desde já se exprime pela posse de um edifício histórico, uma preciosidade urbana sem igual. Grande utilidade!

 

Depois das informações gentilmente prestadas pelo Sucena (administrador delegado da fundação Saramago!), há que tirar o chapéu ao fundador.

Como um bom milionário americano, o homem funda uma charity. Como um bom oportunista, o homem livra-se de uma série de chatices fiscais, daquelas que põem a cabeça em água e esvaziam os bolsos dos seus compatriotas. Como um bom estalinista, o homem faz figura à custa de terceiros e põe a sua fundação a viver no luxo com o dinheiro dos outros.

 

Bonito!

 

29.3.10

 

António Borges de Carvalho

BANDEIRA PORTUGUESA

 

Na noite de 25 para 26 de Março alguém içou a Bandeira Portuguesa no local onde costuma estar a bandeira da república.

Olho para os livros e verifico que é certo terem o azul e o branco sido, durante 770 anos, as cores nacionais, umas vezes juntas, outras só o branco.

Queira-se ou não, são estas as nossas cores.

Em 1911, as essas cores foram, oficialmente, substituídas pelo vermelho e o verde, cores de uma organização terrorista conhecida por carbonária que foi o braço armado dos crimes e desmandos da I República, antes e depois da sua infeliz implantação.

É esta a verdade histórica. O escudo pátrio foi mascarado, com patético mau gosto, com a esfera armilar, e esta foi transformada em símbolo do mais fanático imperialismo, formando o chamado “papo-seco” da República. Assim se arranjou maneira de colocar o nosso escudo, da mais ilegítima e ofensiva das formas, sobre as cores da carbonária.

Um regime novo, dito democrático sem jamais se ter submetido ao voto popular, deitou para o lixo, com a honra da Nação, as cores da sua Bandeira, as suas cores.

 

Certo é que as gerações nascidas a partir dos anos 20, ou 30, já não sabem que as cores da carbonária não são legítimas, nem formal nem materialmente. Educados pela Segunda República (o Estado Novo) e pela Terceira, aceitam, como é natural, o que lhes foi ensinado e vibram com uma bandeira sem saber que não é a sua.

O facto de as cores da Pátria terem sido substituídas pelas de um saco de bandidos não deixa por isso de ser facto.

Quem teve a portuguesíssima ideia de hastear a Bandeira Nacional no lugar da da República, seja quem for, merece que se lhe tire o chapéu. Mais o mereceriam se explicassem às pessoas o significado do seu nobre acto.

 

No ano em que uma Nação arruinada gasta 10 milhões de euros a comemorar a maior vergonha da sua história (o 5 de Outubro), bem precisávamos que alguém arranjasse uns tostões, não dos impostos mas do bolso de quem quisesse, para ajudar os cidadãos a sair da floresta de enganos em que os mantêm prisioneiros.    

 

27.3.10

 

António Borges de Carvalho

O LIXO AO ATAQUE

 

Ontem, comprei a “Visão”, coisa que não costumo fazer. Fui atraído por um livrinho que vinha anexo.

Folheando a revista, dou com uma página toda negra a invectivar o povo da seguinte forma: “apague (imperativo!) as luzes durante uma hora. Combata o aquecimento global”. Isto, a fim de “contribuir para a preservação do nosso Planeta mas também para fazer parte da maior plataforma voluntária de cidadãos contra o aquecimento global”.

 

O IRRITADO recomenda vivamente aos seus leitores que, à hora marcada pelos aldrabões (às 20.30 de hoje), acendam todas as luzes lá de casa, não para gastar energia mas para atirar à cara dos canalhas que ainda há quem resista ao novo fascismo.

 

A iniciativa deve-se ao World Wildlife Fund.

Conheci relativamente bem esta organização, já lá vão uns trinta anos. O seu grande patrono e dirigente era o Doutor Luc Hoffman, cidadão suíço, patrão de uma “empresa familiar”, como dizia, que se chamava, e chama, “Hoffman la Roche”. A ele se devia uma dedicação sem limites à causa da vida selvagem, à preservação das espécies e à diversidade genética. Em Portugal, por sua iniciativa, como apoio de Francisco Sá Carneiro, de várias figuras de todos os partidos políticos, de gente da sociedade civil como Afonso Patrício Gouveia e de interessados estrangeiros como John Lowden (chairman da BP), foi lançada publicamente a “Estratégia Mundial de Conservação”.

A coisa, fruto de inúmeras e poderosas invejas dos nacional-ecologistas, foi imediatamente apelidada de “manobra de capitalistas sem escrúpulos” “forma de disfarçar as culpas da Roche na poluição” e outros mimos de semelhante jaez. Os seus promotores acabaram por desistir, e foram perseguidos até resolver desaparecer.

Não sei qual foi a evolução do WWF desde então, mas imagino que, falecido o Doutor Hoffman, tenha caído nas mãos de demagogos interesseiros, acabando por alinhar na propaganda terrorista do aquecimento global, propaganda que tem o fim de levar as pessoas a achar “natural” e “obrigatório” sujeitar-se a que lhe caiam a quatro patas no bolso, através de “direitos de carbono”, de taxas a cobrar universalmente, de despesas ciclópicas nos orçamentos dos estados - a pagar pelo contribuinte -, ao mesmo tempo que serve para enriquecer sem limites aldrabões do calibre do senhor Gore, “cientistas” a soldo de entidades que, como a ONU, pagam chorudamente “estudos”, na condição de que seja previamente aceite uma determinada conclusão, etc.

Ao WWF deve ter acontecido o mesmo que à “ecologia” em Portugal: tornou-se pasto ideal para cavalheiros de indústria.

  

Ao mesmo tempo que o Canadá se debate com o grave problema dos excessos de gelo na calote do Árctico, ao mesmo tempo que a massa gelada do Antárctico Leste cresce exponencialmente, ao mesmo tempo que a Europa se debate com as dramáticas consequências de um Inverno terrível, ao mesmo tempo que os portugueses se vêm privados de Primavera, há uns tipos que mandam apagar as luzes para “preservar o Planeta”.

É evidente que o apagão em causa não teria, se o houvesse, qualquer sombra de efeito no aquecimento global. Então, porquê a iniciativa? Trata-se de um passo mais na, essa sim, global, lavagem ao cérebro dos humanos, com o fim de vir a estabelecer poderes não sufragados, baseados no terror que fomentam, de forma a poder mais facilmente extorquir incomensuráveis verbas ao incauto contribuinte.      

 

Para que fique documentada a raiz da iniciativa, aqui vão alguns dos seus “parceiros”:

 

CocaCola, como se sabe, organização preocupadíssima com o “aquecimento”;

IKEA, rebento de eleição do fascismo nórdico;

Ogilvy, publicidade q.b.;

StraCom MediaVest, ???;

Etic, ???;

Dizplay, ???;

Câmara Municipal de Lisboa, sabem o que é?

SIC, Visão, (Bilderberg???);

RFM, será que a Igreja Católica também anda a aggiornar-se?

 

Acenda as luzes, gaita!

 

27.3.10

 

António Borges de Carvalho

SAMPAIADAS

O magnífico, o extraordinário, o inacreditável Presidente que a III República teve e que dava pelo nome de Jorge Sampaio, ainda anda pelos jornais a tentar justificar o miserável golpe de estado constitucional que teve a lata de perpetrar há uns anos, abrindo o caminho à maior desgraça que, desde o 11 de Março de 1975, aconteceu à dita República: o consulado do senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates.

Diz o espantoso político: “eu não demiti o governo, eu dissolvi a assembleia”. Grande novidade!

Logo a seguir, esclarece: “As instituições funcionavam, mas o governo era mau”.

Veja-se a lógica “constitucional” do tenebroso cérebro: como não gosto do governo mas não o posso demitir, dissolvo o Parlamento, e pronto, mato três coelhos de uma cajadada: dou um pontapé no cu da maioria, dou cabo do governo, e abro caminho aos meus amigos da esquerda que, agora, até estão reorganizados. Se a Constituição não prevê uma coisa destas, quero lá saber! Se há uma maioria parlamentar estável, que tenho eu com isso! Não gosto do Santana, e acabou-se. Os constituintes não queriam este tipo de abusos? Pois, sei disso tão bem como eles. E então? Então é preciso dar o poder à esquerda e o resto é conversa. Se calhar queriam que eu os deixasse governar! Não vêm que, se lhes desse tempo, até eram capazes de vir a fazer alguma coisa? Deixá-los prestigiar-se? Não queriam mais nada? Agora, que estão na mó de baixo – nem o Cavaco gosta deles – é que é de ferrar a arrochada. Pumba!

 

Demos ao homem o benefício da dúvida, coisa que não merece. A (má) consciência, lá no fundo, deve perturbar-lhe os neurónios. É capaz de haver, ainda, algum cantinho para o remorso naquela cabeça vesga. Por isso, de vez em quando, lá vem ele à liça, tentar aliviar-se.

De cada vez que o fizer, o IRRITADO cai-lhe em cima. Não remedeia nada com isso, mas sabe-lhe bem.    

 

26.3.10

 

António Borges de Carvalho

A DIIGNIDADE DE PSD

Oito e meia da manhã. Depois de um bom pequeno-almoço, ligo o computador.

À minha frente, a notícia: o PSD e o PS juntam-se para tentar encontrar maneira de o PSD não votar contra o PEC.

O PSD não tem que aprovar o PEC. O PEC compete exclusivamente ao governo. Tudo o que possa significar um “alinhamento” do PSD com o PEC será de uma indignidade para além do aceitável ou compreensível. Não se pode apoiar uma coisa com que não se concorda e que se não foi chamado a discutir.

O PS, a fim de entalar a oposição - que olimpicamente desprezou - apresentou uma moção de “apoio”, com o argumento de que quem lhe não der apoio estará a “prejudicar o país” e a ofender a sacrossanta “estabilidade”.

 

Ora o que prejudica o país, o que torna o país risível e o desacredita em toda a Europa, é ter um PM que é um armazém de rabos de palha e que tem armários e armários cheios de esqueletos lá em casa.

Enquanto o PSD não perceber isto e não fizer o que tem a fazer - deitar fora o primeiro-ministro - não passaremos da cepa torta, não ganharemos credibilidade, não seremos respeitados seja onde for ou por quem for.

“Apoiar” aumentos de impostos depois de ter andado aos gritos contra o aumento de impostos, dar luz verde a uma “redução de despesas” que não reduz coisa nenhuma (veja-se o orçamento) depois de se ter andado a proclamar que havia que reduzir despesas, não se opor à ausência completa de ideias para relançar a economia depois de se ter andado a exigir que a economia fosse o escopo número um do PEC, deixar passar pontes, aeroportos e CAV’s depois de alardear que são puras asneiras, seria o cúmulo da indignidade para o PSD.

 

Se há que haver crise política - toda a gente sabe que vai haver crise política - então que seja o mais depressa possível. Quanto mais depressa entrarmos nela mais depressa dela saímos.

O grande papão - as agências de rating - aposto que não desconfiará mais de nós do que já desconfia, isto se dermos à Europa e ao mundo a imagem de um país onde ainda há quem não tolere trafulhas.  

 

25.3.10

 

António Borges de Carvalho

TUDO BOA GENTE

 

O camarada Chávez anda à procura da rolha.

Passo a explicar.

Habitualmente, todos os males da Venezuela e do mundo são culpa do inimigo externo, sendo o inimigo externo os EUA, o capitalismo, o imperialismo, os chavões do costume. Até o terramoto do Haiti foi fabricado pelos Estados Unidos que, segundo o tirano da Venezuela, têm uma máquina própria para o efeito.

 

Desta vez, a coisa é mais difícil que de costume, uma vez que o camarada ainda não arranjou argumentos para acusar da seca os habituais suspeitos. A seca está a agravar a crise energética do maior produtor de petróleo das Américas, crise surgida bem antes da dita seca, como fruto maduro das nacionalizações e de outras ditatoriais idiotices.

Vai daí, com as centrais térmicas a meio gás, com as hídricas sem água, com as linhas de transporte arruinadas ou inexistentes, com o respeitável público a receber energia aos bochechos, de que havia o camarada Chávez de se lembrar? Nem mais nem menos que cortar a energia às empresas! Genial.

Assim: o governo bolchevista decreta a quantidade de energia que cada empresa pode gastar. A quem ultrapassar tal quantidade, o governo corta o fornecimento (um dia). Se reincidir, três dias. E assim por diante. Já foram fechadas 80 empresas, as quais, mesmo impedidas de laborar.têm que pagar salários, etc., É evidente que a seca (as "alterações climáticas", segundo o governo) tem relativamente pouco a ver com o assunto. A causa está na total negligência do Estado bolchevista em prever os consumos, construir e/ou manter centrais térmicas para as quais dispõe de combustíveis devidamente nacionalizados para evitar que os imperialistas ganhem dinheiro com o ouro negro da Venezuela, construir/manter uma rede de distribuição de alta tensão, etc., tudo coisas que o tenebroso capitalismo proporcionou com fartura durante décadas.

As previsões são negras. Pensa-se que, a partir de Maio, se não antes, as restrições se tornem insustentáveis.

 

Que importa? Haverá sempre um inimigo externo a “justificar” as asneiras do regime. Quando este entrar em colapso, também não importa, as forças armadas "bolivarianas" tratarão do assunto. Prenderão os “capitalistas” e os “reaccionários”, despejarão uns “inimigos do povo” no Pacífico e fundarão uns campos de concentração para os que sobrarem.

A clássica revolução socialista, que triunfará, como em Cuba et alia.

 

Daqui a trinta anos, morrerá o ditador. Os seus sucessores acabarão também por cair da tripeça. Então ver-se-á ressurgir o capitalismo na sua mais negra expressão, como na Rússia.

Lá para meados do século, talvez a Liberdade volta à Venezuela.

Para já, o regime tem os seus apoios: os senhores Amadinejá, Càdáfi, Putin, Castro e Pinto de Sousa, entre outros da mesma igualha. Se estes caírem, ainda ficarão, para lavar e durar, grandes líderes no género do Mugabe, do tipo da Somália, do Bin Laden e de quejandos.

 

Tudo boa gente.  

 

24.3.10

 

António Borges de Carvalho

UMA CHATICE!

 

Caiu-me a alma - e não só - aos pés, quando ontem vi o senhor Branco rapar de um recorte de jornal e desatar a insultar o colega Rangel no debate entre os candidatos a chefe do PSD.

Ainda que não o conhecendo de partíssima nenhuma, tinha do homem uma imagem positiva. Lá se foi a imagem, lá se foi a positiva. O fulano, afinal, é um fiel seguidor dos gatos do PSD, do Marcelo, do Pacheco, do Cavaco, do Coelho (Passos), do Menezes e de tantos outros que, nos últimos 6 anos, se têm dedicado a destruir o seu próprio partido.

Se o PSD não tivesse raízes tão fundas no nosso tecido social, já não passava de um resíduo onde a assanhada gataria se divertiria aos arranhões.

 

As eleições directas (um disparate sem nome, ao qual já devemos essa horrenda aquisição que se chama Pinto de Sousa, o mesmo que, modestamente, dá pelo nome de Sócrates) pareciam, apesar de tudo, poder ser um arrear das bandeiras da bagunça e da maledicência no PSD. Baldada esperança. Triste ilusão. O mais “sossegado” dos actores, o que infundia, se não entusiasmo pelo menos confiança, revelou-se membro da alcateia da maledicência gratuita.

 

O debate foi ganho pelo senhor Pinto de Sousa. Foi ele quem esteve no centro de tudo, não o PSD. Ninguém, para além de velhos e relhos clichés, ouviu o que fosse de novo: nem ideias, nem intenções, nem nada que nos mude o futuro. Os candidatos definem-se como adversários do Pinto de Sousa, parecendo que, sem ele, não existiriam.

Todos aplaudem a melhor máquina de defesa que ao Pinto de Sousa podia ter sido oferecida: a Comissão Parlamentar de Inquérito. Não é preciso ser muito esperto para perceber que a montanha vai parir um rato. Uns dirão umas coisas, outros o seu contrário. Como, nem a uns nem a outros, será dado “provar” o que dizem, tudo ficará em águas de bacalhau. Fazendo depender a política de “veredictos”, não se vai a parte nenhuma.  

Os doutos candidatos ainda não percebem que, com provas ou sem elas, o senhor Pinto de Sousa, simplesmente, não é digno do lugar que ocupa, nem que fazer depender evidentes razões de dignidade e de carácter de processos judiciais ou parlamentares não passa de uma forma de encanar a perna à rã. O que tem a ver com o respeito que devemos ao país e a nós próprios não se pode confundir com as conclusões do inquérito ou com as sentenças da Justiça.

Quem recusa à política a prerrogativa do julgamento político, recusa a própria política.

Nenhum dos quatro percebe isto. É pena, muita pena.

 

A este propósito, valerá recordar dois factos importantes a que ninguém liga bóia e têm a ver com as propostas de Pedro Santana Lopes ao Congresso.

Parece que eram oito. Passaram todas, menos uma.

 

Os ilustres candidatos deixaram passar, lá dentro, sem discussão, aquela que vieram cá para fora condenar. Com carradas de bom senso e de razão, tal proposta outra coisa não pretendia senão chamar a atenção dos gatos assanhados para a conveniência de não andar às unhadas durante os períodos eleitorais. Propunha um sistema mais permissivo que o do regulamento até então em vigor. Poderia, se houvesse juízo, ter efeitos muito positivos.

Mas não há juízo nenhum, como os principais candidatos provaram à saciedade logo a seguir ao Congresso, embarcando em uníssono no coro absurdo e analfabeto da “lei da rolha”, coisa que até o desmiolado Assis já deixou cair.

 

E a proposta derrotada? Sabem qual era? Não sabem, com certeza. Era a que previa uma segunda volta nas eleições directas, para evitar que o eleito o fosse, como há uns tempos, com um terço dos votos, ficando dois terços a ver navios. Era ou não era uma questão de bom senso? Parece indiscutível. Mas foi chumbada.

Nenhum dos magníficos candidatos se lembrou de a defender!

Desta vez, como são quatro, arrisca-se o PSD a vir a ser governado por alguém que reuniu…26% dos sufrágios. Bonito! Melhor garantia da continuação da guerrilha não pode haver. 

 

Assim vamos nós, tristes, saudosos de líderes que se imponham pela inteligência, pela razão, pela verdade e pelo diálogo inteligente e sério com todos nós.

 

23.3.10

 

António Borges de Carvalho

VIVA A CORRUPÇÃO!

 

Quais virgens puras e destemidas, os agentes da nacional-politiqueirice desdobram-se em diligências, comissões, altas autoridades e outras fanfarronadas soi disant destinadas a “combater a corrupção”. Até o camarada Cravinho, que se deixou corromper por uma choruda mordomia em Londres, surge das brumas do Tamisa a chocalhar de novo a sua, outrora execrada hoje louvada, cartilha de “luta”.
 
A última acção desta cruzada consiste em criminalizar os presentes que, pelo Natal, as pessoas dão umas às outras. Como se os autores da marosca nunca tivessem recebido presentes fosse de quem fosse. Como se a corrupção pura e dura se deixasse impressionar com canetas Montblanc ou galheteiros de casquinha. O Doutor Vasco Pulido Valente já veio dizer que ainda acabam por criminalizar os postais de boas-festas. Tanto os activos como os passivos, acrescento eu: tão criminosos serão os que os mandam como os que os recebem os ditos postais.
 
Tudo isto cheira, sabem a quê? A cortina de fumo. Parece que o Código Penal não contempla já os crimes de corrupção e actividades conexas. Parece que, repenicando e alargando a classificação dos chamados ilícitos penais, se alarga a perseguição a quem os comete. Parece que a Justiça não serve para nada. Serve para pouco, é certo, mas não será por arranjarem mais crimes se acrescenta alguma coisa aos que já existem.
Tão mau como uma cortina de fumo trata-se de “medicina curativa”, ninguém falando, nem cravinhos nem quejandos de “medicina preventiva”.
É que ninguém se preocupa com a natureza humana. Neste mundo as tentações são muitas e resistir-lhes é o diabo. Está para nascer o político, o politólogo, o sociólogo, o psicólogo ou qualquer outro rebento das centenas de diferentes “ólogos” que o “ensino” tem produzido, que venha legislar, propor, muito menos fazer seja o que for que acabe com as mais profundas raízes da corrupção. Toda a gente anda ocupadíssima a apregoar o seu horror à coisa, mas ninguém se preocupa (se calhar et pour cause…) com o que a provoca.
Ninguém ataca a burocracia, ninguém simplifica seja o que for (uns fogachos aqui e ali, a fim de que tudo fique na mesma), os procedimentos estão cada vez mais complicados, cada vez há mais instâncias, mais institutos, mais “autoridades”, mais “entidades”, mais “civis” transformados, via “outsourcing” ou equivalente, em funcionários públicos, mais peias, mais traquinices públicas, mais taxas, mais cobranças, mais fiscais…
Tudo o que motiva, proporciona, incentiva e provoca a corrupção aí está, cada vez mais triunfante, cada vez mais omnipresente, mais à disposição do cidadão que não tem outra solução que não seja engraxar a mão seja de quem for se quiser ver uma pretensão legítima satisfeita em tempo útil. Isto, se falarmos do cidadão comum. Quanto mais se se tratar de quem pode “resolver” problemas que valem milhões, quem se souber “mexer” na floresta das normas e das entidades que tratam de complicar os concursos de os evitar, que podem pôr o processo A à frente do B, que podem “dar uma palavrinha” a quem está “por cima”, uma turma onde os heróis, como na restante humanidade, são raros, e onde, por isso, não pode deixar de haver a dose de cupidez própria do comum dos mortais.
Nada disto interessa aos “combatentes”. Eles “lutam” contra a corrupção mas não tocam nos sistemas que a fabricam.
Nem pensar! Já viram quanta gente iria para o desemprego se se acabasse com os pinchavelhos legais e regulamentares que fazem com que uma sociedade inteira seja refém de um sistema que “tem que” ultrapassar se quiser fazer seja o que for, desde mudar a sanita de sítio lá em casa até lançar uma indústria de milhões?
Como é que se quer incentivar o investimento, se não é possível investir no fundamental sem atravessar uma floresta de acessório, travessia quantas vezes impossível sem uma “ajudinha”?
Investimento estrangeiro? Como, se ninguém trás para cá o seu dinheiro enquanto o sistema for o que é? Só com privilégios, incentivos fiscais, só se forem mais que os outros (os nacionais). Não é o que faz o Dr. Basílio? Sem Dr. Basílio, isto é, sem prebendas de que os portugueses não gozam, nem um chavo cá entraria. Mesmo assim, quando os estrangeiros percebem que, resolvidos os problemas a montante, restam os que estão a jusante (a Justiça), tratam de dar à sola o mais depressa possível.
 
Quanto mais crimes criarem mais voltas a hidra pública arranjará para poder continuar a sua obra, mais requintes terá a corrupção.
É uma questão de sobrevivência, não é?
 
Pior que os corruptos são os “puros” que dizem querer acabar com a corrupção sem mexer uma palha naquilo que a provoca.
 
21.3.10
 
António Borges de Carvalho

NÃO VÁS À VAZ, MEU RAPAZ

 

“Não é de excluir que quem tem um comportamento irresponsável com a saúde venha a pagar mais por ela ou lhe seja recusado um implante”
Isabel Vaz, Presidente da Espírito Santo Saúde
 
 
Assim. Pois. Sic. Ipsis verbis. Nem mais nem menos. Citação sublinhada no “Expresso” de ontem.
Veja-se o alto sentido moral que anima a nobre senhora e, pelos vistos, a ES Saúde.
Você fuma. Fica sem uma perna num desastre de automóvel. Se for parar à ES Saúde, será objecto de um despacho da dona Isabel, ou recusando-lhe uma prótese, ou aplicando-lhe um violenta sobretaxa. Se precisar de um pulmão, coisa ainda mais ligada ao seu tenebroso vício, mesmo que haja fartura de pulmões no armazém verá a dona Isabel despachar “indeferido”.
Você gosta de pastéis de bacalhau. Abusa de tais e tão horríveis fritos. Nem pense ter uma crise de fígado. Se a tiver, é garantido que, por justa intervenção da dona Isabel, ou pagará a sobretaxa da ordem para ser tratado, ou, se precisar de um fígado novo, o melhor é ir ao talho. Dona Isabel condená-lo-á a uma justa morte.
Você é um benfiquista, sportinguista ou portista empedernido. As emoções da bola dão-lhe cabo do coração. Do alto da sua alta moral, dona Isabel recusar-lhe-á o desfibrilador, ou taxá-lo-á em conformidade. E nada de pace makers ou de outras tecnologias de ponta, que a moral da dona Isabel não consente que se gaste consigo o que pode servir para alguém que não seja “irresponsável” como você, meu caro. De transplantes, nem pó, que a dona Isabel não deixa.
 
Assim. Pois. Sic. Nem mais nem menos.
Lúcifer está fora de moda. Para nos fazer pagar pelos nossos pecados - os que estão na lista da ES Saúde, elencados pela senhora - basta recorrer aos bons ofícios da dita.
 
Se a dona Isabel tivesse nascido há cem anos teria lugar de topo garantido no laboratório do Dr. Mengele. Como nasceu há quarenta e tal tem lugar de Presidente da ES Saúde.
 
Não vás à Vaz, meu rapaz. Ou morres ou pagarás.
 
21.3.10
 
António Borges de Carvalho

INÊS DE MEDEIROS II

 

Excelentíssima Senhora Deputada Dona Inês de Medeiros,
 
Chère Madame
 
O IRRITADO teve, aqui há umas semanas, o topete de escrever uma carta a Vossa Excelência sobre a importante matéria das viagens semanais de Vossa Excelência, em classe executiva, a Paris, luminosa quão merecida cidade de residência de Vossa Excelência.
Permite-se agora o cullot de voltar à augusta presença de Vossa Excelência. Antes de mais, portanto (como diria o camarada Jerónimo), as mais humildes desculpas pelo atrevimento deste seu servo e amigo.
 
Tem o IRRITADO seguido, com a admiração e a estima que, no fundo da alma, nutre por Vossa Excelência, as vicissitudes por que tem passado a história do ingente problema que a aflige: quem paga as viagens de Vossa Excelência a Paris? Sim. Quem?
Parece que ninguém!
Anda meio mundo preocupado com o assunto, sendo o mais aflito de todos Sua Excelência o Senhor Deputado José Lelo[i], mui Ilustre Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, entidade a quem, sem sombra de dúvida, caberá pagar as viagens de Vossa Excelência.
Ora, como é sabido, o insigne cidadão tem várias dificuldades do tipo mental, coisa de que não terá culpa, uma vez que já nasceu assim. Daí que, por mais voltas que dê ao limitado bestunto com que foi brindado pela criação, não consegue encontrar o competente penduricalho orçamental onde caibam os 1.200 euros que custa cada viagem de Vossa Excelência.
Em que triste miserabilismo vive a Pátria do Senhor Dom João V!
 
Se Vossa Excelência andar por cá uns 10 meses por ano, teremos umas 45 viagens, o que, contas feitas, se cifrará nuns meros 54.000 euros, ou seja, em moeda antiga, uns míseros 10.826.028.000 réis. Em 4 anos de mandato, a coisa não passará, como é evidente, de 43.304.112.000 réis, ou, em moeda republicana, 43.304 contos mais uns pós.
 
Tem Vossa Excelência toda a razão quando, solene e superiormente, declara “não sei quem paga nem quanto custa”. Era o que faltava, Vossa Excelência preocupar-se com problemas destes, coisa para lelos e quejandos, gente de somenos. Vossa Excelência não sabe, nem tem que saber, o valor em jogo. “Nada disso passa por mim”, declarou. Mais. Vossa Excelência, como é de timbre entre os socialistas, não se preocupa com o assunto. “Escolhi uma (agência de viagens), e passei a marcar por essa: telefono e recebo os bilhetes”. É assim mesmo! A altíssima dignidade de Vossa Excelência não permite, sequer, que erga o mimoso cul da poltrona para tratar de coisas menores. Como é óbvio, alguém trás o bilhete, alguém há-de pagar, Vossa Excelência não desce a problemas de lelos. Viaja, e acabou-se. Muito bem!
 
Teve o IRRITADO a desfaçatez, na sua anterior missiva, de suscitar a curiosidade de Vossa Excelência para o facto de haver cidadãos - ainda que, como é lógico, gente de qualidade inferior à sua - que fazem Lisboa/Paris/Lisboa por uns 150[ii] euros, no mesmo avião que Vossa Excelência utiliza, mas lá para trás, com o cul não tão à larga e sem champanhe nem refeição quente.
É certo que Vossa Excelência não tem que descer ao ponto de aceitar sugestões do IRRITADO. Não pode este, porém, deixar de, com todo o respeito, dizer que, se Vossa Excelência o fizesse, o Lelo gastaria 14,5 vezes menos do que vai acabar por gastar com as viagens de Vossa Excelência.
 
Tudo isto não passa, como é evidente, de fruto da mentalidade capitalista do IRRITADO, coisa incompatível com a majestática dignidade socialista de Vossa Excelência.  
 
20.3.10
 
António Borges de Carvalho

 


[i] Lelo – doido, vaidoso (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora).
[ii] Algo me diz que Vossa Excelência, antes de subir ao altar doirado em que se encontra, viajava por 150 euros, como a plebe. Agora, já nem quer saber quanto custa, ou custava, a sandocha e o assento apertadinho. Pois faz Vossa Excelência muito bem! Socialisme oblige.

FORÇA CAMARADAS!

 

Andam para aí uns artistas, do PS pois então, a querer que o estimado governo do senhor Pinto de Sousa apresente uma Moção de Confiança.
Força, camaradas! Força! Se for esse o meio de nos livrar do rapazola, ai, que maravilha. Que maravilha seria deixarmos de andar envergonhados, enganados, aldrabados, arruinados por este fulano e pelo bando de desavergonhados em que transformou um partido outrora mais ou menos respeitável.
A ideia é simples. As sondagens, para já, ainda dão uma margem ao fulano. O Presidente parece que não quer, ou não pode, mexer uma palha. O PSD ainda não estabilizou e, ainda que sejam fraquíssimas as hipóteses de vir a estabilizar, quem sabe?
 
Lembrados da “técnica” do camarada Sampaio, que esperou calmamente pela reorganização do PS e do PC para perpetrar o seu repugnante golpe de Estado, os artistas têm justificado receio que o Professor Silva faça o mesmo, logo que lhe pareça que o PSD está em boas condições. Por isso, acham que o melhor é provocar desde já a queda do governo, a fim aumentar as hipóteses de continuar no poder, ainda que com menos deputados, ainda que com menos poder, ainda mais dependente de terceiros. O que interessa é o poder, não a legitimidade, não a atitude moral, não as pessoas, não o país. Se estas ninharias interessassem, o PS teria, como é hábito em tantas democracias europeias, outra solução de governo. Cais quê? Dividir o poder? Nem pensar! O senhor Pinto de Sousa montou uma série de teatradas, um montão de enganos, para convencer as pessoas que tinha que governar sozinho. O poder é nosso, não se divide!
 
A circunstância enche-nos de um misto de esperança e de pavor.
Nada mais feliz, mais justo, mais ético, do que correr com esta gente. Esperança, pois.
Nada mais assustador, mais negativo, mais horrendo que correr o risco de que o senhor Pinto de Sousa possa ter mais um voto que o que se classificar a seguir. Pavor, sem dúvida.
 
O IRRITADO, apesar de tudo, prefere a esperança, a coragem, a dignidade, a luzinha, por pequena que seja, ao fim do túnel onde esta gente nos meteu.
Por isso, força camaradas! Moção de Confiança, já!     
 
19.3.10
 
António Borges de Carvalho

POLÍTICA DE NATALIDADE

 

 
Há, nos EUA, uns bandos de malucos, verdes, socialistas, “amigos” dos animais, etc., - todos fiéis da nova religião do aquecimento global - que, a fim de “salvar a Terra”, preconizam, com copiosa argumentação, o fim “faseado” da humanidade. Só quando esta ficar reduzida a uns 350.000 exemplares poderá, segundo esta gente, chegar-se a um “equilíbrio” que “respeite” os interesses do planeta.
Um bando de canalhas que não merece crédito? Infelizmente não é bem assim. Mentalidades deste tipo há-as por toda a parte, ainda que mais comedidas nas suas afirmações.
Por cá, actua-se decididamente nesta direcção. Protegidos por progressista lei da esquerda, realizaram-se em Portugal quase vinte mil abortos, só em 2009, mais mil que em 2008. Em dois anos, cerca de 39.000 fetos foram incinerados nos fornos crematórios do socialismo.
Seja qual for a posição de cada um em relação à chamada IVG, os números referidos são socialmente assustadores. Mais ainda se, de um ponto de vista “economicista” (palavra tão ao gosto dos demagogos ao serviço do governo), se considerar que, a 200 euros se subsídio de “maternidade” por cada aborto, já lá vão uns 7.800.000 euros. Se o custo, para as “maternidades” do Estado, ou seja, para o contribuinte, for de uns 300 euros por “nascimento”, então teremos qualquer coisa com 20.000.000 arrancados ao nosso pobre bolso com o nobre fim de evitar a “expansão demográfica” do país. Se, a este negro quadro juntarmos os custos que suportamos para a aquisição de preservativos, pílulas preventivas e abortivas e outros produtos que, pelos vistos, há que não use para poder ganhar honradamente 200 euros, então os números devem ser muito maiores.
Num país que, todos os anos, perde população, este tipo de políticas tem que se lhe diga, não é?
O senhor Pinto de Sousa, quando olha para o espelho, deve ficar felicíssimo, não é?
 
19.3.10
 
António Borges de Carvalho

“JUSTIÇA” SOCIAL

 

Conheci um economista americano que, como a empresa onde trabalhava faliu, andava a distribuir jornais porta a porta. Perguntei-lhe se não se sentia diminuído com a situação. Disse-me que sim, mas que se sentiria muito pior se andasse a viver à custa da caridade dos outros ou de um subsídio a que até tinha direito, mas que preferia “capitalizar”. Mais tarde ou mais cedo, dizia, há de aparecer um job em que possa aplicar os meus conhecimentos e ganhar em conformidade. Entretanto, não me penduro seja em quem for, nem no Estado, nem nas companhias de seguros, nem noutro esquema qualquer.
Compaginemos este exemplo com um dado que apareceu cá no burgo, aqui e ali, em letra miudinha: só em Janeiro deste ano, em Portugal, houve 19.000 (dezanove mil!) ofertas de emprego que ficaram por preencher. Números oficiais. Quer dizer: houve 19.000 portugueses - só num mês - que preferiram continuar a receber o subsídio de desemprego a ocupar-se de um trabalho desagradável. Na certeza, pensarão, que, quando o subsídio de desemprego chegar ao fim, entrará em acção o subsídio de inserção ou outra marosca qualquer que lhes permita continuar a não fazer nenhum ou prosseguir em biscates paralelos.
 
Quando se diz, aos gritos, que há não sei quantos mil jovens licenciados à procura de emprego, lembro-me de, já lá vão muitos anos, ter andado, às tantas da manhã, em Munique, num táxi conduzido por um jovem advogado que me explicou que, enquanto procurava uma situação melhor, tinha aceite ser taxista das sete da noite às sete da manhã, já que os horários de dia eram para os “profissionais”. Não se sentia menos digno por causa disto.
Vá-se lá dar este exemplo aos nossos ilustres “doutores”, quantas vezes “licenciados” em coisas que nem eles sabem o que são nem para que servem.
 
Se o camarada Louça lesse estas linhas chamar-me-ia os piores nomes. Para ele, há que dar tudo a quem nada faz, porque a “sociedade” deve a todos a satisfação do direito a uma sobrevivência digna e próspera.
O problema não é o do camarada Louça ou o do camarada Jerónimo, ou do aldrabão Pinto de Sousa - este só quando dá para a propaganda - terem opiniões tão miríficas, para não dizer estúpidas. É, outrossim, o de se ter instalado em Portugal, via um socialismo já endémico, a ideia de que há um semideus, o Estado, que deve tudo, incluindo o que não pode pagar. Como tal semideus lá está, poderoso e inamovível, alguém há-de pagar. O que implica, como é evidente, a ruína do Estado e a miserabilização da sociedade.
 
Os que precisam “mesmo” da solidariedade dos demais, vão, como não podia deixar de ser, morrendo de fome e de tristeza e de abandono.
Isto, por exemplo, para que os pilotos da TAP, mais o Picanço, mais a Avoila, mais o xarroco dos bigodes, mais o Carvalho da Silva & Cª Lda possam continuar a fazer as suas greves, as suas manifestações e outras sofisticadas formas de fazer troça de quem precisa.      
 
18.3.10
 
António Borges de Carvalho

A MATILHA

 

A partir de Domingo passado, um clamor de indignação se levantou por ermos e povoados, vales e montanhas, rios e marés: Santana Lopes tinha proposto, e o Congresso aprovado, a chamada “lei da rolha”!
Ribombaram indignações de toda ordem. Do grande democrata Jerónimo ao camarada Louça, do impossível e repenicadamente odioso Assis ao extraordinário Lacão, dos jornais mais à direita aos mais à esquerda, não houve quem não vituperasse a miserável proposta, o desvio fascizante, o regresso o passado, a nova censura, a evidente ofensa aos mais sagrados princípios da Constituição e das Leis, da democracia, dos direitos do homem, do diabo a quatro.
Até, imagine-se, os três ilustres candidatos (o abominável Coelho, o sossegadíssimo Branco e o rangente Rangel) elevaram as suas doutas vozes para lançar tonitruante anátema sobre a pavorosa iniciativa.
Imagine-se a gravidade do escândalo.
 
O pior, ou o melhor, é trocar a coisa por miúdos.
a)    Todos os partidos têm, nos seus estatutos, normas disciplinares preconizando a punição dos seus membros que contrariem as orientações ou os princípios do partido, o que, aliás, acontece com a generalidade das organizações da sociedade civil, do Benfica à Academia das Ciências, do PS à filarmónica de Alcagonces;
b)    No PSD, tais normas não constavam dos estatutos, mas de um regulamento disciplinar qualquer;
c)    Em tal documento eram estabelecidas várias sanções, que podiam levar à expulsão dos prevaricadores, prevaricassem quando prevaricassem;
d)    A seu tempo, o Dr. Santana Lopes apresentou as propostas de alterações estatutárias que teve por bem;
e)    Ente elas uma que passava a norma do regulamento referida em a) para os estatutos, ao mesmo tempo que passava a ofensa a tal norma a ser “grave” apenas a dois meses de eleições, e não a poder sê-lo em qualquer altura, como dizia, até agora, o tal regulamento;
f)      É evidente a intenção do proponente, primeiro de morigerar a aplicação de sanções, segundo de chamar a atenção, para a triste experiência do PSD nesta matéria, sobretudo nos últimos anos.
g)    Acontece que os três ilustres candidatos à liderança do partido, que não discutiram tal alteração estatutária quando ela foi posta à discussão, que não se opuseram a que fosse aprovada, que não votaram contra ela, que, se calhar, olímpica e propositadamente, a desconheceram, se apressaram, como uns leões, a embarcar na tempestade mediática que a estupidez congénita e o oportunismo idiota da nacional bem-pensância desencadearam em retumbante berraria.
 
É normal que a coisa rasca e ordinária em que o senhor Pinto de Sousa transformou o outrora respeitável PS trate de aproveitar a onda para tecer, contra o PSD, as alarvidades que entende, sem cuidar, sequer, de olhar para os seus próprios estatutos, onde matéria da mesma natureza é contemplada, e de forma mais punitiva.
 
O que não é normal nem se pode aceitar é que os três mosqueteiros da treta, em confronto eleitoral no PSD, decidam ocupar-se a desacreditar terceiros que com eles não concorrem - ao ponto, segundo o Branco, de achar a coisa “inconstitucional” - entrando na uivante matilha não se sabe com que fim que não seja dar largas à estupidez própria e desacreditar o partido que pretendem chefiar.
 
Pobre PSD!
 
16.3.10
 
António Borges de Carvalho

AINDA AS ESCUTAS

 

A história das escutas ainda tem que se lhe diga.
Vejam isto:
Sua Excelência o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, afinal, autorizou escutas ao primeiro-ministro! Segundo o seu último e definitivo despacho, havia escutas que tinha autorizado, e escutas que não tinha autorizado. Quanto a estas, é simples: como eram ilegais e como Sua Excelência já tinha escrito, não valem, contenham o que contenham. Quanto a uma outra, cuja validação o PGR tinha solicitado, informando que, na sua opinião, não tinham nada a ver “com a matéria do processo de onde foi extraída a certidão” (o do sucateiro), Sua Excelência opina, e decide, que, apesar de a escuta ser legalmente válida, “afecta o direito fundamental à palavra e autodeterminação informacional”, ordenando por isso a sua imediata destruição.
Pese embora não constar da Constituição nenhum “direito fundamental à palavra e à autodeterminação informacional” será de atribuir a estranha e rebuscada expressão de Sua Excelência a alguma interpretação extensiva de outro direito fundamental qualquer.
Atente-se na subtileza dos dois altos magistrados quando dizem que os ditos do primeiro-ministro e do seu amigo Vara nesta escuta nada têm a ver com o processo das sucatas. Note-se que, como ninguém anda à procura das relações do primeiro-ministro com o senhor Godinho, o que interessaria saber era por que carga de água, ou a que propósito, os homens de Aveiro terão achado que tal escuta despertava suspeitas. De quê, não se sabe. Pode imaginar-se mas não se sabe. Como os magistrados de Aveiro não são, manifestamente, nem umas bestas nem uns ignorantes, ou são parte das “forças ocultas” que perseguem o primeiro-ministro ou encontraram qualquer coisa na tal escuta, ora destruída, que despertou o seu interesse, para além do caso das sucatas.
Os despachos de Suas Excelências têm o condão de, sem mentir, ocultar a verdade, seja ela qual for. Se as escutas não tinham a ver com o processo em investigação, tinham a ver com quê? Mais uma vez é legítimo perguntar o que moveu os magistrados de Aveiro. Facto é que, após os despachos de Suas Excelências, nem judicialmente nem politicamente se pode dar qualquer seguimento ao assunto.
E ainda há quem diga que, objectivamente, estes doutos juristas não andam a proteger o senhor Pinto de Sousa!
 
14.3.10
 
António Borges de Carvalho

MAIS UM

 

Já ninguém tem dúvidas sobre a base aldrabona em que assenta o poder político em Portugal. Não há jornal, nem rádio, nem televisão, nem seja que cidadão for que não esteja de acordo com esta devastadora verdade e que não a diga sem desmentido possível.
No entanto, não será despiciendo ir assinalando certos novos elementos do pelotão da aldrabice que por aí se vão revelando.
 
Veja-se o senhor Bava, chefe dos negócios da PT, que, em 25 de Junho de 2009, disse na RTP que não havia ainda fixação do preço a pagar à Prisa por 30% da TVI e que, há três dias, afirmou em São Bento que, a 19 do mesmo mês, já tinha estabelecido um acordo com os espanhóis a tal respeito.
Para arquivo e memória futura.
 
Para o mesmo efeito, assinale-se que o senhor Granadeiro também meteu, coitado, os pés pelas mãos na defesa do senhor Pinto de Sousa, já tendo dito e redito, não sei quantas vezes, que o preto é branco e que o branco é preto. Isto, para além de ter sido "encornado" e não ter reagido.
  
Gente fina é outra coisa.
 
14.3.10
 
António Borges de Carvalho

DO CONSENSO UNIVERSAL

 

O tristemente famoso IPCC (International Pannel on Climate Change), da ONU, vai ser objecto de uma operação de vigilância.
O senhor Banquimune acaba de ordenar a contratação de uma agência científica qualquer para evitar que o tal IPCC continue a manipular dados, a aldrabar números, a arranjar esquemas informáticos marados, tudo a fim de manter viva a “religião” e o terror do aquecimento global.
A esta série de malfeitorias, o senhor Banquimune chama “erros lamentáveis”, tais que a inacreditável, mentirosa e errónea propaganda sobre, por exemplo, os glaciares dos Himalaias que, no parecer do IPCC “poderão desaparecer até 2035, senão mesmo antes”, “informação” posteriormente emendada, reconhecendo o painel que se trata de 2350 e não de 2035, o que destrói à evidência qualquer hipótese de honestidade da dita.
 
Veja-se agora o “espírito” que anima o senhor Banquimune. Diz o homem que “temos que agir com dados científicos o mais credíveis possível. É preciso garantir uma transparência total.” Isto, “garantindo” a certeza de que “a ameaça colocada pelas mudanças do clima é real”. Note-se que o homem, seguindo o politicamente correcto, já não fala em “aquecimento global”, a menina dos olhos do IPCC. Nem da “antropogénese” de tal aquecimento. No fundo, é a mesma coisa, isto de achar que o clima está a mudar e que o homem pode fazer seja o que for a tal respeito.
Por outras palavras, a agência científica tem a missão de vigiar as afirmações do IPCC “desde que” não ponha em causa as suas pré-estabelecidas conclusões! Nas palavras do fulano, desde que se “não se mude o consenso científico sobre as alterações climáticas”.
Tal “consenso científico”, chavão adoptado pelo senhor Al(drabão)Gore, antes de mais foi sobre o “aquecimento global provocado pelo homem” e não sobre as “mudanças climáticas”, coisa que vai acontecendo todos os dias desde que a Terra é Terra, e que continuará a acontecer quer se queira quer não. Segundo, tal “consenso” é uma manigância inominável: foi obtido num inquérito dirigido a dez mil “cientistas” de todo o mundo, tendo sido obtidas pouco mais de três mil respostas. Destas, uns sessenta por cento concordaram em que as mudanças climáticas, de facto, estavam em curso. Mesmo assim, muitas delas eram apresentadas com as mais justificadas ressalvas.
Assim estabeleceram a ONU e o Al(drabão)Gore o “consenso universal” sobre a matéria!
O tal “consenso universal” é responsável pela maior operação de saque dos dinheiros das pessoas da história da humanidade. É lógico: pois se fomos nós a causar o “aquecimento”, seremos nós a ter que pagá-lo. Não é?
Se isto não é o novo fascismo, ou o novo bolchevismo, desta vez “universal” e “científico”, não sei o que seja.
 
14.3.10
 
António Borges de Carvalho

CRIME URBANÍSTICO, CULTURAL E PATRIMONIAL

 

 

 
O IRRITADO já por várias vezes manifestou a sua indignação pela entrega da Casa dos Bicos à chamada Fundação Saramago. Antes de mais porque do conceito de “fundação” faz parte a ideia de que se trata de instituição financiada pelo seu, ou seus, fundadores, e não de uma coisa que os contribuintes têm o dever de sustentar com impostos. Se houver, e acho bem que possa haver, contribuições financeiras para uma fundação, que estas sejam exclusivamente privadas, individuais ou institucionais, mas sempre voluntárias, nunca obrigatórias. Ninguém pode ser obrigado a financiar através de impostos instituições de direito privado, quer concorde quer não com os seus objectivos. Se as fundações não têm, ou não são capazes, ou não querem financiar-se para além dos recursos de quem as funda através de contribuições voluntárias, então que fechem a porta e distribuam os seus activos em função da equidade e das suas normas estatutárias.
 
A entrega da Casa dos Bicos a José Saramago é, porém, muito mais grave do que as asserções supra podem levar a pensar. Trata-se, não de um edifício qualquer, como os palacetes que a Câmara de Lisboa oferece a diáfanas instituições tipo ligas de propaganda e expansão da homossexualidade. A Casa dos Bicos é um monumento emblemático da cidade e do país, um marco (que devia ser indelével) do período mais brilhante da nossa História, uma peça de arquitectura única no mundo, um património que não pode deixar de ser municipal, ou nacional (já que nunca foi privado) e cujo uso, mesmo que gerido por entidades privadas, não pode, ou não devia poder ser dedicado a fins outros que não a publicitação e o estudo da História de que faz parte.
 
O monumental escândalo que este negócio provoca, ou devia provocar, tem, além disto, um lado financeiro pelo menos pornográfico. É que a Câmara se prepara para gastar 2,2 milhões de euros do dinheiro compulsivamente pago pelos munícipes para pôr a Casa dos Bicos num brinquinho, devidamente adaptada à vontade da castelhana esposa do senhor Saramago para o que ela muito bem entende e objectiva.
Tudo de pernas para o ar. Em vez de, como acontece nos países civilizados, haver uma instituição privada que, como mecenas, se ponha à disposição do Estado, ou da Câmara, para recuperar um monumento, a troco ou não da sua utilização para fins culturais ou outros, é a Câmara que vai servir de Mecenas aos megalómanos desejos do senhor Saramago, cidadão ainda por cima bem pouco português*, por mais bem-intencionada que seja, ou fosse, a sua megalomania!
O escândalo não se fica por aqui. Ninguém sabe o que lá se vai meter. Ninguém estudou, ou avaliou, o que é o famoso “espólio” de José Saramago. Ninguém sabe (como no caso de Berardo) que mais-valias a exposição de tal espólio trará à cultura portuguesa. Às cegas, embarcando na demagogia saramaguiana, a CML entrega ao homem o que é nosso. Sem critério outro que não seja essa demagogia.
 
Saramago, para quem gosta, é um grande escritor. Ganhou o Nobel por razões que a razão desconhece mas que a política da academia sueca poderá explicar.
Seja ou não um grande escritor, facto é que Saramago, para além de ter praticado vários crimes contra a Liberdade, é talvez o mais desagradável, o mais antipático, o mais “importantão” de todos os portugueses. A sua castelhana, por seu lado, é uma nulidade cultural. Uma nulidade que aprendeu com o fulano a ser desbocada, insultuosa, antipática e convencida. Uma nulidade que, por gritante ignorância e por primitivismo feminista, quer ser tratada por “presidenta”, como se, se fosse homem, passasse a “presidento”.
E é a esta gente que o inacreditável Costa se prepara para entregar uma jóia da coroa da cidade e do país, acrescida de 2,2 milhões de euros – sem concurso público - e do que, é mais que certo, se seguirá!    
 
Parece que houve um vereador da CML que se revoltou contra estas decisões do senhor Costa e dos seus ajudantes Roseta e Fernandes. Que desplante!
A castelhana, do alto da sua importantíssima importância, certamente servida por esmerada educação, reclamou, dizendo de sua justiça: trata-se de um polémica “rasca, absurda e estúpida”. E justifica-se: então, se a Casa dos Bicos está votada ao abandono, se até “tem infiltrações” (!), não é mais que justo que a CML, responsável por uma propriedade que já não é dela, a entregue ao seu legítimo proprietário nas melhores condições?
A mulher, ao falar em “rasca”, deve estar a ver-se ao espelho. De “absurda” pouco terá, já que sabe defender interesses que, enquanto tal, nada têm de absurdo. E de “estúpida”, se estúpida não for o antónimo de inteligente, mas de esperta, também nada tem.
 
Não há, como se sabe, crimes políticos. Mas, já que se fala em crimes urbanísticos e patrimoniais, não teremos aqui um caso para o Costa ir parar à cadeia?
 
12.3.10
 
António Borges de Carvalho
 

* V. artigo do Dr. Saldanha Sanches sobre a residência "offshore" do senhor Saramago, bem cemonstrativa do "patriotismo" do fulano.  

BORRAR A PINTURA

 

No segundo acto do lançamento da sua recandidatura a ocupante do Palácio Real de Belém, o Professor Silva desdobrou-se nas suas habituais tocatas e fugas institucionais, poupando (relativamente) o governo e o primeiro-ministro à expressão dos seus sentimentos mais profundos, e poupando-se a si mesmo de qualquer sombra de responsabilidade no estado de apodrecimento político, social, financeiro, económico e judicial a que isto chegou.
Compreenda-se a postura.
A poupança foi, no entanto, longe demais. É que, sangrando-se em saúde em relação ao seu antecessor - o golpista Sampaio - o Professor Silva teve o desplante de, para compaginar a sua actual atitude “estabilizadora” com a prática daquele, teve o desplante a que, caridosamente, se poderia chamar lapsus memoriae, de afirmar que o parlamento de maioria estável PSD/CDS tinha sido dissolvido porque “o Primeiro-Ministro se tinha demitido”.
Por outras palavras, a fim de mascarar a sua miserável atitude como colaborador activo da golpada, o Professor Silva não hesitou em mudar os factos históricos, trocando a carroça com os bois. É que o Primeiro-Ministro da altura não se demitiu, foi apeado via aquilo a que se chama golpe de estado constitucional, isto é, por meio da utilização da Constituição contra si própria e contra o espírito do legislador que legitimamente a concebeu.
O Professor Silva borrou a pintura.
É evidente que muita da gente que o vai reeleger fá-lo-á como Cunhal recomendou aos seus camaradas quando os mandou votar em Mário Soares: “tapem os olhos”, ponham lá a cruzinha e peçam perdão ao camarada Lenine. Desta vez, os eleitores do Professor Silva ver-se-ão obrigados a fazer o mesmo pedindo perdão à consciência, já que votam em quem os traiu. A alternativa seria não votar, o que, quem sabe, traria consequências devastadoras.
 
Enfim, serviços que a República, de cinco em cinco anos, vai prestando às pessoas.
 
11.3,10
 
António Borges de Carvalho

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