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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A VERDADEIRA CRISE

 

Ontem, absorvido em actividades de zapping fui, infelizmente, ter ao canal Parlamento, mais precisamente à comissão de inquérito TVI/PT.

O inquirido era Carlos Barbosa, fundador e ex-proprietário do “Correio da Manhã” (o maior sucesso editorial de sempre), ex-administrador da PT e actual Presidente do ACP.

 

Encarregava-se do interrogatório, nesse momento, um tal Seabra, deputado do PS, assessorado por uma colega extremamente nervosa e de carão agressivo.

O homem parecia um daqueles advogados que se acham mil furos acima das testemunhas e que se permitem, quantas vezes com apoio do Tribunal, tratar as pessoas como se fossem trampa. O fulano, enquanto a companheira, de olhar furibundo, se retorcia na cadeira, dedicava-se a obrigar o depoente a dizer o que ele queria que dissesse, não o que estava ali para testemunhar.

Em disparatada e ordinária descompostura, o Seabra desvalorizou até abaixo de zero o que o declarante disse, chegando ao ponto de afirmar que não percebia o que lá estava ele a fazer, como se Carlos Barbosa ali estivesse de motu próprio.

Carlos Barbosa estava lá porque tinha sido convocado e, ao contrário do primeiro-ministro, também convocado, não se borrou de medo de lá ir.

 

A carroceirice do Seabra não valeria um chavo, não fora ser demonstrativa da indecente postura do seu partido a respeito do caso em investigação.

Desde a primeira hora deste caso, como desde a primeira hora de todos os demais rabos de palha que, de há cinco anos a esta parte, têm sido descobertos ao primeiro-ministro, o PS procura, sob a batuta e a caneta de Mário Soares, e, objectivamente, com a cooperação do PGR e do PSTJ, tratar o que é político como se de judicial se tratasse.

Ele é a presunção da inocência, ele é o esperar pelo(s) veredicto(s) final(ais) da Justiça, ele é as “culpas” dos que divulgam o segredo de justiça e a invalidade do que dizem, ele é a ilegalidade das escutas, ele é tudo o que for formal para safar o primeiro-ministro.

 

A política deixou de existir para esta gente. Agarrados como lapas ao poder, refugiam-se em delongas judiciais em vez de assumir e tratar do que está em causa: o merecimento pessoal do senhor Pinto de Sousa para ocupar o cargo.

 

A República, cuja dignidade esta gente diz proteger, perdeu toda a dignidade possível aceitando o sapateado do primeiro-ministro, quando, por exemplo, foi provada a forma “expedita” como tirou um curso pirata - não precisa de curso para ser primeiro-ministro, mas precisaria de não ser aldrabão - , coisa que, judicialmente, talvez não seja importante mas que, politicamente, não pode, ou não devia poder ser tolerada.

O senhor Pinto de Sousa, por exemplo (isto também está provado), autorizou um outlet numa zona natural de "protecção especial". Independentemente de ter ou não cometido algum dos crimes do cardápio penal, o seu acto torna-o (devia torná-lo) indigno de ser primeiro-ministro.

E assim por diante, num nunca acabar de casos.

 

O PS, escondido no biombo judicial, continua a esgrimir com armas que não têm a ver com o caso.

Por exemplo, no caso PT/TVI, não há quem não pense que o primeiro-ministro mentiu ao Parlamento com quantos dentes tinha na boca. É evidente que isto é difícil de provar. Mas, politicamente, ou mentiu, e deve ir para a rua, ou não mentiu e deve ir para a rua na mesma pela simples razão que, neste hipótese, andava a dormir na forma enquanto empresas pelas quais, em nome do Estado, é responsável, andam a fazer negociatas malucas por conta própria, montando os mais rebuscados esquemas, hoje à vista de toda a gente.

 

O descrédito em que o país caiu é financeiro? Claro que é.

E político, não será?

Que crédito merece um país que todo o mundo sabe ser governado por um troca-tintas megalómano, inculto e palavroso?

Que crédito merece um país onde o governo está nas mãos de um partido cuja principal preocupação é tapar com uma peneira judicial as malfeitorias e as indignidades políticas do chefe?

Este é o fundo da questão. Não se pode confiar num país governado por gente desta.

 

Se se quiser resolver a crise financeira, é preciso, antes de mais, resolver a questão política. Com PS ou sem PS, mas sempre sem Pinto de Sousa. Era, aliás, a tese da Dona Manuela.

 

É uma pena ver Passos Coelho malbaratar o seu capital político, a sua margem de manobra, o seu período de graça, ao comprometer-se com o primeiro-ministro, implicitamente aceitando a responsabilidade das loucuras dele, em vez de o denunciar como incapaz, política e moralmente inadequado à posição a que o conduziu uma interpretação forçada do resultado das eleições, estranhamente aceite pelo PR.

Isto causaria instabilidade? Talvez. Mas será, com certeza uma instabilidade menos grave do que aquela, letal, a que o senhor Pinto de Sousa nos conduz.

 

Não parece que seja de contar com o Presidente da República para nos acudir. Ele nem sequer se importa que, com carradas de razão, se diga que o que o preocupa não é o país, mas as eleições presidenciais.

 

Parece que também vamos deixar de contar com o PSD. A partir de hoje ou ficará comprometido com as políticas malucas do senhor Pinto de Sousa ou será justamente acusado de ter faltado aos seus compromissos.

 

O futuro, talvez desde Alcácer-Quibir, nunca se nos apresentou tão negro.

Nem os desmandos da guerra civil, nem o ultimato britânico, nem as criminosas tonterias da primeira República, nem a bancarrota dos anos vinte, nos fizeram a mossa que esta gente nos está a fazer.

 

28.4.10

 

António Borges de Carvalho

A FUFO-PEDERASTIA EM ACÇÃO

 

Vejam isto:

O senhor (ou senhora) Manuel Abrantes, é nem mais nem menos que o (ou a) chefe e porta-voz de uma associação apoiada pela Fundação Europeia da Juventude do Conselho da Europa, coisa cuja existência o IRRITADO desconhecia mas que, cheira-me, é paga pelo contribuinte.

A organização do senhor (ou senhora) Abrantes chama-se Rede ex-aequo, é formada por jovens dos 16 aos 30 anos e destina-se a actividades de proselitismo homossexual junto das escolas.

Como? Pondo os seus préstimos à disposição das ditas, a fim de dar aos meninos e meninas as devidas instruções sobre a absoluta normalidade da fufo-pederastia e a excelência das mal cheirosas práticas que tal “escola filosófica” exerce e propõe.

A princípio, vejam bem, a “inducação” ministrada pela ex-aequo destinava-se a meninos e meninas com mais de dezasseis anos. Hoje, porém, segundo informa o (ou a) Abrantes, destina-se também a criancinhas de 12 ou 13 anos. A pedofilia no seu melhor.

Em 2008/2009, os prosélitos pequenos (as) “leccionaram” em nada menos que 40 escolas. Nos primeiros quatro meses do corrente ano lectivo, os missionários da trampa já penetraram em 37. Só em Março, foram 18. Ao todo, mais de 1800 jovens já beneficiaram da doutrinação da rede ex-aequo.

E mais dados não publico, porque já estou enjoado.

 

Pior que a existência da indecorosa organização é a reacção do “ensino”. Os adeptos da fufo-pederastia, segundo diz o (ou a) Abrantes, têm o “pudor” de só ir a escolas quando por elas forem chamados.

O que quer dizer que há “escolas”, mais de 80, cujos professores, directores e conselhos “científicos” já recorreram aos serviços da rede ex-aequo.

A alçada da dona Alçada parece não alçar tão longe que chegue para mandar bugiar a rede e para correr de vez com os “docentes” que fazem os repugnantes convites.

O que, por outras palavras, quer dizer que a dona Alçada acha muito bem e, se calhar, seguindo a filosofia de vida do senhor Pinto de Sousa, até os apoia.

Que diabo, é uma iniciativa apoiada financeiramente pelo Conselho da Europa, coisa cuja utilidade fica, assim, bem demonstrada.

 

Há momentos da vida em que temos vergonha de pertencer à espécie humana.

 

27.4.10

 

António Borges de Carvalho

TARDE PIASTE

Às vezes, há coisas que fazem pena.

O Dr. Mário Soares não é pessoa que me mereça propriamente pena, mas os nobres sentimentos do IRRITADO, neste caso, sobrepõem-se à escarninha mentalidade do autor.

 

Que teria passado pela cabeça do ancião para dizer aos cabo-verdianos que jamais se deveriam ter tornado independentes?

Então um homem que fez tudo o que estava ao seu alcance para os obrigar a ser independentes – em Cabo-Verde nunca houve luta armada – vem agora dizer que foi asneira?

Então os direitos dos colonizados?

Então os ventos da história?

Então a autodeterminação?

Foi tudo para o caixote do lixo?

Então, 35 anos depois, o Dr. Soares vem negar o que foi a principal obra da sua vida?

Então o Dr. Soares lembra-se de dizer tal coisa ao único novo país que lucrou com a independência?

 

Interessante é verificar que o senhor parece atribuir o erro da independência aos cabo-verdianos, como se ele, Soares, nada tivesse a ver com o assunto. Os cabo-verdianos independentistas, é bom dizê-lo, jamais tiveram apoio popular para a mais leve acção armada, nunca passaram de paleio e, para defender as suas ideias à cacetada, como é sabido, serviram-se dos guinéus, na Guiné. Em Cabo-Verde, ‘tá quieto!

Não se tornaram independentes, foram tornados. E é quem tal os tornou que vem dizer que foi asneira sem, sequer, fazer o seu pessoal acto de contrição!

Estará doido, ou encontrou-se com o Alzeimer nalguma esquina? Faz pena.

 

É verdade que Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe, se tivessem sido bem orientados pelos descolonizadores e pelos líderes que, para tal, o MFA e o Dr. Soares importaram à pressa, seriam hoje regiões ultraperiféricas da União Europeia e não tinham tido metade das chatices que tiveram e ainda têm.

Aliás, pelo menos em São Tomé, sítio que o IRRITADO conhece relativamente bem, houve vários “descolonizados” de valia – os que não tinham escola de Moscovo ou do MRPP/PC – que preconizavam uma solução autonómica. O actual Presidente da República lá do sítiom era um deles.

Mas a demagogia da descolonização era totalitária. Ou tudo ou nada. Os que pensassem diferente arriscavam a cabeça. Tiveram que se calar. Quem mandava nestas coisas era o Alva Rosa Coutinho, o Cunhal e… Mário Soares!

 

Tarde piaste, e mal, é o que agora se pode dizer.

 

26.4.10

 

António Borges de Carvalho

UMA QUESTÃO CULTURAL

 

Em anúncios de imprensa, vem a Guarda Nacional Republicana informar a plebe sobre as iniciativas que promove, comemorativas dos seus 99 anos e, sobretudo, dos 100 anos de República.

 

Em 1834/35, o Senhor Dom Pedro IV transformou a Guarda Real de Polícia, fundada por Pina Manique no dealbar do século XIX, em Guarda Municipal, primeiro em Lisboa, depois no Porto.

 

Imposta a República, o governo provisório tratou de extinguir as Guardas Municipais e, sem mexer noutra coisa que não no nome, transformou-as em Guardas Republicanas. Em 1911, o regime imposto criou a Guarda Nacional Republicana, hoje ainda existente com o mesmo nome, como força militar de polícia e segurança interna.

 

Há, pela Europa fora, uma série de corpos militares com missões congéneres às da GNR, a Gendarmerie francesa, os Carabinireri italianos, etc. Nenhuma destas forças se chama “republicana”. Para encontrarmos tal designação teremos que ir até ao Irão ou a países de semelhante “calibre” cultural e político.

 

A substituição da Nação pela República, ou a confusão entre os dois conceitos, é privilégio dos exageros jacobinos da nossa infeliz República. Assim foi na primeira República, na segunda – Salazar foi o grande estabilizador do regime imposto – e na terceira, em que vivemos.

Não é por acaso que a Constituição de 1976 começa com a afirmação “Portugal é uma República”. Não é uma Nação, um país, um Estado.

A História é cultural e conceptualmente pervertida ao definir Portugal desta estúpida forma. Se definir é marcar os limites, pode concluir-se, a partir de tal e tão basilar afirmação, que a fundação de Portugal se deu em… 1910. Pois se Portugal é uma República, o que antes dela havia outra coisa era, que não Portugal.

 

A ultramontanice dos fundadores da República foi, e continua a ser, repetida com a mesma inferioridade conceptual que chamou à guarda nacional “republicana”, inculcando que lhe cabe defender a segurança da Nação se e quando esta for uma República, tal não lhe cabendo se o não for.

 

A propaganda da GNR vai, porém, mais fundo. As comemorações destinam-se a sublinhar o papel da GNR no 5 de Outubro (estranhamente porque, em 1910, a GNR não existia!) e no 25 de Abril. Parece que a GNR não existia no 28 de Maio, não teve um papel no 28 de Maio nem durante a segunda República nem foi o braço armado da ditadura republicana do doutor Salazar, que serviu cega e violentamente, sempre que para tal foi chamada pelo poder.

 

A História, no que à República, de agora e de antes, agrada, não é a História, é uma história que se inventa, ou sublinha, conforme as conveniências do momento.

 

Misteriosamente, a GNR apaga, ou esconde, pelo menos em termos de propaganda, quase metade do seu passado. Não é por isso que deixa de o ter tido. Culturalmente, esta atitude consubstancia uma inferioridade igual à que consiste em chamar-lhe “republicana”, ou a confundir Portugal com a República.

 

A importância deste tipo de “cultura” está em que, para o povo em geral e para as novas gerações em particular, se “vende”, sem pudor nem decência intelectual, uma visão oblíqua e retorcida da História, como o fizeram Lenine, Hitler e quejandos.

 

Quem não tem memória não tem futuro. Quem tem a memória torcida ainda menos.

 

25.4.10

 

António Borges de Carvalho

INÊS DE MEDEIROS VI

 

 

Excelentíssima Senhora Dona Inês de Medeiros

 

Não calcula Vossa Excelência a alegria do IRRITADO por ver finalmente ultrapassado o caso das viagens de Vossa Excelência a Paris, cidade da luz, da cultura, da excelência, enfim, de tudo o que é próprio de uma excelência como Vossa Excelência, personalidade sem sombra de dúvida merecedora dos maiores encómios e do mais profundo respeito.

 

A estas donairosas considerações acresce o deslumbramento com que o IRRITADO teve a suprema dita de ver, no diário de Notícias, a forma natural, descontraída e elegante como Vossa Excelência, para uso estético do povo, teve a generosidade de se deixar fotografar, não sem antes ter ido ao cabeleireiro, à manicure e ao face building - passe o inglesismo – a fim de realçar o charme com que o Criador em boa hora teve a sabedoria de a dotar.

A pose com que brinda a ignara multidão a que o IRRITADO pertence, digna de Catarina de Médicis, beleza sem par docemente reclinada sobre degraus recobertos de vermelha passadeira, é motivo do maior deleite para todos nós.

Obrigado!

 

Hélas, nem tudo são rosas!

Sua Excelência o senhor deputado Lelo, ao abrilhantar com o seu voto de qualidade a decisão que iria fazer a justiça que Vossa Excelência merece, esqueceu-se das honras que lhe são devidas e equiparou-a aos ilhéus! Imagine-se a afronta!

Consultada a TAP, verifica-se que uma viagem a Ponta Delgada (tabela a que Vossa Excelência vai ter que se limitar), feita com alguma dignidade, isto é, em classe executiva, custa mais ou menos metade de uma viagem a Paris, daquelas que Vossa Excelência, com toda a justiça, costuma utilizar. Eu sei, eu sei que ainda lhe pagam o táxi até ao seizième e lhe dão 69 euros – interessante número, como diria o companheiro Amaral - por dia, para os seus merecidos atavios.

Mas não está certo! É de flagrante injustiça!

Um conselho amigo: verifique Vossa Excelência quanto custa uma viagem até ao Corvo, por exemplo. É capaz de ir buscar mais uns tostões para colmatar as dificuldades que lhe têm levantado.

 

Opina o IRRITADO, com a devida vénia, que Vossa Excelência deve continuar a sua justa luta. Esta de equiparar uma parisiense com um açoriano é coisa de intolerável baixeza. É como comparar a Torre Eifel com o vulcão dos Capelinhos, que nem activo é.

 

Força, Excelência! A luta continua.     

 

24.4.10

 

António Borges de Carvalho

A NÉVOA E O NÉVOA

 

 Justa é a indignação dos irmãos Fernandes, causada pela incrível absolvição do senhor Névoa. Que horror! A justiça enevoada!

 

Qual a origem disto tudo? Será bom fazer um bocadinho de história.

Em tempos, o senhor Névoa fez um contrato de permuta dos seus terrenos do Parque Mayer com os da defunta Feira Popular, propriedade da CML.

Este contrato andou em bolandas na Câmara e na Assembleia Municipal. Até que o Prof. Carmona Rodrigues, de acordo com o Névoa, nele introduziu umas alterações. A nova versão do contrato mereceu esmagador apoio dos senhores deputados municipais (PS+PSD+CDS+BE).

Postas as coisas nestes termos, pareceria ao senhor Névoa que estava o problema resolvido. Mas adveio o Fernandes (José) e tudo se baralhou, com o argumento de que a CML tinha sido enganada na permuta, já que os terrenos da Feira Popular valeriam muito mais que os do Parque Mayer.

 

Para se ajuizar da justeza da reclamação, haveria que avaliar os dois bens em causa. Aqui começa a confusão. Os terrenos da feira tinham um valor relativamente fácil de encontrar - bastava multiplicar o número de metros quadrados de construção que a CML se comprometia a autorizar pelo valor de mercado dos terrenos para tal disponíveis na mesma zona. Os do Parque Mayer não tinham avaliação possível, primeiro porque ninguém sabia o que lá se ia pôr, segundo porque há elementos subjectivos, de ordem cultural, histórica e patrimonial, que não é fácil exprimir em números.

O Parque Mayer valeria uma coisa se lá fosse construído um marco urbano e arquitectónico como o do arquitecto Ghery, outra valerá se se vir reduzido a mais um projectinho do habitual nacional-pequenismo, apartamentos, input “cultural”, etc., e não valerá um chavo se lá meter algum projecto da autoria ou da assinatura do primeiro-ministro.

Neste tipo de avaliações tudo é possível. É natural que o senhor Névoa fizesse os possíveis por fazer o valor da coisa chegar ao do da Feira Popular. É natural que a CML fizesse precisamente o contrário. Facto é, repito, que o negócio se fez e que foi a provado por todas as instâncias camarárias com legitimidade para tal.

É evidente que, quando o nacional-pequenismo correu com o arquitecto Ghery, passou a ser possível pôr em causa o putativo valor do Parque Mayer. Disso não tem o senhor Névoa culpa nenhuma, nem é legítimo que se ponha em causa o negócio, a não ser que se provasse - o que não aconteceu - que havia coisas menos próprias por detrás das avaliações ou das negociações.

Ora o Fernandes (José) que, por razões ideológicas, abomina a generalidade dos névoas deste mundo, resolveu atacar a coisa. Moveu mundos e fundos, e conseguiu que tudo fosse posto em causa.

Havia então que desacreditar os principais intervenientes no negócio: processar o prof. Carmona e arranjar uma estrangeirinha para tratar da saúde ao Névoa.

 

Cabe aqui caracterizar este cidadão. Self made man, homem rico e influente, antes de mais lá para o Norte, depois pelo país fora, Lisboa incluída. Um espertalhão. Um tipo que corta a direito, isto é, que não olha a certos meios para conseguir o que quer ou para que não o chateiem. De qualquer forma, um tipo com obra feita, considerado e amado na sua região.

 

Ora não é fácil fazer a cama a um fulano deste calibre. É, por isso, evidente que o mano Ricardo lhe estendeu a casca de banana, eventualmente insinuando que, com uns tostões, calaria o mano Zé. É o que se torna evidente nas escutas “legitimamente” efectuadas, das quais se pode concluir que o mano Ricardo tinha previamente preparado o terreno. De tal forma que já sabia o que se ia passar, assim se explicando o pedido de colaboração da Polícia Judiciária. Conseguida a gravação em que o Névoa, caindo na esparrela, propôs o que, evidentemente, já lhe tinha sido proposto, os manos viram os seus esforços coroados de êxito.

Em suma, uma tramóia, uma emboscada policial devidamente montada, a fazer lembrar os velhos tempos em que a bufaria era utilizada, ainda que para outros efeitos.

  

Tudo isto, ao contrário do que quem ler está a pensar, não se destina a ilibar o Névoa das culpas de que foi absolvido. O IRRITADO acha que o Tribunal da Relação meteu a pata na poça. Na opinião do IRRITADO o homem devia ter sido condenado, e de forma mais dura do que o fez a primeira instância.

 

Mas isto não “iliba” os manos Fernandes.

Primeiro, porque causaram à minha cidade os monumentais prejuízos que a paralisia do Parque Mayer e a insalubre e horrenda esterqueira em que se converteram os terrenos da Feira Popular tão violentamente demonstram

Segundo, por serem iguais, ou quase, a polícias de má memória.

Terceiro, por andarem por aí armados em moralistas, ao mesmo tempo que aprovam, sem um protesto, vergonhas como as dos contentores da Alcântara, para não falar da restante “obra” do vereador Fernandes e da Câmara de que faz parte.

 

Se os cidadãos que são objecto de tentativas de suborno disserem que não, deixará de haver subornadores.

Não precisam de se transformar em bufos, quer dizer, no que esta gente é.

 

24.4.10    

 

António Borges de Carvalho

INÊS DE MEDEIROS IV

 

Um senhor, de nome Dimas como os relógios do antigamente, achou por bem ter a suprema delicadeza de me mandar o finíssimo comentário que segue, acerca do Post “Inês de Medeiros III”:

 

Dadas as últimas notícias vindas a lume julgo que pode ser oportuno aprender a fazer contas e a verificar as suas fontes…

não é assim tão fácil somar e verificar que o valor apresentado é simplesmente mentiroso.

ps. caso precise de umas explicações de matemática experimente dar um pulo a uma aula da 4ª classe

(sic)

 

Aflito com as aflições do senhor Dimas, tratei de tirar algumas coisas a limpo:

a)     Nem na antiga quarta classe, ainda que se aprendesse muito mais que hoje se aprende no quarto ano, nem neste, se aprendia ou aprende matemática: só aritmética;

b)     Consultadas as necessárias fontes, verifiquei que uma viagem de ida e volta a Paris (Easyjet) custa 145 euros, preço médio, menos 5 do que eu tinha pensado;

c)     Fontes igualmente credíveis (TAP) ensinaram-me que a mesma viagem em classe executiva custa 1188 euros e 1 cêntimo, menos 12 euros que o número de que me servi, que era o que todos os jornais citavam, sem que tivessem sido desmentidos;

d)     Assim, há um erro nas minhas contas, o qual, dando o cêntimo de barato, se cifra em -7 (5-12) euros por viagem;

e)     Aceitando que a Senhora Dona Inês de Medeiros faz 45 viagens por ano, coisa que o senhor Dimas não deve saber e eu de certeza não sei, mas que é provável, e sendo o mandato de 4 anos, teremos:

f)       7euros de erro x 45 viagens x 4 anos = 315x4 = 1260 euros = 262.607 escudos;

g)     Concluí, envergonhadíssimo, que os 43.304 contos que o IRRITADO referiu no seu post como despesa “extra” eram, afinal, apenas 43.042, ou seja, cerca de 215 euros (em 4 anos), ou seja, o IRRITADO tinha-se enganado em 0,06%!

 

Coisa que o misterioso senhor Dimas não pode perdoar. E faz muito bem. Nada como um bom socialista para fazer contas, não é?

 

22.4.10

 

António Borges de Carvalho

INÊS DE MEDEIROS V

 

Com o voto de “qualidade”(!?) do meritíssimo Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, senhor Deputado José Lelo (homem, como se sabe, de vasta experiência de gestão), foi pelo dito Conselho aprovada a douta resolução de pagar as viagens semanais da senhora Deputada Inês de Medeiros a Paris, a fim de gozar merecido descanso com a sua extremada família.

Muito bem!

 

Há dois pequenos problemas que ficaram por resolver:

- O primeiro é o de haver um parlamento que “legisla”, não de forma geral e abstracta, mas ad hominem, ou melhor, ad mulieris, assim fundando uma nova prática que certamente fará escola pelo mundo fora e será, doravante, incluída na teoria geral das asneiras parlamentares;

- O segundo é o de ninguém ter esclarecido de que tipo de viagens se trata: daquelas de 150 euros ou das de 1.200.

 

Dando de barato estes dois pormenores, o IRRITADO deseja a Sua Excelência muito boas viagens.

 

E ainda:

 

Pensa o IRRITADO que, se a senhora foi induzida pelo partido socialista no erro de achar que tinha direito a tratamento de excepção, não previsto em lei ou regulamento de nenhuma espécie, então o partido enganou-a, o que não é de estranhar já que quem engana 10 milhões de portugueses não sai da norma se enganar também a aristocrática e exigente parisiense.

 

Mais pensa o IRRITADO que, neste caso, a bem de algum resquício de decência, o partido devia esquecer a norma acima referida e, se enganou a nobre senhora, bem podia pagar-lhe as viagens.  

 

Reflexões de quem julga que vive noutro mundo.

 

22.4.10

 

António Borges de Carvalho

BREAKING NEWS

 

 

UMAS MASSAS BEM GASTAS

 

A extraordinária União Europeia acaba de comunicar que vai oferecer 8 milhões de euros ao senhor Mugabe, tirano, assassino e torcionário do Zimbabué, a fim de que esta distinta trampa mande fazer uma nova constituição.

Fiquemos cientes de que, quer queiramos quer não, vamos meter nos bolsos do bandido 2,7 cêntimos, o mesmo acontecendo às nossas mulheres e aos nossos filhos, netos e restantes membros da família. É claro que a besta não nos agradecerá, nem passará recibo para o IRS. Isto é, vamos pagar impostos sobre os cêntimos em causa.

 

Não é de ficar com a consciência enriquecida com esta obra da mais inteligente caridade?

 

Obrigado, Barroso, obrigado!

 

*

 

EU NÃO DIZIA?

 

Como é do conhecimento geral, a distintíssima ministra da educação que o cagaço do primeiro-ministro nomeou, prestou já à Nação o prestimoso serviço de amaciar os professores com uns míseros 440 milhões de euros, só em 2010.

A senhora deve ter pensado que, com 440 milhões de euros, calava o xarroco dos sindicatos mais a cáfila que, sob a batuta do senhor Carvalho da Silva e a tutela do camarada Jerónimo, fez a vida negra à sua desajeitada antecessora.

Pobre dela. O IRRITADO não se cansou de avisar que, assim que dessem alguma coisinha ao xarroco, ele não só não agradeceria - a “Justiça” não se agradece, exige-se! - como arranjaria maneira de continuar aos gritos.

E aí está ele a cumprir as previsões do IRRITADO! Diz ele que as avaliações feitas em 2009 têm que ir para o caixote do lixo, e já! Diz ele que a ministra prometeu. Não sei se prometeu - ela diz que não - ou se não prometeu. Sei, como soube sempre, que, quando um leninista passa a ter as “massas” na mão, não as larga nem à mão de Deus Padre. A carne para canhão sempre alimentou esta gente. É, aliás, o que diz o manual.

- Não é, ó xarroco?

- É, é. “Se o governo quer guerra, é guerra que vai ter”.

Eu não dizia, ó Alçada? Alça-te lá a esta!

    

 

*

 

EXCELÊNCIA E CONFIANÇA

 

Diz o Gengis Can, perdão, o Strauss-Kahn, patrão do FMI, que Portugal, a seguir à Grécia, é o país que mais pode contribuir para dar cabo da zona euro. Nas contas deste big boss dos dinheiros dos outros, a percentagem de probabilidade de isto acontecer, que era de 7,7% há seis meses, é agora de 18%, ou seja, mais que duplicou. A Grécia está bem perto, com 21,4%. Depois, a maior distância, os outros pigs: a Espanha, com 12,7% e a Itália, com 11.

Aqui temos mais um poderoso exemplo da excelência da governação do senhor Pinto de Sousa e da confiança que merece o seu querido PEC. 

 

 

 

EM CASA DE FERREIRO…

 

O Estado anda para aí que nem um doido a contratar trabalhadores temporários. O Estado “social”, o Estado que é “contra a precariedade”, o Estado que mete um quando tira dois, o Estado que só cosmeticamente mexe nas obsoletas e injustas leis do trabalho, é o maior contratador de trabalho precário: recibos verdes, contratos de manpower, outsourcing, agências, entidades, altos comissários, autoridades, fundações, tachos, tachinhos, tachetes, vale tudo!

Por cada funcionário que sai, entra um exército de “temporários”, de boys, de figurões, tudo minha gente a facturar, e a facturar já, que amanhã ninguém sabe se vai haver quem pague as facturas.  

 

 

*

 

INCESTOS INFORMATIVOS

 

Segundo um dos jornais do amigo Oliveira (o DN), 19 por cento dos pais biológicos portugueses fazem sexuais tropelias com filhas e filhos menores. Calcule-se o temor e o tremor de quem lê um título de letras gordas a contar uma barbaridade destas. Calcule-se as pessoas a olhar umas para as outras e a pensar: será que este é dos dezanove por cento? Que diabo, um em cada cinco andam na maior das porcarias, e eu sou amigo deles, e eu meto-os em casa! Que coisa hedionda!

Não meus amigos, a coisa não é tão hedionda como isso. Hediondo é o jornal que assim titula. Lido o texto, o que se diz é que, na escola da Polícia Judiciária, foi estudada uma amostra de 131 denúncias de abusos sexuais, das quais 19% de eram feitas contra os progenitores dos queixosos. Nada mais.

Vêm o que são os media?

 

21.4.10

 

António Borges de Carvalho

NOTÍCAS DA TAXOLÂNDIA

NB. Este post, bem como os dois que se lhe seguem, estiveram perdidos no computador. São por isso publicados um tanto fora de termpo. 

 

*

 

Um fulano que é secretário de Estado não sei de quê, que costuma aparecer na televisão atrás dos ministros com ar de Drácula da Reboleira e que é conhecido como “pai” da tristemente célebre Fundação Magalhães, acaba de dar a sua bênção à nomeação de dois dos seus adjuntos para administradores da não menos notória FCM - Fundação para as Comunicações Móveis, placa giratória de negócios mal explicados.

Para além do vicioso taxismo que a coisa revela, note-se que os dois artistas continuam a ser adjuntos de Sua Excelência, o que é incompatível segundo a lei em vigor.

Por outro lado, trata-se de mais um exemplo entre muitos da multiplicação de “fundações” e parlapatices do género, onde o governo mete os amigos ao mesmo tempo que “alivia” o orçamento (não os contribuintes) de uma data de buracos. Genial.

 

15.4.10

 

António Borges de Carvalho

A CULPA É DA INTERNET

 

Pouco depois da paranóia da gripe das aves, apareceu a da gripe suína, por cá docemente chamada gripe A, já que Portugal é um país politicamente correcto.

A OMS, no mundo, com a DGS em Portugal a servir de trombone, tratou de espalhar a “pandemia” e as suas colossais consequências. Tratou de pôr os governos a comprar doses maciças de umas vacinas tão rápidas de obter que até parece que já estavam no armazém à espera de publicidade. Tratou de pôr aos gritos as televisões, as rádios, os jornais e até os padres pôs a ribombar ameaças do púlpito abaixo.

Afinal, era tudo, ou quase, aldrabice. Ou, sejamos caridosos, engano. A gripe suína matava menos que as outras, o que não impediu o barbichas da saúde e a sua suave ministra de passar os dias na televisão a mandar as mais variadas bocas sobre o assunto, a fim de manter a malta devidamente aterrorizada. Chegámos ao ponto de ver interrompidos os programas das televisões para ouvir a diáfana ministra numa urgentíssima declaração, do seguinte teor: morreu uma pessoa com gripe A.

Entretanto, parece que já tinha morrido uma dúzia com a sazonal.

 

Segundo um relatório da ONU, parece que a culpa de tudo foi da Internet. “Especulação, informações falsas e rumores difundidos na net dificultaram o trabalho da OMS na gestão da pandemia de gripe A e sobretudo na aceitação da vacina contra o H1N1”, rezam as notícias.

O mui ilustre Director Geral de Saúde (o citado barbichas) declara-se de acordo e diz que vai fazer um relatório.

Ou seja, após o que se viu, a ONU, poderosa máquina que se convenceu que é o governo do mundo em vez de um forum para o entendimento entre as nações, meteu, mais uma vez, o pé na argola.

Ele foi a história da gripe das aves. Ele é a colossal aldrabice do aquecimento global. Ele foi a gripe A.

A ver vamos o que se vai seguir.

Na certeza de que lhes servirá tudo o que possa contribuir para convencer as pessoas a aceitar, e a pagar, o poder do governo global do senhor Ban Qui Mune.

 

15.4.10

 

António Borges de Carvalho

DIÁLOGO ENTRE O PODER E O CIDADÃO

 

- Boa tarde, senhor condutor.

- Boa tarde, senhor guarda.

- Os seus documentos.

- Faça favor.

- Muito bem. Tudo em ordem. Vai ser autuado em 150 euros.

- Quem, eu? Mas porque carga de água?

- Essa expressão não é própria de um condutor bem-educado!

- Ai não? Então diga lá que história é essa!

- Calma. O senhor condutor não me dá ordens!

- Pois pois, diga lá então o que é que eu fiz.

- Olhe, pode escolher. Com uns meros 150 euros pode ser autuado por estacionamento em cima do passeio, falta de documentos, seguro caducado… a não ser que queira coisa mais sonora… mas nessa altura é mais caro, e pode ficar sem carta.

- Deve estar mas é a gozar comigo!

- Nem por sombras, senhor condutor, estou a cumprir ordens.

- Ordens?

- Sim senhor, ordens do governo.

- Você deve é estar maluco!

- Não é você, é o senhor! É a terceira vez que lhe digo para não faltar ao respeito à autoridade!

- Bom, ‘tá bem. Explique-se lá.

- Então o senhor não sabe que, para sair da crise é preciso produtividade?

- Produtividade?

- Sim senhor, produtividade. São ordens do governo.

- Mas como é que isso funciona?

- Não sei lá muito bem. O que sei é que, ou passo mais três multas hoje ou não cumpro os objectivos, está a perceber?

- Não tenho nada a ver com os seus objectivos!

- Ai tem, tem! Todos os cidadãos são obrigados a cooperar na produtividade! Aliás, com a sua idade deve lembrar-se da batalha da produção do Vasco Gonçalves… já tem experiência, não é?

- Quer dizer que voltámos ao comunismo?

- Isso não sei. Basta de conversas. São só 150 euros, senhor condutor. Paga, ou quer ir de cana, ficar sem o carro e sem a carta? Isto, enquanto a recusa de cooperar na batalha da produtividade não for criminalizada. Olhe que já há um projecto de lei do BE e do PC cobre a matéria. O PS vai votar a favor.

- OK, pronto, desisto. Passe lá a multa.

- Ora assim é que é falar! Se quiser, pode reclamar, mas desde já o aviso que as reclamações nunca dão nada. A minha palavra vale mais que a sua, é que diz o governo. Vai uma de estacionamento? Pode optar.

- Passe lá o que quiser, que eu tenho mais que fazer.

- Pois é, já calculava. O senhor condutor é um cidadão exemplar.

 

15.4.10

 

António Borges de Carvalho

GENTE FINA

Em espampanante demonstração de destreza intelectual, esmerada educação, nobreza de sentimentos, cavalheirismo parlamentar e elevada moral republicana, o senhor Pinto de Sousa, nosso bem-amado primeiro-ministro, achou por bem responder a uma ordinária invectiva do Louça – que lhe disse que estava “a ficar mais manso que de costume” – com a delicada expressão “manso é a tua tia, pá”.

Atente-se na altura deste arroubo de génio. Admire-se a espontaneidade da resposta, a finura do tratamento (por pá), a forma sibilina de inculcar os lésbicos vícios da tia do adversário (“manso” no masculino), a profundidade, a sagacidade que representa a insinuação da bovina, ou vacum, mansidão da família Louça em geral e do Louça em particular, por cromossomática via!

Que maravilha!

Na aristocrática intervenção só faltou a coerência final.

É que, por causa de gesto de natureza semelhante, o célebre senhor tinha, há meses, despedido um dos seus ministros, ainda por cima um dos grandes luminares da economia nacional.

Toda a gente esperaria que, à saída do plenário, o notabilíssimo senhor Pinto de Sousa se tivesse despedido a si próprio, dando à Nação, mais uma vez, a luz da sua inigualável coerência. Coisa que a Nação inteira, prenhe de júbilo, de felicidade e de esperança, reconhecidamente agradeceria.

Não o fez. É pena. Não devia perder oportunidades como esta para calar as vozes críticas que lhe chamam rolha, aldrabão de feira, rei dos rabos-de-palha, patrão dos esqueletos nos roupeiros, etc. etc.

Uma pena.         

 

18.4.10

 

António Borges de Carvalho

DA REVISÃO CONSTITUCIONAL I

Em douto vozear, políticos e intelectuais, politólogos e comentadores, gente fina e povoléu, tudo minha gente, anda por aí em estrepitoso afã a criticar a iniciativa do Passos de propor uma revisão constitucional. Que não é o momento, que não é oportuno, que se trata de fogo de vista, que se pode fazer tudo e mais alguma coisa sem tocar na Constituição, que o homem propõe uma coisa que sabe não poder fazer sozinho mesmo que ganhe as eleições, que o homem começa mal, que nem sequer diz o que quer mudar.

 

Gostava que me explicassem como não é o momento, se esta legislatura tem poderes constitucionais ordinários e que só se repetirá a oportunidade daqui a uma data de anos.

Gostava que me explicassem se acham bem a marcha obrigatória para o socialismo.

Gostava que me explicassem se esta Constituição, em muitas matérias, ainda tem alguma coisa a ver com o mundo em que vivemos.

Gostava que me explicassem se não é cristalino, por via do que tem dito, o que o Passos acha que devia mudar na Constituição.

Gostava que me explicassem se não foi por via de revisão constitucional que se “civilizou” o regime.

Gostava que me explicassem se não foi por causa da Constituição (e do PS) que só em 1989 foi possível abrir (pouco e mal) a vida económica do país, e se não foi uma revisão constitucional que o proporcionou.

 

É verdade que o homem não pode alterar a Constituição, a não ser com a colaboração do PS.

Não foi sempre assim?

Não foi por insistência do PSD que se mudou a Constituição em 1982, correndo com os militares e limitando os poderes presidenciais – mesmo assim não tanto quanto seria de desejar, já que se deixou uma “saída” que havia de fornecer “legitimidade” formal ao golpe de Estado do senhor Sampaio?

Não foi por insistência do PSD que o PS, sete anos depois(!), “consentiu” em mudanças que tinha impedido em 82?

 

Se se quer mudar, não é altura de começar a tentar que o PS, com a moleza de raciocínio e a série de fantasmas de que se alimenta, comece a pensar no assunto?

 

Cedo não é. Se alguma coisa for, é tarde.

 

18.4.10

 

António Borges de Carvalho

DA REVISÃO CONSTITUCIONAL II

Um ilustre professor de direito constitucional, tão ilustre que até era assessor do Presidente Sampaio e, por conseguinte, deve ser especialista em golpes de Estado, veio a lume, no “Expresso, dizer que rever a Constituição só se for para “criar garantias jurídicas de estabilidade aos governos minoritários”.

Veja-se as preocupações do douto académico. Acerca de governos maioritários, o luminar não está preocupado. E tem razão. A prática do chefe, certamente com o seu conselho, é a de só dar estabilidade aos governos que lhe agradam. Se não lhe agradam, corre com eles, mesmo que maioritários.

Não sei que mecanismos prevê a criatura para conferir ao governo Pinto de Sousa, que dá como exemplo, a estabilidade que deve achar que merece. De facto, diz ela, o governo só se aguenta porque: a) convém ao Presidente, b) as oposições são incapazes e c) o governo abandonou a agenda reformista.

Verdade ou mentira, acha pouco? Que mais trancas quer o homem? Que as leis passem sem maioria? Ou sem ser votadas? Que as oposições sejam obrigadas a votar o orçamento e o programa dos governos minoritários? Que seja proibido fazer cair governos antes do fim das legislaturas?

 

Hemos de convir que se trata de preocupações legítimas. O que o homem deve querer dizer é que, se o governo for do PS, minoritário ou não, deve fechar-se o Parlamento para não haver chatices, assim dando ao dito governo “garantias jurídicas de estabilidade”. Se não for do PS e for minoritário, então, dá-se fogo às oposições para o derrubar no Parlamento; se for maioritário, então o Presidente que dê cabo dele, como fez o camarada Sampaio.

 

Aqui temos, no melhor do seu melhor, o que é a isenção académica de quem ensina os nossos futuros juristas.   

 

18.4.10

 

António Borges de Carvalho

PEDOCRATAS

Afirmar que a pedofilia é, as mais das vezes, uma das facetas da pederastia, como há dias fez um bispo, ou cardeal, causou enorme gritaria por parte da classe dita pensante.

Trata-se de uma ofensa terrível à distinta “comunidade homossexual”, coisa que, por definição, está acima de qualquer crítica, luta pelos seus “direitos” e é, segundo os mandamentos do politicamente correcto, considerada acima do comum dos mortais. Ostenta a nova classe a bandeira da “igualdade na diferença”, emprestando à igualdade um sentido que não tem, sob pena de deixar de ser igualdade, e interpretando a diferença no sentido de ser fonte de direitos que põem os seus titulares, ou praticantes, num patamar de privilégio que aos demais não é consentido: o de ser diferentes dos homossexuais. “Respeitar a diferença” tornando-a inconsequente, é exactamente o contrário do que, num raciocínio linear ou lógico, seria respeitar a diferença.

 

Mau grado a opinião da classe dita pensante, os factos aí estão, a dar razão ao eclesiástico que produziu a polémica observação.

Ou as meninas não têm propensão para queixas ou, dizem os factos, a esmagadora maioria dos pedófilos são pederastas. Olhem o caso Casa Pia! Olhem a barulheira que aí vai sobre as culpas pedófilas de membros do clero cristão! Onde estão as meninas abusadas? Talvez na casa dos dois por cento…

 

Como os pederastas e as suas “irmãs” lésbicas são uma espécie protegida, haverá que dar um sinal de respeito pela diversidade genética que representam, isto conferindo-lhe estatuto de validos da sociedade civil e uma espécie de santidade pré-definida e aceite por quem quiser estar à altura de uma “moral” até há pouco desconhecida. Talvez seja esta a moral republicana, quem sabe? Talvez seja de perguntar ao magnífico Grão Mestre…

 

18.4.10

 

António Borges de Carvalho

BEM FEITA!

Parece que o Mr. Obama tratou por cima da burra Herr Herman von Rumpuy, mui ilustre Presidente do Conselho Europeu. Deu-lhe um vago aperto de mão, como a mais uns trezentos tipos que estavam na cimeira do nuclear. Recebê-lo, nicles.

Pese embora a falta de chá do Mr. Obama – os americanos são assim – há que reconhecer que o Herr von Rompuy, politicamente, ou não existe ou é um zé-ninguém.

Até certo ponto, é bem feita, bem feita, bem feita!

Que queriam os dirigentes europeus quando descobriram esta personagem no armazém dos monos da política belga?

Que queriam os dirigentes europeus quando puseram um zero à esquerda na altíssima posição que o Tratado de Lisboa criou?

Que queriam os dirigentes europeus quando nomearam um Presidente que não preside, quem preside é o Sapateiro?

Que palhaçada é esta?

 

Da “ministra europeia dos negócios estrangeiros” é melhor não dizer nada. Nem uma maria-ninguém ela é.

 

Onde vamos parar?

 

18.4.10

 

António Borges de Carvalho

HISTÓRIA ZAROLHA

 

Há muitos anos, ouvi contar este horror:

Um amigo do meu avô materno, malaguenho de nome Gross, esteve refugiado na nossa casa durante não sei quanto tempo – antes de eu nascer - fugido das atrocidades da guerra de Espanha. Era de uma família franquista e tinha um irmão. O pai, um dia, foi preso pelos republicanos, ou comunistas, ou esquerdistas, ou o que lhes queiram chamar. Passou fome de rabo na prisão. Até que, um dia, com a barriga a dar horas, foi presenteado com um magnífico bife. Devorou-o. Depois, os carcereiros levaram-no a outra cela, onde o seu filho mais velho jazia morto, nu, com um naco a menos numa perna.

- Vês de onde saiu o bife que comeste? – perguntaram-lhe.

O homem caiu redondo, morto também.

Conto esta tão espanhola tragédia, não para acusar seja quem for de atrocidades tais, mas para sublinhar que a guerra de Espanha foi um nunca acabar de selvajarias, praticadas por um e outro lado do conflito. Não vale a pena citar as malfeitorias do franquismo, porque essas são propagandeadas todos os dias por toda a parte. Acredito.

 

No regresso da Monarquia, os espanhóis adoptaram uma postura de paz civil, ou porque a memória da guerra estava ainda presente em muitos dos que a tinham vivido, ou por simples bom senso e sentido de futuro.

Aos poucos, porém, o ódio voltou a comandar muitas cabeças. Criou-se então a querela da “memória histórica”, coisa que para mais não serve que para recriar acontecimentos que há já pouco quem tenha vivido. O que, objectiva ou propositadamente, recria sentimentos, emoções e malquerenças que, hoje, já a ninguém aproveitam.

Os historiadores que façam a história, da forma isenta, distante e rigorosa, própria do espírito científico e da lhaneza intelectual.

O que se passa nada tem a ver com isenção, distância e rigor. Trata-se de puro vasculhar na consciência de cada um, à procura de um ódio que devia pertencer, em exclusivo, à tal História.

 

Não sei se o juiz Baltazar Garçon tem competência para mandar exumar cadáveres de revolucionários abatidos pelo franquismo. Não sei se tem competência para julgar seja quem for, isto é, para andar à caça de torcionários que o foram do lado da História de que o senhor Garçon detesta. Não sei se o que se passa é simplesmente uma consequência da ânsia de protagonismo do célebre magistrado. Não sei se os crimes da guerra de Espanha devem, ou não, ser imprescritíveis.

O que sei é que o senhor Garçon foi competente para emitir um mandato de captura internacional para o torcionário Pinochet, mas não se considerou competente para fazer o mesmo a respeito do torcionário Fidel Castro, primeiro com a desculpa de se tratar de um chefe de Estado, depois sem desculpa de espécie nenhuma.

 

Ressuscitar a chamada “memória histórica” é, em si, um erro clamoroso.

Ressuscitá-la como olhos tão zarolhos como os do juiz Garçon e de tantos outros, sedentos de sangue e de póstuma vingança, é, pelo menos, um crime de lesa Pátria.

Tão espanhóis eram uns como outros. Tão selvagem foi o que uns fizeram como o que fizeram os outros. Fazer disso coisa actual é de uma desonestidade sem nome.

 

17.4.10

 

António Borges de Carvalho

SUSPEITAS DO IRRITADO

 

Fui a Praga nos primeiros tempos da liberdade. Era uma cidade bonita (no centro) e triste, onde nem um gelado se podia comer, onde músicos de qualidade pediam esmola nas ruas ou tocavam em decrépitos restaurantes, onde os hotéis cheiravam ainda aos bolores do bolchevismo. Para além de tudo isto, era uma cidade de gente antipática.

Mais recentemente, fui lá duas ou três vezes. A cidade continuava bonita (no centro), já havia gelados, os músicos já tocavam em salas de concerto e catedrais e havia bons hotéis à escolha. De resto, continuava a antipatia visceral de toda a gente, a mais completa ausência de hospitalidade, para não falar em racismo e vigarice.

Por isso que não me espante a forma como o senhor Vaclav Klaus recebeu o Presidente da República que temos. Na circunstância, não podia ter sido mais rasca nem mais ordinário.

Não vale a pena repetir o que o fulano disse, porque toda a gente sabe.

Vale a pena deixar algumas perguntas:

 

a)   Porque é que o Doutor Cavaco não lhe respondeu à letra?

b)   Porque se deixou humilhar sem reagir?

c)   Porque é que Doutor Cavaco, à primeira cavalidade, não se meteu no avião para Lisboa, mandando o cocheiro ser rasca com a família?   

d)   Porque é que o Dr. Cavaco não lhe disse que o euro é o euro e que Portugal não tem a margem de manobra da Chéquia?

 

Isto faz com que me venha ao espírito uma terrível dúvida: será que os amigos Cavaco e Klaus, ambos economistas, ex-ministros das finanças, ex-primeiros-ministros, se combinaram para pôr em causa as contas do senhor Pinto de Sousa?

O IRRITADO é insuspeito quanto à consideração e à estima que dedica ao senhor Pinto de Sousa.

A ser verdade, esta suspeita figuraria uma coisa muito feia, não é?

 

17.4.10

 

António Borges de Carvalho

VALORES REPUBLICANOS

Com a maior alegria, ficou o IRRITADO a saber que o GOL (Grande Oriente Lusitano, Maçonaria Portuguesa) vai organizar uma importante reunião internacional, destinada a “celebrar os valores do regime republicano”.

Não faço a menor ideia do que sejam tais “valores”, como não me passa pela cabeça o que seja a “ética republicana”, coisa tão misteriosa quanto cara ao Dr. Sampaio.

No entanto, aí está o espantoso grão-mestre da organização, estranhamente chamado Reis, para nos esclarecer. Tais valores são “a Justiça e a Igualdade”, por exemplo. Tanto uma como outra coisas mais ou menos inexistentes nestes cem anos de república.

O IRRITADO não pode deixar passar a ocasião sem louvar estes nobres valores, aproveitando para dizer ao tal Reis que, se quer saber onde são mais respeitados, o melhor é dar um saltinho a uma Monarquia europeia à escolha.

 

17.4.10

 

António Borges de Carvalho

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