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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O EXEMPLO VEM DE CIMA

 

 

Sua Majestade Dom Juan Carlos de Espanha, logo que a crise se anunciou, pediu ao governo que não aumentasse o orçamento da Casa Real. Agora, em plena crise, pediu ao Sapateiro que o diminuísse.

 

A Casa Real espanhola custa 19 cêntimos a cada espanhol, e tende a custar menos.

A Presidência da República portuguesa custa quase dois euros a cada português. E tende a custar mais (a).

 

Voilá.   

 

31.5.10

 

António Borges de Carvalho

 

 

(a) Se acrescentarmos o custo das campanhas eleitorais e das eleições, mais as reformas dos ex-presidentes, vejam onde vai parar a austeridade da moral republicana.

UMA DESCOBERTA SENSACIONAL

 

Eventualmente inspirados pelo camarada Pinto da Costa, os vereadores do PS na Câmara do Porto resolveram redimensionar a Rotunda da Boavista, ou Praça Mouzinho de Albuquerque.

Não, não querem alargá-la, não vão demolir uns prédios. Deixam-na na mesma, mas querem abrir uma casa de chá no jardim.

A fim de convencer o respeitável público da excelência da ideia, resolveram argumentar com a dimensão da praça. Da seguinte insofismável forma: a Rotunda da Boavista, no Porto, tem a área da praça Charles de Gaule/Étoile, em Paris! Por isso, cabe lá uma casa de chá.

Este brilhantíssimo raciocínio ficará a dever-se, ou a monumental estupidez, o que não deve (não pode!) ser o caso, ou a algum entupimento do Googlemaps que os ilustres vereadores não devem ter deixado de consultar, uma vez que é mais que certo nunca terem posto os pés em Paris, nem saberem que, na Étoile, não há nenhuma casa de chá.

 

Socrapifiosismo impera.

Se o primeiro-ministro acha que estamos cheios de dinheiro e que só temos problemas porque o sacripanta do mundo resolveu mudar há três semanas, porque não hão-de os vereadores socialistas da inbicta achar que a Boavista tem os mesmo metros quadrados que a Étoile?

 

O IRRITADO, sublinhe-se, não tem nada contra a casa de chá na Boavista. Pelo contrário, apoia entusiasticamente tão genial proposta. Permite-se até recomendar aos extraordinários vereadores que consultem as suas fontes e que declarem a rotunda tão grande como o Terreiro do Paço mais a Praça de São Pedro, mais o estádio do Dràgon, tudo somado, a fim de poder propor para o local dois hotéis de 200 quartos onde o Pinto da Costa possa levar as namoradas, uma casa de alterne onde o mesmo senhor se possa abastecer e, já agora, um casino, canudo!

Se a mourama tem um casino, é de justiça, carago!

 

31.5.10

 

ABC

OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCACHATICE

 

Depois da vergonha que, sem uma palavra de indignação, nos fez passar em Praga, o professor Cavaco Silva deveria pensar duas vezes, e ir para casa no fim do mandato.

 

Depois da vida que viveu, depois das traições com que traiu os seus (os do PS e, há quem diga, sem desmentido, que outros também), o argelino Alegre devia ter vergonha de andar a apregoar inanidades patrióticas à mistura com chavões de esquerda folclórica, e recolher ao lar.

 

Alicerçado na sua experiência de vida, o Dr. Nobre devia, nobremente, seguir a sua vocação, e dedicar-se à benemerência, ou solidariedade, como se diz agora.

 

O PC, esse, como é da cartilha, não devia coisa nenhuma, isto é, vai arranjar um tipo qualquer para baralhar e tornar a dar… o voto na segunda volta a um tipo qualquer que não seja o professor.

 

Postos a bom recato estes três insignes cavalheiros, mais o tipo do PC, dir-se-á que nem Diógenes, o cínico, com a sua lanterna, era capaz de encontrar um só que servisse, ou que fosse digno da “suprema magistratura da Nação” - como se diria nos ominosos tempos do Almirante Tomás.

 

Adiante. Já que, nem o professor Cavaco percebe que nos envergonhou, nem o senhor Alegre sabe ver-se ao espelho, nem o Dr. Nobre intui que devia ir pregar para outra freguesia, nem o PC deixa de chatear, vamos ter que optar por um dos artistas em palco.

 

Vejamos o estado das coisas:

 

O professor Silva, que, esquecida a cena checa, teria todas as hipóteses de ser eleito, está na corda bamba da segunda volta. Ainda por cima, armou-se em padrinho dos “casamentos” marados, o que vai provocar, nos seus eleitores, abstenções aos pontapés. Perde votos à direita sem os ganhar à esquerda, como toda a gente já percebeu.

 

O senhor Alegre, gostosamente pendurado no Bloco de Esquerda, causa as mais comichosas erisipelas, coisas contagiosas como o raio, a boa parte dos seus camaradas. Além disso, o seu ex(?) partido vai dar-lhe um apoio tipo lacrau, isto é, diz que sim mas vai espetar-lhe o ferrão no rabo.

 

O Dr. Nobre entra no naipe, mas, feitas duas ou três vazas, não tem hipóteses contra o resto do baralho.

 

O tipo qualquer do PC cumprirá a sua missão: morde nas canelas de toda a gente e vai buscar os 7% da ordem.

 

É evidente que, a não ser que os ofendidos por causa de Praga e dos “casamentos” se abstenham em massa, bastarão os votos da direita, mais os do centro – os que votam ora dum lado ora doutro – para eleger o professor.

Mas é possível - se os ofendidos forem muitos - que o senhor Alegre, mais o Dr. Nobre, mais o tipo qualquer do PC, em conjunto, somem mais de cinquenta por cento. Como não podem fazer um triunvirato (a esquerda ainda não se lembrou dessa), lá irá um deles à segunda volta com o actual ocupante do Palácio Real de Belém.

Nessa altura, tudo é possível, sobretudo se o professor der alguma volta que o reabilite juntos dos seus. Se não a der, vamos ter que aturar o senhor Alegre.

 

Conselhos do IRRITADO?

Nenhum. O panorama é demasiado estúpido para merecer conselhos.

 

Fazer eleições (directas!!!) para um cargo destes é, de si, pouco inteligente.

Preocuparmo-nos com isso também.

 

30.5.10

 

António Borges de Carvalho

O SEXO DOS ANJOS

 

A crise tem tido inúmeros efeitos colaterais, quer dizer, fornece aos interessados as mais variadas desculpas.

É boa desculpa para os desmandos e a incompetência do governo, depois de 5 anos a gastar dinheiro, a prometer mundos e fundos sem nada cumprir, a meter-se nas mais inacreditáveis estrangeirinhas, com este gran finale das confusões com PEC’s e mais PEC’s, cada um mais estúpido que o precedente.

É má desculpa para o Presidente espezinhar, em nome dela, os seus próprios princípios.

A crise serve para tudo. Até para fazermos os possíveis para a disfarçar.

 

É assim que as classes supostamente pensantes, políticos, jornalistas, professores, intelectuais, etc., andam entretidíssimas com a peregrina história das eleições presidenciais. 

Que importância têm as eleições presidenciais? É uma boa pergunta, a que ninguém em boa consciência saberá responder.

 

Como é possível que as elites e, por influência delas, o povo em geral, se preocupem com a eleição de um senhor destinado a passar a vida a dizer coisas, e pouco mais do que isso?

Onde está a influência de tal senhor, para além de espicaçar o governo em discursos e em entrevistas de rua, qual treinador de futebol ou menina das telenovelas?

 

O que pode, verdadeiramente, tal senhor?

Não nos pode representar a todos, porque foi eleito por uma parte de nós e “deseleito” pela outra.

Representa a República? Sem dúvida. É o que diz a Constituição, por uma vez acertadamente. Em parte alguma está escrito que representa os portugueses, muito menos “todos os portugueses”, como reza a propaganda.

Quem representa República não pode, como todos os presidentes têm feito, andar a deslocar-se e a desbocar-se, em Portugal e lá fora, sobre coisas da política interna em que toma partido com frases sibilinas e críticas encobertas ou envergonhadas.

É por causa deste cargo que a Nação inteira anda a fazer contas? Parece que sim.

Vale a pena? Evidentemente que não.

 

A única vez que um Presidente exerceu o poder político que tem foi para cometer um indecente golpe de Estado, ilegitimamente destruindo uma maioria legítima, só porque tal maioria lhe não agradava. E para criar condições para pôr a sua gente no poder. 

O crime compensou, para o PS. Para o país, está à vista a obra do Presidente.

 

A falácia que o classifica o Presidente como representante “de todos nós”, começa, uma data de meses antes de ser eleito, a monopolizar as opiniões para um problema que não existe.

 

Trata-se de um impotente político com uma bomba de hidrogénio na gaveta. Para quê?

Passo a explicar.

Para dar ao governo desculpas de vária ordem. Para ser “força de bloqueio”.

Para se armar em “reserva”.

Para evitar que o governo caia, em nome de uma estabilidade que a ninguém devia interessar.

Para ajudar a empurrá-lo pela porta fora, como se isso fosse encargo seu.

Para desculpar a oposição de não cumprir as suas obrigações.

O Presidente da República, no nosso quadro constitucional, é um empecilho incómodo e desgastante.

 

Porque não eleger o Presidente no Parlamento, ou num colégio eleitoral restrito, em vez de gastar milhões de euros de impostos e de energias das pessoas, como se as governasse ou devesse governar?

 

Já que, por desgraça histórica, Portugal se viu privado de que representasse a Nação (coisa constitucionalmente inexistente), então que se arranje um homem bom, culto, bem educado, que fale três ou quatro línguas, que saiba estar em toda a parte, um senhor que não nos envergonhe e que nada tenha a ver, senão formalmente, com os negócios circunstanciais, em vez de um tipo com 51% dos votos, encarregue de andar metido em tudo e em coisa nenhuma.

 

Porque não se acaba de uma vez por todas com esta palhaçada do semi-presidencialismo à portuguesa?  

 

Não, não se acaba. A inteligentzia pátria não é capaz de perceber que as pessoas devem eleger os detentores do poder, não os berloques do regime republicano. 

Quem criou a coisa andava às ordens de duas escolas bem claras: o francesismo universitário, sem sequer o saber interpretar, e o jacobinismo histórico, que levou a abjurar de tudo o que pudesse cheirar a II República, sem ter em conta que, em Portugal,  quem inventou a eleição do Presidente por sufrágio universal foi o Estado Novo!

 

Portugal tem uma aversão brutal às coisas sérias. É por isso que se entretém, “guiado” pelas suas “elites”, com a veemente discussão das eleições presidenciais.

 

Os bárbaros (a miséria) à porta, e nós a discutir o sexo dos anjos.  

 

30.5.10

 

António Borges de Carvalho

JORNALISMO OLIVEIRENSE

 

Ontem, com indisfarçada satisfação, o jornal socialista Diário de Notícias noticiou, em gloriosa manchete, que o director e jornalistas do Sol tinham sido multados em 400.000 euros por causa das queixas apresentadas pelo Soares (o ex-PT).

Tudo mentira. O que se passou foi que o dito Soares pediu uma indemnização desse valor na petição inicial de uma acção que intentou contra o jornal.

Situacionismo oblige, a coisa foi lançada, ao que é legítimo pensar, no intuito meter o Sol em baias e convencer as pessoas que o poder judicial tinha reagido com a severidade e a rapidez que as  “justas” queixinhas do rapaz mereciam, passando este a ter razão. A "notícia" tinha, além disso, o evidente objectivo de atemorizar todos os que pensassem em escrever coisas desagradáveis para os soares e os pintos de sousa deste mundo.

 

Uma vez desmascarado, ao longo do dia de ontem, por variegadas gentes, o DN vem hoje desmentir-se a si próprio, sem o confessar, como é óbvio. O amigo Oliveira deve ter dado as suas ordens, no sentido de que a careca do director Marcelino não fosse descoberta via honesto desmentido.

É assim que a petição inicial da acção interposta, um chorrilho de insultos e parvoíces, aparece escarrapachada nas mesmas páginas que, na véspera, davam o assunto por resolvido na primeira instância. Jornalismo engagé.

  

De notar, a título de parêntesis, que o DN, no fundo, é fiel a si próprio. Desde os remotos tempos do Dr. Augusto de Castro, sempre foi um jornal situacionista. Foi-o sob a batuta comunista do Saramago e de outro tipo cujo nome em boa hora esqueci, foi-o depois, sempre do lado socialista, ainda que com assinalável pudor e seriedade, com Mário Mesquita e Betencourt Resendes, é-o, sem pudor nem seriedade, com o oliveiral Marcelino.

Aliás, ao parangonar com esfusiante alegria as “multas” “aplicadas” ao Sol, o marcelinismo oliveirocrático esquece-se de si próprio, quer dizer, acha natural que o Sol seja condenado por transcrever coisas de indiscutível interesse público que, tendo estado, já não estão em segredo de justiça, mas pensa que tal regra se não aplica ao DN quando transcreve correspondência privada, "obtida" em computadores de terceiros, com evidentíssimos - e eficazes! – intuitos de manipulação do eleitorado.

O que á válido para o Sol deixa de o ser, e por maioria de razão, para o DN? Sim, será a oliveiral resposta.

 

Para o IRRITADO trata-se de demonstração clara da “lisura” de processos utilizada por gente que, sem o confessar, outra coisa não faz senão política. Da suja. 

 

28.5.10

 

António Borges de Carvalho

CIDADE SELVAGEM

 

Passei hoje por aqueles prédios da Av. Fontes que estão encravados nas teias camarárias vai para vinte anos (o quarteirão entre a PT e o palácio Sotto Mayor).

 

*

(Há muitos anos, o arq. Taveira imaginou para ali uma das suas intervenções de fundo. Cheguei a ver um esquiço da coisa.

Estou convencido que, se o arq. fosse o camarada Siza Vieira, a estas horas já lá estava um prédio qualquer.

Admito estar a ser mauzinho. Facto é que passam as décadas e os prédios em causa estão cada vez na mesma. Na mesma? Não. Pior.

No tempo do Presidente Santana Lopes, a CML tapou a vergonhosa coisa com um painel que publicitava as obras de recuperação urbana já realizadas na cidade. Era uma forma legítima de a esconder.

Sucederam-se os Presidentes. O painel de Santana Lopes, obsolescente, velho, roto, negro de sujidade, já não fazia sentido. Presumo que, por não ter havido mais obras de reabilitação, não havia motivo para pôr lá painel semelhante.)

 

*

Fiquei siderado. Andavam uns “artistas” a pintar os prédios com bonecadas mais ou menos idiotas. Não eram clandestinos, como por aí há tantos, a sujar a cidade. Eram tipos oficialmente apoiados, e pagos, pela CML/Costa/Roseta/Fernandes, via “investimento municipal” corporizado em gruas e maquinetas destinadas a proporcionar acesso fácil e seguro dos “pintores” às “telas”.

A “obra” tem o efeito de realçar o estado catastrófico dos imóveis, tornando impositiva a sua presença e chamando a atenção dos lisboetas para a selvajaria que a CML/Costa/Roseta/Fernandes apoia e subsidia, ou seja, para a selvajaria da CML/Roseta/Costa/Fernandes, legitimada pelo voto.

Se se tratar de turistas, a atenção virar-se-á para a selvajaria de todos nós, já que os turistas não sabem que a CML/aquela gente sequer existe. Concluirão que não existe câmara nenhuma, nem autoridade nenhuma, nem gosto, nem respeito por nada nem por ninguém.

 

Resta perguntar que autoridade tem, doravante, a polícia, ou seja quem for, para meter na ordem os selvagens que nos pintam a porta de casa com “obras de arte”, com obscenidades, ou com o que lhes vier à cabeça.

A resposta é fácil: nenhuma.

 

Há planos e planos, projectos e mais projectos, propostas e mais propostas para a reabilitação dos imóveis degradados. Curiosamente, não ouvi nenhuma das inteligências que dizem ocupar-se da matéria falar da abolição do NRAU, uma lei que nem o mais estúpido e atrasado dos povos produziria.

 

Pelos vistos, todas estas inteligências somadas - mais o camarada Louça que a elas há dias se juntou - ainda não recuperaram nada, nem criaram condições para que se recuperasse fosse o que fosse. Mas já foram capazes de mandar fazer, e pagar, selvajarias do calibre da que encontrei na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, Portugal, hoje, 26 de Maio de 2010.

 

26.5.10

 

António Borges de Carvalho

CARTA AO DIRECTOR

 

Para conhecimento dos seus leitores, o IRRITADO transcreve, a seguir, a carta que o seu autor enviou hoje, via email, ao Exmº Director do Diário de Notícias:

 

  

 

Lisboa, 26 de Maio de 2010

 

Exmº Director

 

Queira V.Exª tomar nota (e publicar se assim o entender) do meu mais veemente protesto contra a forma absolutamente enganosa como é introduzido o Discurso do Trono na vossa primeira página de hoje. A saber:

 

RAINHA PEDE CORTES NO MEIO DO LUXO 

No primeiro discurso do trono de um governo de coligação em 58 anos, Isabel II afirmou que reduzir o défice é prioridade. Resta saber se a Casa Real, que custa 48,2 milhões aos britânicos, vai apertar o cinto. 

 

Trata-se de um mimo de ignorância, aldrabice e de primária malevolência.

A saber:

 

a) Não se trata de luxo, trata-se de tradição, aliás barata, porque não precisa de comissões especializadas nem de inovações nem de cenários especiais, como se passa com qualquer anúncio de obras, as mais das vezes fictícias, do nosso governo;

b) O facto de Isabel II representar os britânicos há 58 anos - com inultrapassável eficiência e superior dignidade - quer dizer, além do mais que, em relação a Portugal, já poupou pelo menos 14 eleições presidenciais, no valor aproximado de 500 milhões de euros;

c) Não é a Rainha que "pede cortes", a Rainha, como suprema representante do seu povo, legitima o governo proveniente da escolha popular e as prioridades que ela implica;

d) A Casa Real, proporcionalmente, pesa bem menos no orçamento que a nossa Presidência, mais o nosso Presidente, mais os presidentes que já foram presidentes e já não são presidentes, sem contar com o referido na alínea b supra;

e) A média das três maiores repúblicas europeias, em custos da presidência, é de cerca de 150 milhões;

f) A Casa Real britânica custa hoje menos de que há 4 anos, ou seja, aperta o cinto mesmo que o DN não acredite.

 

Senhor Director

Eu sei que o DN, sob a sua batuta e a do "amigo Oliveira", é, sem que o confesse, republicano e socialista. Que defenda a "situação" percebe-se. Mas não precisa, para tal, de recorrer à deselegância, à calúnia e à insinuação torpe em relação um país, que não sendo nem republicano nem socialista, é uma das mais perfeitas, ou menos imperfeitas democracias do mundo.

 

Com os melhores cumprimentos

 

António Borges de Carvalho

 

*

 

A ver vamos se a democracia do DN chega para publicar esta coisa.

ABC

DA NATUREZA DE VITAL

 

Há vinte e tal anos, conheci o distinto professor Vital Moreira. Era um académico de Coimbra, cheio de “ciência certa” e opinião absoluta. Quadro do PC, distinguia-se com facilidade num grupo parlamentar onde ainda havia uma maioria “proletária”. Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Vital supria, com mais dois ou três, o primitivismo de uma vida dura de clandestinidade ou de “trabalho” partidário, herdado pelos camaradas.

Estalinista feroz, “crente” vigoroso e fervoroso no dogma soviético, voz tonitruante alicerçada na “fé” dos amanhãs que cantam.

Nem a mais pequena falha, nem uma sombra de desvio “burguês”. Vivia entre os camaradas como um camarada, um intelectual que tinha feito “opção de classe”. Não era um jovem como os que tinham feito loucuras aos vinte anos. Era um homem de trinta e tal, responsável e maduro.

 

A Constituição de 76 funcionava para ele como o garante de uma revolução que o 25 de Novembro tinha interrompido, mas que o “povo”, as “massas”, continuariam, uma barreira intransponível para as forças da “reacção”. Um passo atrás não é mais que a garantia de dois em frente, como diria o camarada Vladimir Ilitch. A revolução é cientificamente inevitável e inevitavelmente triunfadora.

 

Os tempos, porém, mudaram, e Vital com eles. A URSS, gloriosa pátria da Revolução, começou a tremer nos seus alicerces. A burguesia ocidental, o imperialismo, o capitalismo, o senhor Ronaldo Reagan e a dona Margarida Tatcher, funcionavam como cavaleiros do apocalipse para a união universal do proletariado e das suas vanguardas organizadas, como o PC do Vital.

Havia que se aggiornare. Havia que acompanhar os novos ventos da história, que sopravam em inusitada direcção. Esta inevitabilidade traduzia-se, na prática, em mudar o rumo para zonas mais seguras.

Em plena consciência, sempre coerente, Vital abjurou da fé bolchevista e procurou abrigo para as inquietações da sua alma. Após breve hesitação, acoitou-se no PS, acabando por ser, décadas depois, o líder, falhado mas incontestado, da equipa europeia do partido.

 

Tudo isto, usando de cristã boa vontade, se pode compreender. Mas Vital, o contestatário, o impoluto, o sabedor, ultrapassou-se a si mesmo. Transferiu a sua força, a sua verve, a sua pena, e transmudou-se num instrumento cego da propaganda socialista e num defensor quase tresloucado do “chefe”.

Vital usa o mesmo pendor totalitário que o animara na fase de ultramontanismo estalinista, para a defesa e a propaganda acrítica, desmesurada e trauliteira do status quo.

A mesma pessoa, a mesma cabeça, mas ao serviço de outras causas. Causas que, vistas bem as coisas, se resumem numa só: defender, seja como for, à tord ou à raison, a pessoa do chefe, louvar, seja como for, à tord ou à raison, o partido do chefe, atacar, seja como for, à tord ou à raison, os que não gostam do chefe. Mesmo correndo o risco de passar de Vital a Vitalino.

Eis como as mesmas qualidades e os mesmos defeitos podem servir para coisas diferentes.

 

É por isso, por exemplo, que Vital embandeira em arco com a “vitória” do chefe na Comissão de Inquérito, uma vez postos de lado os documentos oficiais e legais que lhe foram postos à disposição. Vital não vê a mais simples das verdades: se o chefe estivesse politicamente inocente seria o primeiro a exigir que as gravações fossem postas ao serviço da Comissão. O alívio que a monstruosa estupidez do Amaral causou nas hostes que Vital defende é de tal ordem que, por si só, prova o medo que delas tinham e as verdades inconvenientes que encerram. Isto para não falar nas desastradas respostas do senhor Pinto de Sousa à Comissão, documento escrito que, sem mais considerações, prova, ou deveria provar, que mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo.

 

Vital pisa, partidarite oblige, a sua própria formação jurídica, valendo-se da disposição constitucional que garante a confidencialidade das comunicações pessoais, esquecendo-se que foi o poder judicial quem fez legitimamente as escutas, que legitimamente as enviou ao parlamento e que as comissões parlamentares de inquérito têm o legítimo e “judicial” poder de as conhecer e sobre elas opinar.

Na senda dos “argumentos” do chefe, para Vital as comissões parlamentares servem “puros propósitos de perseguição política ao primeiro-ministro”. Já não se trata das “forças ocultas” que o primitivismo do chefe inventou. Como as “forças” em causa são tudo menos ocultas, há que dizer que se trata de uma “coligação do PSD com a extrema-esquerda parlamentar, com o fim de “flagelar e fragilizar” o governo, num “propósito que não é sério”.

 

Não vale a pena esmiuçar os escritos de Vital a este respeito, o que daria pano para mangas. Não o merece, de tal forma procede de pouco honesta parcialidade.

Vale a pena, sim, verificar que quem tem uma mentalidade totalitária, a usa sem critério nem pudor.

 

É a sua natureza.

 

26.5.10

 

António Borges de Carvalho

REPÚBLICA DA TRETA

 

O governo de Sua Majestade Britânica, meia dúzia de dias depois de tomar posse, anunciou um corte de € 7.200.000.000 na despesa do Estado.

Disse ao povo porquê, como e onde: nas despesas dos ministérios, no congelamento da contratações para a função pública, na redução de organismos dependentes do erário público, no fim do cheque bebé e de programas de apoio ao emprego que não têm servido para nada.

Além disso, fará cortes na informática, os funcionários e os membros do governo passarão a viajar em segunda classe e a ir para o trabalho a pé, de transportes públicos ou em carros partilhados.

Serão tomadas medidas draconianas de controlo das despesas, disse o governo.

Ainda ninguém falou em aumento de impostos. Cortar na despesa foi a primeira atitude.

 

Ao contrário dos Britânicos, que formaram um governo respeitando o resultado eleitoral, somos vítimas do manobrismo indecente do partido mais votado, da sua total falta de respeito pela vontade do eleitorado, e de um Presidente da República que assobiou para o ar e, ao contrário de Sua Majestade, avalizou um governo instável e patarata ao mesmo tempo que tecia loas à estabilidade e ao bom senso.

Andamos há meses no jogo da vermelhinha. Nunca se sabe o que está debaixo da tigela.

A despesa está esquecida, como esquecida anda há muitos anos.

Os impostos aumentaram.

O sacrossanto "Estado social” caminha para o colapso.

O governo mete os pés pelas mãos, despacha e contra-despacha, toma medidas inconstitucionais, regulamenta antes de legislar, o diabo a quatro.

O PSD compromete-se nisto, com um pé dentro outro de fora, não se sabendo nem quanto dentro nem quanto fora.

O CDS faz umas birras mais ou menos inconsequentes.

Os partidos comunistas aproveitam para agitar as massas, contando-lhes as histórias do costume, isto é, parasitando a ignorância e o analfabetismo.

Nada anda, nada deixa de andar.

A “Europa” olha-nos como um bando de pataratas comandados por um ignorante ridículo e convencido.

 

O Presidente da República parece que decidiu ficar de fora e transformar-se num produtor de “bocas”, acertadas mas inoperantes.

Se não houvesse Presidente da República seria bem melhor, ou seja, as responsabilidades ficavam em quem as tem, e quem as tem não se podia desculpar com o não exercício, pelo ocupante do Palácio Real de Belém, dos poderes que tem, ou que não tem, conforme as opiniões e as ocasiões.

 

Um olhar ao que se passa lá por fora talvez não fizesse mal a esta gente. Isto, se ainda houvesse algum bom senso, alguma lógica, algum sentido de responsabilidade, coisas que se perderam, parece que definitivamente.

 

25.5.10

 

António Borges de Carvalho

CALDEIRADA DE LULA

 

Para se dar ares de grande potência, o senhor Lula anda para aí a fazer grandes amizades com a malta mais fina deste mundo. Começou por estabelecer relações privilegiadas com o camarada Chaves e com aquele alarve da Bolívia que acha que os maricas são uma consequência dos frangos assados (sic).

 

Animado com a sua crescente influência, o cefalópode convida o grande democrata Amadinejá para ir a banhos a Ipanema. Encantado com o que viu, Amadinejá retribui o convite, e junta à coisa o Grão-Vizir da Turquia. Uma cimeira a três.

Os comentadores do costume embandeiraram em arco. O Lula ia conseguir o que ninguém tinha conseguido: meter o palhaço na ordem, acabar com as sanções ao Irão e ganhar um banquito no Conselho de Segurança da ONU. Três coelhos de uma cajadada.

 

Nem um só coelho. O que aconteceu foi que os três pacóvios fizeram uns acordos entre si, nada tendo saído do encontro que fosse importante para o que interessa à civilização, ou que a sossegasse. Antes pelo contrário.

O turco e o caipira voltaram a casa convencidos que eram uns grandes senhores. O Amadinejá ficou em casa aos pinotes de alegria.

 

A coisa teve como resultado imediato que os seis membros do Conselho de Segurança com direito de veto declararam o seu apoio às sanções.

Ou seja, ao contrário do coro dos comentadores, ficaram muito menos descansados do que estavam.

Ainda bem.

 

Entretanto, os senhores da reunião acham que estão a fundar um “eixo”, para o qual não deixarão, acho eu, de convidar o Chaves e o alarve da Bolívia.

Ainda mal.

 

Um país ocidental dá o seu aval ao fundamentalismo islâmico e ao progressismo turcomano.

 

Uma vergonha. Uma caldeirada de Lula.      

 

23.5.10

 

António Borges de Carvalho

DA EFICÁCIA SOCIALISTA

Aqui há um bom par de anos, o autor do IRRITADO fez uma reclamação contra um desmando das finanças. A coisa era tão simples como isto: tinha havido um engano no preenchimento de um papel qualquer, linha 345 em vez de 346, o que custava ao autor uma mão cheia de contos de réis.

Qualquer burocrata com a 4ª classe podia verificar o engano em dois segundos. Mas as coisas, por cá, têm que se lhe diga. A reclamação deu as voltas e reviravoltas necessárias e acabou por ir parar às mãos de um juiz, transformada em alto problema de Justiça.

Passaram 7 anos. As finanças nunca mais lhe devolveram um chavo e o reclamante passou a persona non grata para o respectivo computador, o que lhe causou as mais diversas chatices, como é de timbre na nacional-burocracia.

Um dia, por outra razão qualquer, o reclamante falou com o meritíssimo a quem o importantíssimo processo tinha sido distribuído. Posto ao corrente do que se passava, o homem apontou para uma resma de papéis que chegava ao tecto e, com o melhor dos sorrisos disse:

- O seu caso está algures nesta pilha de papéis. Quando chegar a sua vez, decido.

E não houve nada a fazer. O exemplar cidadão perdeu a cabeça. Não, não se atirou à cara do juiz, tratou foi de meter uma alta cunha. Em três meses o assunto foi resolvido a contento.

Eram passados mais de oito anos. O cidadão a massa que lhe tinham extorquido (grande vitória da cunha), sem juros, claro. O que sofreu durante esse tempo todo jamais será compensado.

 

Vem isto a propósito das declarações prestadas a um jornal por uns ilustres advogados, protestando contra o facto de haver juízes, na área fiscal, com mais de mil processos atribuídos.

O Dr. Medina Carreira, por seu lado, tem feito saber que tem clientes com processos fiscais por resolver há mais de vinte anos

Quer dizer que, uns 15 anos depois da história acima contada, as coisas estão ainda pior do que estavam à altura.

 

Aqui temos para que serve o “simplex” e o que valem a incompetência, a demagogia e a propaganda.

 

23.5.10

 

António Borges de Carvalho

ESCUTAS ILEGAIS

A rede de espionagem do IRRITADO, evidenciando elevada competência técnica, conseguiu ter acesso a uma gravação ultra secreta. Trata-se de escuta telefónica ilegal conseguida pela AFODM, Associação dos Fartos (Olaré) desta Porcaria.

 

O contacto é estabelecido, em conferência, entre os senhores Lolo, Vititino, Ricardino e Varejeiro, há três dias, pelas 19 horas e 15.

 

Lolo – Ganhámos mais esta, xiça, pá!

Vititino – Se não fosse o ilhéu, estávamos feitos, pá.

Ricardino – Mas o gajo portou-se à altura, pá.

Varejeiro – Ora bem! O chefe andava acagaçado com a história, e com toda a razão. Agora que a tempestade já lá vai, o passo seguinte é tratar da saúde àqueles pàraquedistas da Ria, e de tal forma que nunca mais se atrevam a mandar papeladas cá p’ra Lisboa, pá.

L – Não te precipites, pá. Faz a coisa com eficácia científica, hi, hi, pá.

R – Pois é, pá, há que ter cuidado, olha o que me aconteceu quando os gajos filmaram a cena dos espanadores que roubei às sopeiras, pá.

V2 – Não te preocupes, o Varejeiro é mestre nestas coisas, pá.

L – Eh pá… só de pensar o que seria se não fosse o ilhéu, pá.

R – Pois pois, nem queiras saber, pá. O pior é que o Pachecho não se quer calar, ainda é capaz de vir para aí com histórias… que gaita, pá.

V1 – Nem quero pensar nisso. Toda a gente ficava a saber que o chefe é que tinha mandado a peixeira para a rua, ela e mais o marido. Xiça, pá!

L – Só há uma coisa que eu não percebo, pá.

V1, R e V2 – O quê, pá?

L – Como é que aqueles nabos, depois da carta do chefe, que deve ter sido escrita por algum patarata lá da organização, não lhe caem em cima. Está lá tudo, pá.

R – Tudo o quê, pá?

L – Tudo! As trafulhices, aquela do jantar, aquela de dizer que antes do jantar não sabia, mas que já sabia, e que não sabia já sabendo, e que disse que não sabia mas sabia, aquilo é uma trapalhice do caneco, ‘tás a ver, pá?

V2 – Ai é? Eu li a carta mas se calhar não percebi, pá.

L – O que vale é que parece que os gajos também não perceberam. Nem o Pachecho, que é o mais esperto de todos! Também não percebeu, pá.

R – Inacreditável, pá. Mas ainda bem. O Pachecho encarregou-se de acabar com o baile e quem fica a ganhar somos nós, pá, ‘tás a ver, pá?

V2 – É como cavacas, pá, grande vitória! O mais giro é que o chefe acaba por se safar à custa do ilhéu e ao Pachecho, hi, hi, pá.

V1 – Quem havia de dizer, pá?

L – Agora, mesmo que o Pachecho perca a cabeça e ponha tudo cá fora, pá, já não dá nada, ninguém lhe liga, hi,hi, pá.

R, V1, V2 e L, em uníssono, aos pulinhos (ouve-se os pulinhos na gravação) – Olarilolela, já ganhámos mais esta, olaré, olará, e os nabos já perderam mais uma, a partir daqui o chefe pode fazer o que quiser, ele é que sabe o que é verdade e o que é mentira, olarilolela orarilolela, olarilolela, pá, pá, pá.

 

 

A segunda parte da gravação não se reproduz porque se trata de matéria da vida íntima dos intervenientes, expressa numa combinação para ir comemorar no “elefante Branco”, também conhecido por Trombinhas.       

 

22.5.10

 

I.

VÃO PASTAR CARACÓIS

Há para aí dois anos, uma senhora foi comida, em plena rua, por quatro rottweilers, ou coisa que o valha.

O IRRITADO irritou-se com a história e pôs-se a escrever enormidades tais como pedir anos de prisão para o dono do bicho, exigir das autoridades que acabassem com esta história de ter em casa ou passear na rua animais perigosos, etc. Foi muito criticado por isso, sobretudo pela canalhada que diz defender os direitos dos animais e outras trapalhices de igual jaez.

Na passada quinta-feira, uma criancinha de um ano foi objecto das atenções de um rottweiler. Está no hospital de S. João, foi operada, e sabe-se que o mais certo é vir a ficar deformada para o resto da vida. Acresce que o animalzinho também se dedicou a dar umas dentadas à avó e à tia da criança, coisa de somenos.

 

Os psicólogos caninos apressaram-se a defender o simpático canino. É que, dizem, se o bichinho não foi habituado a “conviver” com criancinhas, é natural que, ao vê-las, ache que se trata de uma coisa perigosa e trate de a pôr fora de combate.

Donde se conclui que a culpa foi da criancinha, a qual não terá dado ao pobre animal qualquer hipótese de se “socializar” como é devido.

Bem feito que esteja no hospital!

 

Desde o dia em que, pela primeira vez, o IRRITADO se irritou com este tipo de crime, para além da tal senhora que serviu de almoço a quatro caninos, que se saiba já foram objecto de atenções por parte de tais mamíferos uma menina e o pai, mais duas crianças, uma mulher de 47 anos, mais três meninos e um funcionário da escola, e ainda um bebé de 20 meses.

 

No mesmo período não houve, que se saiba, a mais leve alteração no regime jurídico que trata(?) destas coisas. Continua a ser perfeitamente legítimo possuir animais perigosos, passear com eles na rua, “socializá-los” ou não, etc.

 

O IRRITADO defende a proibição da existência de tais bichos, com abate dos existentes e punições ultra severas para quem ande para aí a pastar feras.

 

Vão pastar caracóis!    

 

24.5.10

 

António Borges de Carvalho

PONTOS DE VISTA

 

“Não vejo onde está nos estatutos que (os directores dos centro de emprego) têm de se abster da filiação partidária.”

Helena André

Ministra do Trabalho

 

Pois. Eu também não. Nem nos estatutos do IEFP, nem em parte nenhuma. O princípio até está certo.

A senhora ministra não diz é que esta douta opinião é expressa para “justificar” que, contas feitas, os directores sejam todos, ou quase, camaradas do PS.

O que a senhora não diz é que é legítimo pensar que será por isso que, para o IEFP, a taxa de desemprego desceu e, para o INE, subiu. E não foi pouco.

Será que os técnicos do INE ainda não foram substituídos pelos devidos, e devotos, camaradas?

 

Fica a pergunta.

 

*

 

“O país teve sempre capacidade para se financiar e nada mudou face há (sic!!!) dois anos”.

Veira da Silva

Ministro da Economia

 

Ao ler este monumental pontapé na gramática, uma pessoa até se distrai da substância da frase.

Dando de barato a carestia da forma, o conteúdo é quase tão interessante como ela.

É que o senhor Pinto de Sousa, emérito chefe do senhor Vieira da Silva, disse, no mesmo dia, ou na véspera, que tudo tinha mudado nas “últimas duas semanas”.

Fica então, para o povo ignaro, a dúvida metafísica de saber se nada mudou nos últimos dois anos ou nas duas últimas semanas. Lapso? De quem? Engano? De quem?

O que fica é que o governo, todo o governo, é um lapso democrático e um enganador compulsivo.

 

*

 

“Estão a entrar no domínio da vida privada. Posar nua faz parte do acervo de liberdade que a professora tem e não colide em nada com o seu trabalho”.

Osvaldo de Castro

Deputado do PS, presidente, Comissão de Direitos Constitucionais

 

Guardado o devido respeito, há que perguntar a este fulano qual seria a sua posição se a Drª Canavilhas ou a ministra Alçada se entretivessem nas horas vagas a fazer strip tease num bar de alterne. Estavam no seu direito? Se calhar estavam.

Mas não querer ver o que é evidente, é como dizer que a crise é só importada.

As opiniões do tipo das do Osvaldo são sinal de uma crise ainda mais grave que a financeira: a crise de dignidade que o PS introduziu e alimenta.

 

* 

 

“No plano laboral, o afastamento (da gaja do Playboy) não faz sentido. Não é uma situação de indisciplina nem de crime.”

Mário Nogueira

Demagogo ao serviço do PC

 

Crime não é. Crime é existir um tipo destes e os professores dignos de tal nome não correrem com ele.

 

*

 

“Não cabe ao Ministério da Educação pronunciar-se sobre o assunto” (da gaja do Playboy).

Anónimo

Porta-voz do Ministério da Educação

 

Finalmente, o Ministério da Educação está de acordo com o Mário Nogueira. Indiscutível mérito político da gaja. Gaudeamus!

 

19.5.10

 

António Borges de Carvalho

PRESIDENCIAIS PRINCÍPIOS

 

Dando largas a uma ambição tão infrene como mal avaliada, o Presidente da República, de uma assentada, deu cabo da sua fama de “homem de princípios” e de uma boa parte do seu eleitorado.

Católico, inimigo, ao que se julgava, dos novos conceitos de “família”, pisou a sua própria dignidade e a daqueles que nele acreditavam enquanto defensor e garante de tais princípios.

 

Aqui há uns anos, S.M. o Rei dos Belgas, posto perante semelhante caso, abdicou por um dia, a fim de se não corresponsabilizar numa decisão que ofendia gravemente a sua postura moral.

 

A única atitude de semelhante altura que o Professor Cavaco Silva podia tomar seria a de vetar a lei do “casamento” dos chamados homossexuais. Era sabido que a maioria de esquerda no Parlamento a faria passar. Mas o Presidente podia continuar a olhar para o espelho e a gostar do que via, assim como aqueles que comungam de convicções semelhantes, religiosas ou meramente civis, veriam nele alguém de recta coluna vertebral.

 

Ainda por cima, para agradar a gregos e a troianos, o Presidente veio reafirmar as suas opiniões sobre o assunto, para depois se borrifar neles… por causa da crise!

O que terá a crise a ver com tais “casamentos” é coisa que não passa para o lado de fora do presidencial bestunto. Ou então, é coisa que o presidencial bestunto sabe tão bem como nós, mas que, almejando uns votos mais, meteu na gaveta.

É feio. Muito feio.

 

Cavaco Silva, com isto, não vai buscar nem mais um voto à esquerda e perde uma data deles à direita e ao centro. É de pensar que, no presidencial raciocínio, deve ter vingado a ideia de que essa gente, se não votar nele, não tem em quem votar.

 

Como o futuro o dirá, engana-se. E é bem feito!

 

19.5.10

  

António Borges de Carvalho

QUE FAZER?

 

O senhor Pinto de Sousa, rezam as crónicas, disse que não a tudo o que a comissão de inquérito lhe perguntou.

 

Tudo mentira! Verdade verdade, só as manobras ocultas das forças do mal, as conspirações malevolentes com que o perseguem, as bruxas, sei lá.

 

Das duas, uma: ou o PM sabia de tudo e estava por trás de tudo (uma implica a outra), ou não sabia de nada e foi, como teve a amabilidade de explicar, “informado” pela dona Manuela e pelo Presidente “só no dia 25 de Junho”.

 

No primeiro caso, haverá que chegar à conclusão a que o Dr. Pires de Lima já chegou há muito: o primeiro-ministro não passa de um “aldrabão de feira”.

No segundo, a conclusão é tão grave como a anterior: trata-se de um primeiro-ministro que não faz a mais pequena ideia acerca do que se passa com as empresas onde guarda, tão ciosa como incompetentemente, o poder decisivo do Estado.

 

Qualquer das duas conclusões possíveis deveria levar à sua imediata demissão, se ou ele ou o PS ainda tivessem um restinho de espinha dorsal. Como não têm, tudo vai ficar na mesma. O senhor Pinto de Sousa continuará a meter os dedos pelos olhos das pessoas dentro, a atentar, mais que não seja pela sua presença no poder, contra a inteligência e a dignidade dos cidadãos, ao mesmo tempo que ouve as loas dos rodrigues, dos vitalinos, dos lacões, dos lelos, etc., que goza o agrément presidencial e que é brindado com os trejeitos espinais do inacreditável Passos.

 

No meio desta desgraça, é de perguntar o que queria a douta comissão parlamentar.

Pôr uma data de gente a dizer que é preto e outra tanta a dizer que é branco?

Pôr o senhor Pinto de Sousa a desempatar?

Como queriam saber fosse o que fosse da verdade se as principais provas foram destruídas e se as que existem são, com a mais vil cobardia, postas de lado pelo PC, pelo BE, pelo PSD e pelo CDS?!!!

Como é possível que os senhores deputados não percebam, ou não saibam, que nada têm a ver com processos judiciais, com limites processuais, com julgamentos do foro penal?

Como é possível que se escudem com argumentos desse campo, quando o que lhes compete é, exclusivamente, fazer o julgamento político da personalidade do senhor Pinto de Sousa e da respectiva idoneidade para ocupar o lugar que ocupa?

Como é possível que finjam desconhecer que, para uma comissão parlamentar, são válidas as fontes que a própria comissão achar credíveis, quer os tribunais as aceitem como tal quer não?

Haverá algum país civilizado onde os deputados abdiquem, desta desastrosa forma, do cumprimento do mandato que lhes foi conferido pelos cidadãos, a si próprios impondo uma capitis diminutio que nada pode justificar?

Será que têm medo de ser confundidos com as forças ocultas?

 

O IRRITADO, desde o princípio desta medonha história, vem dizendo que a comissão parlamentar não vai servir para outra coisa que não seja safar o senhor Pinto de Sousa de mais uma.

Chegou o momento de o IRRITADO chegar à tristíssima conclusão de que o seu prognóstico estava certo.

 

É que, se os senhores deputados não exigiram ao PS que o senhor Pinto de Sousa fosse apeado assim que se soube do inglês técnico, nem quando vieram a lume os projectos lá das Beiras, nem em nenhuma das inúmeras ocasiões em que ficou mais que provada a absoluta não idoneidade do homem para ser primeiro-ministro, porque carga de água iriam fazê-lo agora?

No fundo, mais trafulhice menos trafulhice, que importa? Nada.

É ao que chegámos.

 

Quem aturou, na prática coonestando sem exigências de maior, o mar de casos e de rabos de palha em que o senhor Pinto de Sousa tem sido pródigo, é agora que vai pôr tudo em causa?

Credo, não!, diz a vilania por toda a parte instalada.

Credo, escutas não!, diz a cobardia anti-portuguesa de toda a malta.

Credo, nem pensar!, diz o Passos, possuído de radical oportunismo.

 

E nós, portugueses, cá ficamos, com milhares de dedos metidos nos olhos, num oceano de mentiras, de fugas em frente, de parlapatices validadas pela cobardia dos “pais da Pátria”.

Cá ficamos, reféns de juízos errados de autoridades judiciais que se desautorizam porque, queiram ou não queiram aceitá-lo, construíram uma muralha de protecção ao senhor Pinto de Sousa.

Cá ficamos, representados por deputados, partidos e líderes políticos que poderiam, conceda-se, aceitar como boa a muralha judicial, mas que tinham a mais elementar obrigação de, politicamente, a abater.

 

O governo, é voz corrente, já deixou de existir.

O parlamento é o que acima se descreve.

O presidente anda entretido a dizer que, se pisa os seus próprios princípios, é por causa da crise (se eu fosse Papa excomungava-o).

Os tribunais nem vale a pena dizer em que estado estão.

 

Em suma, o regime não existe, a Democracia tornou-se insubstante, ridiculariza-se todos os dias, desilude as gerações mais novas que, para bem e para mal, não têm outras referências senão “isto”.

 

Como diria o camarada Vladimir Ilitch Ulianov: que fazer?

 

18.5.10

 

António Borges de Carvalho

EM DEFESA DE UMA JOVEM PERFEITA

Bruna, professora de actividades extra curriculares numa escola primária de Trás-os-Montes, resolveu dar aos seus alunos um exemplo do que é uma actividade extra curricular verdadeiramente produtiva. Exemplo tanto mais meritório quanto ajuda as criancinhas a perceber que o desporto, as visitas de estudo e coisas do género são muito bonitas mas não dão de comer a ninguém.

Em acção altamente pedagógica, a insigne professora demonstrou aos educandos que se pode ganhar umas massas na extra curriculariedade - passe o neologismo.

 

Com este nobre objectivo, apresentou-se aos senhores da Playboy, mostrou-lhes em pormenor os seus atributos e, depois de, em reunião temática, o comité mamário e nalgal da revista ter emitido, por unanimidade, parecer favorável, estabeleceu um contrato a todos os títulos dignificante : ela punha-lhes o corpinho à disposição para umas fotografias em pêlo, eles pagavam uns tostões, a rapariga dava um exemplo de alto valor aos seus alunos, a Playboy contribuía gratuitamente para o lançamento de mais uma “famosa”, o público repenicava a imaginação olhando embevecido os atributos eróticos da trasmontana, ela iria ter mais contratos e ofertas de trabalho especializado, o que lhe permitiria melhorar o nível de vida. As criancinhas, por seu lado, lucravam imenso com o carinhoso exemplo da professora. Todos ficavam felizes.

 

Todos? Não! Instalou-se uma polémica, obviamente provocada por infames forças ocultas actuando a coberto das trevas. Gente sem escrúpulos pôs-se a criticar a doce rapariguinha. Imagine-se que houve até quem dissesse que se tratava de um escândalo!

 

Era importante reagir!

Foi assim que o Diário de Notícias, em defesa da verdade, pôs a palavra escândalo entre aspas. Sendo sabido que o jornal em causa é especialista na exposição e promoção de traseiros rechonchudos e redondezas congéneres com fins comerciais, não admira que tenha tomado posição em defesa da pobre pequena.

Houve também um senhor que veio à liça declarar que se tratava de uma questão da vida privada da inocentinha e que ninguém tinha nada com isso. Ainda bem que ainda há quem saiba o que é a vida privada e a respeite.

Um grupo de jovens cibernautas pôs imediatamente em circulação um movimento de apoio à nossa heroína. Muito bem. Os jovens têm todo o direito a defendê-la, por certo almejando mais uns aparecimentos dela em poses artístico-eróticas, coisa que, segundo o governo, muito contribui para a educação e o progresso social da humanidade, sobretudo para as meninas e os meninos da instrução primária.

A progenitora da docente mostrou ser uma verdadeira mãe, preocupada com o futuro do fruto do seu ventre. Veio para os jornais mostrar o seu indefectível apoio à educativa exposição da sua obra tal como veio ao mundo mas mais crescidota.

E muitas ouras progressistas opiniões foram lidas, vistas e ouvidas, demonstrando à saciedade que os benefícios do progresso já chegaram a Trás-osMontes, ao contrário do que dizem certos reaccionários.

 

Destes, destaque-se a vereadora da Câmara não sei donde, que, ao arrepio da educação sexual das massas em geral e dos trabalhadores em particular, mormente das criancinhas da instrução primária, resolveu mandar a Bruna para o arquivo e prepara-se para não lhe renovar o contrato! Indecente!

 

O IRRITADO deseja o maior dos sucessos à nossa Bruna, seja na Playboy, seja em quaisquer outras instituições da especialidade, Diário de Notícias incluído.    

 

18.5.10

 

António Borges de Carvalho

Ó CAVILHAS, TÁS BOA?

 

O progresso tem coisas extraordinárias.

 

Vejam esta maravilha:

Sob o logótipo do Ministério da Cultura (da cultura!) pode ler-se nos jornais uma propaganda que reza:

 

PROCEDIMENTO CONCURSAL*

 

seguido de uma oferta de emprego (julgo) para provimento, vejam bem, do lugar de:

 

 CHEFE DE DIVISÃO DE LICENCIAMENTO E DE CERTIFICAÇÃO DO MAPA DE PESSOAL DA INSPECÇÃO-GERAL DAS ACTIVIDADES CULTURAIS

 

Feita e exegese desta porcaria, chegar-se-á à conclusão, eventualmente errada, de que se trata de um

 

CONCURSO

 

para o lugar de Chefe da Divisão de Licenciamento e Certificação - coisa que se não entende o que seja - com cabimento no quadro de pessoal da Inspecção-Geral das Actividades Culturais - seja isso o que for.

 

Não sei, nem me interessa lá muito saber o que a Cavilhas anda a fazer no governo. O que sei é que, quando se dizia que “o fado é qu'induca, o fòtebol é qu'enstrói”, se dizia algo que toda a gente entendia e que estava, em matéria crítico-gramatical, anos-luz à frente do ministério da cultura socialista.

 

Que miséria!

 

18.5.10

 

António Borges de Carvalho

 

* Concursal é palavra inexistente em qualquer dicionário digno desse nome. Canavilhas também.

ALEGRE INFORMAÇÃO

 

O IRRITADO informa os seus leitores da seguinte inopinada verdade: o site da candidatura do senhor Alegre só publica mensagens, mesmo que respeitem todas as normas que o candidato impõe, se se tratar de mensagens de apoio.

 

Alguém enviou ao dito site uma mensagem em que começava por aceitar tudo o que nele vem publicado sobre a brilhante e patriótica vida militar do futuro candidato.

Depois, cordialmente, pedia se seria possível responder a duas perguntas:

 

1ª - Qual foi o pretexto, ou o facto, que levou a PIDE a prender o senhor Alegre, em Angola?

2ª - É verdade, como consta em informações veiculadas e assinadas por diversos militares, que o senhor Alegre usava a rádio, em Argel, para dar a saber aos guerrilheiros a posição das nossas tropas, tendo estas, via tais emissões, sido atacadas inúmeras vezes?

 

A mensagem não foi publicada, nem resposta alguma lhe foi dada.

 

Julgo que este entendimento da informação por parte do senhor Alegre deve ser do conhecimento dos leitores do IRRITADO.

 

17.5.10

 

António Borges de Carvalho

SOARADAS

Com a sua habitual argúcia, o ex presidente Soares veio chamar a atenção da plebe para a indispensabilidade de aceitar com bonomia e patriotismo o aumento de impostos e a estabilidade das despesas decretados pelo governo(?) do senhor Pinto de Sousa, medidas aliás desgraçadamente apoiadas pelo Passos Coelho, cheio de “sentido de Estado” – na opinião do mesmo proeminente senhor.

Para ilustrar este lapidar pensamento, serve-se o opinador dos exemplos da Irlanda e da Espanha, cujos sindicatos aceitaram, amarga e responsavelmente, medidas do mesmo tipo, ainda que acrescentadas de violentos cortes na despesa, o que não é o nosso caso.

 

Algo me diz que, se tais medidas tivessem sido tomadas por um governo do PSD, a mesma pessoa diria que se tratava de uma violência sem nome, uma manobra do “neo-liberalismo”, um ataque desapiedado ao povo português. Nessa circunstância, Soares, em vez de referir a Irlanda e a Espanha, referiria a Grécia e alertaria a malta para a instabilidade social acarretada por tais e tão injustos abusos do poder.

Cada um vê as coisas como quer, podendo achar, com toda a sinceridade, que são pretas ou brancas conforme as suas conveniências. Nisto, Soares é mestre.

 

Ponhamos o assunto num plano mais de acordo com a realidade.

Após estes anos de desbragada e paranóica rebaldaria socialista, não há outro remédio senão fazer o que o governo(?) fez, evidentemente esquecendo-se, como é costume, do fundamental, que é deixar-se de iniciativas malucas, acabar com todas as estatais inutilidades, as que criou – fundações, institutos, empresas, autoridades, etc., e com as que andam por aí há décadas – por exemplo, a RTP.

Disto não se lembrou o proeminente Soares.

 

Por outro lado, Soares esqueceu-se de uma coisa muito simples. É que, na generalidade dos países da raia do terceiro mundo, como Portugal e a Grécia, ainda vicejam partidos comunistas, sindicatos de obsoleta mentalidade e líderes que acham que podem pôr as pessoas a comer fantasias fáceis de apregoar mas que levam, inexoravelmente, à maior das misérias e à mais completa ausência de liberdade.

É ouvir os camaradas Jerónimo e Loiça a ribombar a cassete, é ver o olhar assassino do camarada Carvalho da Silva, é ver o inútil e bafiento espernear daquele senhor careca da CGTP cujo nome não tenho presente.

Este, segundo disse, ainda não sabe bem o que vai fazer, sendo certo que vai fazer alguma coisa, aquele está a atiçar as massas para os desmandos de rua e para a inútil, estúpida e malevolente barulheira do costume.

 

Há, no entanto, um levíssimo sinal de esperança. É que, pelo que tenho ouvido, alguma malta nova dá sinais de já ter percebido que o trabalho é mais importante que o emprego e que “quem quer festa sua-lhe a testa”.

A partir deste tipo de subida ao que devia ser a verdade da vida, talvez venha a formar-se alguma gente capaz de se pôr a trabalhar, o que é a melhor maneira de acabar com o socialismo.

 

Sonhos do IRRITADO, dir-se-á. Mas não é o “sonho que comanda a vida”?    

 

17.5.10

 

António Borges de Carvalho

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