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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

EXPRESSA CONFUSÃO

 

Com altas parangonas, o “Expresso” exprimiu a sua opção (ou será oção?) de adoptar (ou será adotar?) o acordo ortográfico.

Tudo bem, cada um come do que gosta, competindo aos leitores, no caso vertente, reagir como tiverem por bem.

 

Interessante é o editorial com que o semanário “justifica” ou “desculpa” a sua opção.

Começa por, modestamente, afirmar que há quem diga que o “Expresso” é “uma instituição”. A seguir, recusa tal qualificação. Não é uma instituição. Logo a seguir, afirma que “esta instituição”… doravante “adota” o acordo ortográfico. Perceberam? Eu também não. Dir-se-á, com foros de verdade, que não interessa a ninguém saber se o “Expresso” é ou deixa de ser uma instituição. Que se lixe.

Mas, opina o “Expresso”, “A nova ortografia entra nestas páginas à parte.” Perceberam? Eu também não. Dir-se-á, com foros de má-língua, que o autor do editorial se deitou tarde na véspera de escrever.

Explicando melhor, a instituição informa que não sabe se “o acordo é bom” e que não o “adota” por “não ter outro remédio”. Perceberam? Eu também não. Então “adota-se” uma coisa que se admite ser má, sem se ser obrigado a tal?

Ajunta então que se trata da “defesa da língua portuguesa”. Ou seja, a língua portuguesa é defendida pelo “Expresso” com uma arma que não se sabe se é boa. Notável.

O editorialista vai mais longe ainda na sua panóplia de argumentos, certamente tirados a ferros depois de uma noite de farra.

É que a língua portuguesa “nos liga a cinco continentes”! E esta? O inglês também. Há mais de vinte versões do inglês e não há um só cidadão britânico que se preocupe com isso. Pelo contrário, acham óptimo que assim seja. Além disso é abusivo falar em cinco continentes. Que eu saiba, a maioria dos PALOPS está-se nas tintas para o acordo ortográfico.

 

Mas o “Expresso” é um jornal “com um grande futuro”. Como tal, acha que é preciso escrever como no futuro, não como escrevia o Camilo ou o Eça antes da reforma de 1911. Esquece-se o “Expresso” que a reforma de 1911 foi feita por portugueses para portugueses segundo uma lógica portuguesa, não como absurda cedência aos brasileiros.

 

Mas o “Expresso” “pensa para a frente”.

Diz o farrista que “O passado é lugar que abandonámos”.

É pena. Quem se borrifa no passado dá cabo do futuro.

 

27.6.10

 

António Borges de Carvalho

O BLÁBLÁ

 

O camarada Alegre habituou-nos, desde há longos anos, ao fogo-fátuo das suas tonitruantes declarações.

Bláblá para a esquerda, bláblá para a Pátria, bláblá para o povo, zero de conteúdo, bláblá e pronto, está tudo dito.

 

Ficava-lhe bem a alcunha de Bláblá. O IRRITADO desde já a propõe.

 

Agora que é, ou vai ser, candidato presidencial, o bláblá do Bláblá intensificou-se.

Como ser PR é uma coisa que, a começar pelos candidatos, ninguém sabe para que serve, nem que poderes tem, nem o que é suposto fazer ou dizer, sejamos justos, bem merece o bláblá do Bláblá.

 

Uma eleição que confunde as pessoas com “mensagens” miríficas, ribombantes declarações de princípios e de “promessas” que jamais poderão ser cumpridas, é uma estúpida forma de enganar as pessoas, de as fazer ir votar exclusivamente por simpatia pessoal, ou para evitar o pior - julgam elas - , ou por ter “sentimentos” de esquerda ou de centro ou de direita, ou a benefício de inventário, na certeza que, para além de escolher um estilo, tal voto para pouco serve. Ressalve-se o caso do Dr. Sampaio e do seu golpe de Estado.

 

Quando surgirá o menino a dizer que o imperador vai nu, isto é, que o PR jamais devia ser eleito por sufrágio universal e que devia representar (atenção, representar) a República (atenção, a República) a partir de uma eleição parlamentar, ou colegial? 

Ao menos não se gerava esta abominável confusão a que há quem chame coabitação quando o Presidente vem de um lado e o governo do outro, nem a horrível concentração de poder quando vêm os dois do mesmo.

Acabava-se com a dupla legitimidade popular, coisa que não é preciso ser muito inteligente para perceber que não pode funcionar e é de duvidosa legitimidade.

 

Bom, deixemo-nos de teorias, porque esta é sobre o camarada Bláblá.

Veio o nosso poeta à televisão dizer de sua justiça. Foi magnífico. Primeiro, entreteve-nos com especiosíssimos pensamentos sobre a profunda diferença entre “cooperação estratégica” e “cooperação institucional”. Como ninguém terá percebido, desatou a dizer que o presidente não pode meter-se com o governo, como faz o actual, mas tem a obrigação de se meter com o governo quando for caso disso, isto é, quando o Bláblá for presidente. Depois, lá vai ele de longada a atacar o Doutor Cavaco a torto e a direito, ou esquerdo, certamente porque lhe estava a faltar o bláblá.

Enfim, o nosso Bláblá blablou em conformidade com o que se espera dele.

 

Não é possível acabar estas singelas palavras sem um referência elogiosa ao que foi o clou da entrevista, o verdadeiro coroar do raciocínio político do nosso tão sonoro Bláblá.

Disse ele que há uns canalhas, uns tipos de inspiração neo-liberal, que desataram a emprestar dinheiro a quem lho pedia. Agora, calcule-se, os mesmos canalhas andam para aí a querer que lhes paguem o que devem! Notável. Então não querem lá ver que os fulanos, lá porque emprestaram a massa, a querem de volta? Era o que faltava! Gangsters!

Já o Amin Dádá já dizia o mesmo, porque não há-de o fazer o Bláblá?

 

25.6.10

 

António Borges de Carvalho

CRETINICES CONSTITUCIONAIS

 

Grande celeuma se levanta por aí com a história de parecer haver quem queira alterar a Constituição em sede “limites materiais da revisão constitucional”. Alegadamente, tal gente pretende alterar o normativo que estatui como um de tais limites “a forma republicana de governo”, transformando-o em “a forma democrática de governo”.

Dando de barato o conceito de “forma republicana de governo”, coisa discutível em termos de ciência política, teremos que o republicanismo bacoco dos constituintes, que vai ao ponto de, a abrir o discurso normativo da Constituição, definir Portugal como “uma República”, como se, antes dela, não houvesse nada a que se pudesse chamar Portugal, vai ao ponto de, nessa coisa estúpida e anti-democrática que são os “limites materiais de revisão constitucional, preferir “salvar” a República a salvar a Democracia.

Isto, perante o mar de repúblicas totalitárias, tirânicas e ditatoriais que por aí vegetam, diante dos exemplos democráticos de primeira ordem que são dados pelas monarquias europeias e tido em conta o exemplo de república que foi o Estado Novo em Portugal.

 

A norma constitucional em apreço deriva do ódio visceral à História (representada pela Dinastia) que serviu de base à implantação da república, golpada que nada teve a ver com a defesa do constitucionalismo, do liberalismo político e das liberdades públicas, coisas, segundo os mais avançados conceitos da época, há muitas décadas já vigorosamente existentes entre nós.

Nunca ninguém perguntou a ninguém se queria mudar de regime. É esta a génese “democrática” da nossa república, ora tão “principescamente” comemorada.

Tal ódio transmitiu-se às gerações do poder através do século XX, salazarismo incluído, e provocou a eructação republicana de que a Constituição é testemunho.

 

O limite material em discussão

 

(vi, ontem, na televisão, o olhar desvairado e protuberante do Vicente Jorge Silva a tonitruar aleivosias sobre a eventual proposta de alteração, o que, por si, é marcante do tipo de sentimentos que animam o nacional-republicanismo)

 

não passa, como todos os outros, de miserável redundância de uma Constituição que, com medo de si própria e dos seus fantasmas, tem que criar ferrolhos, como se não bastassem os seus mais válidos princípios para se saber que, sendo abolidos, de outra república se trataria, e de outra constituição.

  

Assim, usando da mais radical estupidez, os próceres do militantismo republicano preferem desdemocratizar a Constituição, desde que assegurem a república.

É, pelo menos, monstruoso.

 

21.6.10

 

António Borges de Carvalho

DICAS DO DIA

  

TAXADICES

 

A Câmara costo-roseto-fernadesca andava para aí a sacar taxas pelos painéis de publicidade que os donos dos prédios deixavam pôr nas paredes. O raciocínio devia ser mais ou menos este: se os malandros dos proprietários, aberrante classe, ganha dinheiro com a coisa, nós também temos que ir buscar algum, para além do custo da licença.

Esqueceram-se, apesar de dois dos pés da trempe serem juristas, do que é uma taxa. Taxa é uma coisa se lhe deve por serviços prestados. Como não prestavam serviço de nenhuma espécie, aquilo não era uma taxa, era um imposto. Como as câmaras não são competentes para lançar impostos, os tribunais caíram em cima do admirável trio e proibiram-no de sacar mais.

Não se sabe se as “taxas” já cobradas vão ter que ser devolvidas. Assim seja, de preferência com juros.

 

De um modo geral, as câmaras, e a de Lisboa em particular, são inimigos públicos, ogres de burocracia, de extorsão e de armadilhas. Têm poderes inimagináveis para dar cabo da vida das pessoas, a benefício dos “critérios” de qualquer funcionário ou, ainda pior, dos senhores vereadores e presidentes.

É bom que, de vez em quando, alguém os meta na ordem.

 

 

TRANSUMÂNCIAS

 

O professor Freitas do Amaral teve um dos seus habituais ataques de transumância política.

Depois de ter sido o chefe da direita, transitou para o apoio feroz a Sampaio e a Pinto de Sousa, ao ponto de chegar a ministro deste. Vem agora dar o seu altíssimo apoio ao Professor Cavaco.

Se não se tratasse de pessoa inegavelmente inteligente, era de perguntar o que tem dentro da cabeça.

Infelizmente, inteligência não é sinónimo de coerência.

 

 

O MAMARRACHO

 

 Com direito a parangonas de jornal, foi dada por acabada a extraordinária, monumental e cubista, ou cobosta, obra de arte arquitectónica que passa a ornamentar a costa do Estoril em substituição do defunto Estoril-Sol.

Não fora a sua esmerada educação, o IRRITDO não resistiria a propor aos tipos que roubaram 500 quilos de explosivos que aplicassem o fruto do seu trabalho na implosão da inenarrável vergonha que o mamarracho é para todos nós.

Consta que a maior parte dos clientes dos luxuosos apartamentos é integrada por milionários angolanos. Razão pela qual almas mesquinhas e racistas puseram a circular a terna alcunha com que querem que a coisa passe a ser conhecida: o musseque.

 

 

TRIPEIROS EM FESTA

 

O São João do Porto, este ano, vai conhecer alta variedade de martelos. Haverá o martelo colorido, o martelão e a marreta, todos com os respectivos apitos, coisa que, culturalmente, mete as vuvuzelas num chinelo.

Por outro lado, cientistas encartados da universidade do Bolhão chegaram à etnográfica conclusão que "os alhos-porros são eróticos", o que, diz-se, levará a Juventude Socialista a fazer mais uma das habituais distribuições de preservativos à multidão, para prevenir e apoiar a  erotização das massas graças aos alhos-porros.

Os mesmo sábios, ou outros, descobriram também que "os balões do São João "são culto ao Sol”, por certo introduzido nos idos do século XXII, quando se inventou o plástico insuflável e o papel vegetal às cores.

Calcule-se o que vai ser a turbamulta, aquecida pelo Sol e cheia de luxúria por causa dos alhos-porros! Ponham-se a pau!  

 

 

NÃO HÁ CULPAS

 

Os médicos do hospital em que duas criancinhas foram sedadas com ácido enganofúrico vieram já informar o povo que a culpa não foi deles. Isto, segundo um relatório preliminar.

Os farmacêuticos, por seu lado, estão seguros de que culpas nenhumas lhes cabem, aduzindo argumentos de monta.

É evidente que os enfermeiros estão também acima de qualquer suspeita.

Quando, daqui a nove semanas (é o que está previsto!), vier o resultado final das investigações, toda a gente ficará a saber que a culpa foi da empregada da limpeza, do polícia de giro ou do Pedro Álvares Cabral.

Entretanto, o pai de uma das pobres crianças veio já pedir vinte e cinco mil euros pela ofendida tripa do filho. Não há fome que não dê em fartura.

 

 

BOCAS DA ALFURJA

 

Pinto de Sousa, segundo um tal Junqueiro, “é um exemplo para a Europa”, além de “uma oportunidade para o país”.

E esta, hem!

Fui à procura de sinais de “oportunidade” e de “exemplo”.

Passo a citar Mena Mónica: “após ter obtido um diploma em circunstâncias estranhas, ficou engenheiro… assinou, na Guarda, projectos arquitectónicos que não eram de sua autoria… no último conselho de ministros de António Guterres alterou os limites da ZPE do Tejo; a forma como foi feita a adjudicação da obra da central de tratamento de lixos da Cova da Beira levanta dúvidas; comprou um andar, na Rua Braancamp, em Lisboa, por um preço menor do que outros… finalmente, entre 1999 e 2002, não declarou os rendimentos ao Tribunal constitucional”.

Já depois de a investigadora ter escrito estas linhas, ainda é possível acrescentar as magníficas oportunidades e os belos exemplos de coisas como a da PT/TVI, do Figo, do Tagus Park e não sei que mais.

De que o homem percebe de oportunidades, não há dúvida. Em matéria de exemplo, também tem o desgraçado do Junqueiro toda a razão: é que não acrescenta se os exemplos são bons ou maus…      

 

22.6.10

 

António Borges de Carvalho

ELITES DE XAXA

 

O deputado comunista ao parlamento europeu Sr. Tavares (“independente” do BE) vem hoje ao “Público” fazer o obrigatório elogio de Saramago, o prosador, o poeta, o homem, etc.

Só lhe fica bem. Se não houvesse cinquenta e dois mil fulanos a fazer exactamente a mesma coisa ao mesmo tempo, as loas do homem até podiam ser interessantes.

 

É politicamente correcto dizer maravilhas do escritor, não só enquanto tal como em trezentos e cinquenta e oito outros aspectos, qual deles mais rebuscado. Se um membro da esquerda que temos, neste momento de luto e comovida saudade, não se manifestasse em conformidade, poderia sujeitar-se aos maiores aborrecimentos. Não é?

 

Conta-nos o rapaz que estava de férias em Espanha, aos 15 anos, com uma irmã e uma sobrinha. Para marcar bem a diferença em relação às galinhas, o homem informa que foi a uma livraria enquanto elas andavam nas lojas. Postas assim as coisas no seu sítio, somos iluminados pelo fortuito encontro que teve com uma “mulher de cabelos negros” (como a dona Pilar antes de os pintar), que falava com um sotaque andaluz cerrado. Veja-se a cultura castelhana do nosso ilustre representante. Com 15 anos já conhecia tão bem a língua de Cervantes que bastava que alguém se lhe dirigisse para ele perceber de que região procedia! Formidável!

Vê-se bem que não é da escola de castelhaguês do senhor Pinto de Sousa.

O panegirista confessa que não percebeu patavina do que a mulher lhe disse mas que, admiravelmente, conversou com ela durante três minutos!

Sobre quê? Sobre Saramago, como é lógico.

 

Depois, lá vem o Saramago tradutor, escritor, copiador, revisor, apaixonado por “literatura menor, gazetas antigas, sermões de Vieira ou ficção científica”. Não, não estou a brincar, é mesmo assim que o homem classifica Viera. Um escritor menor!

Depois, sugere que Saramago terá ido buscar a ideia da cegueira a um escritor qualquer que construiu cenário semelhante muito antes dele. Mas, é claro, melhorou muito a ideia que terá copiado.

Lá vêm, então, as loas do costume, todas elas perdoáveis.

 

O verdadeiro clou do elogio é este: Saramago era sabedor porque “Um escritor aprende muito nascendo e vivendo num país onde as elites são medíocres e mesquinhas”.

Tem toda a razão. Parabéns. Se as elites - a que ele pertence - não fossem, para além de ridículas, medíocres e mesquinhas, não se teria assistido à monumental diarreia de loas, despesas, homenagens, lutos nacionais, guardas de honra, aviões, horas de televisão, horas de rádio, toneladas de papel de jornal, macacadas na net, “ameaças” de Panteão e outras parvoíces a que vimos assistindo sem parar desde sexta-feira passada.  

 

Como modesta homenagam do IRRITADO ao extinto, diga-se que é de acreditar que o próprio Saramago, apesar de não poder ser mais pedante, se pudesse,  se irritaria com tanta e tão funérea paspalhice. 

 

Uf!

 

21.6.10

 

António Borges de Carvalho

A GAIOLA DOS MARICAS

 

Quando o senhor Pinto de Sousa aparece a exigir que lhe peçam desculpa pelos resultados da comissão de inquérito, tem carradas de razão. Na sua posição de primeiro-ministro, o engenheiro relativo está no seu direito de exigir que os parlamentares peçam desculpa às instituições e ao país pela borrada que fizeram.

É claro que não são essas as desculpas que ele pede. Especialista em fazer o mal e a caramunha, como tudo lhe tem sido permitido e continua a ser, é capaz de achar, a partir das pobres meninges com que foi contemplado pela criação, que os que o chateiam lhe devem desculpas, como se não fosse ele, morto o Saramago, o mais chato de todos os portugueses.

 

Vejamos o que, substancialmente, se passa:

 

O presidente da comissão opõe-se a que sejam utilizados os elementos de prova que ele próprio mandou vir e que lhe foram fornecidos por quem de direito, obviamente para ser utilizados.

Maricas!

O plenário da comissão não impugna a decisão do presidente.

Maricas!

O relator da comissão escreve que o senhor Pinto de Sousa sabia, mas disse que não sabia. Mas recusa-se a escrever que mentiu, e jura a pés juntos que nunca disse tal coisa.

Maricas!

O mesmo senhor escreve que o governo estava metido na marosca da PT/TVI, mas acha que não há suficiente matéria probatória.

Maricas!

O Passos acha que é evidente que o engenheiro relativo sabia e disse que não sabia e que o governo estava nos bastidores da urdidura, mas não considera que a coisa seja de molde a fazê-lo cair.

Maricas!

O PSD aprova o relatório que diz que o homem sabia e disse que não sabia, mas não tira daí conclusão alguma.

Maricas!

O Pacheco diz que está tudo provadíssimo nas escutas, mas não deita cá para fora as provas de que dispõe.

Maricas!

O Presidente da República finge que não vê.

Maricas!

 

Agarrados à barriga, os eméritos trafulhas riem como se ria a corte perante o cadáver do filho da Duquesa de Brabante. Ri o Rodrigues, ri o Canas, ri o Pereira e outros mais. Ri o engenheiro relativo.

Cambada de maricas, deixaram-se enganar, hi, hi!

 

Só a duquesa chora. A duquesa, neste caso, é Portugal, entregue que está à mesnada dos maricas e aos palhaços de serviço.  

 

21.6.10

 

António Borges de Carvalho

AMANTES DO TEJO

 

Todos somos amantes do Tejo. O Tejo é a frescura, a moldura, a vida e a razão da nossa cidade. Sem ele não haveria Lisboa e, quem sabe, não haveria Portugal.

 

Durante toda a minha infância, juventude e idade adulta, via-se o Tejo do Terreiro do Paço, dos cacilheiros, dos restaurante do Ginjal, e pouco mais. Lisboa ribeirinha era um mar de armazéns, lixeiras, gruas e cais, uma floresta de coisas feias, ingramáveis, uma jóia escondida pelo “progresso”.

 

A tudo isto presidia uma entidade, um monopólio de poder, a que se dava o nome de APL, Administração do Porto de Lisboa. Tal entidade, das poucas que, detidas pelo Estado, não tinham problemas económicos, antes pelo contrário, era odiada pelos lisboetas e pela Câmara Municipal.

No entanto - a verdade é para ser dita - de há anos a esta parte, a APL, perante o indisfarçado ciúme da CML, mudou de filosofia. Abriu a cidade ao Tejo. Hoje, passeia-se de Belém a Algés, almoça-se à beira-rio, contempla-se, nas noites de luar, o espectáculo fantástico do rio, dourado, a correr. Talvez a APL tenha para tal sido pressionada. Se foi, ainda bem. Reagiu em conformidade.

 

O ciúme da CML, porém, intensificou-se. Era fácil argumentar que a cidade não pode deixar de ter jurisdição sobre a sua jóia número um. Resultou. O governo PS acabou por aprovar a “devolução” da ribeira à autoridade camarária PS, de forma a pô-la, ainda mais, “ao serviço” da cidade e do país.

Ora a CML, esta CML, bem acompanhada pelo governo que temos, já deu provas, e que provas, de não ter pela cidade o amor que os súbditos do PS, todos nós, lhe dedicam. O contrato dos contentores do Coelho aí está, suficiente para provar o “desvelo” camarário. A Sociedade Frente Tejo (não sei se é assim que se chama), com a bênção da CML mas sem que a CML nela tenha poder, aí está para provar que tal desvelo acaba por se consubstanciar numa coisa de direito privado e dinheiro público, com mais um “escol” de administradores, arquitectos, engenheiros, secretárias, motoristas e respectivas limusinas.

Por tudo isto, e muito mais, se é, formalmente, justo e lógico que a CML passe a ter poder sobre a ribeira de Lisboa, substancialmente a coisa causa a maior das inquietações.

 

Quando é patente que a APL, à contre coeur que seja, mostra já uma obra notável e para mais se preparava, entra em acção uma câmara que tem a interessante peculiaridade de estar há anos no poder sem que seja quem for tenha dado pela sua “obra”, à excepção, é claro, da “reestruturação” e do aumento da dívida e do asfaltar de algumas ruas, tapando as sarjetas, antes das eleições.

Que fará de jeito, na ribeira, a câmara costo/roseto/fernandesca, é coisa que ninguém saberá imaginar. Que dinheiro tem (coisa que à APL nunca faltou) para fazer seja o que for que se veja e não seja asneira?

 

Caso é para perguntar se, daqui a uns anos, não vamos estar todos cheios de saudades dos tempos heróicos em que a APL tomava conta do rio.

 

20.6.10

 

António Borges de Carvalho

DA IGNORÂNCIA DO IRRITADO

 

Não falta para aí quem atribua às chamadas agências de rating os mais terríveis nomes. Canalhas, servos dos especuladores, sedentos do sangue das nações, gangsters que, ao serviço do imperialismo, abusam dos pobres países que se deixaram endividar sem ter meios para pagar nem economias que sustentem o serviço da dívida, isto quando não aldrabaram as contas como os gregos. Não há adjectivos que cheguem às boas almas para acusar tais agências dos mais hediondos crimes.

 

O IRRITADO, que não percebe nada de agências, nem de ratings, nem de finanças, vai observando a coisa à distância.

 

Um pequeno comentário:

Quando começou a débacle, exactamente os mesmos que agora tão ferozmente atacam as agências, por severas, acusaram-nas de ter fechado os olhos a tudo e mais alguma coisa e de terem deixado à solta vastas áreas da vida financeira que, manifestamente, não tinham pés para andar.

Ou seja, as agências são más porque alertam os mercados, são péssimas porque não o fazem. Entenda quem quiser o raciocínio das boas almas.

 

Uma observação, se calhar simplista:

Nos EUA, sede do tenebroso capitalismo e do ominoso imperialismo, aconteceu que houve monstros financeiros, uns privados, como o Lehman Brothers, outros mais ou menos públicos, como a Fredy Mack (é assim que se diz?), que se desmoronaram sem apelo nem agravo. O “mercado” funcionou, isto é, “auto-regulou-se”. O senhor Madoff foi para a cadeia, isto é, funcionou o “mercado” e funcionou a lei.

Por cá, é tudo ao contrário. Que diabo, isto é um “Estado Social”! Um Estado que, constitucional e politicamente, odeia o “neo-liberalismo”, duvida dos “mercados” e está “preocupado com as pessoas”. Por isso, usou os seus admiráveis mecanismos para financiar os falidos e para não julgar seja quem for, se é que há, ou haverá, culpados de outra coisa que não seja perder dinheiro, o que, como tal, nunca foi crime. “Preocupado com as pessoas” o Estado socialista não disponibilizou um chavo para, nos termos e limites da lei, pagar indemnizações aos depositantes dos bancos falidos. “Social” como é, pôs à disposição dos falidos incríveis verbas saídas do banco público para manter em funcionamento o pior do tal tenebroso capitalismo, ou do “neo-liberalismo”, coisa tão profundamente odiada pelos “sociais”, como o Dr. Mário Soares.

 

Os resultados do funcionamento do mercado e da Justiça, por um lado, e da intervenção socialista, por outro, estão aí, para quem quiser ver. Os execráveis EUA, apesar do já evidente flop político do senhor Obama, vão tirando a cabecinha de fora. Por cá, no socrélfio paraíso… ora, por cá é o que toda a gente sabe.

 

Nesta ordem de ideias, fica o IRRITADO sem saber se as agências de rating são entidades merecedoras de estima por terem resolvido pôr os países diante das infelizes realidades que os governos escondem, se são as tais criminosas entidades de que tanto se fala, se nem uma coisa nem outra, nem antes pelo contrário.

 

20.6.10

 

António Borges de Carvalho

DE PIROSIS PROFUNDIS

 

Ao abrir a net, ontem de manhã, dou de caras com a morte do Saramago.

Paz à sua alma.

Condolências à dona Pilar.

 

Goste-se ou não do homem, compreende-se que a sua morte é notícia que merece destaque.

Mas, em vez de tal destaque, o país assistiu à mais pirosa e inimaginável manifestação de primitivismo intelectual e ‘informativo’.

 

Aceso o aparelho, eis que todo o dia não se falou noutra coisa. O Saramago para a esquerda, o Saramago para a direita, o Saramago para cima, o Saramago para baixo, o Saramago bebé, menino, jovem, homem feito, maduro, meia-idade, velho, em pé, sentado, a aldeia do Saramago, a casa do Saramago – que já não existe mas voltou a existir - o prémio Nobel, as condecorações, o diabo a quatro.

Tive que desligar aquilo, para não ficar completamente saramagalhado.

 

O nacional-pirismo consubstancia-se numa frase dos panegiristas da SIC Notícias, que devia ficar célebre:

“Ao nascer, Saramago tornou-se no mais novo habitante de Azinhaga”.

Tem piada. Eu próprio, quando nasci, era o mais novo habitante das avenidas novas. A não ser que tenha havido alguém a nascer exactamente no mesmo segundo. Esse alguém participaria, ex-aequo comigo, da invejável circunstância de ser o mais novo, circunstância aliás comum ao resto da humanidade, e até aos cães, quando ousam nascer.

 

À noite, aberta a televisão, foi um nunca acabar em todos os canais.

Até me apareceu, calcule-se, a prima do Saramago a dizer coisas.

Antes de desligar definitivamente as “comemorações”, detive-me uns cinco minutos a ver e ouvir o sermão da dona Clara Alves. Opinava a ilustríssima criatura que quem se atreve a não gostar do Saramago, para além de sofrer de preconceitos ideológicos agudos, é analfabeto. A filosofia é simples: quem não gosta do homem por ser comunista e ter feito o que fez enquanto tal, é um ordinário e um preconceituoso com duvidoso direito a exprimir-se; quem não leu os escritos do homem, não merece, sequer, ser considerado como sabendo ler. A filosofia é simples: ler Saramago é obrigatório.

No meio da pirosada, das primas do Saramago e do memorialismo totalitário da informação única, revela-se a mentalidade da senhora.

O nosso mundo intelectual é isto: a submissão própria ao politicamente correcto que, como tudo o que é obrigatório, é sempre de esquerda, e a imposição do politicamente correcto aos demais, sob pena de ‘preconceituosidade’ ou de analfabetismo.

 

O governo, ansioso por coisas que distraiam as pessoas do que interessa, decreta dois dias de luto nacional, o que não podia ser mais piroso. Vai daí, os lanzarotenses, compatriotas fiscais do falecido, decretam três! Fuerzia!, como diria o primeiro-ministro em castelhano técnico.

 

Do seu humilde púlpito – nada de parecido com os da dona Clara – o IRRITADO informa a prendada senhora: leu vários livros do Saramago. Leu, mas teve a desgraça de não encontrar neles, nem a contribuição inestimável dada à língua portuguesa, nem o interesse filosófico das obras em causa, coisas encomiasticamente defendidas pela senhora. Uma escrita prolixa, entediante, cheia de “palha” para dar peso e preço. Lembro-me de, ao fim de várias e penosas horas passadas a ler o “Ensaio Sobre a Cegueira”, me ocorreu pensar por que carga de água era aquilo um ensaio, bem como qual era a “mensagem” que, com tão inusitada “cegueira”, o escritor queria comunicar. Pensei, pensei, e cheguei à conclusão que, primeiro, o escrito nada tinha a ver com um ensaio, segundo, que estando, no livro, toda a humanidade cega, e havendo só uma senhora que via e conduzia os cegos, se tratava de uma parábola marxista, isto é, a humanidade - as “massas” - precisa de “vanguardas” que saibam a verdade e que as “guiem”.

Dirá a dona Clara, com certeza acompanhada por um exército de intelectuais, que esta interpretação se deve, ou a algum “preconceito ideológico”, ou a puro analfabetismo.

 

Cá fico, com o analfabetismo e os preconceitos que a Clara loira, já um tanto gasta, não deixaria de me atribuir, caso lesse esta prosa.

 

Acabo como comecei: paz à alma do Saramago, português, imigrante fiscal em terras espanholas, escritor de alguma valia, prémio Nobel sabe-se lá porquê; condolências à dona Pilar e felicidades na gestão da Casa dos Bicos, que já pertenceu à minha cidade e que a minha cidade vai pagar para dar à dona Pilar.

 

De profundis

 

19.6.10

 

António Borges de Carvalho

TRISTEZA VIL, NÃO APAGADA

 

Tenho pena que os jornais (os que comprei) não tragam o enunciado da prova de português do 12º ano. Só é transcrita a “proposta de correcção” adiantada pelo ministério aos professores encarregados (a poder de dinheiro) de corrigir as provas.

Deve chegar para fazer uma ideia da qualidade da coisa.

 

Uns mimos:

a) - “ - o Rei… deve reconhecer o valor dos seus súbditos, que, como se verificou no passado, reúnem qualidades para o fazerem ‘vencedor’, isto é, para reacenderem na Pátria o orgulho e a coragem.

b) Relacionação com o sentido das estâncias 145 a 148:”

c) constatação de um estado…”

d) “- a insensibilidade dos seus contemporâneos em reconhecerem os trabalhos…

 

Os alunos talvez mereçam passar. Os ‘pedagogos’ ou ‘técnicos’, ou ‘docentes’ do ministério merecem, de certeza, um chumbo.

 

Vejamos:

Em a), sujeito os súbditos; predicado reúnem; para, etc…, complemento circunstancial de fim. Porque carga de água conjugarão as doutas criaturas os infinitos de ‘fazer’ e de ‘reconhecer’? Predicados de quê? De nada. Aliás, os infinitos antecedidos de preposição não se conjugam! Não são não regidos pelo sujeito mas pelo verbo da oração!

Em d), a mesma coisa.

Em nenhuma língua latina é possível encontrar regra que cubra esta asneirada. Eu sei que há ‘filólogos’, como a dona Edite Estrela, que não dão pela coisa. Que credibilidade lhes assiste? Zero.

Quando eu era pequenino e andava na 4ª classe, só uma destas dava direito a duas ponteiradas no toutiço. Quanto mais três!

Em b), atente-se no rebuscado da palavra. Relacionação? A palavra existe, é certo, não se trata de um erro. Porque não relação, ou relacionar?

Em c), ‘constatação’, palavra que, agora, já existe. Não é erro. Não deixa, por isso, de ser um galicismo, portanto impróprio de uma prova de português.

 

Atentem nisto, se lhes apetecer:

“tratando-se de um item (demos o ‘item’ de barato) de resposta aberta extensa… o professor classificador de provas, ao classificar o texto do examinando… deve observar… o domínio das seguintes capacidades:

- estruturação de um texto com recurso a estratégias discursivas adequadas à defesa de um ponto de vista e reflectindo a operação de uma planificação produtiva;”

Observe a riqueza de conceitos. A ‘resposta aberta extensa’, onde, pelo menos, falta uma copulativa, é um primor de ignorância “discursiva”, ou de adjectivos de adjectivos. E o professor classificador… ao classificar? Então quando havia de ser? Ao tomar o pequeno-almoço? Ao ir à retrete? E o texto do examinando? De quem havia de ser? Do Tio Patinhas?

Agora leiam o texto acima, a começar em ‘estruturação’. Perceberam?

Se sim, é fora de dúvida que executaram uma “operação de uma planificação produtiva”, “com recurso a estratégias discursivas adequadas”.

Por mim, dou-lhes um doce!    

    

Não é só a pobreza geral do documento enquanto texto “pedagógico”, são os erros, as calinadas, os pleonasmos, a indigência da redacção, a “vil tristeza” em que vivemos e em que os nossos miúdos são “educados”.

 

Xiça!

 

17.6.10

 

António Borges de Carvalho

BONS SENTIMENTOS

  

A organização comunista chamada Bloco de Esquerda espalhou por toda a parte uns cartazes avisando o Zé-povinho que há uns seis ou sete cavalheiros que “nunca apertam o cinto”.

Junto à fotografia de cada contemplado, o montante dos respectivos rendimentos de trabalho.

Partamos do princípio que os números são exactos.

 

Antes de mais, diga-se que qualquer dos senhores retratados paga, em impostos, goste ou não goste, uns 40% das verbas parangonadas pelo BE, percentagem a aumentar em breve. Assim, haverá o cidadão que dividir por cem a “informação” do Bloco, depois multiplicá-la por sessenta, e terá à sua frente um número mais honesto.

Mesmo assim, dir-se-á, os fulanos ganham um balúrdio. É verdade. Deverá, porém, acrescentar-se que os tais 40% que entregam ao Estado (a “todos nós”, como diria o Bloco) seriam galinha da perna para os accionistas das respectivas empresas, em dividendos, se ganhassem menos e pagassem menos. Não seriam para “todos nós”, em impostos.

 

Note-se agora que todos os alvejados são manda-chuvas de empresas privadas.

Não é privilégio nem direito dos partidos políticos ou do Estado pronunciar-se sobre os seus vencimentos. O que podem fazer, se quiserem, será reclamar que os castiguem com ainda mais impostos. Tal nada tem a ver com a soberana decisão dos respectivos patrões de lhes pagar o que muito bem entendem.

Acresce que, no mar de desemprego e de miséria em que o socialismo nos mergulhou, há para aí umas cem mil pessoas que trabalham, que têm tem ordenado e garantias sociais no conjunto das empresas tidas e/ou geridas por tais manda-chuvas e que, se os patrões lhes pagassem menos, se calhar eles estavam-se nas tintas e iriam pregar para outra freguesia, teoricamente pondo em causa os empregos daquela malta toda, que passariam a ser geridos de outra forma, quiçá menos competente.

 

Finalmente, os magníficos comunistas do Bloco esquecem, não por acaso, a chusma de gestores do Estado que perdem milhões (dos “nossos”) e que andam de empresa em empresa a fazer a sua “obra” e a receber (do “nosso”) como nababos. Na certeza que, se “houver azar”, têm sempre um “lugar de recuo”.

 

O Bloco, como o PC e a sua agência CGTP, dedica-se à destruição do privado e à manutenção ou alargamento do público, com as dramáticas consequências que, por todo o mundo, civilizado ou não, tais teorias “socais” não se cansam de espalhar.

O Bloco destina-se a convencer as pessoas da monumental falácia que é pensar que, se há pobres é porque há ricos e que, se se tirar aos ricos, os pobres ficarão, automaticamente, cheios de “bago” e de regalias. Para tal, há que espevitar os mais baixos sentimentos da população, alimento privilegiado das mentes “comunizadas” e “comunizáveis”. A invejosa publicidade bloquista não significa outra coisa.

Apontar aos portugueses o caminho para a miséria e a servidão, eis a missão desta gente, conscientemente concebida e aplicada.

 

Diga-se, aos que já estão a afiar a faca contra o IRRITADO, que ele não acha propriamente adequado que se ganhe demais num país como o nosso. Por outro lado, o IRRITADO não faz, nem nunca fez, parte dos que ganham ordenados principescos.

Mas tem a noção exacta do que podem ser as consequências da propaganda comunista. Não para si, que não tem muito a perder. Mas, sobretudo, para aqueles que quase nada têm a perder e que, se forem neste tipo de conversa, perderão tudo o que têm, mais duas coisas: a liberdade e a esperança.

 

16.6.10

 

António Borges de Carvalho

MAIS UM

 

O Dr. Nobre tem andado a tentar convencer as pessoas da sua independente integridade, da sua sinceridade, da sua preocupação com as pessoas.

Mais um independente, descomprometido, imparcial, impoluto candidato a “presidente de todos os portugueses”.

O pior é que, quando se quer pôr a cabecinha de fora, lá vem a demagogia. Desta vez, o ilustre clínico brinda-nos com a sua indignação acerca das portagens nas SCUTs. Porquê? Porque violam a constituição! Não faz a coisa por menos!

 

Não se percebe se o ambicioso cidadão está revoltado contra as portagens, se acha que devia haver portagens em todas ou em nenhuma SCUT. Mas percebe-se que se está a pôr em bicos dos pés a respeito de um assunto de que não sabe nada. E que, pior ainda, está a tentar lançar cascas de banana ao seu putativo concorrente Cavaco Silva, a quem pré-acusa de não “manifestar repúdio” pela coisa, nem constar que a vai vetar.

 

Mais um demagogo.

Não sei se se trata do melhor pano, mas lá que nele caiu a nódoa, disso não há dúvida.

 

16.6.10

 

António Borges de Carvalho

NO FUNDO DO FOSSA

Esta história da comissão de inquérito ultrapassa tudo o que a inteligência humana pode conceber.

Pior, no caso do PS, ultrapassa os limites da desonestidade, da ausência de honra, da desfaçatez e da indecência.

 

O IRRITADO, a seu tempo, imaginou e disse que o resultado final iria ser vergonhoso. Mas não foi tão longe quanto os factos vieram a provar.

 

Comecemos pelo ilhéu e pelas suas ordens. Se é verdade que o presidente de uma comissão parlamentar deve manter uma certa imparcialidade nos seus juízos, não é aceitável que “ordene” que o principal elemento de prova dos factos seja não só ignorado como “proibido”.

As instâncias que das escutas se ocuparam e que sobre elas tinham jurisdição são unânimes em afirmar a legitimidade da sua utilização pela comissão. Mas o ilhéu acha que não.

Mais estranho é, sabendo que as decisões do presidente de uma comissão parlamentar são passíveis de ser infirmadas por maioria do seu plenário, que nenhum dos partidos nela representados tenha discutido ou posto à votação a posição do ilhéu.

 

O relator, membro do partido comunista que propôs a criação da comissão, nem perante a pesporrência e a trapalhona trapalhice das respostas escritas do “arguido”, coisa que, em si, tornava mais que evidentes as suas culpas, não conseguiu passar de afirmações “cautelosas” e “diplomáticas” evitando, que horror, a palavra mentira! Como se explica que o homem tenha, na prática, metido a viola no saco, quando qualquer pessoa que tenha seguido o processo com um mínimo de atenção percebe, e sabe, que as culpas políticas do senhor Pinto de Sousa são mais que evidentes e estão aí, escarrapachadas nos jornais e nunca cabalmente desmentidas? Mistério!

 

O PSD, nas suas coelhais cautelas, ou cobardias, anda a ver se “contém” a coisa e, à excepção do Pacheco Pereira, parece estar pronto a aceitar que a montanha tenha parido o rato que toda a gente vê, em vez do rinoceronte com que foi incubada.

 

O CDS e o PC, esses, não se percebe. Dão uma no cravo outra na ferradura e, quanto a escutas, nem vê-las nem lê-las nem ouvi-las. É caso para perguntar para que andaram a perder tempo na comissão.

 

No meio desta desgraça, o PS, mergulhado na mais funda das misérias morais, esperneia, para tal usando o menos credível e mais inaceitável dos seus membros. Por sinal, como no PSD, um ilhéu. Assim, o ladrão dos gravadores, um tipo com um passado mais que discutível, um fulano que, por incómodo, foi “exportado” para o Continente pelo Carlos César, é quem aparece a defender a “verdade” e a “revoltar-se” contra a mais que suave versão dos acontecimentos escrita pelo medroso relator.

Revoltante é que um indivíduo do calibre deste continue a ser deputado, vice-presidente da maior bancada parlamentar e objecto da “solidariedade” do Assis e demais camaradas. Será possível descer mais?

 

Rezam os jornais de hoje que o relatório tem todas as possibilidades de ser chumbado. Pelo PS, o que é óbvio, por excesso de conclusões. Pelo PSD, por defeito das mesmas. Pelo PC e pelo CDS, sabe-se lá porquê.

 

Tal como o IRRITADO tinha previsto, tudo ficará na mesma.

 

A posição do Pacheco, se vier a ser tomada, não passará de um fait divers, uma fuga à “realidade” produzida pelas frustrações de um deputado isolado e quem sabe se membro de alguma “força oculta” apostada em denegrir a imagem impoluta e virtuosa do senhor Pinto de Sousa.

 

Em matéria de finanças estamos prestes a bater no fundo.

Em matéria de dignidade já batemos.  

 

16.6.10

 

António Borges de Carvalho

OS MANDATÁRIOS

 

Em lauta almoçarada, com a adequada pompa informativa, o Alegre apresentou aos infelizes os seus mandatários eleitorais.

 

São eles:

- O Dr. Sampaio - não, não é o do golpe de estado, é o outro, o psiquiatra “progressista” que se tornou conhecido depois de o irmão ter ganho as eleições;

- A dona Maria de Belém, a voz de cana rachada mais desagradável da Nação, com assento permanente, que horror, na SIC Notícias;

- O escritorzinho de barbas Jacinto Lucas Pires, muito bem lançado no mercado por causa do pai, o qual, dizem informações credíveis, anda no céu a protestar pelo filho que Deus lhe deu.

 

Nas esclarecidas palavras do candidato, a sua é uma “candidatura de cidadania”.

Razão pela qual escolheu este brilhante trio, oriundo da “cidadania” e formada, sem excepção, por membros ou apoiantes do PS.

O Pires tem a particularidade de, confessadamente, ter um pó de morte aos comunistas do Bloco de Esquerda, que considera “conservadores”, “trauliteiros” e “retrógrados”, gente que “não percebe que as cartilhas de antigamente já não fazem sentido”. Vai ser, como é natural, o companheiro ideal do Louça nos comícios do Alegre. Por outro lado, o insigne jovem acha que o PS é “um mal menor”. Não podia ter sido mais bem escolhido.

A dona Maria, “militante do PS”, trabalhou activamente contra o PS nas últimas presidenciais, assim demonstrando uma coerência por certo muito útil ao candidato.

O Sampaio, esse, não se sabe o que dele se pode esperar. Talvez uns conselhos clínicos ao saco de gatos de que faz proeminente parte. Já não era nada mau.

 

16.6.10

 

António Borges de Carvalho

UNIÃO NACIONAL

À volta do senhor Pinto de Sousa ergueu-se uma verdadeira muralha de aço, coisa que o coronel Gonçalves nunca conseguiu, nem com cantigas de mau gosto gritadas pela turbamulta.

Nem o PS, nem o PC, nem o BE, nem o PSD, nem o CDS querem que o homem caia. Nem o Presidente da República.

O PS, tão farto do homem como os outros, porque não se quer arriscar a levar uma tunda.

O PC e o BE, porque, por um lado, não querem que a direita ganhe as eleições e, por outro, ficam contentíssimos com o apodrecimento da situação e com as hesitações da “burguesia”. Quanto pior melhor.

O PSD porque… não se percebe bem porquê. Tem medo? Acha preferível vegetar na porcaria em que estamos? Está à espera que o Passos aprenda inglês?

O CDS porque deve pensar que, quanto mais o PSD ajudar o senhor Pinto de Sousa, mais votos lhe caem no saco.

O PR porque, primeiro, tem como único verdadeiro objectivo “nacional” a sua própria reeleição, segundo, porque tem da “estabilidade” uma noção que não cabe na cabeça nem do mais bronco dos cidadãos.

 

É esta a união nacional em que vivemos.

 

Sem que ninguém dê ou queira dar por isso, ao contrário do que por cá se vai dizendo, não há um único dirigente europeu a quem o senhor Pinto de Sousa não desperte sentimentos de troça e de caridoso menosprezo. A triste galhofa é mais que muita por essa Europa fora. Lembram-se como a Merkel, o Sakozy e os demais se riam nas costas do homem enquanto ele debitava inanidades sobre o “Magalhães” em inglês técnico?

O nosso maior problema, o que, antes de mais, faz com que as agências de rating e instâncias do estilo nos desprezem, é termos o primeiro-ministro que temos e, ainda por cima, andarmos com ele ao colo, a começar no Presidente da República e a acabar no relator da comissão de inquérito. A união nacional dos nossos dias.

A nossa inteligentsia não percebe que, com Pinto de Sousa, não é, simplesmente, possível ir seja onde for quer não seja para o buraco, mesmo que os drs. Soares e Lopes se desunhem a dizer que não precisamos do FMI para nada. Quando apanharmos com ele no focinho, o que está cada vez mais perto, não se sabe o que dirão.

Por isso que a nossa primeira necessidade seja livrarmo-nos de quem nos mente, nos humilha, nos faz perder o que nos resta de credibilidade externa, de quem nos coloca como único país europeu capaz de suportar sem reagir um primeiro-ministro ignorante, patusco, cheio de rabos de palha, a quem a única coisa que interessa é aguentar-se no poleiro, mesmo que para tal não tenha a mais leve sombra de preparação ou idoneidade.

 

Enquanto isto não for percebido, com mais impostos ou menos impostos, com mais despesa ou menos despesa, com mais gente aos gritos ou menos gente aos gritos, não haverá qualquer resquício de esperança.

 

Mas vivemos em “união nacional”, digo eu. E em “estabilidade política”, dizem eles.

 

Que seca!

 

14.6.10

 

António Borges de Carvalho

ANTÓNIO BARRETO

Conheci o doutor António Barreto em 1975, era ele um jovem entusiasta socialista em campanha eleitoral em Trás-os-Montes. Conheci dele os tios, Gramacho e Taborda, dois indefectíveis monárquicos. Conheci a avó, uma senhora à antiga, que já tinha ficado viúva três vezes e dominava os filhos como se fossem rapazinhos.

Depois, vi-o como Ministro da Agricultura. Assisti, como todos os que já não são novos, às vicissitudes de “lei Barreto”. Fisicamente, nunca mais o vi. Mas, como toda a gente, “vi” a sua carreira académica, o seu afastamento do PS, os seus magníficos programas na televisão, a sua independência intelectual, a sua honestidade pensante. Admirei as suas intervenções nos jornais e o seu portal sobre nós, obra de extraordinário valor. Fiquei passado de tristeza quando o vi apoiar o Sá Fernandes.

É um Homem admirável.

Vi-o, vimo-lo agora, a prestar homenagem aos combatentes no Dez de Junho oficial. Pela primeira vez e pela sua mão, a nossa indigna e tristíssima República “cedia” a contemplar os que sofreram a guerra em nome de Portugal e da sua indigna e teimosíssima República.

 

Um pequeno senão: o doutor Barreto, sendo um refractário a tal guerra, deveria, a meu ver, retratar-se, pedir desculpa ao soldado desconhecido que foi para a guerra e que até pode lá ter deixado a vida em vez dele. Não poucos foram os que lá bateram com os costados sem concordar com tal guerra. Mas foram porque era a sua vez, foram para que outros não pagassem o preço da sua fuga.

Sem diminuir Barreto, acho que deveria pensar duas vezes e completar o nobre gesto da homenagem que motivou com um pedido de desculpas aos que não foram, mas poderiam ter sido, seus companheiros de armas. E ao desconhecido que lá esteve em seu lugar.

 

14.6.10

 

António Borges de Carvalho

ORGULHO E SALOIICE

Anda a pátria inteligentsia impante de orgulho com o facto de haver um comissário europeu que se retratou depois de ter dito que Portugal precisava de reformas nas leis laborais e na segurança social. Não faltam loas ao governo e à ministra que, ufanos, se gabam de ter metido o comissário “na ordem”.

Como toda a gente sabe que, tanto uma como outra das sugestões do fulano têm mais que razão de ser, isto é, são fatais como o destino, a que se deve tal retratação, se nela pensarmos duas vezes?

A resposta é fácil. Alguém lhe deve ter dito que se trata dessas coisas nos gabinetes e não nas conferências de imprensa. “Oh pá! aguenta, que eles hão de vir comer à mão!” deve o patrão Barroso ter dito ao seu subordinado. Ou alguém por ele. “As coisas feitas assim, à bruta, podem sair-nos pela culatra!”

Foi o que aconteceu. Da esquerda à direita, todos enfiaram o barrete.

 

14.5.10

 

António Borges de Carvalho

DO SEXO E DO SÉCULO

 

Antigamente, as meninas e os meninos eram educados pelas catequistas, os professores e os pais.

O sexo era uma coisa vaga, misteriosa e, as mais das vezes, fruto de terríveis pecados.

Crescendo, os meninos e as meninas começavam a dar cada um a sua interpretação ao que lhes tinham ensinado, ao mesmo tempo que descobriam em si próprios impulsos e instintos novos, surpreendentes, que, levavam a experimentações mais ou menos lúdicas, mais ou menos felizes, mais ou menos inquietantes, mais ou menos aflitivas.

Falava-se nessas coisas à socapa, nos liceus e nas escolas. Cada um ia aprendendo, aos poucos, o que a sexualidade de cada um impunha, umas vezes tornando-se, com o andar do anos, promíscuos e libertinos, outras praticando ou exagerando as normas restritivas que lhes tinham sido ensinadas, outras nem uma coisa nem outra, algo lá pelo meio, que é o que acontecia à maioria das pessoas.

Descobria-se aos poucos esse mundo sensorial individual e a forma de se relacionar com os correspondentes mundos dos outros. No fundo, toda a gente conservava um certo recato, ou por se tratar de terrenos onde imperava o “fruto proibido”, ou por mero respeito por si próprio, ou por respeito pelos demais, ou por ter a instintiva noção de que se tratava de coisa individual e pouco comunicável.

Quem não quisesse procriar mas não se coibisse de actividades, ou comprava “camisas” aos vendedores de gillettes que pululavam no Rossio, ou ia àquela farmácia especial onde se vendiam velinhas “erbon” ou coisas do género, ou tinha relações furtivas com prostitutas desinfectadas pelo governo.

 

Não seria bonito, mas havia um gosto, um gozo inigualável na progressiva descoberta que cada um ia fazendo de si mesmo.

 

Depois, descobriu-se a pílula, inventou-se uma série de gadgets, legalizou-se o aborto, protegeu-se as relações de facto, promoveu-se o divórcio, etc., tudo acabando entre nós, para já, na “normalização” dos defeituosos sexuais.

 

Ou seja, mercê de vários “avanços civilizacionais” e “educativos”, aboliu-se a descoberta.

O sexo vai passar a ser uma coisa tipo Mocidade Portuguesa, onde as criancinhas, em vez de marchar e cantar hinos patrióticos, passam a ser “esclarecidas” sobre as várias modalidades das práticas sexuais, a todas se atribuindo o mesmo valor, e todas sendo “normais” e “naturais” desde que se não tenha filhos. Tudo na certeza que, em caso de “engano”, há sempre ou a pílula do dia seguinte ou uma raspagem à disposição com 200 euros de incentivo estatal.

 

Nesta senda, fiquem os meus leitores a saber que, no próximo ano lectivo, os vossos filhinhos, quer vocês queiram quer não, serão devidamente instruídos sobre matérias tão importantes como a reprodução e os seus perigos, o sexo “ao natural” e as suas várias posições, mais o oral e o anal, e, enfim, como não podia deixar de ser, sobre toda a necessária parafernália de instrumentos, medicamentos, artefactos e conselhos higiénicos, preventivos e curativos.

Exemplificando, as vossas criancinhas, tal como se passou com o “Magalhães”, vão levar para casa uma maleta especial onde podem encontrar literatura extensiva sobre a matéria, devidamente ilustrada, além de um preservativo feminino, outro masculino, um “modelo peniano” próprio para a higiénica prática da masturbação, um adesivo indutor de hormonas “inspirativas”, uma embalagem de pílulas, um “dispositivo intra uterino”, um “anel vaginal” e um pacote de “óvulos espermicidas”. Tudo com as devidas instruções para uma utilização prática e segura.

As vossas criancinhas vão fartar-se de fornicar em segurança. Vão divertir-se como umas doidas. Vai ser uma maravilha.

 

O IRRITADO deixa a cada um o julgamento moral, sociológico e educacional desta profunda evolução, bem como a projecção das suas consequências a curto, médio e longo prazo.

 

Mas confessa que tem muita pena que a descoberta de si deixe de ser feita por cada um, aos poucos, de surpresa em surpresa, de gosto em gosto, de inquietação criadora em inquietação criadora, de falhanços e de vitórias, nessa coisa maravilhosa que é o nascimento da consciência e da maturidade, e passe a ser o mero pôr em prática de ensinamentos recebidos nas escolas, sem que os pais se possam pronunciar, como se se tratasse de aritmética ou de inglês.

 

9.6.10

 

António Borges de Carvalho

HISTÓRIA "À LA MANIÈRE"

 

Calcule-se o choque, a indignação, a ofensa dos ilustres membros do Bloco de Esquerda quando souberam que, em Aveiro, integrados nas comemorações dos cem anos de República, ia haver uns cortejos históricos entre os quais um com umas meninas e uns meninos mascarados com fardas da Mocidade Portuguesa, empunhando bandeiras e outros artefactos da época.

Os camaradas, pela boca de um obscuro fulano, Pedro Soares de seu nome, deputado (!?), dizem tratar-se de um “revisionismo inaceitável da história”, e revoltam-se com o facto de haver no tal cortejo “crianças do terceiro ano, ainda com pouca crítica histórica e política”.

Os ilustres comunistas do Bloco, demonstrando elevada cultura, acham que “é muito discutível que se considere o Estado Novo como República”.

Ocorre, antes de mais, perguntar a tal gente o que anda ela a comemorar: os cem anos de quê? Se o Estado Novo não era uma república, então só podem comemorar aí uns 52 anos. Se se juntar à não República o período do Sidónio Pais, conhecido como “presidente-rei” (que horror!), ficam só com 50 anos para comemorar. Coitados.

O Estado Novo serve, assim, dois objectivos “educacionais” opostos: mostrar que, para efeitos histórico filosóficos, não foi uma república mas, para efeitos de contas republicanas, foi. Ou seja, se se quer gastar umas massas em maluquices comemoratórias, qualquer coisa serve, menos a honestidade, coisa à primeira vista tão simples.

Resta aos camaradas, por outro lado, demonstrar que o Estado Novo não se chamava “República Portuguesa” e que o Marechal Carmona e seus sucessores não eram “Presidentes da República”. Outra solução será dizer que o General Craveiro Lopes era filho do Marechal Carmona e este avô do Almirante Tomás, integrando a V Dinastia.

 

Os comunistas sempre foram e serão assim, aliás seguidos de perto pelos jacobinos e outros “netos” do glorioso Afonso Costa. A História, para eles, é o que lhes convenha, não o que aconteceu. Se for preciso riscar o Estado Novo da História, óptimo.

Deve ser esta a filosofia dos ilustres “historiadores” bloquistas, como o Rosas e o Tavares. Nem que para isso tornem indemonstrável a existência dos cem anos que comemoram, com grande cópia de dinheiro e de realizações “culturais”.

 

À boa maneira soviética e ratal (de largo do rato, ainda que por lá andem inúmeros comandantes de castelo), o que não interessa, risca-se. Portugal não existiu entre 1926 e 1974. Como a Constituição, estupidamente, diz que Portugal é uma República, se o Estado Novo não era uma República, o país não existiu durante ele. Já agora, se Portugal é uma República, o que havia antes do 5 de Outubro não era Portugal. Ou seja, somos, não uma Nação com quase 900 anos de vida, mas uma jovem República, com uns meros 50.

 

É uma tristeza. As aldrabices que se inventa para vangloriar o que não merece! As trafulhices que se congemina para varrer o que se odeia! Que gente!

 

Para acabar, uma referência às “comemorações” aveirenses. Parece que vai haver uma recriação histórica da República, que inclui, pelo menos o regicídio, o 5 de Outubro, a primeira república, a segunda, os congressos da oposição e a actualidade.

Deseja o IRRITADO que, em Aveiro, haja algum respeito pela História, ao contrário do que se passa no largo do rato e na cabeça dos comunistas do Bloco.         

 

8.6.10

 

António Borges de Carvalho

DIREITOS TORTOS

 

Um magote de diáfanas criaturas reuniu, em delicado ágape, com Sua Excelência o primeiro-ministro.

Recentemente contemplados com a perversão legal do instituto civil do casamento, os representantes das coligações de pederastas e fufas tiveram a subida honra de partilhar as primo-ministeriais iguarias e de dar um passeio pelas sombras refrescantes dos jardins da oficial residência, em suave comunhão de sentimentos com o seu doce anfitrião.

O IRRITADO sugere que esta prática se torne habitual, isto é, o senhor Pinto de Sousa, coerentemente, devia convidar os representantes de outras categorias de cidadãos beneficiados pela sua douta legislação, como as abortadeiras, os tipos dos cartéis, os boys, além de outras distintas classes sociais que devem maravilhas, de uma forma ou de outra, ao seu governo. O IRRITADO compreende que tal acto de justiça seja de difícil execução dadas as obrigações de agenda de Sua Excelência. Além disso revelar-se-ia oneroso para o Estado, o que, não preocupando o senhor primeiro-ministro, seria pouco popular nos tempos que correm.

Escolheu Sua Excelência, simbolicamente, os defeituosos sexuais, com quem tem particular empatia. Está no seu direito. Diz-me com quem andas…

 

Nas umbrosas áleas dos seus oficiais terrenos, Pinto de Sousa confessou orgulhosamente que a lei do “casamento”, passando a abranger uniões abstrusas, torna “a sociedade melhor”. Em quase duzentos países, somos o oitavo a conferir estes “direitos” à malta do arco-íris. Grande salto civilizacional que ficamos a dever ao senhor Pinto de Sousa!   

 

*

 

Falando de direitos, ocorre perguntar se os casais propriamente ditos não têm direito ao direito que o senhor Pinto de Sousa lhes roubou: o de estar cobertos por um instituto jurídico com determinada configuração, a qual o senhor Pinto de Sousa tornou obsoleta. Por outras palavras, os casais propriamente ditos têm (ou tinham) um estatuto que lhes foi reconhecido pelo Estado, em certas condições e com certas características, partindo de direitos que lhes foram reconhecidos.

E agora? Terá o Estado o direito de alterar a seu bel-prazer os direitos de cada um, isto é, pode o Estado mudar, para os que são casados, a natureza mais profunda do seu contrato?

A resposta é, evidentemente, não, não pode, ou não devia poder.

Só totalitariamente se pode confundir duas coisas de natureza diferente e até oposta.

 

O que o senhor Pinto de Sousa fez não foi dar a uns um direito que não tinham.

Foi negar a outros um direito de que gozavam.

 

*

Ontem “casaram” duas fulanas e dois fulaninhos. Em nome da República, como consta do protocolo em uso.

As raparigas “casaram”, mas aproveitaram logo para protestar. Sim, protestar. É que acham extremamente injusto que as filhas (cada uma tem uma), pobres meninas, não sejam filhas das duas! Isto é, que os respectivos pais, conhecidos ou não, não continuem a ser pais delas! Como se um homem e uma mulher ao casar em segundas núpcias, tendo já filhos, estes deixassem de ter pai ou de ter mãe, para passar a ser filhos de outro, ou de outra.

Donde se conclui que a procissão ainda vai no adro. Com gente como o senhor Pinto de Sousa a (des)governar, acabaremos por tirar os filhos aos pais, os pais aos filhos, acabaremos por ver filhos com duas mães, adoptivas ou não, e com dois pais, adoptivos ou não.

Tudo devidamente reconhecido e acarinhado pela República.

Tudo em nome do “direito”.

Tudo com a bênção do Tribunal Constitucional.

Tudo com a veneranda assinatura do professor Cavaco Silva.

 

Bonito!

 

*

 

 

Acerca dos dois fulaninhos que se “casaram” no Porto, o IRRITADO não tem dados. Mas supõe que afinem pelo diapasão das fulanas.

 

*

 

O IRRITADO deseja a todos as maiores felicidades utero-intestinais.

 

8.6.10

 

António Borges de Carvalho

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