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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ANEDOTA DO DIA

 

Os distintos procuradores do MP que trataram do caso “fripór” – pronúncia de Freeport em inglês técnico – não ouviram o senhor Pinto de Sousa por “falta de tempo”. Ainda que, sublinham, fosse importante ouvir o homem sobre o assunto. Mas, como o PGR, coitado, inocentemente, só lhes deu 21 dias de prazo para tal, o que, sendo preciso ouvir previamente o Conselho de Estado, não dava tempo, a inquirição foi inviabilizada.

Numa coisa os doutos procuradores tinham razão: era fundamental ouvir quem proibiu a instalação de um cemitério no local, para evitar a “pressão humana” - certamente a pressão dos pesadíssimos cadáveres - numa zona de protecção especial e, depois, acabou com a zona de protecção especial e autorizou um mega empreendimento no mesmíssimo local.

Ou os procuradores “acharam” que não havia tempo para as diligências necessárias para ouvir o PM nos termos da lei, ou não havia mesmo tempo e, neste caso como noutros, quem pôs a asa protectora sobre o senhor Pinto de Sousa foi o PGR, ao dar-lhes tão curto prazo.

Estamos todos sob a alçada da Lei, mas uns mais do que outros.

Se não fosse triste, era de rir à gargalhada. Falta de tempo uma gaita!

 

29.7.10

 

António Borges de Carvalho

UMA CENA LAMENTÁVEL

 

Ontem, a SIC Notícias fez uma reportagem sobre a macacada de Foz-Côa. O povo aos gritos, que lhe deram cabo da vida, que não acredita em nenhuma das iniciativas do governo, que tudo vai ser o maior dos flops, que não há estradas, que isto e que aquilo, numa revolta tão indignada quanto inútil. As autarquias a protestar, num esbracejar inconsequente e patético. A obra do governo, um abjecto e monstruoso mamarracho, numa paisagem lunar, horrível.

 

Há quinze anos, o brilhante governo do engenheiro Guterres mandou, como estará na memória de toda a gente, parar as obras de uma barragem em construção no local, por causa de uns bonecos ditos paleolíticos ou coisa que o valha, encontrados nas respectivas escavações.

Na senda da filosofia de então, desgraçadamente a mesma dos nossos dias, mais milhão menos milhão era a mesma coisa. E lá ficaram, deitados à lixeira da “cultura”, uns dez milhões de contos, o que, falando em euros, é só multiplicar por cinco.

  

À altura, o autor destas linhas, movido pela curiosidade e pela indignação, foi ao local observar o que se passava.

Viu o colossal buraco já aberto para a barragem, viu as monstruosas máquinas paradas ao sol, viu a grandeza do empreendimento abandonado, intuiu o que deixava de se produzir em “energias renováveis”, grande descoberta dos nossos dias, ainda que já conhecida nos tempos da outra senhora.

Ouviu um homem dizer que o avô, moleiro, fazia bonecos nas pedras quando não havia vento – exagero! –, ouviu a dona de uma tasca dizer que quando lá entrasse “aquela gorda” (a chefe dos arqueólogos) lhe poria arsénico no bife, e outras observações populares igualmente satisfeitas com o andar dos acontecimentos.

Ouviu, mais tarde, o engenheiro propriamente dito Mira Amaral defender a continuação da construção da barragem, oferendo aos arqueólogos a possibilidade técnica de obter, através de cortes nas rochas, os exemplares necessários à conservação museológica do que mais representativo fosse da arte dos pitecantropos locais. Ouviu, por outro lado as “justificações” do governo socialista: o património, a riqueza da descoberta, o respeito internacional a obter, as monumentais receitas que a “gestão” da coisa permitiria, etc., etc., blábláblá.

Pensou: grande bambochata, o povo local sem emprego, a região sem energia, os milhões da barragem no lixo, uma data de “gordas” ao ataque, despesas monumentais, directores, assessores, monitores, investigadores, professores, adjuntos, automóveis, motoristas, construtores, chefes, subchefes, lacaios, funcionários e trintanários, tudo minha gente a ganhar a vidinha, o Estado a gastar fortunas, a coisa a nunca, jamais, em tempo algum vir a retornar um chavo, um encargo monstruoso para todos nós, uma desgraça sem nome mas com um preço colossal.

 

Quinze anos passaram. Não sei quantos megawates estaria a barragem a produzir há para aí dez anos. Sei que a “cultura” levou quinze anos a “instalar-se”. Ninguém sabe quantos milhões escorreram pelo caminho.

Ontem, a seguir à “peça” da SIC que acima refiro, apareceu, bonequíssima, sorridentíssima, simpatiquíssima, a dona Canavilhas, ilustrérrima ministra da cultura, a gabar-se de mais uma grande obra do socialismo nacional: o museu de Foz-Côa - o tal mamarracho que a SIC já tinha mostrado. Disto, sabe-se o preço: 18 milhões de euros. Sem uma derrapagem. Tudo fiscalizado pelo IGESPAR, com altíssima competência, noção de serviço e patriotismo.

A senhora, com copiosa distribuição de bem ensaiados sorrisinhos, espraiou-se em afirmações acerca da excelência da iniciativa ao mesmo tempo que ia arranjando o cabelo e dizendo “claramente” pelo menos 22 vezes.

Claramente, a coisa custou dezoito milhões.

Claramente, não há estradas, mas vai haver, diz ela.

Claramente, vai haver um exemplar “modelo de gestão”, que ainda não se sabe como vai funcionar, mas que, garante a Cavilhas, será sustentado em exclusivo com dinheiros públicos.

Claramente, os gastos a suportar pelo Estado (95%) e pelas autarquias (5%) não serão orçamentados nas contas públicas, uma vez que, claramente, serão entregues a uma empresa de direito privado e dinheiro público.

Claramente, o museu não vai conter nada do património arqueológico, que fica onde está, para que as pessoas possam andar aos tombos pelos pedregulhos, atrás de um guia.

Claramente, o museu será um centro de interpretação, não um sítio onde se possa ver a lítica bonecada. Tão claramente que vai abrir como uma exposição de… “gravura contemporânea”!

 

Raramente se vê uma pessoa que, com tanta calma e tantos sorrisos, meta os dedos pelos olhos dentro de terceiros.

Patético? Talvez. De certeza certezinha, patético é que, com parangonas de “cultura”, se deite, com estas porcarias, mais uma data de milhões pela borda fora.

A “empresa”, como é de timbre, não vai facturar para pagar as despesas. Mas estas continuarão a correr e a ser cobradas a todos nós, como já pagámos, sem saber (o IRRITADO calculava), estes últimos quinze anos de ineficácia, preguiça, de falta de respeito e de demagogia pseudo-cultural.

Será verdade que os fundos da UE ajudaram (quanto?), legítimo sendo perguntar se não poderiam ter aplicação mais “produtiva”.

 

29.7.10

 

António Borges de Carvalho

A GRANDE CONSPIRAÇÃO

 

Finalmente!

Foi com este advérbio que o senhor Pinto de Sousa começou as suas triunfais declarações de ontem. Queria ele dizer que as malevolentes manobras das forças ocultas tinham acabado. E nada tinham produzido.

Forças ocultas ou não, facto é que nada foi produzido e que o senhor Pinto de Sousa continua, angelicamente, por direito e por mérito, a desempenhar os seus cargos e a comandar os destinos da Nação. Perdão, da República, palavra e conceito que, na Constituição, substituíram a Nação, deixando esta, formalmente, de existir.

 

Acabada esta fase “conspiratória”, haverá que saber se, no meio disto tudo, houve alguma conspiração.

Houve sim senhor. Pelo menos, é legítimo pensá-lo.

 

Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter tirado um curso com calçadeira, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar e lá continua.

Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter adquirido um andar em circunstâncias estranhas, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar e lá continua.

Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter despachado coisas estranhas num negócio (o da Cova da Beira) que anda pelos tribunais, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

Quando o senhor Pinto se Sousa foi acusado de ter “destacado” o terreno do Freeport (fripór, segundo o próprio) da reserva especial do Tejo, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter tido reuniões com a malta do fripór, era verdade. E, no entanto, ajudado por forças, ocultas ou não, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de ter tido conversas com o seu amigo Vara, conversas que, pelo menos, para honestos magistrados de Aveiro, o tornavam suspeito de atentado contra o estado de direito, com atentado ou não, era verdade. Desta vez, para o proteger, não foram precisas forças ocultas. Tudo foi destruído por quem de direito (?), incluindo os respectivos despachos e sua argumentação justificativa, assim se protegendo, à outrance, o senhor Pinto de Sousa. Ajudado por forças não ocultas, agarrou-se ao lugar, e lá continua.

Quando o senhor Pinto de Sousa foi acusado de manobrar na sombra no caso PT/TVI, era verdade. Pois a comissão parlamentar encarregada do assunto, tendo chegado à conclusão que, sabendo de tudo, dissera ao parlamento que não sabia de nada, não tinha mentido. Só se entende esta numa enorme reunião de esforços para o safar. Uma conspiração às claras. Ajudado por forças não ocultas, agarrou-se ao lugar e lá continua.

Finalmente – a relação acima não é exaustiva – a polícia e o MP chegam à conclusão que, no caso fripór, não houve mais que um crime de extorsão, isto é que um escocês mais outro tipo qualquer tinham sacado umas massas aos ingleses para pagar aos licenciadores, mas tinham ficado com tais, uma vez que, à sua volta, a começar pelo ministro do ambiente, só havia funcionários impolutos, honestíssimos e acima de qualquer suspeita, mesmo quando, sem razão aparente, andaram a depositar (em numerário!) não sei quantas centenas de milhar de euros. Esta da extorsão é magnífica. É que, de outro modo, teria que se chegar à conclusão, tão estranha quanto indefensável, que tinha havido corruptores activos sem os correspondentes passivos. É, também notável pela ausência de queixoso. Os ingleses, vítimas da extorsão, não se queixaram. E o senhor Pinto de Sousa lá está, triunfante, agarrado ao poder como uma lapa infectada.

 

Desde a primeira hora, o PS agarrou-se à Lei, à Justiça, aos tribunais, etc. O PS esqueceu-se da política, perante a miríade de razões políticas que apontam o senhor Pinto de Sousa como indigno do lugar que conquistou à custa de inimagináveis promessas e aldrabices. E o senhor Pinto se Sousa lá ficou, agarrado ao poder.

O PS, politicamente, não reagia, o que, dada a evidente perda de dignidade institucional de que foi objecto sob a batuta de Pinto de Sousa, não será de estranhar. O mesmo se não pode dizer do Presidente da República, cuja indiscutível integridade pessoal parece não chegar à política.

Um dos mais altos representantes da moral pública, o senhor Marques Mendes, ao contrário do que fizera para efeitos internos, a este respeito está, há cinco anos, calado como um rato mudo.

O BE, que motivou e comandou a comissão de inquérito, gritou, histérico, o que acima se disse: o PM disse o contrário da verdade, que bem sabia, mas não mentiu!

O PC tratou sempre o senhor Pinto de Sousa com luva branca, isto é, sempre se recusou a tirar consequências políticas dos acontecimentos.

Do CDS nem se fala. Agarrado à “legalidade”, meteu a política no frigorífico. Tal e qual como o PS.

O PSD, pela sábia mão do impossível ilhéu, impediu que a última réstia de elementos da prova disponíveis e autorizados por quem de direito fossem usados no caso PT/TVI. Depois, pela não menos sábia mão do Dr. Passos, toda a parafernália de razões políticas para mandar o perniciosíssimo PM para casa foi esquecida, em nome… não se sabe de quê.

 

Razão tinha o senhor Pinto de Sousa quando falava de conspirações, ou equivalente. Houve, na verdade, uma formidável conspiração em que todos participaram e participam: a que levou à anulação política de todos os “feitos” do senhor Pinto de Sousa.

 

E ele lá continua agarrado ao poder, qual lapa mal-cheirosa e pútrida.

 

28.7.10

 

António Borges de Carvalho

HÁ SEGREDOS E SEGREDOS

 

O DN, jornal oficioso do governo e propriedade do “amigo Oliveira”, publica, com parangonas de primeira página, o relatório final da PJ sobre o caso Freeport.

Ao mesmo tempo, anuncia que, amanhã, acaba o segredo de justiça, implicitamente confessando que está a violá-lo. A não ser que seja legítimo revelar na véspera, não o sendo dois dias ou três meses antes.

Mais provável ainda é que, sendo o DN, como é óbvio, credor do apoio governamental, ache que, como no caso dos emails roubados, está acima de minhoquices legais como o segredo de justiça e o sigilo da correspondência, coisa óptimas para condenar os tipos do “Sol”, mas não aplicáveis a servidores das “autoridades”.  

 

Querem saber porque, desta vez, o DN é o primeiro a avançar com a “caxa”? Eu explico: é porque o senhor Pinto de Sousa ficou de fora da investigação. O DN apressa-se a dar às fiéis massas a notícia da formidável honestidade do PM, agora e quando era ministro do ambiente.

Esquecem-se de alguns pequenos detalhes, detalhes que, num país com alguma consciência cívica, seriam mais que suficientes para que fossem os próprios membros do partido que o pôs lá a dar-lhe um pontapé no rabo, isto para não falar das evidentes obrigações do Presidente da República e dos partidos da oposição a este respeito.

Os factos são claríssimos. Houve, no licenciamento do Freeport, tramóia, e da grossa. Segundo a polícia, não há dúvida que houve dinheiros a rodos, além de uma nebulosa de traficâncias difíceis de deslindar. Houve uns tipos que depositaram, em dinheiro, verbas astronómicas – cem e duzentos mil euros, segundo o relatório – sendo que declararam que se tratava de heranças, provavelmente provenientes do colchão da avó – ou de outras extraordinárias formas de entregar aos bancos importâncias daquelas.

 

Há mais, mas fiquemos por aqui.

 

Quem mandava, em última instância, naquela malta toda? Quem tinha jurisdição na matéria? O senhor Pinto de Sousa, é evidente. Tenha ou não tenha recebido umas massas, os factos politicamente relevantes aí estão, claros como a água pura das nascentes.

Mas ninguém liga bóia e até é capaz de haver gente tão cega ou tão estúpida que ache que o senhor Pinto de Sousa é um gajo porreiro, pá.    

 

Com os meus agradecimentos ao DN, por ter exposto os factos tão claramente.

 

26.7.10

 

António Borges de Carvalho

O CADÁVER QUE SE ADIA

 

Para quem tivesse dúvidas acerca da necessidade urgente de uma revisão constitucional, aí estão as “indignadas” reacções do PC, do BE, do PS, do CDS e até de algumas figuras do PSD à proposta do Passos. Estas melgas agarram-se ao cadáver adiado da Constituição, sem querer perceber, nem a sua inevitável obsolescência, nem os prejuízos que nos causam as loucuras “de Abril” lá constantes, nem que, se quisermos sair do buraco, ou a mudamos ou a ignoramos.  

 

Do lado do PC e do BE, percebe-se. A Constituição ainda contém os germes do socialismo comunista. Bastaria que os direitos das pessoas, nela ínsitos, fossem interpretados “autenticamente”, isto é, à luz do seu preâmbulo, para que, se esta gente subisse ao poder, não precisasse de nova constituição para alicerçar um regime de ditadura de tipo soviético, ou cubano, ou trotzquista. O socialismo anti-democrático seria instituído porque, segundo a Constituição, é ele o principal objectivo do Estado. Como tal, sobrepor-se-ia a tudo o resto, mediante simples interpretação “extensiva” dos seus “princípios”.

Da parte do PS, dominado que anda pela profunda e irremediável estupidez do PM e por gente do calibre do Vitalino, do Pereira e do Silva, também não há que estranhar. Tratando-se de fazer oposição à oposição, vale tudo, todas as diatribes, todos os ataques, todas as demagogias.

No que a certas figuras do PSD diz respeito, já é mais difícil de perceber. Começaram aos gritos antes do Conselho Nacional dedicado ao assunto, o que nos diz que o culto da personalidade própria se sobrepõe aos interesses do partido e do país. Passado o tal Conselho, votados os prós e os contras, há quem continue a parlapatar. É a permanente desgraça do PSD.

Quanto ao Portas (Paulo), valha-me Santa Pancrácia!, perdeu uma boa ocasião para ficar calado e veio, qual Mário Soares, interpelar o “liberalismo” de que enferma a proposta do Passos, como se houvesse algum liberalismo na proposta do Passos.

“O projecto do PSD revela grande extremismo”, bolsa o inacreditável Santos Silva. Que pena que não se vá entretendo com a tropa e volte à ribalta da asneira, sua catedrática especialidade!

 

O IRRITADO concede razão aos críticos no que à história do Presidente diz respeito. Deixem-no estar como está, que já é bastante mau como está.

O IRRITADO revolta-se contra a peregrina ideia da regionalização. Retalhar o país? Criar uma nova classe política? T’arrenego!

Mas, de resto, senhores!, e as mudanças na Justiça? Acham que a Justiça está bem?

E as mudanças na saúde, a proteger os que não têm dinheiro para a pagar? Acham que não está certo?

E a história da “razão atendível”, grande cavalo de batalha dos comunistas, socialistas e portistas? Acham que o país vai a algum lado enquanto o mercado de trabalho não for posto a funcionar, enquanto a impropriamente chamada “segurança” continuar como objectivo da Nação ao mesmo tempo que é o incentivo número um para a má qualidade do trabalho e para a estagnação de quem trabalha?

Acham mal que acabe a universalidade eleitoral do método de Hondt? Acham que não é preciso alargar a representatividade do parlamento?

 

Muita gente acha. É esse, antes de muitos outros, o nosso problema. O PS, historicamente, leva sete anos para perceber seja o que for destas matérias. A demagogia esquerdóide é, para o PS, mais importante que a vida dos portugueses.

Quando, daqui a uns anos, o PS perceber o que se passa à sua volta, virá, como já aconteceu, comer à mão do PSD.

Será tarde. Mas que querem? É o que temos.

 

24.7.10

 

António Borges de Carvalho

TRÊS REPENTINAS NOVIDADES

 

Logo de manhã, ao ligar a máquina - de que tenho andado afastado - sou presenteado pelo Sapo com três coisinhas dignas de comentário:

 

I

 

O Prof. Carmona foi ilibado de mais uma.

 

O caloteiro pidesco e queixinhas chamado Fernandes, apesar de, desta como doutras vezes, ter levado no focinho, conseguiu provocar os efeitos que tanto desejava. Desta vez com o inteligentíssimo apoio do inefável justiceiro Marques Mendes.

O pequenote veio em socorro do Fernandes. Fez cair a Câmara sem mais nem menos e lançou o PSD numa crise da qual ainda não se sabe bem como irá sair, se sair.

A vigorosa “moral” (republicana?) do Mendes, aliada ao fervor policiesco do Fernandes, levou a que os lisboetas se vissem privados do trabalho de um homem honesto e bem-intencionado, cujo nome foi arrastado na lama por ordem do dito Mendes.

Levou a que o Fernandes acabasse por ser promovido a vereador.

Levou a que a coligação costo/roseto/fernandesca tomasse o poder.

Levou a que Lisboa ficasse paralisada, a que as sarjetas ficassem mais entupidas, a que as ruas fossem, as que foram, pessimamente “arranjadas” por razões de urgência eleitoral.

Levou a que, com as loas do Fernandes & Cª, o cais da Rocha fosse entregue ao vandalismo do Coelho, etc. …

Levou a que nem um dos problemas da cidade fosse resolvido, bem pelo contrário.

 

Palmas ao Mendes, que trabalhou incansavelmente para “suicidar” o PSD, palmas ao Fernandes, que subiu na vida à custa de processos nojentos, palmas ao Costa que vai, à custa de Lisboa, usando o poleiro para se promover a voos mais altos. Para a Roseta não há palmas poruqe ninguém sabe o que ela anda por lá a fazer.

 

Quem perde somos nós, mas quem somos nós para estar para aqui com comentários?

 

 II

 

“O governo prepara nova lei sobre as portagens nas SCUTs”.

Anda nisto há não sei quantos meses. Já tomou quinhentas e duas decisões diferentes e contraditórias sobre a mesma questão. Já meteu trezentas e catorze vezes os pés pelas mãos.

Já congeminou decretos e contra decretos, já anunciou prazos e novos prazos e novos prazos.

Não sabe o que há-se fazer aos caloteiros que, por todo o país, se revoltam.

Não sabe que as auto-estradas são as alternativas aos demais caminhos, não os demais caminhos que são alternativos às auto-estradas.

Ainda não percebeu que não há dinheiro para pagar pelo menos parte das auto-estradas, a não ser que sejam os utentes a pagá-las.

Não sabe fazer as contas, ou não quer fazê-las, para mostrar às pessoas que, mesmo pagas, as viagens nas auto-estradas são mais baratas do que as de quem as usa que as ditas “alternativas”, que não o são, como acima se refere.

O ministro das obras públicas, que foi lá posto para fazer obras públicas, não faz obras públicas novas, nem faz a mais leve sombra de ideia de como se resolve os problemas das velhas.

 

É neste mar de incompetência, de saloiice, de ineficácia, de mera estupidez, de ridículo, de enganos, de irresponsabilidade, de trapalhadas e trapalhices, que vivemos há cinco anos.

 

Só não se percebe é porque há quem, tendo a faca e o queijo na mão, hesite em pôr esta gente na rua.

 

III

 

Com enorme gozo, é anunciado que o chamado professor Queirós é capaz de vir a ser despedido “com justa causa” por ter sido malcriado com uns doutores que foram interromper os treinos da selecção com o nobre intuito de pôr os jogadores a fazer xixi para uma proveta, a fim de “fiscalizar” o uso de substâncias “dopantes”.

Acusa-se o Queirós de ter sido malcriado, quiçá ordinário com tal gente.

É de perguntar aos meus leitores o que fariam na posição do Queirós se, como ele e a selecção, fossem objecto de tal e tão patriótico impulso. Como reagiriam ao ser vítimas da sanha fiscalizadora destes burocratas armados em médicos e em moralistas?

 

O IRRITADO não tem dúvidas. Ser fosse com ele, não só insultava os canalhas como os corria a pontapé.

 

24.7.10

 

António Borges de Carvalho

CENAS DA VIDA SOCIAL

 

O IRRITADO recomenda vivamente aos seus leitores que não percam, se aparecer no youtube - vai aparecer com certeza - uma cena, ontem passada num canal qualquer, em que dois socialistas, um do PS outro (comunista) do BE - se travaram de razões.

Para quem está com problemas existenciais ou se sente abatido pela canícula, nada melhor que um filme cómico como este, a meter os marretas num chinelo e o Laurel & Hardy a milhas.

Vale a pena.

 

Um tal Monteiro (PS) e um certo Teixeira (BE) entraram em refrega, mais ou menos nestes termos:

 

- Você disse que blóbló - verbera o Teixeira.

- Eu não disse que blóbló- riposta o Ribeiro.

- Não me interrompa!

- Não diga o que eu não disse.

- Você disse que blóbló.

- Não disse não senhor. Não o autorizo a dizer que eu disse o que não disse.

- Estou no uso da palavra! Não admito que me interrompa!

- Então não diga que eu disse que blóbló, porque eu não disse que blóbló!

- Disse sim senhor!

- Não disse não senhor!

- Ó minha senhora, mande calar este tipo que não me deixa falar, porque disse que blóbló e diz que não disse.

- Pois claro que não disse, e se você quer falar tem que dizer que eu não disse que blóbló porque eu não disse que blóbló.

- Nem pense, você disse que blóbló!

- Não disse que blóbló. Você é malcriado.

- Você é que é. E disse que blóbló!

- Nunca disse tal coisa. Você é um ordinário, um desgraçado, um aldrabão!

- E você não é um democrata. Não merece estar aqui, e disse que blóbló.

- E ele a dar-lhe. Ordinário! Eu nunca disse que blóbló.

- Olhe, sabe que mais, eu não falo com gajos que dizem que blóbló e dizem que não disseram que blóbló.

- Então não fale. Ponha-se a milhas!

- É isso mesmo! Vou-me embora!

 

Nervosíssimo, o Teixeira arranca o microfone da lapela, levanta-se tremebundo, suado, espumante, e retira-se dignamente.

 

O IRRITADO pede desculpa pela pouco fiel transcrição do ocorrido, uma pálida e desfocada imagem da degradação do cómico a que assistiu.

Pensem no diálogo supra com os dois díscolos a berrar ao mesmo tempo, um em cima do outro, sem tréguas, sem parar.

Pensem na menina encarregada de moderar o debate e imaginem-na a fazer xixi pelas perninhas abaixo, à rasca por causa do emprego.

Pensem no gozo extremo e desabalado dos demais circunstantes, um socialista do PC, um social-democrata do PPD e um democrata-social do PP.

Todos sociais à brava, todos extremosos defensores do estado social. Todos sem fazer a mais remota ideia de como se paga tal coisa, para a qual todos querem mais dinheiro.

Eu também gostava que houvesse mais dinheiro para a coisa e também não faço ideia de onde o ir buscar.

O problema é das galinhas, acho eu. É preciso pôr as galinhas a expelir mais ovos, sem os quais estes sociais todos, por mais que esgravatem, não conseguem fazer omeletas. Eu também não.

 

20.7.10   

 

António Borges de Carvalho

MARAVILHAS DA MORAL REPUBLICANA

 

Pacheco Pereira (o historiador, não o político) escreveu um artigo digno de nota, ou mais digno de nota que outros.

Para quem, como o IRRITADO, quando escreve sobre as comemorações da “república”, prefere citar autores republicanos, César de Oliveira, Vasco Pulido Valente, etc., sempre historiadores sérios que, como tal, não podem deixar de dizer a verdade, é um consolo ver Pacheco Pereira opinar sobre a I república, confirmando, como qualquer pessoa minimamente isenta, as opiniões do IRRITADO a respeito de tão brutal desgraça.

 

Diz ele, por palavras suas, que as actuais comemorações andam, pelo país inteiro, a injectar aldrabices pseudo-históricas na cabeça de criancinhas inocentes e de adultos crédulos e ignorantes. Não são comemorações da república em geral, mas da I república em particular. Coisa que, tem dito o IRRITADO, merece tudo menos ser comemorada.

Os filhos da viúva que ainda por aí vegetam, os jacobinos que ainda não deram pela obsolescência própria, os mários soares, os alegres & companhia, esperneiam que nem porcos no dia da matança, a gritar que a II república não foi uma república, que esta é a segunda, não a terceira, e outras concomitantes bacoradas “históricas”.

 

Vejamos algumas das constatações da realidade histórica, escritas por Pacheco Pereira, historiador.

O que se anda para aí a comemorar, diz ele, é a I república, “através da imagem laudatória e mítica que se fixou nos anos de oposição ao regime do Estado Novo”. E continua, na senda do que o IRRITADO não se tem cansado de dizer: “o regime de Salazar e de Caetano não só foi republicano na forma, como o foi muitas vezes mais do que na forma, na essência, sendo que a Salazar se deve o fim da querela república-monarquia que até aos anos 50 se mantinha viva. Só que era outro tipo de republicanismo, não o que estamos a comemorar.”

A I república, diz Pacheco Pereira como o IRRITADO tem dito, “era intolerante, pouco democrática, anti operária, anti sindicalista, tão corrupta como todos os regimes, tinha uma clientela venal e convivia bem com milícias violentas bem como com o embrião de uma polícia política, a partir da qual a própria PVDE, depois PIDE, depois DGS, evoluiu. Havia eleições, mas dificilmente se podem considerar mais que um simulacro… num sistema que funcionava na base do clientelismo e do patrocinato, a favor do Partido Democrático… Havia mais censura do que se imaginava e as perseguições políticas eram comuns, assim como o número de presos e de deportados… assassinatos políticos, em particular a célebre noite sangrenta…”.

O Estado Novo (a II república), segundo Pacheco, “instituiu todas as formas de violência”. O constitucionalismo monárquico, “que os republicanos ajudaram a denegrir era, esse sim, muito mais tolerante que a I República. Basta ler As Farpas… os Pontos nos is, o António Maria, a Paródia, para o perceber.

 

Só falta a Pacheco Pereira, como bom republicano, chegar à conclusão lógica do seu pensamento: a república, tanto na sua primeira como na sua segunda versão, não é coisa que se comemore, mas que se abomine.

 

… convém não nos iludirmos, diz Pacheco… (quanto a que) as comemorações deste ano conseguiram ultrapassar de forma significativa a visão do republicanismo maçónico e jacobino, preso à mitificação da I república, e sem perspectiva crítica”.

 

Pacheco fecha o escrito com um “Viva a República!”, o que só nos diz até que ponto um republicano sério pode sê-lo sem recorrer às aldrabices institucionalizadas em que um país inteiro se vê mergulhado durante o ano inteiro.    

 

19.7.10

 

António Borges de Carvalho

CONSTITUCIONALMENTE FALANDO

 

Algo está errado na opereta da república.

 

Jerónimo, chefe do partido que mais resistiu à limitação dos poderes presidenciais operada em 1982, época em que os reformadores constitucionais retiraram ao PR o poder de demitir o governo, vem agora dar gritos de socorro “pela democracia”, que está a “ser posta em causa” porque Passos parece querer restaurar tal poder.

 

Passos, com tanta coisa que há a mudar na Constituição, foi lembrar-se do que menos interessa, a presidencialização do regime.

 

Santana, que sempre foi contido nas críticas externas às atitudes dos líderes do seu partido, aparece na imprensa a condenar Passos em vez de lutar contra a peregrina ideia do chefe nas instâncias próprias, em que tem lugar cativo.

 

Em relação ao primeiro, o IRRITADO mais não diz senão que, como está provado, ouvir um comunista a falar em democracia é o mesmo que ouvir uma ratazana a cantar ópera.

 

No que ao segundo diz respeito, o IRRITADO apela ao bom senso. Há muita coisa a fazer em matéria constitucional.

Antes de mais, é preciso tirar de lá o socialismo obrigatório.

É importante, do ponto de vista da mais elementar lógica, definir Portugal como Nação, não como república.

É indispensável acabar com a “ditadura” do método de Hondt e procurar formas mais pragmáticas de eleger a representação nacional.

Devia ser doutrinária a conceptualmente obrigatório tratar de diminuir o número de deputados e criar uma câmara alta equilibradora dos poderes, à semelhança dos regimes democráticos europeus com maior experiência e melhor funcionamento.

Deviam acabar os “limites materiais” de revisão constitucional, coisa estúpida e paralisante; basta a maioria qualificada para que limites existam.

Os direitos das pessoas, tão vastos quanto miríficos, deviam ser despidos de ideologias e tornar-se verdadeiramente democráticos e praticáveis.

A Justiça devia ser tornada mais independente e, paradoxalmente se quiserem, mais “controlada”.

A regionalização devia deixar de ser um objectivo constitucional, provado que está à saciedade que um país da dimensão do nosso e com as nossas tradições não tem condições para se retalhar nem para sustentar mais uma classe política, ou administrativa. Os municípios que se unam, se quiserem, em face de cada objectivo comum.   

E assim por diante. Que Passos pense nisto, em vez de fabricar fogachos.            

 

Quanto ao terceiro, bom será que trate de influenciar o PSD com as suas ideias, que são muitas e quase todas muito boas, em vez de andar para aí armado em Marcelo. Que se lembre do que lhe fizeram e não faça o mesmo aos outros, ainda que com razões que os outros não tinham.

 

18.7.10

 

António Borges de Carvalho

ALTERNATIVAS

 

A comédia das SCUTS vai no quinquagésimo acto, ou coisa que o valha.

O senhor Pinto de Sousa percebeu, ao fim de cinco anos, que não há outro remédio senão taxá-las, acabando com a loucura ou a estupidez das fantasias do Cravinho. Como o PM é salta-pocinhas e o governo já não existe, a trapalhada é tal que já ninguém percebe o que lhes vai na cabeça, se é que vai alguma coisa. Entretanto, as dívidas aumentam, a malta da rua não vai para casa, as “negociações” não vão a parte nenhuma, e tudo continua na mesma, ou pior.

 

Uma coisa há que faz uma confusão dos diabos ao IRRITADO: a peregrina história das alternativas. Parece ser “filosofia nacional” que só se pode taxar as auto-estradas se houver “alternativas”.

Pois. Então, se não há alternativas à auto-estrada que vai de A para B, como é que, antes de haver auto-estrada, as pessoas iam de A para B? A pé? Parece que não. Se iam, é porque havia “alternativas”. Como as “alternativas” não eram boas, fizeram-se as auto-estradas - e estes tipos ainda querem fazer mais.

Mas as “alternativas” lá estão. Quem quiser ir de A para B pode continuar a ir por onde ia antes. Com mais curvas, menos segurança, mais quilómetros, mais gasolina gasta, mais desgaste dos veículos, etc. Ou vai pela verdadeira alternativa, que são as auto-estradas. Poupa naquelas coisas todas a troco de uma portagem. É tão simples quanto isto.

Os senhores que andam aos gritos contra as portagens que actuem como antes, isto é, desloquem-se pelas “alternativas” que, boas ou más, lá estão. Não precisam de pagar portagem.

 

Isto de quererem agarrar no pé a quem lhes dá a mão… raisparta se se percebe!

 

18.7.10

 

António Borges de Carvalho

PONHAM-SE A PAU!

A ilustríssima filha do Che Guevara, um dos maiores canalhas do século vinte, anda hoje em actividades bem mais pachorrentas que as do senhor seu pai. É funcionária do aquário de Havana e foi visitada pelo “comandante”, aquele gajo que, se bem me lembro, conseguiu transformar um país miserável e injusto noutro ainda mais miserável e mais injusto.

O “comandante” anda pela terrinha a fazer prova de vida. Ressuscitou dos problemas que teve nas tripas e, mal abriu o olho, achou que as coisas, nas mãos do mano, estavam a escorregar perigosamente.

As tripas estavam melhor clinicamente mas, em matéria de política, deviam estar a enrodilhar-se todas com as liberdades que o Raul andava a dar ao pagode. Autorizar as gentes a comprar uma torradeira! Dar-lhes hipóteses de ter um micro-ondas! O Raul deve estar doido!

Quando o fulano, após negociações com a Santa Madre Igreja, libertou 52 presos políticos, o “comandante” estoirou!

Dar ao povo instrumentos de corrupção capitalista, de que a torradeira e o micro-ondas são instrumentos de eleição? Enfim… vá lá. Mas entrar em negociações como os propagandistas do ópio do povo? Libertar essa gentalha que tem o desplante de não concordar comigo? É demais.

E lá veio o “comandante” dizer às gentes que está vivo.

Entenda-se a mensagem: se o Raul não se põe a pau ainda mando a filha do Che seguir o exemplo do papá e cortar-lhe as goelas.

 

Com o “comandante”, mesmo mal da tripa, não se brinca!

 

A ver vamos, que é assim como dar o benefício da dúvida a quem o não merece.

 

18.7.10

 

António Borges de Carvalho

QUATORZE JUILLET

 

As datas comemorativas, mais do que o se passou na que lhes deu origem, têm o valor que as pessoas lhes atribuem.

 

Comemora-se hoje a chamada queda da Bastilha. À prisão da Bastilha atribui-se o valor de odiado símbolo do ancien regime, tenebrosa prisão onde o peuple era encerrado, acorrentado e faminto, pela simples razão de ser peuple.

E, no entanto… No entanto, no 14 de Julho de 1789, havia cinco presos na Bastilha, quatro dos quais aristocratas, um plebeu, todos criminosos de delito comum.

O comandante da Bastilha, perante a fúria da imensa populaça que por ali se juntara, viu-se na contingência de negociar com ela, a fim de evitar a destruição do monumento. Dessa negociação resultou um acordo rezando que, em troca da libertação dos presos, os atacantes se comprometiam a não destruir o edifício e a poupar a guarnição. O resultado foi que os criminosos que estavam na cadeia foram à sua vidinha, os paióis da Bastilha detonados, a torre arrasada e mortos o comandante e a guarnição.

 

Depois, foi o que se sabe. O Roi Louis viria a ser decapitado, etc. e tal. Anos e anos de terror republicano, a fazer inveja aos mais violentos torcionários do ancien regime.

Até que, corolário de voltas e reviravoltas, havia de vir o Imperador corso lançar a Europa num banho de sangue.

Passado mais de um século, nasceria em França a democracia moderna, de que os franceses se gabam autores sem curar que foram os ingleses quem a inventou séculos antes, e a custos humanos gigantescamente inferiores.

 

Um bom símbolo dos sentimentos que inspiraram a coisa é a, ainda vivíssima, “Marselhesa”. Os féroces soldats qui viennent… égorger nos fils et nos compagnes não são, que ideia, os ingleses ou quejandos. São os próprios franceses, os que não aderem à révolution, os que são menos citoyens que os outros. E os nobres desejos dos revolucionários são os de ver o sangue de tal gente, seus compatriotas, versé dans les sillons.

 

Ao longo dos anos, os símbolos vão adquirindo um sentido que, posso admitir, já não tem a ver com a história que lhes deu origem.

Não deixam às vezes de ser, em termos de História, uma nojeira total.

 

14.7.10

 

António Borges de Carvalho

O GRANDE VIAJANTE

 

Olhem bem para isto:

 

O camarada Tavares (Rui), mui ilustre deputado do partido comunista que dá pelo nome de Bloco de Esquerda, desce das altas esferas do Parlamento Europeu para, por escrito, nos dar conta das dificuldades que teve, coitado, para andar a par do campeonato de futebol.

 

Antes de mais, confessa, e passo a citar, “vi este mundial entre aeroportos e hotéis”.

Em Bruxelas, só ficou a par da derrota da Itália via Internet. Que maçada!

O Portugal/Coreia do Norte, pobre dele, “Vi-o num intervalo para almoço” (presume-se que não almoçou, o infeliz) e só até aos 4-0. Depois, quando estava reunido com a oposição de Singapura (!!!), lá houve uma alma caridosa que o informou “que o resultado tinha chegado aos sete”.

Um Dinamarquês trotzquista que o viu num corredor perguntou-lhe: “como é que puderam fazer isto aos camaradas norte-coreanos?” Esta é uma das partes mais importantes do depoimento do deputado comunista. É que, logo a seguir, declara que se tratava de ironia do dinamarquês, uma vez que “os trotzquistas não gostam do regime de Kim Jong-il”. Havia que safar de qualquer suspeita o camarada Louça, ferrenho trotzquista como é sabido, a fim de que o ilustre deputado se não arriscasse a cair em desgraça na organização.

 

Depois… depois aí temos um esplendoroso frequent traveller, um cosmopolita, um homem sem fronteiras.

Calcule-se que viu metade do Portugal/Brasil “num carro do aeroporto”(?) e a outra metade “num hotel em Atenas”.

Mais. O fantástico senhor só conseguiu ver o Portugal/Espanha noutro quarto de hotel, desta vez em Washington”. E só a segunda parte! Que infelicidade!

Quando chegou ao aeroporto (não se sabe de onde) “estava no prolongamento do EUA-Gana”. Que tristeza! Só o prolongamento!

Junte-se a isso, ó desgraça, que não conseguiu ver a final como queria. Sabem porquê? Estava no aeroporto (de onde?), numa sala de embarque, à espera de um avião que se tinha atrasado.

 

Aqui temos o que é um comunista saloio, deslumbrado com as viagens que lhe pagamos, a gabar-se de ser um globetrotter de primeira grandeza.

Faz lembrar aquele artigo da dona Clara Ferreira Alves (outra distinta inflorescência da esquerda nacional) dedicado pela senhora a denunciar a dureza da vida da sua manicure, a qual, escrevia en passant, a tratava por “senhora doutora”. Uma mensagem tão cristalina como a do Tavares.

 

13.7.10   

 

António Borges de Carvalho

FUTEBOLADAS

Há mais de uma hora, assisto à espanholada em festa. Já cortei o pio à coisa, na baldada esperança que o tempo acabe com ela.

A estação que me costuma acompanhar ao serão - a SIC Notícias - no cumprimento de estúpido hábito, enche-me os serões de Domingo e de 2ª feira com intermináveis futebolices.

Eu, que até gosto de futebol, fico piurso. Como as alternativas, a começar pela RTP, são, em regra, uma porcaria, depois de fazer as palavras cruzadas acabo aqui, sentadinho, a debitar irritações.

 

Resolvi, à revelia do encantamento universal, “analisar” o nosso vizinho campeão.

Antes de mais, viu-se à rasca. Perdeu com a Suiça. Ganhou, mais ou menos à tangente, a uns rapazes sem grandes ambições. Depois, foi o que se viu:

Ganhou-nos por um a zero, com inúmeros favores do árbitro, incompetente ou bem pago, sendo o golo da vitória indiscutivelmente ilegal na opinião de toda a gente menos da FIFA e de um árbitro nacional que ganha umas massas a orar bocas na televisão.

Voltou a ganhar um a zero a todos os outros, o que muito diz sobre o genial futebol da selecção do império castelhano. Um a zero mais um a zero mais um a zero mais um a zero, não perfaz quatro a zero.

Não merecia ganhar ao Paraguai, nem à Alemanha. Com a Holanda, é discutível que merecesse um “ex-aequo”.

Ou seja, o inteligentíssimo, o extraordinário, o maravilhoso futebol da selecção do país vizinho, foi levado à glória pela sorte própria, pela má sorte dos outros e pelos árbitros.

O resto é conversa.

 

A nacional opiniosa gente não hesita em alinhavar os mais rasgados elogios a quem ganhou, como os teceria a quem perdeu, se quem perdeu tivesse ganho.

Vae victis, é o que se vê. O fadismo doméstico entretém-se a pôr culpas ao Queirós. Como dantes as punha ao Felipão. Como porá a todos os que não fiquem em primeiro*.

Culpas de quê? Como se, ao mesmo tempo que se grita que os espanhóis são os melhores do mundo, fosse alguma vergonha ter perdido com eles, só com eles, ainda por cima com um golo aldrabonamente oferecido pelo árbitro e pelo bandeirinha, a quem o alarve do Maradona até chamou Boccelli, ou seja, ceguinho.

 

Vivemos aqui, não noutro lado. Até gostamos disto. O problema é que não sabemos onde ir buscar seja o que for que nos safe. Como se ter ficado entre os 16 melhores do mundo (entre cento e tal), como se ser corridos por um árbitro, ou incompetente ou a soldo de Castela, fosse vergonha para alguém ou razão para perseguir o tipo que lá nos levou.

Acrescente-se que sou “independente”, isto é, que não conheço o senhor Queirós de parte nenhuma nem tenho por ele outra estima que não seja a de ter feito o que fez.     

 

12.7.10 (23,50)

 

António Borges de Carvalho

 

* Esperemos com calma a diatribe do Tavares (Sousa) no “Expresso” do próximo Sábado.

DINHEIRO A RODOS

 

As finanças concederam a “última”, dizem elas, garantia à CGD para que esta meta mais mil milhões no BPN.

Já lá vão cinco mil milhões, que o Estado garante a si próprio para acudir aos problemas de tesouraria do banco dos trafulhas.

Por outro lado, o BCP, outra flor do jardim do Estado (há quem diga que com a borda debaixo de água), comprou a operação do BPN em França, desta vez sem que sejam públicos os milhões envolvidos, certamente por pudor.

Em duas palavras, as finanças do Estado, enquanto o país vai apertando o cinto, continuam a ser vítimas da “gestão” socialista. Ainda que toda a gente saiba onde isto vai parar, não há quem se revolte. Nem o Presidente, nem o companheiro Coelho (Passos), por exemplo, acham que estas coisas merecem reparo.

Somemos a estes milhões os que o Estado impediu a PT de receber, simultaneamente impedindo que a dita amortizasse a sua monumental dívida e que os bancos, com a corda na garganta, recebessem uns cacaus que teriam, sem nenhuma dúvida, um efeito dinamizador no financiamento da economia.

Só nestes dois casos, vão doze mil milhões de euros. Excelente!

 

Entretanto, o BPN, em vez de estar fechado há dois anos, como devia, e indemnizados os seus depositantes como é de lei, continua a operar como se nada fosse.

A PT, muito caladinha, continua a dever milhares de milhões.

A economia continua no respectivo buraco.

O Estado está hoje mais arruinado que ontem e estará amanhã mais arruinado que hoje.

O governo continua a desgovernar, o senhor Carvalho da Silva a dizer baboseiras, o Dr. Soares a invectivar os seus fantasmas, o senhor Alegre a ribombar inanidades, o senhor Louça a aldrabar as massas, o senhor Jerónimo a parir cassetes, o senhor Portas (Paulo) à espera de melhores dias e o senhor Coelho (Passos) a desgastar-se, sem perceber que quanto mais tarde pior.   

 

11.7.10

 

António Borges de Carvalho

A PATROA DOS AÇORES

 

É comum ler-se nos jornais que a senhora dona não sei quantas, amantíssima esposa de um ditador africano qualquer, gastou milhões numa viagem ao Rio de Janeiro ou a Nova Iorque, jóias, vestidos, hotéis, gorjetas, etc.

Uma imoralidade, gritam as almas, indignadas e solenes. Com toda a razão, acrescente-se.

 

Por cá, a coisa é, por um lado, mais modesta, por outro, mais escandalosa.

 

Vejamos:

 

Dona não sei quantas, virtuosa consorte do socialista César (não confundir com o Augusto), foi julgo que ao Canadá. Uma passeata que, rezam os jornais sem desmentido, custou três ou quatro vezes o que devia custar. Ao contrário de outras prendadas damas, que gastam o dinheiro dos maridos, roubado ou não, esta gastou a massa do governo, fruto dos impostos dos açorianos e, está mesmo a ver-se, dos continentais que contribuem para estes “custos da insularidade”.

Mais espantoso ainda é que a viagem da patroa do César foi “oficial”. Sim, oficial. A criatura, que se saiba, não foi eleita por ninguém. Talvez tenha ido a título de “rainha” dos Açores, ou de princesa consorte.

O escândalo passou. Já lá vai. Acabou-se. Ninguém reagiu. Ninguém se lembrou de cobrar ao César os deleites viandantes da magnífica “representante” do governo regional.

 

Sabem que mais? O tal César é putativo candidato à sucessão do senhor Pinto de Sousa!

Já viram do que a casa vai continuar a gastar?

 

11.7.10

 

António Borges de Carvalho

CONTRA O NEO-LIBERALISMO, MARCHAR, MARCHAR!

 

Os bodes expiatórios são uma das melhores armas de defesa de quem não tem razão.

O Staline arranjou os “brancos”, os aristocratas, os culaques e mais quem lhe deu na realíssima gana.

O Hitler serviu-se dos judeus.

O Mussolini dos plutocratas.

O Franco dos vermelhos.

O Chávez dos americanos.

O Cunhal dos “reaccionários”.

O Louça dos mexias e quejandos.

E assim por diante.

 

Nos tempos da ditadura quem não fosse da cor era comunista, ou para lá caminhava. Assim se reforçou o PC, único contraponto “legítimo” à PIDE.

 

Os tempos mudaram. A alma dos homens nem tanto.

O que os “brancos”, os aristocratas, os culaques, os judeus, os plutocratas, os vermelhos, os americanos, os “reaccionários”, os mexias eram, ou são, para as insignes personalidades acima invocadas, são hoje os “neo-liberais” para o Dr. Mário Soares, o senhor Pinto de Sousa, o camarada Alegre e outros actores menores mas não menos barulhentos.

Para esta gente, os males do nosso mundo são, sem excepção, devidos à nova classe social dos “neo-liberais”, coisa inventada pela estupidez crónica da esquerda como classe mãe de todos os dissabores e de todas as malfeitorias, da "economia de casino" ao "capitalismo selvagem" e a outros chavões da moda, que nos levaram onde estamos.

 

No fundo, o problema está em que não há quem diga a verdade a esta gente: o “rei” deles vai nu. Ou em que esta gente ande a esconder a verdade.

Quando gritam que o que é preciso salvar o “estado social”, esquecem-se que jamais houve estado social sem capitalismo, sem mercado, coisas sobre as quais, estupidamente, lançam o seu inquisitorial anátema.

Ignoram que a tal liberdade de que se dizem arautos jamais existiu sem capitalismo e sem mercado.

Acham (ó estupidez!), ou dizem achar (ó cinismo!) que, se os mexias e quejandos ganhassem menos todos os outros viveriam muito melhor.

Metem, ou querem meter, na cabeça das pessoas, que o “estado social” é uma coisa adquirida, que não é preciso pagar, ou que “quem tem”, se deixasse de ter, garantiria. Uma coisa que, já que ínsita na Constituição, é um “direito” que se confere (quem?, o quê? como?) a cada um sem condições, surgida como por encanto de alguma árvore das patacas inventada pelo socialismo.

 

O que esta gente devia dizer é que, para haver “estado social” é preciso haver quem o pague. E que ninguém o pagará por nós.

Não percebem, ou não querem perceber – porque o importante não é resolver o problema mas arranjar bodes expiatórios - que a grande crise, o grande falhanço que o abanar das instituições financeiras pôs a descoberto, é a crise e o falhanço do “estado social”, que ninguém sabe como vai poder ser pago amanhã, mas toda a gente sabe como não se vai poder pagar o que se gastou ontem.

No entanto, enquanto isto não for entendido, não haverá solução.

 

Do capitalismo esta gente tira o pior, isto é, infirmam as suas regras de ouro “salvando” bancos decrépitos ou bandidos à custa dos outros, metendo somas astronómicas em coisas absurdas, recusando, patriotismo bacoco!, uma injecção de sete mil milhões de euros na economia, adoptando ferozes políticas de anti-natalidade como se se tratasse de um ”valor moral”, fechando os olhos à rebaldaria estatal em que estamos garrotados, ou seja, pondo em causa o o próprio “estado social” que dizem defender.

Que lhes interessa? Nada. Interessa-lhes, sim, afirmar a inventona do “neo-liberalismo”, a fim de encontrar os “culpados”, em vez de perseguir os que seriamente o são, que não são poucos e estão, em esmagadora maioria, nas suas próprias fileiras.

 

Pena é que, pela direita, a resposta à demagogia acéfala ou interesseira da esquerda não seja denunciada e que os resquícios do PREC, que não são tão poucos como isso na cabecinha dos políticos, ainda façam o seu paralisante caminho na política portuguesa.

 

10.7.10

 

António Borges de Carvalho

MALHAS QUE A POLÍCIA TECE

 

Outro dia assisti a uma cena verdadeiramente extraordinária: o senhor Crespo (Mário) a entrevistar, na SIC Notícias, um respeitável senhor, conhecido por “super-polícia”.

 

O senhor Pinto de Sousa cometeu a galegada de ter atribuído a si próprio a tutela de tudo o que é polícia neste país, assim cilindrando os seus próprios ministros que, veneradores e obrigados, não tugiram nem mugiram quando se deviam ter ido imediatamente embora.   

Para disfarçar no seu inusitado e estranho poder, o senhor Pinto de Sousa resolveu inventar este espantoso cargo. O "super-polícia” actua na dependência directa e com mandato conferido pelo primeiro-ministro.

 

Ora o super-polícia espetou-se a 130 à hora na Avenida da Liberdade, acidente de trágicas consequências. Até aqui, tudo bem, ou tudo mal. Ainda pior, porém é que o super-polícia veio à televisão dizer, a) que não se lembra de nada, dada a trancada que levou e b) que jamais deu ordens ao motorista para andar a 130 à hora na Avenida da Liberdade.

Acreditemos na alínea a).

Quanto à alínea b) pode ser que haja quem acredite, o que só prova que há atrasados mentais.

 

A pergunta que fica é esta: por que carga de água vem este senhor – que, repito, presumo respeitável – “justificar-se” assim à televisão?

Fica a impressão de que alguém o mandou. Seria?

 

No fim de contas, dizem os jornais, parece que quem vai pagar as favas é o motorista, aliás largamente elogiado pelo super-polícia.

 

O mexilhão é um desgraçado, diz o povo, e com razão.

 

10.7.10

 

António Borges de Carvalho

GENTE FINA

 

Se bem me lembro, logo a seguir à tomada de posse do primeiro governo do senhor Pinto de Sousa, houve umas almas danadas que decidiram pôr nos jornais a história de uma casa clandestina que o tonitruante secretário de estado José Magalhães teria no Parque Natural da Arrábida.

Já não sei como, na altura, o assunto acabou por ser abandonado, concluindo o respeitável público que se tratava da costumeira maledicência das forças ocultas, forças que, mais tarde, tão bem caracterizadas foram pelo ilustre chefe do camarada Magalhães.

 

Agora, em parangonas nos jornais e nas televisões, aparece o poderoso camartelo municipal a demolir a tal casa que já se pensava inexistente. Por ordem judicial.

Esclareça-se que foi declarado pelas autoridades que a tal casa não era do camarada Magalhães, mas da ilustre cara-metade do dito.

 

Assim, conclui-se, com a merecida ingenuidade:

 

a)   Que o camarada Magalhães, feroz zelador da legalidade através das polícias que é suposto controlar, está consorciado com uma senhora que faz casas clandestinas a fim de que o respectivo cônjuge possa passar nelas as suas merecidas férias e demais lazeres, tomando umas banhocas na piscina e bebendo uns copos;

b)   Que o camarada Magalhães, coitado, nada tem a ver com as ilegalidades da esposa (se calhar, por causa das coisas, até é casado com separação de bens), utilizando-as em benefício próprio com toda a boa inocência possível, como é próprio de um bom socialista;

c)   Que, caso se viesse a verificar que o camarada Magalhães sabia da história, já se teria demitido, como aliás costuma acontecer nos países civilizados como o nosso.

 

Como o camarada Magalhães não merece ingenuidade nenhuma, as conclusões são como segue:

 

d)   O camarada Magalhães sabia e tornava a saber, desde a primeira hora, que a casinha não era legal;

e)   O camarada Magalhães achava óptimo repoltrear-se na casinha, mau grado a sua clandestinidade;

f)    O camarada Magalhães deve ter achado que, pertencendo a um governo, ainda por cima socialista, estava para além de qualquer suspeita e que autoridade alguma teria o desplante de não só condenar a esposa à demolição como, que ousadia!, executar a sentença;

g)   O camarada Magalhães, seguindo o exemplo do chefe, jamais se demitirá, caia o Carmo e caia Trindade;

h)   Um país governado por pintos de sousas e por magalhãeses, nem com a maior das boas vontades pode ser considerado civilizado.

 

10.7.10

 

António Borges de Carvalho

PATRIOTISMO DE PACOTILHA

 

Contra os princípios que para aí afirma (certos ou errados, que estão vertidos nos tratados - o de Lisboa incluído - e que postulam a liberdade de circulação de capitais e outras coisas que fazem vómitos ao Dr. Soares e erisipelas ao camarada Louça, o senhor Pinto de Sousa deu uma de “patriota” ao impedir a venda de metade da Vivo aos castelhanos.

À primeira vista, o papalvo come estes ataques de patrioteirismo como se de boa coisa se tratasse.

 

Vistas as coisas com algum bom senso, parece que os papalvos estão, mais uma vez, a ser enganados.

A PT tem mais dívidas que a légua da Póvoa. Os 7 mil milhões dos castelhanos podiam ter um efeito altamente positivo, uma vez que os credores (os bancos) poderiam receber boa parte do carcanhol, carcanhol esse que teria, como é evidente, sonoros efeitos na liquidez bancária e na sua capacidade de apoiar a tal “economia nacional” que tanto enche a boca dos “patriotas” do governo.

 

O senhor Dirceu, ilustre áulico do camarada Lula, veio defender publicamente a abertura do capital da OI (a maior operadora brasileira, com 62 milhões de clientes) à PT, assim propondo uma alternativa para a massa de Castela.

 

Acrescentemos a isto que a UE, como muito institucionalmente já veio dizer o senhor Barroso, não está pelos ajustes e vai reagir ainda não se sabe bem como, mas sabe-se que não será com meiguices.

 

Postas as coisas nestes termos, o que vem aí? Pior, o que pode vir aí?

Os luminares destas ciências - que nada têm de científico - começaram a agitar-se nas cadeiras quando, de repente, descobriram que a “Telefónica”, que não queria comprar a PT mas só as acções dela na Vivo, é capaz de dar a volta ao bilhar e lançar uma OPA sobre a própria PT, OPA para a qual os mais avisados reconhecem que a golden share que recebemos dos restos do PREC não vai servir para nada.

 

Assim, o patriotismo saloio e ignorante, ou aldrabão e demagógico, ou meramente estúpido, do senhor Pinto de Sousa, prestou mais um relevante serviço à “economia nacional”. Em troca de não perdermos (nós não, a PT) uma posição no Brasil a troco de grossa maquia, arriscamo-nos a pôr a PT, com Vivo e tudo, nas mãos de Castela. Bonito.

 

Ou o senhor Passos percebe que, ao adiar a queda desta gente -para que as culpas da nossa fatal ruína sejam dela e não dele - está a cavar a sua própria sepultura, ou, mais tarde, não “herdará” senão as cinzas dos ossos que agora não quer roer.

 

7.7.10

 

António Borges de Carvalho

 

 

Apostilha - Acabo de ler por aí que o senhor Proença de Carvalho, viajante político com bilhete em aberto, veio oferecer a sua estimada ajuda ao PS e ao PSD caso estes se queiram coligar. Se ele perceber, não como o Doutor Cavaco, que pôs as coisas de pernas para o ar, que a moeda má dá cabo da boa, talvez algum juízo entre naquela cabecita de alfinete.

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