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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CARTA CHEIA DE SIGNIFICADO

 

Recebeu o IRRITADO a seguinte importante epístola:

 

“Excelentíssimo senhor IRRITADO

 

Em meu nome pessoal e no do meu colega Monsieur de La Palice, venho protestar com todas as minhas forças contra o miserável plágio, que põe em risco os nossos direitos de autor e os nossos mais legítimos interesses e títulos de glória e fama, cometido pela Excelentíssima Senhora Deputada Europeia, Dona Edite Estrela, ao afirmar, sem citar a origem, o seguinte:

 

Os Estados que têm mais dificuldades são os que precisam mais apoios.

 

Muito agradeço dê a devida publicidade a este nosso veemente protesto.

 

Com os melhores cumprimentos

 

Amigo Banana

 

 

O IRRITADO atende gostosamente  ao pedido de tão ilustres intelectuais, tanto mais que já leu, ainda que em diagonal, a obra maestra da ilustre senhora, de seu título “Saber Escrever Saber Falar”.

 

31.10.10

 

António Borges de Carvalho

JUSTIÇA À MODA DA CASCALHEIRA

 

Voltemos ao comunicado do Conselho da Europa, segundo o qual Portugal tem 294,9 profissionais da Justiça por cem mil habitantes, tratando-se do maior número registado em toda a Europa, à excepção da Itália. Apesar disso, o nosso país é o segundo pior no que se refere ao tempo que leva a encerrar casos pendentes.

Acresce que os ordenados destes profissionais são quatro vezes superiores à média nacional, estando entre os mais bem pagos da União.

 

Por aqui se pode aquilatar da justiça das reivindicações e dos indignados protestos dos nossos juízes, liderados pelo respectivo sindicato. Prenhe de indignação, o tal sindicato, segundo notícias de ontem, chega ao ponto de anunciar que vai deliberar sobre a sua adesão à chamada “greve geral”.

 

O IRRITADO não estranha o comportamento desta gente, nem do seu sinistro líder. O que lhe faz confusão é que não haja um protesto por parte dos magistrados que ainda têm dignidade, dizendo que não se consideram representados por ela. É que, se ninguém reage, é legítimo chegar à conclusão que o sinistro demagogo e seus pares representam mesmo os juízes portugueses. Então, meus amigos, estamos o que se chama “feitos ao bife”.    

 

31.10.10

 

António Borges de Carvalho

DESONESTOS PENSAMENTOS

 

Olho para infografia que anda pelos jornais e dou comigo com pensamentos sem dúvida ultra-incorrectos, destituídos de civismo e dignos da maior repulsa.

 

Ao meio, numa grande bola, o retrato do senhor Godinho, ilustre sucateiro da nossa praça. Sucateiro? Não! Proprietário de indústrias ambientais!

Em rodapé, um conjunto de figurões, o Vara, dois Penedos e um Lopes Barreira. Este, para quem não sabe, classificado como “gestor de empresas ligado ao PS”. Deve tratar-se de uma nova indústria.

À volta, uma constelação de empresas - REFER, GALP, REN, EMEF, ENVC, Lisnave, EDP, IDD, EP – todas empresas do Estado, ou participadas pelo Estado, ou onde o Estado vai imperando (leia-se empresas onde o governo tem voz). Em cada uma delas um ou mais rapazes (uns trinta ao todo), dedicavam-se à nobre tarefa de arranjar negócios para o senhor Godinho, mediante, diz a acusação, algumas gentilezas propiciatórias.

Na infografia que aqui tenho ainda não entra o Lino, célebre francófono politicamente formado nas escolas do PC, que até sabe dizer jamais (as declarações da dona Vitorina ainda não tinham produzido efeito quando a coisa foi publicada).

 

Perante isto, assalta-me o espírito um pensamento perverso: o tipo do meio, o maior, o desconhecido industrial de Ovar, vai ser o vilão da fita. Vai apanhar um porradão. Os outros, rodeados de pelotões de advogados, apoiados pelo Grande Oriente, amigos do governo, vão, ou passar pela chuva sem se molhar, ou ser objecto de uns aborrecimentos sem importância de maior. Daqui a cinco anos, ou mais.

Posto isto, a vil imaginação do IRRITADO prossegue nos seus ilegítimos e criminosos raciocínios. Ignorando o Código Penal, pôs-se a valorar os pecados desta malta, tal como descritos no despacho de pronúncia.

O senhor Godinho é um homem de iniciativa, criador de uma empresa cujos serviços são essenciais à remoção e tratamento de indesejáveis resíduos, e empregador de uma data de gente. Os outros são, ou empregados do Estado ou coisa que o valha. Não são industriais, não contribuem para a qualidade do ambiente, não criam postos de trabalho. Nada, se comparados com o senhor Godinho.

O senhor Godinho, para fazer prosperar o seu negócio, criou uma rede de amigos, dele e do poder político-económico – uma contradição nos termos – e, com eles, à conta de caixas de robalos, dos propriamente ditos e daqueles a que as más-línguas chamam Mercedes-Benz e outros maldosos epítetos, pôs a tal rede a funcionar. A sua empresa prosperou, sem sombra de greves nem de salários em atraso. Por seu lado, o senhor Godinho deve ter-se enchido de carcanhol, o que, em si, não é crime nenhum, nem sequer de enriquecimento sem causa, já quem a causa é evidente. Também terá roubado umas sucatas, mais uma vez com ajuda de “informação privilegiada”, eventualmente propulsionada por robalos.

 

Ora bem. Perante isto, o que pensa a incorrecta, pecaminosa e retorcida mente do IRRITADO?

Pensa que o senhor Godinho é um malandreco do pior, mas que tem alguma utilidade, pública e privada.

Pensa que ainda não viu escrito que os colegas do senhor Godinho, ditos sucateiros, se tivessem indignado ou queixado dos procedimentos “ligeiros” do seu concorrente.

Pensa que é muito mais grave haver tipos que, sem fazer outra coisa senão puxar cordelinhos, beneficiem de tais puxanços.

Pensa que o poder que age a soldo do senhor Godinho é ordinário e criminoso.

Finalmente, pensa que é injusto que, sendo à sua maneira útil à sociedade, o senhor Godinho apanhe com a severidade do Código Penal no focinho, enquanto os demais se vão safando, ou safando mais ou menos.

 

Mas que interessa a ínvia opinião do IRRITADO?

 

30.10.10

 

António Borges de Carvalho

SEGURANÇA À PORTUGUESA

Vai haver, como toda a gente sabe, uma cimeira da NATO em Lisboa, salvo erro em 18 e 19 de Novembro.

Vão aparecer por aí umas largas dezenas de altos trutas e craques globais, de Obama a Medvedev, de Merkel a… Pinto de Sousa.

A coisa, como não pode deixar de ser, exige excepcionais medidas de segurança a fim de proteger aquela malta toda. Não nos podemos sujeitar a alguma bronca de dimensões excepcionais.

Muito bem.

 

Posto isto, vai o nosso inteligentíssimo governo e anuncia ao mundo, em comunicado do conselho de ministros, que o controlo de fronteiras será restaurado de 16 a 20 do referido mês.

 

Ficam assim os ilustres terroristas interessados a saber que, se quiserem cá vir desempenhar as suas nobres missões, terão que chegar antes do dia 16.

 

Consta que o camarada Bin Laden já mandou uma mensagem ao senhor Pinto de Sousa agradecendo penhorado a preciosa informação. Informação que, seguindo as NEP’s da benemérita organização que dá pelo nome de Alcaida, o senhor Bin Laden já teve o cuidado de comunicar a todas as suas células operacionais.

 

30.10.10

 

António Borges de Carvalho

O QUE ACONTECEU E O QUE VEM A SEGUIR

 

Agora que a tempestade amainou (Passos Coelho já disse que o PSD vai deixar passar o vergonhoso orçamento do PS), talvez seja de recordar os últimos capítulos desta história.

Os jornais de ontem, como sempre “fiéis” à verdade, escreviam nas linhas e entrelinhas que o PSD tinha acabado com as negociações por causa de 0,1 ou 0,25 por cento - consoante os craques que fizeram as contas – do défice.

Já que há pouco quem o faça, o IRRITADO repõe a insofismável verdade.

O Doutor Catroga chegou a acordo com o ministro das finanças. Esse acordo foi levado pelo ministro das finanças e pelo Lacão ao primeiro-ministro. Após mais ou menos quatro horas de reunião, por evidente ordem do primeiro-ministro, tudo voltou para trás. O primeiro-ministro jogava a sua última cartada para conseguir que o orçamento não passasse, e que as culpas, umas vezes sob a forma de esfarrapadas desculpas do governo, coitadinho, outras na pele dos mais ordinários ataques, pudessem ser assacadas ao adversário.

Depois de, em Bruxelas levar o justo raspanete da dona Ângela, o senhor Pinto de Sousa, qual cordeirinho, reagiu às ordens da pastora alemã e declarou que a questão continuava em aberto. Isto no dia seguinte a o PSD ter reaberto a porta que o PS tinha fechado, ainda que sem estrondo já que a chamada comunicação social continua, e com razão, a ter medo dele.

O Dr. Passos Coelho veio hoje dizer que se borrifava nas “boas” intenções do senhor Pinto de Sousa e que podiam contar com a porcaria do orçamento. O tiro, finalmente, saía pela culatra aos meliantes políticos do gang!

Acabou a história.

 

Que vem a seguir? É fácil prever.

Depois inúmeras e chatérrimas discussões na especialidade*, o orçamento vai ser como o PS quer e, se as vítimas não fôssemos nós, seria bem feito.

Na execução orçamental, como aconteceu com os PEC’s, o PS vai continuar a não cumprir compromisso de espécie nenhuma, a sorver dinheiro, a pedir dinheiro, a não ter dinheiro para pagar, a enterrar a Nação na trampa socialista.

Até que chegue o FMI, coisa “abominável” que o senhor Pinto de Sousa, com a sua profundíssima ignorância e a sua indesmentível desonestidade, transformou na nossa única possível “salvação”.

A esperança é que já não seja ele a cumprir os ditames que nos forem impostos de fora, já que, cá dentro, enquanto esta gente durar, nada se cumpre nem nada se resolve.

 

29.10.10

 

António Borges de Carvalho

 

 

*Mais uma vez, o IRRITADO aconselha o dr. Passos Coelho a dar ordens aos seus deputados para que não participem na discussão na especialidade. Abstenham-se na generalidade, e recusem-se a participar em mais conversas com gente que as não merece. Caso contrário, arriscam-se a que seja o próprio PS a chumbar o orçamento com a desculpa de que foi "desvirtuado" pelas alterações que a oposição lhe introduziu.

BREAKING NEWS

Como era de esperar, as negociações deram em nada. Após 4 horas de espera, enquanto o Santos, presume-se, conferenciava com o chefe, o Doutor Catroga veio explicar tim tim por tim tim o que se passara: à última da hora o PS veio apresentar um “documento final”, “não negociável”, a sua última palavra. Perante isto, o Doutor Catroga, e muito bem, chegou finalmente a um acordo com o governo: nada mais há a negociar, bom dia meus senhores. Acabou.

Tudo isto faz parte de um quase imperdoável excesso de boa-vontade por parte do PSD: sentar-se outra vez à mesa com gente que não quer, nem sabe, negociar, que nunca negociou, que sempre teve da política a noção do quero posso e mando, com maioria ou sem ela, que não tem palavra, nem dignidade, nem merece sentar-se à mesa seja com quem for e ainda menos com o PSD.

Porquê? Porque é que o Santos, depois de umas horas com o chefe, recuou e deu cabo das negociações? Com quem é que aprendeu a chamar mentirosos aos outros, quando não pode deixar de ter consciência de pertencer ao mais mentiroso de todos os governos que já houve em Portugal, de obedecer ao mais mentiroso de todos os primeiros da história da Europa?

Com quem havia de ser?

 

As negociações mais não foram que uma nova manobra táctica do senhor Pinto de Sousa para atingir o objectivo estratégico que tão mal disfarça: o de fazer o PSD chumbar o orçamento.

Para quê? Como é mais que evidente, para dispor de um ano ou quase para governar(?) com duodécimos, podendo atirar à cara do PSD todas as culpas das desgraças que nos vão continuar a acontecer e que, sendo da sua integral responsabilidade, serão, na sua boca, o primeiro argumento para se fazer reeleger.

 

É preciso que o PSD se não deixe envolver nesta miserável e repugnante tramóia.

Correndo o risco de se repetir, o IRRITADO pede ao PSD que se abstenha, que deixe a batata quente nas mãos do senhor Pinto de Sousa e da sua cáfila de aldrabões. Que anuncie o voto, na abertura da discussão parlamentar, com um violentíssimo discurso de denúncia e nojo,  que se cale a seguir - nem mais uma palavra! -, que não ponha os pés na comissão de finanças, que faça uns meses de “educação de adultos”, isto é que, publicamente, denuncie a traição orçamental e política de que o país está a ser vítima, coisa para que, infelizmente, não faltarão argumentos nem acontecimentos.

 

Dixit.

 

27.10.10

 

António Borges de Carvalho

POSTURA CÍVICA

 

Ontem. Nove da manhã. Ligo o computador. Primeira página do Sapo. Cheio de natural importância, o novo porta-voz do PS, digno sucessor de figuras tão distintas como o Vitalino e outro cujo nome não conseguiu constar, apresentava-se ao povo.

Nas palavras proferidas por tão insigne rapaz adivinhava-se os extremosos sentimentos da organização que representa. Com carradas de razão, afirmava o fulano que não é legítimo que o Dr. Passos Coelho teça seja que considerações for tidas por menos elogiosas ao governo e ao seu magnífico chefe.

Um bom princípio de função. O rapaz sabe o que diz. Se houvesse democracia neste país, a ninguém devia ser dado proferir críticas ao senhor Pinto de Sousa e sua gente, maravilhas fatais da nossa idade, como diria o Poeta.

Tanto lhes devemos e ainda há quem não concorde!

Infelizmente, deve pensar o rapazito, não há “ambiente” para meter essa gente na cadeia. 

 

27.10.10

 

António Borges de Carvalho

GENTE SINISTRA, CAUSAS IGNÓBEIS

 

No mesmo dia em se soube que os juízes portugueses são, proporcionalmente aos ganhos dos portugueses em geral, dos mais bem pagos na Europa, e extremamente bem pagos nos mais altos escalões da carreira, a sinistra figura do presidente dessa coisa medonha que se chama ASJP (Associação Sindical dos Juízes Portugueses) aparecia a protestar contra a “descriminação negativa”, perdoe-se o pleonasmo, de que os dignos magistrados são inocentes “vitimas”.

Quase simultaneamente, vinha a lume um relatório “europeu” que diz que “Portugal é dos piores a fechar casos pendentes nos tribunais”.

Dois dias antes, um jornal referia o número de queixas de cidadãos contra juízes registado este ano pelo Provedor de Justiça: 146.

Comentários para quê?

 

A não menos sinistra figura do bigodaças da FENPROF anda pelo país a denunciar os “roubos e assaltos” de que a distinta classe dos professores é também inocente vítima.

As contas são estas:

Como é do conhecimento geral, depois de um ano de gritaria, os professores, sob as ordens do bigodaças, conseguiram sacar ao Estado (à cobardia do governo!) a módica quantia de 400.000.000 de euros.

Havendo 150.000 professores, cabe em média a cada um 222 euros por mês (12 meses). Se, como consta, cada professor custa em média 1.500 euros ao Estado, teremos um aumento médio de 15%.

Nada mau, dir-se-á. E ainda melhor se, vendo a função pública os salários reduzidos em 5%, para os professores tal redução é feita sobre salários aumentados 15%, o que significa que a redução, para eles, é menos que para os outros. Um vencimento de 100, para um funcionário qualquer, passa a 95. Para um adepto do bigodaças passa a 109,25.

 

Dois exemplos de como são os que melhor estão os que mais protestam. Ou os que têm o PC por trás. 

 

27.10.10

 

António Borges de Carvalho

VIRIAMU

O IRRITADO nunca leu um livro da autoria do senhor José Rodrigues dos Santos.

 

Porquê?

Há que confessá-lo. O IRRITADO amarinha pelas paredes, todo encaracolado, quando o homem lhe pisca o olho ou lhe diz “especialmente para si” com aquela carinha de parvo que Deus lhe deu. O IRRITADO tem do homem a ideia de um serventuário do senhor Pinto da Sousa. O IRRITADO acha pornográfico que o homem se tenha demitido e tenha ficado no emprego, com as mesmas regalias que tinha antes de se demitir.

Portanto, o IRRITADO, em várias versões, tem contra o homem um parti-pris dos diabos.

 

Feita a confissão, há que dizer que não está em causa a qualidade literária do que o homem escreve, sobre a qual o IRRITADO se não pronuncia por desconhecimento de causa. Os livros que já publicou, com grandíssima propaganda e assinalável sucesso, dão, pelos títulos e parangonas da publicidade, ideia de que se trata de um storyteller à maneira anglo-saxónica, num tipo de literatura muito vendida mas de fraca “substância”. O que não quer dizer que o IRRITADO a não leia, às vezes com prazer.

 

Parece que o livro que agora nos entra pela porta dentro quer queiramos quer não, descreve uma espécie de “memórias” de Moçambique e da respectiva guerra contra Portugal. Quanto à guerra, deve tratar-se de coisa de ouvir falar, uma vez que, nascido em 1964, não é provável que o escritor se lembre dela nem um bocadinho que valha a pena. O que o impedirá, nem seja a quem for, de escrever sobre ela.

Segundo os panegíricos lidos e ouvidos pelo IRRITADO, parece que a mais importante “mensagem” sobre a guerra transmitida pelo escrito é a da condenação do acontecido em Viriamu, no Norte de Moçambique.

O IRRITADO conhece várias versões desta história, das que dizem ter havido um horrível massacre, com homens, mulheres e crianças barbaramente assassinados sem que mal algum tivessem feito, às que alegam não ter havido massacre de espécie nenhuma, apenas uma intervenção militar de rotina contra o inimigo, dentro do admissível e legal num teatro de operações daquele tipo.

 

Demos de barato que houve um massacre.

O que choca, e já choca há muitos anos, é a insistência no assunto, como se pouco mais tivesse havido digno de nota em 13 anos de guerra. Choca que um só massacre em 13 anos e três frentes, seja testemunho da crueldade das nossas tropas em vez de sinal claro de comportamento exemplar e digno.

Para quem, como o autor do IRRITADO, tem no bucho 27 meses de Norte de Angola, na chamada ZIN (Zona de Intervenção Norte), muito haveria que contar sem nada ter a ver com massacres e desgraças afins.

O autor do IRRITADO viu morrer alguns militares, não viu nenhum inimigo morto, e testemunha de palavra de honra a extraordinária obra de assistência social, humanitária e cultural das nossas tropas em terras tidas por hostis, a sua relação, talvez primitiva, ou “portuguesa”, com as mais inóspitas comunidades, relação muito mais traduzida em empatia e amizade que em tiros e batalhas, que também houve.

O que choca é a tendência fadistóide dos portugueses para se auto-flagelar, ainda por cima cheios de razões para fazer o contrário.   

 

Não sei, nem vou saber, se o livro do piscador-de-olho-da-televisão, é um testemunho deste escarafunchar nas feridas ou não.

Mas é essa a sensação com que se fica ao ler a publicidade.

 

25.10.10

 

António Borges de Carvalho

ATRÁS DO GANA

 

Mais um alto serviço ficamos a dever ao senhor Pinto de Sousa, tão eficazmente preocupado com o nosso prestígio internacional: passámos do 8º para o 40º lugar na classificação de uma agência qualquer, no que diz respeito à “liberdade de expressão”.

Assim:

2007, 8º;

2008, 16º;

2009, 30º;

2010, 40º.

Estamos honrosamente atrás da Namíbia, de Cabo Verde, do Gana, etc.

 

Seja qual for o valor desta classificação, a tendência é clara no que se refere à consideração internacional que o senhor Pinto de Sousa provocou e merece. O pior é que não é só ele que a merece, somos todos nós.

Por mais que o senhor deputado do BE, por exemplo, se esprema a dizer que, no caso PT/TVI, o senhor Pinto de Sousa fez o espantoso passe mágico de dizer o contrário da verdade sem mentir, quem vê estas coisas percebe o que o senhor deputado não quis perceber.

Por mais que o senhor Pinto de Sousa goze da protecção de juízes, procuradores, jornais, maçonarias e tutti quanti, só o “portuga” ignaro parece não ver a verdade, ou fingir que não vê.

Por mais que se grite que esta gente não manipula, nem aldraba, nem torce a verdade, nem anda a enganar este mundo e o outro, a verdade, para nossa vergonha, salta aos olhos do mundo inteiro.

 

Vergonha?

Vergonha sim, porque não somos capazes de pôr fim à ditadura “democrática” que nos esmaga.

Porque não somos capazes, a começar pelo Presidente da República, de pôr na rua o mais inacreditável primeiro-ministro da nossa história.

Porque ainda há quem “negoceie” com ele.

Porque o nosso futuro é cada vez mais negro e não nos livramos do primeiro responsável por tal negrura, liberdade de expressão incluída.

 

25.10.10

 

António Borges de Carvalho

PRODUTIVIDADE

É incontroverso que o senhor Fernando Pinto, vindo do Ultramar para salvar a TAP, conseguiu inegáveis progressos na situação do gigante estatal.

Publicadas algumas estatísticas, verifica-se que as vendas quase duplicaram, que os prejuízos baixaram significativamente, que a dívida não cresceu tanto como era costume, que o património em aviões mais que duplicou, etc.

 

Aqui há uns anos, uma publicação da especialidade punha o dedo numa ferida que é habitual em tudo o que é público em Portugal: todos os rácios referentes ao número de empregados estavam no fim de todas as tabelas, entre os países ocidentais. Funcionários por avião, por passageiro, por milha, por serviços prestados…

A conclusão era que, uma vez comparada com as suas congéneres, a TAP empregava mais ou menos o dobro do pessoal de que precisaria para operar o que operava. Um sinal evidente dos índices de produtividade da empresa, comuns à generalidade da economia mas dificilmente compreensíveis numa empresa cujos meios de produção são, em geral, tecnologicamente modernos e eficientes.

 

O mesmo handicap parece evidente nos números agora publicados. É que, para melhorar o que melhorou, a TAP aumentou os seus quadros de pessoal em 49%, ou seja admitiu mais 4.397 funcionários! Em matéria de produtividade, a TAP deve estar na mesma, ou pior.

 

O IRRITADO deseja os maiores sucessos ao senhor Fernando Pinto e à TAP. Mas há razões para duvidar que ele consiga ultrapassar a pecha número um da nossa economia: a fraquíssima produtividade de que tanto se fala e contra a qual tão pouco, ou nada, se faz.

 

25.10.10

 

António Borges de Carvalho

DESGRAÇA!

Tem-se ouvido por aí, da parte de comentadores afectos ao governo que temos, afirmar que o dito não tem qualquer obrigação de prestar contas sobre a aplicação do PEC II. Ao ponto de haver uma criatura que diz jamais ter sido o caso, pelo menos previamente à apresentação do orçamento.

Se calhar até tem razão. Recordemos, por exemplo, que o senhor Pinto de Sousa, coitado, ao tomar posse, como não sabia as contas que estavam para trás, teve de encomendar ao camarada Constâncio um orçamento “especial” - que faria inveja ao Bandarra -, demonstrando que o défice era de mais de 6%, coisa que jamais constou de quaisquer contas e não se encontra referido no Eurostat nem qualquer documento autêntico, anterior ou posterior à tal posse. O orçamento Constâncio, “especial” e “futurológico”, viria a servir para construir novas “verdades” e para enaltecer a grande obra que o senhor Pinto de Sousa viria a realizar e que está à vista de todos.

Presentemente as coisas apresentam-se de forma totalmente diferente. O PSD não exige que o governo apresente contas sobre uma execução orçamental que ainda não findou. O que exige é que o governo preste contas sobre a execução de um acordo que, com grande sentido de Estado, o PSD subscreveu e cuja execução tem todo o direito a conhecer. Acresce que tudo indica que tal acordo foi celebrado sobre uma proposta do governo que não passava de mais uma das aldrabices em que é especialista, ou que foi executado com os pés. Isto porque, como é evidente, os resultados demonstram uma coisa ou outra, ou as duas, e à saciedade.

A confirmá-lo, aí está o rapazola do beicinho à banda a declarar que “o Governo – o gê maiúsculo é dele – não tem mais informação” a dar sobre o PEC II. Uma afirmação que confirma, sem deixar sombra de dúvida, todas as certezas acerca da total ausência de seriedade desta gente, a sua brutal incompetência, a sua arte da mentira esgrimida como se fosse a mais séria das verdades.

O rapazola do beicinho à banda, marionete do senhor Pinto de Sousa, é bem uma das repugnantes imagens do poder político que entre nós vigora.

 

O nosso drama é termos uma constituição que não permite dar, quanto antes, guia de marcha ao beicinho para a escola primária de Mentirokusen, na Namíbia, e, ao Pinto de Sousa, para a câmara de Aldrabarém, na Papuásia, levando consigo a escumalha que o segue e apoia. Até as alfurjas agradeceriam.

A nossa triste sina, com o esmerado apoio do Presidente da República, é ficar entregues, pelo menos mais um ano, às contas de somir desta gente.

 

Maior desgraça, não sei se há.

 

23.10.10

 

António Borges de Carvalho

JUSTIÇA DE CASTELA

Há uma coisa, cujo nome me escapa, formada por jornalistas, que tem a nobre missão de “julgar” as atitudes dos colegas no que ao cumprimento do código deontológico da profissão diz respeito.

Tal coisa levou mais de um ano a apreciar a publicação, por um tal Marcelino, evidentemente ao serviço do Partido Socialista e do amigo Oliveira, de correspondência pessoal de dois colegas, com evidentes e eficazes intenções políticas.

Dado, no entanto, o bom comportamento anterior, o tal Marcelino não foi objecto de qualquer castigo. Continua, calmamente, no exercício do alto cargo profissional que o amigo Oliveira lhe confiou.

 

O que mais espanta, no meio disto tudo, é que, tendo o tal Marcelino cometido um crime tipificado no Código Penal e tendo ofendido grave e publicamente elementares direitos constitucionais, não foi objecto de qualquer procedimento do ministério público ou fosse de quem fosse.

Por contraste, os tipos do “Sol” têm suado as estopinhas por ter publicado documentos oficias, portanto públicos, acerca do senhor Pinto de Sousa e sua gente (o arquitecto Saraiva anda a sacudir a água para o capote dos seus subordinados, mas isso é outra história).

 

A conclusão é que, se se for socialista ou apaniguado, a Lei serve para ser torneada, ou interpretada de forma “piedosa”. Os exemplos abundam.

Se a tal gente se não pertence, o melhor é pôr-se a pau e não levantar o rabinho do selim.

 

23.10.10

 

António Borges de Carvalho

O ESTADO DA NAÇÃO

Afinal, os “pais da Pátria”, a Assembleia, dita “da República”, servem para quê?

Vejamos: um orçamento do Estado é uma Lei, anualmente obrigatória, que é votada pela tal Assembleia, tida por representante dos eleitores.

Cabe ao governo elaborar e propor tal Lei, aos deputados discuti-la, modificando-a ou não, e aprová-la ou não por maioria simples.

Este é o sistema.

 

Vejamos o que se passa:

 

O governo do partido socialista, na sua versão minoritária, é tão arrogantemente autoritário como o era na versão anterior.

O Partido Socialista jamais procurou fosse que acordo fosse, fosse com quem fosse.

Quando formou governo, recusou liminarmente a formação de uma maioria, apesar de as eleições lhe terem posto à disposição pelo menos três diferentes opções.

Substituiu qualquer negociação por uma intolerável farsa, convocando os partidos para uma espécie de sessão de cumprimentos a sua excelência Pinto de Sousa.

Apesar de o líder da oposição ter tido a democrática e patriótica caridade de deixar passar dois planos de austeridade, PEC’s de seu nome, o governo não só não os cumpriu como imporia a mais elementar honestidade, como, despótico que é, se recusou a dizer porquê, aos deputados e aos eleitores.

Quando o líder da oposição se ofereceu para estudar com o Pinto de Sousa as formas de consenso possíveis, após um primeiro encontro concluiu que o Pinto de Sousa não era sério nem se podia negociar com ele num plano minimamente responsável, como, aliás, claramente declarou, e sem desmentido possível.

Apesar disso, o líder da oposição teve a ingenuidade de propor algumas condições para poder assumir uma papel positivo na discussão, é certo que um pouco às cegas já que não é possível apresentar propostas fundamentadas no total desconhecimento dos seus eventuais fundamentos, que lhe são, e a todos nós, despoticamente sonegados.

Agora, cai o líder da oposição na anti-parlamentar esparrela de tentar chegar a um acordo qualquer via negociações de gabinete.

A ingenuidade e a boa-vontade têm limites mais curtos dos que Passos Coelho lhes atribui.

Se há um erro fatal na gestão política de Passos Coelho é o de querer acreditar que é possível negociar seja o que for com um político (Pinto de Sousa) que, como (por defeito!) muito bem diz Helena Matos, “é ignorantíssimo, não tem sentido de Estado e tomou decisões na sua vida académica, profissional e política que a maior parte dos portugueses, até o conhecer como primeiro-ministro, repudiariam liminarmente”.

Passos Coelho errou ao admitir que tinha com quem falar.

Não tinha nem tem: para haver um gentlemen’s agreement são precisos dois gentlemen, pelo menos.

Passos Coelho errou ao pensar que tinha tempo para se afirmar como alternativa, ou seja que, para que se pudesse ter alguma esperança no futuro, a primeira, a mais urgente de todas as prioridades, não era livrar-nos de um homem do calibre do Pinto de Sousa, que nos ofende a honra de cidadãos, que insulta a nossa inteligência, que a cada passo nos engana, que tudo promete e nada cumpre, ou que só cumpre o que é ruinoso e enganador.

 

Agora, por fora do Parlamento - para que serve o Parlamento? - , mais uma vez Passos Coelho insiste na honesta procura de uma solução que lhe permita deixar passar um orçamento que não especifica nem quantifica cortes na despesa, que não justifica o aumento brutal de impostos, que não diz o que correu mal em relação ao que a ingenuidade de Passos Coelho tinha deixado passar.

Tudo isto ao mesmo tempo que o Lacão o insulta de forma soez, vil, ordinária, e que aquele tipo do beicinho à banda se repoltreia em dislates televisivos para consumo da plebe.

 

Passos Coelho já devia saber, e de ciência certa, que está a ser empurrado para um beco sem saída, que está a ser vítima da sua própria boa-fé, que esta gente não merece diálogo, nem consideração, nem benefício da dúvida, nem tem outro objectivo senão entalá-lo.

Se deixar passar o que lhe querem impor, disso ficará refém durante quase um ano, enquanto os seus algozes lhe prepararão a cama, para vir a entregar-lhe, após algumas benesses eleitorais, um país ainda mais arruinado do que já está. Ou, pior ainda, usar tais benesses para ganhar de novo as eleições, mais uma vez despudoradamente enganando o povo.

Se não deixar passar, o mesmo ano servirá para, diariamente, ser acusado de traição à Pátria e passar a réu de todos os males que, entretanto, o PS não deixará de causar.

 

Conselho do IRRITADO:

 

Caro Dr. Passos Coelho

 

Deixe passar o orçamento sem mais conversas.

Explique porquê, não com considerações partidárias, mas demonstrando que, em nome de um futuro menos negro, não há outra coisa a fazer.

Nunca mais tente negociar com gente que não lhe merece, nem a ninguém, a mais leve sombra de confiança. Eles que se amanhem com a trampa em que vegetam.

Denuncie-lhes as trafulhices todos os dias.

Não confie no Presidente da República.

Continue a ser sério.

Sem medo dos Soares & Cª, seja tão liberal quanto puder.

Só há duas coisas que não vale a pena tentar:

a)    Calar os “independentes” do seu partido, a começar por esse monumental intriguista/boatista/trafulhista que se chama Marcelo;

b)    Ultrapassar a estupidez constitucional que o impede de acabar com os coveiros do país.     

 

22.10.10

 

António Borges de Carvalho

SUGESTÕES PARA EMENDAS

 

O senhor Lima, do “Sol”, critica o PC por defender “ditaduras peudo-socialistas”.

Eu também critico. A emenda é que tais ditaduras não são pseudo-socialistas. São mesmo socialistas.

 

Uma rapariga que, à conta do jornal privado chamado “Público”, anda há meses a passear na América do Sul, de onde manda umas crónicas literário-politicológicas, chegou à conclusão que o senhor Llosa, que ganhou o Nobel, “na sua primeira viagem depois do anúncio do prémio falou um pouco de tudo, como fazem os príncipes renascentistas”.

Os príncipes renascentistas não fazem coisa nenhuma, porque o Renascimento já lá vai há séculos, o mesmo se passando com os respectivos príncipes. Resta saber se os tais príncipes, coitados, falavam um pouco de tudo.

Não resisto a citar, da mesma senhora, este profundo pensamento: “quando se olha do centro, o que está mais longe são as margens”. Hihi.

 

21.10.10

 

IRRITADO

UMA VERGONHA SEM NOME

 

Ontem, o representante dessa coisa absurda e ilegítima que dá pelo eufemístico nome de “Associação Sindical dos Juízes”, veio à liça em defesa da greve geral, ao ponto de dizer que a corporação está a estudar a participação dos dignos magistrados em tal coisa.

Isto, imagine-se, porque os ditos passam a ser taxados nos subsídios de renda de casa que o Estado lhes dá.

É sabida a rebaldaria que há na distribuição e utilização de tais dinheiros. Segundo os jornais têm referido, há juízes, não poucos, que receberão a massa tendo casa a dois passos, ou que a empanturram vivendo com a família ou equivalente. Por outras palavras, o taco que recebem transformou-se num reforço encapotado do vencimento, desta feita sem impostos, e não no pagamento de uma renda que, dentro de certos limites e condições, os juízes se vejam obrigados a pagar por residir longe da sua residência habitual.

Por outras palavras, trata-se de um privilégio abstruso e absurdo. Quando um profissional “normal” aceita ser colocado, durante uns anos, num determinado local, o que tem que fazer é mudar de casa, e pronto.

Com os juízes é pior. Sabem perfeitamente que a profissão que escolheram implica, durante a carreira, várias mudanças de local de trabalho com a consequente mudança de residência.

É possível que um largo número destes profissionais tenham embarcado na compra de uma casa, a que se consideram amarrados para a vida. Foi por isso - a segurança de emprego, ou seja, a paralisia pessoal que corta as pernas às pessoas e ao país - que escolheram ser empregados do Estado, ainda que veementemente recusem o “epíteto” de funcionários públicos. Que ideia! São órgãos de soberania!

Órgãos de soberania que têm sindicato e ameaçam fazer greve? O que é isto? É qualquer coisa que faz lembrar a república das bananas… podres.

Acresce que, das classes profissionais desta pobre terra, se as há privilegiadas em matéria de vencimentos, reformas, etc., a dos juízes é uma delas.

Se tivessem um mínimo de noção da dignidade dos lugares que ocupam, os juízes:

a) Não tinham sindicatos, já que, na sua opinião, não são funcionários;

b) Não faziam reivindicações do tipo das dos cidadãos comuns;

c) Seriam os primeiros a alinhar nos sacrifícios dos demais.

 

Para cúmulo da indignidade, os dirigentes da “Associação”, não encontram nada melhor, para defender a sua fuga a tais sacrifícios que exigir ao governo que lhes entregue a relação de todas as benesses, subsídios e gorjetas dos boys dos gabinetes.

Não se põe em dúvida que esta rapaziada goza de mordomias dificilmente aceitáveis, mas ir buscá-las, a título de ameaça ou vingança, é de uma baixeza sem nome.

 

A total ausência de dignidade e de brio por parte de uma classe para quem a dignidade devia ser coisa indispensável e motivo de orgulho e distinção, é talvez o sinal mais grave da degenerescência da democracia em Portugal.

Quem poderá meter esta gente na ordem? Não, não é o povo, que não a elege. Quem, então, se os órgãos a quem cabe vigiá-la se metem em copas e deixam andar o sindicato em roda livre?

Quando é que alguém explica aos juízes que a sua sagrada independência é a independência no acto de julgar, não é a de fazer o que lhes der na gana sem que ninguém lhes toque? Como é possível pedir responsabilidade aos portugueses se, aos mais altos níveis, se passa o que passa?

 

20.10.10

 

António Borges de Carvalho

ALTOS CRITÉRIOS

O IGESPAR, pressurosa instituição pública que sucedeu ao trambolho que se chamava IPAR, ou parecido, entidade ultra-socialista que se arroga poderes imensos sobre aquilo que é dos outros, além da sua “gestão”, resolveu meter-se com um cartaz que apareceu no Chiado, a tapar as obras de um prédio. O cartaz é branco, tem uma senhora com um vestido azul e umas frases de publicidade a um armazém qualquer. Nada de chocante. Pelo contrário, é uma “ilha” branquinha num mar de borradas que cobrem as obras da cidade, as do Estado incluídas.

Parece que a CML autorizou o tal cartaz - e cobrou a respectiva taxa, pois então, ainda que o espaço lhe não pertença.

Vai daí o IGESPAR opôs-se. Que não, que o cartaz está desenquadrado, que não respeita um edifício histórico, que pópópó e pópópó.   

 

Ocorre perguntar porque é que o IGESPAR não interveio quando o Costa mandou pintar - e pagou - por maluquinhos pinta-paredes um quarteirão inteiro da Fontes Pereira de Melo.

Se calhar, nos altíssimos critérios do novo trambolho, tratava-se de “arte”, o que não é o caso do prédio do Chiado. Se os tipos das obras as tapassem com uma coisa toda rota e toda suja, como é o caso que, mais abaixo, se passa a esquina da Rua Ivens, o IGESPAR achava muito bem.

 

Altos critérios da coisa pública.

 

20.10.10

 

António Borges de Carvalho

RENDOSAS RENDAS

No mesmo dia em que os jornais titulam que há 117.000 rendas abaixo de 5 euros por mês, e 357.000 abaixo de 60 euros, a dona Roseta anuncia, entre uma série de patacoadas, que a CML vai criar o lugar de provedor… do inquilino.

Pura estupidez, provocação, ou tão só malhas que o socialismo tece?

 

20.10.10

 

António Borges de Carvalho

TRADUÇÕES E CONFUSÕES

 

Com altos aplausos da DECO (uma agência de venda de porcarias mascarada de “defesa do consumidor”), o governo anda a lançar uma nova versão das leis que nos desgovernam. Segundo a propaganda, trata-se de “traduzir” as leis em linguagem que as pessoas entendam.

 

O problema está mal posto.

Ou as leis são terrivelmente complicadas (não deve haver um só artigo que não tenha várias redacções e modificações, nada se aplica a não ser “com a redacção que lhe foi dada” pelo diploma xis, o qual, por sua vez, é fruto de uma alteração ao diploma zê, e etc. por aí fora), o que é o caso e, nessa altura o que havia a fazer era simplificá-las, ou codificá-las, ou desconfusioná-las, ou não são, mas a terminologia técnica utilizada exige algum conhecimento dos conceitos. Neste último caso, ou tais conceitos se podem exprimir em linguagem corrente e então que se redija as leis em conformidade, ou não podem, e haverá que as redigir como não pode deixar de ser.

 

Se os trutas do governo são capazes de tudo “traduzir”, então vão-se às leis, re-redijam-nas, e deixa de ser preciso “traduzi-las”.

 

O problema, meus amigos, são dois:

a)   Grande parte das leis que os nossos legisladores dão à luz são escritas por tipos que não sabem nem direito nem português, sendo muitas vezes ininteligíveis, até para o jurista mais pintado;

b)   Há conceitos que, pela sua própria natureza, exigem apreciação técnica que o cidadão comum não domina, pelo que “traduzi-las” só pode aumentar a confusão.

 

Posto isto, o melhor é que os tipos do governo se deixem de “traduções”, aprendam português e tratem de descascar a ordem jurídica da pessegada que a caracteriza.

 

15.10.10

 

António Borges de Carvalho

MARXISMO AMBIENTAL

 

A secção B2 do PC, conhecida por “Os Verdes”, resolveu propor que, na Constituição, passe a constar a proibição da energia nuclear.

 

Como parêntesis, o IRRITADO sugere que proponham também a proibição do “neo-liberalismo” – para o que teriam o entusiástico apoio do Dr. Mário Soares, das sanitas turcas - dados os eflúvios pouco ecológicos que exalam, ou da feijoada - que contribui para o aumento dos gazes provenientes do cólon, ricos em CO2 como se sabe.

 

Fecho o parêntesis.

 

Os vermelhos às riscas verdes querem igualmente que a Constituição obrigue ao combate às “alterações climáticas”, à “defesa da biodiversidade”, à garantia do “direito à água”, e mais não sei que alarvidades.  

 

Ao mesmo tempo que a Europa digna desse nome está a caminhar no sentido do reforço energético que só o nuclear pode garantir, estes paspalhos querem proibir a coisa ao mais alto nível, como se a Constituição fosse o programa político do PS, ou do PC na sua versão melancia.

As “alterações climáticas”, se as há – o que é cada dia mais duvidoso – são uma das mais caras e destrutivas teorias jamais inventadas, a arruinar um mundo que foi de luxo mas já não é.

Parvoíces destas na Constituição? Basta o que basta, que já é demais. Se fossem brincar com os outros meninos lá do centro de trabalho do PC, não era melhor?

 

A defesa da biodiversidade é um objectivo que o IRRITADO aceita e apoia. Mas, que diabo, o que tem a Constituição a ver com as calças?

 

E o “direito” à água? De estalo, não é? Talvez, com alguma boa vontade, os verdes às riscas pudessem lá pôr também o direito ao vinho, a uns bagacitos e umas bejecas.

Aqui fica mais esta sugestão. De borla!

 

Muito a sério. Esta gente, sob as ordens do PC, quer arranjar forma de ocupar tempo de revisão constitucional com maluquices, a fim de que a discussão de coisas sérias, que há tantas, fique prejudicada.

Chama-se a isto abuso de poder.

 

15.10.10

 

António Borges de Carvalho

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