Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

NÃO PAGAMOS!

 

Aqui há uns anos, os brilhantes estudantes da Nação organizaram inúmeras manifestações contra as propinas. Não pagamos, era o slogan, cantado e gritado pelas ruas fora. Sabe-se no que a coisa deu.

 

O slogan volta agora à baila por causa dos malefícios que o senhor Cravinho causou ao país quando andou para aí a convencer o pessoal que as auto estradas, para alguns, eram de borla. O desenvolvimento ia ser de tal monta que ia haver dinheiro a rodos para as pagar.

Não houve desenvolvimento nenhum. Nem há dinheiro para pagar auto-estrada nenhuma.

Daí que, aborrecidos com o facto de passar a ser iguais aos outros, os utentes das auto-estradas “à borla” renovam o “não pagamos”, fazem associações cívicas destinadas ao nobre efeito, desdobram-se em iniciativas de protesto. Não pagamos!

O governo, em mais uma das suas habituais manifestações de inteligência, apesar de haver pelo país fora um sistema de cobrança a funcionar a contento, resolve complicar as coisas arranjando um novo, de tal maneira bem concebido que nem quem o inventou o conseguia pô-lo a funcionar. Um ano depois do prazo que a si próprio estabeleceu, o governo começa a cobrar.

 

Os aborrecidos, munidos de pareceres de distintas luminárias da nossa arena, protestam, que se trata de regiões deprimidas, que as alternativas não prestam, que que que.

Ninguém explica a esta malta que alternativas são as auto-estradas, que fazer nelas um percurso a 120 à hora com poucas curvas e pouco trânsito, as mais das vezes é muito mais barato do que era andar às voltas pelas serras acima e pelas serras abaixo. Bem merece ser pago. Quem não queira pagar, tem boa solução: não usar a alternativa, que é a auto-estrada, e meter-se ao caminho como sempre fez.

 

Mas a “indignação popular”, dantes conhecida por vandalismo, tem os seus caminhos. Vai daí, sedenta de justiça, desata a queimar as portagens, a incendiar pneus, etc.

O distinto porta-voz e representante das associações “cívicas” apressara-se a declarar que “compreende perfeitamente” e que até acha que os autores destas e “de outras” coisas o género podem estar descansados quanto à “compreensão” das “comissões de utentes”. Estão antecipadamente “compreendidos”. Podem fazer o que lhes vier à cabeça.

 

Assim vai o civismo - ou o cinismo - nacional. Uns cometem crimes de sabotagem, de poluição, de perturbação de serviços e vários outros “de perigo comum” e de outras naturezas. Outros, incitam a que mais crimes se cometam.

Tudo se passa como se o Código Penal não existisse, a procuradoria da República fosse uma miragem, a polícia andasse a dormir. Que é o que se passa.

 

Postas as coisas na opinião dos vândalos e de quem os incita ao vandalismo, trata-se de legítimas manifestações de pobres injustiçados, condenados a pagar o que o Cravinho tinha dito que era de borla. Em vez de agradecer aos demais o tempo em que lhes andaram a pagar as portagens, e os anos em que continuarão a pagá-las, em vez de se solidarizar, não senhor, partem a loiça e são uns heróis.

 

Algo me diz que essa coisa do estado de direito à portuguesa tem que ser revista.     

 

30.12.10

 

António Borges de Carvalho

OBRIGADINHO Ó ALEXANDRE!

O meritíssimo juiz Alexandre acaba de, doutamente, dizer que tem numa gaveta umas escutas em que o senhor Pinto de Sousa troca impressões privadas com o seu íntimo amigo Vara.

Hossana, diz a malta. Até que enfim, pensam os que se acham com direito a saber quem os governa ou desgoverna.

 

Não tenham ilusões. Leiam as entrelinhas. As escutas que o meritíssimo tem na gaveta não são aquelas de que estão à espera. Não são as que levaram os magistrados de Aveiro a achar que o senhor Pinto de Sousa era suspeito de crimes. Nada disso. O que o meritíssimo vai pôr à disposição das partes são umas sobras sem interesse nenhum para o caso.

A prová-lo, aí está a defesa dos arguidos a embandeirar em arco. A audição de tais escutas é fundamental! As que podiam ter outro efeito, sobretudo no que toca ao senhor Pinto de Sousa, as que politicamente interessam, essas já lá vão, que com o senhor Pinto de Sousa não se brinca.

 

Vão ver. Vão ver as águas de bacalhau que isto tudo vai dar.

 

30.12.10

 

António Borges de Carvalho

INQUIETO ELOGIO

 

É muito grato ao IRRITADO verificar que a Igreja do Sacramento, na calçada do mesmo nome, tem o seu interior reabilitado e volta a proporcionar aos crentes um belíssimo local de oração e, a crentes e não crentes, um extraordinário testemunho da arquitectura e da pintura portuguesas dos finais do séc. XVII.

Português e lisboeta, o IRRITADO agradece a quem pagou e a quem fez a recuperação do precioso monumento.   

 

Na sua ignorância destas matérias, o IRRITADO nota a estranha circunstância de se ter feito a recuperação do interior do templo deixando o seu exterior num estado miserável.

Quem subir umas escadinhas com que o camarada Siza, quiçá por portuense crueldade, brindou o Chiado, chega a um pátio onde é possível “apreciar” os telhados e parte de uma empena da igreja. Quem descer do largo do Carmo para o estacionamento, “apreciará” também o que se passa com os anexos. E quem passar na Calçada, poderá deleitar-se “apreciando” o estado da fachada.

Quando a chuva, o vento, a degradação progressiva do tempo que passa começar a destruir o que se reconstruiu no interior, então aqui d’El Rei que a culpa é deste daquele e daqueloutro.

 

O IRRITADO pede aos mecenas que tão generosamente proporcionaram a restauração do interior que dediquem algum tempo e algum dinheiro a dar ao exterior a dignidade e a estabilidade. Mais que não seja para proteger o que fizeram lá dentro.

 

30.12.10

 

António Borges de Carvalho

O QUE A REPÚBLICA MANDA

 

Numa belíssima casa, com uns cem anos de idade, bem tratada, bem conservada, bem mantida, bem habitada, com todas as comodidades e padrões modernos, cercada por um jardim, sem vizinhos paredes meias, houve um incêndio que lhe consumiu o telhado, e mais teria consumido não fora a intervenção dos bombeiros.

 

Cito, ipsis verbis, a notícia do DN de ontem:

 

A Polícia Judiciária vai investigar os fogos ocorridos em menos de 24 horas em dois prédios devolutos de Lisboa colocando em risco os ocupantes dos edifícios vizinhos. Para a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, os proprietários dos prédios sem condições e desabitados deviam ser devidamente identificados e obrigados a pagar a taxa de protecção civil - que as autarquias vão passar a cobrar.

O edifício (aquele a que este post se refere) onde ontem, pelas 11 horas, deflagrou um incêndio foi desocupado há um ano. Era ali que funcionava a esquadra da PSP…, mas a falta de condições do edifício conduziu ao seu encerramento. Segundo fonte dos sapadores bombeiros, as chamas consumiram a cobertura do edifício na Rua…

Por segurança os prédios mais próximos foram evacuados e o trânsito cortado.

 

Esta “notícia” diz praticamente tudo o que haverá a dizer sobre o ambiente político-informativo em que vivemos.

A saber:

- Não há nenhuma investigação da PJ, nem razão para tal, uma vez que é conhecida a causa do incêndio (uma lareira);

- Não houve nenhuma ameaça para os prédios vizinhos uma vez que não há prédios vizinhos;

- O incêndio não ocorreu num prédio devoluto, mas numa casa habitada e bem conservada;

- O incêndio não teve lugar em casa alguma onde alguma vez tivesse havido uma esquadra da PSP;

- Houve uma esquadra da PSP perto do edifício cujo telhado ardeu, mas tal esquadra, abandonada, está inteirinha;

- Não tenho notícia de evacuações dos prédios vizinhos, porque não os há num raio de uns 50 metros, mas admito que tal tenha acontecido, por precaução;

- Não foram postos em risco os seus ocupantes;

- O trânsito foi cortado, não por estar ameaçada a segurança da circulação, mas para permitir a movimentação das viaturas dos bombeiros.

 

Parece que a única verdade contida na “notícia” será a que se refere a mais uma taxa municipal proveniente do socialismo camarário, taxa destinada a extorquir ainda mais dinheiro a proprietários que andam a ser espoliados pelo Estado desde a fundação da República. O que, quanto a conservação de imóveis, nem sequer tem a ver com o incêndio em apreço.

 

Tudo isto não passaria de mais um dos milhares de momentos em que quem tiver conhecimento fáctico de algum caso fica banzado com a capacidade de imaginação de certos “jornalistas” e de certos órgãos de “informação”.

Mas vai mais além. O que esta “notícia” nos diz é que, trinta e tal anos depois do comunismo e do socialismo terem tomado conta deste país, os suspeitos do costume continuam na “consciência nacional”. Tudo o que de mal acontece se deve aos mesmos. Não interessa investigar, sequer informar-se, sobre a origem dos males. Os culpados estão identificados. São os proprietários das casas, são os que fizeram alguma coisa da vida, são os patrões, são os que cometem o crime de, por princípio, nada ter a ver com quem diz “pensar” nesta miserável terra, são os que compraram acções e ganharam dinheiro com elas, em suma todos os que são “maus” por definição, os que não estão do lado dos “bons” por definição.

Que importa se a culpa não é deles? Não dizia o lobo ao cordeiro “se não foste tu foi o teu pai”?

É o caso. O proprietário da casa que ardeu (a sua casa!) não é um canalha de um senhorio que deixou o Estado dar-lhe cabo do património e deve ser taxado pela Câmara, roubado pelo fisco, arruinado pela lei?

Não é, mas devia ser.

Por isso, meus amigos, em Portugal a “notícia” do jornal do amigo Oliveira está certa, certíssima, é o que a República manda!

 

28.12.10

 

António Borges de Carvalho

PONTOS DE VISTA

 

O camarada Daniel Oliveira, ilustre membro do partido comunista BE, inigualável colunista do “Expresso”, pregador de insofismáveis quão zarolhas verdades e virtudes na “SIC”, compagnon de route do PS na sua versão alegre, veio, com a costumeira verve, perguntar à Nação o que aconteceria se o caso BPN, em vez de correr nas margens do PSD, corresse nas do senhor Pinto de Sousa. Isto para concluir que correriam rios de tinta e de indignação sobre o assunto, e que o senhor Pinto de Sousa, coitadinho, seria atacado por gregos e troianos e teria um trabalhão para convencer as pessoas das suas verdades. Tratando-se de pessoal com origem no PSD e com relações com o Prof. Cavaco (os outros foram cirurgicamente esquecidos pela “informação”), diz o maoista/bolchevista/trotzquista/badalista/miguelportista Oliveira, ninguém está a ser incomodado com o assunto, nem sequer o Prof. Cavaco, o qual, é preciso não esquecer, cometeu o hediondo crime de comprar umas acções a uma entidade à altura bem vista e de as vender uns tempos mais tarde com um bom lucro, isto para além de ter mantido no Conselho de Estado um amigo que não o merecia.

 

Talvez não seja dispiciendo dizer o que de facto aconteceu, assim como o que o IRRITADO acha que aconteceria se as águas sujas andassem no riacho do senhor Pinto de Sousa.

 

O que aconteceu foi que um banco que, além de falido era pasto das mais rebuscadas trafulhices, foi mantido à tona pelo Banco de Portugal, sob a insigne batuta do Dr. Constâncio, ex líder do PS e notório apoiante do senhor Pinto de Sousa - para o qual, recorde-se, até fabricou um orçamento putativo e aldrabado.

O que aconteceu foi que o presidente do dito banco, figura do PSD, foi preso e está a ser julgado em conjunto com mais uns cavalheiros, sendo da exclusiva conta da justiça-que-temos se o julgamento vier a estar acabado no século XXII.

O que aconteceu foi que o governo do senhor Pinto de Sousa, em vez de deixar cair o banco e de indemnizar, nos termos da lei, os seus depositantes, adoptou a solução socialista, isto é, nacionalizou-o, atirando o buraco para as costas dos contribuintes.

O que aconteceu, e continua a acontecer, é que o Estado, tão falido como o tal banco, ou quase, continua a despejar nele oceanos do nosso dinheiro, a fim de tapar os buracos que tudo fez para aprofundar.

O que aconteceu foi que um governo que é capaz de uma coisa destas continua paulatinamente a fingir que governa (diga-se que, se há “crimes” a assacar ao Prof. Cavaco, um deles é ter contribuído, por omissão, para que, dois anos depois da nacionalização, tal governo ainda exista).

 

O que aconteceria se o caso se passasse nas margens do senhor Pinto de Sousa?

Aconteceria pelo menos o que segue:

O presidente do banco, tal Coelho após Alcântara, continuaria gloriosamente à cabeça da instituição.

Todas as responsabilidades eventualmente assacáveis ao senhor Pinto de Sousa teriam sido arquivadas.

Todas as provas de envolvimento do senhor Pinto de Sousa no assunto teriam já sido mandadas destruir.

Os magistrados que envolvessem o senhor Pinto de Sousa e os seus amigos na tramóia já teriam sido desautorizados e as suas opiniões tidas por improcedentes.

O senhor Pinto de Sousa, perante o aplauso da sua gente, já teria demonstrado que:

- O BPN é um banco de solidez inatacável, como o país;

- Os seus dirigentes são cidadãos de primeira água, como ele e a sua gente,

- Ninguém tem nada a temer, sendo as medidas de austeridade necessárias para tapar os buracos do BPN - como as que lançou para tapar os buracos do governo, nada mais que suaves passos a caminho de um futuro promissor e luminoso.

       

Se o senhor Oliveira tem o tão aplaudido direito de fazer suposições, porque não há-de o IRRITADO de fazer o mesmo?

 

28.12.10

 

António Borges de Carvalho

BRANQUEAMENTO CANINO

 

É uma ternura ver os olhinhos pequeninos da dona Ana Gomes a rebolar-se de prazer quando lhe chamam rotweiller.

Adora ser cão que morde mais quando lhe apetece que quando lhe fazem mal. Adora ladrar, que os rotweiler também ladram.  

Na TV, toda pregadinha, toda compostinha, nem parece o furacão de cujos desforços o colega e vizinho lá do Guincho tanto se queixa. Mero disfarce.

 

A história dos submarinos, desde que o soberano chefe Pinto de Sousa levantou a questão no areópago nacional, passou a ter direito às dentadas da ilustre senhora. Compreende-se.

Parece que o fogo que os fumos de corrupção anunciam está a ser investigado na Alemanha. Por cá também foi, ou vai ser, ou não sei. Mas isso não interessa.

A fúria canina quer mais, quer ir ao cerne da questão, sendo o cerne da questão perseguir, com latidos, ganidos, ladraduras e dentadas, o senhor Portas (Paulo). Esse sim, é o animal a abater.

Para tanto, há que ir tão longe quanto os papéis ou a sua falta e a imaginação da tenebrosa senhora o permitam.

 

Não interessa que a decisão de comprar 3 submarinos tenha sido do PS.

Não interessa que o senhor Portas (Paulo) os tenha reduzido de 3 para 2.

Não interessa que, quando o senhor Portas (Paulo) fez o contrato, houvesse dinheiro para o fazer como se fez.

Não interessa que, se deixou de haver dinheiro, tenha sido porque o PS deu cabo dele.

Não interessa que, durante mais de CINCO ANOS, tenha sido o PS a gerir aquilo em que hoje se diz haver malandrice.

Não interessa que o senhor Portas (Paulo) nada, mas mesmo nada, tenha a ver com a gestão do período durante o qual se diz ter as malandrices sido praticadas.

Não interessa que a comissão governamental encarregada de gerir as malandrices tenha sido chefiada por um aderente do PS de longa data, dominada pelo governo do PS, nem que tal comissão tenha deixado passar tudo o que agora se diz ser malandrice.

Não interessa que o contrato que, segundo a rigorosa deputada, é pai de todas as desgraças, tenha sido integralmente gerido pelo PS.

 

O que interessa é “apanhar” o Portas (Paulo), dizer que negociou mal, que fez mal às contas, que fez mal ao Estado, que fez mal a todos nós, em suma, que é um canalha. Delendus est Portas!

É extraordinário que a sagacíssima senhora e o seu partido tenham andado mais de CINCO ANOS contentíssimos a gerir uma coisa tão má, tão má, sem se ter lembrado ou dado ao trabalho de, uma vez que fosse, pôr em causa uma só cláusula da dita.

É extraordinário que a insigne criatura só agora, aliás bem acompanhada pela matilha do BE - que anda falha de ideias excitantes - tenha dormido a sesta em cima do assunto enquanto os seus (dela) camaradas andavam a coonestar, na maior das calmas, tudo aquilo que, agora, passou a trafulhice.

 

Um argumento, um só, usa a matilha para desconfiar de Portas (Paulo): o facto de ele ter passado uma noite a fazer fotocópias não se sabe de quê, antes de sair do governo.

É de perguntar se, desde que há fotocópias, houve algum membro de algum governo da II e da III repúblicas que não tivesse, ao sair, levado papéis para casa. É, aliás, o que manda a mais elementar prudência.

O IRRITADO espera que o dr. Portas (Paulo) tenha levado consigo material suficiente para dar cabo dos mastins, quando chegar a altura azada.               

 

Acima de tudo e ainda que com escassa esperança, espera outrossim que esta retumbante operação de branqueamento do PS, a somar a tantas outras, venha a conhecer o fim que merece.

 

27.12.10

 

António Borges de Carvalho

BRAQUAMENTO BALZAQUIANO

 

Ouvi há dias uma tal Clara Ferreira Alves perorar, indignadíssima, contra o facto de o Dias Loureiro ter mentido ao Parlamento. Mais indignada estava porque o Prof. Cavaco, apesar disso e até poder, manteve o homem no Conselho de Estado.

Tem toda a razão a madura rapariga. Quase.

Tê-la-ia toda se também se indignasse com o facto de o maior e melhor especialista em mentiras (ao povo, ao Parlamento, a tudo o que mexe) da História de Portugal, o senhor Pinto de Sousa, continuar calmamente a mentir, sem que ninguém, nem o Presidente, nem o Parlamento, nem o PS - a bem da perdida honra do convento - tenha exigido a sua demissão.

Isto já não é digno da indignação da madura menina!

O Cavaco é para destruir, o Pinto de Sousa para branquear.

Assim vai o mundo.   

 

27.12.10

 

António Borges de Carvalho

MASTER IN BUSINESS ADMINISTRATION

O senhor Pinto de Sousa, conhecido mundialmente como José Sócrates, mandou publicar, no site da Universidade de Columbia, Nova Iorque, o seu brilhantíssimo curriculum vitae.

Todos devemos ficar profundamente orgulhosos da categoria humana, social, académica e política deste nosso admirável concidadão, bem como, de uma vez por todas, ficar cientes de quão criminosas foram as campanhas contra ele movidas por forças ocultas, escondidas pelo anonimato e provindas das mais vergonhosas alfurjas.

 

Senão, vejamos:

1. O senhor Pinto de Sousa licenciou-se em engenharia civil pela Universidade de Coimbra, não se sabendo quando.

2. O senhor Pinto de Sousa, em 2005, tirou um MBA no “Instituto da Universidade de Lisboa”, coisa que deve ter sido criada só para ele, uma vez que ninguém mais sabe que existe, havendo até quem diga que jamais existiu.

3. Do ponto de vista profissional, o senhor Pinto de Sousa foi, na câmara da Covilhã, não se sabe quando nem por quanto tempo, “technical engineer”, coisa que, infelizmente, na língua de Byron, nada quer dizer.

4. Depois, com 30 anitos, entrou no Parlamento. A partir daí, nunca mais fez nada que não fosse subir na política e deixar-se lá ficar.

5. A ele ficamos a dever o Euro 2004. Literalmente, aos seus credores.

6. A ele ficamos a dever “dramáticas alterações” em energias renováveis. Literalmente, nas facturas da EDP, ocupando um glorioso 4º lugar nesta matéria.

7. O senhor Pinto de Sousa “tentou” fazer umas reformas na administração pública e lutou contra a sobrecapacidade ( ?) da função pública. Seja o que for que isto quer dizer, lutou!

8. O senhor Pinto de Sousa quis reduzir a burocracia, mas o desemprego e a dívida pública continuam a ser problema.

9. No auge da glória, o senhor Pinto de Sousa comunica ao Mundo a sua cereja em cima do bolo: o casamento gay! Lado a lado com países que o não fizeram, está no top da civilização, ainda que, por enquanto com algumas pequenas limitações.

10. Não consta do currículo publicado pelo senhor Pinto de Sousa que tenha ou tenha tido mulher, dando a entender, estranhamente, que os seus filhos o são de mãe incógnita, coisa que, nos EUA, deve causar óptima impressão.

 

E mais não diz. 

Para que se veja que o IRRITADO não inventou o que acima se refere, segue, ipsis verbis, o texto fornecido à Columbia University pelo gabinete do senhor Pinto de Sousa:

 

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, commonly known by his given names José Sócrates, is the prime minister of Portugal and secretary-general of the Socialist Party. Sócrates first became prime minister in 2005 and was re-elected in 2009.

He was born in 1957 and spent his early years in the city of Covilhã. At the age of 18 he went to Coimbra, where he earned a degree in civil engineering. He received an MBA in 2005 from the Lisbon University Institute.

José Sócrates was one of the founders of the youth branch of the Portuguese Social Democratic Party before changing his political affiliation and joining the Portuguese Socialist Party in 1981. He was a technical engineer for the Covilhã city council and has been elected a member of the Portuguese parliament since 1987. He served as spokesperson on environmental affairs for the Socialist Party from 1991 to 1995. In 1995, he entered government as secretary of state for the environment. Two years later, Sócrates became minister for youth and sports and was one of the organizers of the EURO 2004 cup in Portugal. He became minister for environment and territorial planning in 1999. Following the elections of 2002, Sócrates became a member of the opposition in the Portuguese parliament. In 2004, he became secretary-general of the Socialist Party. After the victory of his party in the 2005 Portuguese election, Sócrates was called on to form a new government. He was elected for a second term as prime minister in September 2009.

Portugal has made dramatic changes in its energy policy over the last five years under the government of Prime Minister Sócrates. The country's installed renewable energy capacity more than tripled between 2004 and 2009 and renewable energy sources now represent roughly thirty-six percent of electricity consumed. Thanks to this performance, Portugal currently ranks fourth in Europe in energy production from renewables.

Under Prime Minister Sócrates, the government has tried to create new rules and implement reforms aimed to improve efficiency and rationalize resource allocation in the public sector, fight civil servant overcapacity, and reduce bureaucracy, but the country's public debt and deficit, as well as high unemployment, remain problems.

This spring, Portugal joined the five European countries that have already legalized same-sex marriage: Netherlands, Belgium, Spain, Norway, and Sweden. France and Denmark recognize same-sex unions, which convey many but not all of the rights enjoyed by married couples.

Sócrates has two sons, José Miguel and Eduardo.

Source: Information provided by the office of Prime Minister José Sócrates.

 

University Programs and Events, Office of the President   worldleaders@columbia.edu

  

FIAT LUX!

 

26.12.10

 

António Borges de Carvalho

NATAL

 

Cristãos são os que nasceram e vivem nesta civilização, quer acreditem quer não que era Deus o Menino cujo nascimento amanhã se comemora.

Menino-Deus ou Menino-Menino, inspirou dois milénios da nossa vida. Inspiração tantas vezes levada por perversos caminhos mas, apesar de tudo, fonte de valores e costumes que têm sido base da nossa matriz civilizacional.

Se o Seu nascimento, real ou simbolicamente comemorado, nos faz procurar e pôr em acto bons sentimentos que tantas vezes ignoramos, ninguém poderá dizer que não valeu a pena.

O IRRITADO pede aos crentes que rezem pelo seu país e, a todos, que tenham força moral para o melhorar.

 

Não é fácil, mas também vale a pena.

 

António Borges de Carvalho

BOA DISPOSIÇÃO

 

A fim de poder melhorar a disposição dos que o lêem, procurou o IRRITADO um presente para lhes oferecer.

Nada melhor, segundo o conselho do camarada Louça, do que telefonar ao senhor Assange e negociar com ele uns telegramazinhos. O camarada Louça, do Assange, tinha tudo: o endereço email, o telemóvel, o fixo, o tel. da secretária, de sete adjuntos, da mulher da limpeza, do guarda-costas e do guarda portão.

Não foi barato, mas foi fácil. O rapaz arranjou uns telegramas diplomáticos altamente sensíveis, constantes do dossier de Cagolândia, país ultra-periférico da União, como é do conhecimento geral.

Com a devida vénia, o IRRITADO transcreve os referidos telegramas sem censura e em tradução quanto possível literal.

 

 

Do embaixador dos EUA em Marralhoa, capital de Cagolândia

 

Senhora Secretária de Estado, minha boa Hilária

 

Sou a informar que a mulher da limpeza do MNE de Cagolândia anda metida com o motorista da afilhada do PM Cágrates, a mesma que, conforme já avisei o State Department no meu telegrama de 5 de Outubro, andou a comprar andares de luxo como testa de ferro do dito.

O assunto assume importância de Estado, uma vez que a porteira de Cágrates, que tem uma ligação lésbica com a referida afilhada, ameaça desbroncar-se, pondo em causa a segurança do país em particular e do Ocidente em geral.

A meu ver, seria de considerar a preparação de uma invasão militar do país, com o alto objectivo de manter a tranquilidade pública e de pôr esta gente a pensar na vida, designadamente através da defenestração do Cágrates.

 

Com os melhores cumprimentos

E um beijinho do

 

John da Beiçuda

 

 

Do embaixador de Cagolândia em Washington

 

Senhor Ministro, Excelência, meu caro Lili

 

É voz corrente no State Department que os EUA estão tentados em invadir a Cagolândia, a fim de pôr na rua o nosso bem amado Cágrates. Acusam-no de ter relações sociais com lésbicas, o que muito desagrada à IURD local e confunde os eleitores. Além disso, consta por aqui que o Prof. Eng. Cágrates anda metido numas autorizações dadas a uns bifes para abrir umas mercearias na periferia da capital e de ter uma equipa de especialistas a tratar de dejectos com obscuras finalidades.

Permita Vossa Excelência, e meu caro Lili, que recomende contacte SEXA o Ministro da Defesa no sentido de se preparar a mobilização geral, homens e mulheres, sem distinção de orientações sexuais, assim como a meter gasolina nos navios da Armada e a preparar os escovilhões para limpeza de obuses.

 

Saudações socialistas, e um grande abraço

 

José Maria Pincel

 

 

Do embaixador da Líbia em Washington

 

Grande, bem amado e sábio Grão-Vizir Cá-Dáfi

 

Que Alá vos guarde!

 

Dados os preparativos do chacal americano para invadir Cagolândia, peço a alta e esclarecida opinião de VEXA, nosso Grão-Vizir, que o Profeta ilumine, para declarar oficialmente o apoio da nossa Jamihyria à luta armada do Povo Cagolandês contra o Grande Satã.

 

De joelhos perante Vós

 

El-Parvi Al-Maluki

 

 

Do embaixador da Venezuela em Marralhoa

 

Dom Hugo, bem amado, soberano e bolivariano líder

 

Atrevo-me a sugerir a Vossa Bolivarianíssima Alteza que me autorize a comunicar às autoridades de Cagolândia o nosso integral apoio militar a SEXA Cágrates, e bem assim que as nossas Forças Armadas estão equipadas com trezentos mil computadores Cagalhães (a pagar no séc. XXIII), o que largamente as superioriza às do inimigo.

 

No passarán!

O socialismo vencerá.

Glória eterna ao camarada Bolívar!

 

Ramon Zanahoria

 

 

Do embaixador de Cagolândia em Rabat

 

Senhor Ministro, Excelência

 

Dadas as provocações de que a nossa Pátria e o nosso esclarecido PM Cágrates têm sido alvo por parte dos tipos do casino norte-americano, tenho a honra de informar VEXA que, em périplo que realizei a mando de VEXA pelos países amigos do Mediterrâneo Sul, poderemos, no presente transe, contar com duas divisões palestinianas, uma secção de infantaria do Egipto, papel higiénico da Argélia e apoio psicológico e religioso do Líbano (sector fundamentalista, em colaboração com a alcaida).   

 

Respeitosas saudações socialistas e Cagratocráticas

 

Manuel da Penica

 

 

Do embaixador de Cagolândia em Bruxelas

 

Senhor Ministro, Excelência

Meu caro Lili

 

Sou a informar que, no seguimento de diligências por mim efectuadas junto da Comissão, a mesma deliberou:

 

a)     Nomear 33 comissões de estudo para avaliar a crise iminente que se desenha por causa da incompreensão americana relativamente às lésbicas;

b)     Constituir tais comissões por um representante de cada um dos 28, a nomear no prazo de seis meses, 1 da ILGA, que já foi nomeado, e 4 do partido socialista Cagolês, também já nomeados;

c)      Atribuir desde já aos membros das comissões, nomeados ou por nomear, senhas de presença da 5 mil euros por reunião realizada ou por realizar e 42 dias de ajudas de custo mensais, estas segundo a posição institucional da cada um. Os referidos comissários terão direito a alimentação e alojamento (cinco estrelas) nas suas deslocações, assim como a motorista, secretária, dois adjuntos e viagens em primeira classe, de forma a garantir o regular funcionamento das respectivas comissões;

d)     Emitir um comunicado, a assinar pelo Comissário dos Direitos Humanos, protestando contra a repreensível e ilegal ingerência armada dos EUA, e bem assim contra as suas inconfidências sobre a vida privada de SEXA Cágrates;

e)     Emitir outro comunicado, subscrito pelos presidentes das comissões, denunciando igualmente o presente atentado à Lei e à moral internacionais;

f)        Agradecer aos governos amigos da Cagolândia, com destaque para os da Venezuela, da Líbia e da Autoridade Palestiniana, o apoio que vêm dando, nesta crise, ao Povo Cagolês.

 

De VEXA, atº, vndºr. e obrº.

 

Mário Perneta

 

 

Do embaixador de Cagolândia em Washington

 

Excelência, caro Lili

 

No seguimento das diligências efectuadas por SEXA Cágrates junto de várias capitais, e da nossa modesta contribuição em Washington, foi possível deslocar a esta capital a prima da afilhada e a sua mulher, as quais foram recebidas no State Department pela dona Hilária.

A reunião, a todos os títulos cordial, prolongou-se por duas horas e teve o sucesso esperado. Assim, as nossas representantes garantiram que jamais tiveram intenção de ferir os sentimentos do governo dos EUA e bem assim que não passa pela cabeça da prima do motorista de SEXA Cágrates cometer qualquer atentado contra a segurança do país, ou incentivar compras de andares. As senhoras em causa garantiram também que os bifes já tinham retirado todas as queixas e que não havia problema nenhum no caso das mercearias. Finalmente, quanto ao caso dos dejectos, as senhoras descansaram dona Hilária afirmando que já não restam quaisquer maus cheiros deles provenientes, uma vez que as autoridades do saneamento básico se encarregaram da sua eliminação.

Uma vez assim reposta a verdade dos factos, dona Hilária não escondeu a sua satisfação e até brindou as nossas concidadãs com repenicados beijinhos.

 

Tenho, por conseguinte, o prazer e a honra de informar o governo da Nação que, para já, a crise está debelada. 

 

O meu colega da União perguntou-me o que fazer com as Comissões especializadas para tratar deste assunto, ao que respondi que deveriam prosseguir os seus trabalhos pelo menos durante dois anos.

 

Saudações socialistas e cagratocráticas

 

José Maria Pincel

 

*

 

NB. O IRRITADO agradece a gentileza do senhor Assange, bem como as diligências do seu agente em Portugal, senhor Louça, para a obtenção de tão importantes documentos.

FILOSOFIAS

Raramente perco tempo a falar de comentadores menores, tipo Mário Soares ou V.J. Silva, cujo recorrente “lema” é sempre o mesmo, a saber: as soluções para a crise são inventadas pelos culpados da dita, todos “neo-liberais” por definição, destinando-se a prolongar os seus privilégios à custa dos inocentes...

 

Hoje, porém, li um artigo assinado por Miguel Portas, que acho merecer alguma consideração. Quanto mais inteligente e até mais sábia é uma pessoa, mais perigosas se tornam as suas análises, se partirem de premissas inválidas ou se se servirem de instrumentos viciados.

 

Segundo ele, as violentíssimas manifestações a que temos assistido na Grécia, no Reino Unido e em Itália, são justas e bem fundadas. Ninguém, diz ele, é feliz condenado a casar cada vez mais tarde e a viver em casa dos pais ou dos avós até aos 30 ou aos 40.

Erro crasso. Não é, de forma alguma, a crise económica que provoca o fenómeno a que se refere. Trata-se de um tendência social que começou muito antes de qualquer crise, e que tem muito mais a ver com o chamado planeamento familiar e com a justa ascensão da mulher a postos a que, antes, dificilmente teria acesso. Bem ou mal, as pessoas cuidam primeiro da carreira e da experiência, só depois se metem, quando metem, nos trabalhos que uma família dá. É muito mais por isso do que por falta de meios que se vão deixando estar em casa dos pais. Nunca, como nos últimos anos, a compra de uma casa e a disponibilidade de meios que tornam mais fácil a opção de casar, estiveram tão à mão da juventude.

Foram, as decisões “sociais” de pôr meios, isenções fiscais, juros sem significado, à disposição das pessoas, o que engordou a crise. Nos EUA, onde a esquerda liberal tomou semelhantes atitudes, foi o que se sabe. Por cá, a monumental estupidez da lei do arrendamento, agravada com as alterações que o senhor Pinto de Sousa demagogicamente lhe introduziu, veio, mais uma vez por razões “sociais”, empurrar as pessoas para o endividamento e para o imobilismo, assim ajudando a aprofundar a crise. O casamento tardio nada tem a ver com o assunto, antes se poderia dizer o contrário.  

Depois, defende Miguel Portas que foi posta em andamento uma máquina infernal de transferência de rendimentos, ou seja, que o dinheiro dos nossos impostos e dos impostos dos nossos filhos foram mobilizados em socorro do sistema financeiro que nos mergulhou na crise.

Olhe para o seu país, Dr. Miguel Portas. Olhe o desperdício que por aí vai, há anos e anos, com justificações “sociais”. Olhe os problemas da nossa banca: são problemas de banditismo e de rotundo falhanço do Estado “social”, não da banca. E, se a banca tem problemas, vêm eles dos seus créditos ao Estado, gerido por megalómanos e estúpidos cheios de preocupações “sociais” a que acrescem os cidadãos por ele enganados na voragem das “vantagens” “sociais” pelo poder criadas, não da gestão bancária que seguiu o caminho que o poder lhe apontou ou se serviu dos atractivos das políticas “sociais” dos governos. Se o Estado se arruína a “salvar” o insalvável (o BPN) ou a procrastinar a questão do BPP, não é porque esteja a proteger a parte da banca arruinada por “cavalheiros de indústria”, é porque, sendo socialista, não deixa funcionar as regras do capitalismo segundo as quais os bancos em causa, nesta altura, já não eram problema para ninguém pela simples razão que já não faziam parte do mundo dos vivos.

Caro Dr. Portas, esta coisa de arranjar um bode expiatório para tudo e mais alguma coisa, sempre o mesmo, é uma limitação intelectual que, podendo ser muito “marxista”, não só não é inteligente como não leva a parte nenhuma.

Os decisores europeus não estão, como o Sr. diz, a impor aos seus povos… uma máquina infernal… que transforma a dívida privada em dívida pública… sendo o dinheiro dos nossos impostos e os impostos dos nossos filhos mobilizados em socorro do sistema financeiro que nos mergulhou na crise.

O que os decisores políticos fazem, entre nós e não só, primeiro, é gastar dinheiro em trafulhices universais como as alterações climáticas, as políticas “sociais”, os investimentos idiotas e outras práticas suicidárias, segundo, é pôr as pessoas, via impostos e taxas, a pagar essas maluquices, os “ordenados” de centenas de milhar de inúteis, as megalomanias cretinas, a propaganda desbragada.

Entretanto, a “malandragem” dos bancos deixa de ter dinheiro para meter na economia, para gerar emprego, para proporcionar benefícios sociais propriamente ditos, isto é, os que a economia poderia pagar sem se arruinar o país.

A culpa, meu caro senhor, não é do sistema financeiro, salvaguardados os casos de polícia. É das filosofias, tão “sociais” como idiotas, que levam as pessoas a ter, como necessidade fundamental, ser dono de uma casa – veja lá se os alemães têm casas!, as empresas a ter, como cliente de eleição, o Estado, as famílias a pensar que, se não “puxarem ao coco”, têm na mesma tudo o que precisam à disposição, a culpa é do socialismo que as coloca na dependência do fisco e da coisa pública, não de si próprias, é da sacrossanto imobilismo social que o “direito ao trabalho” – invenção do socialismo - metendo na cabeça de cada um que o trabalho lhe era devido como prebenda “social” e não que cada um deve o trabalho, antes de mais a si mesmo. Quando se brama, como o Sr. e seus ideológicos companheiros, contra a “precariedade”, o que se “defende” é o desemprego, os recibos verdes, os contratos a prazo, os ordenados miseráveis, etc.

A “riqueza das nações” não estará no laissez faire laissez passer, mas, de certeza certezinha, jamais esteve na entrega dos cidadãos nos braços do Estado. A riqueza das nações está em inverter o processo, isto é, em transformar o Estado numa emanação da sociedade e não esta numa emanação daquele.

 

O problema de fundo, o problema do futuro, Dr. Miguel Portas, não é saber se Bruxelas trata mal ou bem da crise, é ir filosofando como o senhor filosofa. Enquanto se reduzir o problema à velha questão dos maus e dos bons, como o senhor faz, não vamos a parte nenhuma.

 

18.12.10

 

António Borges de Carvalho

ENERGETICAMENTE FALANDO

Segundo o Prof. Mira Amaral, as eólicas em Portugal já vão em… três mil milhões de euros.

Vêem vocês o que andam a pagar nas facturas da electricidade?

Vêem quanto custa a demagogia do governo, a crendice Comissão Europeia, a propaganda dos “cientistas” do “aquecimento global, a sede de poder da ONU, o progresso dos brokers do carbono?

Vêem? Vêem como a civilização se suicida?

 

O mesmo senhor defende, com argumentos de peso, que o nosso problema energético, por outras palavras, o problema das energias fósseis, se resolvia com três centrais nucleares integradas num esquema ibérico, isto é, em colaboração com os espanhóis.

Haja alguém que chame os nomes aos bois, mesmo pregando no deserto de ideias em que o país se arruína há tantos anos.

 

A energia é um produto de primeira necessidade que, como qualquer outro produto, deve ser produzido proporcionando lucro a quem o produz e chegando ao consumidor nas melhores condições de preço de preço, quantidade e qualidade.

Isto implica concorrência e diversidade, fiabilidade e produtividade.

Em Portugal, parece que, para se resolver um problema, a primeira coisa é pegar nos respectivos dados e virá-los do avesso, a melhor maneira de tornar as opções absurdas e insustentáveis.

A energia eólica, em si, não dá lucro, precisa de incalculáveis investimentos, é caríssima para o consumidor, não tem produtividade que justifique o que custa nem em quantidade nem em qualidade, não é fiável (precisa coadjuvada por centrais térmicas) e é, como toda a energia em Portugal, gerida e fornecida por um monopólio de facto.

 

Sabia que, se comprar uma turbina eólica para pôr no quintal, é obrigado a vender à EDP a energia produzida e a continuar a comprar-lhe a energia que consome?

Mesmo que, como diz a propaganda, a operação lhe dê lucro, porque carga de água não pode ser você a gastar a energia que produz e na qual investiu? Porque é que não pode dá-la, vendê-la aos seus vizinhos, deitá-la fora? Será que o seu moinho, ao rodar, está a gastar o vento? Será que a sua produção não substitui importações de petróleo ou gás? Será que você é um pária?

 

Pense duas vezes, meu amigo, e veja até que ponto lhe sai do bolso o dinheiro que o socialismo comanda e até que ponto há, em Portugal, alguma coisa a que se possa chamar liberal, ou livre?

 

17.12.10

 

António Borges de Carvalho

DA CENSURA JUDICIAL E OUTRAS MARAVILHAS

 

 

Os jornais britânicos, em uníssono, acham que, afinal, o casal MCann não é tão angelical como tem feito crer.

O IRRITADO não faz a mais pequena ideia sobre as culpas e as não culpas do tal casal no desaparecimento da filha.

O que não quer dizer que ande de olhos fechados.

 

O que o IRRITADO, como toda a gente, vê, é o que segue:

 

  • O Dr. Gonçalo Amaral acha que os fulanos têm culpas no cartório;
  • Os fulanos acham que não têm;
  • Os britânicos andam para aí a colaborar com o Dr. Amaral, fornecendo até canídeos especializados;
  • Os cônjuges passam a arguidos.

 

Eis senão quando, já não sei bem como:

 

  • Os cônjuges deixaram de ser suspeitos, deixaram de ser arguidos e regressaram sossegadamente a casa;
  • O Dr. Amaral é desautorizado, corrido da investigação, fica sem emprego e sem carreira, passa a ser personna non grata para quem, por cá, manda nestas coisas;
  • Os cônjuges, entretanto, ganham rios de dinheiro, apresentam-se com secretárias, assessores de imprensa, relações públicas, etc., vão ao Papa e não sei mais onde;
  • Chegam ao ponto de receber nada menos de 550.000 libras de uns jornais que têm o desplante de dizer sobre eles coisas menos agradáveis;
  • O Dr. Amaral publica um livro relatando as suas investigações e as conclusões prévias a que chega;
  • O casalinho vê aprovada uma providência cautelar em que propõe o esbulho dos livros publicados e a proibição da sua venda;
  • O caso ainda anda e andará pelos tribunais;
  • O Dr. Amaral está arruinado, sem emprego e sem sequer poder vender o livro onde conta o que julga saber, porque os tribunais o censuraram e continuam a censurar.

 

Eis a nossa Justiça. A que deita fora o que não convém ao governo, a que se prepara para mandar em paz os homens do “face oculta” e outros mais, a que anda entretida com sindicatos, reivindicações de dinheiro e privilégios. A que faz censura para esconder o que lhe pode ser inconveniente.

 

A Justiça que temos. Como é que se sai disto?

 

17.12.10

 

António Borges de Carvalho

CELEBRIDADES

 

Não sei se conhecem um magrizela que tem a mania de se pôr todo nu na televisão, com as partes a recato, que faz troça de velhinhas e coisas do género, sendo suposto ter graça.

Vi-o para aí duas vezes neste tipo de preparo. Desisti. O fulano que se vá armar em parvo para outra freguesia. Cá em casa tem os dias contados.

Com o devido destaque, publica o DN uma retumbante notícia. Titula assim: Bruno Nogueira é destaque em “site” espanhol. E reza a seguir: A fama de Bruno Nogueira já chegou a Espanha. Porquê?, perguntou o meu bestunto – será que os espanhóis perderam o sentido do humor e do bom gosto a este ponto?

Não, não era isso. O tal fulano merecia ibérica celebridade porque protagonizou, com a namorada de George Clooney, um anúncio ao café do Nabeiro. Genial. Que frisson deve causar a namorada do George! A rapariga aparece lado a lado com o tal Nogueira numa fotografia da “Hola!”.

Só que, azar, segundo o jornal que pariu o título acima citado, do magrizela só aparece a fuça, não o nome, já que, em Espanha, merecidamente, ninguém sabe quem o tipo é.

Não diz a bota com a perdigota. Mas cá a malta, quando se mete na gabarolice estúpida, é o máximo!

 

17,12,10

 

ABC

MALHAS QUE A POLÍTICA TECE

 

Fui por duas vezes ao Kosovo. Em 1999 e 2002, salvo erro.

Trata-se de uma sociedade onde a intolerância social, racial e religiosa subjaz àquilo a que, por eufemismo que fosse, se poderia chamar “comunidade”.

Os sérvios, antes senhores, passaram a perseguidos.

Uma criança sérvia, para ir à escola, precisava de escolta da NATO. O mesmo para uma mulher sérvia que fosse às compras. Os prédios habitados por sérvios eram guardados por tropas “residentes” e por patrulhas armadas até aos dentes.  O bispo ortodoxo sérvio imperava numa espécie de Sé, a uns vinte quilómetros da capital, rodeada por um convento e protegida por tropas por todos os lados. O sérvio que tratava dos registos, passaportes e outras papeladas - formalmente, a Sérvia ainda detinha o poder - como achava que tudo estava “sossegado”, saiu uma vez sozinho; à esquina da rua levou com uma bomba no focinho.

Lá para o Norte, havia uma aldeia, tida por exemplar pelas força militares e pelo poder efectivo da EU, onde os sérvios se tinham entendido com os albaneses e onde havia uma certa cooperação. Isto, como é óbvio, sob protecção da NATO. Não sei o que veio a acontecer a tal aldeia.

Um pouco por toda a parte, via-se os estragos que os bombardeamentos norte-americanos tinham causado, todos eles cirúrgicos, a destruir o poder sérvio e a mostrar a impotência da Europa para resolver o problema por via militar, a não ser que arriscasse dezenas de milhar de vítimas.

 

Conheci relativamente bem o senhor Ibraim Rugova, líder moderado dos albaneses, cuja vida viria a ser ceifada por um cancro na altura em que mais necessário era para o seu povo e para os seus vizinhos.

 

Conheci também, por desagradáveis momentos, o chefe das milícias albanesas que as forças de ocupação procuravam transformar em chefe de uma nova polícia civil. Um latagão, metido com a sua temível gente num casarão solene e kitsh, com enormes Mercedes à porta, a testemunhar a riqueza e a segurança do fulano.

Contava-se a seu respeito as mais terríveis histórias. Para além de guerrilheiro nas montanhas, de destruidor de aldeias e culturas, dizia-se que tinha montado um pipe-line de carne branca proveniente da Rússia, Ucrânia, etc., que era canalizada para as arábias e para os bordéis das máfias europeias. Para além destas nobres actividades, constava, no currículo profissional do senhor, um sector dedicado ao contrabando de armas, com clientes sobretudo em Espanha e no Médio Oriente.

 

Pois esta notável personalidade ganhou as eleições no Kosovo independente. O Conselho da Europa considera-o chefe de uma rede responsável contrabando de armas, drogas e órgãos humanos (estes sobretudo obtidos via extracção de rins e outros pertences a prisioneiros sérvios) através da Europa de Leste.

Quer dizer, apesar do caríssimo apoio que a civilização lhe deu, o senhor Thaçi não se emendou. Tem até a vida facilitada pelo exercício do poder “democrático” e pelo euro - para quem não saiba, o euro é a moeda do Kosovo(!) - o que muito contribui para evitar as especulações dos clientes de rins e outros produtos “biológicos”…

 

A Europa resolveu estancar os vários afloramentos de genocídio na pretérita Jugoslávia. “Obrigou” os americanos a ajudá-la. Compreende-se.

Alguma coisa falhou. Rios de milhões correram por aquelas terras, e continuam a correr, sobretudo no Kosovo. A União Europeia empenhou-se, e continua a empenhar-se, literalmente, na protecção de gente que elege dirigentes como o senhor Thaçi. O tribunal da Haia, para os Kosovares, parece não existir. O banco central europeu, tão preocupado com os perniciosos efeitos monetários dos governos da Europa do Sul, esquece-se dos euros que são despejados e circulam por aquelas bandas, no Kosovo, no Montenegro e não sei mais onde.

 

A partir de um não declarado protectorado criou-se mais um Estado, formalmente democrático, realmente rogue.

Não sei, em concreto, que erros foram cometidos, ainda que muitos pudesse arrolar, a benefício de inventário.

Sei que se deu direito de cidade a quem direito de cidade não merecia. Sei que, se algum caminho de “decência” vier por sorte a ser tomado na região, será daqui a muitos anos. Sei que o que estas coisas custam aos bolsos dos europeus, tão aflitos com os seus problemas e tão esquecidos dos problemas que sustentam, sem contabilidade, sem controlo e sem que os pagantes o saibam.

 

Pobre Europa!

 

16.12.10

 

António Borges de Carvalho

GUERRAS TAVARIANAS

 

O Tavares (Sousa) é contra o Wikileaks.

O Tavares (Rui) é a favor do Wikileaks.

O IRRITADO leu o Tavares (Rui) e percebeu a matriz da guerra que se estabeleceu entre eles.

Não é uso do IRRITADO defender as posições do Tavares (Sousa), nem meter-se na conversa de terceiros.

Mas o texto do Tavares (Rui) tem que se lhe diga.

Escreve o deputado comunista que há “segredos justificados e/ou necessários”, mas que se espalha por aí uma “cultura de secretismo crescente nos últimos anos”. Depois, determina o que, no seu alto critério - que devia ser adoptado por toda a gente - faz parte dos “segredos justificados e ou/necessários”.

Acha, por exemplo, que o que os EUA consideram como alvos do terrorismo que podem pôr em causa a nossa segurança, não faz parte dos “segredos justificáveis/necessários”. Não acha, por isso, que as informações sobre tais alvos sejam secretas. Não. O que é preciso é que os terroristas, que o Tavares (Rui) defende - já não é a primeira vez - saibam onde devem atacar, em vez de andar, coitados, a perder tempo com alvos menores.

Num mundo em que o volume de informação é cada vez maior, em quantidade e qualidade ou falta dela, o Tavares (Rui) descobre uma alarmante “cultura de secretismo”. É assim como dizer que a descoberta do Vasco da Gama encurtou os horizontes da humanidade.

O Tavares (Rui) acha que os embaixadores, sejam eles quais forem, deviam mandar para os jornais todas as informações que prestam aos seus governos, sob pena de estar a colaborar num horrível “secretismo”. Supõe-se que, quando o plumitivo escreve à companheira ou, na linguagem do Bloco, ao/à companheiro/a, a lembrar as delícias dos seu último encontro, manda imediatamente o texto aos jornais ou, mais modestamente, ao Facebook.

O Tavares (Rui) acha que todas as informações do Wikileaks, uma vez filtradas por quem as compra - os “cinco mais prestigiados jornais mundiais”, todos de esquerda como é lógico - são do maior interesse público, nelas incluindo as “fofocas fúteis” (palavras dele) que para aí vicejam. Então, se boa parte de tais fofocas foram publicadas pelos excelsos jornais, onde está o “tratamento editorial criterioso”, que tanto admira?

Uma questão que o deputado comunista evita é a de saber o que valem as informações dos embaixadores americanos ao seu governo. Valem as impressões que cada embaixador tem sobre este e sobre aquele, valem a informação do que ouviram nos mentideros das capitais, são, na esmagadora maioria dos casos, informações destinadas a ser verificadas e filtradas por outras instâncias, não se lhes podendo atribuir, cegamente, a reprodução de qualquer verdade irrefutável.

Publicá-las, atribuindo às impressões dos embaixadores as características da mais verdadeira das verdades, é o contrário do jornalismo. É violação de correspondência, quando não de segredos de Estado ou de assuntos legitimamente tornados secretos. E é, na origem, puro roubo, compra e venda de material roubado, cujos praticantes e defensores deviam ser exemplarmente punidos nos países onde a Moral e o Direito ainda têm algum significado.

 

Mas não é a destruição dessa Moral e desse Direito o objectivo principal dos comunistas?

Tudo se torna claro, “transparente” e lógico, se olharmos com alguma atenção as opiniões do Tavares (Rui).    

 

16.12.10

 

António Borges de Carvalho

O PREÂMBULO DA DESGRAÇA

Para que serve o preâmbulo de uma lei, seja ela qual for?

Para dizer o mínimo, a resposta é que se destina a esclarecer a intenção com que a lei é escrita, ou seja, é o primeiro recurso interpretativo para quem tiver dúvidas quanto à sua aplicação.

 

Vem isto a propósito da recente quão recorrente discussão sobre o preâmbulo da Constituição que temos, texto que, apesar de várias revisões constitucionais, se mantém inalterado desde 1976.

Qual a razão da polémica?

É simples. O tal preâmbulo é mal escrito, ambíguo e ideologicamente marcado. Atribui à Constituição a qualidade de corresponder “às aspirações do país”. Que aspirações? Generalidades sobre a democracia e a liberdade. Muito bem.

Mas não se trata de democracia e liberdade tout court. Nos termos do preâmbulo, a democracia e a liberdade servem para “abrir caminho para uma sociedade socialista”. Sociedade socialista que, “no respeito pela vontade do povo português” conseguirá “um país mais livre, mais justo e mais fraterno”.

Para além de estarmos perante uma vergonhosa pessegada lógica e ideológica, estamos também a braços com uma intolerável imposição de uma parte do povo sobre outra parte, impondo a “verdade” socialista a todos os que não acreditam nem aceitam o socialismo.

Somos livres, sim, desde que, obrigatoriamente (a Constituição é a mais alta fonte de todas as obrigações cívicas), aceitemos como bom caminhar para uma “sociedade socialista”. Ou seja, o socialismo, impingido como se se tratasse do paraíso na terra, sobrepõe-se à vontade democrática da sociedade, limitando-a na expressão dos seus desejos e aspirações e, implicitamente, considerando que não é legítimo aspirar a viver numa sociedade não socialista.

Numa palavra, segundo os conceitos que servem de base e inspiração à nossa Constituição, não somos livres.

 

Seria só ridículo, como o é boa parte da Constituição, se não fosse grave.

 

Talvez se possa entender que a Constituição sofreu os efeitos da horrível turbulência leninista dos tempos em que foi aprovada. Mas, como é evidente, nada justifica que, mais de trinta anos depois, passadas que foram várias revisões constitucionais, ainda tenhamos que nos envergonhar das abomináveis determinações do seu primitivo texto, a mais violenta das quais é a que estabelece a obrigatoriedade do caminho para o socialismo, como abominável seria que nos impusesse o caminho para outra coisa qualquer.

 

O CDS cometeu o inimaginável crime de propor a abolição do preâmbulo ou, pelo menos, a sua limpeza.

Nem pensar!

À excepção de um parlamentar do PSD (um!), toda a gente achou que não se devia mexer na repugnante coisa.

Quem quiser interpretar “autenticamente” a Constituição, terá que se ater ao “caminho para o socialismo”, e pronto.

Como afirmou uma besta qualquer do Bloco de Esquerda, os que não gostam da merdosa intenção querem substituí-la pelo “liberalismo económico”, assim “dinamitanto” a Constituição. Brilhante raciocínio: o homem vê-se ao espelho e julga que os demais são tão ordinários quanto ele.

A indigna criatura que roubou telemóveis aos jornalistas - a sua manutenção na ribalta diz tudo sobre o estado a que o PS chegou - desafia os contestatários: “Quando tiverem dois terços” retirem o preâmbulo, diz o canalha. Aí está um argumento digno de quem o produz.

Mas a mais extraordinária defesa da porcaria vem, quem diria, do ilhéu Mota Amaral, estranha personalidade com laivos de Opus Dei(!): “ainda hoje subscrevo o preâmbulo”, diz ele.

 

Este o estado em que ainda estamos.

Quando o mundo inteiro já percebeu que as soluções do futuro podem ter a ver com tudo menos com o socialismo, continuamos a patinar, atrasados, vítimas da nossa própria indigência mental.

Com 20% das pessoas a votar nos próceres da idiotia comunista.

Com um partido socialista transformado em pastagem da desonestidade e da mais ignorante e demagógica imoralidade.

Com um partido reformista que, a avaliar pelo que se passa com o preâmbulo da Constituição, nada será capaz, sequer, de tentar reformar;

Com um partido da direita que, apesar de se dizer não socialista e de não gostar do preâmbulo da nossa miséria, passa os dias a votar com a extrema-esquerda.

 

Que futuro temos se, tanto as “elites” como o povo em geral, ainda não foram capazes de perceber a origem do mal, nem o querem, simbolicamente que seja, extirpar da nossa vida?

 

16.12.10

 

António Borges de Carvalho

LOUÇAS & Cª

Almas puras e grandes defensores da “liberdade”, capitaneadas pelo Louça, por um senhor de nome Cintra Torres e por uma besta que é ministro do negócios estrangeiros na Austrália(!), andam por aí numa fona a demonstrar ao orbe a excelência moral da operação Wikileaks.

Trata-se, segundo os seus politicamente correctíssimos arautos, de um “novo paradigma”, de um enorme avanço na “liberdade” das pessoas, do nascimento de uma “nova era”, de bem-vindas “novas portas” que a idade da electrónica abre à humanidade.

Têm razão. É um novo paradigma, é a inevitável explosão do que de pior a internet criou: o anonimato, com o seu cortejo de irresponsabilidade, de ausência de escrúpulo, de fuga a qualquer norma moral ou cívica, de branqueamento da mais cobarde criminalidade.

Os chamados hakers, até há pouco criminosos de delito comum, passaram, de um dia para o outro, a heróis da liberdade. Os ladrões da internet passaram a jornalistas. Os traficantes passaram a honestos trabalhadores da informação. Um soldado traidor à pátria passou a paladino da “transparência".

 

O chefe, o patrão, o génio incompreendido que dá face à coisa, utiliza como chamariz publicitário a sua própria fronha amordaçada com a bandeira dos EUA. Uma imagem que define o inimigo, a intenção política que subjaz à “obra”. É esclarecedor. Diz-nos que o seu comércio não é o da informação, mas o de manobras políticas orientadas para o descrédito de uma nação cheia de defeitos mas, apesar de tudo, uma das maiores democracias do mundo, à qual devemos a liberdade propriamente dita, ou seja, a negação activa do totalitarismo e da mordaça.

Ao contrário dos passadores de droga e dos traficantes de carne humana, o patrão da trafulhice informática pode enriquecer à vontade à custa dos produtos que roubou e mandou roubar, pode vendê-los a quem quiser. Dá a cara, dirá quem me lê. Pois. Não é culpado de nada. Só publicita, só vende, só trata de material "que lhe mandam". Não roubou nada a ninguém, nem às pessoas nem ao Estado. É um santo.

 

Mais. O que o Wikileaks defende – o anonimato e a irresponsabilidade dos bandidos de cujas práticas é arauto – não pratica. Pelo contrário, exige a identificação de quem quiser dialogar com ele, assim criando valiosa base de dados, coisa vendável aos polícias da opinião com as indicações necessárias a perseguições de vária ordem.

Mas o génio é um herói. Se uma respeitável e democrática Justiça – a sueca – o acusa de coisas que nada têm a ver com o seu negócio, os Louças & Cª concluem que está inocente e proclamam tal inocência como dado adquirido e irrefutável. O homem, esse, aproveita para uma monumental campanha de publicidade, que está à vista de toda a gente.

 

O herói da Wikileaks está acima do Estado de direito, de nada pode ser, sequer, acusado. Nem pensar! O deus ex-máquina dos Louças & Cª é tão divino que a justiça dos homens nada deve poder contra ele. Tudo o que dele se disser é pura invenção.

 

Entretanto, não sei onde, uma gigantesca organização, valendo-se de omissões legislativas de diversa natureza, continua a trabalhar, atestando o florescimento do negócio, a estupidez pública e o aturado trabalho dos Louças  Cª para a instauração do reinado do Big Brother, desde que o Big Brother sejam eles.

 

13.12.10

 

António Borges de Carvalho

 

 

Com a devida vénia, a seguir transcrevo uma lúcida prosa de José Manuel Fernandes, ínsita no “Público” de Sábado.

 

O debate sobre o WikiLeaks tem, a meu ver, omitido um ponto central: o das motivações do seu fundador, Julian Assange. Parece ser dado por adquirido que o australiano tem como objectivo uma maior transparência no funcionamento das nossas democracias, quando isso não á verdade. Assange, na verdade, nem pensa que vivamos em democracia. Em 2006, escreveu vários textos onde defendeu que os Estados Unidos - e o Ocidente em geral - não eram mais do que uma “conspiração autoritária” e que os seus lideres eram todos “conspiradores”. A única forma de deter tais “conspiradores” seria dificultar a forma como comunicam “uns com os outros”, gerando fugas de informação que obrigassem “o Estado securitário” a diminuir a capacidade da sua rede computacional, tornando-o assim “mais lento” e “mais estúpido”. Olhando para o impacto das revelações da WikiLeaks e para o que se prevê que aconteça no apertar das regras nas comunicações internas nos Estados Unidos, Julian Assange está a conseguir atingir estes seus objectivos.

Devem, pois, desiludir-se os que pedem ã WikiLeaks que revele também segredos da Rússia, da China ou do irão:

isso não faz parte da sua agenda política. E também é bom que, na comunidade jornalística, se saiba separar o trigo do joio: uma coisa é noticiar o que, mal ou bem, foi colocado no domínio público, o que deve sempre ser feito de forma livre e responsável; outra coisa é fingir que Julian Assange é um campeão da liberdade quando, na verdade, é um anarquista que manipula sem grandes escrúpulos enormes quantidades de informação e promove violações de comunicações secretas não em nome da transparência mas para tentar destruir o tipo de sociedade em que vivemos.

E bom sabermos ao que andamos e de que lado estão os que defendem a liberdade, assim como os que a utilizam para melhor a destruirem. Isto não significa deixar de noticiar os segredos revelados sempre que estes forem de interesse público, antes conhecer o terreno (minado) que se pisa.

 

 

TRÊS NOTÍCIAS EXTRAORDINÁRIAS

 

1 - O ilustre académico Henrique de Freitas, secretário de estado da defesa do governo Barroso, alto funcionário em Bruxelas e noutras coisas, estrénuo defensor a Aliança Atlântica e de outras coisas, acaba de anunciar a sua coerentíssima pertença à comissão de “honra” do senhor… Alegre. Eventualmente para fazer concorrência ao pluralismo ideológico do Prof. Lobo Antunes.

 

2 - O Dr. Nobre, certamente ansioso por agradar a gregos e a troianos, classificou a atitude do senhor César de desobedecer ao chefe e tratar de “subornar” os funcionários públicos dos Açores como “uma questiúncula”. Coitado do homem. Não só não percebe nada do que anda a fazer, armado em candidato, como não sabe que o assunto é de uma sensibilidade e de uma gravidade brutais.

 

3 - O MNE da Austrália acha que a culpa de haver dicas a alimentar a luta do Assange e do Louça contra os EUA é… dos EUA! É assim como um tipo ir parar ao chilindró por ter sido roubado, enquanto o ladrão e o receptador se ficam a rir. Uma notícia dos antípodas da terra e dos antípodas da moral e do direito.

 

9.12.10

 

António Borges de Carvalho

AGORA É QUE VAI SER BOM

 

Com razão ou sem ela, não há quem não se queixe da “informação” em geral e da imprensa em particular.

 

A partir de agora, ou de daqui a uns tempos, vai ser diferente. Tudo vai ser melhor. Animem-se!

 

É que o camarada Rui Pedro Soares - célebre pelas suas actuações na PT e na Taguspark - entrou em conúbio informativo com o camarada Emídio Rangel - o mais assanhado, desvairado, tarado, virulento e zarolho defensor do senhor Pinto de Sousa - para, vejam bem, fundar um novo semanário.

 

Animem-se! Agora é que vai ser “informação” a sério! Independência a rodos! Notícias como deve ser! Seriedade nova e actuante! Hossana!

 

Há que juntar mais uns elementos, a fim de permitir aos leitores do IRRITADO ajuizar destas inegáveis qualidades.

O novo jornal será financiado, julga-se, pelos chorudos proventos tão justamente obtidos na PT e anexos pelo senhor Soares. Mas há mais. Sabe-se que virá muito dinheirinho dos castelhanos da MediaPro - sociedade proprietária do jornal espanhol Público e do canal de TV LaSexta, órgãos oficiosos do senhor Sapateiro.

 

Animem-se! Vamos ter um órgão de “informação” com princípios entusiasmantes. Agora é que vai ser bom.

 

8.12.10

 

António Borges de Carvalho

Pág. 1/2

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D