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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

NOTÍCIAS DO FIM DE SEMANA

 

Na senda do seu primo Louçã, o camarada Jerónimo veio anunciar que a sua moção de censura foi criteriosamente concebida para que o PSD a não possa votar.

Bom seria que o PSD percebesse a mensagem e a votasse mesmo, ainda que explicitando outros motivos. É que, com este PR e com a actual configuração da Assembleia, ou vai desta ou arriscamo-nos à maior das desgraças, que é o Pinto de Sousa  se aguentar até ao (nosso) fim.

À atenção de Pedro Passos Coelho.

 *

Afinal, há só 300.000 desempregados! É que, segundo um estudo qualquer, 300.000 portugueses têm dois empregos. Se há 600.000 desempregados… basta o Pinto de Sousa proibir o segundo emprego para reduzir o desemprego a metade! Se o tipo descobre…

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Em 1994 havia 821 meritíssimos juízes. Em 2009, passaram a 1311. Os processos que tal gente concluiu foram, em 1994, 850.000. Em 2009, 820.00. Em 1994, cada juiz finalizou 1029 processos. Em 2009, 478.

Quando se fala em produtividade… encontramos a magnífica obra dos absurdos (ou criminosos?) sindicatos…

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Quando V.Exª se senta no cinema a ver um filme português nem sonha que, para além do preço do bilhete, você e os seus concidadãos pagam 36 euros em subsídios do Estado. Se acrescentar que a esmagadora maioria dos filmes portugueses são uma horrível chatice, fica com uma noção clara do que é a demagogia cultural em que vivemos. O estado, em vez de premiar obras de boa qualidade e bom público, gasta o nosso dinheiro a sustentar penduras.

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Conhece um advogado de seu nome Domingos Lopes? Não conhece, nem você nem ninguém. Pois é nessa qualidade que o fulano escreve prosas ultra-estalinistas no jornal privado chamado “Público”. Se, em vez de advogado, se apresentasse como um dos mais renhidos próceres do PC, que é o que ele é, talvez ficássemos mais esclarecidos.

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O inacreditável quão douto Noronha do Nascimento ameaça o juiz Carlos Alexandre com um processo disciplinar e um pedido de indemnização, caso o homem não destrua as escutas Vara/Pinto de Sousa, que estão no processo “face oculta”. Vêem onde pode chegar a politização da justiça? O IRRITADO, quando tiver tempo, pronunciar-se-á sobre este assunto com mais algum detalhe. Mas fica, desde já, o aviso.

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A Autoridade da Concorrência, do alto do seu alto valor como “regulador” por conta do Pinto de Sousa, anunciou que não investiga os preços dos combustíveis. Por outras palavras, acha que a desculpa para os cartelizadíssimos aumentos – o preço do petróleo – serve quando sobe, mas não quando desce. Pensem nisto: o imposto sobre os combustíveis é ad valorem, e concluam que o principal membro do cartel é o governo. Quanto mais caro, mais impostos… a “autoridade” deve estar por conta…

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As vozes do Estado “Social”, a começar pelo PS, passam a vida a vituperar a existência dos recibos verdes, e a falar, cheios de caridade, sobre os infelizes que os emitem. Esquecem o pormenor de dizer que o principal “patrão” dos recibos verdes é o Estado “social”, as câmaras municipais e os milhares de organizações estatais e para-estatais que por aí vicejam. Por outro lado, as finanças, que não devem fazer parte do Estado “social”, atiram-se que nem feras enraivecidas aos infelizes dos recibos verdes. Ao ponto de terem concluído que há 64.000 pessoas que não pagam impostos ganhando mais do que a astronómica quantia de 2.515 euros… por ano! Canalhas! Viva o Estado “social”!

 

28.2.11

 

António Borges de Carvalho

PARA O INTENDENTE, RAPIDAMENTE E EM FORÇA!

 

A Câmara de Lisboa, apesar de inúmeras sessões de propaganda, continua a ser o monstro burocrático que sempre foi, o consumidor de impostos que sempre foi, o empata que sempre foi, o buraco financeiro que sempre foi, o inimigo público que sempre foi. O esforço de Santana Lopes para alterar as coisas há muito se perdeu, com a tropa fandanga do Costa, da Roseta, do Fernandes et alia a espalhafatar demagogias mais ou menos idiotas.

 

A última grande decisão do nosso presidente foi, calcule-se, mudar-se para o Intendente. O magnífico edifício da Praça do Município, o belíssimo quão funcional gabinete do Presidente, a dignidade da cidade, nada disto conta para o Costa.

 

Mudar-se para o Intendente porquê, para quê?

Segundo a filosofia costo/roseto/fernandina, trata-se de “recuperar” o Intendente, zona mal afamada de droga, prostituição barata e negócios afins. Supõe-se que, por estar ali a Presidência, a droga, a prostituição e os negócios afins vão desaparecer. Donde se conclui que, se se trata de erradicar tais fenómenos, melhor seria o Costa fazer mais uns gabinetes, por exemplo no Casal Ventoso, no Bairro da Liberdade, na Musgueira e noutros locais de quejanda fama.   

Para quê? Nesta matéria a filosofia camarária não diz grande coisa. Podem os lisboetas pensar o que quiserem. O IRRITADO pensa que se trata de tomar conta das facilities da fábrica “Viúva Lamego”, de gastar um balúrdio em obras, decorações, infra-estruturas técnicas, estacionamento subterrâneo, modernices e modernidades, tudo com o eventual objectivo de… gastar o dinheiro que a CML, apesar de mais ou menos falida, deve ter com fartura(?).

 

Reza a viquipédia que a fábrica se mudou para Sintra em 1992. Reza outrossim que o seu velho edifício é um de “imóvel de interesse público”, coisa que, diga-se entre parêntesis, nem a própria Câmara sabe o que quer dizer.

Como entrou a Câmara na posse do prédio é coisa que o IRRITADO desconhece. Que “interesse público” tem o edifício, para além da fachada de azulejos, é coisa que o IRRITADO sabe não existir.

Quer isto dizer que o Costa vai construir um edifício novo por trás da fachada histórica. Uma fortuna. Para quê? Para duplicar serviços que já estão bem instalados noutro sítio e que, por causa de um incêndio, foram objecto de obras milionárias.

 

A maledicência alfacinha dirá que o Costa quer ir juntar-se aos “seus” no Intendente. O IRRITADO nem por sombras chega a tal ponto. Mas aceita que, para quem pensar neste assunto, é muito difícil encontrar qualquer justificação para tal e tão ridícula parvoíce, tal e tão clara irresponsabilidade, tal e tão evidente pisar dos interesses da cidade.

 

27.2.11

 

António Borges de Carvalho

"PRETUGUÊS"

 

“O amante apanhado nas garras do amor romântico comporta-se como um adicto, seguindo a mesma linha de conduta”.

Esta frase, mais ou menos ininteligível, lead de um artigo de jornal, chamou a atenção do IRRITADO para o que julga ser um neologismo, a palavra “adicto”, inglesismo tão inútil (em português diz-se dependente), quanto desagradável para quem lê ou ouve.

Os dicionários já adoptaram a palavra, ainda que não tenham passado dela, isto é, não tiveram a coragem de fazer o mesmo com adictar ou adicção. Paciência.Não passa o establishment o tempo a falar de implementação?

 

Esta irritação despertou outras, por todo o lado recorrentes, dos jornais aos livros, das televisões às rádios, dos escritores aos criativos da publicidade, dos analfabetos aos Prof’s.

Senão, vejamos:

- Nos tempos em que o português se prezava da sua lógica interna, ninguém se atreveria a pronunciar pêlo para exprimir a contracção de por com o. Os professores de português, antes da ponteirada no toutiço, costumavam dizer: “Pêlo? Pêlo de quem? Do cão?”, coisa que muito atrapalhava as criancinhas. Hoje há pêlos e pêlas por tudo quanto é sítio e ninguém se importa com isso, a começar pelos professores;

- Se eu dissesse “esta caixa é em ferro”, o professor aplicava directamente a ponteirada. Depois invectivava: “Diga lá o meu menino onde está a caixa. Em Ferro? Não conheço nenhuma terra com esse nome!”. O menino fazia beicinho e, lembrado dos ensinamentos recebidos, diria “desculpe senhor professor, de ferro, a caixa é de ferro”. Hoje, por toda a parte se fala de “motores em alumínio”, “caixotes em madeira”, etc., sem que seja quem for mexa uma palha, a começar pelas escolas;

- Os infinitos antecedidos da preposição a (correspondentes a gerúndios) jamais seriam admitidos no plural. Hoje são o pão nosso de cada dia. “A verem o filme, estavam contentes”, “Eram muitos a ofenderem-se”, e por aí fora. “As luzes a acenderem-se e a apagarem-se” – meu Deus, esta, como muitas iguais, é do António Lobo Antunes, génio que tem um rebanho de catedráticas a rever-lhe os textos!!!

- O mesmo com para, por, sem, etc.: “Foram a exame para passarem”, “Casaram por se amarem”, “Sem saberem as regras do jogo, enganaram-se”…

- O pleonasmo, coisa condenadíssima quando havia gramática, tornou-se hábito e está em plena expansão: “Parece-me a mim”, “Estou confrontado com”, “Antes prefiro”…

- E os verbos a concordar com o complemento directo em vez de concordar com o sujeito? “Vendem-se andares”, “Compram-se jóias”…

 

Há mais, há muito mais. Irritações para quê? Se calhar vale mais achar que a dona Edite Estrela é uma grande filóloga, que as catedráticas do António são o máximo, que a alma é pequena e já não vale a pena.

 

26.2.11

 

António Borges de Carvalho

OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES

 

Não sei se já repararam na forma “suave” como o senhor Pinto de Sousa e seus áulicos tratam as revoltas do Norte de África, sobretudo a da Líbia.

Compreenda-se. É triste ver criticar acerbamente um amigo com quem se partilhou a tenda, que se recebeu em casa, a quem se cedeu um monumento nacional para se instalar, cujas festas se frequentou, um homem que se abraçou com honra e prazer, por ser escovado pelos escravos e reagir à porrada, como compete. Um homem que já tinha sabido mostrar o seu poder mediante um atentado contra um avião civil do inimigo eleito, um homem que - que exemplo! - se preparava para legar o poder aos seus filhinhos mostrando assim os seus elevados sentimentos, um homem tão bem arranjado, tão bem cheiroso, um homem que dava exemplares do Corão às putas italianas, um homem…

É por causa da merecida consideração que este grande homem merece ao nosso governo que o nosso governo não alinha na universal condenação dos seus métodos, práticas e ideias, antes comenta com excepcional bonomia, cristã caridade e assinalável atraso, os acontecimentos que o põem em causa.

 

Quando correu o boato que o coronel tinha fugido para a Venezuela, o IRRITADO, plein de joie, almejou que o senhor Pinto de Sousa fosse ter com aqueles que publicamente são os seus maiores amigos. Seria um trio de excelência, a iluminar o nosso mundo!

Tal não sucedeu, infelizmente.

Mas a luta continua, não é?

 

25.2.11

 

António Borges de Carvalho

VIAGEM AO MUNDO DOS CANHOTOS

 

Não sei se o IRRITADO já contou esta história. Mas, ao ouvir a palinódia de um tal Pureza(?) no Parlamento, ela veio-lhe à memória.

Numa primaveril manhã dos idos de 78 ou 79 (o IRRITADO ainda não tinha nascido) desembarcava este vosso criado na estação de Campanhã, para um dia de trabalho na cidade invicta.

Umas dezenas de pessoas esperavam no cais, empunhando bandeiras vermelhas. Não eram bandeiras do PC, do PS, do MRPP ou de quejandos. Que bandeiras seriam?

De uma carruagem, vejo então sair um magote de tipos mal vestidos – parecia que se tinham ataviado no tempo da guerra e nunca mais tinham mudado de fatiota.

Os fulanos das bandeiras desataram aos gritos: PTA, PTA, PTA! Fiquei banzo. Mais um partido? Mais comunas, socialistas ou outros tipos de camaradas? Ainda não temos que chegue?

A turba abraçava os recém-chegados com esfusiante alegria. Os visitantes olhavam para a estação como se fosse a Catedral de Colónia e deixavam-se abraçar, meio aparvalhados. Percebia-se que não se entendiam uns aos outros. Que língua falariam?

Perguntei a um dos embandeirados o que era aquilo. Era a UDP a receber os camaradas do Partido do Trabalho da Albânia, PTA, PTA, PTA!

Esclarecido o mistério, fiquei a pensar como era possível ser-se estúpido ao ponto de, em nome do socialismo, apoiar entusiasticamente os sequazes do mais horrível e miserável país da Europa, governado por um tirano, um feroz e sanguinário canalha. Havia, no entanto, que reconhecer que a Albânia era o socialismo na sua mais alta e autêntica expressão. Compreendi. Dei a mão à palmatória.

 

Anos mais tarde, a malta da UDP viria a juntar-se aos nacionais próceres do “socialismo revolucionário”, grupelho que, com Trorsky como orago e Louçã como chefe, andava por aí, há anos, aos papéis. O parzinho acabaria por anexar uma outra organização, confessamente bolchevista que, sob a batuta de Portas (Miguel), publicava um jornaleco, de seu nome “Política XXI”, nome próprio da organização.

O ramalhete assim formado viria a constituir-se em partido político e a intitular-se Bloco de Esquerda.

 

O Bloco de Esquerda foi capaz de arregimentar uns tipos que estavam chateados com o PC, mais umas senhoras gordas, palavrosas e mal vestidas, umas meninas todas bonecas, uns intelectuais sem emprego na política, uns rapazes precocemente envelhecidos, etc. Com esta malta e muito paleio, convenceu não poucos portugueses a presenteá-los com um grupo parlamentar inigualável, uma vez que consegue o bíblico milagre da sua própria multiplicação, o que lhe permite apresentar caras novas todos os dias na AR, as mais delas que ninguém elegeu mas que se sentam no hemiciclo à vez e ganham o ordenadinho como se o tivessem sido. Genial!

É deste ventre que sai o tal Pureza a fazer discursos de alta ortodoxia democrática, condenando regimes socialistas, tais o do coronel Cadáfi, o do camarada Hu e o do social-trafulha Chávez, quiçá porque não são suficientemente socialistas.

 

Sem jamais terem feito o mea culpa do seu passado de torcionários dos valores democráticos, os tipos do Bloco têm a lata de se fazer passar, hoje, por indefectíveis arautos deles. Comunistas, eles?, nem pensar! Como se, com três ovos podres, se pudesse fazer batatas fritas! Um exemplar alarde da mais repenicada trafulhice ideológico-propagandística.

 

Não se apresenta o PC também com a boca a regurgitar “democracia”, como se tivessem alguma coisa a ver com o assunto? Apresenta sim senhor. Mas o PC mantém o trogloditismo estalinista que se pode ler no Avante!, e vai deixando escorrer a verdade em coisas tais que a daquele rapaz gorducho que acha a Coreia do Norte um paraíso dos direitos humanos. O PC tem o rabo de fora e só engana quem quer ser enganado.

 

Com o Bloco a coisa é outra. O Bloco disfarça muito melhor. E, como não tem, que se saiba, parceiros “institucionais” no estrangeiro, dá-se ao luxo de condenar os colegas de ideologia, a fim de convencer os papalvos da sua fidelidade a princípios em que, evidentemente, não acredita.    

 

O que uma pessoa tem de aturar!

 

25.2.11

 

António Borges de Carvalho

CONTAS SOCRALDRABONAS

 

Como é do conhecimento geral, o senhor Pinto de Sousa tem proclamado aos sete ventos que está, por excesso!, a cumprir as suas promessas orçamentais, aquelas, lembram-se?, que fizeram com que o Dr. Passos Coelho desse a esta gente um completamente absurdo benefício da dúvida.

 

Vistas as coisas por quem sabe, a verdade é a seguinte:

 

A receita em impostos directos, em Janeiro, aumentou 26% em relação a Janeiro do ano passado, cifrando-se em 253M€, diz o PM.

Estes 26% devem-se à receita de IRC (mais 153,4% em relação a Janeiro de 2010);

Os impostos indirectos deram um valente contributo:

  Imposto sobre veículos: mais 59,9%

  Imposto de circulação: mais 46,4%

  IVA: mais 60 milhões de euros.

Procurando a origem destas brutais cobranças, teremos:

A de IRC deve-se às distribuições antecipadas de dividendos (estão a ver porque é que o governo não se chateou nada com tais distribuições?).

Os 60M€ devem-se às vendas de automóveis, em Dezembro, à antecipação do aumento do IVA e ao fim dos incentivos à compra de veículos.

Conclusão: a esmagadora maioria da descida do défice (398M€) fica a dever-se a receitas não recorrentes, por isso “extraordinárias”.

A receita contribuiu com mais de 90% para a quebra do défice, reconhecem os “governantes”, ainda que não se perceba bem como tal aconteceu, já que a despesa aumentou.

O governo comprometeu-se a conseguir a quebra do défice através (1/3) de aumento da receita e (2/3) da descida da despesa. O governo não cumpriu.

A despesa efectiva subiu cerca 1%. O governo não cumpriu.

A despesa com o pessoal, apesar da baixa dos salários da função pública, cresceu 4,9%. O governo não cumpriu.

Os juros pagos aumentaram 23%. Neste particular não se pode dizer que a culpa seja do governo, a não ser por ter conduzido o país à miserável situação em que se encontra e por, ainda por cima, andar a embandeirar em arco por ainda haver quem compre a dívida.

Com os juros consistentemente acima dos 7%, o governo contabiliza a 6,4%. Contabilidade criativa?

 

Perante isto - as contas não são do IRRITADO - de que está o PR à espera para pôr esta gente na rua?

Será que está a contar com o voto do PC numa moção de censura do PSD ou do CDS? A que preço?

De que está o Dr. Passos Coelho à espera para exigir do PR a dissolução da Assembleia?

Acharão, um e outro, que, “lá fora”, ainda há quem acredite nesta gente?  

Ainda não perceberam que a dona Ângela jamais dará o braço a torcer - se der - enquanto correr o risco de pôr dinheiro nas mãos desta gente?

Ainda não perceberam que vivemos na “estabilidade” mais instável de que há memória?

Ainda não perceberam que, ou se reduz o PS à dimensão que merece, ou seja, a 10 ou 15 por cento, ou o país não tem salvação?

 

Vá lá, meus senhores, pensem um bocadinho que não lhes faz mal nenhum.

 

23.2.11

 

António Borges de Carvalho

ESTE PAÍS NÃO É PARA QUEM TEM JUÍZO

 

Respiguemos os destaques da monumental entrevista com que Sua Excelência o Procurador Geral da República nos presenteou:

 

1 - Lamento que os políticos continuem a tentar resolver problemas políticos através de processos judiciais;

 

2 - Fiz um comunicado em que disse: não há nada até este momento contra o primeiro-ministro. A partir daí a imprensa inverteu e desatou a atacar o procurador;

 

3 - As escutas (Vara e Sócrates) que passaram por aqui foram destruídas. O resto não sei;

 

4 - O segredo de justiça, em Portugal, é uma fraude, não há segredo de justiça nenhum!;

 

5 - A República tem que arranjar leis que a defendam (das escutas ilegais) ao nível do aparelho de Estado.

 

Aqui temos uma amostra do “pensamento” desta altíssima figura do nosso sistema judicial.

 

Numa análise rápida:

 

1 - A asserção verdadeira devia resultar da inversão da frase: é de lamentar que o PGR utilize as suas funções para proteger políticos aflitos ou suspeitos, resolvendo problemas judiciais com critérios políticos;

 

2 - Ao safar, como confessa, o primeiro-ministro, o PGR põe em causa e desmente, com critérios políticos, os seus subordinados que tinham seguido critérios judiciais;

 

3 - O PGR confessa que não faz a menor ideia se há ou não há, por aí (nos seus próprios serviços!) cópias das escutas;

 

4 - Se o segredo de justiça não existe é porque ele, os seus serviços ou os seus subordinados não o respeitam;

 

5 - A República deve proteger os cidadãos de escutas ilegais, e não só o aparelho de Estado!

 

O PGR há muito devia ter sido substituído por alguém que, pelo menos, tivesse uma dose razoável de bom senso.

Depois desta entrevista, que está o senhor a fazer no palácio? A resposta é: está a demonstrar que o país, no que à justiça diz respeito, há muito que não existe, e a proclamar aos sete ventos que os problemas da justiça começam ao mais alto nível. Ao nível dele e ao nível de quem lá o segura.

 

21.2.11

 

António Borges de Carvalho

MALDITA EUROPA!

 

Os nossos ilustres governantes descobriram que a culpa de todos os males que afligem a Nação é da Europa.

A culpa já foi do Cavaco, do Barroso, até do Santana. A culpa já foi dos EUA e da sua crise. Já foi dos mercados, da economia de casino (Mário Soares dixit), do preço do petróleo, do diabo a quatro.

Quando o IRRITADO pensava que a culpa viria, a curto prazo, a ser do “aquecimento” global, do Benfica ou do amigo banana, eis que a inteligentsia governamental descobriu o verdadeiro, o único, o mais terrível culpado: a Europa!

 

Vejam o que diz o poder:

 

o enfrentar desta situação implica uma resposta europeia

(gajo do beicinho à banda);

o conselho europeu estará em condições de uma vez por todas dar um sinal claro

(criatura de cabelo à escovinha das finanças);

Portugal está e continuará a fazer o seu trabalho. A Europa é que tem ficado aquém

(rapazito de barbas que vem todos os dias à TV dizer aldrabices).

 

Interpretando:

O governo trabalha afincada, honestamente e com enorme sucesso, para combater a crise - como demonstra, por exemplo, a 14ª visita do primeiro-ministro às obras do túnel do Marão;

O governo, qual alfaiate, toma “medidas” - como demonstra, por exemplo, a inauguração de um lar da terceira idade, pelo primeiro-ministro, em Bragança;

O governo sabe que a situação económica é óptima, como demonstram, por exemplo, as últimas 432 declarações do primeiro-ministro;

O governo tem um sucesso formidável a vender papéis de crédito a preços altíssimos, como demonstram à saciedade, por exemplo, as múltiplas afirmações de grandes vitórias financeiras que o primeiro-ministro anuncia dia sim dia não.

 

Quem lixa tudo é a Europa!

A Europa, capitaneada por governos de direita (só os países de sucesso têm governos de esquerda, como a Grécia, Portugal e a Espanha), insiste em não acreditar nas inteligentíssimas políticas do governo, há seis anos em gloriosa marcha para um futuro brilhante, futuro em que só ele acredita porque só ele tem razão.

A Europa ameaça! Com quê? Com a necessidade de haver quem tome conta disto. Canalhas! Não sabem que quem toma conta disto é o governo?

 

Apesar do maravilhoso governo que temos, todos somos vítimas dos malefícios da Europa, pasto que é de gente de direita, de agiotas, de incompetentes e de inimigos da nossa bela Pátria.

E ainda há quem queira acabar com o governo, quando, ao invés, se devia era acabar com a Europa!

 

20.2.11

 

António Borges de Carvalho

PRECARIEDADE

 

O IRRITADO assistiu ontem a um espectáculo verdadeiramente aterrador.

Cinco fulanos, da esquerda e da direita, e um rapazola de uns vinte e poucos anos, discutiam a “precariedade”.

Os cinco, de um ponto de partida ou de outro, tentavam explicar ao rapaz o que se passa no mundo do trabalho. Diziam-lhe que as coisas estavam mudadas, cá dentro e lá fora, que a chamada segurança do emprego, enquanto intocável “direito”, tinha deixado de existir – onde existia - e que as novas gerações tinham que lutar pela vida.

O rapaz não entendia ou não queria entender. Para ele o emprego é uma coisa que se tem, um direito constitucional que a sociedade deve a todos, direito que se exerce para toda a vida, seja quem for que o garanta. Despedir alguém, para a mentalidade do jovem, é um caso de polícia.

Baldados foram os esforços para o fazer perceber que o exercício do “direito ao trabalho”, pelo menos interpretado segundo os cânones que ele considera aplicáveis, é causa de imobilidade social, garantia de insucesso, fonte de problemas não de soluções.

Nada a fazer. O rapaz era – é – um produto acabado de mais de 35 anos de ilusões e de estupidez constitucional, legislativa, governamental e social. O rapaz era – é – o resultado da prática de “direitos”, ditos “sociais”, que de direitos pouco têm, no sentido em que nada nem ninguém pode garantir a sua perene aplicação.

Os odiados recibos verdes, os contratos a prazo não renováveis enquanto tal, são a inevitável consequência da rigidez laboral. Não serão ultrapassados enquanto não houver flexibilidade, liberdade de contratação e de despedimento, enquanto o mercado do trabalho tiver regras desumanas, amarrando a empresa ao empregado e este à empresa, enquanto a sociedade se não convencer que ter a ambição de progredir na vida é coisa saudável e que ter sucesso implica esforço e tenacidade, liberdade de escolha e de mudança, além de capacidade de adaptação a situações menos compensatórias. Se a ambição de progredir na vida se limitar à obtenção de “actualizações” e diuturnidades, então as pessoas, as economias e as nações pouco podem esperar do futuro.

A fonte primeira do desemprego, da falta de produtividade e da paralisia social e laboral que nos vem há tantos anos arruinando, é a rigidez do emprego, entendida como “segurança”. Segurança que, está provado, leva ao marasmo, à irresponsabilidade e à insegurança total, em prejuízo da liberdade e da responsabilidade. Para além, é evidente, de se negar a si própria, por insustentável e absurda

Se o empregador “normal” fosse livre de reformular como entendesse a sua força de trabalho (o que não impede indemnização razoável e devida a quem é substituído), o empregado sentir-se–ia motivado a progredir no emprego ao mesmo tempo que procuraria sem cessar outro melhor. Não há empregador que despeça um empregado de que precisa!

O prazo é elemento fundamental de qualquer contrato. Sem prazo, não se pode chamar contrato a uma relação. Em Portugal é, porém, o pão nosso de cada dia, sucedendo não só no mercado de trabalho mas em outras zonas da nossa vida social, de que o arrendamento é exemplo feroz e ruinoso.

 

O rapaz que vi e ouvi ontem à noite é um dos promotores de um protesto, já com 11.000 aderentes, protesto “apartidário, laico e pacífico”, reivindicando o “direito ao emprego”, o “fim da precariedade”, a “melhoria das condições de trabalho” e o “reconhecimento das qualificações”.

Aí está. Tudo de pernas para o ar. Vítima de 35 anos de socialismo, a nova geração não reivindica a criação de emprego mas o emprego como “direito”. Não se entusiasma com o alargamento de oportunidades mas quer o fim da precariedade (o emprego para a vida mesmo que o posto de trabalho não exista). Não exige justa retribuição em função do valor do trabalho exercido, antes a quer fundada nas “qualificações”.            

 

(Entre parêntesis, diga-se que é evidente que o falso recibo verde é uma pantomina. Mas é uma pantomina que a “segurança” que a lei impõe fabricou, encoraja e faz prosperar. E que, ainda por cima, serve de pretexto ao governo para taxar brutalmente o trabalhador com o mais que perverso argumento da “luta contra a precariedade”.)

 

É muito triste que a nova geração ainda veja as coisas pelos prismas viciados que o socialismo criou e incentiva. É muito triste ver a juventude condenar-se a si própria a um futuro sem esperança.

 

Querem manifestar-se? Muito bem. O IRRITADO aplaude. Primeiro, porém, terão que rever todos os seus objectivos intermédios, se quiserem chegar mais perto do objectivo final: uma vida melhor.

 

19.2.11

 

António Borges de Carvalho

PUBLICIDADE ENGANOSA

 

Andam para aí os jornais todos contentes a dizer que foi descoberto o “segredo” da Coca-Cola.

Dito de outra maneira, a Coca-Cola arranjou uma forma de aparecer em todos os jornais do mundo, dias a fio, sem pagar um tostão. Ele é a “receita” encontrada num livrinho de apontamentos de um tipo qualquer que morreu há 150 anos, reproduzida como por encanto em inúmeras línguas, ele é fotos de garrafas em todas as posições e situações, ele é “explicações científicas” sobre a verdadeira natureza da mistela, sei lá, tudo repetido à exaustão, noticiado, “revelado”, como se fosse um segredo de Estado ou uma boca do Uiquiliques.

Presume-se que o inventor desta campanha tenha ganho uns milhões, gostosamente pagos pela “casa-mãe” da Coca-Cola. Bem o merece.

Devia, igualmente, merecer o Nobel da trafulhice, vencendo aos pontos o Pinto de Sousa e seus rapazes. A “informação”, essa, devia merecer um campo de concentração, com nazis e tudo.

 

Num mundo em que qualquer caramelo, qualquer pastilha elástica, qualquer porcaria, tem que estatuir, preto no branco, o nome de todos os seus componentes e respectivas quantidades, autorizações, características, etc., como é possível acreditar que o FDA, a EU, a multidão agências, laboratórios, entidades, autoridades, etc., que se debruçam, custando milhões, sobre a “qualidade” de toda mixórdia que metemos pela boca abaixo, abram uma excepção para que se mantenha secreta, “só conhecida por duas pessoas” (será que estas duas pessoas, só elas, fazem a mistura?), fechada num cofre centenário, em local desconhecido, a fórmula da trampa mais bebida neste mundo?

 

É como o aquecimento global. Ninguém o prova, antes pelo contrário, mas a humanidade inteira, ou boa parte dela, acredita na propaganda.

Andam uns tipos a enganar toda a gente. E (quase) toda a gente a gostar de ser enganada. Não é?    

 

17.2.11

 

António Borges de Carvalho

HOMOFILIA

 

Parece que o ministério da educação não deu o seu aval à divulgação oficial, nas escolas, de uma campanha “educativa” destinada a combater a “homofobia”. É claro que houve logo uma voz, provinda das alfurjas do poder, que, certamente por sentir a terrível injustiça que o ministério estava a praticar, se apressou em descansar as boas almas, acrescentando que a posição do governo não impedia que cada escola, de per si, aceitasse a propaganda e as “conferências” “educativas” a pronunciar nelas pelos ilustres autores da iniciativa.

É evidente que a campanha imaginada pela rapaziada homo se destina, não a evitar a chamada homofobia, mas a propagandear a homofilia, através da defesa dos “direitos” dos seus aderentes à “igualdade”.

Dois cartazes destinados a “iluminar” a mente das criancinhas através da sua afixação nas escolas. Um mostra-nos três meninas todas rechonchudas em suave e terna posição, encimadas pela frase “uma de nós é lésbica”, outro três doces rapazinhos muito juntinhos, declarando orgulhosamente “um de nós é gay”.

Pura propaganda dos defeitos de uma de delas e de um deles. Sem dizer qual delas e qual deles. Afinal, parece que lhes resta uma pontinha de vergonha! Senão, o quitolas e a jararaca “revelavam-se”. Ou talvez não. Se calhar o que estas representações gráficas querem dizer é que são todas e todos, ou que todas e todos podem, ou devem, ser membros da filarmónica. Deficientes sexuais não discretos, nem olhados com tolerância ou compreensão, mas incensados, credores da admiração das gentes, sujeitos de especiais direitos, exemplos de dignidade e de cidadania, merecedores da mais alta consideração, não pelo que fazem ou produzem, mas pela simples razão de ter um defeito, congénito ou adquirido.

 

É evidente que o ministério da educação, bem acompanhado pelos partidos comunistas, pelas alas pintodesousista e sousapintista do PS, por meia dúzia de pêpêdês e por um uma data de intelectuais “progressistas”, vai acabar por admitir, caucionar e apoiar a campanha de propaganda homossexual nas escolas. Até porque, tendo o governo subsidiado a coisa, mal se compreenderia que os dinheiros que gastou caíssem em saco roto, sobretudo no clima de austeridade em que vivemos.

 

17.2.11

 

António Borges de Carvalho

CONTAS DO ARCO-DA-VELHA

 

Uma de entre os milhares de “entidades” que por aí vegetam deu à luz um relatório sobre as maravilhosas “reformas” da Justiça que o socialismo inventou.

Desta vez, quem sabe se por prever a queda iminente do dito, a tal “entidade” debruçou-se sobre as monumentais poupanças que foram obtidas sob a égide do ministro Alberto Costa e continuadas pelo seu magnífico sucessor.

Verifica-se, por exemplo, que a mudança das facilities para o Parque das Nações, resultaram numa “poupança” de - (menos) 5.700.000,00 de euros por ano, só em rendas da casa; que os custos em energia “pouparam” ao Estado nada menos de - (menos) 1.000.000 de euros, sendo de notar que o ministro Costa tinha previsto uma poupança de 10.000.800 euros, isto é, só nesta rubrica, a derrapagem em relação ao estimado foi de uns meros 1.180% (mil cento e oitenta por cento).

 

Há muito, muito mais. Mas não vale a pena perder mais tempo a descrevê-lo.

Poderia alegar-se que os serviços judiciais tinham melhorado de tal maneira que se justificaria o colossal aumento da despesa. Mas toda a gente sabe que a coisa nem sequer funciona, não tem segurança, não tem salas de audiências que cheguem, que os papéis continuam a ocupar o chão e a subir pelas paredes, etc.

O governo socialista, tão preocupado que anda em sacar dinheiro às pessoas, tão ajoujado que anda, coitadinho, aos ditames dos “mercados” e da dona Ângela - ela é que sabe! - continua a gastar de forma sumptuária e inútil, isto é, de forma burra ou suja, ou as duas coisas.

 

E o Dr. Passos Coelho a dar o benefício da dúvida, ou seja, a pôr a hipótese de, em Março, as contas a apresentar pelo governo se revelarem “no bom caminho”!

Segundo o IRRITADO prevê, vão mesmo estar! É de caras chutar para a frente as despesas do primeiro trimestre. É de caras apresentá-las à la manière. Neste particular, o governo, gloriosa excepção, não é nada bronco. Antes pelo contrário.  

 

17.2.11

 

António Borges de Carvalho

JACOBINISMO CINEMATOGRÁFICO

 

De um modo geral, os intelectuais do cinema ou escrevem coisas que ninguém percebe e são meras masturbações cerebrais a esguichar vasta “cultura”, ou nos brindam com opiniões que pouco têm a ver com os sentimentos, as emoções e a sensibilidade estética das pessoas, pelo menos das pessoas “normais” e com alguma educação.

 

Vem isto a propósito de uma maravilha cinematográfica britânica, de seu nome “O Discurso do Rei”, que está nas nossas salas e foi nomeado para um ror de “Óscares”.

Trata-se de uma obra-prima de realização e de interpretação, de um olhar limpo e belo sobre um episódio do século XX (a ascensão ao Trono de Jorge VI de Inglaterra), numa apreciação plena de sensibilidade, com uma pinguinha de ironia e toneladas de humanidade. Vale a pena ver e rever.

 

Mas…

Desde logo uma razão há para que haja críticos a desmerecer do filme: é que, sendo apontado para tantos prémios de origem americana - na Europa parece que já ganhou os que por aí havia à disposição - é automático, por cá, pensar que se trata de obra americanóide, com os defeitos impostos pelos partis pris do politicamente correcto.

Depois, é uma obra “monárquica”, no sentido em que nos mostra a Realeza por um ângulo que põe em causa os preconceitos do nacional-jacobinismo, isto é, que coloca o Rei/Homem frente a frente com o Rei/Instituição, e sabe separar - e unir - de forma profunda, indiscutível, cristalina e evidente as duas circunstâncias.

 

Postos uns olhos jacobinos e socialistas sobre uma maravilha daquelas, outra solução não resta às criaturas donas de tais olhos que classificar o filme como “medíocre” ou “razoável”, como vejo num jornal “de referência” que tenho à minha frente.

Para ser justo, há outro jornal em que dois críticos lhe dão a classificação de “muito bom”, e um terceiro (jacobino?) a de “com interesse”.

 

À consideração dos leitores do IRRITADO. Se querem um conselho, não deixem de ver.

 

15.2.11

 

António Borges de Carvalho

AINDA NÃO PERCEBERAM?

 

Caro Belarmino

 

Você é um executivo generosamente pago. Como gosta de automóveis, comprou um Mercedes todo cheio de gadgets. Como gosta de boas casas, comprou um apartamento no Palace do Estoril. Como gosta de boa comida, passou a vida a almoçar no Ritz e a jantar no Tavares. Como gosta de viagens com conforto e tratamento VIP, levou a família à Tailândia, classe executiva, hotéis de cinco estrelas, resort de luxo. Muito bem.

Como tem um amigo num banco, foi-lhe fácil arranjar dinheiro para tudo. Há dois anos, viu-se obrigado a pedir um empréstimo grandalhão para “reestruturar” o seu magnífico buraco. Depois, como não mudou de vida, nem a patroa e os meninos quiseram mudar de vida, foi a outro banco, a ver se arranjava mais uns cobres. Como o apartamento do Palace já estava hipotecado, já nada tinha que se visse de garantia real.

A partir daí, você sabe o que lhe aconteceu. A patroa foi viver com a mamã, os meninos foram com ela, você vive sozinho num Tê-zero em Massamá e vai de comboio para o trabalho. É o que lhe resta. O ordenado vai-se em processos e advogados. Se o despedem…

 

***

Caro Pancrácio

 

Você estava empregado numa farmácia. O patrão dava-lhe umas comissões, para além de um ordenadinho. A sua mulher era recepcionista num consultório. Têm uma menina de 15 anos, espigadota, que até já anda na TVI a mostrar as pernitas. Você comprou um Toyota, um andar na Cova da Piedade, uma multidão de electrodomésticos, playstations e coisas do género. Tudo a crédito.

O doutor morreu e os filhos fecharam o consultório. O seu patrão, como isto está difícil, acabou com as comissões. Você está enterrado até ao pescoço. Vai entregar a casa, alugar um tê-um e nem sabe se terá dinheiro para pagar a renda.

 

***

 

Caro Belarmino, caro Pancrácio

 

Imaginem o que aconteceria se tivessem um governo que gerisse a vida do país como vocês geriram a vossa. Imaginem que as coisas iam ficando de tal maneira que já ninguém emprestasse dinheiro ao Estado ou, se o fizesse, fosse em tal ordem de condições que jamais lhe seria possível pagar o que devia. Imaginem um governo que habituasse as pessoas como vocês habituaram as vossas famílias, que distribuísse benesses, subsídios, tachos, regalias “sociais”, contratos malucos com empresas amigas, tudo em quantidades industriais, como vocês distribuíram almoços e playstations. A ponto de, com o apoio de partidos idiotas e de uma Constituição burra, os cidadãos acharem que as benesses de que gozam sem que haja dinheiro para as pagar são direitos inalienáveis, como as vossas patroas acharam que as férias na Tailândia e o Toyota eram para sempre.

Imaginem o estado a que o Estado chegaria.

O vosso problema, que já não é só vosso mas de todos nós, é que o Estado já está nesse estado. Já não é preciso imaginar. E que a inconsciência, a incompetência, a irresponsabilidade do Estado só tem um destinatário: vocês, que não tiveram juízo, e os outros, que o tiveram mas têm que pagar na mesma.

Vocês, a quem o Estado impingiu, com incentivos vários e uma lei de arrendamento criminosa, a ideia peregrina de comprar uma casa em vez de a alugar, vocês, que o Estado contemplou com auto-estradas por onde ninguém passa, que o Estado afogou em “direitos sociais”, que premeia abortos num país que perde gente todos os dias, que malbarata os vossos inacreditáveis impostos como vocês malbarataram o ordenado, que protege os empregos a termo e condena a mobilidade social, vocês, meus caros, vão pagar tudo o que devem e não devem. Os vossos filhos continuarão a pagar. Os vossos netos também.

O Estado, que estava razoável e sustentavelmente endividado quando os socialistas tomaram o poder, chegou com eles a este estado.

 

A pergunta que vos faço é esta: será possível que vocês não achem que a vossa primeira prioridade é correr com esta gente e procurar alguém que, melhor ou pior, pelo menos não ande a enganá-los todos os dias, não faça da política e da economia meros instrumentos de propaganda, não tenha do povo a noção de um bando de idiotas que até gosta de ser aldrabado, não faça da própria manutenção no poder o seu único e exclusivo objectivo custe o que custar, doa a quem doer e seja por que meios for?

 

Pensem nisto e façam força. Já não há nada que os livre de chatices, mas, que diabo, pelo menos será bom que a desgraça deixe de aumentar.

Ou querem ser mais enganados do que já foram?

 

Melhores cumprimentos

 

IRRITADO

 

14.2.11

“SUSTENTABILIDADE”

 

Em feroz luta contra o seu (ex?) colega Mira Amaral, o outrora célebre Pimentinha – grande especialista em pôr ovos em ninhos alheios – veio à liça defender com unhas e dentes a sua indústria: os moinhos de vento. Isto na qualidade de director do CEEETA – Centro de Estudos, blabla, etc., não na de industrial de moinhos - coisa que, nestas manifestações “técnicas”, é melhor esconder para não prejudicar a “independência” opinativa – vem pôr em causa os esclarecidos artigos de Mira Amaral sobre a monumental trafulhice da energia eólica. Não o cita, et pour cause…, mas inclui-o, evidentemente, no “reduzido número de personalidades (que têm uma) fixação cega e irracional contra a energia eólica”.

O (ex?) colega Mira Amaral passou a cego e a irracional! A montanha de escritos de tanta gente, ao alcance do Pimenta mas que ele não lê, é produzida por cegos e irracionais. Se estes tipos impuserem as suas razões, lá se vai o negócio dos cata-ventos. É de tremer de medo, não é, ó Pimenta?

O pior, ou o melhor, é que o gato ficou com o rabo de fora no meio da extraordinária argumentação que o nosso homem escrevinhou no jornal. Diz ele que os três eixos da política energética são sustentabilidade ambiental, competitividade e segurança no abastecimento. O que quer dizer, por exemplo, que o que pagamos pela energia é um pormenor secundário. Importante é, diz ele, que, segundo ele a “comunidade científica”, inexistente criatura da imaginação “onusiana”, não há dúvidas sobre a excelência dos produtos que tão subsidiada e lucrativamente produz: as odiosas ventoinhas. O ilustre engenheiro defende a “sustentabilidade ambiental” das ditas: quer dizer, as horrendas florestas de rodopiantes maquinetas que nos destroem a paisagem são um “bem” ambiental! Defende a sua “competitividade”, sabido que é que, de todas as formas de energia é mais intensiva em matéria de custos de investimento e de manutenção! Defende a “segurança no abastecimento” de uma energia que depende de haver ou não haver vento!

Muito esperto, como sempre, o nosso homem passa à defesa da economia das renováveis, escondendo que, nelas, está a meter a hídrica, para lhe acertar as contas.

Não valerá a pena elaborar muito mais sobre a argumentação pimentosa. Outros o farão com mais propriedade que o IRRITADO.

Vale, em todo o caso, a pena denunciar como se defende causas

próprias, mascarando a coisa de abalisada opinião “técnica”.

 

14.2.11

 

António Borges de Carvalho

FRASES CÉLEBRES

 

Uma alta escrevinhadora:

Uma queca adiada é uma queca não dada.

Margarida Rebelo Pinto

 

Um socialista sério (!):

É impossível resolver qualquer problema com o José Sócrates à frente do poder.

Henrique Neto

 

Um socialista clássico:

É importante que o Estado não chateie.

Jorge Coelho

 

Uma socialista feroz:

A liderança de Sócrates tornou-se autocrata, distribuindo lugares e privilégios, ultrapassando até o centralismo democrático de Lenine.

Ana Benavente

 

Um socialista lapalissiano:

Quando os efeitos da recessão passarem, o mundo vai ser muito diferente.

Vieira da Silva

 

Um socialista que consegue ser mais aldrabão que os outros:

Não haverá despedimentos na função pública.

Pinto de Sousa

 

Um PPD mais ou menos idiota:

Temos de deixar o engº. Sócrates sair com dignidade.

Luís Filipe Meneses

 

 

13.2.11

A CULPA FOI DO MACACO

 

Consta que uma comissão especializada em processos eleitorais contratada pelo movimento de esquerda GF (gato fanático) chegou à conclusão que a culpa das pessegadas havidas nas eleições presidenciais foi de um simpático orangotango, nascido há dois anos no jardim zoológico.

A conclusão baseia-se no facto de não haver, ao nível dos humanos, qualquer sombra de culpados, isto segundo a comissão de inquérito nomeada pelo governo.

 

Há trinta e tal anos, criou-se um sistema técnico eleitoral que foi funcionando a contento.

Vai daí, as autoridades socialistas, em frenética ânsia de modernizar, de exercitar novas tecnologias, de épater le bourgeois, criaram novos instrumentos para “agilizar” o processo, tipo simplex ou coisa que o valha. A nobre e profilática atitude do governo provocou, como é do conhecimento geral, a maior bagunça eleitoral ocorrida durante a III República. Não há um só número dos resultados eleitorais que mereça 85% que seja de confiança. Mas o processo foi validado. Para a frente é que é o caminho.

 

Houve uns rapazes que quiseram politizar a questão. Que ideia! Parece que são parvos! Então não sabem que a culpa nunca é do governo?

Houve uns funcionários do ministério que tiveram um ataque de seriedade e se demitiram.

Houve uma secretária de Estado, de cuja existência, até há dias, ninguém tinha conhecimento, que veio dizer que os tipos que se demitiram são uns aldrabões.

Os tipos replicaram que aldrabona era ela.

Metido na peixeirada, o ministro meteu-se atrás da secretária de Estado (salvo seja!) e tratou de se esconder bem escondidinho. Coitado, não tinha nada a ver com o assunto! E lá foi dizê-lo aos deputados, os quais, maioritariamente, não aceitaram as explicações. Mas isso não interessa.

O primeiro-ministro, um galaró de terceira, apressou-se a reiterar a sua inabalável confiança no irrefutável ministro. Quanto mais asneiras o homem fizer (são tantas…), mais confiança merece e mais perto fica do seus pares e do seu chefe.

 

Atentos os autos, verifica-se que a única conclusão minimamente credível é a dos fanáticos: a culpa foi do macaco.

Parabéns aos inquiridores.

 

13.2.11

 

António Borges de Carvalho

COISAS DA VIDA E DA MORTE

 

Uma multidão de jornalistas, comentadores, psicólogos, analistas, políticos das mais variadas tendência, senhoras e senhores, meninos e meninas, se tem pronunciado, indignada, sobre a morte solitária de uma senhora de avançada idade, há nove anos, sem que ninguém tenha dado por isso. Ela, o cão, talvez o gato e o periquito.

É unânime a condenação desta sociedade “individualista”, que abandona os velhotes à sua solidão e à sua sorte.

E, no entanto, o caso tem pouco de anormal. A senhora vivia só, teria poucos parentes, dava-se com a vizinha do lado e era normalmente considerada por quem a conhecia lá na rua. Teria meios de sobrevivência, casa própria e uma pequena pensão. Não teria doença especial, para além dos inúmeros achaques que a idade trás a toda a gente. Terá morrido de repente, quando lidava na cozinha. Paragem cardíaca, ou coisa que o valha. A autópsia não indicou especiais sintomas de sofrimento ou violência.

Nesta ordem de ideias, parece que a pobre senhora se despediu da vida sem grandes problemas. Um caso triste, como a morte é sempre, mas dentro de uma aceitável normalidade.

 

Bate o ponto nos nove anos de solidão do cadáver, coisa não lhe terá causado incómodo de maior.

 

A vizinha foi não sei quantas vezes à Guarda Republicana reportar o estranho desaparecimento. Um primo recorreu às autoridades judicias mais de dez vezes.

A Guarda Republicana borrifou no assunto. As autoridades judiciais fizeram o mesmo.

Ninguém quis acreditar na história, mesmo sendo evidente que a senhora há nove anos não levantava a pensão, quiçá a sua única fonte de subsistência. Não é preciso mais que 0,2 de QI para perceber que quem vive da pensão não prescinde dela, a não ser que tenha morrido. Mas riu-se a Guarda, borrifou-se a "justiça".

Só as finanças se não borrifaram nem fizeram troça. Como a senhora lhes devia a astronómica soma de 1.500 euros, trataram de lhe penhorar o andarzinho. Nunca fizeram a mais pequena diligência para a encontrar. Ter-lhe-ão mandado umas notificações, daquelas que nem um vivo entende, quanto mais um morto. Depois, diligentes, as finanças leiloaram-lhe a propriedade por 30.000 euros. Que se saiba não fizeram o mais pequeno movimento, sequer para devolver as sobras (28.500 euros!) à sua proprietária. Terão ficado com a massa, a fim de que o senhor primeiro-ministro pudesse gabar-se do aumento da receita fiscal. Para as finanças o que havia a fazer era entregar o apartamento ao seu novo feliz proprietário. Para isso já deve ter havido alguma autoridade judicial a autorizar que se arrombasse a porta, isto se as finanças (ainda) não o puderem fazer do motu próprio.

 

No fim da história, a multidão de opinantes revolta-se contra a sociedade, que não é “solidária”, que condena as pessoas ao isolamento, que é egoísta e malevolente!

 

Quanto aos tipos da Guarda Republicana, nada. Ainda nenhum sargento, nenhum capitão, nenhum general mandou prender os responsáveis.

Os tipos da “justiça” nada fizeram para dar um porradão monumental aos que negaram auxílio a quem, fundamentadamente, o pediu.

Os tipos das finanças, esses, presume-se, receberão um prémio por ter cobrado uma dívida com tanto zelo, tamanha eficácia e tão formidável competência.

 *

Não passarão nove anos até que os credores venham à procura de Portugal, país em fase de desaparecimento, como as finanças foram a casa da desaparecida velhinha.

Na certeza porém que, como os culpados do caso da pobre senhora, o senhor Pinto se Sousa já estará longe daqui, em merecido, inocente e bem pago refrigério.  

 

13.2.11

 

António Borges de Carvalho

ONDE ESTÁ O PROBLEMA

 

Quem ontem ouvisse o senhor Pinto de Sousa a discursar numa roda de exportadores pensaria estar num comício do PS.

No entanto, em mais uma boa meia hora de propaganda gentilmente oferecida pela SIC Notícias, o inacreditável SSilva, ministro da tropa, afirmava meigamente que não, que o orador estava, muito simplesmente, a falar de exportações.  Na ordem de ideias de ambos, falar de exportações é desautorizar, ridicularizar e invectivar todo e qualquer cidadão que se atreva a pôr em causa a “estabilidade”, ou seja, a querer que o senhor Pinto de Sousa se vá embora quanto antes. O importante é segurar-se no poleiro, quais exportações qual carapuça!

Poderiam, ao menos, ter lido o que escreveu um tal Henrique Neto, empresário socialista, sobre o nosso problema. É que o homem pôs preto no branco que, com o senhor Pinto de Sousa, nada se adianta nem resolve, bem pelo contrário. A sua demissão é condição primeira e sine qua non para que se possa ter alguma esperança de sair do buraco. Por outras palavras, o senhor Pinto de Sousa, mais do que estar do lado do problema, é a vera incarnação do dito.

Pena é que a esmagadora maioria dos socialistas, ainda que pensem o mesmo, se metam nas encolhas, ou porque são cobardes ou porque são pagos porque são, simplesmente, parvos.

 

9.2.11

 

António Borges de Carvalho

APELO A PASSOS COELHO

 

O Dr. Passos Coelho tem cometido alguns erros sem importância de maior. O pior deles é fazer das contas a razão primeira para avançar, ou não, com a moção de censura.

Que credibilidade merece esta gente em matéria de contas? Zero.

Montaram o seu poder, duas vezes já, sobre uma interminável série de mentiras. Chegaram ao coração dos eleitores dizendo que a Dona Manuela era uma besta porque queria endireitar as contas. Cilindraram-na com essa. Depois, inventaram um grave problema de contas com um orçamento imaginário, falso como Judas, com a cumplicidade dos camaradas Constâncio e Sampaio. Apregoaram aos quatro ventos que tinham reduzido um défice que jamais tinha sido registado, tendo-o na verdade aumentado, e não pouco. Depois, mercê de coisas que não valerá a pena referir, lá o fizeram descer um bocadinho. Berraram que nem uns leões que tal redução era “estrutural”, ou seja, para ficar, o que constituiu duas monumentais mentiras: nem a redução era estrutural, nem era para ficar, como se veio a demonstrar à saciedade. No ano passado, aldrabaram as contas vezes sem conta, enganaram-se, esqueceram-se de umas linhas, de uns quadros, de uns números, levaram o país à bancarrota, isto sempre a apregoar que estávamos no melhor dos mundos.

 

Agora, para o assombro e a indignação do IRRITADO, o Dr. Passos Coelho dá-lhes o benefício da dúvida! Se as contas, em fins de Março, estiverem dentro do previsto, tudo bem, diz o PSD. Então o Dr. Passos Coelho não sabe, como todos nós, que, se as contas estiverem bem é porque foram aldrabadas? Não sabe que nada do que esta gente diz tem a mais leve sombra de credibilidade. Não vê que, para o senhor Pinto de Sousa vale tudo, tirar olhos, partir pernas, esganar! Não repara que o senhor Pinto de Sousa, quando não tem com que o atacar, inventa o que for preciso? Não vê, por exemplo, que o Pinto de Sousa inventou que você queria despedir funcionários públicos (se fosse verdade o IRRITADO até acharia muito bem), coisa que você nunca disse. Não vê que o homem é o maior aldrabão de todas as três repúblicas?

Dar-lhe o benefício da dúvida, achar que as contas, daqui a dois meses, podem estar certas, é um erro clamoroso. Se as contas desta gente nunca estiveram certas, por que carga de água tal poderiam acertá-las agora?

Acabe com isso já, Dr. Passos Coelho! Diga-lhes que, quando achar que é o momento certo os porá na rua sem dó nem piedade. Não lhes dê mais conversa. A nós, diga que partilha da vergonha que temos por ser governados por um badaleiro ranhoso, ignorante e aldrabão. Diga-nos da “consideração” que, lá fora, todos têm por ele. Mostre-nos a insuportável indignidade que é estarmos debaixo de gente tão rasca!

 

Se não for v. a tentar livrar-nos do homem o mais depressa possível (já devia tê-lo feito há muito, muito tempo), quem o poderá fazer? O Jerónimo?

 

9.2.11

 

António Borges de Carvalho

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