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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

NO PS, TUDO NA MESMA

 

O défice orçamental, revistas pela trempe as previsões do governo do senhor Pinto de Sousa, passou de 4,8% do PIB para 5,9.

No entanto, logo nos primeiros três meses do ano, o dito governo tratou de o executar, passando a prever-se 7,7. Dito e provado pelo INE.

Acto contínuo, o senhor Seguro veio à televisão dizer que não havia problema nenhum, que se tratava de questões contabilísticas e que era natural que, nos primeiros três meses do ano acontecesse este tipo de azares.

Hoje, há jornais a alinhar por esta última brilhante tese.

 

A árvore pintodesousista, como é evidente, continua a dar frutos, qual deles o mais sorvado. Dois candidatos a chefe do PS, ambos badaladores da “filosofia” do chefe, andam para aí aos caídos. Quanto mais apregoam responsabilidade, construtivismo(!), lealdade, amor à Pátria, mais claro vai ficando que vai tudo continuar na mesma na horrenda avantesma em que o senhor Pinto de Sousa transformou o PS, e no mal que tal avantesma vai continuar a fazer-nos.

 

Até, imagine-se, já andam para aí a perguntar porque é que o governo vai cobrar 50% do subsídio de Natal. Será que ainda não perceberam?    

 

30.6.11

 

António Borges de Carvalho

ATÉ O SAPATEIRO!

 

Ao despedir-se das Cortes, o primeiro-ministro espanhol declarou-se culpado por ter desvalorizado a crise e por alguns outros dos seus erros.

Ainda que, no nosso caso, o chefe dos socialistas esteja politicamente morto e enterrado (wishfull thinking!), não é demais sublinhar a diferença.

O senhor Pinto de Sousa nunca admitiu qualquer erro, nunca pediu desculpa fosse do que fosse e, mesmo quando a desgraça estava já à vista de toda a gente, gorgolejou que a culpa era dos outros. O único discurso minimamente decente com que brindou a Nação (ao ir-se embora) foi escrito pelo Almeida Santos e, mesmo nessa prosa, não deixou de se gabar.

 

Como foi isto possível?

 

Passo a explicar.

Foi possível porque o presidente da república Sampaio liquidou um governo de maioria para pôr no poleiro o seu camarada Pinto de Sousa.

Foi possível porque os portugueses se deixaram enganar pelas manobras conjuntas do senhor Sampaio, do senhor Marcelo de Sousa e do senhor Cavaco Silva, retumbadas pelos media.

Foi possível porque o senhor Constâncio inventou um orçamento aldrabado.

Foi, finalmente, possível, porque o senhor Cavaco Silva, sabendo perfeitamente o que se estava a passar, achou que o maior problema da Nação era a sua reeleição e manteve, por isso, o senhor Pinto de Sousa no governo.

 

E ainda há quem seja republicano!

 

30.6.11

 

António Borges de Carvalho

AUTORIDADES

 

 

O IRRITADO não sabia que existia uma ANSR (Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária), certamente mais uma entre a miríade de “autoridades” criadas pelo nacional-pintodesousismo vigente até há dias, mas que continua a produzir os seus efeitos.

A notável organização declarou oficialmente que, em 2010, prescreveram nada menos que 267.212 multas, das 586.109 que ficaram por pagar em 2009. Uns meros 50% das que estiveram sob a alçada da autoridade da Autoridade.

Nada de espantar. Toda a gente sabe como “funcionam” estas coisas, sem excepção “vítimas” de inúmeras limitações, a começar na “falta de pessoal” e a acabar na nacional incompetência.

No entanto, corações ao alto! A douta Autoridade acha, em alegada autocrítica, que o número de prescrições “é superior ao desejável”.

Daqui se conclui que, para a distinta organização, há um número “desejável” de prescrições. O relatório não diz qual, mas os portugueses podem ficar muito mais descansados: têm a hipótese de apanhar multas que caiam nas prescrições desejadas pela Autoridade, assim ficando autorizados a não as pagar.

Por outras palavras, dada a eficiência do trabalho desta gente, só quem for parvo pagará multas voluntariamente, uma vez que, não pagando, tem 50% de probabilidades de jamais as vir a pagar, ou porque a Autoridade se esqueceu delas, ou porque caíram no grupo das “desejáveis”.     

 

Não há quem não saiba que o sistema das multas é de uma estupidez sem limites. É-o em si mesmo, como o é pelos “critérios” com que é aplicado pelos chamados “agentes da autoridade”. Por excesso ou por defeito, o cidadão sujeita-se às mais incómodas consequências dos seus impensados actos, ou dá consigo em situações de pura impunidade*.

 

Um bocadinho de inteligência para alterar o sistema e um bocadinho de educação dos agentes para que ajam com alguma lógica, talvez não fossem de pôr de lado por parte da Autoridade, em vez de andar para aí a queixar-se que lhe “faltam técnicos superiores” e a proclamar que há prescrições "desejáveis".

 

30.6.11

 

António Borges de Carvalho

 

 *Por exemplo, os rapazolas da EMEL, se um tipo não pagou o estacionamento, têm duas opções, que usam segundo o seu altíssimo critério. A primeira consiste em deixar um papelinho a solicitar ao caloteiro que pague, no multibanco, a violenta quantia de 4 euros, ou coisa que o valha. A segunda é a de bloquear a viatura e fazer o caloteiro pagar pelo menos uns 70 euros de multa, mais outro tanto de reboque. Isto, se não se vir obrigado a ir a casa do diabo envolver-se na mais intricada burocracia para reaver a carripana.

INFORMATIVAS EXÉQUIAS

 

O IRRITADO confessa que, se calhar por imperativo da velhice, anda um bocado fora do mundo.

Todos os dias o “Sapo” lhe mostra, em primeira página, nomes e caras de uma multidão de “celebridades” que o IRRITADO não sabe quem são, nem o que fazem, nem por que raio de carga de água foram elevadas à categoria de celebridades.

Minto. Uma ou outra de tais criatura sabe o IRRITADO quem são e o que fazem, ou não fazem. Todas essas, se célebres, são tristemente célebres, estilo Cinha Jardim ou Lili Caneças.

Quando o IRRITADO vai à banca comprar os jornais, é bombardeado com uma multidão de capas de revistas que contam que a menina A e o menino B andaram na marmelada no Brasil ou na Cova do Vapor, que a gaja C se zangou com o namorado D e está perdidamente apaixonada pelo gajo E, que é mais meiguinho, ou mais volumoso, e a consola com maior eficácia.

Tudo, eles e elas, incontestáveis celebridades segundo os critérios da moda.

 

Vem isto a propósito da morte do senhor Sandro Milton (!) Angélico Vieira.

O IRRITADO pede desculpa à memória do rapaz. Lamenta a sua morte, como todas as mortes, mormente as de gente nova e feliz.

Salvaguardado este tristíssimo e respeitável aspecto do assunto, o IRRITADO jura que jamais tinha visto ou ouvido falar no defunto cidadão, o que, mais uma vez, prova que anda fora do mundo. Do mais importante deste mundo.

Há para aí cinco dias que os telejornais de todas as televisões não falam noutra coisa. Se morresse o Obama, ou o Papa, o tempo de antena seria, com certeza, muito menos. No caso do Vieira, há entrevistas com rapariguinhas lavadas em lágrimas e com carpideirosas balzaquianas, trmebundos vizinhos, boletins médicos lidos com ar pungente no meio da rua e transmitidos uma vez em directo e cinquenta e quatro em diferido, primos, cunhados, amigos, tudo na televisão em demonstrações de pesar sem fim.

Embora tenha pena desta gente, o IRRITADO respeita-lhes os sentimentos, ou mais os sentimentos que as exibições.

O que não merece respeito nenhum é a forma, verdadeiramente miserável e oportunista como os media exploram a situação e vão continuar a explorá-la nos dias mais próximos.   

 

E daí? Trata-se da morte precoce de uma celebridade, não é?

O IRRITADO é uma besta.

 

30.6.11

 

António Borges de Carvalho

ONDE A LIBERDADE?

 

Anda para ai uma imensa discussão sobre o fim das ideologias. Opiniões não faltam. Acabou a esquerda, acabou a direita, acabou o centro, outro paradigma terá que ser criado, etc., blablabla.

 

A Roseta, o Costa e quejandos, por exemplo, vêem a salvação nos tipos “da luta”, nos deitados do Rossio, nos paspalhões de Madrid, nos ciclistas nus, nos estúpidos do emprego para a vida, nas fufas, nos bichas, nas novas “classes sociais”, no proletariado do politicamente correcto.

 

Outros há, mais intelectuais, ou menos, que acham, por exemplo, que o Portas (Paulo) esta à esquerda do Passos Coelho, com isso demonstrando que as ideologias se deslocam, estremecem ou deixam de existir.

Ou então, como essa zangada cabeça do stortyeller Tavares - que nunca disse bem de ninguém a não ser do Engenheiro Teles – e que opina nunca ter havido, depois do 25, ninguém tão à direita como o Passos (!).

 

Tudo a partir dos “gabaritos” de cada um, todos mais ou menos escravos das modas.

 

*

 

Permitam-me outra leitura, talvez menos intelectual e, com certeza, de uma incorrecção politica acima de qualquer suspeita.

 

Primeira asserção

Ideal ideal seria um mundo sem estados, sem governos, sem polícias e sem leis. Um mundo onde a liberdade e as ideias de cada um nunca colidissem com a liberdade e as ideias dos outros. Um mundo de ficção, um mundo não de homens mas de outra coisa qualquer. A utopia anarquista em estado puro.

Põe-se de lado. 

 

Segunda asserção

Ideal seria um mundo em que cada um tivesse um máximo de liberdade compatível com a dos outros.

Daí, cria-se o Estado, os governos, os polícias e as leis. Para quê? Para assegurar tal liberdade. A liberdade de cada um.

 

Terceira asserção

Para assegurar da liberdade é preciso “dar a cada um segundo o seu direito”. Dai, a necessidade da Justiça. Ao Estado competirá assegurar a Justiça, directamente ou por interpostas estruturas.

 

Quarta asserção

A tudo isto junta-se a necessidade de defender as pessoas dos seus actuais ou eventuais inimigos. Dai, os exércitos, que compete ao Estado organizar.

 

Quinta asserção

Não há pecadores colectivos, nem penas colectivas. Os responsáveis são sempre indivíduos, como individuais os são os castigos.

 

Sexta e última asserção

O Estado trata de indivíduos e regula as relações entre eles.

 

 *

É quanto à concepção da relação entre o Estado e os indivíduos, competindo àquele assegurar a liberdade destes, e a estes pagar aquele, que as ideias políticas se diferenciam.

Por isso que, nos nossos dias, o que distingue as ideias políticas seja a forma como encaram o poder do Estado.

Pode o Estado ir tão longe que, em lugar de assegurar a liberdade a limite a ponto de a fazer perder significado em favor de outros valores, ideológicos, económicos ou sociais? Até que ponto, por exemplo, pode a burocracia estatal entrar na vida das pessoas sem lhes retirar as suas livres prerrogativas? Até que ponto, por exemplo, pode o poder do Estado retirar às pessoas o direito de tratar da sua própria vida e do seu individualíssimo futuro?

 

É na resposta a estas perguntas que mais profunda e substancialmente se separam as ideias políticas.

A medida em que tais ideias se afastam de um ponto central, e ideal, onde se situa o máximo de liberdade individual compatível com a vida em sociedade, é o que determina as grandes diferenças ideológicas. Ao afastar-se, tanto para a esquerda como para a direita clássicas, desse lugar geométrico onde a liberdade individual se situa, as ideologias, ou as ideias, aproximam-se umas das outras.

Levadas as coisas ao extremo para facilitar a compreensão deste aparente paradoxo, teremos que, tanto a direita como a esquerda radicais, ou totalitárias, no que à liberdade diz respeito são da mesma natureza, são iguais nos resultados ainda que com diferentes ou até opostos fundamentos.

 

Quando se perde a noção daquilo para que o Estado foi criado ou para que o Estado serve, ou deve servir, as coisas começam, perigosamente, a alterar a sociedade e as pessoas, de acordo, não com as escolhas de cada um, mas com as escolhas que o Estado faz para cada qual.

Quando o “Norte” da politica deixa de ser o que aponta para a submissão do Estado àquilo para que foi criado - a liberdade individual – o Estado apropria-se de cada um, passando cada um a ser dele e não o oposto. Isto é, pondo tudo de pernas para o ar.

 

Disse.

 *

 

As vezes, vale a pena pensar um bocadinho, a fim de, na floresta dos dias, das circunstâncias e dos ventos, se não perder a noção do princípio e do fim das coisas.

 

26.6.11

 

António Borges de Carvalho

BASILICES HORTíCOLAS

 

Gloriosa inflorescência do regime deposto, o actual camarada Basílio Horta deu um ar da sua graça na SIC, a convite do tipo do lacinho que é patrão da “economia” do “Expresso”.

 

Ficàmos, por ele, a saber que o PS, partido de sua terna afeição, jamais irá além dos compromissos que subscreveu com a trempe. Jamais!, como diria o celebérrimo Lino. E até, frisou a hortícola criatura, essa da TSU, mesmo assinada negociada e assinada pelo chefe Pinto de Sousa, é coisa que tem que ser vista.

“Eu sou anti-liberal!”, vociferou Basilio. Tal e qual o Doutor Oliveira Salazar, desta vez em versão proto-socialista.

Confessa-se basilarmente “democrata cristão”, coisa quase tão ultrapassada como o socialismo esquemático do MPLA.

 

Não se perde nada em olhar um pouco para o percurso deste grande democrata. Fundador do CDS, partido anti-socialista, ministro não sei de quê, homem da AD - organização anti-socialista -, candidato a presidência da Republica contra os socialistas, o homem atravessou uns tempos num limbo, depois foi nomeado pelo senhor Barroso embaixador na OCDE – parisiense refrigério! – e por lá tratou de continuar sob a tutela do senhor Pinto de Sousa.

Tão grato este ficou pelo universalmente admirado consulado hortícola em Paris, que o chamou para o comando da agência comercial do regime pintodesousista, onde se gaba de ter feito mundos e fundos, coisa que não se nota mas que deve ser uma insofismável verdade socialista.

Depois, foi fácil. Tratando-se, como gloriosamente afirma, de um democrata cristão, nada melhor que passar a deputado socialista. Não. Não se tratou de aceitar um empregozinho qualquer. tendo sabiamente preveisto a chegada de outra ordem de coisas, é certo que pensado que o tachinho viria a estar em causa. Daí, douta decisão, lá vai ele para o parlamento pela mão do seu bem amado chefe.

Estão a perceber?

E bonito, cristalino, admirável. Não e?

 

Apesar desta gente que ganhou as eleições, “somos forçados a ter uma perspectiva positiva”, informa-nos o notável Basílio. Tem razão. Pelo menos no seu caso, em vez de ficar no desemprego, fica na Assembleia, o que é extremamente positivo.

Mas, avisa, não se pode abdicar da “crítica” e dos “princípios”. Que princípios, não esclareceu nem nos é dado imaginar quais sejam.

Os ministérios actuais são “ingeríveis”, aponta. E esclarece que, quando ele lá esteve, com dois ou três ministérios, a coisa era diferente. Sendo ele o ministro, então tudo era gerível, e bem!

Estão a perceber?

 

E mais opina que, ao contrário do que se passava no tempo dele, agora é preciso acabar com a chusma de assessores, de motoristas e de contínuos que assolam os gabinetes. Tem toda a razão. Estes tipos não merecem tais mordomias, como ele merecia.

Estão a perceber?

 

Retirar o Estado da economia, jamais! Mais uma vez, animado por doses industriais de linolina, o homem, qual Jerónimo, qual Louçã, qual Mussolini, recusa essa abominável e liberal intenção. Trata-se de “princípios”, gaita!

Estamos perante “uma experiência em que não alinharei”, disse, do alto da sua doutrinária dignidade, peremptório e esclarecedor. Fiel ao socialismo. Coerente. Credível. Em suma, admirável.

 

O IRRITADO, alma entregue a liberais demónios, passou vinte minutos a ouvir o senhor Basílio com vontade de vomitar.

O IRRITADO tem, de ideias, de princípios e de coerência um conceito totalmente viciado e incompatível com basílios.

Não há nada a fazer.

Se não se põe a pau, o IRRITADO ainda vai parar ao inferno, empurrado por algum “democrata cristão” tão fundamentalista quanto o inigualável Basílio Horta.

 

27.6.11

 

António Borges de Carvalho

CESARISTICES I

 

Parece que há movimentações no PS com o fim de elevar o excelso produto das atlânticas ondas, senhor César, à alta posição de presidente do partido.

O IRRITADO apoia a ideia sem quaisquer reservas. Ninguém melhor que o tal César para representar a organização.

Vejamos:

- O homem é feio, desagradável, sem graça;

- O homem está-se nas tintas para as leis da Republica;

- O homem paga excedentes ilegais aos seus funcionários, para garantir uns votos;

- O homem arruína uma empresa do Estado – os estaleiros de Viana – para satisfação de estúpidas minhoquices insulares;

- O homem desrespeita os seus superiores, a começar pelo Presidente da Republica, sempre que lhe dá na insular gana;

- Etc. e tal.

 

Parece que o homem se acha muito novo para o cargo.

Ou seja, faz-se caro.

Tem medo que o ponham na dourada prateleira.

Não percebe que, ao ver-se ao espelho, lhe é devolvida a imagem do pundonor socialista e da verdadeira moral republicana.

Não percebe que o PS o quer para, além de representar estes altos valores, não levar lá nas ilhas uma tunda eleitoral como a que levou há uns dias, mesmo tendo pago aos funcionários mais do que lhes era devido.

Achou que, como o senhor Pinto de Sousa ganhou as eleições há ano e meio por ter aumentado os funcionários sem ter dinheiro para lhes pagar, lhe sucederia o mesmo.

Enganou-se.

 

O partido não quer que ele se engane outra vez, mas reconhece-lhe o alto valor patriótico e socialista.

 

César ao poleiro, já!

 

26.6.11     

 

António Borges de Carvalho

CESARISTICES II

O senhor César recusou um navio a fim de poder, por ajuste directo, alugar outro, ou outros, aos gregos. Para colmatar as “lacunas”, o navio em causa foi, em demonstração da mais alta solidariedade socialista, “vendido” ao melhor amigo de que o PS, o senhor Pinto de Sousa e o senhor César dispõem alem fronteiras, o camarada Chávez.

Ora o camarada Chávez… borregou. Qual navio qual carapuça!

O tipo que estava a tratar do assunto desapareceu da circulação, nem telefonemas atende. Os 42 milhões de euros prometidos, uma ocharia altamente gravosa, eram só mais uma promessa do socialismo intercontinental.

 

O navio continua, coitadinho, na doca seca, a gastar milhões.

Os empregados dos estaleiros vão para a rua por ordem do senhor Pinto de Sousa.

O senhor César continua a pagar milhões, por ajuste directo, aos gregos.

O Papandreu agradece, ou devia agradecer mais este nobre gesto dos seus camaradas do faroeste da Europa.

 

Quando, e onde, acabará o socialismo?

 

26.6.11

 

António Borges de Carvalho

FRACTURAS

 

As virtuosas almas do nacional-comunismo andam inquietas de tão surpreendidas e chocadas com a zanga entre o chefe, ainda abananado com os resultados eleitorais, e o seu notável ex aderente senhor Tavares, virgem ofendida na sua pureza.

O barco abanou, o ratito deu de frosques. Um horror!

 

As almas não percebem, coitadas, que se tratava de uma união de facto, anulável segundo a vontade do freguês. Coisa que, por conseguinte, não podia estar mais de acordo com a filosofia do partido. Era fracturante, fracturou!

 

Já o camarada Fernandes tinha feito o mesmo. Ao primeiro abanão – os contentores do Coelho, apoiados por ele e pelo chefe Costa sob inspiração robeirotelosa  – o homem tinha mandado o Bloco `as urtigas, guardando, intacto e renovável, qual energia da moda, o tachito.

 

O Tavares foi mais longe. Aproveitou uns lapsos, uns mal-entendidos, umas querelas de alcova, e pumba!, ou pimba!, aliou-se aos verdes melancia do camarada Cohn Bendit! O importante e natural seria, e foi, sair do barco, ora batel, e conservar intacto o seu precioso euro estipêndio. Nobre atitude, a fazer jus, ele também, aos mesmos fracturantes valores do Bloco.

O Bloco ensinou-o a fracturar, ele fracturou.

 

As virtuosas almas não conseguem suportar a dor que lhes causa ver as suas tão generosas ideias dar resultados como estes.

Desta humilde tribuna, o IRRITADO declara compreender as suas mágoas e aconselha-as a estar atentas ao que vai seguir-se.

Cheira que o camarada Tavares, mais cedo ou mais tarde, fará uma gloriosa entrada no PS, partido plural e democrático, com muito mais tachos `a disposição que o barquito do Louça.

 

Veremos.

 

24.6.11

 

António Borges de Carvalho

GENTE DO MELHOR

 

O IRRITADO volta a pedir desculpa pelo que se esta a passar com os acentos! 

 

A ver se a gente se entende nesta maluquice dos governadores civis.

São eles representantes do governo nos distritos. Quer isto dizer que, quando muda o governo, mudam os governadores.

O senhor Pinto de Sousa, no uso do seu direito, nomeou uma data de vencidos nas autárquicas, malta do PS – ate a Sonia Sanfona! – malta que, pelos vistos, não era boa para os concelhos mas óptima para os distritos.

Apesar de tudo, tudo tão bem quanto se pode imaginar, pelo menos com tal gente.

 

Veio o Passos Coelho. O Passos Coelho tem o direito de correr com aquela malta toda e nomear gente da sua confiança. Resolveu, no entanto, dizer que não nomearia ninguém, já que ´e de opinião que o cargo deve deixar de existir.

Os governadores do Pinto de Sousa ficaram ofendidíssimos. Vai dai, 17 de um total de 18, corajosos, demitiram-s, como se nao fossem demitidos mesmo sem fazer nada.

 

Agora, vejam bem:

Se o novo governo nomeasse outros, os tipos iam para a rua. Como não nomeia, ficam os que la estão, mesmo demissionários. Como, para acabar em definitivo com a raça ´e preciso rever a Constituiçao, coisa que vai levar montes de tempo, os demissionários fizeram o bonito de se demitir, na certeza que tem `a sua frente uma data de meses com o ordenadinho garantido, embora não representem governo nenhum, nem coisissima nenhuma.

 

Uma jogada de grande mestria, bem própria da moral republicana do Partido Socialista.

Nenhum deles, reparem, renunciou ao cargo, única forma de ir embora, nas actuais circunstancias.

Gente, afinal, digna do maior respeito, uma vez que, coerentemente, são fieis aos verdadeiros valores do seu partido. Um tacho não se larga, conserva-se, se possível dando a impressão de que se e´ se´rio. 

Alem disso, trata-se de uma gloriosa acçao de luta contra a precariedade! 

 

23.6.11

 

António Borges de Carvalho

JUSTIÇA ATEMPADA

 

 

Há quanto tempo se dizia, ou sabia, que a dona Rodrigues, digna ministra do senhor Pinto de Sousa, tinha proporcionado a um amigo do PS, um tal Pedroso, irmão de outro tal Pedroso, choruda e pública verba para não fazer nada?

Há muito. A senhora deixou de ser ministra, foi contemplada com um dos melhores tachos do país, e retirou-se da ribalta no seu novo Mercedes-Benz.

Hoje, após muitas “diligências” e buscas, a procuradoria anuncia que a dona Rodrigues foi processada por crime de prevaricação. Por outras palavras, foi preciso o patrão - Pinto de Sousa - passar à “disponibilidade” para que as distintíssimas autoridades judiciais se debruçassem a sério sobre o assunto.

Faz lembrar o Dr. Vale e Azevedo que, acusado de tudo e mais alguma coisa, só foi dentro depois de perder as eleições no Benfica…

Prouvera que ao senhor Pinto acontecesse coisa parecida.

 

A propósito disto, ontem, um advogado qualquer, defensor dos skin heads anunciou na televisão que um seu constituinte tinha, sobre o caso Freeport, documentação necessária e suficiente para incriminar a família socratiana até ao pescoço, em manigâncias, offshores e coisas do estilo.

Ao ouvir ontem este tipo, achei que hoje, os jornais não falariam noutra coisa. E, no entanto, népias. Umas referenciazitas aqui ou acolá.

 

À atenção da dona Felícia Cabrita.

 

21.6.11

 

António Borges de Carvalho

É COPIAR, VILANAGEM!

 

Uma das primeiras decisões do novo PM devia ser, manda a nossa indignação (não confundir com os “indignados”), pôr na rua a dona presidente da escola dos magistrados, toda a sua administração/direcção ou lá o que é, e mandar os alunos todos para casa.

Da mesma forma, conviria que os distintos magistrados pusessem a ferros o presidente do respectivo sindicato, que teve a ousadia de achar que o assunto do copianço era “escusado e lamentável”, em vez de tomar uma atitude menos motivada por meras considerações corporativas.

 

Tudo para a rua!, seria a única solução decente.

Mas não vai ser.

 

O sistema vai continuar. O primeiro sinal de “mudança” dado pelas hierarquias judiciárias e pelos respectivos “representantes” é comunicar, por palavras e atitudes, que vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que não haja mudança nenhuma.

Sei que vão acusar-me de “fascista”. No entanto, não há quem não reconheça que o sistema de recrutamento de magistrados criado pela democracia não funciona nem nunca funcionou. A justiça “fascista” - à excepção dos plenários - era muito mais credível e inspirava muito mais confiança que a dos nossos dias. Os licenciados que quisessem entrar na magistratura começavam a sua vida profissional como procuradores ou adjuntos, andando de tribunal em tribunal por esse país fora. Aprendiam com a vida, com os truques da barra, com o mundo da burocracia judicial, ganhavam experiência e, passados uns anos, podiam ascender a juízes.

Hoje dá-se-lhes umas lições mais ou menos “expeditas” - como o caso do copianço demonstra à saciedade - e aí vão eles… Passam de estudantes copiadores a juízes enquanto o diabo esfrega um olho.

O resultado são os juízes de cueiros, que, às vezes, nem português sabem. E que, sem carecer de demonstração, não têm nem podem ter um mínimo de preparação sobre a vida e os seus meandros, não “marinaram” nas salas de audiência, isto se tiverem, o que é duvidoso, alguma preparação técnica para o exercício de uma profissão outrora prestigiante e hoje objecto da maior das desconfianças.

 

Vai ser mais fácil cumprir as metas do FMI do que por esta malta na ordem. 

 

21.6.11

 

António Borges de Carvalho

UMA SUJEIRA

 

O IRRITADO não sabe nem quer saber se o Dr. Nobre daria ou não um bom presidente da AR.

Mas sabe que a praxe parlamentar manda que seja eleito o candidato indicado pelo maior partido. Sabe que até já houve um presidente eleito que, sendo membro do Opus Dei, não teve da Maçonaria uma oposição frontal. Julgo que foi até o primeiro presidente do Parlamento das Repúblicas (primeira, segunda e terceira) eleito sem o “carimbo” da prestimosa corporação. Sendo um homem do CDS, sem qualquer sombra de experiência, profissional ou política, para o cargo, foi eleito com os votos do PSD, do PPM, partidos da coligação da altura, e até terá recebido alguns votos de outras bancadas.

 

Não há memória de acontecer coisa parecida com a que hoje se passou.    

O Dr. Fernando Nobre não conseguiu ser eleito. Não está em causa saber se era ou não um bom candidato. O que está em causa é que o CDS-PP votou em branco.

Por mais que adoce a pílula, votou contra!

O Dr. Portas (Paulo) mandou votar contra!

Contra o candidato do partido com o qual se coligou!

Contra a mais elementar urbanidade.

Contra um mínimo que fosse de curialidade.

 

Por pura birra de meninó, o Dr. Portas (Paulo) mandou votar contra!

Que se pode esperar da estabilidade da coligação com uma “abertura de trabalhos” deste calibre?

Estaremos condenados a isto?

 

Vê-se, neste momento, na SIC notícias, uma senhora do CDS-PP a meter os pés pelas mãos, toda contente porque o Dr. Nobre não fez, por pouco, o pleno dos votos do PSD, a saracotear-se em argumentos de xaxa. Uma miséria!

 

O CDS-PP começou por mostrar “qualidades” que nada abonam para o futuro e ainda menos abonam em favor do “espírito de corpo” com que encara os seus compromissos políticos.

 

Deixem-se de mariquices, gaita!

 

20.6.11

 

António Borges de Carvalho

DO RESPEITO PELA HISTORIA

 

Note o leitor a falta de muitos acentos neste texto. Tal fica a dever-se a um desconhecido erro do teclado. As desculpas do IRRITADO.

 

Na comovida presença de umas seis ou sete “individualidades” e de duas dúzias de populares por ali passantes, foi reiterado o roubo da Casa dos Bicos `a cidade, “consagrada” a dita ao prolixo escritor comunista Saramago e, sobretudo, posta as ordens de uma assassina da língua portuguesa, conhecida, por sua douta iniciativa, pelo culto titulo de presidenta, com o analfabeto patrocinio do Diario de Noticias e quejandos.

Nao se sabe ainda se, a seguir, sera criada a freguesia de São Saramago, sob a presidência da presidenta e com sede em palácio a construir pela CML para sua residência oficial.

O que se sabe e que há uma sepultura numa praça publica, coisa inédita e extraordinária, uns largos milhoes gastos e a gastar pelo município para adaptar a Casa dos Bicos as exigências da presidenta, e uma vitoria financeira de alto gabarito para ela e para o sinistro barbichas que edita e reedita as megatoneladas de palavreado produzidas pelo orago da eventual nova freguesia.

 

Deu gosto ouvir o barbichas, gato escondido com o rabo de fora, dizer que aconteceu não sei que “quando o Jose foi despedido do Diario de Noticias”. Eis um exemplo claro de como se torce, inverte, aniquila, pisa a verdade, substituindo-a pela mais crassa aldrabice e tornando esta “oficial” com chancela, o enlevo e o aplauso do presidente da Camara e da ministra da cultura.

Um símbolo da nossa Historia, do que de melhor há na nossa Historia, há treze anos votado ao abandono “por falta de verba” e, de repente, roubado a tal Historia e consagrada a ambição desmedida de uma estrangeira, ainda por cima presidenta como a dona Gilda!

Para isto passou a haver “verba”! Não para comemorar os feitos antigos e nobres ali simbolizados, mas para oferecer, com o nosso dinheiro, uma lucrativa loja de “cultura”, glorificando assim um torcionario da Liberdade, coisa esta que as “individualidades” dizem defender!

Tanta mentira junta!

 

Os lisboetas e, neste caso, os portugueses em geral, sao privados

de uma peça preciosa do seu património histórico em favor… digam la  de que?

 

20.6.11

 

António Borges de Carvalho

O QUE AÍ VEM

 

Temos assistido, ainda o governo não tomou posse e ainda o PS não tem chefe, a múltiplas declarações do Seguro, do Assis e de outros actores menores, todas no sentido da manutenção da “filosofia” “democrática” gloriosamente introduzida pelas cassetes do senhor Pinto de Sousa. As quais, ou muito me engano ou nos dizem que, partido o veneno, ficou a peçonha.

 

“Não vamos deixar o governo à vara larga”, “não vamos andar com o governo às costas”, são algumas das delicadas asserções das muitas já produzidas pelo socretinismo instalado.

 

Várias conclusões há a tirar.

A primeira diz-nos que o PS, ao acertar agulhas com a trempe numa altura em que já tinha a certeza de perder as eleições, fê-lo de forma a, aceitando prazos inacreditáveis, dificultar o mais possível o trabalho a quem se seguisse. Uma vitória do partidarismo na sua mais rasca expressão.

A segunda revela que, começando por dizer que ia fazer uma oposição”construtiva”, se prepara para a fazer tão destrutiva quanto possa.

A terceira mostra que o PS, no que se refere a reformas da saúde, do trabalho, da educação, etc., bem como à da Constituição, é tão atrasado mental como o PC ou o Bloco, isto é, anquilosou-se nas patacoadas do estado “social” à moda do socialismo estatista. Marcelo Caetano, se estiver nalgum lado, deve estar agarrado à barriga, perdido de gozo.

A quarta, prova à evidência que o proclamado “diálogo”, a vendida concertação, têm hoje o mesmo significado que têm tido desde há 6 anos: são puras mentiras.

 

A esmagadora maioria dos portugueses, incluindo muitos eleitores do PS, julga-se no direito de ter alguma esperança no novo governo.

Antes, porém, que aconteça seja o que for, de bom ou de mau, já os futuros manda-chuva do partido lançam o seu coro de ameaças contra tudo o que possa viabilizar o que eles tornaram inviável.

 

O PC, como todos, até o próprio, reconhecem, continua agarrado a fórmulas do princípio do século passado e não é capaz do mais pequeno olhar para o mundo, para o futuro, ou de se ver ao espelho.

Com agenda ligeiramente diferente, o PS está na mesma: a Constituição é um espantalho da esquerda, intocável à tord ou à raison, destinado a deitar por terra seja o que for que os eleitores tenham escolhido e que signifique avanço, progresso ou hipóteses de saída do atoleiro, isto em favor do estúpido bloco de granito da sua ideologia, já de si falsa como Judas, troglodita e trafulha. O Estado “social” é outro pedregulho, unívoco e imutável, o qual, mesmo que arruinado, ou é como eles querem ou não é de maneira nenhuma.

O PS vai bloquear tudo o que representar um toque, mesmo que ligeiro, na aplicação das suas falidíssimas receitas. E só mudará seja o que for quando for outra vez governo (t’arrenego!), pressionado pelo “estrangeiro”, ao mesmo tempo que continuará a dizer o contrário.

 

É isto o que, seguramente, há a esperar do Seguro, é isto o que, asistidamente, será praticado pelo Assis.

O socretinismo continua e continuará a fazer estragos. Esta gente não só é tetraplégica mental como gosta de do ser. Ideias novas, refrescadas, em dia, nem pensar!

 

18.6.11

 

António Borges de Carvalho

BIOLOGICES

 

Foi descoberto, sem margem para dúvidas - é o que se diz por aí - que a letal bactéria E.coli tem origem numa exploração “biológica”, isto é, num produtor que declara e atesta a “pureza” dos seus produtos, que garante não usar nenhuma das horríveis descobertas da humanidade - coisa ordinária, esta  humanidade moderna, científica e tecnológica - tais como adubos, pesticidas e outras abominações.

Fica provado que as tais produções “biológicas” não garantem coisíssima nenhuma no que à higiene e à saúde se refere.

A única coisa que garantem é que você compra um produto mais ou menos igual a todos os outros mas mais caro e tão ou menos seguro que eles.

 

Agora, meus caros, imaginem o que aconteceria se a tal bactéria tivesse surgido numa exploração, por exemplo, de vegetais transgénicos.

Ainda que não haja registo de mortes causadas por tais alimentos, a esta hora, os jornais, as televisões, os governos, as irmãs da caridade, o Greenpeace, teriam já montado uma campanha universal contra os malefícios dos transgénicos e as multinacionais que vivem à custa da saúde de cada um. A União Europeia teria já emitido quatrocentos e trinta e dois regulamentos contra a coisa, a OMS tinha posto trezentos “cientistas” em Genebra a tratar do assunto, a Liga da Protecção da Natureza, em consórcio com a DECO, tinha reunido inúmeros “especialistas” no Estoril para estudar as formas de combater a praga, o barbaças da saúde tinha feito duas conferências de imprensa, os “Verdes”, leia-se, o PC, tinham já convocado manifestações de protesto em todas as capitais de distrito contra mais este abuso do capitalismo monopolista, latifundiário e imperialista, etc.

 

No caso em apreço, nada acontece. Nem uma palavra é ciciada. Trata-se de produtos “biológicos”, protegidos pela religião universal dos “puros” dos “ecologistas”, dos “protectores do planeta” e de outros idiotas a cuja ditadura o mundo parece estar submetido. 

Com universal aplauso, os “biológicos” continuarão impunemente a cultivar alfaces docemente “estimuladas” por “produtos naturais”, tais como caca de cavalo e água chilra.

 

Pouco há a fazer a este respeito. A “fé” é a fé. Não se discute. Não se põe em causa. Não se questiona. Paga-se, e acabou-se.

Os incréus como o IRRITADO são classificados pelo politicamente correcto como indivíduos sem escrúpulos, hereges, inimigos da “natureza” e outros epítetos da moda.

 

Que se lixe. Nestas matérias, o IRRITADO não deixa de dizer de sua justiça.

 

15.6.11

 

António Borges de Carvalho

DESMERECER DA REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

 

Sei que o que o IRRITADO vai escrever suscitará as mais indignadas reclamações.

Não façam cerimónia.

 

O IRRITADO é a favor dos subsídios de reintegração dos deputados, bem como da subvenção vitalícia daqueles que (ainda!) têm direito a ela.

 

Expliquemo-nos.

É voz corrente que os deputados deviam ser menos. De acordo. Pelas contas do IRRITADO, na mesma proporção do Reino Unido, deveria haver mais ou menos cem deputados em Portugal.

É voz corrente que os deputados deviam ter maior ligação aos círculos que os elegeram, designadamente através da instituição de círculos uninominais. O IRRITADO há muito pensa neste assunto, sem conseguir chegar a uma conclusão definitiva.

O raciocínio é simples e imediato: os círculos uninominais facilitariam a relação entre os eleitores e os eleitos. No entanto, os deputados, em Portugal como em todo o mundo, representam a Nação (conceito que a nossa bela Constituição não contempla) ou o Povo em geral, não o círculo que os elegeu. Por outras palavras, na pureza dos princípios, nem círculos eleitorais devia haver, uma vez que ninguém representa quem o não elegeu. Convenhamos que os círculos são, pelos menos, uma necessidade técnica. Aceite-se.

O outro lado da moeda será, entre nós mais que em qualquer outra parte - à excepção do Iraque e quejandos - que o uso exclusivo da solução uninominal criaria uma Parlamento de agentes locais, sem capacidade política outra que não fosse os interesses do seu círculo, até para não deixar de ser eleito na próxima. Seria um Parlamento de caciques.

É voz corrente que a escolha dos candidatos pelos partidos tem o efeito perverso de transformar cada um deles num mero representante das cúpulas partidárias. Talvez assim seja. Por outro lado, no entanto, há que considerar que, ao eleger um Parlamento, os cidadãos estão não só a compor o poder legislativo como o executivo, que dele depende. Ora estes poderes são gerais, não regionais, ou de círculo. Neste sentido, devia haver um único círculo: o do universo eleitoral.

 

É facto que há vozes de sobra a pôr em causa a “utilidade” e o “preço” dos deputados. Mas não há outra solução que não seja tê-los. Até as ditaduras não dispensam um Parlamento, mesmo que fantoche!

Também é facto que os deputados, em Portugal, são miseravelmente pagos, o que impede, por evidentes razões, que se possa ir buscar à sociedade civil os melhores, os mais prometedores, os que melhores provas têm prestado. A isto acresce o que se lhes exige em sacrifícios que vão muito para além do fraco estipêndio: exposição pública - vida privada incluída - suspeições “obrigatórias”, declarações pessoais a que o cidadão comum não está sujeito, impedimento de exercício profissional em áreas de que tratou no poder, informal mas evidente presunção de culpa, etc.

 

Com algumas honrosas excepções, a atracção pela função acontece a quem nada tem a perder, pelo contrário, com esta montanha de constrangimentos. A representação popular sofre com isso, como é evidente.

Tanto o subsídio de reintegração como o vitalício tinham a virtualidade de amenizar um pouco o que aos deputados é exigido em termos pessoais e patrimoniais.

Acabaram com isso. A qualidade geral do Parlamento desceu em conformidade.

 

Se se reduzisse drasticamente o número de deputados seria possível escolhê-los com outros critérios e outros interessados, pagando em conformidade com as funções e gastando muito menos. Poder-se-ia, até (hipótese académica), a partir de um determinado mínimo, pagar-lhes o que na vida “civil” ganhavam. Se calhar ainda sobrava verba para os negregados subsídios.

 

Por tudo isto, o IRRITADO vê com inquietação o clamor mediático sobre os cinco deputados que têm direito, e requereram, o subsídio vitalício, mais a meia dúzia que fez o mesmo no que à reintegração diz respeito.

Não é com estes clamores, pelo menos idiotas, que se defende o regime ou as suas instituições. Não é com críticas deslocadas e absurdas que se procura melhorá-los.

A não ser que, como parece ser hábito instalado, se esgrima com generalizações ilegítimas, muito mais contribuindo para afastar os eleitos dos eleitores de que certas indesculpáveis deficiências daqueles.

 

14.6.11

 

António Borges de Carvalho

NUESTROS SUEÑOS

 

Os objectivos das pequenas ou grandes multidões de inúteis que andam para aí a fazer manifestações contra a precariedade, que acampam no Rossio sob o terno olhar da dona Roseta vereadora, que se deitam no meio da rua com idiota dignidade, que andam de bicicleta a exibir as miseráveis carnes numa cidade qualquer da América do Sul, são lapidarmente sintetizadas num cartaz exibido em Madrid e publicado nos jornais.

 

Assim:

Nuestros sueños no caben en vuestras urnas.

 

Eles têm sonhos que nada têm a ver com a liberdade dos outros. Trabalhar faz calos. Votar não interessa. Eles são eles, os outros são os outros. Eles têm direitos que não se limitam nos dos outros.

 

Os operários da construção civil que sequestraram o parlamento às ordens do PC e do Vasco Gonçalves, também não tinham nada a ver com urnas nem com os direitos dos outros. As “massas” que apoiaram o Fidel e substituíram uma ditadura por outra, também nada tinham a ver com urnas, nem com votos, nem com direitos. Eram eles, só eles, que se achavam no direito de ditar o que lhes apetecesse.

 

Nas ruas de hoje, são os mesmos “sentimentos” que, perante a comoção “solidária” das rosetas deste mundo, comandam uma juventude que insiste em perder qualquer sombra de sentido da responsabilidade, ou que é movida por insuspeitos cordelinhos. Não têm uma única solução a propor para os problemas que afligem a sociedade. Não têm uma só iniciativa que dê trabalho ou o implique. Querem mostrar-se para ajudar a desorganizar ainda mais um mundo em convulsão.

 

Os sonhos deles não cabem nas nossas urnas. Pois não. As urnas podem estar na origem de muitas asneiras, mas a diferença é que nas urnas cabem os sonhos de todos, ou os sonhos de ninguém. Mas cabem lá todos, mesmo os que sonham com pôr os demais a não poder sonhar.

 

14.6.11

 

António Borges de Carvalho

INJUSTIÇA E INIQUIDADE

 

Há trinta anos, um casal comprou um terreno que viria a ser integrado no Parque Natural da Arrábida. Nele construiu, sem pedir licença, uma pequena casa, nela passando a viver, ao mesmo tempo que arroteava a quintarola, sua única fonte de rendimento. Nela criou os filhos e está criando os netos.

 

Tudo bem, ou tudo mal.

 

A câmara de Setúbal foi fechando os olhos. Até que, constituído que foi um corpo burocrático destinado a “defender” o “património natural”, apareceram por lá uns fiscais da coisa, que aplicaram uma multa e disseram que o assunto ficava por ali.

O casal, fatal asneira, dirigiu-se à câmara e pediu a legalização da casinha. Papéis e mais papéis, o costume. A câmara estava de acordo em legalizar a construção, tanto mais que integrada e apoiando uma exploração agrícola. Mas, perdido que foi o seu poder em favor dos burocratas da “Natureza”, enviou-lhes o processo.

Passaram anos. Até que, trinta anos depois de ter cometido o seu crime, o casal vai testemunhar essa extraordinária manifestação de poder que é, por obra e graça dos “representantes da Natureza e da biodiversidade”, ver demolida a sua casinha: um T2 bem arranjado, onde moram com a família e que lhes serve de apoio aos 5.000 metros de agricultura a que se dedicam.

Generosamente, os burocratas “autorizam” o casal a continuar as suas actividades agrícolas, desde que vão morar ao relento ou a 20Kms de distância.

 

Vejamos o assunto pelo lado da Natureza.

Se a zona que o casal cultiva é “protegida”, isto é, tem património vegetal intocável e, nesse caso, a cultura de nabos e cebolas ofende os interesses que os burocratas dizem defender, então será, ou seria em devido tempo, legítimo proibi-la. A casa não tem nada a ver com o assunto.

Se os nabos e as cebolas não prejudicam a “Natureza” que os burocratas “protegem”, ainda menos a casa o faz.

 

Do ponto de vista jurídico, haverá que perguntar se, num caso destes, a prescrição não existe, como até nos mais hediondos crimes.

Não é a mesma coisa, dir-se-á. Tecnicamente estará certo. Mas…

Antigamente, um brocardo que, tecnicamente, não é um brocardo, era ensinado às gentes. Rezava ele: Equitas est summa et constans voluntas jus suum quique tribuendi. Ou seja, a equidade era condição para a realização da Justiça, uma superior e constante vontade de dar a cada um segundo o seu direito.

Talvez, hoje em dia, tal postura de princípio seja considerada “fascista”, arcaica, ou coisa que o valha.

Mas não deixa de ser verdade que, segundo a equitas, o casal tem todo o direito a conservar a sua casa, ainda por cima não ofendendo ela os interesses que os burocratas dizem defender, ou com certeza ofendendo-os menos que os nabos e as cebolas.

 

Aqui temos um caso em que a lei é aplicada segundo critérios meramente burocráticos.

As “autoridades”, que andaram a dormir ou a procrastinar durante décadas, eis senão quando acordam, e pumba!, vai disto.

A casa vai ser demolida, os “criminosos” ficam ao relento com filhos e netos e, ainda por cima, têm que arcar com as despesas da demolição.

 

A ditadura encartada em acção.

 

Aqui está uma que, para consolo dos comentadores amigos do senhor Pinto de Sousa, não tem nada a ver com o dito.     

  

14.6.11

 

António Borges de Carvalho

UM FUTURO RISONHO

 

Decapitado que foi o PS pelas manobras neo-liberais da reacção, debate-se a organização com o problema de encontrar um líder à altura, ou à baixura.

Duas personalidades se agigantam perante o olhar extasiado dos militantes e a ansiedade de uma Nação inteira: o Seguro e o Assis.

 

Do primeiro, dão-nos as crónicas duas preciosas informações: a) o homem andou sempre a segurar-se e em segurança nas franjas do pintodesousismo, sem se comprometer com ele e b) o homem é o chefe da esquerda do partido.

Do segundo, não é preciso ir buscar informações às crónicas. O homem teve exposição suficiente para que possamos ter a certeza: a) que se fartou de falar, sempre de acordo com o chefe, b) que afinou o discurso segundo as conveniências do chefe, c) que fez tudo o que o chefe mandou, d) que se o chefe dizia mata ele dizia esfola, e) que repetiu até à exaustão todas as cassetes que o chefe lhe forneceu, tim-tim por tim-tim, sem falhas nem hesitações, as vezes que o chefe mandou, f) que foi duro quando o chefe andava duro e macio quando o chefe amaciava.

 

Neste ditoso panorama, é de referir o aspecto estético dos dois senhores. O Seguro segura uma imagem de rapazinho bem comportado, engravatadinho, sorridentezinho. Ao Assis assiste um ar de nortenha ferocidade, servida por invejáveis parietais e por recente e mal amanhada barbucha.

 

Um insinua, outro tonitrua. Um passa entre os pingos de chuva, outro anda encharcado. Um galula, outro balela. Um é magrito, outro gorducho.

 

Um é o chefe dos aparatchiks da província, outro dos das grandes cidades.

 

Um vai ganhar, outro perder.

Nós, ficamos na mesma. Tanto um como outro se propõem dar continuidade à obra do senhor Pinto de Sousa. Um pela esquerda santola, outro pela esquerda carapau.

A esquerda caviar, para já exclusivo do Louça, anda mal vista. Mas, se for preciso, até é saborosa, mesmo que com vinho verde em vez de vodka.

 

13.6.11

 

António Borges de Carvalho

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