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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CONSTITUCIONAL PROCRASTINAÇÃO

 

Poucos saberão o que é o “Conselho Económico e Social”. Poucos saberão o que faz, qual a sua utilidade, quem lá está, quanto custa, etc.

Poucos terão dado pela existência de tal coisa, a não ser quem lá trabalha e os seus parentes mais próximos.

E, no entanto, ela move-se.

 

O pagode acaba de descobrir, por brilhante iniciativa do mui distinto PS, que a coisa não só existe como é um órgão legal e constitucional cujo parecer é necessário para a aprovação de outra coisa cuja utilidade também poucos sabem o que é: as Grandes Opções do Plano, uma absurda excrescência constitucional que há muito devia ter tido o merecido destino: o aterro sanitário.

Facto é que, juntando o inútil ao desagradável, o dito Conselho, por certo terrivelmente assoberbado de trabalho (?!), decidiu levar duas semanas para emitir o seu douto parecer. E, gloriosa descoberta do PS, o orçamento não pode ser apresentado, não podia ter sido apresentado, sem as “grandes opções”. Estas não podem ser discutidas sem o parecer de tal gente. Lógica consequência, o orçamento não pode ser discutido nem aprovado!

Segundo a opinião do glorioso PS, o governo cometeu a imperdoável ilegalidade e a abominável ofensa à sacrossanta Constituição de entregar o dito orçamento antes das Grandes Opções. O que quer dizer que, se o Conselho decidir, soberanamente, que vai levar seis meses para emitir parecer, não haverá orçamento!

O PS lá tem as suas prioridades, as quais nada terão, afinal, a ver com a discussão do orçamento.

Por sua preclara iniciativa, tudo vai ficar à espera do parecer do Conselho mais uma semana.

Como há um prazo para a aprovação do orçamento, a discussão terá menos oito dias do que o previsto.

Por outras palavras, o PS não está minimamente interessado em fazer outra coisa que não seja chatear, mesmo que tal chatear prejudique o que é fundamental.

O orçamento é o menos, chatear é que é preciso, nem que seja preciso ir buscar entraves ao caixote do lixo.

Depois, virá dizer que, por causa do governo, não do Conselho, não houve a devida discussão de importantíssimas matérias e que, se as suas maravilhosas propostas não fizeram vencimento foi porque a maioria, ditatorialmente, não deu tempo para tal.      

 

Como se vê, a partida do senhor Pinto de Sousa para filosóficas férias não mudou nem um milímetro a profunda natureza da sua malta.  

 

28.10.11

 

António Borges de Carvalho

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

 

Basta passar os olhos pelas montras das livrarias para perceber que o que está a dar é o romance histórico e a “investigação” romanesca.

 

Não há princesa do século XIV que não veja as suas aventuras de alcova retratadas em calhamaços, não há arcebispos sem filhos, não há cortes sem intrigas, tudo se inventa, reinventa ou fabrica com o fim de demonstrar que a história não é o que se julga ou os seus intérpretes mais importantes não são quem se pensa.

 

No meio disto, alguns autores há capazes de colocar as suas personagens em cenários credíveis, com isso contribuindo para o enriquecimento histórico de quem os lê. Tiremos-lhes o chapéu.

Há também quem escreva sobre alegados “mistérios” ou acontecimentos históricos sem ter o topete de dizer que parte de investigações “científicas” ou de ter a “coragem” de afirmar que descobriu “a verdade”.

 

O problema é conseguir distinguir um escritor de um contador de histórias e, de entre estes, os bons dos maus, os sérios dos aldrabões. Sobretudo, jamais acreditar em “exegetas” de pacotilha, ou “investigadores científicos” feitos à pressa.

 

27.10.11

 

António Borges de Carvalho

OPINIÃO CIENTIFICAMENTE FUNDAMENTADA

 

Há uma cara a que nos habituámos porque a costumávamos ver na televisão, a espreitar por trás dos ministros, pescocinho oblíquo para caber no caixote.

Poucos saberiam o nome do homem, pelo que os seus esforços televisivos saíram gorados.

 

Mas não perdeu pela demora. De repente, eis que salta, vigoroso, colérico, intrépido, a clamar de sua justiça.

Com toda a razão, é de reconhecer. É que o homem ultrapassou, cientificamente, os mais elevados génios que a humanidade já conheceu e pôs de rastos políticos, economistas, banqueiros, catedráticos, investigadores, cientistas de várias especialidades, matemáticos e tantos outros que tinham propalado erróneos números e demonstrações.

Há quem diga que o homem foi muito para além de resolver o problema da quadratura do círculo ou a peregrina questão do sexo dos anjos.

 

Respeitosamente, citemos o nome de tão alto representante da inteligência da Nação, pela primeira vez bem visível para toda a gente: Paulo Campos!

O génio sem par, o notabilíssimo espreitador de caixotes electrónicos, descobriu, imagine-se, que as parcerias público privadas em boa hora celebradas pelo governo do senhor Pinto de Sousa, ao contrário das anteriores, não nos vão custar nem mais um cêntimo.

Indignado com a “cabala miserável”, urdida por gente de somenos, o nosso inigualável pensador pegou nos números que toda a gente, burra e mal intencionada, tem na cabeça - 14 mil milhões de euros - e reduziu-os a zero. Zero!

 

Precisamos de homens deste calibre! Para quê o FMI e os outros? Para quê empréstimos, dívidas, juros e outras trafulhices? Entreguem o assunto ao Campos e ele demonstrará, onde for preciso e perante seja quem for, que não devemos nada a ninguém, nem das PPP’s nem seja do que for!

A Comissão Europeia, o Conselho, o FMI, o BCE, a Academia das Ciências de São Petersburgo, a dona Dilma, o camarada Jerónimo, a Sorbonne - ora enriquecida com a augusta presença do senhor Pinto de Sousa -, a associação dos ciganos de Portugal e as mais distintas organizações nacionais e internacionais curvar-se-ão, mergulhadas em sentimentos da mais alta admiração, perante a luminescente opinião de tão ilustre português!

 

Como, desde ontem, passou a ficar claro, não devemos nada a ninguém nem precisamos de dinheiro. O senhor Pinto de Sousa e a sua equipa deixaram os cofres cheios, as auto-estradas estão pagas, os hospitais também, a Segurança Social está cheia de bago, e assim sucessivamente, num mar de felicidade e riqueza!

        

Viva o Campos! Viva a República!

 

27.10.11

 

António Borges de Carvalho

TRABALHAR FAZ CALOS, OU DA DIGNIDADE DA REPÚBLICA

 

O Presidente da República recebeu, com as honras protocolares da ordem, as credenciais de seis novos embaixadores residentes.

Muito bem.

 

Muito bem uma ova. O chefe dos profissionais da Guarda Nacional Republicana - que não tem nada que ser republicana, como no Irão, só Nacional, como nos países civilizados - não está de acordo. Nem pensar. O homem acha a cerimónia “totalmente desmesurada”: um esquadrão de cavalaria da Unidade de Segurança e Honras de Estado, com 60 militares (um esquadrãozinho!), mais a respectiva charanga.

É evidente que a cerimónia, com honras de Estado ou sem honras de Estado, em termos de custos, custa coisa nenhuma. Está tudo pago, guardas, cavalos, etc.. Aliás, trata-se de uma unidade especial, cuja missão é exactamente essa: honras de Estado. Só que dá trabalho ao pessoal. Nefando crime. O pessoal não foi feito para trabalhar!

Noutra perspectiva, admitamos que talvez a inteligente criatura queira acabar com a Unidade de Honras de Estado, mandar os camaradas para o desemprego, distribuir os cavalos pelos talhos, vender os instrumentos à filarmónica de Cavacais de Cima, etc. O fulano, em vez de ficar contente por ver os “seus” homens tornar-se úteis e a República honrada, acha que “as Honras podiam perfeitamente ser feitas por não polícias”, quem sabe se por alunos da escola C+1-2x3, ou por coristas do Parque Mayer.

É de pensar no assunto.

 

Até aqui, o post  foi motivado por razões cavalares, não havendo muito mais a exigir deste soba da GNR.

O pior, porém, vem a seguir.

A Presidência da República veio declarar que o Presidente, nesta matéria, não passa de um actor, “é apenas um actor”. Por outras palavras, para a Presidência, o mais alto representante da República, ao exercer o seu múnus com a dignidade e a pompa tradicionais, mais não faz que prestar-se a uma peça, ou palhaçada, que “o Protocolo de Estado definiu”, isto é, o Presidente da República não é mais que uma espécie de contínuo do Protocolo de Estado, executando disciplinadamente as ordens dele emanadas. Daqui se conclui que, para a Presidência, o Presidente a) não está de acordo com o Protocolo, b) aceita-o tipo carneiro e c) borra-se todo com as bocas do cavalar soba da caserna.

Bonito!

 

26.10.11

 

António Borges de Carvalho

CAÇA AOS ELEFANTES BRANCOS?

 

Há matérias em que o governo parece ter perdido a coragem.

O romance da RTP conheceu agora um dos mais negros - para nós - capítulos da sua longa história.

A pobre empresa, por exigência governamental, vai passar a receber uns míseros cento e cinquenta milhões de euros por ano, acrescidos, como é de timbre, dos impostos que pagamos nas facturas da EDP, mais umas centenas de milhões. Continuará a ter as receitas próprias da publicidade e, como “perderá” um canal, ficará tudo na mesma, como é evidente. Menos despesas menos receitas, mesmo resultado.

 

Literalmente na mesma. É que, como sempre aconteceu - à excepção dos curtos tempos do Almerindo - a RTP continuará a não cumprir “plano” nenhum, o governo ver-se-á obrigado a ter que aumentar as “indemnizações compensatórias” e nós continuaremos a pagar que nem uns leões por uma pessegada que não interessa a ninguém.

 

Não se sabe o que passou pela cabeça do ministro Relvas, ainda menos por que carga de água o Primeiro-Ministro, mais inteligente que ele, terá aceite a “solução” encontrada.

Parece que, feitas as contas de maneira corajosa, seria possível, com os custos de dois anos de actividade deste elefante branco, mais os proventos da venda do edifício e do restante património da coisa, se poria aquela malta toda na rua sem grandes chatices e se aboliria este horrendo sorvedouro sem que ninguém desse por isso ou sofresse insuportáveis prejuízos.

 

Mas isto, meus amigos, são bocas do IRRITADO, que de contas não sabe nada, de televisão ainda menos, não é?

 

26.10.11  

 

António Borges de Carvalho

MALHAS QUE A INVEJA TECE

 

Tal como era de prever, o post anterior deu origem a alguns indignados protestos.

Começo por dizer que o autor do IRRITADO não aufere do Estado outra coisa que não seja uma pensão relativamente modesta e o célebre subsídio dos combatentes. Embora ninguém tenha nada a ver com isto, há que fazer esta declaração de não interesse pessoal no assunto, a fim de prevenir as acusações das criaturas mais rancorosas.

 

Ainda ninguém se lembrou de pôr em causa os ordenados que auferem, acompanhados de gabinetes mobilados à maneira, de secretárias, motoristas, automóveis, etc.,vitaliciamente, os ex-presidentes da república.

Porquê? Não se percebe.

O IRRITADO é a favor de tais mordomias. Poderão ser criticadas por ser altas demais (não sei se o são). Mas o princípio está certo.

Houve, há bem poucos anos, um primeiro-ministro britânico que morreu na miséria. Acham bem? O IRRITADO não acha.

A democracia tem custos. Não são esses os custos que nos arruinaram.

Os da má governação, sim.

Não fomos nós, portugueses, que pusemos o senhor Pinto de Sousa no governo a seguir a um golpe de Estado perpetrado à sua medida e no seu interesse? Não fomos nós, portugueses, que não tivemos sentido crítico perante a golpada, antes a defendemos e justificámos? Não fomos nós, portugueses, que, depois de quatro anos do mais horripilante descalabro, nos deixámos enrolar pela demagogia e voltámos a eleger o intragável fulano? Não fomos nós, portugueses, que deixámos passar seis anos até “acordar”? Não fomos nós, portugueses, que só acordámos quando a coisa bateu no fundo e os credores nos caíram em cima?

 

Agora queremos ir buscar o dinheiro aos subsídios vitalícios dos políticos. Achamos que ganhamos alguma coisa, isto é, dinheiro que se veja, com isso?

É evidente que pouco ou nada ganhamos.

 

Voltando atrás, se os ex PR’s têm o que têm, porque não hão-de os outros ter também o seu quinhão? Ou há moralidade ou comem todos, não é? Não, não é. O nacional-rancorismo não pode aceitar tal coisa.

 

Assim, postas as coisas em matéria de puros princípios, aceite-se que, dada a situação de total ruína a que nos levaram, todos devem fazer sacrifícios. Por maioria de razão, os políticos, para dar o exemplo. 

O IRRITADO acha muito bem que, tal como os dois meses que os funcionários vão perder, também os ex políticos deviam perdê-los. Como só recebem doze meses, então que fossem taxados em conformidade. O IRRITADO, sem concordar, até pode admitir que, durante a crise, os subsídios vitalícios sejam suspensos, o que corresponderia a um prejuízo ainda maior. Muito a custo, até poderia tolerar que, se os “reformados” da política continuam a exercer funções remuneradas, a partir de certo plafond, fossem obrigados a escolher, ou taxados de forma especial.

Mas o que a nacional inveja exige é muito mais. Acabem com tudo! No meio desta miserável campanha o pior é a medrosa reacção da classe política, que parece querer ir tão longe quanto lhe é exigido pelos mais rascas sentimentos “sociais”.    

O argumento que mais colhe é o daqueles que alegam que, tendo os políticos levado a sociedade inteira a endividar-se, deveriam ser todos metidos, a pão e água, num campo de concentração.

E nós? Nós, que andámos alegremente a comprar casas sem ter dinheiro para as pagar (os portugueses são proprietários de mais casas que os alemães!), a comprar carrões a bochechos, a passear nas Caraíbas com dinheiro dos bancos? A não investir um tostão? Não temos culpa de nada?

Com certeza que temos, ainda que com uma importante atenuante: fomos na conversa do “país de sucesso” do senhor Pinto de Sousa, fomos na conversa dos incentivos fiscais às compras mais malucas, fomos em muitas conversas.

Mas não estamos inocentes. Enquanto os alemães, em vez de se pôr a gastar se puseram a poupar e a emprestar ao Estado, nós não só não poupámos nada como gastámos o que não tínhamos e deixámos que o Estado, apesar dos avisos, continuasse a endividar-se no estrangeiro. Votámos nisso!

Visto isto, a culpa não é só dos políticos.

 

Se nós pagamos, os políticos também devem pagar. Se os políticos pagam, nós também devemos pagar. Certo.

Mas que os exageros fiquem por conta dos indignados e dos invejosos, e não cheguem ao poder, estupidificando-o.   

 

25.5.11

 

António Borges de Carvalho

INJUSTIÇAS

 

O coração do IRRITADO sangra de caridade insatisfeita por causa dos funcionários parlamentares que, coitadinhos, estão a ver os seus legítimos interesses ofendidos.

Os ditos senhores, sendo funcionários públicos, tinham, desde Maio passado, um estatuto que lhes garantia auferir mais 60% que os demais da mesma categoria, diga-se que a troco das horas a mais que farão para poder seguir os trabalhos parlamentares. Este privilégio vem de sempre (1976), não sei se com a mesma expressão. Seguindo esta lógica, deveriam os vencimentos ser reduzidos durante os períodos em que a AR não está a funcionar ou funciona a meio gás. Não é?

Acresciam várias outras justas medidas. Por exemplo, os funcionários do parlamento jamais podiam ser contratados a prazo. Quem entrasse, entrava para sempre! O vínculo assim estabelecido, é certo, podia vir a ser alterado. Mas, atenção! Tal só poderia acontecer com o acordo do “atingido”. Por interesse do “patrão”, jamais! O mesmo se passava com a chamada “mobilidade”, isto é, um funcionário só podia ser transferido desde que estivesse de acordo com a transferência. Nada de brincadeiras.

 

Ora parece que o governo quer abolir o tal, e tão justo, estatuto, que nem seis meses de vida tem! Ocorreria perguntar como é que os funcionários funcionaram durante os restantes trinta e tal anos! Em regime de escravatura?

 

O caso é de tal ordem que os rapazes descobriram que o tal estatuto era uma forma, possivelmente mágica, de tornar o parlamento "independente dos governos". Quer dizer que, nos últimos trinta e tal anos, o governo deve ter sido uma espécie de assembleia da II República. E mais: sem estatuto, dizem eles, o parlamento deixa de ter “autonomia”! E os milhões do orçamento, não lhe dão autonomia? São os funcionários que a proporcionam?

Estúpidas perguntas, as do IRRITADO. É que os atingidos por mais esta vilania do governo, são “o baluarte” da Assembleia! Cuidado! Sem este precioso “baluarte”, desmorona-se a democracia!

Acresce que o pessoal tem um sindicato próprio, o qual, para defender a “independência”, não é filiado em nenhuma central. Sem prejuízo de ter aderido a uma greves geral da CGTPIN, é claro, mas, atenção, deixando a cada um o direito de alinhar ou não.

E a besta do IRRITADO que julgava que qualquer um era livre de aderir ou não às greves, a todas e quaisquer greves! O conceito do sindicato parlamentar é outro: isso de direitos individuais só se autorizado pelos sindicatos!

 

Posto isto, é com integral apoio que o IRRITADO saúda a iniciativa da greve de protesto que os impolutos funcionários se preparam para levar a efeito.      

Muito bem!

 

24.10.11

 

António Borges de Carvalho

MALTA FINA

 

Após três dias, pelo menos, de impiedosa perseguição movida pelo jornal do amigo Oliveira, devidamente secundado pelo “serviço” público de televisão e por outros que tais, a coisa começou a dar resultado:

- Há políticos que já abdicaram de subsídios e outras coisas a que legalmente têm direito mas que causam a maior das impressões ao povo.

- O PSD e o CDS, consta, vão inserir no orçamento umas emendas destinadas a lixar os ex-colegas, dos seus partidos e dos dos outros, pelo menos aqueles que, para além da pensão ou subsídio, recebem “altos vencimentos”.

- O povo viu os seus mais profundos sentimentos de rancor e inveja devidamente respeitados.

- A política em geral viu-se, a prazo, servida por cidadãos de ainda pior qualidade que os actuais.

 

Animados por estes desenvolvimentos, os anónimos do costume, pelo menos na Net, descarregaram uma saraivada de mensagens e iniciativas “moralizadoras”, vituperando inúmeros senhores a quem os respectivos patrões (privados) pagam o que combinaram, como se os respectivos patrões fossem parvos e como se alguém tivesse alguma coisa com isso.

 

É curioso notar que, durante o domínio do PS, nunca tais iniciativas tiveram lugar, isto é, para além das justas bocas sobre as malfeitorias universitárias, imobiliárias e várias do senhor Pinto de Sousa, não se assistiu a uma perseguição generalizada como a actual. Há quem diga que a grande “fundação” do PS - a central de informações e contra informações - continua a funcionar em pleno, mesmo que isso venha a afectar um ou outro camarada.

 

Sem prejuízo da alegada necessidade de moralização e de poupança orçamental, o que estes desenvolvimentos revelam é a qualidade e a nobreza de sentimentos dos media, a suplantar com afinco os do anónimos do costume, usando os mesmos critérios e acrescentando ao virtual oportunismo dos políticos o de uma série de cidadãos que não têm nada a ver com o assunto.

 

Dirá quem isto ler que o IRRITADO acha muito bem que se acumule, à fartazana, reformas e outras mordomias.

Não acha. Acha que o que é legal, é legal. Acha que quem se aproveita do que é legal defende legitimamente os seus interesses. Acha que a lei devia ser alterada, deveria haver limites, como em noutros países que bem conhece, sobretudo por via fiscal.

E acha mais três coisas, pelo menos:

- Que tais limites se deviam aplicar a rendimentos públicos, a partir de certos montantes, jamais a rendimentos de trabalho privado ou de previdência pessoal, sendo que esta devia ser fiscalmente premiada;

- Que o governo se devia ter preocupado a tempo e horas com o assunto - para além das monumentais bordoadas que já deu no IRS e noutras coisas - isto, ainda que não se saiba se já o fez nem em que termos;

- Que os promotores da campanha ora em curso estão mais preocupados em dar vazão às suas raivas e invejas que em moralizar seja o que for, estão mais preocupados em vender jornais que em melhorar o orçamento, estão mais preocupados em potenciar a “rebelião das massas” que em melhorar seja o que for.

 

Uma malta do quilé.

 

24.10.11

 

António Borges de Carvalho

O ESCORPIÃO

 

Toda a gente sabe a história do escorpião e da rã. Para os mais distraídos, repita-se:

Não sabendo nadar, o escorpião pediu uma boleia à rã para atravessar um charco. A rã olhou desconfiada para o venenoso aguilhão. O escorpião sossegou-a: achas que eu sou capaz de te matar depois de me dares boleia? A rã acedeu e levou-o às costas para a outra margem. Mal lá chegaram, o escorpião espetou-lhe nas costas o fatal órgão. No estertor, a rã murmurou: tu tinhas prometido… Pois tinha, respondeu o escorpião, mas, que queres, é a minha natureza!

 

Exemplar, não é?

Há sempre histórias a confirmar as fábulas. Desta vez, foi o doutor Cavaco que se encarregou do assunto.

Para quem assistiu à ascensão deste senhor e esteve um pouquinho atento às suas, digamos, características pessoais, a coisa não causa grande surpresa. Muita e boa gente foi puxada para cima por este senhor, e depois deixada cair como se fosse lixo, as mais das vezes, há quem diga, em favor de gente menos boa.

É também sabido que a estratégia política de Sua Excelência sempre se pautou por um valor supremo: o seu interesse pessoal.

Foi assim que deu a necessária ajudinha ao camarada Sampaio, “moralizando-o” para destruir, com um golpe de Estado, a maioria democrática e coerente então no poder. Um governo socialista adaptava-se melhor às suas ambições presidenciais…

Foi assim que tudo sacrificou para se erguer até Belém pela segunda vez: tocar na fímbria das vestes do governo socialista, nem pensar!; fazer fosse que ondas fosse em favor de um país que vinha sendo, debaixo do seu nariz, impiedosamente lançado ao poço das dívidas e à gula dos credores, que ideia! O Presidente só se zangou, e de que maneira, quando os tipos dos Açores, apoiados pelos ignorantes dos partidos, quiseram roçar as pernas dos seus sacrossantos poderes.

De resto, cooperação estratégica, uma ou outra suave dentadinha, palavras de estímulo, discursos inanes.

                                                                                                                                            Agora, põe-nos perante o que parece uma vingança póstuma contra o Dr. Sá Carneiro, que almejava um governo, uma maioria, um presidente da mesma cor, isto é, um poder democrático, coerente e unido.

Agora, que se poderia pensar que o desejo do mal amado (por ele) primeiro-ministro se poderia realizar, zás!, Cavaco desbronca-se, na rua, sem mais nem menos e com uma virulência desmedida.

 

Já nem a desculpa de mau pagador que tinha antes das eleições (era preciso segurar os votos da esquerda moderada que não suportava a ideia de ver em Belém o alegre saco de vento que lhe andavam a impingir) lhe assiste.

Assiste-lhe a oposição, o Pacheco Pereira e a uma primitiva ânsia de protagonismo. Para além, é claro, da sua natureza…          

 

21.10.11

 

António Borges de Carvalho

DA ESTUPIDEZ DO REGIME

 

Há uma história que consta ter-se repetidamente passado nas ex-províncias ultramarinas - designação histórica, hoje politicamente incorrecta, que o Doutor Salazar aboliu e recuperou.

Como segue:

Diz o mainate (em Moçambique) ou o calcinhas (em Angola):

- Eh patrão, os colonialismo acabou. Quando acaba os independência?

 

Diante das mais recentes doutas palavras de Sua Excelência o Presidente da III República, e parafraseando aquela tão sincera questão, pergunta o IRRITADO:

- Eh malta, a Monarquia acabou. Quando acaba a República?

 

Vexata questio. Parece não se pôr. Mas, olhando para a nossa cavacal desgraça, hemos de perceber que vivemos no regime político mais estúpido de toda a Europa Ocidental, onde há monarquias que funcionam e repúblicas que funcionam.

Porque há-de a nossa república ser a desgraça que é?

No nosso mundo, uma só república há em que o presidente, se chefe da maioria, comanda o governo: a francesa. Um sistema inventado pelo General De Gaulle em tempos que já lá vão, e que, se o presidente não é o chefe da maioria, dificilmente funciona. De resto, há presidentes que, ainda que sem as condições morais e culturais dos reis para representar a Nação, lá estão, em funções mais ou menos protocolares. A coisa vai funcionando.

Por cá, temos esta infelicidade de eleger um presidente por sufrágio universal, e depois dar-lhe uns poderes de xaxa (à excepção dos inconstitucionais, como os do Sampaio), como se o voto popular não valesse um chavo.

A opção, uma vez aceite este tipo de sufrágio, seria um sistema do tipo americano, em que o presidente, limitado pelo parlamento, seria o chefe do governo. A alternativa seria eleger o presidente no parlamento e dar-lhe funções formais e simbólicas.

O meio termo é a maior das parvoíces. Primeiro, porque desvia a fiscalização do executivo do parlamento para a presidência. Depois porque, por via disso, desresponsabiliza os deputados e como que empurra o presidente para obrigatória oposição.

Tivemos três presidentes que, claramente, fizeram tudo o que estava ao seu alcance para fazer a vida negra aos governos. Agora, temos outro que, apesar de ser suposto “estar com” o governo, resolveu assumir o mesmo papel que os seus predecessores e vir à liça contra o executivo.

 

Este presidente foi eleito, pelo menos na segunda candidatura, como um mal menor. Tratava-se de evitar que um saco de vento, de bocas e de vácua presunção chegasse a Belém. Muito bem.

O problema é que o eleito não deixou de ser quem era nem de adoptar a tradicional sacanice, coeva da III República, para mostrar que existe.

O cavacal caso, diga-se, é muito mais grave que os anteriores, É que eles tinham a pírrica desculpa de provir de áreas diferentes das dos governos. Este nem essa desculpa tem.

 

Não chega o que chega?

 

20.10.11

 

 António Borges de Carvalho

UMA DATA HISTÓRICA

 

 

Em 24 de Novembro de 1975, atravessei a Serra do Monsanto com altas emoções.

Soldados de canhotas aperradas corriam em todas as direcções como baratas tontas, era não sei quem contra não sei quem, os pára-quedistas contra os comandos, ou os comandos contra os lanceiros, ou o raio que os parta. Revistaram-me, chatearam-me, e lá me safei. Julgo que ninguém ganhou a feroz batalha.

 

No dia seguinte, foi a bronca final. Os soldados comunistas, representados pelos antigos apoiantes do Império, do General Kaulza e dos ultras da II República, recém convertidos ao revolucionarismo militante e militar por obra e graça de simpatias albanesas ou de cartilhas estúpidas ou estupidamente interiorizadas, gente da UDP (avó do BE!), do PC e não sei mais de quê, arranjaram a estrangeirinha final e foram “dizimadas” pelos comandos da Amadora. Houve uns tiros, morreram, salvo erro, duas pessoas, e houve um idiota que veio à televisão dizer que “a revolução continua”, idiota que os triunfadores substituíram por um filme do Danny Kay, o melhor filma da minha vida.

 

É por isso que a marcação da greve geral da CGTP e da UGT - leia-se, do PC e do PS - para 24 de Novembro assume um significado especial.

36 anos depois, os rapazes voltam à rua a 24, quiçá em comemoração dos seus antepassados, vencidos a 25, e para lembrar que a missão dos homens do 24 ainda “está por cumprir”.

Os generais da coisa sabem de ciência certa que, ao explorar até ao fundo o descontentamento popular, não adiantam nem um milímetro naquilo que dizem querer adiantar. Sabem que, se a austeridade não for a que já é, será pior. Sabem que a greve geral, se tiver algum efeito na vida dos “trabalhadores”, leia-se de cada um, será um efeito negativo, a começar na perda de mais um dia de salário e a acabar no agravamento da agitação social e no consequente agravamento da falta de confiança no país.

A exploração do descontentamento com o objectivo político de degradar a situação e de criar o caos é tão evidente para quem quiser ver que seria de esperar uma adesão à greve geral que ficasse muito longe dos desejos do PS e do PC.

Vamos a ver o que acontece. Entretanto, assinale-se, com nojo e esperança, o significado evidente da data escolhida. Sem esquecer que é uma 5ª feira, dia formidável para os apreciadores de pontes…

 

20.10.11

 

António Borges de Carvalho

NÓS E OS OUTROS

 

Andamos há meses a ouvir os partidos comunistas, acompanhados por inúmeras luminescências da Pátria, dizer que as medidas de austeridade vão arruinar a economia, acabar com a saúde e com a educação e precipitar o país na maior das misérias. Até que venha - não é o que diz o Jerónimo? - “uma política de esquerda” salvar a situação, mandando o FMI àquela parte, fechando o BCE, fazendo manguitos à UE, etc. Tudo então será um mar de rosas.

Esta malta tem tido um argumento de peso: a Irlanda, que foi a primeira a alinhar no tenebroso esquema “neoliberal”, ajudando os bancos, baixando 15% dos salários, etc. e tal, está de rastos!

O pior para esta malta já não é assim. Passados dois anos de austeridade, a economia irlandesa, segundo os dados do Governo, do Banco Central da Irlanda, do FMI, da Reuters e da ESRI, cresceu em média 1,2% em 2011 e vai crescer 2% em 2012!

É claro, dirão os mesmos, que nós não somos a Irlanda (só éramos enquanto a Irlanda não crescia), pelo contrário, o nosso termo de comparação é a Grécia, que está de rastos.

Têm alguma razão. É que, enquanto os irlandeses perceberam o que se passava e apertaram - continuam a apertar - o cinto, os gregos andam entretidos a fazer greves e a partir a mobília. Nós, neste aspecto, vamos ser mais parecidos com a Grécia do que com a Irlanda. Os camaradas da UGT e da CGTP já andam a pensar em greves gerais, manifestações e outras macacadas, ou seja, no quanto pior melhor, a fim de comprovar as suas teses.

Ou o bom senso das pessoas resiste a esta gente, ou então como na Grécia é que vai ser.

 

O IRRITADO não sabe se as medidas do governo são as melhores. Sabe, sim, que, se não fossem as que são seriam outras com os mesmos efeitos.

O IRRITADO não sabe se as medidas do governo vão dar bom resultado. Mas sabe que o parlapaté desta gente dará, garantidamente, um resultado bem pior.

 

17.10.11

 

António Borges de Carvalho

TRÊS INDIGNADOS

 

* Uma senhora, grávida de oito meses, está muito indignada.

Nesta conformidade, resolveu declarar à televisão que, para já, dado o seu estado, pouco vai ao trabalho, como é seu inalienável direito. Depois de a criancinha nascer, sendo todas as despesas pagas pelo Estado e recebidos que sejam os subsídios que a situação impõe, a senhora ficará, segundo diz, 150 dias sem fazer a ponta de um chanfalho, recebendo do Estado, calcula-se a indignação, só 80% do salário. O Estado dar-lhe-á, como é seu inalienável direito, os subsídios para o leite e as fraldas, umas baldas para o marido, e efectivará, em metal sonante, outros inalienáveis direitos.

 

* Uma senhora doutora, toda fataça, indignadíssima, declara que, apesar dos extraordinários serviços que prestou, urbi et orbe, à humanidade, tendo trabalhado 30 anos, passou à reforma aos 55. Ganha uma miséria: 1.120 euros por mês. Ou seja, esta senhora, tendo trabalhado 30 anos depois de tirar um curso que lhe foi oferecido pela comunidade, prepara-se para viver outros 30 à custa da mesma. É motivo de sobra para estar indignada.

 

* Em Nova Iorque, um rapazito ostenta, indignado e orgulhoso, um cartaz onde declara que “Somos 99%” (os indignados, é de ver).

Um cartaz paradigmático sobre o que anda no bestunto dos indignados. Há um por cento da humanidade que vive à custa dos outros noventa e nove por cento. Os que se manifestam, é certo, não são noventa e nove por cento, mas “representam” os tais noventa e nove por cento. Tal como as “vanguardas esclarecidas” representavam o povo mesmo que o povo as abominasse, tal como o partido nazi, mesmo minoritário, representava “todos” os alemães e eliminava os que não fizessem parte de “todos”, tal como o PC “representa” os “trabalhadores”. Etc.

Um pequeno cartaz que diz tudo, ou quase.

A rua é assim, sempre foi assim. O que quer dizer que, ou há uma sociedade forte e organizada capaz de resistir à rua (mesmo que satisfaça algumas pretensões dela), ou se cai, inevitavelmente, nas mais negras ditaduras.

 

Foi sempre assim e nada nos diz que venha a ser de outra maneira.

 

17.10.11

 

António Borges de Carvalho

DEITEM FORA ESSA PORCARIA!

 

Parece que o governo aceitou um “plano de reestruturação financeira” da da RTP, com o objectivo de tentar diminuir o respectivo buraco. Asneira!

 

Vejamos:

- A RTP, ao longo dos últimos anos, vem recebendo do Estado, por ano, cerca de 120 milhões de euros de indemnizações (?!);

- A RTP recebe directamente dos contribuintes, em média, a módica quantia de 97 milhões de euros por ano;

- A RTP, em aumentos de capital para tapar buracos, recebeu do Estado, em 2003, uns 1.300 milhões de euros;

-- Hoje, os tais aumentos de capital ascendem a 717 milhões;

- A RTP, recebe, como é natural, receitas não especificadas (nos dados que vieram a lume), de publicidade;

- A RTP, em 2012, receberá do Estado, para amortização de dívidas aos bancos, uns 225 milhões de euros;

- A RTP, segundo o Governo, custará ao erário público qualquer coisa com 500 milhões de euros em 2012;

- A RTP tem, nada mais nada menos que 2.200 funcionários.

 

Atenta esta brilhantíssima situação, ocorre ao IRRITADO perguntar por alma de quem, em nome de quê, por que carga de água anda o pessoal a sustentar esta porcaria financeira e informativa.

Não competiria ao Estado acabar com isto?

De uma vez por todas, mandar para casa o tipo que me pisca o olho como seu fosse da família dele ou alguma miúda, de uma vez por todas vender o edifício, os equipamentos, toda a cangalhada tecnológica que não pára de aumentar, os carros, etc., de uma vez por todas pegar nos milhões das vendas e no que já está comprometido para mandar aquela malta para casa. Se o Estado acha que deve ter um canal para os emigrantes e outro para a África, por exemplo, contrate o serviço com a SIC, com a TVI ou com outra qualquer, e deixe, de uma vez por todas, de sustentar, com o nosso dinheiro - se é que ainda o temos - um poço sem fundo de dívidas e uma coisa de utilidade mais que duvidosa.

Meu caro Relvas, porque é que não anuncia a extinção do monstro, e não o extingue mesmo, em vez de tentar vender uma parte dele por dez réis de mel coado? Ou acha que o Vasconcelos está disposto a ser generoso?

 

Não será ilusório, infantil e contraproducente imaginar que aquilo tem cura?

 

17.10.11     

 

António Borges de Carvalho

DA UTILIDADE DOS PRESIDENTES

 

O generalíssimo dos Açores veio à liça a fim de promover o seu futuro político. Não tarda vai andar por aí, no Parlamento ou algures, a dizer as habituais asneiras.

Dando mostras de alta inteligência, independência e bom senso, o indivíduo chegou à brilhante conclusão que o Prof. Cavaco é o presidente mais partidário de todos os que houve até hoje neste regime.

Vejamos: o apartidarismo do General Eanes ficou conhecido pela sua luta titânica contra o Dr. Sá Carneiro, vertida em discursatas e dentadinhas, luta que acabou por se saldar na criação de um partido, de sua indisfarçável iniciativa e sob a sua égide, inspiração e autoridade.

O Dr. Mário Soares notabilizou-se pelas suas perseguições ao primeiro-ministro, corporizadas em “presidências abertas”, congressos, manifestações “intelectuais”, tudo sempre destinado a proteger o seu partido e a roer as canelas da maioria.

O Dr. Sampaio, uma das nossas grandes desgraças políticas, quando a dona Manuela começou a querer endireitar isto, desatou às bocas que “há vida para além do défice”, acompanhando, par e passo, os sound bites do senhor Pinto de Sousa na televisão. Não contente com isso, assim que o PS e o PC entronizaram novos chefes e saíram da instabilidade em que estavam, pumba!, dissolve a Assembleia, não se importando com a Constituição, com o regime, com a decência e com a moral (não a “moral” republicana, coisa que nunca existiu mas ele inventou). O objectivo era pôr o PS no poder, e pronto. Serve tudo, quando o que está em causa é o partido!

 

Posto isto, o açoriano, não contente com a sua sede de poder, imoral e inconstitucional, insatisfeito com a ruína, que provocou, de uma empresa pública nem com o desemprego iminente de uma data de gente, orgulhoso por se ter recusado a aplicar leis gerais tornado os seus funcionários mais que os outros, revendo-se em ajustes directos de milhões, imorais e ilegais, vem perorar à Nação que o presidente Cavaco Silva é “o mais partidário de todos”. Ou seja, vale tudo: mentir, aldrabar, tripudiar, o que for preciso para atingir mos seus tenebrosos fins, sejam eles quais forem (há até quem diga que este horroroso ilhéu quer ser Presidente da República!).

 

Enquanto os presidentes eram contra o governo e a favor da oposição, para o ilhéu eram um exemplo de independência e de equidade. Sendo o Doutor Cavaco suspeito de não ser contra o governo, deixou de ser independente e tornou-se “partidário”.

Estão a ver a lógica, a inteligência, a sagacidade, o sentido de Estado deste trafulha?

 

Por acaso, enganou-se. É que o Presidente que acusa de estar com o governo e com a maioria – como se tal fosse um defeito! – anda pelos cantos a dizer coisas contra o governo, contra as opções do governo, etc., e até é alvo de elogios de figuras tão insuspeitas como o senhor Louça, o camarada Jerónimo e outras gentes, tudo altas figuras do socialismo e da oposição.

 

Irá o Presidente alinhar, nesta matéria, com os seus antecessores? Será que o IRRITADO sempre teve razão sobre a natureza inevitavelmente perversa da chefia de Estado republicana?

 

16.10.11

 

António Borges de Carvalho

BESTIAIS CRIATURAS

 

As medidas do governo – se não fossem estas eram outras, de consequências semelhantes e natureza análoga – fizeram vir à tona uma chusma de vampirescas criaturas, umas de ofício, outras insuspeitadas, apostadas todas em glosar a famosa asserção do camarada Sampaio “há vida para além do défice”.

É bom que se citem algumas pelo nome, ou equivalente, para memória futura.

De ofício, temos, por exemplo, os habituais Jerónimos e Louças, o torcionário Adão, a esgrouviada Clara, o storyteller Tavares, o encomendista do lacinho, o trafulha ideológico Marques Lopes…

Do lado dos insuspeitados, também por exemplo, teremos o castrense Dom Januário, a dona Manuela e até, pasme-se, SEPIIIRPDAACS*...

Também há os que chusmam por dever, como o Seguro, quer dizer, os que, seguidores e adeptos dos fabricantes da desgraça, esperneiam que nem umas minhocas desenterradas, a fingir que não têm culpas no cartório – quase todas –, a querer tirar os burrinhos da chuva e a dar umas no cravo outras na ferradura.

 

Como acima dizia, para memória futura…   

 

16.10.11

 

António Borges de Carvalho

 

*Sua Excelência o Presidente da Terceira República Professor Doutor Aníbal António Cavaco Silva

EMINÊNCIA PARVA

 

Não sei o que passou pela cabeça do Dom Januário (raio de nome), ilustre membro da hierarquia da Igreja Católica.

O homem tratou de fazer uma incursão na política. De tal forma o fez que incitou à desobediência civil e ao poder da rua, bolsando cobras e lagartos contra o governo, dizendo coisas que nem o Jerónimo nem o Louça se atreveriam a insinuar.

Que é isto? Que tem a Conferência Episcopal a dizer a isto? Que pensa o Cardeal Patriarca? O Papa sabe disto? Quem é o Januário?

Ficam as perguntas, sendo de esperar que alguém venha pôr os pontos nos is.

 

16.10.11

 

António Borges de Carvalho

O ESCÂNDALO DA MEIA HORA

 

Em tempos que já lá vão, o IRRITADO trabalhava na indústria. O trabalho começava às oito da manhã, de Verão e de Inverno, chovesse ou fizesse sol. Folgava-se no Sábado à tarde – coisa introduzida pelo “fascismo” e chamada “semana inglesa” – e no Domingo. Férias, ao fim de um ano, mais ou menos uns quinze dias, a engordar com o tempo.

Havia duas espécies de trabalhadores: os que cumpriam horários, isto é, saíam às cinco, e os que se deixavam estar, mesmo sem receber horas extraordinárias.

Quer isto dizer que quem queria progredir na vida tratava de se esforçar, valorizar e preparar para mudar de emprego assim que surgisse a oportunidade. Isso custava tempo, às vezes sacrifício, mas acabava por compensar. Quem queria guardar o empregozinho, guardava: picava o ponto à chegada e à pontualíssima partida, ninguém o punha na rua e, às vezes, até se era promovido. 

A semana de trabalho tinha, pelo menos, 44 horas.

Era preciso? Não se sabe.

 

Vem isto a propósito de uma subida das horas semanais de 35 ou 40 para 37,5 a 43,5. Mais ou menos, que disto sei pouco.

Como não me lembro de alguma vez ter trabalhado menos de umas cinquenta horas por semana, mesmo sem gostar de trabalhar, não consigo perceber o sururu que esta decisão do governo, boa ou má, vem causando.

O problema é que, se não é difícil ir de burro para cavalo, a inversa causa uma indignação dos diabos aos picadores de ponto, que são a maioria. E, como estamos em democracia, a maioria é que manda ou devia mandar. Pelo menos é o que pensa a indignação popular. Nesta conformidade, há que apelar aos ditames em boa hora ínsitos na Constituição da III República: todos têm direito a tudo, façam o que fizerem ou o que não fizerem. Os “direitos sociais” não se aplicam na medida do possível, aplicam-se porque são direitos como os demais, absolutos e indiscutíveis.

Os reaccionários como o IRRITADO acham que não é bem assim, isto é, que há um abismo conceptual entre direitos propriamente ditos e coisas que é desejável ter se houver dinheiro para as pagar. Mas isto são ideias estúpidas, para não dizer fascistas. Coisas que causam a maior indignação.                      

 

16.10.11

 

António Borges de Carvalho

RODO ALTERNATIVAS

 

Uns tipos fizeram umas contas e chegaram à conclusão que há quarenta e cinco mil popós que desapareceram das SCUT’s depois da introdução das portagens.

Umas observações, à laia de conclusão:

a)   Há 45.000 mil passantes que passaram a passar nas “alternativas” que proclamavam inexistentes;

b)   Há 45.000 passantes que não sabem fazer contas, isto é, que gastam mais tempo, mais pneus, mais motores, mais gasolina, mais travões, mais paciência do que gastariam se frequentassem as auto-estradas, tudo para não pagar umas portagens que, contas feitas, sairiam mais barato;

c)   Há 45.000 passantes que não passam porque não precisavam das auto-estradas para coisíssima nenhuma;

d)   Há 45.000 passantes que não passam porque não querem pagar, nem que isso os prejudique, quer dizer, pelo simples gozo de não pagar, numa de proselitismo caloteiro;

e)   Há 45.000 passantes que não passam porque acham que são mais que os outros (os que pagam);

f)    Há auto-estradas que foram construídas, não por ser precisas mas porque isso dava dinheiro real aos empreiteiros, falso emprego ao pessoal e ribombante propaganda ao PS;

g)   Há uma horda de fulanos que se aproveitam da ignorância alheia - e da própria – para se pôr no poleiro e se armar em líderes locais, explorar a indignação que fomentam e arranjar problemas e chatices sem ponta de fundamento;

h)   Como o IRRITADO sempre disse, as alternativas são as auto-estradas, não as outras.

 

16.10.11

 

António Borges de Carvalho

DA REFORMA ADMINISTRATIVA

 

Tal como a austeridade só é precisa desde que acabe à porta de cada um, também a reforma administrativa bate na rocha de cada freguesia e de cada câmara municipal.

Todos estes milhares de estruturas se auto consideram indispensáveis e fundamentais. Sem elas não há “apoio social”, sem elas os velhinhos morrem mais cedo, sem elas aumenta o analfabetismo, sem elas as criancinhas morrem de fome, sem elas não há “proximidade”, nem “cultura”, nem “bem-estar”…. Isto, para além de, como é evidente, a “democracia ficar mais pobre”.

 

O governo, infelizmente, já anda a meter o rabo entre as pernas com medo dos eleitos. Já anda à procura de desculpas, incapaz de fazer frente à monumental rebaldaria autárquica que há décadas campeia pelo país fora. Uma pena.

Mais uma vez, vamos acabar por fazer as reformas, se as fizermos, não por iniciativa própria mas a reboque das circunstâncias. Inúmeras câmaras, por exemplo, privadas dos fabulosos rendimentos da urbanização e da construção, estarão, a curto prazo, falidas. Então, perante o irremediável descalabro, talvez não haja outro remédio senão acabar com elas. O mesmo, ou equivalente, no que diz respeito às freguesias.

O governo, ou se agarra aos anúncios feitos e entra a matar, nesta como noutras matérias, ou ficará tudo na mesma e com buracos a surgir por toda a parte, cada vez mais fundos.

As urgentíssimas decisões darão protestos, camionetas carregadas de picniqueiros a infestar Lisboa, agitação “social”, mas, daqui a um ano, já ninguém se lembrará da coisa.

 

Noutra matéria em que parece haver intenção reformista, põe-se a mesma questão. Ou já, ou nunca.

Trata-se de uma profunda reforma legislativa destinada a tirar poder às autarquias, não entregando-o a outrem, mas acabando com ele. Se os labirintos legais - de que as autarquias se servem para complicar os regulamentos e sustentar técnicos e burocratas que, pior que inúteis, são contraproducentes - forem abolidos e substituídos, ou por nada, ou por meia dúzia de normas simples, rápidas e justas, talvez os cidadãos deixem da andar ao serviço das autarquias e estas passem a estar ao serviço dos cidadãos. E, se as coisas forem simples e justas, para quê tantas autarquias, tantos burocratas, tantos ordenados, tanta corrupção? Para nada. Para quê tantas entidades reguladoras que só regulam ordenados e prebendas, para quê tantas “firmas” “privadas”, autêntica chusma de parasitas encarregados de explorar estorvos regulamentares e legais?

 

Ou o governo actua em força e sem demora ou não haverá reforma nenhuma. Por outras palavras, se houver será aquela a que os estrangeiros obrigarem, quando a situação piorar ainda mais.

 

Depois, não se venham queixar de “perdas de soberania”!

 

13.10.11

 

António Borges de Carvalho

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