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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A ALEMANHA A PERDER SOBERANIA


Uma empresa chinesa comprou um pequeno gigante alemão. Uns quinhentos milhões de euros, a juntar a muitos mais que já lá tinha enfiado. Juntou os 3.000 trabalhadores de tal empresa aos 170.000 que tem em 150 países.

Consta que a dona Ângela, depois de ouvidos os seus conselheiros, bem como os partidos da oposição, convocou de emergência uma reunião com o Jerónimo, o Fazenda, o Carlos e o Louça, a fim de avaliar as catastróficas consequências de tão impensada operação na soberania da República Federal.
Nessa reunião, em que se concluiu ser imperioso pôr cobro a tão funesta tendência, a Chanceler terá ouvido os conselhos dos nossos compatriotas no que respeita ao estudo das formas de luta a adoptar contra estas vilanias do ultraliberalismo.

31.1.12

IRRITADO

JORNALISMO DE REFERÊNCIA

 

A Directora & Associados que, numa hora em que a razão dormia*, o ilustre Belmiro escolheu e contratou para o “Público”, andam numa sanha oposicionista sem precedentes. Vá lá saber-se porquê, ou seja, porquê transformar um jornal que, nos últimos anos, teve o mérito de informar com isenção, numa coisa meramente política e, dentro da política, num instrumento do PS para dar cabo do que existe.

Faz o dito jornal mais oposição, com duvidosos critérios, que o próprio partido ao serviço do qual parece estar. É certo que o PS que mais “mexe”, e da pior maneira, é o que está às ordens de Paris/16eme não o que diz obedecer às do Largo do Rato. Lado a lado com aquele, o “Público” vai exagerando na persecutória missão, mesmo que pondo de lado a chamada deontologia profissional, coisa que não se sabe ao certo o que seja mas, se pode imaginar.

Desta vez, o recado, se é que é recado de alguém e não pura invenção, consiste em propagandear que os “cavaquistas” estão ansiosos por correr com o ministro das finanças, “um ultraliberal” – coitado do homem! -, que faz imensa confusão a tal gente, já que, segundo ela, quer “destruir o modelo social e económico construído após o 25 de Abril”. É nesta linguagem, própria do PC e do BE, que se exprimem os “proeminentes cavaquistas” que o “Público” terá arregimentado.

Quem são eles?
Não se sabe. O “Público” cita-os nada menos que 14 vezes, ao longo do arrazoado oposicionista. Ora são “cavaquistas”, ora “eminentes cavaquistas”, “personalidades do cavaquismo”, "personalidades que apoiam Cavaco Silva”, “ personalidades”... nem um só nome, nem uma só dica sobre a sua origem – parlamentar, partidária, académica... – nada. Único nome, Cavaco Silva! Cavaco Silva e os seus discursos, transformados numa espécie de “bíblia” das “eminentes personalidades”.

 

Que pensar? Que não há “personalidades” nenhumas e que tudo não passa de um recado de Belém, a preparar algum salto ou assalto político do Presidente?
Parece não haver outra hipótese. Tanta insistência nas anónimas “personalidades” deve querer inculcar que se trata de um largo magote de sábios, todos apostados em promover Cavaco Silva e denegrir Passos Coelho. Mas, para quem tiver alguma experiência e saiba ler entrelinhas, faz pensar o contrário: é Cavaco quem, servindo-se do “Público”, vem dar uma de esquerda, coisa que, com montes de cinismo, sempre lhe agradou muito.  

Afinal, onde está o “ultraliberalismo”, seja lá isso o que for? O IRRITADO até gostava que uma boa dose de liberalismo viesse equilibrar um sistema cheio de vícios socialistas.

Mas não há nada disso. Nem disso nem doutra coisa. O que o governo faz é tentar cumprir as metas que lhe foram exigidas pelos credores e impostas pelas asneiras o senhor Pinto de Sousa, sejam tais metas liberais ou outra coisa qualquer. Conceda-se que poderia, ou deveria, ir mais longe em certas políticas fiscais, designadamente na taxação de operações financeiras. Podia ir mais longe no corte de despesas? Podia, mas imagine-se o exército de protestantes e indignados – os que ficariam sem emprego ou com o ordenado reduzido a um terço. Podia desmantelar o Estado socrélfio? Pode, mas é demorado e difícil.

De resto, manter o Estado “social” tal como está? Não brinquem conosco. Relançar a economia? Como? Com que meios? Não depende de nós. Para já, o que mais cresce é a economia paralela, e não pouco,

Ou nos credibilizamos com o fim de, justificando, ir buscar mais tempo e mais dinheiro mais barato, ao mesmo tempo que a UE arranja juízo e alguma receita nova directamente dirigida à economia, ou todos os pessimismos serão realistas.

O caminho é tanto mais estreito quanto mais as “personalidades cavaquistas”, ou outras, ou Cavaco sózinho, andarem para aí a fazer intrigas nos jornais e os jornais a fazer fretes a jogos de poder.  

 

31.1.12

 

António Borges de Carvalho

 

*O sono da razão engendra monstros

COISA FEIA

 

O centenário do 5 de Outubro, como é sabido, foi de extrema utilidade cultural e política, já que, pelos interstícios das laudatórias comemorações passaram muitas verdades, verdades que proporcionaram a muita gente a percepção do monumental “barrete” que tal e tão infausto acontecimento foi, a todos os títulos. Em larga medida foi desmistificada e desmitificada a I República e vieram ao de cima cruas e duras verdades, que até o salazarismo tinha mantido a bom recato, para não envergonhar muita gente de quem dependia ou que ia tolerando.

O tiro saiu pela culatra aos agentes de tais caríssimas comemorações. Ainda bem.

 

O corte do feriado do 5 de Outubro veio pôr tal gente em alvoroço, proporcionando-lhe a repetição de inúmeros equívocos e aldrabices e dando-lhes direito de cidade nos jornais num momento em que as pessoas sérias, estudiosas e respeitadoras da História já não andam a pensar em tal matéria.

À cabeça do coro, o inevitável Manuel Alegre (Alegre da mãe, porque o pai, que não era Alegre, não rimava pela cartilha) desdobra-se em inflamadas paspalhices e chega ao ponto de comparar o 5 de Outubro com o 1º de Dezembro, dando às duas datas similar dignidade. O ilustre escrevinhador, demagogo e socialista, tem o topete de pôr lado a lado a restauração da independência e o caminho aberto para a sua quase perda e para a sua ruína, metido este, no plano interno, em clara perda de direitos de cidadania, em refregas partidárias, em resolução de conflitos à bomba, em assassinatos políticos, numa atmosfera de repressão que faria inveja à PIDE e, no plano externo, numa guerra com a qual pouco ou nada tinha a ver. Por outro lado, esta gente, tão pronta a condenar o “colonialismo” português, não é capaz de reconhecer que a república do 5 de Outubro foi o mais colonialista de todos os regimes portugueses, de Afonso Henriques a Oliveira Salazar.

É essa enorme porcaria que esta gente insiste em comemorar com um feriado, dando-lhe a mesma dignidade que ao 1º de Dezembro. É a cultura republicana, a moral republicana, o respeito republicano pela história e pelo país.

 

Coisa feia de ouvir e ver.

    

28.1.12

 

António Borges de Carvalho

À ATENÇÃO DO MINISTRO RELVAS

 

Com ar indignado, a representante do CDS na SIC Notícias criticava o João Jardim com entusiástico acerbo. Ele tem um jornal, paga um jornal com o dinheiro do povo, coisa que nenhum governo faz em países civilizados!, dizia a senhora com o ar mais indignado desta vida.

O IRRITADO concorda. O João Jardim não devia ter um jornal, não devia pagar um jornal.

O problema é que a senhora não devia ter ficado por aqui. Se o governo, qualquer governo, não deve ter jornais nem pagar jornais, por que carga de água não defende o CDS o fim da televisão e da rádio do Estado, mantidas pelo governo, pagas pelo governo, triunfantes, cheias do nosso dinheiro, milhões e mais milhões extorquidos ao povo?*

Fica a pergunta. O ódio do CDS ao PSD em geral e ao PSD ilhéu em particular não devia perturbar tanto as loiras meninges da sua simpática representante televisiva.

 

28.1.12

 

António Borges de Carvalho

 

* Ó Relvas, porque não acabas com a coisa?

 

FIDELIDADE AO BOLOR

 

A lusa gente anda mergulhada num mar de loas a essa grande figura da Nação que dá pelo nome de Silva, não Cavaco, nem Cavaca, mas Carvalho da. Não há jornal, TV ou rádio que não se desdobre em elogios. Até o espertalhão Soares teve a amabilidade de, em sonora comunicação ao povo, vir reconstruir as suas pontes para o PC, pontes que atravessa ou dinamita quando lhe convém e acha útil. Desta vez, a fé anti “neoliberal” que o anima – leia-se, o ódio a tudo o que não é do partido, irmão ou primo - levou-o a enaltecer as indesmentíveis qualidades do senhor Silva e a desejar-lhe um grande futuro.

Costuma dizer-se que elogiar os mortos faz parte da delicadeza de sentimentos, tanto das massas como das elites. A grande figura do Silva vai-se embora da central sindical comunista. Talvez por isso, faz jus a loas de defunto. O problema, nosso, não dele, é que vai continuar a mexer. Como andou, tipo Pinto de Sousa em Paris, a tirar um curso, vai dedicar-se à “vida universitária”. Já anda por ai a novidade: vai ser “catedrático”(!), e ensinar matérias “sociais”. Depois de ter mantido os sindicatos na idade da pedra marxista-leninista, vai meter umas ideias trogloditas nas cabecinhas virgens da juventude. Não morreu, mudou de ofício, não de objectivos.

A seguir ao Cunhal, não há outro igual. Menos sinistro, menos ave de rapina, menos inteligente, este Silva conseguiu, durante mais de vinte anos, conservar bem vivo o pensamento do seu antecessor. Linguagem diversa, mais “humanidade”, a mesma fé na propaganda do socialismo real, nos amanhãs que cantam, na luta de classes e em tantos outros slogans da cartilha, já não mascarados de “amplas liberdades”, mas metidos em metáforas “democráticas”.

O resultado está à vista. As massas que o PC domina através da malfazeja organização continuam a pensar que é a “luta”, no conceito de há cem anos, o que lhes melhorará a vida. Por outras palavras, o sindicalismo mais retrógrado da Europa continua a achar que os seus interesses são os que Lenine gritava, não os que o poderiam ligar à realidade, que é muito mais rica e enriquecedora que a insistência em patacoadas ideológicas, mesmo que vertidas em disfarces de pacotilha.

É esta a obra do Silva.

“A luta continua”, ululava ontem a populaça da Intersindical, na ignorância atávica que o Silva, puro agente político, se tem encarregado de manter viva e actuante.

 

Outra figura, ainda mais sinistra, se alcandora no horizonte do futuro da ignorância das massas. Um tal Carlos.

Membro destacado do comité central bolchevista, o Carlos vai conduzir a Intersindical a uma ortodoxia mais clara, tão clara que até os comunistas do BE têm medo dela, como já vieram dizer.

Lá no comité, o Silva há muito andava a ser criticado pelas suas metáforas. O comité central mais retrógrado do universo nem metáforas percebe.

Segundo consta, o Carlos tem mais fidelidade ao bolor.

 

28.1.12

 

António Borges de Carvalho

GANCHOS E CENSURAS



Anda para aí uma polémica dos diabos com a história de um jornalista que, chegado ao fim de um contrato, se irritou porque não lho renovaram.
A situação do homem é muito interessante. Sendo funcionário da Lusa, empresa do Estado, e tendo com ela um contrato de exclusivo, trabalhava também para a rádio do Estado, mas sem receber da dita. Vistas as coisas um pouco mais a fundo, o trabalho do rapaz era pago pela rádio do Estado à Lusa (do Estado), a qual pagava ao rapaz o que fazia fora dela sem que o rapaz ganhasse da rádio do Estado, só da patroa “exclusiva”.
A coisa não tem importância nenhuma. É um esquema imaginativo, como haverá milhões por esse país fora. E a quem interessa que o rapaz (ilustríssimo profissional, segundo escreve quem sabe) ganhe a dois ou três ou quatro carrinhos, desde que trabalhe bem? Há só um pequeno detalhe a estragar o ramalhete: o facto de tudo se passar na esfera do Estado. Uma empresa do Estado aldraba os contratos do Estado para pagar a quem quer e ficar tudo nos conformes. Que importância tem? Nenhuma. Entre nós, o Estado não é como uma empresa qualquer, só que pior que as outras? O comunismo e o socialismo não fizeram a III República nascer torta? Portugal não faz o prodígio de ter o pior do socialismo e o pior do capitalismo, o pior do parlamentarismo e o pior do presidencialismo?
Tudo normal, previsível. O caso do insigne profissional não é senão um grãozinho de pó no meio da poeirada.

Outra história, dentro da mesma história, é a da “censura”.
O rapaz, que considerava adquirido que lhe iam renovar o contratinho, acha que não o fizeram porque ele andava a dizer mal do Santos, o tipo de Angola que tem uma filha “empresária”. E quer apanhar o governo nestas curvas. Censura! Regresso ao fascismo! Malandros! Canalhas! Chamem o Louça! Façam inquéritos parlamentares! Venha a PIDE, perdão, a ERC(?), escândalo, tocaram a fímbria das vestes de um sacrossanto e intocável jornalista!

Nunca se saberá se o contrato acabou por causa do Santos - nosso pobre parceiro comercial e financeiro – ou por ter chegado ao fim.

Mas há umas diferenças que é interessante sublinhar.
Por exemplo, o jornal privado chamado Público correu com umas pessoas e meteu outras, na área do comentário político. Safou-se o Pulido Valente, sabe-se lá até quando. Parabéns. Faz-se propaganda a quatro respeitáveis cidadãos, três igualmente palavrosos, de alta valia intelectual e igualmente chatos. E correu-se com a melhor articulista que lá havia, dona Helena Matos. O mindinho cá está, a dizer-me que a senhora levou com os pés por não ter nada de socialista, o que não acontece com os outros, velhos ou recém convidados. Intrigas do IRRITADO, como é de ver.
A diferença a sublinhar é que dona Helena, embora com pena de perder a sua tribuna, não acusou de ninguém de censura, nem de fascismo, nem pôs as culpas para o governo, nem foi pedir batatinhas ao Louça, nem anda a fazer política à custa da coisa.     

Afinal, nem todos são fruto da mesma árvore.

25.1.12

António Borges de Carvalho

AREIA NOS OLHOS

 

Há coisas que fazem uma confusão dos diabos.

 

A presunção da inocência é princípio constitucional em qualquer país civilizado. Quer isto dizer a) que a condenação em tribunal é o único critério definitivo para aferir da culpabilidade dos cidadãos e b) que a presunção da culpa não existe em direito, o que existe é a suspeita que pode levar à investigação.

Também é princípio da mesma natureza que quem for tido como tendo cometido um crime deve ser julgado e condenado ou não, segundo a lei penal.

 

O que se passa entre nós contraria cada vez mais estes princípios.

Por um lado, há um vasto número de cidadãos tolhidos na sua liberdade e privacidade pela simples razão de, alegadamente, estar em posição de cometer ilícitos criminais ou por ser suposto, seja por quem for, como tendo-os cometido ou podendo vir a cometê-los.

Por outro, não poucos indivíduos há, que sendo justamente investigados e acusados, acabam, mercê de manobras legais de diversa ordem, por sair incólumes das alhadas em que se metem e por andar por aí no melhor dos mundos, mesmo que seja evidente e até tenha sido provada a sua culpa.

As coisas, como o IRRITADO várias vezes tem dito, estão de pernas para o ar. Condena-se sem julgar e julga-se sem condenar.

Mau é parecer. Fazer, nem tanto.

 

Em imparável arrancada legislativa, carregada de suposta moral, vão os nossos deputados, por previsível unanimidade, aprovar a criminalização do chamado “enriquecimento ilícito”.

Mais uma asneira, mais uma trapalhada que acabará por dar enorme descanso a inúmeros criminosos. Porquê? Porque se não respeita o principal.

Ilícito não é o enriquecimento, mas podem sê-lo os actos que a ele levaram. Estes estão incluídos, tipificados e serão punidos segundo a lei penal.

Arranjar mais leis para sobrepor às existentes, como é gritantemente o caso, só aumenta a confusão e as complicações jurídicas e jurisdicionais. A complicação e a confusão, quase sempre, funcionam a favor de quem tem alguma coisa a esconder.

Está aí, à vista de todos. O que são os casos de Isaltino Morais, Dias Loureiro, Rendeiro, Oliveira e Costa, Pinto de Sousa, e tantos, tantos outros, conhecidos e desconhecidos, que por aí andam sem que, para além do que as pessoas lêem ou leram nos jornais, ninguém saiba se são culpados ou inocentes? Uns, os que são culpados, provavelmente acabarão por se safar. Os que estiverem inocentes, da fama não se livrarão.

Tudo de pernas para o ar.

 

A partir da entrada em vigor da manifestação de inteligência legislativa que a tão desejada lei representa, as coisas vão ser mais ou menos como segue. Você aparece lá na rua com um carrão. O vizinho do 2º direito faz queixa, anónima, pois claro, que é o que está a dar: enriquecimento ilícito!

Havendo, em Portugal, uns milhões de vizinhos do 2º direito, haverá uns milhões de investigações totalmente inúteis.

Entretanto, os grandes passarões continuarão no maior dos à-vontades. Como a maioria deles já era rica, se aparecerem com o carrão, é normal. Sabem porquê? Porque não enriqueceram! O crime teria sido enriquecer! Ninguém fará queixa, toda a gente achará normal. Ilícito é você comprar o carro. Não é ter roubado para o comprar. Mesmo sem ter roubado nada a ninguém, você vai ser investigado, incomodado, chateado. Ninguém o manda ter vícios automobilísticos, não é?

Tudo de pernas ao ar.

 

Sem qualquer esperança, o IRRITADO espera que algo inesperado veja a projectar algum juízo na cabecinha pensadora dos deputados. Algo que os leve a não embarcar em mais esta manifestação de falsa moralidade e de demagogia, nesta pazada de areia nos olhos de cada um.

 

23.1.12

 

António Borges de Carvalho

EST MODUS IN REBUS

 

 

Como é sabido, o IRRITADO não é apreciador de presidentes da República em geral nem do doutor Cavaco Silva em particular.

O que não o impede de respeitar o cargo e de achar que ele deve ser exercido em condições da maior dignidade, seja quem for o seu titular.

Posto isto, há que dizer que, como em inúmeras outras ocasiões, o doutor Cavaco, quando veio para o meio da rua “explicar” as remunerações que aufere, perdeu uma magnífica ocasião de ficar calado.

Parece que não tem a noção da “altura” da sua posição nem sente a obrigação de a despir da sua circunstância pessoal. Fá-lo, aliás, todos os dias, quando usa o facebook para comunicar com a Nação. É que, se é lógico que, institucionalmente, a Presidência deva ter um sítio na internet, a agenda, as promulgações, etc., já não tem lógica nenhuma nem tem a ver com a dignidade do cargo que o Presidente se dedique a mandar bocas políticas em instrumentos populares.

Outra questão é a de saber se é algum escândalo o que o Presidente ganha.

Dizem as bocas correntes que o homem terá 10.000 euros brutos do BdP. Mais 1.300, líquidos, diz ele, da CGA. Mais 800 brutos, diz ele, da dona Maria. Como Presidente ganha zero. Feitas umas contas rápidas, concluir-se-á que o insigne casal leva para casa, por mês, limpos, menos de 8.000 euros. Que raio, onde está o escândalo?

O doutor Cavaco Silva é um septuagenário com vasto trabalho académico e alta carreira política, goste-se ou não (é o caso do IRRITADO) da personalidade. Tem boas condições de vida, mas não usa a borla do palácio, criadas, cozinheiros e toda a série de facilidades a que tem direito. Vive no seu modesto apartamento e paga as despesas do cidadão comum, acrescidas das que o cargo lhe impõe.

É evidente que o que o casal leva para casa é coisa invejável para a esmagadora maioria das pessoas. Mas as pessoas, todas menos ele, não são presidentes da República.

É evidente que o homem cometeu uma asneira monumental ao dizer o que disse, sem que ninguém lho tivesse perguntado. Mas também o é que a orquestra de “indignados” não tem sombra de razão, a não ser que a inveja e os baixos instintos dêem razão seja a quem for.

Uma nota final. Porque será que nenhum dos antigos presidentes viu esmiuçada na praça pública a sua vida e a sua economia pessoal? Quem sabe quais foram ou são os rendimentos dos drs. Soares e Sampaio? Quem sabe o que ganham? Quem foi ver quanto nos custaram e quanto ainda nos custam? Quem foi às finanças à procura do IRS destes senhores? A resposta é: ninguém.

Porquê? Arrisquemos um guess: porque Cavaco é o único presidente da III República que não sendo, pessoalmente, de direita, nunca foi eleito pela esquerda. Ora a esquerda, seja ela maçónica, jacobina, marxista, folclórica, acrescida dos medrosos e dos envergonhados, integra a generalidade dos jornalistas, dos fazedores de opinião, dos “indignados”, e dos que entendem a cidadania como uma hipótese de sacar aos outros o que os outros, legitimamente, têm, toda a esquerda protege os seus.

 

Haja quem diga a verdade. O doutor Cavaco, com o seu facebook, com as suas bocas idiotas, não honra o cargo para que foi eleito. Mas não é um escroque, não ganha nada de escandaloso, não vive a cavalo na sociedade.

 

O seu a seu dono.

Est modus in rebus.          

 

21.1.12

 

António Borges de Carvalho

OU POBRE CONTINUIDADE OU PERIGOSA MUDANÇA

 

Não haverá quem não tenha visto, nas nossas cidades, uns meninos de camisa branca, tipo “correcto”, gravatinha lisa, nó pequenino, de mariconera a tiracolo, calça escura bem vincada, cabelinho curto, brilhantina, barba feita e arzinho palermoide.

O IRRITADO nunca foi abordado por tal gente, se calhar pelo ar de desprezo com que os fitava. Pouca malta, afinal, poderiam abordar, já que falavam um “amaricano” de fugir.

Eram uma espécie de missionários da seita dos mórmones. Vinham espalhar a “nova” inventada por um tarado qualquer que descobriu a “verdade” – e uma maneira de ganhar dinheiro - encerrada num caixote algures nos EUA, coisa em que jamais alguém pôs a vista, mas que é dita ao alcance de uma espécie de anjos que jamais fosse quem fosse conheceu. É verdade, sem aspas, que a coisa proliferou e até se tornou, ao que consta, maioritária numa pequena zona do seu país de origem. Uma espécie de IURD à americana, uma forma de dominar as pessoas, como a cientologia, uma coisa universalmente reconhecida como fraude baseada na exploração de medos histéricos, na ameaça e na lavagem ao cérebro.

Não consta que os meninos das gravatinhas tenham angariado adeptos entre nós. Por um lado, porque não era difícil perceber que os meninos eram parvos. Por outro, porque os meninos andavam mais a cumprir horário que a debitar prosélitas e atraentes arengas

 

Porquê esta viagem ao mundo idiota dos mórmones? Porque, imagine-se, nos arriscamos a ter um deles como Presidente dos EUA. Neste mundo confuso e periclitante, uma ameaça destas é verdadeiramente aterrorizadora.

Para quem pensasse que as eleições americanas podiam abrir caminho a uma era menos monetarista, menos “obamista” – se é que há obamismo para além da mera propaganda – menos anti-europeia, vê-se na tristíssima situação de achar que a emenda se arrisca a ser pior que o soneto. A demagogia que levou Obama ao poder nada trouxe de bom ao mundo. Já não há, julgo, quem não tenha pena da queda de McCain, consumido que foi por uma tarada que teve a desgraça de escolher para o seu ticket, mas que era um homem consistente, sabedor e prestigiado.

 

Parece, meus amigos, que, por este andar, nos arriscamos a que o mundo se torne cada vez mais um lugar indesejável.

Ou surge um candidato republicano com credibilidade e pés para andar, ou nos veremos outra vez nos braços de Obama, sendo a alternativa sermos as vítimas inocentes das taralhoquices de um mórmon!

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho

BARRIGADAS

 

Magna pessegada, ontem, no parlamento. Discussão sobre as barrigas de aluguer e suas implicações sócio-culturais.

Vistas as coisas, o IRRITADO ficou sem perceber quase nada. É muita areia para a sua pobre camioneta, como diria o amigo banana.

 

A nova gerência do “Público” – o Belmiro deve andar a dormir na forma! – embandeirou em arco com as teses dos camaradas do BE, que terão “esmagado” as massas do bloco central mediante alta argumentação jurídico-sexual.

 

A coisa resulta mais ou menos como segue:

Vossa Excelência, minha senhora, quer ter filhos mas não lhe apetece essa chatice de andar nove meses agarrada à pança e, ainda por cima, ver-se obrigada, como qualquer estúpida, a parir como as cadelas? Vá ter com o BE. O BE tem um banco de barrigas à sua espera.

É “casada” com outra senhora? Não hesite. Discuta o assunto com ela, compre uns cc de esperma ao Jójó, e, tubo de ensaio na malinha, vá ter com o BE. O BE arranjará maneira de resolver o seu problema.

É solteira, não tem companheiro nem companheira, nem marido nem marida? Não se preocupe. Vá ter com a Ana Drago ou com o Fazenda. Eles explicam tudo, tratam das coisinhas. Não tarda nada está grávida, ou outra qualquer por si, o que, do ponto de vista dos “direitos humanos”, é a mesmíssima coisa.

Caso se tenha consorciado à antiga, isto é, com um homem, na Conservatória ou até na Igreja, o BE garante a sua liberdade, quer dizer, se o seu marido for uma besta reaccionária e a quiser obrigar a parir, trata-lhe do divórcio gratuitamente e arranja uma desgraçada qualquer para parir por si o filho de um sueco, um indiano, um chinês, um preto, segundo as suas preferências cromáticas.

Em qualquer caso, o BE proporciona o único parto verdadeiramente sem dor do mercado. Tudo de borla, que o BE não quer que as outras gajas, muito inferiores a si, recebam um tostão pelo trabalhinho ou se interessem pelo bebé que pariram e ao qual, evidentemente, não têm qualquer direito. São como as torradeiras, que torram o pão mas não o comem! Qualquer semelhança entre tais gajas e a espécie humana é pura coincidência, garante o BE.

Na sua política super/ultra/hiper liberal nestas matérias, o BE só falha num aspecto. Deixa de fora os homens. Sim, meus amigos: e nós? Então se um homem quiser um filho, mas não quiser chatices com mulheres, não pode comprar uns ovos, galá-los e pô-los no choco? E se você for lilas, não pode arranjar uma criancinha para você e o seu barbudo mais-que-tudo se entreterem lá em casa? Que raio, o BE deve ter-se esquecido de si e dos seus diáfanos coleguinhas! Descriminação! E os “direitos humanos”? Se eu fosse a si fazia queixa à ILGA, ou lá o que é, e convocava uma manifestação de protesto à porta do Castelo Branco e da velhota, imagens vivas do progresso que anima as almas bloquistas.

 

O IRRITADO, como acima se demonstra, não é hiper/super/ultra liberal. O Bloco é que sim, ao contrário do que por aí se diz.

Mas não deixa de dar aqui os seus conselhos, cheios de ternura e de ânsia de bem-fazer.

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho

RABULICES

 

Sob a batuta de uma rapariga tatuada, tão desinteressante como perigosa, muito conhecida pelas liberalidades homossexuais em que é especialista e alegada técnica em constitucionalidades ideológicas, um grupo de socialistas, serventuários do BE e inimigos do (in)Seguro, resolveu processar o orçamento no Tribunal Constitucional.

O establishment do PS ficou totalmente abananado. O Borrinho ainda tem alguma argumentação teórica, aliás séria: o orçamento deve ser objecto de apreciação política, não jurisdicional. Muito bem. Mas mais não faz porque, como o chefe, tem medo.

A rapariga e seus sequazes não desarmam, não desistem. O ódio ao Seguro é mais forte que qualquer lógica ou qualquer réstia de honestidade.

Outro socialista, principiante mas esquerdóide e maximalista, um tal Basílio, é cientificamente convidado para a Quadratura do Círculo. No meio dos disparates intelectuais do Pacheco - um tipo que deve achar que a vida, coisa que desconhece, se pode julgar a partir lá de casa - o Basílio ribomba que o grupelho da rapariga tem todo o direito a fazer a sua farsa persecutória, e finge ignorar as consequências que, seja qual for o resultado da manobra, a coisa não deixará de ter, dentro e fora do PS. Fidelidade ao Pinto de Sousa? O meu mindinho acha que sim. Como o grupelho, Basílio é fiel a quem lhe fabricou os tachos.

A ver vamos o que dá a rábula.

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho

A FANTOCHADA

 

O inigualável fantoche do PC, encarregado da agitação sindical, acusou os seus parceiros da Concertação de querer voltar à Idade Média.

Será que esgotou a habitual bateria de vitupérios estalinistas com que costuma brindar estas coisas? Teve que recorrer “argumentos” históricos para se desculpar por ter, cobardemente, dado à sola antes que tivesse que ceder algum pedregulho da estúpida muralha, não medieval mas igualmente bolorenta, construída pelos seus camaradas há mais de trinta anos?

A metáfora fica melhor ao fantoche que aos que critica. Medieval, no sentido de passadista, ultra-conservador, inútil, assenta como uma luva em gente que não percebe que o tempo não é seu, e que o que era seu deu mau resultado, atrasou por dentro todos e cada um de nós.

A II República erigiu o Estado como nosso “pai”. Remeteu-nos à dependência mental, e vital, de um Estado todo-poderoso. A III República, arrastada pelo PC e seus fantoches, agravou os defeitos da segunda, com argumentos opostos mas de resultados afins.

No momento em que, pela primeira vez em décadas, se tenta dar alguns - pequenos mas firmes - passos para a libertação e a responsabilização de cada um por si próprio, o fantoche estrebucha como aqueles vampiros dos filmes que temem desfazer-se em pó se o bem ganhar a guerra. E foge. Prefere continuar a sua obra, insistir na parlapatice da negação da realidade e da vida, guardar o seu poder de destruição, a receita infernal para esse cozinhado diabólico que consiste em iludir uns para os usar contra os demais.

Nunca o fantoche assinou fosse que acordo fosse. Mas mantinha a ficção da discussão dos assuntos. Desta vez, cobardia das cobardias, percebeu que as suas parlapatices não iam ser ouvidas nem temidas, que havia coragem para o enfrentar, a ele, o grande Carvalho da Silva, mestre de cerimónias de barulheira e técnico da conscrição das massas, ilusor mor da república, general da tropa fandanga dos cartazes e dos slogans. Ele! Não! Ele já não discute, só agita, é a sua profissão, a sua fé na destruição do que existe e na construção, sobre as suas ruínas fumegantes, do maravilhoso mundo do Partido e dos Gulagues.

Na senda do fantoche que parte, outro títere, outro bonifrate, outro bufão se agiganta, à espera do poder: um tal Arménio, dito ainda mais estalinista que o fantoche.

Cuidado!         

 

20.1.12

 

António Borges de Carvalho

GALILEU APRÈS LA LETTRE

 

Aqui há tempos, dona Manuela resolveu dizer uma graça, mais ou menos inculcando que as críticas dos seus críticos só fariam sentido se se “suspendesse a democracia”. Era evidente que a senhora queria dizer o que disse, isto é, que havia medidas só possíveis se tal acontecesse. De forma nenhuma era sustentável que quisesse fazê-lo ou que achasse que tal se devia fazer. Mas a verrina nacional foi tonitruante: o que ela queria era voltar ao salazarismo, ao fascismo, à ditadura da II República. A malta ria, vituperava, insultava-a à vontade, sem peias. E, no entanto, ela tinha razão.

Na mesma época, dona Manuela era acusada de ser uma velha do Restelo, de andar a aterrorizar as pessoas, de querer ignorar que “havia vida para além do défice” e doutras coisas piores. E, no entanto, ela tinha carradas de razão, como o futuro veio a demonstrar à saciedade.

 

Agora, a mesma senhora, sobre o serviço de saúde, disse que, a partir de certa idade, havia tratamentos cujo alto preço implicava que quem pudesse e precisasse, teria que os pagar.

A verrina nacional interpreta que ela estava a fazer a defesa do fim dos tratamentos aos mais velhos, que punha em causa a sacrossanta instituição do serviço nacional de saúde, que quer matar as pessoas, que não passa de uma “ultraliberal” assanhada contra o povo, etc. E, no entanto, ela não dizia mais que a verdade, dura e crua: a concepção ultrasocialista do SNS tem os dias contados quer se queira quer não.

 

Apesar do fosso de desgraça em que o PS nos meteu e parece querer continuar a meter, certa malta - opinantes, pensadores, jornalistas, comentadores, partidos políticos e até umas dúzias de pessoas normais - continua a preferir à verdade as ilusões com que o pintodesousismo, durante mais de seis anos, lhes andou a lavar o cérebro.

Há gente para quem não há remédio. Se o SNS fosse rico, o IRRITADO aconselharia tratamentos gratuitos aos sindromas da fantasia e da patacoada cretina e enganosa.

Como não há dinheiro, a senhora continuará a ser uma espécie de Galileu do séc. XXI, e só não será condenada à morte porque os tempos são outros.     

 

16.1.12

 

António Borges de Carvalho

DE PERNAS PARA O AR

 

Ao contrário do que estabelece o politicamente correcto, nunca esteve certo legislar em cima do acontecimento. Acaba sempre por acontecer que tais leis, ou caem no esquecimento por inúteis ou incompatíveis com os hábitos sociais, ou acabam por ter resultados perversos.

Porquê? Porque não são fruto de um pensamento aturado ou de um princípio geral, mas da pressão do momento ou do oportunismo “moralista” de cada um, desejoso de manchetes e de notoriedade.

Há um bom par de anos, legislou-se no sentido de impedir que um membro do governo, uma vez na “peluda”, viesse a assumir, nos dois anos subsequentes, funções dirigentes em empresas que tivessem estado no âmbito ou nas competências da sua finda função. Por um lado, tal lei nunca foi cumprida a rigor, pela simples razão de que não é cumprível. Não se pode impedir seja quem for de exercer a sua profissão. É um direito básico. Por isso, as pessoas arranjam maneiras de a tornear, e não podem ser acusadas por isso. Não assumem funções dirigentes. Pois não. Mas podem ser assessores, consultores, conselheiros. Por outro lado, há para aí casos de ex-governantes que assumiram funções em empresas privadas cinco ou dez anos depois de ter saído do governo. Não deixam de ser criticados por isso. Cumpriram a lei mas são tão maus, ou piores, que se a tivessem enganado. A coisa depende da imprensa, das circunstâncias, da proeminência de cada um, dos interesses dos seus inimigos políticos, das tradicionais invejas, não de qualquer princípio lógico ou regra moral.

Ou seja, a condenação social não se exerce em relação ao que fazem ou deixam de fazer, nas à simples circunstância de poder vir a fazê-lo. É o contrário de qualquer princípio jurídico ou político. De tantos casos conhecidos de abuso de influência não há um só que tenha tido consequências. Mas há uma série de fulanos que são condenados pela opinião escrita e falada porque aceitaram um lugar, mesmo que o exerçam com intocável competência e honestidade.

É, evidentemente, a forma sobreposta ao conteúdo. Não, com certeza, que a forma não seja importante. Mas é, com não menos certeza, a utilização da forma que pode, ou devia poder ser, objecto de condenação ou elogio.

 

Um exemplo evidente do tipo de mentalidade que leva aos maiores dislates políticos e jurídicos é a nova lei, anunciada pelo PS, tendente a impedir que os vulgarmente chamados espiões possam exercer funções privadas durante os cinco anos que se seguirem ao abandono da profissão. O PS agarra a oportunidade proporcionada pela rocambolesca história do chefe da secreta que foi para a Ongoing, para dar um ar da sua graça, como se não se tratasse do partido mais nepotista e mais movido por interesses da III República.

Ainda ninguém estabeleceu as culpas do visado. Ainda ninguém declarou saber quantas e quais informações secretas passou ele ao novo patrão. Ainda ninguém foi capaz de identificar quais os segredos de Estado que o homem terá “vendido” à Ongoing. Ou seja, ao contrário do direito propriamente dito, presume-se uma culpa que ninguém provou, ou cuja substancialidade ninguém, sequer, investigou. E faz-se uma lei nova. As “consciências” ficam tranquilas, tudo o resto na mesma. Fez-se um brilharete e… acabou-se. O Dr. Balsemão continuará à porrada com o Dr. Vasconcelos, o Dr. Silva Carvalho continuará bem empregado, passará, ou não, segredos de Estado ao patrão e a vida continuará, paulatina e maçónicamente, tudo como dantes, quartel em Abrantes.

 

Para acabar, mais uma declaração de desinteresse do IRRITADO, que não tem qualquer simpatia pelo senhor Silva Carvalho, ou pelo senhor Vasconcelos, trutas que não conhece de parte nenhuma, nem pelo senhor Balsemão, nem tem absolutamente nada a ver com as suas guerras, com as intrigalhadas do “Expresso” e Cª, nem com as sombrias manobras dessa malta toda.

 

Fala do assunto porque se chateia por ver tudo de pernas para o ar.  

 

15.1.12

 

António Borges de Carvalho

DA MAÇÓNICA PIROSADA

 

Já que, para além de perseguições e invejas, o que está a dar é a maçonaria, o IRRITADO não pode deixar sem uma palavrinha simpática o que, em pequena parte, viu ontem nas televisões. Virasse-se o comando para onde se virasse, o refrão era o mesmo: maçonaria, maçonaria, maçonaria. Informação à portuguesa.

Dois altos patrões da coisa, qual par de marretas no seu camarote, debitaram patacoadas sem fim, em patética louvaminha dos altos princípios e fins da mui nobre instituição. O espectáculo ficaria a matar nos piadéticos do circo Chen.

O mais impressionante, porém, foi a visão dos “templos” onde, pelos vistos, os filhos da viúva se dedicam às suas “iniciações” e outras manigâncias. O mau gosto, o pirismo, o primitivismo, o incrível mobiliário, os “tronos” dos grão-mestres, dignos, em estilo e grandeza, de um ditador africano de segunda ordem, umas colunecas miseráveis, uma parafernália de dourados, tralha de vestimentas, tudo a ressumar um sentido estético de feira de Carcavelos - sem ofensa para esta. Enfim, um nunca acabar de possidoneira e de kitsch.

Dizem os tipos que se inspiraram nos construtores de catedrais. Que ofensa mais brutal! Estes, brindaram a humanidade com realizações de uma beleza inigualável. Aqueles, presenteiam-nos com, os seus “templos”, autênticas agressões a todo e qualquer sentido estético. Estes, fizeram obra de que todos, crentes e não crentes, podem usufruir. Estes escondem as suas obras e escondem-se a si mesmos por trás dos seus mamarrachos.

Uma vergonha! Uma velharia inútil e, mais que não seja como tal, perigosa ou prejudicial.

 

Bem fez o nosso espertíssimo Mário Soares, que declarou ter-se afastado da maçonaria porque esta está “démodée”.

 

13.1.12

 

António Borges de Carvalho

VÍCIOS PRIVADOS PÚBLICAS VIRTUDES OU VICE-VERSA

 

Altas figuras da Maçonaria - Manuel Alegre, Almeida Santos… - andam para aí aos gritos, que isso de “os maçons terem que se assumir é atentado à Constituição…”, que se trata “de um regresso ao mais nojento salazarismo”, etc..

O IRRITADO borrifa no assunto. Assumam-se, se quiserem. Não se assumam, classificam-se de acordo com a generalidade das opiniões dos cidadãos. O problema é deles. Ser contra a Constituição, é capaz disso. Interessará a quem por tal se interessar.

 

O IRRITADO vem ao assunto tão só pela acusação de salazarismo.

Verdade é que o salazarismo jamais exigiu que se assumissem, pelo que a compração carece de fundamento.

 

Passo a explicar:

O salazarismo teve interessantes relações com a Igreja Católica. Apesar de a proteger, negociou com ela a Concordata, de forma dura e exigente.

O salazarismo, em relação à Maçonaria, foi duro. A memória da primeira República estava fresca, e não havia quem não aceitasse o afastamento do Estado em relação a tal irmandade. Assim como, para a Igreja, tinha fama de pertença, mas foi firme, no que à Maçonaria diz respeito, fez fama de inimigo, mas não foi, digamos, muito chato.

Carmona, Presidente da República, era maçon, como o eram Albino dos Reis e Mário Figueiredo, Presidentes da Assembleia Nacional. Outras gradas figuras da II República, como Bissaia Barreto, eram-no também. Muitos outros havia em altos cargos do regime, cujos nomes não cito por não ser público e notório que fossem “irmãos”.

Por tudo isto e mais que isto, quando essa figura “impar” da III República que se chama Almeida Santos, e outros que tais, vem acusar de nojo salazarento quem os quer identificar, perde uma soberana ocasião de calar o bico.

 

A Maçonaria, no salazarismo, era publicamente proibida e particularmente acarinhada com taxos e prebendas. O resto é conversa fiada do mais bolorento jacobinismo.

 

11.1.12

 

António Borges de Carvalho

BELO SISTEMA!

 

É sabido que os trabalhadores portuários são dos mais bem pagos do país. Os estivadores, por exemplo, são reconhecidos publicamente como uma espécie de máfia, tão cheia de poder como vazia de sentido de responsabilidade, social ou outra.

Ora esta gente decidiu juntar-se às tropas da CP, da Carris, dos cacilheiros, da TAP e de quejandos.

A sua “luta” não é, como naqueles casos, contra os “escravos” que se acotovelam nas paragens, nas estações, nos aeroportos. Lutam “só” para encurralar uns 200 navios, segundo contas que alguém fez e pôs nos jornais. Os navios ficam ao largo, ou atracados, à espera de licença para entrar ou descarregar. Assim, consegue-se atrasar os fornecimentos necessários às pessoas, ao comércio, à indústria. Atrasando-os, tornam-nos mais caros e menos acessíveis. No fim do processo, os prejudicados são os mesmos: os tipos das paragens, das estações, dos aeroportos.

Já repararam que só há greves no Estado e nas organizações que dele dependem ou são de sua propriedade?

Esparramados no seu trono de emprego certo e salário digno, dão-se ao luxo de reivindicar tudo o que lhes vier à cabeça, pisando quem estiver ao seu alcance. A crise não é para eles! Escrúpulos, desconhecem.

Pode dizer-se também que são estúpidos. Como a dona Ângela, que ainda não percebeu que se arrisca a matar a galinha dos ovos de oiro que lhe sustenta a indústria e o orçamento, os instalados no Estado e pelo Estado ainda não perceberam que estão a torcer o pescoço à codorniz dos ovos de latão.

 

Afinal, se calhar têm desculpa. Não se passa mais ou menos o mesmo com classes teoricamente mais cultas e alegadamente mais responsáveis? Não andam para aí os juízes, talvez a mais bem paga classe da República*, a fazer as mais vis misérias politiqueiras? Não andam os militares, que sempre tiveram inúmeros privilégios, a fazer manifestações e a intrigar como qualquer aparatchique da política? Não anda um tal Picanço, chefe dos quadros do Estado, aos berros, a querer ser mais que os outros?

 

Os tipos dos portos têm os mesmos “direitos”, não é? Claro que é. E, como os demais, não têm qualquer sombra de obrigações.

 

Belo sistema!    

 

9.1.12

 

António Borges de Carvalho

 

 

* Das 16 mais altas reformas do Estado, 15 são de juízes.

ERA TUDO MENTIRA, OU DA VIRGINDADE DA BRIGITTE BARDOT

 

O jornal privado chamado “Público”, como é sabido, tem andado numa fona a querer dar cabo do governo, tudo a pretexto de um relatório qualquer que não interessa a ninguém que tenha uma réstia de juízo.

A bola de neve começou com a “informação” que o PSD tinha cortado as referências à influência da maçonaria, ínsitas no tal relatório.

Gerou-se uma confusão dos diabos. A começar pelo jornal do senhor Ricardo - que saudades do Henrique Monteiro! - tudo minha gente aproveitou para vender papel, aumentar a confusão e “informar”.

Eis que, hoje, o jornal do amigo Oliveira se sai com uma nova: não foi o PSD que tirou as referências à maçonaria do tal relatório, tratou-se sim de exigência do PS e do CDS, aliás com irrefutável lógica.

Parafraseando um obscuro intelectual socialista, o IRRITADO está-se borrifando para o relatório e não sabe nem quer saber quem tirou de lá o que se diz que foi tirado, se é que foi.

O que lhe interessa nesta farsa é que, afinal, a “informação” que a desencadeou era tão verdadeira como a virgindade da Brigitte Bardot. O que não quer dizer que a “verdade” hoje publicada não seja exactamente a mesma coisa.

     

9.1.12

 

António Borges de Carvalho

DA TRAFULHICE MEDIÁTICA

 

Há uns dez dias, mais coisa menos coisa, que, mercê de alta gritaria jornalística, anda a malta ocupada quase exclusivamente com dois assuntos: a maçonaria e o Jerónimo Martins.

Dois assuntos que não valem um caracol.

 

A Maçonaria, sociedade ridícula e arcaica onde uns caturras se juntam para contradanças “litúrgicas”, patacoadas “filosóficas” e brincadeiras com bonecada diversa, foi importante em tempos, fazia revoluções e golpes de estado, tinha pelotões armados, tudo em nome de altos princípios “constitucionais”. Por cá, mataram o Rei e o Príncipe Real e, mercê de golpada urbana, implantaram a República e passaram a matar-se uns aos outros e a desgraçar a Nação, como não podia deixar de ser. É evidente que, se lhes perguntarem, dirão que não mataram ninguém, que eram uns idealistas “civis” e que má era a Carbonária, coisa com a qual nada tinham a ver. Pois.

O grande ex Grão-Mestre da coisa veio hoje à televisão dizer que a organização nada tem a ver com a política, mesmo integrando membros de todos os partidos, PC incluído. Disse também que, se algum membro da prestimosa organização se portar mal, é convidado a sair. Deve ser por isso que por lá anda um tal Ricardo, ilhéu que foi apanhado em flagrante delito de roubo de telemóveis.

No “Expresso” uma alta figura do dito vem explicar que aquilo é uma sociedade de crentes, onde há tipos de todas as religiões e de falta delas, além de adeptos do espiritismo e doutras martingalas, como as do senhor Kardec e da madame Blavatsaky.

Estes propagandistas dizem que a política fica à porta do “templo” e que jamais a organização puxou cordelinhos, entrou em questões partidárias ou moveu influências. Pois não.    

É claro que pode haver algum “ramo” que cometa irregularidades e pratique actos à revelia dos mandamentos da coisa. Escusado será dizer que se trata de gente que nada tem a ver com a verdadeira Maçonaria. Pois é.

Ou muito me engano ou o filme bufo a que vimos assistindo tem mais a ver com guerrinhas entre “lojas” que com alguma coisa que nos interesse enquanto cidadãos.

Além disso, como é evidente e o próprio director do “Expresso” implicitamente admite, tem a ver com a luta de galos que há longo tempo vem sendo travada entre os senhores Balsemão e Vasconcelos, coisa com que os cidadãos também nada têm a ver: comam-se, matem-se, esgadanhem-se mas não chateiem!

O próprio jornal privado chamado “Público” que, aqui há tempos, se empinou contra o jornal do amigo Oliveira porque este tinha violado correspondência, faz exactamente o mesmo e - ó espanto! - invoca “interesse público”, coisa que seria justa se interesse público fosse o interesse do “Público”. Tudo isto para quê? Para informar a malta que o senhor Montenegro foi convidado para um almoço da Maçonaria!  O que temos nós com isso?

Se, da parte dos órgãos de informação, houvesse alguma sombra de preocupação com o interesse público, então borrifavam na Maçonaria. Ou havia ilícitos no comportamento de alguém, e era isso o que interessava, ou não havia notícia, isto é, o assunto seria os tais ilícitos, não a Maçonaria.

Em resumo, a opinião pública é envenenada à exaustão, servindo de carne para canhão em guerras que lhe não dizem respeito.

O resto é conversa e venda de papel.

 

Eis-nos chegados ao caso Jerónimo Martins, que tem enchido páginas, ocupado tempo às pessoas e sido objecto de desvairadas declarações e opiniões do mais cretino, até da parte de gente tida por responsável, como o Capucho de Cascais ou o Almeida do Belenenses.

Um tipo que paga ordenados a tempo a 26 mil pessoas, num país pasto de desemprego galopante, se não deixa de ter obrigações por causa disso, deveria, pelo menos, ter direito ao benefício da dúvida.

Mas não. O homem é um canalha, um fulano que larga postas de pescada patrióticas e que, assim que lhe convém, dá à sola para a Holanda!

Um pouco mais esclarecida a coisa, conclui-se que o homem paga por cá montes de milhões em impostos e  vai continuara a pagar. Foi pôr a holding num sítio onde os bancos ainda têm dinheiro para emprestar e onde é capaz de haver tribunais com pés e cabeça. Pagará lá alguns impostos, sem dúvida uma pequena parte do que paga por cá. Mas ganhará oportunidades para investir, coisa que deixou de ser uso entre nós.

O IRRITADO, fiel cliente do Pingo Doce, deseja as maiores felicidades ao grupo ora objecto da tanta e tão estúpida perseguição.

 

8.1.2012

 

António Borges de Carvalho

AQUECIMENTO DE BOLSOS

 

Os adeptos do aquecimento global andam todos os dias à carga. Desta vez, as parangonas anunciam, triunfantes, que 2011, nos últimos 30 anos, só foi ultrapassado duas vezes, em temperaturas. Foi também um dos 7 anos mais quentes dos últimos 80.

E daí? Perguntar-se-á com toda a legitimidade.

Os bem pensantes, gente progressista e à la page, vêem nisto uma demonstração do evidente e indiscutível aquecimento global.

Vistas as coisas pelo lado dos “negacionistas”, de que o IRRITADO orgulhosamente faz parte, o que a notícia quer dizer é o que diz, isto é, 2011 foi um ano quente, mas menos quente que outros 2 em 30 anos e um dos 7 mais quentes dos últimos 80. Mais nada.

Por outras palavras, há 80 anos a esta parte, com muito menos emissões de CO2, já havia anos tão quentes como, de vez em quando, há hoje em dia. Além disso, nos últimos 30 anos houve 3 mais quentes que os outros, com aumento das emissões ou com diminuição das emissões. Ou seja, entre as emissões de CO2 que a humanidade produz e as temperaturas, está por demonstrar qualquer relação, como é evidente.

E, no entanto, os países civilizados, perante o gozo de chinocas e quejandos, gastam triliões em “direitos de carbono” e há um sem número de artistas, brokers e outros, a encher-se à custa da universal aldrabice.

 

E se nos preocupássemos com o CO, não com o CO2? O CO é um veneno letal, expelido por todos os veículos a motor, de explosão ou combustão interna. O CO2 não faz mal a ninguém, sai às toneladas dos rabos das vacas, das jarras de flores e das florestas…

 

Mas o que interessa é o negócio, não é?     

 

3.1.12

 

António Borges de Carvalho

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