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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

SALVAR A PÁTRIA

 

“Não acabava (o post anterior), quando uma núvem que os ares escurece / sobre nossas cabeças aparece. / Tão temerosa vem, e carregada / que põe nos corações um grande medo...

Se Camões fosse vivo, talvez comentasse assim esse Adamastor de palhaçada que por aí se parangona, a anuciar a salvífica reunião de um “Congresso Democrático de Esquerda”.

 

 Duas observsções preliminares.

 

1 -A esquerda, como a ditadura era tida por de direita – do ponto de vista da importância do Estado em relação aos cidadãos era tão de esquerda como a esquerda – tomou a “decisão” de publicitar que a democracia, por definição, é de esquerda, coisa que a história e a prática demonstram ser mentira, mas que, dado o atraso mental que caracteriza a esquerda deste país, continua a ser “fé dos crentes”. É a estupidez e a trafulhce ideológica em acção.

2 – É sabido, e confesso, que a generalidade da esquerda anda à nora, sem saber o que fazer. Acha que a crise é “de direita”, normalmente aquela direita a que chama liberal, ou neoliberal(?), mafarrico eleito para justificar a crise, mas, como não tem uma só ideia com pés e cabeça para a ultrapassar, entretem-se a vituperar os seus inevitáveis resultados e a sonhar com o dia em que tais resultados façam cair o tenebroso governo “da direita”, coisa que proporcionaria aos da esquerda uma oportunidade de ouro de voltar a gastar o que não tem, mascarado de “despesas sociais”.

 

O novo Adamastor, felizmente tão perigoso como o do Bartolomeu Dias, é chefiado pelo Carvalho da Silva, já que o PC, dessolidarizando-se da iniciativa, não podia deixar de lá meter os seus agentes ao mais alto nível, do dito ao inevitável Siza Vieira, tudo gente do melhor. Soma-se um virtuoso escol, da dona Manuela Silva, protuberância católica e progressista do defunto pintassilgismo terceiromundista , ao famoso Vasco Lourenço, de brilhante inteligência, a figuras famosas do PS, entre elas o tristemente conhecido Pedroso, o Sérgio Sousa Pinto, emérito distribuidor de preservativos, o inacreditável Pedro Nuno Santos, que só debita asneiras, a dona Catarina Mendes, o mais desagradável membro da classe política, a rapariguita que era chefe dos indignados mas que já se zangou com a organização, altas patentes do Bloco de Esquerda, et alia.

Este distinto bouquet de cérebros da nossa democracia “não quer hostilizar ninguém” (Carvalho da Silva), entenda-se ninguém da esquerda radical, PC incluído, e que, como diria o Álvaro Cunhal, “congrega vastos sectores da sociedade”, “tudo gente inquieta capaz de construir alternativas” (José Reis – seja ele quem for).

Louvável, não é? Podemos estar descansados.

Além disto, segundo o Big Chief Carvalho da Silva, o movimento começa e acaba aqui, isto é, “não tem agendas futuras”, não quer transformar-se em partido político nem arranjar problemas seja a que partido de esquerda for. Nobre intenção. Lida a coisa como deve ser, o homem, por iniciativa própria ou por ordem do comité central, não quer ferir sensibilidades comunistas que poderiam não gostar destas liberdades. Além disso, longe do camarada arriscar-se a prejudicar a sua candidatura a PR, já apoiada por esse liuminar da democracia socialista em que Soares deu. Carvalho da Silva toma os seus cuidados: chamar o pessoal da filarmónica, aceitando os instrumentos que quiserem trombonar a seu favor. Como abertura da campanha presidencial, não está mal.

 

Nesta ordem de ideias, os “democratas de esquerda” que se unem para salvar a Pátria mais não são que a sementinha de um projecto de poder. Já que lá não se chega por São Bento, que se chegue por Belém.

O resto são as “soluções” do costume, ainda que com palavreado mais doce, para não espantar os pardais, mas a querer dizer o mesmo: a troica que se lixe, os credores que se encolham, a Merkel que vá mandar lá em casa, os mercados são bandidos, o Holande – até ver – é um herói, reformas aos 35 anos, 22,5 horas de trabalho por semana, um nunca acabar de consumo (para relançar a economia!), “direitos” sociais para todos, renegociar a dívida, pôr essa gente toda nos varais, nacionalizar a banca, um mar de receitas para nos levar às profundezas do inferno.

Muito tem a Nação a a receber desta trupe. É de esperar que a Nação lhe dê a confiança que merece.

 

28.6.12

  

António Borges de Carvalho

GENTE DO MELHOR

 

Todos nós, portugueses de lei, orgulhosos da Pátria que nos viu nascer e que tanto amamos, não podemos deixar de sentir um frémito de alegria e grata paixão pelos nossos concidadãos aéreos – controladores, pilotos, etc. - que, miseravelmente pagos, como é público e notório, se preparam para vigorosamente protestar contra os que os pisam com salários ridículos e trabalho insano.

E, afinal, que mal têm as greves que se avizinham? Nenhum! Trata-se do legítmo exercício de um direito constitucionalmente protegido, gaita! Contas feitas, só vai prejudicar 440.000 passageiros, suas famílias, suas férias, mais os horéis, os restaurantes, os bares de alterne, etc., tudo gente que não merece consideração de nenhuma espécie – o que eleva o número de prejudicados directos para uns milhões, coisa de somenos, e custar, só às companhias, directamante, e aos nossos bolsos, indirectamente, a ínfima quantia de 55 milhões de euros. Tudo para proteger classes profissionais com trabalho precário e salários terceiro-mundistas, não é? Muito bem!

Da sua humilde tribuna, o IRRITADO sente-se na obrigação de louvar tão nobres e patrióticas gentes. E, se os tubarões que querem comprar as empresas desistirem das suas intenções, então mais patriótica é a sua intenção. Serão menos umas centenas de milhões a passar a fronteira para o lado de cá, assim demonstrando a ganância infrene do capitalismo internacional!

Hossana! Grandes portugueses!  

Ganhar aos castelhanos da bola, esta tarde, será o que menos importa. Importante, sim, é reconhecer o alto serviço prestado à Pátria pelos anunciados grevistas, os quais, à la limite, perante o gozo da mais negra reacção, arriscam ir todos de uma assentada para a rua, em vez de ir um de cada vez! Mas fizeram o gosto ao dedo, não foi?

 

27.6.12

 

António Borges de Carvalho

PROBLEMAS ELEITORAIS


Não se sabe bem quem é este Silva, que os médicos têm como bastonário. Mas, visto este e o dos advogados, a ideia que fica é que as distintas classes não estão, de um modo geral, ou maioritariamente, boas da cabeça.

Os tipos, quando abrem a boca, como não entra mosca só sai asneira. 

O Marinho é um tonto, um desbocado, um ditadorzeco, o que muito bem lhe fica, pelo menos na sua qualidade de defensor oficioso do senhor Pinto de Sousa. Agora, mais uma entre tantas, lembrou-se de duplicar as quotas dos advogados reformados, dando sinais evidentes das suas propagandeadas preocupações sociais.

O Silva, esse é ouvi-lo, dia sim dia não, na televisão, a debitar críticas a tudo o que mexe. Menos aos médicos, claro. As duas últimas do agressivo clínico são de estalo:

Primeiro, perante as notícias de dois colegas tidos por chefes de uma trupe que terá sacado 50 milhões em trafulhices com medicamentos, afirmou que, a confirmar-se, a coisa poderá motivar sanções que poderão ir “até à expulsão”. Por outras palavras, o carnavalesco esquerdóide admite conservar os trafulhas na profissão, caso se prove que o são!

Segundo, como está muito preocupado com a defesa da qualidade do serviço nacional de saúde, vai, com tal objectivo, pôr a classe em greve! Calcule-se a qualidade do dito serviço durante os dias de greve dos médicos.


É evidente que a Democracia não se destina a pôr os “melhores” no poder – quem poderá julgar, ou saber, quem são os melhores? -  mas sim os que têm mais votos. É por isso que, não havendo outro método, às vezes são eleitos tipos deste género.  

 

26.6.12

 

António Borges de Carvalho

UMA TRISTEZA

 

Há cabecinhas que não se percebe bem como funcionam.

Dona Roseta, dizem as piores línguas, é uma fulana ridícula, patética, meia histérica, uma tonta, uma arquitecta que nunca arquitectou coisa nenhuma para além de arranjar maneiras de andar à tona. Como é natural, jamais o IRRITADO diria tais coisas acerca da pobre da senhora. Nem por sombras!

A última investida de dona Roseta merece, porém, uma pequena observação. Então não é que se lembrou de acusar o Relvas de a ter querido obrigar a fazer um contrato com uma empresa onde trabalhava o Dr. Passos Coelho? A coisa, segundo explicou, passou-se há dez anos, era o Relvas secretário de Estado, ela bastonária dos arquitectos e Passos Coelho funcionário de uma empresa.

Longe do IRRITADO acreditar ou deixar de acreditar na tremenda acusação. Mas atreve-se a perguntar por que carga de água é que a dona Roseta se lembrou da história dez anos depois, em vez de se ter queixado na hora? Porque guardou, nas catacumbas da sua excelsa alma, esta tremenda verdade? O que a moveu, na altura, a calar-se?

O que a move a falar agora é fácil de adivinhar: a baixeza moral e política de uma infeliz mulher.

 

24.6.12

 

António Borges de Carvalho

FLOP!

 

Trutas de cento e noventa países estiveram reunidos no Rio de Janeiro com o virtuoso objectivo de “salvar o planeta”. Correram uns milhões nas despesas públicas, uns milhares de tipos ganharam chorudas ajudas de custo, viagens em primeira classe, bons hotéis, boa comida, umas noitadas no Rio. Óptimo.

Para quê? Rezam as notícias que para nada. Nadinha.

Voltou a malta, orgulhosa e satisfeita, aos seus locais de origem. A coisa tinha sido um fracasso indiscutível, o que, ou me engano muito ou era o que se pretendia. O senhor Banquimune e a sua gente devem ter voltado tristes à Aple, já que não avançaram um milímetro na sua gloriosa marcha para o governo universal.

As coisas são muito mais simples do que parecem. No fundo de cada um, à excepção da chamada “Europa”, há dúvidas sobre a antropogénese do “aquecimento global”, se é que há aquecimento global, se é que o CO2 é tão mau como se diz, se os burocratas da ONU e da “Europa” têm razão, ou se quem tinha razão era o Bush quando mandou o protocolo de Quioto às urtigas.

Pelo menos por este motivo, por exemplo os BRICS, regurgitantes de dólares, acham que a “Europa”, tesa como um barrote, deve pagar os triliões que propõe que se gastem, ninguém sabendo bem para quê. O nosso problema é que a “Europa” parece mais disposta a gastar tal dinheiro do que em resolver os problemas reais em que se está a afogar.

Ninguém será capaz de demonstrar aos BRICS e companhia por que carga de água devem pagar despesas cuja necessidade outros inventaram. É que os trutas da ONU descobriram um problema que ninguém sabe se existe mas que fomenta um negócio de triliões. Os tipos de Bruxelas aceitaram a “ciência” imaginada por burocratas, e trataram de vender ao mundo o que o mundo não quer aceitar. Trata-se, como diz a propaganda, de “desenvolvimento sustentável”. Pois. O pior é explicar aos outros o que é sustentável para gente que precisa de comer todos os dias. Se é sustentável, dizer às pessoas que, em vez de gastar em pão, devem gastar em “direitos de carbono” e noutras patacoadas saídas dos delírios dos políticos.

Sustentar o quê? A humanidade ou a demagogia?

O flop do Rio, afinal, foi o melhor que de lá podia ter saído.

 

O IRRITADO recorda com saudade os tempos em que a sustentabilidade ecológica era defendida por gente séria, por idealistas sem objectivos políticos fundados em ambições ou justificação por aldrabices. O “ambiente” é hoje um negócio como outro qualquer. Pior que isso, é fundamento para chantagem sobre as pessoas, uma forma de domínio, um atentado aos verdadeiros direitos de cada um, uma prática terrorista, uma forma de acabar com aquilo que se diz defender: a própria sustentabilidade.

 

24.6.12

 

António Borges de Carvalho

COM CÃO OU SEM ELE

 

Uma ilustre senhora, nada menos que presidente da câmara municipal de Silves e antiga chefe do PSD local, andou ontem nos jornais a lamentar a ausência do nosso estimado Álvaro na assinatura de um contrato de desenvolvimento turístico – 300 milhões de investimento na página xis, 250 na página ipslon, 2.000 postos de trabalho na página xis, mil e tal na outra. Enorme iniciativa, gigantesco interesse municipal e nacional.

 

No tempo do exilado do seizième estaria lá o primeiro-ministro, o Jamais, mais 3 ministros, 14 secretários de Estado, 80 assessores, 22 secretárias, uma sala cheia, televisões, rádios, jornais, uma alegria, um nunca acabar de cumprimentos e salamaleques, um esplendor, discursos em barda, elogios à presidente e à vereação, 5 novas auto estradas e dois aeroportos anunciados ao mundo, uma jornada de gala, um triunfo!

Hoje em dia, ninguém. A senhora viu-se obrigada a fazer queixa à Lusa, ou equivalente, para ter alguma notoriedade nacional. Que vergonha, meus senhores!

 

Os empresários envolvidos no projecto, grandes promotores do desenvolvimento da Pátria, eram, são, nada mais nada menos que os brilhantes chefes de uma empresa chamada Galilei, sucessora da célebre SLN, proprietária do não menos célebre BPN.

Muito bem.

Por acaso, na véspera, os ditos senhores, bem conhecidos na nossa praça, tinham dito no Parlamento que, ao contrário do que se diz por aí, só devem ao Estado uns míseros 170 milhões, mais uns tantos por aí. Pode perguntar-se onde vão desencantar os 300 milhões para o projecto de Silves numa altura de crédito escasso e tendo a ficha de informações que não devem deixar de ter. mas isto são detalhes sem grande importância.

 

Agora, pensemos nas consequências da ausência do estimado Álvaro na cerimónia.

 

Como não pôs lá os pés, anda a ser criticado pela presidente, pelos jornais e outros que tais.

 

E se lá tivesse ido? Imagine-se a onda de contestação, o Tavares, o Pacheco, o Seguro, o Marcelo, o Jerónimo, mais umas centenas de fulanos preocupados com a honra do país, dos povos, da própria “Europa”, zurziriam o Álvaro com as suas abalizadas opiniões: o governo está feito com a Galilei, com o BPN, com as falcatruas, as corrupções, as off-shores, o caneco. O ministro tem que cair, tem que cair já, nem mais um minuto no poder! O louça exigiria a imediata formação de uma comissão de inquérito, a Roseta faria queixa à Procuradoria, o sindicato dos juízes poria o caso no Eurojust, e por aí fora, etc. e tal. A coisa dava para duas semanas a vender jornais.

 

Com cão ou sem cão, tanto faz.

   

24.6.12

 

António Borges de Carvalho

O RELATÓRIO

 

 

Uma das muitas estatais inutilidades em que estamos mergulhados sem haja sinal de alguém, seja quem for, querer acabar com elas, é a chamada ERC, dirigida por Charlemagne, isto é, Carlos Magno em versão almadense.

 

A coisa lá vai vivendo e, às vezes, há quem queira pô-la a fazer alguma coisa. Foi o que aconteceu com o caso Relvas contra umas fulanas do “Público”.

Como o relatório emitido pela distinta coisa não acusou o Relvas de qualquer hediondo crime, erguem-se abalizadas vozes, às catadupas, contra o Carlos Magno, contra a ERC, contra a “governamentalização” da nobre instituição, a partidarização dos “reguladores”, o diabo a quatro. O relatório é uma bambochata, os tipos do PPD lá metidos, a começar pelo Magno, estão “feitos” com o governo, etc. e tal.

Haja alguém que defenda o relatório.

Vejamos.

As tipas do “Público” não podem provar as acusações. O Relvas não pode provar que as acusações das tipas são falsas. As tipas, que começaram por não publicar o que o Relvas não queria que se publicasse, acusam o Relvas de não querer que elas publicassem o que não publicaram, isto sem ceder a nenhumas pressões. O Relvas foi dando uma no cravo outra na ferradura, meteu os pés pelas mãos, etc. As tipas também. A heroína despediu-se ou foi despedida. Estão a perceber? Eu também não.

No meio desta pastelada toda, o relatório, afinal, é a única coisa decente. Que diz ele? Que o Relvas se portou pessimamente, que as tipas mais ou menos. O que o Relvas fez, ou terá feito, não foi manipulação tentada, ou “pressão”, quanto mais não seja por falta de provas. Nesta ordem de ideias, a ERC não tem jurisdição na matéria.

Tudo isto está certo. O que a ERC fez foi, primeiro, classificar as investidas do Relvas de forma dura e claríssima. Depois, considerar que não tinha competência estatutária para tomar fosse que atitude fosse. Finalmente enviou o relatório para a única esfera competente: a política.

É na esfera política que está o problema. Era na esfera política que devia ter havido decisões.

Quando Passos Coelho se atravessou a defender o seu importante amigo – o que, como amigo, lhe fica bem – cometeu um erro colossal.

É que, no meio da pessegada, uma só atitude certa haveria: convencer o Relvas a tomar a decisão “pessoal” de sair do governo. Compreende-se que, por muitas razões, fosse difícil para ambos. Mas não havia outra coisa a fazer. As consequências de o manter vão ver-se a médio prazo, e vão prejudiciais para o governo e para todos nós.

 

Enfim, o que está feito está feito. Mas não me venham dizer que a culpa é do relatório. A ERC portou-se bem, fez o que podia, mesmo sabendo, sem margem de dúvida, a tempestade que a seguir viria, o gozo dos comentadores, as tremendas acusações dos tipos do PS – os mais adestrados manipuladores de opinião de todo o mundo civilizado – a indignação das almas castas e puras sempre prontas a fomentar a cizânia.

 

Nada disto quer dizer que o IRRITADO apoie, agora, a existência da distinta organização que dá pelo nome de ERC. Ela, como a como tantas outras das suas congéneres, nunca devia ter nascido.      

 

23.6.12

 

António Borges de Carvalho

SENILIDADE UMA OVA

 

Muitas têm sido as interpretações dadas às espantosas opiniões desse irrefragável português que dá pelo nome de Soares (Mário).

As mais caridosas atribuem os pontapés opinativos do senhor à sua provecta idade. 

Convenhamos que não será fácil encontrar outra explicação. Como é possível que um homem que meteu cá o FMI duas vezes, venha vituperar a mesma gente, ainda por cima chamada pelo seu partido? Como é possível que o único governante europeu dos últimos cinquenta anos a lançar impostos retroactivos, aumentando os demais e desvalorizando os salários como jamais aconteceu, tudo em nome da saúde das contas públicas, se entretenha a dizer as mais repenicadas enormidades contra aqueles que, metidos pelo seu partido num imbróglio pior que os dele, em matéria de austeridade nem os calcanhares lhe roçam?

 

O notável cidadão não faz a coisa por menos: apela à “insubordinação popular contra as imposições da troica”, cujos funcionários, “uns tecnocratas que ganham rios de dinheiro”, transformam o país em “protectorado”.

A diferença entre Soares (Mário) e os tecnocratas deve ser que ele, coitado, como é sabido, passa a vida a apertar o cinto enquanto eles se repoltreiam em “rios de dinheiro”. E, em relação ao governo, a diferença é que, no tempo dele, não senhor, estava cá o FMI, o escudo passava a valer metade, o nosso cinto apertava-se como nunca, mas não se tratava, não senhor, de um “protectorado”.


Tal como aconteceu com a senhora que o fez perder, miseravelmente, as eleições para a presidência do Parlamento Europeu e que ele, grande defensor dos direitos da mulher, se apressou a classificar de “dona de casa”, vem agora clamar que está na hora de a dona Ângela “voltar para a Alemanha de Leste e se fazer esquecer”.

 

Compondo o seu colorido ramalhete, o nosso geronte de estimação afirmou – grande malha! – que terá “muito prazer” em apoiar o Carvalho da Silva, isto é, o PC, se aquele se candidatar à presidência da República!

É claro que o Carvalho da Silva, contentíssimo, aproveitou para lançar mais uma louca e despudorada diatribe contra tudo o que não seja a cassete do PC, com  apelos à democracia "social" e coisas do estilo.

Para o IRRITADO, ouvir um comunista a defender a democracia é o mesmo que ouvir uma ratazana a cantar o Rigolleto.

Pelos vistos, o Soares (Mário) está, outra vez, com as ratazanas. E não me venham cá dizer que é por estar velhinho.    

 

21.6.12

 

António Borges de Carvalho

INFILTRAÇÕES


 

O IRRITADO tem vindo a fazer os possíveis por denunciar dona Cristas, inacreditável ministra de uma data de coisas.

Várias vezes tem dito que, na sua opinião, o governo, infelizmente, tem pouco de liberal, ou de “neoliberal”, como diz quem não sabe ou finge não saber nada destas coisas.

Não poderá dizer-se, por outro lado, que o governo é socialista. Todo ele? Não! A dona Cristas é disso um exemplo evidente. Quiçá usando inspiração da “doutrina social da Igreja” de que é membro, dona Cristas, pelo que faz, obriga-nos a presumir que se trata de uma infiltação do socialismo radical num governo que o não é.  Bom seria que o Dr. Portas desse por isso e a metesse na ordem.


Conhecida antes de mais pela ridícula história do ar condicionado e das suas evidentes relações com as gravatas dos funcionários e com a poupança de energia (!!!???), dona Cristas entrou em produção socializante.

Ele foi essa desgraça em forma de lei, a que se chamará NNRAU (novo novo regime do arrendamento urbano), uma pessegada que não resolverá problema nenhum e criará muitos, dada a preocupação “social” que o anima e que coloca, mais uma vez, às costas dos particulares as funções sociais – leia-se gatunas - do Estado.

Ele foi a abertura, sem mais nem menos, à exploração de terras, a fazer lembrar o PREC.

Ele foi a criação de uma taxa dita da “qualidade alimentar” – não lhe chega a ASAE e os seus desmandos.

Ele á a “nacionalização” completa da gestão da Casa do Douro, num grau de nem o Marquês de Pombal se lembraria.

Ele é a defesa da posse compulsiva de propriedades... e por aí fora, não valerá a pena ir mais longe.

Diga-se em abono da senhora que é coadjuvada, inspirada, não sei se desculpada, pela presença, a seu lado, do tristemente célebre Campelo, homem que, e muito bem, já foi ostracizado pelo CDS por causa da traição dita do queijo limiano, coisa que de nada lhe serviu mas foi um bombom para o PS.

O mistério da recuperação deste parvo pelo Dr. Portas e pela coligação é uma das mais impenetráveis atitudes políticas da maioria, ainda que ninguém lhe dê uma linha.


Enfim, Dr. Passos Coelho, fora isto uma carta e teria a humilde intenção de chamar a atenção de V. Exª para esta toupeira do PS (ou do BE, ou do PC?) nas fileiras do seu exército.

 

21.6.12

 

António Borges de Carvalho

UM PATRIOTA

 

O celebérrimo deputado socialista dos Açores - de lá corrido por indecente e má figura - que foi apanhado em flagrante delito a roubar gravadores de som em pleno parlamento, foi acusado de “atentado à liberdade de imprensa”. Não de roubo!

É pena que as ideias da ministra da justiça ainda não estejam em vigor. Se estivessem, talvez o homem tivesse sido julgado e condenado sumariamente pelo que fez às escâncaras.

No PS, pelo contrário, em manifestação do mais alto respeito pelas instituições e pelo Estado de direito, o homem foi promovido. Como cidadão de indiscutível proprobidade, é vice-presidente do grupo parlamentar.

Algo me leva a crer que, se o PS tivesse, para nossa desgraça, ganho as eleições, a esta hora seria ele o ministro da justiça.

 

21.6.12

 

António Borges de Carvalho

SINAIS DE BOM SENSO

 

Sem medo do “escândalo”, o PM japonês mandou reactivar duas centrais nucleares. As boas almas, os apóstolos da involução e da ruína, devem estar por aí, inchados de indignação e ódio.

E, no entanto, o homem tem carradas de razão. A sua obrigação como governante é dar aos seus cidadãos e à sua economia elementos de desenvolvimento, e deixar para trás os escravos da demagogia e do medo. A sua atitude é tão mais louvável quanto o Japão foi teatro, há bem pouco, de um desastre natural de gigantescas consequências, entre as quais um acidente nuclear altamente perigoso.

À excepção de Chernobyl – vítima da incompetência totalitária do socialismo real(a) – não há memória, em sessenta anos de existência, de qualquer acidente que, proveniente do nuclear e não da Natureza, tivesse tido qualquer importância para a humanidade ou para o Planeta, cuja “salvação” faz correr rios de tinta e mares de dinheiro. Mesmo Fucoxima, com os seus horrores, não consta que tenha custado a vida fosse a quem fosse.

 

Se a estes factos acrescentarmos que:

- A energia nuclear é a mais limpa de todas as energias, de tal maneira que até os chamados ecologistas já não conseguem deixar de o reconhecer;

- A energia nuclear é a mais viável de todas, em termos de custos/benefícios;

- A tecnologia nuclear tem conhecido avanços que tornam a produção nuclear ainda mais fiável e mais barata;

- O problema dos lixos nucleares está razoavelmente resolvido, e novos processos estão em curso de desenvolvimento,

 

então teremos que não é inteligente, nem aceitável, a luta de tanta gente contra esta forma de obtenção de energia. Bem pelo contrário, é quase criminosa. Privar a humanidade de energia barata, fiável, constante, praticamente inesgotável, é o quê?

 

Por cá - num país que até tem matéria-prima com fartura - depois de o “socialismo democrático” ter, solenemente, declarado que o nuclear “não está na agenda do governo”, depois de o mesmo governo se ter recusado a, sequer, discutir uma proposta de construção e exploração de uma central, a custos privados (sem PPP’s!), depois de se ter endividado o país por gerações para encher a paisagem de moinhos de vento e gadgets do estilo, de produção intermitente e a exigir o trabalho de centrais térmicas, continua a haver almas que se regozijam com o “avanço” do país em matéria de “energias renováveis”.

Em matéria energética, perdemos pelo menos cinco décadas. Agora, mergulhados na crise, sem um tostão disponível, preparamo-nos para perder mais umas tantas. Isto enquanto a chamada Europa trabalha na melhoria dos processos tecnológicos e lança projectos de novas centrais. E, se falarmos dos BRICS, veremos do que a casa gasta, a inteligência a preparar o futuro.

É evidente que, dado o estado das coisas, não se pode pensar no assunto. E, se se pensasse, haveria multidões histéricas a protestar, a junta de freguesia de Santa Pulquéria metia duas providências cautelares e a câmara de Castro Querelas acusaria o governo dos mais nefandos crimes. Sem falar, é claro, da chamada “discussão pública”, dos debates, populares e parlamentares, das comissões de inquérito e de mais não sei quantas barbaridades.

O que vale é que, entretanto, há um ministério que manda tirar as gravatas para poupar no ar condicionado, o que nos enche de esperança, não é? Como no Japão, por cá também há bom senso. Hi hi.

 

18.6.12

 

António Borges de Carvalho

 

(a) Cabe aqui lembrar a inesquecível chegada do Cunhal a Lisboa, vindo da Ucrânia, no auge da crise de Chernobyl. Nas doutas palavras do poderoso líder, não havia problema nenhum, só uma ligeira avaria do reactor. O cônsul de Portugal lá no sítio era um alarmista ao serviço do imperialismo, porque tinha aconselhado os estudantes portugueses que por lá andavam a voltar quanto antes para casa!

UM CARJARETE

 

Carjarete é um neologismo cheio de significado. Trata-se de uma corruptela de mijarete, inventada por tipos como o IRRITADO, reaccionários e fascizantes díscolos, pelo menos na abalizada opinião dos camaradas Jerónimo e Louça, seus seguidores e compadres, género Fidel ou Tchichas (o grego, de quem o Louça é orago e guru).

Pois não é que tal detestável gente juntou mijarete ao nome do camarada Arménio Carlos e inventou o carjarete? É de uma falta de respeito a toda a prova.

Porquê tal invenção?

Tudo tem a sua razão de ser. É que o camarada Arménio, cada cavadela cada minhoca. O homem tem o discurso mais bafiento de toda a Europa. Não é capaz de sair de uma dúzia de slogans ou respectivas glosas, a fazer lembrar as antigas cassetes do Cunhal, hoje penes do Jerónimo. Não dá duas para a caixa. Uma desgraça. E como cheira a bafio por todos os poros, a malta começa a fartar-se das suas arengas e, o que é pior, das suas convocatórias.

 

Já poucos aparecem nas farras da CGTP. Desta feita (segundo os jornais) acentuou-se a tendência para só descerem a avenida os filiados do PC e, destes, só os mais velhotes e os do Sul, à excepção do Algarve. Devidamente espaçados, como manda a cartilha, os fiéis defuntos, perdão, os fiéis camaradas, quiseram dar a sensação das multidões doutros tempos, ocupando vinte vezes mais alcatrão do que se justificaria. Por outro lado (sempre segundo os jornais), as palavras de ordem não entusiasmaram fosse quem fosse. O préstito lá foi, tristemente, pela avenida abaixo, sem brilho nem – em futebolês – postura anímica. Um carjarete.

O Carlos lá debitou as suas patranhas, o seu ódio à troica, à agiotagem da troica e a tudo o que mexe. Resultado: um carjarete!

Dê-se, no entanto, o seu a seu dono. O homem tem azar. É perseguido pelas forças do capital monopolista, fascista, imperialista, etc..

No primeiro de Maio foi o que se viu. O Pingo doce, força reacionária como tudo, resolveu dar umas borlas. A malta em vez de ir à avenida foi às compras. E o primeiro de Maio foi um carjarete.

Desta feita, foi o Continente, tão reacionário como o outro. Pôs uns rebanhos de cabras a pastar no Terreiro do Paço sob o terno olhar do Costa e do Fernandes – outros reaccionários, no parecer do Arménio - e pronto, as massas, em vez de ir atrás das miúdas na avenida, foi atrás das cabras. Deixou a procissão para os velhotes, que já não têm guts, seja para as miúdas, seja para as cabras. Um carjarete!                 

 

Coitado do Arménio!

 

17.6.12

 

António Borges de Carvalho

TRAIÇÃO!

 

Esse grande inspirador do Seguro, esse gigante capaz de pôr a dona Ângela a borrar-se de medo, essa maravilha fatal da nossa idade que dá pelo nome de Hollande, esse homenzinho “normal”, com ar de professor de instrução primária à antiga, que nunca teve qualquer emprego na vida que não fosse andar agarrado às calças dos políticos e às saias da política, tornou-se, como é sabido, Presidente da République.

Um homem de sorte, no jogo como no amor. As suas mulheres, que não são, ou foram, mulheres dele, mas simplesmente companheiras, ou camaradas, não são nada para deitar fora. A dona Ségolène era bem gira. E a não-sei-quantos-Weiller tem grande pinta.

O pior é que a Ségolène queria mandar mais que o chefe. Foi corrida, apesar de já ter dado quatro filhos ao companheiro, ou camarada. Ora não querem lá ver! Armada em boa… rua!

Vem a Weiller (Rotweiller?) e pumba! Apoia o inimigo do Hollande nas eleições de La Rochelle, só porque o adversário dele era a Ségolène. Já se viu mais casca do que isto? Que diabo, é pior que pôr os cornos ao homem. Ele que a levou à (i)legítima posição de Primeira Dama! A tipa entra no disparate, na traição, na ciumeira, no ridículo, e desta forma malandreca e peixeiral!

 

Coitado do Hollande! O IRRITADO, que até nem deseja mal ao homem, solidariza-se. Corre com ela, ó Hollande, como fizeste com a Ségolène!

Se não corres, não és homem não és nada.

 

17.6.12

 

António Borges de Carvalho

DA INDIGNAÇÃO

 

 

Nestas andanças electrónicas, e não só, damos conosco perante uma espécie de “movimento” informal criado por milhares de descontentes para quem, mais que encarar a realidade objectiva dos nossos dias, há que ficar pela simples condenação dos que acham culpados de todos os males que nos afligem.

Culpados haverá, mas nada se combate se gastarmos todas as nossas energias a odiar o que se combate.

Depois, há a generalização. Os “combatentes” pegam em exemplos, muitos deles “exemplares”, daí partindo para a classificação de tudo e mais alguma coisa como sendo parte do problema.

E ainda, o “remédio”. O remédio consiste em classificar tudo e todos que de algum poder disponham. São todos iguais, maus, ladrões, corruptos, mentirosos, safardanas. Correr com todos, prendê-los, aboli-los, sei lá.

A melhor maneira, pensa o IRRITADO, de proteger os maus, os ladrões, corruptos, os mentirosos, os safardanas, é dar-lhes esta benesse: misturá-los de tal maneira, que se percam no meio dos outros. Se assim são todos, assim nenhum o é!

É claro que os profissionais desta filosofia não fazem ideia do que quereriam a seguir a ter atingido os seus objectivos, sejam eles quais forem. Limpeza! Limpeza total, generalizada! Mais nada.    

Depois, depois, se calhar, é o caos. Daí a Fénix. Será?

Formam-se movimentos, primeiro mais ou menos informais, a seguir, que remédio, lá surgem os líderes. O discurso é fácil. Basta condenar! Depois logo se vê. Surgem os poujadismos, os partidos da ética e da moral (sinónimos repetidos à saciedade, a mostrar que os donos do pleonasmo não sabem lá muito bem do que falam), como o falecido PRD, ou outras coisas piores. Soluções, nem uma.

Do lado dos formais (os partidos) é mais ou menos o mesmo: o discurso fácil, se há males há culpados, o capitalismo, ainda melhor se for o “de casino”, os EUA, a dona Ângela, os laboratórios farmacêuticos, um exército de criminosos a que tudo o que é a odiada gente pertencerá. Soluções, nem uma. À excepção, é claro, da limpeza!

Como no tempo do Gonçalves. Partir os dentes à reacção e outros ditos imaginativos e inteligentes. Viu-se o que deu. Competências deitadas ao lixo, “fascistas” perseguidos, o dinheirinho, ou melhor, o dinheirão – havia-o por aí com fartura – foi-se para não mais voltar. Os “criminosos económicos”, fascistas por definição, tudo foi limpo. Numa palavra, foi-se a ditadura mas a democracia estava condenada a ir-se também. Por fim, hossana, aguentou-se. Mas o que estava estragado nunca se consertou.

Os partidos comunistas anseiam por voltar ao mesmo. T’arrenego!

O PS esbraceja, sem ideias, sem projectos, sem ponta por onde se lhe pegue. Cada dia que passa, a sua “obra” fica mais à vista.

Pode ser que a desgraça em que estamos metidos não tenha solução que não seja ir de mal a pior. Mas, se houver outra, não andará longe do caminho que isto vai seguindo. É mau? É péssimo. Mas venham os protestantes, os indignados, os políticos comunistas, os do PS, os comentadores dos jornais e da net, dizer, então, como é. Venha o bispo Januário bojardar porcarias. Venha quem vier, mas diga como deve ser. Para alem de parlapaté populista, para além das omeletas sem ovos.  

Quem quererá separar o trigo do joio? O remédio seria possível. Mas onde está a Justiça, que manda destruir provas, que mete os pés pelas mãos, que se entretem em tricas sindicais e em guerras intestinas, que não quer pagar nada e só quer que lhe paguem? Enquanto a Justiça for o que é, enquanto der os espectáculos que dá, então fomenta-se a razão dos comentadores catastrofistas, inquisitoriais e irrealistas.

Quem quererá, quem será capaz de pôr a Justiça na ordem?

 

14.6.12

 

António Borges de Carvalho

CRISE DE AUTORIDADE

 

Uma criatura que dá pelo nome de Januário conseguiu, sabe-se lá porquê, chegar a altas posições em duas organizações em princípio respeitáveis: a Igreja Católica e as Forças Armadas.

Na primeira, é bispo. Na segunda é Capelão mor, brigadeiro, ao que me disseram.

Um profissional no activo, tanto numa como noutra. Dois chapéus, duas missões, nenhuma delas política.

Tal indivíduo resolveu, por benesse de uma televisão qualquer, vir esgrimir opiniões políticas de uma forma o mais desastrada possível, ofensiva, primitiva, incongruente e espalhafatosa. Um parlapaté miserável.

Nem um nem outro dos seus chapéus lhe permite meter-se em política, muito menos em politiquice idiota e repenicadamente primária.

Por conseguinte, no que respeita às Forças Armadas devia o respectivo Chefe tê-lo mandado para casa sem mais explicações. Sem, sequer, lhe mover um processo disciplinar. Flagrante delito, julgamento sumário, aplicação imediata do regulamento de disciplina militar. Porém, nem julgamento houve, sendo suposto, por este e outros sinais, que deixou de haver regulamento, deixou de haver disciplina e que o Chefe é capaz de ser decorativo.

A Igreja, essa, se tem cadeia de comando, não se vê qual, ou onde estará. Uma entidade que proclama ser sua missão salvar almas e fomentar a caridade cristã, fica muito quietinha quando um dos seus “príncipes” produz, publicamente, brutais asneiras e cavalidades.

Como querem que este país entre nos eixos se a Justiça é o que é (um bando de sindicalistas) e se gente que se julgaria guardar ainda alguma autoridade interna dá espectáculos deste calibre?

 

10.6.12

 

António Borges de Carvalho

UM ANJO

 

Do Eden tudesco, onde altas almas campeiam, desceu sobre nós, angélica, pura, casta, misericordiosa, a figura insigne desse espírito de eleição que se chama Constâncio. Sursum corda!

Abrangente, constante, firme, formoso, cabelo pintado de preto a fim de se confundir com a humanidade, qual bíblica e inspiradora pombinha, lançou sobre nós, pobres, incautos e ignorantes mortais, a luz esclarecida e esclarecedora da sua formidável sabedoria.

Ele que, inesquecivelmente, soubera inspirar a Nação com a manufactura de um conveniente e putativo orçamento - base e ânimo do saudoso governo do hoje filosófico emigrante que, em Paris, ilumina as almas gaulesas com o brilho da sua presença – desceu a visitar este jardim, assim nos honrando, inspirando e iluminando.

 

E disse de sua justiça aquilo que aos vis quão infelizes ex-súbditos do glorioso parisiense, vítimas de endémica ignorância, jamais tinha ou teria ocorrido.

É que, afinal, o Banco de Portugal, dirigido pela sua gigantesca figura, não sabia de nada do que se passava no BPN, ainda menos no BPP!

Ele havia por aí, é verdade, vozes maldosas e desconfiadas a tecer aleivosias e a fazer denúncias. Mas a ilustre nacional instituição não ligava a aleivosias ou denúncias, por isso não tinha que saber de nada. Não era da sua competência!

Vozes de tolos não chegam ao céu, o angélico Constâncio não tinha poderes investigatórios, não tinha nada que suspeitar, as contas que lhe apresentavam estavam certas, havia contabilidade escondida em Cabo Verde e na casa de banho do Dr. Loureiro, como havia o regulador de regular? Os maus pagavam juros acima da média, os maus faziam negócios duvidosos, os bancos estavam sujeitos a regulação, tudo isso é verdade, mas como podia o Constâncio saber? Ele não é polícia, pelo contrário, paira nas zonas etéreas onde só os escolhidos têm lugar, longe, nas plagas esotéricas onde só acedem os iniciados e a que os mortais não sobem.

 

Obrigado, ó Constâncio, pela luz do teu espírito, pela nobreza do teu pensamento, pela inatacável lógica da tua nobre posição. Eu te saúdo ó maravilha fatal da nossa idade! Em nome dos ignorantes, dos néscios, dos desconfiados, dos parvos, que somos todos nós, eu te saúdo e te agradeço!

 

Nada melhor que o 10 de Junho, dia da Pátria, para esta singela homenagem ao teu saber. Só é pena que não tenhas sido condecorado nesta ridente data, certamente por seres um anjo. É que os anjos não se condecoram. Veneram-se.

    

10.6.12

 

António Borges de Carvalho

AD HOMINEM?

 

O IRRITADO  tem sido espicaçado por vários críticos para se pronunciar sobre o Professor António Castelo Branco Borges, bem como sobre o “caso” Dias Loureiro.

Dizem que o IRRITADO só critica o socialismo em geral e o Pinto de Sousa em particular, que é um PPD invetrerado, que está feito com o governo, que não não é “independente”, para só citar os que se lhe dirigem em termos minimamente cordatos.


É facto que o IRRITADO, como já explicou várias vezes, não é independente. Tem ideias, procura ser coerente com elas e orgulha-se disso. Não é independente delas. Em relação a partidos, sim, é independente. Em relação ao governo também, ainda que considere que, com as suas fraquezas, este governo é, de longe, o melhor que a democracia noa pode dar, aqui e agora.


Posto isto, vamos ao Professor Borges.

Não tenho a honra de conhecer o dito senhor. Mas, de longa data, tenho tido oportunidade de conhecer as suas ideias e de ter algumas noções sobre a sua carreira e a sua pessoa. Foi capa das mais prestigiadas revistas de gestão deste mundo. Foi professor, depois reitor da mais célebre escola de gestão da Europa, tem altíssima “cotação” internacional, está muito acima da esmagadora maioria dos seus pares, desempenhou cargos ao alcance de poucos, e até, imagine-se, deu com a porta na cara da dona Christine Lagarde quando esta o chateou.

A alcateia anda para aí aos urros, que o homem quer baixar os salários às pessoas, que quer pôr tudo a morrer de fome, que quer transformar os portugueses em chineses, sem segurança social, sem saude pública, sem nada, que é um factotum do mais tenebroso capital, etc. e tal.

Porquê? Porque o homem disse a seguinte frase: “A diminuição de salários não é uma política, é uma urgência, uma emergência, não pode ser de maneira nenhuma uma perspectiva de futuro”.

Diga-se que o Professor António Borges não tem um “talento” político por aí além, isto é, diz o que pensa, não o que é mais conveniente a cada momento. Não fraseia o que diz de forma a que não possam pegar-lhe na palavra e torcê-la “à maneira”, a fim de pôr a malta a acreditar que ele disse o que não disse, aliás em nítida demonstração do que é uma das mais importantes qualidades do nosso “jornalismo” e do comentarismo do correcto: torcer a verdade sempre que tal seja excitante, trepidante, e venda jornais.

Leia-se o que o Professor disse: que a descida dos salários não é coisa que se deva encarar como política a seguir mas que, na situação de emergência em que a sociedade portuguesa se encontra, acabará por, inevitavelmente, acontecer. Quando a oferta é superior à procura, os preços baixam. Negá-lo seria, mais do que irrealista, estúpido. Disse mais. Disse que não é coisa que se encare como “perspectiva de futuro”, o que quer dizer que não defende baixas de salários para além do que já houve (no Estado), bem pelo contrário, considera que vão acontecer dado o estado das coisas, mas que não são nem podem ser coisa do Estado.

Compare-se o que o senhor disse com o que disseram que ele disse. Depois, digam-me quem tem razão: o Professor Borges ou os jornalistas, os comentadores ou o inevitável Presidente Cavaco.

 

Agora o Dias Loureiro.

Que se saiba, veio dos confins da província para Coimbra, tirou lá um cursito e acabou por desaguar em Lisboa, ministro do Doutor Cavaco sabe-se lá porquê. Rapaz esperto, talentoso, depressa se deslumbrou com a cidade, com esta mole de gente e de oportunidades, conheceu este mundo e o outro, movimentou-se por aí, não deixou má fama como ministro e, passado o governo, lançou-se a explorar as relações que tinha sabido cultivar, movimentando-se com à vontade em mundos em princípio mais ou menos vedados a tipos como ele. Muita gente assistiu à sua ascensão, muita gente disse “este gajo um dia espalha-se”, gente que o tolerava com bonomia q.b., com simpatia em doses, às vezes com amizade. Espalhou-se mesmo. Meteu-se na geringonça do BPN e da SLN, fez umas operações pouco claras ou muito escuras, arranjou um alçapão na casa de banho para esconder papéis e, como é sabido, acabou por ser corrido do Conselho de Estado e por andar por aí, mais ou menos à socapa, a ver se não dão por ele.

Muita gente se interroga porque há-de ser o Oliveira o bode expiatório de tudo e mais alguma coisa, e porque ninguém toca no enxame que por lá andava, diz-se com foros de verdade, a sacar à tripa forra.

E não é tudo. Quem vai às canelas do Constâncio, que tudo patrocinou? Quem se atira ao Teixeira dos Santos que, só à conta do BPN, fabricou o maior buraco público de que há memória? E o Pinto de Sousa, não tem nada com o assunto?

 

 

Dias Loureiro deveria ser investigado e, com ele, essa malta toda. Nem todos serão culpados. Mas alguém, Dias Loureiro possivelmente incluído, devia pagar com a liberdade os milhares de milhões que desapareceram do orçamento sem mais nem menos.

 

Para os que andam a chatear o IRRITADO por causa dos senhores acima referidos, aqui fica, preto no branco, o que o IRRITADO pensa.

Não estarão de acordo, mas com o vosso acordo o IRRITADO não conta, nem dele precisa.


Boa noite.


8.6.12, às 00.30

 

António Borges de Carvalho

LIXO, PRECISA-SE

 

Uns rapazes, negociantes de lixos ditos perigosos, vieram queixar-se publicamente da falta de matéria-prima para o seu nobre mister.

É que, dizem, andam para aí uns malandros a fazer concorrência desleal. Por outro lado, acham que há fulanos que guardam o lixo, não se sabe bem para quê, em vez de o entregar a quem de direito.

Gravíssimo problema, pensar-se-á. Mais gente para o desemprego, os industriais do lixo falidos, uma desgraça!

Mas não é bem assim. E tanto não é que os lixadores andam a exigir à administração pública mais cinco aninhos de contrato. Ora se, dada a falta de lixo, a coisa não é viável, e se estão a perder dinheiro, diria a mais elementar lógica que, com mais cinco anos a perdê-lo seria uma catástrofe. Ora como os lixadores, que se consideram lixados, não são uma associação de caridade, o que isto tudo quer dizer é que arranjaram um bom pretexto para ir ganhando umas massas durante mais cinco anos. Genial, não é?

 

7.6.12

 

António Borges de Carvalho

NAS MALHAS DA PREPOTÊNCIA

 

O Professor Crato cometeu mais um crime, dos muitos quem lhe vêm sendo assacados pelos acusadores de serviço.

Antes de mais, teve o desplante de fazer um despacho sem consultar previamente o bigodes do PC e as suas hostes. Coisa nefanda e censurável, a raiar o estilo do Estado Novo. Isto, quanto ao processo.

Quanto ao conteúdo, que quer o tal Crato? É simples: dar créditos horários a quem provar merecê-lo, deixando a coisa de ser automática. Um escândalo!

Depois, diz o Crato, é preciso dar mais autonomia às escolas, que passarão a poder actuar mais segundo as necessidades dos teatros lectivos em que estão integradas, e menos segundo as rígidas normas do poder central. Uma desgraça!

A malta, que grita há anos por mais autonomia, só aceitava a autonomia que bem entendesse, não uma autonomia que parece ir prejudicar o automatismo dos euros a que têm “direito”, fazendo-os depender do desempenho das escolas, dos alunos e, é claro, dos destinatários finais dos créditos horários. Uma horrível injustiça.

Segundo o bigodes, as horas são de quem tem direito a elas, como é evidente, nada tendo a ver com desempenho dos professores ou a autonomia das escolas.

 

Somos levados a crer que, só quando o Jerónimo for primeiro-ministro, o Louça ministro-adjunto e o bigodes ministro da educação, a coisa entrará nos eixos e os euros nos bolsos de quem tem direito a eles, não é?

 

7.6.12

 

António Borges de Carvalho

ELOGIO DA CORRUPÇÃO

 

Aqui há anos, o IRRITADO leu, de uma filósofa francesa, uma obra que tinha por excitante título “Éloge de la Corruption”*.

A senhora quereria provocar a curiosidade do público sobre a sua obra. Com justiça e sucesso, na opinião do IRRITADO.

Não se assustem. Entre outras matérias, o livro põe em confronto a corrupção propriamente dita com as formas que o politicamente correcto, ou a “moral” dominante, adoptam para, soit disant, a combater. Isto para concluir que muitas vezes são mais corruptas tais formas, pelo menos do ponto de vista dos princípios do estado de direito, do que a corrupção ela mesmo.

 

Gostamos sempre de ler o que vem ao encontro do que pensamos. Foi o que aconteceu ao IRRITADO.

Posta esta “declaração de interesses”, vamos ao que importa.

 

O DN de ontem apresentava ao povo um senhor, de seu nome Morais (coincidência?), nada menos que vice-presidente de mais uma protuberância da nossa inteligentsia, a Associação Transparência e Integridade, certamente formada por altíssimas e inquietas figuras, prenhes de fervor e de princípios.

Alvo do senhor, o Parlamento. Nada de original, já que se trata, por excelência, do bombo da festa .

Começa o Morais por afirmar que “o Parlamento é um escritório de representação de empresas”. E não se fica sem apontar o dedo. Diz ele que o senhor Frasquilho (PSD) “trabalha na área da banca”, que o senhor Nunes (CDS-PP) “colabora num escritório de advogados ligado à EDP, que o senhor Pinto (PSD) é nada menos que “consultor de empresas ligadas também à EDP”. E acrescenta que o senhor Isaac (CDS-PP) “tem negócios em empresas ligadas ao sector agrícola”. A não ser a este último - que o Morais acusa de, via ministério da agricultura, “atribuir subsídios a empresas de que eles próprios (não se sabe quem são os outros) são gerentes” -  nada de concreto refere.

 

Duas pequenas observações:

- Os três primeiros são acusados de coisa nenhuma a não ser de ser quem são ou o de fazer o que fazem na “vida civil”;

- Em relação ao quarto o Morais lança uma acusação sem especificar e insinua que há outros culpados;

- Todos os “acusados” são deputados da maioria.

 

Daqui se conclui que:

- Os senhores que tanto excitam a tão preclara indignação do Morais, ao cero, são culpados de coisa nenhuma. São maus porque são o que são, não por ter praticado qualquer malfeitoria.

- A “corrupção” é exclusivo do centro e da direita, sendo a esquerda constituída por impolutos e moralíssimos cidadãos, que não podem nem devem servir de exemplo ao senhor Morais

 

Mas há uma luz ao fundo do túnel! É que, concede o nosso homem, há “deputados honestos”. A estes, a soberana autoridade moral do Morais atribui a alta missão de “separar as águas”. Ora como não andam, no Parlamento, uns tipos a separar as águas com um rodo gentilmente fornecido pelo Morais & Cª, hemos de concluir que, afinal, não há deputados honestos. O que nos dá a medida da alta inteligência do Morais e da profundidade da sua moral.

 

Indo um pouco mais longe na exegese do pensamento do Morais, vemos que ele, à la limite, acha que, para se ser deputado é preciso nunca ter feito nada na vida, não ter trabalhado ou não trabalhar em qualquer empresa e, para levar a coisa aos píncaros, o deputado deverá, de preferência, ser analfabeto ou coisa parecida.

Pensando bem, pensando à la Morais, como pode um diplomata ser membro da comissão de negócios estrangeiros? Como pode um engenheiro civil pertencer à comissão de obras públicas? Como pode um militar ter assento na comissão de defesa? Um médico na comissão de saúde? Corrupção! Crime! Um horror.  

 

O IRRITADO sabe que quem faz o favor de o ler é capaz de estar a pensar que ele é membro da classe dos corruptos e defensor da sua actividade.

É devida uma explicação.

Numa sociedade civilizada, se alguém tiver conhecimento de um crime, v.g. de corrupção ou análogo, deverá informar quem de direito. Quem de direito investigará. Quem de direito acusará. Quem de direito julgará.

Dir-se-á que há casos que, merecendo atenção, não integram o conceito, ficando-se por aquilo a que se poderia chamar “ilícitos políticos”, atitudes politicamente censuráveis, mas que não são do foro judicial. São política, não corrupção. Corrupção é crime que se pune criminalmente. Os “ilícitos políticos” punem-se politicamente.

 

Ora os “morais” da nossa praça, verdadeiros torquemadas do século XXI - para dizer o mais suave – são a vera face da mais grave corrupção, que é a corrupção do espírito.

Quem é o senhor Morais? Que autoridade tem para lançar anátemas e acusações? É ministro dos aiatolas? Se o senhor Morais tem elementos concretos para acusar quem acusa, que vá à polícia, ao PGR, que publique e document o que sabe nos jornais, que faça qualquer coisa de legítimo! E que faça o favor de perceber que é um tipo como outro qualquer, a quem nada nem ninguém conferiu o direito de se armar em juiz, em denunciante sem ter nada para denunciar, em bufo, em, em…

 

Para os verdadeiros corruptos não há nada melhor que os Morais cá do sítio. Estes, como andam para aí a atirar o barro à parede, barro que não cola, nem deve nem pode colar, acabam por se tornar nos grandes encobridores da corrupção.

Nada melhor para a corrupção e os corruptos que a floresta de confusões que esta gente cria, sítio ideal para a se esconderem atrás das árvores.

 

7.6.12

 

António Borges de Carvalho

 

 

* Marie-Laure Susini, Éloge de la Corruption, Fayard 2008

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