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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

NOTINHAS PARA AS FÉRIAS

  

Aqui há dias, o IRRITADO almoçou com uns brasileiros, gente “da alta” lá do sítio. Como é natural, a necessidade de fazer conversa levou a considerações várias sobre as formas diferentes de falar português em Portugal e no Brasil. Veio à baila, como não podia deixar de ser, o repugnante Acordo Ortográfico.

O IRRITADO entrou com aquela dos espetadores em vez de espectadores. E disse que não queria ser como os brasileiros, que andam a espetar em vez de ver, ou assistir. Isto provocou uma risada de espanto. É que, disseram os brasileiros, lá na terra deles, como cá antes do acordo, se escreve espectador e se diz espectador com o E bem aberto e o C claramente pronunciado. O que quer dizer que por cá, quando se trata de asnear, somos os maiores!

No seguimento da conversa, ficou o IRRITADO a saber que, no Brasil, a começar na classe AAA e a acabar na ZZZ, não há uma só alma que, em relação ao AO, ponha sequer a hipótese de o pôr em prática ou de o respeitar. E a grande maioria nem sabe que tal coisa existe.

Anda este país a gastar fortunas em novas gramáticas, novos livros escolares, novos dicionários, etc., por causa de uma porcaria que não vale a ponta de um corno, até para aqueles teoricamente beneficiados com ela. Anda este país a vender aos africanos, aos timorenses, aos macaístas, o raio de uma palhaçada que nada lhes interessa, antes pelo contrário, já que escrevem português na versão portuguesa e se estão nas tintas para a estupidez dos nossos “linguistas”, dos nossos “académicos” e dos nossos políticos que se deixam levar por tretas do calibre do AO. 

Andam os alunos e os professores à nora sem saber o que fazer, e continua a haver uns pataratas a fazer propaganda “oficial” ao coiso.

 

*

 

Por falar na língua, ocorre comentar os infinitos, coisa maltratada por quase toda a gente, a começar por esse luminar da gramática que se chama Edite Estrela, a acabar no Saramago e no Lobo Antunes, percorrendo todos os livros, jornais, telejornais etc..

Numa palavra, trata-se do velho dito “os cavalos a correr, as meninas a aprender”, em novíssima versão: “os cavalos a correrem, as meninas a aprenderem”.

Passo a explicar. Em remotos tempos - quando ainda havia algum respeito pela língua - os infinitos pessoais eram usados em raras formulações sintáticas. Como, aliás, acontece em todas as línguas latinas.

Agora, é assim: “eles foram à bilheteira para comprarem os bilhetes” - um complemento circunstancial a concordar com o sujeito! “e tu Maria Adelaide a desistires na cama” (Lobo Antunes) – um infinito regido por preposição, com valor de gerúndio, no plural!; “vendem-se andares” – o verbo a concordar com o complemento directo, não com o sujeito (indeterminado, singular)! até o primeiro-ministro diz "que se lixem as eleições" em vez de "que se lixe as eleições".

 

a dona Telma Monteiro que, segundo o DN de hoje, chorou compulsivamente depois de perder um combate?

 

E os pleonasmos dos comentadores? “Eu pessoalmente”, “parece-me a mim”, todos os dias na televisão, às centenas, em todos os canais, ou canis.

 

Se o IRRITADO tivesse pachorra para ler, tim-tim por tim-tim, um só jornal que fosse, encontraria destas coisas às centenas, ou aos milhares.

 

Não há nada a fazer. Já ninguém sabe a sua própria língua.

 

*

 

Anda para aí um “escândalo” dos diabos com a história dos ricos. Parece que há um tipo que tem dois mil milhões, outro mil e tal, e uns tantos umas centenas.

O patarata cidadão fica a pensar que os tipos têm, género Tio Patinhas, cofres e cofres cheios de dinheiro, de preferência roubado. O leitor comum fica a digerir a ideia, repetida por toda a parte, do fosso entre ricos e pobres. Os incautos ficam a achar que os tipos não passam de uma corja de gatunos.

E, no entanto, os nossos milionários, se comparados, por exemplo, com os dos países nórdicos – para falar em países cheios de “justiça social” – são uns tesos, coitadinhos. Muito, muito tesos.

Há nisto vários equívocos que alimentam - de propósito! - a ignorância dos invejosos, que são quase toda a gente neste país de ignorantes.

Primeiro, os tais ricos não têm a massa na gaveta. Têm empresas, acções, patrimónios vários, coisas que, literalmente, não são o metal que tilinta em ignaras imaginações. Segundo, empregam pessoas que não têm, como eles, talento para criar riqueza. Terceiro, assim como nós estamos mais tesos, eles estão menos ricos. Quarto, o que eles têm, ou dominam, ou gerem, não tem nada a ver com o tal fosso na distribuição da riqueza, que é outro problema. Quinto, saquem-lhes a massa, distribuam-na pela malta, e vão ver onde a malta vai parar. Sexto, se os nossos mais ricos fossem tão ricos como os ricos suecos, noruegueses ou dinamarqueses, estávamos todos muito melhor.   

 

*

 

O “Expresso” tece loas à dona Isabel Moreira. Porquê? Porque a dona Isabel Moreira se demarca da “carneirada”, ou seja, dos outros deputados. Quer dizer, andar a asnear todos os dias é coisa óptima. Não interessa a substância do que a mulher faz. O que interessa é que faça coisas, boas ou más, que contrariem os demais.

 

*

 

Máximas do oco:

“Não fui eu, pessoal ou politicamente, que assinei o memorando”.

“O Sr. PM escolheu um caminho. Desejo-lhe boa viagem, mas vai sozinho”.

“O governo e a troica têm estado do mesmo lado e o PS está do outro”.

O rapaz Seguro afirma assim a sua magnífica pessoa. Primeiro, como não foi ele a pessoa que assinou, acha que a troica nada tem a ver com o PS. Faz lembrar uns ministros africanos que o IRRITADO conheceu. Segundo, acha que, como não assinou, os outros que se esfaniquem a cumprir o que o outro assinou. Ele está contra. Vão sozinhos. Vão lixar-se. Terceiro, como não foi ele que assinou, é contra. Ou seja, o Pinto de Sousa nunca existiu, o PS do Seguro é uma organização que nasceu com ele, o que ficou para trás era outra gente, em tempos em que a sua magnífica pessoa ainda não tinha vindo iluminar a Nação.

A isto se chama cobardia, irresponsabilidade, vazio mental, ou outras coisas muito piores.

 

*

 

Segundo o Diário de Notícias, o mais importante de todos os figurantes na abertura dos Jogos Olímpicos é PORTUGUÊS!

É que se diz que há um mulato, cujos avós consta terem sido portugueses e que, parece, ainda tem a nacionalidade. O dito apareceu intermitentemente durante sete minutos na tal coisa, a fazer não sei o quê, de chapéu de coco.

Fica recuperado o orgulho da Nação, tão mal tratado pelos seus improdutivos atletas. Somos ou não somos os maiores, hem?

 

*

 

(Paulo Portas) “não chama as televisões para protestar contra essa Cristas, criptossocialista que despreza a lavoura e está feita com os seguros e Seguros deste mundo?”

Esta frase basilar foi pronunciada pelo tristemente célebre Santos Silva. Pela primeira vez na vida o homem é capaz de ter razão. Não quanto ao Portas, mas a respeito da Cristas.

 

*

 

Por falar em Cristas, na crista da onda anda a promulgação da nova lei do arrendamento, coisa que vai dar uma pessegada de tal ordem que nem queiram saber.

Mais uma lei altamente socialista, produzida pela cripto senhora e asnaticamente adoptada pelo governo. A “filosofia” da coisa é a do costume. Quem pode pagar, paga, mas pouco, devagarinho e mediante um processo burocrático digno do Big Brother. Quem tem dificuldades não paga. Pagam os senhorios, coisa que andam a fazer há um século a esta parte. O Estado obriga-os a pagar, isto é, cabe aos senhorios cumprir o preceito constitucional que reza sobre o “direito à habitação”. E, como é evidente, os impostos aumentam sem ter nada a ver com resultados.

E ainda há quem fale em reabilitação urbana! Paleio de Rosetas e de Cristas. A reabilitação urbana não é para fazer, é um pretexto para expropriar e para cobrar mais impostos.

Aos senhorios, não ao Estado, compete pagar os direitos que a Constituição constituiu. Bonito!

 

*

 

Boas férias!

 

31.7.12

 

António Borges de Carvalho

DESONESTIDADE

 

Com o mesmo título deste post, o Doutor Vasco Pulido Valente escreve hoje no “Público” um artigo em que critica acerbamente as reacções políticas, sindicais e jornalísticas à célebre frase do PM “que se lixe as eleições”, classificando-as de “biblicamente estúpidas” e louvando a postura do seu autor.

A provar a viragem que a obscura directora do jornal operou na orientação política do mesmo, o artigo vem ilustrado com uma fotografia de Passos Coelho, isto é, quem der uma olhada acha que VPV está a chamar-lhe biblicamente estúpido, o que é, biblicamente, rigorosamente o contrário do que o homem escreve.

Parece que, quando alguém diz bem do PM, há que desvalorizar. Neste caso, de que maneira!

O IRRITADO está para ver quanto duram, como comentadores, VPV, JM Fernandes, etc…, até que se cumpra o objectivo da directora: acabar com tudo o que não cheire a esquerda.

 

27.7.12

 

António Borges de Carvalho

MENTE ORDINÁRIA E PERVERSA

 

O IRRITADO não tem poupado “elogios” à excelentíssima senhora deputada do PS dona Isabel Moreira.

Depois da miserável declaração política de que conseguiu, via queixinhas e parlapatices, fazer previamente gigantesca publicidade – a “informação” está sempre às ordens de gente deste calibre - a insigne criatura brindou a Nação com mais uma demonstração da sua esmerada educação, humanidade, bons sentimentos e sentido de honra: quando da aprovação de um voto de pesar pela morte do Professor José Hermano Saraiva, a miseranda intelectual teve o desplante, a ordinarice, a atitude reles de se abster.

Resta saber o que fará a rapariga quando o papá, que também foi ministro da ditadura, falecer. Abster-se-á?

 

27.7.12

 

António Borges de Carvalho

LIÇÕES DO MERCADO

 

A Nação tem vindo a assistir, tremendo de indignação, às notícias que dão conta dos salários oferecidos a licenciados e a outros profissionais “menores”, sendo os daqueles inferiores aos destes.

Não faltará quem pense: então andei eu a empurrar a minha filha para tirar um curso de psicologia geriátrica, e agora ou não lhe oferecem nada ou oferecem-lhe menos que à galdéria lá do bairro que é cozinheira? Então queimei eu as pestanas a tirar um curso de integração vertical de tendências publicitárias, e oferecem-me o ordenado mínimo? Então tirei um curso muito melhor que o do Pinto de Sousa ou o do Relvas, e sou posto de lado porque há um electricista que, contra mim, é preferido?

A vida, às vezes, dá terríveis lições a quem as não merece.

A demagogia “social” e “democrática” do 25 de Abril acabou com os cursos técnicos. Era preciso acabar com as “diferenças”, com as injustiças, com os abismos de oportunidades, que separavam o “povo” dos “fascistas”.

De um ponto de vista formal e politicamente correcto, as opções não estariam erradas. Mais ensino obrigatório, mais acesso ao ensino, mais alunos e… mais universidades.

O resultado, do lado bom, foi um alargamento nunca visto do número de alunos, o fim do analfabetismo, a extensão do sistema. Do lado mau, o facilitismo na formação de professores e, sobretudo, a monomania das licenciaturas.

 

No tempo da ditadura, de um modo geral, uma licenciatura dava acesso ao mais magnânimo e menos exigente – como ainda o é - de todos os patrões: o Estado. Os mais dos cursos acabavam por gerar técnicos públicos, fossem eles médicos, professores (com 4 anos de licenciatura e dois de “pedagógicas”, note-se), engenheiros, etc.. Era quase automático. Para a privada iam os que sobravam, os que tinham “ligações” e os bons demais, ou mais ambiciosos. Por outro lado, os cursos ditos técnicos, o comercial e os industriais, destinavam-se a preencher os lugares onde saber uma profissão era condição primeira. Acrescente-se que a nenhum diplomado num desses cursos “inferiores” ao dos liceus era negado o acesso à universidade. É o caso, por exemplo, do actual Presidente da República.

 

Abolidos os cursos profissionais e espalhada sobre o país uma autêntica diarreia de universidades e de cursos mais ou menos malucos, eis que uma brutal distorção se abate sobre as novas gerações. Foram convencidas da excelência de futuro que iriam buscar à universidade, de que passariam a “doutores” – coisa que acaba em Badajoz mas que a grei muito preza – sem que ninguém soubesse ao certo para que viriam a servir tais “doutores”.

O resultado está à vista. Acabado o poço sem fundo dos lugares no Estado, chegada a crise, tornado insustentável o “Estado social” – invenção do professor Marcelo Caetano, é bom não esquecer - restou o mercado com o seu realismo, talvez cruel, mas com uma autenticidade a que o “sistema” oferecido às gentes nem sequer vislumbra.

É evidente, dir-se-á, que há escolas universitárias de excelência e formados de excelência que encontram saídas cá dentro e lá fora. Mas não passam da excepção que confirma a regra.

Por isso que seja de uma naturalidade cristalina esta história “escandalosa” de haver “doutores” a ganhar menos que serralheiros ou armadores de ferro.

 

Como se sai disto, não me perguntem. A solução, se a houver, se alguém perceber os evidentes sinais que por aí andam e agir em conformidade, terá efeitos daqui a dez anos.

Entretanto… entretanto os novos “doutores” ou apendem a fazer alguma coisa, ou serão uma geração entregue à bicharada.         

 

23.7.12

 

António Borges de Carvalho

NATURALMENTE

 

 O Francisco Assis, rapaz inteligente e bem falante, veio dizer ao povo que será natural que o PS apresente Seguro como candidato a PM.

Veja-se o esfusiante entusiasmo com que as hostes do PS encaram o futuro. Será natural. Não é óbvio, não é desejável, não é entusiasmante. Só natural.

Tomem nota.

*

De tomar nota também é a última tirada do nosso geronte de estimação. Desta vez lembrou-se de achar que o governo devia ser entregue ao tribunal da Haia e, subentende-se, condenado a prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra, terrorismo ou outras matérias afins que integram, em exclusivo, as competências dito foro.

Em matéria de cómicos, passámos a ter um trio de excelência, e de excelências: Mário Soares, Alberto João e Sua Eminência o Januário.

 

22.7.12

 

António Borges de Carvalho

OSCAR MASCARENHAS

 

Caro Senhor Mascarenhas

 

Enquanto “provedor do leitor” do DN, diz V.Exa, e muito bem: as caixas de comentários são uma instância de diálogo, não podem (leia-se não devem) ser vomitórios de ódios ou de grosserias.

Por maioria de razão, os jornais também não!

A título de exemplo, agradeço leia o artigo do senhor Alfredo Barroso no mesmo jornal onde escreveu a frase supra.

Depois, se quiser, comente…

 

22.7.12

 

António Borges de Carvalho

GALEGADAS

 

Em tempos que já lá vão, o WWF (World Wildlife Fund) era uma instituição que, como o nome indica, se dedicava sobretudo à protecção das espécies selvagens. Para além disso, e por causa disso, com o objectivo de conservar e proteger os habitats e de interessar em tal as comunidades que sobre eles têm poder, o WWF tinha uma “estratégia mundial” para a Natureza. Era uma entidade séria, com preocupações científicas, sem cor política, muito menos com a pretensão de fundar uma nova ideologia.

Essa estratégia foi lançada em Portugal por Sá Carneiro em 1980, e seguida durante algum tempo.

Mas o futuro veio a colocar o WWF em sintonia com as correntes politizadas dos novos “ecologistas”, mais preocupados em vender moinhos de vento, fazer acções de propaganda, sacar dinheiro aos incautos, numa palavra em transformar a política ambiental num negócio como outro qualquer. Assim, o WWF transformou-se em mais um lóbi, como o Green Peace, o corpo político-“científico” da ONU e tantas outras instâncias da moda que colaboram activamente no declínio imparável da civilização ocidental. Entre nós, por exemplo, ficámos a dever a esta gente e à sua demagogia a perda dos milhões e milhões deitados ao lixo em Foz-Côa.

 

Tempos houve em que o Chairman do WWF foi o Doutor Lowden, oriundo da BP (horrível companhia!), ou o príncipe Bernardo da Holanda, suspeito, como é sabido, de antigas ligações ao nazismo.    

Mais tarde, S.M. o Rei de Espanha aceitou esse cargo e deu o seu patrocínio à organização, eventualmente não sabendo onde se estava a meter.

Aqui há tempos, S.M. participou numa caçada ao elefante, numa zona onde tal estava legalmente autorizado, onde a comunidade de elefantes não estava em perigo. As tropas do costume, em Espanha, não lhe perdoaram, ainda que o Senhor não tenha gasto um cêntimo do erário público na tal caçada.

Agora, o WWF anunciou a sua destituição. Ou seja, para a organização é óptimo que o chairman seja suspeito de colaboracionismo, mas é péssimo que tenha abatido um elefante, mesmo com toda a segurança ambiental, ecológica e legal.

Esta monumental, imoral, absurda e estúpida falta de respeito institucional, político e humano, diz-nos bem da demagogia rasca que impera no nosso mundo e que o está a levar a caminho do abismo. Um exemplo entre muitos.

É claro que Dom Juan Carlos, por mor da idade e da doença, ou por ceder a maus conselheiros, pediu desculpa por ter ido à caça. Fez mal. Devia tê-lo assumido com dignidade e distância. Há centenas de milhares de espanhóis que caçam as mais variadas espécies, dentro da mais estrita legalidade. Porque não há-de o Rei, nas mesmíssimas condições, caçar o seu elefantesito?

 

22.7.12

 

António Borges de Carvalho

O SOBRINHO

 

Nunca passou pela cabeça do IRRITADO ler um artigo (6ªfeira no DN) da dona Celeste Cardona. Nada de especial tem contra a dita, simplesmente jamais teve um título ou um destaque que lhe motivasse a curiosidade.

Na passada sexta, Cardona de férias, apareceu na página dela um “convidado”, palavra da Redacção: nada menos que esse luminar do esquerdismo que usa Alfredo Barroso!

Habituado a vê-lo por obra e graça da SIC Notícias e do inefável Crespo, o IRRITADO, que muito se irrita com o homem, as mais das vezes corta o som para não ter que lhe aturar as verrinas. Mas desta vez teve a curiosidade de ver o que escreveria tão desagradável criatura. Até podia ser que escrito fosse melhor que ouvido. Triste engano!

Eventualmente inspirado pela brilhante mente do bispo Januário, o homem não deixa créditos por mãos alheias.

Começa por se qualificar profissionalmente como Ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República, no célebre estilo do senhor que, orgulhoso do seu currículo, pôs no cartão-de-visita Ex-passageiro do paquete Funchal. Com uma diferença: é que este terá sido mesmo passageiro do tal paquete. Aquele, o nosso Barroso, nunca foi chefe da casa civil da Presidência da República, pela simples razão que a Presidência da República não tem casa civil: quem a tem é o Presidente. Compreende-se a aparente gaffe do articulista: é que o Presidente dele era o seu extremoso tio Mário Soares. Como é evidente, não ficaria bem a uma pessoa que passa a vida a dizer cobras e lagartos daquilo a que chama nepotismo, aparecer sem outro título de glória que não fosse o de ter sido, ainda por cima literalmente, nada menos que um nepote como outro qualquer. Um sobrinho profissionalizado.

Enfim, inferioridades a que cada terá direito, não vindo daí mal de maior ao mundo.

O pior é o resto. Começa por classificar o Doutor António Barreto – sem lhe citar o nome – como um famoso sociólogo outrora estalinista e agora ao serviço de um grande merceeiro. Este mimo, revelador da alta educação deste sobrinho profissional, inculca também a classificação do financiador da utilíssima Fundação Manuel dos Santos (Alexandre Soares dos Santos) cujo nome também não cita – com a chocarreira classificação de “grande merceeiro”.

Depois, ó inteligência, o homem vai ao que interessa: demonstrar que a ideia de mendigar um prazo mais alargado para o “período de ajustamento” das nossas finanças é património da esquerda! Não faltam vozes à direita a dizer o mesmo, mas o alargamento do prazo, na cabeça deste macacão é, certamente, como a democracia: coisa de esquerda. O IRRITADO não faz ideia se tal alargamento é coisa boa ou coisa má: tem lido e ouvido os argumentos, e não consegue ter uma opinião acabada. Mas tem ouvido e lido opinião favorável de muita gente que não tem nada a ver comos partidos comunistas, com oco Seguro, o Mário Soares, o sobrinho, et alia.

Quem, nesta altura, achar que a defesa do alargamento do prazo é o verdadeiro objectivo da triste arenga do triste Barroso, desiluda-se. Tal objectivo é o de “demolir” o ministro da economia, para tal se servindo de um livro que o homem escreveu, um “tijolo” nas delicadas palavras do Barroso, onde defendia coisas que ela acha ser coincidentes com as actuais teses “da esquerda”. É evidente que as citações do tal “tijolo”, que faz para demonstrar o seu ponto de vista, são evidentemente distorcidas, retiradas do conteúdo, abusadas, deslocalizadas no tempo, descircunstancialisadas – passe o neologismo - e cretina, insolente e pretensiosamente “interpretadas” pelo homem.      

 

Conheci o Barroso há mais de trinta anos, quando se deslocava, importantíssimo, nas rubras alcatifas do Palácio Real que a República usurpou e à altura “okupado” pelo tio. Usava uma peruca ridícula, primava por ser antipático, agressivo e arrogante e, como é de ver, achava-se o melhor do mundo. Em pessoa, nunca mais o vi. Até que o Crespo lhe deu a mão e o pôs a entrar cá em casa por via electrónica.

Absurdo defensor dos mais primários esquerdismos, surdo às mais evidentes realidades, em exclusivo motivado por ódios de pacotilha e, é de presumir, por diversas ordens de frustrações, Barroso é especialista em dislates e fanfarronadas.

Não merece comentários. Mas a irritação foi tal, que o IRRITADO não resistiu.    

 

21.7.12

 

António Borges de Carvalho

UM PALHAÇO

 

O IRRITADO já se referiu como devia às bojardas que um tal Januário, bispo e general, passa a vida a debitar, com a habitual cumplicidade dos chamados órgãos de informação. Metendo Alberto João Jardim num chinelo em matéria de dislates e insultos, este palhaço tonsurado envergonha a Igreja e estraçalha a dignidade das Forças Armadas.

Não se percebe, é de repetir, que, nem a Igreja Católica, nem as Forças Armadas, nem o governo, , tenham mandado o desbocado bispo/general dar uma curva.

Parece que os bispos, enquanto tal, dependem directamente do Papa. É claro que o Papa está longe de saber que tem entre os seus mais altos vassalos uma criatura tão baixa. Parece, no entanto, que os seus colegas portugueses têm a mais elementar obrigação de, pelo menos, informar Sua Santidade do que se passa.

Os militares, esses, dependem directamente das chefias e, indirectamente, do governo. Neste caso, o que impedirá as chefias, sem mais formalidades que a verificação da evidente, pública e notória falta de dignidade do Januário, de o expulsar de um corpo que passa a vida a desonrar? O que impedirá o governo de o mandar imediatamente para a peluda, como soldado raso na disponibilidade?

 

Não se percebe que se deixe, impunemente, um tipo destes insultar quem lhe apetece da forma mais soez e ordinária, seja o atingido o governo, a oposição, o regime ou o que quer que lhe passe na porcaria da cabeça.

 

Como o homem não se calou, o IRRITADO também não se cala. Que diabo, é mais bem-educada uma rameira do Intendente que este bispo/brigadeiro/palhaço da treta!

 

18.7.12    

 

António Borges de Carvalho

JORNALISMO NO SEU MELHOR

 

O jornal privado chamado “Público” ocupa hoje metade da primeira página com uma monumental fotografia dos manifestantes que, em São Bento, exigiram a demissão do ministro Relvas. Se morresse o Papa, o PR ou o CR7, se caísse uma bomba atómica em Telavive ou Nova Iorque, se o Estádio do Sporting ruísse, a parangona não seria maior.

O que se passou, afinal, para merecer tal tratamento “informativo”? O seguinte: cerca de 100 pessoas juntaram-se para dar uns berros contra o Relvas! Uma velhota a quem perguntaram porque é que no passado (entenda-se nos tempos do Pinto de Sousa) nunca tinham feito este tipo de manifestação) respondeu que “o passado é passado”, já não interessa. Estão a ver o género?

Quer isto dizer que o PS está a tentar adoptar a estratégia do PC. Como não consegue juntar multidões, faz acções que não valem um caracol, mas a que os órgãos de informação dão o “devido” destaque.

Os meus parabéns a esta malta. É de génio. Já viram a diferença, em trabalho, meios, organização, mobilização, etc., entre uma “grande manifestação” e meia dúzia de agentes especialmente treinados para umas arruaças? Já viram que, para a “comunicação social”, tanto faz pôr cem mil pessoas no Terreiro do Paço como mandar trinta mânfios insultar o PM, o PR ou algum ministro em Freixo de Espada à Cinta?

Se houvesse, na classe jornalística portuguesa um mínimo de honestidade e de respeito pelas pessoas, estas palermices, evidentemente não espontâneas e gritantemente comandadas, mereceriam três linhas na página sete. Ou seja, a “informação” trabalha afincadamente, não para informar mas para estar o mais que pode ao serviço da trampa.

 

Obs. O IRRITADO sabe que há quem vá ler este post como uma manifestação de apoio ao ministro Relvas. Antes do ataque que tal visão não deixará de provocar, o IRRITADO reafirma que, em sua opinião, o dito senhor devia retirar-se quento antes. Compreende-se, e é de elogiar que o PM tenha rebuço em o demitir por razões de amizade pessoal. Mas, se tal amizade é retribuída pelo Relvas, a iniciativa devia partir dela. O que está a fazer ao PM não é de amigo.

 

17.7.12

 

António Borges de Carvalho

DE PERNAS PARA O AR

 

 

Foi anunciado que a RTP, para além dos impostos que recebe, directamente, dos nossos bolsos e das receitas da publicidade, nos saca ainda, indirectamente, qualquer coisa como uns quinhentos milhões de euros por ano em “indemnizações compensatórias” vindas do erário público.

Perante esta notícia, o socialista João Soares, talvez inspirado pelo papá, declarou que privatizar a RTP “é um crime”.

Tem razão, mas de pernas para o ar. A RTP devia ser simplesmente fechada, o património vendido, o pessoal indemnizado e mandado para casa, uma ou outra faceta de serviço público entregues aos privados com mandato público. Neste sentido, privatizá-la é quase um crime. Deixá-la como está não o é quase: é-o cem por cento.

 *

Entretanto, o papá do João não está com meias medidas. Chegou à conclusão, se calhar por inspiração do Grande Oriente Lusitano, que “a maioria dos portugueses quer um novo executivo”. Está mesmo a ver-se, não está? Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, mesmo que não goste do governo, é capaz de perceber que tal coisa nos custaria muito mais caro do que o actual processo nos custa.

O papá não tem razão, nem de pernas para o ar.

Parece que, de inimigo do governo quer passar a inimigo público. Se é que ainda não passou.     

 

17.7.12

 

António Borges de Carvalho

ABRUNHOSA

 

O IRRITADO viu o Abrunhosa pela primeira vez em fotografia de jornal. O homem lá vinha escarrapachado, amarrado com correntes ao portão de um teatro que a Câmara queria entregar – em boa hora entregou – à exploração comercial.

Este tipo é parvo, pensou o IRRITADO com carradas de razão.

Em pessoa, o IRRITADO viu-o e ouviu-o, pela primeira e última vez, na passagem de ano 1999/2000, no Estoril, num palco ao ar livre. Achou piada à exibição. Este gajo é parvo, mas tem jeito para estas cantorias meio malucas.

Uns tempos depois, foi ao Porto visitar um casal de amigos - ela já lá vai, ele desapareceu da circulação – que vivia num magnífico casarão, julgo que do séc. XIX, na margem esquerda, com anexos para pessoal, garagens, um enorme jardim, relva a perder de vista, árvores centenárias, obras de arte, etc.

Disseram-lhe que, por razões que não vêm a propósito, iam vender a casa, ou melhor, que a casa tinha sido posta à venda e que já tinha aparecido um comprador. O IRRITADO não perguntou o preço, mas comentou que, para comprar uma casa daquelas, só um milionário, daqueles que, no Porto, há com fartura. Ao que lhe responderam que o comprador era nem mais nem menos que o conhecido badaleiro Pedro Abrunhosa.

O IRRITADO ficou de boca aberta. Esse gajo? Mas esse gajo é um esquerdista do caneco e, pela maneira como se faz aparecer, não deve ser o género de gostar de uma casa destas! E os óculos escuros? Querem mais piroso? O tipo será vesgo, ou é só parvo?

Foi então explicado que o dito rapaz é um “filho família” lá do Norte e que, julgava o casal, cultivava uma imagem pública que nada tinha a ver com o que ele, na verdade, era. E que ganhava bom dinheiro com as badalices.

Afinal o fulano não é tão parvo como eu julgava, cogitou o IRRITADO.

E nunca mais pensou no assunto.

 

Até hoje. O inigualável “Expresso” abriu uma secção de entrevistas com personalidades da “cultura” parangonando uma data de fotografias da criatura, todas elas a provar à saciedade que, afinal, o tipo é mesmo parvo.

O feroz esquerdista, estranhamente, diz que, para estar informado sobre política, lê o “Economist”, "em viagem", mas que não sabe o nome dos articulistas que o deliciam. Notável afirmação. É que, como sabe qualquer alma que folheie a revista, os artigos nela publicados não são assinados. Ora se o Abrunhosa falasse verdade sabia que não sabia os nomes dos ditos e não precisava de se desculpar! Prova provada que o que o parvo queria dizer era a) que lia inglês e b) que tinha preocupações intelectuais, as quais satisfazia com a leitura do “Economist”, coisa que, evidentemente, jamais leu. Em boa verdade, não se entenderia que este luminar da nossa cultura e da nossa esquerda se cultivasse com uma revista liberal como há poucas. A não ser que quisesse informar-se sobre a argumentação do inimigo!

A entrevista, valha a sinceridade, põe a nu o tal Abrunhosa de que falavam os meus amigos lhe iam vender a casa.

O homem vendeu boa parte da sua carteira de investimentos em 97, quando começou a cheirar-lhe a crise, via consulta da imprensa, “em Nova Iorque”. Não diz o valor, mas confirma que era de molde a causar-lhe “preocupação”. Não fala no que factura porque prefere “que isso fique reservado”. É normal: segundo diz, tem uma relação conflitual com o fisco.

No meio de uma prudente confissão de fortuna, Abrunhosa continua a defender a “Revolução”, com “cabeças de fora”, “quantos corpos no porão”, coisa que o leve - e às massas, presume-se – a “ser dono do Cristo-Rei”.

Entretanto, como a revolução teima em não vir, o homem, que “investiu no imobiliário” está agora mais virado para “produtos financeiros tradicionais”.

Fiquemos por aqui, embora muito mais lições se pudesse tirar da entrevista. Um esquerdista exemplar!

 

Aos leitores o desafio de tentar perceber se o homem é parvo ou não, ou até onde é parvo e desde onde deixa de o ser.

 

15.7.12

     

António Borges de Carvalho

14 DE JULHO

 

14 de Julho é, como toda a gente saberá, a data da célebre tomada da Bastilha, em que bandos de arruaceiros, com o pretexto de libertar o “povo”, mataram os aristocratas gatunos e os gatunos não aristocratas que lá estavam presos – “povo” havia lá pouco ou nenhum – num incêndio e explosão que, após conversações com o comandante da prisão, se tinham comprometido a não causar.

Com base neste vergonhoso acontecimento construiu-se uma história, falsificada mas triunfante até hoje, os franceses mataram-se uns aos outros durante dezenas de anos, e acabaram por construir a République, coisa que esteve na origem de muitos assassínios e desgraças, entre os quais o 1º de Fevereiro e o tristíssimo 5 de Outubro, tão falsificado entre nós quanto o 14 Juillet o foi, e é, em França.

Foi a via que escolhemos, isto é, que escolheram por nós os próceres da République, em vez de tentar evoluir para formas mais legítimas e mais limitadas de governo, como aconteceu com os anglo-saxónicos e com os que souberam imitá-los.

 

Nada melhor que este dia para homenagear esse inigualável guru do nosso triste e pouco esperto Seguro, o senhor Hollande.

O rapaz brindou a França com uma data de promessas que, ou não devem nada à inteligência, ou são impossíveis de cumprir. Igualmente a presenteou, e aos pategos da classe Seguro, com a esperança de vir a fazer frente às exigências da Frau Merkel.

Quanto às promessas, é o que se sabe: mais impostos, menos rendimentos, como não pode deixar de ser num país que não está na bancarrota mas já esteve mais longe dela. Quanto à famosa “política europeia” do homem, o que se vê é o dito nos gordos braços da senhora, aos beijinhos, disposto a tudo.

Quem fez frente à germânica senhora com algum resultado acabou por ser o senhor Monti, italiano esperto e convincente. A ele se atrelou o castelhano Rajói, a fim de, de rastos, cantar vitória lá na terra dele.

O senhor Monti, católico, moderado, longe da esquerda, tem sido um dos bombos da festa preferidos da nossa espertíssima intelectualidade: que não foi eleito, que não é legítimo, que é um lacaio do FMI, um servidor da Frau, um governante imposto pela finança internacional! Esta gente nem se lembra que, em Itália, há um parlamento eleito, que é o parlamento eleito quem legitima e apoia o senhor Monti e que o senhor Monti é, pelo menos por isso, impecavelmente legítimo.

Que interessa? O senhor Monti não alinha nas tropas da esquerda, por isso não presta, é um safardana e um ditador a soldo.

E pure si muove, dizia um seu compatriota, aliás muito maltratado. E o senhor Monti moveu-se, deixando a léguas os holandes e os nossos brilhantes intelectuais.

Não lhes servirá de lição, porque nada lhes serve de lição se não respeitar as cartilhas bacocas em que se inspiram e vegetam.

 

Um 14 Juillet cheio de marseillaises, de paradas, de folclore político e de glória holandesca, é o que o IRRITADO deseja, do fundo do coração, aos nossos pais intelectuais*, os ridículos franciús.  

 

14.7.12

 

António Borges de Carvalho

 

*T’arrenego!

O DIA MAIS FELIZ DA VIDA DELA

 

A santinha protectora dos deficientes sexuais, senhora deputada Isabel Moreira (é preciso não esquecer que mandou tatuar num dos frágeis bracinhos a data em que foi aprovada a lei do “casamento” gay), veio à liça com mais uma das suas grandes vitórias: o chumbo do fim dos subsídios de férias e de Natal em 2013, devido a sua iniciativa e de mais uns quantos socrélfios, para além dos inevitáveis PC e BE e do tão inevitável como inexistente “partido “Os Verdes”. O dia mais feliz da sua vida parlamentar, disse ela.

 

É evidente que o Tribunal Constitucional meteu água. Ou a coisa é inconstitucional ou não o é. Se é, é-o tanto em 2013 como em 2012. O artigo da Constituição que, para o Tribunal, justifica a suspensão da chamada “igualdade”, tanto justifica o corte em 2012 como em 2013. Então porque é usado só para 2012 e não para 2013? Ou não justifica, e então tanto não justifica num ano como no outro.

O mais chocante, porém, é o argumento que consiste em atender a uma ofensa do princípio constitucional da igualdade. Então o estatuto dos funcionários públicos também é inconstitucional, uma vez que dá a esses trabalhadores condições de que os demais não beneficiam. Os públicos e os privados são iguais? Valha-nos Santa Engrácia? Onde? Como? Se os doutos juízes queriam usar esse argumento (para 2013), teriam primeiro que integrar os funcionários na Lei Geral do Trabalho. De outra forma não há igualdade de espécie nenhuma. O argumento é falso.

Os ilustres e altíssimos magistrados, para duas realidades iguais (são a mesma!) utilizaram argumentos diferentes. Em 2012, o da necessidade, em 2013 o da igualdade. O que é justo num ano não o é no seguinte, ainda que seja a mesmíssima coisa, aplicada nas mesmas condições.

Tudo isto para glória e felicidade da dona Moreira, sinistra figura cheia de poder!

 

É claro que o problema é mais fundo do que o simples confusionismo do Tribunal ou a ânsia de protagonismo da dona Moreira e seus sequazes. O problema é uma Constituição que não tem nada a ver com o tempo que corre, nem com a sociedade a que se aplica, nem com a democracia propriamente dita, uma constituição que é fonte de imobilismo, de atraso, de paralisia social e económica. Uma Constituição que, se houvesse alguma sombra de escrúpulo democrático da parte do PS, há muito devia ter sido reformada, ou substituída. Mas o PS, como vem demonstrando desde a primeira revisão constitucional, tem andado sempre agarrado ao ilegitimamente programático documento, na mais reacionária e estúpida das posturas. Um (mais!)serviço que lhe ficamos a dever.

 

Acabe-se com as confusões. Acabe-se com a Constituição. Venha a IV República.   

 

13.7.12

 

António Borges de Carvalho

UM TIPO COM ESPINHA

 

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros não comenta nem alinha com a greve anunciada pelos sindicatos.

Diz ele: a Ordem “não se imiscuirá em matérias laborais, evitando assim leituras abusivas que poderiam conduzir a uma confusão de papéis”.

Esta asserção deveria ser esfregada na cara do fulano da Ordem dos Médicos. O enfermeiro bem podia explicar ao médico o que é uma ordem e o que é um sindicato. E daí, é capaz de não valer a pena. O politicão da Ordem dos Médicos deve saber bem que entrou em seara alheia ao meter-se em greves, coisa para a qual não tem sombra de competência, nem formal nem material.

Cada um é o que é.

O bastonário dos médicos é o que é.

E pronto.

 

13.7.12 

 

António Borges de Carvalho

O TERRÍVEL PROBLEMA DAS ALFORRECAS

 

O IRRITADO foi, desde a mais tenra idade, objecto de autêntica perseguição perpetrada por alcateias de alforrecas – hoje carinhosamente chamadas medusas – que o enchiam de picadas, borbulhas, inchaços, comichões e outros incómodos que levavam eras a passar. Ao longo do tempo foi aprendendo a sacudi-las, matá-las, esfarrapá-las, atirá-las para longe. Elas andavam por Sesimbra, pela Arrábida, pela Linha, um pouco ou um muito por toda a parte. A malta fugia delas, mas verdade é que o IRRITADO nunca deixou de tomar umas banhocas ou de ir à caça submarina por causa delas.

Havia anos, ou épocas, em que havia muitas alforrecas, outros em que havia poucas. Nunca ninguém se preocupou demasiado com o caso, para além de algumas mães-galinha, com malas cheias de cremes, anti-histamínicos e outras drogas, just in case.

 

Hoje, tudo é diferente. Não é são só as alforrecas passarem a medusas. É o terrível problema de haver (este ano, dizem) muitas por aí. O IRRITADO já não dá por isso, porque chegou à conclusão que o melhor das praias é umas cervejinhas nas esplanadas, a ver o mar e a gozar com o patético espectáculo da profusão de cuzes que se arrebimbam, nuzinhos, orgulhosos da rijeza ou do tamanho. A areia é uma chatice.

 

Será por causa dos cuzes que há mais alforrecas este ano? Não!

Segundos os investigadores “científicos”, de serviço em várias partes, a culpa é das alterações climáticas e da sua terrível antropogénese. Deve ser mais ou menos como segue: as alforrecas, chateadas com o CO2, desatam a procriar que nem umas doidas, a fim de vir para as praias chatear os cuzes; ora como o CO2 é produzido antes de mais pelos eflúvios gasosos produzidos pelos traseiros das vacas, depois pelas indústrias dos países que não subscreveram o protocolo de Quioto e, de um modo geral, pelo capitalismo internacional, há que acabar com as vacas, com a indústria, com o capitalismo e, acima de tudo, com quem não paga “direitos” de cabono! Evidente, não é?

 

Dado o exposto, haverá que concluir que as alforrecas, ao perseguir os cuzes da Caparica, estão a prestar um serviço de alta valia ao desenvolvimento sustentável, na medida em que os previnem contra os malefícios da humanidade, causadora e culpada das alterações climáticas.

 

Em nome da humanidade, O IRRITADO agradece.

Vivam as alforrecas!

 

13.7.12

 

António Borges de Carvalho

HERÓIS DO ESTETOSCÓPIO

 

Prossegue, com foros de grande coisa, a greve das batas brancas.

Titulava ontem o “Público”: Os médicos não trabalham para defender o serviço nacional de saúde.

A evidente iliteracia do jornalista, coisa normal na classe, fez com que a parangona fugisse para a verdade. O que o artista queria dizer seria “os médicos, em defesa do SNS, fazem greve”, ou coisa que o valha. Escreveu o contrário.

Com toda a involuntária razão. Os médicos fazem greve para ganhar mais, subir na carreira e na vida, etc. O resto é propaganda. Ninguém convence ninguém que deixar os doentes sem consultas nem cirurgias durante 48 horas é óptimo para o SNS. As pessoas até podem ter alguma simpatia pela classe mas, perante isto, percebem que o que os move nada tem a ver com a melhoria da prestação de cuidados.

Salazar deve estar aos pulos na cova, cheio de inveja: nunca, no seu tempo de corporativismo oficial, houve corporações tão fortes!

 

Só mais um pequeno apontamento: no meio da multidão de clínicos – entendendo que todos os que apareceram de bata branca o eram - andavam uns catedráticos, especializados em manifestações e greves. Por exemplo, o camarada Arménio, a dona Avoila, o hediondo dos bigodes e o espalhafatoso Garcia Pereira. Resta saber quantos mais do género por lá andavam de bata branca, desde os médicos da mesma especialidade até outros especialistas, tipo malta bem arregimentada, como a que anda aos gritos atrás do governo.

 

Quem não ficar esclarecido é porque não quer.

 

12.7.12

 

 

António Borges de Carvalho

EXPRESSIVA TRAFULHICE

 

No Sábado, em altíssimas parangonas, anunciava o “Expresso” que os professores das cadeiras que o ministro Relvas terá feito jamais lhe tinham posto a vista em cima. Uma importante acha na fogueira em que o Miguelito vai ardendo.

Afinal era tudo mentira! Nenhum dos interrogados pelo “Expresso” tinha sido professor, ou tinha examinado o homem. Os professores eram outros. Nenhum tinha dito coisa alguma ao extraordinário jornal!

Confrontado com a informação, o pasquim publica um comunicado a dizer que, no seu afâ de “informar” (as aspas são do IRRITADO) tinha consultado uns tipos que que jamais tinham sido professores do ministro.

Gostava de saber como foram feitas as perguntas aos tais tipos. É claro que de forma, ou a fazê-los dizer o que o “Expresso” queria, caindo na esparrela, destilando os seus pequenos ódios. Afinal, todos os inquiridos eram empregados da universidade que assim passa diplomas, e não querem ser confundidos com o patrão. Isto, apesar de, todos eles, terem idade para ter juízo e para ser responsáveis pela institução onde trabalham.

Depois ainda há quem diga que o IRRITADO é mau porque disse que a história das secretas era 80% fruto das guerrinhas entre o Balsemão e o Vasconcellos, ou porque acha que o suplemento de economia é uma manta de recados, ou até que os recados até na primeira página aparecem.

O senhor Costa (irmão do outro), ilustre director da publicação devia pelo menos demitir-se, como exige que o ministro faça, em vez de produzir comunicados sem pés nem cabeça, que outra coisa não fazem senão confirmar as suas trafulhices. Ainda por cima sem se retratar ou pedir desculpa!

 

9.7.12

 

António Borges de Carvalho

CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO

 

Senhor Primeiro-Ministro, Excelência

 

Tem o IRRITADO a maior das mágoas ao escrever-lhe esta cartinha.

Vossa Excelência é uma pessoa séria. O seu governo é um governo sério. Tem arrostado corajosamente com a atmosfera de guerrilha, ideológica e totalitária da parte de uns, estúpida q. b. de outros, com a contestação das corporações que acham que a austeridade é boa para os outros, com o ataque, a propósito de tudo e de nada, por parte de comentadores, sindicatos e opiniões diversas. Os seus ministros são também pessoas sérias e corajosas, e mesmo a super-ministro Cristas, com o seu socialismo “democrata-cristão”, apesar das asneiras que já fez não é má pessoa e até pode ser que venha a safar-se.

Posto isto, é natural que o objectivo desta seja defendê-lo, o que muito me honra.

Ora a manutenção em funções do seu amigo Miguel Relvas é, indiscutivelmente, fonte de descrédito para si, para o seu governo e para o país. Não entrarei em considerações sobre as pessegadas em que se tem metido, já glosadas com o maior dos gozos pelos seus inimigos e por muito boa gente que, não sendo sua inimiga, acha o que o IRRITADO acha.

Sejam quais forem as culpas ou não culpas do senhor Relvas, o facto é que não há uma só razão para o manter em funções. Que sejam amigos, muito bem. Mas a amizade pessoal não deve servir para segurar uma pessoa detestada e troçada por toda a gente, uma pessoa cujo “estatuto” se confunde cada vez mais com o do senhor Pinto de Sousa, quer dizer, é olhado como aldrabão e oportunista, não interessa se com razão (há tantas!) ou sem ela. Tem, também, dado mostras de similitudes de carácter com o Pinto de Sousa, o que devia abonar, imediatamente, em favor do seu regresso a outras funções, mais pacíficas, menos exigentes e menos expostas.

Dizem que o senhor Relvas é indispensável, em termos partidários. Permita, senhor Primeiro-Ministro que lhe diga que, mesmo dentro do seu partido, as mais das gentes anseiam por vê-lo – ao Relvas - fora do governo. Não queira, senhor Primeiro-Ministro, que seja quem for tenha contra si e contra o seu partido os mesmos argumentos que tinha contra o PS nos indignos e aberrantes tempos do exilado do seizième.

Há momentos na vida de cada um em que mais vale sacrificar um parceiro do que poder ser acusado de cobarde.

É, antes de mais, pela sua dignidade pessoal que lhe peço acabe com esta horrível situação, já que o causador dela parece não ter um espelho lá em casa.

 

Com os melhores cumprimentos

 

IRRITADO

 

8.7.12

 

António Borges de Carvalho

DA BAIXEZA DE ALTAS GENTES

 

Como é do conhecimento generalizado, um tal senhor Krugman tem sido, ao longo dos últimos tempos, uma espécie de guru pró-esquerda, antiliberal, feroz crítico de troicas & Cª, etc.

Muito bem. Está no seu direito, é intelectualmente respeitável, quer se siga quer não as suas opiniões, as quais está longe do IRRITADO atrever-se a discutir.

 

Há um mês ou dois houve, cá no sítio, umas universidades do Estado que resolveram distinguir o tal senhor com doutoramentos honoris causa. Doutoramentos por grosso e atacado, a revelar o respeito universitário português por tão insigne personalidade. Ou não?

Vejamos.

O homem veio, recebeu as becas, os bonés, as medalhas e demais parafernália das mui respeitáveis instituições, guardiões ilustres do saber pátrio. Houve discursos laudatórios, artigos nos jornais, transcrições, barulheira. Muito bem. Aceite-se sem comentários que o homem merecia tais e tão importantes homenagens.

A culminar a sua estadia entre nós, o Primeiro-Ministro recebeu o Doutor propriamente dito e teve com ele uma conversa que se estima útil para ambas as partes. Tanto que, publicamente, o senhor Krugman veio tecer algumas considerações elogiosas sobre o nosso político, o mesmo tendo sido feito em sentido inverso. Daqui se prova que os dois homens, garantidos pelo politicamente correcto como separados por um fosso ideológico intransponível, souberam conversar e apreciar as respectivas ideias e posições, se calhar não tão opostas como conviria à nacional e tão esquerdófila bem-pensância.  

 

Acontece que foram dados os direitos de publicação dos discursos produzidos durante os solenes actos de doutoramento a um dos académicos que tomaram a iniciativa de os realizar.

Naturalmente, querendo homenagear a publicação a que se propunha, o académico em causa pediu ao Primeiro-Ministro que prefaciasse a obra. Nada mais natural. Alguém que, não sendo do mesmo meio, nem tendo, supostamente, ideias parecidas com as do doutor Krugman, tivesse proeminência política e ideológica era a escolha ideal. Nada melhor que o Primeiro-Ministro, cujo respeito por homenageado é público e notório.

Aqui é que a porca torceu o rabo. Os magníficos reitores das universidades envolvidas nos doutoramentos (a UL, a UTL e a UN) recusaram-se a aceitar o tal prefácio. Tratava-se, segundo tão ilustres personalidades, de propaganda política e pessoal do Primeiro-Ministro e de quem para tal o tinha convidado, ainda por cima académico conhecido como militante do PSD e ex-ministro. O editor borregou pelas mesmas razões.

Ou seja. O gato ficou com o rabo de fora. A razão dos doutoramentos nada tinha a ver com o reconhecimento do trabalho do homem. Era, muito simplesmente, pelo menos nestas brilhantes cabeças, uma jogada política para pôr em evidência um intelectual que não partilhava das receitas em vigor e, por conseguinte, a coisa não passava de uma jornada de propaganda contra o governo. Tratava-se de mera política, e da má.

 

O tiro saiu pela culatra. O homem defendeu as suas ideias, mas, percebendo o que se passa, também defendeu o governo! Tanto trabalho, tanto dinheiro gasto e, afinal, o resultado foi nenhum, pelo menos em relação ao objectivo. A publicação do prefácio do senhor Passos Coelho seria a cereja no cimo de um bolo que tinha saído estragado! T’arrenego!, disseram os reitores.

Mas a lição ficou dada pelo novo triplo doutor.

Quem anda a fazer política não é ele, não é quem convidou o PM para escrever o prefácio, não é, no caso, o PM. De onde se poderia esperar política, ou politiquice, nada. De onde menos se esperava, lá veio ela: dos reitores, das universidades, do editor, tudo minha gente ao serviço da esquerda.

 

Bonito!

 

8.7.12

 

António Borges de Carvalho

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