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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

ANDAR PARA TRÁS


O Carlos, ciente da oportunidade, tratou de cavalgar a onda. Como nos tempos do camarada Cunhal, arranjou maneira de reunir sob a sua batuta os “trabalhadores”, os “patriotas”, “os católicos”, os “portugueses sem partido”, os “democratas”, etc.. Todos “unidos”, “o povo unido jamais será vencido”, bla, bla, bla.

A confessa intenção, com Cunhal, era evitar a todo o custo a implantação de uma democracia “burguesa” e erguer, na terra queimada, uma “democracia” “popular” à imagem soviética. Assim, pôs na rua hordas de trolhas e quejandos, que não percebiam nada do estavam a fazer. Tão só, na sua ignorância, davam largas a ódios baixinhos e sem sentido.

Cunhal não acabou por não vencer na rua. Mas criou uma onda que invadiu toda a política, que fez os partidos inflectir de tal forma que acabaram por embarcar, de uma forma ou de outra, na demagogia socialista de que é fruto a chamada “Constituição de República”, prolixa condensação de normas ideologicamente geradas, de imaginários direitos e, é bom não esquecer, desta coisa irrealista, paranóica e abstrusa que é o semi-presidencialismo à portuguesa.

É esse “programa constitucional” a origem primeira dos males endémicos da III República. Politicamente, o aborto semi-presidencial que confunde e anquilosa. Economicamente, um capitalismo socialista que misturou, mesmo quando queria fazer o contrário, a economia com a política, tirando ao Estado a capacidade de controlar o sistema económico – teria que controlar-se a si próprio!, gerou a evidente promiscuidade entre o capital privado e o Estado, com as desgraçadas consequências a que assistimos, deu asas a uma burocracia gigantesca, insuportável e paralisante, e a uma justiça cuja evidente degradação deriva directamente dos retorcidos conceitos constitucionais de independência e auto-gestão.

O caminho do regime para a exaustão não foi sentido, nem pelas gentes nem pelos políticos. A não ser quando já pouco havia a fazer.

De repente, os resultados directos e indirectos da filosofia do regime cairam-nos em cima.


Para além de tudo - dívida, défice, etc. - desgraça-nos a mentalidade que se nos meteu nas veias, cheia de “direitos” tortos, de oportunismos legais e oficiais, do convencimento que tudo nos é devido e nada devemos.

É este o nosso drama. É este o drama que o Carlos explora, cavalgando a onda do descontentamento e conseguindo apoderar-se de uma coisa que foi espontânea, ainda que errada e ineficaz: a manifestação do dia 15.

Desta vez o Carlos, vendo a mesma janela de oportunidade que Cunhal vira há trinta e tal anos, pegou no que era genuino e enquadrou-o. Como as “massas” que tem às suas directas ordens já não faziam impressão a ninguém, tratou de chamar as demais à rua, já que para tal se tinham "preparado": os mesmos que o Cunhal no seu tempo “convocava”. Carlos tratou do discurso, da organização, dos autocarros, das pancartas. Ameaçou-nos a todos (“se o governo não ouve a bem ouve a mal”), tomou conta da multidão. É de se lhe tirar o chapéu.     


Em resumo, um país que, como os saídos da tirania soviética, teria tido, e teria agora outra vez, oportunidade para avançar – como todos eles avançam – para formas mais evoluídas de filosofia de base, parece, pela mão dos Carlos da nossa praça, querer voltar a um passado tão perigoso quanto repugnante.


Eles não passarão. Mas o que tal nos vai custar!

 

30.9.12

 

António Borges de Carvalho

 

PS. A propósito do “correr com a Troica”, e coisas do estilo, cito:

É altura de começar a discutir o preço que teriam para nós tais alternativas. Estou cansado da conversa sobre os “cortes” por parte de quem, na verdade, não quer “cortes” nenhuns e tem como único sonho encontrar quem nos pague as contas, chamando a isso “solidariedade”.

José Manuel Fernandes, “Público”

PENSAR DUAS VEZES

 

Prepara-se afanosamente mais um surto de manifestações e greves. Embora grande parte dos intervevenientes sejam os mesmos, há diferenças de fundo entre umas e outras.


As manifestações, coisa em que o Carlos andava por baixo, já se contentando com uns comandos locais a chatear aqui e ali, vão ter outra gente que não as legiões que o PC comanda e a meia dúzia de penduras do BE. O PS, por trás da cortina, empurra uns quantos, e há muita gente farta disto que, sem precisar de empurrões, ameaças ou enquadramentos, alinha de boa vontade na turba-multa.

No que respeita aos últimos, é natural que assim seja, é natural que toda a gente esteja chateada com o que se passa. O que já não é tão natural é que as pessoas pensem que isto tem remédio, que se tirassem o dinheiro aos ricos se resolvia o problema, que há outra saída que não seja abrir mais furos no cinto, que a humanidade se divide entre os maus, previamente deterninados pela opinião mais primitiva e imediata, e os bons, que são todos os que protestam, por minoritários, “enquadrados” ou arruaceiros que sejam.


As greves, essas, são outra coisa. São os tipos que ninguém despede ou não pode despedir que vêm abusar dos seus direitos e cavalgar os demais, com o maior dos desprezos pelos seus concidadãos que sofrem e pelos problemas colectivos. O que conta é a barriga deles, e pronto.


*

Todos os esforços – vão durar anos! – para pouco servirão se, fora daqui, os mercados em geral (não os financeiros, os outros) não ressuscitarem e os manda-chuva da Europa não se deixarem de tergiversações.

Da nossa parte, trabalhar mais e ganhar menos ajudará, mas parece que ninguém está para isso, a começar por cima. Por outro lado, haverá que perceber que a Europa está mal, muito mal, e que se queremos arranjar dinheiro temos que o ir buscar às longes terras para onde fugiu. O que implica que, como no passado, Portugal se torne menos “europeu” e descubra um novo ultramar. Parece haver quem pense nisto, mas é um caminho longo e trabalhoso, como o foi outrora. Os mercados, os compradores, os que terão que pagar - não dívida mas produtos – estão para lá dos mares. Conte-se menos com a Europa e mais com eles.

É claro que pode haver coisas que ajudem. Descoberta de petróleo, ouro, diamantes, tecnologia de ponta, natalidade, emigração, etc. Tudo mais ou menos mirífico e de efeitos de longo prazo.

O que não se pode, ou não se devia poder, é cair em cima dos que, por muitos erros que já tenham cometido, prejudicaram gravemente a sua vida pessoal - como Passos Coelho, Gaspar ou Macedo, para citar só três -  para servir o país. Não colhe chamar gatuno a esta gente. É feio e não interessa a ninguém, antes pelo contrário. Ao fim de ano e meio de governo, quantas broncas já tinha havido com a malta do PS? Quantas houve em seis anos? Estes ficam-se pelo Relvas, e é uma bronquinha.


É de, pelo menos, pensar duas vezes.


28.9.12

 

António Borges de Casrvalho

A EDP, A GALP E O CUI

 

Uma hitorieta verdadeira.


Um cidadão recebe uma propaganda a dizer que a EDP passou a vender também gás natural. Como está a precisar de ligar o gás num sítio onde já tem electricidade, vai à EDP.

Após disciplinada permanência numa longa bicha, um fulano pede-lhe o número de contribuinte. Três segundos depois, o fulano lê o nome dele, a morada, o nº de telefone, o email, etc.. Afinal, sou muito conhecido cá na casa, pensa o cidadão. Depois realiza que está a papa toda feita para facilitar a vida ao Big Brother quando disso for caso.

O fulano, depois de saber ao que vinha o cidadão, fornece-lhe, gratuitamente!, um papelinho com um número. Comparando o seu número com o que está no olho do Big Brother, o cidadão vai comprar os jornais, senta-se numa pastelaria a beber uma bica e, acabada a leitura, volta à distinta EDP. Desta vez não teve que esperar muito. Chamado pela pantalha, dirige-se respeitosamente à menina número dez, dona de uma unhacas ciclópicas às riscas vermelhas e brancas.

Diz ao que vai. A menina olha-o com o maior dos desprezos e diz: “tem que trazer o CUI”. Meio aparvalhado, o cidadão, a pensar que o CUI é alguma catraca para lhe sacar uns cobres, confessa a sua fatal ignorância sobre a existência de tal coisa, bem como sobre que influência O CUI pode ter na sua vidinha.

“ O CUI é um número”, diz a gaja das unhas. “Então a senhora não conhece o meu CUI? Tem aí a morada...”. “Não sei nem tenho que saber, quem sabe é a GALP, e só podemos ligar o gás se soubermos o CUI”.

Estupidificado, o cidadão insiste. “Então se os senhores querem vender gás sem ter acesso ao CUI de cada um, como é que querem vender o gás? Então eu é que tenho que lhe mostrar o CUI? ”

A senhora unhacas começa a impacientar-se. Para encurtar caminho informa: “Tem que ir à GALP pedir o CUI. Depois, volte cá. ”Mas à GALP onde?” “Na loja do cidadão. Eles lá dão-lhe o CUI. Não há alternativa!”.

Ciente de que, com a gaja das unhas, não se safava, o cidadão fez das tripas coração e meteu-se no metro para os Restauradores. Teve a enorme felicidade de encontrar imediatamente o estaminé da GALP. Tirou a senha. A senha tinha o numero 35 e, na pantalha, estava o 79. O cidadão estremeceu. Já terá passado a minha vez? Não, não tinha. Era a pantalha que estava avariada. A chamada era feita aos gritos. Desta vez nem posso ir beber uma bica, nem há uma cadeira vaga para ler o jornal. Tenho que aguentar. Aguentou.

Do lado de cá, uma multidão suada e triste. A maior parte estava ali para pagar contas, em duas caixas, antes que lhes cortassem o abastecimento. Os outros, como o cidadão, esperavam por ser atendidos em quatro secretárias onde seria suposto imperar quatro meninas com uma Tshirt preta onde brilhava a palvra on, talvez roubada aos que estão on, na ZON. Das caixas, uma tinha um senhor a atender. A menina da outra devia estar em intervalo, a conversar com outras três, das quais, veio o codadão a saber, duas eram estagiárias. Deviam estar a trocar impressões sobre o serviço, não é? Depois, mais duas meninas das secretárias, uma a atender um cliente, outra a pensar. Passado um certo tempo, cheio de sorte, ouviu a menina que atendia chamar o 30 e os seguintes. Já tinham ido todos embora. Era assim chegada a feliz hora do cidadão. A menina, muito simpática, descobriu o CUI do cidadão num ápice. Que eficiência!, pensou o cidadão.

Depois, pensou mais: porque carga de água hei-de ir a toque de caixa outra vez para a EDP, se estas gajas também vendem gás? E a doce rapariguinha, passada uma longa e titânica luta com o computador, lá resolveu o problema.

Agora, é só esperar que venham uns tipos inspeccionar a instalação – o que poderá suceder em breve – e cobrar sessenta euros mais IVA. Além disso, é origatótio estar presente no local, por conta do cidadão, um “técnico especialista” em gases (será em gases do CUI?), o qual não se sabe quanto cobrará. Para já, tudo nos conformes.


Feliz, o cidadão voltou para casa. Tinham sido quatro horas altamente produtivas. Ia ter gás! Tinha dado com os pés na EDP! Tinha vencido o CUI dos gases!

Uma triunfante jornada para um português habituado a que os que estão atrás dos balcões tenham a missão de criar problemas em vez de os resolver.

 

28.9.12

 

António Borges de Carvalho

A COISA ESTÁ FEIA

 

Parece que a ministra da justiça, a propósito das buscas em casa de uns ex- membros do tenebroso governo socialista, disse que a impunidade tinha acabado.

Das profundezas das alfurjas do socialismo dito democrático, vários membros da organização que dá pelo nome de PS vieram proclamar a sua indignação. Como se o fim da impunidade, a ser verdade, não fosse uma excelente notícia. Como se, até ano e meio atrás, a impunidade não fosse a coisa mais natural deste mundo. Como se a impunidade do senhor Pinto de Sousa não tivesse sido a regra de ouro dos tempos negros em que o PS se entretinha a arruinar o país. Como se as provas que apontavam para os actos impróprios do referido cidadão não tivessem sido rasgadas, queimadas, deitadas fora. Como se as perguntas incómodas não fossem esquecidas e ninguém soubesse delas até que uns incautos magistrados se lembraram de as pôr preto no branco, ao mesmo tempo que diziam ter sido impedidos de as fazer. E por aí fora, num nunca acabar. É que, como dizia um alto demagogo da organização “quem se mete com o PS, leva”. E quem se meteu, levou. Aqueles com quem quem se meteu se meteu ficaram todos a rir.

O senhor Pinto de Sousa tirou um curso à balda, no meio das mais incríveis ilegalidades e aldrabices. E foi PM mais de seis anos. O senhor Relvas, tendo tirado um curso, talvez de favor mas dentro da lei, é objecto (e bem) de uma quase universal exigência de demissão. Ao Pinto de Sousa, quem exigiu a mesma coisa? Quem investigou, para além dos jornais?

No tempo do PS, para ir parar à cadeia era preciso, primeiro, ver a que partido pertenciam os suspeitos. É por isso que só estão na choldra os Oliveiras e Costas e os Duartes Limas (outros, se calhar, também deviam deviam lá estar). Importante é que, do PS, ninguém. O senhor Pinto de Sousa, esse, como um anjo, repoltreia-se em Paris.

Não admira que tantos altos camaradas do PS se insurjam contra a declaração da ministra, aliás expurgada do contexto, sobre o fim da impunidade. Se a impunidade acabar mesmo, onde vão parar os tipos do PS? Que se saiba,até hoje, não houve um só que condenasse as criminosas asneiras do senhor Pinto de Sousa! Pelo contrário, aceitam tudo e até elogiam. Como podem não estar histéricos com o fim da impunidade? Como se a impunidade não fosse a regra de oiro no seu ominoso tempo!

A histeria é má conselheira. Um canalha qualquer, ignara e desagradibilíssima criatura, chamou “protofascista” à ministra. A nossa senhora dos deficientes sexuais chamou-lhe ignorante, entre outros mimos. É natural. Quando a coisa começa estar feia, a melhor defesa é o ataque. Uns sábios, estes pêésses.

 

27.9.12

 

António Borges de Carvalho

...

BLÁ BLÁ

 

Se não fosse triste, esta dava para rir.

Uma alta funcionária da UE e ex-ministra socialista, dona Rodrigues, clama que “Há Outra Solução!”.

Óptimo!


Vejamos a tal solução, sic:

- aumentar a capacidade de exportação, mas sem liquidar o consumo interno

- reforçar a competitividade, com base nos recursos humanos e não na sua desvalorização

- reformar a administração pública, mas sem degradar os serviços sociais”


Obrigadinho, ó filha! És a maior! Estamos todos de acordo.

Já agora, poderias dizer como é que isto se faz. A malta agradecia.

 

20.9.12

 

António Borges de Carvalho

SEM SAÍDA?

 

A Alemanha andou à nora para absorver a RDA e fazê-la recuperar da desgraçada situação em que o comunismo a tinha deixado.

Não havia dinheiro que chegasse. Os défices do Estado cresciam, chegando a ultrapassar os 3% do pacto de estabilidade que estava nos tratados. Daí, a Alemanha baixou os salários, o IRC, tomou outras medidas de austeridade, tão ou mais duras que estas e protegeu as exportações. Tudo isto foi feito com o aval do Tribunal Constitucional lá do sítio. O resultado está à vista, não vale a pena descrevê-lo.

Diga-se que isto não serve de desculpa para algumas atitudes actuais do governo alemão, nem o IRRITADO se propõe desculpá-las, ou é esse o tema do post.

Por cá, os problemas são muito mais graves. O buraco, proporcionalmente, deve equivaler a cinco ou seis RDA’s. Não carece de demonstração. O governo tomou uma medida que, talvez pretendendo “imitar” as soluções alemãs, foi apresentada de forma canhestra e brutal. Poucos a entenderam e quase não há quem a defenda. O tribunal constitucional colabora activamente no afundanço do país. A desgraça fatal da nossa Constituição ajuda à missa.

O mais grave é que ninguém parece querer entender que o rendimento disponível tem que diminuir, mesmo sabendo que não há rendimento disponível, só empréstimos. Não há quem queira entender que as tão apregoadas pequenas empresas, que “dão” tantos empregos, as mais das vezes não passam de bares, restaurantes e coisas do género, desnecessárias e inviáveis. E, se não for o governo a encontrar outra solução, não há truta que a conceba.

Trinte e tal anos de socialismo constitucional, trinta e tal anos de democracia socialista - praticada pelo PS e não contrariada pelos outros – trinta e tal anos de “estado social”, a crédito de terceiros, trinta e tal anos de “experiências educativas” socialistas e “psicológicas”, eis o que nos fizeram. Agora, os que são acusados de querer acabar com o socialismo, acabam à contrecoeur, por ter políticas socialistas. E ninguém pensa em dar uma volta de mestre à Constitução, ninguém tem força para parar os gastos do Estado, ninguém tem imaginação para incentivar um capitalismo criativo e com base em leis simples, ninguém consegue pôr a burocracia – ignóbil monstro – na ordem.

Às vezes, parece que os portugueses anseiam por uma ditadura.

 

20.9.12

 

António Borges de Carvalho

FORMIDÁVEL!


Ele há coisas que deixam uma pessoa de boca aberta.

Anos atrás, sendo o inacreditável Mário Soares primeiro-ministro, o General Eanes, sedento de poder e, se calhar, cheio das boas intenções de que o inferno está cheio, tratou de arranjar os chamados “governos de inicitiva presidencial”. Foram três seguidos, todos igualmente abstrusos. O General deitou as eleições para o caixote do lixo e tratou de pôr no governo gente a gosto. Mário Soares reagiu. Cortou relações com o Presidente, nunca mais o apoiou, e até contra o seu próprio partido, foi votar noutro nas presidenciais. Tinha razão. O entendimento de Eanes era ilegítimo e inconstitucional. Mas, como quem mandava na Constituição era a tropa, passou a legítimo e constitucional. Eanes havia de vir a provar por a+b que o que no fundo queria era aproveitar o cargo para lançar o seu partido: o não menos abstruso PRD, que havia de vir a fazer as maiores asneiras e cavalidades, acabando, felizmente, por se comer a si próprio.

Este mergulho num passado que, sem ser longínquo, já não estará na memória de muitos, dá-nos uma pálida imagem da honestidade intelectual, da estatura moral e/ou do que a idade pode fazer a uma pessoa que, em tempos, teve alguns episódios de bom senso.

Possuído da mais radical cegueira, esquecido do que defendeu no passado, Mário Soares aparece agora a defender um “governo de iniciativa presidencial”! O homem que, por isso, passou a odiar um Presidente que tinha apoiado, vem, pela mesma razão, apelar a outro Presidente, que nunca apoiou, para que faça, contra o PSD, o que ele condenou que o primeiro fizesse contra o PS.


É formidável!

 

20.9.12

 

António Borges de Carvalho

ASNEIRAS


Há muitos anos, um dos clássicos eco-gurus da nossa praça dizia – e eu, jovem e ingénuo, concordava! – que, na Avenida da Liberdade, o trânsito automóvel e a construção de imóveis mais altos que os que lá estavam provocariam, por poluição e falta de sol, a morte de todas as árvores e a atrofia das plantas rasteiras num prazo inferior a 20 anos.

Passaram quase 50 anos. A circulação automóvel aumentou brutalmente, construiu-se inúmeros edifícios que, ainda que sem exageros, são bem mais altos que os anteriores. As árvores lá estão, viçosas ainda que votadas pela CML ao mais total abandono, e os jardins não estão mal, se exceptuarmos as pinturas paranóicas com que o senhor Costa tratou de desfear os bancos tradicionais.

A eco-demagogia opiniosa, porém, mantem-se ou está pior. A câmara erigiu como objectivbo fundamental pôr os lisboetas a andar de bicicleta. Na cidade das sete colinas! São parvos ou quê? O IRRITADO não é contra as bicicletas. Mas, numa cidade como a nossa, a circulação ciclista, para além de uma estupidez é um atentado à saúde pública. Por outro lado, a CML, depois de ter incentivado, e bem, a transformação da Avenida em centro de comércio de alta qualidade e preço, veio limitar a circulação mediante alterações idiotas, incómodas e caríssimas. Como a distinta clientela de tal comércio não anda de bicicleta nem de autocarro, o resultado vai ser bonito. As lojas vão entrar em colapso, e os cidadãos que delas não são clientes deixam de ter o gozo de ver as montras, com sonhos ou sem eles.

A circulação na Rotunda está pior, mas aceitável. Como os trutas que conceberam a asneira estão contentes, deixemo-los na sua felicidade. Mas na Avenida, que pessegada meu Deus! A hora de pouco movimento leva-se vinte minutos para subir dos Restauradores à Alexandre Herculano!

O IRRITADO, que há muito utiliza um Mercedes-Benz com motorista para ir à baixa – o autocarro da Carris – meteu-se no carro, à experiência. O resultado foi ter ficado a pensar que estes tipos da CML são, pelo menos, doidos. Uma faixa para subir a avenida! E, sem mais nem menos, passa a três! E os sinais que enganam as pessoas! Uma desgraça. Uma burrice.

E se a CML tivesse pegado nos 750.000 euros que ali enterrou e tivesse, por exemplo, mandado arranjar uns passeios e asfaltar uns buracos?

Pergunta estúpida. Tapar buracos e arranjar passeios não tem nada de ecológico. Partir pés e rebentar pneus está muito mais de acordo com a “Natureza”!

 

10.9.12

 

António Borges de Carvalho   

A VERDADE É UMA CHATICE

 

Aqui há uns tempos, a nacional inteligestsia de esquerda embandeirou em arco com a vinda a Portugal de um tal Krugman. Parece que o fulano é um insgne professor de economia, que até ganhou um Nobel e que, como é óbvio, não pode deixar de ser de esquerda. Aliás, parece que tem dado largas provas disso.

Ora o senhor Krugman, para além das suas críticas à dona Ângela e de outras doutas considerações, veio dizer a Portugal esta coisa muito simples: ou baixam os salários ou estão feitos ao bife.

A nossa inteligentsia de esquerda, os nossos órgãos de informação e muitas opiniosas criaturas trataram de esquecer o senhor Krugman. Tinham enfiado um barrete dos diabos, uma vez que a sua função na vida é dizer o contrário do que disse o tão esperado guru. Queriam apoio e levaram com os pés. A ordem foi esquecer o homem. O Krugman, de um dia para o outro, deixou de existir em Portugal. E, no entanto, como diria o Galileu, continua a existir, a ser de esquerda, e a dizer verdades duras como murros no focinho.

Ora não há uma só entidade no mundo, para além do Louça, do Soares (o nosso principal especilista em baixas de salários) e do Jerónimo, que apresente receita que, no que diz respeito aos custos do trabalho, desminta o Krugman.

A história da TSU, pelas reacções que provocou, foi uma patada na poça. Levantaram-se tenores, barítonos e contraltos, cada um mais esganiçado. A plebe, nós, veio para a rua, indignada.

Ninguém está de acordo.

Hordas de patrões, empregados, académicos (até os há – onde chega o ridículo – que “sabem” que a coisa vai trazer mais 30 ou 60 mil desempregados), filósofos, padres, trataram de condenar acerbamente uma medida que, em boa verdade, ninguém sabe o que daria, a médio e longo prazo.

No PSD, mesnadas de invejosos, frustrados e negociantes da opinião (dona Manuela, Capucho e Marcelo, por exemplo), tratam de pôr as massas em delírio.

Do lado do PS, o oco aproveitou para mais umas frases irresponsáveis, o Soares todos os dias diz mais uma parvoíce, etc. Os socrélfios rejubilam. Coitados, eles que não tiveram culpa de nada, não é?

O Portas, sempre pronto a arranjar chatices, anda a preparar-se para, mais cedo ou mais tarde, cair nos braços do PS. Entrou em histeria.

Dos salões de Belém, o ocupante do Palácio do Rei deve ter-se rido a bandeiras despregadas: no PSD, après moi le déluge. Cavaco há só um! O Barroso fez o favor de dar à sola. O Santana foi corrido com a minha preciosa ajuda. Este, com mais um empurrãozinho... hi,hi.

Uma ou outra voz – vale a pena ouvir, por exemplo, Camilo Lourenço e Ferraz da Costa – percebeu as coisas de outra maneira. Mas são vozes no deserto.

Asneira ou não, a reforma da TSU seria uma maneira de seguir o conselho do Krugman e de tudo o que é gente neste mundo. Não se sabe se seria a melhor, a pior, ou qualqur coisa de intermédio. O que se sabe é que, de uma forma ou de outra, é fatal ter de chegar ao mesmo.

Andar a espalhar ilusões, ou a partir do oportunismo dos políticos, ou da ingenuidade das pessoas, ou de histórias da carochinha, é que não devia valer.

 

19.9.12

 

António Borges de Carvalho

A BARULHEIRA

 

Magna manifestação! Parabéns aos que não fizeram desacatos. Parabéns à polícia que se aguentou em São Bento, ainda que atacada à pedrada, à garrafada, etc.

 

E agora?

Agora, os juros sobem. Já subiram.

Agora, ninguém sabe se a próxima fatia virá ou não.

Agora, lá se vão os elogios internacionais ao governo e ao país.

Agora, vamos rapidamente passar à categoria de gregos, pelo menos na opinião de quem interessa.

 

A rua tem razão? Com certeza que sim. Mas tê-la-ia na mesma se não tivesse saído de casa. Todos temos razão. Todos estamos a pagar, de uma forma ou de outra, a governação socialista, a crise do euro, a especulação financeira, a falta de coragem política dos europeus em geral, etc. Todos estamos de acordo que tem que haver austeridade, mas a maior parte acha que a austeridade é boa desde que lhe não bata à porta. Há quem já tenha fome? Se calhar, sim. Mas as coisas só piorarão se passarmos a andar na rua. Não se calhar, mas de certeza.

 

Para a semana, os críticos reúnem-se no Conselho de Estado. A história da TSU deve estar morta. Outra coisa virá, melhor ou pior, mas a dar ao mesmo. Que os insignes conselheiros de Estado passem da crítica à solução, é coisa em que o IRRITADO não acredita, mas gostava de acreditar. Ou então, o governo insiste, e entramos em crise política. Seremos ainda mais gregos do que já estamos a ser. Enfim, pode ser que o Gaspar, apertado como vai ser, tenha alguma ideia salvífica, ou miraculosa.

 

A verdade é que continuamos na corda bamba, mas deixámos, ou estamos a deixar de ter rede. Um recado do IRRITADO às multidões: não agravem o pesadelo com os protestos. Senão, em vez de cortes percentuais nos salários deixará mesmo de haver salários, como esteve para acontecer há um ano e tal, sob a batuta socialista.

 

Felicidades!

 

16.9.12

 

António Borges de Carvalho

...

NÃO HÁ SOLUÇÃO

 

O IRRITADO não faz a menor ideia do que se está a passar a estas horas nas ruas de Lisboa e de mais não sei quantos sítios. Podem andar por lá aos gritos milhões de gregos, perdão, de pessoas, expandindo a sua justa indignação por causa da baixa de 8%, diz-se, nos salários dos gregos, perdão, das pessoas.

O IRRITADO também não faz a menor ideia se a tão odiada, e com razão, medida do governo, será má ou boa, a longo prazo. Aliás, ouvidos e lidos vários trutas da nossa praça, vindos de vários quadrantes e de quadrante nenhum, o IRRITADO ficou na mesma. Quando uns dizem que sim, parece que têm razão. Quando outros dizem que não, também parece que têm razão. O que leva a concluir a coisa dará bom ou mau ou bom resultado segundo circunstâncias que não se encontram à disposição dos teóricos. Ou que casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão.

O que sabe é que, se não formos por aqui, teremos que ir por outro lado qualquer mais ou menos equivalente. Ou seja, passarmos a gregos não leva a parte nenhuma. Só estraga ainda mais.

Os comunistas, sejam do Bloco ou do PC, estão contra. Mas esses estão sempre contra tudo. Não contam.

Os do PS, esquecidos do que fizeram e do que assinaram, tão ocos como o chefe, tomam as posições que as suas conveniências internas do momento determinarem. Para eles, estas não. Outras, não são capazes de parir. São do contra porque são do contra, e é tudo. Também não servem para ajudar a formar a opinião seja de quem for.

A habitual cáfila do PSD também dificilmente nos leva a concluir seja o que for. O Marcelo é o que é: precisa de público para ganhar umas massas e fingir que é gente. O Capucho está com uma insuportável (para ele) dor de corno por ter sido corrido do Conselho de Estado. Tem uma coisa com que nos devemos congratular: largada a câmara de Cascais por motivos de doença, curou-se de tal maneira e está tão saudável que já aceita uma camareca qualquer e acha que para tal o melhor é darem-lha a ver se se cala. A dona Manuela, um anjo que desceu aos infernos da frustração e do mau perder, deu em disparatar que nem o Mário Soares em dia de excitação.

Depois, há os “indignados”, turba multa e inorgânica que odeia por odiar mas que, convenhamos, como as coisas estão cada vez pior, outra solução não tem senão fazê-lo, com muitos políticos a pendurar-se, a ver se surfam a onda.   

Daqui que só os economistas, de preferência académicos, – há-os aos magotes – pudessem ser dignos de alguma confiança da parte do IRRITADO. Se cada um diz a sua coisa, que pensar?

Outra turba multa, essa sem desculpa, defende que isto vá para o buraco, que se dê aos credores a imagem de um país falhado e perdido em parlapatices internas, sem inteligência nem futuro.

O PR, acha que vai conseguir o consenso. Com o oco? É difícil. O homem, mesmo que tenha algum bom senso, tem à perna a cáfila do Pinto de Sousa mais um magote de patarecos, todos sedentos de poder.

Condenar os 8% é fácil. O IRRITADO também condena. Mas haja um truta qualquer que diga quais são as alternativas. Somem as PPP com os ordenados dos gestores públicos, mais os do governo, dos deputados, do PR, mais as fundações, mais o imposto sobre as transacções financeiras, etc. e tal, e encontrarão, talvez, uns 3% dos 8%. Ponham os municípios a pão e água, ou seja, a viver do que cobram, e verão mais uns 2%. Já só faltam 95%.

Não, não há truta nenhum que se atreva a inventar a solução. Por uma razão muito simples: não há solução.

 

15.9.12

 

António Borges de Carvalho

DIFERENÇAS

 

Já alguém pensou no que seria o discurso do Passos Coelho se fosse feito pelo Pinto de Sousa?

O IRRITADO esclarece como seria:

 

"Portuguesas e portugueses!

O meu governo acaba de tomar algumas decisões que não só proporcionarão um exponencial crescimento económico como provocarão a mais importante taxa de criação de emprego do século XXI.

Assinámos uma carta de intenções com uma multinacional coreana para a produção de baterias de pífio, com a concomitante criação de 4789 postos de trabalho a partir de 2013.

Subscrevemos três contratos para a criação de parcerias público privadas objectivando a construção de auto-estradas, desde já podendo garantir-lhes que, só entre Lisboa e Porto, dentro de dois anos haverá sete!

Finalmente, em termos de política social, a fim de fazer disparar a criação de emprego e de aumentar as disponibilidades da segurança social para que sejam reforçados os subsídios, as reformas, os cuidados de saúde e a excelência educativa, tenho o gosto de anunciar que, mercê de cuidado estudo e planeamento, vão ser alteradas as contribuições patronais e dos trabalhadores para a Segurança Social.

Boa noite portugueses"

 

Se não fosse assim, não seria muito diferente, não é verdade?

Muitas vezes, o mal dos políticos é dizer a verdade. Quando a verdade é dura, muitos cidadãos preferem a mentira. Depois logo se vê. É por isso que o PS ainda tem quem vote nele.

 

11.9.12

 

António Borges de Carvalho

 

PERGUNTINHAS

 

Em patético estertor, uma ingente multidão vem ocupando as nossas leituras, visões e audições, com a condenação de seja o que for que toque na fímbria das vestes da RTP.

A coisa percebe-se da parte dos jerónimos e dos louças. Percebe-se também das bandas dos seguros, seus primos, pouco ortodoxos mas primos, misturados com outros sangues mas primos na mesma.

Já é mais difícil perceber esta tempestade opinativa dita a favor do “serviço público de televisão”, quando quem a sopra é gente da área dos portas paulos. Bem visto bem visto, dadas as diversas atitudes socializantes desta malta, se calhar até se percebe. Parece que também são primos, ainda que em part time e segundo as momentâneas conveniências da trupe.

Acresce a isto uma multidão polifacetada e desenfreada de intelectuais, opinadores, comentadores, professores, canalizadores, juristas, constitucionalistas, arquivistas e outros, que se multiplicam em declarações, manifestos, documentos e berrarias de vária ordem.

Esta tropa tem dois pontos de partida, qual deles mais sagrado:

a) o serviço público é indispensável e

b) o serviço público tem que ser prestado por uma empresa do Estado.

O que significa duas coisas:

c) que serviço público é o que a RTP faz e

d) que se a RTP não fosse do Estado não poderia prestar tal serviço.

Ora como a RTP faz o que fazem os outros, e mais mal feito, hemos de convir que

e) ou o que os outros fazem é serviço público, ou

f) a RTP não faz serviço público de nenhuma espécie.

 

É evidente que ninguém saberá ao certo o que é isso de serviço público. Há quem diga que a RTP2 presta serviço público, tipo o do falecido Saraiva, e muito bem, ou outras raríssimas coisas interessantes. Mas, as mais das vezes abusa de suporíferos como a Câmara Clara - ai, como a cultura pode ser chata quando tratada por chatos! -, misturados com meses de propaganda lésbica e filmes de descasca pessegueiro.

Se o serviço público é isso… mas não é... Ou é? Que será?

A ululante tropa quer um serviço público fértil em patacoadas de malatos & Cª, gotas a encher um oceano de desinteresse. É isto que tal tropa quer salvar? Mesmo que custe milhares de milhões? Mesmo que albergue três vezes mais “profissionais” que as outras empresas do ramo, para fazer o mesmo ou menos? Mesmo que continuemos a pagar ao Estado “o audiovisual” do Estado, arriscando-nos a ficar sem luz lá em casa se não o fizermos?

 

Os jerónimos, os louças e parte dos seguros (a familória de sangue mais puro), como já disse, têm desculpa.

Para eles, "dar ao povo" empresas, bancos e tudo o resto, quer dizer tirar tudo e mais alguma coisa ao povo, para dar ao Estado. Para eles, o Estado não está ao serviço do povo mas o povo ao serviço do Estado, havendo disso inegáveis provas. Se tomarem conta do Estado, ficam com tudo, como está larga e experimentalmente provado. É o que os move. Tudo o resto é paleio para entreter patego.

Os demais, o que querem, para além de morder nas canelas do governo? Querem que gastemos 300 milhões por ano com o Malato e o Rodrigues dos Santos? Querem que paguemos mais uns milhões via imposto na factura da energia?

Facto é que a tropa aumenta de número e de decibéis.

Prouvera que o governo fosse capaz de resistir e, já que não pode acabar com o “serviço público” por causa da Constituição, que pague uns serviços públicos à SIC e à TVI, as quais, para lá de qualquer dúvida, os prestarão melhor e mais barato. Aliás, as duas já se propuseram prestar tais serviços.  De que está o governo à espera?

Ah, já agora, não se esqueçam de acabar com a contribuição “do audiovisual”. Se seguirem a opinião do IRRITADO, verão que deixam de precisar dela e prestarão melhor o serviço imposto pela desgraça de Constituição que nos garrota.

 

9.9.12

 

António Borges de Carvalho

AUSTERIDADE

 

Como os senhores e as senhoras do Tribunal Constitucional melhor que ninguém sabiam, a sua douta sentença, ilegalizando o que estava, provocaria que outra coisa viesse, com igual ou maior valor fiscal.

 

Toda a gente percebeu isto, incluindo o inigualável Mário Soares que deu largas à sua habitual clarividência ao dizer que “como sempre” é “contra a austeridade”.

Cinicamente, finge que não percebe e aproveita para a sua propagandasinha. Vale-lhe a fraca memória da maralha. Ninguém se lembra já da austeridade soarista.

É bom lembrar:

Quem lançou impostos retroactivos?

Quem nos tirou os cartões de crédito?

Quem deixou, anos a fio, as prateleiras dos supermercados vazias de qualquer dos produtos mais desejados?

Quem chegou ao ponto de proibir concertos, como o do Iglésias, para não deixar sair divisas?

Quem meteu cá o FMI?

Quem foi fiel ao programa do FMI?

Quem estrangulou o crédito?

Quem pagou os subsídios com títulos do tesouro que, uma vez vencidos, valiam metade?

Quem cortou salários a toda a gente através de brutais desvalorizações do Escudo?     

Quem impediu, por via fiscal, as viagens dos portugueses?

Assim, de repente e a quente (ouvi o homem há cinco minutos), é o que ocorre. Quem quiser ir aos documentos da época, muito mais encontrará.

Era preciso? Justificava-se? É de crer que sim.

É claro que, segundo a clarividência de Mário Soares e de algum burro que por aí ande, nada do dito era austeridade.

Que bicho seria então?

Soares, que no seu tempo era a favor da austeridade, passou a ser contra por não ser da sua autoria nem da do “seu” FMI?

Se houvesse um santo protector dos aldrabões, dos burros e dos malucos, o IRRITADO pediria a sua ajuda para limpar a clarividência do geronte.

 

Há mais quem não tenha percebido: os partidos da esquerda. Desses não reza a história: são contra o sol e contra a chuva, contra os fogos e os bombeiros. Não merecem comentário, nem as suas opiniões têm a mais remota relação com a realidade.

 

Qual é então a realidade?

Simples.

O TC fez a malandrice. Tirou dois mil milhões ao orçamento.

O governo tinha que os ir buscar a algum lado. Arranjou uma catraca que talvez funcione.

É bom dar algum fôlego às empresas, a ver se começam a criar emprego.

É mau que as pessoas tenham que descontar mais.

É bom que a segurança social receba mais, porque já não aguenta a despesa.

É bom que se corte um subsídio em vez de dois, e que o que fica seja pago em duodécimos.

É mau que os pensionistas continuem sem os dois subsídios.

Isto, quanto ao que hoje ouvi.

 

Quanto ao que aí vem, que ainda não se sabe mas que é como já se soubesse, vai ser uma desgraça? Com certeza. Pode é ser uma desgraça maior ou uma desgraça menor.

A ver vamos no que vai dar a história dos escalões do IRS.

A ver vamos o que vai acontecer ao IMI, no que vão dar as reavaliações, etc.

 

Do que não há dúvida é de que a crise europeia e as trafulhices do Pinto de Sousa foram hecatombes que se abateram sobre nós em simultâneo, e da influência das quais não se sabe se nos livraremos ou quando nos livraremos.

O resto são soarices e patacoadas dos especialistas em omeletes sem ovos.

 

Ao contrário do que diz a malta do costume, quanto mais esbracejarmos mais nos afundamos.     

 

7.9.12

 

António Borges de Carvalho

MAÇONARICES

 

Publicada que foi uma lista de maçons, credível mas incompleta, vale a pena brincar às estatísticas.

O PS, em políticos no activo e ao mais alto nível, tem 8 maçons.

O PSD tem 3, só um de alto nível.

De ex-activos, o PS apresenta 12.

No PSD são 7.

Assim:

Activos: PS 8, PSD 3.

Ex-activos: PS 12, PSD 7.

 

Conclusões científicas:

a)   Há menos maçons na política do que seria de pensar;

b)   O PS é o maior, tanto no campeonato dos activos como no dos passivos;

c)   O PS, com toda a justiça, poderia passar a PM, ou PGOL;

d)   O PSD não tanto.

 

Resta a pergunta: afinal o Relvas e o tipo das secretas não são maçons?

 

7.9.12

 

António Borges de Carvalho

ARRANCADA PORTISTA


Não, não se trata do FCP e dos seus milhões. Trata-se do Portas Paulo.

No tempo da primeira AD, o CDS, pela mão do inenarrável salta pocinhas Freitas, teve uma crise de personalidade. Resultado: a AD faleceu.

No tempo do Marcelo, o Portas Paulo teve o mesmo ataque, e a AD faleceu outra vez.

 

2012. Outra crise de personalidade.

Pela mão do mesmo Portas, o CDS impede a nova lei autárquica. Continuaremos a ter a oposição no governo das câmaras, continuaremos a impedir coligações onde não houver maioria absoluta, as câmaras continuarão num sistema de governo que é uma das mais estúpidas realizações da nossa democracia. O Portas, igualzinho ao Jerónimo e ao Louça, defende com unhas e dentes este extraordinário sistema “democrático”. O Portas, querendo ser grande, toma atitude própria dos pequenos, agarradinho a uns lugarecos nas vereações.

Não estava no programa de governo, é a explicação. Não estava nem tinha que estar. É matéria exclusiva do parlamento.

Não contente com este nobre contributo para a coligação, o Portas veio declarar que está perdido o “sentido de compromisso” e que haverá que o “recuperar”. Por outras palavras: ou fazem o que eu quero ou dou outra vez cabo disto.

A sanha destruidora não se fica por aqui. Depois da estúpida bordoada do Tribunal Constitucional, Portas, o mais campeão dos minhocas, declara que não aceitará mais impostos. Muito bem. Quem aceita? O problema é que não diz, nem paraece fazer ideia de como ir buscar os dois mil milhões que o TC “roubou” ao orçamento. Igualzinho ao Jerónimo e ao Louça.

Onde iremos parar? Se o passado servir de exemplo...

 

5.9.12

 

António Borges de Carvalho

ESCOLAS FASCISTAS


O senhor Aníbal Cavaco Silva, hoje, entre outras coisas, Professor Doutor dos propriamente ditos, andou na primária lá para os Algarves O secundário foi passado numa escola profissional. Depois, numa coisa que, se a memória me não falha, se chamava Instituto Comercial. Já homenzinho, ei-lo na universidade, depois a doutorar-se em boa escola britânica, e pronto. Daí catedrático. É o que se sabe.

Isto quer dizer que, tendo frequentado um curso profissional, ninguém lhe cortou as pernas quando resolveu, como tantos outros, seguir em frente. Se não tivesse querido fazê-lo, teria um profissão tão nobre quanto tantas outras: contabilista.

É claro que tudo isto se passava no tempo da ditadura. O senhor Cavaco Silva, ora Professor catedrático, não era “filho do regime”, não tinha nada a ver com a União Nacional, não tinha cunhas nem padrinhos, não era um “privilegiado”. Era um fulano oriundo da pequena burguesia da província e, que se saiba, sem orientações políticas.

Veio a democracia e, anquilosada a sociedade com uma interpretação canhestra do tenebroso princípio da “igualdade”, acabou com as escolas técnicas, assim cortando as pernas a muita gente, gente que quereria, se pudesse, entrar na vida profissional aos dezoito anos. Pelo contrário, viu-se reduzida, ou a não ter emprego que se visse, ou a trabalhar sem qualificações, ou a meter-se em universidades e “universidades” e a  tirar cursos que não conferem qualquer hipótese de valorizar o trabalho de cada um, isto se o aranjar.

Quase quarenta anos passados, regurgitando o país de diplomados maioritariamente falsos - doutores até Badajoz -, às novas gerações depara-se uma gigantesca crise de desemprego, em que os tais doutores não têm, nem emprego “compatível”, nem qualificações para exercer outras quaisquer profissões, sendo estas tidos por “menores”, pelo menos na opinião daqueles que berram pela “dignificação do trabalho”.

*

De repente, o governo descobre (irá a tempo?) que é preciso criar escolas técnicas.

Em vez de saudar a iniciativa, as forças ditas “progressistas” entram em histeria: trata-se de escolas “salazarentas”, do regresso ao “fascismo”, de mais uma investida da ideologia “neoliberal”, de um atentado à “igualdade”, o diabo a quatro.

É assim que o socialismo corta as pernas à sociedade ao mesmo tempo que diz querer melhorá-la.

À atenção das novas gerações, para que percebam o problema e saibam exigir em conformidade.

 

5.9.12

 

António Borges de Carvalho

BENESSES CAMARÁRIAS

 


O Costa (António) meteu na CML um ilustre socialista de barbas, a quem deu um pelouro dito “da mobilidade”. Tratava-se, segundo a propaganda, de altíssima figura universitária, com vastas qualificação em transportes, estradas, ruas, etc.

Tê-las-ia. Tê-las-á.

Mas tudo indica que lhe faltam as mais necessárias: o bom senso e a inteligência.

Se não acredita, vá ao Marquês. O homem fez um projecto maluco para a Rotunda e a Avenida (virá a funcionar?) e tratou de o pôr em prática. Tratando-se de obras altamente perturbadoras do trânsito, em vez de as mandar fazer entre 15 de Julho e 31 de Agosto, resolbeu fazê-las coincidir com a rentrée. Inteligência a rodos, não é? E tudo sem avisar ninguém. Assim. Surpreza. Presente para os cidadãos.

Acresce que, ao mesmo tempo, tratou de condicionar o trânsito com obras de monta na Almirante Reis. O brilhante resultado é o de que quem queira escolher este eixo para chegar à baixa está tão lixado como os que desçam pelo Marquês/Avenida. Bom senso aos montes. Planeamento africano.

Entretanto, os “sampaios” (como eram conhecidos os buracos no tempo da desgraça sampaista) multiplicam-se por todo o lado. Os turistas, as senhoras, os incautos, continuam a torcer pés nos passeios de calçada portuguesa polida pelo uso e/ou sem qualquer espécie de manutenção. “Mobilidade” em versão tecnocrática. Os cães continuam a ser levados a cagar pelos repectivos donos, sem fiscalização nem punição. “Mobilidade” em versão merdosa. A culpa é de quem pisa a caca.

E tanto, tantos outros exemplos de incúria, de incompetência e de arrogância.

*

A verdade, porém, é que o IRRITADO é que é mau. O vereador já veio informar o povo de que “a situação não é assim tão caótica”. E, para nosso descanso, o fulano acrescenta: “Na rotunda do Marquês o trânsito até está a funcionar melhor do que antes” (?!). Podemos ficar descansados, não é? Segundo o fulano: “Aspessoas é que estão reticentes em procurar novos caminhos”.

 Estão a ver? A culpa é nossa. O IRRITADO é que é parvo.

 

5.9.12

 

António Borges de Carvalho

LEGÍTIMA DEFESA

Não é hábito do IRRITADO transcrever avisos, mas, por uma questão de direito de legítima defesa, aí vai um que acaba de receber:

 

ATENÇÃO ÀS NOVAS FISCALIZAÇõES NAS OPERAÇÕES STOP!!!


Ontem à noite, depois de sair com um grupo de amigos, fomos mandados parar por uma brigada de trânsito da BT. Até certo ponto, achamos normal por se tratar de um fim-de-semana e ser costume haver a caça ao condutor com álcool.
Depois de o condutor soprar no balão, qual o nosso espanto quando o polícia pergunta se temos leitor de CD no carro.

Tínhamos leitor de CD e logo a seguir pediu-nos para ver os CD's que tínhamos no carro, para ver se eram cópias ! !!! Sobre isto, já eu tinha ouvido falar num mail que recebi recentemente.
O que é incrível é que, depois dos CD's, o polícia manda-nos sair do carro e começa a olhar para a nossa roupa ! Verídico !!!
Nisto, chama uma mulher-polícia para junto das minhas colegas e um outro polícia para junto de nós e... PEDEM-NOS PARA VER A ETIQUETA DAS NOSSAS ROUPAS!
Recusámo-nos imediatamente e eles informaram-nos que, naquela operação Stop, estava incluída uma busca por contrafacção !!!
Um dos meus colegas tinha um casaco Paul & Shark, comprado na feira de Espinho, e as Autoridades identificaram-no e vai ser punido!
O meu colega e todos outros como não conhecem a lei já contactou o advogado e este informou-o de que o que os policias fizeram está dentro da lei!
Pelos vistos, quando compramos roupa na feira, sabemos que estamos a comprar material ilegal e isso é crime!
Estamos a pactuar com uma actuação fora da lei e por isso sujeitos a coimas por conivência de forma de delito.
Pelo que percebemos, só algumas marcas é que estão sujeitas a fiscalização, tipo, bolsas Gucci, óculos Channel, roupas Nike, Gant, Louis Vuitton, etc etc.
Façam chegar este mail a toda a gente para que todos saibam
A GNR-BT, nos auto-stops, começou a fiscalizar os CD's piratas que temos no carro. Se os CDs não forem originais ou então se não possuímos o original que deu origem à cópia, (é permitido por lei efectuar uma cópia de segurança), a viatura pode ser apreendida e sujeitamo-nos às respectivas sanções.
Retirem urgentemente os CD's piratas do carro, não vá o diabo tece-las.
Este controlo foi efectuado no fim de semana, na A1 no Norte de Portugal mas segundo as autoridades vai estender-se por todo Pais.

 

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