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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

QUANDO O COLECTOR REGURGITA

 

Formidável propaganda precedeu a noite de trevas em que o Pinto de Sousa - aquele que, modestamente, se fez conhecer por Sócrates - surgiu, impante e possidónio como sempre, nos écrans das gentes.

 

Depois de uma semana inteira de anúncios em quantidades industriais, o tele-jornal contempla o indivíduo com dez minutos da manchete em que, para além do palavreado, éramos agredidos pelo seu desagradável fácies quase ininterruptamente, no canto superior direito do aparelho. Dez minutos inteirinhos de publicidade ao novel delegado de propaganda médica.

 

Mais de um milhão, diz-se, assistiu a esta notável demonstração da excelência do “serviço” público que os cidadãos pagam com língua de palmo. Fica demonstrada a razão do IRRITADO que, com a devida insistência e no tempo correcto,  advogou o fim puro e simples desse colector de esterco que dá pelo nome de RTP.

Uns viram a coisa por curiosidade, outros por ódio, outros ainda por pura estupidez. O IRRITADO tinha prometido a si próprio não assistir à exibição. Uma questão de dignidade. Mas, lá em casa, quiseram ver. Paciência, sujem-se os olhos e os ouvidos. Dê-se cabo da paciência. Será que temos o que merecemos?

 

Pinto de Sousa foi recebido em glória por altas figuras do colector. Muito antes de começar a arenga, viu-se o fulano ainda na rua, a distribuir bacalhaus a torto e a direito, na entrada, mais bacalhaus, nos corredores, bacalhaus, a entrar no estúdio – ainda mais uns bacalhaus, e a sentar-se à mesa, não antes de presentear os dois encarregados do auto elogio com mais umas bacalhauzadas. O homem, piroso como sempre, sorria triunfante, tinha o povo a pagar-lhe a exibição, tinha uma data de malta à espera. Depois, os pagantes foram objecto de 9 minutos e quarenta segundos de publicidade, o que deve ter levado o Dr. Balsemão, carregado de razão, a arrancar boa parte das farripas que lhe restam.  

 

A cascata de patranhas, tretas, tangas e fantasias, dificilmente poderia ter sido mais caudalosa. Tudo o que se disse dele (a “direita”, pois claro) foi injusto. Mais. Não houve “contraditório”. Como se não competisse ao PS contraditar! O Seguro que ponha as barbas de molho, hi, hi.

A criatura “não quer voltar à política”. Então que raio estava a fazer, se não a voltar à política?

O sujeito nunca mandou para Bruxelas números martelados. Nunca foi desavergonhado, nem quando anunciava feitos que nunca faria, nem quando inaugurava coisas que não existiam, nem quando escondia os indesmentíveis factos relativos aos seus estudos. O fulano, depois de três PEC’s falhados – quando a crise que criou já era uma ameaça evidente – queria que se acreditasse no nº 4. Acha muito bem ter mandado fazer auto-estradas do lá-vai-um que jamais teria dinheiro pagar, baseadas em “estudos” tão encomendados como errados. Acha muito bem ter feito “só” oito PPP’s, todas absolutamente ruinosas. Acha gloriosa a sua aposta nas energias renováveis, coisa que – paga e não bufes, ó cidadão ignorante cretino! - pagamos e pagaremos, os mais de nós até ao fim das nossas vidas, na certeza que ainda ficará alguma coisinha, ou coisona, para os filhos e os netos se entreterem. Acha que cometeu erros, mas não identifica um só, porque só o terá dito para armar em modesto. Acha que o Teixeira - que maltratou e com quem se zangou - jamais disse que, acima de 7% nos juros seria inevitável o resgate, coisa que toda a gente, menos ele, ouviu mas que, como afirmou, nunca aconteceu. Diz-nos que não deu satisfações a ninguém acerca do PEC4, porque não tinha que as dar (!!!), exceptuando-se o líder da oposição a quem referiu o assunto na noite da véspera de ir vender o peixe a Bruxelas!

E o resgate? Aí, talvez por engano, diz a verdade: toda a gente, menos ele, achava que não havia outro remédio. Só ele não reparava que tinha secado os cofres a ponto de não ter dinheiro para pagar salários, só ele não reparava que já não havia quem lhe emprestasse um tostão para mais fantasias e negócios da treta. Só ele, em resumo, tinha razão.

Continua a ser o exclusivo dono da razão. Os próprios jornalistas, ali postos ao seu serviço, pagos por nós, repita-se, “entraram na narrativa da direita”, fazendo perguntas “mentirosas”. A “narrativa da direita não tem oposição”! Então, e o PS? Põe-te a pau, ó Seguro, hi, hi.

Responsabilidades? Que ideia! Nem uma. A troica entrou por obra e graça da malandragem da oposição e da crise importada. Ele nem queria. Orgulhosamente só, não queria! A crise era dos outros, e nunca jamais teve fosse o que fosse a ver com a sua gloriosa política.

Memória? A que fabrica. Ao contrário do Dr. Sampaio, que, dizem os mal-intencionados, o levou ao colo para o poder, este governo é que foi fabricado pelo Doutor Cavaco!

 

Após uma hora e trinta e cinco minutos desta inenarrável porcaria, o IRRITADO desliga o aparelho. A restante assistência cumprimenta-o efusivamente.

 

Quando a trampa é muita, até os esgotos regurgitam.

 

30.3.13

 

António Borges de Carvalho

 

 

 

ET. A vida particular do Pinto de Sousa interessa tanto ao IRRITADO como o perímetro transversal dos nabos do Pingo Doce. Mas, já que o sujeito falou das suas modestas finanças pessoais, dizendo que, para ir viver para o 16eme, tinha tido que pedir um empréstimo (à CGD, diz ele, o que não espanta), duas perguntinhas totalmente impertinentes:

 

- Quem neste país obteria, dantes como hoje, um empréstimo para ir pavonear-se em Paris durante um ano ou dois?

- Que português, sem dinheiro como o Pinto de Sousa, coitadinho, poderia comprar um andar no Heron Castilho e sustentá-lo a partir de Paris, ainda por cima a viver  de empréstimos?

 

TRICAS MUNICIPAIS

 

Já não é a primeira vez que o IRRITADO dedica as suas locubrações ao inacreditável caso dos terrenos da Feira Popular, a Entrecampos, Lisboa.

Uma empresa comprou à CML, em hasta pública, metade de tais terrenos por 51 milhões de euros, importância que, segundo os jornais, foi paga. Depois, a tal empresa permutou os terrenos do Parque Mayer, de sua propriedade, com a outra metade dos terrenos de Entrecampos.

Acontece que um vereador originário do Bloco de Esquerda (organização com a qual se zangou, porque, de conluio com o camarada  Jorge Coelho, queria encher Alcântara de contentores, tendo-se conluiado, a partir da zanga, com o presidente Costa) decidiu que não queria que a coisa andasse para a frente.

Primeiro, puxou os necessários cordelinhos para que a hasta pública fosse anulada. Mas ficou com o dinheiro! 

Para além deste notável serviço, a cidade fica a dever ao tal vereador, de seu nome Fernandes, a luta que travou contra o negócio da permuta. Recorde-se que tal negócio, após voltas e reviravoltas, foi aprovado pela Assembleia Municipal com os votos favoráveis dos deputados do PPM, CDS, PSD e... PS.

Acontece que, perante a ameaça de ver o assunto em tribunal e o seu investimento (os 50 milhões mais o Parque Mayer) aniquilado durante décadas, o artista que tinha comprado metade e permutado a outra, resolveu oferecer ao Fernandes umas massas para deixar de chatear. O Fernandes, ajudado por um irmão, deu largas aos seus instintos policiais e, em vez de recusar, honestamente, o suborno que lhe era proposto, gravou a conversa e meteu o artista num sarilho dos diabos. O assunto foi objecto de várias sentenças e parece que ainda anda a passear pela Justiça.

Até aqui, é sabido o essencial da questão. O que agora interessa é, em termos do interesse dos munícipes, ver o estado em que as coisas estão, e no que deram.

Mais ou menos assim:

Passada uma dúzia de anos sobre o negócio, as duas preciosas parcelas da cidade em causa encontram-se votadas ao mais indecoroso abandono. O Parque Mayer, vítima, ao longo dos anos, das mais inacreditáveis e demagógicas tiradas, bem como de uma ou de outra propostas sérias, praticamente deixou de existir. É um local a evitar a todo o custo. A ex-Feira Popular, coisa que muito incomodava a vizinhança e poluía uma vasta área, é hoje pasto de coisas piores: lama, erva, buracos, poças porcas, ratazanas, prostituição, droga, etc.. Uma inenearrável vergonha para todos nós. O artista, esse, anda a pagar juros dos empréstimos que contraíu para a compra, impedido que está de mexer no terreno. A CML locupletou-se com os 50 milhões, mostrando que quer ficar com o pleno: o dinheiro do artista e o terreno. Entretando, como a pessegada continua nos tribunais, a CML desculpa-se com eles para não fazer nada no Parque Mayer.

Nem o Fernandes nem o Costa estão minimamente preocupados com a situação. Encomendaram umas avaliações, e acham que metade do terreno valia muito mais que o Parque Mayer, isto esquecendo, antes de mais, que as avaliações são como os pareceres jurídicos: favorecem quem as encomenda. Além disso o valor do terreno depende, exclusivamente, da própria câmara, uma vez que ninguém o quer para semear batatas. Sobretudo, esquecendo os interesses da cidade.

Os interesses da cidade são a última coisa que esta gente tem na cabeçorra. Porque, se tal não fosse o caso, em vez de se locupletarem com o dinheirinho e andar a brincar às demandas, teriam procurado um acordo qualquer (“mais vale um mau acordo que uma boa demanda”...) e resolvido o problema.

À custa da sustentação destas guerrilhas idiotas, sofre a cidade, sofrem os munícipes, sofre o país. Sofre a cidade porque só o IMT e o IMI que o empreendimento geraria faria entrar nos cofres camarários uma pipa de massa. Sofre a cidade, e com ela os munícipes, com o repugnante abandono a que duas das suas mais nobres parcelas estão votadas. Sofre o país por ver a sua capital tratada desta maneira. Sofre toda a gente, turistas incluídos, porque nem Feira Popular, nem Parque Mayer, nem apartamentos, nem urbanização, nem coisa nenhuma.

Tudo para satisfazer e a sanha de conflito do Fernandes, do Costa e, é de calcular, das rosetas mais da comunagem municipal.

Nós, para esta gente, não contamos.

 

28.3.13

 

António Borges de Carvalho

DESAVERGONHADA TRAPALHICE

 

Monumental pessagada esta dos mandatos autárquicos. Os partidos parlamentares, mais irresponsáveis que nunca, recusam clarificar a lei. Não porque a lei seja inclarificável, que o é e pelos próprios, mas porque cada um puxaria, não pela memória do que fizeram anos atrás – foram poucos, os anos -,  mas pelas conveniências políticas de cada um, ou seja, pela mossa que querem causar aos outros. Mais rasca é difícil.

Pior: os aparatchiques de serviço põem processos judiciais, esperando que os tribunais façam a política que eles têm medo, ou preguiça, de fazer.

Pior ainda: há tribunais que aceitam, felizes, “julgar” esta matéria!

Por outras palavras, há quem peça a tribunais que façam política, e há tribunais que aceitam fazer política, pura e dura política. Segundo os jornais, há já duas sentenças proferidas, uma a dizer que é preto, outra a dizer que é branco.

Vá lá, parece que há um tribunal que se considera incompetente na matéria e que, num raro assomo de dignidade, mandou arquivar as queixinhas.

Mas as providências cautelares e outras martingalas vão proliferar, como é evidente. Se pensarmos que os maiores interessados na bagunça são o PS e o BE, perceberemos a grandeza da proliferação da pessegada e falta de vergonha. Vai haver diligências, recursos e mais recursos, e a mais completa das panóplias a que a “justiça” nacional nos vem, há anos, habituando.

Como se vai fazer eleições autárquicas no meio desta trapalhice é coisa que  nem o mais imaginativo imaginará.

 

25.3.13

 

António Borges de Carvalho

MANIQUEISMO


Ainda que publicada há já uma semana, a última diatribe do mais asneirento de todos os portugueses, Mário Soares, talvez mereça uma despretenciosa “análise”.

Se você ainda não emigrou, ainda não se suicidou, está, sem dúvida, desesperado, diz-nos o brilhante raciocínio do autor. E, se não estiver em nenhumna destas condições, conclui, você faz parte de uma minoria esmagadora. É que, ainda que todos os especialistas, politólogos, psicólogos, sociólogos e outros ólogos garantam que os suicídios pouco ou nada têm a ver com a crise, e nem sequer aumentaram, o nosso homem acha que o governo está a condenar-nos, maioritariamente, a pôr uma corda ao pescoço e ir desta para melhor. Ou então, se não queremos emigrar, ou nos desesperamos irremediavelmente, ou nem contamos para nada, porque somos uma ínfima minoria.

Depois, queixa-se que o governo nunca explicou nada a ninguém. Se tivesse explicado, tudo estaria bem, o desemprego deixava de ter importância, a falta de dinheiro também, os impostos malucos a mesma coisa. Trata-se de falta de explicações. Deve ser por isso que o homem ainda não percebeu o que se passa, nem quem causou o que se passa.

Depois, o nosso grande educador debruça-se, com altos elogios, sobre os comandos do Carlos, que se dedicam, por dois tostões, a conquistar horas de “informação” quando põem meia dúzia de gatos pingados a receber os ministros, o PR, e tudo o que seja legítimo nesta terra. Além disso, acha o homem que, ao proteger órgãos de soberania, a polícia está a abusar, a “bater nos portugueses”, ainda por cima “com crescente força”. Para a opinante criatura, o Carlos, para além de ganhar tempo de antena, devia armar os seus sequazes e a polícia devia incentivá-los para a porrada, em substitução dos gritos histéricos e dos cartazes estúpidos.

Toda a gente sabe, na opinião do fulano, que o governo “só tem cometido erros”. Ou seja, o governo não está metido na camisa de onze varas, e Varas, que os amigos dele fabricaram, o governo está-se borrifando para o povo, entidade a quem “não passa cartão”.  Vá lá, também põe algumas culpas à troica e aos “usurários” que estão a dar cabo da Europa. Mas, e aqui é que bate o ponto, o governo também desagrada aos “abastados”, isto é, ao próprio Soares que, além de abastado, passou a vida a fazer fretes aos colegas. Em conclusão, “os portugueses, em grande maioria, “gritam” que o governo deve demitir-se “a bem ou a mal”. Vasco Lourenço, das profundezas da sua boçalidade, não diria melhor. Esta classe de “pensadores” não consegue perceber que uma coisa é o nosso descontentamento, outra é a inexistente “maioria” que quer o governo na rua, “a bem ou a mal”, coisa que, dizem as sondagens, há, pelo menos, 80% dos portugueses que não querem. Mas as “maiorias” que se formam na cabeça do homem são as únicas autênticas, porque são consequência dos seus maus sentimentos e das suas caducas meninges.

E lá vem a peregrina argumentação do fim da “nossa jovem democracia” - objectivo final e “consciente” do governo - que vai entrar em “colapso”. A democracia, para a pervertida, oportunista e demagogissíssima mente do inqualificável geronte, é o estado social, os sindicatos, o ambiente, o mar e, vá lá, os partidos políticos. Bela noção.

A tudo isto, o fantástico escrevinhador atribui até a pequena descida do CDS nas sondagens. É claro que não atribui ao mesmo a simultânea subida do PSD, certamente devida a uns milhões de tarados que ainda não perceberam o “raciocínio” soárico.

Não valerá o trabalho ir muito mais além. Fiquemos com mais este pensamento: “ou se está de um lado ou do outro”. Recuperada está a doutrina do Vasco Gonçalves e do seu patrão Cunhal. Afinal, de onde não haveria quem esperasse, vem a glorificação dos que, bem vistas as coisas, serão os verdadeiros pais das ideias soaristas, ora ressuscitados. Será verdade que a velhice vai buscar as referências da juventude?

 

25.3.13

         

António Borges de Carvalho

BATER NO FUNDO, OU DO REGRESSO DA TRAMPA


Demonstrando o seu brilhante sentido comercial, alta inteligência política profundo desprezo pela honra da Nação e da sua gente, a nova administração da RTP anunciou que vai contratar o camarada Pinto de Sousa para horas e  horas de televisiva prelecção destinadas a, sic, “justificar” os seus actos como PM.

Que maior ofensa podia o “serviço” público fazer a todos nós? Nenhuma.

Mas não nos resta senão, humildemante, protestar com os meios ao nosso alcance. Embora os leitores do IRRITADO já devam saber, há uma petição que, sem que jornal algum o refira (“informação” é informação, raio!), já muitas dezenas de milhar, se não centenas, de pessoas honradas subscreveram:


http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2013N37935

 

Mesmo não obtendo qualquer resultado prático, o que é mais que certo, trata-se de um grito de revolta que alivia quem ainda tem alguma vergonha na cara e que, mais que não seja por isso, vale a pena. Força!

 

24.3.13

 

António Borges de Carvalho

FENÓMENOS DO ENTRONCAMENTO


No Entroncamento, localidade de alto simbolismo por causa dos nabos, António Seguro, o oco, anunciou urbi et orbe que estava consumada a rotura do PS com o governo. Como se alguma vez, tanto o oco como o burrinho & Cª, tivessem estado noutro estado que não fosse o da permanente rotura, sem a mais ínfima intenção de conversar sobre fosse o que fosse. Bem pôde o Doutor Cavaco insistir, vezes sem conta, na necessidade de “concertação” entre os partidos. Jamais o oco lhe ligou bóia, ainda por cima pondo as culpas para o adversário.


O oco andou quase dois anos a dizer que era preciso mais tempo. Agora, que as circunstâncias tornaram viável mais tempo, eis que, afinal, para o oco, não era preciso mais tempo.

Sabe-se que as coisas não estão a correr bem. A culpa é do Passos? É do Gaspar? É da “Europa”? Do FMI? Do BCE? Da crise europeia? De todos? Ninguém minimamente honesto terá certezas a tal respeito. Mas que, na mais larga das medidas, é do PS, não é discutível. Do PS do estudante filósofo-farmacêutico, que, meticulosamente, fabricou a crise, como do PS do oco, para quem, evidentemente, quanto mais crise melhor.


Uma palavrinha para a troica e para os seus patrões. Desta vez, rapazes, portaram-se muito mal. A UE, porque mexeu na contabilidade a fim da não aceitar os tostões da ANA nem os aumentos da CGD ou do imobiliário do Estado. O FMI, porque “aceitou” a história como boa. O BCE, porque não se mexeu.

Com isto, ou seja, administrativamente, deram cabo das previsões e do défice real.

Com isso caíram em cima de nós que nem chacais.

O PS também.

                                                                                              

Uma gaita.


18.3.13


António Borges de Carvalho  

DA BESTIALIDADE POLÍTICA


Uma faculdade, ao que parece em colaboração com o governo, vai fazer uma série de debates sobre a reforma do Estado. O IRRITADO não acredita lá muito em debates, mas como, oficial, oficiosa e particularmente, não há quem não considere fundamentais os debates sobre tudo e mais alguma coisa, acha bem que se faça mais um.

Vai lá estar a fina flor da política. O PM, o PR, e mais não sei quem, incluindo ex-ministros do PS e várias outras gentes que nada têm a ver com o governo ou com os seus partidos.

Mas o PS institucional, via burrinho - o que implica o aval do oco - não só se demarca da iniciativa, como o faz através de uma cartinha insultuosa quão estúpida, assinada pela sinistra, asnática e desagradável criatura.


Comentários para quê?

 

18.3.13  

 

 António Borges de Carvalho

EPÍSTOLAS

 

Muito gosta o Seguro de escrever cartinhas! Aqui há uns tempos, escreveu aos patrões da troica. Dois deles, como é costume e a carta merecia, epistolaram de volta umas frases delicadas e vazias. O outro, sem mais aquelas, parece que mandou arquivar a carta do homem no caixote do lixo.

Há dias, aí vai mais um escrito para o PC e o BE. À imagem do Sampaio e do Soares, Seguro propunha alianças autárquicas. O PC respondeu que nem pensar. O BE começou a abrir a porta, mas depressa a voltou a fechar. Ainda bem. Ou ainda mal. Não se sabe.

O que fica é que o Seguro, entre outros meios de aparecer nas notícias, resolveu escrever cartas. O que vem a seguir não interessa. Que se lixe, que é o que está na moda. Além disso – é o que se pretendia – os chamados órgãos de informação ocuparam com a coisa o espaço almejado. Um triunfo.

 

18.3.13  

 

António Borges de Carvalho

MADUREZAS

 

a)     A balzaquiana enfeitada que dá pelo nome de Kirchner, presidente da República na Argentina,    estava escalada para fazer um discurso laudatório nas cerimónias fúnebres do camarada (dela) Chávez. Mas não fez. Meteu-se no avião e deu de frosques.

b)    A dona Gelma e o penduricalho Lula também se puseram a mexer antes de tempo.

c)     O cadáver do Chávez, afinal, não vai ser embalsamado.

 

Três factos que envolvidos numa aura de mistério. Três factos que, ou não foram noticiados ou, no caso de c), o foram sem uma explicação digna desse nome.


Avancemos com o que se poderá chamar teoria da conspiração.

Boas fontes garantem que, dado o estado miserável do corpo do homem, morto em Cuba vários dias antes de ser recambiado para a Venezuela -  se o foi – o Maduro achou que não seria bonito mostrá-lo ao pagode. Mandou fazer um boneco de cera, cheio de bom aspecto, muito bem vestido, e pô-lo no caixão para o povo ver. Parece que a Kirchner e a Delma deram com a marosca e se foram embora zangadíssimas. Nem uma se prestou a fazer discursos em honra de bonecos, nem a outra quis validar a fantochada.

O Maduro, como não tinha cadáver nenhum para embalsamar, resolveu dizer que levava muito tempo. Tinha que o mandar para a Rússia, e a Rússia – aldrabice! -dava um prazo de entrega de sete meses.

Numa coisa há que tirar o chapéu ao Maduro: o homem é fiel ao defunto, isto é, é tão aldrabão como ele foi.

Outra coisa que dá que pensar é a falta de informação sobre o assunto. A comunidade jornalística, sempre apostada em “investigações”, calou-se como um rato mudo. Por outras palavras, a comunidade jornalística  é globalmente de esquerda e não gosta de investigar camaradas.


Para quem possa pensar que este post é uma ofensa a um defunto, cite-se a asserção do Imperador Caracala: aos mortos deve-se sempre a maior das homenagens, desde que se tenha a certeza de que estão bem mortos.

 

18.3.13

 

António Borges de Carvalho

CABECINHAS PENSADORAS

 

Uma plêiade de ilustres figuras da nossa praça, gente tão fina como Manuel Carrilho, Henrique Neto, Rui Tavares, Eurico Figueiredo, Edmundo Pedro, Veiga Simão, Vasco Lourenço, Adelino Maltez... decidiram fazer um manifesto (os manifestos estão na moda) para “democratizar” o sistema.

Muito bem.

Olhemos esta malta. À excepção do Maltez – que diz que não é de esquerda, ainda que não se perceba o que quer dizer com isso –  trata-se de um grupo de socialistas descontentes. Reconheça-se que é gente com alguma coisa dentro da cabeça e dêsse-lhes o devido respeito. Também não se percebe o que anda lá a fazer um boçal do calibre do Vasco Lourenço, mas isso é lá com eles.

Adiante.

O esclarecido escol, basicamente, propõe uma espécie de revolução eleitoral. Pelo que os jornais dizem – se calhar não perceberam – trata-se de alterar substancialmente a forma de designação dos titulares de cargos políticos, de forma a aproiximar os eleitos dos eleitores e a evitar certos tipos de carreirismo e de partidismo. A intenção pode ser louvável. Só que, mais uma vez pelo que dizem os jornais, querem criar uns mecanismos de uma complicação digna de burocratas militantes.

O IRRITADO, que, como já foi dito, não tem objecções de base às intenções desta elite de pensadores descontentes, permite-se aconselhar os subscritores a dar por aí uma volta, por exemplo até ao Reino Unido e à França, países com sistemas maioritários e unipessoais, com uma volta num caso e duas no outro.

No Reino Unido não há membros do governo que não tenham sido eleitos, e todos eles continuam a ser deputados. Os eleitos são-no por círculos uninominais, precisando os candidatos, a) de ser conhecidos no seu círculo e b) de pertencer a um partido. Um sistema totalmente diferente do nosso. Com defeitos e virtudes. Daqueles, destaque-se a possibilidade, já verificada de o partido com mais deputados não ser aquele que mais votos teve. Em França, qualquer cidadão se pode candidatar, mediante condições relativamente simples. Tanto pode ter o apoio de um partido como não o ter. O candidato, porém, tem que fazer a sua campanha individual. Chega a acontecer que o eleito o seja sem qualquer apoio partidário, ou até contra um partido a que já tenha pertencido. Os candidatos, eleitos ou não, têm direito a uma subvenção estatal calculada em função do número de votos obtidos. Não raro é ver-se fulanos que nunca foram eleitos exercer a nobre profissão de candidatos. A subvenção dá-lhes para ter um escritório e passar as legislaturas a fazer a sua propaganda, distribuir um jornalinho, “lutar” pelos seus eleitores, etc.

 

Não sei se os sistemas britânico e francês são melhores ou piores que o nosso. Têm qualidade e defeitos. Merecem atenção, obviam a defeitos de que a plêiade se queixa, e é tudo. Nem num nem  noutro sistema há “eleições para eleger candidatos a eleições” ou outras coisas que serão ideais mas parecem demasiado confusas para o pobre do eleitor.

Já agora, não seria mau se os brilhantíssimos intelectuais, se querem aperfeiçoar o sistema, juntem outros que nada tenham a ver com o socialismo, só com a Democracia. Senão, acontece como com o Vasco Lourenço, que prometeu democracia mas o que queria era socialismo!

 

14.3.13

 

António Borges de Carvalho

FILOSOFIA SINDICAL

 

Há para aí um programa governamental  destinado a arranjar empregos para pessoas especialmente carenciadas, beneficiários do chamado rendimento social de inserção, etc.

Dizem os números que há cinquenta e sete mil pessoas já incluídas nestes programas. Tais pessoas trabalham em organismos públicos e em instituições de carácter social.

Dir-se-ia que, no meio de tanta desgraça, a iniciativa está a dar alguns frutos, positivos mesmo que modestos.

Positivos? Nem pensar! Não há nada de positivo nesta história. Bem pelo contrário. Os ilustres sindicatos tonitruam que se trata de coisa “perversa”, quiçá maléfica. Porquê? É simples: porque “evitam a criação de postos de trabalho”, mais não servindo que para “manipular as estatísticas do desemprego”.

Venha o mais pintado perceber isto. Na nacional sindical inteligência, pôr cinquenta e sete mil pessoas que não tinham nada que fazer a fazer alguma coisa, pôr a ganhar algum, mesmo que pouco, cinquenta e sete mil pessoas que não ganhavam nada ou quase, é coisa maléfica e aldrabona.

Talvez não vamos lá com este governo. Talvez não fôssemos, ou ainda menos fôssemos, com outro governo qualquer. Com o que, de certeza certezinha não vamos a parte nenhuma é com os sindicatos que temos. Porque é que esta gente não vai chatear outro ? Porque é que os trabalhadores sindicalizados não percebem que estão a ser enganados, não correm com os dirigentes que têm e não vão aprendeer alguma coisa com os que têm sindicatos merecedores de consideração, que os há por essa Europa fora e com bons resultados? Será que ser trabalhador sindicalizado é sinal de estupidez, ou que a “filosofia” dos nossos sindicatos é a dos tempos da revolução industrial?

 

14.3.13

 

António Borges de Carvalho

CIÊNCIA CERTA

 

Na gloriosa senda do falecido chefe, o camarada Maduro declarou que está cientificamente provado que o cancro que matou o Chávez não passou de uma manobra dos EUA, sob a maléfica direcção do Bush e do Obama. Consta que a Academia Iraniana das Ciências Islâmicas (AICI) confirmou que são de sua autoria os estudos que levaram a tal e tão irrefutável conclusão. A União dos Ditadores Sulamericanos (UDS) aprovou um voto de louvor à Academia iraniana e, no Brasil, os Macumbeiros de Orixá (BO), com o apoio oficioso da dona Gelma, apoiaram sem reservas a mesma tese, a qual, mais que tese, passou a axioma. Consta que, em Paris, o filósofo farmacêuttico e estudioso Pinto de Sousa já comunicou o seu inabalável acordo com tão ilustres camaradas.

    

11.3.13

 

Antánio Borges de Carvalho

O FIM DA PICADA


É com esfusiante alegria que o IRRITADO assiste ao enfrangalhar do Bloco de Esquerda.

Parece que o camarada Fazenda resolveu manter a sua tradicinal fèzada no socialismo albanês, hoje corrompido pelo Ocidente capitalista, é certo, mas que, na sua pureza original, continua a ser o ideal dos ideais. Os chineses vão por maus caminhos. A alternativa, nestes tempos difíceis, ainda por cima depois da queda do revisionismo, poderia ser Cuba, mas Cuba está cheia de vícios, pelo menos desde que o governo autorizou o povo a comprar torradeiras. Assim, se se excluir a da Coreia do Norte, já não há referências dignas desse nome. O melhor é voltar ao  velho albanismo, que tão belos frutos deu à humanidade.

O pior, pensa o Fazenda, é que o Louça não está de acordo e, agora que o Balsemão lhe deu um tacho na SIC Notícias, não só dá mostras de burguesismo oportunista como quer fazer uma grande tendência de cariz trotzquista para dominar as massas bloquistas. Uma desgraça!


Por seu lado, o grande educador do Bloco resolveu querer utilizar o casalinho meia-leca que pôs no poleiro para perpetuar o seu estatuto de grande líder e luminoso farol do futuro. Acha que o melhor é pôr a maralha numa só tendência, tendo descoberto que criá-la é a melhor maneira de acabar com as tendências. Genial. Muito feliz, tem nova tribuna na SIC do Balsemão, o que lhe permite mitigar os estragos causados pela saída do tele-opinador e “jornalista” Oliveira, o qual, apesar de fiteiro, utiliza todos os púlpitos de que o Balsemão dispõe. Acrescentada a generosa postura da RTP e da TVI, concluiu o ilustre intelectual que, juntando a tudo o casalinho, o Balsemão, o Amaral e o próprio, se constituirá uma força política de primeira, onde não caberão tipos como o Fazenda e quejandos.

 

Em resumo: aqui há tempos, um grupo de marxistas-leninistas de rubrérrimas cores deu à sola. O Oliveira deu à sola. Com mais um jeitinho, o Fazenda e a sua mesnada darão à sola. O Louça ficará com o casalinho e com a SIC, o professor do cabelo à menina de Odivelas com a TVI, o casalinho com as as duas mais a RTP, e pronto.


Mais umas ajudas e pode ser que acabe a brincadeira do Bloco, que já cheira mal por todos os lados.

 

13.3.13

 

António Borges de Carvalho

FILIAÇÃO

 

Segundo fonte não autorizada do Palácio, o professor Cavaco encontra-se em meditação. Pondera filiar-se no movimento lançado pelo do Pinhal e por outros reformados de luxo.

 

11.3.11

 

António Borges de Carvalho

DOS DILEMAS DOS FILHOS DA VIÚVA

 

O camarada João Soares lá foi eleito para vigiar a polícia secreta. Os plumitivos e comentadores de serviço acharam estranho que, tendo as broncas dos espiões vindo dos lados das maçonarias, o PS propusesse um maçon para tal tarefa.

Ora o PS não pode deixar de ter sentido o problema. Os tipos da organização são maus, mas não são estúpidos.

Então porquê esta nomeação? A explicação só pode ser uma: por mais que procurassem, não encontraram nenhum não maçon no grupo parlamentar!

Caso contrário, afinal, além de maus são estúpidos.


11.3.13

 

António Borges de Carvalho

ELEMENTOS PARA CONSULTA E ESCLARECIMENTO

 

O IRRITADO recebeu e a seguir não resiste a, com a devida vénia e sem alterações ou comentários, transcrever preciosas informações sobre a origem independente e apartidária da última manifestação;


Tatiana Moutinho : tem 40 anos, é mãe, é solteira e investigadora de biologia celular e molecular. Mas há um pormenor que escapa e podia perfeitamente, se quisesse, pedir ajuda à Google (acho até que deveriam ser os jornais a pagar à Google por os ajudar a fazer melhor o seu trabalho). A Tatiana, como cidadã livre que é, foi candidata independente às eleições legislativas de 2009 pelo circulo eleitoral do Porto pelo Bloco de Esquerda (http://antigo.porto.bloco.org/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=551).
Tudo bem, terá escapado ao jornalista, ou então, dado que o movimento de cidadãos "Que se Lixe a Troika" é um movimento apartidário, pode ser que tenha também pessoas relacionadas com vários partidos e isso não seja relevante.

De seguida, temos a Amarilis Felizes, estudante de teatro que, como infelizmente muitos de nós, "não sabe" desde quando tem medo do desemprego. Mas aí o Público ajuda-nos a saber que não deve ser há tanto tempo assim, porque, para nossa inveja, Amarilis tem 22 anos (http://p3.publico.pt/actualidade/educacao/2592/usar-o-teatro-para-denunciar-o-estado-do-ensino-superior) e pelo menos esteve a fazer workshops de teatro para o Bloco de Esquerda (http://www.esquerda.net/sites/default/files/files/festa%20musica%20leiria%20out-web.pdf) e eu não acredito que o Bloco de Esquerda pactuasse com situações de precariedade. Gosto desta Amarilis, tem um ar simpático, um nome que não se esquece, e com 22 anos e esta iniciativa toda, tem tudo para a vida lhe correr muito bem.

O próximo cidadão é o Adriano Campos, do qual nos dizem muito pouco, excepto que é da "Organização". Mas pela conversa deve ser o ideólogo do grupo. Uma artigo da Lusa, também de hoje, publicado na SIC Noticias (http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2013/02/28/diversidade-e-luta-contra-o-medo-no-que-se-lixe-a-troika), informa-nos que o Adriano é Bolseiro de Investigação e que pertencia aos movimentos "Geração à Rasca" e "Precários Inflexíveis". E, mais uma vez, o Google permite-nos saber através do blogue do Bloco de Esquerda que ele é "Sociólogo e Activista Precário" (http://www.esquerda.net/autor/adriano-campos) e que discorda com Daniel Oliveira sobre o método como o Bloco de Esquerda deve chegar ao poder (http://www.esquerda.net/artigo/como-ir-para-o-governo-deixando-esquerda-pelo-caminho) e que tem opiniões muito vincadas sobre pequenos grupos dissidentes que ameaçam a unidade do Bloco de Esquerda (http://adeuslenine.blogspot.pt/2011/12/e-apenas-fumaca.html). Também acho que tem potencial, escreve algumas coisas com bastante inteligência, quando crescer pode vir a ser um novo Francisco Louçã.

Por fim, temos a Paula Sequeiros, que nos dizem ser também bolseira de investigação (Ui, três em quatro são investigadores? Que coincidência!) e que o Google nos ajuda a perceber que também foi candidata à Lista Coordenadora da Concelhia do Porto (http://antigo.porto.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=1372&Itemid=66) de um partido político que, é escusado dizer qual é.

Aparentemente, ao jornalista de serviço, escaparam-lhe alguns detalhes que nos ajudavam a perceber melhor a história que ele estava a contar. Fica um conselho: Google.
Quanto ao movimento "Que se Lixe a Troika", é totalmente legítimo o Bloco de Esquerda lançar uma marca diferente para captar mais pessoas para as suas acções. É uma boa estratégia de marketing.

 

Esta malta tem de facto muito potencial e sabe o que faz (comentário do tipo que teve a pachorra de reunir estes preciosos elementos de consulta).

 

11.3.13

 

ABC

DO SEGREDO DE JUSTIÇA OU COISAS DO GÉNERO

 

Dois dias atrás, fomos surpreendidos com uma operação digna de espanto. A televisão, depois seguida pelos jornais, rádios e tudo quanto é ratazana, fazia uma inacreditável reportagem sobre uma acção conjunta de dezenas de juízes, procuradores, polícias e mais não sei quê, destinada a entrar de rompante numa série de bancos, com a intenção de detectar se há, ou não, um tenebroso cartel bancário para acertos de spreads e taxas. Eram dezenas de magníficos automóveis, com as matrículas disfarçadas, a partir em grande velocidade não se sabe de onde, com destino aos tais bancos, a entrar em caves e corredores, carregadinhos de investigadores. A coisa era descrita com pormenor, com a clara intenção de meter nas nossas cabeças que se tratava de uma operação tão importante como a captura do Bin Laden ou a limpeza de uma favela do Rio de Janeiro.


Declaração de desinteresse: havendo indícios que cheguem, o IRRITADO não tem, em princípio, nada contra este tipo de investigação.


Mas tanta parangona, e tão bem organizada, tão bem programada, dá que pensar. Vejamos. Normalmente, as polícias dão conta das suas acções, ou fazem propaganda delas, quando têm resultados a apresentar: apreensões de droga, de dinheiro sujo, de armas, captura de redes de imigração clandestina, etc. Parece, e bem, que durante a fase de investigação o segredo é a alma do negócio. Imagine-se o que seria se se propagandeasse que a polícia andava, em Freixo de Espada à Cinta, à procura dos irmãos Cavaco. Era oferecer aos ditos uma boa oportunidade de dar à sola, não é?

Desta feita, quando a operação começou a funcionar, já não havia banco nenhum que não estivesse a a pau com o serviço. A existir o tal cartel, as respectivas provas estariam a ser eliminadas a grande velocidade.

Vistas as coisas de outro ângulo, o que se pretendia talvez fosse lançar na opinião pública suspeições improvadas, a fim de denegrir os investigados.

 

Importante é que se trata de uma operação judicial. Não sei se tal coisa está, ou não, coberta pelo segredo de justiça, mas é evidente que, pelo menos, foi coberta por uma desmedida ânsia de notoriedade, absolutamente inprópria das entidades que tomaram a iniciativa. Um tal Sebastião, segundo os jornais, mobilizou as tropas especiais.

Como não se sabe de quem é a culpa da mediatização desenfreada do golpe de mão, evidentemente preparada com a devida antecedência, legítimo é concluir que todos são culpados: o tal Sebastião, a nóvel PGR, as magistraturas, os oficiais de justiça, a judite, todos.


Depois venham cá falar de segredo de justiça, de discrição da investigação, de protecção dos suspeitos e de outras nobres instituições do chamado Estado de Direito. Tretas.

 

8.3.13

 

António Borges de Carvalho

GERONTOFALTADEJUÍZO

 

Já há pouco quem não tenha percebido que o nosso ex-PR Soares tem os neurónios ferrugentos. Em alternativa, terá tanto, tanto ódio naquela cabeça que todos os seus conceitos democráticos foram por água abaixo.

Desta feita, resolveu colocar-se de alma e coração “na rua”, considerando que as minorias que nela berraram são suficientes para pôr em causa a legitimidade do governo. Isto porque, admire-se a inteligência e a originalidade da coisa, “o povo é quem mais ordena”. Qual sufrágio universal qual carapuça, o que interessa é que “povo” é quem vai ao barulho, pertencendo os que ficam em casa a outra categoria que não povo. Só falta dizer que o melhor é voltar ao voto censitário da primeira República e conferir, desta feita, a qualidade de votante a quem mais barulho fizer. O camarada Jerónimo não diria melhor.

Ou Soares andou uma vida inteira a falar em democracia, pluripartidarismo, maiorias, mandatos, etc., uma vida inteira a aldrabar toda a gente - dependendo do que lhe convinha - ou ficou de tal maneira perturbado por ver os seus “filhos” fora do poder que lhe veio à tona o ódio visceral que o anima e perdeu definitivamente a cabeça. Apesar disso, continua a ter quem lhe publique – como hoje faz o “Público” - as asneiras e dislates, iguais aos do Boaventura, do Capucho, dos tacos-de-pia do BE, do sinistro Carlos, do Pacheco, do Jerónimo e de tutti quanti que se dedicam a bolsar “soluções”, quer dizer, a mesma solução: acabar com a austeridade, aumentar salários e pensões, relançar a economia, etc., e correr com a troica! Cassete tão completa e tão estúpida como o “pensamento” de quem a defende.

Numa de alta compreensão e em abono da verdade, diga-se que é o que faz a Constituição que esta cáfila transformou numa espécie de Corão: transformar em direito de cada um aquilo que a comunidade tem que pagar. É o mesmo que prometer onze mil virgens aos fiéis que derem cabo dos que o não são. No caso vertente, os infiéis são os que ficaram em casa ou que têm o desplante de votar em quem o Soares não gosta.

O camarada Soares, com a originalidade com que usa presentear os papalvos, também diz o que toda a gente sabe: é preciso encontrar formas de relançar o desenvolvimento económico. Grande novidade! Depois, entra no habitual delírio: se a economia não reage, a culpa é do governo. Não é do PS, que nos deixou a pão e laranjas. Não é do PS, que negociou o espartilho que nos limita e coage. Não é do PS, que desbaratou milhões e milhões para disfarçar o desemprego estrutural. Não é do PS, que estatizou o nosso dinheiro da previdência e pôs o Estado a gastá-lo no que lhe deu na gana. Não é da sua bem amada “Europa”, que mantem apertado o garrote.

Antes que as actuais negociações com os autores do programa que o PS tornou inevitável dêem algum resultado positivo, é preciso preparar o terreno. Os Soares da nossa praça, acima de tudo, odeiam a ideia de que este governo possa vir a ter sucesso seja no que for e, se tiver (mais) algum, é preciso preparar o terreno para transformar qualquer vitória numa derrota como outra qualquer. Nada melhor que conseguir acabar com o governo antes que as coisas possam correr melhor, ou menos mal.

Para tal, a turba multa dá um jeitão, não é, dr. Soares? E se recuperasse algum juízo?

 

4.3.13

 

António Borges de Carvalho

 

E.T. Não acabaria bem se não referisse a soaresca ameaça: “Se não for a bem (a queda do governo)... será a mal, com o povo indignado, como aconteceu no fim da monarquia...”. Lindo! Soares, se fosse sério, devia esclarecer que quem, na altura, andava indignado não era o povo, eram bandos de vândalos, desordeiros e “intelectuais” maçons, jacobinos e violentos, que destruiram a democracia vigente e condenaram o país a sessenta e quatro anos de bagunça, violência e ditadura.

EST MODUS IN REBUS

 

“Hoje foi pedida pelo país a demissão imediata do governo”. Com estas gentis palavras, um cançonetista já gasto, um tal Mendes – sem dúvida uma besta quadrada – resumia o que se passou no Sábado. Confundir “o país” com as várias hordas de tristes ignorantes, idiotas úteis, e de condotieris a explorar as frustrações e os problemas deles, é tripudiar sobre a verdade, sobre a democracia e sobre a liberdade.

“Mais de um milhão cantaram (sic!) a ‘grândola’”, titula o jornal do amigo Oliveira, duas linhas a toda a largura da primeira página. Lisboa, segundo os mesmos aldrabões, é responsável por oitocentos mil. Esta solene aldrabice, repetida no mesmo jornal vezes sem conta, é objecto, em letrinha miúda, de um pequeno esclarecimento: com certeza por engano, e desobedecendo a ordens, há um plumitivo que acrescenta que os tais oitocentos mil foram “contados” pela organização da manifestação. Assim se faz “jornalismo”. Assim se “informa” o povo. Assim se “respeita” a verdade dos factos.

Toda a gente viu que, desta vez, apesar da adesão do PC/CGTP, do BE e do PS (oficiosamente), a multidão, ainda que muito grande, não chegou aos calcanhares, em número, daquela que se juntou, bem menos enquadrada e publicitada, aquando da triste história da TSU. O Terreiro do Paço, se considerarmos o poder de mobilização dos partidos de esquerda, CGTP incluída, estava pouco mais que às moscas.

Um outro jornal, também algo suspeito, mas mais sério, parece aproximar-se da verdade. A partir da área do Terreiro do Paço, calculou que, para o encher, são necessárias umas cento e setenta mil pessoas, e que jamais poderá conter mais de cento e oitenta e tal mil. Ora como local não estava, nem de longe, cheio, poderenos, se quisermos ser mais ou menos certeiros, dizer que estavam lá umas cento e vinte mil pessoas. Isto com a maior das boas vontades.

Assim, é de afirmar que, em relação ao “prometido” e ao propagandeado, a manifestação foi um flop. Mais um. Os organizadores, mais os partidos de esquerda, deveriam ficar-se por umas grandolazitas à porta dos ministros. Poupavam em mão de obra, gastavam menos dinheiro e tinham, na mesma, a generosíssima cobertura do “serviço” público e dos vários arautos privados. Um conselho do IRRITADO. De borla.

É pena ver, apesar de tudo, tanta gente tão enganada que pede o impossível: mais salários, mais pensões, mais emprego, mais tudo e, ao mesmo tempo, que se lixe a troica! Quem está, desde os horríveis tempos do PS, a pagar o que ainda recebemos? A troica!

As pessoas, com toda a razão tristes, chateadas, aborrecidas, desempregadas, etc., são levadas por uma chusma de demagogos, o mais influente dos quais é, desgraçadamente, o Seguro, a acreditar que o que pedem é possível, viável, fazível.

A saída “disto” pode estar, se estiver, na “Europa”, em Washington, em Frankfurt. Estará, se estiver, na reforma da justiça, no emagrecimento do Estado, na atracção de investimento, etc. Pode estar em negociações cautelosas mas firmes com os credores, pode estar na estabilidade política e institucional, etc., ou numa mistura bem cozinhada disto tudo.

Onde, de certeza certizinha, não está, é na “lixação”, ou linchamento, da troica, nas “soluções” aldrabonas do PS, do PC, do BE, da CGTP, nas parangonas dos demagogos ou dos jornais, na aldrabice dos números, na confusão entre democracia e rua, nas ilusões induzidas por tipos da banha da cobra na cabeça dos prejudicados.

Esta manifestação, o claro abismo demonstrado entre o que se prometia e o que aconteceu, a diferença brutal entre ela e a anterior, vem, afinal, mostrar que as pessoas em geral não são tão burras como delas querem fazer.

 

3.3.13

 

António Borges de Carvalho        

OS “ACTIVISTAS”

 

Em nobre salão do bairro alto, paredes pintadas psicadélicamente - é de pensar que por discípulos apaniguados do presidente Costa - sentaram-se em círculo os “activistas” promotores da manifestação dos “Que se lixe a troica” + PC + BE + seguristas/costistas/ socratistas/figueiredistas/etc. e tal.


Pensariam as boas almas que a tal manifestação era  promovida por gente com sérias razões de queixa, pobres, desempregados sem esperança, proletários de várias origens, enfim, gente com necessidades básicas que o Estado não consegue colmatar. Estúpida ilusão. Nada há de sério na coisa. Os organizadores são burgueses mais ou menos instalados, possuídos, não de preocupação com os demais, mas a trabalhar para o seu lançamento pessoal na mais rasca de todas as políticas: a da rua.

Um jornal foi buscar cinco dos principais caciques da operação. São eles: um jovem médico em princípio de carreira, um músico e empresário que “nunca foi precário”, uma operadora de call center, uma advogada “com emprego estável”, e uma professora que “trabalha a recibos verdes”. Eis uma amostra dos infelizes que organizam a manifestação, amostra suficientemante esclarecedora para precisar de comentários.


Um aviso à navegação: a populaça, depois do clássico desfile pela baixa pombalina e correspondente “reunião” no Terreiro do Paço, dispersará. Segundo um dos principais “activistas”, depois do ajuntamento, ”cada um faz o que quiser”.

As pessoas de bem que se ponham a pau e vão dar uma curva com a família para bem longe. O incitamento à bagunça não podia ser mais claro.

 

1.3.13

 

António Borges de Carvalho

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