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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

OS ESTAPAFÚRDIOS

 

Ao ver e ouvir as insistentes, continuadas e estapafúrdias diatribes contra o discurso do PR, o IRRITADO não pode deixar de voltar ao assunto.

 

Para que serve, afinal, o PR? Ninguém sabe. Como ninguém sabe, vale tudo. O PR serve para apoiar a oposição quando diz coisas de que a oposição gosta. Serve para apoiar o governo quando diz coisas que agradam ao governo. Serve para levar na cabeça quando não diz nada. Serve para levar na cabeça quando diz seja o que for. Se se cala é porque se cala, se fala é porque fala, dependendo de a quem serve o silêncio ou o barulho.

O actual Presidente tem tido a infeliz ideia de dar umas no cravo outras na ferradura, além de uma triste tendência para meter os pés pelas mãos de vez em quando e de uma irresistível vontade de se meter onde não é chamado. Com isto aliado à estupidez constitucional do seu cargo, tudo fica mais difícil, para ele e para nós. Ao menos, diga-se, não é golpista como seu miserável antecessor.

 

Esta estapafúrdia coisa do semi-presidencialismo à portuguesa não tem nada de semelhante em qualquer país civilizado de aquém ou além-mar. É, aliás, único no mundo. Em França, o governo é o governo do presidente, mesmo que seja contra o presidente. O senhor Obama, nos EUA, a dona Grelma no Brasil, e tantos outros, são os chefes do governo. Na Europa monárquica, o Rei tem o “seu” governo porque, enquanto máximo representante da Nação, tem o governo que o seu povo escolheu. No resto da Europa Ocidental, os Presidentes são meros e preciosos representantes protocolares do país, só entrando em “acção” em casos de guerra ou crise extrema, como sucede agora em Itália. Em Portugal, o Presidente não é carne nem peixe: é uma coisa que uns burríssimos e estapafúrdios intérpretes das teorias de um senhor que se chamava (ou chama?) Maurice Duverger arranjaram e apimentaram com socialismo a rodos.

Fora daqui, o Presidente é respeitado por todos, todos se levantam quando ele aparece, todos o aplaudem, porque, gostem ou não de quem preside, sabem distinguir o seu representante das guerras políticas em que andam. É ver Obama, por exemplo, envolvido em terríveis polémicas com a oposição, ser aplaudido por unanimidade do Congresso sem distinção de partidos.  É que os americanos, como a generalidade dos europeus, aprenderam com os ingleses que uma coisa são os políticos, outra a Nação, ainda que no seu caso, o Presidente vista os dois casacos. Mas nós, por via constitucional (leiam!) deixámos de ser Nação, passámos a ser só República. E que república!

 

Impera entre nós a mais estapafúrdia das confusões. Ao ponto de, quando o Presidente, quiçá pela primeira vez, se limita a cumprir a tal Constituição de que tantos gostam quando lhes faz jeito, isto é, quando diz umas coisas perfeitamente inócuas e evidentes quanto à situação do país e declara, como lhe compete, que precisamos de estabilidade, que deveria haver um desígnio generalizado para cooperar numa estratégia de futuro, eis que a oposição minoritária, não só não o aplaude como nega, implícita e explicitamente, qualquer intenção de cooperar seja no que for e seja com quem for. Fazê-lo não é só estapafúrdio, é estúpido e perverso.

 

A oposição acha, agora, há “uma maioria, um governo, um Presidente”. Não há, é uma pena, mas enfim. Na cabeça dos estapafúrdios, tal é uma desgraça. Mas, simultaneamente, como já vi e li, “uma maioria, um governo e um presidente… do 25 de Abril” seria porreiro! Fica provado que, como o IRRITADO sempre disse, o 25 de Abril dos estapafúrdios não foi democrático, foi socialista: destinava-se a, para por todo o sempre, nos dar uma obrigatoriedade socialista no meio de uma “atmosfera” democrática. Ainda não perceberam que o 25 foi há quarenta anos e que muita água passou, entretanto, por baixo das pontes.

 

O risco de cairmos nas mãos de gente desta é de tal maneira assustador que o IRRITADO não tem palavras para o descrever.

 

28.4.13

 

António Borges de Carvalho

A TROPA FANDANGA EM MANOBRAS

 

Depois da fuga do desejado Costa, que percebeu que ia ficar nas mãos da tropa fandanga e deu à sola em boa ordem, a dita recolheu a quartéis durante umas semanas. Depois, mandou vir de Paris o orago da freguesia. Conseguiu que o metessem no “serviço” público de televisão a regougar a sua cartilha aldrabona – mas de que há quem goste(!!!). E a tropa lá ganhou novo fôlego.

 

Ontem, o IRRITADO dá consigo a olhar para a carinha rechonchuda de um rapazola – como é que o tipo se chama? – que veio à sempre prestável SIC Notícias dizer de sua justiça acerca de uma carta aberta que ele e mais umas dúzias de taratas do regimento escreveram ao oco.

Objectivo: a luta continua, o oco para a rua!

Pensaram pensaram e descobriram a solução: pôr os “civis” a votar no próximo grande chefe. Com umas ajudas, sobretudo da RTP, mas também da SIC, da TVI e do novo “comentador”, podem arregimentar uma data de malta para votar contra o oco. A coisa, se for só dentro do partido, arrisca-se a ser uma chatice. Com umas ajudas bem pensadas, o oco tem os dias contados. Genial!

É claro que o rapazola trata de justificar a coisa “democraticamente”. Trata-se, como é evidente para a tropa fandanga, de a(pro)fundar  a democracia, de a fazer extravasar das fronteiras partidárias, de estender ao povo, não o povo propriamente dito mas um “povo” voluntarioso e cheio de fervor, quer dizer, estender a quem quiser a escolha do novo coronel do regimento. A coisa bem preparada vai ser um vê se te avias, não é? No fundo, trata-se de fabricar um “universo eleitoral” de voluntários capaz de dar a volta ao interregno em que a tropa fandanga parece estar fora da parada do quartel.

 

Bem visto. Gente fina.

 

26.4.13

 

António Borges de Carvalho            

MÁSCARAS

 

Ontem, uma data de figuras gradas da nossa pobre política dedicaram o dia a inúmeros exercícios de pancadaria verbal contra o discurso do PR. Talvez por engano, o Presidente fez uma prelecção realista, equidistante, democrática. Apelou ao bom senso e ao consenso, isto é, àquilo que toda a gente sabe: seria útil que o PS tivesse uma atitude patriótica e se dispusesse a concertar algumas coisas essenciais em termos de estabilidade, de futuro de médio e longo prazo, de compromisso histórico, de respeito pelas instituições democráticas e de credibilidade e capacidade de negociação com os credores.

Em vão, como era de esperar. Ao PS, o que interessa para contentar o oco e os seus santos de estimação, Soares, Alegre (Melo Duarte, de seu renegado nome) et alia, e dos seus poderosos demónios, Pinto de Sousa, Costa e outros pífios, é voltar ao poder a todo o custo. Deviam ter esperança de poder contar com um Presidente do tipo do sinistro Sampaio, que não hesitou em dar uma golpada totalmente ilegítima (para que serve, afinal, o Tribunal Constitucional?) quando apeou os que não eram da sua cor e atirou para o galarim os camaradas que viriam a dar cabo do país. Que interessa o país se não como trampolim?

O PR foi acusado de tudo: caiu-lhe a máscara, uma crítica que sumariza todas as outras, saída da boca dessa besta redonda que se chama Vasco Lourenço. Ou seja, quando um PR faz um discurso em que apela ao patriotismo dessa gente, em que defende a estabilidade dos mandatos – coisa de pouca estima entre nós -, em que apela à arduamente conquistada credibilidade externa que é o que nos mantém, apesar de tudo, a boiar na borrasca, há que Deus que está a apoiar o governo – como se o Presidente, à imagem de Eanes, Soares e Sampaio, tivesse o dever de ser contra o governo! - que não é independente, que lhe caiu a máscara!

Facto é que a máscara caiu do focinho de uma data de gente, a começar pelo bando de ignorantes e de esquerdistas primários que dá pelo nome de “capitães de Abril”. Caiu a máscara a toda a esquerda dita democrática. Neste 25, ficou mais claro que nunca que, para esta gente, o que se pretendia com o golpe militar era, sim, a democracia, mas desde que a democracia fosse socialista. Ou seja, o que eles queriam e, pobres, obsoletos e vesgos, ainda querem, é voltar aos tempos de antanho, em que a democracia propriamente dita era arrastada pela rua às mãos, armadas ou não, dos exércitos do socialismo. A unânime vozearia desta malta tem o claríssimo significado da defesa da democracia limitada, anquilosada, confundidos os conceitos de direito com os da absurda ideologia constitucional, confundida a Nação e a Pátria com a República, confundida a liberdade política com a obrigatoriedade de se ser socialista.

A liberdade prometida pelos capitães era, afinal, nas suas próprias palavras, uma ficção que encobria o desejo do exercício do poder por uma fracção da sociedade, integrada por socialistas e por enganados pelo socialismo.

Máscaras há muitas. A mais perigosa, a mais sinistra, a mais contraproducente, é a máscara de democrata ostentada pelo socialismo nacional.

 

26.4.13

 

António Borges de Carvalho   

RENDAS E FALÊNCIAS


Há para aí uns doze anos, o autor do IRRITADO publicou um livrinho de ensaios a que chamou diatribes  (O PRESIDENTE DE NENHUM PORTUGUÊS, editora Europa América, 2001). Passe a publicidade. Numa das tais diatribes, dedicava-se o autor a condenar com veemência uma campanha governamental que tinha por objectivo proteger, com chorudos dinheiros públicos, o chamado “comércio tradicional”.

O comércio tradicional era, no conceito governamental, o comércio de rua antigo, de que Lisboa e Porto abarrotavam. Na esmagadora maioria dos casos, tal comércio tinha, como única razão de ser, o facto de não ter custos de instalação, uma vez que se fundava em rendas do tempo da Maria Cachucha, gloriosamente protegidos pelo Estado desde a primeira república. Se pagassem rendas actuais, as lojas fechavam, não porque tais rendass fossem especulativas ou exageradas, mas porque as lojas, em condições normais, jamais sobreviveriam. Tinham um muito lucrativo produto escondido para vender: o trespasse e/ou a venda de quotas. Se decidissem fechar as portas, ganhavam a reforma e, ainda melhor, vendendo as quotas da sociedade o novo proprietário continuava calmamente a não pagar renda. Razão pela qual andar o Estado a proteger estes comerciantes de xaxa com dinheiros públicos, em vez de os obrigar a modernizar-se e a enfrentar os custos de instalação ou, simplesmente, a fechar, era um desperdício e um contributo para a paralisia económica e para a degradação do património das cidades.


O fecho de uma loja inviável jamais foi drama de maior. Se estivermos dois ou três anos numa cidade que se preze (Londres ou Paris, por exemplo) vemos, todos os dias, abrir e fachar lojas. As que se safam, continuam. As outras fecham. Vem sempre alguém a seguir alugar ou comprar as instalações. O comerciante, esse, ou muda de ramo, ou vai prégar para outra freguesia. A vida continua.


Estes movimentos, em Portugal, foram simplesmente proibidos durante mais de um século! Criou-se uma floresta de lojas sem sentido ou viabilidade. Há por cá mais comes-e-bebes por habitante que em Londres ou Paris, isto para falar só em comes-e-bebes. No resto, é mais ou menos a mesma coisa. Olhem para as ruas da baixa, por exemplo! Lado a lado, lojas modernas, com rendas actualizadas, fazem o seu negócio sem problemas de maior – ou não fazem, e fecham, como é da natureza das coisas – e lojas completamente obsoletas, sem outra viabilidade que não seja a que é paga pelo senhorio.


Nos dias que correm, anda para aí uma data de artistas a gritar que há muitas lojas a fechar por causa da nova lei das rendas. Esta, finalmente,  adiantou alguma coisa, ainda que com tantas peias burocráticas e “sociais” que ninguém se entende lá muito bem com ela. É natural e lógico que muito do comércio dito “tradicional” se vá abaixo. Aumentam as rendas e, ao mesmo tempo, baixa o consumo. Mas, de uma forma geral, o que se passa é positivo em termos de futuro, de verdade e de modernização.


O problema é que os “velhos do Restelo”, ou as “forças de bloqueio” têm, entre nós, mais força que em qualquer outro país da Europa, ou até do mundo.

Parece que, mesmo assim, a coisa vai para a frente. Que diabo, alguma coisa boa há-de acontecer nesta pobre terra!

 

24.4.13

 

António Borges de Carvalho

TABUADA

 

Há dois ou três dias, uma neta do IRRITADO veio pedir-lhe ajuda para umas contas de dividir. O IRRITADO achou estranho. A miúda, que não é burra nenhuma, já tinha escolaridade suficiente para não precisar de ajuda em coisa tão simples.

Mas precisava mesmo. Em poucos minutos percebeu-se porquê. Primeiro: usava máquina de calcular desde o primeiro ano (antiga primeira classe). Segundo: tinham-na ensinado a dividir da mais absurda das maneiras, com umas setas para baixo e para cima, como somas e subtracções no meio da conta, uma pessegada dos diabos. Terceiro: nunca tinha memorizado a tabuada, pelo menos a ponto de a papaguear sem dificuldades ou hesitações.

Parece que, por nova obrigação,  ou por divina ou ministerial inspiração, a entidade docente tinha resolvido que a menina devia aprender a fazer contas de dividir à antiga portuguesa, coisa que certamente devia ser tida tida por fascista pela nacional bempensância. Foi um trabalhão para a meter nos eixos. Ficámos de praticar mais, a minha neta e eu.


Vem isto a propósito de umas ordens que o Prof. Crato deu. Quer obrigar os meninos e as meninas a memorizar a tabuada e proibiu o uso da máquina de calcular até ao quarto ano. No parecer do IRRITADO ter-se-á enganado numa coisa: é que nada parece indicar que, aos nove anos, as criancinhas já estejam “tabuadamente” preparadas para passar ao uso da maquineta sem prejuízo próprio. Mas a decisão é de mestre.

Agora, vejam os jornais. Multidões de intelectuais dão pancadaria no Crato. Regressão do ensino, mergulho na idade média, salazarismo serôdio, um coro de “sábios”, chefiados por esse tarado cabeludo que se chama Santana Castilho.


Não há nada a fazer. Está sempre tudo errado, desde que venha de onde vem. Não vale a pena contestar. O regresso aos gloriosos tempos do Afonso Costa parece imparável.

 

24.5.13

 

António Borges de Carvalho

E AGORA E NÓS


E AGORA?

 

O IRRITADO tem estado em repouso. Uma semana inteira. Sem inspiração, sem pachorra e, se calhar, farto. Não de ir escrevendo coisas, mas de haver coisas a mais para o irritar.

Vem a tentação de ir um bocadinho mais fundo. Não ficar pela espuma dos dias, como ora soe dizer-se. O fundo é negro, como uma noite sem lua nem estrelas. E, na negrura, nada se entende, ou nada se vê.

As verdades são duras: um problema. Problema maior é não as querer  ver, ou achar que se aplicam a outrem que não a cada um.

A Europa inteira, Alemanha incluída, parece estar de quarentena: em vez de se tratar, espera que a doença passe. Triste ilusão.


Há dois vectores fundamentais para o catatónico estado do continente.

Um, como toda a gente sabe, é a emergência de concorrentes a quem foram dadas todas as facilidades para nos invadir. A Europa deixou de se proteger e espalhou o seu know how pelo mundo fora, em mãos de terceiros: em suma, deixou de ser competitiva. Caiu nos braços da grande ilusão dos “serviços”, abandonou a indústria e o sector primário. Sem sector primário e sem indústria não há economia. Sem economia não há dinheiro. Sem dinheiro, cresce a dívida para lá do que seria suportável, tudo na estulta esperança de manter as facilidades a que se estava habituado. Um objectivo impossível.

Outro, um flagelo de que poucos falam: a nova economia. A nova economia não emprega mão de obra que se veja, por mais qualificada que seja a que está disponível. Enormes investimentos na qualificação das pessoas não são, simplesmente, reprodutivos.  A nova economia usa a cabeça, não os braços. Faz-se o mesmo dinheiro com uma dúzia de pessoas que antes se fazia com centenas. As grandes organizações da nova economia são as comunicações, os gadgets, et alia, com pouca gente, muita tecnologia, e hard ware – que ocupa mão de obra - comprado à China ou equivalente. Na Europa, o emprego escasseia e as chamadas “prestações sociais” – que na China não existem – deixaram de ser sustentáveis.


Depois,temos a política. É triste ver como, ao primeiro abanão, toda a Europa esquece a sua “construção” e se entrega a novos nacionalismos. A carreira dos nacionalismos só acaba, como a História demonstra, de uma forma: a guerra. A Europa parece não se lembrar da sua própria história. Ou não a perceber. O que se verifica ao nível dos Estados, verifica-se ao nível das pessoas. Ninguém aceita, salvo excepções de tipo finlandês ou irlandês, que a crise toque em direitos que o não são. Porque custam dinheiro. Dependem de uma economia que deixou de existir.


E agora? O IRRITADO não sabe. O que há, ou é insustentável ou demasiado perigoso. O Sul, enredado que foi na ilusão do euro, não tem capacidade para, por si, sair do atoleiro. O Norte parece ter-se esquecido de que precisa dos mercados do Sul e preferir os de Leste, com moeda fraca a produtividade acrescida. Quem não é Norte nem Sul, ou é as duas coisas – a França – já esteve mais longe de ficar como os meridionais.


E agora? Resuscitar o “sonho europeu”? Quem acha possível tal coisa? Assumir o recuo e esfrangalhar tudo outra vez? Esperar que os eleitorados tenham novas oportunidades e novos líderes apareçam? Milagres há poucos ou nenhuns.

 

E NÓS?

 

E nós? O problema é nosso, ou somos nós o problema? A resposta às duas questões é sim. A “nossa” Europa está como acima se foi dizendo.

Por cá, o que temos?

Um sistema político concebido por jacobinos e marxistas, engolido pelos que o não eram a bem de alguma paz interna; um sistema que, fundado no socialismo obrigatório, está exausto e incapaz de dar resposta aos problemas que o socialismo criou. O dinheiro acabou-se, ou migrou, o socialismo tem que acabar, porque se acaba quando acaba o dinheiro, como é mais que sabido.

Um poder sem limites nem recurso – o Tribunal Constitucional – que se dá ao luxo de interpretar a Constituição segundo o mais autista dos critérios - ainda que salvaguardando os interesses de alguns - e condena a sociedade e o Estado a mais sacrifícios gerais e cegos.

Um Presidente da República que, à semelhança dos outros do regime, anda à procura do seu papel, atrapalhadíssimo para não fazer asneiras nem perpetrar golpes de Estado.

Um Parlamento entretido em jogos de guerrilha, sem eira nem beira, que nem as leis que faz consegue  interpretar.

Uma extrema esquerda totalmente divorciada da realidade, a repetir cassetes obsoletas ou sem sentido, sem outro objectivo que não seja o bota-baixo, do actual governo como de todos os outros, passados e futuros, sem um resquício de objectividade ou patriotismo. Ideologia totalitária e mais nada.

Um partido de oposição comandado por um palhaço às ordens de outros palhaços, sem sentido de responsabilidade ou de respeito pelos problemas dos outros.

Um partido do poder pejado de traidores, que se limita a assistir sem chama e sem projecto. Outro partido do poder perito em intrigiuinhas maricas e bocas de urinol.

Um poder judicial, o pior da Europa, convencido que todas as culpas são dos outros, a brincar aos sindicatos e às reivindicações.

Umas Forças Armadas, de alto a baixo, preocupadas com ordenados e mordomias.

Uns sindicatos tão retrógrados como irresponsáveis, que ainda bebem da fonte da revolução industrial ou do marxismo-leninismo.

Uma "informação" desinformadora, retorcida e corporativa.

Um governo que, mau grado defeitos vários, conseguiu alguns objectivos que considera prioritários: voltou ao mercado, arranjou mais tempo para pagar as dívidas, conseguiu que já se falasse em aliviar a austeridade, ou seja, faz o que o acusam de não fazer: negociar, negociar, negociar. Apesar de tudo, algum êxito. É claro que há o desemprego, com a desgraça social que arrasta. É claro que há os impostos, que dão cabo da vidinha de todos, IRRITADO incluído. É claro que há que estar à altura de uma tarefa gigantesca e dolorosa, ainda por cima, sem garantia de resultados. Mas venha o mais pintado dizer qual é a alternativa, sem clamar disparates, “análises” e patranhas, que é o que está na moda.

Os palhaços querem condenar o país a uns seis meses de paragem e de descrédito. Zurzem o PM por ter dito, claramente e sem discussão possível, quais as consequências da “histórica” decisão do Tribunal Constitucional, algumas de tais consquências já à vista de todos. Mas dizer a verdade não faz parte do jogo político português. Se não se disse a verdade, ou a verdade toda, aqui d’el Rei que não foi dita. Se se diz, não se devia ter dito. O que interessa aos palhaços é “fazer-se” ao poder, não é resolver os problemas ou deixar que se resolvam, ou ajudar a resolvê-los.

Muita gente clama pelo “consenso”, coisa fundamental, sobretudo no plano externo. O IRRITADO não gosta de consensos, que são sempre mutilações das ideias de quem “consensa”. É a favor dos compromissos. Nesta altura, em qualquer democracia digna desse nome, o compromisso devia ser o de respeitar o poder eleito enquanto para tal tiver mandato, em vez de criar vergonhosa e ruinosa instabilidade.

Mas vá lá dizer-se isso aos palhaços! Andar em frente não faz parte da estratégia deles.

 

22.4.13

 

António Borges de Carvalho

VITÓRIA DA RAZÃO E DA HONESTIDADE

 

Como o IRRITADO tinha previsto, o camarada Pinto de Sousa garantiu a autenticidade,  a veracidade, a legitimidade, a transparência, a honestidade, a credibilidade, a lhanesa do processo que levou à vitória, nada esmagadora, do Maduro. Que mais podemos desejar? O senhor Pinto de Sousa, do alto pedestal que a sua honrada idoneidade garante, proclamou urbi et orbe a verdade dos factos. Hossana! Podemos, como dizia o IRRITADO, ficar descansados.

Lado a lado com Pinto de Sousa, outras altas e nobres instâncias internacionais juram o mesmo, e congratulam-se com a vitória da grande revolução bolivariana. O senhor Putin, os grandes democratas da China, a dona Kirchner, o Castro de Cuba, o Corrêa, por exemplo. Um punhado de gente de sucesso!

Entretanto, as forças da reacção e do imperialismo entraram em acção: o fascista Capriles, vencido, denuncia 3.200 irregularidaes do processo eleiitoral e exige a recontagem dos votos; a União Europeia exprime o seu desejo de que tal recontagem venha a dar cabo das dúvidas. Por exemplo.

Mas a reacção não passará! Se Pinto de Sousa já se pronunciou, que mais há a acrescentar? A verdade mais uma vez brotou da sua garganta como uma rosa que desabrocha!  

 

15.4.13

 

António Borges de Carvalho

UM DESCANSO

 

Várias personalidades e governos, por esse mundo fora,  se têm feito eco de alta preocupação com as eleições venezuelanas. O próprio IRRITADO, personalidade, como é sabido, de alto gabarito e projecção internacional, tem tecido acerbos comentários sobre a personalidade do senhor Maduro e sobre as suas madurezas. Verdade é a generalidade das pessoas bem informadas tem revelado que o processo eleitoral venezuelano está profundamente viciado e não merece sombra de credibilidade.


No entanto, uma esperança, ou melhor, uma certeza, despontou no horizonte, negando razão aos maldizentes, IRRITADO incluído. É que, a convite das insuspeitas autoridades venezuelanas, o senhor Pinto de Sousa, emérita flor da política portuguesa, vai “monitorizar” as eleições presidenciais do jardim de Chávez, ora exemplar e maduramente jardinado pelo grande democrata e irmão ideológico da nossa viçosa flor.


Assim, corações ao alto! As eleições na Venezuela vão ter o aval de um português, e não de qualquer português! A idoneidade de Pinto de Sousa não suscita dúvidas a ninguém. Será a maior garantia da legitimidade do amigo Maduro e da inegável limpeza e transparência, tanto do processo elitoral  como da esmagadora vitória do bolivarianismo maduro.


O mundo pode descansar.

 

11.4.12

 

António Borges de Carvalho  

BURACAIS NOTÍCIAS

 

A inigualável Câmara de Lisboa anunciou que vai investir, ou gastar, na tapagem de buracos e asfaltagem de ruas, a módica quantia de sete milhões de euros. Muito bem. A vergonha que sente e os riscos que corre quem anda a pé, de carro ou de transporte público na Rua do Ouro ou nos Restauradores,  dois dos milhares de exemplos que se pode ir buscar a esta  cidade mártir das ruas esburacadas e dos passeios esventrados, justificam que nos alegremos com a notícia.

Antes de mais, espera-se que seja notícia, isto é, que não seja propaganda como, há anos e anos, tem sido a história da reconstrução das piscinas do Campo Grande e da Avenida de Roma, coisa “urgente” que nunca passou de enormes cartazes, os quais acabaram, eles próprios, por ser destruídos pelo passar dos anos.

Estamos perto das eleições, o que talvez explique alguma coisa. Antes das últimas, também deu à CML uma vontade fantástica de asfaltar. É claro que se tratou de uma aldrabice como tantas outras. As ruas não foram asfaltadas, foram cobertas por uma camada de alcatrão com gravilha, sem preparação nem cuidado. Aqui, à porta do IRRITADO, a tal camada, mesmo fina, foi o bastante para pôr o passeio ao nível do asfalto e para acabar com sargetas e e valetas, quer dizer, com toda e qualquer drenagem. Nas ruas vizinhas passou-se o mesmo, o que leva a crer que a porcaria foi geral.

Como declaração de interesses, diga-se que o IRRITADO, até certo ponto, gostou destas incríveis obras. É que, como as sargetas deixaram de existir mas a rua é a descer, a água da chuva vai desaguar mais longe, sabe-se lá onde. Ora isto tem colossais vantagens. É que, sempre que havia chuvas intensas e os colectores de águas pluviais já não aguentavam, a nossa bem amada Câmara tinha o caridoso hábito de ligar as águas pluviais aos colectores da caca, o que fazia regurgitar toneladas de cagalhões em todas as caves cá do sítio. Com as sargetas entupidas, mesmo num ano em que tem chovido como o raio, não aconteceram tais invasões.

Sejamos optimistas. Pode ser que, para estas eleiçõees, a CML volte a entupir tudo e mais alguma coisa, a fim de libertar as caves de cada um das merdólicas influências camarárias.

Já agora, um apelo ao camarada Costa: veja lá se arranja uns milhões para acabar com a maldita calçada portuguesa que, de tão maltratada, é causa de inúmeros pés torcidos, quedas de jovens e velhinhos, pernas partidas, desordens à pedrada, infiltrações nos prédios e outros efeitos menos desejáveis.

É claro que a asfaltagem dos passeios, como dirão os seus camaradas Fernandes e Helena, provocará essa coisa horrível que é a “impermeabilização dos solos”. A este respeito, fará o camarada o favor de ir a Paris ou Londres, por exemplo, observar o que é a tal impermeabilização e como se faz a drenagem das águas pluviais.


Com os cumprimentos do IRRRITADO.

 

10.4.13

     

António Borges de Carvalho

PROFISSIONALISMO

 

Segundo o DN de ontem “os docentes estão sujeitos a factores de risco sobretudo de natureza psicossocial”.

Como todos nós estamos, dirá o IRRITADO, que é mau como as cobras. Mas isto não tem importância para o caso.

Importante é saber que, talvez por causa dos tais “factores de risco”, em 2012, 47.532 professores metram 84.246 baixas por doença.

 As tais baixas, tanto em 2012 como nos dois anos anteriores, têm uma interessantíssima curva (números redondos): em Janeiro e Novembro, conhecem um pico (cerca de 12.000), certamente devido à gripe. Com a chegada da Primavera (Abril) andam pelas 6.000. No Outono (Outubro, Novembro) sobem para os 9.000 e, por alturas das férias de Natal, voltam às 6.000.

Os calores do Verão são altamente sadios para a classe. De Junho para Julho caem de 6.000 para 3.000. Em Agosto, a classe tem uma súbita e alargada crise de saúde e umas santas férias: não há baixas!


E esta, hem!

Talvez o xarroco dos bigodes saiba explicar este estranho fenómeno de acrisolada e sasonal dedicação à nobre missão de ensinar.

 

9.4.13

 

António Borges de Carvalho

CONSELHOS ESOTÉRICOS

 

Algumas dicas para reforçar a campanha do oco, conselhos que não são originais do IRRITADO, mas simples adpatação dos argumentos eleitorais desse grande amigo do PS que se chamava Chávez, agora glosados pelo seu ilustre sucessor, um tal Maduro.

Para além de não haver dúvidas de que o cancro do Chávez foi obra do Obama, o qualmeteu o tradicional caranguejo nas entranhas do herói, para além de não haver dúvidas quanto à protecção de São Simão Bolivar à revolução socialista de que é orago, avultam diversos factos que, com as devidas adptações, deveriam fazer parte do argumentário do oco no que respeita à necessária e indispensável queda do governo, e à sua (dele) merecida subida ao poder.


A saber:

- Não restam dúvidas sobre o facto de a falta de inteligência que o aflige ter sido causada, a mando de Passos e de Gaspar, pelo Silva Carvalho, ex-chefe dos espiões, mediante a introdução de um pó inibidor de neurónios no papel higiénico do Largo do Rato;

- Não restam dúvidas sobre a protecção pré-tumba que ao oco é dada por São Mário Soares, via intercessão da dona Maria de Jesus junto da cúria celestial;

- À semelhança do camarada Maduro, que invoca a maldição de Macarapana, a qual se abaterá sobre quem nele não votar, com catastróficas consequências indivuduais, o oco devia ter em consideração e denunciar a maldição socrélfia, que o persegue e que inspira aqueles que, dentro e fora do PS, teimam em apeá-lo ou em chamar-lhe oco;

- Deve, como o Maduro, ir de autocarro a todas as suas intervenções públicas, ainda que para isso tenha que tirar a carta de pesados, coisa difícil na prática e ainda pior na teórica;

- Deve mandar pedir ao passarinho que, qual espírito santo bolivariano, trouxe ao Maduro a inspiração da alma do Chávez, que venha até cá e o ilumine com os ensinamentos do camarada Hollande;

- Deve, como o Maduro, esconjurar os que, na sombra, preparam a sua morte, como, aliás, lhe aconteceu, por intervenção de uns americanos, e acontece ao oco por mor das manobras dos neoliberais;

- “Querem matar-me!”, dirá em todas as ocasiões, e denunciará os mais variados complots que por aí contra ele se agigantam;

- Deverá atribuir à coligação o que o Maduro atribui à oposição democrática e mandar investigar os mercenários do PP espanhol que se encontram em Portugal para pôr em prática a estratégia dos conspiradores;

-  Não deixará que se perca a consciência pública dos que planeiam acções destinadas a, quando cheagr ao poder, aumentar o número de assassínios, de suicídios e de outras desgraças, até agora provocados pela troica e seus associados e que o Maduro, na sua terra, não se cansa de invectivar.


Seguindo estes doutos conselhos, poderá:

- Aumentar o seu prestígio junto da América Latina, e obter a protecção, mais que divina, do Maduro;

- Obliterar, na cabeça dos portugueses, a teimosa impressão de que não tem nada de concreto dentro do crânio, bem como a satânica e generalizada convicção de que é absolutamente incapaz de resolver seja que problema for;

- Fazer calar os inimigos internos - amedrontados com a maldição do Maduro - bem como todos aqueles que o obrigaram, a bem da sua “autoridade”, a inventar uma crise política e que o impede de ceder aos universais apelos em favor do país;

- Conseguir calar os que o acusam de não pensar, um minuto que seja, nos problemas do país, mas 24 horas por dia na melhor forma de chegar ao poder.


Aqui ficam alguns pequenos exemplos do que os conselhos do Maduro, via IRRITADO, podem proporcionar à glória e à fama do oco.

 

9.4.13

 

IRRITADO

SUBJECTIVIDADE E ABUSO, UM POST EVENTUALMENTE INCONSTITUCIONAL

 

Do Presidente da República ao da Comissão Europeia, passando pela generalidade dos políticos, comentadores, politólogos e “ólogos” das mais diversas origens e ideias, não há quem não clame que Portugal se encontra em estado de emergência económica e financeira, Estado não formalmente declarado, mas reconhecido e assumido como tal por toda a gente.

Ora o que é o estado de emergência? Aquele em que se justificam “medidas excepcionais... e restrições de... direitos e garantias” rezam os dicionários e prevê  a Constituição que, infelizmente, tem influência na nossa vida.

Dizia acima que todos concordam: estamos em estado de emergência. Todos? Não! A maioria das treze almas que integram o Tribunal Constitucional acha que estamos num período absolutamente normal da nossa vida colectiva, sendo de aplicar, de forma o mais restrita possível, o que dispõe, ou acham eles que dispõe a Constituição - esse “acto de loucura”, como muito bem a classificou Vasco Pulido Valente.

Ao estado de emergência o TC contrapõe o chamado princípio da igualdade, princípio que, como, mais uma vez diz VPC, motivou matanças em massa, pelo menos nos casos da Revolução Francesa e, em Novembro, no da “gloriosa Revolução de Outubro”!

A aplicação de tal princípio só pode, objectivamente, ter legítimo lugar quando há tratamento diferente de indiscutíveis situações iguais. Fora deste evidente critério, a sua aplicação tem sempre carácter subjectivo. Subjectivamente, os meritíssimos juízes levaram o conceito a insuspeitáveis extremos, sujeitando o país a sacrifícios muito maiores que aqueles que lhe cairiam em cima se as normas ora consideradas inconstitucionais ficassem em vigor.  Aliás, a espantosa pobreza da “argumentação” económica e financeira do acórdão confirma que a decisão foi exclusivamente política, e destinada a criar ou exponenciar uma crise política que os partidos da oposição dizem existir, isto sem sombra de respeito por todos nós e de costas para a realidade dos factos ou das consequências da “crise” com que miseravelmente rejubilam e que querem agravar -  a ver se o poder, a bem ou a mal como diria Mário Soares, lhes cai nas mãos.

Seria legítimo esperar que o TC considerasse, ou estimasse,  as consequências políticas, económicas e sociais daquilo que decidiu. Se o fez, porém, achou-as dispiciendas. Ao serviço de quê? De nada que tenha a ver com o interesse nacional, ou seja, com os nossos interesses.Estes não mereceram ao TC a mais leve sombra de consideração. O que lhe mereceu consideração foi a sua própria subjectividade, a luta política, a afirmação despudorada do seu poder, exercido sobre todos nós sem apelo possível.

O exercício do poder sem apelo, sem fiscalização e sem recurso, é o exercício de um poder absoluto, o que, no chamado Estado de Direito, não devia poder ter lugar. Existindo, ou é exercido com moderação, com avaliação das consequências e, sobretudo, com bom senso, ou se transforma em abuso de poder, coisa tipificada no Código Penal ( Artº 382º) e punida com pena de prisão até três anos, sem prejuízo de agravantes, aliás evidentes no caso vertente, já que o TC não causou “prejuízo a outra pessoa” mas a dez milhões de portugueses!   

Quem vai pagar a política do TC? Os mesmos que pagariam as normas orçamentais: nós. Só que por um preço MUITO mais alto.

Acresce que o TC não cumpriu a Constituição que é suposto querer aplicar (mal) aos outros: não respeitou a “celeridade”  (Constit. Artº 20, nos 4 e 5) nem a “responsabilidade” (Constit. Artº 22º). É sabido que os juízes são “irresponsáveis” no que respeita às suas decisões, o que não tem nada a ver com estas disposições constitucionais e penais, uma vez que os magistrados são, para este efeito, considerados “agentes públicos”, por isso responsáveis como os outros.

Muito bem considerou o PM esta responsabilidade. Esqueceu-se, ou não considerou que,  neste caso, ela não pode ser objecto de contraditório ou apelo.

 

O modus faciendi.

Viram o espectáculo? Passadas não sei quantas horas depois da prometida, abre-se a porta dos fundos. Solene e negro cortejo de ilustres desconhecidos avança e, imperialmente, toma assento no pedestal colectivo. Uma afirmação de poder, pois então! Aqui estamos todos para que vejam quem manda, olaré. E lá vem a hecatômbica sentença. Depois, denotando inexperiência, um senhor que nunca ninguém tinha visto antes mete-se numa molhada de jornalistas a fim de conquistar tempo de antena. Uma confusão, uma barafunda, a dar cabo do rigor da cerimónia. Inexperiência informada pela sede de protagonismo. Uma tristeza.

  

Finalmente, a Constituição.

Se os juizes decidiram em conformidade com ela – o que é mais que discutível – então é a Constituição que não serve para um país da União Europeia. Quem impede que seja revista está na idade da pedra ou na idade do socialsmo, o que é, tanto à esquerda como à direita, mais ou menos a mesma coisa

 

8.4.13

 

António Borges de Carvalho

INSONDÁVEIS MISTÉRIOS

 

Segundo documentos que circulam na net  e que parecem autênticos – pelo menos a sua autenticidade não foi contestada  –  familiares do senhor Pinto de Sousa dispunham,  em 1 de Março de 2001, de duas contitas off-shore com o saldo conjunto de 225.746.653,00 (duzentos e vinte cinco milhões setecentos e quarenta e seis mil seiscentos e cinquenta e três euros). Será verdade?

Neste caso, é  estranho que o senhor Pinto de Sousa tenha, coitadinho, e segundo o que declarou, precisado de pedir um empréstimo à CGD para ir para Paris. Que raio de família! Então não houve quem o ajudasse?

Também declarou que só tinha uma continha na CGD, coitadinho. Como pagará ele ao Bijan, o alfaiate mais caro do mundo, onde o seu nome consta da lista, afixada na loja, de clientes de excepção?

Segundo o “Sol” de hoje, afinal também tinha, ou tem, conta noutros bancos, que emitiram centenas de cheques em seu nome. Porquê? Mistérios...


O que não se percebe é que amultidão de rabos de palha que perseguem o pobre senhor não chegue para o impedir de andar para aí a mostrar-se.

 

5.4.13

 

António Borges de Carvalho

DIFERENTES LICENCIATURAS

 

O ministro Revas – finalmente! – demitiu-se. Devia tê-lo feito há muito.

Já que, a nível governamental, é este o segundo caso de licenciaturas maradas, há que chamar a atenção do respeitável público para as diferenças entre os dois.

  1. O que aconteceu com o senhor Pinto de Sousa e que foi público cifra-se em exames em série ao domingo, papéis emitidos à pressa e fora do calendário, falsidades, examinadores amigos,uma trafulhice pegada, um mar de trapalhadas.
  2. Com o ministro Relvas terá havido favores, influências, etc.. Ilegalidades, documentos falsos, etc., parece que não.

Por conveniência textual, considere-se que as situações são de natureza análoga.


Porém:

a)      O senhor Pinto de Sousa continuou primeiro ministro uns cinco anos depois da bronca, e acabou por ir-se embora por razões que nada têm a ver com licenciaturas maradas. O senhor Relvas demitiu-se. Tarde, pode dizer-se, mas demitiu-se.

b)      A oposição não exigiu a demissão do senhor Pinto de Sousa. A oposição exigiu a demissão do senhor Relvas.

c)       O governo não ordenou nenhum inquérito à “universidade” do senhor Pinto de Sousa, pelo menos que tivesse a ver com a licenciatura do dito. O  Governo mandou averiguar todos os casos de licenciaturas obtidas com créditos na Universidade do senhor Relvas.

d)      O governo não misturou o caso do senhor Pinto de Sousa nos processos em que a sua “universidade” foi envolvida. O Governo não excluiu o senhor Relvas das suas investigações.

 

Moral da história:

A diferença entre os dois governos, em matéria de honestidade académica e não só , é colossal.

 

Tomem nota.

 

5.4.13

 

António Borges de Carvalho

POBRES DE NÓS

 

Com uma mão cheia de nada outra de coisa nenhuma, o camarada Seguro resolveu arranjar uma moção de censura, ao que dizem destinada a consagrar oficialmente a recusa do PS a seja que iniciativa for que possa manter o chamado consenso.

A moção não era para passar, como é evidente. Então para que era?

Duas evidentes intenções animavam a vazia criatura. Primeiro, a de dar uns rebuçados ao exército interno que, dado o borrego do Costa, perdeu a prImeira batalha para a derrubar. Segundo, empurrar o país para a uma crise política de tal ordem que o PS visse aberto o caminho do regresso ao poder.

As consequências, que qualquer analfabruto podia prever, foram de um patriotismo a toda a prova: queda abrupta da bolsa, perda de credibilidade internacional do país (não do governo), dificuldades ou até impossibilidade de consolidar o regresso aos mercados há pouco ensaiado com sucesso, subida dos juros (estas já aconteceram), monumental recuo do ajustamento financeiro, reforço do desemprego, perda de competitividade, etc., consequências que não deixarão de se verificar a curto prazo.


Na última fila, a ala socrélfia esfregava-se de contente nas poltronas. Cá à frente, a zurricada repetia à exaustão as cassetes que toda a gente já ouviu milhares de vezes.

A moção teve o êxito que merecia: chumbou, mas serviu para que as pessoas, cansadas do ultra-partidarismo do PS, ficassem a pensar que, pior que o que já têm, só com o PS a mandar. Nesse aspecto, foi útil. O pior é o que nos vai acontecer por causa dela.

Tudo isto para recreação de um político oco e de um partido que é, politicamente, um malfeitor encartado, gente que nada é capaz de ver fora dos seus interesses pessoais e partidários e que usa a democracia para trepar seja de que maneira for e à custa do que for.


Pobres de nós.   

 

4.4.13

 

António Borges de  Carvalho

DAR À CASCA

 

Dar à casca consiste em fazer gala em mostrar os despeitos de cada um, mascarando-os de opiniões e julgando que os outros não dão por isso. Trata-se de um desporto muito praticado  no PSD, vá lá saber-se porquê.


Alguns exemplos:


 Capucho. Abandonou a Câmara de Cascais sem mais nem menos. Começou por deixar passar a “narrativa” de que estava doente. Não estava. Foi-se embora e acabou-se. Não fazia parte dos admiradores de Passos Coelho. Era Conselheiro de Estado. Um senador da República, que diabo! Um senhor! Depois, ficou sem este prestigioso lugar por razões que a razão desconhecerá mas que o poder de quem o substituiu justifica. Fez constar a sua disponibilidade para o serviço do partido. Uma camarazita, ou camarazona, como a de Lisbos, ficava-lhe a matar, na sua opinião, claro. Levou com os pés. 

Posto isto, desatou a dar à casca. Da pior maneira. Um tipo do PS ou dos partidos comunistas não faria melhor oposição. Umas bocas na SIC e nos jornais, e aí está uma ferocíssima luta contra o seu partido.


Manuela Ferreira Leite. A senhora deve ter achado insuportável e injusto ter sido corrida da chefia. Estará no seu direito, mas eleições são eleições, agradam a uns e entristecem outros, como é próprio de toda e qualquer eleição, à excepção das do PC que agradam a todos  porque quem não gostar é expulso. Este governo, em circunstâncias muito mais difíceis, está a fazer a política que era, há anos, preconizada pela senhora. Na ilustre cabeça dela, tal política era boa nas suas mãos mas é má nas de outros. E não está com meias medidas. Vem cá para fora dizer cobras e lagartos dos seus colegas de partido.


Pacheco Pereira. Do alto dos inúmeros e bem pagos púlpitos a que soube guindar-se, dedica o seu tempo a zurzir a família com rebuscadas diatribes. Não aguentou ter deixado de ser o filósofo oficial do partido, porque a chefe de quem dependia deixou de o ser. E pumba! Aí está ele à porrada, por tudo e por nada, ou por dá cá aquela palha. Ganhar a vida não é fácil, e não há dúvida que, estando na prateleira, a porrada paga melhor.


Esta lista não é exaustiva, mas ilustra o que se passa. Estranho é que a nenhum destes luminares tenha ocorrido que têm o direito de sair do partido ou que, se querem dar cabo de quem nele manda, devem e podem fazê-lo por dentro. O problema, se calhar, é que, por dentro, ninguém lhes pagava para isso. Cá fora, é um fartote.

“Quem não está bem, muda-se” diz o povo. Esta gente nem se muda nem sai de cima.


Cabe aqui prestar justa homenagem aos inimigos do Seguro. É que são “internos”. Odiando mais o chefe que o Mafoma odiava o toucinho, tratam de o demolir intramuros. Aliás, só não o conseguiram porque o Costa percebeu que estava entre gente muito, muito má, e deu à sola antes que se visse nas mãos do grupo dos deserdados do socrapifiosismo.


C’est la vie!

 

4.4.13

 

António Borges de Carvalho

PRESSÕES E CONSTITUIÇÕES


A pressão é uma coisa chata. Pode ser boa ou má. Por exemplo, a pressão atmosférica pode trazer bom e mau tempo. A pressão arterial (conhecida entre nós por tensão, sabe-se lá porquê) ainda é pior alta ou baixa, tende sempre a fazer mal ao corpinho da gente.

Vem a pressão a propósito, como será de calcular, das “pressões” sobre o Tribunal Constitucional, perpetradas por esse herói/bandido que é o nosso Primeiro Ministro.

Trata-se de “pressões políticas”, como afirma a alcateia. Então, e a decisão do TC, seja ele qual for, não é uma decisão política?

Se escarafuncharmos um pouco a Constituição, lá encontratremos maneira de achar que todo este orçamento é constitucionalmente legítimo. Se escarafuncharmos menos, haverá uma ou outra coisa que não passa. Se não escarafuncharmos nada, isto é, se tomarmos à letra tudo o que é contra o governo, sem tomar à letra tudo o que o poderia safar, então é um chumbo generalizado. De qualquer forma, o TC está politicamente numa camisa de onze varas: se decide a favor do governo, a alcateia uivará de fúria, se decide semi-contra, a alcateia uivará na mesma, e, se decide contra, a alcateia dará pulos de alegria e não se sabe o que acontecerá ao governo.

Ora a Constituição, se interpretada à letra mais curta, tenderá a acabar com o governo. Porquê? Porque a Constitução é contra a política deste governo, como é contra a política da União Europeia, como será contra todas as políticas que não sejam o cumprimento do programa político de esquerda nela ínsito. A Constituição com que o PREC e o desvario político-militar nos presentearam é uma Constituição programática. Nela, a democracia acaba quando o governo não é socialista ou coisa que o valha.

Escusado será dizer que, se tivermos uma noção simples do que é uma constituição democrática, teremos que concordar que ela, se quiser defendar a democracia, impõe um sistema de determinação da legitimidade dos poderes, a sua separação, a rule of law, e pouco mais. O que não é, nem de longe,o caso da nossa.

Independentemente da opinião de cada um sobre o orçamento, a verdade é que as decisões do TC pouco ou nada terão de jurídico. Terão tudo de político. Sejam quais forem, fundamentar-se-ão em especiosa argumentação juridico-constitucional. Mas não serão, por isso, decisões jurídicas.

O governo pode ser bom ou mau, segundo a opinião de cada um. A Constitução, essa, é má de certeza absoluta. Os que a defendem, fazem-no por oportunismo político, por ideologia rançosa ou por ignorância induzida por defensores de uma coisa a que chamam democracia mas que.

 

1.4.13

 

António Borges de Carvalho

DA MALEVOLÊNCIA E DA ESTUPIDEZ

 

A propósito da peregrina história do ex-chefe dos “espiões”, vale a pena lembrar alguns factos e fazer uma recomendação ao governo.

O império Balsemão entrou em guerra de galifões com o império Vasconcelos há já muito tempo;

 

- Toda a guerra contra o tal chefe dos “espiões” começou com um ferocíssimo ataque lançado pelo “Expresso”, propriedade de um dos beligerantes;

- As acusações foram aproveitadas, glosadas e aumentadas pelos media e pelos partidos que achavam que a guerra em causa podia ser atirada às canelas do governo ;

- O homem foi interrogado pelo parlamento, nada de jeito daí tendo surgido;

- O ministério público resolveu investigar o caso, vindo a cusá-lo de diversos crimes;

- O homem saíu do império Vasconcelos, por causas que não interessam para o caso;   

- Pediu integração na PCM, como era seu direito, via legislação publicada na altura em que o senhor Pinto de Sousa tomou o comando de tudo o que era “espionagem” no país;

- Mas, fiel aos seus princípios, o senhor Pinto de Sousa não cumpriu as obrigações que a si próprio tinha imposto, enão integrou o homem na função pública;

- O actual governo, perante a ameaça de uma demanda que só podia perder, resolveu cumprir a lei posta em vigor pelo senhor Pinto de Sousa;

- Reintegrado o homem, a alcateia mediático-política desatou aos uivos, e parece que não vai largar a perna ao governo.

 

Dados estes factos, o IRRITADO permite-se recomendar ao governo que, na actual circunstância em que o Estado não pode deixar de se ver livre de uma quantidade industrial de funcionários, coloque a criatura em “mobilidade especial”, ou coisa que o valha, aguardando o resultado das diligências da PGR para se pronunciar em definitivo. A verdade é que, segundo a sacrossanta (para a alcateia) Constituição, para já o homem é inocente e tem "direitos adquiridos"!

 

Tudo o resto é barulheira tão estúpida quanto malévola.

 

1.4.13

 

António Borges de Carvalho

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