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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA INTELIGÊNCIA POLÍTICA

 

Um pouco por toda a parte vemos um magnífico cartaz, rezando mais ou menos assim: TUDO O QUE FOI ROUBADO TEM QUE SER PAGO.

Dir-se-ia uma frase de algum profeta, algum taumaturgo do Apocalipse, a derramar o seu anátema sobre os pecadores. Farás, pagarás, ou coisa que o valha, nesta terra ou no além.

Ilusão. Estamos fora de qualquer bíblica ameaça. É um cartaz político, saído da mente privilegiada dos filósofos do Bloco de Esquerda. Qual o seu significado? Recorrendo à hermenêutica disponível, e postas as coisas nos limites do possível, pode concluir-se que os famosos intelectuais, verificados alguns roubos, acham que o seu montante deve ser devolvido a quem de direito. Muito bem. Ocorre então inquirir que roubos? Tratando-se de uma organização política, é provável que a mensagem se dirija a roubos políticos ou praticados por políticos. Deveremos nós pagar o que o Senhor Dom Manuel I sacou aos judeus? O que o Marquês extorquiu às ordens religiosas? As “privatizações” do liberalismo? O que a I República sacou a tanta gente?

Raciocinemos. O BE não deve dirigir-se a casos deste género. Estão a pensar na III República. Pensarão que o Estado deve pagar aos proprietários de casas os triliões de contos que os impediu de receber durante décadas, e ainda impede? Não parece, uma vez que isso de propriedade é um direito digno do maior desprezo por parte da organização.  Estarão a pensar nas fortunas da nossa dúzia de milionários? Também não será o caso: os intelectuais em apreço, que não são estúpidos, sabem que tal gente tem mais valores que dinheiro, e que tais valores, uma vez extorquidos, para além da satisfação de alguns ódios primários não resolveriam problema algum, antes pelo contrário.

 

Então de que se trata? Trata-se de estimular a malquerença, entre nós de si já galopante. Uma ajudinha. A vilanagem que vota, na opinião do BE formada por burros de duas patas, se for bem excitada, é capaz de reagir em conformidade com a frase que lhes é atirada à cara. Vão pagar-nos uma fortuna, hi, hi, venha o Bloco de Esquerda!

 

Nem profecia, nem Bíblia, nem mensagem, nem nada que preste. Melhor do que o IRRITADO, sabem os seus autores que estão a fazer demagogia pura, dura e rasca.

 

Vale-nos ter a esperança, ou a certeza, de que a vilanagem não é tão burra como os profetas do BE desejariam.

 

31.7.13

 

António Borges de Carvalho

FEITOS AO BIFE

 

Numa pequena local, hoje publicada, leio: “O banco central da Irlanda recomendou ao governo… que é apoiado por uma coligação entre conservadores e trabalhistas, que mantenha o ‘rumo da sua política de austeridade’ nos próximos dois anos através do corte de 5.100 milhões de euros”.

 

A Irlanda, tida por grande triunfadora dos “programas de ajustamento” é, em termos dimensionais e populacionais, cerca de metade de Portugal. Não se vê, nem ouve falar, em guerrilhas contra o corte de 5.100 milhões em dois anos, como não se ouviu nenhum sururu quando, por exemplo, à cabeça, o Estado cortou os salários públicos em 15 por cento. Nem se vê que uma coligação conservadora/trabalhista tenha qualquer dificuldade por causa disso.

 

Por cá, é o que se sabe. Acordo para negociar alívios com a troica, nem pensar! Um corte de 4.500 milhões, jamais! Acabar com o governo, já! Estabilidade, uma gaita! “Salvação nacional” - uma expressão idiota-, não queriam mais nada?

 

É nisto que vivemos. Enquanto alguém inteligente e sério não tomar conta do PS, estamos feitos ao bife.

 

27.7.13

 

António Borges de Carvalho

UMA TRISTEZA

 

Pela mão desastrada e estúpida do PS, a III República está mergulhada na hedionda politiquice que, tendo dado cabo da Monarquia, se espraiou sem peias até à ditadura. A Democracia, contra muitos conseguida, aproxima-se perigosamente do ambiente de guerrilha que caracterizou o princípio do século XX: a guerrilha pela guerrilha, não pela política séria e pelo serviço empenhado.

 

Assisto, neste momento, a uma escandalosa demonstração desta triste realidade, oferecida aos infelizes pelo “serviço" público da RTP. Um jovem idiota do PS espraia-se em absurdas diatribes contra a dona Maria Luís, a mulher que em má hora – para a própria – resolveu pôr na ordem uma série de contratos, ditos de swap, e que, nessa missão, já conseguiu uma série de difíceis acordos com os credores e está a meter na Justiça os que não vão às boas. Para o rapazola, bom ou mau, isso não interessa. O que nos interessa, enquanto cidadãos, não interessa ao palerma. Tão novinho e já tão demagogo! Diga-se em sua defesa que não faz mais do que lhe é encomendado: criar problemas e chatices quanto mais contraproducentes melhor. O que importa não lhe interessa, como não interessa aos seus oragos, díscolos políticos estilo Zurrinho, para não falar de parlapatões da classe Soares, Alegre, Sampaio et alia. Mas… é o que temos, o conceito de democracia convertido em arena de luta livre americana: catch as catch can.

Se fúria parecida tivesse sido aplicada ao inigualável Pinto de Sousa, o tipo não se teria aguentado quinze dias, tal era a quantidade de “casos” que, justa ou injustamente, lhe eram atirados à cara: cada cavadela, cada minhoca. Mas os tempos eram outros: o PS estava no poder!

 

Sem uma única solução ou ideia minimamente praticável, como é reconhecido até por apoiantes seus, o PS dedica-se com unhas e dentes ao bota-abaixo. Uma tristeza. A um líder do calibre do oco aplica-se o dito do poeta, mais ou menos assim: um fraco rei fraca faz a forte gente. Resta saber se, no PS, há forte gente, isto é, gente decente.

 

27.7.13

 

António Borges de Carvalho

A LUTA CONTINUA

 

Sossegadas, ou quase, estiveram as hostes por uns dias com a solução da crise que a birra do Portas, agravada pelas confusões do Presidente, tinha causado, e aí está o governo remodelado sem surpresa outra que não a descoberta, na noite dos tempos, do Dr. Rui Machete.

Os exércitos profissionais agigantam-se de imediato, sedentos de sangue. A ministra das finanças é reiteradamente culpada de uma gigantesca série de crimes, e submetida a audiências e interrogatórios, como se não tivesse mais nada que fazer. O citado Machete, de repente, surge como criminoso de delito comum, metido até aos cabelos nas mais variadas falcatruas, acusado pelos EUA de ter andado metido com o gajo da uiquiliques, e não sei de que mais pecados, pecadilhos e pecadetes. Não tarda que o Lima seja chamado a uma comissão qualquer, a fim de explicar por que carga de água andou a vender bejecas à Patagónia ou coisa que o valha. E o fulano que foi para o ambiente e para a energia? Não está feito com os tipos dos moinhos de vento? As “renováveis”, quem sabe, não vão passar a indesejáveis? Tudo é possível, ou passível de suspeita, seja lá o que for. 

O IRRITADO é um tipo perverso. Não percebe que esta coisa faz parte da transparência, fundamental na democracia, e da tarefa fiscalizadora dos representantes do povo, indispensável ao esclarecimento da opinião pública, nada de pidesco, que ideia!, nem de persecutório.

Mas vai insistindo em pensar que, quando a política se confunde, com o singelo critério da perseguição, ou com a polícia, qualquer coisa está errada…

 

24.7.13

 

António Borges de Carvalho         

VÍNCULOS

 

Tem o IRRITADO andado muito caladinho, para eventual gozo dos seus habituais detractores. Não, não está menos irritado que de costume. O computador é que tem estado com um achaque, uma pataleta, deu-lhe o flato. Paciência, quando melhorar ficareis a saber.

Outra coisa que teve um dos seus habituais ataquinhos foi a chamada informação, os media, como diriam os romanos, ou os mídia, como dizem os anglo-saxónicos e os analfabetos cá do sítio com pronúncia “culta”.

Lida uma data de parangonas de aqui há dias, ficam as criaturas normais com a ideia de que, havendo quase cinquenta mil dos chamados “docentes” à procura de trabalho junto do nefando ministério, este não se comoveu senão com o caso de três deles. Que horror! Sabido era que havia alunos a menos e, por consequência, professores a mais. Mas uma razia destas é demais, que diabo, em cinquenta mil só três?

As criaturas normais são então levadas a ir à procura da verdade que as parangonas escondem. A verdade acaba por surgir de sob o esfarrapado cobertor da “informação”. Os tais cinquenta mil não estavam à procura de emprego. Que buscavam então? O vínculo, meus amigos, o vínculo. Quererá o sufixo ulo querer dizer que se trata de um pequeno vinco? Não senhor. No caso, é um vincão. Coisas da língua, não é? Vínculo quer dizer entrada no quadro de inamovíveis, indespedíveis professores do secundário. Por outras palavras, o que os cinquenta mil queriam era ficar empregados para a vida, com garantia do Estado.

Nesta ordem de ideias, o IRRITADO opina que os três admitidos já foram demais. Quando um tipo quer trabalhar desde que jamais possa ser despedido, então esse tipo é alguém que desistiu de ser gente. Uma das obras mais urgentes do Estado “reformado” seria, ou poderá ser, a pedagogia do risco, do brio, do não encosto. Uma sociedade melhor, mais produtiva, mais rica e mais justa – sem ser por parlapatices de esquerda ou de direita - existirá quando a ninguém for dado desresponsabilizar-se de si próprio, isto é, quando cada um tomar conta de si e o Estado servir para a segurança das relações jurídicas de cada um, para a sua defesa contra terceiros, para a garantia dos bens de cada um e para a protecção institucional de todos. Dir-se-á que se trata de utopia do IRRITADO. Talvez seja. Mas necessário é mudar de paradigma, de princípio, de noções de direitos e de obrigações.

Com o tempo, quem sabe se não poderá deixar de ser utopia?

 

26.7.13

 

António Borges de Carvalho

COBARDIAS

 

Como saberá quem o leu, o IRRITADO atribuiu a confusa decisão há dias tomada por Cavaco Silva a um ataque de falta de juízo. Passados dias, o IRRITADO já não sabe se foi assim. A questão é irrelevante.

A oposição de esquerda que, como é seu hábito histórico, a partir do dia em que perde as eleições desata aos gritos que é preciso dar cabo do governo, achou que a birra do Portas abria o caminho ideal para uma bela sampaiada.  

Mas Cavaco não é Sampaio e, tendo muitos defeitos, não tem o da falta de respeito pelas instituições nem o topete necessário para ferrar golpes constitucionais por birra ou oportunismo.

O que fez Cavaco? Arranjou uma catraca para dar a mão ao oco. Deu-lhe a oportunidade de passar a ser importante nas negociações com a troica, de fiscalizar, via acordo, o comportamento do governo e de juntar argumentos para o vir a substituir. Ainda por cima, dizendo-lhe que se preparasse porque ia ter a sua oportunidade dentro de um ano e não de dois. Querem mais? É difícil.

O que aconteceu? O oco ou não percebeu patavina ou teve medo. Perante a ululante coorte socrélfia, perante os dislates dos cadáveres adiados – Soares, Sampaio, Alegre, por exemplo - perante os sinistros ataquinhos do Costa, perante a habitual protecção dos media e de todo este género de gente, o oco apanhou um cagaço de tal ordem que borregou. Acobardou-se.

É evidente que, se tivesse aproveitado a oportunidade de ouro que o PR lhe oferecera, teria chegado a um acordo qualquer, mas a alcateia não perdoava. Houve até um tipo que disse que o PS se partiria em dois! Se calhar, o oco acreditou na ameaça. Não percebeu que, da alcateia, poucos haveria que abandonassem o barco, única via de ter esperança de voltar a ser gente. Não percebeu que a moderação que mostrasse lhe iria grangear uma multidão de votos na área do PSD. Não percebeu nada.

E foi tão inteligente que, no mesmo dia em que os outros propunham dar continuidade à conversa, veio à praça pública dizer que não queria acordo nenhum e fazer um discurso a repetir as suas miríficas ideias, fazer promessas incumpríveis e dar aos portugueses, mais uma vez, a imagem clara do deserto de neurónios que é a sua cabecinha!

 

É pena. É pena que o PS esteja nas mãos de um fulano descabeçado, sem carisma, sem “alma” e, pior ainda, medroso como um passarinho, sem estaleca nem sentido do risco.

O IRRITADO confessa que não acha mal. Afastar a cáfila socialista do poder é um bem em si mesmo.

Passos Coelho mostrou qualidades opostas. Apanhado à má fila pela carta do Gaspar e pela birra do Portas, não baixou os braços. Resolveu a questão. Hoje, ao contrário do que dirão os profissionais do comentário, como que regressa ao poder mais forte do que era antes de ter sido traído. Que se ponha a pau, é o conselho do IRRITADO. Com os adversários, tudo bem. Mas os amigos…

 

21.7.13

 

António Borges de Carvalho   

 

ET. Logo a seguir à comunicação de Cavaco, as televisões desataram a “informar”. O “serviço” público elegia os comentários do engenheiro relativo, camarada Pinto de Sousa. A SIC oferecia-nos a palavra esclarecida do idiota Marques Lopes do ofídeo Costa. A TVI brindava-nos com a histérica do PS, mais dois camaradas e, vá lá, uma rapariga com algum juízo. A fechar o ramalhete, pelo menos pelo que o IRRITADO viu e ouviu, a SIC Notícias espeta-nos com uma hora a ouvir o oco a repetir as inanidades, as aldrabices e as utopias do costume. Como pode haver opinião pública informada neste ambiente?

NENHUMA CONCLUSÃO

 

A primeira parte da monumental salganhada que o Presidente nos arranjou parece estar a chegar ao fim.

Se houver acordo, o que é por demais improvável, o que nele estiver só será exequível se a troica deixar. Os milhares de milhões continuam a não poder deixar de ser cortados, o número de funcionários públicos não poderá deixar de ser reduzido, etc. Ficaremos no domínio dos desejos do oco, isto é, no terreno do impossível, ou da ruína final. Se não houver acordo, então o Presidente tem que meter a viola no saco, isto para não entrar no domínio do mais completo e inconstitucional dos sarilhos alternativos, ou seja, é capaz de inventar mais alguma desgraçadíssima catraca. Por exemplo, o tão falado governo presidencial, coisa absolutamente anti constitucional. Mas, já que a loucura é possível, porque não um tal governo? O que vai na cabeça do presidente do TC, o mais poderoso oposicionista do país, é coisa de que só se espera o pior.

A história das eleições antecipadamente antecipadas também é coisa que jamais coube na cabeça fosse de quem fosse. Manter o governo na “plenitude dos seus poderes constitucionais”? Como, se a prazo? Aceitar a remodelação proposta, única coisa decente a fazer, como?, se o PR está de candeias às avessas com o Portas – diga-se que com razão – ainda que questões de birras não devessem fazer parte do processo de decisão.

No PS, a burricada está num frenesi dos diabos. Querem crise, querem agarrar o poder seja como for (chamam-lhe eleições, mas a palavra está mal aplicada). Os camaradas Alegre e Soares, sem dar por que estão muito mais mortos do que dizem estar o governo, atiram as suas diárias bojardas de sociedade com o servilismo sensacionalista dos media.

Há quem mereça ser “remodelado”? Com certeza, a saber: o Presidente, o Soares, o Alegre, o Pereira, o Campos e tantos outros. Note-se que o oco, que não está neste ramalhete, é o que é capaz de ser remodelado mais depressa!

 

Conclusão? Nenhuma.

 

19.7.13

 

António Borges de Carvalho         

14 DE JULHO

 

 

Vemos na TV, mais uma vez, as castrenses comemorações, em França, de um não evento, ou de um evento de pernas para o ar: o 14 Juillet. Não um evento real, mas cheio de significado formal, ou patriótico, para os franceses.

A queda da Bastilha não libertou “povo” nenhum (os mais dos pouquíssimos presos eram aristocratas) nem merecia a fama que as conveniências lhe atribuíram. Puro engano.

 

A História, muitas vezes, é feita destas histórias. Não é adquirido que Colombo descobriu a América?

 

A chamada Revolução Francesa (reconheça-se que de consequências colossais, boas e más, na vida do mundo), depois de 1789 depressa mergulhou numa sangueira desmedida e numa monumental bagunça, que viria a desembocar no poder ilimitado de um sargento, Bonaparte, que poria a Europa a ferro e fogo e causaria inumerável mortandade.

Et pourtant… os franceses ainda hoje, quiçá para sempre, glorificam o ditador guerreiro, o conquistador da Europa, o vencido da Península, da Rússia e de Waterloo. Ainda hoje, quiçá para sempre, os franceses e os estrangeiros são obrigados a curvar-se perante o seu glorioso túmulo. Ainda hoje, quiçá para sempre, o mais conhecido centro de Paris é ocupado com o arco do triunfo do vencido, as principais avenidas da cidade têm o nome dos seus generais, os museus estão cheios das suas pictóricas glórias. Ainda hoje, quiçá para sempre, o sanguinário imperador é tido nas escolas como um herói, o grande reformador do Estado, o professor de administração pública, uma espécie de Carlos Magno après la lettre.

 

Cabe aqui uma homenagem aos alemães. Também eles tiveram o seu conquistador da Europa, o seu reformador do Estado, o seu herói sanguinário. Também eles, a dado momento, o terão maioritariamente seguido. Mas procuram dar ao canalha o destino histórico que merece, envergonham-se dele, assumem os problemas que causaram, não se orgulham deles nem do seu autor, antes pelo contrário, mais do condená-lo ao caixote do lixo da História, criminalizam quem ainda insista em estimá-lo.

 

À nossa ínfima dimensão, também temos “histórias” destas metidas na História. Não é o que passa com a I República, comemorada como se não tivesse sido uma desgraça, antes fosse um avanço? Não se anda para aí a incensar o Cunhal?

 

Pois bem. Curvemo-nos, como os franceses, perante certos “heróis”. Comemoremos o mal como se de bem se tratasse.

Mas haja quem, de vez em quando, denuncie certas trafulhices históricas, ainda que por isso possa ser quase unanimemente condenado.

 

15.7.13

 

António Borges de Carvalho

PREPARADOS PARA TUDO

 

Há pouco mais de trinta anos, com a empenhada colaboração do escrevinhador destas linhas, fundou-se o sistema de equilíbrio de poderes ainda em vigor.

Uma das linhas mestras da revisão de 82 (mais de um ano de trabalho diário de 36 deputados) foi criar um sistema em que não coubessem governos “de iniciativa presidencial”.

Décadas passadas, andam os jornais cheios dessa coisa. Mais grave é que ainda não se ouviu um só “constitucionalista”* vir testemunhar sobre o que é o sistema no que a tal diz respeito, a começar pelo auto proclamado “pai” da Constituição (vai chamar pai a outro!), o inefável católico esquerdófilo Miranda. Brada aos céus.

O Presidente da República, que, nas suas memórias, se fez eco da inconstitucionalidade de tais governos, veio agora, no charadismo da sua tresloucada comunicação ao país, dizer que, sem acordos e sem eleições antecipadas, “há outras soluções constitucionais”.

Não há quem não pense que, na circunstância, outra coisa não resta senão o tal governo a que o PR descrevia como impossível, ilegítimo e inconstitucional.

A não ser que Cavaco se desdiga a si próprio, ninguém perceberá quais sejam tais “soluções”. A alternativa constitucional é só uma: aceitar o acordo da coligação e a aceitável estabilidade que promete. Ou dissolver o Parlamento e convocar eleições, mesmo sem razão para tal.

Tudo o resto são fantasias, tão dignas de “compreensão” como o presidencial discurso.

 

De qualquer maneira, ponham-se a pau. Com tanta propaganda nos media, com tanta falta de memória dos “constitucionalistas”, com o silêncio cúmplice do Tribunal Constitucional, não estamos livres de ver o Presidente tirar da cartola alguma figura “indiscutível”, para formar um “governo de iniciativa presidencial”. Foi o que fez Eanes com a Pintasilgo e o Nobre Guedes – coisas que estarão na má memória de alguns. Mas Eanes, quando o fez, tinha poder para isso. Cavaco não tem, e foi o próprio a dizê-lo.

Enfim, nesta pobre terra, devemos estar preparados para as mais rocambolescas loucuras. Preparados para os Portas, para os Cavacos, para os ocos, para o que der e vier. Paciência.

 

13.7.13

 

António Borges de Carvalho

 

 

* Por falar em "constitucionalistas", ocorre lembrar a doutíssima opinião da dona Moreira, (auto)proclamada especialista na matéria, a qual veio declarar, de ciência certa, que ao PM não cabe aceitar ou deixar de aceitar a demissão de um ministro. Ficamos a saber que a rapariga não é só tonta, também é burra e ignorante. 

CENSÓRIAS VERDURAS

 

Uma formidável originalidade do nosso sistema é-nos mostrada pelo anúncio de mais uma moção de censura.

No tempo em que ainda havia algum juízo em Portugal, dava-se à moção de censura um respeitável peso institucional. Houve até quem insistisse na criação da chamada “moção de censura construtiva”, coisa que implicaria que os seus autores só pudessem provocar, ou tentar provocar, a queda do governo, se propusessem um governo alternativo. Tal ideia nunca “passou”, já que seria mais difícil utilizar o instrumento para efeitos de mero exibicionismo parlamentar.

 

Desta vez, por virtude de estrambólicos regulamentos, regimentos, etc., chega-se ao ponto de haver uma moção de censura apresentada por um partido que toda a gente sabe jamais existiu. É público e notório que nunca passou de mero artifício do PC, uma espécie de “secção” destinada a fazer desaparecer a foice e o martelo dos cartazes eleitorais e a quem o “criador” atribuiu dois lugares no Parlamento.

Os tais chamados “Verdes” jamais se preocuparam com o ambiente, nem para isso foram tirados da cartola pelo PC. Destinam-se, como é evidente, a aumentar os tempos de debate do partido, a meter mais uns PêCês nas comissões, nas reuniões de líderes, etc. e, como se vê agora, a chegar (com dois deputados!) ao ponto de dar ao PC a oportunidade de apresentar duas moções de censura na mesma sessão legislativa! 

 

Maior trafulhice é difícil de imaginar. Mas é “regimental”, “legal”, um “direito”, em suma, mais uma loucura. Como se houvesse poucas!

 

12.7.13

 

António Borges de Carvalho

NOTÍCIAS DO MANICÓMIO

 

O debate de hoje mostrou que:

  1. O PR continua convencido de que vai conseguir um programa comum para o futuro próximo.
  2. O oco diz que sim ao diálogo, mas que não ao acordo.
  3. Os 2,001 partidos comunistas repetem sem cessar as mesmas bocas, a ver se pega, embora já toda a gente saiba que não pega.
  4. Os inexistentes “Verdes” anunciam uma moção de censura.
  5. O Portas diz que sempre defendeu a estabilidade.
  6. O PM tenta endireitar o barco.
  7. A dona não sei quantas Moreira ainda não apresentou a sua proposta de casamentos com cães.

Conclusão: anda tudo a precisar de cuidados médicos urgentes.

 

12.7.13

 

António Borges de Carvalho

NOTAS

 

“Notas do exame de português do 12º ano igualam pior resultado de sempre”, reza um destaque do “Público”.

Uma chatice, não é?

O IRRITADO não sabe de quem é a culpa do triste acontecimento. Mas pode consultar algumas costumeiras personalidades, para saber de quem a culpa não é.

A culpa não é, evidentemente, dos professores, muito menos das greves que passam a vida a fazer. A culpa não é do bigodes, ilustre instituteur, que há mais de vinte anos não trabalha, se é que alguma vez trabalhou a não ser nas actividades de agitação de que o comité central o encarregou. A culpa não é dos meninos e meninas, que estudam português em textos impenetráveis e mal escritos pelo senhor Saramago. A culpa não é da cabulice, uma vez que os cábulas não passam de vítimas dos traumas funcionais que o governo lhes causa. A culpa não é dos jornais nem das televisões, cujos agentes passam a vida a dar pontapés na gramática.  

As mesmas fontes garantiram ao IRRITADO que a culpa é do neoliberalismo, da economia de casino, do Crato, da direita, da tróica e, aprofundando mais o pensamento, dos drones, do Obama, do Gaspar e dos ataques sofridos pelo estado dito social.

 

12.7.13

 

António Borges de Carvalho

CONTRIBUIÇÃO PARA O FIM DE CERTAS BAGUNÇAS

 

Um bando de díscolos fez uma arruaça dos diabos nas bancadas do Parlamento, coisa que já se tornou habitual e se enquadra nas travessuras inspiradas pelo original slogan “a luta continua” e copiosamente servidas ao público pelos chamados media.

Macacagem devidamente arregimentada e treinada nestas matérias desempenha as suas funções com mestria. Disso não há dúvida.

Parece que a dona Assumpção opinou que era preciso rever as condições de acesso às parlamentares facilities. De imediato, uma série de gente começou aos gritos, que estava em causa a liberdade, a democracia, e outros valores que, da boca para fora, muito preza. Assistiu-se, da parte de inúmeros esclarecidos deputados, a manifestações de indignação e repúdio pela inusitada atitude da senhora.

 

O IRRITADO, como não podia deixar de ser, é contra este tipo de atitudes, e sabe quem delas aproveita, mais que não seja para parlapatear a demagogia primitiva e aldrabona que constitui a sua maneira de estar na vida.

Ora bem. Se eu estacionar em cima do passeio, pago uma multa do caneco e arrisco-me a ficar sem o pópó. Se eu for para a AR e desatar aos gritos, mostrar o cu, deitar panfletos, cantar arengas esquerdóides, sou delicadamente convidado pela polícia a abandonar o local e vou beber uma bica à tasca da esquina em paz e sossego. Na próxima vez, alinharei na convocatória e vou fazer o mesmo.

 

Por isso que o IRRITADO se atreva a dar um conselho à dona Assumpção, para acabar com estas aventuras e até ganhar algum: como todos os díscolos são atenciosamente filmados pelos serviços de serviço, a sua identificação é fácil. É questão de montar uma banca à saída das galerias e, um a um, fazer pagar aos arruaceiros, in loco, uma multa do caneco. Em alternativa, vão para a esquadra até que a paguem. 24 horas depois, se a multa não estiver paga, serão objecto de julgamento sumário por flagrante delito de desobediência e perturbação do normal funcionamento das instituições democráticas. A pena poderá ser, por exemplo, a multa multiplicada por dez, acrescida das custas judicias e do estipêndio do advogado oficioso a ser pago ao Marinho, se for caso disso.

Força, dona Assumpção! Vê como pode dar uma machadada na bagunça e ainda contribuir com uns euritos para a fazenda pública?

 

12.7.13

 

António Borges de Carvalho

NAS MALHAS DA LOUCURA

A inimaginável trapalhada que o PR arranjou terá explicação psiquiátrica? É que outra se não vê.

Então não é que um homem que passa 15 minutos a dizer, cheio de razão, que não se deve colocar o país numa situação que diminua a sua credibilidade imediata, acaba por tomar uma posição cujo efeito em tal credibilidade não pode deixar de ser devastador. Se não está doido pouco lhe falta.

Passos Coelho, não duvido, tem tanta vontade de ficar no governo como o IRRITADO de governar. O problema é que, se continuar, é acusado de estar agarrado ao poder, se bater com a porta é acusado de ter, cobardemente, abandonado o barco. Garantido é que será, como de costume, preso por ter cão, preso por não ter.

Não resisto: trata-se de uma questão de sanidade mental. O PR acha que os fogos se apagam com gasolina. Junta mais crise à crise ao mesmo tempo que fala de estabilidade. Anuncia que, em Junho de 2014, começará a tratar de eleições antecipadas, sem curar de saber, até porque não pode, o que se estará a passar em Junho de 2014. Demencial pré monição, é o menos que ocorre chamar a uma coisa destas.

O IRRITADO que, como é evidente, não queria eleições antecipadas, está tentado a achar que tal e tão estúpida opção seria melhor que a “solução” inventada pelo Doutor Cavaco Silva.

Valerá a pena pensar um bocadinho para além da conjuntura. Que bem fez ao país o Presidente da República, este ou os anteriores? Zero. Todos se entretiveram a chatear os governos, ou a dar cabo deles. Nem um foi garantia fosse de que estabilidade fosse. Pelo contrário. Nem um deixou de deitar a cabecinha de fora em proveito próprio, borrifando na Nação, na República, nos cidadãos.

Como ninguém, nem os próprios, saberá ao certo que poderes tem o PR, os titulares do cargo sempre chatearam os governos. Dos ralhetes oratórios ao golpe de Estado, tudo valeu.

Eleger directamente um Presidente sem lhe dar poder sobre a política, antes o enredando em equívocos, é um erro colossal. É desrespeitar os eleitores. É causa do abananamento da República. É fonte de confusões e de abusos.

 Não há, entre constitucionalistas, “politólogos”, políticos, jornalistas, etc., um só que tenha a hombridade de dizer que o rei vai nu, que o sistema que inventaram para nós é uma fonte de problemas muitos e de soluções nenhumas. Não há, que se saiba, no mundo, nada de parecido.

O IRRITADO, como várias vezes tem dito, é partidário de um regime parlamentar bicameral e de uma chefia do Estado à imagem das existentes na Europa Ocidental. Mas um regime em que o Presidente é eleito directamente, a sede do poder tem que ser ele. É mau, péssimo, mas, ao menos, tem a sua lógica.

 

11.7.13

 

António Borges de Carvalho

AGORA É QUE ESTAMOS MESMO DESGRAÇADOS

 

Estou aqui a ouvir o desenvolto parlapaté de um tal Eurico (jerico) Brilhante demagogo e, ao que parece, alta figura da cáfila de “jovens” introduzida pelo oco na nossa vida política, o que me dá a verdadeira medida da nossa fatal desgraça.

Passo a explicar.

Numa atitude de total confusionismo que, a bem ler a Constituição, o PR não tinha nada que tomar, parece, pelo menos na opinião dos ilustres comentaristas que nos assolam todos os dias, que o dito PR declarou – sem declarar – que não aceita a remodelação proposta pelo PM. De forma sibilina, ou idiota se quiserem, Cavaco terá dito que o governo tem toda a legitimidade para governar. De acordo. O governo, com remodelação, continuaria a ser o mesmo. É o que diz a Constituição. Mas, segundo os pensadores de serviço, o que ele disse foi que, tudo bem, o governo continuava, mas como está, sem o anunciado acordo de remodelação.

Mais confusão é difícil. Mas, para Cavaco, parece que tudo é possível. Até a mais difícil confusão. O Presidente avança com um desafio ao PS, sabendo de ciência certa que o oco jamais fará seja o que for de “patriótico”.

Ora, se não há posse dos novos ministros amanhã, se o tal acordo de “salvação nacional” com o oco não é possível, se o governo fica sob a ameaça de dissolução a oito ou nove meses, o que resta a Passos Coelho? Ir-se embora, como é evidente.

Daqui se conclui que, ou o PR é estúpido, ou o que quer é eleições antecipadas, exactamente o contrário daquilo que veio dizer à malta. Como o PR  não é estúpido…

Passos Coelho deve apresentar a demissão amanhã de manhã, e aí teremos uma monumental pessegada, por culpa do Gaspar, do Portas… qual quê? Por culpa do Cavaco!... e o país entregue ao oco, ao Brilhante Jerico e a toda a cáfila socialista, ansiosa por se governar. Pior que as mariquices do Portas, pior que as asneiras do Gaspar, pior que os vai-vem do Passos, seria a subida do oco, do Jerico e da sua abominável gente.

 

Estamos ou não estamos desgraçados?

 

10.7.13

 

António Borges de Carvalho

OS REPRESENTANTES DO POVO

 

Não deve haver no mundo um povo que goze a honra de ter tantos representantes como nós.

Não, não estou a falar de deputados, autarcas & Cª.

Nada disso. Os representantes são outros: os que acham que representam. Olhem o famoso Mário Soares: passa a vida a dizer que o governo não tem legitimidade porque o povo não gosta dele. Não se sabe como é que a alta inteligência em causa consultou “o povo”, nem que povo. O oco anda pela mesma cantiga; “o povo” português está farto desta gente e quer dar-lhe, ao oco, uma oportunidade, já. O Jerónimo e o casalinho meia-leca, nem se fala: garantem ser fundamental a queda do governo, porque “o povo” assim o exige. O animalesco Carlos e o outro afinam pelo mesmo diapasão: “o povo” está cansado, quer um governo “patriótico e de esquerda” (a quadratura do círculo).

Tudo minha gente quer eleições antecipadas porque “o povo” o reclama.

Se acrescentarmos a isto as multidões que opinam em directo e em diferido dezenas de vezes, mais a turba dos escribas de serviço, teremos um indomável exército de génios que, quem sabe se via tarot, bola de cristal, ou outro método igualmente científico, descobriu “o povo” que ulula por eleições antecipadas.

 

E, no entanto, diz uma sondagem que a maioria das pessoas NÃO quer eleições antecipadas. Se acrescentarmos que tal sondagem foi publicada pelo “Expresso” (que desgosto para o Costa!) com relativo destaque e texto à la manière, teremos que concluir que, ou “o povo” de que falam os soares e companhia não é o povo português, ou os tipos são uma cambada de aldrabões e de abusadores que se arrogam interpretar posições minoritárias como se fossem unânimes ou representar quem não representam, o que é, pelo menos, grave abuso de confiança.

 

Postas as coisas noutro plano, é evidente que as rábulas do Portas não têm perdão. Mas é igualmente evidente que, mesmo que, na tal sondagem, fossem maioritários os que querem eleições antecipadas, nada de bom senso, de visão política ou de cálculo de riscos poderia apontar para tal solução.

O que a sondagem quer dizer é que, apesar do descontentamento, apesar das falhas, apesar das consequências da macacada do Portas, apesar do bombardeamento político, mediático, sindical, apesar da abundância de arruaceiros, apesar das tropas do Carlos ao serviço do PC e do outro ao serviço não se sabe de quê, apesar das sondagens que dão ao oco uma vitória relativa, a maioria das pessoas ainda tem alguns neurónios a funcionar.

 

Não se sabe o que o nosso Cavaco vai decidir. Aqui fica, atempadamente, a posição do IRRITADO, que não representa ninguém, mas tem direito a tê-la.

 

7.7.13

 

António Borges de Carvalho

O QUE VIRÁ AÍ?

 

Anda o povo inquieto. O IRRITADO também.

Há duas hipóteses: ou Passos mete o cretino na ordem, ou não mete.

Se não mete, eleições antecipadas e bancarrota ou equivalente.

Se mete, há duas hipóteses: ou Cavaco aceita, ou não aceita.

Se aceita, o governo prossegue e há uma vaga hipótese de se evitar a bancarrota ou equivalente e convencer a troica a aliviar o garrote.

Se não aceita, a bancarrota ou equivalente é garantida.

 

Mas o pior não é isso. O pior apareceu-nos ontem, em larga evidência, na televisão, e foi hoje repetido dezenas de vezes, todo o dia e toda a noite. Um autêntico terror: a ressurreição do Silva Pereira, do Vera Jardim e de mais uns quantos que, em conjunto com os impossíveis novos turcos do oco, nos dão uma clara imagem do que arriscamos para o futuro.

O mal está de volta!

Por muito mau que seja o cretino, por mau que seja o Passos, ao pé da malta do oco e do estudante da Gália, são verdadeiros sábios, arcanjos, génios do bem! Já viram o que seria ficar nas mãos do Campos, do Pereira, etc., gente de péssima memória e nenhuma confiança? Já viram o que seria ficar nas mãos dos novos rapazolas que o oco nos impinge nas televisões?

 

Esperemos que a dona Maria, ou a Senhora de Fátima, ou a Constituição, inspirem, desta vez para o bem, o doutor Aníbal, a ver se evitamos, por mais uns tempos, o regresso ao poder das forças o mal.

 

Já agora, pergunte-se por que raio de carga de água anda o PR metido ao barulho. Se a memória me não falha, o governo depende do Parlamento, não do PR, cujo poder é, simplesmente, o de o nomear tendo em atenção os resultados eleitorais. Se a memória me não falha, ao PM compete nomear e exonerar os ministros e ao PR dar-lhes posse. Se a memória me não falha, o PR não pode demitir o PM. Pode, é certo, dissolver o parlamento. Mas como o doutor Aníbal não é um golpista do calibre do seu antecessor… não se vê que, nos termos da sacrossanta Constituição, o possa fazer sem uma golpada. É certo que o guardião do nacional-esquerdismo, com carácter totalitário, o TC, certamente veria com bons olhos uma golpada do estilo sampaísta… mas Cavaco não é Sampaio e, institucionalmente, até respeita a Constituição.

 

Cross your fingers!

 

6.7.13

 

António Borges de Carvalho

ENTRE A ESPADA E A PAREDE

 

Com eleições antecipadas poria-se fim a esta situação, disse há bocadinho o intragável oco, em clara demonstração da sua ânsia de poder e da profundidade do seu analfabetismo.

 

Leia-se o que esta manifestação de patriotismo quer dizer e o que o cumprimento da vontade do oco significa, ou significaria:

a)   Este mês chega a troica. Negociará com um governo demitido;

b)  A negociação conduzirá, naturalmente, a produção de legislação para que um governo de gestão não tem poder;

c)    A tranche de carcanhol que a troica desbloquearia não será desbloqueada;

d)  Os mercados ou deixam de emprestar ou emprestam em condições leoninas, o que estava ultrapassado e deixará de estar;

e)   O país ficará quase três meses sem governo, ou com um governo impedido de fazer seja o que for de importante;

f)     Lá para o fim de Setembro, se tudo correr bem, haverá novo governo;

g)   Se tudo correr bem, o que não é provável, lá para Outubro ou Novembro, o novo governo começará a governar;

h)  Em Fevereiro ou Março de 2014 será discutido o orçamento para… 2014, o qual, se tudo correr bem, entrará em vigor em Abril;

i)      Entretanto, a bancarrota é garantida, os salários e as pensões, se se conseguir dinheiro para os pagar, levarão mais uma colossal bordoada, os impostos terão que subir outra vez, o desemprego, que já estava a baixar, atingirá píncaros nunca sonhados;

j)      E lá virão outra vez os camaradas da troica com mais uma batelada de exigências, a fim de nos trazer mais uma batelada de massa (e de dívida!);

l) E lá continuaremos, por mais uns anos e maus, sob controlo do exterior, ainda por cima de um exterior que não tem ponta por onde se lhe pegue.

 

É isto o que o patriota oco e iletrado e a sua massa associativa querem? É evidente que sim. Que se lixe o País, desde que a malta tenha uma oportunidade de voltar ao poder antes de tempo!

 

O País está entre a espada e a parede. De um lado, os sequiosos de poder, a quem o senhor Portas ofereceu uma ocasião dourada para trampolinar. De outro, a pessegada que o mesmo arranjou, preparando-se agora para fazer exigências malucas e para bater o pezinho maroto, cheio de repenicado nervoso.

O IRRITADO conhece, de ciência certa, as monumentais frustrações e invejas que o facto de nunca ter conseguido ser o grande partido à direita do centro (hoje nem sequer se sabe ao certo o que aquilo é) provoca no CDS, em relação ao PSD. Mas, que diabo, não haverá na organização alguma alma caridosa que ponha aquilo na ordem?

 

3.7.13

 

António Borges de Carvalho

TOMA, TOMA, TOMA!

 

Julgava o IRRITADO que isto de birras já tinha dado o que tinha a dar. Cruel engano.

Quando Sampaio teve a sua, ao menos podia dizer-se que estava a estender a passadeira vermelha aos seus, atitude tão abominável como o seu autor, mas com uma lógica evidente, ainda que também abominável.

 

A birra do Portas consegue ser pior, uma vez que tem como única justificação a birra em si mesma. Outra lógica não se vislumbra. Ai, são maus para mim, toma, toma, toma! E lá foi todo contente, rabinho a dar a dar, ai, marotos, querem lá pôr a Maria Luís sabendo que eu não gosto dela, toma, toma, toma!

Que interessa que venha aí a troica? Que interessa que isto fique tudo em frangalhos? Que interessa que tenhamos que ir outra vez à bancarrota? Que interessa que o momento para eleições fosse, ou quando o mandato acabasse ou, vá lá, quando a troica fosse à vida? Que interessa que já possamos ir aos mercados? Que interessa que os sacrifícios das pessoas sejam atirados ao lixo? Que interessa que venham aí sacrifícios ainda maiores? O que interessa sou eu, eu, Paulo Portas, quem manda sou eu, toma, toma, toma!

Quando esse gajo, que ódio!, que se chama Gaspar, foi à vida, que bom, cinco minutos depois os juros subiram. Quando o Schäuble disse que tinha pena mas que confiava nessa tal Albuquerque, que horror, em cinco minutos os juros desceram. Que interessa isso? Nadinha. Interesso eu, toma, toma, toma! Quando me demiti, os juros subiram ainda mais, que bom, toma, toma, toma!

E o partido? Que interessa o partido? Vamos mas é tirar de lá os meus serventuários, a fim de a coisa ficar ainda mais confusa. Toma, toma, toma, que é para saberes! Se me chatearem no Conselho Nacional, dou-lhes com os pés. Querem satisfações? Nem antes nem depois. Ou comem o que lhes dou a comer, ou vão ao banco alimentar da esquerda, toma, toma, toma! Se levarem uma tunda eleitoral, vão sem mim, não me merecem. Se me querem, então é concordar e agir em conformidade. Até vou amanhã tomar chá com o Seguro e o Silva Pereira, vejam lá, agarro as duas comadres e está feito. Daqui a uns mesitos sou outra vez ministro, hi, hi, hi.

Já agora, o melhor é prepararem-se para aprovar uma moção de censura, que ela aí vem, a rapaziada da esquerda vai fazer a vontade ao Cavaco. Este, institucionalmente, até tem razão, moção de censura, toma, toma, toma! Ai, que contente que eu fico! Que pirraça, que gozo!

A bolsa perdeu 3.000.000.000 de euros de um dia para o outro? É bem feita, toma, toma, toma!

Prenhe de felicidade, este ridículo títere, continuará a fazer o que lhe interessa, nós que nos lixemos, toma, toma, toma que é para saberes.

 

3.7.13

 

António Borges de Carvalho

ADEUS GASPAR…

 

Gaspar não resistiu mais. Compreenda-se. Gaspar era demasiado sério para o país. O país, na generalidade das opiniões, odiava-o. Preferia, e prefere, quem lhe venda ilusões. Gaspar era o contrário dos vendedores de banha da cobra. O país gosta de vendedores de banha da cobra. Banha socialista, banha centrista, até banha social-democrata. Cobras por todos os lados.

Cobras europeias, prenhes de garganta e de falta de coragem. Cobras judiciais, agarradas a interpretações maximalistas, a somar a uma constituição errada e decrépita. A sede última do poder político entregue, sem recurso possível, a um corpo judicial noventa por cento político, com um presidente ultra esquerdóide que se atreve a dar ralhetes e a fazer ameaças ao Primeiro-Ministro em pleno Conselho de Estado, com isso faltando abertamente ao respeito devido ao PR, que tinha estabelecido uma ordem de trabalhos onde os dislates politiqueiros do chefe do TC não tinham lugar. Cobras constitucionais que são um dos elementos que mais impedem as soluções, sejam as do Gaspar, sejam quaisquer outras ou de outro qualquer.    

Em suma, uma República ofídea, cheia de veneno, de interesses corporativos, de egoísmos, de invejas.

É claro que Gaspar errou em muitas previsões. Achou que a chamada “Europa” era comandada por gente, ou inteligente, ou bem-intencionada, ou competente. Enganou-se: pouco há disso por lá. Achou que a “Europa” ia sair da crise e puxar por nós. Enganou-se: a “Europa”, toda a “Europa” sem excepção entrou em recessão. Achou que a “economia” ia reagir. Enganou-se: os manda-chuva da economia preocupam-se mais em arranjar desculpas e em produzir “bocas”, que em andar para a frente. Achou que o povo português era “o melhor do mundo”. Enganou-se: o povo português é óptimo, desde que a desgraça não bata à porta de cada um. Acha muito bem que haja sacrifícios, se forem sacrifícios do vizinho.

Gaspar era acusado de não ter feito a reforma do Estado. Imaginem o que seria se a tivesse feito. Onde iam parar as centenas de milhares de parasitas que pululam no Estado e à volta dele? Quantos por cento mais no desemprego?

Gaspar há muito deve percebido que não conseguia, que nada o ajudava a conseguir fosse o que fosse. Não é possível prever que uma sociedade reaja à má sorte entregando-se a ela, que a “Europa” se desfaça em vez de se unir, que o regime constitucional o condene e à Nação em vez de os ajudar, que os partidos políticos, sobretudo o PS, substituam a noção da responsabilidade pela mais feroz e primitiva partidarite, pela mais rasca ganância de poder.

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Alto, pára o baile!

Ia este post a meio, eis que a Vodafone me anuncia que Paulo Portas, em mais uma repugnante traição - coisa que lhe é habitual, ou visceral – se demitiu.

Ainda não se sabe quais as consequências de mais esta parlapatice.

O que se sabe, a estas horas, é que já fomos bombardeados com as mais rebuscadas opiniões sobre a saída deste repenicado trouble maker. O horrendo quão sinistro director da SIC Notícias, o paralapatão do Marques Lopes e tutti quanti da nacional opiniosa tropa de choque, já se desdobraram e desdobram em asneiras, isto é, em dizer o que acham que a malta gosta. Mais uns dinheiritos, não é?

 

Esta coisa de ter governos de legislatura, como acontece nos países civilizados, parece estar vedada aos portugueses.

 

2.7.13

 

António Borges de Carvalho

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