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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

GRAMÁTICA E POLÍTICA


Vejam isto: “eu parece-me a mim”

Esta expressão, introdutória de douto sentenciar, foi ontem proferida, na televisão, pelo senhor Marcelino, mui ilustre director do Diário de Notícias.

Estamos habituados a bojardas deste tipo, “pessoalmente parece-me”, “parece-me a mim”, “eu parece-me”, são mimos todos os dias repetidos por inúmeras personalidades, todas elas “influentes” na nossa praça e na nossa forma de falar.

No caso em apreço, o homem só se esqueceu do “pessoalmente”, o que enriqueceria a quantidade de pleonasmos. Paciência. A frase não ficou “completa”.  Mas as calinadas lá ficaram, imagem clara da literacia desta malta. O gritante pleonasmo é evidente, não carece de demonstração. Pior é o sujeito. O sujeito de “parece-me” é indeterminado, jamais poderá ser “eu”. Poderia era ser “ele”, coisa desnecessária mas correcta: “ele parece-me”. Ou então, “parece-me”, simples, escorreito e certo. Neste caso, o “eu”, além de monumental pontapé na gramática, parece ser uma expressão pleonástica ou, por certo, enfática na opinião do falante.

 

Mas este blog é mais político que gramático. Por isso realça também uma aterrorizante opinião do senhor Marcelino, opinião que já vem fazendo escola na politicamente correcta “bempensância” nacional.

Diz ele que está mais ou menos garantido que o PS só “aprovará” um programa cautelar se, em troca, lhe derem eleições antecipadas. A ser isto verdade, e parece que é, ao PS o país não interessa, o programa cautelar pode ser bom ou mau, pode ajudar ou não na resolver o problema para os tempos mais próximos, pode ou não ser indispensável, que nada disto interessa ao oco e à sua maralha. O que interessa é o poder tout court, ainda que ninguém ainda tenha percebido, porque não há nada para perceber,  o que quer fazer com ele, para além do glorioso momento em que se sentar no cavalinho. Não há um único “erro”, uma única “má política” deste governo ou da troica que possa justificar que o PS impeça o regresso aos mercados, o alívio da austeridade, a confiança externa, etc., a troco, simplesmente, do poder. O exemplo de Jorge Sampaio, que não hesitou em ferrar um golpe de Estado para pôr os seus no poleiro, o oco está-se nas tintas para tudo o que não seja amarinhar. Em bom português, chama-se a isto traição, traição aos cidadãos, ao regime, à fraca hipótese de salvação que ainda nos resta.

É claro que o senhor Marcelino acha a coisa inteiramente normal, fala nela sem uma crítica, uma observação, uma cautela.

Com “formadores de opinião” desta natureza, estamos fritos.

 

31.10.13

 

António Borges de Carvalho

CANINAMENTE FALANDO

 

A Pátria inteira ficou estarrecida com a notícia de uma iniciativa política tendente a restringir a quatro (dois cães e dois gatos) o número de tais seres vivos admitidos em apartamentos. As baratas, os percevejos, as moscas,os piolhos e as pulgas não são contemplados.

A dona Cristas viu-se objecto da maior troça, coitadinha. Foi obrigada a reagir. Estranhamente, a emenda saiu pior que o soneto.

Passo a explicar. A senhora veio esclarecer o povo: não, não era uma iniciativa política, nem ia haver nenhuma lei a determinar a coisa, já que o governo tem mais com que se preocupar. Até aqui, coma-se. O pior é o resto. É que se tratava, segundo a distinta ministra, apenas de um “estudo” sobre a gatal/canina matéria, estudo que o ministério anda a fazer há sete anos. Sete anos! Uma iniciativa do governo do senhor Pinto de Sousa, que a dona Cristas, em vez de mandar para o caixote, deixou prosseguir, assim ocupando o tempo de, com certeza, vários técnicos especialistas, veterinários, biólogos , psicólogos, sociólogos e outros ários e ólogos, certamente abundantes lá no ministério. O que esta gente pariu, sob o olhar carinhoso da senhora, deve ter valido o tempo ocupado na gestação. Tempo esse que o pagode pagou. Demonstração clara do que é e de como se entretém uma parte substancial do funcionalismo que, por ordem do todo poderoso Tribunal Constitucional, não pode passar à peluda.

Quantos mais “estudos” deste calibre não andarão aí pelos ministérios é coisa que não se sabe ao certo, mas deve encher o tempo de inúmeros “servidores do Estado”. A burocracia, que nos custa milhares de milhões, quando não tem nada que fazer, inventa qualquer coisa para mostrar serviço. Fatalmente, essas quaisquer coisas têm a nobre utilidade de servir para chatear o cidadão.

Se se legislasse para pôr os donos dos animaizinhos a pagar a limpeza da trampa com que infestam os jardins, os passeios, as ruas, as árvores, compreender-se-ia. Se tais proprietários tivessem que pagar os custos dos canis públicos, dos veterinários públicos e de outras entidades que se ocupam destas matérias, seria bom. Se os cãezinhos mais ferozes fossem proibidos, muito bem. Se a sanidade pública fosse perturbada pelos animais de estimação e as autoridades públicas caíssem a quatro patas em cima dos proprietários, encantado.

Mas que se perca tempo a fazer  “estudos”, pelos vistos autorizados e acarinhados pela senhora ministra, para determinar quantos canídeos e gatídeos podem viver em apartamentos, meus senhores, alguém não está bom da cabeça. Se um tarado qualquer resolver viver com quarenta cães e vinte gatos, que lhe faça bom proveito. A não ser, é claro, que perturbe os vizinhos, cause porcaria ou não pague a devida vigilância médico-sanitária.

Em democracia, como soe dizer-se, a parvoíce é livre.

 

31.10.13

 

António Borges de Carvalho

VIAGEM À NACIONAL CHUNGARIA

 

Quem ler as capas das revistas ditas cor de rosa fica impressionado com a quantidade de fulanas tidas por “famosas”, dos seus casamentos e divórcios, das quantidades industriais de namorados e ex-namorados, dos comportamentos sexuais deles e delas, de uma que diz que vai tatuar as partes e de outra que se queixa da aspereza das linguais carícias do parceiro. Iisto para ser “meigo” e decente em relação a tais e tão “famosas” criaturas, e não entrar em detalhes.

Quem passar, de relance que seja, os olhos pelos por tantos programas de televisão, ditos “reality show”, vê as mais rascas narrativas alcandoradas a espectáculo para o “povo”. Deve ser a cultura de que tanto se fala. Até o “serviço público” se dedica à propaganda de lésbicas e quejandos, ou apresenta filmes que fariam inveja ao canal do Playboy.

A chungaria mediatizada transformou-se num negócio florescente e dá ideia de ser o modo de vida de muita gente que adoptou a própria (má) fama como se fosse coisa exemplar, invejável e salutar. Por outro lado, os chamados media - os meios, em português – são capazes de achar que outra coisa não fazem senão “informação”, ou “legítimo exercício e uso da liberdade de imprensa”.

E as mamãs e papás que, embevecidos, põem miúdas e miúdos em exibições completamente impróprias de gente decente, se calhar achando que estão a preparar-lhes o caminho do futuro?

A chungaria é um cancro da nossa sociedade. Pensar-se-ia que se tratava de coisa de pequena burguesia mal educada. Mas não. Anda por toda a parte, entra em todas as classes socias.

 Veja-se o caso deste filósofo e professor que, diz ela, dá porrada na mulher, a qual, diz ele, não passa de uma bêbeda incorrigível. E vem a outra mulher dele, também inteletual e universitária, declarar que o tipo lhe ferrou enxertos de meia noite, com pontapés e facas no pescoço, e mais, que se engrossava com bagaço e lhe pôs os cornos de toda a maneira e feito, julga-se que com cada macho que lhe passava pela frente.

Para o IRRITADO, que não é moralista nem tem nada a ver com a vida seja de quem for, estas e outras realidades de rasquismo militante  têm, acima de tudo, o significado da total ausência de respeito dessa gente por si própria e pelo equilíbrio dos demais. Talvez o IRRITADO seja antiquado, talvez se escuse a perceber o mundo em que vive, talvez os seus valores de discrição, pudor social, dignidade pessoal, vergonha e outras coisas, já não sejam valores. Na filosofia triunfante, os valores do IRRITADO não passam de hipocrisia, cinismo, coisas a que a filosofia triunfante parece também ter mudado o significado.

Poderia dizer-se que estas coisas, não não deviam afectar o IRRITADO, já que não compra revistas cor de rosa nem vê “reality shows”. A verdade, porém, é que ninguém está livre de que lhe metam a chungaria pelos olhos dentro. Ela vai continuar, poderosa e imperial, a fazer correr rios de papel e de dinheiro, parecendo que o melhor seria “alinhar”. Xiça!

 

31.10.13

 

António Borges de Carvalho

CONTAS DE SOMIR

 

Anda toda a gente indignadíssima com os cortes. Com razão. Ninguém gosta de levar com uma brutalidade de impostos em cima, ainda menos que lhe cortem no ordenado ou na reforma.

Uma coisa é a justa indignação e o decréscimo de qualidade de vida. Outra são as contas que se anda para aí a fazer.

Unanimemente, ou quase, diz-se que as pessoas fizeram um acordo com  o Estado, e que o Estado está a faltar ao cumprimento de tal acordo. Em que consistia? Dizem as pessoas que, se descontaram, têm direito a receber o que pensavam que iam receber. Será justo, mas é primitivo.

A esquerda, que é contra tudo o que seja capitalização, berra que a Segurança Social e a CGA não pagam o que pagariam em caso de capitalização. Nada mais falso.

No caso da SS, aquando da fundação, pelo Prof. Maecelo Caetano, do chamado Estado Social, as contribuições para a Previdência passaram a ser “geridas” pelo Estado, que alijou a responsabilidade da tal gestão (do dinheirinho de cada um) em favor de prestações sociais, por exemplo para os chamados “não contributivos”. Veio o socialismo e, como é da cartilha, achou muito bem. Veio o Guterres e desatou a dar prebendas a torto e a direito, de inserção, disto e daquilo, dando a uns o dinheiro que outros tinham pago. Chamou-se a isto “redistribuição”, “igualdade”, e outros eufemismos próprios da ideologia.

Com o dinheiro dos que agora protestam mas não perceberam o que se estava a passar, o socialismo “distribuiu” o cacau que julgavam que era deles, mas já tinha deixado de ser.

Com a CGA o caso é ainda pior. Os funcionários descontavam, é certo, mas o restante – a parte do patrão, a parte de leão – era pago pelos impostos de todos, não só pelos dos funcionários. Aceite-se. O problema é que, feitas as contas à soma das contribuições e aplicando regras básicas de capitalização, certo é que jamais os funcionários fariam jus às pensões que têm.

É evidente que este Estado Social não podia deixar de dar com os burrinhos na água, ou seja, não podia deixar de chegar ao estado a que chegou. E, pelo andar da carruagem, a estação final ainda está para vir, se é que haverá uma estação final.

Bem podemos protestar, rabiar, fazer manifestações de repúdio e indignação, bramar contra a troica, o capitalismo, o “liberalismo”, etc..  Não vale a pena perder tempo com esse tipo de folclore.

Se houvesse a tal “solidariedade europeia”, e se a economia deitasse a cabeça de fora vinte vezes mais do que parece estar a deitar, talvez as coisas pudessem tomar um rumo decente. Mas não há nem solidariedade europeia nem economia que se veja.

A única coisa que podemos fazer é cortar também na nossa vidinha, e tentar preparar-nos para o pior.

Sursum corda! Não vos deixeis abater, irmãos meus.

 

25.10.13

 

António Borges de Carvalho

NAS MALHAS DA DESCENTRALIZAÇÃO

 

A chamada descentralização é coisa que entra facilmente no bestunto das pessoas. “Proximidade”, “simplicidade”, “transparência”, etc., são coisas a que ninguém se poderá opor.

É neste “registo” que se insere o discurso de Estado lido pelo camarada Costa no seu acto de tomada de posse, na generalidade frequentado pelo mesmo escol que foi ver o Pinto de Sousa propagandear as suas filosofias de taberneiro.

Mais do que expor a teoria geral da descentralização, Costa explica como quer lá chegar. Propõe que, sob a sua égide e liderança,se crie uma espécie de senado do poder local, para quem serão transferidas inúmeras competetências, subentendendo-se que também chorudas verbas.

Se fosse outrem a avançar com tais ideias, talvez a coisa pudesse merecer alguma consideração. Mas, avançada pelo chefe de uma das mais tenebrosas burocracias do país, se não a mais tenebrosa, cheira a esturro que tresanda. Proximidade? Alguém sente a proximidade da CML? Alguém sente, em Lisboa, a proximidade das Juntas de Freguesia? Simplicidade? Alguém acha que o proponente simplificou fosse o que fosse? Transparência? Só se for a dos vidros do Campo Grande.

O homem “surfa” numa certa onda que conseguiu levantar e, enquanto ela não se esparrama na areia da realidade, trata de “pôr condições”. Quer ele coisas afinal tão modestas como, para já e por exemplo, passar a ser o líder incontestado das empresas de transportes da área metropolitana de Lisboa. Calculem o que seria a Carris, o Metro, a Soflusa, a linha de Sintra, a linha de Cascais e tutti quanti nas mãos desde “gestor de topo”. Imaginem o monumental estoiro que, de uma assentada, dariam todos os nossos tão importantes transportes. Imaginem o “emprego” que o Costa criaria, os lugares dourados que surgiriam por todos os lados, a alegria dos boys, a desgraça das gentes.

Bem vistas as coisas, talvez não fosse mau. O Costa acabaria afogado na sua querida onda, e nós livres dele. O pior é que, até lá...

 

25.10.13

 

António Borges de Carvalho

INVESTIGAÇÕES


Muito se tem criticado aquele tipo da PJ que resolveu envolver os pais no desaparecimento da pequena inglesa no Algarve. Ninguém, para já, saberá dizer se o homem tinha razão. O que se sabe é que passou a ser politicamente correcto dizer que não tinha. O IRRITADO não faz, acerca do assunto, a mais longínqua sombra de ideia, não toma partido, nem quer, nem pode tomar.

Facto, porém, é que a criança foi abandonada num apartamento enquanto os pais iam para os copos com os amigos. Nem baby sitter, nem nada que se parecesse. Facto é que o distinto casal, quando foi apertado, deu à sola. Facto é que os cães de Sua Magestade descobriram vestígios de sangue e cheiro a cadáver. Facto é que os cientistas forenses de Sua Magestade mandaram dizer que o sangue era da menina. Facto é que os mesmos cientistas, meses depois, vieram dizer que, afinal, não podiam dizer que o sangue era da menina. Facto é que os pais da menina fizeram uma monumental campanha de fund raising, aliás quite successful. Até contrataram porta-vozes, secretários, etc.

O IRRITADO acha muito bem que, havendo razões para tal, o processo seja reaberto, ainda que o suspeito tenha, na opinião da Yard, uma série de caras que, de tão diferentes, não devem servir para nada. Mas, como parece que, no Porto(!) há uns polícias que estão na posse de novos dados, tudo bem.

Só é estranho que, os pais da criança, que não inspiram simpatia de maior, jamais tenham sido, sequer, chamados à responsabilidade pelo abandono da filha.


Enfim, tudo isto é por demais weird. De qualquer maneira, o IRRITADO deseja, do fundo do coração, que a menina esteja viva e bem.

 

25.10.13

 

António Borges de Carvalho    

JUSTIÇA?

 

Dois meliantes resolvem assaltar um fábrica, ou coisa do género. Um deles levou um filho, de doze anos, eventualmente para lhe ensinar a profissão.

Estando os impolutos cidadãos a meio do trabalhinho, eis que surge a GNR e lhes dá voz de prisão. Correram para o carro, onde o menino os esperava, e deram às de Vila Diogo. Os GNR’s foram no seu encalço. Um deles, para os fazer parar, disparou, acha ele que para os pneus. Com os solavancos do carro, em vez de acertar nos pneus, acertou no miúdo, de cuja presença, diz ele, nem sabia.


Resultado: o GNR apanha 9 anos de prisão maior e o meliante dois.


Se eu fosse GNR, para a próxima deixava-os fugir.

 

25.10.13

 

 António Borges de Carvalho   

E DEPOIS?

 

Consta que, havendo o tal programa cautelar, o PS não o subscreverá. O governo cai. Vêm eleições, no meio de uma tempestade de juros. Ganha o PS. Como nada quer com o PSD, fará uma coligação com o BE e o PC.

Depois... depois talvez o pessoal leve uma lição de esquerda de tal ordem que acabe por se ver livre dela por uns cinqueta anos. Há males que podem vir por bem.

 

25.10.13

 

António Borges de Carvalho

PUBLICIDADE NÃO ENDEREÇADA , BURRICE LEGISLATIVA E “MOBILIDADE”

 

Parece que há uma lei que proibe a entrega de publicidade não endereçada nas caixas do correio. Muito bem.

Aqui há tempos, o IRRITADO  apresentou às distintas autoridades competentes uma reclamação contra a frequente e repetida violação desta norma pelos supermercados Lidl, com informações sobre o preço das batatas  e de outros produtos. A resposta (responderam!!!) foi: trata-se de uma publicação periódica, não de publicidade.

Vejam bem: as caixas do correio cheias de papéis sobre o preço das batatas e diversos não é publicidade não endereçada! Critérios.


Esta experiência leva a que o IRRITADO, evidentemente, não venha a ter qualquer sucesso em mais uma reclamação que está a planear, desta vez contra um dos mais poderosos inimigos públicos da nossa praça: a Câmara Municipal de Lisboa. A democrática instituição anda a encher as caixas do correio de cada um de uma “revista” de propaganda camarária. Um tipo toca às campaínhas todas cá do prédio, diz “Correio!” em altos berros. Alguém lhe abre a porta. Vai daí a distribuição do propagandístico panfleto pelos cacifos.

É de pensar que não haja nada a fazer contra a ilegal prática dos serventuários do camarada Costa. Mas não fica mal protestar. Pode ser que um dia...


Folheada esta “revista”, entre outras, assinalemos duas coisas chocantes.

A primeira é sobre a “mobilidade”. De acordo que se faça os possíveis para criar acessibilidades a todos os que têm problemas de locomoção. Muito bem.

Ocorre, porém, perguntar: e os outros? Sim, o comum dos cidadões que não têm tais problemas? Que interessa à CML a “mobilidade” de tais indivíduos? Nada. Os passeios, orgulhosa imagem da “calçada portuguesa” continuam cheios de buracos, de altos e baixos, de raízes cá de fora, de monumentais poças de água quando chove, numa bandalheira tal que, por todo o lado, provoca quedas, pés torcidos, pernas partidas, idosos no chão, porcarias acumuladas, os sapatos cheios de água... Que interessa isso à Câmara? Nada. Que interessa que as caves se encham de água por carsa da permeabilidade dos passeios? Nada. Que interessa as infiltrações, os bolores, os maus cheiros, as humidades? Nada.

Quando é que os senhores da “mobilidade” camarária se convencem que, ou têm dinheiro e mão de obra disponível para tratar da calçada como deve ser, impermeabilizando-a e mantendo-a, ou asfaltam os passeios como nas cidades civilizadas deste mundo? Nunca? Como é possível, neste estado de coisas, vir falar de “mobilidade”, fazer-nos pagar a “mobilidade”, sem que quaisquer condições de mobilidade sejam proporcionadas a cada um?


Não. O IRRITADO não é contra a calçada portuguesa. Acha que ela se deve manter em lugares escolhidos, na presunção de que é possível conservá-la e mantê-la em boas condições. Mas isso não faz a CML. Prefere, por exemplo, asfaltar a mais emblemática de todas as praças do país – o Terreiro do Paço – em vez de fazer dela uma montra da arte dos nossos calceteiros.


Vale a pena protestar? Com certeza que não. Em tempos, o IRRITADO foi deputado à Assembleia Municipal de Lisboa. Uma das suas primeiras iniciativas defendia o mesmo que acima defende. A coisa foi discutida... e pronto. Vão uns dez anos e tudo ficou pior do que já estava.

 

O segundo choque foi a leitura de uma loa camarária à nova lei sobre as bicicletas.

Imagine-se que, a partir da entrada em vigor de tal coisa:

os ciclistas passam a andar, exclusivamente, nas faixas dos automóveis;

passam a poder andar aos pares (lado a lado!);

passam os automobilistas a ter que andar afastados pelo menos 1,5 metros das bicicletas;

as bicicletas passam a ser equiparadas aos restantes veículos, o que é, por exemplo, muito útil por passarem a ter os mesmo “direitos” de prioridade nos cruzamentos;

e passam, ó espanto, a não poder circular nos passeios.


A Câmara chama a este chorrilho de asneiras “um exercício de cidadania e respeito pelo próximo”.

Respeito pelo próximo? Cidadania? Onde vai parar a cidadania quando um tipo for na estrada, tiver à sua frente dois ciclistas lado a lado, mais ou menos 1,5 metros para eles, tiver que respeitar mais 1,5 metros de distância “lateral” e tiver um traço contínuo à sua esquerda? Vai de Santana a Sesimbra a dez à hora? Ou toma um Lexotan 12 antes de se sentar ao volante? Isto sem considerar que as bicicletas têm, por natureza, um andamento irregular. Não podem andar nos passeios, nem nos jardins que os têm?

Quantos ciclistas vão morrer por causa desta monumental estupidez? Quantos condutores vão ser presos por terem deitado ao chão um ciclista no uso do seu direito de ocupar três metros da faixa de rodagem? Que se pretende com este tipo de “mobilidade”? Cilclistas aos pares, aos èsses na Avenida das Liberdade? Querem matar gente, ou só arranjar maneira da cobrar mais umas multas?

 

Fica a questão.

 

24.10.13

 

António Borges de Carvalho       

DA INTELIGÊNCIA CAUTELAR

 

Na heróica esteira do chefe e da organização a que pertence, o grande, o inigualável gestor que dá pelo nome de Pires de Lima veio, do alto da sua enorme importância – quem não tem saudades do Álvaro? – declarar que, a partir de Janeiro, o governo da coligação “unida e coesa”, se dedicará ao estudo do chamado programa cautelar.

Quem lhe terá encomendado o sermão? O chefe, sempre pronto a “tomar a dianteira”? Ou terá sido só um golpe de génio do declarante? Ninguém o saberá.

Mas sabe-se que passou a não se falar de outra coisa. O notável oco aproveitou para mandar as suas exigentes bocas. Quero saber tudo! Tudo! Têm que me dar as devidas satisfações, pedir as devidas autorizações, esclarecer em que estão a pensar! Eu sou o oco, com o oco não se brinca, o oco é s(S)eguro!

Sabe-se também que não há nada a esclarecer, nem a autorizar, nem a satisfazer. Aliás, o Lima teve o cuidado, a fim de adoçar o trombone, de dizer que iam pensar no assunto lá para Janeiro. Se se trata de uma coisa para daqui a três meses, é evidente que, para já, não existe. A missão do oco é chatear, não é perceber, o que explicará a invectiva.

De resto, é de pensar que a inteligência do Lima o terá levado a achar que estava a dar uma boa notícia: se houver programa cautelar é porque acaba a troica! Tais e tão subidas meninges não terão chegado para perceber que tudo o que o governo faz ou pensa fazer é, por natureza e diligência do oco, má notícia.

Lima poderia ter deixado o anúncio para quem de direito e para a altura própria. Não deixou, porque a colossal importância do CDS tem que ser afirmada custe o que custar e custe a quem custar.

Toda a gente sabe que, se tivermos sorte, vamos ter um programa cautelar, seja lá isso o que for. Quando chegar a altura, já não houve cão nem gato que não se tenha doutamente pronunciado sobre o assunto, estando a artilharia a postos para dar cabo dele à nascença.

À nascença? Pelos vistos antes dela, por obra e graça das limais inteligência.

 

23.10.13

 

António Borges de Carvalho    

UMA DESESPERADA ESPERANÇA

 

Há hoje dois partidos em Portugal: o Partido do Tribunal Constitucional (PTC) e o Partido do Mínimo de Bom Senso (PMBS).

O PTC, queixando-se do PMBS, transformou o relatório dos burocratas da UE, que só dizia verdades, em posição final do senhor Barroso e seus sequazes. Usa-o como arma de arremesso de eleição contra o governo, a maioria, a troica, o PR e todos os que têm alguma noção da realidade.

Esse luminar “independente” da nossa esquerda que dá pelo nome de Rui Tavares, vem hoje usar a letra dos tratados para declarar a absoluta e soberana legitimidade do TC para chumbar tudo e mais alguma coisa. É sempre possível, para um jurista experimentado, “sacar” de um texto tudo e o seu contrário. De um tipo que se diz “historiador e eurodeputado” esperar-se-ia mais escrúpulo de historiador e menos paleio de deputado, ainda por cima engagé com a esquerda folclórica europeia depois de ter sido corrido (sem largar o tacho...) pelo camarada Louçã.

O socialista “moderado”, de seu nome Correia de Campos, vai pelo mesmo caminho. Para ele, o TC goza de “conhecida e respeitada independência”. Fica tudo dito, não é?


A Constituição de 1976 coloca muitos problemas, o maior dos quais é a sua natureza híbrida. Por um lado, obriga-nos a caminhar para uma sociedade socialista. Por outro, consagra os princípios gerais de uma democracia. Como se fossem coisas compatíveis!  

Houve socialistas que, nos dourados cinquenta anos do pós-guerra, compreenderam esta evidente verdade. Daí, terem conseguido compaginar algumas ideias socialistas com a democracia propriamente dita, aliás acompanhados pelos democratas cristãos.  Como é sabido, a democracia cristã morreu de velhice e a social-democracia vê, tristemente, aproximar-se o seu ocaso. E como, de forma pouco inteligente, não tem “capacidade ideológica” para se reformar, nem tem líderes à altura dos tempos, acaba por fazer nascer monstros populistas, extremismos de direita e outras indesejáveis tendências político-sociais.


A Constituição de 76 dá para tudo, sem prejuízo do ideologismo que, desgraçadamente, a informa. A mais estrita obrigação dos tribunais constitucionais é compaginar as normas que quer aplicar com as circunstâncias em que são aplicadas. Por isso, o nosso, pode, e deveria, pegar na Constituição e confrontá-la com a situação do país. Se assim fizesse, prestaria um alto serviço. Insistindo em considerar só um lado da Constituição, talvez preste um serviço ao PTC, mas não o prestará a quem deve.

Estamos na situação de náufragos da terrível tempestade em que o Adamastor do socratismo nos meteu, só nos restando optar pela esperança de alguma melhoria “meteorológica” que nos dê tempo para passar a tormenta ou, simplesmente, sermos atirados aos rochedos sem via de salvação.

Não colhe atirar culpas ao governo. Ele próprio reconhece que poderia ter começado de outra maneira, e que essa outra maneira talvez não trouxesse os gravames em que estamos metidos. Se a minha avó tivesse rodas...

A culpa será da troica e de quem com ela concordou? Sem dúvida, mas a troica ainda não percebeu nem se sabe se algum dia perceberá.


É de uma evidência cristalina que um chumbo do TC, enchendo de júblio o seu partido, nos atiraria para um segundo resgate, e que um segundo resgate traria austeridade ao cubo, se não trouxesse coisas piores.

Por isso, no momento, se houvesse algum sentido patriótico em quem opina e julga, a ideologia ficaria em banho-maria, mesmo a ilegitimamente ínsita na Constitução, e ficar-nos-íamos pelo pragmático reconhecimento da realidade.


Já se sabe que, para os membros do PTC, o evitar do pior a médio prazo passa por aceitar o mal a prazo curto. Mas os membros do PTC são inflexíveis: para uns, destruir tudo o que não for o socialismo puro e duro é nobre missão, sendo a democracia um pormenor, uma coisa que se defende para idiota ouvir; para outros, o único objectivo é conseguir chegar ao poder, mesmo que para isso seja preciso dar cabo do que resta.


Uma esperança desesperada faz o IRRITADO pensar que talvez o TC, desta vez, tenha em conta que os mais importantes interesses do país não devem ser espesinhados pela defesa da ideologia.

 

21.10.13

 

António Borges de Carvalho  

VERDADES E MENTIRAS

 

Anda por aí, a causar uma celeuma dos diabos, um relatório interno escrito pelos representantes da UE em Lisboa, que tece judiciosas considerações sobre o que acontecerá se o Tribunal Constitucional der com os pés no orçamento.

Não se sabe como a coisa veio parar aos jornais, mas, tratando-se da costumeira “transparência” à portuguesa, adiante.

 

Diz o referido relatório, repita-se, interno, mais ou menos o que segue:

a) Provavelmente, o PR vai tomar a iniciativa de mandar o orçamento ao TC, para fiscalização sucessiva;

b) O governo quer cumprir os compromissos do país com a troica, mas, se houver chumbo, a margem de manobra, depois dos vários chumbos do TC, está super reduzida;

c) O TC tem feito uma interpretação rígida da Constituição;

d) O TC age como um “legislador negativo” e interfere na política fiscal do governo;

e) Estará o TC, por motivos políticos, a minar o sucesso do programa de ajustamento?

f)  Há quem diga que os juízes do TC chumbam as medidas que põem em causa os seus interesses;

g) A imparcialidade do TC sempre levantou dúvidas;

h) O activismo político do TC pode ter graves consequências para o país;

i)  Se houver chumbo, o mais provável é um segundo resgate;

j)  Os sacrifícios da população começam a mostrar resultados “encorajadores”;

k) Um segundo resgate teria graves consequências para a população, e arriscar-se-ia o colapso do governo.

 

Todas, mas todas as informações enviadas pelos burocratas da UE à Comissão são rigorosissimamente verdadeiras, como qualquer pessoa não completamente estúpida e não cegamente partidária pode entender, sem lugar a dúvidas.

Perante este conjunto de verdades, que os funcionários tinham a mais rigorosa obrigação de fazer seguir para os seus patrões (certamente não contavam com a tal transparência à portuguesa), o que aconteceu?

Os partidos comunistas reagiram como era de esperar – estavam a meter-se com os seus santos padroeiros da catedral da Rua do Século! O que dizem não interessa a ninguém no seu perfeito juízo.

Os comentadores, por exemplo essa senhora a quem, desgraça “pública”, o senhor Belmiro entregou a direcção do jornal, são quase unânimes, a ver qual dá um ar mais esquerdista e mais “patriótico”. É a “honra” de Portugal que está em causa! É a Pátria que geme nas mãos do horrendo Barroso! É uma ingerência ilegítima na nossa democracia e na nossa independência! Etc. e tal.

O PS, via indignadas declarações do oco, diz que “a Comissão faltou-nos ao respeito”. Ou seja, o relatório interno de uns funcionários passou a opinião final e oficial da Comissão! Coisa “da maior gravidade”, diz o fulano. “A Comissão deve explicações a Portugal e, se não as deu, o governo e o PR devem exigi-las”.  “Já deviam ter vindo a público repudiar o conteúdo do relatório”. Etc. e tal.

 

Em qualquer organização, o PS incluído, há relatórios internos destinados a informar os decisores. Quem elabora relatórios internos é, obviamente, responsável perante tais decisores e não tem nada a ver com o público em geral.

Mas, convindo para malhar no governo e no Presidente, vamos a isto! Nem que seja preciso aldrabar, transformando um relatório interno, ainda por cima feito de verdades duras como rochas, numa posição definitiva daqueles a quem tal relatório se destina, ou destinava, antes de cair nas mãos da “transparência”!

 

É nisto que vivemos. O patriotismo desta gente – eventualmente inspirado no dos díscolos políticos da I República e nos ensinamentos do GOL – reduz-se a malhar, sem critério, sem verdade e sem escrúpulos, em quem se quer derrubar, mesmo que isso derrube, simultaneamente, os mais evidentes interesses do país.

As posições do oco, de há muitos meses para cá, são objectivamente baseados em premissas mentirosas, em promessas demagógicas e em aldrabices descaradas. Pura pornografia política, para dizer o menos.

 

20.10.13

 

António Borges de Carvalho    

É PENA

Temos que nos dobrar respeitosamente perante a soberania do povo. O povo, nas palavras luminosas da Martins, da Avoila, do Jerónimo e do sô Carlos, desceu hoje à cidade e disse de sua justiça que o governo é ilegítimo e que tem que ir embora, já que é essa a vontade do povo. O camarada oco veio em auxílio dos ilustres declarantes, dizendo que pois.

Tudo democrático, como é de ver. Exijamos a queda do governo, demos um pontapé no rabo da troica, deixemos de pagar as dívidas e, eleições realizadas, o oco virá aumentar os ordenados e as pensões, baixar os impostos, fazer manguitos à EU e ao FMI e pôr, como é de ver, tudo no seu sítio outra vez, aliás na peugada dos bons conselhos do camarada Soares e no seguimento das preclaras políticas do “engenheiro” e dos seus inigualáveis resultados.

Tudo isto estaria certo se o tal povo fosse o povo. Mas não é. Uns milhares de excursionistas não são o povo. O PC não é o povo. O BE não passa de um mínimo cagagésimo do povo. O próprio oco não é o povo. Feijoada e tinto em Alcântara não são o povo. Berraria primária, slogans de lata não são o povo.

O povo são os milhares de excursionistas mais (mais ou menos) uns nove milhões novecentas e cinquenta mil pessoas. Aqui, a porca torce o rabo.

Os excursionistas, a quem, em termos de cidadania, é devido respeito, são os pobres enganados pelas ilusões, aldrabices e vãs promessas do bolchevismo après la lettre que serve de modo de vida a um bando de condotieris que, bem vistas as coisas, se dividem entre os que não trabalham e os que jamais trabalharam. São as “vanguardas esclarecidas dos trabalhadores”, que os ditos sustentam e são levados a venerar.

É pena. É pena que continuemos tão atrasados.

 

19.10.13

 

António Borges de Carvalho    

BOCAS

Num inesperado gesto, a senhora PGR veio, publicamente, informar que proibiu os seus funcionários de vir cá para fora largar “bocas” sobre os trabalhos da organização.

Tomada a coisa pelo seu valor facial, parece bem. Indo um bocadinho mais fundo, haverá que perguntar se não é, ou chover no molhado, ou uma questão propagandística.

Então o sigilo não é, por natureza de função, próprio da PGR e dos eus funcionários, magistrados ou não? Não foi sempre assim? Se não foi, antão estamos na Bielorússia ou coisa que o valha. Se sim, porquê vir dar agora uma ordem que não passa de um ça va de soît, ça va sans dire?

A senhora PGR perdeu uma bela ocasião de estar calada. Assim, ou confessa que, lá na casa, impera a bagunça, sendo preciso relembrar o Bê A Bá às hostes, ou está a fazer uma manobra mediática sem qualquer sentido.

É evidente que a estranha atitude da senhora tem como razão próxima a monumental anedota que a PGR, com as “bocas” passadas cá para fora e com a prestimosa colaboração dos media e o dr. Machete arranjaram, acabando por pôr o ilustre presidente Dos Santos a desbocar-se em acusações e ameaças.

Na opinião do IRRITADO, a senhora PGR devia ter ficado calada como um rato. Os seus antecessores falavam demais, ela não devia ir pelo mesmo caminho. Mas, se não resistisse a dizer alguma coisa, o que devia era pedir desculpa às pessoas pelos inconvenientes causados por fugas de informação de que, afinal, é ela a mais alta responsável.

 

19.10.13

 

António Borges de Carvalho

UM CAGALHÃO

 

Como prometera, o IRRITADO, hoje, não comprou o “Expresso”. Mas alguém que passou cá por casa trazia-o debaixo do braço. Assim, pedindo perdão a si próprio, leu os leads da entrevista do “engenheiro”.

Alguns excertos, que já são do conhecimento geral, mas merecem o devido destaque:

 

Aos idiotas (do PS) que andaram apaixonados por coisas que tiveram de negar faz-lhes muita impressão um tipo que sempre foi a merda de um moderado.

 

Aqueles gajos que se achavam a aristocracia (do PS) pensavam que eu tinha que ir lá pedir, pedir se podia, pedir autorizações. E eu pensei, raios vos partam, vou vencê-los a todos!

 

Estamos a falar de pistoleiros (a direita).

 

Aquele estupor do ministro das finanças, o Schäuble, todos os dias esse filho da mãe punha notícias nos jornais contra nós.

 

Os filhos da mãe da direita em Portugal deram cabo de uma solução apenas para ganhar(em!) eleições.

 

Custou-me os olhos da cara pedir ajuda… Assinei… Já ninguém, lá fora, dava nada por nós.

 

É preciso chegar ao fim das citações para encontrar alguma verdade: “já ninguém dava nada por nós”. Já ninguém dava nada por ele, ora essa!

 

Quanto ao resto, no comments. Para quê?

Por um momento, usemos a linguagem diplomática deste homem de Estado, dizendo que se revela o que sempre foi: um cagalhão em figura humana.

 

19.10.13

 

António Borges de Carvalho

RESPOSTA A 50%

 

Mais uma vez o inacreditável Soares se desbocou da forma reles a que nos vem habituando, sempre com a ajuda dos trombones da “informação”.

O PR deu-lhe uma resposta, por um lado canhestra, por outro brilhante.

Canhestra porque não tem nada que se “justificar” quanto a ter sido ou não depositante do BPN, ou acionista seja do que for.

Canhestra porque não entrou em polémica com as palhaçadas do irresponsável safado. Antes reiterou o respeito que se lhe deve na sua qualidade de ex-PR. O que, evidentemente, significa que se lhe deve respeito por isso. Muito bem!

 

18.10.13

 

António Borges de Carvalho

JUSTIÇA REQUENTADA

 

Dão as notícias conta de uma extraordinária novidade: os tipos do BPP vão ser julgados. Quantos anos passaram sobre o que os leva ao banco dos réus?

Parece que os do BPN vão a começar a ser julgados. Quantos anos e quantos milhões já se foram desde os tempos em que fizeram as malandrices de que são acusados?

Aquele senhor do PSD que tinha uma fundação e é acusado de trafulhices com uns terrenos em Oeiras ainda não começou a ser julgado. Daqui a quantos anos o será?

O caso dos submarinos, que tem feito sangue por toda a parte, por cá parece não ter existido.

Netes processos, os suspeitos/arguidos/acusados têm nomes sonoros que toda a gente conhece. Muitos mais há, de que se sabe ou não. Até há aqueles que toda a gente acha que deviam ser, pelo menos, investigados, e que jamais o foram ou serão. E outros cujos processos foram arquivados, ou por falta de provas, ou por improcedência das acusações. Pode dar-se o benefício da dúvida, mas, em muitos casos, não ficou claro que devessem ser arquivados.

Parece que só o Isaltino, coitadinho, ao fim de não sei quantos anos, foi parar ao xilindró. E por causa relativamente pouca em relação ao que de tantos se suspeita.

De uma coisa podemos ter a certeza: os julgamentos, se os houver, transitarão em julgado no tempo dos nossos netos.

De outra também: é que, tanto a sociedade como os acusados têm direito a uma justiça célere. É pena que os tipos que adoram a dona Constituição sempre que esta lhes serve para nos arruinar ainda mais, não se lembrem que este direito também lá está, sem lugar para controvérsia.

Que infernais teias burocráticas tolhem a nossa Justiça? Tanto juiz, tanto advogado, tanto funcionário! As coisas não andam e a culpa é de ninguém? Se até os julgamentos sumários em caso de flagrante delito já foram postos de lado pelo Tribunal Constitucional, que dizer do resto? Se as tentativas para agilizar alguma coisa – a ministra, coitada, tem feito os possíveis – levam pancadaria todos os dias por toda a parte, que raio se pode esperar? Se todos os intervenientes são respeitabilíssimos órgãos de soberania, cidadãos impolutos, inimputáveis, “independentes”, haverá alguma esperança?

Razão têm os americanos, que elegem os juízes. Pelo menos, reforçam-lhes a legitimidade. Por cá, dão-lhes umas lambuzadelas processuais e põem-nos a julgar sem nenhuma espécie de experiência ou de capacidade para avaliar os meandros da natureza humana. Depois, a vida é disso mera continuação.

 

16.10.13

 

António Borges de Carvalho

XIÇA!!!

 

Manchete de hoje no Sapo e no "Expresso on line": “Sou o chefe democrático que a direita sempre quis”.

Quem diz isto: o “engenheiro”!

Onde: no “Expresso”, do próximo Sábado.

Como: DEZ páginas de entrevista.

O entrevistador: Clara Ferreira Alves.

Posto isto, recomenda-se às pessoas que não gostam de atentados à inteligência que sigam o conselho do IRRITADO e não comprem o “Expresso” no próximo Sábado.


Chefe?

Democrático?

Que a direita quer?

Vejam, numa só frase, pelo menos quatro trafulhices. Ficam esclarecidos?


Tal RTP, está o “Expresso” ao serviço do novo bacharel, através dessa figura impar da nossa “cultura”, a intolerável convencida dona Clara.

O “Expresso on line” refere mais uma série de apaniguados do “engenheiro”: Lula, o mensalão, Soares, o geronte, a respectiva fundação, paga pelo Estado... todos associados para lançar a “tese” do “engenheiro” nas Sciences Po, quem pagou? Já telefonaram às Sciences Po a saber se teve algum aluno “engenheiro” e, se sim, o que fez por lá? Talvez valesse a pena.


Concluamos:

a) O “engenheiro” está numa de voltar a dar-nos cabo da vida;

b) A cáfila, para além dos seus habituais serventuários, reune figurões como o tipo da RTP, um tal Ponte, Soares, que vai a todas a ver se se aguenta, o Francisco Balsemão, mais um vendedor de jornais sem espinha, o Lula de boa mamória e más contas, et alia;

c) A dona Clara (espinha?) é tão ancha em dizer cobras e lagartos do “engenheiro” como em fornecer-lhe um púlpito de DEZ páginas;

d) Ainda é capaz de haver quem leia o que o “engenheiro” bolsar.

 

Xiça!

 

16.10.13

 

António Borges de Carvalho

DA GANÂNCIA DO COSTA

 

O oco, conhecido por Seguro, serventuário do Bloco de Esquerda cuja cassete repete sem cessar, passa a vida a gargantear contra os impostos, que ele baixaria assim que subisse ao poder, contra a austeridade, que acabaria no mesmo momento, contra a troica, que ele dominaria sem demora...

A generalidade das pessoas já percebeu que o fulano é ou demagogo ou burro. Ou as duas coisas.


Mas, saído das mesmas fontes ideológicas, o seu rival doméstico, isto é, Costa, o tenebroso, não perde tempo. Ao longo do ano, loas se ouviram porque o IMI, de que se alimenta o tenebroso & Cª, ao contrário do que do governo depende, não o tinha subido. O IRRITADO informou vários crentes, sem sucesso, que não seria assim. Agora, aos poucos, os proprietários de um andarzinho em Carnide, bem como os de prédios de rendimento, vão caindo na triste realidade.

Dadas as contas de somir que as reavaliações provocaram não serem pêra doce e levarem o seu tempo, as pessoas acharam que o IMI tinha ficado mais ou menos na mesma. Triste ilusão. A última prestação do IMI veio fazer o “acerto”.

Umas contas não de somir fazem os crentes perceber que o IMI, que alimenta o tenebroso, aumentou mais de cinquenta por cento. Mais de cinquenta por cento! Ali, como manda o socialismo e como foi devidamente votado na distinta Assembleia Municipal de Lisboa por ele dominada*.

Mandavam a ilusões do povo que as avaliações seriam acompanhadas de uma mexida nas taxas, de forma a que a subida do imposto não ultrapassasse certos limites . Mas o tenebroso não é de modas: mais de cinquenta por cento de um assentada, ainda por cima acantonados na última prestação, a pagar em Novembro, talvez como homenagem aos contribuintes que vão receber o subsídio de férias, ou de Natal, no mesmo mês! O tenebroso sabe o que faz.


O governo, a troica, a crise, o diabo, são acusados de “insensibilidade social”, de pecaminosa ganância, de roubo, de extorsão, de inconstitucionalidades, de atentados aos “direitos adquiridos”, de deslealdade contratual. O Soares até diz que devia ir tudo para a cadeia.


Afinal, o que se vê... é o que se vê.

Ai de nós se o poder cair nas mãos do oco e da sua tribo, do tenebroso e da dele.

Olhem que, se não se põem a pau, já faltou mais.

 

14.10.13

 

António Borges de Carvalho


* Percebem agora porque é que o orçamento da CML é "equilibrado"?

PESSEGADA AUDIOVISUAL

 

Desde sempre tem o IRRITADO traçado armas contra a existência dessa coisa inútil e contraproducente que se chama RTP.

Este governo, primeiro, parecia querer privatizá-la. Depois, o Relvas acagaçou-se com a gritaria da esquerda e tratou de inventar outra solução. Tal solução, como o Relvas, caíu.

Agora, carregado de boas intenções, o senhor Maduro, altíssimo intelectual da nossa praça, apresentou uma nova “solução”.  Desta vez, trata-se de manter o monstro e de arranjar mais uma série de canaletes “temáticos”.  Como pagar a coisa? É simples: carrega-se no botão da receita e vai buscar-se mais uns cobres a quem tem um contador de electricidade. O aumento, para cada um, é pequeno, mas tudo somado...

Lembro-me de uma pessoa que tinha sobre mim autoridade me dizer um dia, em ar de descompostura: António, um tostão mal gasto é uma fortuna, um milhão bem gasto é peanuts. Tinha toda a razão. É por isso que os cêntimos que vamos pagar a mais, não fazendo diferença à maior parte das pessoas, são uma fortuna, e uma fortuna cuja origem carece de legitimidade.


É certo que foi a esquerda que se revoltou contra a privatização, contra a solução Relvas, como se revolta agora contra a proposta Maduro, como se revolta contra tudo. É certo que, se o governo resolvesse privatizar, ou acabar com aquilo, caía-lhe em cima a quatro patas o Tribunal Constitucional, último e definitivo reduto da esquerda nacional, instância irrespondível da oposição, albergue de politicões engagés.


Para o IRRITADO, a RTP/EDP deviam ser simplesmente extintas, o património vendido, os funcionários mandados para casa. Que diabo, há tanta gente a ser despedida neste país, por que carga de água os parasitas audiovisuais são intocáveis? E se houvesse, o que é de admitir, necessidade de serviço para os emigrantes ou para o “império”, que se contratasse com os privados tal tarefa.


Não há nada que possa defender um sistema herdado de há quarenta anos, ignorando que o tempo é outro, a procura é outra, o mundo é outro.


A inacreditavelmente estúpida esquerda portuguesa, que acusa o governo de “manipulação”, “interferência”, “pressões” e outras malfeitorias, acha mal que o governo deixe de “tutelar” a “informação” estatal.  Bem vistas as coisas, se calhar não é tão estúpida como isso: é que, se chegasse, ou se chegar, ao poder, nada melhor que ter TV e rádio do Estado para poder manipular à vontade. O PS até conseguiu manipular a TV privada - a Moura Guedes que o diga - como podia deixar de ter uma pública, mais perto e mais dependente? Como podia deixar de ter uma TV que lhe fornece, mesmo não sendo governo, uma tribuna onde perora o maior aldrabão político da nossa história,  conhecido por “engenheiro”?


A coligação, por seu lado, limitada e anquilosada pela arrogância larilóide do CDS, vai-se entretendo a arranjar soluções que a esquerda possa “tolerar”. É de uma falta de coragem, ou de convicção, a toda a prova. E tudo à custa de quem nada tem a ver com estas “determinações constitucionais”.


Cuidado! O Palácio Raton vela por nós.

 

13.10.113

 

António Borges de Carvalho

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