Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

IRREFORMÁVEL!

 

Desde velhíssimos tempos, há, nos governos desta terra, um ilustre membro encarregado de uma coisa a que se deu o nome de “reforma administrativa”.

Pouco se tem reformado, isto é, as mudanças que tem havido são mais as que a evolução dos tempos e das tecnologias têm imposto do que as que se poderia classificar como fazendo parte daquilo a que, hoje, se dá o nome de reforma do Estado.

Praticamente tudo o que poderia fazer jus a tal nome é objecto de feroz resistência de toda a gente: sindicatos, ordens, parceiros sociais, partidos de oposição, corporações profissionais, técnicos disto e daquilo. A sociedade, parece que no seu todo, é avessa a mudar seja o que for. Por exemplo, no tempo dos governos do senhor Pinto de Sousa, justiça lhe seja feita para o bem como para o mal, aliviou-se uma série de procedimentos que infernizavam a vida das pessoas com papéis, repartições, perdas de tempo e de paciência, conflitos burocráticos, etc. Mas manteve-se tudo o resto. É verdade que foi tornado possível tratar inúmeros assuntos sem sair de casa, por via electrónica. Mas as diligências, as autorizações, as entidades fiscalizadoras, a via diabólica manteve-se igualzinha ao que era, ou pior. Melhorou-se, por exemplo, o calvário da comunicação entre as repartições públicas, deixou, em muitos casos, de ser preciso andar de balcão em balcão para dar conhecimento a uma do que outra tinha feito. Mas manteve-se a inumerável parafernália de diligências para tudo e para nada, bastando que, algures, um funcionário, ou mal disposto ou a achar-se zeloso, ponha um grão de areia qualquer que tudo faça parar.  Isto, apesar de todos os simplexes, simplis, etc.

Alterou-se o adjectivo para melhor. Mas o substantivo manteve-se, quando não piorou. Em resumo, reforma alguma foi feita.

Actualmente, à mais pequena modificação estrutural que se tente, cai-lhe a sociedade em cima com protestos, greves, “estudos”, queixinhas e queixetas, um sem número de resistências a tudo, bom ou mau, que mude seja o que for. Criou-se, e abusa-se ad nauseam da “providência cautelar” – o juiz A resove que é branco, o juiz B resolve que é preto, ninguém se entende - abusa-se da Constituição, que serve para tudo e mais alguma coisa, desde que boicote, atrase, impeça, desautorize, politize, nisto colaborando entidades supostamente respeitáveis como o Presidente da República e outros órgãos de soberania ou parte deles, no fundo tudo minha gente “resistindo” ferozmente seja a que reforma for.

 

Vem este arrazoado a propósito da presente greve do lixo em Lisboa. Durante décadas, a fusão de freguesias da cidade foi objectivo de várias maiorias e minorias municipais. Nunca se conseguiu levar a facto uma reforma que, de tão evidentemente lógica e necessária, se metia pelos olhos dentro. Finalmente, o camarada Costa, com o auxílio do governo e do parlamento, conseguiu levar a efeito tal objectivo. Tire-se-lhe o chapéu.

Alargado o território das freguesias, impõe-se, como é óbvio, que lhes sejam atribuídas mais competências, mais verbas próprias, maior capacidadde de conhecer os problemas de cada uma e de estar mais próximo do que há a fazer.

O município, como é natural e parece necessário, resolveu “freguesizar” a limpeza urbana. Conseguiu um plano em que não consta qualquer mexida nos chamados direitos dos trabalhadores. Veja-se o resultado: 15 dias de greve. 15 dias da mais estúpida e criminosa ignorância dos direitos de quem tal gente serve ou devia servir e que, já agora, é quem lhes paga o salário.

Se alguma utilidade esta greve tem, será a de fazer o eventual futuro líder do PS – como, aliás, o actual – perceber que o “movimento sindical”, leia-se as forças da destruição e da incivilidade, continuará a sua “missão”, seja com que governo for, desde que goze de liberdade para tal.

O que leva a pensar que a solução do problema só tem duas vias. Ou se entra num regime de “socialismo real”, de esquerda ou de direita, onde certos direitos simplesmente deixam de o ser, ou a democracia tem que assumir que, para sobreviver, tem que dar ao exercício de certos direitos de uns os limites que democraticamente lhes são próprios: os direitos dos outros.

 

Fica o recado, neste fim de ano, para este parlamento, este governo, este Presidente, bem como para os que se lhes seguirem.

 

31.12.13  

 

 António Borges de Carvalho

QUINTA COLUNA

 

Há coisas que, por mais que se diga e escreva, não entram na cabeça de muita gente.

Entre elas:

-  O indesmentível facto de os salários e as prestações sociais serem, de sua conta, cerca de 80% das despesas do Estado;

- O indesmentível facto de a segurança social, tal como existe, ter os dias contados;

- O indesmentível facto de a CGA receber do Estado quatro mil e quinhentos milhões de euros por ano;

- O indesmentível facto de não ser, simplesmente, possível, aguentar este estado de coisas.

 

Não me venham com a peregrina história, tipo BE, PCP, PS e Cª, que, tristemente, há quem engula: se tirássemos aos ricos, aos bancos, etc., resolviam-se os nossos problemas. Façam as contas: somem todos os milhares de milhões que se diz que essa gente tem, converta-se em cash aquilo tudo (que em cash não existe), junte-se o taco que está nas offshores e... pague-se um mês de salários e prestações sociais. Entretanto, ficou a economia sem cabeça, entregou-se a gestão a “gestores” públicos e... mesmo fazendo a coisa à maneira gonçalvista, isto é, sem indemnizações, não se resolvia nada de especial e criava-se um problema dos diabos. O “rico” passava a ser o Estado, mas por pouquíssimo tempo.

Outra história, essa, nalguns casos, com pés e cabeça, é a crítica ao “sistema” que os credores arranjaram, e que nós, na bancarrota, aceitámos, bem como a da teimosia suicida dos poderes europeus em não querer perceber que o tal “sistema” está demasiado longe da perfeição ou da eficácia.

 

O problema não são os partidos comunistas e as hostes folclóricas da esquerda radical. Esses fazem o que sempre fizeram: dominam sindicatos, organizam greves, manifestações e arruaças, instigam desordens várias, arregimentam descontentes, treinam  especialistas nestas matérias, fingem soluções, etc. Mas, na hora da verdade, ficarão, como sempre, reduzidos à sua relativa insignificância eleitoral.

O problema não é a brigada do reumático mental, que se resume a ridículas cerimónias tipo aula magna.

O problema nem sequer é os media, como sempre maioritariamente dominados por jornalistas, ou ignorantes, ou incapazes, ou oportunistas, ou assalariados políticos, e por “intelectuais” de natureza análoga. Grande parte das  pessoas, por absurdo que pareça, sabem dar o devido desconto à “informação”.

 

O problema é que, por cá, tudo se vê em termos de confronto político, sem cuidar de saber das consequências. O que interessa é dar cabo do governo, assacar-lhe as culpas de não “fazer frente” à Europa, aos credores, à Frau Merkel, enfim, coisas que o PS, na ânsia de voltar ao poder, sabe. Mas actua com se ignorasse, custe o que custar e pague quem pagar.

O problema é o PS.

Chefiado por um desgraçado mental, politicamente cobarde, cuja ginástica interna se sobrepõe a tudo o resto, o PS prefere capitalizar o descontentamento, cavalgar os serviços que a esquerda radical, ou caviar, ou folclórica, lhe presta, recusar a assumpção de qualquer resquício de responsabilidade, passada, actual ou futura.  A “estratégia” é a do regresso ao poder de qualquer maneira, mesmo que tal prejudique mais as pessoas que os adversários políticos. Os tipos da troica – o mal não está neles,mas em quem neles manda – ficam abismados com o comportamento do PS. Não compreendem que não tenha outro objectivo que não seja a conquista do poder, mesmo que para tal seja preciso ignorar os interesses de um país inteiro, agravar-lhe os sacrifícios, enterrá-lo hoje ainda mais que o enterrou no passado.

 

Pior que o PS é o novo e poderosíssimo partido em que a esquerda e o PR transformaram o Tribunal Constitucional. E é a forma como, gozosamente, o dito Tribunal aceitou a nobre tarefa de que foi incumbido.  

Como diz quem sabe, não há, na história constitucional das democracias europeias, memória de um TC que faça, em exclusivo, política de oposição ao governo eleito. Não há  TC algum que se atreva a ignorar totalmente a circunstância, para se ater, em exclusivo, a uma “substância” constitucional explicitamente inexistente. Não há outro que tenha a “coragem” de dizer que não ao mesmo tempo que diz sim, desde que nas suas “condições”. No caso vertente, o corte das pensões, nas palavras da organização, até é constitucional, mas o corte que o governo queria fazer não o é. Não se sabe em que norma, ou “princípio”, real ou inventado, se filia a exigência de uma “reforma estrutural...”, mas tem-se a certeza que não compete ao TC exigir seja que reforma for. Aliás, como é possível chumbar a lei se, ao mesmo tempo, se diz que “o valor das pensões pode ser reduzido”, que “o legislador pode alterar o montante das pensões, que está dependente das disponibilidades financeiras do Estado” e que se “justifica uma reforma estrutural que vise a sustentabilidade financeira do sistema previdencial”?

Como é possível? A explicação é simples: o TC há muito deixou de ser um órgão judicial. Tornou-se num instrumento da oposição ao governo, ou no mais poderoso dos partidos da oposição.

 

O mal não está em haver um Tribunal Constitucional.

Está nesta nossa estranha originalidade de ele se ter transformado, pela negativa, em poder legislativo, uma espécie de quinta coluna da oposição!

Está em termos um PR que, sem perceber que, faça o que fizer, será sempre odiado pela esquerda e acusado de ser amigo do governo (com amigos destes, antes os inimigos), convencido que a faz mudar de opinião ao mesmo tempo que dá largas ao “legítimo” desejo de salvar a sua pensãozinha, se presta a estas manobras.

Está em que temos uma oposição que, vencida nas urnas, usa este tipo de instrumentos para suprir os seus handicaps políticos e o seu vazio mental.

 

27.12.13

 

António Borges de Carvalho   

CONSTITUCIONAL TRAFULHICE

 

Reiterando o que disse no post anterior, o IRRITADO atreve-se a juntar umas curtas reflexões sobre a extraordinária decisão do Tribunal Constitucional que, como já foi dito, teve o topete, a lata, a ousadia, de “criar” um “princípio constitucional”: o “da confiança” coisa que tem a particularidade de só ter passado a existir depois da sua criação pelos distintos magistrados, já que a Constituição se deve ter esquecido dela.

Por unanimidade, os juízes ficaram contentíssimos. A sua genial criatura servia à maravilha o unânime objectivo da organização: tramar o governo!

Depois, pensaram: vamos arranjar um molho, ou ramo de salsa, ou desculpa, ou o que quiserem, uma coisa cínica q.b., a fim de se poder dizer que quisemos adoçar a pastilha. E a prodigiosa imaginação dos 13 magníficos decidiu declarar: o que o governo propõe até nem é mau de todo, mas assim não. Terá que ser como nós queremos: ponham lá mais umas coisinhas, um unto que faça passar a lei pela nossa unânime e douta garganta. Assim como o namorado que diz à sua amada: não gosto dessa mini-saia, é curta demais. Mas, se puseres um cinto amarelo, não me oponho.

Por palavras mais certas, ou mais duras, os juízes, unanimemente, mostraram total ausência de escrúpulos em relação à própria Constituição – metendo lá coisas que lá não estão – e uma desvergonha desmedida – dizendo ao poder político a forma de resolver o assunto. Na certeza que o poder político, mesmo que quisesse não tinha tempo para tal.

Cínico, sibilino, incompetente. Desde quando, ou de onde, tem um Tribunal Constitucional competência para “decretar” como há-de o executivo proceder?

O mais grave disto tudo é que os juízes, unanimemente tomando decisões inconstitucionais e metendo-se onde não são chamados, são inamovíveis e detêm um poder sem recurso. Ou seja, em vez de um instrumento democrático, são uma ferramenta ditatorial.  

 

21.12.13

 

António Borges de Carvalho

ALIA JACTA EST

 

Fazendo jus à nobre tarefa a que se dedicou,  o doutíssimo Tribunal Constitucional, em mais uma clara demonstração de amor à Pátria, declarou (sem apelo possível) inconstitucional o corte nas pensões que o governo queria instaurar com o fim de cumprir as obrigações internacionais que os desmandos de outros determinaram.

Nas palavras do dito tribunal, tal chumbo ficou a dever-se à absoluta necessidade de respeitar “o princípio da confiança”, conforme expresso no artigo 2º da Constituição. Consultado tal artigo, verifica-se não constar dele tal princípio. O que quer dizer que, na falta de melhor, se criou um “princípio”, até agora não expresso, mas que o distinto órgão de soberania considerará implícito. O que quer dizer que a Constituição é interpretada a la carte, isto é, quando se quer chegar a uma conclusão política, considera-se implícito o que se revelar útil para “justificar” a decisão. É assim deitado para o caixote do lixo o princípio da certeza jurídica, coisa que, convindo, parece que o TC revoga a seu bel prazer.

Interessante também  é verificar que o “princípio da proporcionalidade”, esse expresso, não se aplica ao caso, pelo menos  no glorioso parecer do TC... e com certeza para grande desgosto do doutor Cavaco, que quereria servir-se dele para defender a sua querida pensãozinha.

 

Muita gente ficará contente com a decisão, julgando que o ano de 2014, afinal, vai ser porreiro.

O problema deste tipo de ilusão é ser ilusão.

Os jornais, especializados e generalistas, europeus, americanos e patagónios, são unânimes sobre o que vai acontecer: os impostos vão aumentar, os juros vão dar pulos de corça pela escada acima, o “ajustamento” vai falhar, a confiança internacional vai morrer, os mercados vão fechar-se em copas, as próximas emissões de dívida vão ser um flop, os objectivos próximos do país não vão ser atingidos, etc.. Como é evidente, os parvos que agora estão contentes vão pagar mais caro do que as previsões mais pessimistas podiam levar a pensar. O pior é que os outros também, pensionistas incluídos.

 

A pataratocracia provinciana que anima tantas almas continuará a tecer loas ao TC. O nosso pântano é tão intelectual como financeiro. Ou mais.

 

20.12.13

 

António Borges de Carvalho

SOARES 84

“Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a

única coisa a fazer é apertar o cinto”.

DN, 27 de Maio de 1984

“Não se fazem omeletas sem ovos. Evidentemente teremos de

partir alguns”.

DN, 01 de Maio de 1984

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que

estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço

feito por este governo.”

JN, 28 de Abril de 1984

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos

reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política

que está a ser seguida é a necessária para Portugal”

JN, 28 de Abril de 1984

“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos

nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível”

RTP, 1 de Junho de 1984

"A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a

aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”

RTP, 1 de Junho de 1984

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus

meios e recursos”.

RTP, 1 de Junho de 1984

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o

abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”.

RTP, 1 de Junho de 1984

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das

empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre

jogo das empresas e dos trabalhadores (…). O Estado só deve

garantir o subsídio de desemprego”

JN, 28 de Abril de 1984

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência…

deve pura e simplesmente falir. (…) Só uma concepção estatal e

colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa

responsabilidade."

JN, 28 de Abril de 1984

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a

política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o

controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos

ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais

caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”.

RTP, 1 de Junho de 1984

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das

Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos

impostos”.

1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho

nem salários”.

DN, 19 de Fevereiro de 1984

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com

menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende

representar”

RTP, 1 de Junho de 1984

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à

democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem

completamente falsa.”

Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma

verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja

punida na lei. Sê-lo-á”.

RTP, 31 de Maio de 1984

“A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser

permitida a militares em serviço”

La Republica, 28 de Abril de 1984

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a

cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça

descoberta”.

Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiroministro.

Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas

condições actuais”

JN, 28 de Abril de 1984

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão

pública, devidamente corrigida”.

RTP, 1 de Junho de 1984

e esta para terminar em grande:

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”.

6 de Junho de 1984

 

 

Mário Soares

EMPURRÕES

 

Anteontem, como é sabido, os trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo desfilaram na capital, protestando contra o encerramento da empresa e a sua entrega a privados. Terão as suas razões.

Talvez para rimar, há quem insinue que também têm empurrões.

Foi-nos dado ver, garbosamante desfilando, com bandeirinhas e tudo, trabalhadores tais a dona Ilda Figueiredo, mulher da limpeza, o caldeireiro Garcia Pereira e o soldador Arménio Carlos. Calcula-se que algumas centenas de trabalhadores como estes integrassem o desfile, por exemplo a menina das latrinas, de apelido Martins, e o serralheiro Fazenda, ainda que, certamente por lapso, a SIC não lhes tenha dado o devido destaque, não podendo nós confirmar a sua presença.

 

É claro que as atoardas dos que falam de empurrões não têm qualquer razão de ser, não é verdade?

 

20.12.13

 

IRRITADO

COISAS

 

Ele há coisas verdadeiramente extraordinárias, fora do comum, originais, a desafiar a imaginação do mais pintado.

 

É sabido que o governo do senhor Pinto de Sousa, entre outros arranques de esmerada inteligência, se dedicou a disfarçar buracos através de várias engenharias, talvez fazendo jus à “profissão” do chefe. Lembram-se das desorçamentações, de que é retumbante exemplo a Estradas de Portugal? Lembram-se da contabilidade criativa a que a UE pôs fim, o que obrigou os sucessores a pôr as coisas no são, revelando as mais diversas “coberturas” e as invenções de subvalorizados défices?

No meio desta “política” fiscal, veio a lume, como não podia deixar de ser, uma série de contratos swap que não caberiam na cabeça do mais pintado, mas cabiam nas manigâncias governamentais, destinados a disfarçar abismos financeiros, devidamente desorçamentados, das empresas públicas. É sabido que há swaps bons e swaps maus, sendo estes últimos a especialidade da tutela governamental socialista.

Toda a gente sabe disto. Seria honesto que os seus autores o assumissem. Se fossem honestos, é claro.

 

Uma deputadinha do PSD, relatora de um documento sobre o assunto, apresentou ao público o seu trabalho, fruto de intermináveis reuniões de uma comissão parlamentar especializada. As conclusões, como não podia deixar de ser, puseram a nu as imaginativas trapalhices, o que para ninguém constitui novidade.

O que aconteceu a seguir? Uma série de doutores, que estavam na tal comissão(!) vieram a lume dizer, aliás como sempre, que a culpa do que fez o governo anterior é do actual. Faz inveja ao lobo do La Fontaine! Pois não é que os maus são os que andam à nora a tentar minorar as consequências do que os outros fizeram, em vez dos que meteram a pata na poça? Pois não é que os que tentam tapar os buracos são os maus, e os que os abriram uns arcanjos?

 

É verdade: há coisas verdadeiramente extraordinárias, fora do comum, originais, a desafiar a imaginação do mais pintado.

 

18.12.13

 

António Borges de Carvalho

AÍ ESTÃO ELES!

 

Tal como o IRRITADO previu no post anterior, há para aí umas dez escolas (informação de última hora – meio dia - a confirmar) onde não se fez ainda o  exame de avaliação dos 13.500 professores que para tal se inscreveram.

Os agentes do ignorante (em matéria pedagógica e em literacia), mas sábio (em matéria de agitprop)  Mário Nogueira, devidamente arregimentados, estão, como na greve dos CTT, a defender a falta de liberdade dos seus colegas. Ali, impediam de o fazer os trabalhadores que se julgavam livres para distribuir correio, aqui bloqueiam a liberdade dos que se insceveram de fazer jus a tal inscrição.

 

É o conceito de liberdade em termos nogueirais/carlistas/bolchevistas. É a democracia dita “real”, dita “popular”, dita piramidal, dita da rua. Por outras palavras, é o contrário da democracia propriamente dita.

Aceitaremos viver com isto, teremos a calma necessária para esperar que passe, ou começaremos a desejar algum messias? Desta última “solução” não faltam exemplos por essa Europa fora.

 

18.12.13

 

António Borges de Carvalho

AVALIAÇÕES

 

Chegou o tão esperado dia do exame dos professores. Vão repetir-se as cenas habituais. Crato vai ser insultado, esmagado, desprezado, caricaturado pelos tipos do costume, como sempre apoiados pelos media. Sabemos como vão ser os telejornais, as manchetes, as entrevistas, os artigos de opinião.

Talvez o Crato tenha razão. Talvez não tenha. O importante, para os protestantes, não é isso. Protestam hoje como protestavam ontem. São contra o Crato como eram contra a Maria de Lurdes, como eram e serão contra seja quem for. As chamadas avaliações, que os sindicatos, “em princípio”, aceitam, serão sempre más, ilegítimas, ditatoriais, etc., provocarão sempre as mesmas reacções. Tanto faz que sejam amarelas, azuis ou cor de burro quando foge. Os sindicatos não querem avaliação nenhuma, como não querem nada que mude seja o que for. Ou, por absurdo que pareça, querem. Tudo o que seja mexer com o que existe é um bom pretexto para vir para a rua aos gritos. É esse o objectivo. É esse o critério. Nada que tenha a ver com educação. Pura política, ó Crato, movimentação de massas, vanguardismo, rua!

Ao Crato, apetece dizer: eh pá, não faças nada, tudo o que fizeres levantará sempre o mesmo coro, os mesmos maestros, as mesmas parangonas, as mesmas “indignações”. Mas, se nada fizeres, serás perseguido por não ter feito. Ou então, faz. Mas leva a coisa, boa ou má, até ao fim, porque se lhes deres a mão eles comem-te os dois pés. Eles não fazem parte do teu mundo, cheio da tua lógica, onde se fala a tua língua. A lógica deles é outra, a língua deles é outra. O diálogo é impossível quando se fala línguas diferentes. Não vale a pena, nem o esforço, nem a boa vontade, coisas que, na língua deles, querem dizer guerra, reclamação, oportunidade. Deixa-te de “diálogos”, de cedências, de compreensões. Mesmo que faças o que eles querem, dirão sempre que o não fizeste, ou que o fizeste mal. Baterás sempre na rocha que eles te porão à frente.

 

Boa sorte.

 

18.12.13

 

António Borges de Carvalho  

UMA FARTURA!

 

O IRRITADO não se lembra se já contou esta história, mas, como vem a propósito, aí vai.

Um velho amigo irlandês a quem perguntou quantos partidos políticos havia lá na terra, respondeu: há muitos, todos à direita do centro!

Não se sabe, mas é muitíssimo provável que seja por isso que a Irlanda pareça estar a sair da fossa. Por lá não há arménios nem jerónimos bolchevistas, nem silvas parlapatosos, nem esganiçadas martins, nem seguros ocos, nem tavares ou carvalhos da silva ambiciosos, nem nada que se pareça. Muito menos há soares e, se os houvesse, a imprensa borrifava-se neles.

Os celtas percebem o que se passa. Actuam em conformidade. Vai um governo, vem outro, o que se foi percebe o que vem, o que vem percebe o que se foi, espera por eleições, não fala de pauladas nem diz cobras ou lagartos do presidente da República. Os funcionários levam na cabeça, mais do que por cá, e percebem. Os pensionistas também. O IRC é curto, mas a malta percebe, isto é, não desata aos gritos que andam a proteger o “grande capital”. As coisas vão-se consertando, e concertando. Greves são coisa rara. Sobretudo os bem pagos e seguros não fazem greves, não andam a morder nas canelas dos ministros, não ameaçam pauladas nem clamam por outras violências.

Não se sabe se a arrogância de acabar com o programa de assistência e similares vai resultar. Sabe-se que foi possível e que a malta, na expectativa, não estremeceu.


Na chamada Europa anda tudo à rasca porque a extrema direita cresce. Percebe-se, mesmo que não se goste. É o que o Hollande & Cª merecem.


Por cá, poucos percebem seja o que for. Tudo minha gente se esganiça. Se há sinais de melhoria, poucos ou muitos, tudo se deve a acasos ou a terceiros, jamais a portugueses. A malta só quer saber do fado da desgraçadinha e da falta de taco para umas bejecas.

Em vez de extrema direita, como na “Europa”, surgem cogumelos a clamar por mais esquerda. O Tavares meteu na cabeça que, para continuar a ter “público” e quem sabe, conservar o assento, o melhor é fazer um partido novo. O Carvalho da Silva anda na mesma, que lhe falta no currículo a cadeireta de Estrasburgo. O Soares agrupa hostes de velhos pataratas e novos oportunistas. Os media dão a esta malta toda uma cavalaria de opereta.

Não é mau que não haja por aí surtos de extremistas da direita. Triste é que haja tanta massa, não direi cinzenta mas às riscas, ocupada a chafurdar em teorias que a História condenou e em “remédios” que só podem agravar a doença.

Está tudo no bom caminho? Claro que não. Mas já esteve pior. É, neste momento, o que se sabe. A célebre “espiral” deixou de espiralar. O desemprego desceu pouco, mas desceu, e não foi por causa do Verão. Mas, mesmo que tudo estivesse muito melhor, a malta da paulada e quejandos continuaria a dizer que estava muito pior.

E então? Então, calma Gé Gé.

Uma coisa é de esperar: a fartura de “iniciativas” à esquerda vai ter o destino que merece: o ecoponto dos irrecicláveis.

 

16.12.13

 

António Borges de Carvalho

DIZ-ME COM QUEM ANDAS

 

O IRRIADO já teve ocasião de avisar o dr. Rui Rio acerca da inquietação de muita gente com o caminho que está a trilhar, ou para o qual há quem o empurre sem que resista como seria de esperar.

É que andar a reboque de Pachecos Pereira & Cª não é, de certeza, coisa que favoreça o seu futuro. Ainda menos frequentar a Fundação Mário Soares, ou o estaminé do capitão Lourenço!

É que as pessoas começam a pensar que, afinal, a “reserva” da decência, do bom senso e do pensamento esclarecido não é reserva nenhuma: pendura-se na pior gente. E, meus amigos, “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”...


Se você, Rio, quer aparecer, tudo bem. O IRRITADO, como muita, muita gente, deseja que vá aparecendo. Mas há um sem número de sítios, da organizações, de fundações, de universidades, onde pode dizer de sua justiça sem se misturar com indesejáveis, com os tipos da paulada, com os soares desta triste praça, com as ordinaríssimas peixeiras do socialismo.

Com certeza terá, num futuro não longínquo, a sua oportunidade, que tem tudo para ser uma boa oportunidade para todos nós: desde que se não deixe enfeudar a gente que não tem nada a ver consigo e que só vem explorar o galarim que você, quero pensar inadvertidamente, lhes vai proporcionando.

Quando se quiser ver livre deles pode já ser tarde, e a sua (nossa) oportunidade perder-se-á. Pare enquanto é tempo!

 

12.12.13

 

António Borges de Carvalho

EXÉQUIAS


As homenagens a Mandela são justas, mas, de tão repetidas, já cheiram mal.

O homem soube passar do confronto ao diálogo, da guerrilha à paz, da turbulência ao bom senso. O mundo deve-lhe esse exemplo. Mas ter a medida das coisas é difícil, não é?

Punhamos os pés na terra.

Primeiro, não esquecendo De Klerk, que, tendo a força e a inércia do seu lado, acreditou e soube arriscar, sendo tão herói quanto Mandela.

Segundo, não esquecendo que os seus “herdeiros” antigo prisioneiro pouco ou nada têm a ver com ele, não se sabendo se a África do Sul é hoje, ou não, um barril de pólvora mais explosivo do que era durante o apartheid.

Os sucessores de Mandela são mais parecidos com o Mugabe que com o “pai”. Alguém duvida?

 

12.12.13

 

António Borges de Carvalho

FRASES

 

Em brilhante sessão, várias altas figuras do nacional-jornalismo e da nacional-politiquice encontraram-se para, dizem, discutir o “jornalismo”. Tudo em solene comemoração dos 40 anos do “Expresso”.

A coisa veio prolixamente referida em várias páginas referido semanário. Coisa que não haverá muito quem tenha a pachorra de ler, IRRITADO incluído.


Mas os leads são esclarecedores.


Diz o invejoso Pacheco que “os jornalistas interiorizaram o discurso e a linguagem do poder, sem uma reflexão e distanciamentro críticos”. Notável. Qual poder? O actual não, com certeza. Conta-se pelos dedos tal “interiorização”. Se os jornalistas interiorizaram algum discurso foi o da oposição, como é mais que evidente.


O “candidato avant la lettre” Rui Rio diz-nos que “o jornalismo é um dos responsáveis pela degradação do regime democrático”. Carradas de razão.


O ex-chefe de ERC (coisa execrável!) Azeredo Lopes informa-nos: “em Portugal não há uma prática de sanção dos jornalistas”. Se acha que devia haver, porque não fez nada quando andava a ganhar o dele na tal ERC?


O storyteller Tavares afirma que “O discurso de Pacheco Pereira é exactamente o contrário do que dizia há vinte anos”. Certo, mas não novo. Toda a gente sabe que a maior inspiração intelectual do Pacheco é a dor de cotovelo, o que o leva, e levará, a dizer o que for preciso para a aliviar.


O inteligente Henrique Monteiro opina: “Abomino o jornalismo como quarto poder. O jornalismo deve ser um contrapoder”. É evidente que ninguém elegeu os jornalistas para que tenham poder. Mas, como os juízes, têm-no. O problema é como o usam. Deve ser por isso que Monteiro esclarece logo a seguir: devem ser um contrapoder. O que, a contrario sensu, quer dizer o mesmo. Para além da asneira conceptual, não se sabe onde ficamos.

 

Ernfim, não é mau dar uma olhada ao que diz tão distinto escol.

 

9.12.13

 

António Borges de Carvalho

COITADO DO “ORPHEU”

 

Hoje, o grande e amado líder da Aula Magna, camarada Soares, completa a provecta idade de 89 anos. Parabéns.

Vale a pena, mais que não seja por isso, lembrar a sua última intervenção pública.


Não se sabe – ou sabe-se de sobra – por que carga de água a Academia o convidou para falar numa sessão sobre o “Orpheu”. Ainda menos se percebe – ou percebe-se demais – por alma de quem o dito camarada aceitou um convite para falar sobre uma coisa sobre a qual, manifesta e provadamente, não sabe patavina.


Como qualquer estudante que não sabe ou não está para estudar a matéria, o nosso geronte foi à Wikipedia e tirou de lá umas coisas. Baralhou e tornou a dar, de forma atabalhoada, ignara e escrita ao bom estilo de um palafreneiro analfabeto. À mistura, meteu umas considerações de pessoal gabarolice sobre os seus conhecimentos ligados ao tempo do Orpheu, umas dentadinhas ao governo, e uns desculpáveis lugares comuns.


Enfim, terá feito o que quis e o que dele esperavam os hospedeiros. Pena é que o texto que leu fosse uma seara de dislates gramaticais, de frases de tal maneira mal escritas – ou mal copiadas – que só com esforço se poderão entender, ou não se entendem de todo.


O IRRITADO, por respeito próprio, não entrará em pormenores. Os leitores que se interessarem pelo assunto facilmente poderão confirmar as opiniões acima, mediante a leitura do texto soarino – que está por aí na net – e da entrada “Orpheu”, na Wikipedia.

Chegará para perceber que, pelo menos neste caso, o IRRITADO é de uma objectividade a toda a prova.

 

7.12.13

 

António Borges de Carvalho  

CABECINHA PENSADORA


A Inenarrável, extraordinária, fantástica, importantíssima, viajadíssima e mundialmente conhecida e apreciada senhora dona Ana Gomes resolveu, mais uma vez, debruçar a sua gentil atenção sobre o tenebroso caso dos submarinos.

Ainda bem. Benquista criatura, a quem tanto devemos, nós e o mundo. Desta vez, as dúvidas de tão genial membro da espécie humana são novas. Não se trata de perseguir obscuros interesses, ultra-corruptos generais, almirantes, sargentos, engenheiros, políticos e contínuos implicados em evidentes crimes e infames conspirações. Nem sequer, ao que parece, se trata da continuação da perseguição ao senhor Portas, por ela já nomeado responsável máximo, tanto das malfeitorias que se vierem a provar como de muitas outras que ocupam o esclarecido bestunto da irredutível e genial investigadora.

Desta feita, a santinha vai mais longe: manda a Comissão Europeia investigar se, sendo os estaleiros privatizados, os seiscentos milhões de euros de contrapartidas previstos, diz ela, no contrato dos submarinos “poderão agora beneficiar uma empresa privada”.

Até hoje, julgava-se que as contrapartidas eram para ser usadas em projectos industriais, comerciais ou turísticos de empresas que a tal se candidatassem e fossem, elas e os projectos, dignos de entrar no programa. Até podiam ser empresas estrangeiras, desde que o investimento fosse em Portugal. Para a personagem em apreço, no entanto, não é assim. Se houver os tais seiscentos milhões (ela lá saberá...) e se se destinarem à construção naval, só se tal coisa for pública. Por conseguinte – admiremos a inteligência da senhora – se a empresa for privatizada, que se lixem as encomendas, os seiscentos milhões, a empresa, os trabalhadores, etc..

É de pensar que, nas doces meninges de tão ilustre cabeçorra, continua de betão a economia planificada que o camarada Mao preconizava. Ou seja, fiel à sua origen ideológica, a indivídua não passou dos anos setenta. O pior é que, se por dentro está na mesma, por fora envelhece a olhos vistos.

 

6.12.13

 

António Borges de Carvalho

TC x 2


Num artigo cheio de pachorra investigatória, o dr. Durval Ferreira veio esclarecer coisas que toda a gente sabe, mas que convém sublinhar.

Com o Decreto 32/III, de 1983, o governo Mário Soares/Mota Pinto lançou um imposto extraordinário de 6% sobre os rendimentos dos imóveis, dos capitais e do trabalho por conta própria e de 2,8% sobre as remunerações públicas, civis e militares, com efeitos retroactivos. Tudo minha gente pagava, ganhasse muito ou ganhasse pouco. Por outro lado, a desvalorização do escudo operada na época, reduziu o poder de compra das pessoas (ricas ou pobres) em mais de 35%.

Não havia, como agora se alega agora - perante cortes e impostos menos graves e que salvaguardam os que menos têm - Estado de Direito, não havia ofensa de direitos adquiridos ou de expectativa dos trabalhadores, não havia – como há agora – respeito pelo princípioda “progressividade”.

Havia, sim senhor. Quem o disse? O Tribunal Constitucional! Assim: “Não pode o TC ignorar o condicionalismo específico em que o imposto em causa é criado...” os princípios constitucionais valem num quadro de “normalidade financeira”, pelo que os impostos extraordinários são “ditados por manifesta excepcionalidade”. E mais: “trata-se de um imposto que visa atalhar uma situação excepcional de défice, ocorrendo numa conjuntura económico-financeira de crise”...

E o corte de dos rendimentos superiores a 1500 euros perpetrado pelo governo do engenheiro relativo, coisa que o TC achou constitucionalíssima?

Agora, os critérios do TC são outros. Mas a Constituição é a mesma! Então o que mudou? Se não foi a Constituição, foi o TC. Não há outra alternativa.

Se calhar, há. É que o governo da altura era chefiado pelo PS, agora pelo PSD. Será esta a diferença? Outra não se vê. O TC é a mesma instituição, a Lei né a mesma, os juízes é que são outros. E parece que estes estão mais interessados nos aplausos dos bandalhos da aula magna que no que aos portugueses respeita. A Constitução é, para eles, um pretexto para fazer política.E o resto é conversa.

O IRRITADO retirará o que acima diz se algum escrúpulo democrático entrar o espírito daquela gente, e as suas

 decisões contrariarem os desejos dos bandalhos.

 

5.12.13

 

António Borges de Carvalho

PÕE-TE A PAU, Ó RIO!

 

Anda para aí um molho de políticos mais ou menos reformados a insinuar que vão empurrar o Rui Rio para o galarim. Personalidades do calibre do Capucho, do Pacheco, do Veiga e de outros especialistas em dores de cotovelo mandaram terceiros fazer uma conferência de imprensa declarando solenes intenções “nacionais”.

O IRRITADO, que de há muito acha que o Rio é um tipo fantástico e até o veria como Primeiro Ministro com toda a alegria, lança daqui um grito de alarme. Meu caro Rio, não vás na conversa dessa gente. Essa gente pouco préstimo tem e a dor de corno é má conselheira, como está provado. Eu sei que, na actual “orgânica” do teu partido, não te basta fazer como o Cavaco, que apareceu na Figueira e, sem mais nem menos, tomou conta da coisa – os outros eram péssimos! -, agora o chefe é elito pelas bases, isto é, precisavas de um Relvas qualquer para te vender aos militantes, o que não é o teu estilo. Por isso, é de pensar que este grupo de “apoiantes” não queira outra coisa senão queimar-te o mais depressa possível.


Calma, pá. Espera, não te metas em organizações destas. Vai para casa, vai trabalhar, vai fazer o que quiseres. Com estes, não. Deixa passar o Passos, ele até nem merece a oposição que tem lá por dentro do partido. A tua vez chegará, mas jamais com rampas de lançamento deste jaez.

 

5.12.13

 

António Borges de Carvalho

DIETAS

 

Como já referido noutra crónica, o IRRITADO não sabe lá muito bem para que serve esta história do património da humanidade. Será que a ONU, quando se trata de edifícios, dá umas massas para a manutenção? Admita-se. Então, e quando a coisa cai no “imaterial”? Aqui há tempos, de braço dado com os pauliteiros do Botswana e com e os saltimbancos da Papuásia, ou coisas do estilo, foi o Fado elevado à categoria de património imaterial da humanidade. Será que vão dar um subsídio vitalício ao Carlos do Carmo, a ver se ele não chateia mais o pagode? Vão reeditar o Menano? Não parece. O que parece é que o que era exclusivo património dos portugueses passou a ser doutra gente.


Adiante. Foi agora a vez da “dieta mediterrânica” - que passa a ser “imaterial”(!) -, coisa que fez embandeirar em arco a nacional bempensância e não só – possidónios! -, que nem sequer se lembraram que o Mediterrâneo é coisa que não banha este jardim. Mas o país atlântico que somos, em vez de potenciar a diferença, acha óptimo pedir boleia aos mediterrânicos.

E o que é isso da dieta mediterrânica? Os alhos, as cebolas, o azeite, o tintol, os legumes (estão na moda os legumes), o peixe, ou a forma de usar estes materiais? Será que, agora, a ONU vai fornecer umas couves à malta? Não me parece.

Por outro lado, o que tem a cozinha francesa a ver com a italiana? Nada. São vizinhos e mediterrânicos, e nada. O que tem a nossa cozinha a ver com a cozinha levantina, ou até com a espanhola? A cultura dos legumes é coisa recente entre nós: não há nada mais miserável que uma salada de alface à portuguesa, e as saladas fazem parte da cultura grega, essa sim, mediterrânica, aliás péssima em termos gastronómicos. E o que temos nós a ver com a dieta do Norte de África? Os franceses, conhecidos como tendo a melhor comidinha deste mundo, nunca souberam cozinhar um salmonete, nem fazem ideia do que seja uma sopa de cação. E não comemos peixes do Mediterrâneo! O que tem o nosso azeite a ver com o turco? O que tem a nossa doçaria a ver com qualquer outra, a espanhola incluída? Nada.

E assim por diante, os exemplos são aos pontapés, não valerá a pena continuar.


O problema é que, por este andar, com a enorme alegria dos bempensantes e dos ignaros, passaremos, universalmente, a ter a dieta dos libaneses ou a ser especialistas em cus-cus! Ganhamos alguma coisa com isso? Bem pelo contrário, passamos de cavalo a burro.


O melhor é não dar mais atenção a isto. Vou mas é comer uns pèzinhos de coentrada e, ao jantar, uma chanfana à moda da Beira.

 

5.12.13

 

António Borges de Carvalho

QUE INVEJA!


O tipo que manda na chamada “autonomia” valenciana, tendo em conta que a TV local já ia num buraco de 1,2 mil milhões de euros, cortou o mal pela raiz. Fechou o estaminé. Tudo para a rua com a indemnização da ordem.

Porque será que, por cá, não há a coragem de fazer o mesmo à RTP, estirpando o cancro de uma assentada? É evidente que teríamos uma inumerável matilha a ladrar contra tal coisa. Que interessa a matilha? Pouco depois deixava de ladrar, gania por uns tempos e acabava por se calar.

 

5.12.13

 

António Borges de Carvalho

Pág. 1/2

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D