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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

HOMENAGENS

 

1

 

Homenageemos Vasco Graça Moura. Muito bem. Sem mais palavras, já que todo o bicho careta correu para os microfones, condoído e repetitivo.

Vejamos agora a sessão de entrevistas oferecidas pela TV, e imaginemos que o defundo era uma figura do PS, ou ligada ao PS, ou que fora alguém no PS. Lá viria o Alegre pó pó pó, o Soares bla bla bla, mais uma série de minhocas ga ga ga, que o homem era um grande republicano e socialista, uma figura ímpar da organização, etc. e tal.

Acontece que VGM era do PSD! Que chatice! Um indiscutível e raríssimo grande intelectual era do PSD, além de virulento atacante do PS e da esquerda folclórica! Uma contradição nos termos! Um verdadeiro intelectual não pode deixar de ser da esquerda, não é? Que chatice!

Sendo assim, nenhum dos ilustres comentadores fúnebres se lembrou de citar a posição política do senhor. Os da esquerda, por motivos óbvios, de espanto e inveja. Os do PSD, ou por humildade, ou por não querer apropriar-se do corpo, ou por outras considerações menos nobres.

Há diferenças, não há?

 

2

 

O Oco tem que arranjar maneira de aparecer todos os dias na TV e nos jornais. À falta de melhor, desta vez mandou organizar um jantar de homenagem aos antigos líderes da secção de Lisboa do PS, certamente gente de tal maneira ilustre que ninguém sabe quem seja. Para a próxima, consta que o Oco mandou preparar um almoço de homenagem às mulheres da limpeza do Largo do Rato, e outro dedicado a um cauteleiro que lhe vendeu um vigésimo com a terminação. Grandes temas não faltam!

Tem o Oco toda a razão. No tal jantar, fez, como de costume, um discurso chato, totalmente vazio de ideias, a repetir patacoadas e mirabolantes intenções. À pala disso, a SIC Notícias (das demais não sei) contemplou-lhe as burras a demagógicas inanidades com dez minutos de antena! Valeu ou não valeu a pena?

O IRRITADO espera com ansiedade o jantar do cauteleiro, certo de que, como é de justiça, o discurso do Oco será devidamente propagandeado.

 

30.4.14

 

António Borges de Carvalho     

ELEITORALISMOS

 

É costume acusar os governos de eleitoralismo quando tomam alguma medida “boa” em ano de eleições. Umas vezes, tais acusações são justas – por exemplo, o aumento dos funcionários feito contra todo e qualquer bom senso, sentido de Estado ou noção das responsabilidades, pelo nosso coveiro, um tal Pinto de Sousa, dito Sócrates -, outras não o serão, ou são elas próprias mero eleitoralismo ou oportunidade “informativa”.

Desta vez, o “Expresso” dá-nos uma manchete em que informa que o governo vai baixar o preço da energia a um milhão e quinhentos mil portugueses (quinhentas mil famílias) e, simultaneamente, aumentar o preço aos demais. Na primeira página, e em mais meia dúzia de ocasiões o jornal acrescenta “em ano de eleições”.

É a campanha a começar. Só não se percebe como é que um jornal dito “independente” há-de entrar nela, ainda por cima de tão canhestra forma. Como é possível considerar eleitoralista uma medida que alivia 15% da população e castiga 85%?

A inteligência falha muitas vezes, até àqueles que se acham inteligentes mas são vencidos pela dose de esperteza saloia de que não conseguem libertar-se. Em alternativa, a partidarite tolda-lhes o raciocínio.

Dando aos “expressivos” jornalistas o benefício da dúvida, imaginemos o que o seu alto pensamento deve ter parido: se os beneficiados são os mais pobres, como os mais pobres são burros, não contam, o que conta são os eleitores saídos dos outros 850.000. Percebem a lógica? Eu também não, porque não há nisto lógica de espécie nenhum, só verrina, e da estúpida.

 

26 .4.14

 

António Borges de Carvalho

VINTE E CINCO DE ABRIL

 

Entre abraços e beijos, o trambolho Soares, comovido, disse ao Otelo: “Você é o nosso herói!”.

Pois.

Otelo, o “general” do COPCON, que mandava prender pessoas sem sequer saber quem eram, que ameaçou assassinar gentes indiscriminadas no Campo Pequeno, cuja fúria assassina havia de se materializar na fundação e direcção da mais mortífera organização terrorista que a III República conheceu, dezassete pessoas cobardemente assassinadas, vinte atentados à bomba, assaltos a bancos, etc. é… o “nosso herói”. Quem assim o considera foi presidente da república, entre outras coisas… o que o move agora?

Se um canalha de dimensão de Otelo é um herói da democracia, então a democracia não se respeita a si própria. No caso vertente é o trambolho que, por raiva e frustração partidária, alardeando os mais reles sentimentos e a mais acabada das irresponsabilidades, trata um bandido, um terrorista, um assassino, por “herói”.

Para quem acha que o 25 de Abril valeu a pena não pode haver maior ofensa a tal data.

 

Adiante, que há mais porcaria. O autoproclamado dono, ou principal accionista, do 25 de Abril, outro general de aviário, depois promovido a coronel sabe-se lá porquê, um tipo que deixou de trabalhar, mas não de receber, há para aí trinta anos, passeou a sua porcina figura pelo largo do Carmo, onde fez um discurso que o camarada Jerónimo gostosamente subscreveria, e se declarou ali “com o povo”. Haveria que perguntar qual povo. E responder: qual povo qual carapuça! O que ali estava eram as hostes do Carlos, do Louçã, do Sousa e, com certeza, alguns incautos comproblemas, a servir de raminho de salsa: no fundo, os mesmos que haviam de ir à Avenida dar berros contra o governo, gritar, estilo Manel Alegre, contra as “ameaças à democracia”, como se ameaças à democracia não fossem a miserável apropriação e partidarização de uma data que devia ser de congratulação geral, o povo unido na comemoração da democracia, em vez de palco para acusações e gritaria.

 

Mas há mais. No Parlamento, três partidos e um penduricalho do PC dedicaram o tempo de antena a defender o indefensável – as omeletes sem ovos – em vez de louvar a Liberdade, ou na recorrente contumácia de confundir a Liberdade com a liberdade de ser socialista. Nem o Presidente escapou: as hordas que fazem profissão de fé num republicanismo à moda de Robespierre abstiveram-se de o aplaudir e ficaram sentados à sua entrada. A democracia, a própria República, para eles, ou é sinónimo do seu poder ou não é nem democracia nem república!

 

Não se sabe se esta pobre terra, alguma vez na vida, terá uma noção clara do que é importante e nos pode unir como povo, coisa que não é, nem o socialismo nem o imobilismo constitucional que tanto mal nos têm feito.

Mas é de esperar que, na hora da verdade, o povo propriamente dito, não a maralha do Soares e Cª, manifeste, e certamente manifestará, que o povo é outra coisa que não as multidões arregimentadas por gente que, dizendo defender a Liberdade e a Democracia, outra coisa não fazem que não seja senão pô-las pelas ruas da amargura.

 

25.4.14

 

António Borges de Carvalho

O TRIGO E O JOIO

 

O IRRITADO, insuspeito em relação às suas simpatias pelo storyteller Tavares, chama a atenção de quem o lê para o magnífico artigo hoje por ele publicado no "Expresso". De se lhe tirar o chapéu!

 

Para não se ficar pelos elogios (ou não seria irritado...), aqui vai: viu nas livrarias um volume dedicado ao Pai do supracitado articulista, no qual, seleccionados por este, são reproduzidos escritos daquele.

Muito bem: acho que o "Tareco" merece isto, e muito mais. O problema é que parece que o falecido Senhor nasceu para a escrita, a opinião, a polémica, as ideias... com o 25 de Abril. De antes de tal data... zero!

O que, em vez de fazer justiça a quem a merece, acaba por inculcar que o homem "acordou" ao som dos cravos!

 

Mais injusto é impossível.

 

25.4.14

 

António Borges de Carvalho 

 

PREPARANDO O FUTURO

 

Nota-se um certo regresso do CDS aos saracoteios e pespinências que se pensaria arquivados. O portismo (de Portas, não de FCP) volta a atacar, como o monstro mijão da anedota. Em evidente borbulhar, a rapaziada, por ventura cansada da viril disciplina a que os ademanes políticos do chefe a conduziram no ano passado, não resiste a espraiar opiniões avulsas, no geral conducentes, ou a dizer que existe, ou a querer vender algum peixe.

O cliente de eleição das postas de pescada da canastra do CDS não pode deixar de ser o clube do Oco. Os rapazes vêm dizer que, apesar de estar nesta coligação, não deixam de ter “preocupações” comuns com as do esbracejar do socialismo moribundo.

A mensagem é clara: contem conosco em 2015, se não for antes. Há que estar preparado para tudo, não é? Vamos dando umas dicas, para que não deixem de contar com a nossa disponibilidade.

 

A política tem destas coisas, é normal, sobretudo quando a espinha de cada um o permite.

 

24.4.14

 

António Borges de Carvalho

CRIMES PÚBLICOS

 

Em segunda convocatória – a primeira resultara na palhaçada da aula magna – reuniu o pelotão dos gerontes, como sempre chefiado por esse trambolho raivoso que se chama Mário Soares.

A mesa reunia costumeiros esquerdo-histéricos, possivelente ansiosos que haja alguém, no seu perfeito juízo, que ligue às suas diatribes. “Deixá-los falálos, que eles calarão-se-ão-se”, diz a gíria. Não será bem assim.

Estas reuniões têm a sua utilidade. Fazem lembrar as comemorações dos cem anos do 5 de Outubro que, tendo servido para afagar as almas dos seus velhos amigos, serviram também para desmascarar a fatídica data perante a opinião pública. Agora, fica à vista a verdadeira natureza “democrática” desta gente, feita de frustração, ódio, raiva e muito pouca noção do mundo em que vive, quer queira quer não. Um mundo que, para bem e para mal, “matou” o dos seus sonhos de poder – um mundo em que, finalmente, o socialismo se apoderasse das pessoas, como se as pessoas reais tivessem alguma coisa a ver com a “impessoalidade” de tal doutrina.

O socialismo triunfou, ou, por outras palavras, teve alguma “utilidade”, quando se tornou “liberal”, isto é, quando soube compaginar-se com o capitalismo, que lhe fornecia os meios para ir fazendo umas coisas. Deixando de haver tais meios (o dinheiro dos outros), o socialismo faliu e, por muitos anos, terá que meter a viola no saco. Isto, se falarmos do socialismo com alguma “altura” moral, o que há muito deixou de ser o caso destes raivosos fora.

 

O pelotão – já não é brigada, sequer batalhão ou companhia – do reumático apresentava um leque de gerontes da alto coturno: o tal Soares, ladeado por figuras de lata de conserva, o Rosas, o Lourenço, o Matos Gomes (antigo capitão dos magalas comunistas que correram com o Jaime Neves dos Comandos, hoje “historiador independente”), o golpista Sampaio, essa desgraça humana do Freitas do Amaral, e tutti quanti, banqueiro do socialismo incluído. Um invejável e vasto leque de falantes múmias do socialismo obrigatório.

Do que a “informação” passou cá para fora realce-se a tristeza do Lourenço ao constatar que não há “condições” para uma revolta militar que acabe com o governo. No seguimento da tese da paulada que há tempos defendeu, acha que deve ser “o povo” a dar cabo do governo, isto é, da odiada democracia formal. Já há, diz ele, “legitimidade (dos militares) para correr com esses tipos que estão no poder; não há é condições”. Que maçada!

O Soares, esse, vai mais longe: os dislates foram de tal ordem que, pelo menos o jornal que tenho à frente, não os citou. Asneiradas que até a um jornal socialista envergonham. Apelo ao derrude da democracia por qualquer meio, por violento que seja. A máscara caiu-lhe. Na aula magna tinha dito que as circunstâncias podiam levar à violência, o que foi legitimamente interpretado como apelo à dita. Desta feita o velho demagogo pede que haja mesmo violência. Não tarda, apela à guerra civil.

As palinódias das múmias, tipo Freitas (cheio de saudades da União nacional), são o menos. O que fica desta reunião é o incitamento ao levantamento popular e ao uso da violência. Reconheça-se que mais lhes não resta, uma vez que estão agarrados ao cemitério das suas ilusões. O mundo já é outro. O que se seguirá, seja o que for, jamais será o deles, ou seja, o do poder deles. Mas a massa cinzenta já não lhes chega para o perceber.

 

Uma nota final, à atenção da dona PGR. Os díscolos políticos acima citados incorreram, de forma pública e notória, pelo menos nos crimes “incitamento” – “à alteração violenta do Estado de direito”, “à desobediência colectiva” e “à guerra civil”. Tudo devidamente tipificado no Código Penal. A dona PGR não viu, não ouviu, estava distraída?

Ou estes crimes só merecem atenção quando praticadas por gente “baixa”?

 

  23.4.14

 

António Borges de Carvalho

A CÁFILA

 

Diz-se, com foros de verdade, que ao capitão Salgueiro Maia se ficou a dever a ausência de mortos e feridos durante o golpe militar do 25 de Abril, sem prejuízo do seu empenhamento na liça.

Talvez não tenha, afinal, sido esse o seu maior feito. O militar em causa, caída a ditadura, recolheu a quartéis. Nunca foi general de aviário, nem passou à peluda continuando a receber o ordenado e a ser promovido.

Muitos dos que hoje o elogiam fizeram o contrário. Agarraram-se ao poder, tutelaram-no, viveram à custa dele sem fazer a ponta de um chanfalho e ainda hoje se acham no direito de obrigar a que os ouçam em tribunas que lhes não pertencem.

A boçalidade de um Vasco Lourenço, bem como o facto de ser escolhido pelos seus pares para a guerra política, mostram bem os sentimentos “democráticos” que os animam. A si próprios continuam a atribuir direitos que se julgaria terem querido dar aos outros.

Parece que esse bimbo idiota e convencido, o tal Lourenço, sonha candidatar-se à presidência da República. Dir-se-ia que ainda bem: levaria uma tunda de tal ordem que seria, de uma vez por todas, posto a propagandear a sua importância e as suas ideias lá em casa. Pura ilusão. A importância que a si próprio atribui continuaria, bem como imprensa a servir-lhe de trombone.

Se queremos respeitar e homenagear Salgueiro Maia e a sua memória, façamo-lo lembrando a todos que entre ele e os lourenços, os correias, os santos, os otelos e outros que tais, há uma colossal diferença: a que separa um homem honrado que arriscou sem ambições pessoais e os que por lá andaram à procura de galarim, de palco e de honrarias.

       

Houve outro “capitão da Abril” que não quis deixar de defender as suas ideias políticas. Usou a liberdade cívica que tinha ajudado a recuperar: Marques Júnior. Mas fê-lo como cidadão: candidatou-se e foi eleito. Também ele fez a diferença em relação ao Lourenço e aos seus sequazes. Tire-se-lhe o chapéu.

 

O 25/40 virá.

A cáfila discursará à mesma hora que os eleitos.

Como é evidente, a “informação” vai dar-lhe a atenção que não merece.

Continuamos na mesma.

 

20.4.14

 

António Borges de Carvalho

UMA PORCARIA

 

Do alto dos inúmeros palcos televisivos e jornalísticos de que nunca deixou de dispor, um provinciano mal vestido chamado Assis foi tratando de convencer as pessoas que era um tipo decente, capaz de dialogar, diferenciando-se para melhor da série de indivíduos absolutamente intragáveis e intelectualmente pouco sérios em que o PS é fértil.

A posição de candidato número um da agremiação ao Parlamento Europeu fê-lo abandonar a imagem de moderação e quase simpatia que vinha dando de si próprio e que, pelos vistos, ou era pura mentira ou máscara que as conveniências impunham. Inúmeras provas disto mesmo andam por aí.

Por um lado, bla bla bla, que a campanha eleitoral deve ter “altura”, deve ater-se a propostas “europeias”, etc.

Por outro… o melhor é citá-lo, para avaliar bem de quem se trata e da confiança que merece:

 - O governo é “ideologicamente primário, tecnocraticamente incompetente, politicamente inexistente”;

- “O governo devia ser obrigado a possuir competências e qualificações que… manifestamente não tem”;

- Há um membro do governo que, “igual aos seus restantes membros”, “escreve tweets patetas” e “nunca leu Shakespeare, nem sequer em tradução portuguesa”;

- Há outro que não passa de um “apparatchik ligeiramente alfabetizado”;

- O governo faz parte dos “dogmáticos, dirigidos com arrogância e imbuídos de uma mentalidade escassamente democrática”;

- O governo sofre de “pensamento neoliberal na sua versão mais extremista”;

- Pedro Lomba, quando diz que o que verdadeiramente se deve ao 25 de Abril é a liberdade, “limita-se a navegar entre o patético e o ridículo” e é um dos rostos de um governo despudoradamente ignorante e aviltantemente sectário”;

- Outro membro do governo há que “pensa com a densidade de um robot tecnocrático” e tem “uma mente verdadeiramente simples”;

- Passos Coelho, “um homem destinado a assumir como destino a indómita tarefa do empobrecimento nacional” e a levar as pessoas a “cair no abismo de uma paixão ideológica a raiar a obsessão”, é “menos que um político vulgar”, “um lamentável demagogo”;

- “Paulo Rangel parece um disco riscado”. Uma só palavra – despesismo. Uma só obsessão o PS”, a mostrar que “a cultura pode combinar com a demagogia”, destinada a conquistar os “espíritos mais débeis” que “são sempre os melhores soldados no exército dos extremistas dogmáticos”

  

E aqui temos, senhoras e senhores, em meia dúzia de exemplos, um verdadeiro “socialista moderado”, um homem interessado numa campanha “séria” e focada em “assuntos que valem a pena” e “propostas para a Europa”.

Na linha argumentativa dessoutro luminar do socialismo nacional que dá pelo nome de Mário Soares, este díscolo mental (usando o tipo de adjectivos de que tanto gosta) espraia desta forma incívica e acívica – passem os neologismos – a porcaria moral e intelectual que lhe borra a caixa craniana.

 

Mais comentários não merece. Quem quiser saber tudo, isto é, quem não tenha o vómito fácil, leia o jornal socialista “Público”, edição de ontem.

 

18.4.14

 

António Borges de Carvalho  

ALTOS CRITÉRIOS

 

Soube-se hoje (porquê só hoje???) que Sua Excelência o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, dr. Nascimento, validou aqui há tempos umas escutas telefónicas do Primeiro-Ministro com um tal Ricciardi, do Banco Espírito Santo, considerando-as de relevância penal.

Ocorre aos ignorantes, no número dos quais o IRRITADO se inclui, perguntar: então se as do Pinto de Sousa, dito Sócrates, foram para o lixo por ordem do mesmo alto dignitário da justiça que temos, apesar de um número indeterminado de magistrados considerar que tinham a tal relevância penal, porque é que as do Passos Coelho são validadas? Temos aqui politiquice, ou quê?

Indo um pouco mais fundo, verificamos que a doutíssima personalidade, no seu despacho, afirma que as escutas Ricciardi/Passos “são importantes em termos de investigação criminal”, mas não em relação ao Primeiro-Ministro. “Pelo contrário; percebe-se que (o PM) está na defensiva e até diz que não quer falar sobre isso” (o assunto que o Ricciardi lhe levava).

Ficam os ignorantes mais aliviados. Afinal o mau da fita é o Ricciardi, não o Passos Coelho!

Mas, pensando mais um bocadinho, é de concluir que, no caso do Pinto de Sousa, o tipo não estava “à defesa” é até queria “falar sobre isso”, com palavrões e tudo. Então porque foram as escutas para o caixote, se todos os magistrados envolvidos no processo achavam que não deviam ir?

Temos rabo do do gato de fora, ou não?

 

17.4.14

 

António Borges de Carvalho

PASSAGEM PARA A DEMOCRACIA

 

Esse insigne monumento da nossa mais alta intelectualidade, espírito independente e alma de grande artista político que é Pacheco Pereira, foi contratado pelo jornal socialista Diário de Notícias para se espraiar sobre o 25 de Abril e seus heróis, aqueles que seleccionou. O IRRITADO não se pronuncia sobre a selecção nacional fabricada pelo grande opinador.

Mas, na sua inesgotável e prolixa “análise”, há um pequeno pormenor que o IRRITADO não pode deixar passar em claro.

Diz o grande cérebro: “ Não era possível imaginar que em Portugal, depois de tantos anos de ditadura não houvesse explosão e turbulência”.

Ou nós, portugueses, somos uns selvagens, ou o analista esqueceu-se de olhar para o lado.

É que, em Espanha, passou-se de uma longuíssima ditadura para uma democracia, mas não houve nem explosão nem turbulência! Por conseguinte, ou o homem acha que não é, por definição, possível passar sem bagunça de uma coisa para a outra (o que é mentira, como a Espanha demonstrou), ou que a coisa foi da nossa exclusiva responsabilidade (e, nesse caso, somos uns selvagens).

 

Seria talvez altura de dizer qualquer coisa sobre as razões da diferença entre um processo e outro.

Antes de mais, o que foi oferecido aos espanhóis foi a democracia tout court. A nós ofereceram a democracia adjectivada, isto é, a “democracia socialista”, vertida numa constituição que, embora híbrida e impraticável, quarenta anos passados ainda se mantém híbrida e impraticável.

Depois, os espanhóis tiveram um herói chamado Santiago Carrilho, que percebeu que o estalinismo era coisa do passado, e preferiu a democracia. Por cá, o Cunhal gritava que “democracia parlamentar, jamais!”.

Acresce que os espanhóis (comunistas, socialistas e puros republicanos incluídos) souberam aceitar um Rei que com eles e com a democracia se comprometeu, e nós tivemos o Costa Gomes, o Vasco Gonçalves e, com muitas diferenças mas parecida “fé”, o Mário Soares.

 

Dizer, ainda que implicitamente, que os espanhóis foram foram civilizadíssimos e nós uns selvagens é abusivo e trafulha.

 

16.4.14

 

António Borges de Carvalho

MISTÉRIO

 

Uma nobre série de grandes empresas “pedem salário mínimo acima de 500 euros”.

Haverá que perguntar a tais entidades por alma de quem não aumentam o salário mínimo lá em casa. Quem as impede?  O governo? Claro que não. Se querem aumentar aumentem. Estão à espera de quê? Seria de supor que tais organizações não pagassem salários mínimos. Ficamos a saber que pagam. E que precisam de “ordens” do governo parar aumentar os salários dos empregados que andam pelos mínimos. Será que são os empregados que não querem ser aumentados?

Enfim,um mar de absurdos. Que gente!

 

16.4.14

 

António Borges de Carvalho    

ENSINO

 

O Comissário-chefe Barroso, com inesperada coragem, veio declarar que, na II República, o ensino secundário era bem melhor que o de hoje.

Carradas de razão. A disciplina podia ver-se, os professores eram licenciados a sério e só acediam à profissão mediante um curso suplementar chamado “pedagógicas”, de um modo geral sabiam falar e escrever português e... ensinavam! As turmas tinham 30 alunos, chegavam muitas vezes aos 40, e daí não  vinha mal ao mundo ou sacrifícios de maior para os docentes, ou desorganização que se visse.

 

A III República, ainda bem, alargou o ensino a muito mais jovens, universalizou-o ou, como se diz por aí, “democratizou-o”. Naturalmente, a qualidade desceu. Com o tempo, isso é que é grave, tal descida acentuou-se em vez de estancar. Proliferaram os os teóricos, os inventores de programas, os burocratas e, bem pior, novas concepções ditas pedagógicas, destinadas a pôr o aluno “no centro do ensino”, a considerar este como coisa lúdica, que se faz quase por desporto, sem “pressões” nem castigos nem exames, enfim, nada que se pudesse parecer, de uma maneira ou outra, com o ensino “fascista”.

Os professores – era preciso muitos mais – passaram a ter habilitações de via reduzida e a entrar na escola impreparados e com dúzias de teorias “democráticas” metidas no bestunto pelo “pensamento” reinante, mal digeridas e interpretadas com o facilitismo da moda. Instalou-se a confusão. Todos os anos mudavam (e mudam) os programas, os manuais, os sistemas. Os teóricos continuaram a parir teorias, pagos pelo Estado para aumentar a bagunça. Do ponto de vista disciplinar, instalou-se o caos. O manual, dito livro único na II República, começou por ser condenado como anti-pedagógico e ditatorial: depois, transformou-se em indústria, negócio chorudo de autores e editoras, a mudar todas as semanas, sacrifício inaguentável para os pais dos alunos.

 

Tudo isto seria mais ou menos aceitável dado que, embora pior, o ensino chegava a muito mais gente. Mas, ao longo dos anos, ninguém ou quase se preocupou em melhorar a qualidade, em estabilizar, com pés e cabeça, normas e procedimentos. Ao fim de quarenta anos de democracia, as exigências dela ainda não chegaram ao ensino. E, pior ainda, os professores deixaram de o ser, pelo menos em primeiro lugar, isto é, passaram a tratar mais de si que dos alunos. A corporação foi tomada de assalto por demagogos políticos, a quem só interessa “zelar pelos interesses da classe”, transformando-a numa força de destruição, imune a classificações, feroz opositora de todo e qualquer governo, recusando avaliações ou coisas do género, usando todos os meios para reclamar em vez de ensinar. Tudo, como não podia deixar de ser, em nome da “qualidade do ensino” e de outras falsidades inventadas para “agitar a malta”.

 

Entretando, a natalidade desceu, há menos alunos, é preciso menos escolas e menos professores. Uma boa oportunidade para seleccionar os melhores. Mas os líderes da classe dizem “nem pensar!”. O governo tem que “comer” o que a classe lhe der e não se atrever a avaliar o préstimo de cada um. Nem pensar!

 

É nisto que estamos. O Comissário-Chefe Barroso tem carradas de razão. Só é pena que não aproveite para pedir desculpa ao país por, aos vinte anos, muito ter contribuído, por palavras e acções para o caos, violento e atrabiliário, do ensino.

 

   14.4.14

 

António Borges de Carvalho

ISTO É

 

Na última marcha popular organizada pela CGTP/PC (ontem, hoje não sei se já houve outras), havia uns artistas que exibiam uma pancarta original. Rezava assim:

 

 

“A minha reforma é propriedade privada!”.

 

Será que esta frase escapou ao general Carlos, ou foi obra de algum infiltrado, por certo fascista ou “neoliberal”, desses que andam para aí a defender, contra o povo, a propriedade privada? Não se sabe.

Mas, fosse a pancarta espontânea ou programada, uma coisa é certa: é mentira.

A reforma de cada um não é propriedade privada, muito menos de cada um. É, teoricamante pelo menos, a parte que a cada um cabe no rendimento de um fundo constituído a partir de contribuições de trabalhadores.

Isso de ser “de cada um” é uma norma fascista, do tempo em que o Estado Novo, na sua filosofia “assistencialista”, formou a chamada “Previdência Social”. Dando mostras do mais horrível capitalismo, a ditadura propunha-se pagar reformas a partir das reservas matemáticas dos cidadãos, de cada cidadão. Uma evidente manobra do patronato reaccionário. Até, imagine-se, os governantes da época permitiam-se pedir dinheiro emprestado à Previdência, e pagá-lo com juros, o que mostra bem a agiotagem em vigor à época.

 

Felizmente, veio o socialismo. A Previdência, à mistura com tantas outras coisas, foi nacionalizada, isto é, passou a ser “nossa”, isto é, passou a pertencer, e muito bem, ao colectivo e não ao individual. Uma grande conquista da revolução. Tendo passado a ser “nossa”, isto é, do Estado, o Estado passou a geri-la, isto é, a usar os meios disponíveis para outros fins que não os que o tenebroso capitalismo tinha imaginado, isto é, num magnânimo alarde de fé no “Estado Social”, o dinheirinho qie lá tínhamos posto passou, e muito bem, a ser distribuído com critérios de “justiça social”, isto é, por muito mais gente e para muito mais fins que não a tal reforma.

Numa palavra, passaram a vigorar critérios de solidarierade socialista.

Resultado, a partir de certa altura (governo PS/Pinto de Sousa) quando as pessoas começaram a ir à procura da reforma, e mesmo as que já a tinham, viram-se na contingência de não as vir a ter ou de vir a ter muito menos do que julgavam, isto é, o dinheiro tinha-se acabado, isto é, tinha sido distribuído segundo os critérios do socialismo.

Por óbvia consequência, os que se revêem no socialismo e gostam dele, não deveriam queixar-se, isto é, a massa que descontaram deixou de ser, egoisticamente, de cada um, e passou a ser distribuída “solidariamente”, para outros fins. De que se queixam? Até deviam estar contentes pelo destino “social” que o Estado socialista lhe deu!

Pensar-se-ia que a CGTP/PC seria a última a protestar. Deveria, pelo contrário, dizer aos seus seguidores, incluindo os profissionais de manifestações, que deviam orgulhar-se por ter contribuído para a “sociedade”. E, entre outros, aquela senhora, apre!, que parece estar sempre a sair do cabeleireiro, deveria ser objecto de um bom conselho do Oco: ó filha,não protestes, isto é o socialismo!

 

Isto é, como dizia a dona Margarida Tatcher que, coitadinha, já lá vai, o socialismo acaba quando se acaba o dinheiro dos outros.

O problema é que, por cá, o dinheiro dos outros já se acabou, mas o socialismo continua por aí. É constitucional, gaita!

 

13.4.14

 

 

António Borges de Carvalho

RUSGAS

 

Pela calada da noite de Sábado, a PSP do Porto fez uma operação stop e uma rusga electrónica de detecção de velocidade.

Nesta última matéria, apanharam no radar, em excesso, 78 viaturas, das 704 que controlaram. É de estranhar que fossem tão poucas, dados os excessos da lei a este respeito.

Nas outras (480 fiscalizados), os resultados foram sensacionais: 25 detidos. 14 bêbados segundo os critérios em vigor, o que quer dizer que deviam ser uns 5 ou 6; 5 traficamtes de droga (haxixe, cocaína e liamba); 3 ladrões de automóveis; 1 fugitivo à justiça; 2 tipos sem carta. Além disso foram apreendidos os documento a 16 (critérios desconhecidos) e “abafados” 1113 euros não se sabe porquê.

 

O IRRITADO, habituado que está à profusão de sociólogos e de especialistas em estatísticas sobre a mais inacreditáveis coisas, aconselha vivamente tal classe a que se debruce sobre este assunto. E dá uma ajuda: é lógico resumir como segue:

- Na cidade do Porto, em cada cem condutores de veículos automóveis:

- 11 andam em excesso de velocidade;

- 3 andam com os copos;

- 1 anda na droga;

- 1 rouba automóveis;

- 1 é cadastrado em fuga;

- 1 anda sem carta;

- 3 indescriminada ilegalidade;

- Não se sabe quantos andam com mais dinheiro no bolso que o que a PSP acha razoável.

 

A partir destes irrefutáveis dados, que concluir? Que o Porto é bestial, ou que o Porto está numa desgraça de criminalidade e desprezo pela Lei?

 

À atenção dos muitos milhares de pensadores que ganham a vida com a sociologia.

 

13.4.14

 

 

António Borges de Carvalho

“INCONSEGUIMENTO” CASTRENSE

 

Desta vez a senhora da Assembleia portou-se à altura. Mandou bugiar o Vasco Lourenço e a sua boiada.

 

Que gente, afinal, é esta, que ameaça paulada, que faz exigências bacocas, que é primitiva e rasca e ignorante, que anseia por poder sem eleições, que não quer sair de cena, que se quer sentir dona do país, referência da democracia, consciência nacional, que põe pela ruas da amargura a dignidade que possa haver no 25 e que, apesar da sua radical estupidez, ainda há, reduzindo-a ao ridículo, gente possuída pela sanha de querer ser mais que os outros, de querer tutelar o regime, de exigir direitos que não tem, nem merece, nem têm cabimento, de pôr de lado o que de melhor terá feito (entregar o poder ao povo por via eleitoral)? Que gente é esta?

 

Porque não se metem num partido, ou não fazem um partido para pôr as suas “ideias” à disposição dos eleitores? Porque querem que as pessoas pensem que, afinal, fizeram o 25 para cavalgar a democracia, ou que o que queriam era só mais dinheiro, sobretudo o dinheiro que os milicianos, que faziam a guerra por eles, ganhavam e que, muito mais do que eles, se batiam, mesmo quando nada tinham a ver com a ditadura?

Porque convertem o 25 numa miserável questão corporativa, ainda por cima de uma parte restrita da corporação que dizem representar?

 

Estas perguntas, no entanto, não são reflexo dos principais problemas.

Problema é que haja quem se reveja nesta saloiada.

Problema é que os media dêem a estes ignaros direitos de destaque, em vez de os remeter ao caixote do lixo a que escolheram pertencer.

Problema é que, das Forças Armadas da democracia, a que ainda há quem se honre de pertencer, não venha reacção que se veja e que dê ânimo a quem ainda acha que o 25 deve ser comemorado.

 

A dona Presidente disse que “o problema é deles” e, por uma vez, disse bem: pô-los nos varais.

Mas o problema também é nosso, e esse é que é o verdadeiro problema.

 

11.4.14

 

António Borges de Carvalho     

QUE É FEITO DO TRATADO?

 

Parece que, de um país frio, triste e desinteressante, vêem ordens terminantes sobre o chamado programa cautelar, seguro, bengala, almofada, ou o que lhe queiram chamar.

Parece que não há político (à excepção do Oco), nem criatura opinadora, nem governo, nem país, nem nada, que não ache melhor haver tal coisa. À excepção da Finlândia. Segundo um ilustre comissário, ele próprio finlandês, a Suomen Tasavalta (é mais ou menos assim que se diz República da Finlândia em finlandês!) não quer. E, como tal gente não quer, não haverá bengala.

 

Não comentando a comovente solidariedade que vem dos gelos lá de cima, deveríamos perguntar o que é feito do Tratado de Lisboa, antiga menina dos olhos do Pinto de Sousa e do Barroso, “porreiro pá”. O IRRITADO será, com certeza, ignorante quanto ao que reza tal instrumento, ou quando a alguma vacatio legis tendencialmente eterna. Mas lembra-se que o tal tratado lhe foi vendido, entre outras coisas, como uma espécie de democratização das decisões na UE. Através de complicados critérios, sobrepostos e simultâneos, tornava-se possível tomar decisões maioritárias. Parecia lógico, já que decisões unânimes entre quase trinta são, como é evidente, fonte de paralização política da União.

Porém, segundo a informação disponível, a dona Finlândia decidiu por todos nesta questão do cautelar. A dona Finlândia decide, e toda a gente amocha. Será assim? Ou será que há por aí uma data de gente a pendurar-se nela, pondo-lhe as culpas de uma decisão que, sem o confessar, desejava?

A dona Ângela, por seu lado, tirou o cavalinho da chuva, e disse que o problema é nosso, façam como quiserem, são soberanos, não é? Os outros alinham com esta douta, prática e pragmática opinião.  BCE está calado como um rato mudo. O FMI está fora da jogada.

 

Que terá acontecido ao Tratado? Deixou de se ouvir falar em tal coisa, que parece ter-se ficado pela nomeação de um triste e desconhecido belga para Presidente do Conselho e de uma inglesa ainda mais triste e mais desconhecida, além de completamente inútil, para foreign secretary.

 

Hoje, a coqueluche é o tratado orçamental, violento espartilho destinado a fomentar a elegância das nações: magrinhas, mas com contas que se possa ver.

Que é do Tratado de Lisboa?

 

Entretanto, a vida continua. Por cá, vamos ter uma saída suja, mas dita limpa, quando a saída limpa seria aquela a que, pelo menos o Oco, chama suja. Será que o tipo é finlandês?

 

11.4.14

 

António Borges de Carvalho    

JUSTA PROTECÇÃO

 

Há dois ou três dias, vinha o IRRITADO para casa, cheio de pressa, e eis que dá com tudo entupido. Algum acidente? Não. Era a polícia a proteger uma manifestação da CGTP.

Os mais generosos dizem que havia por lá mil pessoas. Dava para o efeito pretendido: entupir o trânsito, infernizar os ouvidos e a vida de cada um, ter a televisão por conta, pôr a besta do Carlos a dizer asneiras do alto de um palanque, etc. Umas gajas gritavam os slogans da ordem por potentes instalações sonoras. Ninguém respondia, mas não faz mal.

Mil(?) profissionais – era a meio da tarde, hora de trabalho – conseguem propaganda a rodos. Estavam a trabalhar na especialidade para que foram treinados. Devia ser por isso que a polícia os protegia, contra os outros, os que têm outros ofícios. O direito ao trabalho em versão comuno-policial.

 

10.4.14

 

António Borges de Carvalho    

GUERRAS DA TRETA

 

Vamos a uma teoria da conspiração.

O IRRITADO nunca teve,nem tem, a mais pequena dose de simpatia pelo senhor Rodrigues dos Santos, aquele que pisca o olho às pessoas.

Por outro lado, a “consideração” que tem pelo senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, é do conhecimento de quem o lê.

Nas últimas semanas, as duas criaturas têm entusiasmado os media por causa dos diferendos televisivos de que têm feito o devido alarde. O primeiro terá posto questões incómodas ao segundo, e este ter-se-á irritado e respondido torto.

O IRRITADO tem conhecimento da coisa pelos jornais, já que, como não gosta de vomitar, não assiste às polémicas sessões de propaganda do Pinto de Sousa generosamente oferecidas pelo “serviço público” de televisão, impingidas às pessoas e por elas pagas.

Aqui vai a teoria: foi tudo combinado!

O fulano perdia audiências todas as semanas. Em relação às bocas do Rebelo de Sousa, nem um terço de espectadores se arranjava. Daí, arranjar um frisson suplementar, a ver se alguém ligava. Uma boa “guerra”, bem fingidinha, era o ideal para excitar as massas.

A coisa, felizmente, não resulta, mas, de um ponto de vista de marketing, não terá sido mal engendrada. Os tipos são péssimos, mas não são parvos.

 

10.4.14

 

António Borges de Carvalho

JUSTIÇA SOCIAL E CORTES

 

Muita gente pergunta, ou se pergunta, porque será que, para além das manifestações dos profissionais, amadores e apendizes das ditas, não há, que se veja, protestos dos verdadeiramente mais desfavorecidos. Com tantos génios das sociologias, das estatísticas, das politologias e das etc. que por aí vicejam e vão ganhando a vida com opiniões, estudos e manifestros, é de estranhar que do chamado povo, contrariando os fervorosos desejos dos mários soares, boasventuras, viriatros, pachecos & Cª, não se tenha visto nada de retumbante ou relevante. Porquê?

 

O IRRITADO, sem pretensões a ter achado a verdade, arrisca, talvez sem razão, algumas razões.

A primeira é que fome propriamante dita, daquela a sério, como muito bem dizia a dona Jonet aqui há dias, é coisa que não temos por cá.

A segunda é que a política de cortes e mais cortes tem poupado os que menos têm. A ferocidade do fisco e dos seus funcionários tem-se concentrado na classe média, que vai deixando de o ser mas ainda aguenta, como dizia o outro.

A terceira é que os géneros de primeira necessidade têm preços mais baixos e que a história do IVA a 23%, se é terrível em vários sectores, não atinge os que mais protestam (restauração, hotelaria, etc.), os quais mantêm, ou até baixam, os seus preços – ainda que muitos tenham passado a pagar impostos, coisa que não fazia parte da sua “filosofia”.

A quarta é que os reformados e pensionistas mais atacados são os das grandes reformas e pensões. Os demais também levam na cabeça, mas em percentagem menos insuportável. Interessante, nesta matéria, é que os mais virulentos ataques a tais cortes vêm dos reformados lá de cima (Cavaco, Ferreira Leite, generais, juízes e quejandos), não de quem sente o aperto por umas dezenas ou até centenas de euros.

 

Se compararmos os cortes portugueses com os gregos ou os irlandeses (as contas andam feitas por aí) verificamos que o governo português é, de todos, o que mais preocupações sociais tem tido. É evidente que não deixará de ser diariamente acusado do contrário, mas isso é timbre da generalidade dos nossos opinadores, bem como dos partidos socialistas e comunistas, para quem as contas, quando são más, óptimo, quando são boas não se conta com elas. Isto para não falar desse escol, principescamente pago, que é o Tribunal Constitucional.     

 

7.4.14

 

António Borges de Carvalho

ORIGINALIDADES

 

Como é sabido, os portugueses, a todos os níveis, descobriram que os tribunais estavam aí para infirmar decisões políticas ou administrativas mais que legítimas, seja através do tenebroso Tribunal Constitucional, seja dos outros. Através dos partidos, no caso do primeiro, ou de qualquer marmanjo, no dos restantes, neste caso via uma coisa que se chama providência cautelar.

A providência cautelar à portuguesa tem várias originalidades. A primeira é que, em geral, os tribunais ficam muito contentes por se achar competentes nas mais extraordinárias e absurdas matérias, a segunda é que as providências cautelares, se julgadas improcedentes, não têm qualquer efeito sobre os que as motivaram, a terceira é a bagunça e a confusão.

Não se percebe como é que, em questões de lana caprina, de mera gestão do dia a dia, qualquer disposição possa ser objecto de decisão judicial.

Não se percebe, por exemplo, que um tipo (o Fernandes da CML) consiga mandar parar, via tribunal, as obras do túnel do Marquês, assim causando milhões e milhões de prejuizo a muita gente e à própria CML, e ande por aí a pavonear-se sem pagar um centavo a ninguém, armado em defensor do povo no cadeirão da câmara.

Vem isto a propósito dos exames dos professores. Toda a gente já percebeu que a distinta classe é contra todo e qualquer exame, toda e qualquer avaliação, todo e qualquer julgamento sobre a sua (in)competência, e se considera acima de toda e qualquer crítica. Vai daí, no caso que anda pelos jornais, o xarroco do comité central e a sua malta meteram providências cautelares por todos os lados, em todos os tribunais que tinham à mão. Daí, a bagunça e a confusão. O tribunal A acha que o bigodes tem razão. O tribunal B diz o contrário. E assim por diante. A jurisprudência em Portugal é letra morta, a começar pelo constitucional e a acabar em Alguidares de Baixo. Vem a Relação (as Relações) e repete-se a brincadeira. Quando o Supremo decidir (quando?) a pessegada terá barbas, e o comité central terá averbado mais uma magnífica vitória.

Viva a Justiça! Viva o Estado de direito!  

 

4.4.14

 

António Borges de Carvalho

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