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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DIXIT!

 

30 de Maio de 2014, 19 horas e 35 minutos.

 

Na sala do trono, sítio das magnas decisões, o Imperador reuniu com seus validos, devidamente trajados, dando ao momento a merecida e habitual solenidade. Assim se manifesta, desde tempos imemoriais, o poder absoluto.

O povo aguardava, temeroso, a palavra sem recurso do grande deste terra, do maior, do omnipotente, da verdadeira sede do soberania, quem sabe se do poder divino, encarnado no Imperador por força do Livro de Horas do socialismo a que os tempos modernos e os zelotas profissionais chamam Constituição. O Imperador sabe que, segundo o mesmo Livro de Horas, poderia tomar uma ou outra decisão quanto ao que lhe era pedido pelo povo. Sabia também que podia recorrer a critérios de bom senso, de equidade e de justiça, a fim de não perturbar ainda mais a já difícil vida dos seus súbditos. Mas, se tal fizesse, poderiam as menos qualificadas franjas de tais ignaros achar que não tinha demonstrado o seu poder, coisa de que o Imperador é, acima de tudo, justificadamente cioso.

Chamou o seu costumado arauto e deu-lhe a palavra para ler o seu dictat. O povo ouviu mas não rejubilou, a não ser os mais primitivos exegetas do Livro de Horas. Estes vão continuar, fiéis ao Imperador, a prejudicar a solução dos problemas do povo.

 

O mais importante, porém, é que o poder absoluto do Imperador não foi beliscado. O poder é o poder. Os humores do Imperador são sagrados.

 

Longa vida e saúde ao nosso bem-amado Imperador!

Consta que Kim-jong-un, do outro lado do mundo, lhe vai mandar um telegrama.

 

30.5.2014

 

António Borges de Carvalho

PÉS NO CHÃO

 

O PS, coitadinho, anda engalfinhado nas martingalas que lhe são próprias. O camarada Costa, respaldado pelo odioso Soares pai e odiado pelo não tão miserável Soares filho, avança, mostrando a lealdade, o bom senso e a honestidade política que lhe são próprias; os socrélfios, já devidamente encostados a Bruxelas, inamovíveis, riem-se com diabólica satisfação; a pífia (adjectivo soaresco) vitória eleitoral transformou-se em derrota (frase do Oco); figuras sinistras (adjectivo do IRRITADO), tais o Santos Silva e o Cravinho, rejubilam com um eventual regresso ao partidário galarim (estavam reduzidos aos galarins das sempre criteriosas televisões); quem sabe, o milionário de Paris - mais um protegido da TV - arreganha a dentuça.

Deixá-los, que o problema seria só deles se não fosse também nosso. Para já, disfrutemos do espectáculo de ópera bufa que nos proporcionam e não pensemos muito nisso, a não ser para uma boa troça. Depois logo se vê.

 

Punhamos os pés no chão. Não, não vou falar de Passos Coelho, que já os pôs, interna e externamente, ou sempre os teve no sítio, pés e outras coisas.

Hoje, os meus pés foram postos no chão pela gloriosa EDP. A benemérita organização mandou-me, e, julgo que ao resto da malta, uma gloriosíssima news letter, auto-eloguiando os seus feitos no fornecimento de energias renováveis, coisa que muito contribui para a camada de ozono, para as emissões de CO2 e para outras indispensáveis benesses, coisa a que devemos, ou devemos dever, na opinião correcta, os maiores agradecimentos. Nós e o mundo, o planeta, a ONU, a UE, o Gore e outros que tais.

Enquanto os grandes produtores dos odiados elementos que “matam o planeta e comprometem o futuro da humanidade” se estão nas tintas para tão ingentes problemas, Portugal (somos os maiores!, na opinião da EDP e do ministro do ambiente, entre outros) dá um exemplo global de correcção! Os moinhos de vento fornecem, segundo a EDP, 50% da energia que nós, inveterados consumistas, gastamos. E, no futuro, será ainda melhor! Hossana!

 

O problema é o que pagamos para ser um tão glorioso membro da comunidade internacional. A dona EDP, se fosse minimamente honesta, ou dissesse a verdade toda, devia acrescentar à news letter o preço que a coisa nos custa. Devia acrescentar à news letter o valor das rendas que lhe pagamos, bem como aos pimentas e outros privilegiados da nossa praça, à conta das ventosas maravilhas, devia acrescentar à news letter os custos das centrais térmicas que substituem os moinhos quando não há vento,  devia acrescentar à news letter o maravilhoso impulso dado ao ramo pelo senhor Pinto de Sousa, as garantias de facturação que aprovou, as PPP’s idiotas que celebrou em nosso nome, os brutais desperdícios de energia que provocou, etc. e tal.

 

Pois é, meus amigos, à pala de patacoadas como a nossa “responsabilidade” no clima, à pala de negócios multimilionários como os das “emissões” de CO2, , à pala das políticas – e não só – do socraaldrabismo e de outras prestidigitacões da moda correcta, a indústria, a agricultura, a economia em geral, e nós, gemem e gememos com a energia mais cara da Europa, um gigantesco garrote económico e social.

 

Façamos como o Passos Coelho. Punhamos os pés no chão.

 

30.5.14

 

António Borges de Carvalho

TRETAS ELEITORAIS

 

Algumas observações “analítico-trêticas” sobre as eleições:

 

- Primeira treta: a abstenção. Ninguém sabe qual foi. Tudo o que se diga é abusivo e aldrabão. Os cadernos eleitorais incluem criancinhas, defuntos, emigrantes (num só debate, um sabichão disse que estes eram 300.000, outro 200.000 e um terceiro 120.00. Poderão ser 2 ou 3, ou 1.000.024, por exemplo): nove milhões de eleitores em dez milhões de habitantes. Lindos cadernos!

 

- Segunda treta: o PS está muito contente porque foi o 3º partido socialista mais votado na Europa. Talvez tenha sido. Que fique contente com isso, percebe-se. Mas também se percebe porque é que o PS Europeu continua minoritário. E também se percebe que, a votar assim, continuamos na cauda do pelotão em matéria de discernimento político.

 

- Terceira treta: o Bexigoso, na opinião do Oco, fez uma campanha de grande nível democrático e cheia de boa educação. Ficamos a saber o que, na cabeça do Oco, é a democracia e a boa educação. Como o IRRITADO tem dito, o cómico tem a cabeça nos pés. O bexigoso não podia ter sido mais ordinário e, em matéria de pensamento, tem o mesmo do Oco: nenhum.

 

- Quarta treta (a maior de todas): a grande vitória do PS. Passados mais de dois anos de inevitável massacre fiscal e de não menos inevitável desemprego, de uma luta sem tréguas da “informação” que temos, de milhares de manifestações e outras intervenções do Carlos e do Jerónimo, dos gritinhos da meia-leca do BE, da proliferação de associções mais ou menos assassinas, do esmerado cultivo de ódios, tudo a matraquear no governo (a coragem política do PM acaba por ficar à altura da bravura guerreira de Nun’Álvares quando responde com calma e boa educação às cavalidades alheias), de investidas de “intelectuais”, de traições de “altas figuras” do PSD a destilar sem decoro as suas dores de cotovelo, de generalizadas negações do óbvio... o PS teve mais 4% de votos e não conseguiu ter à porta do Altis mais do que as 50 pessoas que de lá saíam. Se isto é uma grande vitória, vou ali e já venho. Se isto é uma grande derrota da coligação, meus amigos, então a Lua é cúbica! Todas, mas todas, as proclamadas ambições do PS foram à viola.

 

- Quinta treta: o discurso do Oco. Repetição, de trás para diante e de diante para trás, das inanidades que anda há dois anos a divulgar: nem uma só ideia, nem um caminho, nada. Puro, enjoativo e recorrente blabla.

 

- Sexta treta: o BE escanchado. Não é fácil, reconheçamos, ter um pé no comunismo e outro na democracia. A coisa racha pelo púbis. No entanto, no uso da sua esclarecida verve, a histérica acha que foi uma vitória! O velho não sei o que disse, mas é de imaginar que não tenha ido mais longe que a colega. Perdão, camarada.

 

- Sétima treta: a eleição do Màrinho. O socrapirismo volta com novo representante. Prendado com os anos e anos de palanque nas televisões que o tornaram conhecido à pala de bocas tonitruantes, este populista de trazer por casa cavalgou a “notoriedade” e convenceu uma data de ignaros. Parabéns. O malandrim comeu votos aos partidos que foi um vê se te avias. Teve a sua graça, em termos de humor negro. Agora, algumas inteligências dizem que roubou votos ao PS. Pois, e ao PSD/CDS também. A não esqucer.

 

- Sétima treta: o Livre. Livrámo-nos do Livre, o que não é nada mau. O deputado pendura deixou de ter cabide: o que tinha roubado ao Louça foi à vida. Aleluia.

 

- Oitava treta. O impasse. O Oco resolveu declarar que estamos num “impasse político”. Só se for no Largo do Rato. Aliás, o camarada Costa já se encarregou de dizer como é: o PS tem que leflectir e tirar as consequências internas da pífia vitória que teve. A almejada “mudança” morreu antes de nascer: um aborto natural. Mudança, só se for outra: a do Oco.

 

- Nona treta. A nossa Marine Le Pen, isto é, o Jerónimo, subiu, não tanto como como diz ter subido ou como subiu a sua mais sofisticada versão francesa.

 

- Décima treta. A nossa Marine, bem como o Oco, clamam por eleições antecipadas. esquecem-se de que não dispõem dos bons ofícios do Sampaio para os lever ao colo ao poder. Ainda bem. É tempo de fazer voltar ao regime alguma normalidade, ou seja, que o golpe de estado constitucional tenha deixado de estar na moda.

 

E por hoje é tudo. Outras “análises” se seguirão, se para tal o IRRITADO tiver pachorra. Tretas não faltam, nem vão faltar.

 

 26.5.14

 

António Borges de Carvalho

MARKETING

 

Um fulano, ao que se diz “advogado”, “artista” e “músico”, tripeiro, de seu nome Adolfo Luxúria Canibal, resolveu (para já “simbolicamente”) desatar aos tiros a tudo e mais alguma coisa que lhe cheire a dinheiro ou a política.

Adolfo – como Hitler – Luxúria – é lá com ele – Canibal – cheio de bons instintos, como é óbvio. Não insultarei os pais da repelente criatura dizendo que lhe deram tal nome. Prefiro pensar que a escolha foi do próprio, ansioso por comunicar ao mundo as suas mais amadas escolhas filosóficas, doces tendências, e amor ao próximo.

Contra o dinheiro, como se tivesse pouco. Contra os políticos, como se fizesse outra coisa que não política. O fim lógico da porcaria seria que, literal e não simbolicamente, desse um tiro na cabeça, não é? Não fazia cá falta nenhuma, a não ser ao mau gosto e à caca.

No entanto, a coisa tornou-se “viral” na internet, e vai dar balúrdios ao Adolfo, em CD’s e outras brincadeiras. Marketing político em baixíssima, mas refinada expressão.

O outro Adolfo aplaudiria.

 

24.5.14

 

António Borges de Carvalho

UM POLITICÃO

 

Diz-se que o Tribunal Constitucional é um órgão de soberania de carácter jurídico e independente. Dizem os seus detractores, como o IRRITADO, que a coisa, na sua versão actual, nada tem de jurídico nem de independente.

Talvez para esclarecer as dúvidas que estas antagónicas opiniões possam suscitar, o respectivo Presidente, um senhor da barbas que gosta muito de jornalistas e de galarim, veio esclarecer as massas sobre quem tem razão.

Começa por dizer que aquilo os famosos “direitos sociais” têm a mesma natureza que os outros, a que chama “de liberdade”. Uma vez que são iguais, o Estado tem obrigação de os proteger da mesma maneira. Isto é, o facto de o IRRITADO  ter o direito de escrever as suas opiniões e de ser sócio do Carcavelinhos, coisa que só depende dele e do Carcavelinhos, tem exactamente a mesma natureza que o direito de custar ao Estado – quer dizer, aos outros – tudo o que o o senhor Presidente acha que deve custar, mesmo que o Estado – ou os outros – não tenha dinheiro para pagar. Nesta ordem de ideias, o homem acha, desculpando-se com a Constituição, que tais direitos “reforçam a estrutura(?) da liberdade”. Assim, opina que tais “direitos”, os sociais, equiparados aos outros, impõem um compromisso político com a garantia desses direitos.

Aqui temos o esclarecido pensamento dess’alta figura pública, que se desculpa da equiparação do que não é equiparável com... a Constituução.

O IRRITADO, como é patente para quem o lê, não gosta da Constituição, acha que ela é irreformável e que devia, não ser revista, mas substituída por outra, sem outra ideologia que não fosse a do cumprimento das regras básicas da democracia. Mas acha (tem a certeza) que, com todos os seus defeitos, se a Constituição fosse lida por outrem que não este senhor, nela se encontraria o suficiente para ir ao encontro dos nossos problemas e necessidades, isto é, para, hierarquizando prioridades, se chegar a conclusões contrárias àquelas a que o TC usa chegar. Já foi assim em tempos, mas... nesses tempos o primeiro-ministro era o Mário Soares..., o que leva a que a jurisprudência herdada seja, hoje, simplesmente metida no caixote.

 

Donde se conclui que as opiniões do senhor Presidente são tão jurídicas como as do Jerónimo, isto é, são exclusivamente políticas, destinadas a fazer política e a, ilegítima e abusivamente, transformar o TC, materialmente, num mero partido da oposição, só que mais poderoso que os demais.

 

24.5.14

 

António Borges de Carvalho

OS GATOS NA CAMPANHA

 

Estas eleições, anunciadas como “europeias” em proclamadas boas intenções do camarada Assis et alia, são tudo menos europeias. O PS marimbou na “Europa” e tratou de dar largas à sua sede de poder, tratando de as transformar em legislativas antecipadas. Os objectivos proclamados de reforma das instituições da União, de “luta” intransigente pela alteração das posições da Comissão e do Conselho (e da dona Ângela!) em relação às dívidas soberanas, etc., não passaram de fogo de vista, a vender uma coisa  em que, como noutras, o partido é completamente ignorante e nada sério: a política europeia.

Se é verdade que os eleitorados, cá e lá fora, costumam utilizar este tipo de eleição para dar sinais aos respectivos governos, não é usual, por parte de partidos responsáveis, tentar, por causa delas, fazer cair os governos. Ainda menos em exclusivo.

No uso, nem sequer sofisticado, da sua tradicional desonestidade, o PS chegou ao ponto de centrar a campanha num “programa de governo”, com chorrilhos de miríficas promessas e demagogia muito mais que q.b.. Como se fosse isso o que está em discussão! Populismo barato, é o menos que se pode chamar à campanha do PS.  

 

Internamente, o Oco tratou de vender a esperança de uma chegada ao poder mais depressa do que seria democraticamente normal. Isto a fim de unir os gatos do seu saco - incluindo o abominável Pinto de Sousa! Os gatos responderam com uma súbita “unidade”, isto é, puseram as orelhinhas de fora, não fosse o diabo tecê-las e o poder vir mesmo mais depressa. Quando esta estúpida promessa falhar, os gatos voltarão a arranhar-se uns aos outros, para justificado gáudio do IRRITADO.

 

Parece que a vitória desta miserável estratégia está garantida. Mas também parece que será uma vitória de xaxa. E, desiludidos com o Oco, os gatos far-lhe-ão a cama. Vai ser giro.

 

22.5.14

 

António Borges de Carvalho

A NOVA EXTREMA DIREITA

 

 

É “engraçado” verificar que, ao mesmo tempo que os partidos de direita nacionalista, xenófoba, autoritária e inimiga da União e do euro e vicejam lá por fora, por cá nem sequer há disso. Portugal tem a extrema direita desocupada, ou desinstitucionalizada.

 

Terá? Nem por isso. Os temas da extrema direita europeia são a menina dos olhos da... extrema esquerda em Potugal! O PC é, de longe, o mais declaradamente nacionalista, seguido de perto pelo BE e pelos minhocas maluquinhos, tipo MRPP ou POUS.

 

Mais uma originalidade do nosso “processo”. Não haverá outro país civilizado onde de verifique um fenómeno desta natureza. No fundo, não é de admirar: os partidos verdadeiramente fascistas não eram socialistas, estatistas, e dos “trabalhadores”? O camarada Arnaldo Matos costumava chamar ao PC “social-fascista”. Enganava-se: todos os totalitarismos são “sociais”, ou socialistas. Fascismo, socialismo e comunismo são primos direitos.

 

O Jerónimo é a nossa Marine Le Pen.

 

 

 

22.5.14

 

 

 

António Borges de Carvalho    

 

CAMPANHA E TRETA

E lá veio o Oco proclamar que não aumentará impostos! Onde é que eu já ouvi isto?

Pois não, não aumentará impostos se não precisar de aumentar impostos. Será que a obra de Passos Coelho foi tão boa tão boa que não vai ser preciso?

E o que é que isto, verdadeiro ou falso, tem a ver com as eleições europeias? Zero! E o que é que as 80(!) “medidas” têm a ver com estas eleições? Zero! E a “industrialização”, ou melhor, a “adopção de uma estratégia industrial 4.0” (sic)? E a “estação oceânica dos Açores”? Estará o Oco a gozar com o pagode? E as outras 78 “medidas”? Zero. Zero a ver com as eleições europeias, zero a ver com qualquer coisa de minimamente sério.

O Oco parece não ter aprendido a lição. Há para aí um ano, desatou aos gritos que queria legislativas antecipadas. Teve que meter a viola no saco, como toda a gente sabe. Agora, vai pelo mesmo caminho. Apresenta “programas de governo”, como se estivesse em campanha para eleições parlamentares.

 

Ou muito me engano ou, mesmo que as sondagens estejam certas, vai ficar com duas violas no saco. E é bem feita!

 

20.5.14

 

António Borges de Carvalho

PROPAGANDA

 

É feio criticar as pessoas por motivos estéticos. Da propaganda eleitoral não se poderá dizer o mesmo. Mas é de não resistir a certas tentações.

Já viram o leque de damas e cavalheiros com que o socialismo nos brindou? É lindo! Uma série da balzaquianas, feias como a noite, mais um monte de fulanos que jamais poderiam servir de modelo. Clamam mudança: então que se mudem, não fazem cá falta nenhuma. Já agora, podiam começar por mudar de oco. E aquele tipo dos animais & Cª? Faz medo ao inferno. Um tipo com uma cara daquelas, que nem devia sair de casa, deve achar-se lindo nos cartazes. Se os cães votassem... E a menina do BE? Bem sei que irrita menos que a sua espernéfica “chefa”. Mas, que diabo, apregoar que se quer pôr “de pé” faz o menos mal intencionado pensar que está deitada.

E o pândego do Araújo Pereira que, desiludido com o PC – já está demasiado rico para os “standards” leninistas - vai lançar uma mensagem de apoio ao chamado Livre e ao infiel (ao Louça) Tavares? Vai ser uma mensagem pelo menos “fedorenta”, de fartar de rir.

 

Infelizmente, a estética das pessoas e a burrice das mensagens não são coisas que motivem os eleitores. Senão, até podia haver esperança.

 

20.5.14

 

António Borges de Carvalho

DIA NACIONAL

 

Contra a “homofobia”, a CML celebrou o “dia nacional”. Uma surpreza, já que ninguém sabia da existência de tal coisa, mesmo que “nacional”.

 

Os deficientes sexuais não param de propagandear os seus handicaps em vez de ser discretos sobre eles como soía ser noutros tempos.

Aqui há anos, a CML, sob a alta direcção do camarada Soares, teve a generosidade de oferecer, com as devidas obras de reabilitação e adaptação, um palacete às associações que promovem a adopção das suas “opções”. Os lisboetas pagaram a coisa com os seus impostos, licenças, alvarás, IMIs, etc.

 

É certo que cada um é como cada qual. É certo que cada um, se não tem cão, poderá caçar com gato.

Que têm os demais com isso? Nada, é certo, para bem ou para mal.

Façam lá o que entenderem com o corpinho. Mas não chateiem, nem vivam à conta dos demais, por muito “correcta” que seja a exigida “solidariedade”e o propagandeado “respeito”. Se começassem por se respeitar a si mesmos não faziam propaganda nem pediam batatinhas.

 

20.5.14

 

António Borges de Carvalho

COM PAPAS E BOLOS…

 

Poucos haverá que, como o IRRITADO, apesar de causticados, e de que maneira!, pelo que o governo lhes tem feito, mantenham a lucidez suficiente para ir distinguindo o trigo do joio. Não há nada mais fácil que comparar as intenções, ditas mentiras, de Passos Coelho, com o que tem sido feito ao longo da legislatura. O homem dizia uma coisa e fez outra. Canalha, bandido, aldrabão, etc., parece não haver adjectivos que cheguem. Alguns pormenores esclarecedores são esquecidos: o défice herdado era falso, estava monumentalmente escondido em empresas públicas “de direito privado”, sem reflexo orçamental, nas colossais consequências da nacionalização do BPN, (em vez de o levar simplesmente à falência, solução “liberal”), nas catastróficas consequências de loucas PPPês, nos contratos swap especulativos, na cortina de fumo sobre a situação da segurança social, na interminável procissão de minhocas escondidas à espera de cavadela, em suma, no infindável lixo que estava debaixo do tapete. O erro – hoje dito “mentira” – de Passos Coelho foi ter julgado que a situação com que ia lidar era uma, e ter-se-lhe apresentado outra, completamente diferente. Mas, para os críticos, quem mentiu foi ele, não quem o precedeu!

Uma vez descoberta a verdade, e consciencializado o “garrote” troiquista, estavam criadas as condições para a austeridade que temos sofrido (ou que uns 20% da população têm sofrido) sem que outra solução houvesse, ou que seja quem for tenha proposto, pelo menos com pés e cabeça. Pode controverter-se se devia ter sucedido mais assim ou mais assado, mas não que fosse que evitável. O que não se pode dizer é que Passos Coelho tem usado a mentira como instrumento político. Bem pelo contrário, à revelia dos seus mais elementares interesses políticos e até pessoais, Passos Coelho tem sabido falar verdade, por muito que tal verdade lhe possa custar. É certo que andou para trás e para diante em muitas matérias, que não soube explicar devidamente a situação (talvez por não querer chafurdar na trampa do socretinismo), e que tem tido um parceiro perturbador à perna.

Mas também é certo que herdou um programa que não era o seu, que o levou por diante sem sombra de eleitoralismo, que aguentou a alcateia sem tergiversar, que tem à perna um partido não eleito (o Tribunal Constitucional), que conseguiu muito mais do que se julgaria possível, que tem tido uma coragem acima de qualquer crítica, que tem enfrentado as contrariedades internas e externas com rara virilidade.

Este texo não é um elogio. É um simples olhar sobre a realidade.

*

A realidade desta campanha eleitoral é esta: nos tempos que a precederam, a oposição, leia-se o PS, clamou aos quatro ventos que ia discutir o que está em discussão, a “Europa”, o papel do Parlamento Europeu, a evolução da aplicação dos tratados, etc..

Veja-se o que está a acontecer: nem uma palavra sobre o assunto. Pancadaria interna e absolutamente mais nada. Transformar as “intenções europeias” em parlapatices para quando o PS for governo (t’arrenego!), eis o que se vê. O candidato “moderado” transmutou-se em demagogo ordinário, serrabeco e mais populista que o Berlusconi. Ontem, a família – leia-se o saco de gatos – socialista, com horas de televisão, ouviu deleitada as promessas eleitorais (não para as europeias, para as outras) do seu miserando chefe. Sobre a “Europa”, nem uma palavra. Oposição barata e, mais uma vez, populista. Mediante o lançamento de novos impostos, o fulano prometeu coisas. Desta feita, o fim da “TSU dos pensionistas”, a reposição dos subsídios dos velhos, e assim por diante, como se os deputados europeus do PS fossem fazer isso em Bruxelas!

Em suma, não há campanha para aquilo em que as pessoas são chamadas a votar. O que há é mera oportunidade de inundar o país de aldrabices sobre tudo, menos sobre o que se dizia estar em causa.

Como diria o “filósofo”, o PS está a dar “o seu melhor”, ou seja está a mostrar a sua verdadeira face, a sua face de sempre, a de um bando de malfeitores, políticos e não só.

 

18.5.14

 

António Borges de Carvalho

 

ET. Não ficaria o IRRITADO bem com a sua consciência se não assinalasse, com enorme satisfação e até carinho, o doce tête à tête do Capucho com o Assis. Que ternura! Lembram-se dessoutra maravilha que foi o cafezinho do Pinto de Sousa com o Figo? Les bons esprits se rencontrent… ao pequeno almoço e não só. 

DOS MALEFÍCIOS DO IVA

 

A começar pelo IRRITADO, não haverá ninguém que goste do IVA a 23% (ou a 23.25%, que é mais ou menos a mesma coisa).

Outra coisa é saber das efectivas consequências ao nível do consumidor.

Um apontamento interessante é a barulheira quer por aí anda por causa do IVA da restauração. Todos os dias, dos políticos do CDS aos da esquerda - folclórica e clássica -, dos tasqueiros aos hoteleiros, dos vendedores de morangos aos altos dirigentes da classe, não há quem não passe a vida a vir à televisão e aos jornais arengar sobre a “injustiça”, as “ameaças ao turismo”, “o fim de um sector”, “os milhões de desempregados”, etc., tudo por causa do IVA.

Acontece que qualquer cidadão, quando abre o seu email, fica submergido em anúncios e mais anúncios de hotéis, restaurantes, bares, etc., a propor as mais extraordinárias borlas, descontos e preços de arrasar. Qualquer cidadão que vai tomar a sua bica logo de manhã paga exactamente o mesmo, ou menos, do que pagava antes do brutal aumento do IVA, com factura e tudo. E assim por diante.

Então o IVA sobe e os preços descem, ou ficam na mesma? Como explicar tão estranha coisa? A ideia que fica é a de que, pelo menos neste sector, o governo podia aumentar o IVA para trinta por cento: forrava uma pipa de massa, e o Zé Povinho não dava por nada!? O IRRITADO não aconselha tal coisa, mas lá que é de nela pensar, é.

Que se passou então? Várias coisas. Os tipos que viviam à custa das rendas baixas e da fuga aos impostos foram à vida. Os outros aguentam-se e procuram cativar clientes. O mercado passou a funcionar como nos países civilizados. E está mais vivo que antes. Os que berram contra o IVA são os que queriam manter margens especulativas ou se recusavam a modernizar-se e a investir. O resto é conversa e parlapaté político.

Às vezes (quase sempre) a parte da sociedade que dá volta “por cima” safa-se, os que nunca tiveram safa, a não ser com privilégios e aldrabices, não se safam. Que mal há nisto?

 

11.5.14

 

António Borges de Carvalho    

EMOÇÕES ESQUERDÓIDES

 

Anda por aí a causar um frisson dos diabos a notícia da vinda a Portugal (Penha Longa – Sintra) dos manda-chuva da troica, com chegada no dia das eleições para o PE.

Parece que se vão encontrar para mais uma sessão de bocas mais ou menos inúteis. Mas isso é o menos. O importante, o que tem enervado inúmeras personalidades da área da extrema esquerda (Mário Soares, Manuel Alegre, Vasco Lourenço, o Jerónimo, a Martins e o Semedo, por exemplo), as quais consideram tal vinda como uma ilegítima intromissão nas eleições europeias de Portugal. Isto, como é evidente, para antecipar uma “inteligente” justificação para putativa tunda eleitoral que venham a levar. Se não levarem, a argumentação será a mesma, isto é, dirão que o seu “sucesso” teria sido mais “expressivo” não fosra a presença de tais manda-chuva.

Os jornais que, embora informem mal, costumam andar bem informados, dizem que as “personalidades” e os seus séquitos chegarão no dia 25 e se encontrarão para jantar às 8 da noite, uma hora depois de fechadas as urnas e já conhecidos os resultados. Como é que isto pode influenciar o voto de cada um é coisa que só nas retorcidas cabeças daquela gente pode caber. Mas, enfim, como não dizem nem pensam duas seguidas, que se entretenham com estas palermices. Se assim não fosse estariam a passar, aos eleitores, um atestado de estupidez ou de cobardia, não é?   

 

11.5.14

 

António Borges de Carvalho

QUESTÕES EPISTOLARES

 

À falta de melhor, a central de argumentos eleitorais do PS decidiu exigir que fosse imediatamente posta a circular uma carta que o governo vai escrever ao FMI.

Acho muito bem. O problema é que vai escrever. Ainda não escreveu. Por isso, não tem nada para mostrar. Parece lógico, pelo menos para pessoas normais. Para as outras não será. O problema é delas, como diria a rapariguinha da Assembleia.

E é mesmo. Diga a missiva o que disser, o PS, que está com falta de material para os seus ridículos jogos florais. Acha, e tem razão, que a tal carta lhe forneceria material para sonoros ataques durante a campanha eleitoral. Não porque a coisa venha a trazer grandes novidades, coisas terríveis, ameaças ao nosso viver, mais impostos, menos salários, prometa fechar o hospital de Santa Maria e a Câmara do Porto, anuncie a abertura de um campo de ncentração para a oposição ou garanta declarar guerra à Rússia. Não. O PS sabe que, seja o que for que lá for escrito, haverá sempre forma de dizer cobras e lagartos, sobretudo se anunciar o que o próprio PS fará se tivermos a desgraça de o pôr no governo em 2015. O PS, à falta de ideias, de uma só que passe de puro blabla, espera que o governo lhe dê algumas novidades para poder alimentar a cassete. Um desejo legítimo.

O problema é que, até ver, não há carta nenhuma. O IRRITADO acha que sim senhor, o governo, antes de a enviar, devia mostrá-la ao Oco. Também sabe que é da praxe que a revelação pública da coisa compita ao destinatário e que, por isso, o governo não deverá torná-la pública por iniciativa própria. Mas o Oco, coitado, que acha que vai ser primeiro ministro (xiça!), está doido para desatar aos gritos, assim que conhecer a coisa.

E é nisto que estamos. Cria-se uma polémica do caraças por causa de uma coisa que ainda não existe! Esperemos pela próxima, que será tão imaginativa e inteligente como esta.

 

9.5.14

 

António Borges de Carvalho

REFORMA DO ESTADO

 

Muitos anos atrás alguém legislou – julgo que o ministro Joaquim Ferreira do Amaral – estabelecendo prazos para os deferimentos camarários e criando o deferimento tácito para os casos em que as câmaras ultrapassassem tais prazos sem responder aos requerentes. Esta decisão foi saudada pelo público em geral e correspondeu a uma machadada certeira na burocracia autárquica.

Como reagiram as câmaras? Desobedecendo literalmente à lei. Se alguém metesse um projecto ou uma pretensão, por pequeninos que fossem, e, passado o prazo de resposta legal, não tivesse recebido resposta, julgaria que o seu pedido estava deferido. Cruel engano. As câmaras diziam sim senhor, está deferido mas, para começar a trabalhar precisa da respectiva licença. Que fazer para a obter? Seguir o caminho da “lei”, isto é, apresentar toda a papelada como se não tivesse havido deferimento nenhum e seguir o calvário do costume. O cidadão podia achar que a lei do deferimento tácito o protegia, e começar a trabalhar sem a tal licença. Na certeza porém que, depois de gastos substanciais contos de réis ( se fossem poucos não faria mossa...) lá estaria o fiscal da câmara a mandar fechar o estanco.

Anos passaram. As câmaras continuaram a não cumprir prazos de espécie nenhuma, as pessoas deixaram de acreditar no deferimenro tácito, e, poderosíssima, a burocracia venceu mais uma batalha.

 

Quando se fala em reforma do Estado, é comum acusar-se o governo de não a ter feito, ou de ter feito pouco.

Agora pensem o que aconteceria, por exemplo em Lisboa, se a câmara se “reformasse” e cumprisse a lei do deferimento tácito. Os milhares de técnicos, arquitectos, engenheiros, juristas, do quadro, a prazo, tarefeiros, a recibo verde, etc., que se entretêm a fazer a vida negra às pessoas, dizendo tudo e o seu contrário desde que chateiem e procrastinem, iam parar onde?

E se o governo se pusesse, como os críticos acham que é sua obrigação, a fechar todos os inúteis penduricalhos que enxameiam a administração pública, onde iria parar essa malta toda? Onde iriam parar os senhorios que arrendam instalações que não servem para nada? E os concelhos que perdiam a animação económica local que tal malta proporciona? E as empresas que fazem a limpeza das instalações? E, e, e?

Meus amigos, era a mais desbragada bagunça que imaginar se possa. Os críticos das não reformas passavam a ser, de um momento para o outro, os seus maiores inimigos. Os que acham que se devia cortar a direito nas “gorduras do Estado” desatavam aos gritos em defesa das gorduras do Estado.

 

O IRRITADO acha que tais reformas deviam ser feitas, ou que já deviam ter sido feitas. Mas imagina o que os exércitos do general Mário Soares, do sargento Jerónimo, do furriel Carlos, do coronel Lourenço, para não falar do tacos de pia do BE, entrariam numa polvorosa tal, numa ânsia de “paulada” de tal ordem, que é difícil imaginar onde isto iria parar.

A reforma do Estado que, acima de tudo, é a reforma da burocracia e das leis, regulamentos, portarias e porcarias que a protegem, só seria, ou só será possível com um governo democraticamente forte e, sobretudo, com a inteligência que se desejaria a certos “democratas” que insistem na mais feroz estupidez.

 

6.5.14

 

António Borges de Carvalho

ESQUERDA CULTURAL

 

É tão alta a consideração que Marcelo Caetano merece enquanto professor (ainda hoje não há, pelo menos na sua especialidade, quem lhe chegue aos calcanhares), como baixa acabou por ser a sua prestação como político.

Com outro administrativista de grande fôlego, Lopez Rodo, seu discípulo e admirador, trocou correspondência intelectual e jurídica que merece estudo. Tal correspondência foi há pouco publicada em livro. Como é natural, a obra teve o seu lançamento na Faculdade de Direito de Lisboa, no mesmo edifício onde, durante tantos anos, comunicou aos alunos o seu alto saber.

Até aqui, tudo normal. A Faculdade, como edifício, é hoje a mesma do seu tempo. Pensariam os menos avisados que o tal lançamento seria feito num dos magníficos anfiteatros que por lá há. Pensavam mal. A sessão teve lugar numa obscura cave, munida de cadeiras manhosas, onde se apinharam umas dezenas de pessoas. Quem lá fosse assistir não a encontrava e, se perguntasse aos alunos ou aos contínuos, verificava que ninguém estava a par do assunto, sendo indispensável percorrer corredores e corredores mais ou menos subterrâneos até chegar ao local. É de pensar que muita gente tenha desistido.

A coisa era para esconder, aliás como confessou o seu apresentador, Marcelo Rebelo de Sousa. Segundo a nova direcção da Faculdade, caracterizada pelas suas tendências esquerdistas, o assunto não era compaginável com as comemorações do 25A, por conseguinte acederia generosamente a autorizar a sessão, mas só nas circunstâncias absolutamente indignas em que acabou por se realizar.

A esquerda muito preza a cultura, desde que a cultura seja “cultura”, isto é, seja de esquerda. E é capaz de tudo o que for preciso, incluindo pisá-la, falsificar a História, desrespeitar pensadores, meter no caixote do lixo o que não lhe convém, calar quem se atreva a pensar de outra maneira que não a dela. A ditadura tinha a “desculpa” de ser ditadura. A esquerda, dita democrática, não tem nenhuma desculpa, mas não se exime de praticar as mais rebuscadas formas de censura e de ostracisar os “descrentes”.

A esquerda manda na Faculdade de direito. Está tudo torto.

 

5.5.14

 

António Borges de Carvalho

 

ET. Imaginem que a sessão era acerca da obra artística do Álvaro Cunhal: anfiteatro número 1, tímbales e charamelas, não é?

ELOGIO FÚNEBRE

 

Como é hábito em relação aos mortos, tem-se visto por aí os mais altos encómios à emérita figura de Veiga Simão. Não há cão nem gato que não gabe a sua passagem directa do poder autoritário para o democrático, em viagem de longo curso até ao PS. Cada um é livre de viajar para onde entende, competindo a quem o recebe ajuizar da genuinidade da viagem.

Adiante. A reforma do ensino que terá feito, ou tentado, durante o marcelismo, tornou-se alto serviço à Pátria de um momento para o outro. Talvez fosse. Compreenda que a sua gloriosa memória tenha, subitamente, emergido em inúmeras cabeças tidas por pensantes.

O IRRITADO não se pronuncia sobre reformas do ensino, cuja quantidade é de tal maneira grande e tão folcloricamente rebuscada, se não ridícula, que escapa a qualquer juízo.

Mas recorda aquilo por que era conhecido, ao tempo, o Professor Veiga Simão: o homem que introduziu os “gorilas” nas faculdades. Não contente com a habitual vigilância da PIDE através de contínuos, funcionários e até estudantes e docentes, resolveu torná-la mais “próxima”, mais “eficaz”, através da contratação e/ou colocação dos tais “gorilas” nos corredores das faculdades.

Mudada a nora, ei-lo no governo provisório! Diz-se que foi a Maçonaria que lá o colocou. É capaz disso. Não foi o único maçon que, sendo figura do regime (havia-os, e muitos, por lá), emigrou, passando, na boca de outros maçons, a ter sido sempre um democrata da mais fina cepa.

O IRRITADO reconhece que o senhor era um tipo inteligente, até bem intencionado, que, é de pensar, acreditou na primavera marecelista, que fosse pessoa séria, que tenha tido um papel importante na Universidade de Lourenço Marques, etc..

Mas acha que os pormenores acima citados deviam, post mortem, fazer parte do seu currículo.

 

5.5.14

 

António Borges de Carvalho

FRAGILIDADES

Há para aí trinta nos, de tanto ouvir falar tive a fragilidade de ir ao “Frágil”. Uma experiência boa para esquecer. Mas não esqueci. Uma porta sebenta, um interior sebento e de gosto quiçá “progressista”, uma malta mais ou menos perdida em fragilidades diversas, uma fulana rotunda e grossa à porta, a deixar passar os que mereciam tal distinção. Não sei porquê, mereci-a. Ao som da adequada música (?), movimentavam-se uns seres mais ou menos diáfanos, outros com uma alegria de pedrada, porventura a esquecer deficiências de vária ordem.

Não era sítio para gente normal, gente como nós, a que os “locais” chamariam terríveis nomes, reaccionários, burgueses (como se outra coisa eles fossem) e outros mimos. Hoje, chamar-nos-iam neoliberais, homofóbicos ou outros adjectivos, todos eles significando terríveis pecados contra a moral a que os tempos chamam correcta.

Não arranjaste outro sítio para me levar? Perguntou a minha mulher, ansiosa por se ver livre daquilo. Deixa lá, bebemos um copo, vemos um bocado deste folclore e depois vamos a outro lado qualquer, impus.

Pedimos um whisky. Veio uma coisa que nem de Sacavém merecia o nome. Até o gelo devia ser falsificado ou “temperado”.

Pusemos os copos em cima do balcão e demos às de Vila Diogo, não sem apresentar as nossas despedidas à gorda da porta, que nos olhou com o mais profundo desprezo.

 

Mudaram os tempos. O “Frágil” deve ter fechado, eventualmente por já não ser suficientemente “progressista”.

Até que, simbolicamente, se tornou sede de mais um subproduto da esquerda folclórica: uma coisa chamada “Livre”, ao que parece destinada a manter no Parlamento Europeu um tipo que pôs os cornos ao Louçã.  

A história repete-se. Os continuadores da malta do “Frágil”, talvez empenhados em dar à malta mais umas falsificações, deitam a cabecinha de fora. A zurrapa é a mesma. Quem gostar, beba. Não desejo bom proveito, que bom proveito é coisa que o “Livre” não proporcionará seja a quem for.

 

4.5.14

 

António Borges de Carvalho

EVITAR O INFERNO

 

O Oco veio esclarecer o povo sobre uma coisa que todo o povo já sabia: acordos sim, mas quando o PS ganhar as legislativas.

Ou seja, àqueles que acham bem que venha a haver um acordo de regime, o idiota informa: primeiro, votem em mim, depois eu vou fazer acordos com o PSD e com o CDS. Ou seja, meus amigos, os acordos não são coisas precisas para o futuro do país, são uma bengalinha para que eu possa ser primeiro-ministro!

Para além de oco, vazio, sem uma ideia nova, sem uma solução seja para o que for, rodeado de malfeitores políticos, e não só, de Silva Pereira a Jorge Coelho, sem ser capaz de pôr nos varais a canalha socrapífia, perito em baratíssimas demagogias, repetindo as mesmas patacoadas, prometendo o imprometível, garantindo ser capaz de fazer o infazível, cego ao que tem acontecido ao socialismo europeu, de Hollande àquele alemão que quer o lugar do Barroso, este zero à esquerda lança o seu repto, tão estúpido quanto o dono: se quiserem conversa, só comigo a mandar.

O IRRITADO, que suspeita, ou tem a certeza que acordos seja de quem for com o PS serão sempre indesejáveis – ninguém, com recta intenção ou seriedade mental poderá correr o risco de acordar seja o que for com tal gente – chama desde já a atenção daqueles  pêpêdês que, se perderem as eleições, têm a ilusão “patriótica” de vir a partilhar o poder com o PS: metem-se numa camisa de onze varas, uma vez que serão submetidos à pior da ditaduras, a da estupidez, e acabarão por colaborar no inglório enterro que nos espera se gente da laia do Oco chegar ao governo. Portanto, deixem os acordos para o CDS, se for caso disso. E guardem-se para quando for preciso.

O país, esse, tem tempo para pensar a fim de, em 2015, evitar a mais horrífica das hipóteses: um governo do Oco.

 

2.5.14

 

António Borges de Carvalho

DA LOUCURA

 

Loucura ou insânia: condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais. Segundo a lei civil, a loucura desculpa os actos cometidos contra a sociedade.

Não, o IRRITADO não percebe nada de psiquiatria. Foi à Wikipedia, e pronto, ficou com umas noções.

Perguntar-se-á por que carga de água.

Explico: o IRRITADO anda preocupado com o camarada Soares. Vendo-o dizer as enormidades que diz, vendo-o negar-se a si próprio todos os dias (como julgarão os bem intencionados), ou mostrar o que na verdade é (como dirão os que não o chupam), vendo-o alinhar com quem alinha, há que encontrar uma boa desculpa.

Depois de muito pensar, o IRRITADO descobriu-a: é ela a loucura (perturbações mentais, delírios, alucinações, psicoses). Aí está: o homem tem desculpa: ensandeceu! Tarou, saltaram-lhe os carretos!

No entanto, ainda que a inimputabilidade seja aplicável às bojardas dos tarados, a sociedade deve prevenir-se e defender-se contra as investidas anti sociais de tais infelizes, designadamente através do seu internamento em estabelecimento especializado.

Eis o que o IRRITADO propõe para o camarada Soares, a fim de que não dê mais argumentos a quem dele não gosta, nem desiluda ainda mais os que caíram na asneira de o admirar.

Trata-se, como é evidente, de uma proposta salvífica e caridosa para o camarada Soares, coitadinho!

 

2.5.14

 

António Borges de Carvalho

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