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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DESEJA UM EMPREGO?

 

Talvez este anúncio lhe interesse:

 

PROCEDIMENTO CONCURSAL COMUM PARA A CONSTITUIÇÃO DE RELAÇÃO JURÍDICA DE EMPREGO PÚBLICO POR TERMO INDETERMINADO PARA DOIS POSTOS DE TRABALHO E TERMO DETERMINADO PARA UM POSTO DE TRABALHO, NA CARREIRA E CATEGORIA DE ASSISTENTE OPERACIONAL

 

Assim. Sem espinhas, como vem no jornal.

Prosseguindo, é coisa que se processa “nos termos do disposto no art.º 50º da Lei nº 12-A/2008, na redacção actual, conjugado com o art.º 19º da Portaria nº 83-A/2009 de 22 de Janeiro, republicada pela Portaria nº 145-A/2011 de 6 de Abril, torna-se público por aviso desta autarquia, com o nº 8707/2014, publicado no Diário da República, II Série, nº 144 de 29 de Julho de 2014...”

 

Perante isto, você, se não estiver familiarizado com o Simplex, sistema em boa hora inventado pelo saudoso Pinto de Sousa, dito Eng.º Sócrates, é capaz de pensar que se trata de vagas para assistente em operações de algum general, em vigorosos e patrióticos combates, quem sabe se graduado coronel. Ou coisa que o valha. Mas você, como pessoa normal que é, não percebeu patavina da epígrafe e resolveu ler o resto. Bem feita. Ficou então a saber que se trata de um lugar de coveiro, outro de carregador de sacos e outro de contínuo (este a prazo!) em importantíssima freguesia situada algures. Dada tal localização e tal importância, é de certeza obrigatório publicar o “Aviso” em vários jornais de distribuição nacional, o que foi exemplar e legalmente feito e pago.

Se você anseia por um lugar de coveiro em casa do diabo, não hesite. Na certeza, porém, que a atenta leitura do tal “Aviso”  “não dispensa a consulta do Aviso Integral, publicado no Diário da República acima identificado”, isto sem prejuízo de informação contida em dois sites dedicados ao assunto, de consulta recomendada. Poderá ainda telefonar para 000000000, sempre sem esquecer o Diário da República.

 

O IRRITADO não está a imaginar. Tudo isto é verdade, as citações são ipsis verbis (sem acordo ortográfico). Um coveiro, um ajudante de transportes e um contínuo são “assistentes operacionais”! Para os contratar e, com certeza, a fim de evitar cunhas, são precisos vários diplomas legais, portarias e avisos, tudo ao nível da Nação, não vá alguém dos montes algarvios querer candidatar-se a tais tachos em para lé do Marão.    

Assim funciona o Simplex. Assim se arranja emprego para os milhares de inúteis envolvidos no processo. Assim os lugares acabam, como antigamente, por ser dados ao primo da cunhada do presidente da junta, ao namorado da enteada do amanuense de serviço e à cozinheira da casa de pasto do irmão da avó do chefe dos bombeiros, que está farta de pastéis de bacalhau. Sem dispensar, é claro, para cada um, um processo preenchendo os indispensáveis requisitos legais, o que representará inúmeros requerimentos, certificados e demais documentação da praxe, concursos, despachos, avisos, anúncios no jornal, etecetera e tal.

Mas os candidatos, tanto os selecionados como os preteridos prestaram à Nação o notável serviço de proporcionar trabalho e vencimento a milhares de burocratas que, não fora o Simplex, estariam no desemprego

 

29.7.14

 

António Borges de Carvalho

A MULHER QUER PALCO!

 

A inacreditável cidadã que os advogados elegeram para bastonário(a!) não cessa de nos causar arrepios. É sabido que foi “fabricada” pelo Màrinho, o que não augurava nada de bom. Mas, na ânsia de dar largas à sua pretendida notoriedade, bem como ao primitivismo, ao provincianismo e ao pirismo que a caracterizam, passa todas as fronteiras.

Desta vez, resolveu proibir os estagiários de receber do Estado uma subvenção. Porquê? Porque parece ter encontrado, nas caves dos estatutos, uma norma qualquer que justifica a atitude, norma que, nem de longe nem de perto, a maioria dos advogados interpreta da mesma maneira. Mas ela quer mostrar poder! Isso é que é importante, mesmo que venha em injustificável prejuízo de umas centenas de jovens que dão “o litro” para entrar na profissão.

 

Ponhamos as coisas como elas são. Desde sempre houve estágios de advocacia. Desde sempre, os pobres estagiários andaram meses a calcorrear repartições com questões de chacha, como se de contínuos se tratasse. Desde sempre trabalharam de borla, salvo raríssimas excepções. É também verdade que, nos dias de hoje, em virtude de várias e inteligentes disposições europeias (“Bolonha” et alia) os cursos passaram de 5 para 4 anos, o que poderia justificar que o estágio, pelo menos no primeiro ano, não fosse remunerado.

Mas se alguém, no caso o Estado, sequioso de ver menos jovens a tinir, os quiser remunerar, o que tem a respectiva Ordem com isso?

Com que “moral” (se calhar é a moral republicana…) são impedidos de ganhar pelo trabalho prestado?

Que regra deontológica pode obrigar a Ordem a privar os futuros colegas de rendimento?

Que crueldade mental está instalada na cachola da mulher?

Que gozo lhe dá prejudicar os demais?

Que lucra com isso, ela ou a profissão?

 

A profissão nada lucra. A Ordem também não. Os estagiários nem se fala.

 

A mulher está extasiada com o poder, coisa típica de tantos dos que descem à cidade sem nada que se aproveite dentro da cabeça. Quer ser vista, falada, invejada, incensada. E se for, literalmente, à custa de terceiros, que se lixe.

 

28.7.14

 

António Borges de Carvalho           

IDEIAS PARVAS

 

O IRRITADO tem por António Guterres muita consideração pessoal. Trata-se de um cidadão exemplar, a quem se não conhece rabos de palha ou trafulhices. Family man, não há quem não reconheça que foi um pai exemplar, um marido atencioso, um companheiro constante da sua primeira mulher, sobretudo nos difíceis tempos que precederam a sua prematura morte. Diz quem o conhece bem que mantém o seu estilo de vida e de comportamento no seu segundo casamento – com uma vereadora do Costa. Foi um aluno brilhante, formou-se no IST com altas classificações.

 

Mas o que interessa, neste momento, aos portugueses, é a sua postura política e o seu passado como governante.

Oriundo da oposição católica à ditadura, cedo entrou para o PS, a cuja liderança chegaria. Nos idos anos de 1980, integrou o chamado “secretariado” do PS, com Sampaio e outros que a si mesmos atribuíram a função de fazer a vida negra ao Soares, sofrendo este, segundo diziam, de “desviacionismo” de direita. Foram tempos épicos no partido. Guterres, perceba quem quiser, era dos que se opunham a uma evolução do regime num sentido mais democrático, ou mais consentâneo com os costumes políticos e sociais da “Europa” daquele tempo.

Lá foi subindo a escadaria, e chegou a primeiro-ministro depois da desistência de Cavaco Silva. Notabilizou-se por dar um fortíssimo empurrão na nossa desgraça financeira, via “prestações sociais” e outras despesas sem cobertura, isto é, cobertas por dívidas e mais dívidas. A certa altura percebeu que já não havia salvação para a situação que, com tanta “caridade”, tinha criado. Na primeira oportunidade (a perda de umas eleições autárquicas) declarou que o país estava “num pântano”, isto é, no pântano que ele próprio criara, deu às de Vila Diogo e, uns tempos depois, arranjou emprego na ONU, aliás em funções bem adequadas ao seu perfil.

 

(O seu sucessor que, via Manuela Ferreira Leite, tinha abandonado a sua tese do “choque fiscal” e percebido que tinha que nos apertar o cinto, fez mais ou menos o mesmo: abandonou o navio e vogou para as bem mais seguras águas de Bruxelas. Veio Santana Lopes. O PS resolveu a questão da liderança, o PC também. Sampaio, vendo a esquerda preparada para se assenhorear do poder, nem deixou respirar o novo governo, a quem não deixou ter tempo para fazer seja o que for. Pumba!, correu com ele para abrir as portas ao inacreditável Pinto de Sousa. A partir daqui, a história é conhecida. O país afundou-se ainda mais, num mar de obras públicas impossíveis de pagar, de PPP’s malucas, de swapps catastróficos - isto para dizer o menos - até à bancarrota final.)

 

Por tudo isto, é estranho que andem para aí uns senhores a preparar a passadeira vermelha para que António Guterres passe a ser o novo ocupante do Palácio Real de Belém. 

Há dois portugueses que jamais deviam ser prostos para tal: Pinto de Sousa e… Guterres. Então vamos eleger um dos mais eficazes obreiros da nossa miséria?

Será possível que isto caiba na cabeça de alguém? É sim senhor, cabe sim senhor. Pelo menos nas cabeças do Costa e… do Rio. Na do primeiro, é natural. Na do segundo, valha-nos Santa Engrácia! O homem anda a dar mostras evidentes de lhe ter caído algum parafuso quando saiu da CMPorto. O Costa, para quem (como para a generalidade dos respectivos camaradas) a história de “uma maioria, um governo, um presidente” era, até ontem, uma desgraça, passou a defender a velha tese de Sá Carneiro. E, pelos vistos, vai ter uma ajudinha do Rio, que se dispõe a ser seu número dois sem pudor nem dignidade.

Mais grave ainda é que estes dois pretendentes ao poder propõem, em uníssono, o alargar dos poderes e das funções presidenciais: juntar às nossas desgraças económicas, financeiras e sociais, uma desgraça e um atraso políticos que, à excepção da França, todos os europeus que nos são próximos já perceberam que é uma entorse democrática, um risco de conflitos institucionais desnecessários, um total absurdo: a criação de duas legitimidades com a mesma origem, o sufrágio universal.

Há tanta coisa útil a fazer se quisermos dar agilidade e boas condições de funcionamento ao sistema político! Como é que estas duas alminhas se metem (nos querem meter) num estúpido molho de problemas a acrescentar aos outros?

   

 26.7.14

 

António Borges de Carvalho

REAL POLITIK

 

Não é particularmente impressionante que a Guiné Equatorial tenha entrado para a CPLP. Há, por toda a parte, casos semelhantes. A própria GE é membro da chamada francofonia, Moçambique faz parte da Commonwealth, etc.. Há uma série de países a pedir estatuto de observador, candidaturas tão aparentemente absurdas como as da Geórgia e da Turquia…

O argumento com base nos “direitos humanos”, ou na obrigatoriedade da democracia, não colhe de jeito nenhum. Não somos amicíssimos da China, ditadura comunista, ou de Cuba, onde tais direitos são letra morta, enganado que foi o povo que via no facínora Fidel Castro um libertador? Não somos parceiros de negócios (falidos ou em vias de falência) de primitivos canalhas como o Chávez ou o Maduro? Não temos com Angola, um país corrupto de alto a baixo, relações “privilegiadas”? Os nossos aliados nº1, os EUA, não têm a pena de morte aplicada em grande parte do seu território?

Não ficaríamos tristemente sós se votássemos contra a unanimidade dos nossos consócios da CPLP?

Deixemo-nos de caridosas balelas, e façamos pela vida.

O outro argumento é o da língua. Aqui, sim, devia haver limites. Mas… o ditador bandido Obiang fez do português língua nacional, coisa que não passará do papel, como é óbvio, mas fez. O mesmo tirano não suspendeu a pena de morte? Suspendeu, sim senhor, signifique isso o que significar. Ou seja, cumpriu as exigências que lhe fizemos, anulando as nossas diplomáticas dúvidas. Que argumentos nos restavam? Zero. Apanhados em contra mão, outra solução não nos restava que a de meter a viola no saco e votar com os demais.

Uma saída nos restava, oferecida pelo tirano. A de o pôr na rua quando teve o desplante, a provocação, o topete, a falta de respeito, de fazer o seu discurso de “entronização” em castelhano, francês e inglês. Aí sim, podíamos mostrar, pelo menos, que somos filhos de boa gente. Não mostrámos. Agora… mija na mão e deita fora, como diz o ditado.

*

Por falar em política externa vem à colação a simpática deslocação do camarada Xin Jin Pin (não é assim, mas não faz mal) aos Açores, onde foi recebido pelo nosso mui ilustre ministro dos negócios estrangeiros e pelo chefe do socialismo lá do sítio. O tal Xin foi direitinho às Lages e a mais parte nenhuma. Não estava preocupado com a agricultura, com as vacas, com as pescas, não ia comprar queijo da ilha, nada disso. As Lajes é que é bom! Que dirão os EUA, que pagam uma renda dos diabos pelas facilidades? É desta que vão embira? Que satisfação foi dada à malta pelos ministros da defesa e dos negócios estrangeiros? Nenhuma, que se saiba. Os jornais estão calados como ratos a este respeito. Será que o senhor Portas quer arranjar “êxitos” diplomático-comerciais com esta “escala” do Xin, como o Pinto de Sousa arranjou com o Chávez, um arranjinho que nos vai custar uma fortuna?

Vamos a ver os desenvolvimentos desta obscura história. Para já, não cheira nada bem…

 

25.7.14

 

António Borges de Carvalho   

MAIS NOTÍCIAS DO PS

 

Um tal Rui Santos, PS, presidente da câmara de Vila Real declarou ser objectivo do governo “encerrar concelhos por este país fora”.

O IRRITADO, como qualquer português, duvida que o governo tenha tal intenção, apesar da promessa estar no papel que o PS, depois de levar “este” país à bancarrota, assinou com os nadadores salvadores da troica. Mas, se o ilustre presidente de Vila Real tiver razão, o IRRITADO verá nisso uma medida positiva, aliás prometida pelo senhor Pinto de Sousa, dito Sócrates, do PS, em nome “deste” país.

 *

 

“Expulsões aos molhos no PS”, titula o DN. Vai tudo raso. Não se sabe quem é o autor da graça, se o Oco I se o Oco II, se o Jorge Coelho, se quem. Curioso é ninguém falar de alguma “comissão de justiça partidária” ou equivalente, encarregada destas matérias, que tenha tomado as decisões. O que muito nos diz sobre o saco de gatos em que o PS se transformou - se o não é desde sempre - onde qualquer manjerico dá pontapés no rabo de qualquer girassol. Assim, sem mais aquelas. Razão tinha Santos Silva, esse luminar da política socratista, quando dizia “quem se mete com o PS leva”. A coisa caiu lá na loja, não se sabendo que PS se mete com que PS, nem que PS leva ou deixa de levar. Que levem todos.

 *

O senhor Carlos César foi nomeado para o altíssimo cargo de mandatário da candidatura do Costa não sei a quê, isto é, sei – ao contrário do Tribunal Constitucional - que, em Portugal, não há candidatos a primeiro-ministro, muito menos a eleger por filiados e simpatizantes de um partido.

Mas esta vem a propósito do mandatário, não do mandante, ainda que só um mandante destes possa escolher um mandatário daqueles. É que, para além da sua reconhecida pesporrência parlapatona, o tipo teve o desplante (verdadeiro crime económico e social) de recusar um navio por causa de dois nós de velocidade e de, conscientemente, arruinar uma empresa pública com o objectivo de alugar uns navios na Grécia. A nomeação traz ao bestunto a velha máxima: diz-me com quem andas…

 

 *

Aos maldizentes que têm a mania de chamar nomes ao Costa por ele não ter uma única ideia que o distinga do Seguro (tão oco um como o outro, como diz o IRRITADO), veio o homem atirar à cara com os princípios da sua “Agenda para a Década”. Assim: “valorizar os nossos recursos, o território e a lusofonia”, “modernizar as empresas do Estado”, “investir no futuro: a ciência, a educação e a cultura” e fortalecer a coesão social”. E esta? O Oco I não diria o mesmo, não anda para aí a dizer o mesmo? E o amigo banana, não diria o mesmo?

*

A maior vergonha disto tudo – bem sei que vivemos num país de que a vergonha não é cidadã – é o recente e propagandeado namoro do Costa com o Rio. Rio cai das alturas, isto é, afinal não presta. Costa chafurda em lagos de oportunismo. Dizer mais, para quê?

 

24.7.14

 

António Borges de Carvalho

NOTÍCIAS DO DIA

 

Num só número de um dos jornais socialistas de Lisboa, dito “de referência”, aparecem as seguintes notícias e temas:

 

- Novo filme português: F… e F… interpretam casal gay;

- Daniela e Malu namoram em Amsterdão;

- De férias, Frank apaixona-se por Michel, um homem muito atraente;

- As dificuldades dos transsexuais iranianos.

 

Haverá por aí gente normal de quem falar?

Com tanta propaganda, como é que ainda há quem fale de natalidade?

 

24.7.14

 

ABC

NATALIDADE

 

Esta história da natalidade dá que pensar. Diz-se que Portugal (com ele a Europa Ocidental, ele mais que ela) dentro de duas ou três décadas deixará de ter cidadãos, ou terá menos uns quatro milhões. Pior, diz-se que a maioria dos que por cá ainda houver estará com os pés para a cova, e que os capazes de fazer alguma coisa não chegarão para tratar, ou sustentar, os velhos. Um drama.

O governo, diz ele, vai tentar criar condições fiscais e sociais que estimulem a produção de bebés. Muito bem, dirão as pessoas. Resta, porém, saber se os tostões que se ganharão ou pouparão com tais medidas servem para alguma coisa.

O IRRITADO, que não faz, nem de longe, parte dos novos “demógrafos” (se não for demógrafos é uma coisa do género), atreve-se a dizer sobre o assunto algumas coisas, se calhar asneiras.

A primeira é que a crise pouco tem a ver com a queda da natalidade. Não são os países mais pobres, ou em que as pessoas são mais pobres, os que menos seres humanos produzem. Bem pelo contrário. Mesmo com alta mortalidade infantil, mesmo com fome lá em casa, mesmo sem assistência médica, são os países mais pobres os que mais crescem em termos demográficos. Porquê? Porque as famílias precisam de-mão-de-obra? Porque os processos de limitação da natalidade, entre nós conhecidos por “planeamento familiar”, não estão à mão de tais gentes? Porque as mulheres continuam a ter como principal actividade cuidar das crianças?

Com certeza por todas estas razões, e outras que de momento me não ocorrem. Uma coisa é certa: não há uma relação de causa/efeito entre o status económico das nações e a natalidade ou, se há, é de pernas para o ar, isto é, quanto mais pobres são as pessoas mais filhos têm.

As sociedades mais avançadas, onde proliferam os infantários e as creches - privados, do Estado, dos municípios, das empresas, das misericórdias ou equivalente -, onde as mulheres, até os homens, têm largos períodos de licenças de parto, onde há subsídios de aleitação e licenças para amamentar, onde os sistemas de saúde são mais eficazes, etc., são as que menos filhos têm. Porquê?

Julgo tratar-se de um problema civilizacional. É verdade do amigo banana que tudo neste mundo tem um lado positivo e outro negativo. O que há de positivo na chamada libertação da mulher, no trabalho feminino, nos contraceptivos, no planeamento familiar, na assistência social, no Estado social, tem o seu lado negro na desresponsabilização das pessoas em relação à sociedade, em termos de procriação.

Os casais normais assumem a obrigação de estudar, de trabalhar, de fazer carreira, de contribuir para a estabilidade, sobretudo económica, da sociedade. Mas, entre os seus objectivos de vida não está o de multiplicar a espécie ou, pelo menos, de a manter estável, populacionalmente falando.

Ainda há poucas décadas, os casais sacrificavam quase tudo para dar à sua vida o superior objectivo de ter filhos, de os criar, sustentar, ajudar, dando-lhes o melhor de si e prescindindo por eles de grande parte das suas comodidades e facilidades. Já não é assim. A nova moral pública, o politicamente correcto, os temas que as pessoas são levadas a abraçar (o futuro do planeta, a paixão pela “cultura”, a separação dos lixos, a poupança de água, as solidariedades globais, o consumismo – se não houvesse consumismo não havia produção, nem emprego, nem economia…), não incluem essa coisa tão simples e tão formidavelmente gratificante que é ter filhos e viver principalmente para eles.

Nesta ordem de ideias, não há vantagens fiscais, nem Estado social, nem solidariedades, nem facilidade alguma que inverta a tendência da diminuição da natalidade. O que poderá fazê-lo é uma alteração civilizacional que implica um trabalho de décadas, e a mudança dos grandes temas que nos são vendidos todos os dias, a todos os níveis.

Se as pessoas andam preocupadas com coisa tão estúpidas como o “aquecimento global”, “provocado” pela humanidade (???), com a “morte dos oceanos” por causa dos sacos de plástico, como podem ter a procriação – tão fácil de evitar! – no elenco das suas preocupações?

Mas a humanidade parece entreter-se com patacoadas, em vez de pensar em coisas sérias e justas.

 

20.7.14

 

António Borges de Carvalho

NOTÍCIAS DO PS

 

1. Parece que uma fulana, filiada no PS com as cotas em dia e membro de uma estrutura qualquer, resolveu denunciar um ror de aldrabices, de preparação de chapeladas, de filiados fantasma, de simpatizantes a peso e não sei de quantas mais trivialidades do processo de recenseamento em curso para as aldrabófonas eleições de um candidato a primeiro-ministro (não há candidatos primeiro-ministro no nosso sistema eleitoral!). Em consequência da indecente e por certo anti-“democrática” atitude da filiada, foi a dita prontamente expulsa da agremiação, julga-se que em processo sumário e expedito, sem investigar as acusações nem ouvir a queixosa/acusada.Em respeito pela mais profunda e arreigada moral republicana, a organização dá assim, aos portugueses em geral e aos filiados e simpatizantes em particular, a noção clara dos princípios que a animam.

 

2. O Costa, em mais uma repetição do que diz o Seguro, resolveu abrir a porta a negócios com o PSD. Mas, atenção!, com “outro PSD”. Elogie-se esta súbita abertura democrática, esta generosa cedência aos apelos do PR, esta demonstração de respeito pelo interesse nacional, esta vontade de compromisso. Um verdadeiro patriota, este Costa. Igualzinho ao outro. É claro, que, para que as coisas fiquem claras, o “candidato a primeiro-ministro” põe os pontos nos is. Primeiro, terá o PSD que se dissolver, que criar outro PSD, um PSD que compreenda, aceite e se submeta ao poder soberano do PS. Sem isso, como é natural, o Costa não alinha. Tal como o Seguro. Ficamos a saber que, primeiro, haverá que aceitar o poder imperial do primeiro-ministro do PS, depois se verá.

Há muitos anos, o embaixador da RDA convidou o autor destas linhas para um copo de detestável vinho branco lá na embaixada – um miserável pardieiro do tipo estalinista, ou africano, ali à Fonte Luminosa. Seria uma reunião a dois, sem protocolos nem notícias no jornal. Assim foi. Destinava-se o bate-papo a informar o convidado acerca do sistema político da RDA, sobretudo no que se refere ao respeito nela vigente pelo pluralismo democrático. Esclareceu que tinham por lá um partido democrata-cristão, e até havia liberais a dizer de sua justiça. Era pena, na opinião do tal embaixador, que “o Ocidente” não reconhecesse os escrúpulos democráticos do PC germânico de Leste e as amplas liberdades vigentes na progressiva república. Fiquei esclarecido. Aliás, já estava.

Aqui temos, bem clara, a filosofia que preside ao “pensamento” do Costa e do outro Oco: todos têm direito a existir desde que quem mande seja eu. Na certeza que os tolerarei - se se portarem bem, é bom de ver. Quem imaginaria que, vinte anos depois da morte da RDA, ainda há quem vá buscar o seu republicano exemplo.

 

À atenção do “eleitorado” em vias de fabricação.

 

20.7.14

 

António Borges de Carvalho

VIVA O CRATO!

 

Não haverá em Portugal uma só alma que ainda não tenha percebido que os chamados “professores” jamais aceitarão qualquer espécie de avaliação, seja feita por quem for, quando for e onde for, tenha o conteúdo que tiver, sirva para o que servir.

Eles são “professores” e, como tal, estão acima de tudo e mais alguma coisa. Se alguém os criticar, cuspirão o mais cobarde, o mais reles, o mais cínico de todos os argumentos, mais ou menos assim: “estamos a defender os alunos, o ensino público e a sua ‘qualidade’, as novas gerações, a democracia, a república”. Maior mentira não se pode imaginar. Fingem que não percebem que são joguete (ou gostam de o ser) de uma organização criada para os dominar e os usar como arma de arremesso contra o governo, este ou outro.

 

Ora o Crato trocou-lhes as voltas. Marcou as provas para uma data tão próxima que já lhes não permitia, legalmente, fazer greve. Apanhados em contra mão, os generais do sindicato disseram cobras e lagartos. O xarroco escarrou os mais rebuscados insultos. Agora, anunciam que vão boicotar, criar desordem, borborinho, gritaria, nos locais das avaliações. A porcaria revela-se mais uma vez.

De três coisas podem os portugueses estar certos:

a)      Enquanto houver avaliações haverá bagunça;

b)      Se deixar de haver avaliações, haverá bagunça na mesma;

c)       Basta que o Crato mexa uma palha, seja que palha for, para haver bagunça;

d)      Se não mexer palha nenhuma, bastará que não mexa palha nenhuma para haver bagunça.

Que diabo, o xarroco tem direito ao trabalho, e o seu trabalho é dar largas à trampa ideológico-revolucionária que lhe enche as meninges!

 

A partir daqui, o IRRITADO recomenda ao Crato que se farte desta gente de uma vez por todas, e exerça os poderes que legitimamente tem sem dar satisfações a quem não as merece e só as usa contra ele e contra todos nós.

Se o fizer, viva o Crato!

 

19.7.14

 

António Borges de Carvalho

RES Et VERBA

 

É do conhecimento público que os dois ocos têm opiniões coincidentes. Um tem mais parlapaté que o outro, mas não passa daí. Um diz que vai repor reformas, ordenados, subsídios. O outro vai pela mesma, mais explícita ou mais implicitamente. Ambos se propõem tornar a sociedade mais justa, mais fraterna, mais igual, mais solidária, mais rica, mais culta, mais letrada, mais isto e mais aquilo. Um e outro dizem que vão abrir os cofres e dar por aí dinheiro a todos, acabar com a pobreza, reabrir milhares de escolas, de tribunais, de repartições, mais consultas médicas, intervenções, cirurgias, tudo! Como vão pagar? Pormenor! Ambos vão pôr a “Europa” na ordem. Chegam a Bruxelas, dão dois murros na mesa, e pronto. Aquela malta, a começar pela Merkel e a acabar no Draghi, borra-se de medo, e pronto, é de caras, está resolvido o problema.

Eles mostram como é. Os dois percorrem o país a falar às massas, um dizendo de trás para diante o que o outro diz de diante para trás. Ainda a campanha não foi financiada – o camarada Jorge Coelho ainda anda a fazer contas – e já lá vão rios de dinheiro. Donde vem ele? Ninguém sabe. O Oco 1 é capaz, como chefe do partido, de ter lá uns trocos. Mas, e o Oco 2? Será rico? Não se sabe. O que se sabe é que, ao mesmo tempo que percorre o país a arengar aos papalvos, está sentado no seu cadeirão da Câmara de Lisboa, isto é, não sendo ubíquo, não põe lá os pés mas recebe o ordenado. Será? E os assessores que são da CML e andam com ele em peregrinação, também são pagos pelos munícipes? E os luxos dos palcos, dos slogans, do som, das luzes, dos popós, etc.? Estará o J. Coelho a adiantar uns cobres? Ou virá tudo do saco do costume? Ou vão ficar a dever a toda a gente?

 

Animem-se. No dia-de-são-nunca saberemos a resposta.

17.7.14

 

António Borges de Carvalho

ACIMA DA LEI

 

O IRRITADO é insuspeito de qualquer simpatia por um magistrado sindicalista, Cluny de seu nome.

O homem, nos termos da lei vigente, foi nomeado para um tacho europeu da sua especialidade. Bem ou mal, não interessa. Nos termos da mesma lei, o chamado Conselho Superior do Ministério Público foi chamado a pronunciar-se sobre a existência ou não de algum impedimento legal que obstasse à nomeação do sindicalista magistrado.

Pronunciou-se contra, sem adiantar as razões. Depois, deixou passar para a imprensa que a razão de oposição era a de não concordar com o sistema de nomeação em vigor, o qual não lhes dá a importância que julgam ter na matéria em causa.

Ficamos a saber que, daqui por diante, quando um tipo não gostar de uma lei qualquer está no direito de a não cumprir e que, se for demandado por isso, os magistrados do Ministério Público acharão que fez muito bem. As alternativas são: ou os magistrados acham que são mais que os outros, ou o Estado de Direito passa a república das bananas por douta iniciativa desta gente. A separação de poderes, a própria existência de procuradores do Estado e outros institutos tidos por indispensáveis passam a ser letra morta sempre que não sejam do agrado de suas excelências.

Não se trata de um fait divers. Não se trata do tal Cluny, já que, para a Nação, é indiferente que o homem fique com o tacho ou sem ele. Neste particular, o chumbo até tem a sua piada. Pois não é que cai em cima de um tipo que passava a vida a chatear meio mundo com as suas preleções jurídico-políticas?  

O alcance desta atitude é muito mais grave e profundo que se possa imaginar.

O sistema de justiça é criticado pelas mais diversas razões, muitas vezes com carradas delas. A lei é complicada, o processo ainda mais, as instalações não prestam, a informática não funciona, os advogados são uns canalhas, o governo não pesca nada do assunto, etc.. Os magistrados ficam olimpicamente fora destas críticas. Eles são óptimos, uns heróis, estão acima de tudo. Não assumem qualquer responsabilidade. Maus são, por definição, os outros.

Os fulanos nem sequer percebem que estão, em termos públicos, como todas as sondagens indicam, abaixo de todas as instituições, abaixo, muito abaixo de todos os agentes políticos e administrativos, o que quer dizer que a opinião pública, ao contrário dos magistrados, tem a noção do cancro que a classe é para a sociedade. Isto não lhes interessa, o que lhes interessa são os salários, os prémios, as casas, as instalações, as reivindicações e por aí fora, como se fossem motoristas da Carris ou agulheiros da CP.

Para cúmulo, vêm agora confessar que se consideram acima da lei, quando a lei lhes não agrada.

Descer mais? Inimaginável.

Diz a imprensa que o chumbo do Cluny (ou da lei!) foi aprovado por três votos contra dois e oito abstenções. O mínimo que se exigiria, se houvesse moral pública, era que os três chumbadores, a começar pela PGR, fossem imediatamente corridos da função, os cobardes que se abstiveram suspensos sine die, e os que votaram contra promovidos, um a PGR, outro a presidente do CSMP.

Mas vivemos em Portugal. Quem responsabiliza, quem controla, quem castiga as corporações e os seus generalíssimos? Talvez o Zé do Telhado, não é?

 

17.7.14

 

António Borges de Carvalho

ARTISTAS DO RAP

 

Se eu, hoje, tivesse que eleger o tipo mais desagradável da nossa praça, não tinha dúvidas: votava num grande professor de “correcção”: o inultrapassável, inigualável, fantástico, inimitável e intolerável Boaventura (Sousa Santos), desgraçadamente com presença diária, ou quase, nos jornais, socialistas (haverá outros?) que aparecem cá por casa.

A prática reiterada da asneira intelectual ou académica deste senhor, só igualada pela do Viriato (Soromenho Marques), não tem paralelo no que respeita ao provocar dificilmente reprimíveis irritações.

E daí, imagine-se os complexos que devem assaltar uma pessoa carimbada à nascença com nomes como Viriato ou Boaventura. Tirando esta, não se vê outra desculpa para tantos e tão “superiores” disparates, certamente dados à estampa nos jornais por leninistas apès la lettre, talvez para que se tornem indiscutíveis, como as "verdades" repetidas pelo santinho padroeiro. Será alguma “doença infantil”?

Perguntar-se-á por que carga de água se lembrou o IRRITADO desta gente. A razão próxima foi fornecida pelo Boaventura. O homem, à falta de temas filosófico-sociológicos mais convincentes, resolveu incensar, como uma das mais nobres descobertas da “cultura”, sabem o quê?

O rap:

É sexta-feira,

ié,

quero ir p’rá brincadeira,

mas eu não tenho um tostão,

ié, ié, ié, ié…,

vou com o boiaventura,

ié,

que me tira a secura,

ié,

mesmo que parlapatão,

ão ão ão ão

está cheio de cultura,

vai-me dar um subecídio

ié,

vai sacá-lo ao ministério

ié,

pois então

ão ão ão ão

viva  o são boiaventura

que nos mete na cultura

dá-nos uma sinecura

ié ié ié ié

e fica grata a nação

ão ão ão ão.

 

Pois. O rap reabilitado, ou habilitado por obra e graça deste sócio-esquerdo-cretino, cheio de cátedras e de palermices. Para nos infernizar os dias já nos bastava o Louçã e acólitos, o ministro da ambiente, o Manuel Alegre (horror dos horrores), os 74, a dona Manuela, o professor Moreira (e a filha, raio!), e tantos, tantos outros que se não nomeia para não sujar mais este post.

Para o IRRITADO, o pior de todos é o Boaventura, seguido de perto pelo Viriato.

Disse.

 

5.7.14

 

António Borges de Carvalho   

UM FUTURO BRILHANTE

 

Quem dera ao IRRITADO o génio da “ramalhal figura”! Divertir-se-ia como ele com as tricas políticas do tempo. A proliferação de partidos, de tendências, de grupos rivais, de personalidades cheias da importância própria dos néscios e dos tontos, os Reformadores, os Reforminhos, os Reformófagos, os Reformagogos… um gozo feroz, cáustico, o circo político em todo o esplendor do seu pretensioso ridículo.

 

O que fez vir “As Farpas” à cabeça do IRRITADO? As lutas fratricidas do PS? Com certeza. Eu sou melhor que tu, sai daí que aí vou eu. O que pensas, se é que pensas seja o que for? Eu penso o mesmo que tu, seja o que for, nem mais nem menos, mas eu sou eu e tu és tu, eis a grande diferença, eu sou o Dom João II que “quer o mar que é teu”, tu não passas de um mostrengo, um mostrengo de papelão, meu parvalhão, meu meninó de opereta.

 

Melhor que o PS, o BE, sem dúvida nenhuma. Têm em comum o socialismo e a descida de votos. De resto, o espectáculo do BE é bem mais divertido.

Nasceu dos ultra enverhoxistas da UDP, viva a Albânia!, dos trotskistas da internacional número 4, ou 3, ou 49, ou lá o que é, e dessa coisa impossível que era a simbiose do “socialismo real” com a democracia, imaginada pelo Miguel Portas, coitado, que já lá vai.

Cresceu à custa das vísceras “fracturantes” da moda, abortos, “casamentos” gay, dois pais e duas mães para todos, barrigas de aluguer, filhos sem pai, etc. e tal, o que cheirasse a sexo, normal ou doentio, mesmo que cheirasse mal mas fosse moda, tudo com esmagador apoio da “informação” e dos filósofos de serviço, sempre prontos a apanhar qualquer comboio. Depois, acabada a “nobre cruzada” dos ventres e outras partes, os bloquistas ficaram a ver navios. Já não havia mais temas que estivessem a dar, ficou só o palavreado tipo PC, mas, helas!, o PC é o dono do palavreado, o BE já não é preciso. Uma chatice.

Este horrível vazio começou a fazer os seus efeitos. O Louçã, antes que a coisa começasse a adornar, deu convenientemente à sola. Em testamento, deixou a desagradável rapariguinha, oriunda de vários palcos, e o velho médico, nascido nas entranhas do PC. Mas já não havia nada a fazer. O Louçã, um espertalhão, mudou-se para a SIC, que lhe dá poleiro e não paga mal. Arranjou uns tipos para escrever com ele um livro de receitas que, aplicadas a preceito, dariam cabo do que para aí ainda resta e punham a malta a pão e água, mas teriam o fantástico resultado de implantar o socialismo propriamente dito, isto é, a verdadeira igualdade da miséria para todos – excepto os do partido, como é lógico e está provado.

É aqui que o Ramalho faz mais falta.

A camarada Drago (coitados dos Dragos, que são boa gente) deu às de Vila Diogo, isto é, segundo uns saiu da agremiação, segundo outros estará a “preparar a saída”. Entretanto, criou uma nova trupe a que deu, o nome herdado de Fórum (sic, com acento e tudo!) Manifesto. Prepara-se para se manifestar, ainda não se sabe como, mas não interessa, é pormenor. Para já, fez uma assembleia geral que, calcula o IRRITADO, discutiu interessantíssimas matérias.

Vai daí, o camarada Tecido, perdão, Fazenda, ansioso por colaborar no renascimento dos têxteis, decidiu criar a “Esquerda Alternativa” e já lá meteu o careca do Grupo Parlamentar, uma tal Aiveca (raio de nome) e mais dois ou três. Mas, coitado do Têxtil, já anda a braços com uma cisão nas suas novas hostes. Ainda de mama mas já divididas, calcule-se. Deve tratar-se de uma "fractura”, se calhar o Fazenda é marxista-leninista e os outros leninistas-marxistas. Uma questão difícil de digerir. Segundo os jornais “até já há quem fale de duas UDP”.

No meio disto tudo, agiganta-se a corrente “Socialismo”, quem sabe se maoista, se bolchevista, se bernsteiniana, se trotskista, se o diabo a quatro, ou que os carregue.

 

E ainda há quem diga que os comunistas não são pluralistas. Para já, anda tudo à cacetada dentro da carrinha. Daqui a uns tempos, chega um táxi. Mais adiante, talvez um triciclo.

 

O camarada Jerónimo gradece.

 

13.7.14

 

António Borges de Carvalho

VALE TUDO, OU A REPÚBLICA E A NAÇÃO

 

Como é do conhecimento geral, em termos constitucionais, Portugal é uma república, não uma nação. O que parece implicar que o que ficou para trás de 1910 seria outra coisa que não Portugal. É claro que, lá mais para diante do tristemente célebre texto constitucional, aparece a bandeira da República, a que chama “nacional”, bem como o hino da República, com o mesmo epíteto. Quer dizer, o adjectivo “nacional” surge ex-nihilo, já que, em termos de definição do que Portugal é, não existe com esse nome qualquer nação: só uma república.

Há uma certa lógica, ou uma lógica jacobina, nestes conceitos constitucionais: não havendo nação, é lógico que se tenha adoptado, como símbolos “nacionais”, os da República.

 

O IRRITADO, como é evidente, não é admirador da bandeira que se usa como “nacional”. Num país que, durante mais de setecentos anos, teve como cores nacionais o branco ou o azul e o branco, é pelo menos absurdo que as tivessem mudado, ainda por cima utilizando as cores de uma organização terrorista que foi o braço armado da desgraça republicana que nos caiu em cima. Não chegava tirar a coroa à Bandeira Nacional?

Apesar disto, não cabe na cabeça do IRRITADO faltar ao respeito à bandeira da República.

 

Vem arenga a propósito da absolvição de um “artista” que resolveu enforcar a bandeira da República e que foi, por decisão judicial, inocentado do crime de o ter feito. Ficamos a saber que, desde que se trate de “arte”, é legítimo pôr a bandeira da República dentro de um penico, ou cantar o hino com uma letra pornográfica. Os tribunais lá estarão, competentíssimos, a julgar o quem é “arte” e o que é ofensa.

 

Aqui há tempos, um díscolo qualquer que insultou o Presidente da República foi, outrossim, absolvido pela “Justiça”, em estranhíssima interpretação do Código Penal. E se o Presidente fosse do PS, interpretar-se-ia da mesma forma? Fica a dúvida.

 

Hoje, ficámos a saber que não havia provas “judiciais” que pudessem determinar quaisquer culpas da monumental bagunça e do insulto à instituição parlamentar que foi a manifestação dos polícias e afins. Não houve quem não visse as provas do crime, na televisão e nos jornais. Mas, para os distintos procuradores, não houve qualquer prova, nem arguidos possíveis! Nem os chefes sindicais daquela malta? E se a maioria fosse do PS, a decisão seria a mesma? Fica mais esta dúvida.

 

Alguma coisa fica provada: vale tudo.

A República nem os seus símbolos respeita. Como havia de respeitar a Nação?

 

8.7.14

 

António Borges de Carvalho   

UMA PENA

 

Aqui louvámos a iniciativa do Prof. Crato de começar um processo de municipalização dos ensinos primário e secundário. Uma das razões para tal era a de retirar os professores da alçada do Estado central, colocando-os sob uma “vigilância” mais próxima, o que, como era de calcular, pôs o PC, a CGTP e quejandos em polvorosa.

 

Ora o ministro veio agora esclarecer o assunto. Que não, não está em causa que os professores deixem de pertencer ao Estado, de ser pagos pelo Estado, de ser selecionados pelo Estado, etc. Se assim é, que farão os municípios? A limpeza das escolas? Não se sabe. O que se sabe é que tudo não passou de um fogacho. É pena.

 

8.7.14

 

António Borges de Carvalho   

DELGADO DOMINGOS II

 

O IRRITADO chamou, ontem, a atenção dos seus leitores para a falta de respeito que é elogiar o falecido por causa da sua passada oposição à energia nuclear, omitindo a sua negação da culpabilidade do homem naquilo a que chamam “alterações climáticas”- como fez o senhor Pimenta.

Hoje, a horrorosa cabeça do horroroso Viriato Soromenho Marques repete a graça.

Felizmente, aquele profissional da contestação que é chefe de uma organização chamada Quercus, teve a honestidade de falar no assunto. O IRRITADO tira-lhe o chapéu. Haja alguém que respeite a memória de Delgado Domingos, apesar da incorrecção política de algumas das suas teses e ideias.

 

8.7.14

 

António Borges de Carvalho   

MORREU DELGADO DOMINGOS

 

Com altos dizeres, o senhor Pimenta, mestre escola do ministro do ambiente e poderoso industrial de moinhos de vento, veio curvar-se perante a memória do Prof. Engº. Delgado Domingos , ontem falecido.

Do currículo do finado, o senhor Pimenta destaca a sua luta contra a energia nuclear. É verdade, e é bom que se destaque. Só é pena que não se acrescente que, há para aí dez anos, o ilustre Professor deixou de falar no assunto. Não sei o que tal significa, mas deve significar alguma coisa.

Mais do que as lutas internas contra o nuclear, hoje praticamente inofensivo, Domingos tinha fama internacional por motivos bem diferentes. É que, imaginem o senhor Pimenta e o ministro do ambiente, era conhecido por negar, com argumentos de grande peso científico, que a humanidade fosse a culpada das alterações climáticas ou, por palavras menos correctas, “pelo aquecimento global”. É citado em inúmeros trabalhos, em muitas revistas científicas, como feroz adversário de tal teoria, que considerava errada e abusiva.

Mas este facto não merece menção aos pimentas da nossa praça. Não interessa o que o homem defendia ou condenava, a não ser quando convém aos moinhos de vento, ao comércio de CO2 e a outras artes mágicas destinadas a sacar uns tostões ao pessoal, sempre, é claro, sob a capa da “salvação do planeta”, astro que se está nas tintas, como é evidente, para as teorias catastrofistas da moda e do politicamente correcto.

 

Pequena homenagem do IRRITADO a um cientista com espinha.

 

7.7.14

 

António Borges de Carvalho

BES

As diversas organizações de camaradas por aí vicejantes reagiram à triste história do BES da forma habitual: aproveitaram para cair em cima do governo, como se o governo tivesse alguma coisa a ver com o assunto.

Os camaradas Jerónimo e os do casalinho do BE, acharam muito mal que o governo não tivesse nacionalizado o banco. Era uma oportunidade de ouro para o pôr nas mãos do governo, não só por razões ideológicas como por poderem, a seguir, dizer ainda mais cobras e lagartos do dito.

No tempo do Pinto de Sousa era diferente! Nacionalizava-se, depois logo se via. A nova “gestão” pública contabilizava os buracos e fazia-nos pagá-los. Prático, inteligente e eficaz. Quando tal sucedeu com o BPN, os camaradas não criticaram a ruinosa decisão – era uma decisão socialista! -, só o que se lhe seguiu. Pelos vistos, a culpa nunca é da ideologia, que essa é infalível. O pior são os governos “de direita”, destinados a ser criticados por tudo e pelo seu contrário.

Desta feita, os outros camaradas, os do PS, talvez porque não houvesse buracos para tapar, não se atreveram a exigir o remédio que, com tanta prontidão, tinham aplicado ao BPN. A inteligência dos Ocos dá que pensar.

A artilharia generalizada veio depois, quando se soube que os primos, em lamentável e estúpida compita, foram, ou vão ser, substituídos por dois indiscutíveis e competentíssimos técnicos. Porquê? Porque um não é contra o governo e outro trabalha na função pública com assinalável sucesso, por nomeação do governo. Nem um nem outro são militantes políticos, ainda que tenham opiniões. O que não impede os camaradas de lhes chamar os nomes do costume.

Os Ocos devem estar a ver-se ao espelho, a julgar que esta história tem alguma coisa a ver com as trafulhices políticas de que o BCP foi vítima no tempo deles.

É legítimo pensar que, na opinião dos Ocos, os nomeados deviam ser, por exemplo, o Cravinho, um tipo que, a mando do Pinto de Sousa, andou por um banco em Londres sem jamais ter lá feito fosse o que fosse e que, no antigamente, era conhecido e apreciado membro do staf técnico de Marcelo Caetano - sem ter, helas!, chegado a secretário de Estado -, e, por exemplo um tal Brilhante que não brilha nada, conhecido por debitar as maiores bojardas com um ar importantíssimo. Com homens desta qualidade, é evidente que os destinos do BES ficariam em boas mãos, as de impecáveis “independentes”, diriam os cérebros privilegiados do PS.

Não se percebe lá muito bem a nomeação do Mota Pinto para Chairman. Mas, que diabo, se sai ao pai, é, de certeza, pessoa séria. O que dificilmente aconteceria se lá pusessem, por exemplo, o Jorge Coelho, não é?

*

Parece que, felizmente, o banco, enquanto tal, não tem problemas de maior. As birras dos primos têm a ver com outras guerras, de outras paragens. Se a buracaria que por lá arranjaram ficar por lá, que se desunhem.

 

Que nada nos caia em cima, são os votos do IRRITADO.

 

7.7.14

 

 António Borges de Carvalho

ENÉRGICOS CERTIFICADOS

 

A fúria eco-sacadora da modernidade tem coisas que talvez o Pinto de Sousa, ou o jovem fundamentalista que é agora ministro do ambiente fossem capazes de explicar, mas que escapam ao entendimento do ignaro cidadão comum.

Uma das muitas inflorescências de tal fúria é a história do “certificado energético”. O cidadão não pode mexer uma palha sem o tal certificado: nem comprar, nem vender, nem alugar, nem fazer obras, nada sem ter na mão o tal certificado. É coagido a contactar uma organização qualquer que esteja, ela mesmo, certificada para o efeito. Na linguagem oficial, a este dictat chama-se “pedido”, quer dizer, gostosamente, o cidadão “pede” que lhe passem um papel que é obrigado a “pedir”.

Feito o pedido, aparece-lhe um tipo, normalmente um “engenheiro”, com um computador na mão. Em cinco minutos, o tipo “examina” o local, carrega nuns botões e, ó tecnologia!, tira da maquineta um papel cheio de risquinhos com as cores do arco da velha, e pronto. Você, felicíssimo, passa a ter o almejado certificado. Para que serve? Para tudo, menos para ter alguma coisa a ver, seja com os seus interesses, seja com a energia. Esta surge quando o dito “engenheiro” saca do equipamento uma factura que, para um andarzeco de xaxa, anda à volta dos 250 euros, a pagar e não piar ali mesmo, sob pena de ficar sem o precioso papel. A burocracite nacional agradece, e você vai poder instruir com o tal papel todo e qualquer processo que tenha a ver com o andarzeco , coisa que não percebe nem quer perceber.

 

O papel, para além de ter que se juntar a outros papéis, não serve para nada. Haverá por isso que procurar a razão última pela qual você não pode deixar de fazer o tal “pedido”, e pagá-lo, como é óbvio. O “engenheiro”, coitado, fartou-se de trabalhar, não é? Tudo para seu descanso, segurança administrativa e incontida felicidade, como é óbvio.

 

Segundo a “agência” que trata destes assuntos, só nos primeiros três meses deste ano, foram “pedidos”, e passados, 26.200 papéis. Fazendo a conta, por defeito, a uma média de 250 euros por papel, teremos 6.550.000 euros. Se atentarmos a mais informações da tal agência, teremos que, de Junho de 2007 (altura em que o negócio começou) até Março deste ano, foram contabilizados cerca de 663.000 papéis, o que quer dizer que os “engenheiros” e a “agência” forraram 170.750.000 euros, todos saídos do seu bolso e de mais uns milhões de pacóvios.

Dirão a agência, o Pinto de Sousa e o ministro do ambiente, que você demonstrou, ao pedir o papel, elevada “consciência ecológica”, seja lá isso o que for. Uma coisa é, de certeza: uma maneira de sacar uns milhões, a benefício dos ideólogos destas matérias, em Lisboa e em Bruxelas.

 

Lá que seja preciso pagar o molho de bróculos em que estamos metidos, vá. Lá que haja mais impostos e menos ordenados e reformas, paciência. Mas que se criem agências destinadas a sacar massa para coisa nenhuma – para além da consolação da burocracia –, isso não. Já chega o que já chega.

 

6.7.14

 

António Borges de Carvalho

FRASES DA SEMANA

 

Talvez o professor Marcelo seja quem tem melhores condições para disputar as eleições presidenciais representando o espaço do centro e da direita democrática”.

António Pires de Lima

Pois. Sobretudo para perder as ditas eleições. E é bem feita, pelo menos para estes papagaios do CDS.

 

Nestes três anos, o senhor Primeiro-Ministro destruiu três gerações, a dos avós, a dos pais e a dos filhos”.

António José Seguro

O Oco esqueceu-se de uma coisa: os netos. Se os tivesse acrescentado, e tivesse dito que quem destruiu tudo foi o PS nos seis anos anteriores (sem contar com os gloriosos tempos do Guterres), teria dito a verdade toda. Assim, mais uma vez só disse asneiras.

 

Quem recebe um desafio para uma boa batalha política interna e não o vê como uma prenda para se afirmar, ou não é um líder ou é um medroso”.

António Campos

Quem será o medroso, ou merdoso? O Oco I ou o Oco II, o Seguro ou o Costa? A solução é os dois, dirá a sabedoria popular.

 

O país investiu imensos recursos em políticas de combate ao trabalho infantil. E agora estamos a mascarar o trabalho infantil com um ensino supostamente vocacional? Desde quando é que as empresas têm vocação de ensinar?

Maria de Lurdes Rodrigues

Em que catacumbas de pensamento vicejará a senhora? Se ela não fosse tida por inteligente, diria que vinha da universidade de Cacilhas. Sendo-o, destila rancor a tudo  que mexe.

 

“Fiquei estarrecido. Parece ficção”

Carlos do Carmo

Tem toda a razão, este laureado. O IRRITADO concorda. Também ficou, pelo menos, estarrecido. Não é ficção, é estupidez.

 

“Retiraram a poesia da minha mãe dos currículos escolares para lá colocarem poetas menores. Há uma tentativa subterrânea para a obliterarem”.

Maria Andresen

Pois é, minha rica senhora. Era preciso pôr lá o Saramago e mais uma data de chatos que nem português sabem. Onde caberia quem não é chato e domina a língua como a sua Mãe dominou?. Não tem nada de subterrâneo, é assim mesmo. É do que a casa gasta.

 

Então vocês são cristãos”.

Papa Francisco, dirigindo-se aos comunistas 

No melhor pano cai a nódoa.

 

6.7.14

 

António Borges de Carvalho

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