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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

A GRANDE MACACADA

 

Passada a espuma do “primeiro dia” da “grande vitória do PS” no seu glorioso caminho para o poder, eleito que está o “primeiro-ministro” do futuro, consagrado que se considera o “princípio” da eleição directa por eleitorados ad hoc, triunfante a ideia de que o cargo em causa é electivo – e é propriedade do PS -, aceite que foi como positivo um primeiro caso de participação política de cidadãos voluntários, haverá que pôr os pezinhos no chão e tentar ver o que se passou de importante.

 

Quando se viu o Oco II atirar um cravo ao povo, a propaganda imediata disse tratar-se de uma resposta a um sketch qualquer da campanha do Oco I. Espíritos mais sagazes, ou mais mal intencionados, como o do IRRITADO, ao ver a cena, lembraram-se do ataque paranoico do tarado Vasco Gonçalves, em Almada, a atirar cravos à matilha. Ou seja, o cravo do Oco II foi o primeiro sinal de “mudança”, com um sentido preciso e inequívoco, logo sublinhado pela profusão de murros no ar por parte da tralha ululante.  No palco, e nas primeiras filas, uma profusão de gente que se julgaria condenada pelo povo ao caixote dos dejetos da política mas que, afinal, vê no Oco II a hipótese de voltar a ter poder para – é mais que certo – nos levar a uma nova bancarrota.

 

Já que ninguém duvida que houve uma escolha de pessoas, não de ideias - coisa que, está provado à saciedade, não existe, nem na cabeça de um nem na do outro -, é de olhar para tais pessoas. O Oco I foi levado por duas vezes ao topo da agremiação por decisões legítimas, legais e estatutárias. Enfrentou os adversários de forma decente e limpa. O outro fugiu cobardemente, duas vezes, quando teve oportunidade de avançar. Deixou passar a água por baixo das pontes, auscultou “as massas” e, de forma pelo menos sacana, avançou. Ao que Oco I respondeu com a coragem que o desafio não merecia. Talvez sem saber que estava a cavar a sua pópria sepultura, deu o peito às balas: criou um sistema, certamente inconstitucional, ilegal e extra estatutário – quem de direito fechou os olhos à coisa -, mas frontal. Não fugiu, como era hábito do inimigo. Se alguma coisa se deve ao Oco I, é esse exemplo.

 

Tudo começou com uma carroceirada do Oco II. Se acharem “carroceirada” muito forte, atentem no discurso de “posse”: que outra classificação é possível?

 

Apesar da vacuidade das “propostas” políticas de um e de outro, estamos perante gente de carácter oposto: um é decente, o outro não. Mas parece que o “eleitorado” estava mais interessado no paleio de um que na decência do outro.

 

O Oco II entra, assim, pela porta do lixo. A corroborar esta opinião está o abandono da CML, que prometeu “servir” até ao fim. Paradoxalmente, haverá quem pense que talvez saia daí alguma coisa de positivo, sendo a coisa um tal Medina (áulico do Pinto de Sousa, como não podia deixar de ser) que, vindo do Porto, desceu à cidade pela mão do chefe. O IRRITADO não sabe se o Medina presta para alguma coisa. Sair o Oco II, seja de onde for, é sempre bom. A sua obra em Lisboa está à vista, só que, em termos de vida dos lisboetas, é difícil de ver qual seja: os grandes problemas continuam por resolver, a CML continua pasto da hedionda burocracia que a pulula, nada de substancial mudou, mesmo que a propaganda diga o contrário. As obras prometidas estão por fazer, a feira Popular e o Parque Mayer continuam a ser palco para as aventuras jurídicas desse flagelo que se abateu sobre a cidade chamado Fernandes. Os passeios continuam a partir tornozelos, as ruas a rebentar pneus, as piscinas são letra morta e, se tirarmos a Ribeira das Naus, que resta? De positivo, haverá o que vinha de trás. Mas o currículo do edil do Intendente é brilhante, diz a recorrente propaganda, e não há nada a fazer.

 

Tem o mundo da “informação” aos pés: veja-se a cobertura que teve, antes, durante e depois do acontecimento. Botas bem lambidas, como o “futuro” impõe.

 

Last but not least, assitimos ao glorioso regresso dos filhos da viúva, ditos maçons. É ver o apoio macisso da brigada do reumático e da do Pinto de Sousa.

 

Enfim, até daqui a um ano muita coisa acontecerá. Pode ser que haja quem entenda.

 

30.9.14

 

António Borges de Carvalho   

FUTUROLOGIA

 

Lisboa, 28 de Setembro de 2015

 

Do jornal “Política às Pazadas” expurgamos seguinte artigo:

 

No seguimento dos resultados eleitorais, e nos termos da Constituição da República, o PR deu ontem início às consultas para a formação do novo governo. Recebeu o PC, o CDS-PP e o PSD. O BE, como se sabe, não obteve representação parlamentar.

Esta manhã foi recebido o PS que, como se sabe, venceu eleições com 28,9% dos votos dos portugueses. Integravam a delegação o secretário geral António Costa, o presidente do partido Carlos César, o representante da tendência geronto-socrítica Mário Soares e a presidente do grupo parlamentar, Ana Catarina Mendes.

 

A nossa jornalista Gertrudes Palimpsesta conseguiu esconder-se atrás dos cortinados do gabinete de Sua Excelência e dá-nos conta das partes mais importantes do diálogo travado, em que o PR, mais uma vez, fez uso da sua habitual postura institucional.

Após os cumprimentos formais, o Presidente felicitou o partido pela vitória obtida, o que os presentes muito agradeceram. Quanto ao assunto em agenda, o senhor César disse que, tendo em atenção os resultados eleitorais, o PS vinha solicitar de Sua Excelência a indigitação do Dr. Costa para Primeiro-Ministro, no seguimento também da sua eleição como candidato ao lugar, feita por militantes e simpatizantes.

O PR respondeu que as suas decisões tinham a ver com a Constituição, não com eleições internas dos partidos, e que a indigitação do Primeiro-Ministro era da sua competência, não de quaisquer militantes ou simpatizantes, isto é, que, desde que tendo em consideração os resultados das legislativas, era preciso que, ele sim, simpatizasse com a personalidade a indigitar, no sentido de achar que era a melhor escolha para o cargo.

Os elementos da delegação ouviram estas palavras com a boca aberta de espanto. O senhor César embatucou, eventualmente por falta de conhecimentos jurídicos para contradizer o PR. O Dr. Soares mexeu-se pesadamente no cadeirão, notando-se bagas de suor a surgir-lhe na testa e uma ligeira baba a dealbar nos cantos da boca.

António Costa veio em socorro dos presentes, dizendo que o PR teria, de um ponto de vista formal, toda a razão, mas que a decisão era política e que era tradicional o PR aceitar indigitar o chefe do partido mais votado.

O Presidente respondeu mais ou menos por estas palavras: meus senhores, gostaria de sublinhar que, nem a Constituição, nem a Lei eleitoral, nem lei nenhuma consagra candidaturas a primeiro-ministro, nem, no que lhes diz respeito, o fazem os estatutos do vosso partido, que tive o cuidado de mandar analisar. Tratando-se, como se trata, de uma alteração estatutária, estas eleições, ditas “primárias”, não podiam deixar de ser objecto de uma decisão do Congresso, segundo tais estatutos. Por conseguinte, foram eleições inconstitucionais, ilegais e sem, sequer, cobertura estatutária. Inválidas, portanto. Não peçam ao Presidente da República que cooneste processos desta natureza, indigitando um candidato partidário a um cargo para o qual não há nem pode haver candidatos e, se houvesse, seria, como tal, eleito pelo povo, não por um qualquer grupo de militantes ou aderentes.

Soares regougou: Você não passa de um gajo da direita, um incompetente, um canalha, um adepto do capitalismo de casino… Incapaz de se conter, levantou-se com esforço e declarou que o Presidente devia ser demitido, torturado, encarcerado, morto. Sentou-se então, a arfar, num estertor da mais profunda raiva.

O Presidente, discretamente, premiu um botão. Apareceu o adido militar. Julgo ter ouvido o segredinho que o PR lhe disse: tenha a postos a GNR e uma ambulância do INEM com assistência psiquiátrica.

Costa, sempre contido, declarou em voz melíflua que, mais uma vez, o PR tinha toda a razão mas que, atendendo aos resultados eleitorais, é da praxe constitucional que seja indigitado o líder do partido vencedor.

Pois é, mas deixe-me fazer duas observações: primeiro, praxes são praxes, não obrigam a coisa nenhuma; segundo, se eu o indigitasse, pareceria que as instituições estavam ao serviço de eleitorados inventados, ou criados ad-hoc, o que, como deve calcular, não é desejável em termos de dignidade republicana… E acrescentou:ão gostei, de um ponto de vista moral, da maneira como o senhor se apresentou contra o legítimo líder do seu partido, o que representa um estofo pessoal que não é do meu agrado.

Rematando: dado o teor deste contacto, que muito agradeço, peço-lhes que vão pensar e que, dentro de 48 horas, voltem à minha presença com a solução que tiverem por bem.

 

O comunicado oficial diz apenas que, após troca de impressões, foi agendada nova reunião para daqui a dois dias.

 

O nosso jornal, tendo “assistido” a tudo, e dando a notícia em primeira mão, procurou informar-se. A primeira personalidade que ouvimos foi o proclamado “pai” da Constituição, Doutor Miranda, o qual começou por se recusar ao diálogo. Instado, acabou por, à contre coeur, aceder ao pedido. É notório, disse, que o PR se serviu dos formalismos legais e constitucionais para exprimir o seu desagrado pela indigitação de Costa, mas a verdade é que tem razão. Eventualmente, cederá à pressão do PS e da opinião pública, o que não “legaliza” a eleição do chamado candidato a PM. Trata-se de uma situação de facto, e não de jure. Às vezes, manda o bom senso que se atenda aos factos…

E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Percebemos a mensagem… a ver vamos o que se passa depois de amanhã.

 

Gertrudes Palimpsesta, assessorada pelo chefe de Redacção.

 

 Secção de inteligence do IRRITADO

INVESTIGAÇÃO URGENTE

 

A cadela da minha vizinha apareceu aqui esta manhã. Vinha contar-me que o Dr. Passos Coelho, em 22 de Julho de 1998, foi ao Porto e almoçou no Escondidinho.

Francamente, acho que este assunto devia ser esclarecido quanto antes, dada a sua esmagadora importância. Se a dona PGR não quiser interessar-se, acho que devia ser, com a maior urgência, criada uma comissão de inquérito para esclarecer o assunto. O velho e a miúda do BE, assessorados pelo Jerónimo e pelo Galamba, podiam ser encarregados de elaborar o caderno de encargos da dita comissão, o qual se subordinaria às seguintes questões:

- Porque foi ele ao Porto?

- Qual o meio de transporte? Avião, comboio, viatura privada?

- Apresentou o bilhete, ou cobrou quilómetros?

- Com quem almoçou e porquê?

- Usou os serviços do WC do restaurante?

- Bebeu vinho, água com gás ou outra bebida?

- Quanto custou o almoço?

- E porquê o Escondidinho??

- Porque não levou de casa uma sandocha e dois pastéis de bacalhau?

- Qual o montante envolvido?

- Pagou o IVA?

Estas e muitas outras importantíssimas questões deveriam já ter sido esclarecidas, a bem da democracia, da dívida pública, da estabilidade política e da transparência.

 

Prestando à Pátria altos serviços, os jornais desta manhã são unânimes: o PM não disse quanto custou a coisa, nem porque foi ao Porto em 22 de Julho de 1998. Este tipo de perguntas é o que mais dignifica  a nobre missão dos jornalistas, não é? Perguntem ao Belmiro.

 

27.9.14

 

IRRITADO

DESTA FEITA, A MONTANHA NEM UM RATO PARIU

 

Hoje, o jornal ultra socialista chamado “Público” apresentou a mais garrafal manchete da sua história: “A resposta que falta é sim ou não”. Três linhas monumentais: a cereja em cima do repugnante bolo que vinha cozinhando há que tempos, feito da mais rasca politiquice, dita “investigação jornalística”.

A degradação moral do pasquim a que o senhor Belmiro, inexplicavelmente, continua a dar cobertura institucional e financeira é de tal ordem que, também hoje, é publicado como “artigo de opinião” um manifesto assinado por uma alcateia de representantes da nacional esquerdofilia, mormente da classe caviar.

Enfim, parece que a coisa chegou ao fim. O PM disse o que tinha a dizer, e acabou-se. Acabou-se para as pessoas normais, não para os ocos ou para a coorte de facínoras políticos de que o “Público” é público porta-voz. O camarada Oco I parece que quer continuar a chafurdar. Pois que chafurde. Estará no seu habitat.

O Oco II é mais esperto, como toda a gente já percebeu. Ordinário mas esperto. Calou-se, não fosse alguém perguntar-lhe onde tinha, como áulico do Pinto de Sousa, ido buscar a moral para se atirar nos braços da pessegada que o “Público” e quejandos encenaram.

Já o “Expresso”, que começou por achar que a coisa valia a pena para se fazer ao poder “do futuro”, acabou por cortar as unhas e recolher a quartéis. Foi lindo ver o mano Costa a defender, avant la lettre, a tese das despesas de representação!

Enfim, parece que o balão furou. Não faltará quem se desunhe para o encher outra vez. O problema é que, quando os balões furam, além de fôlego é preciso muita cola.

 

26.9.14

 

António Borges de Carvalho  

DO REGRESSO DOS BUFOS

 

Nos tempos da II República, se eu não gostasse do vizinho do 6º esquerdo, tinha à disposição um instrumento “jurídico-legal” que me permitia dar-lhe cabo da vida: fazia uma denúncia à PIDE, dizia que o tipo andava mancomunado com forças anti-patrióticas, incompatíveis com o o “a bem da Nação”, e pronto. O fulano ia de cana, davam-lhe uma sova, punham-no três dias em pé sem dormir e, passadas umas três semanas, vinha cá para fora feito num oito, sem sequer ter percebido porque tinha ido dentro. Havia também uns fulanos que se metiam em certas organizações não afectas ao regime, a fim de ir à PIDE dar com a boca no trombone. Há quem diga que o PC, nesta matéria, era especializado, não fosse haver alguma golpada “burguesa”, a qual o proletariado não tinha “condições objectivas” para apropriar. Está escrito no “Avante!” da época. A bufaria, de uma forma ou de outra, estava institucionalizada.

Passados quarenta anos da instauração da nossa gloriosa III República, jacobina e socialista, os bufos voltam à carga, sob a jurídico-legal figura do denunciante anónimo. Qualquer mânfio é, não só livre de, anonimamente, acusar seja quem for das maiores tropelias, como verá a sua denúncia utilizada pelas autoridades da III República, jacobina e socialista, para dar cabo da vida ao tipo do 6º esquerdo.

 

É assim que toda a gente sabe que o PM recebeu, de uma coisa qualquer, sem declarar ao fisco, 5.000 euros por mês durante não sei quantos meses. Isto é já verdade, ainda que o bufo – protegido pelas autoridades democráticas – tenha apresentado as coisas a seco, sem provas ou documentos. Em termos republicanos e socialistas, quem faz fé é o bufo.

É bom que vejam que o IRRITADO diz estas bojardas antes do debate de amanhã, onde se supõe que o PM fale do assunto. Seja verdade ou mentira o que o bufo diz – é às bocas do bufo que tudo se deve – o “acusado” está frito. Suponhamos que a denúncia é provada como verdadeira: neste caso, entramos em crise, o PM tem que se ir embora, e viremos a ter a desgraça de ficar nas mãos, seja do OcoI, seja do Oco II. Mas, se nada se provar, o PM  ficará queimado na mesma.

O que o IRRITADO põe em causa – porque não sabe – não é se o PM fez asneira ou não: é que qualquer bufo tenha o “direito” de dizer o que lhe apetece, verdade ou mentira, sem dar a cara pelo que diz. E, pior ainda, que a máquina judicial e a barulheira política se ponham em actividade por causa disso.

Enfim, se calhar este anti bufismo vem de um tipo que viveu os tempos da II República e ainda tem ódio aos bufos. Coisa que a III aboliu, sabe Deus – e o IRRITADO - em nome de quê.

 

 

26.9.14

 

 

António Borges de Carvalho

SAÚDE PARA O POVO

 

Anda para aí um barulho dos diabos com a história da venda da Espírito Santo Saúde. Parece que a coisa é galinha da perna para os investidores especializados. Até aqui tudo bem.

Apareceram uns mexicanos, gente do melhor segundo a ilustre doutora Isabel Vaz – os tipos, dizem os jornais, garantiram-lhe o poleiro. Vai daí, desata a gritar que a concorrência (os Mellos) tem dificuldades financeiras, que se corre o risco de não haver concorrência, e não sei mais quê. Facto é que conseguiu arrumar com os ditos por via burocrática.

Venham os mexicanos, o Speedy Gonzalez, os chinocas! Qualquer hipótese é de pôr de lado, se não garantir a presença da chefe!

 

 26.9.14

 

António Borges de Carvalho

TRATAR DOS DOENTES

 

É com o coração cheio de ternura que o IRRITADO vê, na televisão, uma série de fulanos e fulanas, deitados no chão, cheios de gritos e de cartazes, à porta do ministério da saúde. Os deitados mais os em pé garantiam uma multidão de trezentas pessoas.

Eram enfermeiros, coitados. Estão assoberbados de trabalho, não querem trabalhar tanto. Mais uns 2.500 resolviam o problema deles. É legítimo, trabalhar faz calos, raio! Estes 300 tiveram tempo para ir deitar-se na rua em dia de trabalho. Um bom exemplo. Parece que o trabalho, afinal, não era tanto como isso.

 

26.9.14

 

António Borges de Carvalho

QUE LINDOS!

 

Os dois de fatinho azul, camisa branca (uma mais foncée que a outra), gravatinha vermelha como a que usava o orago Pinto de Sousa nos bons tempos, tudo nos conformes, unha tratada, barbeiro à entrada, postura afinada, um consolo!

Dizer coisas que valesse a pena ouvir, não disseram. Nem um nem outro sabe o que há-de fazer a isto, mas paleio não lhes falta: essa é que é essa. Um tem oitenta medidas mais menos deputados. Outro tem uma agenda. Ambos querem relançar a economia, baixar os impostos, pagar as dívidas, defender o estado social, aumentar as reformas, renegociar com o BE, a UE, o FMI e outras instâncias que andam para aí a chatear. Como? Não dizem. Fica para depois. As medidas de um são como a agenda do outro. Puro blabla.

 

Não se gramam. Tão oco o Oco I como o Oco II. Se há diferença, é a favor do I, que foi eleito e é legítimo. O II quer o poleiro, foi ordinário, malandrão, traiçoeiro; pode ser tudo menos um tipo decente. O I talvez seja. Primeiro-ministro um deles... que mais nos há-de acontecer?

O processo que o I inventou para ganhar tempo e desgastar o II, é de estalo: eleger um tipo para um cargo que, se vier a ficar à disposição da agremiação, não será eleito, nem nada obrigará a que seja nomeado: não há, nem na Constituição nem na lei, candidatos a primeiro-ministro. Nada há que dê cobertura a esta trapalhice. Nada não: dá-lha o Tribunal Constitucional que, expressamente, fecha os carinhosos olhinhos. Imaginem o que sucederia se a coisa se passasse no CDS ou no PSD; seria, como é evidente, altamente ofensiva dos mais elementares “princípios” constitucionais.

 

O processo é capaz de estalar na boca do seu inventor. Arranjou uma data de eleitores ad hoc, gente que não controla como controlaria a massa associativa. Uma espécie de lotaria viciada, sem segundos prémios nem terminações.

 

O IRRITADO não aposta, mas opina: antes o I. Porquê? Imaginem que apanhávamos outra vez com o Santos Silva, o Silva Pereira, o Campos, a tralha do sótão do Pinto de Sousa de novo no galarim, promessa implícita do II. Imaginem! Que seria de nós? Por isso, e porque, Oco por Oco, antes o que, que se saiba, não traíu ninguém nem tem as toneladas de esqueletos no armário que o outro tanto ama.

 

No fundo, no fundo, a teoria da conspiração é capaz de estar certa: tudo isto não passa de uma manobra psico-aldrabona destinada a meter na cabeça das pessoas que o próximo primeiro-ministro será do PS. Bem visto. Lavado o cérebro aos eleitores (nós), a decisão será dos “simpatizantes”. Bem visto.  

 

24.9.14

 

António Borges de Carvalho

COISAS NO SÍTIO CERTO

 

E a Tecnoforma? A nova coqueluche do nacional-jornalismo está a dar, e de que maneira. Sim, meus senhores, parece que, há para aí vinte anos, Passos Coelho era pago pelo trabalho que fazia nessa coisa. A Sábado (será que a Impresa está a preparar o futuro?) ficou-se pelos “terá sido”, “terá havido”, “é possível que”, e por aí fora. O jornal socialista privado chamado “Público” escarafuncha mais, com razão ou sem ela. O PM (culpado ou inocente de umas merdices que não interessam a ninguém) pôs as coisas onde os acusadores deviam tê-las posto: na investigação criminal. Sabe-se que tal investigação fez o que pode para safar o Pinto de Sousa, o que leva a crer que, ao Passos Coelho, fará o contrário. Mas este, pelo menos, tem a coragem de arriscar. Ainda ninguém o ouviu gritar “conspiração!”, “campanha negra!”, “assassinato político” e outros argumentos em que o Pinto de Sousa é especialista.

E, se não dá satisfações nem conversa ao homúnculo do BE nem à coorte de mastins sequiosos que o perseguem, faz ele muito bem.

A dona PGR que se desunhe.

 

24.9.14

 

António Borges de Carvalho

ADVOGADOS

 

Estejam as hostes descansadas. O Dr. Ricardo Salgado, bom ou mau, culpado ou inocente, seja lá o que for, encontrou mais um alto defensor: o ilustre Dr. Mário Soares! E esta!? O povo a julgar que, para o defender, nada melhor que o Proença de Carvalho, que já foi quase tudo e será o que for preciso, e afinal, das catacumbas da “advocacia”, eis que surge, lúcido e forte, o grande Soares!

A culpa de tudo é do governo! Estava mesmo a ver-se. Foi o governo quem desatou a financiar empresas falidas, foi o governo que pôs 900 milhões ao fresco, foi o governo que desatou à porrada aos primos e aos cunhados, foi o governo, foi o governo! Dixit!

Não, meus senhores! O Dr. Salgado não se dava bem com o Pinto de Sousa, nunca teve nada a ver com o PS, não se dava com o Mário, odiava o Costa, não sabia de existência do Seguro. Não, meus senhores, aquilo das falências na Suíça foi obra do governo! Os processos luxemburgueses outra coisa não são senão um resultado de o Passos Coelho andar mancomunado com o Junker, a prima que denunciou a irmã do afilhado era assessora do Moedas.

E mais, muito mais. Se quiserem, perguntem ao Mário Soares, ele sabe! E, se seguirem o seu alto conselho, verão como se faz justiça.

 

19.9.14

 

António Borges de Carvalho

UM FUTURO NADA RISONHO

 

Que se poderá dizer do referendo escocês, que não tenha já sido dito por jornalistas, comentadores, políticos, militares, populares e… pelo próprio IRRITADO?

Quase nada, é verdade. A horas de se saber o resultado, uma sensação de angústia me entra no bestunto. Como é possível? Como é possível que Westminster tenha coonestado tal coisa? A resposta seria a do costume: quem propõe, ou permite, um referendo, está convencido de que o vai ganhar. E não o permite se duvidar do resultado. Já pensaram porque jamais a nossa República foi objecto de referendo? Porque jamais foi referendada a Constituição de 76? E porque o foi a de 33?

No caso da Escócia, o tiro saiu pela culatra aos homens de Londres. Queriam acabar com um problema, estavam certos do resultado, era o que diziam estudos e sondagens: o NÃO estava garantido. Não contaram com a violência da demagogia, do populismo, do nacionalismo arrancado os arquivos mortos da História.

E agora? Agora, qualquer resultado será mau, para os britânicos, escoceses incluídos, para os Europeus, para a estabilidade geral. Amanhã, nada será como dantes. Se o SIM ganhar, os pobres escoceses ver-se-ão no mais desgraçado molho de bróculos da sua história, a Grã-Bretanha não saberá como descalçar a bota, a União Europeia, já mergulhada no que se sabe, ficará a braços com questões praticamente insolúveis, a NATO também, e por aí fora. Se ganhar o NÃO, o chorrilho de promessas que Londres se viu na contingência de fazer terá igualmente temíveis resultados, sujeita que fica a velha nação do Norte à emergência dos albertosjoõesjardins e carloscésares lá do sítio ( o que é o demagogo Salmond se não isso mesmo?), armados até aos dentes com a clássica desculpa de que todos os males vêm do “centralismo” de Westminster. O que corre bem será sempre levado à crédito da autonomia federal ou para federal, o que correr mal será escriturado débito da União.

Uma caixa de Pandora se abriu, não se sabendo, como sempre, o que poderá de lá sair. Nunca mais haverá descanso, para os escoceses como para os demais. Tudo porque a melhor e mais antiga democracia do mundo moderno se deixou cair na armadilha da chamada democracia directa.

O IRITADO abomina referendos, como sabe quem o lê. Porque os referendos, antes de mais, são um engano para os eleitores, que, ou não têm elementos objetivos para decidir, e decidem por emoções, ou são levados a tomar decisões sobre assuntos que não dominam, e decidem por convencimentos superficiais.

Como diria La Palice, tudo tem um lado bom, ou menos bom, e um lado mau ou menos mau. Por isso que as decisões políticas devam ser sempre tomadas a prazo, o que não é o caso dos referendos, que obrigam o futuro, mesmo que os eleitores o queiram diferente.

O caso escocês é o pior de todos: trata-se da nacionalidade de cada um, da existência de um país secular, da destruição de uma harmonia que, mau grado diferenças culturais e históricas, fazia o orgulho e a razão ser do mais invejável país do mundo.

 

18.9.14

 

António Borges de Carvalho

CULPADA!

 

Em recuados tempos, quando a dona Maria de Lurdes era ministra, o IRRITADO, não fora o pecaminoso facto Da senhora fazer parte de um governo comandado pelo repugnante Pinto de Sousa, até teria tido por ela alguma consideração, mais que não fosse pela guerra que o falso professor/xarroco/PC/bigodes-de-Sadam lhe movia.

Quando o senhor Pinto de Sousa teve o ataque de cobardia que é próprio dos pantomineiros “afirmativos”, dona Maria foi recambiada para as douradas paragens da Fundação Luso-Americana, a fim de não chatear mais o temível saloio. Mais ou menos nessa altura, parece que houve uns tipos que meteram nos jornais um rebuçado “mediático”: teria ela contratado um camarada, irmão propriamente dito e não propriamente dito de outro camarada, para trabalho jurídico de monta, pelo menos de monta pelo montante envolvido. O homem não fez trabalho nenhum, nem de monta nem sem ser de monta, mas montou-se no governamental estipêndio, e não largou a montada.

A coisa passou os habituais anos na merecida sesta da jurisdicional pasmaceira, até que… dona Maria se viu condenada a três anos e meio de prisão. Pena suspensa, como é das NEP’s.

Queixa-se agora de “perseguição política”. E como o antigo chefe, apesar de recuperado pelo “serviço público” de televisão, já não puxa tantos cordelinhos como puxava no seu ominoso tempo, não haverá quem corrobore a sua opinião. O passarão que inventou o argumento – com tanto sucesso à época – continua a envenenar o pagode e a ser pago por isso, pelo menos em termos de “imagem”, sem que nada se tenha passado. Era tudo “perseguição política”.

Também já lá não está o conhecido Nascimento nem o outro (parece que Pinto qualquer coisa) para dar a volta às coisas.

Dona Maria, pobre dela, está abandonada. Esperneia como a camarada que queria ser comissária e que nem teve oportunidade para levar com os pés. De pouco ou nada lhe valerá.

 

Já não há poder político que a proteja, como não houve para o Isaltino e não devia haver para ninguém.

Atenção aos próximos capítulos.

 

15.9.14

 

António Borges de Carvalho

ESCÓCIA

 

Tem o IRRITADO andado de férias em longes terras. Não propriamente férias, é certo, mas que têm os leitores com isso? O IRRITADO não é tipo para andar no facebook, ou similar, a dizer o que faz do seu tempo. De qualquer maneira, talvez para não ser esquecido – os tempos passam cada vez mais depressa e as memórias encurtam todos os dias – aqui vai uma opinião sobre um assunto assaz irritante: o referendo escocês.

 

Parece que a coisa está numa fase fifty/fifty, o que quer dizer que, se metade e mais um dos fulanos quiser deixar de ser britânico, metade menos um dos que o não querem perderá a nacionalidade!

Às vezes, há coisas que nos fazem duvidar da democracia. Num mundo tão estúpido, que passa a vida a fazer as vontadinhas a mini minorias que só chateiam, há minorias esmagadoras que se narriscam a perder coisas fundamentais por causa de mini maiorias!

O IRRITADO foi sempre contra os referendos, forma cobarde de as autoridades legítimas, em vez de tomar as decisões para que foram eleitos, as pôr nas mãos do povo. O povo, levado por sentimentos de ocasião e pela verve de quem lhe vende as ideias, vota sem conhecimento de causa. Com a agravante de, nos referendos, se tomar decisões que só podem ser alteradas por outro referendo, uma vez que, se o soberano decidiu, está decidido, e pronto.

Os escoceses, como os catalães, vivem há mais de três séculos sob a mesma bandeira, e em paz com ela. Aos arquivos da história, vão buscar “razões” para mudá-la. Porquê? Sentimentalismos serôdios, propagandas populistas, líderes ambiciosos, inconsciência colectiva, egotismo “nacional”, um pouco de tudo? Não sei dizer.

O que posso adiantar é que da essência do mandato democrático faz parte o prazo. Os referendos são decisões sem prazo.

Que ideia faz o homem da rua sobre o que lhe vai suceder? É bom ficar com esterlino ou sair dele? Candidatar-se à União Europeia ou ficar de fora? Entrar no euro ou sair dele? Ficar com o NHS ou criar um novo? E as Forças Armadas, a Nato, a UE? E o petróleo, o petróleo é deles ou dos britânicos que fizeram as infraestruturas e as gerem? E, e, e…?

Todas a opções terão prós e contras. O IRRITADO, it goes without saying, acha que mais contras do que prós.

O que fica, porém, é a demagogia, o oportunismo, a chicana, tudo mascarado de um nacionalismo obsoleto e mal cheiroso.

Em suma, uma boa rasteira para o escoceses e, de tabela, para a Europa e o mundo.   

 

15.9.14

 

António Borges de Carvalho

E O OUTRO?

 

Parece que o Vara, os Penedos e outros suspeitos foram condenados com penas dos diabos. Então, e o outro? O tal, o especial, o mais que tudo? Continua sob “protecção institucional"? Porque mandaram os tenebrosos Pinto Monteiro e Noronha Nascimento destruir as escutas?

Que diabo, se não tinham mal nenhum para o seu protegido Sócrates Pinto de Sousa, porque não pô-las cá fora?

Alguém acredita em maroscas deste quilate?

 

6.9.14

 

António Borges de Carvalho

O BANDO DOS QUATRO

 

Não é preciso ser muito esperto para perceber que as “eleições primárias” do PS são um mar de trafulhices, pulhices, canalhices, aldrabices, traições, expulsões, manipulações, ressurreições, compras e vendas, coisa digna do Ruanda ou da Venezuela, com vantagem para estes. Serão tão sérias, tão válidas e democráticas como as das duas repúblicas que precederam a actual. Enfim, consequências das nobres qualidades que o PS, republicano, jacobino e maçon, tem vindo a cultivar com eficácia e carinho.

Dando, com galáctica importância, o seu patrocínio a tais “eleições”- de objecto inválido e processo afro-cubano -, quatro bem conhecidos gerontes vieram coonestar a coisa mediante público testemunho da sua fé costista: o golpista Sampaio, o tenebroso Almeida Santos, o parlapatão Alegre e um outro do género, já não me lembro quem.

Estas coisas fazem-se com profissionalismo. Os quatro, certamente via os “serviços” que têm à disposição, foram tomar o pequeno-almoço ao sítio do costume para este tipo de palhaçada. Convocaram a TV, os jornais e outros que tais, todos sempre prontos a servi-los, e espalharam urbi et orbe a sua posição de apoio ao Oco II e de paternal “compreensão” para com o Oco I.

Com tal manifestação dava o bando credibilidade ao que a não tem nem pode ter (a “eleição”), validava a tática do sai-daí-que-eu-quero-entrar, estava a colaborar na vergonhosa cizânia em que o partido está metido, espezinhava princípios que diz defender. Não terá dado por isso? Deu, deu. Mas os princípios são coisa que se mete na gaveta quando dá jeito, não é? É.

Faltou o inventor da coisa, o geronte máximo, o mais-que-tudo. Ou está doente, ou não quer confusões lá em casa - ofender o Joãozinho ou coisa que o valha.      

 

6.9.14

 

António Borges de Carvalho

GRANDE HISTORIADOR

 

O auto proclamado historiador Tavares, muito conhecido e admirado por ter posto os cornos ao Louçã – guardando o lugarzinho no Parlamento Europeu que o homem lhe tinha oferecido – e hoje lider de uma sua criatura auto denominada Livre, resolveu fazer honras ao título que proclama e tanto preza, através de considerações várias sobre a dicotomia esquerda/direita. De um ponto de vista “histórico”, como é de ver.

Dando largas ao seu por ventura acendrado jacobinismo – coisa mais ou menos em desuso na extrema esquerda – o homem defende a sua dama, isto é, a absoluta necessidade de fundar a política na oposição sem tréguas entre esquerda e direita. E fá-lo através de um interminável série de loas aos benefícios da Revolução Francesa, coisa que, na sua esclarecida opinião, está na origem de todos e mais alguns dos direitos do homem. Os “bons”, os que defendem tais direitos, são a esquerda. Os “maus”, são os demais, mesmo que os defendam também.

O fulano esquece-se – obviamente de propósito – que a Magna Carta Libertatum  entrou em vigor no século XIII (1215) e que a Câmara dos Comuns entrou em funcionamento pouco depois, funciona desde esses recuados tempos, e adquiriu a quase forma actual por volta de 1700. Esquece que cem anos antes da sacrossanta revolução francesa, já os britânicos tinham publicado a Bill of Rights, que ainda hoje, como a Magna Carta, faz parte das Leis Constitucionais do RU.

E, no deserto dos seus esquecimentos, ou da sua propositada ignorância, o “historiador” inventa que a palavra “comuns” foi criada pela tal revolução, embora já existisse há séculos do outro lado da Mancha.

Depois, ou antes, defende a “tese” que explica que a dicotomia esquerda/direita foi mais uma das brilhantes criações da magnífica Révolution. Sem se lembrar que os commons já se sentavam há séculos à esquerda e à direita do speaker, consoante as sua inclinações. Aliás, como toda a gente sabe, o Parlamento Britânico ainda hoje se arruma em duas bancadas, uma do lado esquerdo outra do direito, e não em hemiciclo como nos dos filhos do francesismo.

 

É difícil aturar pessoas tão evidentemente vesgas como este “historiador”. Mas ele lá tem a sua tribunazinha no “Público”, para ir contribuindo para a “cultura” do povo.

Paciência.

 

4.9.14

 

António Borges de Carvalho

OS DIREITOS DO HOMEM E A LÍNGUA PORTUGUESA

 

O IRRITADO está de acordo com a igualdade de género, entenda-se entre homens e mulheres.

Muito bem. O pior são os exageros, tipo dona Gilda que se diz “presidenta” do Brasil, ou dona não sei quantas, castelhana de serviço aos direitos de autor do defunto.

Ontem ouvi uma rapariga assaz importante do PSD clamar que os direitos do homem têm que deixar de ser “do homem” para passar a “humanos”. Os exageros são sempre pouco inteligentes. Neste caso, é sabido que, regra geral, na língua portuguesa, o colectivo é do masculino. Pelo que dizer “do homem” é rigorosamente o mesmo que dizer “humanos”, sem tirar nem pôr. O mesmo com a generalidade dos políticos quando falam em “portugueses e portuguesas”, porque o primeiro substantivo é colectivo e segue, ou devia seguir, a regra geral. O mesmo com “cidadãos”: quando se fala de uma mulher, deve dizer-se “cidadã”, mas, no colectivo, elas estão abrangidas por “cidadãos”.

Se levássemos estas parvoíces até ao fim, emtão o IRRITADO encetaria uma campanha para que os autarcas passassem a autarcos, os motoristas a motoristos, os presidentes a presidentos e os doentes a doentos. Por exemplo. E no reino animal? As manadas de vacas passavam, obrigatoriamente, a mandas de vacas e de bois, os rebanhos de cabras a rebanhos de cabras e bodes e os bandos de pássaros a bandos de pássaros e de pássaras. Bonito, não é?

 

A nacional-estupidez já pariu o acordo ortográfico. Por este andar, ainda havemos de assistir a uma espécie de acordo sexual, abolindo os substantivos colectivos, os comuns de dois, etc.. Talvez a senhora importante do PSD queira lançar algum projecto de lei neste sentido. Tudo se pode esperar destes entendimentos dos direitos do homem.

 

2.9.14

 

António Borges de Carvalho

DA REFORMA DOS TRIBUNAIS

 

Os profetas de serviço, que passam a vida a vociferar sobre a (falta de) reforma do Estado, estão em grande polvoró por causa do fecho dos tribunais: as vilas e aldeias do que ficam sem tribunais, as deslocações do povo a distâncias cósmicas, o computador que está atrasado, a arrumação da papelada, os contentores... uma catástrofe, um atentado aos direitos humanos, o fim da justiça em Portugal!

Os demagogos de serviço no PS, como é costume, estão de acordo entre si, sem prejuízo do ódio que, reciprocamente, os anima. Oco I e Oco II desdobram-se em declarações. O PS, nas mãos de um ou de outro, dará cabo de tudo e reporá os magníficos serviços que os tribunais têm vindo a prestar às pessoas. Fantástico!

Punhamos as coisas no sítio. A estrutura actualmente existente vem dos confins do século XIX. Nessa altura, não havia estradas, nem auto estradas, nem telefones, nem faxes, nem computadores, sequer bicicletas, nada. Apesar da tão propagandeada “proximidade”, os tribunais reformados estão muito mais perto das pessoas que no tempo da Senhora Dona Maria II. E as pessoas? Sim, as pessoas que se deslocam aos tribunais? Coitadas, constituem a esmagadora maioria dos portugueses, cifrada em 0,02% deles. Parece que os profetas andam a gozar com o pagode.

 

É claro, os municípios que ficam sem tribunais não gostam. Por ânsia de melhor justiça? Nem pensar. Passa a haver menos advogados lá na terra, menos juízes, menos funcionários, menos tipos a almoçar nos restaurantes, menos bicas vendidas, menos casas alugadas, menos “importância” urbana. Coisas que nada têm a ver com a justiça que tanto dizem preocupá-los. Não há reforma que contente todos.

 

Os profetas estão cheios de razão. O processo de mudança está a ser difícil. Era de esperar, há coisas que não vão ao sítio de uma mão para a outra. Levam sempre mais tempo (como as obras lá em casa) do que se esperaria. Nada de especial. Mas, para os profetas, as dificuldades “provam” que a mudança não presta. Os rapazes nem sequer se dão ao trabalho de esperar um mês ou dois para adiantar as opiniões: é já, e o resto é conversa. A “prestação” de ontem do Soares filho na SIC Notícias foi de morrer a rir. O tipo, de uma maneira de que nem o palhaço pobre seria capaz, mostrou não saber nada do assunto, mas fartou-se de falar.

 

A maioria dos profissionais da justiça é mais cautelosa. Acha que a reforma é, em geral, positiva. Para dizer alguma coisa e não ser “acusados” de amigos do governo, vão adiantando umas cautelas. Mas, à excepção da maluca da Ordem dos Advogados e do fulano do sindicato dos funcionários (PC), as objecções de quem sabe, ou é suposto saber, são de somenos.

 

Daqui a seis meses, talvez seja de fazer um juízo mais ou menos razoável sobre o assunto. Entretanto, o que se pode dizer é que o governo se atrasou nas reformas. Esta, que parece ser a que, até ver, vai mais fundo, só demonstra que qualquer reforma, boa ou má, terá sempre a mesma alcateia à perna.

2.9.14

 

António Borges de Carvalho

ELEIÇÕES PRIMÁRIAS

 

Por toda a parte vemos cartazes a publicitar as “primárias” do PS. Procuremos uma explicação para o adjectivo primárias (no caso, substantivado). Outra não há que, sendo caridoso, não seja a de primarismo.

 

Que alternativa para umas eleições que:

- Não existem na Constituição;

- Não existem na Lei eleitoral;

- Não existem nos estatutos da organização que as promove;

- Se destinam  a um cargo que, como electivo, não existe, nem existirá;

- Reunem um “colégio eleitoral” que não existe em em lei alguma;

- Que partem de um “recenseamento” de uma coisa que ninguém sabe o que é, nem existe em nenhum sistema em vigor (os “simpatizantes”);

- Que são, de forma pública e notória, fruto de inúmeras chapeladas;

- Que, comprovadamente, provocam a expulsão de quem se queixa de evidentes aldrabices?

- Que... bom, etc..

 

Não, meus amigos, as eleições “primárias” do PS não se podem classificar como filhas de um qualquer primarismo. Se quisermos adjectivos, diremos que são ilegais, absurdas, demagógicas, ilegítimas, aldrabonas, anti-democráticas, uma porcaria sem nome.

E que, acima de tudo, provam a inferioridade moral e política de quem as inventou, de quem as provocou, de quem as promove e “coordena”, e do miserável estado da agremiação que as aceita e as “legitima”.

 

1.9.14

 

António Borges de Carvalho

MAIS UMA VEZ, O AQUECIMENTO GLOBAL

 

Dando razão ao IRRITADO (haja quem!), vem o “Expresso” titular que “O aquecimento global fica suspenso até 2030”.

Que quer isto dizer? Que a “comunidade científica” foi obrigada a reconhecer que anda há anos e anos a aldrabar este mundo e o outro, mas que, orgulhosa da sua “obra”, não o confessa? É isso: adia. O aquecimento global existe, mas está “suspenso”. Lindo, não é? Os “cientistas” deram ao planeta ordens para “suspender” o “aquecimento global”.

Vale a pena citar um sábio, politicamente incorrecto, que diz que “não conhece ‘nenhuma demonstração dedutiva de que o aumento da temperatura tenha origenm principal na acção humana’” mas “apenas conclusões indutivas sugeridas por modelos matemáticos”. E ainda: “não sabemos, o sistema climático não é ainda suficientemente compreendido, estamos às apalpadelas, o desconhecimento tudo consente! E a insistência numa ideia a priori não é atitude científica e atrasa a desejável compreensão dos mecanismos que têm lugar no sistema”.

Eis, em meia dúzia de palavras – por defeito - o que o IRRITADO vem clamando há anos, sendo este Doutor Corte Real, que se saiba, o primeiro, depois de Delgado Domingos, a ter a coragem de, publicamente, se aproximar da verdade.

 

Mas os profetas da “ciência” correcta só “adiam”, não confessam a burrice que impingem aos demais. Onde iria parar o negócio das emissões, as “bolsas de Kioto”, os tubarões das renováveis, as comissões da ONU, os fabricantes de moinhos, a maralha toda que vive à custa do engano?

É de pensar duas vezes, não é?

 

1.9.14

 

António Borges de Carvalho

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