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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DADOS PESSOAIS

Aqui há dias, telefonou-me uma senhora a oferecer serviços vários. Não estava interessado. Como não conhecia a fulana de parte nenhuma, perguntei-lhe onde tinha ido arranjar o meu nome, número de telefone, morada, etc. Coitada, foi sincera: umas fulanas de uma empresa com que eu tinha tido um contacto fortuito deram-lhe os dados, e pronto. Não tina havido um negócio, só uma “atençãozinha”.

Todos os dias somos bombardeados por chusmas de propagandistas disto e daquilo. Às vezes é difícil, por questões civilizacionais e por se tratar de infelizes assalariados de call centers e coisas do género, mandá-los a um sítio que eu cá sei.

Há dias perguntei a uma dessas pessoas onde tinha ido buscar os meus dados. Ela – se o patrão soubesse punha-lhe os patins - respondeu que faziam parte de “bases de dados” que tinham sido vendidas à empresa sua representada.

Colhi mais umas informações e fiquei a saber (como sou velho e ignorante!) que tais vendas são comuns, prática corrente, negócio florescente. E que quem não quer “ser vendido” as mais das vezes terá que pôr uma cruzinha num quadradinho escondido em qualquer recanto de um papel qualquer. Juraria que, na maior parte dos casos, damos dados sem que haja tal quadradinho.

Hoje, titula um jornal: Não proteger dados pessoais vale multa de 20 milhões. Parece que, na UE e em Portugal, há inúmeras entidades, comissões, direcções, autoridades e coisas do género que ganham a vida a regular, vigiar, fiscalizar, aplicar regulamentos, portarias, leis, despachos, etc., tudo coisas paridas por governos, parlamentos, presidentes, gente com super legítimo poder para o efeito.

Ou seja, há exércitos de vigilantes destinados a proteger os nossos dados pessoais, tudo gente do melhor, a custar um dinheirão, como é natural e justo.

Parece porém que, tirando os ordenados e outros custos destes impecáveis moralistas oficiais, diz a prática que tudo não passa de blabla.

Os filósofos do pleno emprego, os que lutam contra a precariedade, os sindicatos, os poderes políticos, os legisladores, os funcionários, etc., devem achar que cumprem as suas obrigações, que zelam pelo cumprimento das leis em vigor. Ficam todos muito descansados, isto é, desde que o ordenado lhes vá, atempadamente, sendo creditado, como é justo, legal e natural.

Entretanto, os nossos dados pessoais não passam de mercadoria livremente transaccionada por esse mundo fora, com IVA e tudo.

Se há um estúpido no meio disto tudo, esse estúpido sou eu, que tenho a mania de acreditar na humanidade e nas cruzinhas que, às vezes, vou pondo em generosos quadradinhos.

Quais multas, qual vigilância, quais leis, qual carapuça!

 

29.2.16

OS CANALHAS

Anda para aí muita gente a dizer que os católicos estão revoltados contra o cartaz do Bloco de Esquerda com a história dos “dois pais” de Jesus Cristo.

Aqui vai uma opinião laica, ainda que nem republicana nem socialista.

O “Expresso” chama “imbecil” à coisa, e diz que o BE apanhou “uma bebedeira que lhe turvou o bom senso”.

Muito bem mas é pouco, muito pouco.

Vejamos alguns sinónimos de imbecil: grosseiro, estúpido, estulto, burro, bobo, ignorante, tolo, pateta, parvo, palerma, néscio, lerdaço, inepto, idiota, tolo, rombo, apatetado, fátuo, boçal, pedra, cretino, lorpa, limitado, desajeitado, energúmeno, inocente, zebra, abestalhado, asno, atoleimado, banana, basbaque, beócio, besta, estafermo, jumento, labrusco, leso, mentecapto, sandeu, senil, zebroide, jerico, microcéfalo, míope

Chamar estes nomes ao BE, ainda que com inteira justiça, é coisa de somenos. É preciso usar de muita caridade para se ficar por aí.

Ocorre-me melhor adjectivo: canalha. No colectivo: populacho, ralé, gentalha. No individual: velhaco, patife, péssimo, infame, indigno, vil, desprezível, sórdido, bandido, ordinário, biltre, mariola, pulha, pústula, crápula, verme, bisca, cachorro, cão, choldra, desbriado, farroupilha, meliante, perro, sacripanta, safado, salafrário, calhordas, mau-carácter, pilantra, desprezável

Aqui, estamos mais próximos da verdade: o BE e a sua gente não são imbecis, que isso é de nascença, são meros canalhas, por vontade própria. Uma opção, não uma “infelizmência”.

Não apanharam nenhuma bebedeira para fazer o cartaz, como alega o “Expresso: fizeram-no no pleno uso das suas faculdades mentais, ou seja, no mau, reles e rasca uso das faculdades mentais de que dispõem.

 

Que tenham e venham a ter a felicidade que merecem são os votos do IRRITADO.

 

27.2.16

CITAÇÕES E TRAIÇÕES

Já não sei quem escreveu estas barbaridades, certamente sinais de traição à Pátria, pelo menos no parecer de um tal Costa. Mas dão para reflectir:

- O rendimento das famílias é todo propriedade do Estado e aquela porção desse rendimento que o Estado benevolentemente não nos retira, através de impostos, é uma doação do generoso Estado aos cidadãos. Tudo a agradecer a caridade, se faz favor, de ainda vos darem um quinhão (cada vez mais pequeno, é certo) do dinheiro que o caro leitor pensava erradamente (e com inegável ganância) ser seu...

- Há muitos anos que não se ouvia no Parlamento um PS tão à esquerda, tão colado ao BE e ao PCP, tão hostil às grandes empresas, tão pouco preocupado com o investimento privado, tão indiferente ao risco de atirar pela janela a imagem de partido com genuínas preocupações sociais, mas que também compreende e aceita os mecanismos da economia de mercado – embora procure corrigi-los. (…) António Costa não é Jeremy Corbyn (…) não é radical e revolucionário. Mas, devolução a devolução, subsídio a subsídio, medida a medida, frase a frase, o primeiro-ministro encostou-se aos parceiros da esquerda e já não se nota muitas diferenças.

- Assiste-se à proletarização do país, com a tentativa de nivelamento por baixo da sociedade e a quase criminalização de quem poupa ou ganha um pouco mais. A palavra de ordem voltou a ser “os ricos que paguem a crise”, com os ricos, à falta de melhor, a começar em quem ganha 1.500 ou 2.000 euros mensais. O país já é visto com desconfiança a nível internacional e os próximos tempos serão determinantes para confirmar ou não essa desconfiança.

 

Acrescento, fresquinho, o último grande triunfo da coligação de esquerda: o saldo postivo das contas do estado referentes a Janeiro. Toda a gente sabe que Janeiro é o mês das contas bonitas, mas este ano - é essa a grande malha do chamado governo - foram mais bonitas que em anos anteriores.

Os traidores à Pátria, como o IRRITADO, assanham-se a pôr em causa esta extraordinária realização do poder socio-comuna em vigor. Dizem eles que o saldo é mais bonito porque, em 2015, a seguir às eleições, se distribuiu mais dividendos. As empresas, à rasca com as perspectivas para 2016, em vez de investir safaram algum para os sócios.

É claro que isto não passa de bocas reaccionárias e anti-portuguesas, fabricadas por gente que ainda não percebeu a excelência do “virar de página”... velhacos!

 

25.2.16

À ESPERA DE UM MILAGRE

Voltar à questão das legislativas é talvez como chover no molhado. Já foi tudo dito, de um lado e de outro. Mas não é demais ressublinhar o óbvio, ou seja, o verdadeiro.

Os eleitores estavam perante duas hipóteses, quanto à escolha do futuro governo: podiam escolher um governo PS ou um governo PSD/CDS. Não havia outra proposta, no que à formação do governo respeitava. Foi o que fizeram. Escolheram o PSD/CDS, não o PS. Se fosse ao contrário, é evidente que o PSD, só ou com o CDS, teria deixado passar um governo minoritário do PS, o que já aconteceu várias vezes não sendo justo duvidar, ou ter-se- ia coligado com ele. Do outro lado, porém, escolheu-se a burla parlamentar, isto é, impôs-se ao país um governo não sufragado, não escolhido fosse por que eleitor fosse, à esquerda ou à direita. Desonestíssima entorse aos mais elementares princípios da democracia liberal, o que é normal em comunistas, mas não em democratas.

Formalmente, o governo burlão tem legitimidade, o que deve chamar a nossa atenção para os “buracos” da democracia, que a Constituição e a Lei não previnem. E deve trazer à colação uma verdade insofismável: não colhe a inteligência, os conhecimentos, a razão, quando esta é inquinada à partida por errados axiomas ou perversos princípios. Se se parte destes, tudo fica errado a seguir. Se se parte de uma premissa desonesta, nada pode ser sério a seguir.

A espantosa arrogância já manifestada pelo chamado primeiro-ministro e pelos seus mais importantes colaboradores, consubstanciada em boutades carroceiras, na viragem dos debates da defesa de posições para a técnica da oposição à oposição, na insistência em argumentos cuja falsidade os seus próprios autores bem conhecem, são bem sinais do que acima se opina. A monumental demagogia das “restituições” sem cobertura, a série de bem-aventuranças, repetidas à exaustão, que são atiradas para consumo dos que vão ser vítimas dela, o escamotear da monumental desconfiança universal em relação às receitas do orçamento e das suas garantidíssimas e fatais consequências, tudo se explica pelo pecado original da desonestidade que é base da situação política em que vivemos.

Pior do que isto tudo será a cobertura que parece que lhe vai ser dada pelo presidente eleito, que se desdobra em declarações de paz e de cooperação, mais uma vez ao arrepio do que os eleitores, ao elegê-lo, lhe disseram.

Outra esperança não nos resta senão a de esperar por um milagre. Como não há disso...

 

23.2.16

CAMPANHA ELEITORAL

Quem tivesse dúvidas, ficou esclarecido com o espantoso discurso de apresentação do orçamento feito pelo chamado primeiro-ministro: esclarecido e ameaçado.

O senhor Costa sacrifica (já sacrificou) a credibilidade do país em tudo quanto é sítio, no FMI, na UE, no BCE, na UTAO, na dona Teodora, nas agências de rating. Não há uma só instância, nacional ou estrangeira, que não tenha a certeza que “isto” vai dar para o torto. Não húma só alma, minimamente informada, que ainda tenha alguma confiança no nosso futuro. Acresce que o ambiente é de chumbo: o euro está em crise, a Europa vacila, o Reino Unido prepara-se para causar os maiores problemas, os juros sobem e, no meio disto tudo, a coisa que, em Portugal, diz que é governo, avança triunfalemente para juntar a esta missa negra o seu inestimável contributo.

Perguntar-se-á porquê. É simples. Farto de perder eleições, Costa quer aproveitar a geringonça para fazer passar uma onda de benesses. Sabe que as “reversões” vão acabar por lhe cair em cima. Antes que tal aconteça, haverá que provocar eleições, isto é, a única hipótese de as ganhar será se elas tiverem lugar enquanto os incautos andarem iludidos com o “fim da austeridade”. Enquanto isso, acabará com a geringonça e far-se-á ao caminho para a maioria absoluta.

É o que se chama tratar as pessoas sem dó nem piedade, aplicar receitas que as vão pôr a pão e laranjas mas que, enquanto a bomba não rebenta, dão votos.

O orçamento é o primeiro passo de uma campanha eleitoral. Nada mais que isso. Pobres de nós.

 

22.2.16

CITAÇÕES

 

Diz o chamado primeiro-ministro (sobre o orçamento), citado no “Expresso” de hoje:

O que é reposto é muitíssimo mais do que o que é cobrado.

Expliquem-me, por favor, onde é que o homem vai buscar o que falta, se os mil milhões a mais que meteram nos impostos são muitíssimo menos do que o que vão “repor”.

Sugiro uma explicação: o chamado primeiro-ministro consegue ser mais aldrabão do que dele dizem os seus mais ferozes inimigos.

*

Morreu Umberto Eco, um homem que se atribuia a “missão” de lutar contra la stupiditá. Se ele ainda fosse vivo, seria de lhe pedir opinião sobre esta frase do senhor Moreira (também citada no Expresso):

(Caballero, alcaide de Vigo) até pode chamar a PIDE (...). A ligação Lisboa-Vigo é um insulto ao Porto e pretende destruir o aeroporto do Porto.

*

Um jornal (já não sei qual) publica hoje um “estudo” sobre o azeite, onde no meio das mais doutas considerações estatísticas, se afirma que, no ano tal, Portugal produziu 90.000 toneladas de azeite... e exportou 108.000.

Um interessante desafio para os exegetas da parábola dos peixes.

 

21.2.16

TERESA RODRIGUES CADETE

 

Titula-se este post com o nome de uma senhora na esperança que tal senhora o leia.

A dita, alta individualidade académica, publica um importante artigo no “Público” de ontem, defendendo a profissão de “tradutor e tradutora”. Registe-se, com a devida irritação, a correcção política da inclusão dos dois géneros: como se, dizer “tradutor”, em bom português, não incluisse as tradutoras!

Não me compete apoiar ou contradizer o alto arrazoado da articulista, ainda que, na generalidade, deva dizer que concordo com as suas opiniões. No entanto, o objectivo do artigo não é, como se poderia julgar, estabelecer uma espécie de teoria geral da tradução, mas fazer a defesa corporativa dos respectivos profissionais.

Diz a senhora, por exemplo: As tradutoras e os tradutores devem ser respeitados e consultados em todas as questões relativas ao seuntrabalho.

Para um frequentador de livrarias, a esmagadora maioria dos chamados tradutores portugueses não conhece, ou conhece mal, tanto a língua portuguesa como a língua que traduz. Não raro, ao folhear uma tradução, desistimos de comprar o livro. Não raro somos levados, por distracção, a adquirir livros que deitamos fora ao chegar à página dez, porque a tradução é de tal maneira ordinária que, ou ofende quem sabe um bocadinho de português, ou é simplesmente ininteligível.

Se a distinta académica se debruçasse sobre os aborrecimentos, as fúrias, as desestabilizações intelectuais que a maioria dos seus colegas causam a quem tem a infelicidade de tentar lê-los, e apelasse a exigências de acesso à profissão que poupassem os autores ao assassíno literário e os leitores a crises de nervos, compreendê-la-ia. Mas teorizar, mesmo que cheia de razão, com o propósito quase exclusivo de elogiar a corporação, francamente!

 

21.2.16

CONTROVÉRSIA SOCIALISTA

 

Enquanto por cá se anda a entreter o pagode com a história das 35 horas, coisa que ninguém, a começar pelo chamado governo, faz a mais pequena ideia de quanto custa ou como vai funcionar, em França passa-se exactamente o contrário. O governo Hollande/Valls, familiar político do do Costa, vai propor o fim da 35 horas. A coisa está a causar uma polémica dos diabos, é certo, mas a verdade é que fizeram as contas, coisa que, por cá, ninguém sabe ou ninguém quer fazer.

 

21.2.16

TIRAR O CAVALO DA CHUVA

 

Não contente com os serviços dos tipos da eutanásia – coisa bemvinda para tirar o orçamento das primeiras páginas – o chamado primeiro-ministro resolveu cavalgar os problemas dos lesados do BES, fazendo crer que, se fosse ele a mandar, era o paraíso. É claro que o homem não tem, nem na manga nem em parte nenhuma, qualquer solução para o problema. Mas, à custa da credibilidade do país, lança uma guerra contra o Costa (Carlos), coisa que também muito contribui para tirar da discussão pública as asneiras do Centeno, e do próprio, mais o orçamento, mais as erratas, mais o disse que disse que não disse, antes pelo contrário e vice-versa.

 

21.2.16

MAGIA

Nos ominosos tempos em que dominava as artes o senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates, havia um nobre hábito governamental que ficou conhecido, em meios neoliberais, de direita pura e dura, pela palavra desorçamentação.

Há buraco de 100? Desorçamenta-se isto, e tapa-se o buraco. O buraco é de 1.000? desorçamenta-se aquilo. Há buraco nas estradas? Desorçamenta-se as estradas. E assim por diante, até que levámos com as desorçamentações em cima, e foi o diabo. A magia desorçamentativa virou-se, não contra o mago, mas contra todos nós.

Agora, o chamado governo optou por outra técnica, igualmente feiticeira: a neutralidade orçamental. Após duzentas e quarenta e cinco versões do orçamento, mais trezentas e vinte e quatro erratas, mais as erratas das erratas – o exagero é ligeiro – aí temos, reluzentes, com uma fartura esmagadora, as neutralidades orçamentais: despesas que não são despesas, a contabilizar no éter. Até há algumas que já foram emendadas várias vezes, quase se convertendo – lá chegaremos - em receitas.

As miúdas do BE e o careca (seu chevalier servant) inventaram hoje mais umas, que o chamado governo acolhe com a maior alegria: alargamento da tarifa social de energia, redução da taxa máxima do IMI, congelamento das propinas, etc.. Tudo, mas tudo, sem impacto orçamental, ou seja, orçamentalmente “neutro” (outra palavra da moda).

Acho óptimo. Energia mais barata para mais gente, IMI menos violento, propinas sem aumento, tudo uma maravilha.

Até ao dia em que a falta de impacto, a neutralidade, a inocência contabilística destas e de dezenas de outras minudências politiqueiras, nos caiam em cima da cabeça como cairam as desorçamentações do Pinto de Sousa.

Vão ver.

 

18.2.16

APRENDER

O grande líder e educador das massas nortenhas vem reiterando terrívies ameaças por causa de uns voos deficitários que foram cancelados pela TAP.

Para além das considrações, mais ou menos malcriadas, já aqui publicadas, faça-se uma reflexão simples.

A TAP, como a generalidade dos transportes propriedade do Estado, tem sido - apesar de uma gestão que não é posta em causa a não ser por sindicatos vários, o que não interessa, porque dizer mal da gestão está-lhes na massa do sangue, não na lógica das coisas – um cancro nacional sem solução.

O governo anterior em boa hora tratou de a vender, coisa corriqueira no ramo: já aconteceu na Suiça, na Bélgica, em Espanha e em mais não sei quantos países, europeus e não só. Nenhum desses países sacrificou a nacionalidade fiscal dessas empresas, nem a “soberania nacional”, nem se agarrou ao cadáver das “empresas de bandeira”, antes se livrou dos seus cancros nacionais e os transformou em empresas que passaram a viáveis ou, caso contrário, cujos problemas caiam nos braços dos accionistas, não dos contribuintes.

Veio do socialismo, antes democrático, ora duvidoso, e resolveu reverter a seu favor a maioria do capital, numa solução inédita e tão duvidosa como o chamado governo “revertor”.

A gestão privada resolveu cortar rotas deficitárias, entre as quais aquelas de que se queixa o senhor Moreira, o qual desencadeou um ror de ameaças que, em boa verdade, não deviam meter medo a ninguém. E, dada a brilhante solução que o chamado governo adoptou para a empresa, recorreu ao chamado PM para arranjar solução. E este recebeu-o!!!

Há várias hipóteses de “solução”: ou o governo, ainda o esquema que fabricou não está em vigor, vai arranjar um trinta e um com os privados querendo obrigá-los a custear “obra social” em favor dos interesses que o senhor Moreira defende, ou é homenzinho e manda o senhor Moreira passear, ou, o mais provável, vem com a alternativa do costume, a qual consiste em aplicar à TAP a tradicional prática que é a base da política nacional de transportes públicos, isto é, habilita a TAP com “indemnizações compensatórias”.

O país, passadas décadas e décadas de políticas de subsídios, já não sabe viver de outra maneira. A sociedade civil é, entre nós, mera subsidiária do todo poderoso Estado, e gosta disso sem perceber que, pelo caminho, se arruina a si mesma.

No caso concreto, se as rotas tão amadas pelo senhor Moreira valessem a pena, não faltariam empresas , low cost ou outras, a ocupar o tão útil lugar ora oferecido pela TAP. Mas o senhor Moreira não quer saber disso: se as rotas são deficitárias, a TAP que se aguente ou ou então que o Estado, entendendo-se por Estado os contribuintes, que pague.

Triste sinal do que há de torto na nossa vida colectiva. Parece que ninguém aprende nada. O senhor Moreira é só um pequeno exemplo do nosso analfabetismo económico.

 

18.2.16

RECONCILIAÇÃO

Ninguém no seu perfeito juízo porá em causa, bem pelo contrário, a condecoração póstima que, trinta anos depois!, foi dada à mais “visível” das vítimas do grupo terrorista de extrema esquerda conhecido por FP 25.

Pergunta: em que prisão estão os assassinos? A que penas foram condenados? Como pagaram à sociedade os seus feitos? Resposta: não estão em nenhuma prisão, não foram condenados, nada pagaram. Pelo contrário, foram amnistiados, indultados, devolvidos à sua pacata vidinha. A bem, diz-se, da “reconciliação nacional”.

Sabe-se, ou a seu temo se soube, quem foram. Uns já terão morrido em paz com a sua “conciência” e com a sociedade. Outros andarão calmamente por aí. Diz-se que até os há cujas importantes opiniões ainda hoje aparecem nos jornais.

E as outras vítimas? Não merecem homenagem? Foram muito bem mortas? Não merecem, pelo menos, uma manifestação de repúdio e de tristeza pela sua morte? Não merecem citação, recordação, nada?

Eu sei que não vale a pena, trinta anos depois, andar a pensar nisto ou fazer seja o que for a tal respeito. Mas “isto” não deixa de fazer uma confusão dos diabos.

 

17.2.16

CLAMOR

Parece que uma juíza censurou uma queixosa por não se ter queixado a seu tempo da violência doméstica de que era vítima. Dir-se-ia que tal juíza o fez em defesa do direito de as mulheres se queixar a tempo e não contemporizar mínimamene com os ataques do cônjuge. Uma atitude “feminista”, ou quase. De qualquer maneira, em defesa das mulheres.

A mesma magistrada terá dito à mesma queixosa que não era natural que o acusado, que era muito carinhoso até certa altura, tenha mudado de repente e passado a violento canalha sem razão aparente. A questão é mais que lógica, isto é, se o agressor mudou de atitude, alguma coisa se passou, e é elementar que o tribunal queira saber porquê.

O que parece natural da parte da juíza foi considerado abusivo, ilegal, pecaminoso, inaceitável por inúmeras organizações, personalidades, sindicatos, tudo gente que exige a punição da senhora por atentado à dignidade da queixosa e por outros pecados identificados em regulamentos e vedemecuns vários. O clamor ainda vai no adro. Não há quem nisso não fale.

Aqui pelo blog, acha-se estranho. O IRRITADO tem enormes dificuldades para perceber a moral dos tempos.

 

17.2.16

NOTAS DE DIAS ATRÁS

QUEM, EU?

Não sou frequentador do Twitter, nem de redes sociais em geral. Quanto àquele, já me bastam as transcrições “criteriosamente” seleccionadas pelas meninas e meninos das TV’s, a fim de “informar” as pessoas sobre twitts eventualmente tidos por “convenientes”.

Noticiou-se há dias que os twitts que gozavam com o Costa foram proibidos. O PS já tratou de informar o povo sobre a sua indesmentível não intervenção a tal respeito. O pior é que factos são factos. Quando os mesmos twitters gozavam com Passos Coelho, ninguém lhes foi à mão. Quando passaram a gozar com Costa, ai Jesus, que horror, acabe-se com isso, e já!

Está mesmo a ver-se que nem o Costa nem o PS têm seja o que for a ver com o assunto. Foi algum patrão do Twitter que se sentiu incomodado: uma evidência acima de qualquer suspeita. Alguém duvida?

 

12.2.16

 

UM CASO PERDIDO

O senhor Rui Rio gosta muito do orçamento, ainda que ache que “tem riscos”, ou seja, que vai depressa demais no bodo.

Também acha que houve “opções ideológicas” a mais durante os últimos 4 anos. E que o PSD tem que virar à esquerda, fazer oposição “construtiva”, não obstaculizar seja o que for, etc. e tal.

Some-se-lhe o triste portismo, some-se-lhe a regionalice pacóvia, o sonho da “capital do Norte” e outras patadas na poça, e aí temos o caso perdido de um tipo que até se julgaria com direito a ter futuro.

 

12.2.16

DINAMIZAÇÃO CULTURAL

No dealbar dos abomináveis tempos do PREC, hordas de militares, uns de inspiração marxista outros simplesmente ignorantes, espalharam-se pelo país a fim de explicar ao povo o que era a democracia. Chamou-se à coisa “dinamização cultural”. A democracia era o socialismo, sem socialismo não havia democracia, quem não fosse socialista era, objectivamente, inimigo da democracia, ou seja, fascista, inimigo figadal do povo e da revolução libertadora. O socialismo, explicavam os militares, tinha exemplos notáveis de sucesso e de liberdade em países como Cuba, a Rússia ou a China.

Esta gente, ano e meio passado, foi vencida. Mas o socialismo ficou por aí, ora explícito, como na Constitução, ora por diversas formas implícito na noção de democracia. Tudo o que não tenha, evidente, um cheirinho de socialismo, continua a ser objecto de anátema.

Assim, quarenta anos depois, o socialismo “propriamente dito” voltou a fazer parte do poder. Mas, como há dificuldade em fazer passar as suas magníficas ideias, desta feita sob forma orçamental, teve tal poder necessidade de o explicar às gentes, ainda atónitas perante a bastardia em vigor. Orgulhosamente sós perante a Europa e o mundo, os nossos novos donos espalham pelo país fora uma nova “dinamização cultural”, agora levada a efeito não por militares de cérebro lavado ou vazio mas por representantes do poder apostados em exercê-lo custe o que custar e a quem custar, nem que para tal seja preciso dizer que dois e dois não são quatro.

A História tem coisas que, mutatis mutandis, são a mesma coisa.

 

15.2.16

 

ET. Depois de aniquilado o twitter que dizia mal dele (não foi ele!, diz ele), Costa entra na net, em dinamização cultural, como os ministros, que, à moda do PREC, mandou em pessoa. Como é natural, este blog não publicará o endereço do dinamizador-chefe.

GASOLINA E BATATAS

Se me não falha a velha memória:

- Os aumentos de impostos são competência exclusiva da Assembleia da República;

- Os aumentos dos preços dos combustíveis são aprovados por portaria.

De memória fresca:

- O chamado governo, sem orçamento em vigor, aumentou os impostos dos combustíveis, não os preços, por portaria.

Conclusão:

Os aumentos dos combustíveis são inconstitucionais.

Comentário governamental:

Nas doutas palavras do chamado ministro da educação (já as disse), há para aí opiniões mas quem manda somos nós.

Comentário do IRRITADO:

Nas mãos da esquerda, a democracia é uma batata.

 

14.2.16

GUERRA!

Num dos ataques de bairrismo parolo que, tal como as tripas, são comuns na “Invicta”, veio o senhor Moreira, com toda a solenidade, declarar uma “guerra séria” contra a mourama, isto porque a TAP cancelou dois ou três voos do Porto para cidades europeias, voos que não tinham freguesia que os justificasse.

O senhor Moreira não foi de modas e, inteligentemente, concluiu que o que os tipos da TAP, mancomunados com o “poder sulista”, queriam, era fazer um novo aeroporto em sarilhos Grandes, uma nova ponte no Seixal, uma Expo no Pinhal Novo e um urinol de mármore de Carrara no Lavradio.

Daqui, acrescentou, a necessidade premente de boicotar a TAP e de lançar um sério programa de luta contra mais esta investida do Sul, que não pensa noutra coisa senão em prejudicar as laboriosas gentes do Porto e arredores.

Duas conclusões: a guerra do senhor Moreira não é séria, nem é a sério. Não é séria porque vem ressuscitar a inferioridade mental, social e política que consiste na super ridícula, infantil e saloia ideia de que Lisboa quer “prejudicar” o Porto, coisa que jamais passou pela cabeça fosse de que alfacinha fosse. Não é a sério porque as “razões” aduzidas e as “armas” a utilizar ultrapassam, em estupidez e primitivismo bacoco, tudo o que a mais parola imaginação poderia conceber.

Pior que isso: quando a TAP anuncia uma ponte aérea entre Porto e Lisboa, valha-nos Deus, são os tipos a querer rentabilizar uns aviões de que dispõem! É de cabo de esquadra, digno do Jerónimo nos seus piores dias. Pior ainda: o mentecapto autarca acha péssimo que haja um voo entre Lisboa e Vigo. Quereria um voo do Porto para Vigo? Ou quer que os galegos vão apanhar voos intercontinentais a Madrid?

É sabido que o Porto, e ainda bem, tem beneficiado, e muito, dos custosos incentivos que “Lisboa” (o negregado Terreiro do Paço!) vem dando às low cost que levam ao Porto milhões de turistas e ajudam a pôr, com toda a justiça, a cidade no mapa. Mas isso não conta.

A bem dessa coisa absurda com que sonham os moreiras da nossa praça - a “capital do Norte”-, o senhor desse nome é capaz de dizer e defender as mais disparatadas alarvidades.

 

Por mim, até podem levar o Terreiro do Paço para a Praça da Batalha, com ministros e tudo. Não será por bairrismo que a mourama protestará. Voos ruinosos e inúteis é que não.

 

14.2.16

ONDE ESTÁ A VERDADE?

O camarada Costa, atentas as decisões do Conselho Europeu, declarou que o orçamento fora aprovado sem que fossem necessárias medidas adicionais.

O camarada Jeroep Disselbloem (é assim que se escreve?), no fim da reunião do mesmíssimo Conselho, declarou que o governo devia começar já a preparar medidas adicionais, a fim de ser aplicadas a seu tempo.

O camarada Centeno, depois da mesmíssima reunião, disse que ia a correr preparar as medidas adicionais, a fim de não haver dúvidas que o orçamento ia cumprir as regras.

É de ficar descansado, não é?

 

11.2.16

IMPORTANTÍSSIMA MEDIDA

O celebérimo artista Silva, conhecidíssimo por ter feito uma reforma da segurança social para trinta anos que durou cinco, e ministro da coisa no chamado governo, acaba de lançar uma medida de grande alcance.

Diz ele que quem quiser reforma antecipada será informado do montante a receber e poderá desistir do seu pedido se as contas não lhe agradarem.

Diz quem está reformado que nunca ninguém se reformou, seja no fim da carreira seja antecipadamente, sem que fosse previamente informado do valor que lhe querem pagar, nem jamais alguém deixou de poder desistir, ou reclamar, se não lhe agradasse o càlculo ou não estivesse de acordo com ele.

Daqui se conclui que o solene anúncio do artista tem um conteúdo cheio de virtualidades e demonstra a profunda noção de justiça e de preocupação social deste ínclito membro da organização governamental.

 

11.2.16

CITAÇÃO

Respigado dos jornais, (sublinhado meu), leiam:

A pressão sobre Portugal, em especial, deve-se aos receios em torno da execução orçamental e à decisão da agência de rating DBRS, que tem a chave para o financiamento da banca portuguesa no BCE e para a compra de dívida nacional por parte do banco central. O Commerzbank aconselhou na quarta-feira os investidores a ter cautela com a dívida portuguesa, perante o risco de um corte de rating.

Andam para aí uns senhores, feitos com o chamado governo, a dizer que a subida dos juros da dívida se deve (vai em 4,4% a dez anos) à “instabilidade dos mercados”, não ao que por cá se passa. Talvez haja a tal instabilidade, mas, como é evidente, só marginalmente tem a ver conosco. O que acima se cita é só um bocadinho de um bocadão que está escrito e dito por toda a parte.

Remédio? Remédio seria voltar atrás, e respeitar o resultado das eleições. Como o tempo não volta para trás... não há remédio.

 

11.2.16

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