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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O DINHEIRO DOS OUTROS

Nos execráveis tempos da I República, houve uns tipos que resolveram ter uma ideia “solidária” (como se diz agora): congelar as rendas das casas e casinhas. A coisa, com diversas versões e "justificações", manteve-se na mesma durante mais de sessenta anos. Atravessou a II República e foi-se mantendo pela III fora.

Em que consistia a esta política? Em pôr os cidadãos a substituir o Estado, isto é, em pôr uns a financiar as casas e casinhas dos outros, em vez de ser o Estado, se assim o entendesse, a restaurar equilíbrios, por via fiscal ou outra, o que, como se pode entender, era da sua mais estrita responsabilidade.

Como é do conhecimento geral, a coisa teve efeitos desastrosos. O parque habitacional degradou-se, arruinado e exangue. O mercado de arrendamento conheceu as distorções mais absurdas e as mais diversas injustiças, para arrendatários e proprietários, para o próprio Estado, perdeu biliões em impostos. Os aforradores viram os seus investimentos desvalorizados e os seus rendimentos praticamente aniquilados. O vício da compra invadiu e arruinou milhões de famílias, sem outra solução que a de ficar amarradas ao adquirido, sem mobilidade, sem liberdade, sem outra perspectiva que não fosse a de ficar agarrado às prestações em vez de procurar rendimento. A liberdade de contratar foi substituída por uma teia de normas económica e financeiramente absurdas.

A certa altura do percurso houve quem, aos poucos, fosse pondo em causa as monumentais perversões que o regime continha. Até que… até que houve quem tivesse a coragem, ou a ousadia, de, com vastos limites, liberalizar os contratos, permitir a actualização de rendas e abrir caminho à cura de males quase centenários. Sem, mesmo assim, deixar de rodear o sistema de uma série de martingalas burocráticas. Enfim, o que fosse “social” parecia poder recuperar a sua natureza de incumbência do Estado que, através do aumento na cobrança de impostos, reuniria meios para atender a quem deles precisasse, até à normalização do mercado, o que, é sabido, levaria anos. Mas valia a pena.

Até que… veio a geringonça e o seu ruinoso radicalismo. O congelamento regressou por seis anos, pelo menos. Se a inflacção voltar, que se lixe. Se o euro se desvalorizar, que se lixe. Se o investimento encolher, que se lixe. Congela-se, e pronto, está feita a justiça dos estúpidos. A reabilitação urbana deixou de ter os evidentíssimos progressos que a liberalização provocou, passando a ser pasto de ínvias manobras, financiadas, imagine-se, pela Segurança Social (afinal, parece que a dita está a nadar em dinheiro!). Que se lixe a Segurança Social.

Quem alugar a casinha durante umas semanitas a uns camones e for aboletar em casa da prima, passa, não só a ser objecto da tirania e da burocracia fiscais, como a ter de “compensar” os seus “elevados” rendimentos, mediante a colocação de outras propriedades no regime de “renda social”. Se não as tiver, que se lixe. Se as tiver, lixa-se na mesma.

Quem herdar um pinhalzito lá para as berças, se o pinhal arder ou tiver caruma, fica sem ele: a propriedade passa para o município por obra e graça da geringonça.

Bem vistas as coisas, engano será ficar surpreendido com estas desgraças e com tantas outras. Tudo isto, e muito mais que já está feito e se fará até à nossa (do país) derrota final, tem a sua justificação. Não em critérios de justiça, de economia, de bom senso, de viabilidade e sustentabilidade, mas no único que conta: o cumprimento das normas da cartilha da geringonça. Cartilha que é só uma: a do socialismo radical, por muito injusto, por muito anti-económico, por muito inviável que seja.

O nosso problema é que as clientelas da geringonça são numerosas e, por enquanto, estão a ser “alimentadas”. Quando se acabar o dinheiro, verão como foram estúpidas. Nessa altura, muita gente que, ou não é cliente ou percebe o que passa, já estará também arruinada.

É clássico, está provado, que ninguém duvide: o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros.

 

31.8.16

O QUE INTERESSA

“BARAFUNDA, BARALHADA, CONFUSÃO, EMBRULHADA, SALGALHADA, TRAPALHICE, ARDIL, EMBUSTE, ENREDO, LOGRO, TRAPAÇA, TRAPACICE, TRAPALHICE, TRAMPOLINA, ENRASCADA, embrulhada, trapalhice, salsada, salgalhada, barafunda, pessegada (Dicionário Priberam).

 

Não se sabe qual o sentido que a dona Maria Luís, ao classificá-las de trapalhada, atribuiu às nobres diligências efectuadas pelo ilustre cidadão conhecido por ministro das finanças da Lusitana geringonça. Qual dos sinónimos, ou significados que o dicionário sugere melhor se aplicará, no parecer da Senhora? Eu, que não percebo nada de finanças, tendo a metê-los todos na varinha mágica da cozinha e ver o que dá.

 

Mas isto pouco interessa.

 

O que interessa é verificar que o sacrossanto banco do Estado está mais ou menos na mesma situação de muitos outros, isto é, que não foi a sacrossanta propriedade pública, nem a sacrossanta gestão pública, socialista, laica e republicana que o salvou da bancarrota.

O que interessa é verificar que há um novo chefe daquilo que, do alto da sua alta competência, começa os seus dias afogado em vexames, indignidades e mirabolantes demonstrações da mais triste ramela política.

O que interessa é ver a desvelada comoção com que as esquerdoidas do BE e os bolcheviques do PC aplaudem a milagrosa “solução” encontrada.

O que interessa é imaginar o que esta mesmíssima gente diria se fosse outrem que não a geringonça a resolver a coisa.

O que interessa é pensar o que teriam feito o Arménio e a Avoila nessas circunstâncias, quantos avençados, contratados, apaniguados, assalariados, profissionais da arruaça, não encheriam já as avenidas aos gritos, quantos cartazes, quantas boinas do Ché não andariam para aí a clamar pela queda do governo, pela “justiça”, pela “igualdade” e por outras coisas que nem sabem o que querem dizer ou de que fazem perversa ou aldrabada interpretação.

O que interessa é ver que não há quem denuncie e dê consequências ao vexame que é ter um “governo” que nem a lei da nossa (dele) inimitável república conhece.

 

Finalmente, o que interessa é fazer o fácil prognóstico do que virá a seguir.

O que interessa é que haja quem acorde.

 

 31.8.16

INFRINGIMENTOS

O IRRITADO tem dito umas coisas sobre os rapazolas iraquianos envolvidos em gravíssima cena de pancadaria. Umas certas, outras, reconhece, nem por isso. Os tipos continuam por cá e, por alto serviço da SIC, contra-atacaram. Estão no seu direito de o fazer, e a SIC de os proteger.

As coisas não serão tão branco e preto como as notícias inculcavam. No entanto, em substância, fica a clara confissão da extrema violência com que os tipos deram cabo da cabeça do adversário. Será preciso mais para que se tornem arguidos? Parece que sim. O MNE aguarda burocracias várias, a PGR moita carrasco, a diplomacia continua com a tola na areia ao mesmo tempo que se desdobra em desculpas. É isto o mais importante do caso (depois, claro, da luta pela vida que é travada no hospital).

Entretando, o paleio jurídico-diplomático continua. Refiro-me à entrevista hoje dada pelo indispensável embaixador Seixas da Costa. Argumentação informada, com razão ou sem ela. O mais interessante, porém, é a contribuição do ilustre diplomata para o enriquecimento da pátria língua. Fala o senhor dos infringimentos dos rapazes. E repete, afastando enganos.  Faz inveja aos inconseguimentos da dona Assunção.

Consultados vários dicionários, o IRRITADO está em posição de eloguiar o neologismo, e mesmo de propor a Sexa o PR que dê uma condecoração ao nobre e culto senhor embaixador, pela sua alta valia linguística.

 

24.8.16

IMUNIDADES

Intérprete privilegiado e primeiro do nacional patriotismo, o senhor Presidente da República mandou um funcionário (ou funcionária, nada de machismos) telefonar para o hospital para se inteirar do desesperado estado de saúde de um miúdo de 15 anos que foi selvaticamente agredido por dois díscolos filhos de um diplomata de regiões inóspitas e pouco civilizadas. Que se saiba, não fez mais nada.

A chamada imunidade diplomática serve para garantir a segurança dos acreditados, não para proteger criminosos, ainda por cima sem acreditação nenhuma. Serve para proteger os diplomatas, não para lhes dar licença para matar.

E o senhor Presidente não tratou de emitir o seu alto parecer jurídico sobre o assunto, não chamou de urgência o chamado ministro dos negócios estrangeiros, não tratou de falar com a PGR, nada. Mandou telefonar, e pronto. O referido ministro “aguarda ser notificado" por quem de direito (!!!???). Deve estar à espera que os assassinos dêem à sola, o que é capaz de já ter sucedido. Ilustres figuras do socialismo, como o televisivo ex-embaixador Seixas da Costa, acham que “é preciso parar para pensar” (!!!???).

Ainda acabam por pedir desculpa ao tipo do Iraque pelo incómodo causado aos seus nobres rebentos. Já faltou mais.

 

20.8.16

A REPÚBLICA DOS CAGUINCHAS

É conhecida a tendência nacional para o caguinchismo. Foi o árbitro, foi o calor, foi o frio, foram as algas, foi a CE, a UE, foi Bruxelas, foi Angola, foi a Dilma, foi o raio que os parta. Nós é que não fomos. Com o alvorecer da geringonça, o caguinchismo ganhou honras de Estado. Temos inimigos por toda a parte. A culpa é de tudo e mais alguma coisa, não temos quem nos defenda, o mar salgado absorve as nossas lágrimas, ninguém quer saber, os inimigos acastelam-se por toda a parte, sim, a culpa não é dos cálculos do Centeno, não é das reversões, da falta de confiança, não é dos aumentos da função pública e outras maravilhosas benesses, é o dinheirinho que não entra nem à lei da bala, são os ricos que não investem, os pobres que não trabalham, o Verão que castiga.

Bem vistas as coisas, há remédio: cair a quatro patas em cima do contribuinte. Estamo-nos nas tintas para o contribuinte. É malhar nele! O contribuinte é, por definição, um pecador, deve ser perseguido, chateado, chupado, não com os pezinhos de lã do Passos, quem diria?, mas com a serena razão do Costa. Havemos de saber tudo o que tem e não tem: com suspeitas ou sem elas, vamos-lhe às contas do banco, taxamos os confessionários, aumentamos o IMI, criamos a contribuição da protecção civil, municipalizamos as florestas, os ricaços que ganham mais de mil euros por mês vão ver como elas lhes mordem. Os contribuintes são, se bem pensarmos, os maiores culpados. Nós, enquanto guardiões da moral republicana, aplicamo-la passando o caguinchismo para os contribuintes, queixem-se se quiserem, nós, como dizia um dos nossos mais ilustres ideólogos em relação à Alemanha, estamo-nos marimbando para eles. Demos o exemplo da caguinchice, sigam-no que nós ligamos tanto a isso como os inimigos externos nos ligam a nós: pevas, népias, zero.

E assim vai a Pátria.

 

20.8.16

CONTO NEGRO

Em Fortes Macucos de Cima há uma igreja com 500 metros quadrados, uma casa onde vive o padre Felismino, trasmontano de gema, com um anexo para o sacristão. 100 metros ao todo. O resort é complementado por um barracão destinado à sopa do Sidónio, e outro onde impera uma mesa de ping-pong. Ao todo, mais uns 150 metros. Do ponto de vista paisagístico, o complexo é complementado por um logradouro murado com uns 1.000 metros, a que se dá o nome de adro. Nele vicejam alguns pinheiros, três ciprestes e uma horta de nabos. A norte, estende-se a lonjura dos montes limitada pelo céu azul, a lembrar o destino das almas puras. A Sul, o cemitério, pejado de brancas campas. A oeste, uma fábrica de chouriços e uma pocilga mal cheirosa. A Leste, lá onde nasce o Sol, vê-se um bairro de casas abandonadas, vítimas da desertificação, do declínio populacional e das ratazanas.

 

Um dia, um desconhecido bem-posto, jovem licenciado em rendas de bilros, aborda o padre Felismino.

- Bom dia, meu filho. Em que posso ajudar-te?

- Sou inspector tributário - responde o homem, exibindo a identificação da República.

- Sê bem-vindo. Queres confessar-te? Marcar um matrimónio? Pedir a extrema-unção para alguma alma de partida?

- Nada disso. Venho a mando do governo marxisto-jacobino, a fim de pôr as coisas no são.

- ???

- Por ordem superior, o complexo que o senhor gere foi avaliado em três milhões oitocentos e vinte sete mil euros e quarenta e quatro cêntimos, sem contar com a majoração da paisagem, das condições edafo-climáticas da zona, da existência de espécies autóctones e de vários endemismos, assim como, naturalmente, das mais-valias que são características dos empreendimentos de natureza turística ou afins. Foram consideradas algumas menos valias, incluídas pela lei na fórmula de cálculo. Assim, a sua propriedade tem, feitas as contas, um valor fiscal final de quatro milhões trezentos e vinte sete mil euros e dois cêntimos.

- Mas…

- Não há mas nem meio mas. O cidadão responsável, que é vossemecê, uma vez que goza de benefícios camarários aprovados na Assembleia Municipal de 10 de Julho, tem desconto. Ora veja aqui no aipede. Em baixo, a negro: são dezoito mil oitocentos e quarenta e quatro euros por ano, que poderá pagar em três suaves prestações de cerca de seis mil euros…

- Eu não sei nada disso, nem tenho dinheiro para pagar, nem os cento e oitenta a quatro habitantes da paróquia me podem ajudar.

- Isso não interessa. Não paga, nacionaliza-se esta coisa toda, e pronto. Mas tem os seus direitos assegurados. Por exemplo, tem o direito de reclamar, desde que, como é evidente, pague primeiro, como acontece a qualquer cidadão. Dentro de mais ou menos um ano, a sua reclamação será, como é de lei, indeferida. Também pode dar a coisa à penhora, como garantia, o que contribuirá para agravar a despesa. Em alternativa, que não aconselho, poderá impugnar a colecta, o que, com os preços a que estão os advogados, sai caro e pode arrastar-se por vários anos nos tribunais, com variadíssimas despesas acrescidas.

- Mas…

- Já lhe disse. Não há mas nem meio mas. As coisas são como são. É o que manda o Estado de direito, no cumprimento dos mandamentos da moral republicana, socialista, laica e marxisto-jacobina.

- Ouvi dizer que a Igreja tem um acordo com o Estado…

- Tinha, meu caro, tinha. Agora quem manda é a geringonça, que não tem nada a ver com acordos assinados pelo Mário Soares, indivíduo que está completamente patareco e já não manda nada, está a perceber? Agora quem manda é a Catarina e o Jerónimo, sendo executor ao seu serviço um tal Costa, proveniente da ala jacobina, está a perceber?

- Não, mas…

- Mas o que acontece consigo acontece com todos os cidadãos. Julga que é mais que os outros, ou quê? Se todos pagam e não bufam… está a perceber? É a igualdade!

- Bom, vou falar com o Bispo.

- Fale com quem quiser. Desde que pague não há problema nenhum. Boa tarde.

 

20.8.16

OS RADICAIS

Toda a gente sabe que os radicalismos estão na moda: há-os de esquerda, de direita, do desporto, dos deficientes sexuais, das condecorações, comendas e penduricalhos afins, da pancadaria cinematográfica, do patrioteirismo parolo, etc.

Portugal distingue-se dos demais pela ausência de radicalismos de direita e pela abundância dos demais. À esquerda, temos os do PC e os da Bloca, aos quais se acrescenta, venerador, obrigado e radicalíssimo, o antigo partido do “socialismo democrático”, vulgo PS.

Originais como sempre, temos, de há uns tempos para cá, mais um importante radicalismo: o da incompetência. Os primeiros sinais desta corrente política foram dados a tempo e horas, consubstanciados nas teorias do consumo salvador e do mágico fim da “austeridade”. O eleitorado não acreditou na coisa, mas, mercê de inesperadas “interpretações”, ela entrou em vigor, com os resultados que estão à vista – endividamento das famílias, despesas sem receitas, confiança zero, investimento zero, etc.

E a incompetência radical lá foi fazendo o seu caminho, num mar de mentiras, de números de circo, de propaganda, de disse-que-disse-e-não-disse, de “negociações” entre esquerdões, esquerdófilos e esquerdoidos, de apalermadas lutas contra Bruxelas e contra mais uns 25 países da União, de nacionalizações (verificadas e anunciadas), de broncas e mais broncas.

O auge desta nobre tendência é-nos oferecido pela monumental palhaçada da CGD. Uns tipos acabaram o mandato em Dezembro. Estamos quase no fim de Agosto e a confusão aprofunda-se. O sacrossanto banco do Estado, “nosso” – nosso uma ova – está há oito meses sem ter quem mande, sem objectivos, sem decisões, a perder dinheiro todos os dias como é apanágio das empresas públicas e das privadas que se penduram no Estado.

O incompetentismo está esplendoroso, radicalíssimo, a dar lições ao mundo. O BCE descobriu que o chamado governo nem as leis do país conhece. Mandou uma data de novos “administradores” dar uma curva. Aos demais, aplicou um programa de novas oportunidades, educação de adultos ou coisa que o valha. Quase tão incompetente como o Centeno, o BCE acha que há que lá pôr mais três mulheres resolve o problema. Alto critério de competência, aliás em voga.

O Centeno, meio apatetado, desapareceu da liça e mandou um chamado secretário de Estado dizer uma interminável série de disparates a que acrescentou algumas flores de retórica, metendo os pés pelas mãos com a arte e a credibilidade que são próprias do incompetentismo radical.

Note-se que, no meio disto tudo, há um problema socialisticamente menor, como diria o 44: uns míseros cinco mil milhões de euros. Trocos que, por insignificantes, desculpam todas as farsas, não é?

A degradação do cómico é tragédia.

Esta tragédia tem outros capítulos que, por questões de higiene, não descreverei.

  

Haveria algumas perguntas a fazer, se valesse a pena. Por exemplo:

- Onde está o Presidente da República?

- Como é que um gestor, ao que dizem sério e competente, aceita andar metido nesta palhaçada?

- Como é que os outros também se deixam ficar?

- Como é que o chamado ministro das finanças não vai à vida e não leva consigo os seus secretários?

- Quando é que a malta acorda?

 

19.8.16

O PREQUINHO, OU O PRECÃO

O desonesto primitivismo esquerdista do chamado primeiro-ministro, hoje já indistinguível do esquerdoidismo pacóvio das catarinas e dos estertores bolcheviques dos Jerónimos, foi objecto de mais uma tirada a todos os títulos reveladora da lata estanhada que lhe serve para ir enganando os incautos.

Disse a criatura que, há anos, quando era número dois do vândalo político que dava pelo nome de Sócrates, tinha elaborado um superiormente inteligente plano, que salvaria a Nação, para todo o sempre, do flagelo dos incêndios. Como o tal plano nunca chegou a ser aplicado, presume-se que por alguma conspiração da “direita”, os incêndios voltaram com a violência de que só a tal “direita” é capaz.

Os altíssimos remédios inventados pelo Costa não foram aplicados, daí a presente desgraça. Esquece a parte mais interessante do seu extraordinário e competente trabalho. É que o primeiro a não o aplicar foi o seu próprio produtor e o governo canalha de que era número dois. O plano era tão bom, tão competente, tão milagroso, que nem eles o aplicaram.

Ninguém sabe qual terá sido a tão alta produção do seu privilegiado cérebro. O que se sabe é que, no uso da mais desavergonhada demagogia, no auge da inquisitória filosofia geringoncial, Costa, líder da esquerda radical, se serve das parlapatices próprias para acusar terceiros.

Isto, aliado à nova “estrutura da propriedade florestal” (leia-se extorsão, confisco, roubo, expropriação, posse administrtiva, nacionalização,municipalização) só a um néscio ou a um idiota não fará perceber o que se passa: algo que começa a fazer inveja à filosofia do 11 de Março: step by step, a marxização do país prossegue, nas escolas, na tirania fiscal, agora nas florestas.

Não, não é uma consequência da silly season. É o aproveitamento dela para prosseguir no caminho do regresso ao PREC sem que os papalvos dêem por isso.

Mais uma vez, o IRRITADO avisa: ponham-se a pau. Distraiam-se e verão o que lhes vai acontecer.

 

16.8.16

MALEFÍCIOS DO TAVARES BOM

Costumo comprar o jornal privado chamado “Público”, órgão eminentemente socialista que, ironia do destino, vai, todos os dias, perdendo os últimos resquícios de interesse e de qualidade. No entanto, resta um ou outro opinador que, tipo raminho de salsa, costuma fazer xixi fora do comunicatório bacio.

Cá por casa, lemos o Tavares bom e, às vezes, o Tavares mau. Vão-se revezando, no “Público”, dia sim dia não. O mau (aquele careca que pôs os paus ao Louçã) vai despejando as suas teorias esquerdófilas, por vezes de forma inteligente. O bom, esse, vale sempre a pena ler.

A não ser… hoje.

Churchill dizia que um orador que não é capaz de dizer o que tem a dizer de improviso e em tempo curto não é orador nenhum. Estou de acordo. Hoje, porém, o Tavares bom desanca Passos Coelho por ter, no Pontal, falado de improviso e de forma serena. O que seria preciso, na sua expressa opinião, era trazer um discurso escrito, lê-lo num papel ou num ponto invisível, como o Obama ou o Sócrates. Uma oração que pusesse as massas em delírio, com frases ribombantes devidamente estudadas de forma a meter emoções fortes no peito dos assistentes, com o objectivo de pôr a malta em pé, aos pulos, aos gritos, aos vivas.

Passos, como é, felizmente, seu hábito, resolveu debitar uma série de irrefutáveis verdades, com a calma, a serenidade e a decência que lhe são peculiares. A malta não desatou aos gritos nem aos vivas. Ouviu as verdades, interiorizou, e foi para casa com alguma coisa para pensar. O consumo de copos depois da sessão deve ter sido fraquito, mas ficou, mais uma vez, a sensação de se ter aprendido alguma coisa e de se ter alguma coisa para pensar.

O meu “amigo” Tavares bom (nunca o vi), esse, perdeu uma boa oportunidade de dizer qualquer coisa de jeito. Uma pena.

 

16.8.16

ESTATISMO PIROSOTÉCNICO

Para além das múltiplas desgraças que os fogos vêm causando, outras nos assaltam, despercebidas enquanto tal. São elas as centenas de declarações de políticos, técnicos, comentadores abalizados, tipos descobertos à última da hora, todos sem excepção a abarrotar de soluções, as mesmas de sempre, de sugestões obsoletas, de velhíssimas ideias, num nunca acabar de palavreado já mil vezes repetido.

O poder também se manifesta. Desta vez, a dona não sei quê Urbano de Sousa foi encarregada da solução ideológica. Assim: se há terras abandonadas, saquem-se as terras aos proprietários, e pronto. Genial. A cartilha bolchevista tem remédios para tudo. Isso de ordenamento, que se lixe. Obrigar à prevenção, nem pensar. Castigar quem prevarica, quem não cumpre, quem aumenta os riscos por negligência, que disparate. A solução é sacar a propriedade e entregá-la à esfera pública, Estado, municípios, “comunidades”. Por outras palavras, atacar o que é privado, alargar a propriedade pública, usar a cartilha do PC e do BE, ora adoptada pelo PS, como muito bem é hoje sublinhado num artigo de António Barreto.

Talvez alguém pudesse esclarecer a senhora – ou o chamado governo – sobre o facto de as entidades públicas “salvadoras” já terem à sua conta milhares e milhares de hectares, tão maltratados como os dos mais negligentes proprietários. Talvez também pudessem fazer ver à senhora que as florestas menos atacadas pelos fogos são do domínio privado de particulares ou de empresas responsáveis e úteis.

Devo estar enganado. Bem vistas as coisas, a tal senhora, dita ministra, já sabe isto tudo melhor do que eu. A intenção não é a de prevenir fogos, é a de aproveitar a oportunidade para sacar para a esfera pública o que público não é. Todos os pretextos são bons para babar ideologia, não é, dona Constança?

 

E a procissão ainda vai no portão do adro...

 

14.8.16

O IMPÉRIO ORIENTAL

A evolução das coisas na Turquia é, de longe, uma ameaça maior que todos os fundamentalismos juntos. É que, se Mustafá Kemal fez os mais revolucionários esforços para ocidentalizar a Turquia, Erdogan está decidido, custe o que custar e a quem custar, a remuçulmanizá-la, e da pior maneira.

Longe vão os dias em que, na praça Taksim, protestavam os que temiam o iminente caminho para a ditadura teocrática, o poder pessoal, o fim do Direito no Estado e dos direitos dos turcos. Hoje, nem a uma só voz é permitido pôr em dúvida tal caminho. As listas da purga estavam elaboradas, como é evidente, à espera de uma oportunidade. Nenhuma liberdade escapa, nenhuma opinião desalinhada se tolera e – maior perversidade é impossível - em nome de uma democracia, representada por massas ululantes, estabelece-se ou reestabelece-se o poder totalitário, sem peias nem escrúpulos.

O “tampão” turco da Europa e do mundo Ocidental deixará simplesmente de existir, e ninguém sabe como nem quando outra estrutura fiável poderá ser posta em acto.

São já evidentes as intenções do ditador de recriar a “grande Turquia”, com incontidas ambições hegemónicas no médio oriente, no Cáucaso, na Ásia central e, porque não, uma vez tal hegemonia consolidada, o avanço para Ocidente, coisa que jamais deixou de estar no imaginário colectivo dos saudosistas imperiais.

Talvez nada disto venha a acontecer. Resta saber à custa de quê. Desta feita, a ameaça não é a de grupos terroristas mais ou menos organizados, nem a de loucos e camicases, é a de um poder imenso, militar e económico, disposto a tudo em nome de um regime que se diz democrático ao mesmo tempo que mete todos os valores da democracia no caixote do lixo. O poder turco vai deixar de ser alinhado com o Ocidente para ir buscar apoios à Rússia de Putin e a outros dignos de igual “confiança”, na mira de uma nova divisão de influências e de equilíbrios. Mudam os pratos da balança, aumentam os riscos, agora não de fora mas do próprio seio das nossas defesas.

 

13.8.16

OS BENIGNOS

Então, é assim:

- O chamado ministro do ambiente, depois de declarar que este ano havia muito menos fogos que nos anos anteriores, reforçou a patetice afirmando que a época de incêndios era “benigna”. Benignidades destas nem da geringonça se esperaria.

- A chamada ministra das polícias, coitadinha, assustada com os incêndios, fechou-se em copas. Sumiu-se. Fez ela muito bem, porque assim como quem anda à chuva se molha, quem anda ao fogo queima-se.

- O Presidente, mui geringonçamente, disse que “enquanto a situação está quente é que se deve pensar”. Como é fácil de perceber, pôs as coisas de pernas para o ar. Popularidade oblige, nem que seja a dizer asneiras.

- O chamado primeiro-ministro reiterou a sua inabalável confiança nos tipos que foram à bola com o Amorim e que querem taxar o sol e as vistas. Nada mais natural. A geringonça não peca, o fisco passou a divino e o Costa é o que é.

- A filha do tipo da Segurança social, chamada secretária de Estado não sei de quê, informou a plebe de que “sente a falta de pensar”. Ainda bem. Que faria se pensasse com a mesma inteligência de que o papá faz alarde!

- O chamado ministro da Educação (que viajou com os colegas no avião de Paris) e que não chegou a levar a olímpica facada, ao que parece continua muito entretido em Ipanema. Era bom que se deixasse ficar por lá.

- O chamado ministro da defesa, depois do acendrado gayismo que propagandeou, parece ter desaparecido em combate. Boa notícia.

- O chamado ministro da economia, nem com os números esborrachados na “face” dá o braço a torcer. É tão bom ser ministro!

 

Um ex-colonizado dizia, aqui há anos: ei, os colonialismo acabou; quando acaba os independência? Por cá, hoje, diz o Zé: a troica acabou; quando acaba a geringonça?

E assim vamos, entre benignidades, disparates, palhaçadas e esquerdoidismos.

 

13.8.16

REGRESSO

Nove dias sem Wi-Fi, sem computador, sem telemóvel, sim, à antiga, o IRRITADO a dormir, o dono cheio de calor. É bom, é mau, sei lá. Pelo menos foi uma coisa nova, tão velha, e tão nova!

Chego. Que vejo?

- O país a arder por todos os lados e um senhor de barbas, na sua qualidade de chamado ministro do ambiente, a comunicar que – certamente por mais uma milagrosa acção da geringonça - este ano ardem menos hectares que no tempo do anterior e propriamente dito Governo.

- Uns chamados secretários de Estado, pobres rapazes, deslumbrados com as maravilhas do Terreiro do Paço, foram à boleia do camarada Amorim ver a bola em terras gaulesas. Coitaditos, devem ter sido denunciados por algum hiperliberal sem escrúpulos. A oportunidade de uma vida, irrecusável, assim arrastada na lama. Diz-se que, ao correr da farra, até conheceram pessoas que, noutras circunstâncias, não lhes ligariam bóia. Quem poderá condená-los? Aborrecido com o assunto (o da denúncia, não o da boleia), o trauliteiro-mor da geringonça, aquele que substitui o chamado primeiro-ministro em várias chatices, teve um ataque de moral republicana e, dando mostras de superior critério, decretou a elaboração de um “código de conduta”, coisa que já existe mas que os geringôncicos rapazes desconhecem. No parecer da citada criatura, o comum dos mortais, estúpido por natureza, comê-la-hão por boa e… “Assunto encerrado”, vociferou. Pois. Outras boleias virão, rapazes, não se preocupem.

Por falar de boleias, eis que dou com o Senhor Presidente a pavonear a excelência da Nação nas plagas de Cabral. Mais uns desportos, especialidade de eleição da nova III (ou IV?) República, uns pontapés na bola, uns combates, uns triplos saltos, uma corridas, umas pedaladas… O problema é que, depois de meses de acendrada propaganda e certamente por culpa dos árbitros e/ou da organização, parece que as fábricas de medalhas vão ter pouco que fazer. Lá se vão umas comendas para o arquivo morto. Ainda por cima, o chamado ministro da educação e uma sua educanda ou apaniguada ou ajudante (honnî soit…), foram atacados à facada em Ipanema, sabe-se lá se por algum enviado das escolas privadas, do patriarcado, dos bas-fonds da direita, ou por aquele juiz de quem o atacado não gosta e cuja demissão mui democraticamente exige. Tudo isto contribui para o menor brilho do desportivíssimo périplo das autoridades portuguesas por terras de Vera Cruz. Uma pena, não acham?

- Pessoas tidas por sabedoras, mas tão só possuídas de mesquinhos ódios, continuam a dizer que estamos metidos num imbróglio de aldrabices económico-financeiras de tal ordem que nada nos salvará de uma miséria bastante pior que a herdada de seis anos de socretinismo. Onde podem chegar a malquerença, a cegueira ideológica, a partidarite que anima esta gente! Ainda por cima (com os socialistas europeus à frente!), não há um só governo, um só político, uma só instância nacional ou internacional que não diga o mesmo. É demais! Uma conspiração universal só comparável, em desapiedada sanha, com a que movem os poderes judiciais contra esse impoluto e admirável cidadão que dá pelo clássico nome de Sócrates.

 

Enfim, tantos dias longe, e está tudo na mesma. Ou pior, que o calor é muito e a inteligência foi, sine die, de férias.

 

9.8.16

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