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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

INTERVALO

Tenho andado afastado das minhas irritadas lides, por razões que não vêm a propósito. As minhas desculpas.

Hoje há intervalo. Nada de irritações: não vou falar do chairman nem do CEO.

Deu-me na cabeça voltar à história do rapazito que ganhou o concurso das cantigas. A modinha era simples e bonita, a contrariar a tendência generalizada para o primitivismo musical, a parvoíce das letras e a exibição do pirosismo militante que por cá impera. No caso, se excluirmos o inacreditável pentado do petiz, podemos dizer que merece palmas, pelo menos por sair do comum, e sem mau gosto.

No entanto, mais que a sua performance e a da respectiva mana, o que me traz é o espanto pelo êxito que tiveram. É que estou habituado, farto, até ofendido (lá vêm as irritações) com o que por aí se chama música, com os chamados concertos, com os milhões de fulanos e fulanas capazes de passar horas, noites, dias, aos pulos e aos gritos perante a berraria de bandos de drogados, a exibir o agressivo mau gosto de umas vestimentas, ou despimentas, e o número astronómico de decibéis que dão cabo do cérebro de qualquer um. Raramente produzem coisa que possa, mesmo que por favor, merecer o nome de música.

Por tudo isto, é verdadeiramente espantoso que a cantiga tenha merecido a vitória, ainda por cima proveniente de "eleitorado" tão diverso .

Uma conclusão, para variar bem agradável: afinal ainda há, por essa Europa fora, muita gente que mantém o culto e o gosto por coisas que, sem ser primitivas, saiem da barulheira das NEPs da actualidade.

 

23.5.17

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SACANICES

 

Ouvi ontem mais um brilhante discurso do nosso inestimável Presidente da III República, indiscutível chairman da geringonça e excepcional personalidade no que se refere à mestria com que faz a apologia dos seus pupilos. Mesmo quando parece dar-lhes umas suaves dentadinhas, mais não está fazendo que introduzir um chorrilho de sibilinas referências aos seus adversários, quer dizer, aos que escolheu como seus adversários, designadamente aos que nele votaram por convicção e aos que o fizeram à contre coeur.

Instalou-se entre nós a ficção do "Presidente de todos os portugueses". Nada mais falso e, desde logo, inconstitucional. A Constituição, que é "da Republca", só da Repúblca, não de Portugal, de um Portugal que que "é uma República", não uma Nação, não um País, não um Povo, nada disso. Na definição constitucional, Portugal começou a existir em 1910. Tem 117 anos.

Onde foram os admiráveis Presidentes que temos buscar essa do "Presidente de todos os portugueses"? À Constituição? Nem pensar. A Constituição define tais senhores como presidentes da República e de nada mais do que "da República". É certo que, definido Portugal como república, poderá dizer-se que o respectivo presidente o é de Portugal. Mas dos portugueses? Uma ova. Não são presidentes de ninguém!

Outra falácia temos à perna, a dos presidentes "independentes", "acima dos partidos e das facções" coisa que nunca existiu. É o que, teórica e politicamente, não é difícil de provar, mas não vale a pena. Os factos provam-no.

O primeiro Presidente eleito, depois de se ter desentendido com tudo o que mexia menos com o PC, acabou por criar, a partir de Belém, um partido pessoal. Os dois seguintes dedicaram-se com afinco a proteger o partido de onde vinham e a fazer a vida negra aos outros, desde que estivessem no poder. O quarto terá sido o que menos atacou os partidos do poder e que protegeu até mais não ser possível, o governo do PS saído do golpe e Estado do seu antecessor. Depois, institucionalmente como lhe competia, empossou os que ganharam as eleições. Mas, contrariado por repelentes manobras esquerdófilas, acabou, miseravelmete, por empossar a geringonça.

O quinto, à revelia do seu próprio passado e de quem teve a desdita de acreditar nalguma presidencial independência, é tão "de todos" como os outros, e da pior maneira. Durante anos, dedicou-se, na televisão, a dar brutais mordeduras no seu partido e no respectivo líder, fazendo inveja, em soncice, em meias-palavras e em insinuações, a qualquer figura literária de histórias de cinismo, e fazendo inveja, de que maneira, aos mais críticos dos críticos - estes, ao menos, são directos, não sibilinos nem metafóricos nem falam por entrelinhas.

Compreende-se, gostando ou não, o semi-presidencialismo da V República francesa. O presidente é um chefe político eleito com base num programa concreto, podendo os apoios institucionais que obtiver proporcionar-lhe uma maior ou menor capacidade para o realizar. É o Presidente da República Francesa e da França, que representa como o mais qualificado  dos executivos.

Em Portugal, o semi-presidencialismo (talvez se lhe pudesse chamar semi-parlamentarismo, e já era demais) é uma anedota de mau gosto.

Vivemos com isso, e, de tantas mentiras em verdades transformadas, já perdemos os critérios e a capacidade de saber dos nossos males.

 

17.5.17

APESAR DA GERINGONÇA

 

Parece que Silva, o trauliteiro mor - hoje dito ministro de uma coisa qualquer e, por isso, mais suave, mais cheio de “gravitas” - já não ameaça os dversários de porrada, limitando-se a dizer  que estão em situação de não querer perceber os feitos heróicos da gerigonça.

As evidências não são a especialidade da esquerda nacional. Nunca foram, como há quem já tenha percebido. É natural que o ultramontanismo do Silva não chegue para perceber o que se vai passando, coisa que não é tão complicada como se poderá imaginar mas que, mesmo assim, está fora dos limites da capacidade do indivíduo. Perdão. Sejamos justos e caridosos: talvez a capacidade da criatura esteja dentro de tais limites. Neste caso, mente com quantos dentes tem na boca, o que é próprio da filosofia em vigor. Nada a criticar.

Vejamos. O crescimento da economia, ao contrário do que diz a propaganda, não é coisa que fique a dever seja o que for à geringonça. O trimestre em que, dizem, a economia cresceu mais, também foi, dizem os mesmos, aquele em que o consumo interno mais desceu. Ora como o consumo interno (dos funcionários e demais clientes - o resto ficou de fora) era o que, para a geringonça, faria crescer a economia, aí temos tudo de pernas para o ar: o consumo interno, ainda por cima descendo, não fez crescer coisíssima nenhuma. Se a economia cresceu, não foi por causa da geringonça, foi apesar dela ou até contra ela. De qualquer forma não é coisa com que a geringonça tenha seja o que for a ver, directa ou indirectamente.

As origens do tal crescimento têm que ser procuradas mais longe, como o IRRITADO já teve ocasião de dizer, ou seja, às reformas de Passos Coelho, aos cuidados de Passos Coelho, ao bom senso de Passos Coelho, às poupanças de Passos Coelho. Aliás, o crescimento começou, ou regressou, com Passos Coelho, o emprego começou a subir com Passos Coelho, etc. Somem-lhe a retoma europeia e o turismo, e aí têm: zero a ver com a geringonça.  

A geringonça apanhou o combóio por perversas vias e (ainda) não o fez descarrilar, mesmo trabalhando para isso com afinco. Já faltou mais, mas é verdade que enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

O pior é o que vem a seguir.

 

16.5.17

METROPESSEGADA

 

O governo-que-há-quem-apoie declarou solenenemente (como é seu hábito) que iria construir quatro novas estações de metropolitano em Lisboa. A mesma estrambólica instância, menos de vinte e quatro horas depois, veio informar os indígenas sobre a “verdade”: não são quatro estações, são duas. Duas é que são. E pronto, assim manda a coerência e a firmeza das governamentais intenções.

Quem isto ouviu e não sofre de partis pris conclui o que resta para concluir, isto é, tanto pode ser duas, como quatro, como oitocentas e vinte e nove, como nenhuma.

A verdade oficial agrada, por razões opostas, aos crentes da geringoncial igreja e aos que, heroicamente, mantêm vivo o senso comum. Para os crentes, ver a organização proclamar a generosa intenção de dar estações ao povo, sejam quantas forem, é mais uma razão para a incensar e acreditar nos seus milagres. Para os raros tipos da área do censo comum, estamos perante mais uma aldrabice daquelas tão aldrabonas que até o chamado governo mete os pés pelas mãos sem saber qual é a “verdade”.

Abrindo caminho nesta selva de estações surge inopinadamente a dona Cristas a fazer campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa… no parlamento - coisa inédita e inapropriada. A senhora não está com meias medidas e, sem mais aquelas, declara que não são duas, nem quatro, as novas estações. São vinte. Fataça! Grande plano. Dá para discutir, o que deve ser o que se pretende. Isto porque, em matéria de campanha eleitoral, se torna estranho que a patroa do CDS venha jorrar promessas sobre os munícipes de Oeiras, Loures e Amadora, os quais, mesmo que quisessem, não votariam nela.

Enfim, desde da célebre reversão do sensato caminho que o governo Passos tinha, sem promessas nem demagogias, apontado para o Metropolitano, ninguém sabe, nem o Merdina, nem os geringonços em geral, ainda menos o chamado governo, o que há-de fazer com o monstro de que se quer manter proprietário e “gestor”. Nada que não fosse de prever e cuja ruína o tempo não deixará de mostrar.

Enquanto a coisa vai correndo, talvez as distintas autoridades camarárias e governamentais pudessem, ao menos, mandar pôr a trabalhar umas composições que lá têm empanadas, rever os horários e as frequências, não deixar faltar os bilhetes outra vez, dar alguma coerência à sinalética do Metro, etc.. Mas isso, ou é caro ou complicado demais para as mentes privilegiadas que tomam conta do assunto.

Acresce, evidentemente, que o que é fácil e está a é anunciar estações novas, não resolver problemas antigos.

 

15.5.17          

O RABO VIRADO PARA A LUA

 

Como sabe quem o lê, o IRRITADO não é apreciador do chamado primeiro-ministro. Abomina  os “princípios” morais e políticos que o levaram ao poder no partido e no país. Despreza os seus discursos. Detesta os seus áulicos e os seus parceiros. Não acredita um bocadinho que seja na excelência do nosso futuro nas suas mãos. Denuncia-lhe as mentiras, as inverdades, as aldrabices, as patacoadas. Descobre-lhe carecas, sublinha-lhe fífias, põe à vista manipulações, cambalhotas, o vale tudo, a ausência de escrúpulos, a infrene gabarolice.

Feita esta honesta e resumidíssima declaração de interesses, que só peca por suavidade, diga-se que ao citado  indivíduo se aplica como um luva o dito popular que reza “todos os malandros têm sorte”, ainda que chamar malandro ao homem seja demasiado elogioso.

Mas lá que tem sorte, tem, e não pouca. Vive da herança de Passos Coelho, dos tostões que a dona Maria Luís para aí deixou. Sobe o emprego à custa das reformas das leis do trabalho do governo anterior. Aproveita, ainda que mal e pouco, a embalagem adquirida antes dele e, sem resolver ou resolvendo com os pés os problemas que herdou e criou, pode à vontadinha usar arengas de marqueting sem que lhe descubram os podres. Junta a isto o boom do turismo, coisa que também vinha de trás mas que chegou aos píncaros no tempo dele sem que para tal precisasse ou tivesse de mexer um palha. Mais sorte é difícil.

Juntemos a isto o adiamento e/ou os disfarces das consequências das chamadas reversões, das cedências à cartilha esquerdoida, aí temos o caldo onde, para já, fervilha a sorte, a propaganda e o “prestígio” do indivíduo.     

Não se assuste. Há mais. Subitamente, um data de benesses do destino lhe caem sobre a parabólica cabeça. O 13 de Maio de 2017 foi, para a criatura, uma espécie de árvore de Natal cheia de presentes vindos da chaminé, com o não merecimento do menino. O Papa lado a lado com ele e com Marcelo, o seu mais importante, ilustre e incondicional apoiante. Os pastorinhos canonizados, mesmo sem ser filiados no PS nem terem sido adeptos do Afonso Costa. Um rapazito com um penteado inimaginável, gemendo de mor e auto dedilhando-se, ou arranhando-se, ganha um festival internacional, importante ao que se diz. O Benfica, na augusta presença do homem e do seu abstruso ministro das finanças, ganha o campeonato.

Fantástico.

Não fora o problema do morcão lá do Norte e dir-se-ia que era o jackpot.

 

15.5.17

OPTIMISMO

Nisto de verdades e mentiras, a escolha é livre. Hoje, no debate quinzenal - celebração muito conhecida por ser constituída por perguntas ao chamado governo a que o dito não responde - é, por exemplo, praticamente proibido falar em números. Os números, antes de devidamente manipulados,  perdem qualquer validade na boca do poder. A prová-lo, os da criação de postos de trabalho: na primeira ressaca da crise com que o PS de Sócrates & Costa nos presenteou, houve mais criação de emprego que com a geringonça. Apregoa-se o contrário e parece que há quem acredite.

Os salários, na boca do poder, subiram. Pois subiram, para os clientes. Quer dizer: subiram os que os não clientes lhes pagam. Para estes, os salários desceram, como é sabido. O salário mínimo subiu ligeiramente, já que não é ao governo que cumpre pagá-lo. No caso, os clientes não foram contemplados porque andam todos acima do mínimo.

A saúde está como está: as dívidas a subir em valores astronómicos perante o doce olhar do chamado ministro e o optimismo bacoco e irresponsável do chefe Costa. Os médicos estão em greve porque querem mais dinheiro. Os enfermiros estão na mesma. O optimismo passa a alarvismo.

As escolas é o que se sabe. O ensino perdeu qualidade, as instalações também. Só os clientes vicejam, cada vez mais, aos milhares, tudo a caminho da estatização geral, ou seja, da sua triste ruína. Os resultados ver-se-ão a médio prazo, tanto os educativos como os económicos.

E assim por diante. Enquanto houver turistas a coisa ir-se-á aguentando, e por mais tempo do que seria de prever.  

Enganados mas felizes. Ou optimistas, como diria o chairman.

 

10.5.17

CAPOTAÇOS

 

Com o capote encharcado, as hostes agitam-se a ver se conseguem sacudir as águas.

Onde foi a dona Marine Matias buscar uma data de votos na segunda volta?

Aos tipos do PSF? Disparate!

Aos dos “republicanos”? Umas dúzias.

Aos daquele palerma que queria ser primeiro-ministro? Com certeza, mas eram poucochinhos.

Então de onde vieram os 13% (8,5 milhões) de votos que a criatura somou aos 23% da primeira volta? Ao éter? É pouco provável. A alguma intervenção milagrosa? Nem pensar.

Então, onde? A resposta mete-se pelos olhos dentro. Votaram nela os miseráveis restos do PCF e, como está provadíssimo, a tropa fandanga de neocomunistas seguidores do Melenchon, irmão bem amado do Louça, do Iglésias, do Tripas, do Maduro e de outros génios da actualidade.

E agora, hem? Sim, e agora? Agora, as Marisas Le Pen da nossa praça tentam sacudir as toneladas de verdade que lhes caíram em cima. As “massas” da Le Pen são as mesmas do Melenchon, isto é, por mais voltas que as tipas e o careca do BE dêm ao texto, não há nada a fazer: o “amor” à liberdade é o que os une, o que ultrapassa as diferenças, o fundamental. Por cá, tal “amor” divide-se entre o PC e o BE, com alguns Galambas à mistura: os nossos melenchons e os nossos lepenes.

O resto é paleio, desculpas, mentiras que metem num chinelo as do Trump.     

 

10.5.17

DIA DA MÃE

 

Dando largas à filosofia do BE, a “comunidade” resolveu dar mais uma arrochada na gramática, arranjando maneira de multiplicar o número de mães.

Assim:

Um fulano, de preferência desconhecido, vende os seus testiculares produtos a uma organização (o SNS?) que os criopreserva. Vai daí, duas defientes sexuais resolvem “partilhar a maternidade”. Vão ao frigorífico do SNS – em princípio tudo de borla – e, uma delas, injecta o produto nas entranhas, como se faz às vacas, até que a coisa medre. Uma vez medrada, extrai-se o artigo à medradora e mete-se na barriga da amiga. Esta, com o apoio do SNS – tudo de borla – procede à gestação. Parirá uma pobre criança que, biologicamente, não é filha dela mas que, por decreto das gajas do Bloco, será registada com tal.

Chama-se a isto comemorar o dia da mãe.  Ora bolas.

 

7.4.17

MOREIRA, OU DA ESPERTEZA DO BULHÕE

 

O bairrista Moreira, adepto do CDS e sócio do PS há quatro anos, fez umas contas e chegou à conclusão, certa ou errada, de que já não precisava do sócio. Daí, quando uma tal Mendes, uma rapariga inteligente, resolveu aproveitar-se dele para subir na vida, aproveitou a ocasião. Querem cavalaria? Vão bater a outra porta, que eu não sou quadrúpede.

O IRRITADO não simpatiza com o Moreira porque detesta bairristas, regionalistas, invejosos e apaniguados. Mas não deixa de saudar com enorme prazer, e até gozo, o pontapé no rabo que deu ao oportunismo costista tão lapidarmente expresso pela sobredotada rapariga.

Aqui fica a homenagem.

 

7.5.17  

UMA SOLUÇÃO

 

Os  portugueses de antanho inventaram vários meios de transporte, entre os quais a caravela, a nau, os carros de bois (?) e a passarola do velho Gusmão. Uns funcionaram a contento, outros nem por isso.

Nos nossos dias, já não inventam nada. Por exemplo, a distinta administração da CGD não só não inventou a carrinha como não aproveita tal invenção por outrem feita.

Vejamos. Em terras de Sua Majestade Britânica, por exemplo, os bancos - como cá - fecharam montes de dependências, balcões e outras facilities. Mas precaveram-se, isto é, substituiram tais coisas, onde tal parecia valer a pena, por carrinhas bancárias que, providas dos meios informáticos da praxe, vão às segundas e quintas a dois ou três sítios, às terças e sextas a outros tantos, às quartas a três ou quatro menos populosos ou necessitados. Chega um funcionário-motorista que, como os sátrapas da EMEL e outros polícias, domine a Net e, além disso, leve os papéis e uns cobres, aceite depósitos, preencha pedidos, etc. Os bancos poupam, os velhotes suprem as limitações da sua cibernética ignorância, os autarcas aplaudem, e tudo funciona como dantes só que muito mais barato.

Talvez a nova horda de protestantes se acalmasse se, por cá, montassem um sistema deste tipo. Mas parece que a CGD não tem cérebros que cheguem para tal. Paciência.

Pode haver, em várias terras, uma melhor solução, que o IRRITADO recomenda. Se tiverem outro banco com agência lá no sítio, mudem-se para lá e mandem a CGD pentear macacos. É a melhor solução. Pior que a CGD, ainda por cima falida, é difícil.

 

7.5.17

ASSIM VAI A PÁGINA

É verdadeiramente indigno, injusto, irracional e doentio que os nossos três canais de informação passem as noites a “analisar” os fantásticos feitos dos futebolistas, dos presidenciais demagogos da bola, usando dezenas de bolólogos encartados e de meninas especializadas em tão especiosas e científicas matérias, tais os livres de canto, os fora-de-jogo, os árbitros, as claques, as guerras entre futebólicos galispos, as multas da federação, a FUFA, a UEFA, o diabo a quatro.  À mesma hora, em matéria de informação, não há fuga nem solução.

Posto isto, devo dizer que tive ontem saudades dos catedráticos do relvado. Devem ter metido atestado médico ou feito reivindicações salariais que não agradaram à tutela.

Vejamos.

Um dos ditos canais presenteou o indigenato com a presença e o semanal sermão do inevitável Louçã (deve estar zangado com o dentista), a espraiar as suas loas ao “documento” e a fazer as pazes com um dos ódios de estimação da geringonça, o pobre Carlos Costa, seu actual patrão.

Zapingando, passei ao canal seguinte. Nele aldrabofonava dona Marisa Le Pen, perdão Marine Matias. Coisa de fugir.

Finalmente, o “serviço” público, mais moderado, presenteava-nos uma das mais ínclitas e melífluas figuras da comunidade gay, indivíduo cujo nome não sei, mas que é de esquerda radical, assim a modos que entre o caviar e o pequeno-burguês. Desta feita (aplauso), com “contraditório”. Só que o “contraditor”, cujo nome também não sei, dá evidentes sinais de estar ali em missão de raminho de salsa do outro.

Gaita, antes os doutores da bola!

E assim vamos. Não sei quantos comentadores, jornalistas e outros já foram corridos por falta de amor à geringonça. Mas lá que, em matéria de informação e de opinião, a página vai virando mais a cada dia que passa, disso não há dúvida. Estes tipos são mestres: conseguem o que o Salazar conseguia sem precisar de coronéis, nem de lápis azuis nem, pelo menos para já, do forte de Caxias.

 

6.5.17

DA SALVAÇÃO DA PÁTRIA

Corações ao alto, ó portugueses!  Vós, que vos acháveis mergulhados em horrendas dívidas, estais agora aliviados de 72.000 milhões, quase tanto como o que a troica, filha espúria de Belzebu, vos havia atirado à cara. Sim, meus amigos, mercê de cabalístos raciocínios miraculosamente saídos da celestial mente do profeta Louçã, eis-vos aliviados!

Mas há mais para vós. Da sua ilustre boca ouviram que, afinal, o tenebroso rating da vossa bem-amada república não interessa a ninguém, foi mandado para o lixo por ele, alto guru da vossa salvação, sorridentíssimo Francisco, vosso amantíssimo pai, mediante decreto pessoal que torna tal coisa indiferente, uma vez por ele condenada à mais fatal irrelevância, como fruto que é, como a troica, das infernais manobras do neoliberalismo. 

E mais, meus amigos, muito mais. Daqui por diante, “nada pode ser a fingir”. Sob a sua direcção, a vossa Pátria levantará a cabeça, os fingimentos reestruturantes dos gaspares e das mariasluís vão ser substituídos pela fenomenal verdade que a sua palavra inspira e comandará.

Uma mensagem de paz, como vedes. Paz até com inimigos internos como o Banco de Portugal, subitamente elevado à categoria de fiável parceiro. Porquê? Porque o Profeta arranjou lá emprego e passou a dominar tudo com a celestial harmonia dos seus conselhos e dos seus decretos.

O Estado, a República, o Povo, a partir da sábia e louçânica palavra, vão passar a falar alto no inferno de Bruxelas, quem sabe se fisicamente representados e liderados pelo vosso Profeta, maravilha fatal da nossa idade, novo Varoufaquis português, autor do “passo de gigante” que  inspirou, concebeu e decretou.

Para quê dizer mais? Está tudo escrito no “Público”. Basta que vós, ó gentes, saibam ler. Ficarão, como eu, virtuosos, pletóricos de fé e esprança, gratos pela caridade do vosso novo Bandarra, em boa hora mandante do ressurgimento da Pátria.

 

5.5.17    

UM MISTÉRIO

Não param por aí as discussões, apreciações, críticas, elogios e bitaites acerca do já célebre documento sobre a dívida elaborado por um grupo de “sábios” oriundos do PS e do BE, onde preponderavam altas figuras como a crónica bruxa Mortágua, o desbocado P.N. Santos, o tresloucado Galamba, o pregador Louçã, além de um desconhecido, ao que consta secretário de Estado da geringonça. Por um lado, parece que os sábios baixaram a bolinha em relação às suas anteriores posições incendiárias, chegando, como o Tripas, à conclusão de que dependem da caridade internacional.

É comum afirmar-se que o papel estipula uma data de coisas que não dependem, nem dos seus produtores, nem da geringonça, antes exigem acordo de uns 27, ou 17, países que, de um modo geral, não vão em fantasias. Também estipula algumas condições que estrão na mão do chamado governo: dessas, umas são boas, outras originais, só que as boas não são originais e as originais não são boas. Pelo menos, é isto o que sobressai do que diz a esmagadora maioria dos teóricos que sobre o caso se têm debruçado, exceptuando, é claro, as parábolas do arcebispo Louçã, da igreja de Trotsky.

O mais interessante é que ninguém, para além dos do grupinho, subscreve a coisa. O PC, por definição, está de fora. O BE afirma que aquilo não faz parte da sua política. O chamado governo, nas doutas palavras do chefe, não tem nada com isso. O PS, oficialmente, não subscreve. O respectivo grupo parlamentar ainda menos. O papel não vai ser enviado a parte nenhuma, sobretudo nem a Bruxelas nem a Belém – ainda que o ubíquo belenense seja o único a mostrar a sua proverbial satisfação, como com tudo o que venha da geringonça ou arredores, como é o caso.

 

Posto isto, o mistério é saber por que carga de água o papel tem feito tanto furor, já que, expressamente, à excepção dos do grupinho, não há quem o subscreva. Se, a título de palpite, quisermos adiantar uma explicação, poderemos dizer que, em matéria de documentos, como o PS jamais pariu coisa que se visse, que cumprisse, ou que fosse possível ou verdadeiro, o melhor é tirar o cavalinho da chuva antes que o escrito lhe estale na boca.   

 

4.5.17

QUEM ACODE?

Nos regimes totalitários, todos os dias se cortam serviços informáticos, sites inconvenientes, etc., dando fé de martingalas tecnológicas, pelos vistos à disposição de quem sabe dessa poda.

Não sendo adepto de tais práticas, constato a sua existência e disponibilidade técnica. E ponho uma questão: haverá casos em que seja legítimo e necessário cortar, ou censurar, se quiserem, alguma ciber tralha? Cortar o quê, com que critérios? A resposta é difícil e pode ser perigosa.

Vem isto a propósito da história da Baleia Azul, ou branca, não me ocorre, jogo que corre na Net para quem quiser jogar. Segundo os media, o tal jogo leva as pessoas à auto-flagelação, ao suicídio e à loucura, com inúmeros casos já registados.

Parece-me que estamos perante uma questão em que, seja qual for o critério, se torna evidente a legitimidade do corte do acesso a tal coisa, ou que se tome providências para a retirar da núvem. Não sei quem, nem como se pode tratar disto. Não será censura, mas legítima defesa.   

 

2.5.17

DOS EXAGEROS DA CANOFILIA

 

Volto à cena dos cãezinhos que têm por hábito genético comer criancinhas, matar velhotas e perpetrar outras patifarias de igual jaez. O deputado do PAN, dando uso à sua consabida inteligência, dirá que a culpa é dos donos das alimárias e que estas devem ser recolhidas em instalações apropriadas, bem dormidas, bem comidas e bem passeadas, sendo-lhes dada ocasião para multiplicar a espécie, propagar os suas tendências e continuar a presentear a humanidade com a sua doce presença.

Permita-me a criatura que exprima de outra opinião. Se não é legal passear uma cascavel no Jardim da Estrela ou um touro de lide na Avenida da Liberdade, por que raio de carga de água há-de ser permitido pastorear rotweillers, dobermans ou equivalente na via pública, com trela, sem trela, com açaime, sem açaime? Não vejo razão para descriminar as cascavéis ou os touros de lide, e não os simpáticos canídeos. Ou há moralidade ou comem todos, não é?

É sim, senhor deputado. Para acabar com o problema dos cães que não são de confiança, há duas maneiras: enjaulá-los ou acabar com eles. Dirá você que não é nem moral nem legal nem “humano” metê-los em jaulas – uma ofensa aos inalienáveis “direitos” da animalidade. Assim, só resta a segunda solução: dar cabo deles, para que deixe de haver pessoas esPANcadas ou ou mortas na via pública por animais de estimação com tendências assassinas. O resto é conversa PANlerma.

Não há um só proprietário de um cão “nervoso” que não jure que o seu animal é porreiríssimo, educadíssimo, acima de qualquer suspeita, nunca fez mal a ninguém e até gosta de passear no parque infantil, assim demonstrando o seu amor à humanidade em geral e às criancinhas em particular. Não há. Não conheço. Nunca vi. São casos de amor, e o amor é cego. Não há educação que valha aos proprietários como não a há que altere cino-instintos que às vezes acordam.

Que diabo, há tantos cães pacíficos, até os de caça, por que carga de água não se há-de eliminar os perigosos, já que não se pode eliminar os PANcrácios?

 

2.5.17

SINA DE COIMBRA

 

Lá para os anos vinte/trinta do século passado, havia em Coimbra uma coisa chamada CADC, Centro Académico da Democracia Cristã. A ela pertenciam altos universitários, Salazar e Cerejeira entre eles. A doutrina era dita derivar da doutrina social da Igreja Católica, vertida em várias encíclicas papais que se opunham ao liberalismo e ao comunismo.

A instabilidade dos últimos anos da Monarquia Constitucional, agravada pela violência e a repressão da I República e pelos desaires da guerra, instilava na maioria dos portugueses o desejo de uma mudança, fosse ela qual fosse, que restaurasse alguma ordem.

Os intelectuais do CADC “cruzaram” a doutrina da Igreja com a situação do país e criaram um conceito de democracia cristã que pouco tinha a ver com os seus teóricos europeus, antes se revia em integralismos de diversa origem, mais próximos de Plínio Salgado, António Sardinha ou Charles Maurras do que de Maritain ou Mounier. Viria assim o CADC a ser um dos esteios filosóficos da II República: uma “democracia” orgânica”, “corporativa”, de partido único, com uma relação íntima mas conturbada com a Igreja.

As boas intenções dos académicos de Coimbra acabaram na fundação de um regime que pouco tinha a ver com a democracia cristã. Esta viria a triunfar, lado a lado com a social democracia, depois da II guerra mundial.  Em Portugal, a II República, como se sabe, não acompanhou esta evolução. Enquistou na doutrina criada, sendo hoje legítimo duvidar que alguma vez tenha tido preocupações outras que não as de fundar e segurar o regime saído da Constituição de 33.

 

Muito tempo passou. Nos nossos dias, uma instituição paralela ao CADC pontifica em Coimbra, com forte e feroz presença nos media. Trata-se do CESUC, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde pontificam figuras do calibre de Carvalho da Silva (CGTP/PC). Uma institução que, a partir de “estudos”, se dedica a educar a opinião pública em sentido único, o de uma esquerda intelectual de inspiração marxista. Para quem passe os olhos pelas intervenções públicas da instituição, claro fica que os tais estudos são construídos de forma a dar suporte estatístico-filosófico a formas mais ou menos evidentes de socialismo de esquerda. Uma espécie de CADC de pernas para o ar. Só que bem mais próximo do poder, restando saber quando e se se apropriará de todo ele. Com quem, já se sabe.

Será sina de Coimbra servir de berço a filosofias “democráticas”?

 

2.5.17     

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