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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O PROFETA

 

O Chairman e o CEO da geringonça reuniram algures na província a fim de tomar medidas adequadas à tragédia dos fogos. Muito bem!

Não se sabe ao certo o que terão resolvido no seu tête-a-tête. O chairman veio à praça dizer umas coisas a partir de já conhecidas cassetes. O CEO, mais eficaz, contemplou o povo com algumas interessantes declarações, das quais é justo destacar a previsão de inúmeras desgraças durante o fim de semana que se aproxima. Como é natural, o nosso alto dirigente identificou as causas da sua previsão. São elas: o vento, as altas temperaturas e a falta de humidade na atmosfera. Ter-se-á esquecido do aquecimento global, do CO2 e de outros desmandos da humanidade. É de pensar que, tratando-se de um ateu, não se referiu ao São Pedro.

Dois meses depois de incessantes desgraças, novas e maiores catástrofes virão cá passar uns dias. Um fim de semana trágico, sabe-se lá com que consequêcias. Preparem-se, foi caridoso e sensato conselho do CEO. O povo agradece.

Mais importante nas palavras do ilustre político foi o anúncio da sua preclara decisão: declarar o estado de calamidade, com as suas consequências na limitação de direitos das pessoas e no alargamento dos das “autoridades”. Compreende-se que se declare tal estado depois de acontecer alguma catástrofe. Declará-lo antes da catástrofe é mais uma originalidade da criatura. Por outras palavras: o país arde há dois meses, e não houve calamidade nenhuma. Mas quando o fulano resolve anunciar um infernal fim de semana, então sim, determinou o estado de calamidade a priori. Há azar porque ele anunciou que vai haver azar, não porque tenha havido.

Outra reflexão nos deixa um pouco atónitos. É que, conclui-se das iluminadas palavras de sua alteza republicana, há fogos por culpa de tudo, menos de quem os ateia. Causas naturais, por certo. O mato, farto da canícula, resolve suicidar-se, e é o que se vê. Também poderá haver alguma negligência, mas a verdadeira causa é a fúria da Natureza. Genial.

Os números dos incendiários detidos oscilam entre os 74 e os 93, segundo os humores dos jornalistas ou as “informações” das autoridades. Mas tal gente, tais suspeitos, tais criminosos, não fazem parte das preocupações da geringonça. Isto, enquanto por aí já se fala em cartéis de incendiários, se prova reacendimentos absurdos, “naturalmente” impossíveis, perímetros de fogo estudados e executados... Nada disto existe, no parecer de quem diz que governa.

Em conclusão, sigam o conselho do profeta Costa. Preparem-se! E, sobretudo, não contem com ele para vos acudir.

 

18.8.17          

DO DESLEIXO

 

Ele há coisas do arco da velha. Antigamente, contra o parecer de inúmeros especialistas, a CML costumava podar as árvores da cidade, coisa aliás comum em inúmeras capitais europeias. Parece que, ou por influência dos tais especialistas ou, o que é mais provável, por mero deixa-andar camarário, há décadas que tal prática foi abandonada.

O resultado vê-se por toda a parte. A Avenida da Liberdade é hoje um túnel de frondosos plátanos, talvez bonito, mas perigoso. O mesmo se passa no Campo Pequeno e em inúmeras outras zonas da cidade. Não é preciso ser “especialista” para saber que há espécies cuja poda é fundamental para manter a sua vitalidade, e que a ausência de tais cuidados redunda no seu progressivo enfraquecimento, por muito ilusoriamente frondosas que se apresentem. De vez em quando, cai uma pernada. Se cai, é porque devia ter sido podada a tempo e horas. São inúmeros esses casos. Ao longo dos anos, as fraquezas das pernadas entram no tronco principal, e a vida da árvore é encurtada.

Ninguém dá por isso, porque o tempo das árvores não tem a ver com o das pessoas. Mas, se se der uma volta por locais como os que cito acima, e se olhar com olhos de ver, facilmente se encontra exemplos claros de situações perigosas. Não é preciso ser botânico, silvicultor ou jardineiro. Basta olhar.

A tragédia da Madeira é um violentíssimo sinal da situação. Começou a caça às bruxas. Mas, mais uma vez, ninguém será responsável, a não ser que se culpe gerações de abandono e desleixo.

Ao menos que tal tragédia sirva para despertar consciências, na Madeira como em Lisboa e no resto do país. Servirá? Não acredito.

 

16.8.17   

FANFARRONADAS

 

Anafado, Capoulas veio lamentar-se publicamente da ignorância a que foi votada a sua reforma florestal, a melhor, a maior, a mais importante reforma desde os saudosos tempos de Sua Mercê o Senhor Dom Dinis, Rei de Portugal e do Algarve. Só ele, Capoulas, conseguiu igualar, quem sabe se ultrapassar, essa gigantesca figura da nossa História.

Coitado, confessa, ninguém deu por nada, os comentadores, os técnicos, os filósofos, os historiadores, os políticos, o povo, ninguém se debruçou sobre tal e tão portentoso feito nem lhe deu o merecido a apoio ou o elogiou! Injustiça! E, acrescento eu o que Capoulas omitiu, a coisa foi de tal ordem que nem a geringonça tomou conhecimento ou publicitou a inigualável obra. De tal forma que, por causa do Pedrógão, se apressou a legislar outra vez, passando-lhe por cima, desta feita sob a alta inspiração da dona Catarina (sabe-se lá se nova Santa Isabel, Senhora de Dom Dinis), reformando a floresta segundo os princípios do socialismo revolucionário, e até com a chancela do senhor de Belém.

Passando em revista a obra do genial Rei (mal sabia ele que, oito séculos depois, o Capoulas o ia igualar), vejamos as bases do capoular orgulho, ou a ausência delas.

Não consta que Capoulas tenha, como o Senhor Dom Dinis:

- Feito poesia ou obra de alta cultura, a dasafiar o seu tempo;

- Criado as fronteiras do país, o Estado-Nação ou a consciência nacional;

- Instituído o Potuguês como língua oficial;

- Criado uma universidade;

- Centralizado o poder;

- Mandado explorar minas;

- Feito acordos comerciais com o estrangeiro;

- Fundado a marinha portuguesa;

- Criado a Ordem de Cristo e libertado a de Santiago do domínio castelhano;

- Feito ordenações várias;

- Criado e conservado o pinhal de Leiria;

- Tido filhos de oito mulheres.

 

Como nada disto fez Capoulas, porque é que se compara a Dom Dinis? Mistério.

Procurando levantar o véu de tal mistério, o IRRITADO atribui a comparação à ignorância, à pesporrência, à imodéstia saloia e convencida, à inferioridade cultural ou à idiotia do nosso chamado ministro da agricultura.

Parece que a própria geringonça deu mais pela fanfarronada que pela obra, o que é de uma assinalável originalidade.

 

14.8.17

CENTENO, O PRESIDENCIÁVEL

 

Reza quem faz contas que o nosso inacreditável homem tido por ministro das finanças já se ofereceu pelo menos cinco vezes para o cargo de presidente do eurogrupo. O facto tem a grande vantagem de, perante tão grande e tão absurda ambição, poder vir a levantar resistências entre aqueles que virão a decidir e que, pelo menos em princípio, não estarão para aturar galarós. É que, apesar de tudo o que se sabe e não sabe, ainda há, entre os governos do euro, quem tenha algum juízo.

Mas o homem não se cala. A cada esquina, a cada propósito ou despropósito, vai dizendo que quer o lugarzinho. O chamado primeiro ministro embarca a cada oportunidade, sem dar pelo ridículo em que nos mete.

Entretanto, cá na santa terrinha, continua a trafulhice habitual. Depois das contas duvidosas do défice, do aumento da dívida para números nunca vistos (250.000.000.000 de euros – dois dígitos mais dez zeros à direita!), do crédito às empresas a minguar (o mais baixo desde que há números – há 14 anos) e a disparar para as compras de andares e correlativos, numa relação de assustadora, a anunciar mais bolha, mais imparidades, etc., vem o Tribunal de Contas denunciar a imaginativa contabilidade pública do fulano – três entidades debaixo do tapete, mais quinze que nem contas apresentam! Não se conhece o montante destas sujeiras, mas, a avaliar pelos hábitos tradicionais do PS, é legítimo pensar que será pelo menos astronómico.

E é o artista responsável por tudo isto e muito mais (se é que há, na geringonça, alguém responsável seja pelo que for) quem quer ser presidente do eurogrupo!

Valha-nos santa Pafúncia!

 

12.8.17

TRABALHAR FAZ CALOS

 

Houve esperança nas almas quando o anterior bastonário dos médicos foi substituído. Veio um novo, com bom aspecto, e julgou-se que muito iria mudar. Baldada expectativa.

O novo homem continua a confundir a Ordem com um sindicato, a apoiar greves e outros atentados à saúde pública, em vez de, na sua posição e no uso das suas competências institucionais, procurar prestigiar a classe e promover a qualidade dos serviços que presta.

A última descoberta do dito senhor é a da ingente necessidade de legislar para que a profissão seja considerada “de desgaste rápido”. Não é. Ou é-o tanto como outra qualquer. Não faltam médicos que, passada a idade da reforma, querem continuar a honrar a profissão. Pelo menos estes não se consideram “desgastados”. Há um médico que tem, desde há muitos anos honrado a minha família e eu próprio com o seu saber. Tem 82 anos, razão única para já ter sido corrido de vários hospitais. Mas não se considera desgastado. O Dr. Gentil Martins (cito o nome porque é público) continua a ser quem sempre tem sido – se o BE estivesse sozinho no governo, Gentil Martins estaria preso ou deportado no Burkina Fasso. Se se cumprisse a vontade do bastonário, estaria em casa, porque estava “desgastado”.

O bastonário acha os colegas mal pagos. Talvez seja verdade. Mas não é o que acontece com a esmagadora maioria dos portugueses? A medicina é uma profissão nobre, ou que deveria sê-lo. E já tem privilégios, como o de se tornar inamovível funcionário público desde o dia da licenciatura. Não chega? Talvez.

Diz-se que trabalhar faz calos. É verdade. Por isso, os médicos deviam ter as mesmas condições de reforma que os demais, que também têm calos. Depois, se quisessem ir para casa, que fossem. Se não quisessem, que continuassem até poder. Mas não deviam ser considerados “desgastados” por decreto.

E deviam ter direito a um bastonário que não se ocupasse a apoiar greves, antes velasse pela competência e humanidade dos serviços que os seus pares “vendem” à comunidade.

 

11.8.17

É ASSIM

 

A chamada ministro da administração interna,na sua brilhante conferência de imprensa, respondendo a perguntas, disse umas trinta vezes “é assim”, naturalmente inculcando o vício do erro e da mentira a quem achar que “não é assim”.

Seria engraçado, se o que disse não fosse grave. O que disse ela: que o governo abriu guerra contra o SIRESP. Esqueceu pelo menos, dois factos, a) que o governo é maioritário na parceria da coisa e b) que compete ao governo fiscalizá-la.

Nesta ordem de ideias, pareceria honesto que o governo, maxime ela e o chamado primeiro-ministro, assumisse as falhas que diz que detectou tarde e más horas. Pareceria honesto que a criatura assumisse a responsabilidade de jamais ter fiscalizado a coisa, em vez de disso acusar o ajudante de um director ou secretário geral qualquer.

Há outro bode, também devidamente identificado pela mesma senhora: a protecção civil. Pareceria honesto que, estando tal organização sob a sua dependência, e tendo as suas chefias, por iniciativa dela, sido substituídas por adeptos da geringonça dois meses antes da época dos incêndios, batesse com a mão no peito e pedisse desculpa das sua geringonciais decisões.

Mas o que parece honesto para a generalidade das pessoas, não tem nada a ver com o chamado governo. É outra coisa. Honesto, para Costa e adjacentes, é não assumir qualquer sombra de responsabilidade, aguentar-se, assobiar para o ar, dançar a conga, e andar aos beijinhos atrás do senhor de Belém. É assim.

 

11.8.17    

DA BURRICE IDEOLÓGICA

Por iniciativa do BE, deu-se aquilo a que se pode chamar a irreversibilidade da propriedade municipal da Carris. Segundo a lei aprovada pela malta apoiante da geringonça, a reversão da eventual privatização da concessão é coisa a continuar per omnia secula seculorum.

O senhor de Belém que, juridicamente, não é parvo, vetou a coisa com luvas de renda, isto é, argumentou com a leveza e o respeitinho que lhe merece a referida malta.

Há manifestações deste tipo (“irreversibilidades”) na Constituição que temos, algumas delas já ultrapassadas em revisões da dita. Mas, para acabar com outras disposições da mesma laia, será preciso estar em período de revisão constitucional e reunir para o efeito dois terços dos votos.

Não é o caso do caso da lei da Carris. Se ela passar, bastará a qualquer novo arranjo parlamentar revogá-la por maioria simples. Donde, a nova lei é pior que parva. Quer ser para sempre (um inultrapassável vício da esquerda, dona da “razão” e do “futuro”), e não pode. E, pelo menos neste sentido, é estúpida como os combóios. Desta feita a ideologia totalitária que a inspira auto-denuncia-se enquanto tal. Com o apoio deste PS, de quem tudo se pode esperar.

Engraçado é verificar que o Medina também é contra a lei, não por falta de fé esquerdoide, mas por medo de de perder uma fatiazinha de poder. É que, diz ele, a CML fica impedida de gerir o buraco como entender. Como já percebeu que, sozinho, não vai lá, quer deixar em aberto a possibilidade de recorrer a alguma esmola. Resta saber se haverá por aí algum benemérito.

 

10.8.17

A INVASÃO

 

Havia um ilha, ali para os lados do Pinhal Novo, antiga floresta de pinheiros e hoje lugar da maior exportadora do país. Uma ilha de trabalho, dignidade, bem estar e paz social, num arquipélago que estiola sob o domínio dos nossos maduros, servos da Intersindical, soldados da guerra contra a democracia, a economia e a paz, dirigidos por um vanguardista, arauto do comunismo nacionalista, apropriadamente aparentado com o fascismo radical.

Os tipos das outras ilhas, sob  chefia do nacional Lenine, Arménio de seu nome, foram, aos poucos, abordando  esta, até que deram a volta aos ilhéus. Fartos de um sistema privilegiado em relação ao arquipélago, ao ser-lhes propostos novos privilégios a troco de umas horitas de trabalho, resolveram dizer que não, não precisavam de mais uns euros por mês, nem de mais um dia de férias, nem de nada que se parecesse. Trabalhar mais umas horas, não! Que diabo, somos trabalhadores, não cidadãos conscientes - era o que faltava, não contem connosco para brincadeiras.

O carrito vai atrasar-se em relação aos compromissos da firma? Que temos nós com isso? Nada. O problema é deles, dos patrões, das multinacionais, do capitalismo, do neoliberalismo, do Passos Coelho. Não é nosso. Para prová-lo, vamos mas é fazer umas greves, que  é o que recomenda o camarada Arménio com o apoio do comité central.

Uma alegria, rapazes, uma alegria. Se demos, com tanto sucesso, cabo da CUF e de outras organizações esclavagistas, por que carga de água não havemos de dar cabo da Auto Europa? O camarada Pedro Nuno Santos não dizia que havíamos de pôr os alemães de joelhos?

Resta saber o que farão os tais patrões. Se a mostarda lhes chegar ao nariz, são capazes de ir estabelecer-se, total ou parcialmente, noutras ilhas, que as há para aí com fartura, sem Arménios nem comités.

 

8.8.17

PONTOS NOS IS

 

Leio no jornal que o governo espanhol quer que a UE endureça as suas posições em relação à ditadura protocomunista da Venezuela.

Há um abismo, que já há semanas se nota, entre a atitude da geringonça e a do governo espanhol. Titubeante, palavroso e “diplomático”, o assim chamado ministros dos negócios estrangeiros vai dando uma no cravo outra na ferradura. Parece estar à espera de melhores dias para aliviar as hesitações. Ao contrário do colega castelhano, limita-se a pendurar-se na “Europa”, evitando quanto pode dizer coisas que possam ferir  sensibilidade do tirano Maduro, versão camionista de Chávez, ou do neobolchevista Boaventura, produto ou produtor da filosofia dos “cientistas sociais” da Universidade de Coimbra.

Não cola a desculpa peregrina da presença de muitos portugueses na Venezuela. Como não colaria se à geringonça ocorresse lembrar-se das empresas portuguesas que lá foram levadas pela mão do PS (com a serôdia colaboração do Portas) e que jamais verão de volta os créditos que por lá deixaram: essas não contam, certamente porque à geringonça não cabe defender empresários, eventualmente neoliberais.

Vejam lá se os espanhóis usam, para se pôr nas encolhas, o ainda maior número de cidadãos que lá têm, ou das empresas espanholas encravadas na sangrenta  pacotilha do “bolivarianismo”.

Talvez seja por terem no sítio coisas que por cá escasseiam. E porque são um bocadinho mais espertos que os da geringonça. É que, quem pensar um pouco, pode pôr esta questão: o que convém mais aos portugeses, ser mansinho para o Maduro ou fazer-lhe frente? Parece que os espanhóis são capazes de ver mais longe que o Largo do Rilvas.

Maduro cairá, a não ser que tenha meios para levar por diante a clássica revolução  comunista, com o seu cortejo de cadáveres e de esfomeados. Como não tem tais meios, cairá a médio prazo.

Não seria mau, para os portugueses e para a Venezuela, que desde já, Portugal pusesse os pontos nos is.

 

7.8.17

UM URINOL DE BORLA

 

O camarada Fernandes sim, o da CML, como é sabido, causou à dita, de sociedade com o PS, prejuízos de dezenas de milhões com a suas estúpidas arrancadas contra o túnel do Marquês.

Não contente, aliviou e vai continuar a aliviar a cidade de centenas e centenas de milhões por mor da sua estúpida, odiosa e pidesca campanha do Parque Mayer/Entrecampos. Com o apoio do PS, como é de salientar.

Além disso, fez uma entente com o ilustre conselheiro de Estado e actual porta-voz de Belém, um tal Marques Mendes, para destronar um homem sério e bom Presidente, Carmona Rodrigues, mais uma vez com argumentos estúpidos e aldrabões, como veio a ser provado à saciedade. Com base nesta honestíssima inicitiva, deu - neste caso deram - a câmara ao PS.  

 

Mas, corações ao alto! O homem regenera-se. É que, segundo declarou, “Todas as entradas de Lisboa têm uma árvore plantada por mim e pela minha filha. Não digo é onde elas estão”.

Uma ternura.

É pena que não diga onde estão as tais árvores, se é que existem. Seriam bons locais para os alfacinhas irem pôr os cães a mijar.

 

6.8.17

ASAE, OU QUÊ?

 

Segundo me é dado pensar, ASAE quer dizer autoridade para a segurança alimentar e económica.

É nessa nobre e higiénico-policial missão que a dita organização manda fechar as tendas dos ciganos, fecha restaurantes e bares onde caça baratas e toma drásticas medidas contra antros onde há quem seja autorizado a cometer o gravíssimo crime de fumar um cigarrito. Muito bem!


Vem nos jornais que um conhecido carteirista, após ter feito fortuna a aliviar turistas dos seus tostões na carreira 28, abriu um restaurante, actividade legítima e presenteada pelo Estado, mercê de mui elogiada iniciativa da esquerda e do CDS, com IVA a 13%.

Tudo óptimo. É um alegria ver um trabalhador abandonar a economia paralela e entrar, todo lavadinho, nos negócios legais. Um espécie  filho pródigo que regressa a casa cheio de boas intenções. Louve-se, admire-se, aplauda-se.

Ora o estabelecimento do referido camarada usa uma lista sem preços e cobra 150 euros por um bife com batatas e 250 por uma “mariscada” “à la manière”.

E é aqui que a ASAE não entra, e com razão. Os preços não estão tabelados, se a tasca está limpinha, nada a dizer ou a fazer. É de pensar que  ASAE acha que, a haver intervenção, tal competirá à AC, autoridade da concorrência. Mas como? O filho pródigo não faz concorrência a ninguém, neste aspecto até é um benemérito!

E como ainda não há autoridade para o preço dos bifes e dos camarões, que há-de o Estado democrático fazer?

Recomenda-se vivamente a solução: o BE que faça um projecto de lei, com agendamento potestativo, destinado proibir estas arrancadas capitalistas, especulativas e neoliberais, não se esquecendo de, no respectivo preâmbulo, apontar o dedo aos verdadeiros culpados destas situações: o governo anterior e o Dr. Passos Coelho.

 

6.8.17

MADURICES

 

Nos idos de 74, o generalato português reuniu com o chefe do governo da ditadura para lhe manifestar o seu incondicional apoio, em brilhante cerimónia que ficou conhecida como da brigada do reumático.

Alguns dos participantes, semanas depois deste solene compromisso de honra, estavam por dentro, por trás ou ao lado do golpe que destronou o  senhor que tão vigorosamente tinham apoiado.

Ontem, as forças armadas da Venezuela declararam o seu apoio ao tirano local, camarada Maduro, homem que, em sábias palavras, declarou que “ama a Deus e que Deus o ama”. O caso, se pensarmos no que se passou por cá, pode trazer alguma esperança. Se a brigada de lá for como a de cá, a ditadura tem os dias contados.

É claro que há outra solução: aquela que o próprio Maduro (antigo camionista gay) e o professor Boaventura, burro local, preconizam: a invasão americana. Tal coisa nem pela cabeça tonta do Trump passa, mas é óptima para manter os adeptos contentes, prenhes de patriotismo e justo ódio.

 

Já agora, outro nacional paralelismo com a saga venezuelana. Quando a malta começou a perceber que a revolução dos cravos estava a ser tomada de assalto pelos soviéticos do PC e pelos ignorantes do MFA, um amigo meu, autodidata e boa pessoa, olhava o mar salgado e, avistada uma lancha da marinha ou equivalente, dizia: aí estão eles (os russos), que vêm invadir o país! Tempos depois, eram os do PC/MFA que espalhavam a notícia de que Kissinger, ajudado pelo Carlucci e pelo Mário Soares, se preparava para ordenar uma intervenção.

O inimigo externo sempre serviu para alimentar ditadores e maluquinhos de vária ordem. Pode ser que isso sirva de inspiração à brigada do reumático de Caracas.

 

2.8.17      

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