Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

PRECARIEDADE

 

O IRRITADO assistiu ontem a um espectáculo verdadeiramente aterrador.

Cinco fulanos, da esquerda e da direita, e um rapazola de uns vinte e poucos anos, discutiam a “precariedade”.

Os cinco, de um ponto de partida ou de outro, tentavam explicar ao rapaz o que se passa no mundo do trabalho. Diziam-lhe que as coisas estavam mudadas, cá dentro e lá fora, que a chamada segurança do emprego, enquanto intocável “direito”, tinha deixado de existir – onde existia - e que as novas gerações tinham que lutar pela vida.

O rapaz não entendia ou não queria entender. Para ele o emprego é uma coisa que se tem, um direito constitucional que a sociedade deve a todos, direito que se exerce para toda a vida, seja quem for que o garanta. Despedir alguém, para a mentalidade do jovem, é um caso de polícia.

Baldados foram os esforços para o fazer perceber que o exercício do “direito ao trabalho”, pelo menos interpretado segundo os cânones que ele considera aplicáveis, é causa de imobilidade social, garantia de insucesso, fonte de problemas não de soluções.

Nada a fazer. O rapaz era – é – um produto acabado de mais de 35 anos de ilusões e de estupidez constitucional, legislativa, governamental e social. O rapaz era – é – o resultado da prática de “direitos”, ditos “sociais”, que de direitos pouco têm, no sentido em que nada nem ninguém pode garantir a sua perene aplicação.

Os odiados recibos verdes, os contratos a prazo não renováveis enquanto tal, são a inevitável consequência da rigidez laboral. Não serão ultrapassados enquanto não houver flexibilidade, liberdade de contratação e de despedimento, enquanto o mercado do trabalho tiver regras desumanas, amarrando a empresa ao empregado e este à empresa, enquanto a sociedade se não convencer que ter a ambição de progredir na vida é coisa saudável e que ter sucesso implica esforço e tenacidade, liberdade de escolha e de mudança, além de capacidade de adaptação a situações menos compensatórias. Se a ambição de progredir na vida se limitar à obtenção de “actualizações” e diuturnidades, então as pessoas, as economias e as nações pouco podem esperar do futuro.

A fonte primeira do desemprego, da falta de produtividade e da paralisia social e laboral que nos vem há tantos anos arruinando, é a rigidez do emprego, entendida como “segurança”. Segurança que, está provado, leva ao marasmo, à irresponsabilidade e à insegurança total, em prejuízo da liberdade e da responsabilidade. Para além, é evidente, de se negar a si própria, por insustentável e absurda

Se o empregador “normal” fosse livre de reformular como entendesse a sua força de trabalho (o que não impede indemnização razoável e devida a quem é substituído), o empregado sentir-se–ia motivado a progredir no emprego ao mesmo tempo que procuraria sem cessar outro melhor. Não há empregador que despeça um empregado de que precisa!

O prazo é elemento fundamental de qualquer contrato. Sem prazo, não se pode chamar contrato a uma relação. Em Portugal é, porém, o pão nosso de cada dia, sucedendo não só no mercado de trabalho mas em outras zonas da nossa vida social, de que o arrendamento é exemplo feroz e ruinoso.

 

O rapaz que vi e ouvi ontem à noite é um dos promotores de um protesto, já com 11.000 aderentes, protesto “apartidário, laico e pacífico”, reivindicando o “direito ao emprego”, o “fim da precariedade”, a “melhoria das condições de trabalho” e o “reconhecimento das qualificações”.

Aí está. Tudo de pernas para o ar. Vítima de 35 anos de socialismo, a nova geração não reivindica a criação de emprego mas o emprego como “direito”. Não se entusiasma com o alargamento de oportunidades mas quer o fim da precariedade (o emprego para a vida mesmo que o posto de trabalho não exista). Não exige justa retribuição em função do valor do trabalho exercido, antes a quer fundada nas “qualificações”.            

 

(Entre parêntesis, diga-se que é evidente que o falso recibo verde é uma pantomina. Mas é uma pantomina que a “segurança” que a lei impõe fabricou, encoraja e faz prosperar. E que, ainda por cima, serve de pretexto ao governo para taxar brutalmente o trabalhador com o mais que perverso argumento da “luta contra a precariedade”.)

 

É muito triste que a nova geração ainda veja as coisas pelos prismas viciados que o socialismo criou e incentiva. É muito triste ver a juventude condenar-se a si própria a um futuro sem esperança.

 

Querem manifestar-se? Muito bem. O IRRITADO aplaude. Primeiro, porém, terão que rever todos os seus objectivos intermédios, se quiserem chegar mais perto do objectivo final: uma vida melhor.

 

19.2.11

 

António Borges de Carvalho

Comentar:

CorretorEmoji

Notificações de respostas serão enviadas por e-mail.

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D