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irritado

o blog de António Borges de Carvalho.

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FIGURÕES

A República foi feita por figurões e vive de figurões.

Veja-se o que foi dito pelo respectivo Presidente e pelo da CML.


Cavaco fez um discurso que caberia no palavreado do grão-mestre do GOL, do semi-chefe do BE ou até do camarada Jerónimo, se fosse PR, para não falar de qualquer jacobino mais ou menos primitivo. Valeu de tudo: palavreado socialista/republicano/maçon em catadupas. Recurso à tão propalada "moral republicana", coisa que tal gente, e mais ninguém, saberá o que é. O 5 de Outubro e o 25 de Abril "são lugares de memória", presume-se que de boa memória, enquanto símbolos da "aspiração por um Portugal mais livre e democrático, mais justo e desenvolvido". Como se o 5 de Outubro tivesse libertado libertado outra coisa que não o poder das alfurjas, como se a data fundadora da democracia da III República, até ali mergulhada na luta pró e contra a sovietização do país, não fosse o 25 de Novembro. Desfiar de lugares comuns da cartilha, déjá vu de miríficas intenções. Acima de tudo, uma data de marteladas no cravo, já que o acusam de só as dar na ferradura.

Depois das abébias para o Tribunal Constitucional e depois deste discurso, ainda haverá quem diga que o PR "está por conta" do governo? Há. Sabem porquê? Porque quem o diz di-lo-á sempre, seja em que circunstância for. Cavaco bem pode fazer discuros bacocamente republicanos, bem pode fazer olhinhos às esquerda, ao PS, ao PC, bem pode proclamar bem alto os princípios da "moral" republicana, que jamais tal gente lhe perdoará ter sido eleito. Não lucra nada com isso.


O discurso do Costa foi uma agradável surpresa. Pelos vistos, na boa tradição republicana, bater nos seus é porreiro. Anda para aí o oco a dizer que, com este governo, nem bom dia nem boa tarde, e vem o Costa falar de "construção de uma estratégia nacional", coisa que "só será verdadeira... se recolher amplo apoio parlamentar e social". Ele diz "não a secundarizar a democracia" e tendo-a "como referência", quer que trabalhemos para nos "unirmos e mobilizarmos" com o objectivo de "vencer este impasse".

Querem melhor maneira de dizer que o Seguro é uma besta?


O que é acusado de ser de direita fez olhinhos à esquerda. O que quer ser chefe da esquerda defendeu acordos "estratégicos" com a direita. Maneira lógica e coerente de comemorar o 5 de Outubro. Deve tratar-se de ditames da moral republicana...


6.10.13


António Borges de Carvalho

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