Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

MODÉSTIAS

 

Sabem quem é aquele palhaço barbudo que se estava “nas tintas para a troica”, que queria pôr "de joelhos" a Merkel, o Schäubel, a Alemanha, a Europa em geral e o FMI em particular, grande entusiasta da geringonça, apoiante canino do Costa, hoje coordenador da coisa, competentíssimo negociador/conciliador dos esquerdismos mais primários, amigo ideológico das esquerdoidas e parceiro de eleição e do peito dos bolchevistas? Sabem pois, ou já adivinharam. Trata-se de uma criatura do mais feio e do mais antipático com que a “democracia de esquerda” nos tem presenciado: o ilustre Pedro Nuno Santos, fundamental e importantíssimo membro do chamado governo. 

A criatura vem à baila porque anda com azar. Notícia não desmentida reza que o pobre rapaz comprou um Porsche mas, ó má sorte!, não gostou da máquina, possivelmente por não estar à altura das suas requintadas exigências e marialvadas performances. Assim, viu-se obrigado a vendê-la, tendo recebido por ela a miserável quantia de 68.900,00 euros, peanuts para tão ilustre geringonço, como se compreende. Apeado, coitadinho, passou a deslocar-se num Maserati, ao que consta propriedade do paizinho.

Aqui no IRRITADO, não queremos mal a ninguém, como é sabido. Cheios de nobres sentimentos lamentamos a circunstância e recomendamos à criatura que gaste uns trocos na compra de um Aston Martin ou, em alternativa, de um MacLaren. Um Rolls Royce é para gente mais velha: o ora azarado terá que esperar uns anos e subir mais uns furos na hierarquia da geringoncial nomencaltura, a fim de se oferecer tal e tão modesto brinquedo.

A Mortágua dos impostos deve olhar com tristeza para a sua Honda 1000 e para o carreco que diz que tem lá em casa (calcula-se que um MG, ou coisa que o valha) e pensar que ainda lhe falta subir muito na vida, se quiser chegar à "igualdade" com o Santos.

 

19.11.17

ENCAVILHAÇÕES

Uma chatice, isto de ter que voltar à história da jantarada no Panteão da República. Mas, cristalinamente esclarecidas e repetidas as coisas à exaustão, quando tudo já é totalmente evidente quanto à responsabilidade da história, vir a mais desagradável de todas as portuguesas, dona Canavilhas, dizer que a culpa é do Barreto Xavier, é demais!

Acrescente-se a notícia, que hoje anda por aí, de que a mesmíssima entidade, ou girl, que autorizou a festança do panteão, impediu o tipo do Porto (Moreira, salvo erro) de lançar um livro num monumento, ficamos cientes dos geringonciais critérios de avaliação destas coisas. Assim: o Costa gosta da websummit? Autorizado; o Moreira zangou-se com o PS? Indeferido.

Quem se mete como o PS, leva! A inteligentsia em vigor, desta feita representada pela repugnante Canavilhas, mais não faz que aplicar os seus próprios critérios.

 

16.11.17

 

 

O IMPARÁVEL TRAFULHA, OU O CASO DO ARTIGO INDEFINIDO

Ouvi o chamado primeiro-ministro declarar que isso do congelamento de carreiras foi obra de um governo anterior. Achei estranho. O tipo costuma dizer, e insistir, que tudo o que não agrada foi obra do governo anterior.

Como já não me lembrava de quem tinha congelado as carreiras dos ilustres funcionários públicos, fui ver a razão do um, em vez do o. Seria engano? A resposta é a que estão a pensar: quem congelou as carreiras foi o PS, sob a alta direcção do Sócrates (orago do Costa) e do próprio Costa!

Quando não é possível, mesmo aldrabando, pôr as culpas para as costas dos outros e, por maioria de razão, quando a culpa é do próprio, há que mascarar a coisa, não assumir, não confessar, não pedir desculpa, tergiversar, dançar a conga.

Palavra honrada? Não brinquem comigo, que não sou nem socialista nem macaco.

 

16.11.17

POLÍCIAS E LADRÕES

Aqui há tempos, um meliante resolveu levar um miúdo, seu filho, a um assalto. Tratar-se-ia, é de pensar, da meritória e paternal intenção de prover a criança com os conhecimentos práticos necessários à continuidade familar da profissão. Uma atitude altamente educacional. Veio a polícia, o nosso homem deu às de vila diogo numa carrinha. A polícia disparou e, azar dos azares, acertou no rapazito, ao que consta invisível por ser mais baixinho. No seguimento do triste caso, o polícia foi condenado; ao meliante não se sabe o que aconteceu, mas julgar-se-á que continue calmamente no exercício da sua nobre actividade.

Recentemente, começaram os tipos dos smartphones a filmar cenas de agressões a polícias levadas a cabo por malandragem nocturna, ou diurna, em geral cadastrados e/ou copofónicos. Os agressores não foram baleados, deram à sola, os polícias foram parar ao hospital, sendo de presumir que levaram uma descompostura por não ter resistido devidamente aos desordeiros.

Ontem, uns impolutos cidadãos rebentaram as entranhas de mais uma máquina do Multibanco. Fugiram num carro preto. O alarme foi dado. Os vândalos foram perseguidos, andaram em contramão e, segundo a imprensa, terão escapado, via rotunda do relógio, para Norte. Outro carro, parecido, foi interceptado perto da tal rotunda. Os polícias mandaram-no parar por três vezes. O fulano não parou e aprimorou a atitude tentado atropelar os agentes. Esgotadas as possibilidades de apanhar o fugitivo "a bem", os agentes desataram aos tiros. O carro acabou por parar. Uma fulana que lá ia levou um tiro e morreu.O fugitivo não tinha a ver com o assalto, mas também não tinha carta de condução, nem seguro, nem se sabe de quem era o carro.

Hoje, a imprensa ribomba de críticas à polícia. Até referem as NEPs que regulam o uso de armas de fogo, as quais, lidas de trás para a frente e da frente para trás, dizem tudo e o seu contrário, o que quer dizer que os polícias deviam dizer aos malandrins que esperassem um bocadinho enquanto consultavam as NEPs a ver se podiam usar as armas.

Nos países civilizados, tanto a desobediência como a violência contra a polícia é crime grave e/ou séria  agravante. Por cá, parece que não é assim. É certo que há polícias que são umas bestas. Mas, por um lado, são excepção, por outro, em casos como os acima referidos, não só a sua autoridade e os meios para a fazer valer não devem, ou deveriam ser postos em causa, ainda menos acabar por pagar o justo pelo pecador.

Mas parece que a opinião pública, ou perversa ou pervertida pelos media, não pensa assim.

 

16.11.17

 

 

ERRATA

No seu post de ontem, o IRRITADO enganou-se ao prever que os media e os comentadores iriam ligar pouco ao caso do jantar funerário dos ciber-comerciantes. Afinal,não há quem não fale no assunto. O IRRITADO meteu água. Pede desculpa.

Mas, em parte, tinha razão. No que mais importa, tinha razão. É que as atenções viraram-se muito mais para a polémica idiota sobre a utilização de certas instalações públicas para efeito de festanças privadas do que no essencial. O essencial da história é a hipocrisia, a mentira descarada, a incompetência, a irresponsabilidade, a lata, o carácter rasca da miserável criatura que se fez primeiro ministro.

Com a preciosa ajuda das esquerdoidas do BE e apaniguados, a discussão foi desviada para o que menos interessa: nova legislação, "novas iniciativas", como se tal fosse preciso ou fundamental. O despacho em vigor é mais que suficiente se houver, é claro, algum critério e algum bom senso, coisa que rareia no mar de hipocrisia e de boys, em geral  estúpidos, em que o poder é fértil. O que interessa é desviar as atenções do que importa e ajudar o berdino a assobiar para o ar.

Assim é há dois anos e nada aponta para que possa mudar. Quem torto nasce...

 

14.11.17 

O HOMEM NÃO PÁRA

 

O chamado primeiro ministro, um tal Costa, é uma máquina de mentir, de insultar, de tripudiar, uma criatura sem escrúpulos nem limites morais, um digno sucessor do seu antepassado Pinto de Sousa, vulgo engº Sócrates. Não é louco, nem mitómano como este, não tem essa desculpa e, em muitos sentidos é pior que o mestre. O seu consulado, o dos “casos arrumados”, fica marcado, como nas ditaduras, pela criação do inimigo externo, no caso a oposição. À falta de razões ou argumentos, Costa e seus apaniguados esgrimem com o governo anterior, culpam-no dos seus próprios pecados, insultam o seu líder – até racista já tiveram o culot de lhe chamar – e sacodem a água do capote para cima dele. Facto é que a coisa está a dar e que, a troco de uns tostões, não há dependente ou parvo que não se apreste à suprema desonra de vir a votar no Costa, arriscando o futuro de todos.

Vem isto a propósito da última aldrabice deste malcriado banha-da-cobra. Então não é que veio declarar que, se o Panteão da República foi utilizado para os comes e bebes da bolha informática gloriosamente reunida em Lisboa, tal se fica a dever a decisão... do governo de Passos Coelho? Os jornais já se debruçaram sobre o assunto, mas estenderam o seu manto protector sobre o canalha, poucos comentários, nada de chamar ao acto os nomes que merece. Vão ver que o assunto vai desaparecer num ápice. Quem se mete com o PS leva, estão a perceber?

O despacho a que o bandido se refere para “justificar” a culpa dos outros estatuía claramente que a utilização dos espaços era permitida sob autorização de quem de direito (o governo) e desde que não houvesse prejuízo ou coisa que ofendesse os locais que são património do Estado.

O que se passou foi que a rapaziada da web pediu autorização para ir a Santa Engrácia beber uns púcaros, e que tal autorização lhe foi dada pelo governo da geringonça, via “quem de direito”.

O IRRITADO, que não tem pelo panteão da República especial admiração ou amizade, põe uma hipótese mais ou menos peregrina. O tipo que, em nome do governo e com mandato do governo, autorizou a coisa, partilha dos fracos sentimentos do IRRITADO em relação ao distinto cemitério republicano. Resolveu mostrá-los autorizando o repasto da cibernética matulagem.

Assim, se o Costa fosse sério caía em cima desse desconhecido boy. Mas não. Como bom aldrabão, resolveu atirar as culpas para as costas de terceiros, sempre os mesmos.

Estas coisas já nem no bestunto do mais ingénuo deviam colar. Mas colam, e é esse o nosso maior problema.

 

12.11.17   

DA LIBERDADE ECONÓMICA

 

Nos idos tempos da II República, era o Salazar que decidia quem comprava o quê, quem vendia o quê, quem era bom e quem era mau. Havia o célebre condicionamento industrial, só investia quem o Salazar dissesse, ficando de fora quem o Salazar mandasse ficar de fora. Liberdade económica, só a que, no seu esclarecido espírito, funcionasse a bem da Nação, sendo a bem da Nação o que ele achasse que era a bem da Nação.

E pronto, era um sistema, isto é, a liberdade económica era uma batata.

Nos gloriosos dias da III República a liberdade económica faz parte da filosofia da dita, é um must, é a regra, não há Salazar, nem condicionamento, só liberdade. Mas como a liberdade, se deixada a si própria, é suposta dar chatice, ou ser uma chatice, houve que substituir o Salazar por umas coisas que dão pelo nome  de “entidades”, “reguladores”, “comissões”, “autoridades”, “altos comissariados”, “agências”, enumeração esta que nada tem de exaustivo. O Salazar anda aí, mascarado, caríssimo e poderosíssimo.

Vem isto a propósito de uma série de desgraças que por aí campeiam.

Para mim, a pior de todas é a mudança de comportamento da organização do senhor Belmiro, coisa que era conhecida como das poucas que não andavam penduradas no Estado. O filho do senhor Belmiro, como o IRRITADO tem referido, mudou de postura. Considerando-se ameaçado pela concorrência, desatou aos gritos que lhe estavam a mexer no bolso e que as “entidades”, “reguladores”, “comissões”, “autoridades”, “altos comissariados”, “agências”, etc. têm a mais básica missão de agir em função dos seus interesses. E as “entidades”, “reguladores”, “comissões”, “autoridades”, “altos comissariados”, “agências”, etc., acham que sim, que têm que se pronunciar, autorizando, condicionando ou proibindo.

Uns tipos franceses querem comprar uma empresa portuguesa a uns tipos espanhóis. Os tipos espanhóis estão meio falidos, querem vender, e aceitaram o preço oferecido pelos franceses. Tudo bem. Não. Tudo mal. Esqueceram-se da versão actualizada do condicionamento. Não se percebe: o senhor Paulo, se não quer que os franceses comprem, em boa liberdade económica só tinha um remédio: oferecer melhor preço e melhores condições. Se não tem dinheiro ou não o quer gastar, então a solução seria meter a viola no saco. E parece que o Estado se acha no direito de proteger os interesses do senhor Paulo, arrogando-se o direito de “condicionar”.

Na sua ignorada tumba, o Salazar deve estar a rir a bandeiras despregadas.

 

12.11.17

DO CARTEL

 

O chamado ministro da saúde anda a fazer concorrência à dona Constança. Quer ser mais patareco do que ela, e até do que o canmarada da defesa, a ver quem é mais nabo. Talvez não seja uma questão de concorrência. É que há uma espécie de cartel do disparate, da incompetência e da aldrabice, de que os três incríveis já citados são a guarda a vançada, ou a ponta do iceberg.

Para ele, o da saúde, a legionela estava controlada ao décimo nono caso. A mesma história ao vigéssimo quinto, depois ao quadragéssimo terceiro. Nada estava controlado. Ninguém sabe, nem, pelo andar da carruagem, ninguém jamais saberá onde está o viveiro das bactérias, nem quando deixará de morrer gente.

A falta de dinheiro para as cirurgias no IPO (mais de dois mil mortos à espera do bisturi) não conta, o dinheiro do Paulo Macedo (cinco milhões para equipamentos cirúrgicos) deixou de se aplicar porque o Centeno, grande ministro!, não deixa.

Mil milhões em dívida à praça, que se lixem os privados, a economia, viva o 1% do défice.

A cáfila da saúde anda entretida com greves. Carradas de razão. Também querem comer, alguém há-de pagar. O chamado ministro não ata nem desata.

De resto, quem tenha dúvidas que vá até às bichas dos hospitais para apreciar o funcinamento do SNS nas mãos da geringonça.

Mas o chamado ministro sabe bem o que se passa e porquê: nas suas palavras o porquê desta desgraça toda está no país. O país é “velho”, “pobre” e “anda ao abandono”, mas a geringonça é linda.

 

Yes minister!

 

12.11.17

IMPERDOÁVEL FALHANÇO

 

Dado o ribombante avanço da UGT para a professoral barulheira, com tambores e foguetório, algo mexeu nas catacumbas do PC, vulgo comité central. Então vamos ficar para trás? Nem pensar, chamem o Nogueira, ordenou o Chico depois de uma conversinha com o Jerónimo.

De cabeça baixa, sem saber o que fazer às mãos, o ex-bigodes e actual barbaças entrou, tremebundo, nas instalações.

- Camaradas...

- Chiu, caluda, então o camarada deixa que os reaccionários protocapitalistas da UGT lhe passem a perna, que apareçam à frente, que tomem iniciativas antes de si? Esta história dos professores é sinal de um comportamento não científico da sua parte, parece que não leu os manuais, que está tíbio, hem!

O Nogueira, que não sabe o que tíbio quer dizer, olha para a perna direita onde tem umas comichões, e pensa: será da tíbia? Como é que eles sabem?

- Você ainda não percebeu que isso de greves, de paralizações, de acções de rua, é connosco, que temos o monopólio, que, se pagamos aos seus agitadores e aos tipos da televisão, é para manter sempre a vanguarda nas nossas mãos? E agora?

- Agora...

- Agora, acabe o namoro com o camarada Tiago, o gajo anda a falhar o penico, ainda não percebeu?

O ex-bigodes matutou um pouco no assunto. Não percebia. Então o Tiago já não é de confiança? Não quer receber a malta? Esta história das carreiras tem que se lhe diga e eu não apanhei a oportunidade como devia, preciso de fazer uma profunda auto-crítica com verdadeiro espírito leninista. E o raio da tíbia que não me larga. Que chatice.  

- Com certeza, camaradas, toda a razão, parece que o rapaz anda com hesitações... à fé de quem somos, vou actuar usando com toda a força a nossa vanguarda, se os tipos marcarem dois dias de grave nós marcamos quatro, ou cinco, se eles quiserem duas manifestações nós arranjaremos trinta, enfim, o que for necessário para a gloriosa vitória das massas organizadas.

- Bom, isso é que é falar, olhe, aconselhe-se com a Avoila e com o Arménio, que eles lhe darão as devidas instruções.

- Mas... e se o Tiago não resolver nada?

- Porra, camarada, realmente parece que precisa reciclado. Não sabe que é esse o objectivo? Se o Tiago resolver o problema está tudo estragado, teremos que procurar outras maneiras de agitar, está a perceber? Nos bons tempos mandávamo-lo a uma formação especializada em Novosibirsk.

- Sim, camaradas, percebo, vou agir em conformidade. A luta continua.

- Isso é que é falar! Vá andando.

Nogueira, ainda meio abananado, deu consigo na rua, a pensar se a culpa não seria da tíbia.

 

12.11.17

RIDICULO, PATÉTICO E TRISTE

 

O indivíduo que é suposto ter o cargo de ministro da defesa não pára de nos estarrecer. Então não é que veio à televisão, feito peru, papo inchado, declarar que tinha tido uma conversinha com o secretário geral da NATO na qual este lhe tinha dado os parabéns pela recuperação do material do “grave” roubo de Tancos, o que prova “o funcionamento das instituições”?

Com toneladas de boa vontade, procuremos acreditar no que a criatura diz que o outro disse. Se for verdade, o que temos é uma palavrinha diplomática do senhor Stoltenberg, de certeza abordado sobre o assunto pelo nosso ignorante ministreco.

Stoltenberg sabe, e de ciência certa, que as “instituições” não funcionaram. Está bem informado, por dever de ofício. Facto é que, nem a PJ, nem a PJM, nem a PSP, nem a GNR, ninguém “funcionou”. Quem funcionou foi um desconhecido que sabia onde estava o material e o denunciou. As “instituições” não faziam a mais remota ideia do que se passava com as munições, nem fazem ideia de quem seja o denunciante, nem consta que, sequer, se tenham interessado por sabê-lo.  As “instituições” têm tanto a ver com o achado como os joelhos com as calças. Os ladrões continuam descansadinhos, sem que ninguém sequer suspeite quem serão, nem porquê ou para quê assaltaram o paiol. Ou seja, continuam a não “funcionar”

Mais. O apalhaçado membro da geringonça, de repente e sem mais nem menos, descobriu que o roubo foi “grave”. Então não foi só sucata, como disseram os generais da geringonça? E o ridículo ministro não disse que, se calhar, não houve roubo nenhum?

É difícil aldrabar e trocar tanto o passo em tão pouco tempo. Mas a criatura deve estar muito contente: comunicou à Pátria que o secretário geral da NATO, quem sabe se pela primeira vez, falou com ele! Se falou, claro. Uma grande vitória, uma honra a crédito da importância atlântica do chamado ministro!

Ridículo, patético e triste.

 

9.11.17    

O DISCURSO

 

No seu afã informativo e dando mostras da sua indiscutível independência, a TV do Estado presenteou-nos ontem com uns intermináveis dez minutos do inflamado discurso do camarada Jerónimo no comício comemorativo da gloriosa revolução de Outubro. Ainda bem. A entusiástica prelecção foi clara e elucidativa e, para almas menos avisadas, inacreditável.

Parecia que estávamos a ouvir uma leitura do “Avante”, em edição de em 1950. Um morto-vivo como o das séries negras, ressuscitado de mal cheirosas catacumbas. Verdades, nem uma. A cartilha de há um século ressuscitada: libertação de um povo, justiça para todos, alfabetização, progresso científico, pleno emprego, dignidade, bem-estar generalizado, protecção da cultura, tudo os sovietes realizaram na perfeição. Não houve Gulague, os culaques viveram felizes, ninguém foi perseguido ou morto, não houve progromes, nem escravos, nem trabalhos forçados, nem manipulações, nem assassínios, nem KGB, nem censura, nem deportações, nem sibérias, nada, só progresso e liberdade, maravilha total e indiscutível. Cá fora, o imperialismo capitalista teceu as piores calúnias contra a gloriosa coisa, e continua a tecê-las.

A utilidade da parlapatice foi a de haver quem ficasse a perceber que o PC não evoluiu um milímetro, que a sua aceitação da democracia é uma treta, que o objectivo continua a ser o mesmo, só falta oportunidade. A luta continua, arrotaram as massas no Coliseu.

 

Fui a Moscovo antes da perestroica, durante a perestroica, e depois da queda da ditadura. Gente famélica nas bichas a lutar por um papo-seco, nada de restaurantes, nem livrarias, lojas raríssimas sem nada nas prateleiras, miséria para todos, excepto a nomenclatura, claro. Tirando o metropolitano, nada funcionava, tudo era ridículo, paupérrimo, absurdo. No tempo da perestroica, havia uns resquícios de “liberdade”, havia a rua Arbat onde os pintores, os que não eram do partido, eram tolerados, os taxistas vendiam caviar em moeda boa, os criados do nauseabundo hotel vendiam dólares, para as desgraçadas que vigiavam os corredores a felicidade era um saco de plástico, o céu um par de meias. Havia sete meninas na recepção do hotel. Cada uma trabalhava 24 horas, um dia por semana, pleno emprego! As avenidas pareciam as autoestradas do lá-vai-um do socialismo português, a cada quarto de hora coxeava um calhambeque chamado Trabant, a cada dez minutos um carrão do partido, tipo Oldsmolbile de 1940. Moscovo era a capital dos sovietes, a dar-nos uma ideia do que seria fora dela.

Já depois do desmoronar da odiosa URSS, fiz uma viagem numa carrinha a cair aos bocados, de Erevan para Tbilissi, o que me deu uma imagem clara do que era a riqueza do império. Picadas imundas, nada de asfalto, fábricas do tempo da revolução industrial, a fronteira uma barraca de lata, aldeias com prédios decrépitos, sacadas apinhadas de lenha para o Inverno, postes de energia caídos, nem uma tasca, nem uma bomba de gasolina, o império tinha caído mas os seus sinais e as suas consequências lá estavam.  

Fico por aqui. A terrível verdade da mais carniceira de todas as ditaduras metia-se pelos olhos dentro.

Mas Jerónimo não tem olhos. Gosta daquilo, e quer levar-nos para lá. A ideologia paralisou-lhe o bestunto. O número de apoiantes que ainda tem dá-nos uma ideia do nosso atraso. E do poder que nos “governa”.

 

8.11.17

NOTAS

 

O espantoso Cabrita anunciou à Nação que vai disponibilizar a fabulosa quantia de 1.200.000 euros para salários dos bombeiros voluntários. A distribuir por 400 corporações dos ditos. Tendo tais corporações, em média, 40 bombeiros, verifica-se que a cada um caberá o fabuloso aumento de cinco euros por mês. É assim mesmo, ó Cabrita! Assinale-se ainda que, afinal, os bombeiros voluntários não são tão voluntários como se pensava.

 

Dona Constança recusou à Protecção Civil o acesso a um programa informático de controle do SIRESP ou coisa que o valha. Interrogado sobre o assunto, o camarada Cabrita não foi de modas: declarou que o tal programa não interessa nada. Faz lembrar o caso de Tancos que, segundo os generais da geringonça, não tinha importância nenhuma: o material roubado era sucata. Afinal não era, mas a geringonça, a resolver problemas, é uma máquina!

 

Segundo o chamado ministro da saúde, as falhas na segurança do hospital que causaram o surto de legionela não têm nada a ver com falta de dinheiro. Sabendo-se do que a casa gasta, a dúvida é legítima.

Uma saudação especial à nova directora geral de saúde. Coitada, ainda não tinha aquecido o lugar e já apanhava com a legionela na cara. Não precisava era de descansar a malta dizendo que os doentes eram “só” dezanove. Já são mais de trinta, e dois já lá vão. É de temer que, em matéria de informação, a senhora tenha recebido instruções da geringonça.

 

8.11.17  

ASSÉDIO!

 

Calcule-se que fui assediado, e não gostei, por uma doidivanas, tão esperta quanto absurda e perigosa, dona Catarina Martins de seu nome. Dando jus a uma ideologia não confessa mas evidente, vem, das catacumbas do mais profundo bolchevismo, dar as suas dicas quanto ao brilhante futuro que nos ajuda a alcançar. Segundo uma entrevista que deu por aí, a solução está, tout court, em acabar com a iniciativa privada em tudo e mais alguma coisa, reinventando a “economia” dos planos quinquenais, de tão brilhante memória. Tudo na mão do Estado, leia-se do partido que está a ajudar a formar, para já pondo o PS às ordens (o PS não se queixa do assédio desta patroa, e até gosta). Ela tem a certeza que o PC alinhará com justificado gáudio ainda que vá fazendo umas queixinhas de vez em quando para entreter o pagode. O assédio tem várias frentes, na economia, é claro, mas também na saúde, na educação e em tudo o que mexa. Todos funcionários públicos, todos escravos políticos (não sexuais por enquanto), todos felizes às ordens da sádica criatura. Quando as liberdades burguesas acabarem, aí estará ela com direito a estátua implantada no meio da miséria geral, mas cheia de gozo e de poder.

A seu lado, o rapazola que entrou para a Câmara de Lisboa, cheio de afectos em relação ao melífluo boquinhas eleito presidente, vem, para começar, pôr os privados fora dos programas de “reabilitação”, falar em linhas de metro a rodos, todas ao mesmo temo, anunciar uma série de “medidas” tidas e aceites como “sociais”. O Medina, coitadinho, todo contente com o assédio, deu-lhe tudo, salvo umas coisitas que ficam para “apreciação” e que, a seu tempo, veremos e sofriremos. Podemos contar com novos impostos, taxas e taxonas, tipo a da “protecção civil” (protecção civil uma ova), que não deixarão de ser lançadas para pagar a evolução da CML, ou seja, o caminho para a bolchevização autárquica. A presidencial criatura até já anunciou o aumento da taxa de turismo, que é peanuts e paga maioritariamente por estrangeiros, para que a malta se vá habituando à política em marcha: pagar e não bufar. É preciso criar condições para custear os custos do assédio do rapazola, tão simpático, a arreganhar a taxa, a ver se passa. E já passou!

Nestas coisa do assédio, há quem goste, não se queixe, e até alinhe.

 

6.11.17   

NADA DE FOSQUINHAS

 

 

Carta de um assediado a que o IRRITADO teve acesso:

 

Caro Asdrúbal

 

Venho lembrar-te que, há vinte e dois anos – estávamos a discutir política - me deste uma palmadinha num joelho. Estou a pensar pôr o assunto nos jornais. Não sei sei se eras ou és maricas, mas, bem vistas as coisas, como estás cheio de bago e isto está a dar, há duas soluções: uma é mandares-me uma boa transferênca (mando-te o NIB por SMS), outra é eu dar corda ao trombone e aproveitar da celebridade, da universal compreensão, dos elogios, dos aplausos e da fama que a minha justa denúncia não deixará de proporcionar.

Lembra-te que, por um caso do género passado com uma tipa qualquer, já caíu um ministro de Sua Majestade. Lembra-te daquele milionário americano, um tipo do cinema, que foi acusado de várias “aproximações” por um magno lote de públicas e timoratas virgens, todas elas do melhor, como é evidente. Também, entre muitos, há aquele caso de um maricas que, há trinta anos, com uma bebedeira das antigas, resolveu sugerir umas porcarias a um rapazito de 14 anos. Não chegou a fazer nada, mas o rapazito, hoje quarentão, resolveu chamar-lhe uns nomes e dar-lhe cabo da vidinha.

O assunto, por mor do politicamente correcto, ainda não chegou à zona das fufas. Dado tratar-se de fêmeas, estão ao abrigo dos ditames da filosofia triunfante e podem meter-se com rapariguinhas sem que tal tenha qualquer importância. Em rigoroso exclusivo, abusadores são os homens, o resto é conversa. O conceito de abuso tem assim a sua primeira, e única, característica conhecida: aplica-se a quem tem pilinha, seja hetero (straight, em proper English) ou homo (gay, em popular English).

De resto, não se sabe ao certo o que é isso de “assédio”. Tanto pode ser quando o patrão exige favores em troca de promoções como quando o Zé Quitolas diz à Vânia Natasha que a acha muito gira. Segundo a filosofia que está a dar, basta o segundo caso para receber tal classificação.

Continuando a universal tendência para a moral progressista, teremos em breve o total banimento dos prevaricadores. Ai de quem faça fosquinhas a uma miúda ou a uma mulher feita. Se ela não está receptiva, vai para os jornais, o caso é entregue à Judite, e o tipo vai preso, como é de inteira justiça. Se se tratar de mariquismo tem mais desculpa, mas não deixa de ser condenável, desde que a iniciativa seja de um ser humano considerado do sexo masculino. As especialidades a cargo do Bloco de Esquerda (LGBTZHUIPROQUO++) também têm direito a compreeensão. Os verdadeiros maus são os straight. Não têm perdão.

Portanto, meu caro, daqui por diante nada de elogios, nada de olhares, muito menos de gestos como a mãozinha no joelho. Nada de pedir namoro, muito menos casamento. Os pedidos de união de facto atenuam a culpa.

Esta breve descrição do estado de coisas deverá servir-te de orientação no futuro. Quem bem te avisa teu amigo é.

Para já, ou tratas da transferência ou estás feito.

 

Cumprimentos do ofendido.

 

3.11.17       

CARBONO A RODOS

 

Em imponente chamada de primeira página, o DN de ontem informa: Estamos perante a maior concentração de carbono em 800 mil anos.

Por seu lado, no mesmo dia, o Público não está com meias medidas. Também em chamada de primeira página faz saber que Há pelo menos três milhões de anos que não tínhamos tanto CO2 na atmosfera.

Não sei se se trata de concorrência, a ver quem mete mais medo. Sei que a malta é sensível a estas boutades “científicas”, e sei também que a origem delas é uma coisa chamada IPCC (international panel on climate change), comissão da ONU formada por burocratas de nomeação política que, sob a direcção de um engenheiro de caminhos de ferro indiano, tem por expressa missão provar a) a existência do aquecimento global e b) que tal aquecimento é causado pelo homem.

A “precisão” das informações acima transcritas é suficiente para ajuizar da credibilidade desta gente.

Talvez haja em curso o tal aquecimento global. Parece que é coisa passível de medições mais ou menos exactas. Daí até culpar a humanidade vai uma distância literalmente cósmica. Aceite-se que haja, para bem, uma mudança dos paradigmas energéticos. Aceite-se as soluções que a tecnologia vem proporcinonando. Aceite-se a limpeza possível das emissões de CO (o CO2 é outra coisa...). O que não é aceitável é o argumentário do politicamente correcto, da ONU, dos “cientistas”, as ameaças, o terrorismo ecológico. Limpemos os rios, tratemos os lixos, arranjemos maneiras de pôr os motores a funcionar por processos mais limpos, tratemos da qualidade do ar, mas, pelas almas, deixemos de bater com a mão no peito e de condenar o que tem sido a inexorável marcha humana para melhores dias.

Para os terroristas do ambiente, três mil milhões de anos ou oitocentos mil é mais ou menos a mesma coisa, desde que se “prove” a antropogénese da história do CO2. Mesmo aceitanto que o CO2 é a causa do alegado aquecimento global, não há dúvida que o planeta tem aquecido e arrefecido n vezes, com humanidade ou sem ela. Não há dúvida que, na história do planeta, tem havido mais e menos concentração de CO2, pela simples razão que o maior produtor de tal coisa é o próprio planeta, cuja vida depende muito mais de fenómenos cósmicos, conhecidos e desconhecidos, do que da presença humana. Houve idades do gelo como houve tórridos tempos, aquecimentos e arrefecimentos, bruscos ou lentos. Sabe-se isso como se sabe que o homem nada a ver com o assunto.

O que irrita não é que se tome as medidas possíveis para acautelar as consequências dos fenómenos naturais, é que se meta os dedos pelos olhos dentro de cada um, a fim de diminuir a alegria de viver e de sujeitar a humanidade às estratágias de domínio que, oficial e triunfantemente, por aí vicejam.

 

1.11.17

A LAGARTIXA

 

A última entrevista do chamado primeiro-ministro foi uma jornada notável. O homem não respondeu a uma única das questões que o jornalista de serviço lhe pôs, a uma única das perguntas que as pessoas gostariam de ver respondidas. Aquilo foi um diálogo de surdos, foram alhos em vez de bogalhos e bogalhos em vez de alhos. Bla bla bla, está tudo nos carris, vamos “agir”, somos os maiores. E pronto. Ficou tudo na mesma, ou confirmado o que de pior se esperaria.

O homem usou aquilo a que chamarei a “estratégia da lagartixa”. Quando perseguimos uma lagartixa, a dita foge a sete pés, esgueira-se, serpenteia e, as mais das vezes, acaba por fugir. Acontece que, se a perseguição for dura, a lagartixa fica sem rabo. Assim aconteceu com o Costa. Andou a lagartixar e saiu de lá satisfeito, safo, mas sem rabo.

O pior, meus amigos, é que as lagartixas têm artes de auto-regeneração do apêndice caudal. Nada nos diz que ao fulano não vai acontecer o mesmo. Preocupem-se.

 

1.11.17  

PRIORIDADES

 

Quando eu era pequeno, havia lá em casa três cães: a Andorinha, o Leão e outro de que já esqueci o nome. Nunca houve gatos, não sei porquê. Os canídeos viviam felizes, eram nossos amigos e não gostavam de estranhos que o faro denunciasse.

Comiam o que se lhes dava, andavam gordinhos e limpos, tinham uma saúde de betão, não se queixavam, não tinham carraças.

Deles, o menu era constituído por restos da galinha do jantar, bons ossos de pernil de porco, arrozadas e sopas de sobra, etc., uma petisquice pegada.

A que propósito, dirá quem ler, vem esta desinteressante historieta do IRRITADO?

Resposta: a propósito dos novos tempos.

Milhares de portugueses têm acorrido como podem às vítimas do fogo e da incompetência da geringonça. Ao ponto de os receptores das dádivas acharem que algumas já excedem as necessidades. Ainda bem. Que a distribuição corresponda à generosidade de cada um e às reais necessidades das vítimas, o que quer dizer que a geringonça não se meta no assunto.

Uma simpática voluntária veio à TV explicar a situação. Disse ela que já não precisavam de roupa, nem de arroz, nem de outras coisas de que já não me lembro. E pedia encarecidamente que mandassem comida para animais, vacas, ovelhas, porcos etc.. E acrescentava: mandem rações para cães e gatos.

Numa situação destas, ocorre perguntar se tais rações são precisas, prioritárias, isto é, se os cães e os gatos não podem comer o que comiam os do meu tempo. Eu sei que o tipo do PAN acha que sim, mas o tipo do PAN é uma besta.

 

1.11.17

CORTINA DE FUMO

 

Um despacho meio maluco de um juiz da relação do Porto veio prestar à geringonça um precioso serviço. O país pensante, opinante e manifestante passou a andar cem por cento ocupado com o tal juiz. O absurdo despacho foi glosado, condenado, estraçalhado, demonizado segundo os ditames de todo e qualquer pensamento, opinião, religião, tendência, partido, filosofia ou necessidade de aparecer nos media.

Ultrapassados foram os incêndios, a guerra da estupidez socialista - trauliteira e ultramontana à moda do Santos Silva - contra o senhor de Belém. Ultrapassado foi o maior escândalo nacional, que vai timidamente emergindo por aí, sem comentários ou “pensamentos” que se vejam: o chamado governo deixou morrer sem assistência mais de dois mil doentes oncológicos; o senhor Centeno “cativou” as verbas (cinco milhões) consagradas pelo governo anterior ao reequipamento das cirurgias oncológicas; o SNS, alimentado por greves e reivindicações, está comatoso e inoperante nas mais diversas frentes.

Que interessa isso? Maus eram os ultrahipersuperneoliberais que andavam a destruir o estado social.

O “pensamento” socialista está acima deste tipo de pormenores. A morte faz parte da vida, não tem a importância que a “direita” lhe atribui. No caso dos incêndios, para o ano há mais, diz o chamado primeiro-ministro. E pronto. Caso encerrado. Estupidamente, foi reaberto pelo senhor de Belém, que resolveu, à segunda, dar à casca, ele que, à primeira, se tinha portado tão bem. Burro!, diz a opinião do PS profundo, com o apoiante silêncio dos tergiversantes e geringonciais parceiros. No que se refere à oncologia, a posição é a mesma. Moita-carrasco. Dez por cento dos doentes morrem à espera do bisturi. Que importância tem isso perante a universal e super versada sentença de um juiz machista, marialva e reaccionário?

Bem aproveitada, a sentença serve à maravilha de cortina de fumo. Óptimo!

 

29.10.17     

FAÇAM FIGAS

 

No seu derradeiro despacho, dona Constança - já demitida ou em vias disso - determinou que a GNR, entidade de reconhecida competência em electrónica de comunicações, como é universalmente sabido, passasse a tomar conta do SIRESP. Uma atitude tendente a pôr a coisa sob a alta eficácia técnica a indiscutível experiência da GNR neste tipo de matérias. Dona Constança foi à vida, mas não se sabe se o seu douto despacho está em vias de execução. Se não estiver, é uma pena.

Entretanto, previstos que foram mais uns calores para este fim de semana, o chamado governo resolveu dar mostras de eficácia e trombeteou toneladas de medidas. Vai haver milhares de bombeiros em alerta, cinco mil polícias, soldados, marinheiros, aviadores, parequedistas, comandos, vigilantes, torres de controle, aviões, helicópteros, secretários de Estado, ministros, directores gerais, amanuenses, o SIRESP vai funcionar às mil maravilhas, os incendiários serão condenados ao degredo, bestial, pá.

Este súbito ataque de “competência”, este repentino alarde de responsabilidade, esta diarreia de decisões, em si bemvinda, é a confissão, preto no branco, do que foi o seu contrário ao longo dos últimos meses. A interminável série de erros, falhas, fugas para a frente, desculpas de mau pagador, assobios para o ar, irresponsabilidade política, desprezo pelo povo, abandono, declarações estúpidas e frias, tudo fica provado, ainda que não reprovado ou confessado pelos seus autores. Esses não se molham, só a Constança, tarde e más horas.

Depois da casa roubada... De qualquer maneira, sauda-se a nova cautela e espera-se que funcione.

Um pequeno pormenor: o novo esquema tem prazo, como de costume. Funcionará, não quando as previsões  meteorológicas assim o determinarem, mas a prazo: até ao fim do mês, quer chova quer faça sol. Se chover a 29, 30 e 31, mantém-se o esquema. Se vier calor depois disso, não haverá esquema.

Façam figas.

 

28.10.17

A GRANDE TRAIÇÃO

 

Eis senão quando acorda, furibunda, a casca grossa.

Então, o gajo não percebe que a democracia somos nós? Não sabe que a República somos nós? Que a Pátria somos nós? Não sabe que a geringonça está acima de qualquer crítica? Que ninguém é mais que nós? Então, depois de, com inteira justiça, andar dois anos connosco ao colo por tudo e por nada, resolveu armar aos cucos? Isto é o da Joana, ou quê? Que lata!

À boa imagem do “Jornal de Angola”, o pasquim oficial do PS revolta-se contra a ilegítima e repentina postura do senhor de Belém, sem perceber que o PS é uma espécie de MPLA cá do sítio, superior, inatacável, soberano, protector do povo, salvador da Pátria, acima e para além de qualquer órgão de soberania ou seja do que for. Não sabe que a aliança do bolchevismo com o comunismo caviar, a maçonaria, a nova carbonária, o jacobinismo e o que resta da social-democracia é o garante do futuro, dos amanhãs que cantam, do Estado poderoso, do homem novo? Então não está cem por cento comprometido connosco, resolveu assacar-nos responsabilidades, sem perceber que o socialismo se acata, não se ataca? O que é isto?

Insonuere cavae, gemitumque dedere cavernae! No Largo do Rato, os porões ribombaram de indignação, o cavername gemeu perante a traição de Belém. Nos templos das irmandades rezou-se ao Grande Arquitecto do Universo, cobriu-se os altares com bordados panos de luto, os irmãos choraram de frustrada indignação. Para os lados do Bairro Santos, o Lenine, o Estaline, o Fidel, o Che, foram invocados, pedida a iluminadora intervenção das suas salvíficas ideias. Não sei onde, as esquerdoidas, o careca e o Fazenda, histéricos e ansiosos, troaram aleivosias, recordaram-se os ensinamentos do Trotsky, do Enver Hoxa e de outros salvadores do socialismo ameaçado. Tudo minha gente a salvar o povo da pernicosa influência de Belém, da inominável traição.

Como eu os compreendo!

*

Não se sabe o que fará, a seguir, o senhor de Belém. O mais provável é que, passada a borrasca, volte aos elogios. Dali, tudo se pode esperar.

 

27.10.17

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D