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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

MARCELO

Ninguém saberá dizer, ou prever, o que vai dar a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa. O que, para já, merecerá ser pensado, é o enorme êxito popular que o seu estilo vem tendo. Está demasiado próximo do populismo, demasiado longe da gravitas do seu cargo, está no lugar certo na hora certa na atitude certa, está a prestigiar a presidência ou a arrastá-la na calçada? Para além do primitivismo do que diz a extrema esquerda, cujas opiniões, de tão bacocas, não interessam para o caso, tudo se poderá dizer, para tudo pode haver argumentos com pés para andar.

O que fica então como certo? Fica que a generalidade das pessoas “precisa” de uma referência que suplante as agruras do dia a dia, as lutas e desentendimentos da política, que possa ser tida como representativa, não de uma ideologia ou de um programa, mas daquilo, seja o que for, a que cada um chama Portugal. Uma espécie de “Pátria em figura humana”, como disse um poeta noutro contexto.

As democracias mais avançadas da Europa encontraram essa figura no Rei, que despiram de poder político e erigiram em representação permanente do que é permanente através da continuidade que a dinastia proporciona. Dir-se-á, com razão “positiva”, que tal solução é uma entorse à universalidade do princípio do sufrágio. Dir-se-á, com razão “humana”, que quando se vota o que não é votável se está a negar o princípio que se defende.

O nosso sistema é, de longe, o pior de todos. Sendo que o sugfrágio universal é a única fonte aceite de legitimação do poder político, elegemos por sufrágio universal o titular de um cargo que de poder político pouco ou nada tem. Depois, exigimos-lhe o que não pode dar, pondo no comércio político a representação geral dos cidadãos, da terra, da história, do estado.

O Presidente é bom para uns e mau para outros. Ou seja, o que se gostaria de ter em permanência é inevitavelmente levado à contingência dos dias. Se, como em França, o presidente fosse o chefe da facção vencedora, muito bem, então o presidente seria o chefe do governo e a representação da unidade e da permanência do país ficaria limitada ao hino, à bandeira e... à selecção de futebol. Funciona, ou vai funcionando.

Não havendo poder executivo nas mãos do presidente, então a sua eleição, em respeito pelos eleitores, deveria ser parlamentar ou colegial. O que temos é um absurdo que a demagogia constitucional instalada manterá sine die. Com a trágica consequência de o presidente deixar de ser de tudo ou de todos para, quer se queira quer se não queira, pôr o que devia ser intemporal nas contendas so dia-a-dia.

Como irá Marcelo aguentar-se? Como poderá manter a popularidade conquistada? Como se “safará” de ser interpretado, hoje como protector de uma facção amanhã de outra? Só o tempo o dirá. O que já conseguiu é notável, mas muito mais frágil do que imagina.

 

14.3.16

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