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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

UM DIA TRISTE, UM FUTURO NEGRO

Em tempos que já lá vão, uns anos antes da nossa adesão à CEE, fui um dos fundadores do que se chamou Secção Portuguesa do Movimento Europeu. Saídos do isolamento da II República, sonhávamos com a integração europeia, como sonharam mais tarde os países saídos do totalitarismo comunista.

A formação da associação foi saudada por muita gente, e o Movimento internacional depressa preparou uma missão para nos visitar. Houve umas reuniões, umas conversas. Percebemos que o Movimento era federalista, coisa que estava longe dos nossos planos. E a “secção portuguesa” morreu à nascença. Queríamos o guarda-chuva económico, não a integração política. No que me diz respeito, pensava que a CEE, colocando-nos num universo político mais vasto, seria uma espécie de seguro contra uma integração ibérica de que por aí se falava.

Os anos passaram. Entrámos para a CEE, tivemos anos de inegável progresso, mas rapidamente entrámos na ilusão da riqueza. Destruimos não poucos sectores básicos da economia sem os substituir por algo que pudesse sustentar as novas despesas, designadamente o exponencial alargamento do “estado social” que o marcelismo tinha criado. Enfim, ao mesmo tempo que progredíamos criávamos as “bases” para a desgraça. Isto através de um Estado tentacular, omnipresente, “subsidiador”, pasto de interesses nem sempre aceitáveis, e de uma sociedade cada vez mais dele dependente, portanto mais anquilosada e inprodutiva.

Veio a globalização. A Europa não conseguiu, nem consegue, estar à altura da emergência de novas economias, ainda menos manter a sua tradicional supremacia científica e tecnológica. O mundo melhorou, e muito, mas a nossa civilização não foi capaz de manter o avanço, e continua a perdê-lo todos os dias.

Multiplicaram-se as crises financeiras, o dinheiro deixou da corresponder ao desenvolvimento económico, autonomizou-se, e perdeu boa parte da sua real utilidade. Ao invés desta tendência, as despesas dos Estados, ora correspondentes ao respeito por protecções a que se passou a dar o nome de direitos, deixaram de corresponder à aplicação dos resultados económicos para ser função do aumento exponencial das dívidas públicas.

Somos disso um dos mais gritantes exemplos. Bancarrota, resgate, impostos brutais, estagnação económica, desemprego, dívida, etc.. Quando, passados quatro anos de sacrifícios, havia claros sinais positivos, eis que sobe ao poder um governo que, em meio ano, conseguiu inverter o curso dos acontecimentos e criar as condições para um novo e colossal abismo. As afirmações de sucesso, as técnicas de “entretenimento” da opinião pública e outros truques do poder podem ir resultando, mas não resistem a qualquer análise, fina ou grossa.

Entretanto, a chamada Europa tribaliza-se, varrida por um vendaval de nacionalismo, em vários países impulsionado pela extrema direita, por cá pela extrema esquerda. Uma e outra descobriram o bode expiatório ideal para os problemas que têm pela frente: a Europa.

Diz-se por aí que as instituições não são democráticas, não são eleitas, não são legítimas. Como se fosse possível eleger seja o que for não havendo um universo eleitoral à disposição! Não, o problema das instituições europeias não é de democraticidade, é de excesso burocrático e de insucesso económico. De acordo que, em muitas matérias, a intromissão de Bruxelas na nossa vida toca as raias do inaceitável, do abusivo e do absurdo. Mas também não é esse o problema. O problema é mais fundo e tem a ver com a decadência generalizada da nossa civilização e com os hábitos de dependência individual que são a consequência negativa do muito positivo progresso social da segunda metade do séc. XX.

O resultado do referendo britânico corresponde à nova “tribalização” da Europa, evidente um pouco por toda a parte, por cá, como em Espanha e na Grécia, presente nas opiniões de inspiração comunista, em França, na Holanda, na Áustria, etc. nas do outro extremo do leque político. Acrescentado isto aos novos nacionalismos, na Catalunha, no País Basco, na Escócia, na Irlanda do Norte... aí temos o caldo de cultura da desagregação e da perda de poder do conjunto das nações europeias. Tudo isto está presente na entente existente entre a extrema esquerda e a extrema direita no Parlamento Europeu, onde os radicalismos vão ganhar força com o Brexit.

No limite, não se vislumbra como poderá, a prazo, resistir a tudo isto a Pax europeia em que nos habituámos a viver e que julgávamos garantida.

Um dia negro, um futuro triste para todos nós.

 

24.6.16

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