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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

AJUDINHAS

Veio o senhor Rio reiterar a sua moralíssima opinião sobre os dinheiros dados, ou a dar, ao Novo Banco, bem como sobre as alienações de activos. Nem mais um chavo! Comissão de inquérito já! Uma vergonha!

Costa e Centeno agradecem. É fundamental lançar uma boa cortina de fumo para disfarçar a borrada que foi a venda do banco. É preciso pôr culpas à gestão actual, a ver se  Centeno/Costa/geringonça passam na chuva sem se molhar. Cria-se um bode expiatório, e pronto, a culpa jamais será dos culpados. Há anos que é assim, é coisa de nascença.

Não há uma única entidade, nacional ou internacional, com competência na matéria, que ponha em causa, seja a legitimidade das vendas de activos, seja a das injecções de capital. Está tudo devidamente estatuído, previsto, legislado.

Há asneira? Há. Há muitas asneiras, todas ditas “salvíficas”, cometidas, sem excepção, pela mesma gente nos apertos da queda do BES. A actual gestão do Banco, num caso e noutro, mais não faz que honrar os compromissos que o Centeno, o Costa e a esquerda em geral assumiram em nome do país.

Mas vale tudo para baralhar as pessoas. Nada melhor que criar a confusão em vez de, honradamente, dizer que se errou.

Se houver, e há, uma ajudinha do Rio, excelente.

 

23.9.20

SÓS

Anda este mundo muito ocupado na discussão sobre o que fazer à “pipa da massa” que a UE nos vai oferecer a partir de 2021.

Acho muito bem. Mas o que já se sabe não é de molde a dar-nos esperança. O guru Costa Silva deu ao governo uma mãozinha - o Costa deve estar muito contente, se houver azar a culpa é do Costa Silva.

O guru deu grande largesse ao poder constituído. O dinheiro deve ter gestão e aplicação pública. Subsidiariamente, talvez os privados (a economia) sejam autorizados a investir. Contentíssimo, o socialismo viu-se apoiado. Vai ser um fartote. TGV para o Porto(!), poupa-se meia hora, o galamboso hidrogénio, mais umas coisas por aí, digitalização, ai o CO2, tudo do Estado, ar mais puro com o dinheiro que escorre. Bitola europeia, nem pensar, energia para França, o que é isso? Orgulhosamente sós, como dantes. Uns largos dinheiros para acudir aos desgraçados, pagar o desemprego, distribuir umas massas, e pronto, ficam os votos no papo.

Vamos ter um projecto a apresentar à UE. Talvez de Bruxelas venham algumas exigências com pés e cabeça. De cá, ideias, só se for para engordar o poder.

 

23.9.20   

DEMOCRACIA EM ÉVORA

 

Já lá vão muitos anos, o primeiro comício do CDS, no Palácio de Cristal (Porto) foi cercado por uma multidão ululante formada por inúmeras organizações à época existentes – PC, MRPP, FML, SUVs, UDP e mais uma colecção de díscolos de extrema esquerda, bolchevistas, maoistas, albaneses, a porcaria toda. O CDS era um partido fascista, inimigo da democracia e da liberdade, representava “mais negra reacção”, os adeptos do Estado Novo, devia ser proibido, etc. A coisa meteu polícia, pancadaria, o que, à época, era a bagunça vigente.

Passados mais de quarenta anos, a cena repete-se, desta vez em Évora. Os herdeiros dos brigões daquele tempo, PC, BE, Livre e mais não sei quantas organizações ditas “progressistas", juntaram-se para impedir uma manifestação do Chega, que alcunham, como alcunhavam o CDS, de  fascista, inimigo da democracia e da liberdade, representante da “mais negra reacção”, adepto do Estado Novo, xenófobo, racista, que devia ser proibido, enfim, a mesma receita com ligeiras actualizações. A mesma mentalidade com novos intérpretes, inimiga de tudo o que não seja rigorosamente “correcto”, quer dizer, de tudo o que não coma, em quantidades variáveis, do prato do totalitarismo de esquerda.

Não sou eleitor do Chega, como, na altura e até hoje, nunca o fui (com uma exepção) do CDS. Mas a “ascensão” do Chega tem razões de ser que pouco ou nada tem a ver com as acusações que lhe fazem. O Chega, há que reconhecê-lo, diz muita coisa – às vezes com pouco aceitáveis expressões e exageros -  que cala fundo no espírito de muita gente que nada tem da “fascista” ou coisa parecida. Denuncia problemas que os partidos têm pudor em reconhecer. Não é contra o sistema democrático (ao contrário da extrema esquerda), é contra o seu actual funcionamento. Se tal funcionamento não o fizesse passar a vida a meter importantes questões debaixo do tapete, o Chega não teria espaço nem o apoio popular que parece ter. Mas como vasculha debaixo do tapete de um sistema inquinado, como vai buscar lixo cuja existência os demais partidos se recusam a reconhecer, passa a persona non grata. Acresce que, ao contrário dos partidos europeus de direita radical, não é estatista, nem jacobino, o que é imperdoável para os “correctos”. E como tais “correctos” são donos e senhores da liberdade - coisa que todos os dias maltratam – para eles merece os mais variados insultos e a bagunça nas ruas quando deita a cabeça de fora.

O problema não é a existência do Chega, é o da prevalência da porcaria intelectual, ideológica e política em que estamos enclausurados.

 

21.9.20       

CRITÉRIOS

 

A candidatura da dona Gomes disparou em beleza. Mal tinha declarado que tencionava candidatar-se, imediatamente, pressurosa, a TV do Estado (nossa!) brinda-a com uma “grande entrevista”. Decorridos dois dias, outra TV qualquer põe-na a perorar no “seu” espaço habitual de “comentário”. E o que mais se seguirá. A máquina da propaganda está afinada e em marcha.

Um elogio ao senhor de Belém: quando disse que ia candidatar-se, parou com as semanais arengas. Dona Gomes usa e abusa delas: o pessoal de serviço cumpre, venerador e obrigado.

É o socialismo do costume.

 

21.9.20

 

NB. Já este post estava publicado, dou comigo na retransmissão do programa cómico-apologético do já estafado RAP - sim, o mesmo da festa do Avante - em que o convidado de honra era, imagimen, a dona Gomes.  Em dois dias, a balsemónica estação oferece à candidata dois comícios, um pago (a ela) outro, julga-se, de borla. Para já, não se escandalizem, a seguir será pior.

 

DESDITAS DE UMA CORONELA

 

Tinha o nosso bem amado primeiro-ministro dito que em guerra não se muda os generais, mas não falou em majores ou tenentes-coronéis ou coronéis. A generala da saúde não gramava uma coronela que lá tinha e resolveu pô-la na rua sem mais aquelas. Lá foi a repariga para a reserva estratégica do quartel de São Bento.

O nosso bem amado preferiu a generala e deixou cair a coronela, fazendo-a passar a alferes. Dona Jamila não gostou de ser despromovida. Chateada, deu à casca. Tinha sido apanhada à meia volta, sem satisfações nem desculpas. Uma inqualificável ofensa, a demonstrar o estado a que o exército chegou. São assim as zangas entre mulheres, diria o IRRITADO, apesar de, em tese, não ser machista.

O mais interessante de tudo foi, na posse dos pedronunistas (um antigo tenente-coronel foi promovido a coronel e ficou como lugar da novel alferes), o desvelo com que o bem amado tratou a Jamila, com palavras de consolação, apreço e carinho, só faltando o beijinho por causa do covide. Comovente, sincero, a paz no rebanho, o jeitinho do pastor.

Já agora, uma pergunta, talvez injusta. Onde estava o senhor de Belém na cerimónia da posse? Alguém o viu?

 

18.9.20

NEGOCIAÇÕES

- Boa tarde, senhor Valeira.

- Olá, tá bom? Como vão as coisas lá na Gomes Vieira?

- Tudo bem, mas temos preocupações.

- Então?

- Bom, o seu amigo gostava de lhe falar mas, como sabe, é melhor ser no sítio do costume...

- OK. Quando?

- Amanhã às dez.

- Combinado.

Às dez, dois discretos automóveis pararam num descampado atrás do cemitério de Benfica. Dois homens, de chapéu cambado, óculos escuros, máscara e viseira saíram, cada um do seu carro, e afastaram-se até um plátano solitário ainda cheio de folhas.

- Olá, pá. Rapidamente, antes que nos filmem, venho pedir-te ajuda.

- ...

- Tás a ver o que se passa? Anda tudo a dar-me cabo do juízo por causa da tua candidatura à presidência do Carcavelinhos. Dizem que eu não devia alinhar, tás a ver a chatice, até o gerente dos pastéis de Belém me anda a morder as canelas, temos que parar com isto.

- É fácil, pá. Dás o dito por não dito, dizes que foi uma imprudência, foi um tipo do gabinete que se enganou, foi um mal entendido, mandas umas bocas das que tu sabes, e pronto, em dois dias está tudo em ordem.

- Pois, mas vão dizer que são desculpas de mau pagador, que me encolhi, que me acobardei...

- Então, Teotónio, o que queres que eu faça, caraças?

- Expulsa-me. Diz que já não me queres, saneia-me, põe-me na rua, assume o erro, diz que abusaste, que estamos a ser perseguidos por uma cáfila inqualificável, os teus advogados que escrevam uma balela qualquer.

- Tá bem pá. Vou fazer isso. E, quando eu precisar, não te esqueças de mim.

- Fixe.

E lá se foram, cabeça lavantada e consciência tranquila.

 

18.9.20  

UM MUNDO À DERIVA

Não sei se leram, hoje, as declarações de um dos lesados pelo ladrão Rui Pinto. Roubados lhe foram uns trinta mil emails e outras coisas. Toda a correspondência profissional e pessoal do homem foi escarrapachada na net, incluindo as fichas de saúde da família, as fotos dos filhos, tudo à disposição de toda a gente nos mais ínfimos pormenores.

Um mundo onde as instâncias mais “abalizadas”, os políticos mais “preocupados”, os legisladores mais “eficazes”, ao mesmo tempo que dizem à boca cheia - e com vasto apoio social - defender a privacidade de cada um, é o mundo que protege e priviligia  os gatunos informáticos com “medidas de protecção” especiais e loas ditas de “informação” e de “investigação”. Um mundo, ou um país, onde há candidatos à presidência da república a pôr, impunemente, tais canalhas nos altares da respeitabilidade e da credibilidade, é um mundo que perdeu a cabeça no que respeita aos mais elementares princípios em que diz acreditar.

Não sei onde isto irá parar, se é que parará um dia. O que sei é que a civilização a que pertenço e em que acredito, se não arrepiar caminho, tem os dias contados, às mão de assassinos como a dona Gomes, o BE e quejandos*.

 

*Ontem, a dona Gomes declarou que “não sabe, nem lhe interessa saber”, como Rui Pinto obteve as informações que publicou. Está tudo dito.

 

17.9.20

UMA BATATA

 

Algumas informações úteis ressaltam da entrevista caridosamente oferecida à dona Gomes pela TV do Estado.

Por exemplo, disse ela que o seu orago Sampaio foi fundador do PS. Mentira. Sampaio fundou o movimento de extrema esquerda chamado MES, o qual, em 74/75, defendia o totalitarismo socialista, opondo-se à realização de eleições. Entrou no PS em 79 ou 80.

Dona Gomes “explicou” que o PS devia ter subscrito um acordo com os parceiros da geringonça, a fim ressuscitar a maioria de esquerda no parlamento. Devia? Pois. Foi o que fez Cavaco, que exigiu tal acordo para indigitar Costa. Só que, para Cavaco, tal podia ser uma forma de não ter que o fazer, contrariando a sua consciência, ignorando os interesses legítimos do povo português expressos nas urnas e abolindo uma praxe constitucional válida pelo menos a partir de 1982. Dona Gomes queria agora o mesmo, com a intenção inversa: para ela é preciso acabar com a direita (toda ela), instaurando para sempre o socialismo obrigatório. Por um lado, é o que se poderia esperar da criatura, por outro é a prova provada da qualidade do que temos pela frente.

Toda a retórica de “independência” pessoal cai assim por terra. Não se candidata para ser, como diziam os antigos, presidente de todos os portugueses (nunca o foram, como diz a Constituição, foram presidentes da República e de mais coisa nenhuma), mas importa salientar a intenção: candidata-se para ser motor da abolição da direita, ou seja, da democracia que, cinicamente, diz defender. Não quer, nem nunca quis, "unir e federar", o seu objectivo é dividir, ou seja proteger o “trigo” descricionário da sua ideologia e aniquilar o “joio”, que são todos os que tal coisa não apoiam.

Se isto é alternativa, a democracia é uma batata.

 

17.9.20

IMPRESSÕES

 

Às vezes leio uns artigos no “Público”. Normalmente, não aguento até ao fim, percebo o sentido, e pronto.

Hoje, houve dois em que tive que esmiuçar mais um bocadinho. Esmiucei, esmiucei, e quanto mais esmiuçava menos percebia. Devo ser estúpido de todo. Ou não tanto, direi em meu abono.

  1. O primeiro artigo dedicava-se a explicar, com repenicados promenores, um caso levado dos diabos. Uma senhora deputada do PS tinha umas firmas, julgo que de sociedade com o pai. Não sei por que carga de água, tal senhora devia ter deixado de ter as firmas quando foi eleita, ou quando se candidatou. Facto é que o fez com uns meses de atraso. É de desculpar? Não sei. O que sei, ou seja, o que vem no jornal, é que, possivelmente a benefício de burocracias várias, a senhora fabricou um papel qualquer (de “conteúdo falso”, segundo viria a decretar a procuradora) em que dizia o contrário do que tinha feito. O caso foi para à PGR. A PGR, após rebuscadas e doutas reflexões técnico-jurídicas, achou que o assunto não tinha importância nenhuma. E pronto, assunto arrumado. O mais interessante vem a seguir: a papelada da senhora deputada, no fim de contas, destinava-se a uma candidatura a fundos europeus, para receber umas centenas de milhar para uns projectos que já estavam feitos e a funcionar há que tempos. A coisa parece que pode estar de acordo com as normas, desde que tais projectos estejam em curso, mas não acabados. Num dos projectos, faltava “efectuar uns arranjos na zona da barbecue”, bem como “adquirir algum mobiliário”. Noutro, parece que “faltavam umas prateleiras para acabar a zona de bar”, as quais custaram 1.559 euros. As facturas das prateleiras não foram apresentadas.

Bom. Encurtemos a história. Segundo entendi, pai e filha receberam pelo menos 277.000 euros, e, um dia, vão devolver, por meras questões “formais” (diz a procuradora), 169.875.

Além disso, imagine-se, foram condenados a pagar 1.000 euros a uma instituição. De resto, tudo OK. Não há nenhum problema. Arquive-se.

Aqui têm alguns dicas muito úteis, caso queiram pedir uns tostões à UE, com apoio do Estado, leia-se, do PS.

 

  1. Noutro artigo, um super ilustre economista do PS, com frequente presença no “Publico”, vem fazer uma demonstração filosófico-económica destinada, segundo entendi, a provar que as histórias do Novo Banco (entradas de dinheiro, vendas por preços baixos, etc.) provocam avultados prejuízos ao Estado e a todos nós.

É capaz de ser verdade. Não entrarei no complicadíssimo arrazoado de tão alta patente das nossa economia. Confesso a minha ignorância em tão especiosas e intricadas matérias.

Uma coisa, porém, me saltou à vista. É que o articulista deixou de fora o célebre contrato de venda do BES, subscrito e defendido pelo ilustríssimo ministro das finanças da altura, hoje não menos ilustre governador do Banco de Portugal.

Salta à vista que o artigo em causa tem por único fim tirar da chuva o cavalo do camarada Centeno. O resto é conversa propositadamente confusa. Para ser simpático, poderia dizer que, se calhar, não era essa a intenção. Mas não digo. A verdade, no meio disto tudo, é que as altas instâncias do PS resolveram nomear o senhor Ramalho, presidente do NB, bode expiatório das asneiras do altíssimo Centeno.

Como diria um trauliteiro do PS, quem com ele se mete, leva. Desta vez, com a prestimosa colaboração do BE e de montes de alarves.

 

14.9.20

SINISTRA CRIATURA

Estou de acordo com a dona Gomes. Queixa-se a senhora dos “desígnios autoritários” que andam por aí. Não podia ter mais razão. Suponho que estivesse a ver-se ao espelho. Em matéria de “desígnios autoritários” não tem rival. Ninguém como ela põe em causa o sistema a que costumamos chamar estado de direito e, o que é mais grave, fá-lo ao mesmo tempo que diz estar a defender tal coisa, com toda a imaginação, toda a lata, todo o desplante. Temos nela, na sua formulação do século XXI, a expressão máxima da inspiração inquisitória que julgávamos ultrapassada, a defesa da bufaria, a condenação extra-judicial dos por ela “eleitos”, a devassa de tudo o que lhe estiver à mão, a respectiva “acusação” e a condenação sem recurso possível. É o culminar daquilo de que, com propriedade, se diz das redes sociais, onde a verdade, a mentira, o boato e as notícias, falsas ou não, são todas a mesma coisa desde que dêm para condenar os eleitos como alvo. Sem processo, sem escrúpulos provatórios, mas com respeito, sim, por uma única máxima: a que reza que os fins justificam os meios.

Em matéria de “desígnios autoritários”, André Ventura, se comparado com a dona Gomes, é um aprendiz. Torquemada, lá na tumba, aplaude.

Por outro lado, dona Gomes, filiada histórica do PS, deputada europeia do PS, declara-se “verdadeiramente independente”. Não estará de acordo com a política presidencial do Costa, mas tal não faz dela uma “independente”, ainda menos "verdadeira". Uma afirmação que ninguém será capaz de analizar sem espanto. Dona Gomes é do PS ou, melhor dizendo, balança mais para o lado dos agentes do BE no PS que para o que resta do PS de Mário Soares.  Ao mesmo tempo que declara solenemente que vem para “unir e federar”, divide, e de que maneira.

Uma figura sinistra que, à semelhança do Trump, vai ter muitos votos. Para o populismo desenfreado, há-os dempre.

 

11.9.20      

PEQUENA NOTA

.Parece que as diversas perturbações mentais que a campanha de sustos diários com que as “autoridades”, mancomunadas com os media, brindam a plebe, vêm provocando sucessivos bloqueios e posto o IRRITADO fora de combate.

É que, imagine-se, nem as novas candidatas a Belém, horror dos horrores, nem os velhos, nem  nem as contratações do Reprenilson, do Evanimandro ou do Tatu pelos grandes da bola, nem os milhões envolvidos, tiveram o condão de excitar as irritações deste escrevinhador. Peço desculpa aos que têm o triste hábito de me ler por esta falta de comparência, talvez a mais prolongada dos últimos 14 anos.  

Uma pequena nota, à vossa atenção. Dizem os últimos números que as infecções do Covide estão a aumentar. Estranhamente, ou nada disso, há mais infecções em gente nova. Nada estranhamente, tal aumento não tem qualquer reflexo nos internamentos ou nos óbitos. Pensem nisso, ou na lhaneza das informações. É que ninguém nos diz quais os infectados estão sem sintomas, ou com sintomas ligeiros. O que fica é a parte mais terrorista das “informações”.

Tremei, ó gentes! O diabo está entre nós, o covide mata que se farta,a alimentação está em vias de se esgotar, o planeta caminha para a extinção, quem tem razão é a miúda taralhoca da Escandinávia, os deficientes sexuais e os racistas pretos. Não esquecendo o bufo gatuno que faz as delícias da dona Gomes e das esquerdoidas.

Seja da esquerda, da direita, do centro, ou de coisa nenhuma, resista!

Bom Outono.

 

10.9.20

NADA DE BRINCADEIRAS

São ainda desconhecidas, na sua totalidade, as medidas que a ditadura em vigor vai impor às nossas crianças, diz-se que por causa, não da insaciável sanha regulamentesca das chamadas “autoridades”, mas por mor do covide. No entanto, do pouco que se conhece, seguro é concluir que, sendo a causa oficial a segunda, a primeira é a verdadeira. Suponho que, às tais “autoridades”, deva dar inenarrável gozo dar mais umas ordens, criar mais umas obrigações “cívicas”, alargar as limitações à liberdade. E, sendo a infância a estar sob ataque, o gozo deverá ser ainda maior.

Uma das medidas mais interessantes é a limitação dos intervalos das aulas a cinco minutos de cada vez. Queriam brincar, conviver, criar amigos, conversar, lutar, socializar, dar uns pontapés na bola, fazer umas correrias, ai queriam? Não queriam mais nada? São parvos, ou quê? Vão lá fazer um chichi, e estão com muita sorte. Entre baixar as calças e lavar as mãos, lá se vão os cinco minutos, isto se forem jeitosos. Qualquer avaria do fecho “éclair” ou do elástico da cueca, chegam atrasados à aula e levam um raspanete.

E essa doideira de haver aulas em mesas redondas? Nem sonhem: para a nova moral, isso é uma promiscuidade! Carteiras à distância regulamentar, e já!

Não se esqueçam das máscaras. Sem máscaras, só no kinder garten. A partir dos seis anos são obrigatórias. Isso, meninas e meninos, suem à vontade, babem-se de humidades, respirem o ar que os vossos pulmões deitaram fora, embaciem os óculos, assim é que é.

Mas o que é isto, a menina entrou na sala e não desinfectou as mãozinhas com gel? Sua porcalhona, faça isso outra vez, chamamos a polícia e o papá pagará a respectiva multa.

E essa de as mamãs e as vóvós virem buscá-las à escola? À porta, só do lado de fora, que aqui ninguém entra! Desenrasquem-se, agarrem na bagagem e vão lá para fora esperar.

E mais, vai haver mais normas, mais regulamentos, mais maluquices que nada pode justificar.

Se isto não é crime de lesa infância, não sei o que seja.

 

4.9.20  

SEM PAPAS NEM BOLOS

 

O Novo Banco vendeu património tóxico por preços ditos abaixo do valor de inventário. Levantou-se uma onda de protestos, declarações políticas, artigos de jornal, o diacho. Anda meio mundo entretido com a história.

Num país em que as “autoridades”, “entidades”, “reguladores”, “comissões”, etc. e tal, se multiplicam como cogumelos, eis que o banco faz passar as tais vendas por todos os ficalizadores com poderes sobre o assunto. Todos as aprovam, e eis que, afinal, segundo milhares de abalizadíssimas opiniões, a coisa é suspeita e até a procuradoria da República é chamada para vasculhar os “crimes” que a dona Mortágua, o senhor Rio e quejandos não deixarão de descobrir.

Vamos lá a ver. O Centeno vendeu o BES a um fundo americano, e criou o Novo Banco, um banco “bom”, sem imparidades - como agora se chama aos buracos. Mas o tal fundo, que não é parvo, tratou de descobrir que havia por lá imparidades com fartura, e tirou o cavalinho da chuva: ficou estatuído no contrato que subscreveu com a geringonça que, a haver prejuízos na tapagem dos buracos, tais prejuízos eram da responsabilidade do Estado. Feitas as contas aos milhões envolvidos, o tal Estado, ou a geringonça por ele, criou um fundo de milhões para cobrir os inevitáveis prejuízos. Vai daí, como era esperado, deu-se o que se dá em todas as operações do género: cumprindo as normas aplicáveis, os activos “imparidogénicos” foram vendidos à melhor oferta, com vastos prejuízos em relação aos seus valores contabilísticos.

As vendas foram feitas com autorização de todas as entidades competentes, cumpridas que form as normas dos vários reguladores - o principal dos quais hoje em dia nas mãos do mesmo Centeno que assinara o contrato -, os restantes cumprido o estabelecido pela geringonça e seus vários agentes. Os milhões estavam distribuídos por tranches, a pagar em determinadas condições. A certa altura, o primeiro-ministro, ignorante na matéria, vergou-se à demagogia do BE e declarou que nem mais um tostão, pelo menos enquanto não se soubesse o resultado de uma auditoria. Veio a saber-se que tal auditoria nada tinha a ver com o assunto e que o Centeno já tinha pago a fatia para a data e o montante previstos, sem dar cavaco ao chefe (não tinha que dar). Tudo nos conformes, excepto as bocas maradas do Costa.

A alcateia movimentou-se. Se não havia ilegalidade, tinha que haver. Se calhar, até havia crime! Daí, começou nova dança, para entreter o pagode. E veio a tal auditoria que, por “acaso”, até se referia aos tempos do antigo BES, coisa que já está ao cuidado da Justiça. O governo, como de costume, em vez de defender o que era da sua única e exclusiva responsabilidade (quem, eu?), chutou para canto: mandou a coisa para a Procuradoria da República. As esquerdoidas e o Rio resolveram criar uma comissão de inquérito para discutir o que toda a gente sabe, ou seja, o que está nas mãos da Justiça e o que foi contratado com o fundo comprador, nos termos que o Centeno e o Costa quiseram.

O pagode assiste, não percebe (valerá a pena?) o que esta gente quer, para além de distrair cada um do que lhe devia interessar.

E assim vai a terrinha.

 

3.9.20

A LIBERDADE NÃO É PARA TODOS

Aqui há tempos andei em arrumações, o que quer dizer que deitei uma data de coisas para o lixo. Entre elas, muita papelada dos tempos da ditadura. No meio, um molho de números do “Avante!” clandestino, naquelas folhinhas de papel ultra-leve, azul, cor de laranja, na cor que calhasse, cheias de elogios à URSS e de patacoadas ideológicas para engromilar incautos. Tinha a sua piada, o “Avante!”, e até dava um certo frisson ter aquelas porcarias em casa, numa gaveta “secreta”, não fosse a PIDE ter alguma ideia, o que, reconheço, era pouco provável.

Os tempos mudaram, e de que maneira. Nos meus mais arrojados cálculos jamais imaginaria que, julgados libertos, viéssemos a passar por uma onda oficialmente pró-soviética, ainda menos que, mais de quarenta anos depois do malfadao PREC, o meu pobre país continuasse a ter uma organização tão primitivamente mal cheirosa como um PC igualzinho ao que era, mas com (ainda!) uns 7% de votantes, lado alado com o seu avatar, o BE, a dar-nos uma imagem clara do nosso quiçá inultrapassável atrazo civilizacional.

Enfim, vem esta arenga a propósito das últimas semanas, sobretudo da última, em que as nossas atrazadíssimas estações de TV nos vêm martelando a cabeça com propaganda dos campeões do atrazo, a propósito da chamada “festa do Avante!” (forma de obtenção de incontroláveis fundos). Uma obra ímpar de publicidade barata (horas e horas de antena, conosco a pagar a RTP, a MEO, a Vodafone e não sei mais quantas que por aí vicejam). Um vê se te avias sem peias nem vergonha. Ao ponto de, mesmo que a tal “festa” fosse proibida, já a organização tinha ganho, não dinheiro, mas fama e proveito públicos. De mestre.

Até quase ao último momento, os envolvidos na marosca – a DGS e o PC – esconderam as condições ditas sanitárias para a realização do arraial. Agora que, por pressão presidencial, já são conhecidas, vamos sofrer, matraqueados com a coisa, mais outra ou outras semanas .

Uma declaração de interesse. Para mim, o comício de 4 dias mascarado de “festa”, devia ser autorizado, como autorizados deviam ser muitos outros “ajuntamentos” populares. Como sabe quem me lê, não alinho nem com as ordens das oxigenadas, nem com as do Costa. A ser proibido, que fosse por não ser líquido que os partidos políticos devam poder organizar este tipo de propaganda para angariação de fundos.

O problema é que, no meio dos indecentes limites e atentados à liberdade que todos sofremos e vamos continuar a sofrer (até as criancinhas, meu Deus!), há, oficialmente, governamentalmente, oxigenadamente, uma só excepção de monta, corporizada nos direitos “especiais” que ao PC são outorgados.

Liberdade, democracia, o que é isso para a gente que está no poder?

 

31.8.20

RECOMENDAÇÃO

 

Às vezes, escapam aos informadores coisas que nos aproximam da realidade. Por exemplo, ontem, com ar grave, anunciaram-nos que, não sei onde, se tinha descoberto 40 infectados com o célebre covid19, e morrido dois. Destes, um tinha 93 anos. Do segundo não foi declarada a idade, mas disse-se que estava sujeito a “cuidados geriátricos”. Os outros 38 eram “assintomáticos”. Assintomáticos quer dizer cheios de saúde. Todos alojamos de vírus de várias tamanhos e feitios, covid19 incluído, mas tal não quer dizer que estejamos todos doentes ou às portas da morte. Como está provado, mas não declarado. A informação acima deve ter escapado à censura. Os 38 foram devidamente “confinados”, ça va sans dire. Pagam a falta de informação com a liberdade.

Uma recomendação às senhoras e cavalheiros que se dedicam, todos os dias, todas as noites, horas a fio, a aterrorizar as gentes sobre o covid19, de tal maneira que a esmagadora maioria de tais gentes acredita na monumental catástrofe que (quer quem “informa”) atingiu a humanidade.

Uma  recomendação simples, sem grandes pretenções. Trata-se de informar um pouco mais, ou um pouco melhor. Tem a ver com estatísticas, que não existem ou, se existem, não fazem parte da informação disponibilizada.

Toda a gente sabe que, quanto mais testes mais portadores de covid, quanto menos testes menos “doentes”.  

As fontes das estatísticas devem ter certos números. Mas não têm, ou omitem-nos. Há, até, um chamado Instituto Nacional de estatística, que custa uma fortuna e se poderia dedicar ao assunto. Assim, já que querem entreter o pagode com números, deveriam dizer: dos descobertos com a infecção, quantos estão doentes, quantos estão em casa a tomar umas aspirinas, quantos não sentem nada, quantos estão confinados sem jamais terem tido sintomas ou tendo-os ligeiros, quantos dos “recuperados” estavam doentes ou deixaram de ter o vírus sem ter dado por ele, quantos dos mortos com covid morreram disso, da idade, ou de falta de serviços médicos para outras patologias, ou ainda de medo de ir aos hospitais. E por aí fora, muitos dados podiam ser publicados, mas não são.

Há também estatísticas  de mortalidade e da sua evolução que são esclarecedoras mas omitidas se contiverem algum optimismo.

Porquê? Porque o que está a dar é o terror, é o que vende jornais, o que justifica a quebra de direitos, o que incensa as “autoridades”, o que, "profilaticamente", arruína o mundo.

O IRRITADO sabe que,  por dizer estas coisas, vai ser acusado de algum “crime contra a humanidade” ou coisa parecida.. Que se lixe.

 

28.8.20

SOL DE POUCA DURA

O inigualável Costa reuniu com a Ordem dos Médicos a fim de deitar água na fervura na história dos “cobardes”. Os “gajos”, a bem da estabilidade e da civilidade das suas relações com o governo, resolveram ouvi-lo. Diz-se que a coisa correu tão bem quanto possível, o que, para qualquer pessoa, deve querer dizer que Costa pediu desculpa, disse que tinha sido uma irritação por causa do caso de Reguengos, uma imprudência, e outras coisas mais ou menos simpáticas, para acalmar os ânimos. Pelo menos teoricamente, Costa terá reconhecido ter metido a pata na poça quando, na entrevista ao “Expresso”, teceu estúpidas, ignorantes e arrogantes considerações sobre as competências estatutárias da Ordem.

Uma coisa é o que se diz numa reunião à porta fechada, outra é o que se atira cá para fora. Costa, perante o furibundo olhar do bastonário, veio dizer ao povo que estava tudo OK, não havia problema nenhum, o que não condizia com o que os senhores da Ordem achavam que se tinha passado.

Apaz foi Sol de pouca dura. Sossegadas as almas, vem o bastonário dizer que a comunicação pública do PM não reflectia fielmente o que se tinha passado. Uma forma civilizada de dizer que o PM mentiu ao povo. As almas estão desassossegadas outra vez. Não tanto quanto seria de desejar, isto é, as almas dão ao caso o valor de um fait divers. Num país onde há “movimentos”, “associações”, “activistas” e mais não seu quantos “protestantes” a ocupar-se de tudo e mais alguma coisa, não se vê reacção de monta a mais esta bronca do poderosíssimo cidadão.

Para passar entre os pingos de chuva sem se molhar, para sacudir a água do capote, para demonstrar a sua “inocência” – inimputabilidade -, para proteger os fiéis (uma multidão de dependentes) bem empregados, António Costa é capaz de tudo. E tudo lhe corre bem. Relapso e contumaz, Costa diz o que for preciso, verdade ou mentira. A malta, entretida com a “terrível pandemia”, com a liga dos campeões, com as “doenças” do planeta, com a saúde dos cães, parece que nem ao desemprego - que a chamada guerra do covid desencadeou sem escrúpulos - dá importância de maior.

E os pingos de chuva parece que se afastar-se de Costa sem lhe tocar. Até que... até que o ciclone que aí vem lhe caia em cima.

 

27.8.20        

UM BEM ENTENDIDO

Segundo as notícias, o senhor Costa acha que o facto de ter chamado cobardes aos médicos foi um “mal entendido”. Não foi, não há nada para entender, bem ou mal, cobardes são cobardes, chamar cobardes é chamar cobardes, não há nada para entender a não ser isso mesmo..

O mais grave, porém, não é que o PM tenha tido esse tipo de desabafo, eventualmente até por não estar bem informado. Grave é que, primeiro, tenha começado por desautorizar indevidamente a Ordem por esta ter ido ao lar da morte ver o que se passava. Com palavras altamente condenatórias, os médicos foram acusados pelo Costa de ultrapassar ilegalmente as suas competências. Mesmo que tivesse razão (não tinha), o que estava a fazer era desviar as atenções dos males postos a nu com afirmações que nada tinham a ver com o verdadeiro assunto. Isso sim, é cobardia, e da grave. Tentar cobrir com legalismos bacocos as malfeitorias de uma constelação de boys do PS, tentar fugir ao assunto, que outra classificação pode ter?

Pior ainda. Posta na mesa a sua ofensiva imprudência, não pediu desculpa. Sacudiu a água do capote com a história do “mal entendido”.

Ressalve-se a atitude do chefe dos médicos. Com cara de pau, aceitou a “explicação”, obviamente a bem das relações que não pode deixar de ter com o governo.

Assim se distingue um homem a sério de um que não presta.

 

26.8.20   

O COSTA E OS NÓS

O nosso inestimável (o que não merece estima) primeiro-ministro disse que os médicos destacados julgo que para Reguengos de Monsaraz e que se recusaram a trabalhar, são uns “cobardes”.

Diz o “Expresso”, tremebundo, que tal foi dito em off. Mas foi dito. E foi filmado pelos filmantes do “Expresso”. O “Expresso” filma offs! E com som! E não só foi filmado, como o take do “cobardes” foi enviado a várias gentes. Alguém de tais gentes retirou a frase e publicou-a na Net. Diz o “Expresso” que, além de roubado, o dito foi “descontextualizado”. É claro que só há uma maneira de “contextualizar” a frase de sua excelência: é publicar o que a “contextualiza”. Mas isso... querias!

O coro é geral, tonitruante: houve um “roubo”. Duvido, mas talvez seja verdade. Anda meio mundo a tecer os mais altos louvores aos ruis pintos, assanges & companhia, gente que se dedica a roubar textos, emails, vídeos, correspondência diversa, contas, tudo aos milhões. São uns heróis. Isso da quebra do sigilo e roubalheiras a sério é coisa que as constituições democráticas condenam, mas que os instintos policiescos em vigor admitem, admiram e até protegem.

Mas, se tocar as augustas canelas de sua excelência, meu Deus, passa a hediondo crime. O “Expresso”, altíssima figura das mais desbragadas intromissões ilegais, desta vez tropeçou.  

Não há moralidade, nem comem todos. Há o comum - ou não tão comum - dos mortais, que pode e deve ser roubado à vontadinha. E há o primeiro-ministro que, mesmo que filmado e gravado, está ao abrigo da Constituição.

Aprendam, cidadãos do meu país: ao pé do primeiro-ministro, vocês não valem a ponta de um chanfalho.

 

24.8.20   

AINDA

Às vezes, como uma banana durante a manhã. Hoje, porém, comi só meia banana. A outra metade fica para 2021.

Explico: fiquei verdadeiramente aterrorizado com a nova ameaça que sobre nós paira, corporizada nas brilhantes ideias dos “cientistas” da associação Zero (zero à esquerda, como é evidente) e de outros que tais, que postulam estarmos a consumir mais do que devemos, aproximando o mundo da fome generalizada, da exaustão dos recursos, do diabo a quatro.

Em 2020, diz uma tonta cheia de direito de antena, estamos a comer, a beber, a “gasolinar”, etc., mais do que a Terra pode dar. Pois. O planeta não só está a aquecer por causa do CO2, está também a ficar exaurido de alimentação, de bens de consumo, de bananas que foram comidas antes de tempo.

Aposto que a organização Zero é financiada pelos nossos impostos, como a maioria das agremiações deste género, e de centenas de outras inflorescências da sociedade civil, deste e de outros género, mas com fins paralelos: ganhar umas massas por instilar medos na cabeça das pessoas. Quanto mais medos fabricarem mais os governos têm medo, e mais financiam, com medo das queixinhas. Os media colaboram, como sempre, é preciso excitar para vender.

Não é fácil resistir, a pressão é muita, o terror é fácil, o sentido crítico não compensa, é mais prático alinhar.

E pronto. Incorrecto, vou comer a outra metade da banana. A maluca do Zero ainda não pode meter-me na cadeia. Ainda.

 

24.8.20

DO NACIONAL MAMARRACHISMO

 

Anda para aí uma polémica dos diabos sobre uma escultura em raiz de negrilho, árvore ao que se diz muito do agrado de Miguel Torga, que ornamenta um sítio qualquer lá para o Norte. Tal trabalho propõe-se retratar a cabeça do poeta, acrescentando-lhe vasta e lenhosa cabeleira. Descontada esta, parece-me que a cabeça lembra, com alguma fidelidade não só os traços fisionómicos do senhor como a sua bem conhecida severa expressão.

Mas a malta não gosta. Sobretudo a esquerda dos donos disto tudo. Por mim, acho que o trabalho do escultor, se comparado com o que vemos por aí, é uma obra prima. Num país pejado de mamarrachos, esta escultura é uma maravilha. Olhem para o piço erecto no alto do Parque Eduardo Sétimo, a esguiçar mijocas na vertical, caindo o produto sobre um monte de horrorosos pedregulhos, esculpido (?) por alguém politicamante correcto. Ainda por cima, há quem diga que significa a “liberdade”! Olhem a cabeça de Sá Carneiro, miseravelmente decapitada na praça do Areeiro, homenagem póstuma de alta valia, segundo o parecer da Câmara. Olhem as vigas que um artista, ao que se diz consagrado, pôs, sem discussão, à beira mar, lá para os lados do Porto. Olhem as centenas de atentados à arte e ao bom gosto, generosamente distribuídas por tudo o que é rotunda por esses campos fora.

E preste-se homenagem ao escultor e à junta de freguesia não sei de onde, pela sua digna iniciativa.

 

20.8.20

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