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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

SAÚDE PARA O POVO

Com grande orgulho socialista, dona Marta veio anunciar aos infelizes que conta com um aumento de 800 milhões no orçamento da saúde. Contas feitas, não chega para pagar as dívidas acumuladas.  E se o Centeno fizer umas cativaçõezinhas (a sua especialidade) é de temer que as coisas piorem em 2020.

Vai ser um fartote o número de admissões de pessoal no SNS. Dona Marta diz que serão 8426 novos funcionários públicos, médicos, enfermeiros “assistentes operacionais”, entre outros. Mas não sabe a certo quantos no total nem quantos de cada categoria. Donde se conclui que o número exacto de todos e de cada uns é pura aldrabice. A criatura podia dizer que serão “cerca de xis”, mas não, é tão exacta, tão precisa, que atira com 8426, sem fazer a menor ideia do que está a dizer, nem quantos são para reforço dos serviços e quantos para colmatar o monumental buraco das 35 horas. O que se sabe é que os hospitais só podem contratar substituições, se precisarem de reforços têm que ir ao Centeno.  

190 milhões para “investimento”, é a paragona. Para quê? Para tudo e para nada, já que a dona Marta ainda não pensou no assunto. Como não sabe para que quer o dinheiro, tanto podem ser 190 como 324, ou 5, ou nada. É um número como outro qualquer. O Centeno tratará do assunto, abertas que ficam as portas para as cativações que forem necessárias.

Enfim, duas coisa ficam garantidas:

A gestão pública dos hospitais continuará nas mãos incompetentes do governo. Gestão privada, por boa que seja, está fora dos parâmetros do socialismo nacional: por má que seja, a pública será sempre boa.

A bagunça vai continuar e ficar ainda mais cara.

 

12.12.19

INVERSÃO DE VALORES

Ontem, ouvi coisas que me deixaram abismado (RTP3).

Neste pobre país há mais cães e gatos que bébés.

Há mais petsitters que baby sitters.

Floresce o comércio de rações e medicamentos, coleiras e pinchavelhos às centenas para os tais pets.

Para eles há cabeleireiros, cuidadores, enfermeiros e veterinários em grande.

Há moda de roupagens para as simpáticas criaturas.

Há hotéis e pensões especiais.

Os negócios, nas várias especialidades, cifram-se por milhões e mais milhões.

Já há quem fale num serviço público de saúde para animais de companhia.

Etc.

Comentários para quê?

 

12.12.19

AS CAPITAIS

Com o aval do senhor de Belém ou sem o aval do senhor de Belém, a regionalização triunfará!

É esta a opinião do ilustríssimo senhor do Bolhão. Carago, meus amigos, o Porto tem que ser capital de alguma coisa. Há séculos a intitular-se capital do Norte – desconhece-se a opinião de Braga e de outras cidades “menores” –, o senhor do Bulhão vê, finalmente, uma luz ao fundo do túnel! Hossana, o movimento até tem o incontornável apoio do grande Costa, do fantástico Rio e, é de pensar, da madame Catarina e do formidável Jerónimo, cada um a pensar que capital mais convém.

Moreira e Rio já têm a sua, a de sempre, à beira da foz do Douro plantada. O Jerónimo sonha com a capital da República Popular do Alentejo, a escolher entre Évora e Beja, consoante o número dos militantes de confiança. A Catarina, essa, não se sabe, poderá ser o LUX/Frágil ou o Gambrinus, este sem culpa nenhuma. Para o califado do Algarve, Faro ou Silves - esta é mais histórica -, enfim, a decidir pelo camarada Policarpo, ou Possidónio, ou lá o que é, um que agora está no chamado governo. Para a República Pontifícia de Braga, a questão será difícil, já que o camarada Moreira, como acima ficou dito, não vai gostar da concorrência. Em relação a Trás-os-Montes também se põem graves problemas, já que a malta lá do sítio continua a achar que “para cá do Marão mandam os que cá estão”: talvez Principado das Elevações Eno-Montanhosas sirva, com capital em Chaves. Mais um problema grave para a capital do Norte, que não vai gostar. Nas Beiras, onde o Enclave do Cavaquistão,  invadido que foi pelos bárbaros, deixou de funcionar, há que resolver o problema de quem manda no Douro/Sul e quem trata do Douro/Norte. Um berbicacho.

E assim por diante, não há quem não faça contas ao número de funcionários a admitir, doutores, taberneiros, gente fina, gente grossa, todos do partido.  

Mas a regionalização triunfará, haja o que houver e doa a quem doer, seja qual for a opinião do povo, o qual, burro que é, quando foi o referendo chumbou miseravelmente a salvífica ideia. E é capaz de a chumbar outra vez, se fizerem a asneira de lhe dar oportunidade para tal.            

 

9.12.19

MEDICINA

 

Quando soube desta história maluca de ter sido proibida a criação de uma faculdade de medicina na Universaidade Católica, o meu acendrado amor pelo socialismo levou-me a ficar irritado com mais esta bordoada no ensino privado. Então uma universidade prestigiada ficou impedida de cooperar na formação de novos médicos num país que passa a vida a gritar por falta deles? Só o socialismo é capaz de uma coisa destas.

Depois, fui-me informando. Parece que, afinal, o autor (directo) da proibição não foi o governo socialista, foi uma “entidade”, um “regulador, uma “autoridade”, ou outra coisa qualquer da multidão de fiscais que nos custa uma fortuna, quem, com a peregrina desculpa na “falta de horas" no currículo de uma cadeira qualquer, se opôs à coisa. Depois, disseram-me que quem estava por trás dela era a ordem dos médicos, com o absurdo argumento de que a nova faculdade era demais, e ia tirar profissionais ao SNS.

Tudo isto será verdade, ou mentira, meia verdade ou meia mentira. Fica o facto consumado da proibição.

E não há um ministro do ensino superior, um dos muitos chamados ministros de Estado, um tipo qualquer, que venha, ou meter a “entidade” na ordem, ou fazer um escarcéu dos diabos nos jornais? (Só tem “desculpa” a ministra da saúde, um irrecuperável e insanável caso de religião socialista e de incompetência militante). Mas os outros, o que fazem, assobiam para o ar, coçam as partes, ou quê? Quê, é a resposta. Deve convir-lhes que assim seja, não vá alguém pôr em causa o monopólio que dizem governar e que há quatro anos desgovernam.

Enfim, uma cabala, diria o chefe 44. Uma cabala, não do socialismo, mas da Universidade Católica.

Vivemos nisto e nada indica que haja cura.

 

9.12.19

TROPA FANDANGA

 

Quando os castelhanos invadiram o Algarve (em 2023), o governo ordenou à tropa que resistisse. O comandante supremo das força armadas, sito em Belém, a contra-gosto, apoiou. Mas a tropa comunicou que estava em greve por tempo indeterminado e que, ou aumentavam os salários, promoviam a malta toda e ressucitavam a manutenção militar com preços da arromba, ou não havia guerra nenhuma.

É este um cenário possível a partir do momento em que as Forças Armadas declararam a sua intenção de lançar um sindicato. Os “fundadores” dizem que tal futuro sindicato não reivendicará o direito à greve, o que faz pensar que raio de sindicato é esse. O direito à greve, como é evidente, virá a seguir, pela simples razão que não há sindicatos sem tal direito.

O caso da invasão do Algarve não é, por isso, mera maluquice do IRRITADO.

Mas há mais. A criatura que veio à televisão propagandear tal e tão meritória iniciativa, teve a preocupação de nos descansar. Veio dizer que o tal sindicato se oporá à entrada dos militares no “movimento zero”. O que, como é evidente, tem o condão de meter tal possibilidade na cabeça dos ditos. Bonito!

Algo me diz que o inacreditável Vasco Lourenço, uma inteligência, com seus muchachos, apoiará esta gente. Oxalá me enganasse.

 

9.12.19

ILUSÕES

Desde a mais remota antiguidade, vem a espécie humana moldando a natureza, modificando-a, tornando-a mais produtiva, adaptando-a às suas necessidades, dominando o curso dos rios, plantando florestas, melhorando a qualidade e a produtividade da flora e da fauna, privilegiando e gerindo as espécies necessárias à sua alimentação...  e assim conseguindo, em muitos milhares de anos, passar de pequenas tribos de caçadores recolectores para uma comunidade global de milhares de milhões de indivíduos com vidas progressivamente mais viáveis. Houve, há, certamente, tropeções, mas, geral e indiscutívelmente, a evolução humana na sua relação com a natureza tem um cunho positivo.

O homem pode o que pode, é certo, e pode muito, mas dentro de certos limites. Não tem poder sobre a chuva, não domina trovões, tempestades, hecatombes planetárias da mais variada ordem. Pode minimizar as consequências dos azares naturais, mas é impotente no que toca ao seu domínio, aquecimento global incluído. A natureza em geral, mesmo moldada pelo homem, e o clima em particular, mantêm uma independência de “decisão” que está para lá da nossa vontade ou do nosso poder.

Ao longo das eras, a temperatura e a habitabilidade, a qualidade dos elementos do planeta, tem sofrido alterações, todas eles com influência, às vezes positiva, outras  catastrófica, na vida das espécies, o homem incluído.

Nos nossos dias, a humanidade parece estar com graves problemas de adaptação a um eventual, ou já existente, aumento da temperatura do planeta. Ao que não podemos dominar, teremos que nos adaptar e seguir em frente. Àquilo em que temos poder, a qualidade do ar que respiramos e da água que bebemos, a produtividadade da terra, a busca de energia, a saúde da espécie, temos obrigação de atender. O que não está nas nossas mãos alterar, temos obrigação de prevenir.

Em vez disso, a humanidade tende a gerar uma doentia e inútil mentalidade de aterrorizadora e de auto-vitimização. A temperatura do planeta, que já subiu e desceu milhares de vezes, deixou de ser um fenómeno natural, planetário, basicamente incontrolável, para passar a ser “culpa” da humanidade. Uma vez assumida tal culpa, assalta-nos a ilusão de que podemos “arrefecer” a terra. Ou seja, de uma culpa fabricada partimos para uma expiação tão ilusória como ela. Se o tal aquecimenbto é devido à presença de CO2 na atmosfera, e se o CO2 é culpa das pessoas, como explicar as inúmeras vezes em que o planeta aqueceu e arrefeceu, sem que a humanidade por cá andasse ou, andando, sem que produzisse tal coisa?

Em vez de se preparar para o que é capaz de estar para vir, em vez de só ajuizar os custos do alegado aquecimento, porque não pensar nas maravilhas que também pode causar? A Sibéria verdejante? Um novo continente no Ártico? Zonas frias e inabitáveis a tornar-se férteis e hospitaleiras? Novos lugares para a expansão da humanidade? Porque não pensar nisso em vez de andar a aterrorizar a humanidade com uma “causa” sem efeito?

Por exemplo, dimuinuir as emissões de CO, que é venenoso, muito bem. Gastar milhões com moinhos de vento, atentas alternativas mais baratas e não poluentes, muito mal.                      

Mas a moda, a correcção, a demagogia universal, os milhões de "gretas", de outros tarados e de oportunistas políticos que por aí proliferam parecem poder mais.

E o clima, esse malandro, vai continuar o seu caminho como muito bem lhe der na cósmica cabeça.

 

4.12.19

CAGAÇO

Tendo como pano de fundo um enorme cartaz que clamava pela descentralização e pela regionalização, o mentiroso do costume veio proclamar a “democratização” das CCR. Mais disse que era tudo só descentralização, mas que era um passo na “direcção certa”, que é a da regionalização. Vai daí, o senhor de Belém abanou as orelhas e fez um vendaval. Disse que só com um referendo, e depois de haver um plano completo, devidamente estudado e fundamentado. Toma!

Acagaçado, o mentiroso meteu a viola no saco. Já não há “democratização” das CCR, já não há preparação para a regionalização, nada. Vamos embora que ainda é cedo.

Os autarcas são tidos por partidários da regionalização. Verdade ou mentira, pôs-se essa a correr. Acredito que muitos deles olhem para o espelho e se vejam já promovidos a altos cargos nos órgãos “regionais”, ou a nomear para os ditos multidões de boys. Um fartote.

Terão que esperar. Por uma vez, o senhor de Belém foi fiel ao seu passado e não aceitou que os geringonços lhe fizessem o ninho atrás da orelha. Boa!

 

3.12.19

AGORA É QUE VAI SER!

 

O SIRESP falhou no caso dos incêndios. Não percebo nada de sirespes, mas, como qualquer cidadão, acho que o problema é de carácter técnico, havendo a colmatar o que for preciso. Oficialmente, parece não haver outro tipo de razões, ou culpas”, a assinalar ou condenar.

Como qualquer socialista que se preza, o governo encontrou a miraculosa e habitual solução: comprar o SIRESP! Uma vez gerido pelo Estado, passará a funcionar maravilhosamente. É a receita do costume: a estatização do sistema. Uma vez gerido por funcionários públicos, acabam os problemas, como nos evidentes casos da saúde e da educação onde se corre com os privados, não é?

Animem-se: alguma coisa continuará a funcionar até 2021, data em que acabam as PPP técnicas, com a Motorola e a Altice. A partir daí...

 

3.12.19

VALE TUDO

O senhor Rio, como todos os moralistas de pastelaria e intolerantes de café, não hesita na sua obra de destruição do PSD.

Longe dele lutar contra outro adversário que não seja interno. Longe dele defender ou sequer assumir institucionalmente a obra do seu antecessor. Longe dele apresentar alternativas ao poder dos socratistas não arrependidos que estão – ficaram - no poleiro. Longe dele aceitar o facto de ter candidatos à sua substituição que mostram ser alternativas à sua obra. O seu objectivo primeiro é, desde aprimeira hora, “limpar” o partido de tudo o que não seja seu fiel seguidor/servidor, pôr na rua quem “cheire” a Passos Coelho, caluniar, se preciso for, quem se lhe opõe. A sua obra está à vista: pôs o PSD a pão e laranjas, e prepara-se para arruinar qualquer alternativa ao status quo socialista.

Não sou da maçonaria, nem tenho qualquer simpatia por tal coisa, que considero ridícula, contraproducente e longe de bemfazeja.

Mas.. perguntam as pessoas por que carga de água surge agora a luta do Rio contra tal organização. Propostas de paz dentro do partido, zero. Ideias novas e mobilizadoras, zero. Tendo posto a circular que um dos seus adversários (ou os dois, não se sabe) nas eleições que aí vêm é , ou são, membros da coisa, ataca a tal coisa sem, cobardemente, o - ou os -  citar.

Na destruição do PSD, Rio consegue tão mau, ou pior que o tenebroso Pacheco Pereira e outros de tal igualha. A sua funesta obra vem de há muito, pelo menos desde 2011. E continua, sem hesitações nem escrúpulos.

Vale tudo.

 

3.12.19

FICÇÃO

 

  1. Pela primeira ves na história da democracia portuguesa, pelo terceiro ano consecutivo, os pensionistas vão ter direito a uma actualização das pensões acima da taxa de inflação.

        António Costa, primeiro-ministro

  1. Segundo o que foi anunciado pelo governo, as pensões até aos €877,6 serão aumentadas 0,7%. Daqui até €2632,4 terão 0,2%. A partir daqui, 0%.

Não se sabe qual o pensamento de sua excelência sobre o que seja inflação. O que se sabe, para já, é que se a sua pensão for de €877,7, será aumentada em €1,7, o que lhe permitirá beber quase três bicas. Por mês! Fantástico, não é? Mande ao senhor primeiro-ministro um email de agradecimento jurando fidelidade eterna. Se você for multimilionário, isto é, se pagou para ter uma pensão de €2632,4, terá um aumento de zero, diga-se que com toda a justiça socialista.

Daqui se conclui que, no esclarecido pensamento do primeiro-ministro, “os pensionistas” não são os pensionistas mas só alguns. Mais se conclui que a inflação é um número abstrato, que só o tal senhor conhece. E, de um modo geral, verifica-se o que já há muito se conhece: a “palavra” do homem não passa de uma perigosa ficção.  

 

1.12.19

A MENINA GRETA

Nas salsas ondas do Atlântico navega, em veleiro de luxo, a menina Greta. Nas plagas do Restelo amontoam-se multidões para a saudar com o entusiasmo próprio das grandes massas humanas. Desde o regresso do Cabral e do Gama, não se via tal coisa. No Parlamento preparam-se brocados e ensaiam menestréis, limpam-se os vermelhos tapetes, engravatam-se os deputados. Jornalistas, fotógrafos, operadores de câmara afinam suas tecnológias parafrenálias, a fim de que nada falhe. O senhor de Belém, os condotieris de São Bento, todos preparam os seus discursos, as devidas recepções, os elogios, as vénias, a ver quem mais e melhor celebra a histórica visita.

A menina Greta, prudentemente acompanhada por áulicos creditados, por psiquiatras e psicólogos, virá, qual papisa de astronómicas hecatombes, repetir pela milionésima vez o seu discurso, feito de ameaças, desgraças e trapaças,  exibirá a sua verve acusadora, o seu desgosto pelo comportamento da humanidade. Discurso bíblico, a lembrar os avisos divinos que levaram à queda de Sodoma e Gomorra.

O povo lá estará, comandado por outras meninas e meninos, por políticos e filósofos, por professores e cientistas, todos irmanados na nesma fé e dominados pela inquebrantável palavra que a apóstola, mais uma vez, lhes comunicará com o seu tresloucado e acusador olhar. Depois, ficará tudo na mesma, ou pior.

É assim a vida. Mais vale ter graça que ser engraçado.

 

30.11.19

PECADOS

 

Ontem, numa das habituais sessões de alta cultura com que, de vez em quando, somos brindados por figuras da nossa intelectualidade ("O eixo do mal"), um feroz senhor de negras barbas leu passagens do programa eleitoral do Chega!, a fim de lançar sobre o dito os habituais epítetos com que a temerosa esquerda o classifica: organização perigosíssima, de carácter fascista, xenófobo, racista e por aí fora.

O mote do barbudo era a ameaça ao Estado democrático que o tal programa representa. Porquê? Porque (nas passagens com que o indignado senhor nos presenteou) o programa aponta para a privatização de tudo e mais alguma coisa, saúde, educação, empresas, meios de comunicação, uma quantidade enorme de serviços e negócios ora na esfera do Estado. Daí a ser de extrema direita nem um pulinho falta, diz o fulano.

O problema é que, em termos europeus, antigos e modernos, nem um só partido de extrema-direita propõe tal coisa, bem pelo contrário. Tais partidos são tão estatistas como os da extrema esquerda, ou quase. Donde a classificação dada ao Chega! com tal argumento pelo ilustre intelectual (ex-BE), não cola. Haverá outros que não este.

Nunca li, nem faço tenções de ler o tal programa, bem como muitos outros. Não sou eleitor do Chega!, nem faço tenções de o vir a ser. Mas acho graça ao cagaço que a coisa prega à nacional-esquerda. Vale tudo, até esta história do lobo e do cordeiro. Tudo, mas tudo o que não estiver de acordo com a “agenda da correcção” é, pelo menos, fascista, até quando faz propostas ao contrário das da extrema-direita! Aceite-se o exagero das intenções do doutor Ventura citadas pelo barbaças, mas não se confunda os ouvintes com razões a contrario sensu.

Haverá, no entanto, que dar um desconto a esta gente. A verdade é que, para ela, o Estado é a sociedade e as pessoas não passam de peões nos seus jogos de poder. Tudo o que toque a fímbria das vestes do “colectivo” é, por natureza, pecaminoso. E o pecado não se aceita, castiga-se!

 

29.11.19

TROMBONES DE SERVIÇO

Estou, como estará quem me lê, farto da dona Katar. Diz-se que a mulher não tem o juízo todo, que está deslumbrada com o assento, que se acha mais que os outros, que não tem prática política, que é infiel ao Tavares (Rui) ou que é simplesmente parva.

Tudo isto é verdade, pelo menos à primeira vista. Mas há um lado que parece escapar à generalidade dos opinantes. A criatura sabe o que faz, e tem objectivos claros. Mestre em publicidade, em meia dúzia de dias e com meia dúzia de parvoíces, passou de total desconhecida a manchete diária. Por más razões? Com certeza, as piores. Mas já não há quem não saiba o que são e o que dizem ela e o seu criado de saias.

O que a trás? O que é que a Katar vem catar? Gambosinos? Não, a fulana tem agenda própria, que é a fabricação do ódio racial, a criação de uma organização terrorista (para já ideológica, o resto virá a seguir) de que ela e os mamadus da ordem serão os indiscutíveis chefes, as vozes, os propagandistas. Ela está-se nas tintas para o “Livre”, para o Tavares, para o folclore da esquerda mais parvalhona. O Tavares criou um “sistema” que lhe caíu em cima na primeira oportunidade. Diria que é bem feito, mas o assunto é mais sério do que possa parecer.

Aqui deixo um, eventualmente inútil,  apelo à “informação”: mesmo que vendam menos jornais e menos publicidade, deixem de ser trombones ao serviço da Katar.

 

29.11.19

HI HI

Diz o camarada Rui Tavares, pai espiritual e organizador de uma agremiação chamada “Livre”, que o “engano” da camarada Katar “não é para rir”.

Tenho muita pena de não ser dessa opinião. Tenho-me farto de gargalhar sobre o assunto. A camarada Katar, alto expoente do mais radical racismo, exibidora de um extraordinário guarda-roupa e de um marmanjo de saia plissada e soquetes, não só votou contra as ordens do camarada Rui, como veio dizer que, se tinha sido eleita, tal facto se ficou a dever, não ao dito, mas exclusivamente a si própria. O senhor Rui que vá às ortigas, a boa é ela!

Estão a ver o supremo gozo que a história me provoca? É que, para quem se lembra (não foi há muito tempo), o senhor Rui pendurou-se no BE para ser eleito deputado europeu. Depois, por razões obscuras, zangou-se com o camarada Louçã, largou o BE e deixou-se ficar no lugarzinho que ao BE pertencia. Grande português, grande intelectual, diria, julgo, o senhor Presidente.

E agora, azar dos azares, a dona Katar faz-lhe o mesmo, deixa-se ficar no poleiro e, ainda por cima, dá-lhe com os pés dizendo que o mérito é só dela!

Não é para rir, ó Ruizinho? Hi hi.

 

26.11.19

BARULHEIRAS E SILÊNCIOS

 

Na semana passada tivemos, durante horas e horas de televisão e ao longo de quilómetros de papel, contritas e ditirâmbicas exéquias pela morte de um senhor, Branco de seu nome, alta figura do nacional-bolchevismo e do chamado cançonetismo de intervenção. Como tantos outros, dedicou-se à queda da II República, o que não foi mau, e à sua substituição por uma ditadura mil vezes mais feroz e sanguinária, o que foi péssimo.

O desgosto da Pátria foi de dimensões gigantescas. Ao ponto, imagine-se, de se sobrepor, substituindo-as, às intermináveis lições de futebol com que somos diariamente esmagados.

Eu sei que aos mortos se deve sempre a maior das homenagens, verificado que seja que estão bem mortos. E até compreendo que, para os apreciadores do género, a música produzida pelo falecido fosse de alto valor cultural, marcasse uma época e tivesse, por isso, importância histórica. Longe de mim dizer, sequer, que o falecido não merecia tais homenagens por parte dos melómanos e dos seus adeptos ideológicos. O que critico é o espantoso exagero da coisa. Se morresse o Papa, a Rainha de Inglaterra, o Presidente da República, não tenho dúvidas de que as notícias, as homenagens, os artigos de opinião, as reportagens, o renascer de arquivos, não passariam, em comparação com as prestadas ao senhor Branco, de notas de rodapé.  

*

Ontem, a filha de um senhor chamado Nascimento, publicou nos jornais a participação do passamento do seu pai. O senhor Nascimento, português de origem africana, em tempos, ganhou o concurso da cantigas da RTP. É evidente que este cançonetista não o foi de “intervenção”, nem a sua fama se prolongou pelos tempos fora. Mas, que diabo, mereceria uma ou outra pequena referência, fosse onde fosse. Que eu visse, mereceu zero!

Não faço ideia da história do homem, do que fez ou foi fazendo ao longo do tempo, nem, ao que me lembro, gostei da canção com que ganhou o tal concurso. Mas algo me diz que o senhor Nascimento não era esquerdista nem teve qualquer influência nos acontecimentos políticos supervenientes. Daí o zero.

 

26.11.19

LITIOCAGAÇO

Quem te viu e quem te vê, ó destemido, ó bravo, ó grande homem, ó maravilha fatal das hostes socialistas! Todos temiam a tua feroz verve, os teu olhar penetrante, a tua ameça permanente de esmagar os teus inimigos, quem te viu e ouviu em terríveis debates, ameaçador, qual tremenda fera, indómito, áspero, o teu inesquecível vozear, os teus urros indignados a aterrorizar os teus émulos, os teu concorrentes, os teu rivais.

E afinal, meia dúzia de fulanos, os mais deles já usados, com uns cartazes na mão, bastaram para te fazer dar à sola, de frosques, bazar, meter o rabo entre as pernas, ou seja, metê-lo no BMW da governança, ala moço que se faz tarde, vamos mas é embora antes que alguém toque a fímbria das minhas augustas vestes. Não, isso de enfrentar os protestantes podia causar-te problemas, podias levar algum sopapo, podias ter que argumentar com eles, com o povo em fúria, podias ter que defender os teus altos pensamentos, desta vez fora do recato das televisões ou do sossego policiado do parlamento. Xiça!

Onde chegou o PS. Mário Soares, goste-se ou não do homem, ao menos não tinha miufa, chegou a levar um par de estalos na Marinha Grande, mas não virava costas à turba. O discípulo Galamba é isto. Com meia dúzia de gritos de uns patarecos quaisquer, aí vai ele.

Ficará registado na memória das gentes? Não, a lavagem mental do PS já lhes deu cabo dela.

 

17.11.19         

131 MILHÕES

 

Foi esta simpática verba a que a geringoncial organização prometeu para aliviar o drama dos sem abrigo.

É claro que tanta massa se destinava a fins mais ou menos inextricáveis, ou seja, vinte “objectivos estratégicos”, sessenta e seis “acções”, cento e duas “actividades” e três “eixos”. O problema que isto levantava ficou resolvido por acção da geringonça 1, isto é, nem um chavo foi entregue seja a quem for, pelo menos segundo o douto parecer das câmaras de Lisboa e do Porto.

A dona nova ministra, que comunicou à plebe as tão brilhantes intenções acima referidas, acha que está tudo na maior dos mundos, e que os 131 milhões estão a bom trecato. Eu sei que esta senhora não é da geringonça 1, mas da 2. Faz a sua diferença, não é? A senhora, ao que parece geringoncialmente emocionada com a criancinha do caixote do lixo, tratou de salvar a face. Presume-se que, se o Centeno se comover, talvez daqui a uns anos a governante possa meter coisas nalgum “eixo”, fazer uma ou duas “acções”, inaugurar umas “actividades”, a fim de se aproximar de algum “objectivo estratégico”.

Portanto, alegrem-se as câmaras municipais e os nossos temerosos corações.

 

15.11.19     

VERGONHA

 

Como seria de esperar, quando se tratou de acompanhar o voto de condenação do fascismo e do comunismo aprovado no Parlamenmto Europeu, a nossa inigualável Assembleia, chumbou todas as propostas em tal sentido.

Porquê? Porque vivemos no único país por acaso colocado no mundo civilizado, que não só tem dois partidos comunistas com expressão eleitotal como se rege por uma Constituição que, desde há 40 anos, estipula, como objectivo maior do Estado, a criação de uma “sociedade socialista”. Maior atraso mental, civilizacional e político, maior ataque à Liberdade, não se imagina em tão nobre letra. Mas está lá, e tem os seus fiéis, a negar a liberdade de escolha das pessoas. Diz-se que a “marcha popular” a favor do socialismo ínsita na lei fundamental é um adquirido histórico de valor simbólico, mas não deixa por isso de lá estar como valor de aceitação compulsiva.

Diga-se que os votos na AR, tal como expressos, eram de prever, com uma cobarde excepção. Chumbaram a proposta o PC e sua sucursal PEV, o BE e o Livre. O PAN, eventualmente a favor dos cães, absteve-se. Nada de novo. A excepção – que já deixou ser uma surpresa por aí além - foi o PS. Acachapado na sua canina dependência da extrema esquerda, ao contrário do que fez no parlamento europeu (onde deve ter tido medo do colegas do GS), votou contra, assim revelando até que ponto se pode ser pusilânime. A confirmá-lo, arranjou uma “solução” que engloba os totalitarismos, sem citar quais, a fim de não causar erisipelas aos sócios. Maior indignidade é difícil de imaginar.

Doravante, Portugal é o único país da Europa cujo Parlamento acha que o totalitarismo fascista é horrível, mas que o comunista, enfim, não é assim tão mau.

Ele há momentos em que tenho vergonha de ser português.

 

15.11.19      

DA INCONVENIÊNCIA DA VERDADE

 

As esquerdas, donas e senhoras do regime, proprietárias da democracia, produtoras da “moral republicana” que impõem sem lugar a contraditório, que roubam a independência individual ao mesmo tempo que clamam pela política “para as pessoas”, andam, tremebundas e inquietas com a existência de 1 (um) deputado dito de extrema direita e com o seu evidente sucesso. Mas, como as evidências demonstram, tal deputado ainda nada disse que, ou ponha em causa a democracia liberal, ou não se limite a sublinhar o que tal gente, há quarenta anos, vem metendo debaixo do tapete.  O homem diz que há deputados a mais, ideia com o que a esmagadora generalidade dos eleitores concorda. Se tivéssemos a mesma proporção de deputados que têm, por exemplo, o Reino Unido e a Espanha, teríamos um número à volta de cem. Temos trezentos. O homem diz que há grupos sociais, como os ciganos, que não se querem integrar, que não respeitam normas gerais, que tendem para a violência. Toda a gente sabe que isto é verdade, podendo divergir nos remédios, mas não a negando. O homem protesta contra a carga fiscal e o comportamento do fisco. Quem não concorda? O homem propõe que se comemore o 25 de Novembro como data chave da criação da Democracia, coisa que toda a gente (mesmo os que preferiam ter continuado a revolução comunista) sabe ser verdade.

Mas a verdade não é coisa que interesse às esquerdas, incluindo a que se diz democrata à moda ocidental (o PS). Interessa-lhe o poder, interessa-lhe tapar o que possa não lhe ser conveniente, mesmo que verdadeiro, ou que possa vir a pôr em risco ou desmascarar tal poder. O tapete da esquerda encobre tudo o que não lhe convem, recusa a vassoura lá por baixo, nega ou tapa os tenebrosos momentos da sua história, louvaminha as maravilhas do totalitarismo de esquerda e os seus autores ao mesmo tempo que condena o que generaliza com o epíteto de fascista, ou seja, todos os que não têm exactamente a sua posição, do PSD de antes do Rio ao Chega.

Mas a mais tenebrosa, odienta e super racista das portuguesas, dona Joacina, cujo único argumento eleitoral foi a raça, essa é incensada com ditirâmbicos elogios. Fala de “amor” como se não fosse a primeira a fomentar o seu contrário. Mas, como é de esquerda, é uma excelsa senhora, cheia de maravilhosas ideias, a merecer os encómios e a propaganda mediática que a rodeia.

É nisto que estamos. A verdade é inconveniente, uma chatice. A mentira, se for socialista, é uma virtude.

 

15.11.19

DO ESTATAL COMPLICÓMETRO

Sabem os que me lêem que não tenho por hábito referir casos pessoais. No entanto, para o efeito deste post, refiro-me a casos que me têm sucedido e que, para mim, representam a generalidade do que acontece a toda a gente, todos os dias.

Só para dar dois exemplos frescos:

  • Dirigi uma carta à CGA em Maio passado. Três meses depois, após perder duas manhãs com o papelinho na mão, fui atendido por uma funcionária a quem perguntei o que era feito da minha carta. A atenta mulher mergulhou no computador e, passados minutos, declarou: “a sua carta está em apreciação”. Perguntada sobre quais seriam as perpectivas para uma resposta, respondeu, prenhe de gozo, que não fazia a menor ideia, nem tinha acesso a tal informação. Perguntada sobre quem a teria, ou com quem deveria falar, respondeu que a ninguém. “Tem que esperar”, declarou, felicíssima. Resultado: 7 meses depois, nada. A carta lá anda, se ainda não foi para o lixo.
  • Os rapazes da EMEL aplicaram-me duas multas por estacionamento indevido, em local perfeitamente legal. É que, dois dias depois de eu ter estacionado, puzeram, sem qualquer aviso, que o lugar, a somar às dezenas dos já roubados aos moradores da zona, tinha sido atribuído a “Sharing”, seja lá isso o que for. Peguei nas multas e dirigi-me à EMEL/CML. Depois das horas regulamentares com o papelinho na mão, fui recebido em audiência por uma criatura toda fataça que, perante o caso, declarou: não tenho competência, faça uma exposição por escrito, ou vá ao site das reclamações. Perguntei à fulana para que é que ela servia. Respondeu indignada que “para muita coisa, mas não para isso”. É claro que o tal site é de tal maneira rebuscado que será preciso tirar um Curso de Burocratologia Avançada para conseguir seja o que for, o que garante que a reclamação jamais será atendida.

Milhares de portugueses enfrentam situações deste tipo, todos os dias, a todas as horas. Os funcionários encarregados do “atendimento personalizado” não têm a mais leve sombra autoridade ou competência para resolver seja que situação for que não esteja à mão no computador que as autoridades lhes fornecem. E ficam muito felizes com isso, com as 35 horas e com os aumentos. Chatices é que não!

Algum desses tipos que andam para aí a fazer estatísticas – há-os aos pontapés – poderiam fazer as contas às horas inúteis, perdidas por funcionários e por cidadãos nestas andanças. Serão milhões e milhões. As autoridades, que passam a vida a falar das “pessoas”, desprezam-nas olimpicamente, e com requintes de malvadez.

Uma justa excepção para os funcionários das finanças. Esses têm largas competências para lixar a vida de cada um. O seu gozo é resolver os casos, desde que seja para sacar mais uns cobres. Se for para devolver algum, aí, pague e depois reclame pelas vias administrativas e judiciais disponíveis.

A burocracia “social” terá cura? Não tem. Ficaremos eternamente à espera da “reforma do Estado”, coisa que, até ver, só tem servido para transformar em complicadex aquilo a que chamam simplex.

 

13.11.19    

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