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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA MINISTRA DA DOENÇA

 

Nunca fui contra as loiras, espécie que tem sido vítima de cruéis e imerecidas anedotas, todas tendentes a demonstrar a escassez de neurónios que, dizem os falocratas, é sua inelutável característica. Não estou de acordo: nas loiras como nas morenas há de tudo.

Posta esta posição de princípio, anuncio que estamos perante uma loira,  eventualmente oxigenada, que me dá razão: é altamente inteligente e até já foi objecto de um post nesta sede. Diz-se que é ministra da saúde de um governo que está mais apostado na propagação da doença que na defesa da saúde.  

Mal refeito das declarações de tal cidadã sobre o Hospital de Braga, apanho com a dita a perorar, sorridentíssima, na televisão pública.

O falador de serviço perguntou-lhe se já tinha morrido algum dos 6.000 indígenas que não foram operados por causa do banditismo dos enfermeiros. Arreganhando os dentinhos, a senhora respondeu que não sabia, nem tinha nada com isso. Perguntem aos bastonários, disse ela (!!!). Admirável coerência com a postura governamental: nunca, jamais, a geringonça foi, é, ou será responsável seja por que desgraça for, nem sabe nada dessas coisas.

A propósito das cirurgias, a fulana citou este notável exemplo: há doentes que não querem ser operados no privado, preferem ficar à espera! Tal é a fé na excelência do sistema, tal é a admiração do povo pela medicina totalmente estatizada.

Sobre a nova lei da saúde, cuja principal autora, tais as tropelias que o projecto sofreu, não foi convidada para a respectiva sessão de aprentação, a estrela deste post não foi de modas: declarou com toda a simplicidade que tal lei nada tem a ver com o funcionamento do sistema: trata-se de uma “questão ideológica”. O que é isso de boa gestão, eficácia, poupança, investimento, respeito por quem sofre? Tudo coisas que não interessam, o que interessa é a ideologia. Segundo ela, o Estado é que importa, a sociedade que se lixe. O Estado é bom por natureza, os cidadãos são pormenor, os privados são um cancro a estripar.

E os enfermeiros? Os enfermeiros, esses, funcionam na perfeição com as trinta e cinco horas, isso de trabalhar menos 12,5% do que antes é uma maravilha, não custa nada ao contribuinte. É a ideologia, percebem, ó burros!

Num tempo em que a saúde pública está pelas ruas da amargura, importa acabar a saúde privada, que é o que ainda vai funcionando.

Aqui temos o estado a que o Estado chegou. O IRRITADO garante que vai ser ainda pior. Mas a loirinha ficará contentíssima, sorridente, toda pinoca. Mais uma esquerdoida a funcionar.

 

14.12.18

MAIS DO MESMO

Diz quem sabe que o PSD/Rio alinhou disciplinadamente com a geringonça no que diz respeito ao novo estatuto do Ministério Público, ora em vias de governamentalização. A geringonça quer ter uma maioria de políticos no órgão responsável pela coisa. Parece que em Angola, no Burkina Fasso e na Polónia também é assim. O PSD/Rio está de acordo. Deve ser uma questão de “interesse nacional”. Não se sabe onde foi o senhor Rio buscar tamanha subserviência e tanta falta de senso.

Os magistrados, por seu lado, também pouco devem à dignidade. Reclamam com razão, mas propõem-se entrar na onda das greves. Onde irá isto parar?

 

14.12.18

CÓDIGO EM MARCHA

Se gosta de presunto, gomas, ovos moles, chouriço, bifes e outros produtos ostracizados pelo politicamente correcto, ponha-se a pau.

O PAN, quer dizer o Silva, vegetariano, e as esquerdoidas do BE, correctas, têm em estudo e imparável marcha o Código da Alimentação.

Os regulamentos da UE, as ameaças, as séries de horrorosas doenças já cientificamente elaboradas deixarão de chegar para as hordas de incorrectos como você que por aí se arrastam: o index dos chouriços & similares passará a ser obrigatório por obra do tal Código. Para já, não passará de uma proposta. Mas, uma vez apresentada, merecrá gloriosa  aprovação da geringonça. A seguir, será promulgada pelo senhor de Belém e regulamentada por uma comissão de peritos especializados em ditaduras.

No regulamento serão incluídas as coimas, multas, penas e medidas de coacção a que serão sujeitos os prevaricadores como você, seu miserável fascista, consumidor de gomas, chouriços, febras de porco e outros integrantes do index, já devidamente catalogados em anexo ao Código.

O IRRITADO, atento a estas matérias, deseja aos impagáveis legisladores saúde e bichas solitárias, botriocéfalos, tenífugos, teníases, cucurbitinas, cisticercos e lombrigas.

 

13.12.18

DO COMUNISMO EM MARCHA

Dona Temida, tida por ministra da saúde, não está tremida, ao contrário do que sucederia se houvesse juízo democrático em vigor em Portugal.

Aqui vai um diálogo possível:

O indígena (I): - Doutora Temida, excelência, li por aí que o hospital de Braga é o melhor do país, segundo as entidades próprias para opinar sobre o assunto...

 A dona Temida (T): - Pois, é verdade, mas é gestão privada.

I – Também li por aí que as mesmas entidades fizeram contas e chegaram à conclusão que, só num ano, o Estado poupou 33 milhões com tal gestão.

T – Pois, é verdade, mas é gestão privada.

I – Desculpará vossa excelência, mas não percebo.

T – O que é que você não percebe?

I – Se aquilo funciona bem e sai barato, ou mais barato que os outros, não percebo qual o interesse em acabar com a coisa.

T – Pois, percebo a pergunta. A resposta é que é privada, tem que acabar.

I -  Não me parece lógico.

T – Você é um chato. Desconfio deve ser um proto-fascista, misógino, falocrata, neoliberal, capitalista, um tragalhadanças.

I – Cada vez percebo menos...

T – Olhe, estão aqui as irmãs Mortágua, a dona Marisa e a dona Catarina, que sabem mais disto que eu e são minhas colegas e amigas.

As quatro raparigas (4R) entram em cena, e cantarolam em uníssono: - Pois é, pois é, a camarada Temida será pouco versada nos fins, mas é fiel aos meios. Isto vai pouco a pouco, até que a economia privada seja totalmente abolida. A saúde, a educação, os transportes, etc., são um passo importante nesse sentido, que é o correcto.

I – Mas...

4R – Não há mas nem meio mas, é o caminho para o socialismo real, tal como assumido, defendido e doutrinado por altas figuras da humanidade, tais o camarada Cunhal, o grande Louçã, o Vasco Gonçalves, o Rosa Coutinho e outros heróis que, na senda de Lenine, Estaline, Trotzky e tantos outros, que juraram acabar com os ricos, nem que para isso seja preciso cortar-lhes a cabeça, a mesma receita para os pobres que forem na conversa dos privados, como você, seu palerma... assim já percebe?

I – Quer dizer, a história do hospital de Braga é só um primeiro passo.

4R – Ó patego, parace que já estás a perceber. Mas não é um primeiro passo. Com a ajuda do camarada Costa Já demos muitos, e muitos mais daremos. Aliás, esta Temida, ou continua nos eixos ou passa a Tremida.

I – Já percebi. Vou tratar de emigrar.

4R – Emigra, emigra, que um fascista a menos é um passo em frente.

 

Nos bastidores, o servo careca das 4R aplaude, o Costa ri-se, o senhor de Belém regouga: não é bem assim...

 

13.12.18

IRRESISTÍVEL TRANSCRIÇÃO

Não é hábito do IRRITADO transcrever textos de terceiros – só citações. Desta vez não resisto, já que muitos leitores há que não terão oportunidade de ler uma opinião indispensável. Aí vai, do “Observador”:

"A insuportável leveza (e o cinismo hipócrita) das manas Mortágua

13/12/2018

As manas Mortágua são pródigas em lágrimas de crocodilo: nos dias pares aprovam orçamentos que cortam investimento público; nos ímpares fingem defender os utentes, mas o coração bate pelos grevistas.

Faz parte das minhas rotinas profissionais passar uma parte do dia a trabalhar não muito longe de um ecrã de televisão ligado num canal de notícias. Bem sei que não é o mais recomendável para a saúde, pois a sucessão de indignidades a que facilmente se assiste facilmente nos revolve o estômago,

Foi assim que vi surgir a dada altura, com aquele ar compenetrado e concentrado que é a imagem de marca da dupla, uma das manas Mortáguas num cenário que tinha o Tejo por fundo. O oráculo informava que se tratava de Joana, a menos mediática, “vereadora da câmara de Almada”. Mas que, na ocasião, estava no Seixal. A fazer o quê? A lamentar a falta de barcos da Transtejo e da Soflusa, essa mesma falta de barcos que leva a constantes supressão de ligações e já motivou várias revoltas dos passageiros, a mais recente no início desta semana. Melíflua, Joana Mortágua culpava a falta de investimento público, começando por responsabilizar um governo que já não é governo há três anos, um projecto de concessão a privados que nunca se materializou e derramando algumas breves lágrimas de crocodilo sobre ter-se perdido tanto tempo nesta legislatura.

Ouve-se e não se acredita. Aquela mesma Mortágua, mais a sua mana, mais os seus companheiros do Bloco, andam há três anos a suportar as escolhas orçamentais que criaram o estrangulamento em que se encontram aquelas e outras empresas de transportes. Mais do que suportar essas escolhas, foram parte dessas opções e condicionaram-nas. Foi a esquerda à esquerda do PS que erigiu como primeira de todas as prioridades a “recuperação de rendimentos”, o que se deve traduzir por “recuperação dos rendimentos dos funcionários do Estado e das empresas públicas”. Não há outra coisa mais importante nos protocolos que assinaram com António Costa, não houve nada de mais constante no seu discurso.

Como tudo na vida essa escolha – que foi também a escolha por satisfazer a maior e mais reivindicativa clientela eleitoral do país – teve um custo: o dinheiro que foi para os “rendimentos” faltou para os “investimentos”. Como recorda a Helena Garrido, isso até já começou a ser assumido pelo primeiro-ministro, quando reconheceu que não é possível dar tudo a todos. A questão – e essa é sempre a grande questão quando falamos de políticas públicas – é se as escolhas diminuíram as injustiças ou, pelo contrário, agravaram as desigualdades. Hoje, três anos depois desta farsa se ter iniciado, o grau de degradação dos serviços públicos deixa cada vez menos dúvidas: há mais injustiça e mais desigualdades.

E não, não é verdade que, como ainda impudicamente repetiu Joana Mortágua, o que se passa em serviços como os transportes fluviais do Tejo sejam uma consequência da anterior maioria ou maldades do tempo da troika. Hoje sabemos que nunca nenhum ministro das Finanças usou tanto as cativações como Mário Centeno – o que significa que nunca nenhum ministro mentiu tanto ao elaborar um Orçamento de Estado, prometendo ir gastar o que sabia que não podia gastar, nem tinha intenção de gastar. Mais: também sabemos que, nos dois primeiros anos desta maravilhosa geringonça, o seu tão amado investimento público caiu para os níveis mais baixos dos últimos 60 anos. Custa a crer, mas é verdade. A Joana viu e votou, a Mariana viu, negociou, inventou um imposto que até lhe ficou com o nome, assinou por baixo e, claro, votou. São tão responsáveis como António Costa pelas supressões diárias nas ligações da Transtejo e da Soflusa.

Não estivesse sentado no Governo um senhor chamado Pedro Nuno Santos e eu até diria que eram mais responsáveis – e di-lo-ia em função do seu discurso radical contra tudo o que seja concessão de serviços públicos a privados. Joana Mortágua, se não fosse uma fanática — pesei o uso desta palavra –, reconheceria que, na Margem Sul em que até é vereadora, o melhor serviço de transporte ferroviário é o assegurado pela Fertagus na ponte 25 de Abril – cumpre horários, praticamente nunca é afectado por greves, por exemplo. Mais: saberia que a generalidade dos autocarros que servem os concelhos da região são de empresas privadas, que têm contratos de concessão, e que do seu serviço não costumamos ouvir as queixas que ouvimos sobre o oferecido pela CP ou pelo Metro de Lisboa.

Mas que interessa a realidade às Mortáguas enquanto houver disponibilidade para escutar as suas ladainhas sem colocar as questões que têm de ser colocadas? Nada, na realidade. Basta de resto ver o mais recente debate entre Mariana Mortágua e Adolfo Mesquita Nunes na SIC Notícias – onde Mariana não foi capaz sequer de reconhecer que o investimento no SNS diminui, procurando sempre misturar investimento com os gastos decorrentes dos aumentos dos encargos com os funcionários derivados das “reposições” e das 35 horas – para perceber que a realidade é, passa o plebeísmo, “uma coisa que não lhe assiste”.

São também muito reveladores os malabarismos a que recorre, na sua coluna no Jornal de Notícias, para justificar a actual onda de greves na administração pública, que apresenta como “sinais de esperança e exigência”. O que é curioso neste artigo é que durante anos a fio ouvimos sindicalistas, activistas, mesmo bastonários das mais insuspeitas ordens profissionais, a defenderem que lutavam pelas mais nobres causas: “salvar o SNS”, “defender a escola pública”, “impedir a destruição do Estado Social”, porventura “barrar o caminho a retrocessos civilizacionais”. Ai de quem dissesse que se tratava por regra de defender direitos adquiridos, nada mais.

Eis agora que Mariana, num interessante flashback histórico, nos diz que afinal o que esteve sempre em causa foi mesmo tão só salvar “o que era seu por direito”. E que o que passou a estar em causa nas greves de hoje são “avanços e conquistas há muito esperadas”. Descontando o que aqui é linguagem que recorda o PREC, o notável é verificar que numa onda de dezenas de greves de afectam quase exclusivamente o sector público desapareceu por completo qualquer inquietação com a salvação desse mesmo serviço público, sinal de que na verdade nunca foi ela que esteve em causa.

Se as Mortáguas deste mundo estivessem inquietas com a qualidade do serviço público teriam ficado preocupadas com a admissão pela ministra da Saúde de que o Hospital de Braga pode deixar de ser gerido em regime de PPP. Esse hospital tem sido repetidamente distinguido como o que presta melhor serviço aos seus utentes, bastando lembrar que no mais recente SINAS, um estudo independente realizado anualmente pela Entidade Reguladora da Saúde, ele foi, nos dois últimos anos, o único do país com classificação máxima em oito áreas clínicas. Mais: um estudo da própria Administração Regional de Saúde do Norte concluiu que aquele modelo de gestão poupava ao Estado 33 milhões de euros por ano. Existindo, e cito, estas “poupanças muito significativas para o erário público” e esta “excelência clínica”, a preocupação deveria ser manter a PPP e não ver acontecer ao Hospital de Braga o que aconteceu ao Amadora-Sintra, um hospital que desde que, por razões ideológicas, reverteu para a gestão pública, não tem deixado de se degradar, e degradar, e degradar (fala um utente, para que se saiba).

Mas não: a obsessão das manas Mortágua, tal como da turbamulta do Bloco, é acabar com tudo o que seja sector privado, mesmo quando funciona bem, serve as populações e presta bom serviço público. É por isso que o ar condoído que mostram sempre que são confrontadas com as consequências das escolhas que decorrem de opções políticas que negociaram, nalguns casos impuseram, em todos os casos votaram e subscreveram, não são mais do que um mau exercício de cinismo e de hipocrisia.

Ao lado daqueles cartazes que andam a afixar com as suas “conquistas” deviam estar outros com o passivo que foram deixando pelo caminho, dos seixalenses apeados por falta de barco para chegarem a Lisboa aos habitantes de Vila Real em listas de espera de quatro anos em certas especialidades clínicas. De resto, por muito bem que falem, não esqueçam que podem enganar todos uma vez, enganar alguns toda a vida, mas nunca enganarão toda a gente todo o tempo. Nem duas mesmo Mortáguas em vez de uma só."

LISBOA DE RASTOS

Imagine que, sendo homem, casou com uma eslovaca, ou, que, sendo mulher, casou com um maliano. Quando digo “casou”, faço-o em sentido moderno, mas mitigado. Explico: casar, à moderna, pode querer dizer várias coisas, como concubinato, juntar os trapinhos, união de facto, namoro, casamento civil, religioso, ou outra coisa qualquer, hoje sinónimos. Muito bem ou muito mal, mas que passe. Mitigado quer dizer que é coisa entre homens e mulheres, não entre mulheres e mulheres, não entre homens e homens. Disso não como, que já sou velho e tenho fraco estômago.

Voltando ao princípio, você vive com a eslovaca ou maliano durante quinze anos. Depois, morre. Uma chatice. A eslovaca e o maliano ficam a viver em Portugal nos vinte anos seguintes. Mas, surpresa das surpresas, nem a eslovaca nem o maliano falam uma palavra de português. Trinta e cinco anos a viver consigo e no seu país, e zero.

Porquê? Há duas hipóteses: ou são completamente estúpidos ou, servindo-se de Portugal mas alardeando rasquíssima petulância, dedicam-lhe um soberano desprezo, um retorcido ódio.

Vem isto a propósito, como já devem ter percebido, de uma súbdita espanhola, viúva de um português, que anda por aí há décadas sem jamais ter aprendido a língua. Como de estúpida nada tem, vale a segunda hipótese.

Se fosse uma tipa qualquer, paciência. Mas não é. Pelo contrário. A Câmara de Lisboa, sem reacção popular que se veja, roja-se-lhe aos pés, dá-lhe um emblemático e histórico edifício, enche-a de honrarias. Tudo, claro, em homenagem ao falecido, prolixo escrevinhador, chato como o sarampo, que recebeu, sabe-se lá por que manobras, um chorudo prémio literário, à pala do qual a sobredita criatura se pavoneia por aí em castelhano.

A espanhola vê agora a sua olissipo-importância elevada à medínico-costista potência: uma praça histórica da cidade transformada em Largo José Saramago. Já lá estavam as cinzas do senhor, debaixo de simbólica oliveira, prova da camarária devoção. Já lá estava a fundação destinada a dar chorudo emprego à rica mulher. Faltava cuspir no secular e tão simpático nome do local, o Campo das Cebolas.

Pela enésima vez veio a criatura à TV do Estado dar largas ao seu castelhano, com legendas e tudo, para vincar bem o porquíssimo desprezo que nutre pela língua dos indígenas. Desta vez até arranjaram outra “hermana” para abrilhantar a cerimónia, mais uma vez na língua delas. Querem mais indignidade? É difícil.

 

Declaração de interesses: acho que o Rossio se devia chamar Rossio, não Praça Dom Pedro IV. Acho que o Areeiro se devia chamar Areeiro, não Praça Sá Carneiro. Acho que o Terreiro do Paço se devia chamar Terreiro do Paço, não Praça do Comércio. Aliás, talvez movidos por amor à tradição (coisa já condenada por diversas forças políticas), os lisboetas continuam a achamar Rossio ao Rossio, Areeiro ao Areeiro, Terreiro do Paço ao Terreiro do Paço. Como vêm, em matéria de toponímia nada de político me move. Só que, por este andar, ainda havemos de ver a Rua de São Bento passar a Rua Álvaro Cunhal, ou o Parque Eduardo Sétimo a Alameda António Costa.

Desta feita, espero que o Campo das Cebolas continue, pelo menos na boca dos meus concidadãos, a chamar-se Campo das Cebolas. Quanto a Saramago, convenhamos, ficava melhor na Zona J.

 

11.12.18      

GRANDES AVANÇOS CIVILIZACIONAIS

Com a maior alegria e a alta noção da responsabilidade que o animam, o PAN decidiu alinhar num animalesco movimento que postula o fim de provérbios e ditos populares considerados ofensivos para diversas espécies. Consta que a especialista-mor em bocas contra a humanidade, tida por ministra da geringoncial cultura, vai terçar armas em favor da iniciativa e que dona Catarina de Martins, líder da esquerda tremoço, já mandou elaborar um projecto de lei para obrigar a mais esta maravilhosa “fracturância”.

Afinal, de que se trata? Segundo a imprensa, de abolir expressões populares do género “atirei o pau ao gato”, “pegar o touro pelos cornos” ou “matar dois coelhos de uma cajadada”. Na mesma imprensa, na nova “civilização” deverá passar a dizer-se “atirei comida ao gato”, “pegar uma flor pelos espinhos” e “pregar dois pregos com uma martelada”.

A coisa funciona também para expressões que incluem gente. Segundo um exemplo comunicado à plebe pelo PAN, a frase “Com um olho no burro outro no cigano” deverá ser objecto de opróbrio público, não se sabendo ao certo se por ofender o burro se por ser má para o cigano. Falando de burros, acha o IRRITADO, haverá que abolir a expressão “albarde-se o burro à vontade do dono”, que será substituída por outra, mais inclusiva, por exemplo “albarde-se o dono à vontade do burro”. Mas de burros sabe o PAN, que os representa após estudo e eleição ocorridos em Cacilhas.

O movimento destes formidáveis activistas é universal. Consta que os animalescos do PAN já oficiaram a embaixada de Sua Majestade exigindo a abolição imediata da expressão “raining cats and dogs”, a ser substituída por “sweet little drops are falling”. Também o dito “you are pulling my leg” irá para o index, uma vez que a “leg” a ser puxada pode ser de algum gato”. O PAN sugere ainda que os britânicos abandonem a palavra “frogs” ao falar de franceses, por evidente ofensa às rãs.    

E assim por diante.

A marcha da estupidez humama, ou PANcreática, é imparável.

Admirável mundo novo.

 

9.12.18

MAGNA REUNIÃO

O constitucional Conselho de Estado é, como toda a gente sabe, de uma opacidade a toda a prova. A convocatória da coisa é feita por Sua Excelência o Presidente da III República. Reune inúmeros “inerentes” da mais alta craveira política e institucional, bem como uns indivíduos altamente suspeitos como o camarada Louçã e o shorty M.Mendes. Segundo a Constituição, trata-se de um órgão de consulta de Sua Excelência. Como, por natureza, inguém sabe o que lá se passa (é proibido dizê-lo), é possível, natural e intuitivo pensar que coisa nenhuma se lá passa, para além de uns cafèzinhos, água do Luso e biscoitos.

A próxima reunião de tão útil organismo será abrilhantada, a convite de Sua Excelência, pelo senhor Michel Barnier, negociador do brexit. As suas considerações sobre o assunto serão atentamente ouvidas pelos circunstantes, o que, presume-se, dará algum interesse à congregação. Mas como tudo será, como sempre confidencial, quer dizer, secreto, a utilidade pública continuará a ser nenhuma.

Que reunam em paz e harmonia são os votos do IRRITADO.

 

9.12.18   

SUBSÍDIOS PARA QUÊ?

 

Anda para aí uma polémica dos diabos sobre o eventual auxílio público aos jornais, coisa a que o senhor de Belém deu um discreto aval, uma espécie de “nim”. O chamado primeiro ministro não deu importância de maior ao assunto, veremos porquê.

Entretanto, ao contrário do habitual em países de boa fama, os jornais portugueses não têm cara, ou seja, têm as caras que lhes der na gana. Sábia e pluralista abrangência: todos mais ou menos iguais, às vezes com ligeiríssimas tendências. Estou aqui a olhar para o último “Expresso”, exemplo fatal da filosofia em vigor. Há nele uma página política em que, lei das compensações, há uma coluna de direita, à direita, outra de esquerda, à esquerda. Noutra página, agiganta-se o  Louçã no seu assento cativo, em quatro quintos de uma página, compensado no quinto restante por duas breves da autoria de uns pobres moderados. No mesmo caderno, dito de economia, há recadinhos com fartura vindos de tudo o que é sítio, há artigos contra e a favor da geringonça, coisas boas e coisas péssimas. Aquele “democrata”, conselheiro de Estado e figurão do BdP, tem programa especial na televisão, ao que se diz “compensado” pelas bocas e recadinhos de um certo M. Mendes, que dá no cravo e na ferradura com professoral jactância.

O cenário é mais ou menos o mesmo por todos os lados. O que implica que, ao cidadão, não seja permitido ter “o seu jornal”, como em Paris, Londres ou Madrid.

Enfim, malhas que a democracia teceu em Portugal. Não há volta a dar. Um mal? Um bem? o mafarrico que escolha. Apesar de tudo, a esquerda tem uma evidentíssima preponderância. Por isso, mesmo sem subsídios do Estado, pode o chefe Costa dormir descansado. No fundo, há muito quem, de borla, lhe vá fazendo a cama fofa.

 

9.12.18   

CHINESICES

Não sei se a ribombante visita do imperador da China a este jardim foi, em termos de longo prazo, coisa boa ou coisa má. Para já, muita parra e pouca uva. Uns memorandos, uns contratinhos, e disse. Um mijarete.

Tudo o que aí vem, se chegar a vir, está para acontecer. A partir de agora a nacional burocracia tratará do assunto com a habitual eficácia. Para já, fogo de vista. Quanto à entrada dos chineses na produção, à alteração profunda das relações económicas, só blabla, e só blabla do lado de cá. A tal respeito, o imperador nada disse. Moita carrasco. De concreto e de valia, parece que só ficou o apetite dos chineses por uma boa fatia do porto de Sines.

Há quem diga que é um futuro radioso o que aí vem, há quem defenda que vai ser uma desgraça, uma submissão, o fim da soberania nacional, o diabo a quatro.

Também há os que tremem, na “Europa”. Estão muito preocupados com esta abertura do importantíssimo Portugal à investida do império do meio. Esquecem que os chineses já meteram, por essa Europa fora, muito mais milhões que por cá. Enfim, a ver vamos, como diz o cego, ou vamos lá a ver, como diz o Costa.

As relações sino-lusas, com mais de quinhentos anos, foram muito gabadas. A única excepção à xenofobia da dinastia quando entregou Macau aos portugueses foi aniquilada quando Mário Soares declarou que Macau era território chinês sem que chinês nenhum o tivesse sugerido. Os chineses não têm por hábito contradizer-se e são muito respeitadores dos seus compromissos. Até o camarada Mao, salvo erro em 1966, declarou que não havia qualquer problema com a nossa presença no local. Mas as coisas são como são, deram-lhes a mão, eles aproveitaram. Adiante.

 

Como posição a referir  da parte do nosso governo, fora da pompa dos dias, temos a notabilíssima declaração de uma senhora do governo cujo nome não me ocorre. Assim: “Por favor, usem-nos, como porta de entrada, como cobaias, para testarem (sic) a forma de entrarem (sic) na Europa”.

 

Não me apetece nada ser cobaia. Vão testar a senhora secretária de Estado.

 

6.12.18

 

ET. Não acabava, quando uma figura se nos mostra no ar, robusta e válida, de enorme e grandíssima estatura: Luís de Camões, Lusíadas, episódio do Adamastor.

Desta vez, a "figura" foi o Bloco de Esquerda. Altaneiro, a boca negra, os dentes amarelos, atacou. Gente que não respeita os direitos humanos, rua! A não ser que se trate do Maduro, do Fidel, ou do KIM. Viva o socialismo especializado do BE!

O imperador borrou-se de medo, como a Merkel quando o Pedro N Santos disse que a ia pôr de joelhos.

BENESSES PÚBLICAS

 

Um resumo, muito resumido, das benesses da geringonça, publicado no “Expresso”, contém as seguintes “novidades”:

- “Crescimento anémico”: vítima das 35 horas, da ausência de incentivos à produtividade, de qualquer reforma que se veja ou sinta, da agitação social devida às mentiras do governo, o país continua a patinar e a perder em toda a linha em relação aos seus pares.

- “Carga fiscal no máximo”: não há forma de o governo demonstrar alívio na carga fiscal. Aumenta-a,  sacrifica o país a troco do crescimento do emprego público, da inversão da balança externa, do sacrifício do enganador emblema do “socialismo democrático”: saúde, educação, transportes, etc. O governo legítimo fez das tripas coração para manter, ou melhorar, tais sectores. A geringonça abandalha-os, e cobra impostos para segurar os votos das seus empregados.

- “Investimento mínimo”: Nem nos tempos da troica o investimento público foi tão miserável. Para 2019, o governo promete aumentá-lo, se a economia crescer 2,3%, coisa em que ninguém acredita, nem em Portugal nem no mundo.

- “Cativações históricas”: a geringonça “congelou mais despesa em três anos que Vítor Gaspar/Maria Luís em toda a legislatura”.

- “Dívida de bronze”: a dívida aumenta, e fica em terceiro lugar do pódio dos maiores devedores.

- “Transportes de latão”: não é preciso demonstrá-lo, é a desgraça generalizada, carris, metro, CP, e por aí fora, tudo sem remédio à vista.

- “Saúde paralizada”: sem comentários, toda a gente sabe, e sente na carne. Bons tempos em que o actual presidente da Caixa era ministro da saúde.

- “Polícia apeada”: não há carros, nem oficinas, nem nada que acuda.

- “Estado a falhar”: quando o Estado falha, o chamado primeiro-ministro, ou está, e fica, de férias (Pedrógão), ou vai ao futebol (Borba), ou não sabe de nada (Tancos).

 

A compensar a brutal desgraça, e para alimentar a propaganda, a geringonça tem alguns argumentos: mais uns tostões aos empregados públicos, outros a alguns reformados, e pouco mais que se veja. O que tem corrido bem (emprego, turismo...) não tem nada a ver com a geringonça, antes pelo contrário, tem corrido bem apesar dela.

 

4.12.18

VÁ-SE

Um representante oficial do PSD/Rio, fez uma dramática declaração: o partido está mal de saúde por causa dos filiados que fazem guerrilha interna ao chefe. Uns malandros que querem levar o partido a um “suicídio colectivo”.

Perguntar-se-á se é verdade, isto é, se a culpa é dos malandros, ou se será do chefe, que não mexe uma palha, que se arrasta penosamente atrás da geringonça, que “cada cavadela cada minhoca”, cujos apaniguados dizem o que lhes vem à cabeça e se vão contradizendo uns aos outros, que permite ou incentiva coisas rocambolescas e idiotas como no caso das vacinas, cuja “exigência ética” está pelas ruas da amargura desde o primeiro dia, que não denuncia a desgraça orçamental, que não segue, a cada dia, a cada hora, as trafulhices da propaganda do governo, que, passados seis meses de tomar posse ainda não foi capaz de criar qualquer sombra de alternativa e se entretém pelo Bulhão em vez de “descer” até onde as coisas mexem…

Fica a pergunta e, implicitamente, a resposta.

Senhor Rio, faça-nos o favor de ir orar para outra freguesia. Demita-se, pode ser que ainda haja tempo para recuperar alguma coisa.

 

2.12.18  

MEIAS VERDADES E VERDADES MESMO

Anos atrás, quando o país lutava para gerir a bancarrota herdada do PS, a ministra das finanças Maria Luís, atenta à baixa dos juros, fez várias emissões de dívida destinadas a substituir juros altos por juros mais baixos, assim conseguindo diversas amortizações antecipadas dos créditos do FMI. Foi muito criticada pela esquerda. Tais amortizações “desviavam” o dinheiro do “bolso das pessoas” para pagamentos “desnecessários” aos tubarões do FMI. À época, o governo legítimo informou o país sobre a verdadeira natureza das emissões, não escondendo, antes assumindo, que se tratava de mera substituição, em melhores condições.

Após três anos de trapaça política, o governo, pela voz do usurpador, anunciou, tonitruante, que ia liquidar o que resta dessa dívida. Note-se, “ia liquidar”, e não “tinha liquidado”. A ver vamos se liquida ou não. Importante é sublinhar as diferenças. A triunfal declaração é feita assim, sem mais esclarecimentos. O que o chamado governo fez foi o mesmo que Maria Luís tinha feito, sem tirar nem pôr. A forma de o anunciar é que faz a diferença. No caso anterior, a verdade era toda dita, confessada a verdadeira origem dos pagamentos e a sua execução. Agora, o declarante deixa no ar que o seu triunfante governo vai, simplesmente, pagar, e mais nada.

É a habitual honestidade governamental, ou seja, a propaganda a obliterar a verdade.

 

2.12.18

ESPERANÇOSA TRISTEZA

Viu-se, com carinho, apreço e ansiedade, a candidatura do Bloco (ou Bando) de Esquerda às ministeriais alturas. Foi comovedor ver a Mortágua 1 a ser unanimemente aplaudida como futura ministra das finanças, o olhinho, docemente estrábico, a sorrir de humilde ansiedade e justa esperança, a contida alegria que a larga estrada do poder, ora aberta, lhe iluminava o futuro. Foi com incontida ternura que se viu o brilho dos olhos desmesuradamente abertos do lacaio número um das esquerdoidas, o conhecido careca a ver-se ministro da correcção, a tomar conta das almas, a mandar nos costumes, a apontar a todos, do alto das cadeiras do poder, a luz intensa dos amanhãs que cantam, o homem novo, sem sexo, vivendo feliz na multiplicidade de géneros, sem propriedade, sem ambições, o homem sem defeitos, cheio de pletórico marxismo. Viu-se o orgulho imenso do camarada Pureza, puro e casto, a imaginar-se no assento dourado da educação, escolas, universidades, investigação científica, tudo às suas ordens, tudo direitinho, o reaccionarismo dominado, enfim, um mundo conduzido pela sua dominadora verve. Todos sentimos a alegria das gentes, a multidão eufórica, toda ela feita de secretários de Estado, directores gerais, generais, sei lá, tantos e tão esperançosos candidatos à condução dos destinos de uma sociedade livre de proprietários, de capitalistas, imune a qualquer tendência liberal ou pluralista, uma verdadeira sociedade socialista.

Mas... há sempre um mas. Veio o despudorado Costa dizer que não: o poder será todo para ele, sem mortáguas, nem purezas nem carecas, nada de galarim: se quisessem continuar a votar com o seu governo, muito bem. Entrar nele, nem pensar, que tem lá em casa muita gente à espera.

Infame “Soberba”, horrível “estratégia grotesca”, gritou o careca, no auge da indignação. Estamos preparados, regougou o Pureza. Estou preparadíssima, disse a Mortágua 1 com a lagriminha no canto do olho. Uma hecatombe. Com que direito diz ele que “não estamos preparados”? Com que desfaçatez apregoa que temos “muita ansiedade”! Ainda por cima é mal agradecido. Propomo-nos ajudá-lo e o canalha dá-nos com os pés. A esquerdoida-mor entupui: coitada, não teve palavras que expressassem a indignação, a frustração, o sentimento de injustiça que lhe vai na alma.

 

Desta pequena tribuna, o IRRITADO vem ajudar os traídos. Tenham esperança! Olhem que o que o Costa diz é o que o Costa diz, e a verdade não tem nada a ver com isso. O que ele quer é animar as hostes, dizer-lhes que os lugares são só para elas, não para estranhos. Não haverá convidados. O que quer dizer que, se se portarem bem, fará tudo ao contrário, como é próprio no nacional-geringoncismo.

Por isso, camaradas, corações ao alto. Algum lugarzinho há-de aparecer à vossa espera.

 

29.11.18

RUI RIO

 

Caro licenciado Rui Rio

 

Há anos, teve V. Excelência uma extraordinária vitória nas eleições para a Câmara do Porto. Não houve quem não louvasse (e estranhasse) a coragem com que pôs o futebol – e o sr. Pinto da Costa – no seu lugar. Não há quem não reconheça que a sua gestão foi geralmente positiva. Por isso, e pela fama de rigor que granjeou, muita gente do PSD lhe deu uma vitória, ainda que marginal, sobre Santana Lopes.

No entanto, assim que tomou o poder dentro do partido, fez-se rodear de figuras ultra-controversas, por arguidos em vários processos judiciais, por gente que destruía, sem apelo, as suas promessas de “ética” política. A sua apregoada “renovação” do partido acabou por não passar de perseguições internas e processos de “limpeza” que, por incoerentes com as subidas partidárias de figuras mais que discutíveis, puzeram a sua ética entre aspas.

Politicamente, durante longos meses, a sua acção não passou de promessas de consensos sobre o “interesse nacional”, de subservientes aproximações ao PS, sem perceber que o PS não quer, nem precisa, do PSD para nada que não seja cavalgá-lo, servir-se dele se for o caso, tratá-lo com o desprezo próprio dos canalhas – como fez quando, em vez de se ater ao resultado das eleições, recusou qualquer contacto com o vencedor, antes o traindo, menosprezando e apoderando-se do poder sem que qualquer leitura da vontade popular tivesse sido tida em consideração. V. Excelência não percebeu que uma autêntica ética política imporia a recusa de aproximações com quem, politicamente, de ético nada tem.

É evidente que as suas atitudes não podiam deixar de causar revolta dentro do seu partido. E não se diga, como o senhor faz, que se trata de gente que tem medo de perder assentos. Na sua esmagadora maioria, é gente que ama o seu partido e que o vê a derrapar perigosamente para níveis mais pobres que o imaginável de há uns meses. V. Excelência, bem como a sua entourage, não têm força, ou ideias, que possam distinguir o partido ou prepará-lo para eleições.

Dadas as prebendas que o PS tem dado a um eleitorado acrítico e acomodatício, a sua tarefa seria sempre difícil, quiçá ingrata. Mas sê-lo-ia por vivermos num país afogado em propaganda, fátua quão sonora, esquecido o futuro, a economia, um país sem projecto nem visão. Mas tão má ou pior que tal propaganda é, para o PSD, a ausência de uma denúncia diária do que é a realidade e as perspectivas de futuro, é a estagnação ideológica e política que tem sido timbre da sua liderança, os sucessivos “tiros no pé” que caracterizam a sua (in)acção e a dos seus próximos no partido.

Há que pensar duas vezes. Se o fizer, se perceber que ainda vai a tempo de salvar alguma coisa a tempo das eleições legislativas de 2019, por favor demita-se. Será um sacrifício que o país compreenderá e saberá agradecer.

 

27.11.18

CULPA?

Desde há mais de três meses que os estivadores de Setúbal recusam fazer horas extraordinárias. Desde há 22 dias que, simplesmente, não trabalham. Para o país, os prejuízos são colossais.

Não sei se têm razão se não têm, nem sou especialista em reivindicações ou greves. Mas sei que a gravíssima situação se prolongou por mais de cem dias sem que o chamado governo tenha mexido uma palha. Pode ser que a governamental agremiação não queira meter-se em alhadas deste tipo, o que, em princípio, pode não estar errado. O que está errado é que um movimento com as consequências nacionais deste calibre só mais de 100 dias depois tenha merecido a imperial intervenção da chamada ministra do mar para tentar qualquer coisa. Parece que, amanhã, 4ª feira 28.11, vai haver uma reunião com a dita camarada.

O IRRITADO compreende perfeitamente que a geringoncial instituição em geral e a dona ministra em particular tenham mais que fazer que ocupar-se com este tipo de ninharias. É costume.

Desta vez, ao contrário de Pedrógão, de Tancos, de Borba, etc., não pode dizer-se que tal gente esteja na origem dos problemas - só das diversas pessegadas que se lhes seguiram. Mas está, certamente, na origem do monumental prolongamento dos prejuízos nacionais. Não é da sua responsabilidade que os estivadores e os patrões dos estivadores sejam o que são. Mas é, mais uma vez, de sua exclusiva culpa que a situação tenha chegado onde chegou.

Por muito menos, a tal ministra interveio na questão dos estivadores de Lisboa, com os brilhantes resultados que são conhecidos. Saíu da coisa gloriosamente, tendo transformado o Porto de Lisboa no mais caro de todos. Foi brilhante.

Desta vez, o rabinho fugiu-lhe à seringa por mais de três meses. Na certeza de que jamais será responsável seja pelo que for, como é timbre e lema da organização a que pertence.   

 

27.11.18

BANANADAS

É melhor uma boa amizade do que uma má relação, disse o nosso fantástico Costa. Alguém discorda de tão categórica afirmação?

Faz lembrar o famoso almirante Tomás, quando dizia é a primeira vez que cá venho desde a última vez que cá estive.

O IRRITADO aproveita para lembrar outras frases célebres, como: Chuva em Novembro, Natal em Dezembro ou até uma mais adequada à verve primo-ministerial: mais vale ser rico e ter saúde do que ser pobre e doente.

O Amigo Banana, consultado pelo IRRITADO, está de acordo. Um descendente do Monsieur da La Palice, em declarações ao Figaro, congratulou-se por haver tão ilustre seguidor do seu nobre antepassado.

 

24.11.18

O DISCURSO DO PODER

Com a pompa e circunstância que a efeméride merece, o indispensável senhor Costa decidiu comemorar o terceiro aniversário da sua amada geringonça. Para o efeito, reuniu um criteriosamente escolhido grupo de jornalistas, sendo a alguns permitido fazer-lhe umas perguntas numa bem organizada, anunciada e concorrida conferência de imprensa. Muito bem.

O IRRITADO tomou nota de algumas brilhantíssimas ideias de sua excelência.

Quanto à selecção dos jornalistas, declarou que 30% deles votaram no PSD, o que implica, ou que não foi respeitado o secretismo do voto de acada um, ou que quem quis inscrever-se teve de declarar em quem tinha votado, a fim de a organização poder garantir a presença de pelo menos 70% de fiéis.

Em relação ao desastre de Borba, felicíssima, a criatura declarou que “não há evidências de responsabilidade do Estado”, o que demonstra indesmentível coerência. É que, desde o advento da geringonça, o Estado (leia-se o governo) jamais foi responsável fosse pelo que fosse de menos agradável. Lapidarmente, acrescentou que os ministros não tinham nada que fazer no local do desastre, uma vez que só lá iriam “para atrapalhar”. Ele próprio deu o exemplo, embora, modestamente, não o tenha referido: foi ao futebol na nobre intenção de não atrapalhar ninguém.

“Um orçamento sem cativações é como andar sem travões”, diz ele. Ou como um jardim sem flores ou um cemitério sem campas, permito-me acrescentar. As cativações, leia-se os cortes, têm a vantagem de não dar lugar a orçamentos rectificativos, terrível vício do anterior governo. São opacas e não caem no escrutínio público.

Nesta ordem de ideias, o orador sublinhou que “não há um único português que não saiba que este governo foi amigo da administração pública”. Uma verdade incontornável, parabéns pela excepção. Não há um único português que não saiba até que ponto os serviços do Estado (saúde, educação, transportes, etc.) e os credores privados foram sacrificados à “amizade”, dir-se-ia paixão, do chamado governo pelo mar de eleitores que integra a administração pública.

O CEO da geringonça ”desvalorizou” a unanumidade de opiniões que expressaram “dúvidas sobre a solidez das contas”. O seu CFO, senhor Centeno, já tinha posto tais opiniões no seu lugar: são emitidas por ignorantes, falsários, gente ordinária cuja opinião se põe de lado. “tudo o que previmos foi confirmado pelos resultados”. O pior é que se sabe à custa de quê: os doentes e os fornecedores, por exemplo, que o digam.

Indo às origens, como é próprio de um discurso de aniversário, o espantoso Costa esclarece que a Geringonça foi “possível construir com o voto dos portugueses”. Neste particular, o homem excede-se. Nenhum português nela votou, e o “candidato a primeiro-ministro” do PS perdeu as eleições, vergonhosamente e de forma clara: a geringonça é filha dos corredores, não dos votos.

Numa coisa o homem, à rasca, tem razão: a cedência do PSD/Rio às estapafúrdias exigências dos professores, oportunistas vitimados pelas aldraboides promessas do PS, é de uma irresponsabilidade a toda a prova.

Muito mais disse a criatura. O IRRITADO é que não teve paciência para continuar a sentir o homem a meter-lhe os dedos pelos olhos dentro.

Fica, para desespero de quem ainda gosta do país que o viu nascer, uma última citação da criatura: “A geringonça é boa solução que deve continuar”.

 

24.11.18

POPULISMO

Segundo uma estatística elaborada para o “Guardian”, há por essa Europa fora fartura de populismos, de esquerda e de direita, no poder ou fora dele. De acordo. Os autores do estudo que deu origem à referida estatística concluiram que, em Portugal, não há tal coisa. Estamos fora do mapa. Concluo eu que os senhores, ou consideraram Portugal irrelevante, ou não perceberam nada do que por cá se passa.

Querem mais populista que a geringonça? Querem mais populista que um governo que troca as reformas, a visão do futuro, a crua verdade do que é essencial, por umas prebendas “sociais” destinadas a garantir a sua própria continuidade? Que sacrifica o bom funcionamento dos serviços públicos por falsa fidelidade aos tratados europeus? Que se esquece dos velhos, dos doentes, do atraso do território, a coberto de enganosa e infrene propaganda? Que, angelicalmente, jamais foi responsável por qualquer coisa que corra mal?

Querem mais populismo que o do Bloco de Esquerda que, cinicamante, se diz portector do “povo” através de medidas que, interessando a ninguém, fazem barulheira e dão passos para a destruição dos mais elementares pilares da sociedade?

Querem mais populismo que a idiotia do PC que, firmemente troglodita,que continua a tecer loas à ditadura do proletariado e à luta de classes?

Acrescentem a isto o popularuchismo do Presidente da República, e vejam como é verdade que não há vestígios de populismo em Portugal...

 

23.11.18

ESTE PAÍS

Dos jornais:

- Há vinte anos que os engenheiros alertavam informalmente (“em conversa...”) para os perigos da estrada Borba/Vila Viçosa.

- Durante os últimos quatro anos as autoridades foram, pelo menos cinco vezes, formalmente alertadas para os perigos de derrocada daquela estrada.

- A Câmara de Borba tinha pensado vir a incluir a reparação da estrada em 2022.

 

De todas as “desculpas”, sacudidelas de capote ou opiniões já lidas e ouvidas, uma há que está rigorosamente certa. É a de um fulano que disse que, no que respeita ao assunto, há 16 entidades competentes ou cuja opinião é necessária.

Portugal no seu pior. Para qualquer porcaria, é necessária a intervenção de vários batalhões de burocratas, ou de técnicos burocratizados. Resultado: no caso em apreço, como em muitos outros, ninguém é nem será responsável, nem culpado, nem terá nada a ver com o assunto. O mais que, eventualmente, se pode fazer, é arranjar um bode expiatório. Ou então, melhor ainda, deixa-se passar o tempo a ver se a coisa passa, tarefa em que a geringonça é praticante especializada, como a experiência dos últimos anos demonstra à saciedade e como o espantoso ministro já veio confirmar no caso da Borba: “a estrada em causa é de responsabilidade municipal”, disse ele. Tirado o cavalinho da chuva, é altura de anunciar solenemente a abertura de 456 processos de averiguações técnicas, civis, administrativas e judiciais. Na certeza de que a rã continuará de perna encanada e de que, oficialmente e no cumprimento estrito da Lei, se voltará a falar na história quando acabar o segredo de Justiça.

Sinal claro disto é que o chamado primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para ir à bola no dia do desastre. Desta vez não estava de férias, a desculpa está no nacional-futebolismo.

 

21.11.18

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