O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA.
Winston Churchill
O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA.
Winston Churchill
Com a devida publicidade, o Chega fez uma almoçarada em Setúbal. Está no seu direito. É uma maneira de vir nas notícias. Nada a comentar. A surpreza foi ver à mesa Sua Eminência o cardeal do costume, desta feita quase “à paisana”. Digo de costume porque a mesma eminência já tinha honrado com a sua presença no congresso dop PC, dessa vez em trajo de gala.
O IRRITADO não sabe se trata de uma interpretação extensiva da divisa “todos, todos” do Papa Franciscco, ou se é posição pessoal do ilustre eclesiástico.
Em idos tempos, o IRRITADO frequentou algumas reuniões da VASP. Todos os jornais e revistas eram membros da organização. Ou seja os tais membros arranjaram forma de se auto-distribuir, assim formando uma espécie de monopólio do negócio e transformando uma necessidade própria numa actividade lucrativa. A VASP singrou, enquanto os seus membros tinham clientes. É o que acontece a todos os negócios.
Com o andar da carruagem - a Internet e catracas afins - os clientes começaram a borregar, fazendo com que a organização se desiquilibrasse. Solução óbvia: diz que vai deixar de distribuir nos sítios onde não há clientes que cheguem. Alarme geral. Os clientes que restam revoltam-se. Os autarcas indignam-se. Os jornais e revistas tremem ainda mais do que já tremiam. Ao contrário do ditado, todos ralham e todos têm razão. Umas centenas de milhar de pessoas ficam entregues a gente (informação das redes) em que não confiam, ou cujos processos não dominam. Ficar de olhos em bico a olhar para o telemóvel? Que sina!
No topo dos protestantes agigantam-se os directores da imprensa escrita através de uma carta aberta a que deram merecida publicidade. É o que trás o IRRITADO à liça. É que tal carta, recheada de queixas e queixinhas, nada adianta. Diz o que toda a gente sabe. Nem uma palavra sobre uma solução do problema. Ou seja, sem o dizer, subentende-se que querem que o Estado tome conta do problema. Há azar? O governo que se mexa. É para isso que servem os impostos, não é? Nem uma dica, uma sugestão, um caminho.
Ao IRRITADO não cabe propor o que aos senhores directores caberia, se quisessem pensar um bocadinho para além da vitimização. Mas não quer deixar de ir um pouco mais além que os senhores directores. Como a imprensa escrita aumenta os preços todos os dias sem dar cavaco a ninguém, podiam pôr mais uns cêntimos no preço da capa, por exemplo: que paguem os interessados. Ou fazer mini-vasps distritais, com áreas mais limitadas e financiadas por publicidade distrital encartada ou por mecenato. Ou outra coisa qualquer, para além das lamentações. E, que diabo, há tanta gente a distrubuir tudo e mais alguma coisa pelo país inteiro, e não há inguém que queira arranjar maneira de distribuir a imprensa?
Com alto destaque, apareceu nos jornais a triunfante notícia da construção de comboios, em Portugal, pela primeira vez! Maravilha! Coisa nunca vista.
Trocado por miudos,verifica-se que não se trata de comboios, mas de carruagens de caminho de ferro. Locomotivas, nem pensar. Tudo bem. Nada contra. Força, comboiistas!
O problema é que, há mais de 50 anos, por involuntárias circunstâncias, o IRRITADO assistia, diáriamente, à construção de comboios, entenda-se, de carruagens de caminho de ferro.
Corrija-se então a notícia. Há mais de 50 anos já por cá se construía tal coisa. Ou não é a primeira vez, ou as antigas carruagens não eram construídas em Portugal, ou o IRRITADO tinha alucinações. Ou ainda, convenhamos, a Sorefame – entidade fascista – operava no estrangeiro. Talvez seja o caso. É que, ao tempo, muito havia quem defendesse que a Amadora devia ser uma espécie de sucursal da União Soviética.
Peço desculpa: isto, meus senhores, é o que se chama anti-comunismo primário, coisa de que só o IRRITADO se lembraria, uma vez que é preciso ir buscar bitates a um passado longínquo para dizer tal coisa. O comunismo acabou e, pela lógica das coisas, o anti-comunismo também. Aquele foi substituído, sabe-se lá se com vantagem, pelo wokismo, a filosofia de género, o politicamente correcto e outras triunfantes patacoadas.
Espera-se que as novas carruagens tenham instalações sanitárias comuns para pessoas que menstruam, para pessoas com braguilha, e para categorias intermédias, sem distinção de opção. Assim, sim, seremos os primeiros em matéria de carruagens!
Debatemo-nos com debates. Os debatentes, já lhes perdi a conta, debatem e debatem-se. Um fartote de debates, de debatedores ou debatistas. São tantos que não cabem todos, e até a loira do costume, viajante em todos os mares, charcos e poças de todas as cores, coitada, ficou de fora. Uma injustiça, no parecer do IRRITADO.
Nenhum sabe o que há-de fazer ou dizer. Entretêm-se a imaginar. A Constituição, vaca sagrada, dá para tudo e para nada. Nenhum sabe, ao certo ou ao errado, o que faria ou poderia fazer se lá chegasse. Vão falando de coisas. Que coisas? Coisas. Coisas que jamais lhes competirão: saúde, educação, habitação, corrupção, blabla, etc. Ah, pois, aí está! Resta-lhes velar pelo regular funcionamento da democracia. Mas ninguém sabe ao certo o que isso é. À falta de melhor, inventa-se ao sabor do momento. Vale tudo. Dizem e contradizem o que lhes der na gana.
Depois do debate, o debate continua. Chusmas de comentadores, comentadeiros e comentadistas, debatem-se, cheios de calores, amores e raivinhas, a promover a “imagem” de cada um. Ali, na hora, em cima do acontecimento. O mercado de opiniões a funcionar. Um modo de vida, se calhar bem pago.
Falando a sério, que o assunto é (deveria) ser sério. E se a Constituição não fosse uma confusão, não seria bom para todos? Se o Presidente desta República fosse eleito no parlamento, de preferência via consenso? Um tipo honesto, boa figura, de uma certa idade, sem rabos de palha nem esqueletos no armário, para ficar bem em paradas, cerimónias, visitas de Estado, ratificações, promulgações e nomeações formais, e pronto, como na Alemanha ou em Itália. Representante do Estado, ou da República, como queiram. Sem manias de representar as pessoas, “todos os portugueses”, ou palermices do género.
Porquê eleições gerais para um cargo sem poder político, com umas funções que ninguém sabe ao certo quais são e que acabam por ser exercidas das formas mais canhestras ou mirabolantes?
Eu sei que ninguém quer rever a Constituição. Percebe-se. Mas , se fosse para acabar com os debates, se calhar valia a pena.
O IRRITADO não tem nada a acrescentar ao que diz o universal coro de elogios a Francisco Balsemão: está de acordo com a generalidade de tais elogios, e não lhe passaria pela cabeça pô-los em causa. Se não fez a seu tempo, não é agora, manifestamente, altura para o fazer.
Posto isto, haverá a deixar duas observações, não sobre o ilustre defunto, mas sobre algo do que se disse no que respeita às alterações operadas ao regime político em 1982. Uma tem a ver com a substiuição da tutela militar atribuída ao Conselho da Revolução pelo Tribunal Constitucional, alteração esta universalmente e exclusivamente atribuída pelo coro, nos últimos dias, a Francisco Balsemão. Não é justo. Os partidos da AD, unanimemente, propunham tal medida. O PC e quejandos opunham-se. Era preciso o voto do PS, partido carregadinho de esquerdismo bacoco, do qual ainda hoje subsistem sinais. Não é justo atribuir todos os méritos do caso a Balsemão, esquecendo a tremenda luta interna de Mário Soares para convencer os seus a aceitá-lo. O IRRITADO nunca foi adepto de Mário Soares, ainda menos do Partido Socialista. Mas há alturas em que se deve aplicar, para o bem e para o mal, o princípio popular que reza “o seu a seu dono”.
Outra observação acerca da alteração ao regime que foi esquecida pelo coro: o Presidente da República deixou de ter poder para demitir o governo, substituindo-o por outro, “de iniciativa presidencial” (Pintasilgo, Nobre da Costa...). Haverá ainda quem se lembre da furibunda “guerra” desencadeada a tal respeito pelo Presidente Eanes, contra o PS e a AD, ao ponto de vir a formar um novo partido proto-socialista, aliás de triste memória, organização que, de braço dado com o PS, seria responsável pela queda do primeiro governo de Cavaco Silva. O PRD morreu cedo e não deixou saudades a ninguém.
PS: Muitas outras importantes alterações à Constituição foram propostas em 1982, a maioria das quais liminarmente chumbadas pela esquerda. Algumas tiveram que esperar 7 anos para ver a luz do dia. Outras nem isso. C’est la vie.
Estamos a entrar na fase mais inútil e contraproducente das jornadas eleitorais a que temos sido submetidos. E aí vamos, ou não vamos (temos essa liberdade) votar num senhor - entre inúmeros outros (quantos são, quantos são?) – que, por sua alta recreação, resolveu que queria ser Presidente da República. Ou chefe do Estado, como lhe chamam. Um senhor que representa a República, e mais nada senão a República, embora, uma vez empossado, venha dizer aos quatro ventos que representa o País, a Pátria, os Portugueses, a Nação, a História, a Cultura, a Tradição, e mais o que lhe vier à cabeça. Nalgumas coisas, a nossa bem-amada Constituição há-de estar certa: o Presidente da República representa a República, e mais coisa nenhuma.
Não sei se haverá à nossa volta algum país em que o Presidente seja eleito por sufrágio universal para ser titular de (quase) nenhum poder. É claro que a nacional bem-pensância lhe inventa uma série de “funções”: a “magistratura de influência”, o poder do bom (?) conselho, o comando supremo das forças armadas – muito útil em paradas militares e coisas do género – e outros títulos de glória. Poder político só tem um: o de dissolver o parlamento quando lhe der na cabeça. Tem-se visto o resultado.
Aqui na nossa vizinhança, o único Presidente eleito por sufrágio universal é o de França, regime semi-presidencial, ou seja, o Presidente é o titular máximo do poder político com limites parlamentares, responsável por um governo de sua escolha. O nosso regime diz-se semi-presidencial, mas de presidencial nada tem. Ou seja, somos levados a votar para nada, ou pior, a pôr no topo da República uma pessoa a quem não conferimos poder político. Em países mais sensatos, o Presidente é escolhido pelo parlamento para funções protocolares de representação do Estado, ou da República, se quiserem. Geralmente, uma pessoa universalmente prestigiada a quem se confere funções de representação que estão para além do poder político propriamante dito: caso da Alemanha ou da Itália, por exemplo.
De resto, nas melhores democracias da Europa foi mantido o regime monárquico, em que o mais alto representante do país é escolhido por sucessão com investidura parlamentar. Daí, o Rei, para além de se ocupar das funções protocolares do cargo, poder legitimamente e em total independência representar as mesmas coisas ou valores a que os nossos tristes presidentes costumam arrogar-se sem legitimidade para tal.
Não sei se haverá algum país com uma sistema como o nosso. Se há, coitado dele.
O IRRITADO, para quem tinha o costume de o ler, se não está morto, parece. Facto é que a inspiração, a confusão, apreguiça, a velhice, etc., têm atingido proporções indesculpáveis, pelo menos para o próprio.
Cá das catacumbas, aqui vai o que está a pensar sobre a nacional-piolheira.
A esquerda tem os chavões do fascismo, da “extrema direita”, do “ódio”, e não passa disso. Deste lado, esperava-se melhor do PS. O novo rapaz, que parece querer tomar conta da casa, anunciou-se como “moderado”, uma espécie de Olof Palme, de Helmut Shmit ou, vá lá, de Mário Soares. Tudo mentira. Começou por nomear uma espécie da brigada do reumático (não dei se já houve que se tenha lembrado desta) onde albergou toda a tralha do partido, a velharia, os monos, os rapazes do PNS, e chamou àquilo “conselho estratégico” ou coisa que o valha. Em conformidade, pôs-se “ao ataque”. Em vez da prometida “oposição construtiva”, desatou aos gritos. Ao ponto de “denunciar” a “coligação” do PSD com o Chega. Quando o PS votava com o dito era coligação? Ninguém o disse. Mas o que interessa, diariamente, insistentemente, ao rapaz, é o botabaixismo, a não alternativa, o não diálogo seja com quem for. “Arranjos” só no Largo do Rato. Depois queixem-se, e o Chega agradece. Não sei o que aconteceu à inteligência (ou aos restos dela) no PS, mas é evidente que o resultado desta estranha continuidade política terá por inevitável resultado, não o descrédito do PSD mas o reforço do Chega.
Como sabe quem (ainda) o procura, o IRRITADO nunca gostou do Chega. Não aprecia a “verve” tonitruante do chefe, não gosta dos tipos façanhudos e ameçantes nem das espernéficas senhoras que o rodeiam ou que ele manda à TV. Acha que não se resolve nada com o espalhafato daquela gente, bem pelo contrário.
A moribunda esquerda* usa o mesmíssimo argumentário do Chega com uns pòsinhos de “humanitarismo” de cordel, preciosa colaboração para fazer do PSD o bombo da festa. Demita-se este ou aquela, umas comissões de inquérito, uns mini-argumentos que ribombam na chamada comunicação social como se fossem bons, e é tudo. Não se sabe, mas calcula-se onde o rapaz e quejandos vão parar.
Os que isto lerem dirão “lá está o gajo a defender o Montenegro”. Têm razão. Defende o Montenegro porque, por um lado, acha que o homem pode ser capaz de alguma coisa interessante e, por outro, porque não tem outra escolha.
*PCP excluído, que já nem dos moribundos faz parte.
Já lá vai um ror de anos, um conhecido meu, quadro da administração pública de um PALOP, veio ter comigo para fazer um pedido. A minha mulher, disse, que é professora do liceu lá na terra, foi seleccionada para vir para Lisboa fazer um curso de aperfeiçoamento profissional (ou coisa do género) contando ficar por cá uns dois anos. Parabéns, respondi. E ele continuou: queria pedir-lhe o favor de me emprestar 600 contos. Fiquei passado. 600 contos, ao tempo, era muita massa. Para quê?, perguntei. Para comprar uma barraca atrás do estádio do Sporting. O meu espanto não tem descrição. Aquele era o tempo da erradicação, aliás bem sucedida, das barracas de Lisboa. E, ingénuo, disse: eh pá, você não está bom da cabeça, gasta os 600 contos e, passados dias, vai lá a Câmara e deita-lhe a barraca abaixo! O homem não desarmou. Pelo contrário. Respondeu com irrefutável lógica: pois é isso mesmo, meu amigo, a Câmara deita a barraca abaixo e dá-me uma casa nova, de pedra e cal, percebe?
Percebi. Não lhe emprestei o dinheiro nem me lembro se o voltei a ver.
Naquele tempo quase não havia imigrantes. As barracas eram muito, mas muito, menos, e mais portuguesas que hoje, havia mais construção, o cavaquismo tinha posto isto a mexer menos mal, o Soares filho estava na CML... Hoje, nascem como cogumelos, os preços da construção disparam, ninguém faz casas baratas... Resultado, as Câmaras de Loures e da Amadora, no cumprimento das normas em vigor, mandam demolir centenas de barracas. As Mortáguas & Companhia, a esquerda em geral, gritam pelos direitos humanos, pelo humanitarismo, o diabo a quatro (nada há tão cínico como a esquerda). Do Presidente da Amadora não ouvi nada. O de Loures declarou que “tinha que ser”, cumpriu-se o que está legislado, na certeza de que ninguém ficará a dormir ao relento.
Partindo do princípio que o homem cumpre o que diz, isto é, que tem alguma solução, provisória que seja, para não deixar as pessoas sem teto, porquê tanta polémica?
Por outro lado, a reacção dos atingidos. Foram aproveitar a tal solução provisória? Segundo as notícias, nem pensar. Foram construir, ou reconstruir barracas noutro sítio. Se calhar descobriram a solução preconizada pelo meu conhecido africano: assim, é capaz de ser mais fácil passar à frente na bicha quando houver casas para distribuir...
Aos tristes portugueses, através de múltiplas estações de “informação”, é-lhes agora “oferecido”, horas a fio, um repugnante espectáculo: um aldrabão diplomado ataca o mundo, à borla, com as suas intermináveis diatribes. Chusmas de indivíduos, ditos jornalistas, oferecem ao fulano horas de telejornais em que as tais chusmas, pacóvias, histéricas, frenéticas, gritam perguntas destinadas a deixá-lo inundar-nos com avalanches de “bocas” repetidas à exaustão. O homem condena juízes, procuradores, polícias, tudo o que mexe, para nos meter na cabeça que ele, cidadão honesto, impecável, impoluto, é perseguido por tal gente, coitadinho, vítima indefesa de rebuscadas cabalas.
Segundo parece, o inacreditável “engenheiro”, dito Sócrates, tem o direito a ser julgado, embora tenha feito o possível e o impossível, o imaginável e o inimaginável, para evitar tal coisa. Se está inocente, como diz, porque não quer, ou não queria, ser julgado?
Pergunta o IRRITADO: não entende o réu que basta o que já em tempos disse de si mesmo para se saber de ciência certa que se trata de um pendura miserável, que para desonesto lhe faltam as asas, que não lhe assiste qualquer sombra de escrúpulo? Ainda não percebeu que já está julgado pelo povo e que o veredito é culpado?
E ainda, as questões principais: não percebem os “jornalistas” e os respectivos chefes que o tipo não merece que percam tempo com ele? Que nós não merecemos a palhaçada diária das suas bocas? Que devia haver alguma dignidade informativa em vez da exploração ad nauseam da verve ordinária e aldrabófona do réu? Que seria sua deontológica obrigação poupar-nos a este miserável ciclo de oportunismo soi disant informativo?
Perguntas sem resposta, é certo. Mas não é mau que aqui fiquem.
O IRRITADO não tem o hábito de se abster quando há eleições, nem entende lá muito bem porque tem votado nas presidenciais. Desta vez, vai ser coerente: não vota. Já o disse, não sei de nestas páginas se noutro sítio qualquer.
Olhem para isto. Dos candidatos que importam, temos três. O Marques Mendes, que não é má pessoa mas não entusiasma ninguém; o putativo Seguro, que não é antipático, que, coitado, até já foi vítima da maior traição da triste história política da III República e que, se tivesse juízo, não se sujeitava a ser traído de novo pela gentalha burgessa e ordinária a que (ainda!) está ligado e que não lhe liga nenhuma; e o soldado oportunista que escolheu como principal aliado e magno trunfo um tal Rio, de horripilante memória. Outros candidatos? Nem pensar, nem para raminhos de salsa servem.
Parece que o militar goza da preferência dos do Chega e de uma dúzia de nóveis dissidentes do PSD. Apanhará os restantes na segunda volta, se a houver.
Um presidente eleito directamenle mas sem poder político é uma contradição nos termos. Resta-lhe a "magistratura de influência", patacoada em voga. Só serve para baralhar e mandar bitates e/ou beijinhos, para além de dissolver o parlamento quando não há outro remédio ou quando lhe der na presidencial gana, como já aconteceu. Não passa de um perduricalho do regime. De resto, não pesa, mas é pesado .
Na Europa mais próxima da nós, é uma triste originalidade. Só em França o PR é eleito directamente. Mas é o chefe político do governo e do país, com limitados limites (passe a expressão) parlamentares e judiciais. De resto, à nossa volta (Itália, Alemanha...) os Presidentes são figuras escolhidas pelo parlamento, de entre pessoas com prestígio pessoal generalizado, capazes de desempenhar as funções protocolares e de representação do Estado de que a Constiuição os encarrega. O resto são Monarquias. Umas sete. As Monarquias europeias “presidem” às melhores democracias do mundo. Com aprovação parlamentar praticamante unânime, representam o que os partidos políticos – que são “parciais” por natureza, e bem - não podem fazer : a História, a cultura, a nacionalidade, a “maneira de ser” de um povo, a tradição, a unidade do Estado, enfim, o que é comum a todos e é base da razão de ser das comunidades políticas indepemdentes.
Não sei se é a nostalgia de um Rei que está (consciente ou inconscientemente) na origem das preferências dadas ao militar auto proclamado independente, pelos portugueses. Mas não é absurdo pensar em tal. As Monarquias que se mantiveram na Europa demonstram-no à saciedade. As 2 Repúblicas que já tivemos e a que temos, também.
Uma boa: deixámos de correr o risco de ter como PM um rapazola que já foi (ainda é?) um mortáguazinho parlapatão, um queixinhas miserável, um tipo que andou meses sem outro argumento que não fosse o de denegrir o adversário. Até na noite da derrota, de lágrima no olho, voltou à mesma, um ataque pessoal descabelado e saloio. Em princípio, voltará a comprar e vender imóveis, actividade em que parece ter vastas qualidades e meios.
Outra boa, ainda que subsidiária e não garantida: pode ser que arranjem, lá no Rato, um substituto minimamente decente; pode ser que até nos vejamos livres dos dislates da Ana Gomes e do antipático peso da Alexandra Leitão, duas bombásticas chatas, duas torquemadazinhas sem peias. Isto sem contar com artistas menores, como os manos Mendes e quejandos. Eu sei que é pedir demais, mas, enfim, pode ser que ainda haja alguém com um mínimo de bom sendo nos armazéns da agremiação.
Outra ainda, também das boas: a odienta Mortágua foi a única sobrevivente do naufrágio. Nem a brigada do reumático lhe valeu. Resta saber quantas grávidas e/ou mães, solteiras ou casadas, vai despedir desta vez.
As más são de peso. Governar vai ser uma tragédia. Há maiorias possíveis mas ninguém as quer. O Chega vai continuar aliado ao PS quando lhe apetecer, coisa em que se profissionalizou. E, em matéria de estorvo, continuará igual a si mesmo, palavroso, contraditório, demagogo, populista e sem nada a propor para além das conhecidas alarvidades. Os minhocas da IL já andam a tirar o cavalo da chuva, uma pena, uma falta de vergonha e do chamado sentido de Estado. A fulana do PAN lá estará a chatear de vez em quando. O rapaz do Livre continuará a não perceber que algum pensamento decente que tenha jamais será realizado, como nunca foi, pela esquerda. O PC não interessa.
Guardei a melhor para o fim: ganhou o mais capaz. E, em terra de cegos quem tem um olho é Rei. Boa sorte.
Faltam (a PNS) certas qualidades. Por exemplo, não tem classe, nem encanto, nem credibilidade, nem compaixão, nem inteligência, nem cordialidade, nem sabedoria, nem subtileza, nem sensibilidade, nem autoconsciência, nem humildade, nem graça. O que coloca as limitações de PNS num relevo confrangedoramente acentuado. Nunca disse nada de irónico, espirituoso ou sequer ligeiramente divertido. Falta de humor é quase desumano.
(Com base num texto de Nate White)
No meio de uma campanha feita de acusações falsas ou pobrezinhas, de propostas estrambólicas ou redundantes, de exibições histriónicas ou ridículas, de ideias parvas ou contraditórias, de “visões do futuro” vazias ou (mal) copiadas, este fulano prepara-se, se a situação parlamentar se repetir (t’arrenego!), para renovar as alianças com o Chega quando for preciso e para paralisar tudo o que cheirar a reforma. Um Sócrates sem “chama”, um Costa paralítico.
Se eu quisesse caracterizar o homem utilizando o seu entourage pô-lo-ia lado a lado com as suas aias Ana Gomes e Alexandra Leitão. Já agora, acrescentava os heréticos Pacheco Pereira e Tavares do Público.
Num, perorava o Rosas, membro da trupe do reumático que vai concorrer a eleições com os colegas Fazenda, fervoroso albanês dos tempos do Enver Hoxa, e o Louçã, sacristão do trotzkismo com assento em toda a parte.
Noutro, esganiçava-se a Ana Gomes, membro de topo da brigada da polícia de investigação política dos nossos dias.
Noutro ainda, o coitadinho do PC, Raimundo, a marchar pela Palestina com os bolorentos restos do partido e do Bloco, ele, o mais feroz nacional-apoiante do Putin.
E noutro ainda, ou num deles, já não sei, tive o enjoo de ouvir o nosso mais requentado profeta do marxismo, o famoso Boaventura S. Santos, coitado, perseguido por umas ordinárias a quem queria tanto, tanto bem...
Apesar de tudo o que isto quer dizer quanto ao estado da nossa informação, houve uma coisa boa: o casalinho PNSantos/Ventura não me apareceu, ou não me apareceu depois de eu mudar para a Netfix.
Hoje, uma trupe de jornalistas, comentadores et alia, veio insurgir-se, pletórica de entusiasmo, contra Carlos Moedas. Porquê? Porque o homem teve o despante de dizer que tinha mandado uma inspecção a casa de Luís Montenegro a fim de ver se as respectivas obras estavam de acordo com os regulamentos camarários. Pior, o homem disse que não tinham sido detectadas irregularidades.
Crime de lesa classe, a dos jornalistas, comentadores et alia.
Então o Moedas não sabe que é proibido dizer tais coisas? Não sabe que o que está a dar é dizer cobras e lagartos do PM, com razão ou sem ela? Não chega não teram provado nada quanto à lei dos solos, nem terem podido dizer que o homem se preparava para, um dia, vir a fazer negócios escuros de milhões com terrenos e construções, como desejavam os interesses dos policias que, sob o nome de “escrutinadores”, enxameavam o país? Então o Moedas não sabe que, seja qual for o motivo, a resposta, a justificação, o PM não tem direito a nada, tudo o que disser é pouco, ou não vale um cararcol? Não sabe que, haja o que houver, nada chegará para esgotar o filão? Ainda não viram como, por mero exemplo, opinadores outrora tidos como da área política do Montenegro (como o Tavares do “Público”), se assanham nas “investigações”? Ainda não perceberam o que é a “moral” republicana?
Moedas não viu que tudo minha gente colabora no que está a dar, ao ponto de até a ciganagem do Chega alinhar , activíssima, no movimento?
Os Moedas do nosso tempo estão fora de moda. O que está na moda são os descobridores do que interessa e dá manchetes, os bufos, os pides democráticos, os anónimos, os jornalistas, os comentadores et alia.
Ontem, a no Palácio Real da Ajuda, o Presidente da República Portuguesa ofereceu um jantar de Estado ao ao seu congénere francês.
Como é hábito protocolar, os discursos dos presidentes, nestas ocasiões, referem as relações de amizade entre os dois países, fazem os justos elogios políticos e pessoais que a diplomacia exige, falam de laços culturais, históricos, sociais, etc. Tendo sido assinado algum acordo, poderão referi-lo como sinal de maior aproximação política, e por aí fora, sem entrar em assuntos polemizáveis.
Foi o que fez o Senhor Macron. O Presidente R. de Sousa, pelo contrário, presenteou os convidados muito para além das palavrinhas da praxe, com uma formidável diatribe contra o senhor Trump. O IRRITADO até gostou, o homem tem toda a razão nas suas denúncias, mas daí a virem a propósito vai uma grande distância. R. de Sousa até podia ter dito umas palavras sobre as perigosas alterações à vida internacional a que vimos assistindo e até, a tal respeito, ter elogiado os esforços do seu convidado. Mais do que isso, o momento (e o protocolo) não justificava. Foi, aliás, preciso a Madame Macron começar uma tímida ovação a que o espanto do respeitável e embasbacado público correspondeu quase a medo.
Hoje, a inocência ou a velhice idiota do IRRITADO esperavam alguma reacção da nossa chamada “comunicação social” e dos batalhões de opinadores ao seu serviço. Porém, nada. Nem para elogiar, nem para condenar, nem para comentar, sequer para noticiar. Eu sei que não li todos os jornais, nem vi todos os telejornais, mas para ajuizar chega o zero de que o caso foi objecto.
Que pensar? Será que as limitações impostas por Trump à opinião e às notícias já estão em vigor em Portugal? Ou será medo? De quê? Responda quem souber.
Há vinte e tal anos, um Senhor com maiúscula, chamado Valéry Giscard d’Estaing, resolveu elaborar um documento a que chamou “Constuição Europeia”. Não chamava à Europa “confederação”, mas para lá caminhava, fiel a uma máxima em voga que postulava que a Europa era como uma bicicleta que, se deixássemos de pedalar, morria na estrada. A ideia era criar um poder político comum que fosse mesmo poder. É claro que a ideia foi liminarmente parar ao caixote do lixo da História.
Os europeus pedalaram, só que não no sentido da tal “constituição”. Em vez de enveredar num rumo político, pedalaram na direcção burocrática. Ao mesmo tempo que a representação diplomática da Europa nunca passou de uma anedota, as matérias de “soberania” europeia foram esquecidas e a organização dedicou-se a fazer regras e regrinhas, a dedicar-se a regulamentos minhocas... e a gastar dinheiro sem qualquer sentido político. A Europa da segurança, a Europa da defesa,a Europa industrial, a Europa como poder real neste mundo, nunca existiu. Agora, todos levamos no focinho com a irrelavância do continente, orgulhosamente mergulhados em carros eléctricos, painéis solares e moinhos de vento. Teoricamente, ó ilusão das ilusões, andamos entretidos a “salvar o planeta” (entidade cósmica que se está nas tintas para tal “salvação”).
Vamos a tempo de fazer alguma coisa a este respeito? Duvido. Estamos divididos. Há pouco quem queira tomar rumo num rebanho que, aos poucos, vai passando a saco de gatos.
Não há, nem jamais houve, “Constituição” que nos valha.
O mandato do engenheiro Joaquim Ferreira do Amaral ficou marcado pela construção da ponte Vasco da Gama, pelo alargamento da ponte 25 de Abril e pela introdução, nesta, do caminho de ferro, entre outras coisas. Começou a ser perseguido porque a Ponte nova ia dar cabo da passarada da Reserva Natural do Estuário. Ouvida a melhor especialista em tal matéria, borrifou nos “ecologistas” fundamentalistas. A ponte foi construída. Verificou-se que as aves não ligaram nenhuma às ameaças e continuaram a andar por ali, ali vivendo, ali se reproduzindo em paz e sossego e por ali migrando.
O Estado resolveu entregar a exploração das pontes a uma empresa privada. Nova perseguição. O eng. Ferreira do Amaral, escolhido para presidir a tal empresa, era um explorador do povo, um oportunista, um tipo das “portas giratórias”, o diabo a quatro. Ocorre-me perguntar se haveria em Portugal melhor gestor ou alguém melhor preparado para a coisa. Mas a vozearia continuou. Um taxista, um malandro, a taberna do costume levou anos para se calar.
A que propósito vem isto, tantos anos depois? Resposta: a propósito da nova “moral republicana”, sempre pronta às mais variadas perseguições. Vejam esta: a família do Primeiro Ministro tem uma empresa com fins de consultadoria imobiliária, em cujo objecto social figura a compra e venda de patrimónios. Crime! Ofensa à “moral republicana”, coisa que ninguém saberá o que é, mas que serve para as mais rebuscadas perseguições, como no caso dos passarinhos do estuário.
Vejamos um exemplo: o governo, bem ou mal, quer levar por diante uma lei que autorizará os municípios a libertar terrenos sem uso agrícola ou reseva ecológica para construção de habitação. Portanto, rezam os taberneiros da ecologia, o Primeiro Ministro prepara-se para construir prédios em tais terrenos. A lei ainda não foi aprovada, o homem não faz ideia de que terrenos serão “libertados”, nem por que Câmaras, nem onde. Mas a taberna vê longe: pode ser que, um dia... por isso o homem é um malandro. Ponto.
Há quem pergunte porque é que os “melhores” fogem da coisa pública como o diabo da Cruz, ou porque é que o sonho de qualquer bom estudante é dar o fora para onde não se seja perseguido e até se ganhe melhor. É que a alcateia moralista e “ecológica”, à esquerda, à direita e ao centro, prolífica em processos de intenção, com os media às ordens, se atira, com razão ou sem ela,a tudo o que mexe.
Depois queixem-se da descida de qualidade dos políticos e da política. Parece, e é, que só lá chega quem tiver como único currículo, o partidário. Os outros, mesmo que os partidos os quisessem, não estão para ser perseguidos, seja por mal fazer, seja por poder um dia vir a fazê-lo.
Hoje, em magistral artigo, JMTavares denuncia a brutalidade do Augusto Santos Silva na diatribe furibunda com que tratou AJSeguro na entrevista em que ontem tratou de o aruinar como eventual candidato a PR. Foi demais. Mas foi, valha-nos isso, esclarecedor. O bruto inventou um novo Presidente. Traçou-lhe um formidável perfil, tantos foram os poderes, as funções, as dignidades, as prerrogativas e mais não sei quê, que lhe atribuiu. O PR passou a ser chefe diplomático, comandante da tropa, dominador dos PALOPS, professor de moral, representante máximo de tudo e mais alguma coisa, etc.. AJSeguro passou a mero desgraçado, talvez bom para adjunto do presidente de uma Junta de Freguesia em Trás os Montes. Ou nem isso.
O que vai na cabeça deste monstro? É simples. Temos diante de nós o mais importante candidato à Presidência, o candidato do “verdadeiro” PS, o PS de Sócrates, o PS de Costa, o PS dos obscuros bastidores, da geringonça, do oportunismo, o PS sem escrúpulos, sem limites políticos, o PS capaz de desvalorizar as vitórias dos outros e levar ao altar as suas próprias derrotas, o PS do vale tudo, o PS que atropela, que “malha”, que destrói, que arruina.
A S.Silva só faltou acrescentar (ou, sem o dizer, acrescentou) que, no perfil napoleónico que definiu, só cabe um homem, ele mesmo. Qual Seguro, qual Vitorino, qual Almirante. Algo de mais alto se alevanta, ele ali está, à disposição do futuro e à recuperação do passado que serviu caninamente, o passado dos grandes e admiráveis líderes, a saber: Sócrates e Costa, a quem sempre foi ferozmente fiel.
O IRRITADO não dá às presidenciais importância de maior. São um erro crasso da Constituição que ainda ninguém se lembrou de emendar. O sufrágio universal para a Presidência, ou serve para eleger o chefe do governo, como em França, ou para nada, ou quase. O representane máximo do protocolo do Estado é, na Europa a que pertencemos, ou um Rei, ou um Presidente, ambos parlamentarmente confirmados ou eleitos. No nosso infeliz caso serve para invenções mais ou menos ridículas, para arranjar lutas e chatices eleitorais sem sentido e para dar terreno a galifões.
Muito se tem dito e escrito sobre a história de um senhor que caíu do trono, parece que por andar com uma subordinada. Coisas que têm a ver com um código qualquer em vigor na empresa onde trabalhava, ou trabalha. Ponto. Sem comentários.
Comentário merece o artigo sobre o assunto escrito de um senhor Tavares (um fulano que não é carne nem peixe, nem antes pelo contrário) no Público de hoje, o qual, para além de achar muito bem o que aconteceu ao tal senhor, vem declarar que ele dava “facadas no matrimónio”, o que corresponde a entrar na vidinha do homem com informação ainda não confirmada por ninguém, isto para além da não interessar para o caso e de só ter a ver com a vida mais que privada do dito.
Mais importante que isto é a “justificação” da origem do caso: uma denúncia anónima. Com razão ou sem ela, fica provado que as autoridades, da empresa no caso, mas válido para todas, se servem da bufaria para, as mais das vezes, outra coisa não fazerem que dar cabo da vida de alguém.
Um bufo é um tipo que diz o que lhe apetecer de forma totalmente irresponsável. No tempo da PIDE, compreendia-se, os bufos eram uma das mais distintas fontes de informação da polícia. Pensar-se-ia que neste Estado de direito, as denúncias anónimas teriam como destino o caixote. É evidente que tais denúncias se destinam a prejudicar terceiros, sem assumir qualquer responsabilidade. Mas é o que está a dar, até oficialmente. A polícia, a procuradoria, as “redes”, tudo minha gente contribui para a impunidade, e para a credibilidade, dos bufos.
Pensem nisto e peçam aos anjinhos que não haja algum tipo que não os grame a vir dizer que assaltaram um banco. Tudo mentira, mas o mar de chatices é capaz de levar anos a acalmar. Exemplos não faltam.
Andam as gentes entretidas, ou anda gente entretida a entreter as gentes com o terrível problema das eleições presidenciais. Acastela-se a lista dos presidenciáveis, mais baixos e mais altos, mais gordos e mais magros, mais espertos e mais burros, um fartote.
Parece que há para aí uns problemas – nacionais, europeus, globais – que mereceriam mais atenção. Mas, quem é o IRRITADO para vir falar em tais coisas? Se o que está a dar é a presidencial história, vamos a ela.
Havia uma senhora ministra que, para além de ter posto o SNS a pão e laranjas, demonstrou a sua fatal e generalizada incompetência durante a crise do covide. É hoje alta figura do PS, deputada europeia, presença obrigatória nos jornais, etc., o que muito diz sobre os doutos critérios do partido. À altura, em rara crise de inspiração, alguém foi buscar um senhor a um submarino, pô-lo à tona e, caso raro, o homem tratou de vacinar a malta – e de ”safar” a ministra. Muito bem. Parabéns. O homem foi promovido a Almirante, depois a chefe da Armada. Aposto que vai receber umas condecorações. Pelo caminho, foi dando umas dicas que muito emocionaram os nacional-opinadores, ao ponto de o meterem em sondagens apontadas à presidência da República.
Segundo tais sondagens e de acordo com a impressão generalizada do pagode, o homem do covide está à cabeça na intenção de voto dos portugueses. Conclusão: os tais portugueses querem um tipo que não tenha nada aver com os partidos políticos. Ou seja, um cidadão que, não representando ninguém, não sendo burro e tendo boa imagem estética, reuna as condições para representar todos.
(segundo a habitual propaganda dos próprios, o PR representa todos os portugueses. Não representa – a Constitução diz que representa a República, o que é outra coisa)
Adiante. Admita-se o que é geralmente aceite. Perante as “propostas” das sondagens nem um só dos politicões da lista chega aos calcanhares do almirante.
Varerá pena fazer uma viagem pelos países que nos são próximos, aqui, na democrática Europa. Que me venha à cabeça só há, nas repúblicas, um chefe de estado que governe: o Presidente da República francesa, eleito pelo povo para representar o país e chefiar o governo. Os demais dependem de eleição parlamentar e destinam-se a funções protocolares de representação e a dignificar o sistema. Nas monarquias, acabada a legitimidade “divina”, os reis são legitimados pelos parlamentos. Não têm limites de mandato, têm sucessor constitucionalmente aceite e gozam de prerrogativas formais, representando o Estado e o seu povo (diz-se que são “caros”, o que não passa de atoarda sem qualquer sombra de adesão à verdade).
Poderá então dizer-se que os portugueses, os das sondagens e os da rua, andam à procura de um rei? Direi que, circunstancialmente, não. Os portugueses estão por demais “republicanizados”, por razões que aqui não cabem.
Mas, e substancialmente? Quem sabe, se, lá bem no fundo e talvez sem tomar consciência disso, não queiram ver-se livres desta quiquenal pessegada?