Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CRITÉRIOS E “CRITÉRIOS”

 

Aqui há dias, um amigo chamou a minha atenção para um debate na TVI entre André Ventura Miguel Sousa Tavares. Acabo de o ver.

Ventura, em resumo, disse que é contra o racismo, que acha que os que insultaram um futebolista com impropérios de cor de pele devem ser investigados e punidos, que se opõe ao racismo e à xenofobia em todas as suas manifestações.

Acrescentou que o caso acima tinha servido para criar uma acusação generalizada de racismo a toda a sociedade portuguesa, o que ele considera falso e inaceitável e que há uma enviesada interpretação de diversos factos que, sendo da mesma natureza, são considerados racismo se praticados por brancos e mera agressão se os seus autores foram de origem africana.

Por um lado, repetiu o óbvio, a indignação, a gravidade do acto dos adeptos do Guimarães e a sua clara condenação dos mesmos. Por outro, indignou-se com o facto inegável da existência de dois critérios opostos quando se trata de membros da maioria branca ou da minoria negra, aquela criminosa e racista, esta coitadinha e angelical.

 

Entre parêntesis, recordo a morte de um caboverdiano numa rixa de rua, que a esquerda fez tudo para transformar num crime de raça, sem o ser, e no assassínio de um estudante de engenharia branco por três gatunos guineenses, que nem uma palavra motivou, passando a criminal fait divers, sem direito, sequer, à identificação dos assassinos como negros. Na minha opinião, tanto os que mataram o caboverdiano como os assassinos do estudante eram pessoas, não brancos ou pretos, só que, no primeiro caso, foram automaticamente classificados de brancos (não se sabendo se o eram) e, no segundo, a cor da pele era coisa assessória, que era melhor não constar.

 

Queiram ou não, Ventura tem razão. Mas Miguel S. Tavares acha que não, e insiste que Ventura acha muito bem que tenham insultado o futebolista, que é racista e xenófobo, etc., a lista do costume. Diga Ventura o que disser, a classificação está dada, adquirida, certa. Valha-nos a tunda que Ventura lhe deu, bem merecida por quem tresouve o que lhe dizem, na sanha de fazer passar a opinião “ciêntífica, oficial, correcta e adquirida”.

Não sou eleitor do Ventura, mas acho que a esquerda em geral e a direita em particular, se não gostam dele, ou passam a ouvi-lo com mais cuidado e a não lhe responder com chavões, ou acabam por o tornar um herói para muito mais gente do que supõem.

Finalmente, diga-se que, como Ventura, acho um insulto, uma provocação ignóbil, uma inverdade absoluta, dizer que a sociedade portuguesa é racista, coisa que, criteriosamente e sem vergonha, a esquerda insiste em criar, seguindo à risca as “ideias” da mais racista de todos os portugueses, dona Joacine (seria Joaquina à nascença?). Para quê?

 

19.2.20

FAKENEWS

Isto de notícias tem muito que se lhe diga. Um homem morreu depois de estar quatro horas à espera na urgência do hospital. Quatro horas? Ninguém sabe, já que, na mesma reportagem, a menina diz que foram três horas e meia e, no rodapé, aparecia, por escrito, que foram três horas. Fiquei à espera que dissessem que o infeliz tinha morrido à chegada. Bons exemplos que o governo dá.

Para ter uma ideia do que são certas notícias, sobretudo as que vêm do governo, olhem a história maluca do Metro de Lisboa, inacreditavelmente objecto de uma decisão parlamentar. Em três dias, distintas e ministeriais personalidades declararam a)que estavam perdidos oitenta milhões de euros em dinheiros da UE, b)que nada estava perdido e c)que, pelo menos parcialmente, o taco seria recuperado. O chefe dessas criaturas pôs ponto final na discussão: d)está tudo perdido!

Quem sabe o que o homem queria dizer com isso: que está mesmo tudo perdido, ou que só  o está uma parte, ou que tudo é recuperável? Na minha opinião, pode ser tudo “verdade”. Vejamos: se estiver tudo perdido, assunto arrumado, esqueçam. Nas outras hipóteses, será uma das habituais jogadas da criatura, ou seja: se recuperar algum, fará três discursos no parlamento, convocará duas conferências de imprensa e fará uma visita a Belém, a louvar o seu feito; se recuparar tudo fará o mesmo, mais um jantar comemorativo e um baile de máscaras, com charamelas e fogo de artifício.

O terreno fica preparado para tudo, em qualquer dos casos a “informação” colaborará activa e respeitosamente, e concluir-se-á que o primeiro-ministro só disse verdades. Os ministros também. Tudo na maior...

...E o foguetório governamental sobre o aumento da produtividade nacional? Segundo um tal Centeno, em 2019 o país “cresceu” dois por cento, mais zero vírgula do que estava previsto. Do Terreiro do Paço, a coisa foi anunciada como sensacional, fantástica, mais uma enorme vitória da geringonça e, claro, do tal Centeno e do chefe Costa. A criatura esqueceu-se de dizer que, em 2018, o crescimento foi de dois vírgula quatro por cento. Justifica-se: não vinha a propósito. Aqui está uma verdade que, substancialmente, é uma mentirola parvalhona.

 

19.2.20

PROPAGANDANÁSIA

É compreensível que se fale tanto de eutanásia, uma descoberta das esquerdoidas do BE a que o PS, como de costume, se submeteu, acompanhado pelos animalescos, pelos “liberais”, pelos inexistentes Verdes e pelo defunto Livre.

De um modo geral, na chamada comunicação social, têm sido equilibradas as referências ao assunto, prós e contras são conhecidos pela generalidade das pessoas. Nisso, com poucas excepções, tem havido algum equilíbrio. Mas essa maravilha de “independência” jornalística chamada “Expresso”, mais uma vez toma partido sem, angelicamente, tomar partido. Veja-se, no auge do debate público, como reage o “Expresso”: manchete e monumental fotografia, na primeira página, de um “herói” que se gaba de já ter mandado mais de duzentas pessoas desta para melhor; depois, cinco páginas da revista com as opiniões do mesmo fulano e fotos ao pontapé.

Belo jornalismo. Estamos habituados aos recados, às sugestões, às encomendas, que, aqui e ali, povoam a publicação. Mas, que diabo, costumam ser mais discretos! Tão discretos que, muitas vezes, nem se dá por eles. Desta feita, o favor à coligação PS/BE+, ou BE/PS+, foi longe demais, um desbragamento político para além de todos os limites num jornal que se reclama de independência.

Um nojo.

 

19.2.20

TANATOLOGIA

 

A nova investida das esquerdoidas, com o obediente apoio e colaboração do PS e dos animalescos, “ressuscitou” a eutanásia, símbolo da nova “moral” que, aos poucos ou aos muitos, vem sendo imparavelmente imposta à sociedade.

Em suma, trata-se de legalizar a morte provocada, até agora chamada assassínio. Há mortes provocadas que são legais. Tradicionalmente, é legítimo matar no teatro de guerra, é legítimo matar em legítima defesa, e até, modernamente, se tornou legítimo matar fetos indesejados. Faltava a morte “colaborativa” e “humanitária” de pessoas indefesas. A desculpa, erigida em virtude, é o desejo expresso pelas vítimas, como se fosse possível averiguar se tal desejo, formulado com a pessoa em boa saúde mental, ainda fosse “vivo” na hora de o levar a acto, quando a pessoa já não está em situação de o confirmar. Mas, mesmo que o faça, uma coisa seria o seu desejo, outra o “direito” de terceiros a executál-o, isto é, o direito de a matar. Os executores não estão em guerra com o executado, este não os ataca dando-lhes o direito à legíma defesa, nem são algo que a modernidade, dita “progressista”, considere não ser um ser humano, como no caso do aborto.

É de matar que se trata. O direito de matar não é coisa que um parlamento dito democrático possa instaurar, no exercício de um poder que não tem, nem pode ter. Também não é coisa que se referende. A soberania do povo não pode confundir-se com o poder de assassinar, coisa própria de aberrações como o nazismo, mas claramente inaceitável noutros sistemas de valores. Confundir assassínio com sentimentos nobres, como o fazem as esquerdoidas, os animalescos e, escândalo dos escândalos, os socialistas ditos defensores dos direitos humanos, é uma aberração sem nome nem perdão.      

Mas, nesta como noutras matérias, a sociedade portuguesa não tem defesa. O Parlamento votará a aberração por maioria simples. Parece ser inútil recorrer ao Tribunal Constitucional, dominado por esquerdistas e afins, como desde há muitos anos. O Presidente da República gostaria de fazer qualquer coisa, mas do que ele gosta está o inferno cheio. Ficará parado, sem munições nem grande vontade de se opor à esquerda, sua babitual protegida.

E, no entanto, em boa doutrina democrática, o assunto não deveria sequer ter direito de cidade. É uma mera questão de consciência moral, talvez o campo em que a crise dos nossos tempos é mais profunda.

 

13.2.20

ATENTADO

Trabalhei numa empresa cujo escritório desapareceu no incêndio do Chiado. Uma vez reconstruídos os prédios, a CML contactou-me para saber se queria exercer o direito de opção sobre a mesma área reabilitada. Recusei liminarmente. Já estávamos bem instalados. Além disso, não me cabia na cabeça meter-nos num prédio moderno, mas sem estacionamento.

Anos passaram e, na zona, a iniciativa privada conseguiu construir bons parques, muito facilitando a entrada e saída de automóveis sem problemas de maior. É certo que, entretanto, novos hábitos se criaram, grande parte dos moradores desapareceu, escritórios ocuparamb ou reocuparam algumas áreas, veio o turismo, o investimento, sobretudo estrangeiro, progrediu, surgiu o arrendamento local, etc. Mas, mercê dos privados (a CML pouco ou nada teve a ver com o caso), o Chiado ressuscitou, o comércio progrediu, as gentes voltaram a gozar o bairro.

Até que veio um tal Medina, descido do Porto com poder para dar cabo da vida dos alfacinhas.

Segundo a nova política, poucos ou nenhuns terão acesso aos tais parques de estacionamento. Dos portugueses, os frequentadores do Chiado irão para longes partes. Dizem que é por causa do clima, da poluição e de uma série de tretas vendidas como “inultrapassáveis”. O Chiado passará a ser residência de turistas e de investidores estrangeiros, já que dificilmente será possível a um português aceitar viver num sítio onde, para receber um familiar ou um amigo, tenha que pedir autorização ao Medina, e dentro de certos limites! O Medina ficará a saber quem visita quem, quando e a que horas. É, à moda socialista, a defesa da privacidade de cada um.

Para limitar a quantidade de automóveis na zona seria, talvez, de admitir que fosse preciso pagar uma taxa. Assim, quem quisesse, pudesse, ou não tivesse outro remédio, pagaria uma “entrada”, ou teria que comprar um passe mensal.  Seria mau, não tirânico mas, se calhar, não suficientemente socialista.

O comércio do Chiado, maioritáriamente dedicado a pessoas com algum poder de compra, gente que anda de automóvel (fascistas!, dirão as esquerdoidas e os seus lacaios do PS - em crescendo por obra do Costa), passará a contar quase só com estrangeiros. A Calçada do Sacramento será pedonal, a fim de proibir o trânsito a velhos, cardíacos e grávidas. Nunca mais haverá saída do parque “da Império” ou do Camões, as dezenas de restaurantes da Trindade verão encolhidos os clientes, etc.    

O Medina vencerá? É capaz disso. Haverá meios para travar mais esta loucura do tirano? A assembleia municipal está cheia de camaradas, o Costa está-se nas tintas, de Belém não haverá reacção. Só a resistência dos prejudicados poderá fazer fente à tirania. A ver vamos.

 

13.2.20

QUE SE LIXE

É praticamente universal a opinião que postula que a eleição do Boris e a consagração pública do brexit foram fruto do cansaço. Três anos depois da bronca, os britânicos estavam fartos. A opção trabalhista era ridícula. Que fazer? Olha, que se lixe, vamos a isto! E assim brexitears e remainers votaram Boris. O impasse tinha que acabar.

Coisa parecida no PSD. Os opositores do Rio cederam. Não vale a pena, será melhor aturar este que continuar as guerras. E pronto, o tipo não presta, mas, que se lixe, façamos das tripas coração, deixemo-nos de fantasias, para a frente é o caminho.

Pronto. Ao IRRITADO resta desejar que as coisas corram bem, ou seja, que a ditadura do PS e da sua geringonça comece a abanar.

 

10.2.20  

INTERESSANTE

O Rio fez uma discursata sobre o fantástico poder autárquico que temos. Tudo gente séria, tudo boa gestão, o fim da ditadura do Terreiro do Paço. Vá lá que, à cautela, não falou na sua bem-amada regionalização. Mas, adiante. Agora, disse, é preciso que o PSD ganhe as autárquicas, para pôr tudo ainda mais claro, ainda mais sério, ainda mais bem gerido, o Terreiro do Paço longe da vista.

É uma teoria interessante. Anti-centralista, a transparência é que é bom, o PSD triunfará! O IRRITADO duvida, mas não vai contra. Logo se verá.

Mais interessante ainda é que o camarada Rio completou as sua teorias traçando o perfil dos futuros candidatos do PSD. Tem que ser tudo gente séria, claro, localmente prestigiada, fruto e apoio das melhores gentes, das melhores ideias, homens probos e amantes da sua terra. Mas, maldito centralismo, terão que ser fulanos que lhe obedeçam, que estejam de acordo com o poder “central” do orador!

Tudo homens com as melhores qualidades, sendo a maior de todas elas a de seguidores indefectíveis do chefe que, da São Caetano ou do Bolhão, mandará as suas ordens. Poder local, sim, do PSD, sim, mas que sejam atento, venerador e obrigado ao centralismo rioista.

Interessante, não é? E fomenta muito a “paz” interna.

 

10.2.20  

FERRUGEM

Julgo que a propósito dos malefícios das claques do Sporting e do tenebroso Bruno, temos visto inúmeras reportagens sobre as entradas e as saídas do Tribunal do Monsanto, com entrevistas, pareceres, testemunhos, etc., à porta do dito. Como o assunto me interessa tanto como o  plantio de cebolas em Tegucicalpa, o meu bestunto não se ocupou nem um segundo com estas especiosas matérias.

O que me traz é o aspecto da entrada do tribunal: uma parede de lata num estado miserável, cheia de ferrugem. Não deve haver, no tal Tribunal, uma alma caridosa que pegue numa trincha e trate de dignificar a instituição. Tenho a certeza de que, se se fizer a pergunta, os gestores das instalações dirão que há “falta de verba”, que não há “auxiliares operacionais”, que “o Centeno cativou as rubricas da tinta e das brochas”, etc..

Talvez seja um inferência injusta, mas a ferrugem da vedação dá uma imagem fiel do estado geral da nossa justiça, sem “manutenção” nem brio.

 

10.2.20

DOBREM A TAXA!

Segundo a mais elementar lógica, o tratamento do lixo de cada país devia ser encargo desse país. Mas não é. Portugal importa a porcaria de terceiros. É de pensar que, dada a livre circulação de “bens” na UE, tal importação não possa ser evitada, incluindo-se a porcaria de cada um no conceito de produto. Que justificação podia o governo ter para proibir tal prática? Proibir o negócio dos aterros? Arranjar maneira de separar a porcaria nacional da estrangeira, e proibir os aterros de receber a segunda? Lançar brutais impostos sobre o negócio, com o inconveniente de taxar igualmente o lixo nacional e o estrangeiro? Não faço ideia, mas algo me diz que, com as preocupações “ecológicas” que animam a generalidade dos políticos, alguma solução poderia se encontrada.

O PAN, das etéreas alturas da sua conhecida “moral”, encontrou a solução: duplicar a taxa cobrada por tonelada de lixo enviada a aterro. Como a taxa é cobrada às pessoas na conta da água, parece evidente que a vamos continuar a pagá-la, agora em dobro, com o entusiástico apoio do PS, do BE, do Chega(!) e do IL(!).

Porquê? Porque os portugueses são uma corja de “mal comportados”, não separam os lixos para a reciclagem. Há que educá-los, “alterar os comportamentos”. O sistema educacional, segundo o PAN&Ca, consiste em aumentar o preço da água. Venha o mais pintado defender, ou perceber os efeitos educacionais de tal sistema. Não seria mais prático alterar os ridículos ecopontos, a que poucos ligam, e criar um sistema selectivo de recolha, em que, às segundas e quintas, se recolhesse o reciclável e, às terças, quartas e sábados, o resto, competindo aos colectores verificar a natureza dos lixos e agir em conformidade, de maneira a, ainda que compulsivamente, as pessoas se habituassem a separá-los? Há cidades onde este sistema funciona.

O que não cabe na cabeça de ninguém é que, pagando mais na factura da água, as pessoas se “eduquem”. Ainda menos que a importação de lixo seja cobrada às pessoas em vez de aos importadores.

Enfim, como quem lê já deve estar a pensar, estou a falar de assuntos de que não percebo patavina, o que será verdade. No fundo, estou a falar de lógica, coisa de que, com base nos conceitos do PAN&Ca, também não percebo nada.

Restará pagar a taxa a dobrar, comer e calar, que é do que a casa gasta.

 

7.2.20

TIRADAS MINISTERIAIS

 

Segundo a ministra da agricultura, o coronavírus é uma magnífica oportunidade para Portugal exportar máscaras e porcos. É a visão “prospectiva” do problema.

Segundo a ministra  da cultura, as obras de arte em falta “estão aparecidas em local incerto”, havendo, de 94, 63 impossíveis de recuperar. O almirante Américo Tomás não diria melhor.

Segundo o ministro do ambiente e da energia, não haver linha circular do metro é inconstitucional. À atenção dos constitucionalistas do costume.

Segundo o ex-ministro da defesa, grande amigo do Costa, lá no seu ex-ministério desaparecem sem deixar rasto mais documentos do que papel higiénico pelo cano abaixo. Grande ministro!

Segundo primeiro ministro, divulgar peças em segredo externo de justiça, se for ele o divulgador, não é crime nenhum, isso de crimes é só para a plebe. Assim, há que saudar a generosa divulgação das suas respostas ao juiz Alexandre. Verdade é que ficámos todos mais descansados: o primeiro ministro, no caso de Tancos, não sabe nada, nunca soube de nada, jamais lhe disseram fosse o que fosse, ele não tem nada a ver com o assunto, o ex-ministro da defesa é um herói, a procuradora geral uma heroína, a Polícia Militar merece aplausos, e a ele, coitado, há quem não perceba que, do seu púlpito dourado, só enxerga o que é “importante”!

 

7.2.20

ET. Depois de publicado este post , verifiquei, na imprensa do dia, que as obras de arte desaparecidas passaram de 94 para 117. Com o correr dos dias é provável que passem a 274, ou a 29, ou ao que der na cabeça da ministra.

UMA DESGRAÇA

Onde o PSD se foi meter! Então não é que, para compensar a baixa do IVA da electricidade, propôs que a geringonça II cortasse 22 milhões que, generosamente, o Centeno acrescentou às despezas dos gabinetes do governo? Que raio de ideia! Como é possível sonhar que um rebuçadinho de 22 milhões (a mais!) para o funcinamento dos gabinetes dos geringonços tivesse alguma hipótese de ser cortado? Nunca! O PS já delarou que nem pensar.

Mas há mais. O PSD, uns loucos irresponsáveis como diz sua excelência, quer descativar as cativações para a ciência e tecnologia. A geringonça II, na sua firme política de inovação, de progresso científico, de modernização tecnológica e de outras maravilhas, demonstrando uma extraordinária coerência, não encontrou melhor decisão que cativar as verbas a isso destinadas. E vem o PSD propor descativações. Devem estar loucos, estes irresponsáveis compulsivos.

Voltando à história do IVA, como é que tal e tão firme geringoncial coerência podia alinhar em reduções do IVA da electricidade, coisa injusta e irresponsável proposta por inimigos da justiça e da responsabilidade? É que isto de reduzir a taxa do IVA da energia era uma maravilha quando se tratava de propostas, duas, do PS, mas é uma desgraça se vem de outros. A criatura que manda no chamado governo chegou ao ponto de, impunemente, dizer que, para aliviar os males do planeta, era preciso baixar a taxa, mas deve ter entrado em contacto com a ONU ou ter percebido (hossana!) a asneira e, coitadinho, meteu a viola no saco.

Quando baixou a taxa dos comes e bebes, aí, como a ideia era dele e dos seus sequazes, borrifou nos monumentais prejuízos para o Estado sem nenhuma contrapartida para os cidadãos, e achou muito bem.

É que tudo o que vem à cabeça do PS, é bom. Tudo tudo o que vem à cabeça dos seus parceiros, também o é, pelo menos em princípio. Tudo o que sai da cabeça de outros é, por definição, mau, injusto e irresponsável.

Desta humilde tribuna, diz o IRRITADO, que mau, irresponsável e insuportável é Costa, essa desgraça que, em ínvia hora, sobre nós se abateu.

 

3.2.20

O FIM DOS PRINCÍPIOS

Nos tempos de II República, era comum os rapazes da PIDE aparecerem nos correios a fim de abrir umas cartas a ver se havia notícias do PC, do reviralho, ou alguma propaganda de forças adversas ao poder constituído. Veio a III República, acabou a PIDE e, depois de postos na rua os “radicais” do MFA, lá se conseguiu que alguns princípios fundamentais, como o sigilo da correspondência, passassem a ser respeitados.

A coisa durou uns anos. Com o avançar das tecnologias de informação, começou a haver largas possibilidades de intrusão na vida de cada um. As pessoas e os governos, a UE e a ONU, passaram apreocupar-se com o assunto. Os governos nomeiam comissões, grupos de trabalho, especialistas, o diabo a quatro, a fim de proteger a “privacidade”. Tudo mais ou menos inútil para tal efeito, mas muito bem vindo para a propaganda.

Por outro lado, as pessoas que se queixam são as mesmas que põem nas redes as suas façanhas, se foram à praia, se o menino teve o primeiro dente, se gostam disto ou detestam aquilo. As figuras, figuronas e figurões que se acham famosos, e gostam, propagandeiam os sucessos e insucessos, sobretudo os sexuais, da sua vida. Não se percebe.

A privacidade morreu. Quem quiser saber o que escrevi em privado, o que comprei, onde fui, a quem telefonei e mais o que quiser, basta saber mexer em computadores ou contratar alguém para entrar e bufar. Não será a restauração da PIDE, mas é parecido. Com uma diferença. A PIDE era “selectiva”, isto é, violava a vidinha dos que classificava como “maus” e deixava os outros em relativa paz. Agora, viola-se a vida de toda a gente, sem precisar de ser polícia ou de pedir autorização seja a quem for.

A coisa penetra, triunfante, por toda a parte. E, se o princípio do sigilo da correspondência é letra morta, se a condenação da bufaria passou a ser selectiva como no tempo da PIDE, não é menos verdade que entraram em crise outras regras fundamentais do Estado de direito, como a que postulava que os fins não justificam os meios e a que reservava a investigação da vida das pessoas às autoridades judiciais e policiais. Não faltam apóstolos a defender o seu fim e a incensar os ladrões, segundo a “qualidade” do que roubaram. O roubo ainda não é admitido como prova, mas já faltou mais para que o seja. Os acusadores prosperam, alimentados por media sequiosos de vender.

Enfim, não faltará quem diga que estou a defender a corrupção e os corruptos, em vez de elogiar “jornalistas de investigação”, os hakers e os acusadores televisivos mascarados de comentadores. Sou uma carta fora do baralho da “modernidade”. Paciência.

 

  30.1.20

MANIFESTAÇÕES

Andamos todos à rasca por causa do vírus chinês. Todos, menos o governo. A geringonça II não é de modas, que estas coisas ficam caras. Segundo informação oficial, os portugueses que vão voltar da China, se não houver suspeitas, são mandados para casa. Sabido que é que a incubação leva uns dias largos a manifestar-se. Se já têm o bicho, espera-se que se manifeste, na certeza de que, quando se manifestar, já a família dos atingidos já está contaminada. Pelo menos. Nada de quarentenas “desnecessárias”. Formidável.

 

30.1.20

DIFÍCIL ESCOLHA

Já não sei o que pensar sobre o drama da dona Isabel. Nem sobre o nosso.

Vejamos:

O regime angolano foi, pela comunidade internacional, reconhecido como legítimo;

É sabido que, em África, quem manda é “o mais velho”, independentemente da forma como subiu ao poder ou de como o exerce. O poder é dele. Há disso inúmeros exemplos. O “mais velho” é proprietário de tudo, de uma forma que faria inveja a qualquer rei absoluto do nosso (dos europeus) ancien regime;

Num regime de origem e tradição soviética, como o de Angola, a autoridade do “mais velho” é reforçada para além do imaginável;

O senhor Santos escolheu os seus áulicos, os seus amigos, os seus apoiantes, os seus polícias, os seus juizes, os seus jornalistas, os seus militares, os seus carrascos. Como é evidente e natural, pôs à cabeça a sua família de sangue. Esta nomenclatura, como é próprio de todas as nomenclaturas, foi contemplada com toda a casta de privilégios (exactamente como na Rússia, antes, durante e depois da URSS): propriedades, poder económico, prestígio social, etc.;

O mundo inteiro, incluindo as democracias ocidentais, aceitou estes factos, negociou com a nomenclatura, fez os negócios que o “mais velho” permitia, desde que neles a nomenclatura estivesse representada. Outra coisa não seria de esperar. Qual era a alternativa? Cortar relações? Lançar sanções e represálias? Declarar guerra? Esta reakpolitik pode ter ido longe demais. Talvez. Mas era inevitável;

Os membros da nomenclatura, de um modo geral, mais não fazem utilizar os seus privilégios. Alguns vão mais longe. Muito mais longe. É o caso da dona Isabel que, em relação aos seus pares, tem a vantagem do poder de iniciativa, da imaginação empresarial e financeira e, naturalmente, da falha de escrúpulos que é própria da classe;

O “mais velho” retirou-se. Rei morto, rei posto. O “mais velho” é novo. Está a dar cabo da nomenclatura precedente e a nomear a sua, reconheça-se que com diferentes argumentos, mas é cedo para pensar que, substancialmente, não volte tudo à mesma com outras caras. É a limpeza, à velha moda soviética, o que até em Portugal aconteceu no tempo do PREC.

É claro que o muito dinheiro a circular sem pública sanção ou regulação porporcionou à dona Isabel oportunidades de ouro. Muita gente alinhou, gente boa, gente má, gente assim assim. Gente.

Mas, viradas as caldeirinhas, o que era bom passou a mau, o que era legítimo passou a trafulha, o que era “iniciativa” passou a crime;

Grande oportunidade. Os lobos sairam da toca, os que já rosnavam, os que nunca rosnaram. É fartar vilanagem. Os ratos, esses, abandonam, é a tradição.

 

Entre lobos, bufos, trafulhas e fugitivos, se me perguntarem qual escolho, direi que nem o diabo quereria escolher.

 

27.1.19

NÃO HÁ PROBLEMA

Anos atrás, Vale e Azevedo foi preso. Era voz corrente que o homem tinha uma série de problemas às costas, dolos, trafulhices várias, práticas condenáveis, mania das grandezas, etc. e tal. Toda a gente sabe o que aconteceu a seguir. Para este post, interessa o que aconteceu antes: Vale e Azevedo foi preso, não quando houve suspeitas contra ele, não quando foi apanhado com a boca na botija, nada disso, foi apanhado quando a assembleia geral do Benfica correu com ele.

Mutatis mutandis, com a dona Isabel aconteceu mais ou menos o mesmo. Durante anos, dona Isabel foi acarinhada, elogiada, teve públicas honras, não havia ministro que não ficasse honrado por ser visto a seu lado, os media teciam-lhe loas e a senhora ia comprando por aí umas coisitas, fazendo uns negócios milionários com bancos e com parceiros da nossa melhor praça, tinha todas as passadeiras vermelhas à disposição, todas as portas abertas, tudo legal, tudo transparente, chegou a ser condecorada pelo tipo do Porto, ela e o Sococo, seu ilustre marido.

De vez em quando apareciam por aí uns artistas a dizer que os milhões dela tinham origem em suspeitas manigâncias do seu importantíssimo papá. Mas, que interessa isso, é uma “grande investidora estrangeira”, “acredita no país”, e o facto de ser filha de quem é só ajuda a dar-lhe o merecido destaque.

Entretanto, o sucessor do papá deixou de ser o papá, os procuradores, os juizes e quejandos lá de Angola viraram 3600, tudo passou a ser o contrário do que era. E logo, os elogiadores da dona Isabel passaram para a acusação. Como aconteceu com o Vale e Azevedo. E logo, uma matilha internacional de jornalistas/detectives achou que tinha chegado a sua oportunidade: saltou cá para fora a dizer o que andava a escarafunchar com o objectivo de lixar a fulana: 70.000 (ou 700.000?) papéis, um doce a quem os ler.

Catrapim! Dona Isabel cai da tripeça. A rataria sai do barco: quem, eu?

O IRRITADO jura que não sabe quem são os bons e quem são os maus. Tem cá umas ideias, mas nada ao certo.

Só sabe que o assunto vai levar anos e nunca ficará devidamente esclarecido, como de costume. Grosas de demandas judiciais, de consultores, solicitadores, consultores, revisores, investigadores, procuradores, polícias, advogados, juízes, jornalistas, entrarão em acção, sedentos de sangue e de honorários. Nas redes sociais o fartote vai ser imenso, vai haver milhões de notícias, verdadeiras, falsas, assim-assim, transparentes, opacas, fotografias devidamente manipuladas, a publicidade vai render milhões, um nunca acabar de entretenimento para o povo. No meio disto tudo, ninguém será capaz de imaginar quanto nos vão custar as consequências desta guerra.

...

Olimpicamente, Costa, peremptório, afirma pela décima milionésima vez que “a justiça com a justiça, a política com a política”.

Ainda bem, ficamos descansados, não há problema. Que mais podíamos desejar?

 

23.1.19

REVERSÕES

Há para aí uns seis anos, levantou-se por cá um vendaval dos diabos. Então não é que a ministra Teixeira da Cruz decidiu fechar uma data de tribunais onde o serviço era de pouca monta? Canalha! Então, e o interior? E o apoio às populações? E as deslocações que são tão caras? E as obrigações do Estado? E o ir além da troica? Que Raio de governo é este?

Bom, facto é que ninguém ficou sem Justiça (a que havia, e há), o tempo foi passando, e deixou de se falar no assunto.

Consequência, não de eleições mas da catraca do Costa, veio a Geringonça, hoje em segunda edição sem concorrência que se veja. A primeira preocupação da geringonça foi dar cabo de tudo e mais alguma coisa que o governo legítimo tinha feito e pôr-lhe as culpas de tudo, que tudo era mau, sem excepção. Antes de mais, aproveitar a pesada herança do Passos para dar uns tostões à malta, que continuou tesa, mas um bocadinho menos. Aceite-se, apesar da demagogia. Depois, o resto, coisa que, passados quatro anos, continua. É o caso das PPP, com as quais a geringonça II anda a acabar, não por não ser boas ou más para o povo, mas porque são PPP; é o caso da “recuperação”da TAP, cujos prejuízos actuais serão pagos pelos contribuintes em vez de pelos accionistas. E assim por diante. Faltava reabrir os tribunais. Reabriram, o que custou uma pipa de massa, a pagar pelos mesmos. Contas feitas, treze tribunais, treze. Resultado: os tribunais reabertos não têm nada que fazer, custam muito mais, e ninguém ganhou nada com o assunto. Mas a decisão do governo legítimo foi revertida! Era o que se pretendia. Mais uma vitória.

Já andamos, andaremos, andarão os nossos trinetos a pagar as dívidas que o PS contraíu. A isto, os geringonciais governos acrescentam, entre muitos outros custos, o preço das reversões.

O socialismo sai caro.

 

23.1.19

UM FUTURO BRILHANTE

Mais uma candidata ao título de Presidente da III República: dona Ana Gomes, mui simpática criatura, como todos sabem. Tem hipóteses. Marcelo treme.

O estilo vai ser diferente. Em vez de beijos, investigações. Em vez de polícias, hakers. Em vez de elogios, ameaças. Em vez de ser os melhores do mundo, seremos os mais corruptos. O Benfica será julgado por crimes contra a humanidade. Os polícias irão para um campo de reabilitação na Carregueira. Acabará definitivamente o sigilo da correspondência, instituição anti-republicana. Os vagos resquícios ainda existentes na protecção de dados serão aniquilados.

Enfim, o futuro será brilhante. Ainda mais brilhante que com a dupla Marcelo/Costa.   

 

23.1.20

UM GRANDE DEMOCRATA

Segundo a opinião do ganhador das eleições do PSD, compete-lhe “unir” o partido, aceitando “todos” desde que sejam “leais”, “tenham bom senso”, sejam “respeitáveis”, etc.

Aí está um programa. Fica uma pergunta: quem julga? Quem dirá quem é leal, quem tem bom senso, quem é respeitável? E uma resposta: tal gente será julgada pelo dono da lealdade, do bom senso, etc., ele, Rui Rio, que é o patrão, o senhor e o juiz, quem determina o critério. É assim desde que, há dois anos, subiu ao pódio, sempre foi o primeiro e único julgador, o que classifica os bons e os maus, o que premeia uns e ostracisa outros, o que acusa quem lhe apetece de traição, desde sempre lhe competindo determinar o porquê. O critério é exclusivo: ou se habituam a ver o partido feito com o PS, a ver derrotas e mais derrotas eleitorais, a ser humilhados por centenos e costas, a ver o partido estraçalhado interna e externamente, a ver tanta e tão valorosa gente do PSD na prateleira, substituída por ignorados militantes LGBT, por gente do calibre daquela fulana conhecida pelas trafulhices que fez na ordem dos advogados, por um autarca ignorado e por tutti quanti cuja única “qualidade” visível é apoiá-lo.

Rio segue à risca a estratégia do Sócrates: é perseguido, vítima, objecto de horríveis cabalas, se alguém divide o partido - para dividir o partido chega ele - faz parte dos maus, dos que se recusam a comer o que ele serve. Os seus apaniguados são os bons, mais não fizeram nem fazem que expurgar o partido de influências perniciosas. Alguém lhe perguntou o que ia fazer com os que votaram Montenegro. A resposta foi de antologia: irá ao congresso com uma lista que ninguém que cheire a eles integrará.

Rio não só fez tudo para dividir como se propõe continuar a fazê-lo. Quem não é comigo é contra mim, como dizia Vasco Gonçalves a propósito do comunismo. E quem é contra mim está, à partida (e à chegada) condenado ao ostracismo.

Oposição, o que é isso? É prometer acordos com que sempre lhos recusou ou traíu: o seu amigo Costa. É avançar, decidido e triunfante, com os objetivos que os unem, como a regionalização. É pôr-se num cantinho à espera que a geringonça recauchutada entre em crise para se poder juntar ao Costa.

Reduzido o PSD a metade e posto ao lado do status quo, defenestrada a já reduzida nata das cabeças pensantes que por lá andavam, aí ficará ele, Rio, dono do poder absoluto, da verdade única, da razão exclusiva.  

Um grande democrata!

 

19.1.20

MODÉSTIAS

 

A história da Joacina alimenta as primeiras páginas. Qual Marcelo em Moçambique, qual nova asneira do Trump, quais eleições no PSD, qual guerra na Síria, a Joacina é que está nas primeiras páginas, e o resto é conversa.

Não se percebe. A fulana não devia interessar a ninguém. Mas interessa. Os tipos dos jornais acham que ela vende, e se calhar vende mesmo.

No meio da pessegada que a racista-mor arranjou, alguma justiça foi feita. O senhor Tavares, muito conhecido por causa do “Público”, onde dia sim dia não bolsa o seu esquerdismo intelectual e nefelibata, fez exactamente o mesmo que acusa a racista de fazer: borrifar no partido, e ficar no poleiro. Bem feita.

O Tavares foi parar ao Parlamento Europeu por obra e graça do Louçã e do BE. Depois, zangou-se com o Louçã e com o BE, sabe-se lá porquê, e deixou-se ficar, que aquilo não é mau para as finanças e paga umas viagens. Carradas de razão. A Joacina é da mesma opinião. Livra-se do “Livre”, e guarda o ordenadinho, o lacaio das saias e, se a chatearem como aqui há tempos, chama a GNR e acabou-se.

É de uma modéstia que até faz ternura. Enquanto outras, como a Cristina e a Isabel, querem ser presidentes das respectivas repúblicas, ela, coitada, tem que se contentar com uma cadeirinha em São Bento. E manda o Tavares às urtigas. Não é bonito?

 

17.1.20

A CANDIDATA

O mandato do nosso bem-amado presidente tem várias consequências, umas talvez boas, outras péssimas.

Entre estas, atente-se nesta oferta “oficial”: uma senhora, já madura, cheia de dentes e de dinheiro, grande dominadora das ignaras massas e dos políticos ansiosos por tempo de antena, cidadã absolutamente insuportável para quem tenha dois dedos de testa, disparatada, vaidosa, comunicou ao povo que se está a preparar para ser presidente da República.

Uma ideia deste calibre seria, antigamente, liminarmente descartada, a mulher caía no ridículo, e não se falava mais nisso.

Mas isso era dantes. O mandato de Rebelo de Sousa popularuchou o cargo. A dona Cristina já se imagina, de biquini, a dar ao rabo na cova do vapor perante chusmas de jornalistas, fotógrafos e mirones, a todos contemplando com beijinhos e com aquele sorriso de plástico que tanto agrada à plebe. E nas feiras, a comer chouriços perante a populaça extasiada. E nas cerimónias oficias, a exibir toilettes, os saltos altos e as carnudas fronteiras dos decotes. Que maravilha!

Mais maravilhoso ainda é que a ideia não é tão exótica como se poderia imaginar. Não lhe faltariam votos de milhões de donas de casa e de paspalhões especialistas em redes sociais.

É para este preparo que a República parece estar destinada a escorregar.

 

17.1.20      

O autor

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D