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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DEFENDER O INDEFENSÁVEL

 

É conhecida a tendência suicida de Rui Rio, apostado em apoiar o governo quando há cada dia mais razões para o atacar, e atacar a sério e com coisas sérias. O homem, cheio de “preocupações com o país”, não faz outra coisa que não seja propôr-se apoiar o governo, como se a política do governo tivesse alguma coisa a ver com o proclamado “interesse nacional”. Afinal, para que serve ser líder da oposição? Para ter as mesmas ideias da situação? Apetece dizer que a alternativa à filiação do BE no PS (manobra em curso) é o PSD de Rui Rio. Talvez o P.N.Santos e o Galamba se oponham à ideia, mas parece que o Costa não irá contra.

Não fica por aí. Poderia dizer-se que a subida da dona Elina Marlene à cadeira de vice-presidente era um perdoável erro de casting. Mas não é. O senhor Rio não se fecha em copas sobre o assunto. Manda o secretário geral tomar a defesa da dita indivídua, como se a sua acção pública não fosse de permanente traição ao PSD, das maiores tropelias na Ordem dos Advogados e do seu alinhamento com o inacreditável Marinho Pinto e o seu moribundo partideco. Foi o que se ouviu ontem no Parlamento. Para vergonha do PSD e de todos nós.

Não me canso de perguntar o que levou à escolha de tal criatura para tão alta posição no partido. Desconfio, e muito, que há razões ocultas e inconfessáveis. Ponho desde já de lado qualquer outra hipótese.

 

18.6.18    

SANITAS CÉLEBRES

 

Aqui há anos, apareceu nos jornais uma notícia surpreendente. O Prof. Cavaco Silva queria alterar a casa de banho do seu andar. Cumpridor, pediu licença à CML. Coitado, não sabia no que se estava a meter. No fim de longo e moroso processo, a pretensão foi chumbada e, segundo as notícias da época, as reclamações do ilustre cidadão também. Não sei como acabou a saga, mas imagino o desespero do munícipe perante as atitudes desse inimigo público que é a CML. Quem quiser mexer na casa de banho, o melhor é arranjar um biscateiro que lhe faça a obra, ciente do molho de nabiças em que se mete se recorrer às autoridades “competentes”.

Vem isto a propósito de um novo caso, quiçá com mais “molho”. O espantoso comendador Berardo, figura grada de várias artes, também quis uma casa de banho nova. Vítima dos processos camarários e dos tipos do condomínio, andou em bolandas, papéis e mais papéis, projectos, licenças, o costume, negas e mais negas. Frustrado, recorreu aos tribunais. Parece que as alterações propostas não eram conformes à lei. Mas o espantoso Berardo não foi de modas, achou, coitado, que as negas eram inconstitucionais porque ignoravam que o cidadão “tem o direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto”, e o que estava em causa era a sua “higiene e conforto”. Recorreu para o Tribunal Constitucional. Este, olimpicamente, mandou passear o comendador, respondendo que não tinha nada a ver com casas de banho e que a do comendador é culpada de nada menos que “de frontal desrespeito pelos procedimentos legais imperativamente exigidos”.

Donde se conclui que isto de casas de banho é coisa regulamantar e legalmente mal cheirosa. E que a Justiça, ou o que lhe queiram chamar, funciona também contra os “poderosos”, sobretudo aqueles que querem fazer as suas necessidades e procedimentos higiénicos com comodidade e até algum prazer.

 

18.6.18

REGRESSO AO PASSADO

 

Todos nos lembramos dos tempos que antecederam a crise. Havia fartura. As pessoas tinham crédito para tudo, compravam casas, automóveis, iam de férias, tinham “empréstimos pessoais” a qualquer título, tudo a contar com o futuro glorioso que o PS garantia a toda a gente. Sabe-se o resultado desta fartura. O país chegou à bancarrota, centenas de milhar de portugueses também. Veio a troica, o governo legítimo encetou uma inevitável política de austeridade, cujos efeitos negativos se sentiram mas, em termos de futuro, largamente superados foram pelos positivos.

Veio o governo do usurpador, a austeridade continuou sob novas formas, os funcionários receberam umas massas para se calar, promessas aos potes, propaganda às toneladas. Apesar do governo, vieram os turistas. Os privados exportaram mais sem precisar do governo para nada, o BCE desatou a despejar milhões, a conjuntura internacional melhorou, isto é, vários bilhetes premiados, incluindo a desbragada ajuda presidencial, sairam à coligação que não é coligação mas dá no mesmo. A banca privada, acusada, quase sempre  com razão, de malbaratar milhões, foi seguida, correcto e aumentado, pela banca pública. Aos poucos, o Estado Social - saúde, educação... -, começou a pagar as facturas das “reversões”, chegando a inacreditáveis extremos, como nunca se tinha visto durante o governo legítimo, mesmo no auge da crise. Todas as previsões económicas do PS, tecnicamente perfeitas, sairam furadas. Eis senão quando, ajudadas por pequenos estremeções vindos do exterior, as brechas apareceram, as classes privilegiadas da coisa pública sentiram-se enganadas, o PC aproveitou para sair à rua, sua mais forte especialidade. O chamado ministro das finanças - ou das cativações - assustou-se e, de repente, desatou a negar as suas teorias, tanto as que imaginara enquanto técnico como as que produzira enquanto político.

Entretanto, a propaganda produziu os seus efeitos. O endividamento das famílias, só em habitação, sobe todos os dias a uma velocidade estratosférica: só no primeiro trimestre deste ano foram 2,97 mil milhões. Em automóveis, a situação é do mesmo tipo. No resto ainda não vi números. Poupança, zero. Tudo anuncia novas chatices, como sempre pela mão do PS.

Mas o povo é sereno. Consta que o dito partido, havendo eleições, terá uma votação histórica. E nem o senhor Rio, que devia denunciar a situação, dá sinais de se mexer: pelo contrário, parece contente com o que se passa. O Presidente, esse, continua a provar presuntos e a dar beijinhos. Que mais nos há-de acontecer?

 

18.6.18

PORTUGAL NOVO

 

Parafreseando o Estado Novo, aproxima-se o Portugal Novo.

Em marcha, a coligação BE/PAN tem já pronto para discussão e aprovação o projecto que levará, a curto prazo (conforme declarado), à abolição das corridas de touros. Para já, a divulgação televisiva de tal barbaridade será relegada para as horas da pornografia, a frequência do abominável espectáculo passará a ser só para maiores de 45 anos, etc., até à sua final extinção.

O mesmo acontecerá, mais tarde, ao fado, expressão tradicional de marialvismos e falocracias

 

Trazido ao poder pela mão de António Costa, o BE não dá tréguas na criação do homem novo, sonho de Marx e Mao, que deixará de se chamar homem (palavra sexista), estando ainda em estudo a criação de uma nova designação, talvez “primata inteligente”, designação que o PAN considera ofensiva para os macacos. Em alternativa, o núcleo maoista da organização propôs “poligénero” o que tem uma certa lógica, mas pode dar lugar a interpretações indesejáveis. Houve quem propuzesse “género humano”, designação liminarmente recusada, primeiro porque na cartilha do partido há inúmeros géneros humanos, segundo porque a palavra humano pode ser confundida com a palavra homem, que é redutora e sexocrática. Talvez “animal erecto”, quem sabe, mas a palavra erecto tem ressonâncias machistas. O assunto não é fácil, como se pode imaginar..

Entretanto, a academia científico-filosófica do BE procura ardentemente mais “causas fracturantes” - as que levam à produção do homem novo, objectivo final do verdadeiro socialismo.

A primeira luta será contra as palavras. A palavra sexo será abolida definitivamente, e substituída por género, sendo que, para o efeito, já largos passos tês sido dados, faltando apenas a respectiva lei, em discussão com o Pedro Nuno Santos. Seguir-se-ão as palavras masculino e feminino, as quais serão substituídas por uma lista, também já em elaboração, a fim de ultrapassar a fórmula LGBTI etc., tida por insuficiente. Outras inicitivas lexicológicas estão em vias de imposição. Por exemplo, a palavra pais passará a ter utilização exclusiva no caso de os pais serem dois homens, salvaguardando-se a palavra mães para os filhos das lésbicas. Tratando-se de vestígios das famílias antigas, a expressão será pai e mãe, ou mãe e pai, dando o BE liberdade para que cada um siga o critério que entender. Deixará, por exemplo, de se falar em bandos de pássaros, o que deixa de fora as pássaras. No desconhecimento dos géneros na classe das aves, o BE permitirá que se fale em dois sexos. No que às manadas de vacas diz respeito, conservar-se-á a designação tradicional, excluindo os bois, a fim de não suscitar a oposição das feministas. A palavra descobertas será excluída do dicionário passando a escravatura, isto no seguimento dos estudos do Boaventura, que gere a secção PC/BE da Universidade de Coimbra. Enfim, em matéria de novilíngua muito haverá a fazer, aqui ficando alguns meros exemplos.

Outros projectos legislativos estão em marcha, ou em estudo. Por exemplo, no Portugal Novo não haverá lugar a estátuas do Padre António Vieira e similares, que serão demolidas, estando já em marcha a respectiva campanha para ir habituando as mentes hoje alienadas pelo colonialismo e pela Igreja Católica. O mesmo acontecerá aos Jerónimos, ao Padrão dos Descobrimentos e a outros testemunhos da história contada com base em estereotipos sexistas e preconceitos de classe. A prazo, proceder-se-á à demolição de todas a igrejas, conventos e similares. As mesquitas serão mantidas, a fim de não ofender os povos oprimidos. A literatura colonialista será destruída através de um enorme auto de fé a realizar nos escombros da antiga Praça do Império, à qual será dado o nome de Esplanada Catarina Martins.

Será erigido o Museu dos malefícios históricos, segundo um projecto do Boaventura e do Pureza.

A censura de género, que vai dando os primeiros passos, será institucionalizada, bem como a respectiva polícia.

A eutanásia passará a obrigatória, em termos a determinar.

 

E assim por diante. O Portugal Novo nascerá! Na sua fase mais progressista, o território será devolvido aos árabes que, coitadinhos, foram corridos por um meliante, Afonso Henriques de seu nome.

 

Acima ficam alguns exemplos da meritória actividade do BE e afins, na sua imparável marcha a caminho da desgraça.

 

Por mim, viva o Santo António, seja de Lisboa, seja de Pádua.

 

13.6.18

A GRANDE MANIFESTAÇÃO

 

Domingo passado, à volta da Praça do Campo Pequeno, inusitados ajuntamentos pululavam no jardim. Inúmeros carros da Polícia - dos pacíficos, não dos negros do Corpo de Intervenção –, estacionados no proibido aos indígenas, traziam magotes de agentes, todos bonitos, de coletinho amarelo. Grupos de picniqueiros espraiavam-se na relva e nos bancos da CML, abriam tachos e tuperwares, garrafões e cervejolas, chouriços e rissóis, e consolavam os estômagos. Pensei que seria uma concentração das testemunhas de Jeová, ou da IURD. Perguntei o que era aquilo a um tipo da embaixada de Angola. Mànifèstàção, respondeu. Um grupo de velhas gordas apareceu com uns pauzinhos na mão, com bandeiras vermelhas enroladas. Vi então mais claro. Era o PC com o casaco da CGTP!

A coisa foi evoluindo, o ajuntamento crescia. As bandeiras começaram a desenrolar-se. Montanhas de autocarros despejavam embandeirados fiéis. Gente surgia dos lados da estação da CP. Bem ao meio do magote, altaneiro, um enorme pano encarnado ostentava o focinho do Guevera, a testemunhar o apreço da multidão pelo notável assassino, torturador e torcionário das Américas.

Fui para casa.

Duas horas depois, fui ver o que se passava. O mais interessante era o profissionalismo dos mandantes. Em grupos devidamente organizados, o pessoal começava a desfilar pela Avenida de República, todos bem afastados uns dos outros, dispersos para parecer muitos mais. Uns altifalantes ribombavam antigos slogans, com parca participação dos marchantes. Uns tambores tonitruavam, julga-se que para dar alento à silenciosa turba. Os organizadores separavam os grupos, para alargar o cortejo. Calculo que algures estivesse o camarada Jerónimo com os acólitos do comité central, devidamente salvaguardados por tropas de elite com as habituais faixas protectoras. Menos protegida, julgo, iria a camarada Catarina, rodeada pelas esquerdoidas aias e assessorada pelo careca. No Campo Pequeno, à medida da partida dos pelotões, o movimento começava a rarear. O camarada Arménio,disseram-me, estaria no Rossio, no palanque, a preparar a sua discursata.

Achei que, de qualquer maneira, a mobilização era notável. Grande participação, ainda que não desse para encher o estádio do Belenenses. Admirável. Aterrador, ou nem por isso. A importância do número veio a ser amenizada pelo próprio Arménio, nas palavras de um dos seus capangas. Certamente por defeito, ficámos a saber que foram contratados 150 autocarros e quatro combóios para trazer pessoal do Porto. Imagina-se que outros tantos viessem de outros lados. Uma passeata até Lisboa à conta da CGTP. Grande organização!

 

Há muitos anos, nos tempos da II República, uma grande manifestação de apoio a Salazar foi convocada pela União Nacional. Com estes que a terra há-de comer ouvi um jornalista da Emissora Nacional a entrevistar uma velhinha que estava a comer um croquete sentada num poial da Rua do Ouro. “Então, a senhora de onde vem?” “De Carrazeda de Ansiães”. Muito bem! E, para o público: “Aqui têm esta senhora que, apesar da sua provecta idade, não quis deixar de vir a Lisboa aclamar o senhor Presidente do Conselho!” Voltando à senhora: E o que veio cá fazer?” Ela: “Vim ver um grande homem”. Ele: “Diga aos nossos ouvintes o nome desse grande homem”. A senhora hesitou, depois disse: “Não sei bem. Parece que é um tal Baltazar”.

 

Os autocarros da CGTP seriam tantos como os da União Nacional, ou mais, porque agora há mais autocarros que naquele tempo. Mas as velhinhas et alia são mais ou menos as mesmas. Que diabo, um passeio a Lisboa é um passeio a Lisboa!

 

11.6.18         

PACIÊNCIA E ROTURAS

 

Falando em nosso nome, o senhor de Belém declarou que nós “preferimos a paciência dos acordos à volúpia das roturas”.

A primeira parte do dito não parece ser referência aos nossos “brandos costumes”. Não vejo que interpretação outra se possa dar a estas palavras que não seja a de (mais) um elogio à “paciência dos acordos” do PS, do PC e do BE, que levaram à formação dessa maravilha do século que dá pelo nome de geringonça. De uma penada, o nosso mais alto representante justifica: a defenestração do Seguro; a usurpação do poder dos votos a favor de um arranjo que se diria, e é, espúrio, por mais que se “justifique” a sua origem burocrática, mascarada de “democracia parlamentar”; o nascimento de um governo de enganoso propagandismo; o caminho, já declarado, para novo desastre financeiro, etc, etc..

A condenação da “volúpia das roturas” é o contrário do que diz, já que elogia quem as fez, sem vergonha nem honestidade: rotura com um passado constitucional que respeitava os resultados eleitorais; rotura na entrega do poder ao menos votado; rotura quando, em vez de respeitar a vontade do eleitorado, se forma um governo à sua revelia. Isso sim, foi “volúpia de roturas”, roturas cujo triste resultado é o que se vê e merece as presidenciais loas.

 

Por outro lado, Sua Excelência está muito contente com os “muitos portugais que garantem a riqueza do país”. Aceite-se a imagem dos “muitos portugais”. Mas riqueza, qual riqueza? A que riqueza se referirá? De quem? De que “portugais”? Talvez dos portugais de Londres, ou do Massachussets, que nem por sombras voltarão, porque voltariam à pobreza. Por aqui não há riqueza nenhuma, só somos ricos em dívidas, as mais delas contraídas pelos mesmos que ora se dedicam a aumentá-las.

 

10.6.18

DA CONSAGRAÇÃO DO ABUSO

 

Não há quem não tenha experimentado as monumentais chatices que nos trazem os operadores de cabo com a história da “fidelização”.

Aceitar-se-ia que tal gente oferecesse uma hipótese mais cara, sem fidelização, ou mais barata, com ela. Não. Você, ou se casa com essa gente por dois anos, ou está feito ao bife. Tem que pagar, e não pouco, se mudar de casa ou se não gostar do serviço prestado. Durante meses andarão atrás de si com as mais rebuscada ameaças, depois passam à fase “judicial”, isto é, há uns advogados avençados que passam a titulares da perseguição. Para evitar mais chatices, você acaba por pagar, que é o que eles querem e que os “reguladores” apoiam.

Há pior. Uns tempos antes de acabar a fidelização, telefona uma menina a oferecer mais canais pelo mesmo preço, ou uns descontos na factura mensal ou outra porcaria qualquer. Você aceita, julgando que se trata de uma benesse. Mas o que você está a “aceitar” é um novo contrato, com mais dois anos da maldita fidelização. Aplicaram-lhe a pastilha à meia volta.

É comum ler-se por aí notícias de muita gentinha que se queixa amargamente do sistema. Tem-se dito que as “autoridades”, os “reguladores”, ou lá o que é, andam em cima da jogada e que os seus “direitos” virão a ser protegidos. Diz-se também que os chatos que têm pachorra e dinheiro contratam advogados e que os tribunais, uns anos depois, costumam atender às queixas. Mas você não está para chatices ou despesas com advogados e tribunais. Paga e não bufa.

Hoje, finalmente, vejo uma notícia no jornal sobre a tenebrosa fidelização. Uma distinta autoridade ter-se-á, finalmente, debruçado sobre o assunto! Vã esperança. O que a tal coisa fez foi obrigar as empresas a declarar na factura quantos meses faltam para acabar a tramoia.

Por outras palavras, ficou a coisa aceite, legitimada, definitivamente legalizada. É a consagração do abuso. Bonito!

Perguntar-se-á por alma de quem têm estes tipos do cabo o direito de obrigar cada um a ser-lhes fiel. Se você quiser acabar com qualquer contrato do género, água, gás, electricidade, acaba. Mas, se se quiser ver livre de algum fornecedor de TV, tem que alargar os cordões à bolsa, sob pena de perseguição.

A pergunta que o indígena coloca é esta: para que serve a “autoridade”? Se for eu a responder, direi: serve para o mesmo que a esmagadora maioria dos “reguladores”, das “entidades”, dos “altos comissariados”, quer dizer, não serve para nada que não seja dar dinheiro a ganhar a uns manjericos que, como é o caso, para mostrar que existem bolsam umas burocracias idiotas.

 

6.6.18

O FIM DA PICADA?

 

Aqui há tempos, os dados relativos à educação em Portugal eram de um optimismo gritante. O PISA esmagava a concorrência. Tudo corria pelo melhor, em dados actuais e em perspectivas de futuro. Pois. Mas isso foi no tempo de Passos Coelho e de Nuno Crato.

Passados quase três anos de geringonça, está tudo de pernas para o ar. Os alunos não sabem qual o lugar do país, nem na bola do mundo nem no mapa da Europa, nem sonham mais uma data de coisas absolutamente elementares. No que à educação física diz respeito, nem saltar à corda ou dar uma cambalhota conseguem. Três anos de geringonça, reversões, falta de avaliações, conúbio com os sindicatos, enfim, bagunça com inspiração no socialismo radical. Os resultados estão à vista, não foi preciso muito tempo para vir à tona.

De repente, eis que o dinheiro deixou de chegar para tudo. A geringonça prometeu. A geringonça, como de costume, não cumpre, ou não pode cumprir. O chamado primeiro-ministro já veio, a correr, dizer que não é bem assim. Prometeu, mas não adiantou números nem prazos, isto é, levantou a lebre para efeitos propagandísticos – a sua melhor especialidade – e deu a mão aos sindicatos. Estes, como é lógico e lhes está na massa do sangue, pegaram-lhe no pé.

É evidente que a política deste miserável governo tinha que começar, por um lado, a ter terríveis resultados educacionais e, por outro, a bater no fundo do saco do dinheiro. O que, diga-se, já vem acontecendo na saúde e vai acontecer por todo o lado, com cativações à bruta, com o PC zangado e a CGTP outra vez em actividade.

E agora? O chamado ministro da educação, perante a perversidade dos resultados da sua política, resolveu mostrar um ar da sua graça e dar com os pés ao barbaças (eis bigodaças) e aos demais pedintes. Seguir-se-á, caso não se encolha, a maior hecatombe jamais vivida no sistema, se é que ainda há sistema.

 

Será o fim da geringonça? Há quem diga que o Costa está a prepará-lo, convencido de que terá, sozinho, a maioria absoluta. É uma explicação. Outra, mais provável, tem a ver com números. É que não é possível fazer omeletes e ficar com os ovos. Malhas que a política neo-socratista tece.

 

6.6.18

ANESTESIA GERAL

 

Dizem os jornais que faltam anestesistas em Portugal. Nada de novo. Pelo que se vê, não há nada que não falte no famoso serviço público de saúde. Porque não havia de faltar anestesistas?

Apesar disso, parece que andamos todos anestesiados. Num tempo em que os verdadeiros resultados da geringonça começam a ser por demais evidentes – já nem “paz social” há -, o pagode, diz-se, continua a apoiar Costa e os seus muchachos socratistas. Os sacrossantos sistemas do Estado social metem água por todos os lados. A saúde é o que se vê. A educação está pelas ruas da amargura. O dinheirinho gasto em prebendas aos funcionários provoca buracos por todo o lado. A austeridade não acabou, antes pelo contrário. O famoso crescimento económico é miserável. A produtividade baixa em vez de subir. Os juros da dívida sobem, a dívida também. Os políticos, entretidos com “causas” parvalhonas como a eutanásia e a descentralização, distraem as pessoas. A Europa, era fácil prever, cede a indesejáveis populismos de esquerda e de direita (os primeiros são maus, os segundos são bons, diz o politicamente correcto). A malta não dá por nada. Os verdadeiros problemas, segundo a “informação”, são os do Sporting e os dos empates da selecção. As televisões, que são o anestésico de eleição para a geringonça, cumprem caninamente tal função. Nada foi preparado para os problemas que toda a gente devia saber que vinham aí. O Euro começou a perder valor, o BCE já está a fazer fosquinhas. O Macron não se entende com a Ângela. O Trump faz das suas. O médio oriente acena com mais uns milhões de refugiados. A geringonça arranjou um parceiro, o Franckenstein espanhol. As exportações caem, só falta cair o turismo. Mas a anestesia continua. O tipo que se esperaria ser o chefe da oposição e dizer que o rei vai nu, acha que o rei está bem vestido e anda entretido a arrumar a casa e a arranjar “ideias” para aumentar a despesa e pretextos para dar uns abraços ao Costa. A verdadeira oposição está na própria geringonça, mas é cão que ladra e não morde.

A grande vitória dos nossos dias é a anestesia, com sede na máquina da propaganda, nosso verdadeiro anestésico.

 

5.6.18    

SE SE EXPÕEM...

 

Eu - e julgo que toda a gente - ando a receber cartas, emails, SMS e outras martingalas a anunciar novas leis da “privacidade” oriundas da burocracia europeia, leis destinadas, diz-se, a preservar tal coisa. Eu, que não uso o Facebook, não sei o que é o Instagram, nem o Linkedin, nem o Twitter, nem nenhuma dessas pirosadas, que não percebo nada disso nem tenho nenhuma intenção de vir a perceber ou a utilizar! De repente, centenas de avisos me chegam a dar-me uma ideia da “universalidade” da minha presença nos mundos electrónicos. De lojas de cuecas a companhias de aviação, de bancos ao homem do talho, tudo minha gente está apostada, por imposição legal, em preservar os meus dados, não sei como mas admito que na melhor das intenções. Até o alfaiate já me preveniu que não me vai mandar mais publicidade aos saldos, coisa que até gostava de receber. Há quem me exija que mande uma declaração, com assinatura igual à do BI, a dizer não sei o quê. Não mando declaração nenhuma.

Calculo o que se passará com centenas de milhões de pessoas que navegam em oceanos de apps, são filiadas em dezenas de redes sociais, jogam milhares de joguinhos e passam a vida agarradas ao telemóvel, que já não é telemóvel e se transformou num instrumento de informação universal, óptimo para divorciar cada um do convívio social e familiar. Não devem ter mãos a medir por causa da privacidade, coisa que, por vontade própria, passam a vida a pôr em risco.  

(Confesso que a existência deste blogue é capaz de contrariar os meus argumentos, já que também me sirvo da net para exorcisar os meus demónios. É verdade. Mas não tenho “biografia”, nem fotografia, nem informo as massas sobre assuntos pessoais. Será a minha noção de privacidade. Quando leio coisas nos jornais posso gostar ou não, mas a vida dos que lá escrevem é-me indiferente . Que  sejam felizes, é o que desejo.)

E os algoritmos em que nos metem? Não mereciam uma leizinha da UE? Verdade é que não há lei que nos valha, nem sei se poderá haver.

A net é um passador de buracos muito largos. Há especialistas para penetrar em tudo, transformando a tal privacidade numa coisa sem ponta por onde se lhe pegue. Há os penetras “bons” e os penetras “maus”, segundo a nova moral. Os que descobrem carecas várias, são, em geral, bons. Dos que usam a coisa para fazer propaganda política, uns são bons (os de esquerda), outros são maus (os que não são de esquerda). E assim por diante, segundo os ditames da correcção.

Portanto, não se queixem. Se se expõem, vê-se-lhes o rabo. Não há leis que cheguem para tapar os buracos do passador.

 

1.6.18

ERA TUDO MENTIRA

 

O camarada Centeno resolveu virar a casaca. Acho bem. Perante a ameaça da chegada do diabo (o tal que não existia, ou não viria) resolveu confessar que todas as parangonas, suas e  do chamado primeiro-ministro, sobre a “página virada”, o “fim da austeridade”, etc. e tal, não passavam de propaganda. Declarou, suprema lata, que não havia página nenhuma, ainda menos virada, e que a austeridade aí está, e “é precisa”. E ficou com o mesmo sorriso alarve, como se tivesse feito um exercício de coerência.

O camarada Costa, por seu lado, borrado de medo de um futuro que não preparou, foi dizendo que isso de impostos aliviados era outra mentira propalada a benefício eleitoral. Os impostos, disse ele, vão ficar na mesma, ou aumentar outra vez, como já acontece com os combustíveis.

O salvífico “consumo interno” não salvou coisíssima nenhuma. Pelo contrário, o que salvou alguma coisinha foram o turismo e as exportações, coisas que aconteceram apesar do chamado governo e contra todas as previsões “científicas” do Centeno e demagógicas do Costa.   

O edifício de governamentais enganos, aldrabices e trafulhices ruiu estrondosamente. A “viragem” socialista entrou nos carris, ou seja, falhou como com o Tsipras e quejandos. Como vai acabar por acontecer aos italianos, sejam eles quais forem.

Porém, tenham calma. Antes das eleições, mais uma saraivada de enganos, mentiras e trafulhices será anunciada. Entretanto, mais umas distracções, como a da eutanásia, as do futebol, as da “descentralização”, etc., virão ajudar a manter a malta devidamente distraída e a geringonça à tona de água.

Nunca, nem nos ominosos tempos da I República, tanta manipulação foi estudada, conseguida, proclamada.

Centeno virou a casaca. Virá-la-á as vezes que forem precisas. Desta vez, foi um susto preparatório para chuva de eleitorais benesses alternativas com que a imaginação, a falta de escrúpulos e a palavra desonrada não deixarão de manter os indígenas entretidos.

O diabo, que é paciente, continuará ao virar da esquina.

 

31.5.18

 

31.5.18

FALHA NA PREVISÃO

A esquerda vanguardista, oportunista e sem escrúpulos do BE mais uma vez arrastou o cadáver do PS democrático para uma jornada "fracturante". Ao contrário das previsões do IRRITADO, com a ajuda do PC, a coisa não passou. Parece que o PC, das catacumbas das suas convicções antiliberais - eles acham que a eutanásia é uma manobra "liberal"! - veio em socorro do pobre CDS e do infeliz PSD. Neste, os deputados, em busca da dignidade perdida, aproveitaram a ocasião para dar um tabefe ao Riacho, e a coisa lá se compôs.

Uma jornada que, de questão de consciência, passou a pura política. O PS, tendência "civilizada" do BE, apanhou o comboio das esquerdoidas, do careca e do hediondo Pureza (pureza uma ova). Tinha de ser. O parvo do PAN espanejou-se um projectinho - isso de matar é mau para os touros mas óptimo para os doentes. A feiosa do inexistente PEV teve autorização para fazer um bonito. O CDS, sem surprezas, marcou posição. Santana Lopes ganhou no PSD. Boa notícia.

Com habitual respeito pelas pessoas e pelo sistema, a esquerda mais nojenta anunciou que, se não foi desta, vai na próxima. Cá estaremos para uma reprise. À falta de novas "fracturas", repitam-se as antigas. O que é preciso é vir nos jornais. Na próxima, o Costa e o Rio remodelam o grupo parlamentar, escovam os suspeitos de "centrismo", e é um vê se te avias.

O IRRITADO, desta vez, não acertou. Mas aqui deixa o prognóstico para a próxima legislatura: o direito de matar será instituído!

 

30.5.18

 

3   

UNIÃO NACIONAL

 

Oito dias de férias, sem IRRITADO, sem internet, sem email, e eis que regresso a ver o que, entretanto, se passou.

Parece que o Ronaldo quer mais dinheiro, sob pena de ir prègar para outra freguesia. O Liverpool levou na touca, o rapaz cobra. Normal.

Os italianos, cabeça perdida, multiplicam-se em esforços para desestabilizar ainda mais a já desestabilizada Europa. Parece que a democracia está apostada em auto-destruir-se, vítima dos seus próprios princípios e métodos. Não será a primeira vez.

A loucura da eutanásia apoderou-se da política, dos jornais, das opiniões. Mais uma grande jogada do abominável Costa a reboque do fascismo de esquerda do BE, mais uma maneira de entreter o pagode desviando as atenções dos media e a cabeça das pessoas. Uma manhã, hoje, em que o direito de matar será aprovado por um ou dois votos num parlamento que perdeu por completo a noção da sua própria dignidade e da de todos nós, em que Hipócrates será derrotado, em que assistiremos à fundação de um novo negócio, o da morte por encomenda.

O “congresso” do PS enterrou Sócrates, figurão que passou a nunca ter existido, que nunca teve o apoio dos que caninamente o seguiram e que subiram ao poder por desonestos métodos, depois de o encobrir afanosamente durante anos e anos, isto sabendo, melhor que ninguém, com quem estavam metidos, isto é, mostrando que estavam metidos consigo mesmos. O PS é hoje o centro de tudo, o poder absoluto, assumido e triunfante, garantido à esquerda pelo aval do PC e pelo vanguardismo idiota e amoral do BE, garantido à direita por um PSD atento venerador e obrigado e por um CDS que esperneia, inconsequente e “social”. O congresso do PS, alimentado pela retórica vazia mas eficaz do chefe, fundou a nova União Nacional. Os tempos são outros, os métodos são formalmente democráticos como não pode deixar de ser, mas o poder, a República, o regime, a sociedade, têm um proprietário, o PS, indiscutível e sórdido, é mais ou menos a mesma coisa em termos polítcos, outros fundamentos mas a mesma natureza, substuída a Nação do antigamente pelo Estado dos nossos dias. Nada de novo. A mesma subordinação, os mesmos sacrificados, os mesmos enganados, todos nós, seguidores e (raros) opositores.  

Pouco ou nada há que trave este caminho. L’État c’est Costa. Com a mestria do engano, Costa até soube encenar um pluralismo sórdido, uns tipos esquerdófilos a fingir alternativas, outros menos geringonciais mas mansinhos, os raros conscientes do passado e das culpas de ontem e de hoje metidos na gaveta. A União Ncional está em marcha, imparável. Ou talvez não, isto é, acabará, não às mãos de opositores  (que quase não tem) mas às da verdade que, mais tarde ou mais cedo, virá fazer contas.

 

29.5.18

 

 

 

29.5.18    

QUEM SABE, SABE

 

Aqui há tempos, você foi ao banco. Tinha 40.000 euros para aplicar. O tipo do banco dá-lhe várias hipóteses: depósito a prazo, com um rendimento de 0,2%, um fundo que garante 1,4% ao fim de cinco anos; umas obrigações do Sporting; mais uma série de interessantíssimas aplicações. Triste, vai para casa. No dia seguinte, um conhecido com quem costuma tomar o pequeno almoço na tasca lá do bairro, diz-lhe: investe no imobiliário, pá, é o que está a dar. Mas eu só tenho 40.000 dele, tenho que pedir um empréstimo. Lá isso é verdade, mas olha, sei de uma velhinha que mora em Adalhufe, concelho de Fortes Macucos, que tem um andarzinho na Brandoa e está à rasca de massas. Quem sabe se, bem trabalhada, não vende aquilo baratucho.

Você vai para casa. Pensa. Informa-se. Entra em contacto com a velhinha, conta-lhe uma história ternurenta, questões de família, os meus filhinhos precisam. Dali a pouco tempo, faz a escritura. Depois, faz uns arranjos na instalação de água e luz, deixa passar uns meses e, zás!, em três penadas vende o andar por 95.000 euros.

Tás a ver, pá, dei-te um bom conselho, e não quero comissão. Foi um vê se te avias, a massa rendeu mais de 100%.

A velhinha, agora, anda para aí a dizer que foi enganada. Mas já não há nada a fazer. Palavra dada é palavra honrada.

Porreiro pá.  

 

21.05.18

VIVA O PETRÓLEO!

 

Parece que a Galp vai, finalmente, abrir um buraco no mar, quarenta quilómetros ao largo de Aljezur. Na esperança de que, finalmente, haja petróleo no território português.

Os funcionários do ambiente, finalmente, acham que não tem impacto. Aliás, seria estranho que Aljezur, ou fosse o que fosse ou quem fosse, pudesse ser ambientalmente prejudicado com tal coisa. Prejudicados seremos todos se não houver petróleo.

O politicamente correcto, ao longo dos anos metido a martelo na cabeça de inúmeras almas, acha mal. Ele há coisas que a razão, ou um mínimo de inteligência não manipulada pela demagogia universal, não entendem. Há gente que pensa que o petróleo já não é preciso para nada, ou vai deixar de ser preciso a médio prazo. Há gente – idiotas inúties – que não sabe que o país mais limpo e mais “ecológico” da Europa, a Noruega, tem a melhor situação financeira da Terra por causa... do petróleo.

Há gente para tudo, até para as mais rebuscadas demonstrações de estupidez. Será uma pena se esta gente conseguir manter a não concessão de mais perfurações ora decretada pela geringonça.

 

18.5.18

UM HOMEM A ABATER

 

O Sr. Sérgio Sousa Pinto, figura grada do PS que não gosta da geringonça, honra lhe seja - e pena lhe assista, porque não vai durar muito -, declarou: “o lugar do PS não é capitanear frentismos de esquerda”.

Muito bem, toda a razão. O lugar do PS é capitanear seja o que for desde que esteja à mão e dê poder. Coitado do Sousa Pinto!

 

18.5.18

OURO SOBRE AZUL

 

Se eu fosse adepto da teoria da conspiração e se, como é comum nos filmes policiais, culpasse do crime quem lucra com ele, diria que o vandalismo e o que se lhe seguiu foram encomenda do intragável Costa. Não terão sido. Mas a verdade é que, por futebolística magia, desapareceram os sócrates, os pinhos, os incêndios, os helicópteros, a quebra da economia, as “ameaças” da Catarina e do Jerónimo, as viagens às ilhas, o César, tudo o que chateia e anda nas bocas do mundo. Tudo se sumiu dos media como por encanto. Enorme alívio para as geringonciais hostes. Tudo a favor do abominável sr. Costa. Graças ao sr. Bruno? Com certeza. Com uma vantagem acrescida: o sr. Costa, das longínquas paragens da desagradável Bulgária, apareceu a anunciar a criação de mais uma “autoridade”, coisa milagrosa que vai acabar com as guerras da bola em geral e a com violência em particular. O nosso chamado primeiro-ministro veio, sabiamente, resolver o problema, e da mais solene maneira: não fundou o clássico “grupo de trabalho”, nem uma “comissão ad-hoc”, nem uma “secção especial” de qualquer coisa, nem ordenou um “inquérito urgente”. Foi mais longe: uma “autoridade”, talvez “alta autoridade”, a juntar às 18.427,46 autoridades já existentes, geralmente ou inúteis ou contraproducentes. Genial.

Parece que o crime compensa.

 

18.5.18

“INFORMAÇÃO”

 

Na TV cá do sítio temos, que eu saiba, quatro canais no cabo, ditos de informação.

Nos últimos dois dias, literalmente, mais de metade do tempo dos telejornais desta pobre terra foi ocupada pela miserável história do Sporting. Ontem, tive a maquineta ligada entre as nove e a meia-noite. Em todos os tais canais, a história, repetida ad nauseam, foi manchete, primeira página, o mais importante dos assuntos nacionais e internacionais. Em média, os primeiros 37 minutos de tais jornais foram ocupados com a coisa. E até vi, num deles, um debate ser interrompido para se assistir em directo à saída do carro do sr. Bruno do estádio, sendo perseguido por uma câmara pela estrada fora. A harpia de serviço, solícita, pediu desculpa ao povo, não por ter interrompido o debate, mas por tal e tão importante reportagem ter sido interrompida por razões técnicas. Conclui-se que, se não fosse essa inconveniência, teríamos continuado a ver a traseira da viatura do homem e, quem sabe, a sua chegada a casa, os beijinhos da patroa e mais o que, de “importante”, resolvessem impingir-nos. Mais, a “Quadratura do Círculo” (forum de apaniguados da geringonça) foi adiada das onze para a uma, a fim de não prejudicar as transmissão das aventuras do sr. Bruno em tempo real!  

Uma pessoa sente-se esmagada com esta trampa informativa. Esmagada, e triste. Estes vendedores de “notícias” regem-se, ao que se diz, pelas reacções das audiências, o que quer dizer que, se se transmite horas e horas da mesma miserável pessegada, é porque é disso que os espectadores gostam. Fico de rastos. Se a maioria prefere ver a mesma ordinarice horas a fio, então este país tem uma porcaria de gente. E se, como é o caso, a TV do Estado se comporta da mesma forma, então não há nenhuma alternativa, a burrice generalizada passa a oficial. Sempre fui, e sou, contra a existência de uma TV do Estado. Admito que, num caso destes, tal coisa pudesse ser útil, saindo da manada e das “regras” do mercado privado. Mas não. Alinha com os demais. Expliquem-me por que carga de água temos que pagar uma estação igual às outras.

Não nos iludamos. Isto vai continuar por dias, semanas ou meses. Isto vem sendo preparado, cientificamente, e desde há muito tempo. Há hordas de catedráticos da bola, todos os dias, na televisão. À falta de melhor (ou por encomenda), engalfinham-se, mais porrada e menos conversa. Para encher tempo, transmite-se cinquenta vezes a mesma jogada, e outras cinquenta noutro ângulo, para “esclarecer” o pagode. Todos os dias. Para comentar a jornada, para preparar a jornada, para intervalar a jornada, porque o Fosquinhas tem uma unha encravada, porque o Pinto da Costa tem nova “companheira”, por tudo e por nada. Todas as tardes, todas as noites. O Estado colabora. A miséria torna-se universal.

E não há nada a fazer. Nem sei para que é que escrevi isto. Verdade é que podia ter escrito o triplo, mas não vale a pena.

 

18.5.18

VAI SER BONITO

 

O conto (do vigário?) sobre a entrada da Santa Casa no capital do Montepio foi ontem enriquecido com mais um acontecimento verdadeiramente extraordinário. O actual provedor declarou que iria injectar uma ou duas dezenas de milhar de euros no capital da tremelicante organização.

Assim que tomou posse, este valente burocrata declarou que a entrada no Montepio seria de uns 200 milhões. Que aconteceu para descer a oferta de 200 milhões para 20 mil, ou coisa do género? Nada, que se saiba ao certo. O que se sabe é que a primeira oferta equivaleria, nas palavras do homem, a 10% do capital. Desde logo, uma série de especialistas desatou aos gritos: por maior boa vontade que se usasse, o mais que tais 10% valeriam seria uns 80 milhões. Os cálculos têm vindo a ser revistos em baixa, ou baixíssima. A célebre auditoria mandada fazer por Santana Lopes, ou não foi feita, ou foi metida nalguma gaveta. Nestas coisas, a chamada transparência costuma ser opaca.

Uma conta marota leva-nos a uma interessante conclusão. Se 10% do Montepio valiam 200  milhões para o ilustre Provedor, o Montepio valeria 2.000 milhões. Se passaram a veler 20 mil, então o Montepio vale 200 mil! Chega para comprar um Tê zero na Brandoa. Ou seja, o Montepio não vale um caracol.

Em alternativa, vale alguma coisinha e, nesse caso, os 20 mil da Santa Casa são peanuts. Ou pura troça.

O chamado governo anda há que tempos calado como um rato. Deve andar a calcular quantas centenas de mihões nos vai sacar para salvar a organização, tradicionalmente objecto de gestão socialista/maçónica com alguns geringonços à mistura.

Vai ser bonito.

 

15.5.18      

A SAGA CONTINUA

 

À rasca com as histórias do Sócrates e do Pinho, o chamado primeiro-ministro resolveu reagir. Pensou, pensou, e decidiu dar uma grande entrevista. A quem? Qual seria o jornal que encheria duas edições seguidas com arengas de várias páginas e fotografias em grande na primeira página?

A escolha foi fácil. O DN é dirigido por um infectível socratista. Tem, nas mais altas esferas, outros da mesma zona. O jornal do “amigo Oliveira”, dos bons tempos do camarada Vara.  

Escolha acertada. A família é que é bom, os amigos são para as ocasiões.

A entrevista foi chata, vazia e cheia de inconsequente bláblá. Mas lá ficou uma promessa: mais funcionários públicos, muitos mais, muito mais eleitores para o PS.

E ainda há quem diga que o Sócrates já não manda!  

 

15.4.18

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