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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

O BUSÍLIS

Sei de uma fábrica que, não se enquadrando nos altos desígnios do chamado governo, continua a trabalhar. Os funcionários medem a temperatura quando picam o ponto à entrada e à saída, trabalham com máscara e luvas, ao mais pequeno sintoma vão aos serviços de saúde lá do sítio, e ainda não houve uma quebra de produção significativa nem covide que se visse.

O patrão e os empregados, desalinhados com a política de quem manda e de quem apoia quem manda, devem acabar por pagar multas ou ir parar ao xilindró. É justo, não é?, a lei é para todos, quem não cumpre lixa-se. Que diabo, estamos num Estado de Direito, seja lá isso o que for, isto é, o que andar na cabeça de quem está na mó de cima.

E se, em vez de se seguir o princípio da paralização da economia, se seguisse o princípio contrário, isto é, o de só poderem funcionar as empresas que garantissem as cautelas do exemplo acima e as que não produzissem produtos indutores de contaminação?

Há exemplos disto em vários países deste mundo, não constando que tenham consequências negativas nem ponham tanto em causa o futuro das suas economias.

Mas o chamado governo não fazia tanta vista, não é? É aí que está o  busílis?

 

9.4.20

DA FAMA NÃO SE SAFAM

A dona Não-sei-quantas, tida por ministra da cultura, resolveu ir à caixa das esmolas e desencantar um milhãozito para oferecer a um leque de artistas do gabarito do Tordo para que venham à Televisão do Estado, conhecida por RTP, dar largas à arte que consta dever ser paga pelo cidadão. Por um mero milhão, propõe a criatura aliviar a nossa situação oferecendo-nos o desgosto de ver tal gente a ganhar o dela (quanto toca a cada um?), enquanto a comum maralha entra no layoff, no desemprego, na mais horrível das carências, etc., e perspectivando-se uma crise económica cujas características seriam, há bem pouco, inimagináveis, e que há alguns pessimistas bem informados a garantir que terão dimensões ciclópicas.

O IRRITADO agradece a generosidade da ministerial criatura, mais que não seja porque nos ajuda a pôr a nu, por um lado alto critério do socilalismo-nacional, por outro o insigne altruismo, perdão, o desbragado oportunismo dos tais artistas.

Há por aí muita gente, não artistas se aplicarmos os governamentais critérios, que põem à disposição do indigente inúmeras manifestações da sua por certo não-arte, músicos, piadéticos, ilusionistas e outros, a tentar aliviar o tenebroso dia-a-dia dos seus concidadãos, isto sem cobrar um chavo. Mas não interessam ao governo.

Enfim, parece que andam em circulação vários protestos contra a iniciativa. Mas, mesmo que consigam acabar com ela, o mal está feito, não se safam a indivídua e o chamado governo da fama que merecem.

 

9.4.20       

PERDER O TINO

 

Julgo que ainda não estou doido, mas tenho a certeza de que já faltou mais. A juntar ao isolamento, vieram uns dias cinzentos, cheios de tristeza, de ar frio (por muito que os termómetros marquem dezoito), de chuva, de desolação, de desgosto.

Vou fazendo uns cozinhados malucos, perco o encanto das descobertas dos primeiros dias. O blog anda de rastos, há só um tema, o medo do covide, o palavreado mais ou menos contraditório, só sabemos que isto vai continuar e que começa a estar em risco a saúde mental dos submetidos.

A juntar a esta porcaria de vida, veio o senhor de Belém acrescentar um dos seus discursos a excitar a Pátria, que isto de portugueses tem que se lhe diga nas doutas palavras de tão alto magistrado (o “supremo”, diz-se), tão alto professor, tão alto intelectual, tão alto nos afectos, tão querido das massas em desânimo. O problema é que o senhor fala muito, muitas vezes, vezes demais. Deveríamos recomendar ao supremo que faça como Sua Majestade Britânica e não se meta em assuntos de que nada sabe, ainda que excepcionalmente.

Desta vez, resolveu pôr-me a cabeça em água. Se excitou alguma coisa, foi o espanto e a descrença. Disse-nos, se bem entendi ou se se explicou mal, que dentro em breve teremos vinte mil covidados ou, se tudo correr bem, uns trinta mil. Sim, meus senhores, se os vinte mil são bom sinal, trinta ainda é melhor. Donde se conclui que o melhor dos mundos será o milhão cientificamente previsto pela senhora da saúde (não confundor com a Senhora da Saúde) aqui há coisa de um mês, como anunciou o “Expresso” para animar a malta. Também pode ser  outro número qualquer, parece que tanto faz.

Senhor de Belém, poupe-nos, poupe a sua alta verve, não nos ajude a perder o tino.

 

6.4.20   

UMA EXCEPÇÃO MALUCA

 

Tantas emergências, tantas limitações, tanta disciplina, os prevaricadores na gaiola, os polícias a vigiar, vilas fechadas, cercos, tudo minha gente a cumprir as ordens do Costa e do senhor de Belém, cada vez mais ordens e menos direitos, tudo o que lhes vier à cabeça. Aguentemos, ai aguentemos, seja em desconto dos nossos pecados, seja pela nossa rica saudinha, seja para glória eterna dos dois manda-chuva acima citados.

Uma coisa me incomoda no meio da descomunal pessegada em que estamos metidos. É que, com tantas cautelas, continuamos a comprar os jornais. Que mãos lhes mexeram antes de chegar às nossas? As dos fulanos que fabricaram o papel, dos compositores (não sei se ainda há disso), dos tipógrafos, dos distribuidores, das meninas das tabacarias e de mais não sei quantos seres humanos cheios de espirros e de covides.

Que explicação haverá para que os mandões se tenham esquecido disto? As frutas, os legumes e outras vitualhas, dir-se-á, estão na mesma situação. Mas as alfaces podem ser desinfectadas, as águas, os peixes, o pé de porco, podem ser desinfectados ou fervidos. Os jornais não: lavados com produtos desfazem-se, fervidos também. Podemos lê-los de luvas e máscara para nosso descanso? Qual descanso? Resta dizer que se trata de proteger a chamada informação. Mas há na net, na TV, na rádio, nos telemóveis, informação e desinformação com fartura, o difícil é escolher ou escapar a tanta quantidade.

Percebe-se que se tente salvar os meios em papel. O IRRITADO tem o vício dos jornais, não quer que eles acabem, mas deixou de os comprar. A salvação da informação em papel não pode, não deve, ser feita à custa da segurança sanitária de cada um. E, se toda a economia está a sofrer com a crise (e muito mais sofrerá no futuro) por que carga de água ficam de fora os jornais?

 

5.4.20

NO DIA DAS MENTIRAS

No meio de toneladas de informação, estatísticas, opiniões, casos pessoais, exibições televisivas, com tanta gente a dizer que é branco, outras que é preto ou às riscas, ocorre-me perguntar se vale a pena mergulhar neste mar. Talvez o melhor seja o blackout voluntário para não dar em doido.

Já agora, umas perguntinhas sobre a fiabilidade dos números oficiais.

Como é possível que, em 8.000 e tal infectados, haja, há mais de uma semana, só 43 recuperados? Estarão os outros 7.957 doentes sem cura nem morte?

Os infectados são os que fizeram testes com diagnóstico positivo. Como quase ninguém fez testes, serão os infectados 8.000, 800.000, ou outro número qualquer?

Se toda a gente fizesse os tais testes, seria permitido concluir que a esmagadora maioria se safa sem problemas de maior ou sem problemas nenhuns?

Como saber se o número de mortes por causa do vírus está certo? Andarão a meter todos os mortos no mesmo saco? Para além das vítimas do vírus, quantas pessoas morreram por outras causas? Ninguém? O vírus será o bode espiatório?

 

1.4.20

REUNIÃO PALACIANA

O insuportável reuniu o seu governo, com pompa e circunstância, no Palácio Real da Ajuda.

Matilhas de jornalistas se apresentaram, ansiosos de novidades. Plof. Não houve novidades nenhumas, a não ser que haverá novidades no dia 9 de Abril. Muita parra e nenhuma uva.

Compreendo. O insuportável tinha reunido, de manhã, com a Cristina, outra insuportável. O que tinha a dizer já estava dito, e a uma hora em que as donas de casa do costume, agora acompanhadas dos prisioneiros do vírus e do governo, vêem televisão. Para quê aturar jornalistas no Palácio? Diga-se de passagem que o homem, desta vez, até disse umas coisas de jeito, isto é, tratou de preparar a plebe para cenários catastróficos. Com razão ou sem ela.

Só não se entende o porquê do Palácio. Para dar solenidade, gravitas, a coisa nenhuma?

Mais uma pergunta que aí fica, sem direito a resposta.

 

1.4.20    

Apostilha.

Hoje, 2.4.20, disseram-me que ostipos reuniram na Ajuda para poder ficar a dois metros uns dos outros. Não sei se peça desculpa, se renove a crítica. Não haveria outra solução?

DO MEDO

 

Se eu achasse que o nosso governo serve para alguma coisa, diria que tal organização já devia ter percebido que a solução do “estado de emergência” é capaz de não ser a solução. Por um lado, acabou a liberdade, a polícia é mandada perseguir quem mais não quer que ir dar uma voltinha. Por outro, a economia entrou em quarentena, ninguém é capaz de, sequer, imaginnar as consequências da paralisia social e laboral em somos levados a viver. É evidente que não há medidas dos governos que possam funcionar sine die para compensar o descalabro dos que são privados de rendimento. Todos somos privados de rendimento, uns já, outros a curto prazo. O Estado também, sem rendimento não há impostos, sem impostos não há saúde, nem educação, nem segurança social, nem segurança tout court. O Estado, tantas e tantas vezes tão justamente acusado de se meter onde não é chamado, vai atirando dinheiro à cara das pessoas (quantas, quem, como?) verá o dinheiro acabar, e será o caos que já é multiplicado por n.

Há muito quem esteja a ver um bocadinho mais longe que o Estado que temos. Há muito quem veja as estatísticas e o que elas mudaram, coisa que o Estado se recusa a ver. Mudaram tanto quanto diz o governo? É claro que não, não são tão assutadoramente diferentes do que na meia dúzia dos últimos anos. Pelo menos no que diz respeito aos óbitos, ora atribuídos, todos, ao vírus. Então porque será tão útil e tão indispensável a paralisia geral decretada com foros de guerra à liberdade?

O medo é mais contagioso que o vírus. Não será essa a mais perigosa das epidemias? O turismo acabou, mas tudo o resto também tem que acabar?

Começa a haver reacções violentas, em Itália e Espanha já as há, e vai haver muitas mais, e mais graves. Valerá a pena? O medo começa a ter consequências, já há quem não tenha que comer, quem não tenha pão para dar aos filhos. Valerá a pena?  

Há sítios, como a Suécia, onde se tenta ultrapassar o medo, onde ainda se trabalha e se estuda, onde só se proteje quem precisa mesmo de ser protegido. Nos países do medo quem precisa de mais protecção não a tem, os hospitais abarrotam de constipados e engripados, com vírus ou sem ele. Será sustentável? Que Estado, que sociedade resiste a isto duravelmente sem colapsar?

Tudo questões que nos vamos pondo, sem resposta certa mas com certíssimas inquietações, sendo que a mais grave é a que me faz perguntar: como acabar com o medo se ele é instilado todos os dias na cabeça de cada um, sem remédio nem esperança?

 

 30.3.20

ESCOLHAS

 

Voltando às vantagens do Covid19, há que sublinhar o monumental alívio que foi ter deixado de andar submetido, matraqueado, vítima de diárias lavagens ao cérebro ministradas por multidões de desportistas da modalidade de decátolo televisivo, constituídas por inúmeros plantéis (é assim que se escreve?) de profissionais do comentário futebologénico, ocupando intermináveis horas da “informação” nocturna do infeliz indígena.

FoI tal cáfila substituída por outros especialistas, desta vez os mui solidariamente ocupados em explicar às pessoas tudo e o seu contrário sobre a epidemia.

Há-os para todos os gostos e desgostos. Locutores (“pivots”!), quase todos de barbas farfalhudas, muito men, meninas bonitas e meninas feias com fartura, “autoridades”, primas de infectados, filhas de velhos armazenados em lares (dos amargos não dos doces), médicos, enfermeiros, tipos das misericórdias, presidentes de câmaras, emigrantes, intelectuais de toda a ordem, gente contente por se tornar “célebre”, directoras gerais (coitadinha da da saúde), uma ministra pespineta, o insuportável Costa, o espertalhão do Siza, tudo minha gente a perorar salvíficas matérias, lamentações e protestos, estatísticas maradas, prognósticos à la carte.

E estamos todos em casa, a gozar ou a lamentar o mortal silêncio da cidade, a viver o inimaginável com a bonomia possível ou impossível, escravos das ordens que recebemos, sendo a única que funciona a do isolamento. De resto, ninguém sabe se as máscaras são boas ou más, se as luvas funcionam e como, se podemos dar uma volta ao quarteirão como diz uma criaturinha do governo, ou se não podemos como diz a polícia, se há testes ou não há testes, se os testes são precisos ou não são precisos, se o que nos dizem é verdade hoje e mentira amanhã ou vice-versa, se, se, se.

Tomei uma atitude. Nada de notícias. É capaz de ser mais saudável apanhar o vírus que passar os dias a ler, ouvir e ver a “informação”, venha ela donde vier. A verdade , se é que é verdade ou se há verdade, é que mais vale apanhar o vírus (tendo o cuidado de não morrer) e ficar cheiinho de anticorpos, livre dele, do que andar “informado” e correr o risco de perder o juízo de uma vez por todas.

Comentários de futebol ou opiniões sobre Covid19, venha o diabo e escolha.

 

29.3.20

NO MAR DOS ENGANOS

Diz a propaganda oficial que “é preciso dizer a verdade aos portugueses”. Muito bem. O que não está nada bem é que não se diga a verdade aos portugueses. O que as “autoridades” dizem é todos os dias contraditado por quem anda no terreno. Aquele tipo de Ovar diz que o número de infectados é o dobro do anunciado. Os médicos, enfermeiros e demais profissionais dizem que não há isto, não há aquilo, falta quase tudo. Serão todos uma cambada de aldrabões? Não me parece. Então porque será que, oficialmente, se diz o contrário?

O chamado primeiro-ministro sossega as almas. Ele está em negociações, ele está a fazer encomendas, é possível que os materiais cheguem rapidamente. Muito bem. Só que todas estas declarações contradizem as outras. Então, se não falta nada, para quê as encomendas? Por que carga de água não se diz a verdade que se propagandeia como sendo “precisa”? Eu explico: porque é um vício, um hábito enraizado na comunicação do Estado. Tão habituado está a mentir, a dizer meias verdades, a interpretar tudo “à maneira”, que quando promete dizer a verdade já não consegue.

Pelo contrário, alimenta a mentira. Reparem: ontem, o chamado primeiro-ministro foi visitar um hospital, talvez o único onde, segundo o respectivo chefe, “não falta nada”. Talvez seja verdade. Ou será que o tal chefe é do PS? A pergunta é legítima. Se for verdade, então o governo aproveitou a excepção para dizer que é a regra. Se for mentira, não faz mal, é o costume. Os media, como sempre, colaboraram na jornada política, uma carrada de areia nos olhos do pessoal.

No fim de contas, se calhar, as “autoridades” têm razão. A estratégia está certa. É que, segundo uma sondagem artisticamente posta a correr, o prestígio público do primeiro-ministro subiu! Somos parvos, ou gostamos de ser aldrabados?

 

26.3.20     

DAS VANTAGENS DO VÍRUS

Não chego aos calcanhares da ministra da agricultura, que diz que o vírus é bestial para os servos da gleba venderem couves ao estrangeiro. Mas, verdade verdadinha, há uma coisa que agradeço ao vírus: a EMEL não funciona! Não é que ande muito de carro - praticamente nem lhe mexo. Mas é consolador ter a máquina numa esquina onde não faz mal a ninguém mas que, em tempos normais, daria as mais repenicadas dores de cabeça.

A EMEL nasceu nos tempos do Sampaio, PS/PC no poder. O seu ilustre primeiro chefe foi um tal Bento Feliz que, com requintes de malvadez, criou uma “estrutura” que faria inveja ao camarada Estaline. Depois, à medida que os cofres se iam enchendo, a coisa foi melhorando. Pela positiva, a EMEL passou a avisar a clientela sobre a altura de pagar, com referência Multibanco e tudo. Uma maravilha, a demonstrar a entrada da coisa na era digital(?). Mas, ó desgraça, a coisa devia dar um trabalhão aos funcionários, incompatível com as 35 horas. Assim, sem qualquer aviso, deixaram de mandar o aviso. Daí, os servos, uns canalhas, deixaram de cumprir as suas obrigações pela simples razão que não têm pachorra (pregiçosos, mlandragem, caloteiros!) para andar preocupados com a data do dístico e estavam (mal) habituados aos avisos da ditadora. Fatal. Uns dias depois, começaram as multas, uma, duas e, à terceira, lá vai o carrinho para o estabelecimento prisional da EMEL. Perante tal facto, o tenebroso prevaricador desloca-se, humilde e delicado, à Câmara, lá onde a organização tem assento, julgo que secundário. Depois da devida espera (apesar da augusta presença de toneladas de funcionários), lá vai ser atendido. Pede para pagar, e que lhe passem um novo dístico. Que não. Não é assim, tenha paciência. Mas... o senhor tem aí os elementos todos, basta ir ao computador, dou-lhe a matrícula, dou-lhe o Cartão do cidadão, sabe que o carro é meu, sabe onde moro, tenho o dístico desde que há EMEL, tem tudo. Nem pensar, tem que trazer os documentos da viatura. E como quer que eu lhe dê os documentos, se estão no carro e o carro está apreendido, e se a EMEL sabe perfeitamente do que se trata? Solícito, diz o funcionário que, para já, tem duas multas para pagar, o que pode fazer aqui. Então, para receber o senhor serve, mas para dar uma ajuda já não. Não seja malcriado, é a lei, o regulamento... tá a perceber? E o caloteiro paga as multas, 60 euros, e vai, com o rabinho entre as pernas (o que prejudica o andamento) até à prisão dos automóveis. São cento e oitenta euros, explica o útil cidadão por trás do vidro, e pode ir buscar a viatura. Pago o estrago, o caloteiro lá vai, à procura do carro, está lá longe, o guarda não o vai buscar, era o que faltava! Munido do carro e do respectivo documento, feliz, lá vai o “arguido” (é assim que é referido na papelada!) outra vez à Câmara. Em vez do outro fulano, é agora recebido por uma gorda toda fataça, cheia de anéis. Cartão do cidadão, carta de condução, documento único. Orgulhoso, o arguido põe tudo em cima da mesa. A gorda mergulha no computador e, após judiciosa busca, pergunta: que deseja? Queria que fizesse o favor de emitir o papel de estacionamento de morador. Nova consulta dos dados. Não lhe vou dar o papel. O arguido estremece, começa a suar. Porquê? Porque no Cartão diz que mora no rés do chão esquerdo e, no documento único, que mora no sétimo direito. Ó minha senhora, não vê que é no mesmo prédio, no mesmo bairro, na mesma zona de estacionamento? Que importância tem isso para a EMEL? Tem toda a importância, você (assim, você) tem 60 dias para acertar a morada, depois venha cá, é o que diz a lei, não há nada a fazer, vá aos registos. O arguido respira fundo, bufa, mas, dada a sua esmerada educação, livrou a gorda de levar um murro no focinho. De rabo entre as pernas, está a tornar-se um hábito, vai para casa.

No dia seguinte, começa a emergência. O arguido deixa de poder sair. E agora? Agora, fechou a EMEL, os poderosíssimos sátrapas foram para casa, o carro, provocador, está à esquina. Hi,hi.

Vêem como o vírus tem as suas vantagens?

 

25.3.20     

O REALISMO NA GAVETA

Ouve dizer-se que o chamado governo está na disposição de ajudar os empresários a pagar salários, desde que não despeçam os trabalhadores. Como é de timbre e hábito do Estado, é de calcular que quem de tal precise terá que preencher 245 formulários, fazer prova de 87 factos, produzir 89 declarações 50 das quais de honra, mostrar a contabilidade dos últimos 5 anos e mais o que couber na burocrática imaginação do sistema. Tudo isto será analizado por duas dúzias de funcionários de três ministérios. A seu tempo (o tempo do Estado) os processos serão despachados. Destes, 72% serão arquivados, os restantes sujeitos a pagamento nos prazos habituais do socialismo vigente.

Se o tal governo quisesse tratar do assunto a sério, tomaria conta dos despedimentos e poria a funcionar os respectivos subsídios, pelo menos durante a crise. Passada esta (a do vírus talvez passe, a da burocracia não passa de certeza), dar-se-ia incentivos para a readmissão dos despedidos. A segurança social parece que está razoavelmente montada para despachar este tipo de coisas e, segundo a propaganda governamental, dinheiro não falta, e acrescentar-se-lhe-ia a previsível ajuda da Europa.

O que não vai funcionar, como toda a gente sabe, é a proibição de despedir. Numa crise das dimensões da que se prevê é fatal que o desemprego não pode deixar de galopar. O mais que pode fazer-se é tentar limitar o galope  durante a “guerra”. O resto são ilusões, wishful thinking, ou mera fantasia de iluminados num quarto escuro

Ele há coisas em que vale a pena ser realista, mesmo que a realidade seja muito triste.

 

25.3.20     

QUERIDA LISBOA

O admirável “Zé” (Sá Fernandes), apresentado há anos pelo BE à candidatura a vereador em Lisboa, e eleito, zangou-se com o Bloco. À semelhança de outros (Rui Tavares, Joacina...) deixou-se ficar no lugarzinho e, pendurado no PS, por lá está, há anos e anos, como uma lapa.

Hoje, o “Expresso”, publica-lhe um artigo, sem direito a comentários, sob o título “Querida Lisboa”, onde tece considerações mais ou menos desinteressantes sobre a cidade.

Haveria que perguntar (coisa que ninguém faz, julgo que por privilégios de esquerda) ao imponente vereador quanto é que a sua pessoa já custou, e ainda vai custar, ao Município. A grande obra desta criatura cifra-se já em várias centenas de milhões de prejuízos para o erário municipal. A sua “acção popular” contra o túnel do Marquês já custou, em indemnizações, mais de cem milhões, pagos no tempo do presidente Costa. A sua batalha legal contra o negócio do Parque Mayer/Feira Popular cifra-se em pelo menos outro tanto e, segundo julgo saber, a procissão ainda mal saíu do adro. Coisas que podemos agradecer, não esqueçamos, ao Sampaio, ao Costa e ao Medina, seus indefectíveis patronos.

Se a cidade tivesse mais uns “Zés” ao serviço, se calhar já estava em bancarrota. Os milhões do “Zé” já muito ajudaram o Medina a aumentar os impostos. E é este “Zé” que vem declarar o seu “amor “ à cidade. E é este Medina que lhe apara as candidaturas e o conserva como uma jóia no seu ilustre plantel! E é este “Expresso” que lhe dá guarida, sem fazer perguntas.

Boa tarde.

 

24.3.20   

QUAL É O ESPANTO?

Hoje, 24.3.20, caíram mais umas máscaras, não daquelas do Covid19, mas das do chamado primeiro-ministro. Passados os olhos por vários jornais, as mentiras do homem são largamente divulgadas. Mentiu quanto às máscaras, aos ventiladores, aos testes e a sei lá mais o quê. As denúncias são aos pontapés. Somos o país da Europa com menos testes feitos ou disponíveis, com menos meios, com menos tudo. Grita o bastonário, os especialistas, os cientistas, grita toda a gente por esse país fora.

É verdade que o PM mente. E agora? Que confiança, que esperança, que mínimo de certeza, não quanto ao comportamento do vírus mas quanto ao do governo?

Só uma coisa é certa: o PM aldraba. Mas não é o que tem andado a fazer de há cinco anos a esta parte? Qual é o espanto?

A vida, mesmo lixada, continua. O primeiro-ministro também.

 

24.3.20

HÁ-DE SER O QUE CALHAR

 

Em matéria de política, há especialistas de futurologia com fartura. Já li que o vírus causará uma vaga de nacionalismo, como li que será uma oportunidade para que as nações aprendam a presar o multilateralismo, a união da Europa, a colaboração internacional.

Quem terá razão? Se calhar, ninguém. Depois da tempestade a bonança, tudo voltará a ser como era.

Uma coisa é certa: o vírus pôs à solta um oceano de oportunidades para opinar. O IRRITADO aproveita, faz o mesmo, dirão com alguma razão. Só que o IRRITADO não vem declarar a última e a mais certa das opiniões, vem dizer que não tem opinião nenhuma. Nem que o vírus vai unir, nem que vai desunir, nem que nem uma coisa nem outra.

É certo que, pelo menos na UE, a “solidariedade fundacional” funciona pouco, e mal. Cada um está entregue a si próprio, salve-se quem puder. Daí, há quem veja o fim da União, a somar à “razão” dos britânicos, dos catalães, dos populistas “nacionais”. A UE, dada a urgência, não trata nada com urgência. Eurobonds? Pois, mas. União bancária? Pois, mas. E por aí fora. Quem vai triunfar, os que se fecham ou os que querem unir-se mais ainda? Uma sociedade que se rege pelo critério da unanimidade pouco mais pode para além de encanar a perna à rã. Será que anda por aí algum líder capaz de tomar as rédeas? Se há, está escondido a mau recato. Parece que os pessimistas têm razão.

Mas há os outros, os que dizem exactamente o contrário, que o vírus, mais cedo que mais tarde, motivará uma onda de solidariedade europeia e universal que fará com que as pessoas prezem mais a concórdia e se tornem capazes de cerrar fileiras em face de um inimigo comum. O pior é que, sinais disto, para já, quem os dá são os chineses, sendo legítimo perguntar com que veladas intenções.

Enfim, esperemos, é o que há a fazer. Há-de ser o que calhar. Até lá, analistas não faltam, o que falta é juízo.

 

23.3.20

BOAS INTENÇÕES

Sua Excelência de Belém convocou Sua Excelência do Terreiro do Paço para lhe implorar que não se fosse embora, a fim poder acudir ao descalabro da economia.

Muito bem, ou muito mal. A perniciosa influência do homem já se faz sentir. Há anúncios e mais anúncios propagandeados por Sua Excelência de São Bento, milhões (poucos) e mais milhões (poucos). Mas ninguém, ou quase, faz qualquer ideia de como e onde desencantar os maravedis. Bem pelo contrário, diz quem sabe que a teia burocrática está aí, vigorosa e viçosa como sempre. Vai ser preciso muito paper work para chegar a bom porto.

Julgavam que era “ajuda de emergência”? Desiludam-se. As emergências da máquina do Estado são coisa que só emerge meses e meses depois, isto quando chega a emergir. Além disso Sua Excelência do Terreiro do Paço é especialista em cativar tudo o que tem à mão.

Tenho a impressão de que teria sido melhor Sua Excelência de Belém ter deixado ir ambora a Excelência do Terreiro do Paço em vez de lhe lamuriar que ficasse. Vai ficar, e vai ser a pessegada do costume. Os anúncios de Sua Excelência de São Bento são como as boas intenções.

 

23.3.20   

APELO

Enquanto esperamos com ansiedade o resultado do conselho de ministros em curso, haverá que tentar prognosticar o que de lá vai sair. Diga-se que os hábitos governamentais não permitem grandes ilusões. Por um lado, está largamente provado que o Centeno é um forreta, capaz de tudo sacrificar, doa a quem doer, às suas sacrossantas continhas. Por outro, a UE está paralítica, sacrificada à unanimidade e a disparates do género que o tratado de Lisboa se propôs mitigar, mas não mitigou.

Assim, entregues, por um lado, às políticas restritivas da primeira versão da geringonça que a segunda não negou, por outro à falta de decisões supranacionais, acabamos por ver a “generosidade” do governo ficar limitada a uma ridícula injecção de dinheiro na economia, pelos vistos a filha pobre desta crise. O anunciado não consiste propriamente em medidas que permitam olhar o que aí vem com um pouco de sossego. Se compararmos as intenções já anunciadas pelo governo a este respeito com o que se passa na Europa, teremos um sinal claro do que nos espera no pós crise sanitária.

Enfim, aqui fica um apelo ao bom senso governamental, coisa que, do ponto de vista económico/financeiro, não augura nada de bom.

 

19.3.20

OS ENGANADORES

O homenzinho do Facebook proibiu as informações sobre o vírus na sua rede, remetendo quem as procura para sites oficiais e/ou científicos. Não se pode censurar esta censura global. No entanto, é interessante verificar que o homem, implicitamente, reconhece que o seu produto, como os do mesmo género - as chamadas redes sociais - são fábricas de mentiras, de desinformação, de manobras ilegítimas, etc., centros de irresponsabilidade, de anonimato, de engano gratuito e totalmente descontrolado.

Na informação dita “tradicional”, sabe-se quem escreve o quê, quem diz o quê. Os enganados, os perseguidos, os socialmente violados, as vítimas de notícias falsas, têm meios de defesa que, funcionando ou não a contento, lá estão à disposição de cada um. Na Net é o contrário. Podemos dizer o que nos vier à cabeça, doa a quem doer, enganando quem nos apetecer enganar.

Reconheço que, se calhar, não há nada a fazer. Os Zukerbergs & companhia têm negócios multimilionários. Não são ataquinhos de consciência como o que acima refiro que os ilibam de ter criado e explorar os seus inferninhos comunicacionais. Ao menos, podia obrigar-se quem desinforma a identificar-se de forma clara e iniludível. Como fazê-lo não sei, mas tenho a certeza de que tal está ao alcance das tecnologias que são a especialidade dos Zukerbergs e do poder de quem manda nesta coisa em que o mundo se transformou.

 

17.3.20                                                                                                              

MAIS PENSAMENTOS

Sempre sempre ao lado do governo, o senhor de Belém resolver pensar. E, à semelhança dos camaradas da geringonça, disse que, enfim, talvez seja preciso tomar medidas, não é? Para já não, vou ouvir o Conselho de Estado na 4ª feira, por video conferência, depois logo se vê. A coisa não é urgente, senão seria fácil fazê-la, mas é preciso que eu pense e que os meus conselheiros pensem, com calma, com ponderação, o que leva uns dias. Resolverei esse assunto da emergência ou não emergência com a descontracção que se impõe.

Estão aperceber? Pela primeira vez que um assunto grave e urgentíssimo lhe cai, em exclusivo, nas constitucionais mãos, o senhor de Belém precisa de tempo, para pensar ou, sabe-se lá, para ir tomar uma banhoca à praia dos pescadores.

Não há dúvida que, desgraçadamente, estamos entregues à bicharada. E o tal senhor entregue aos seus pensamentos, à espera da opinião (daqui a três dias!) doutamente expressa pelos seus ilustres colaboradores do CE.

Ora bolas!   

 

16.3.20

O GOVERNO ESTÁ A PENSAR

 

Temos um governo pensador. Começou por pensar que isto do Covid não tinha importância nenhuma, uma gripezinha de somenos. Depois, lá disse que sim, havia contágio, mas era pouco. E, aos poucos, começou a dizer que afinal, talvez não fosse bem assim, mas havia que evitar o pânico, nada de exageros. Aos poucos, lá percebeu que isto não é para brincadeiras, mas fechar escolas nem pensar. Dias depois, mandou fechar as escolas, mas só dali a três dias, o vírus só vinha para a semana. Pensou, pensou e, aos poucos, mandou fechar quase tudo. Descobriu até que, afinal, era preciso ficar em casa. Anunciou que ia comprar uma série de coisas, camas, ventiladores, máscaras que, tudo coisas que, antes, dizia que não eram precisas, estava tudo exemplarmente abastecido. Até o Bloco de Esquerda, força preponderante do socialismo-nacional, disse que análises se impunham, desde que fossem das boas, isto é, que não fossem feitas por privados. Entretanto, o governo anunciou que tinha pensado criar hospitais de primeira linha. A seguir começou a dizer que tinha continuado a pensar e que todos os hospitais passavam a estar à disposição. Há coisa de três ou quatro dias, a opinião pública concluiu que era preciso fechar a fronteira, já que os espanhóis estavam infectadíssimos. Daí, o governo continuou a pensar e, quando já for tarde, como em tudo, fechará as fronteiras. Estas decisões têm que ser pensadas, não é? As duas pobres marretas, no camarote do governo, continuam a comunicar pensamentos e, segundo dizem, até é possível que se venha a tomar, um dia, decisões tão drásticas quanto aquela, que parece estar a ser pensada.

Podemos assim estar descansados, cada vez mais descansados. Há que confiar nos pensamentos do governo.

 

15.3.20

DA ESTUPIDEZ COMO FORMA DE PROPAGANDA

Sobre o covid, não sei quantos milhões de páginas já se escreveu, quantos biliões de horas já se viu e ouviu, quantas centenas de milhar de declarações já se produziu.

Não venho adiantar nada sobre o assunto, nem saberia fazê-lo. Só fazer umas citações que vi escritas por aí, todas vomitadas pela perigosissima organização que dá pelo nome de Bloco de Esquerda. Alguns exemplos (dos jornais):

- O corona vírus deve dar-nos esperança de que somos capazes de enfrentar a crise climática;

- As forças de extrema direita tentam lucrar com o medo para impulsionar imundas respostas malthusianas e racistas;

- o Covid-19 é apenas um aviso: é preciso acabar com o capitalismo que conduz a humanidade à barbárie;

- A linha SNS 24 não deve ser explorada por entidades privadas.

 

Quem quiser falar de imundice, de desbragada estupidez, de propaganda rasca, de extremismo maoista, de porcaria humana, de verdadeira barbárie, aqui tem uns bons exemplos.

O BE, neste aspecto como noutros, mete o PC num chinelo. É que fica, preto no branco, a evidência clara da verdadeira natureza desta gente, a sua marcha totalitária para a negação da humanidade. Uma postura que não hesita em aproveitar a crise para os mais tenebrosos fins políticos, mesmo que para tal tenha que alardear as mais estúpidas “teses”. Tem a vantagem, além disso, de fazer com que muita gente, ou toda a gente que aquilo leia, perceba a cegueira, o fundamentalismo, a “religião” desta gente.

Não vale a pena esmiuçar as asneiras do BE. Elas esmiuçam-se a si mesmas, mostram quem é quem, evidenciam os métodos, a desonestidade, a capacidade de mentir desbragadamente, o orgulho estúpido de uma ideologia inumana.

Para que conste.

 

15.3.20

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