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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

CUIDADOS HUMANOS

Correram já rios de tinta e de antena sobre o que aconteceu ao desgraçado senhor Rendeiro. Há, no entanto, um pormenor sobre o qual ainda nada ouvi ou li.

O homem, condenado ou não, perseguido ou não, era um cidadão português sob autoridade de autoridades estrangeiras, que, segundo é voz corrente e aceite sem restrições nem desmentidos, estava encarcerado em condições infames, indignas de uma pessoa humana, criminosa ou não.

Nestas circunstâncias, seria comum, curial e normal que as autoridades portuguesas, pelo menos as consulares acreditadas no local, se interessassem pelo assunto. A verdade, porém, é que, das notícias publicadas, nem uma se refere ao nosso cônsul, à nossa embaixada ou, evidentemente, às instâncias judiciais interessadas na sua extradição.

O que acontece é que, agora, não há ninguém para extraditar. Pof!

Ninguém se preocupou sobre o facto de o homam estar “alojado” numa prisão de conhecida e reconhecida má fama, numa cela com oitenta criminosos de delito comum, todos uns em cima dos outros, sem quaisquer facilidades sanitárias ou cuidados médicos. Além disso, é evidente que a “hospitalidade” dos “colegas” em relação a um tipo de gravata não era com certeza invejável.

A nossa justiça borrifou no assunto, se calhar por achar que até era mais prático e poupava trabalho se desse ao condenado alguma providencial solipampa, coisa de que ele acabou por se encarregar sem dar satisfações.

O nosso consulado, se é que existe, que se saiba ignorou o assunto. Quando o homem se queixou de problemas de saúde (ignoradas olimpicamente pelos carcereiros e pelos juízes sul-africanos), assobiou para o ar,  presume-se. Não tinha nada com isso.

O homem era um criminoso condenado. Devia ser extraditado para cumprir sentenças judiciais para as quais já não havia recurso. Disso não há dúvida. Mas nada disso devia  fazer com que deixasse de ser um cidadão com passaporte português, por isso titular de algum interesse meramente humanitário (coisa que está na moda) por parte de quem nos representa no local.

Mais uma vez, as nossas autoridades, tão incompetentes ao deixá-lo fugir, manifestaram a mesma qualidade ao não o assistir quando disso precisava.      

 

16.5.22

DA DESEUCALIPTIZAÇÃO

Parece que o governo que temos se prepara para arrendar as propriedades particulares que, no seguimento dos incêndios, se encontram abandonadas. Muito bem. Como? O Estado, através de (mais) uma entidade, e seguindo os seus altos critérios, avaliará as rendas a pagar, assim introduzindo uma prática que consiste em ser o rendeiro a estabelecer o valor da renda. Será mais uma inenarrável trapalhada, como é de calcular. A intenção poderá ser boa mas, a avaliar por inúmeras experiências do passado, não é provável que passe daquilo mesmo: trapalhada.

Diz o senhor secretário de Estado que o o dito Estado é mais competente que os privados na gestão das florestas, o que também carece de prova, não sendo abonatória a experiência do passado, como, por exemplo, ficou patente, e patente ainda está, no pinhal de Leiria.

É claro que os proprietários que o queiram, terão seis meses para repor o ardido ou abandonado, não se fazendo ideia de quando começará tal prazo. Se for como de costume, daqui até à entrada em vigor do emaranhado de leis, portarias e regulamentos que será preciso estudar, propor e publicar, bem poderá o pagode esperar sentado.

E, atenção! Que não lhes passe pela cabeça plantar eucaliptos, que o PC e o Bloco proibiram e o PS acha muito bem, por inextricáveis razões ecocientíficas. Por causa das moscas, há uns papeleiros que já se preveniram: vão para a Galiza, e passam a reforçar as exportações espanholas. Uma consequência da ecopatriótica política económica do governo e dos seus ex-sócios.

Enfim a coisa vai ter que se lhe diga durante uns tempos, que o IRRITADO  estima em décadas. Como, entretanto, o assunto deixará de ocupar as páginas dos jornais, não se preocupem.

Para que não se diga que o IRRITADO diz mal de tudo o que mete o PS, aqui fica que as intenções do senhor secretário de Estado podem, como acima disse, lá no fundo, ser boas. Mas de boas intenções estamos cheios.

 

9.5.22

A MALDIÇÃO

Durante os últimos anos generalizou-se a ideia de que o PSD, ao contrário de uma tradição de décadas, desistiu de ser alternativa ao PS, remetendo-se, sob a desgraçada batuta do senhor Rio, a não passar de bengala das opções “social-democratas” do adversário. Pisando todas as tradições, posturas e mensagens do partido, Rio transformou o PSD num partido de “esquerda moderada” – o mesmo de que o PS se reclama, mentindo - com os tremendos resultados, eleitorais e políticos, que estão à vista de todos. A alternativa liberalizante que, em palavras já hoje históricas, se apontavase para a "libertação da sociedade civil", sossobrou num socialismo castrante cujas consequências são já indiscutíveis: atrazo, ruína económica, ausência de horizontes, governação à vista, irresponsabilidade galopante. De futuro, nada. Com a a colaboração do senhor Rio, as opções socialistas têm resultado no contrário de tal libertação: uma sociedade dependente, desmotivada, castrada, sem iniciativa social, política ou económica, um Estado poderosíssimo, sustentado por uma burocracia inultrapassável, pejado de “instituições” redundantes, limitador, serventuário de todas as demagogias e disparates da moda.

Pior. O senhor Rio demitiu-se sem se demitir e tudo faz para prolongar a sua destruidora obra com nomeações destinadas a manter os “seus” no poder e a cortar as pernas ao seu sucessor. Ideias claras e mobilizadoras da sociedade, zero. Denúncias do ruinoso poder socialista, nada.

Resultado: ausência de oposição, ora entregue à moribunda esquerda comunista. Mas Rio não pára. Deve achar que o partido e o país precisam dele, da maldição em que, com ele, o partido caiu. Uma espécie de loucura, solipsista e ditatorial.

E agora? Agora, há duas hipóteses. Ou o PSD arranja forma de ressuscitar, ou continua tão mal ou pior do que estava. Ou elege um político com garra, imagem, estaleca, passado e futuro – Montenegro –, ou agarra-se a uma nova dose de Rioismo, desta vez ainda pior, com objectivos tão inquietantes e ruinosos como o de “salvar o planeta”, multiplicar os moinhos de vento, os parques solares e outras macaquices, transformar o país num lunático exemplo do respeito pelas modas e pelo aprofundar da miséria em que já vegeta - Moreira da Silva (leia-se o programa deste triste tecnocrata).

Continuar com a maldição ou voltar à vida, eis a questão.

 

8.5.22

AOS MEUS COMENTADORES, OU A ALGUNS DELES

O meu post “Sacudir a água do capote” deu azo a uma série de comentários mais ou menos tresloucados e cheios de primaríssimo ódio ao nosso mundo. Nenhum comentador se debruçou sobre o assunto do texto. Quatro dias depois, no “Expresso”, dona Clara Ferreira Alves, fulana inteligente e conhecedora (apesar de pesporrente e nariguda), veio dizer o mesmo por palavras mais caras e com a palha necessária para encher a página.

Aqui, porém, nem uma palavra, a não ser sobre o “sovietismo”, isto por um comentador que atribui a criação da EMEL a Cavaco! Para seu esclarecimento, aqui fica que a coisa é produto do consulado Sampaio na CML e que o seu fundador e primeiro presidente foi o vereador Bento Feliz, do PC.

Os comentários, que, apesar de tudo, o IRRITADO agradece, foram quase integralmente dedicados a explosões de malquerença (não digo ódio porque a palavra, ainda que adequada, de tão na moda já quase nada quer dizer) ao Ocidente, aos EUA, à NATO, à Europa, ao capitalismo etc. e tal. Entre adeptos do PC, nefelibatas, utopistas e merecedores de outros adjectivos que me escuso de referir, havia um desejo comum: o de que o Putin saia vencedor desta “operação militar”. O resto é palha sem sentido, manifestação de frustração intelectual, ou de total desconhecimento de uma coisa que se chama razão.

Tenho pena que o meu blog seja pasto de comentários destes. Mas, como sempre, não censuro. Digam o que lhes apetecer. Não sou nem salazarista nem putinista.

Bom fim de semana.

 

7.5.22   

 

 

APONTAMENTOS DE 6.5

Um com piada. Atenção alfacinhas: hoje a EMEL está em greve. Comemoremos! Um dia sem os esbirros da caça à multa, dos critérios marados, dos abusos legais, das faltas de educação, do sovietismo primário com que a coisa nasceu e prosperou. Hossana! Viva a greve! Esperemos que os tipos da Câmara não aumentem os beleguins, a fim de termos mais greves.

*

Outro com piada. Os brasileiros, segundo o “Expresso”, querem apoderar-se do coração de Dom Pedro IV. Muito bem. Mandem-lhes um coração qualquer para os consolar. E, se for o do Dom Pedro, que lhes faça bom proveito, no forno, com batatinhas.

*

Outro, sem piada nenhuma: o Brasil ideologicamente entregue aos chacais. Em doce comunhão de ideias e interesses, os senhores Bolsonaro e Lula apoiam sem reservas o camarada Putin e presenteiam o senhor Zelenski com tremendos epítetos. Les bons esprits se rencontrent.

 

6.5.22

SACUDIR A ÁGUA DO CAPOTE

Vivemos num país de capotes encharcados. Mas, grande feito da “alma” portuguesa, somos mestres em sacudir as incómodas águas que o molham. Ao mais alto  nível da Pátria estão vários especialistas doutorados na matéria a dar um lindo exemplo de como a molha é gerida.

Para a recepção “humanitária” de ucranianos, a Câmara de Setúbal contratou dois notórios adeptos do camarada Putin, os quais, prenhes de “solidariedade”, se dedicaram, ou dedicam, a investigar o paradeiro das famílias dos refugiados e a obter outras informações, certamente muito úteis para os seus amigos da embaixada russa.    

Olhem agora as doutas palavras do Presidente: temos entidades que se dedicam a estes casos, não tenho nada com isso. Olhem os habituais dizeres do primeiro-ministro: há quem trate disso, não tenho nada com o assunto. Olhem a bailação do presidente da câmara, ilustre membro do PC, ou dos Verdes, o que é a mesmíssima coisa: vou fazer um inquérito, diz ele. Até o artista/ministro que se diz ser responsável, coitadinho, não deve ter nada com isso.

Ninguém sabe ao certo (uns dizem uma coisa, outros outra) quais as entidades que tratam do assunto. O país é farto em entidades altamente competentes que sacodem o capote para cima umas das outras. É uma arte nacional.

Não há jurista que não diga que, de um ponto de vista legal, administrativo, penal ou outro qualquer, ninguém fez nada de mal.

Portanto, ou o assunto não é assunto, ou o assunto é político. Mas, como sempre, ou como é inveterado hábito da Nação, super aumentado desde que o Costa trepou para o poder, politicamente não há responsáveis, nem culpados, nem nada. Os assuntos chatos são para morrer na praia. O tempo trata disso.

No parlamento, com a impante maioria Costa, mais paleio menos paleio, tudo ficará na mesma. Até que os jornais deixem de achar que o assunto vende. Quando deixar de vender, acabou.

E pronto. Mais entidade menos entidade, as coisas vão acalmar. Ou muito me engano ou, daqui a dois anos, ainda andarão todas a discutir qual delas trata do assunto. Como, entretanto, o assunto deixou de existir, qual é o problema?

Nota final: a putinesca senhora que assessorava o espião do Putin foi “dispensada”. Como bode espiatório, é pouco. Mas, para quem manda, bacalhau basta.

 

2.5.22

A VITÓRIA DO MAL

O nosso bem-amado Guterres fez uma visita ao carniceiro da Rússia. Para consolo das inúmeras almas sensíveis que por aí abundam, o mui-ilustre político foi mendigar uns corredores humanitários que a experiência demonstra estar em ignorados confins das preocupações do visitado, não passando de conversa destinada ao seu imperial caixote do lixo.

Por cá, o PC, a chusma de idiotas que o ouvem e estimam, a mesnada dos comentadeiros que comem na manjedora intelectual da esquerda radical (e não só), a cáfila dos que aproveitam para condenar a civilização que os faz livres, devem ter ficado satisfeitíssimos.

E pronto. Em vez de reafirmar o parecer da esmagadora maioria dos países seus representados, que  condena uma guerra sem perdão, justificação ou limites, em vez de denunciar cara-a-cara a indignação e a mais radical incompreensão e condenação da esmagadora maioria de que se diz porta-voz, Guterres ouviu e “compreendeu” as “razões” do canalha. Em vez de recusar a mesa de seis metros que, simbolicamente, separa a civilização da barbárie, sentou-se, humilde e atencioso, lá longe, onde o tirano o pôs.

Resultado? Nada. Ou pior. Nada que o déspota não tivesse planeado. Humilhou o visitante, obrigou-o a ouvir o que lhe quis dizer sem controvérsia que se visse, nada prometeu, e mandou-o embora com o rabo entre as pernas.

Uma visita inútil e, como tal, perniciosa. A carnificina, a destruição e a morte ganharam.

 

27.4.22

MUDE-SE PARA A LUA

Com repeniado aplauso das hostes do Putin que, por interesse ou estupidez, por aí abundam, vieram o tirano e o calhordas de serviço anunciar a possibilidade, ou a proximidade, de ataques com armas nucleares, a perpetrar nos países que apoiam o “nazi” (valha-me São Crispim!) Zelenskyi.

Quando o Presidente Biden dizia que a Rússia ia invadir a Ucrânia, ó tio ó tio, que o homem está velho e doido. Não estava, dizia a verdade. Não faltará, agora, quem diga que a ameaça do canalha e do calhordas não quer dizer pescoço. Mas, neste particular, ao contrário do costume, os tipos devem estar a dizer a verdade.

Por isso, preparem-se, emigrem para a Lua, que não há outro sítio para onde fugir do novo Hitler e do novo Ribentrop. Helas, como na Lua a respiração é difícil e os transportes até lá não estão disponíveis, a fuga está prejudicada.

Assim, os que forem crentes, rezem, façam uma boa preparação para o além. Os outros, divirtam-se. Nem precisam de reservar bilhetes para o crematório: os russos tratam disso.

 

26.4.22

META-SE COM O PS

Um senhor, industrial de grande prestígio nacional e internacional, queixava-se há dias nos media acerca da atribuição de verbas da bazuca à sua organização. É que, segundo diz, as suas candidaturas andam a passear por seis ou sete entidades, as quais, para mostrar serviço, fazem perguntas e mais perguntas sobre assuntos que conhecem mal, ou não conhecem de todo. A coisa anda há meses a passear nas secretárias da nacional-burocracia. O tal senhor, contas feitas, acha que, se tiver muita sorte, daqui a um ano terá respostas, positivas ou negativas. Entretanto vai gastando fortunas em “agências especializadas” nestas matérias. Alguém lhe perguntou se conhecia alguém bem colocado no PS, ao que o senhor respondeu que não. O IRRITADO  recomenda vivamente que não perca mais tempo com o assunto.

Um jovem investigador informático que, para além de um pequeno negócio da especialidade, tem notáveis skills em ID e a tal se dedica com afinco e reconhecida competência, propôs às “entidades competentes” alguns projectos que tem em desenvolvimento ou quer desenvolver. Teve, como é indispensável, necessidade de contratar um especialisata em especiosas tarefas borocráticas. A coisa tem andado, como é de “direito”, de Herodes para Pilatos, e nada de bom pode o nosso homem esperar. O tal especialista não esteve com meias medidas. Aconselhou: as diligências ganhariam velocidade e melhores hipóteses de sucesso se o homem conhecesse algum poderoso do PS.

É assim a vida, como sempre foi, mas hoje com muito mais vigor e eficácia. Nestes casos aplica-se, de pernas para o ar, a máxima de ódio do senhor Santos Silva, que reza assim “quem se mete com o PS, leva” - leia-se, “leva porrada”. No caso vertente dá-se o contrário: quem se meter com o PS ganha umas massas.

 

26.4.22   

AQUI D’EL REI!

O IRRITADO tem estado a hibernar, não sei se por causa excesso de irritações se de indignação com os putinistas que o frequentam, se por não ter palavras que cheguem para os horrores da Ucrânia, do orçamento do Estado, do programa do governo ou das manobras do Leão, para dar alguns exemplos.

Hoje, porém, as notícias foram demais. Após dois anos em que dominaram o país, cuspindo na Constituição, nas leis, nos mais elementares direitos das pessoas, as autoridades socialistas, finalmente, vieram acabar com as máscaras. De todo o mal que se sobre nós se abateu sob chefia de duas tontas varridas, a dona Freitas e a dona Temido, restavam as insalubres e perniciosíssimas máscaras. Acabaram com elas? Sim, hossana, mas com excepções, as esperadas: nos transportes, nos hospitais e noutros sítios onde há quem as desculpe.

Falta falar das escolas. O decreto do autoritarismo em vigor há dois anos ressalva o mais ecandaloso de tudo: as crianças passam a ir às aulas sem máscara, mas, no recreio, continuam obrigadas a usá-las! Andam há dois anos a dizer que nos espaços fechados é que há perigo, mas a miudagem passa a ser obrigada a mascarar-se ao ar livre!

Quem acode? Quem processa as tontas? Quem as mete na ordem? Ninguém. Elas são apoiadas, seguidas, obedecidas pelo conselho de ministros e pelo seu inigualável chefe Costa. Quem processa esta gente? Onde estão os tribunais?

Qem acode?   

 

22.4.22 (capicua, mas não dá sorte)

OS SOLDADOS DO PUTIN

Apóstolo da paz, feroz contestatário dos armamentos, retumbante escrevinhador, Miguel Sousa Tavares vem-se revelando como uma espécie de general dos exércitos de Putin. Contra a guerra, lado a lado com o Putin que, segundo declarou,também é contra a guerra, o Tavares insurge-se contra o Ocidente em geral e os EUA/UE em particular. Havendo guerra, o que excita os altos sentimentos do Tavares? Nada, a não ser o seu fim. Como? O Tavares não diz. Lidas as suas preclaras linhas e entrelinhas, para acabar com a guerra só há um remédio: a Ucrânia render-se, deixar de existir, entregar-se aos braços fortes e justos do Putin. Ouro sobre azul, como é evidente. Culpados? Os fabricantes de armas do Ocidente. Os que as fabricam na Rússia não contam. Os que se defendem são belicistas. Quem ataca, ataca pela “paz”. Tudo claro, não é? Nem o Putin sonharia com encontrar um tão fiel general.

Há mais, muitos mais, com poderosos exemplos: uma tal Afonso, nova ocupante de página nobre no “Público”, esperneia de esquerdismo balofo ou absurdo; aquele velhinho do BE, o Boaventura e tantos outros, tudo sargentos do Putin.

A mais tradicional esquerda, aí está ela, com os do PC a ocupar as fileiras dos conscritos às ordens da Rússia, preocupadíssima com os “nazis” ucranianos e, naturalmente, amantes da “paz” à moda soviética. Tudo soldados rasos a defender as mesnadas do sucessor dos bolchevistas, ultra nacionalista e imperialista como eles. A burrice no seu mais radical esplendor.

Tudo absurdo, ou idiota, esperando-se que inútil. A esquerda radical, no nacional-putinismo, ultrapassa o imaginável. Ao contrário do que acontece em países mais civilizados, por exemplo a França, onde o putinismo é quase só de extrema direita, sendo verdade que o Melanchon dá uma ajuda.

Ai de nós!

 

11.4.22

DO ECONOMIST

International

Atrocities against civilians
How, if at all, might Russia be punished for its war crimes in Ukraine?

It is worth trying, even if success is likely to be limited

 

Russian troops retreating from Kyiv have left behind a landscape of atrocities. The mayor of Motyzhyn, a suburb of the capital, was found blindfolded and shot, apparently by Russian forces, along with her family. An eye witness told Human Rights Watch, a charity, that Russian soldiers threw a smoke grenade into a basement in Vorzel, near Irpin, then shot a woman and her child as they emerged into the light. Another saw soldiers round up five men in nearby Bucha, forced to kneel and pull their shirts over their heads, and shoot one in the head before 40 witnesses. In all, said Ukraine’s prosecutor-general on April 3rd, 410 civilians had been killed around Kyiv. Many more will be found.

The renewed evidence of Russian atrocities has produced renewed condemnation. “Genocide”, Ukraine’s president and Poland’s prime minister called it. The American president, Joe Biden, said what had happened in Bucha was a war crime and that Vladimir Putin, Russia’s president, should face an international tribunal for it. The un secretary general asked for another investigation (several are already under way), and Ukraine said it would set one up with the eu. The former un chief prosecutor for war crimes in Yugoslavia and Rwanda demanded that an international arrest warrant be issued against Mr Putin. For its part, Russia said the whole thing was faked, then blamed the Ukrainians for it, demanding a un Security Council meeting to discuss the “heinous provocation of Ukrainian radicals in Bucha”. It is possible there were or will be atrocities by Ukrainian forces, though not on the same scale. But Ukraine will, presumably, investigate them, unlike Russia. In this particular case, the decomposition of the victims’ bodies shows they had been killed long before Ukrainian forces recaptured Bucha.he evidence from the battlefield confirms that Russians have committed at least three types of criminal offence in war. The first are war crimes. The Geneva Conventions, which Russia has signed, define war crimes to include wilful killing, wilfully causing great suffering, deliberately targeting civilians and destroying or appropriating property. Summary executions at Bucha would be war crimes. So would the bombing of the Mariupol theatre which was the city’s largest air-raid shelter and had the Russian word for children written in letters large enough to be seen from the sky. The Geneva Conventions determine what are international legal obligations in all military actions. It does not matter that Russia has not formally declared war in Ukraine.

Second, Russia’s invasion was itself a crime, regardless of the way in which it has been carried out. It is a crime of aggression. This is spelled out in the statutes of the International Criminal Court (icc), which tries individuals for actions under international law. The icc defines aggression to include invasion, military occupation, the annexation of land, bombardment, the blockade of ports and other actions that contradict the UN charter. Lastly, the scale of the Russian actions around Kyiv (and elsewhere) strongly suggests that Russia is guilty of crimes against humanity. The icc defines this as participation in and knowledge of “a widespread or systematic attack directed against any civilian population”. Thousands of Ukrainians have been killed and over 4m driven abroad.

Proceedings have begun in several international courts to bring the perpetrators to justice. Two have made initial rulings in Ukraine’s favour. In the first, on March 16th, the International Court of Justice (icj), which adjudicates on inter-state disputes, ruled that Russia “shall immediately suspend the military operations that it commenced” on February 24th. The issue before the court seemed arcane: Ukraine said Russia’s argument that it had launched an invasion to prevent a Ukrainian genocide in Russian-speaking breakaway regions was bogus under the un’s genocide convention. The significance of the ruling was not just that the court agreed with Ukraine, but that it broadened its conclusion to demand Russia’s full withdrawal.The other ruling came at the European Court of Human Rights, which is part of the Council of Europe, a governmental human-rights body. On April 1st it confirmed an earlier ruling that Russia must “refrain from military attacks against civilians and civilian objects, including…schools and hospitals.” Ukraine had brought the case under European human-rights laws. The court added that Russia had acted wrongly when it forced refugees from Mariupol to flee to Russia, rather than to a place of their own choosing.

But it is one thing to make rulings, another to bring to an international court any Russian, let alone its head of state. Russia was thrown out of the Council of Europe on March 16th because of the invasion and has stopped responding to the European court’s demands. Since 2016, the country has not recognised the authority of the icc, either. That does not rule out the icc prosecutor bringing a case or issuing arrest warrants against individual Russians. But if Russia ignores the warrant, the next step would be to refer the case to the UN Security Council - and Russia could then use its veto. Russia does accept the authority of the other international court, the icj, at least in theory. In practice, though, it did not show up at the court’s hearings and (obviously) has ignored its ruling. As with the icc, the only way of enforcing icj rulings is through the un Security Council. If Mr Putin remains in power, therefore, or even if he resigns but continues to be protected by successors, international justice will not be seen to be done.

Legal proceedings will grind on and are likely to deal further setbacks to Russia’s legal case and diplomatic standing. Meanwhile, Ukraine’s allies will have to find other means of stepping up pressure on Mr Putin. These include more sanctions and more lethal weapons to Ukraine.

Even before the horrors revealed by Russia’s retreat from Kyiv, nato allies had started to offer heavier weapons. The New York Times reported on April 1st that the Biden administration planned to transfer Soviet-made T-72 tanks to bolster Ukrainian forces in the Donbas region. These would be the first tanks provided to Ukraine by America, which had previously insisted its military aid was purely defensive. On March 16th Britain started to provide the Ukrainians with its advanced Starstreak anti-aircraft missile; on April 1st a video showed a Starstreak apparently bringing down a Russian helicopter. Other advanced weaponry seems likely to be on offer soon. So is another round of sanctions, the fifth in all.

Charles Michel, the president of the European Council, made up of heads of government of eu countries, says more sanctions are “on their way”. They will include easy ones, such as closing loopholes, imposing more restrictions on individual oligarchs, banning Russian ships from eu ports and more fully isolating Russian banks cut off from the swift international payments system. But this time the eu could also include embargoes on energy supplies, something long demanded by Mr Zelensky but resisted by gas-importing eu states. The defence minister of Germany, Europe’s largest gas buyer, called for the eu to discuss banning imported Russian gas. France’s president, Emmanuel Macron, went further and said he would support banning all Russian oil and coal coming into the eu, a position also taken by the leader of a junior partner in the Italian government. Like Germany, Italy is dependent on Russian energy. Further energy restrictions are already coming into force: on April 3rd Lithuania became the first eu country to ban imports of Russian gas. Russia’s war crimes seem to have stiffened resolve among Ukraine’s Western allies. They seem to be saying, in the words of Antony Blinken, America’s secretary of state, “We can’t become numb to this. We can’t normalise this.”

Editor’s note: This story was updated on April 5th to make clearer that Russia is unable to prevent war-crimes charges being brought by the ICC, though it could then stymie subsequent actions.

TRAIÇÃO

Há momentos em que damos conosco ofendidos na nossa dignidade, na nossa cultura, no nosso modo de vida, nas nossas convicções enquanto seres humanos, cidadãos portadores e restemunhos de um destino e de uma civilização que julgamos comum aos demais e ao regime político em que vivemos. Pensamos, e julgamos ter direito a, para além de todas as divergências, gozar de uma dignidade pessoal e colectiva cujo respeito a todos cabe.

Havia uma lista de nossos compatriotas, proposta não sei porquê ou por quem, que conferia aos participantes no golpe militar de 1974 o direito a distinção honorífica, via condecorações do Estado. Tal lista foi apresentada a quem de direito - o Presidente da República - aos presidentes Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva. Nenhum deles, por motivos que não têm discussão, a adoptou, impondo-se-lhes que critérios patrióticos e democráticos os fizessem distiguir, de entre os propostos, os que mereciam distinção.

Até que... até que, cuspindo na dignidade própria, na do cargo para que foi eleito, e na de todos nós, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu condecorar postumamente indivíduos do calibre de um Vasco Gonçalves e de um Rosa Coutinho.

Tratar-se-ia de distinguir cidadãos a quem devemos a liberdade, não de distinguir todos sem atender aos méritos de cada um. Entre os mais ferozes inimigos da democracia em Portugal, a cavalo do poder que lhes caiu nas mãos, aqueles portugueses, e muitos outros, abusaram dele até ao mais ilegítimo dos pontos, tudo fazendo para pôr sobre nós a pata de uma ditadura inimiga, negando todos os valores da democracia liberal e transformando uma intenção que se proclamara libertadora num instrumento de ditadura, de submissão e de ruína económica, social e moral.

Ao decidir condecorar estes inimigos da liberdade e da democracia, o presidente da República trai tudo o que diz defender, premeia a trafulhice, ofende-nos a todos, ofende os seus antecessores e põe em alto plano, com a desculpa de “unir”, os que trairam os objectivos mais nobres do 25 de Abril.

 

7.4.22

A CRUZADA

É sabido que o jornal privado chamado “Público” é, desde longa data, um jornal “independente de esquerda” onde alguns articulistas não de esquerda têm assento, julgo que na qualidade de raminhos de salsa para temperar a coisa sem a fazer perder o sabor.

Nos últimos tempos, porém, tal postura assume proporções um tanto exageradas. Os novos comentadores de serviço, a começar por uma senhora que se chama Afonso, a qual, entre raciocínios mais ou menos absurdos, chega ao extremo de dizer que a “realidade é de esquerda”, remetendo o que não for de esquerda a uma mera inexistência, são da tendência testemunhos evidentes. É pena.

Hoje, por exemplo, assistimos a um molho de artigos, apostados, de uma forma ou de outra, em “justificar” o Putin com observações filosófico/histórico/políticas intelectualíssimas, todas tendentes a pôr diversos pontos nos is, pontos de que nunca os autores se tinham lembrado não fora a guerra da Ucrânia. Veja-se a arenga do Dr. Pureza em atrapalhada defesa “filosófica” dos pontos de vista do seu BE, veja-se o escrito do ilustre académico Azeredo Lopes, desastrado ex-ministro da defesa, ou a entrevista do insuspeito Luís Amado, também ele da área dos (ex) governantes socialistas.

A Rússia é uma democracia(!) “iliberal”, o que, basicamente, justifica que se sinta ofendida com uma alegada perda de importância e reaja à bruta. Há que atender a “razões” históricas ou ideossincracias respeitáveis. E até, como de costume, se aproveita para atirar as devidas pedras aos erros, falsos ou verdadeiros, do “Ocidente”.

É, no “Público” como um pouco por todo o lado, uma espécie de cruzada de “esclarecimento” intelectual e/ou académico destinado a enfraquecer a gritante razão dos ucranianos, assim ajudando o inimigo.

A cruzada é legítima, como todas as cruzadas possíveis onde há liberdade de expressão. Mas, subjacente, há a criação da dúvida e o uso de tal liberdade para proteger os que a põem em causa ou a aniquilam.   

 

31.3.22

PARABENS À PRIMA

O novo presidente da AR parece ter abandonado o casaco de trauliteiro que tão bem lhe ficava. Veio condenar as frases de ódio, como aquela, do “quem se mete com o PS leva” ou outros mimos em que se especializou. Assim, sem reparar que se criticava a si mesmo, e sem se retratar (um verdadeiro socialista não se retrata, nunca assume responsabilidades, e tem sempre bodes expiatórios à mão), discursou sobre a probidade, a boa educação, a decência e a boa linguagem política, sobretudo a parlamentar. Fantástica evolução.

Da longa arenga, blablabla, muito correcta, assinale-se a eleição do Chega à categoria de única oposição a temer. Como é hábito de toda a esquerda, deu o seu contributo à propaganda de tal organização em múltiplas dentadas no nacionalismo, no medo pacóvio do poplismo, em tremores vários com que, ao logo do tempo, a esquerda-nacional conseguiu promover o Chega a terceira força parlamentar. A ideia, se formos generosos, é a de distrair as gentes da mera existência dos outros partidos, tática muito apoiada pelo senhor Rio com a sua oposição de palha.

Não sei se chame inteligente a esta fixação do PS. Facto é que o crescimento do Chega, a irremediável burrice do Rio, a inexistência do CDS, a obsolescência do PC e a prosápia idiota do BE, muito contribuiram para a maioria absoluta. Mas, se o Chega não subisse como subiu à custa dos terrores da esquerda, não me parece que tal maioria tivesse sorrido ao PS.

Dos resultados mais evidentes da “situação”, assinale-se estes:temos um partido de direita radical com significativa presença política e o PAR mais partidário e menos  inter pares da III República

Para béns à prima.        

 

31.3.22

CONVENIÊNCIAS

Para não falarmos de guerra (sobra quem fale nisso), façamos  uma viagem até coisas que, não sendo propriamente faits divers, têm a sua piada.

Por causa do senhor Abramovitch, rios de tinta correm por aí, a fazer concorrência ao Putin. Dona Constança anda irritadíssima por haver uns arquiduques lá do partido que não querem que ela altere a lei dos sefarditas, lei que ela aprovou, mas acha má. De acordo. Isso de dar passaportes à balda devia acabar.

Bom, adiante. O que excitou o IRRITADO foi uma pequena frase, julgo que da dona Constança. Reza assim, mais ou menos: o processo tem que ser “bastante mais rigoroso”... para reduzir os casos de (pedidos de) nacionalidade “por conveniência”.

Então há casos que não são por conveniência? Porque é que um tipo pede a nacionalidade sem ser por conveniência? A ver: um cidadão, digamos, do Bangladesh, descobriu que tinha um vigéssimo quinto avô que foi corrido pelo Dom Manuel I há 500 anos, ou seja, umas vinte cinco gerações atrás. Mas, coitadinho, tinha tantas saudades do avô (ou da avó, que os judeus gostam mais de avós do que de avôs) e que era tal saudade e o amor que o o coração do nosso bangladeshiano vivia angustiado. Como diz a dona Constança, o homem, prenhe de sentimentos pátrios em relação ao rectângulo, que nem sabe onde fica, é um tipo desinteressado, não age por “conveniência”. Ele não quer um passaportezinho para ir fazer compras a Paris ou abrir uma continha em Londres, ou comprar uns prédios na Reboleira. Não, é tudo fruto de sentimentos não “convenientes”, ou seja, desinteressados. Estão a ver? Como é que a dona Constança sabe que um tipo destes não tem “conveniência”, e só pede a nacionalidade para pendurar na parede? Não sabe, nem pode saber, porque não há disso. Pode haver conveniências mais convenientes e menos convenientes. O que não pode haver é ausência delas.

Como é natural, estas manias de mexer no passado (bom ou mau, não há outro) e andar a pedir desculpa do que, há 500 anos, fez a política do tempo, é um disparate de todo o tamanho, não remedeia o irremediável e só aproveita às conveniências de cada um.

Note-se que o IRRITADO se está mais ou menos nas tintas para que haja mais uns passaportes ou menos uns passaportes, mais uns sefarditas ou menos uns sefarditas. O que lhe parece é que o critério de concessão, seja ele qual for, será sempre uma manta de retalhos, dará sempre várias raias, e não tem nada a ver com nacionalidades, só com as conveniências (legítimas ou ilegítimas, boas ou más) de cada um.  

 

28.3.22

GOVERNO E GALEGADAS

1 - Parece que o Costa anda a seguir os frutuosos exemplos do Rio. Novo governo, cheio de patadas na poça. Antes de mais, contemplar os seus, preparar um futuro em que se reveja: aí estão figuras tão “úteis” como o senhor PNSantos, a papagaia Ana Catarina, a miúda filha do outro e, monumental asneira, o Medina, cujas competências em matéria de finanças públicas ninguém conhece ou de que jamais alguém ouviu falar; resumindo, um leque de sucessores, qual deles mais inquietante. Ministros mais ou menos inúteis, ou contraproducentes, ou ignorados, ficam. Os que, apesar do chefe, deram alguma coisa que se visse, é vê-los: o que batia em quem se metesse com o PS mas lá ia funcionando, leva um pontapé pela escada a cima; o único com pés e cabeça, imagem pública algo positiva e capacidade de comunicação, Siza Vieira, rua! Aquele que deu raia na defesa, vai dar raia para os negócios estrangeiros. Uma senhora de méritos judiciais conhecidos mas político-administrativos inexistentes vai ocupar-se da política de Justiça. Um fiel socialista, cujos méritos culturais, para além do que consta nos tablóides, não se vislumbra, vai “aculturar-nos”.

E mais, muito mais. Tanta coisa anda pelos jornais, ainda que com pèzinhos da lã, por causa das moscas.

2 - A monumental galegada de dar os nomes dos ministros à SIC antes de os comunicar ao senhor de Belém é mais uma clara demonstração do desrespeito institucional do primeiro-ministro, assumido desta vez às mais desavergonhadas claras: aí temos o verdadeiro DDT da política nacional, convencido de que pode fazer tudo (e, se calhar, pode!) sem dar satisfações seja a quem for. A começar pelo Presidente, para que fique bem claro com que linhas se cose, e nos cose. Este indesmentível facto tem sido tratado pelos media como um fait divers sem importância de maior, o que muito nos diz sobre a subserviência e os interesses da nossa “informação”.

   

Esperança, zero. Confiança, nenhuma. A longa noite socialista aí está, escura de futuro mas brilhante de arrogância.

 

24.3.22

PRESIDENCIAL DIPLOMACIA

Gostava de perceber a lógica diplomática do senhor de Belém. Numa das suas múltiplas declarações de amor a Moçambique, que, por mero acaso, ouvi, disse que, apesar de algumas divergências políticas, etc., blabla. Referia-se, evidentemente, à posição do país que visitava quanto à guerra da Ucrânia, da qual diverge. Julgo que na mesma declaração, afirmava o apoio incondicional de Portugal à entrada de Moçambique para o Conselho de Segurança da ONU.

Mandaria a mais elementar coerência que Portugal não apoiasse para tal conselho um país que é simpático para o senhor Putin, e que assobia para o lado perante os seus crimes.

Das duas uma: ou o senhor de Belém “ignorava” tal circunstância (a meu ver mais substancial que circunstancial) e dava tal apoio, ou não ignorava, e não o dava, nem a tal coisa se referia. Meter no conselho de segurança um país que não se demarca da insegurança global promovida pelo Putin, não parece ser de bom senso, por muito diplomático que se considere ser.

 

19.3.22

É HUMANO!

Então não é que a dona Mortágua (a do AIMI) recebe umas coroas para debitar as suas bocas na televisão? E esta, hem!

Verdade é que o indígena, quando ouve os comentários dos políticos nas televisões, acha que eles estão ali para aproveitar a oportunidade de defender as suas ideias, e até agradecem às têvês o tempo de antena que lhes é dado. O indígena é parvo: pensa que, se alguém tivesse que pagar, seria quem aproveita tal e tão caro tempo para defender as suas ideias.

Mentira! Os tipos vão ali para ganhar algum. A Mortágua veio desnudar o que, pelos vistos, é prática geral. E logo, à sememelhança do Robles, a pôr de rastos os “princípios” do BE. Que azar! Anda a mulher por aí, diga-se, a desdobrar-se em farrapos de desculpas, a dizer que vai devolver a massa que ganhava há meses sem dar por isso. Terá contas bancárias tão chorudas que nem dá pelo dinheiro que recebe? Coitadinha.

Isto, quando toca aos tostões, é humano!   

 

11.3.22

DON PERIGNON

Julgo que já aqui disse que a vantagem da guerra da Ucrânia foi a de nos livrar das donas freitas, temidas e quejandos/as, assim assassinando as oportunidades que o covide lhes dava. Cinicamente que seja, diga-se que há males que vêm por bem.

Mas não se alegrem, a Temido ainda mexe, agora com mais força desde que foi canonizada no Largo do Rato. Deram-lhe um microfone, e aí astá ela! A pandemia está fraca, há menos gente nos hospitais, etc., mas, alto lá com o charuto! Vêm aí os refugiados, carregadinhos de vírus, a dar cabo do trabalhinho! Ah ah!, vou ter outra vez tempo de antena. Abram o Dom Perignon.

 

11.3.22

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