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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

GRANDES AVANÇOS CIVILIZACIONAIS

Com a maior alegria e a alta noção da responsabilidade que o animam, o PAN decidiu alinhar num animalesco movimento que postula o fim de provérbios e ditos populares considerados ofensivos para diversas espécies. Consta que a especialista-mor em bocas contra a humanidade, tida por ministra da geringoncial cultura, vai terçar armas em favor da iniciativa e que dona Catarina de Martins, líder da esquerda tremoço, já mandou elaborar um projecto de lei para obrigar a mais esta maravilhosa “fracturância”.

Afinal, de que se trata? Segundo a imprensa, de abolir expressões populares do género “atirei o pau ao gato”, “pegar o touro pelos cornos” ou “matar dois coelhos de uma cajadada”. Na mesma imprensa, na nova “civilização” deverá passar a dizer-se “atirei comida ao gato”, “pegar uma flor pelos espinhos” e “pregar dois pregos com uma martelada”.

A coisa funciona também para expressões que incluem gente. Segundo um exemplo comunicado à plebe pelo PAN, a frase “Com um olho no burro outro no cigano” deverá ser objecto de opróbrio público, não se sabendo ao certo se por ofender o burro se por ser má para o cigano. Falando de burros, acha o IRRITADO, haverá que abolir a expressão “albarde-se o burro à vontade do dono”, que será substituída por outra, mais inclusiva, por exemplo “albarde-se o dono à vontade do burro”. Mas de burros sabe o PAN, que os representa após estudo e eleição ocorridos em Cacilhas.

O movimento destes formidáveis activistas é universal. Consta que os animalescos do PAN já oficiaram a embaixada de Sua Majestade exigindo a abolição imediata da expressão “raining cats and dogs”, a ser substituída por “sweet little drops are falling”. Também o dito “you are pulling my leg” irá para o index, uma vez que a “leg” a ser puxada pode ser de algum gato”. O PAN sugere ainda que os britânicos abandonem a palavra “frogs” ao falar de franceses, por evidente ofensa às rãs.    

E assim por diante.

A marcha da estupidez humama, ou PANcreática, é imparável.

Admirável mundo novo.

 

9.12.18

MAGNA REUNIÃO

O constitucional Conselho de Estado é, como toda a gente sabe, de uma opacidade a toda a prova. A convocatória da coisa é feita por Sua Excelência o Presidente da III República. Reune inúmeros “inerentes” da mais alta craveira política e institucional, bem como uns indivíduos altamente suspeitos como o camarada Louçã e o shorty M.Mendes. Segundo a Constituição, trata-se de um órgão de consulta de Sua Excelência. Como, por natureza, inguém sabe o que lá se passa (é proibido dizê-lo), é possível, natural e intuitivo pensar que coisa nenhuma se lá passa, para além de uns cafèzinhos, água do Luso e biscoitos.

A próxima reunião de tão útil organismo será abrilhantada, a convite de Sua Excelência, pelo senhor Michel Barnier, negociador do brexit. As suas considerações sobre o assunto serão atentamente ouvidas pelos circunstantes, o que, presume-se, dará algum interesse à congregação. Mas como tudo será, como sempre confidencial, quer dizer, secreto, a utilidade pública continuará a ser nenhuma.

Que reunam em paz e harmonia são os votos do IRRITADO.

 

9.12.18   

SUBSÍDIOS PARA QUÊ?

 

Anda para aí uma polémica dos diabos sobre o eventual auxílio público aos jornais, coisa a que o senhor de Belém deu um discreto aval, uma espécie de “nim”. O chamado primeiro ministro não deu importância de maior ao assunto, veremos porquê.

Entretanto, ao contrário do habitual em países de boa fama, os jornais portugueses não têm cara, ou seja, têm as caras que lhes der na gana. Sábia e pluralista abrangência: todos mais ou menos iguais, às vezes com ligeiríssimas tendências. Estou aqui a olhar para o último “Expresso”, exemplo fatal da filosofia em vigor. Há nele uma página política em que, lei das compensações, há uma coluna de direita, à direita, outra de esquerda, à esquerda. Noutra página, agiganta-se o  Louçã no seu assento cativo, em quatro quintos de uma página, compensado no quinto restante por duas breves da autoria de uns pobres moderados. No mesmo caderno, dito de economia, há recadinhos com fartura vindos de tudo o que é sítio, há artigos contra e a favor da geringonça, coisas boas e coisas péssimas. Aquele “democrata”, conselheiro de Estado e figurão do BdP, tem programa especial na televisão, ao que se diz “compensado” pelas bocas e recadinhos de um certo M. Mendes, que dá no cravo e na ferradura com professoral jactância.

O cenário é mais ou menos o mesmo por todos os lados. O que implica que, ao cidadão, não seja permitido ter “o seu jornal”, como em Paris, Londres ou Madrid.

Enfim, malhas que a democracia teceu em Portugal. Não há volta a dar. Um mal? Um bem? o mafarrico que escolha. Apesar de tudo, a esquerda tem uma evidentíssima preponderância. Por isso, mesmo sem subsídios do Estado, pode o chefe Costa dormir descansado. No fundo, há muito quem, de borla, lhe vá fazendo a cama fofa.

 

9.12.18   

CHINESICES

Não sei se a ribombante visita do imperador da China a este jardim foi, em termos de longo prazo, coisa boa ou coisa má. Para já, muita parra e pouca uva. Uns memorandos, uns contratinhos, e disse. Um mijarete.

Tudo o que aí vem, se chegar a vir, está para acontecer. A partir de agora a nacional burocracia tratará do assunto com a habitual eficácia. Para já, fogo de vista. Quanto à entrada dos chineses na produção, à alteração profunda das relações económicas, só blabla, e só blabla do lado de cá. A tal respeito, o imperador nada disse. Moita carrasco. De concreto e de valia, parece que só ficou o apetite dos chineses por uma boa fatia do porto de Sines.

Há quem diga que é um futuro radioso o que aí vem, há quem defenda que vai ser uma desgraça, uma submissão, o fim da soberania nacional, o diabo a quatro.

Também há os que tremem, na “Europa”. Estão muito preocupados com esta abertura do importantíssimo Portugal à investida do império do meio. Esquecem que os chineses já meteram, por essa Europa fora, muito mais milhões que por cá. Enfim, a ver vamos, como diz o cego, ou vamos lá a ver, como diz o Costa.

As relações sino-lusas, com mais de quinhentos anos, foram muito gabadas. A única excepção à xenofobia da dinastia quando entregou Macau aos portugueses foi aniquilada quando Mário Soares declarou que Macau era território chinês sem que chinês nenhum o tivesse sugerido. Os chineses não têm por hábito contradizer-se e são muito respeitadores dos seus compromissos. Até o camarada Mao, salvo erro em 1966, declarou que não havia qualquer problema com a nossa presença no local. Mas as coisas são como são, deram-lhes a mão, eles aproveitaram. Adiante.

 

Como posição a referir  da parte do nosso governo, fora da pompa dos dias, temos a notabilíssima declaração de uma senhora do governo cujo nome não me ocorre. Assim: “Por favor, usem-nos, como porta de entrada, como cobaias, para testarem (sic) a forma de entrarem (sic) na Europa”.

 

Não me apetece nada ser cobaia. Vão testar a senhora secretária de Estado.

 

6.12.18

 

ET. Não acabava, quando uma figura se nos mostra no ar, robusta e válida, de enorme e grandíssima estatura: Luís de Camões, Lusíadas, episódio do Adamastor.

Desta vez, a "figura" foi o Bloco de Esquerda. Altaneiro, a boca negra, os dentes amarelos, atacou. Gente que não respeita os direitos humanos, rua! A não ser que se trate do Maduro, do Fidel, ou do KIM. Viva o socialismo especializado do BE!

O imperador borrou-se de medo, como a Merkel quando o Pedro N Santos disse que a ia pôr de joelhos.

BENESSES PÚBLICAS

 

Um resumo, muito resumido, das benesses da geringonça, publicado no “Expresso”, contém as seguintes “novidades”:

- “Crescimento anémico”: vítima das 35 horas, da ausência de incentivos à produtividade, de qualquer reforma que se veja ou sinta, da agitação social devida às mentiras do governo, o país continua a patinar e a perder em toda a linha em relação aos seus pares.

- “Carga fiscal no máximo”: não há forma de o governo demonstrar alívio na carga fiscal. Aumenta-a,  sacrifica o país a troco do crescimento do emprego público, da inversão da balança externa, do sacrifício do enganador emblema do “socialismo democrático”: saúde, educação, transportes, etc. O governo legítimo fez das tripas coração para manter, ou melhorar, tais sectores. A geringonça abandalha-os, e cobra impostos para segurar os votos das seus empregados.

- “Investimento mínimo”: Nem nos tempos da troica o investimento público foi tão miserável. Para 2019, o governo promete aumentá-lo, se a economia crescer 2,3%, coisa em que ninguém acredita, nem em Portugal nem no mundo.

- “Cativações históricas”: a geringonça “congelou mais despesa em três anos que Vítor Gaspar/Maria Luís em toda a legislatura”.

- “Dívida de bronze”: a dívida aumenta, e fica em terceiro lugar do pódio dos maiores devedores.

- “Transportes de latão”: não é preciso demonstrá-lo, é a desgraça generalizada, carris, metro, CP, e por aí fora, tudo sem remédio à vista.

- “Saúde paralizada”: sem comentários, toda a gente sabe, e sente na carne. Bons tempos em que o actual presidente da Caixa era ministro da saúde.

- “Polícia apeada”: não há carros, nem oficinas, nem nada que acuda.

- “Estado a falhar”: quando o Estado falha, o chamado primeiro-ministro, ou está, e fica, de férias (Pedrógão), ou vai ao futebol (Borba), ou não sabe de nada (Tancos).

 

A compensar a brutal desgraça, e para alimentar a propaganda, a geringonça tem alguns argumentos: mais uns tostões aos empregados públicos, outros a alguns reformados, e pouco mais que se veja. O que tem corrido bem (emprego, turismo...) não tem nada a ver com a geringonça, antes pelo contrário, tem corrido bem apesar dela.

 

4.12.18

VÁ-SE

Um representante oficial do PSD/Rio, fez uma dramática declaração: o partido está mal de saúde por causa dos filiados que fazem guerrilha interna ao chefe. Uns malandros que querem levar o partido a um “suicídio colectivo”.

Perguntar-se-á se é verdade, isto é, se a culpa é dos malandros, ou se será do chefe, que não mexe uma palha, que se arrasta penosamente atrás da geringonça, que “cada cavadela cada minhoca”, cujos apaniguados dizem o que lhes vem à cabeça e se vão contradizendo uns aos outros, que permite ou incentiva coisas rocambolescas e idiotas como no caso das vacinas, cuja “exigência ética” está pelas ruas da amargura desde o primeiro dia, que não denuncia a desgraça orçamental, que não segue, a cada dia, a cada hora, as trafulhices da propaganda do governo, que, passados seis meses de tomar posse ainda não foi capaz de criar qualquer sombra de alternativa e se entretém pelo Bulhão em vez de “descer” até onde as coisas mexem…

Fica a pergunta e, implicitamente, a resposta.

Senhor Rio, faça-nos o favor de ir orar para outra freguesia. Demita-se, pode ser que ainda haja tempo para recuperar alguma coisa.

 

2.12.18  

MEIAS VERDADES E VERDADES MESMO

Anos atrás, quando o país lutava para gerir a bancarrota herdada do PS, a ministra das finanças Maria Luís, atenta à baixa dos juros, fez várias emissões de dívida destinadas a substituir juros altos por juros mais baixos, assim conseguindo diversas amortizações antecipadas dos créditos do FMI. Foi muito criticada pela esquerda. Tais amortizações “desviavam” o dinheiro do “bolso das pessoas” para pagamentos “desnecessários” aos tubarões do FMI. À época, o governo legítimo informou o país sobre a verdadeira natureza das emissões, não escondendo, antes assumindo, que se tratava de mera substituição, em melhores condições.

Após três anos de trapaça política, o governo, pela voz do usurpador, anunciou, tonitruante, que ia liquidar o que resta dessa dívida. Note-se, “ia liquidar”, e não “tinha liquidado”. A ver vamos se liquida ou não. Importante é sublinhar as diferenças. A triunfal declaração é feita assim, sem mais esclarecimentos. O que o chamado governo fez foi o mesmo que Maria Luís tinha feito, sem tirar nem pôr. A forma de o anunciar é que faz a diferença. No caso anterior, a verdade era toda dita, confessada a verdadeira origem dos pagamentos e a sua execução. Agora, o declarante deixa no ar que o seu triunfante governo vai, simplesmente, pagar, e mais nada.

É a habitual honestidade governamental, ou seja, a propaganda a obliterar a verdade.

 

2.12.18

ESPERANÇOSA TRISTEZA

Viu-se, com carinho, apreço e ansiedade, a candidatura do Bloco (ou Bando) de Esquerda às ministeriais alturas. Foi comovedor ver a Mortágua 1 a ser unanimemente aplaudida como futura ministra das finanças, o olhinho, docemente estrábico, a sorrir de humilde ansiedade e justa esperança, a contida alegria que a larga estrada do poder, ora aberta, lhe iluminava o futuro. Foi com incontida ternura que se viu o brilho dos olhos desmesuradamente abertos do lacaio número um das esquerdoidas, o conhecido careca a ver-se ministro da correcção, a tomar conta das almas, a mandar nos costumes, a apontar a todos, do alto das cadeiras do poder, a luz intensa dos amanhãs que cantam, o homem novo, sem sexo, vivendo feliz na multiplicidade de géneros, sem propriedade, sem ambições, o homem sem defeitos, cheio de pletórico marxismo. Viu-se o orgulho imenso do camarada Pureza, puro e casto, a imaginar-se no assento dourado da educação, escolas, universidades, investigação científica, tudo às suas ordens, tudo direitinho, o reaccionarismo dominado, enfim, um mundo conduzido pela sua dominadora verve. Todos sentimos a alegria das gentes, a multidão eufórica, toda ela feita de secretários de Estado, directores gerais, generais, sei lá, tantos e tão esperançosos candidatos à condução dos destinos de uma sociedade livre de proprietários, de capitalistas, imune a qualquer tendência liberal ou pluralista, uma verdadeira sociedade socialista.

Mas... há sempre um mas. Veio o despudorado Costa dizer que não: o poder será todo para ele, sem mortáguas, nem purezas nem carecas, nada de galarim: se quisessem continuar a votar com o seu governo, muito bem. Entrar nele, nem pensar, que tem lá em casa muita gente à espera.

Infame “Soberba”, horrível “estratégia grotesca”, gritou o careca, no auge da indignação. Estamos preparados, regougou o Pureza. Estou preparadíssima, disse a Mortágua 1 com a lagriminha no canto do olho. Uma hecatombe. Com que direito diz ele que “não estamos preparados”? Com que desfaçatez apregoa que temos “muita ansiedade”! Ainda por cima é mal agradecido. Propomo-nos ajudá-lo e o canalha dá-nos com os pés. A esquerdoida-mor entupui: coitada, não teve palavras que expressassem a indignação, a frustração, o sentimento de injustiça que lhe vai na alma.

 

Desta pequena tribuna, o IRRITADO vem ajudar os traídos. Tenham esperança! Olhem que o que o Costa diz é o que o Costa diz, e a verdade não tem nada a ver com isso. O que ele quer é animar as hostes, dizer-lhes que os lugares são só para elas, não para estranhos. Não haverá convidados. O que quer dizer que, se se portarem bem, fará tudo ao contrário, como é próprio no nacional-geringoncismo.

Por isso, camaradas, corações ao alto. Algum lugarzinho há-de aparecer à vossa espera.

 

29.11.18

RUI RIO

 

Caro licenciado Rui Rio

 

Há anos, teve V. Excelência uma extraordinária vitória nas eleições para a Câmara do Porto. Não houve quem não louvasse (e estranhasse) a coragem com que pôs o futebol – e o sr. Pinto da Costa – no seu lugar. Não há quem não reconheça que a sua gestão foi geralmente positiva. Por isso, e pela fama de rigor que granjeou, muita gente do PSD lhe deu uma vitória, ainda que marginal, sobre Santana Lopes.

No entanto, assim que tomou o poder dentro do partido, fez-se rodear de figuras ultra-controversas, por arguidos em vários processos judiciais, por gente que destruía, sem apelo, as suas promessas de “ética” política. A sua apregoada “renovação” do partido acabou por não passar de perseguições internas e processos de “limpeza” que, por incoerentes com as subidas partidárias de figuras mais que discutíveis, puzeram a sua ética entre aspas.

Politicamente, durante longos meses, a sua acção não passou de promessas de consensos sobre o “interesse nacional”, de subservientes aproximações ao PS, sem perceber que o PS não quer, nem precisa, do PSD para nada que não seja cavalgá-lo, servir-se dele se for o caso, tratá-lo com o desprezo próprio dos canalhas – como fez quando, em vez de se ater ao resultado das eleições, recusou qualquer contacto com o vencedor, antes o traindo, menosprezando e apoderando-se do poder sem que qualquer leitura da vontade popular tivesse sido tida em consideração. V. Excelência não percebeu que uma autêntica ética política imporia a recusa de aproximações com quem, politicamente, de ético nada tem.

É evidente que as suas atitudes não podiam deixar de causar revolta dentro do seu partido. E não se diga, como o senhor faz, que se trata de gente que tem medo de perder assentos. Na sua esmagadora maioria, é gente que ama o seu partido e que o vê a derrapar perigosamente para níveis mais pobres que o imaginável de há uns meses. V. Excelência, bem como a sua entourage, não têm força, ou ideias, que possam distinguir o partido ou prepará-lo para eleições.

Dadas as prebendas que o PS tem dado a um eleitorado acrítico e acomodatício, a sua tarefa seria sempre difícil, quiçá ingrata. Mas sê-lo-ia por vivermos num país afogado em propaganda, fátua quão sonora, esquecido o futuro, a economia, um país sem projecto nem visão. Mas tão má ou pior que tal propaganda é, para o PSD, a ausência de uma denúncia diária do que é a realidade e as perspectivas de futuro, é a estagnação ideológica e política que tem sido timbre da sua liderança, os sucessivos “tiros no pé” que caracterizam a sua (in)acção e a dos seus próximos no partido.

Há que pensar duas vezes. Se o fizer, se perceber que ainda vai a tempo de salvar alguma coisa a tempo das eleições legislativas de 2019, por favor demita-se. Será um sacrifício que o país compreenderá e saberá agradecer.

 

27.11.18

CULPA?

Desde há mais de três meses que os estivadores de Setúbal recusam fazer horas extraordinárias. Desde há 22 dias que, simplesmente, não trabalham. Para o país, os prejuízos são colossais.

Não sei se têm razão se não têm, nem sou especialista em reivindicações ou greves. Mas sei que a gravíssima situação se prolongou por mais de cem dias sem que o chamado governo tenha mexido uma palha. Pode ser que a governamental agremiação não queira meter-se em alhadas deste tipo, o que, em princípio, pode não estar errado. O que está errado é que um movimento com as consequências nacionais deste calibre só mais de 100 dias depois tenha merecido a imperial intervenção da chamada ministra do mar para tentar qualquer coisa. Parece que, amanhã, 4ª feira 28.11, vai haver uma reunião com a dita camarada.

O IRRITADO compreende perfeitamente que a geringoncial instituição em geral e a dona ministra em particular tenham mais que fazer que ocupar-se com este tipo de ninharias. É costume.

Desta vez, ao contrário de Pedrógão, de Tancos, de Borba, etc., não pode dizer-se que tal gente esteja na origem dos problemas - só das diversas pessegadas que se lhes seguiram. Mas está, certamente, na origem do monumental prolongamento dos prejuízos nacionais. Não é da sua responsabilidade que os estivadores e os patrões dos estivadores sejam o que são. Mas é, mais uma vez, de sua exclusiva culpa que a situação tenha chegado onde chegou.

Por muito menos, a tal ministra interveio na questão dos estivadores de Lisboa, com os brilhantes resultados que são conhecidos. Saíu da coisa gloriosamente, tendo transformado o Porto de Lisboa no mais caro de todos. Foi brilhante.

Desta vez, o rabinho fugiu-lhe à seringa por mais de três meses. Na certeza de que jamais será responsável seja pelo que for, como é timbre e lema da organização a que pertence.   

 

27.11.18

BANANADAS

É melhor uma boa amizade do que uma má relação, disse o nosso fantástico Costa. Alguém discorda de tão categórica afirmação?

Faz lembrar o famoso almirante Tomás, quando dizia é a primeira vez que cá venho desde a última vez que cá estive.

O IRRITADO aproveita para lembrar outras frases célebres, como: Chuva em Novembro, Natal em Dezembro ou até uma mais adequada à verve primo-ministerial: mais vale ser rico e ter saúde do que ser pobre e doente.

O Amigo Banana, consultado pelo IRRITADO, está de acordo. Um descendente do Monsieur da La Palice, em declarações ao Figaro, congratulou-se por haver tão ilustre seguidor do seu nobre antepassado.

 

24.11.18

O DISCURSO DO PODER

Com a pompa e circunstância que a efeméride merece, o indispensável senhor Costa decidiu comemorar o terceiro aniversário da sua amada geringonça. Para o efeito, reuniu um criteriosamente escolhido grupo de jornalistas, sendo a alguns permitido fazer-lhe umas perguntas numa bem organizada, anunciada e concorrida conferência de imprensa. Muito bem.

O IRRITADO tomou nota de algumas brilhantíssimas ideias de sua excelência.

Quanto à selecção dos jornalistas, declarou que 30% deles votaram no PSD, o que implica, ou que não foi respeitado o secretismo do voto de acada um, ou que quem quis inscrever-se teve de declarar em quem tinha votado, a fim de a organização poder garantir a presença de pelo menos 70% de fiéis.

Em relação ao desastre de Borba, felicíssima, a criatura declarou que “não há evidências de responsabilidade do Estado”, o que demonstra indesmentível coerência. É que, desde o advento da geringonça, o Estado (leia-se o governo) jamais foi responsável fosse pelo que fosse de menos agradável. Lapidarmente, acrescentou que os ministros não tinham nada que fazer no local do desastre, uma vez que só lá iriam “para atrapalhar”. Ele próprio deu o exemplo, embora, modestamente, não o tenha referido: foi ao futebol na nobre intenção de não atrapalhar ninguém.

“Um orçamento sem cativações é como andar sem travões”, diz ele. Ou como um jardim sem flores ou um cemitério sem campas, permito-me acrescentar. As cativações, leia-se os cortes, têm a vantagem de não dar lugar a orçamentos rectificativos, terrível vício do anterior governo. São opacas e não caem no escrutínio público.

Nesta ordem de ideias, o orador sublinhou que “não há um único português que não saiba que este governo foi amigo da administração pública”. Uma verdade incontornável, parabéns pela excepção. Não há um único português que não saiba até que ponto os serviços do Estado (saúde, educação, transportes, etc.) e os credores privados foram sacrificados à “amizade”, dir-se-ia paixão, do chamado governo pelo mar de eleitores que integra a administração pública.

O CEO da geringonça ”desvalorizou” a unanumidade de opiniões que expressaram “dúvidas sobre a solidez das contas”. O seu CFO, senhor Centeno, já tinha posto tais opiniões no seu lugar: são emitidas por ignorantes, falsários, gente ordinária cuja opinião se põe de lado. “tudo o que previmos foi confirmado pelos resultados”. O pior é que se sabe à custa de quê: os doentes e os fornecedores, por exemplo, que o digam.

Indo às origens, como é próprio de um discurso de aniversário, o espantoso Costa esclarece que a Geringonça foi “possível construir com o voto dos portugueses”. Neste particular, o homem excede-se. Nenhum português nela votou, e o “candidato a primeiro-ministro” do PS perdeu as eleições, vergonhosamente e de forma clara: a geringonça é filha dos corredores, não dos votos.

Numa coisa o homem, à rasca, tem razão: a cedência do PSD/Rio às estapafúrdias exigências dos professores, oportunistas vitimados pelas aldraboides promessas do PS, é de uma irresponsabilidade a toda a prova.

Muito mais disse a criatura. O IRRITADO é que não teve paciência para continuar a sentir o homem a meter-lhe os dedos pelos olhos dentro.

Fica, para desespero de quem ainda gosta do país que o viu nascer, uma última citação da criatura: “A geringonça é boa solução que deve continuar”.

 

24.11.18

POPULISMO

Segundo uma estatística elaborada para o “Guardian”, há por essa Europa fora fartura de populismos, de esquerda e de direita, no poder ou fora dele. De acordo. Os autores do estudo que deu origem à referida estatística concluiram que, em Portugal, não há tal coisa. Estamos fora do mapa. Concluo eu que os senhores, ou consideraram Portugal irrelevante, ou não perceberam nada do que por cá se passa.

Querem mais populista que a geringonça? Querem mais populista que um governo que troca as reformas, a visão do futuro, a crua verdade do que é essencial, por umas prebendas “sociais” destinadas a garantir a sua própria continuidade? Que sacrifica o bom funcionamento dos serviços públicos por falsa fidelidade aos tratados europeus? Que se esquece dos velhos, dos doentes, do atraso do território, a coberto de enganosa e infrene propaganda? Que, angelicalmente, jamais foi responsável por qualquer coisa que corra mal?

Querem mais populismo que o do Bloco de Esquerda que, cinicamante, se diz portector do “povo” através de medidas que, interessando a ninguém, fazem barulheira e dão passos para a destruição dos mais elementares pilares da sociedade?

Querem mais populismo que a idiotia do PC que, firmemente troglodita,que continua a tecer loas à ditadura do proletariado e à luta de classes?

Acrescentem a isto o popularuchismo do Presidente da República, e vejam como é verdade que não há vestígios de populismo em Portugal...

 

23.11.18

ESTE PAÍS

Dos jornais:

- Há vinte anos que os engenheiros alertavam informalmente (“em conversa...”) para os perigos da estrada Borba/Vila Viçosa.

- Durante os últimos quatro anos as autoridades foram, pelo menos cinco vezes, formalmente alertadas para os perigos de derrocada daquela estrada.

- A Câmara de Borba tinha pensado vir a incluir a reparação da estrada em 2022.

 

De todas as “desculpas”, sacudidelas de capote ou opiniões já lidas e ouvidas, uma há que está rigorosamente certa. É a de um fulano que disse que, no que respeita ao assunto, há 16 entidades competentes ou cuja opinião é necessária.

Portugal no seu pior. Para qualquer porcaria, é necessária a intervenção de vários batalhões de burocratas, ou de técnicos burocratizados. Resultado: no caso em apreço, como em muitos outros, ninguém é nem será responsável, nem culpado, nem terá nada a ver com o assunto. O mais que, eventualmente, se pode fazer, é arranjar um bode expiatório. Ou então, melhor ainda, deixa-se passar o tempo a ver se a coisa passa, tarefa em que a geringonça é praticante especializada, como a experiência dos últimos anos demonstra à saciedade e como o espantoso ministro já veio confirmar no caso da Borba: “a estrada em causa é de responsabilidade municipal”, disse ele. Tirado o cavalinho da chuva, é altura de anunciar solenemente a abertura de 456 processos de averiguações técnicas, civis, administrativas e judiciais. Na certeza de que a rã continuará de perna encanada e de que, oficialmente e no cumprimento estrito da Lei, se voltará a falar na história quando acabar o segredo de Justiça.

Sinal claro disto é que o chamado primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para ir à bola no dia do desastre. Desta vez não estava de férias, a desculpa está no nacional-futebolismo.

 

21.11.18

TRANSCRIÇÃO

Recebi isto de um amigo. Vale a pena ler...

Eu sou trasmontano ou beirão e abomino a barbárie das touradas. Prefiro a matança do porco e ver-lhe escorrer o sangue enquanto ele chia...

Eu sou algarvio ou estremenho e abomino a barbárie das touradas. Prefiro cozer lagostas ou percebes vivos...

Eu sou minhoto ou duriense e abomino a barbárie das touradas. Prefiro cortar o pescoço às galinhas para aproveitar o sangue para a cabidela...

Eu sou pescador das Caxinas ou de Peniche ou de Olhão e abomino a barbárie das touradas. Prefiro congelar sardinhas e douradas vivas, para ficarem mais fresquinhas...

Eu sou um lisboeta ou portuense moderno, e abomino a barbárie das touradas. O que eu gosto mesmo é de sushi de atum, electrocutado pelos civilizados japoneses...

 

21.11.18

ATENÇÃO AO FASCISMO!

Lá para Braga, não sei se no centro se acima se abaixo, um numeroso grupo de senhoras, meninas e cavalheiros fundou uma nova frente, a “Frente Anti-fascista”.

Acontece que, por cá, os fascistas, ou propriamente ditos ou proto fascistas, se contam pelos dedos. Não passam de meia dúzia de desordeiros e falhados: meros casos de polícia. À falta deles, temos hordas de fascistas de esquerda, ou social-fascistas, como diria o grande educador Arnaldo Matos esquecendo que os verdadeiros fascistas sempre foram “sociais”, ou socialistas. No fundo, são a mesma coisa: gente que usa a democracia liberal para a destruir, soberanistas, intolerantes, ou simplesmente odientos, odiosos, totalitários por natureza e fé. A nova “frente” não é mais que uma das múltiplas manifestações do que se poderá chamar neocomunismo. Em termos de mentalidade e de objectivos, é mais ou menos o mesmo que o fascismo tout court.     

As tendências totalitárias que, com vários matizes e tendências, por aí abundam, são um perigo, e estão no poder ou perto dele. De uma forma geral, poderemos dizer que se trata de gente que determina o gosto certo, impõe novos conceitos civilizacionais e nova “moral”, como no magistral exemplo da senhora Fonseca, tida por ministra da cultura. Em particular, temos um escol, sobretudo de mulheres (Catarinas, Mortéguas, Isabéis, Marinas...), servidas por inúmeros lacaios, como o senhor PANcrácio e um carequinha ultra marxista-leninista, apostadas em propagar a mais exigente “correcção”, em propagandear rebuscadas deficiências sexuais, em querer matar os velhos e proteger os cães (especialmente os vadios), tudo gente que, hipocritamente, diz aceitar a democracia plural servindo-se dela, mas que está, step by step, a conseguir impor medidas tendentes a acabar com a propriedade privada, com o capitalismo, com as liberdades individuais e com outras práticas estruturantes, ditas “burguesas”: em suma, o objectivo é criar o “homem novo” de que falavam os bolcheviques. Nesta meritória tarefa participa o PC, ainda que menos desonesto e mais transparente, pelo menos nas páginas do “Avante!”.

Tal gente, para se mostrar “democrática”, condena as Le Pen’s, os Orbans, os Salvinis e outros perigosos políticos da mesma espécie. Mas nunca tocou na fímbria das vestes dos Fidéis, dos Maduros e quejandos. Ou seja, totalitarismo sim, mas de esquerda: eis o que se pretende. Nada tem a ver com liberdade, dignidade, tolerância, bem estar, progresso social, mas sim com domínio de uns sobre os outros, das minorias vanguardistas sobre as maiorias moderadas, como sempre aconteceu na moderna história da humanidade.

O drama nacional é que, perante maiorias ingénuas, pacíficas e inoperantes, os fascistas das frentes anti-fascistas, nas suas múltiplas expressões, estão na moda, e até no poder.

 

21.11.18

POUPANÇAS

Aquele rapaz, simpático e explicadíssimo, que costumava aparecer na televisão com um programa de matemática, arranjou um novo emprego, desta vez na publicidade. Não sei quem, mas presumo que a geringonça, encarregou-o de explicar ao povo ignaro como deve poupar, lá em casa, na factura da electricidade.

Nobre missão. Mas como? O explicadíssimo aconselha vários métodos. Apagar a luz é o menos. O que importa é usar aparelhos de baixo consumo, artefactos modernos e originais. Assim, você deve começar por deitar fora a sua obsoleta máquina da roupa e comprar uma nova, que gaste pouco, faça pouco barulho e, claro, seja “amiga do ambiente”. O mesmo para a da loiça e para o frigirífico, o forno, o fogão... Só na da loiça, vai poupar 0,54 euros por mês, mais ou menos o mesmo para o resto dos electrodomésticos. Como bom matemático, o homem faz as contas: se você seguir os seus conselhos, ao fim de um ano terá poupado 150 euros na conta da EDP!  Faltou acrescentar que o melhor é ir ao banco sacar um “crédito ao consumo” para pagar os investimentos. Daqui a dez anos, break even!, terá o problema resolvido e começará a ganhar dinheiro. Genial.

 

Outra solução, igualmente genial ainda que diferente, para o mesmo problema, foi proposta pelo chamado ministro do ambiente, quem sabe se inspirado pelo seu novo ajudante energético, o inqualificável Galamba. Diz o indivíduo que a melhor maneira de poupar será contratar a potência mínima, coisa que lhe permitirá ter dois candeeiros acesos ao mesmo tempo e, se não ligar mais nada, ainda poderá fazer umas torradas. Nada mais fácil, como vêem, inteligente, prático e “assertivo”, como se diz agora.

 

Ainda bem que há quem se procupe com as nossas finanças pessoais, com certeza com o santo objectivo de fazer com que nos sobre algum para os impostos.O IRRITADO não pode deixar de sublinhar e saudar a intervenção das duas acima referidas inteligências, com os protestos da mais elevada consideração e estima.

 

20.11.18  

NO NEWS, BAD NEWS

Aqui há tempos, como o IRRIADO  referiu, realizou-se no Porto uma conferência em que corajosos cientistas se deram ao trabalho de demonstrar a vacuidade da “ciência” oficial que postula a antropogénese das alterações climáticas e de pôr a nu as monumentais, e universais, aldrabices sobre os malefícios do CO2.

Desalinhados com as “verdades” oficialmente estabelecidas, em vez de terem dado origem a qualquer onda informativa (material não faltava), passaram à categoria de no news. Que eu saiba, não houve im único ógão de informação que tivesse dedicado um segundo ou uma linha ao assunto. No news, bad news.

 

Nos últimos dias tem vindo no jornais um manifesto que, sob o título “O Bode Expiatório”, demonstra por a+b que a campanha nacional contra os eucaliptos - que o IRRITADO não se tem cansado de denunciar - não passa de fruto, ou de ignorância crassa, ou de politiquice esquerdista do mais baixo nível levada a cabo por “intelectuais” tipo Louçã, Catarina e outros do mesmo estilo. Politiquice macacoidemente aceite pelo chamado governo e até pelo senhor de Belém – que chegou ao ponto de andar no campo a arrancar renascentes eucaliptos, sem noção, nem do ridículo, nem do chamado “sentido de Estado”.

O manifesto em causa é assinado por 40 académicos, 8 industriais, 10 Câmaras municipais, 12 antigos governantes e outras personalidades de relevo na nossa sociedade, e por 56 produtores florestais. Mas, para ter alguma hipótese de chegar ao público, teve esse grupo que recorrer a a publicidade paga! É que a nossa chamada “informação” alinha no rebanho da demagogia esquerdista oficial. Tem medo de dizer verdades inconvenientes para o estabelecido, o que lhe interessa é estar de bem com o “correcto”, não fazer ondas que possam perturbar a paz dos senhores/as que andam, com pèzinhos da lã, a preparar um futuro miserável, em que a liberdade seja a de estar de acordo com o que é oficial e o ostracismo (pelo menos) a paga de quem se atrever a infirmá-lo.

No caso dos incêndios, o grande culpado, isto é, o bode expiatório “cientificamente” nomeado pelos esquerdistas e outros serventuários da “correcção”, foi o eucalipto. No entanto, segundo os números referentes ao período que vai de 2003 a 2017, o eucalipto foi “responsável” por 17% da área queimada, atrás do pinheiro bravo, de outras ocupações e a uma distância abissal dos matos secos.

O que está em causa nas teorias em vigor não é o ordenamento florestal, a protecção contra incêndios, a plantação de espécies mais resistentes ao fogo, coisas que, por importantes que sejam, não chegam aos calcanhares da luta contra os eucaliptos. É que tal luta, por estranho que pareça aos menos avisados, faz parte da grande guerra do socialismo radical, do socialismo do governo e até, imagine-se, da pouco avisada opinião do Presidente da República contra a propriedade privada, contra a indústria que não lambe as botas ao poder, numa palavra, é a guerra à democracia liberal, às grandes empresas, aos pequenos produtores independentes -  kulaques do século XXI –, a guerra pelo mais radical estatismo e pela sociedade politicamente controlada.

Por isso que os que não aceitam vergar-se à nova "moral" sejam obrigados a pagar publicidade para que a sua opinião, por mais certa que esteja, chegue ao grande público. Não têm direito a news.

No news, bad news.

 

18.11.18

GHOST WRITERS

Deve ser difícil dar largas a tanta hipocrisia e a tão formidável cinismo como fez o nosso (deles) primeiro-ministro ao escrever uma “carta aberta” ao seu ilustre camarada, Alegre por parte da mãe, sobre o formidável problema das corridas de touros, impropriamente chamadas touradas.

Quem teria escrito tal carta, é coisa que ninguém sabe nem saberá. Se o Pinto de Sousa tinha um tipo para escrever livros, porque não há-de o seu colega e camarada ter quem lhe escreva uma cartinha? Mesmo sendo um chorrilho de filosofia barata, não me parece que o respectivo subscritor tenha inspiração para tanto.

Deve ter encarregado de tão peregrina tarefa um dos múltiplos doutores da mula russa que o cercam.

A encomenda deve ter sido deste tipo:

Eh pá, escreve aí uma coisa que não contradiga a fufosofia da Graça e que, ao mesmo tempo, dê umas de compreensão aos pacóvios das touradas. Uma no cravo outra na ferradura. Não te esqueças de dizer – a Catarina vai gostar – que não sou de faenas, que não acho piada à coisa, o que não é inteiramente verdade, mas paciência. Sabemos bem que a verdade nunca é uma evidência, é coisa que se trabalha consoante o interesse da Nação. No caso, percebes, nada de proibições – o Jerónimo não gosta -, atiramos a batata quente para as autarquias –, é a descentralização, percebes? No fundo, só tens que seguir os costumes da geringonça e dar à coisa um ar sincero, intelectual, quase diria académico. E, claro, com uma pancadinhas nas costas do Alegre. Ele fica todo contente.

Contentes também ficarão os ignaros dos media (em costês diz-se mídia), felizes se sentirão os nossos queridos parceiros, a malta em geral, o partido, e até o Pedro Nuno vai comer daquilo sem perceber que, ao virar da esquina, lhe corto a cabeça por causa das ambições. Ele que se lembre do que fiz ao Seguro.

 

13.11.18   

ENCRAVINHADOS

 

A tropa e o chamado governo, reiteradamente, afirmaram que não sabem ao certo quais ou quantas as existências ou inexistências existiam ou deixaram de existir nos paióis de Tancos.

Da mesma forma, as mesmas entidades garantiram que não sabem ao certo quantos ou quais artigos “recuperados” correspondiam aos talvez roubados em tais paióis. O que é lógico: se não sabiam ao certo o que tinha sido roubado, ou talvez roubado, como seria possível conferir o recuperado?

Peço desculpa por insistir, certamente com malévola intenção, nesta tão especiosa matéria. É que o assunto foi, finalmente, esclarecido pelo embaixador Cravinho, nóvel ministro da defesa, pelo menos ao que consta. A verdade verdadinha é a que o dito senhor declarou solenemente, em sede parlamentar: as Forças Armadas não têm problemas de inventário.

Ora vêem? Afinal, a verdade é só uma, as más línguas, tropa e governos incluídos - à honrosa excepção do Cravinho - não falam verdade!

O IRRITADO, humildemente, apresenta ao respeitável público e ao douto governante as suas desculpas pelas dúvidas que teve e de que, em tempos, inadvertidamente se fez eco.

 

13.11.18

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