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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

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O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

SANGUE ESTRAGADO

 
Francisco de Sousa Tavares foi um homem polémico. Senhor de invejável cultura, impunha-se pela palavra, tão fluente quão profunda, e pela escrita, prosa bem informada, sempre entusiástica, quase sempre elegante.
Aprendi com ele muito do que, ainda hoje, subjaz ao que penso e digo.
Zangámo-nos e des-zangámo-nos muitas vezes. Era sempre o entusiasmo da opinião assumida com exagerado vigor o que nos afastava e voltava a juntar.
Tinha uma forma muito própria de se exprimir, com laivos ou de genialidade ou de loucura. Talvez por isso, toda a gente o conhecia por Tareco, umas vezes com desdém, outras com carinho. Assumia causas, por vezes sem razão, mas sempre com a mesma fibra, o mesmo entusiasmo , a mesma sinceridade. Defendia-as com pés e cabeça, informação, fundamento, preocupação intelectual.
Dele me ficou a herança dos princípios e a lição da vida.
 
Quando um pobre jovem de 16 anos, que me era querido, acabadinho de entrar para a faculdade, se enredou nas malhas da extrema esquerda e foi encarcerado pela PIDE, dos advogados “especializados” que, aflito, contactei (não me esqueço de nenhum – toda a gente os conhece, mas não refiro os seus nomes para não sujar este texto), foi o Tareco o único que indagou, requereu, barafustou, e até se pôs à porta de Caxias, aos gritos, que estava lá um menor, que era uma vergonha, arriscando-se por ele muito mais do que lhe poderia ser pedido. O jovem acabou por se suicidar, vinte anos depois. Votava CDS, era professor universitário, mas jamais recuperou dos traumas que três meses em Caxias lhe causaram. Saiu de lá com perturbações de que jamais se libertou. Saiu, diga-se, porque alguém meteu uma cunha a um grandalhão da PIDE, o qual toda a vida afirmou que a polícia política jamais prendera um miúdo de 16 anos. Nem a “honra” de uma “boa” ficha lhe outorgaram!
De pouco terá servido o trabalho do Francisco de Sousa Tavares, mas o gesto ficou para sempre na minha memória, como sinal de nobreza e de coragem.
 
Era o Francisco casado com uma das mais distintas artistas do nosso tempo. Tudo o que possa dizer de Sofia de Mello Breyner será demenos, ou demais.
 
Da junção do sangue destes dois ilustres portugueses nasceram muitos filhos. Mas a Natureza tem rebuscadas maneiras de se manifestar. Um desses filhos, talvez a querer imitar o Pai, o que, mesmo sem que com ele haja comparação, só lhe fica bem, é o story teller Miguel, do mesmo nome. Um homem mais de prosápia que de prosa. Um monumento de petulância, de convencimento, de sobranceria. Um fulano que se vê ao espelho e se acha o melhor do mundo. Um tipo que comete os mais incríveis erros – o que, em ficção até pode não ser mau – e que desafia quem sabe a demonstrar que errou, isto para que as almas simples o considerem. E consideram.
 
O motivo próximo destas linhas é o artigo do tal Miguel que o “Expresso” desta semana publica com as habituais parangonas. “Factos” completamente falsos, ignomínias inqualificáveis, zarolhismo militante, tudo sem outra justificação que não seja o ódio puro, rebuscado, a malvadez, a demolição pela demolição. Abaixo do mais baixo dos cães.
 
A Natureza tem destas coisas. Do cruzamento de dois sangues tão insignes sai uma coisa destas!
 
António Borges de Carvalho

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