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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

SOLUÇÃO SOCIALISTA PARA O PROBLEMA DO DESEMPREGO

O autor destas linhas estava em Moscovo no dia em que abriu o Mc Donalds. Pela primeira vez nos últimos setenta anos, os russos estavam autorizados a comer um bocado de carne picada com pão e alface, e a usar ketch up, maionese e batatas fritas, coisas de que, se calhar, jamais tinham ouvido falar. À volta de uma enorme praça e nas ruas adjacentes, uma bicha colossal, uns dez metros de largura por dois ou três quilómetros de comprimento. A multidão, habituada a não levantar o rabinho do selim, era ordeira. Pudera! Além disso, esperança de comer um hamburger pela primeira vez bem justificava umas dez horas de ansiosa espera, e sem protestos para não excitar as autoridades.
Fiquei, como se pode imaginar, extasiado com esta demonstração de liberdade. Centenas de milhar de pessoas autorizadas a estar na rua ao mesmo tempo! E a comer trampa capitalista! Uma coisa inédita, revolucionária. Ou reaccionária, segundo o ponto de vista.
 
À altura, uma viagem de táxi entre a Praça Vermelha e a rua Arbat tanto podia custar 10 dólares ao câmbio oficial, como 10 cêntimos ao câmbio paralelo. Uma nota de vinte dólares cientificamente colocada dentro do guardanapo, no restaurante do hotel (não havia outros restaurantes, ou quase, para além do Mc Donalds), dava direito a guardanapo lavado com uma quantidade astronómica de rublos nas dobras. Na Rua Arbat, demonstrando a libertária evolução dos direitos humanos que a perestroika proporcionava, havia uns barbudos miseráveis e porcos que vendiam uns quadros de fugir e umas artesanias arrepiantes. Nas ruas, os sinais de “liberalização” saldavam-se por dois ou três pares de sapatos por montra, ou duas blusas que nem na Rua dos Fanqueiros, em cada (raríssima!) loja de pronto a vestir.
A criada do hotel quase chorou de alegria quando lhe dei dois sacos de plástico do free shop de Lisboa. Um amigo meu, provectos 75 anos, resolveu, no dia partida, dar à criada que fazia as camas os restos de trocos, em rublos, que tinha no bolso. Contentíssima, a rapariga foi fechar a porta e começou a despir-se.
 
A que propósito vêm estas recordações? A título de exemplos do bem-estar soviético? Não!
O que o Irritado quer é ajudar o senhor Pinto de Sousa a resolver o problema do desemprego. É que, na URSS, não havia desemprego! Há que ir buscar a genial receita. Passo a explicar:
Naqueles inolvidáveis dias, querendo telefonar para casa, dirigi-me à menina da recepção do hotel. Depois de tomar nota do número, a menina, muito simpática, agarrou-se ao telefone e, após ter conferenciado, julgo, com entidades várias, anunciou-me que, no dia seguinte, por volta das 19 horas, teria, no meu quarto, a almejada chamada. À hora aprazada lá estava eu à espera. Mais de uma hora depois, como chamada alguma viesse, lá fui falar com a menina. Só que a menina era outra. Fez-me uma cara de pau do caneco. Não sabia nada do assunto, nem tinha nada com isso. Nem sequer percebia o meu problema. Pois se eu tinha pedido a chamada à Natasha , o que é que a Ludmila podia fazer? Esmagado por esta irrefutável lógica, desisti da reclamação, e pedi nova chamada. Ficou marcada para as 19,30 do dia seguinte. Escusado será dizer que, no dia seguinte, se passou exactamente a mesma coisa: à Irina, que substituía a Ludmila, o problema era alheio. Resolvi, então, perguntar quando é que a Natasha voltava ao serviço. Ao que me foi respondido que só na segunda-feira seguinte, isto é, uma semana depois do serviço anterior. Aprofundado o assunto, concluí que tudo se passava como segue: cada menina trabalhava 12 horas no hotel, de oito em oito dias. Ou seja, aquele posto de trabalho, que, no desgraçado mundo ocidental, daria para três pessoas, em Moscovo dava para 16! O pleno emprego no seu melhor.
 
Para o senhor Pinto de Sousa, aqui fica a solução: se a força de trabalho, em Portugal, for de 5 milhões de infelizes, e se há 500 mil desempregados, com a receita soviética arranja-se emprego para todos e, em caso de necessidade, ainda sobra para muitos mais.
Vêm como é fácil? Não há problema que o socialismo não resolva.
 
António Borges de Carvalho

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