PERGUNTAS
Aos tristes portugueses, através de múltiplas estações de “informação”, é-lhes agora “oferecido”, horas a fio, um repugnante espectáculo: um aldrabão diplomado ataca o mundo, à borla, com as suas intermináveis diatribes. Chusmas de indivíduos, ditos jornalistas, oferecem ao fulano horas de telejornais em que as tais chusmas, pacóvias, histéricas, frenéticas, gritam perguntas destinadas a deixá-lo inundar-nos com avalanches de “bocas” repetidas à exaustão. O homem condena juízes, procuradores, polícias, tudo o que mexe, para nos meter na cabeça que ele, cidadão honesto, impecável, impoluto, é perseguido por tal gente, coitadinho, vítima indefesa de rebuscadas cabalas.
Segundo parece, o inacreditável “engenheiro”, dito Sócrates, tem o direito a ser julgado, embora tenha feito o possível e o impossível, o imaginável e o inimaginável, para evitar tal coisa. Se está inocente, como diz, porque não quer, ou não queria, ser julgado?
Pergunta o IRRITADO: não entende o réu que basta o que já em tempos disse de si mesmo para se saber de ciência certa que se trata de um pendura miserável, que para desonesto lhe faltam as asas, que não lhe assiste qualquer sombra de escrúpulo? Ainda não percebeu que já está julgado pelo povo e que o veredito é culpado?
E ainda, as questões principais: não percebem os “jornalistas” e os respectivos chefes que o tipo não merece que percam tempo com ele? Que nós não merecemos a palhaçada diária das suas bocas? Que devia haver alguma dignidade informativa em vez da exploração ad nauseam da verve ordinária e aldrabófona do réu? Que seria sua deontológica obrigação poupar-nos a este miserável ciclo de oportunismo soi disant informativo?
Perguntas sem resposta, é certo. Mas não é mau que aqui fiquem.
10.7.25