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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA GOVERNÂNCIA COLABORATIVA

 

 

 
O computador estremeceu de nojo quando escrevi o título deste post. Só sossegou quando pus a bojarda em itálico. Mesmo assim, as teclas ainda não arrefeceram, coradas de vergonha. Tenho um certo medo de continuar, não vá a máquina explodir com o resto da história.
Calcule-se que a mui nobre e exigente Fundação Gulbenkian acaba de dar um prémio de 100.000 euros aos inventores da “governância colaborativa”!
Ao levar com tal expressão na cara, fiquei de tal maneira estupefacto, que desconfiei de mim próprio. Fui ao dicionário do computador (da Porto Editora). Fiquei mais descansado. Nem “governância”, nem “colaborativa”. Em contra-prova, fui ao Cândido de Figueiredo. Nem “governância” nem “colaborativa”. Tinha razão! Mas preferia não a ter. Preferia que esse alto pilar da cultura em Portugal que é a Fundação Gulbenkian tivesse um pouco de pudor, e não premiasse tão violento analfabetismo.
 
Passemos à história. O prémio foi dado a uns ignorantes que pariram uma coisa que se chama “MarGov – Governância Colaborativa das Áreas Marinhas”, e que, no âmbito deste extraordinário pontapé na gramática, decretaram umas normas com que pretendem vir a governar (ou “governanciar”) o chamado Parque Marítimo da Arrábida.
Em extraordinária demonstração do nível técnico, científico e cultural da sua obra, os tipos não encontraram melhor designação. Foram buscar ao inglês a palavra “governance” e, inteligentemente, acrescentaram-lhe um i. Dado o analfabetismo, nem sequer repararam que há quem diga, com razão ou sem ela – eu acho que sem ela – que “governança” existe em português. Não. A ignorância, além de grande, é criativa. Acharam que um i a mais ficava bem. Não sabem, por outro lado, que há uma série de palavras em inglês cuja tradução portuguesa é, simplesmente, “governo”: government, governance, governorship,… No caso, poder-se-ia traduzir governance por “gestão”, talvez por “governo”, nunca por “governância”. Ao querer aplicar um inglesismo inútil e pretensioso, os ignorantes nem sequer foram capazes de o aportuguesar com um mínimo de respeito pela sua própria língua.
Com “colaborativa”, estamos na mesma. Uma invenção tão inútil quanto ignorante e estúpida. Não se tratará de um inglesismo, uma vez que “colaborative” não existe na língua de Shakespeare. É um “portugalhismo”.
 
Trocadas as coisas por miúdos, o que é que os ignorantes – por certo doutores e engenheiros! – quiseram significar com a monumental bojarda? Exprimir uma ideia tão simples como “co-gestão”, ou “gestão participada”, ou coisa do género? Julgo que sim. Mas, em demonstração daquilo a que se poderia chamar “piroseira delirante”, quiseram inovar, dar um ar da sua graça, ser criativos, como se diz agora. E criaram uma das maiores alarvidades que já vi em letra de forma.
Tão triste como isto é o facto de a Fundação Gulbenkian os ter premiado sem, sequer, ter tido o cuidado de os aconselhar a mudar a designação do projecto. De justiça será dizer que há outra entidade envolvida na coisa, ou seja, que avalizou a trafulhice linguística dos fulanos: o Oceanário de Lisboa. Mas não terá tantas responsabilidades na matéria. Perdoe-se-lhe o imperdoável.
 
Acrescente-se, seguindo o que diz um jornal, que a representante dos analfabetos é uma senhora, de seu nome Lia Vasconcelos, da Faculdade de Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
E eu que julgava que a UNL era uma instituição de grande qualidade!
 
O computador e o teclado estão agora mais calmos. Saco despejado, the people rests. O povo que resta, como diria a dona Lia.
   
António Borges de Carvalho

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