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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

MORALIDADE SOARISTA

 

Aqui há uns anos, perguntei a um amigo irlandês se havia muitos partidos políticos lá na terra. A resposta foi que havia mais de vinte, mas nenhum de esquerda nem nenhum de extrema direita.
Não posso deixa de atribuir a esta circunstância, talvez exagerada pelo meu amigo, o sucesso espantoso da Irlanda. Não por encanto, a Irlanda passou de país mais miserável que o nosso a um dos mais ricos estados da União Europeia.
A Irlanda não se preocupou em demasia com infra estruturas, antes pensou em produzir e vender, não se preocupou com a precariedade do trabalho mas com as carreiras profissionais dos cidadãos, não subsidiou as aulas de substituição, antes obrigou (sem problemas, porque há lá professores) a que não houvesse tempos mortos. A Irlanda não tem sindicatos inspirados por partidos comunistas. A Irlanda nunca foi socialista. A Irlanda criou riqueza e, nela, alicerçou com sucesso variados e eficazes esquemas de protecção social.
Tout court, a Irlanda é um sucesso. É um país liberal.
É claro que se trata de um país com muitas características intoleráveis, no que à política externa diz respeito. Nem por isso deixa de ser um sucesso, no que se refere á qualidade de vida, ao bem-estar económico dos seus cidadãos.
 
No resto de Europa, a receita parece ter feito algum caminho. Entre os que nos são próximos, julgo que só a Espanha e a Grã-Bretanha têm ainda um governo socialista, sendo que o senhor Brown tem os dias contados e que o país inteiro está ansioso por eleições que tragam os conservadores ao poder outra vez. Trata-se dos dois países europeus em que, além de nós, a crise é mais grave. Trata-se dos dois países europeus que, além de nós, têm o socialismo no poder.
 
Como é evidente, esta não é uma abordagem filosófica da questão. Trata-se de simples verificação de indesmentíveis factos. Os cidadãos europeus, por esmagadora maioria, compreendem as consequências dramáticas da teoria e da prática socialistas, e votam em conformidade. Entre nós, as consequências do esquerdismo, totalitário ou não, que, desgraçadamente, se pendurou à democracia, são ainda fonte e causa da nossa apagada e vil tristeza.
 
Há quem não queira ver, nem perceber. O preconceito ideológico é mais forte que os factos.
Ainda ontem, em mais uma das suas tão admiradas diatribes contra o “neo-liberalismo” (o que é isso?), o Presidente Soares veio zurzir, com a com a autoridade e o jogo de anca que o assistem, a crise norte-americana, chegando ao ponto de lançar os seus anátemas sobre as intervenções do governo do senhor Bush no mercado financeiro, isto é, ao ponto de condenar uma atitude dita menos “neo-liberal”. O que, se feito por socialistas, seria objecto dos maiores encómios por parte do mesmo senhor! É evidente que, para o Presidente Soares, o senhor Bush fez mal, mas o Congresso, com maioria da oposição, se aprovar as medidas do senhor Bush, fará bem!
 
O Presidente Soares acha que o capitalismo tem que ser objecto de uma série de reformas. Talvez. Dando de barato que as reformas que o Presidente Soares propõe são necessárias, haverá que dizer que, como os governos socialistas em Portugal, incluindo os do PM Soares, bem demonstraram, jamais será com socialistas no poder que tais reformas serão possíveis.
O Presidente Soares compreende, julgo, que não há, nem nunca houve, democracia sem capitalismo. Mas não é capaz de entender que é o socialismo, dito democrático, quem parece ter o condão de, com raras excepções, fazer vir ao de cima as piores características do capitalismo, ou a sua perversão “des-liberalizante”. É que o capitalismo liberal é o capitalismo sob o primado do Direito. Querer “des-liberalizá-lo”, por mero preconceito ideológico ou por outra qualquer razão, corresponde, como acontece em Portugal, a tentar instrumentalizá-lo, sem perceber que ele “florirá” da pior maneira por entre as malhas do “primado da política”. Afinal, ao contrário do que diz Soares e afirmam as suas hostes, é quando a política quer “domar” e servir-se da economia, em vez de regular e fiscalizar o exercício da sua “liberdade liberal”, como é função do Estado, que as distorções sociais e económicas surgem em maior força.
 
A filosofia do Presidente Soaras, ontem expressa no DN, mereceria muito mais comentários, não fora o receio do Irritado de maçar os seus leitores.
A uma última observação, porém, não resisto.
O Presidente Soares acaba as suas considerações numa girândola “moral”. Acha que é preciso velar para que os homens e as mulheres de Esquerda (e de Direita, ou do Centro, digo eu) que cheguem ao poder nos Estados ou nos partidos, sejam pessoas impolutas, que saibam distinguir os negócios privados do serviço público. Não sei como se “vela” por isso, mas estou de acordo.
O problema é que, em Portugal, comprovadamente, tem sido a esquerda (o PS), e não a direita, quem mais tem contribuído para a promiscuidade contra a qual o articulista se pronuncia.
 
Não admira. O Presidente Soares acha que esses impolutos seres, terão que se informar na honradez republicana que permitiu que a nossa I República, apesar de só ter durado dezasseis anos, deixasse um legado de moralidade.
Pois.
Foi isso a que o Presidente Soares chama honradez republicana o que fabricou um regime de alfurjas, de insegurança, de instabilidade e de miséria, coroado pela sua natural e inevitável consequência: a ditadura da II República.
Obrigadinho. Essa “moralidade” e essa “honradez” não fazem cá falta nenhuma.
 
24.09.08
 
António Borges de Carvalho
 

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