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irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

irritado (blog de António Borges de Carvalho).

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill

DA IRRESPONSABILIDADE MILITANTE

 

 
Por razões facilmente compreensíveis, o Irritado não é propriamente um admirador da dona Fernanda Câncio, ilustre jornalista do Diário de Notícias e não só.
Apesar disso, acho que vale a pena referir alguns dados por ela publicados sem pôr em causa a sua fidedignidade.
A senhora começa por citar algumas queixas que tem recebido de professores, todas elas sobre casos em que os mesmos consideram um atentado aos seus sacros “direitos” ter que, por vezes, fazer coisas que qualquer profissional de qualquer profissão consideraria como normais, parte daquilo que pode classificar-se como mera dedicação à profissão, sentido da responsabilidade ou seriedade profissional.
Os ditos professores acham, por exemplo, que é um acto heróico trabalhar num sábado de manhã, ter oitenta alunos, ensinar cinco turmas, fazer um mestrado com sacrifício de uns fins de semana, esclarecer dúvidas aos alunos nos intervalos, ter forças para motivar os alunos sendo maltratado pelo ministério, fazer manifestações ao sábado, etc.
Se os queixinhas que foram ter com a dona Fernanda à procura de apoio representam a “classe”, então estamos perante uma classe que perdeu por completo o sentido da dignidade e da responsabilidade, uma gente que considera não ser necessário ter o mais leve brio profissional, uma malta que aceita e defende uma abominável interpretação do que são os direitos de cada um, uma desprezível concepção do que é o “direito” e do que é o “trabalho”.
 
Pode, a título de desculpa, dizer-se que esta gente é vítima de anos e anos de bagunça educativa, das experiências pedagógicas dos iluminados que se entretêm a baralhar e dar de novo, da monumental demagogia ideológica que tem inquinado o ensino, do esquerdismo paranóico dos conceitos oficiais, da monumental quão ignorante e politicamente engagée burocracia do Ministério, da demagogia infrene dos sindicatos, do domínio do PC nestas matérias, da parvoíce endémica do senhor Pinto de Sousa e da desgraçada da ministra, do centralismo idiota do sistema, etc.
 
Não colhe. Apesar de tudo, e ainda que a maioria dos professores nem um curso universitário tenham, é de elementar exigência pensar que alguma consciência profissional os poderia animar.
 
Voltando à dona Fernanda. A senhora acrescenta alguns dados importantes, oriundos da OCDE.
Cito, por palavras minhas:
- No ensino básico, o ratio professor/estudante é de um para onze. A média da OCDE é de um para dezasseis;
- No secundário (ratio 1/13) passa-se o mesmo;
- Dos países da OCDE com menor PIB per capita, Portugal é dos que melhor pagam aos professores;
- A partir dos quinze anos de carreira, os vencimentos dos professores portugueses ultrapassam os da Suécia, da Itália e da Noruega;
- No topo da carreira, tais vencimentos estão ao nível dos da Alemanha e da Finlândia e acima dos da Dinamarca, do Reino Unido e da França;
- O tempo de trabalho de um professor em Portugal é de 1440 horas/ano, mais de 250 horas(!) abaixo da média da OCDE.
 
Acrescentemos que não passa pela cabeça de um professor, num país “normal”, recusar-se a dar aulas de substituição ou exigir, por isso, pagamentos extra.
Acrescentemos que os níveis de aproveitamento escolar em Portugal são uma vergonha, dificilmente se podendo excluir a responsabilidade dos professores por tal vergonha, ainda que não a cem por cento.
Finalmente, diga-se que a ausência de sentido crítico e a falta de dignidade profissional, como largamente os últimos tempos têm demonstrado, levam a esmagadora maioria dos professores a deixar-se arrastar pelo leninismo infrene dos PCs e dos seus agentes “escolares”. Caso ímpar na Europa civilizada, a demonstar o inenarrável atrazo desta terra onde, apesar da mais que evidente catástrofe da “governação” socialista, parece que, segundo as sondagens, ainda há uma maioria a pensar votar à esquerda.
 
13.12.08
 
António Borges de Carvalho

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